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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – UESPI

CAMPUS PROFESSOR ALEXANDRE ALVES DE OLIVEIRA


CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
LABORATÓRIO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM ENSINO DE
SOCIOLOGIA – LEPES

Músicas para aulas de sociologia


Título: Dia do Alívio
Compositor(a): Forfun
Ano: 2008
O cenário do rock nacional ganhara uma roupagem nova a partir dos anos 2000,
passando a creditar espaço a bandas politizadas no mainstream nacional. Eis que
nasce em meados de 2001 a banda Forfun, com uma genética no hardcore/emo, se
História da reformulando ritmicamente ao alcance da juventude vigente e mantendo seus ideais
música: políticos em suas letras. Em 2008 a banda lança o álbum POLISENSO, mesclando
ritmos diversos emitindo em suas músicas letras contendo ataques a temas
cotidianamente debatidos, como a música/letra “O dia do alívio” que apresentaremos
aqui como proposta de aula.

Link: https://letrasweb.com.br/forfun/dia-do-alivio-boldo-mix.html

Duração: 2:58
1. 15 mil carros fabricados por hora
'Meu pirão primeiro' é a lei que vigora
Shoppings lotados, bibliotecas vazias
Liberdade confundida com pornografia
2. Mas virá o dia em que
A verdade vai surgir
Nem alegria e nem tristeza

Letra: Será o dia do alívio

Refrão (2x): A missão é seu escudo


E a verdade sua espada

3. Pombos na areia, terrenos cercados


Prédios subindo, seguranças armados
Trapaça, cobiça, mentira, ganância
A falta de amor é a intolerância
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4. Mas virá o dia em que


A verdade vai surgir
Nem bandido e nem polícia
Será o dia do alívio

(2x)
A missão é seu escudo
E a verdade sua espada

A missão é seu escudo (mas vira o dia em que)


E a verdade sua espada (a verdade vai surgir)

A missão é seu escudo(nem alegria e nem tristeza)


E a verdade sua espada(será o dia do alivio)

 Introdução ao tema sociedade capitalista.


Objetivos:
 Introdução ao tema classes sociais.
 Sugerimos que a aula proposta aqui deva ser aplicada durante o
desenvolvimento do tema classes sociais e capitalismo.
 Propomos uma divisão desta aula em 2 momentos, ficando a cargo do
Observações:
professor o primeiro momento, trazendo explanações sobre classes sociais e
capitalismo. Já para o segundo o momento fica a apresentação da música e
abertura de discussão entre os alunos.
Primeira parte: introdução ao tema
O termo classe costuma ser emprego em diversas situações, como por
exemplo, “ alguém tem classe”, “classe política”, “classe de professores”, etc. Estas
Trabalho em são algumas formas que usamos para definir características, tipos de comportamento,
aula: grupos sociais ou profissionais.
Na perspectiva marxista, usa-se o termo classe na classificação ou hierarquia
de grupos sociais. A sociedade capitalista é dividida em classes, tendo uma
configuração estrutural particular, evidenciando as condições econômicas e políticas
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como elemento constitutivo de dominação e submissão, burguesia e proletariado, etc.


Pode-se destacar outros fatores de distinção e diferenciação, tais como religião, honra,
ocupação e hereditariedade, com maior ênfase no sistema de castas(qualquer grupo
social, ou sistema rígido de estratificação social, de caráter hereditário) e estamentos(estado
ou condição em que alguém pode subsistir ou permanecer).
Assim, as classes sociais expressam, no sentido mais preciso, a forma como as
desigualdades se estruturam na sociedade capitalista.
Podemos utilizar de duas maneiras de pensar sobre a questão de classes, pelo
processo de produção ou considerando a capacidade de consumo. No primeiro caso, pode-se
ter uma hierarquização dos grupos como a seguinte: classes dos proprietários de terra,
burguesa (industrial, financeira), pequeno-burguesa ou média, trabalhadora ou operária. No
segundo, têm-se: classes alta, média e baixa ou, então, variações como A, B, C, D e E.
Para Karl Marx, a estrutura de classes na sociedade capitalista é o próprio movimento
interno desta estrutura, sendo o antagonismo entre a burguesia e o proletariado a base da
transformação social. Marx afirma que as sociedades capitalistas são regidas por relações em
que o capital e o trabalho assalariado são dominantes e a propriedade privada é o fundamento
e o bem maior a ser preservado.
Já Max Weber, ao analisar a estratificação social em uma sociedade, parte da
distinção entre as seguintes dimensões:
 Econômica – quantidade de riqueza (posses e renda) que as pessoas possuem.
 Social – status ou prestígio que as pessoas ou grupos têm, seja na profissão,
seja no estilo de vida, etc.
 Política – quantidade de poder que as pessoas que as pessoas ou grupos
detêm nas relações de dominação em uma sociedade.
Partindo destas três dimensões, Weber afirma que alguns indivíduos possam
possuir posses e renda, mas não disporão de status, prestígio ou posição de
dominação. Para Weber classe é todo grupo humano que se encontra em igual
situação de classe, isto é, os membros de uma classe têm as mesmas oportunidades de
acesso a bens, a posição social e a um destino comum. Essas oportunidades são
derivadas, de acordo com determinada ordem econômica, das possibilidades de dispor
de bens e serviços.
Segunda parte: trabalhar a música em sala

Nota-se que a letra proposta supracitada neste documento, encontra-se


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classificada em 4 itens, dispostos cada item em estrofes separadas, de forma a auxiliar


a compreensão e analise da letra/música.
Na primeira estrofe podemos discorrer sobre a consciência de classe,
apresentada na frase “Meu pirão primeiro é a lei que vigora”, assim como a
disposição dos meios de produção, aos quais não pertencentes mais
trabalhador/proletário, mesmo assim se apresentam como fetiche do indivíduo, assim
como meio de subsistência ao trabalhador no meio industrial, apresentado na frase “
15 mil carros fabricados por hora”.
Na frase “shoppings lotados bibliotecas vazias”, se apresenta um dos grandes
elementos da discussão de classes, no qual por vezes é disposta da classificação,
segundo Pierre Bourdieu, capital cultural e capital econômico, como elementos de
distinção de classes.
A última frase desta primeira estrofe apresenta uma argumentativa conquistada
pelos regimes SOREX (SOCIALISMO REALMENTE EXISTENTE), que difere do
socialismo utópico, a afirmativa de obliteração da exploração infantil, seja ela em
âmbito do trabalho como na exploração sexual.
A segunda estrofe se dedica a apresentar ideais utópicos, tais como “a verdade
irá surgir”, “ nem alegria e nem tristeza” e “será o dia do alívio”. Pode-se interpretar
tais afirmativas como parte do comunismo utópico, ideal este, que segundo autores
marxistas (diferente das palavras do próprio Marx)1, seria um estágio no qual os
indivíduos participam de um nivelamento de classe de grau tão elevado, que não
haveria mais a necessidade de classificação entre sentimentos e o grau de
sociabilização seria tão elevado que não haveria espaço para condições de
precariedade entre os indivíduos que participassem daquela comunidade.
A terceira estrofe se encarrega de apresentar o cenário das classes, analisemos
a seguinte frase, “pombos na areia, terremos cercados” e “prédios subindo,
seguranças armados”, podemos afirmar que, em locais públicos como parques e
praças, os pombos são aceitos pelos clientes destes locais públicos, enquanto os
mendigos ou como denomina Marx, os Lumpemproletariado, não tem

1
Ressalta-se que o próprio Marx não conceituou o que seria o estágio de comunismo, previsto que este
somente se daria após o estágio de socialismo, sendo este o estágio no qual os trabalhadores tomariam
o poder dos meios de produção, e o comunismo seria o resultado dialético deste.
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permissibilidade e aceitação para comungar de tais locais. Que se encontram


“fechados” para tal classe social.
A terceira estrofe também apresenta características do homem em estado
egoísta, tais como cobiça, ganancia, trapaça e mentira”, refutados pela filosofia
antagonista do capitalismo, o socialismo. Ressalta-se a frase de destaque “a falta de
amor é a intolerância”, cujo lema participa da religião de maior alcance ocidental até
então, o cristianismo, porém mesmo assim, negligenciado perante a este sistema
econômico- filosófico.
A quarta estrofe fica o encargo de reiterar as argumentativas apresentada na
letra, apresentando uma alternativa de ideais utópicos diferente, como o apresentado
na frase “nem bandido e nem polícia”.

Obs. Sugerimos a abertura de diálogo entre os discentes, para que desta forma,
possam apresentar argumentos complementares e integrar-se ao tema proposto.

Carlito Lins de Almeida Filho – Graduando do curso Licenciatura plena em ciências


Autor(a) da sociais – Universidade Estadual do Piauí – UESPI; Bolsista PIBIC 2016/2017;
resenha: integrante do GEFIT ( Grupo de Estudos em Filosofia Transcendental) – Membro do
LEPES ( Laboratório de estudos e pesquisas em Sociologia).