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LIMPEZA DA SALA DE OPERAÇÃO E DO CENTRO CIRÚRGICO

Orientações baseadas no Guia de Recomendações de Controle de Infecção


Ambiental do CDC e na Portaria n15, de 23/08/1988, da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA).

1. Finalidades da limpeza:

 Remoção da sujidade visível;


 Remoção, redução ou destruição de microorganismos;
 Controle de disseminação de contaminação biológica, química e radioativa;
 Remoção de substancia pirogênica;
 Estética.

2. Principais fontes de microorganismos relacionados à transmissão das infecções


hospitalares. Em ordem de importância são:

 Pacientes;
 Profissionais;
 Artigos médico-hospitalares;
 Ambiente.

3. Transmissão de microorganismos de superfícies ambientais móveis e


equipamentos

Esse tipo de transmissão ocorre, predominantemente, pelo contato direto ou indireto.


Também pode acontecer pela suspensão de microorganismos de áreas e superfícies para
o ambiente por movimentação do ar.

4. Participação da higiene hospitalar no controle de infecções hospitalares. Essa


participação é determinada por:

 Diminuição da suspensão de partículas e microorganismos de superfícies fixas


no ar em situação de movimento;
 Controle de vetores;
 Diminuição da transmissão por contato

5. Classificação das áreas hospitalares segundo o potencial de contaminação. As


áreas são classificadas em:

 Áreas críticas: locais onde se realizam alto volume de procedimentos invasivos,


presença de alta contaminação ou onde se encontram pacientes
imunodeprimidos. Ex: sala de operação, salas de parto, UTI’s, pronto-socorros,
unidade de queimados, hemodiálise.
 Áreas semicríticas: locais ocupados por pacientes com doenças infecciosas de
baixa transmissibilidade e não infecciosas, excluindo as incorporadas às áreas
críticas. Ex: setores de internação, ambulatórios.
 Áreas não-críticas: todas as áreas não ocupadas por pacientes e onde não são
realizados procedimentos invasivos. Ex: áreas administrativas de forma geral.
6. Tipos de limpeza
Os tipos de limpeza comumente considerados são:

 limpeza concorrente: realizada diariamente, inclui pisos, sanitários, superfícies


horizontais de equipamentos e móveis, esvaziamento e troca de lixo e roupas,
arrumação em geral. Em condições especiais, pode e deve ser realizada mais de
uma vez ao dia, como em salas de operação e centro obstétrico, ao término de
cada procedimento;
 limpeza imediata ou operatória: remoção e limpeza local de sujidade acidental
após limpeza concorrente, em qualquer período. Ela se refere a sujidade
orgânica, química ou radioativa, com risco de disseminação e contaminação;
 limpeza de manutenção: limpeza de piso, banheiros e esvaziamento de lixo em
locais de alto fluxo de pessoal e de procedimentos; deve ser realizada pelo
menos uma vez, em todos os turnos, por meio de vistoria contínua. Os locais
onde essa limpeza ocorre com frequência são pronto-socorro e ambulatório, em
virtude da alta rotatividade de atendimentos;
 limpeza terminal: limpeza mais completa, inclui pisos, paredes, equipamentos,
móveis (leitos, macas, colchões),janelas, portas, peitoris, varandas, grades do ar-
condicionado, luminárias, teto, entre outros. A periodicidade depende da área
onde esses itens se encontram e da ocorrência de sujidade.

7. Métodos e equipamentos de limpeza de superfícies fixas.

 limpeza molhada: método mais eficiente, podendo ser repetido quantas vezes
for necessário. Pode ser manual (escova, esfregão e rodo com escoamento no
ralo) ou mecânica (máquinas com recipiente para detergentecom dispositivo de
auto aplicação).
 limpeza úmida: geralmente manual, com uso de baldes, pano, esponja e pano
umedecido com água para enxugar. Há várias desvantagens nesse tipo de
limpeza: ela não é tão eficaz quanto a molhada, requer várias operações manuais
para molhar e torcer, há maior risco de contaminação do operador e
possibilidade de transferência de sujidade em vez de sua remoção.
 limpeza seca: retirada de sujidade, pó ou poeira, por meio de vassoura,
aspirador, espanador, entre outros. A limpeza com vassoura só é recomendável
em áreas não-críticas descobertas. Deve-se preferir o uso de aspirador em áreas
não-críticas cobertas.

8. Níveis de desinfecção por tipos de microorganismos.

Os níveis de desinfecção internacionalmente reconhecidos são:


 desinfecção de alto nível: atua sobre bactérias vegetativas, bacilo da
tuberculose, esporos, fungos, vírus lipídicos e de tamanho médio, vírus não
lipídicos e pequenos. São agentes desinfetantes de alto nível: glutaraldeído,
ácido peracético e peróxido de hidrogênio;
 desinfecção de nível intermediário: não atua sobre esporos e tem atuação
limitada sobre vírus não-lipídicos e de tamanho pequeno. Os desinfetantes deste
nível são: compostos de cloro, alcoóis, alguns fenólicos e iodóforos;
 desinfecção de baixo nível: não atua sobre o bacilo da tuberculose e age com
limitação sobre fungos e vírus não-lipídicos e de tamanho pequeno. Os
desinfetantes de baixo nível são: quaternários de amônio, alguns fenólicos e
iodóforos. Nota-se que os desinfetantes hospitalares geralmente são de baixo
nível, com ação testada sobre Pseudomonas aerurginosa, Staphilococcus aureus
e Salmonella cholerae suis, não tuberculicidas.

9. Limpeza em Centro Cirúrgico

Os materiais inanimados, como superfícies fixas e móveis parecem não ser fontes
importantes de contaminação microbiana direta do ar ambiente e o seu deslocamento
para o sítio cirúrgico. A possibilidade de transmissão de contaminação e de infecção
pelos microorganismos presentes nesses locais é essencialmente através de contato, logo
esses locais devem receber tratamento adequado de limpeza para a redução da sua
contaminação.
O uso dos desinfetantes é defendido, mesmo nas superfícies não visivelmente
contaminadas por substâncias orgânicas, em virtude da possibilidade de elas estarem
contaminadas por microorganismos importantes no ambiente hospitalar, como:
Staphilococcus aureus resistente à oxacilina, enterococos resistente à vancomicina e
vírus, entre eles, o rotavírus.
No centro cirúrgico são poucas as superfícies móveis que entram em contato com o
paciente, entre elas a maca e a mesa operatória, ainda que não diretamente, em razão da
proteção do lençol. Mesmo assim, sua desinfecção entre um paciente e outro é
desejável. Outras superfícies que não entram em contato direto com o paciente, mas
com os objetos utilizados na sua assistência, também devem ser submetidas à
desinfecção, como mesas de instrumental e carrinhos de anestesia.
A limpeza da SO deve proporcionar um ambiente limpo para os pacientes cirúrgicos
e ser realizada de forma que minimize as exposições dos pacientes e dos profissionais
aos microorganismo potencialmente infecciosos. Ela destina-se, principalmente, à
contenção da presença de microorganismos exógenos (que não pertencem a microbiota
humana) e ao controle da sua transmissão por contato.
O pó deve ser retirado de todas as superfícies horizontais da SO (móveis, focos,
equipamentos) antes do primeiro procedimento do dia, com um tecido limpo embebido
por um produto químico, o mais comum é o álcool à 70% que, além da ação
desinfetante, evapora e permite uma secagem mais rápida, pois poeira, fibras e outras
partículas são depositadas principalmente nas superfícies horizontais. Isso auxiliará na
redução de contaminantes do ar ambiente que possam ser carreados nessas partículas.
Ela é comumente denominada limpeza pré-operatória.
O preparo da SO antes de cada cirurgia e antes da introdução do paciente, de
materiais e de equipamentos deve incluir a inspeção visual da limpeza. Equipamentos
de áreas externas precisam estar isentos de poeira antes de entrar na SO.
Durante os procedimentos cirúrgicos, a contaminação deve ser confinada à área
imediata do campo cirúrgico. Em caso de derramamento acidental de substâncias
orgânicas, passíveis de conterem patógenos, é desejável sua limpeza imediata, sempre
que possível. Essa limpeza é conhecida por limpeza operatória. Para isso deverá ser
usado um pano de tecido ou não tecido descartável, limpo e umedecido.
Após cada procedimento cirúrgico, a limpeza visível do ambiente deve ser
restabelecida. Ela é comumente denominada limpeza concorrente e inicia-se com a
retirada de todos os materiais utilizados. Nessa limpeza, os itens descartáveis devem ser
desprezados de acordo com o tipo e os regulamentos previamente estabelecidos.
Aqueles que se encontram contaminados por sangue e outras substâncias orgânicas e
que podem produzir extravasamento sob compressão devem ser colocados em
recipientes resistentes à prova de umidade (sacos plásticos), codificados com cor, letras
ou símbolos de fácil identificação. Eles incluem aventais, campos, luvas, tubos de
sucção, extensões, cânulas, entre outros, que sejam descartáveis.
Itens reutilizáveis serão processados de acordo com regras e procedimentos
previamente estabelecidos, sendo transportados em recipientes identificados, fechados e
à prova de vazamento, para prevenir a exposição ocupacional e a contaminação do
ambiente por contato.
Todos os objetos pérfuro-cortantes descartáveis (agulhas, lâminas de bisturi, entre
outros) são considerados lixo infeccioso e devem ser colocados em recipientes
resistentes, identificados como portadores de material de risco biológico, a fim de evitar
ferimentos nos profissionais.
Objetos pérfuro-cortantes não-descartáveis, como instrumentais cirúrgicos, cuba-
rim, entre outros, até que sejam descontaminados só podem ser manipulados com uso de
EPI. Tubos de sucção e cânulas reutilizáveis devem ser esvaziados cuidadosamente,
lavados e desinfetados pelo pessoal, também com uso de EPI.
Paredes, portas e focos cirúrgicos somente são limpos entre as cirurgias, se houver
contato com sangue e/ou outras substâncias orgânicas. A limpeza por fricção mecânica é
mais efetiva, incluindo a escovação.
A limpeza do piso ao final das cirurgias somente é necessária por ocasião de
sujidade visível, ou então, deve limitar-se ao perímetro ao redor do campo cirúrgico.
Todo o piso da SO recebe limpeza diária terminal, ao final das cirurgias eletivas. Não há
dados para comprovar a necessidade da limpeza de todo o piso após cada cirurgia.
Salas operatórias, áreas de utilidades e de degermação devem ser limpas
diariamente, no final das cirurgias eletivas. Essa limpeza é reconhecida como limpeza
terminal, incluindo itens como: focos cirúrgicos e seus trilhos ou suportes;
equipamentos, incluindo as rodas e as gavetas; grades do sistema de ventilação;
superfícies horizontais e lavabos.