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2- A EVOLUÇÃO HISTÓRICA E O ATUAL MODELO DE FAMÍLIA

A estrutura da família, desde os primórdios até hordienamente, passa por várias


transformações. No direito romano a família era composta pelo o homem e a mulher
que se casassem conforme os costumes, e em razão do matrimônio surgia os filhos,
sendo excluído qualquer um que não se enquadrasse nesse padrão. Neste modelo
familiar o homem era o detentor do poder familiar e o exercia perante a esposa e sua
prole, desse modo a figura masculina é enaltecida por várias décadas.

De acordo com Carlos Roberto Gonçalves.

No direito romano a família era organizada sob o princípio da autoridade.


O pater familias exercia sobre os filhos direito de vida e de morte (...). A
mulher era totalmente subordinada à autoridade marital e podia ser
repudiada por ato unilateral do marido (GONÇALVES, 2015, P.31).

Os romanos admitiam a dissolução do casamento por meio do divórcio quando


os cônjuges não tinham mais afeição um pelo outro, nem conviviam mais juntos, esses
eram motivos suficientes para dissolver o casamento. A princípio, " (...) somente o
marido tinha a faculdade de repudiar a mulher. Depois, admitiu-se que o divórcio
tivesse lugar pelo mútuo consenso, ou pela vontade de um dos cônjuges",
(GONÇALVES, 2015, p. 280).

É relevante frisar que a família é uma formação mais clássica do ser humano,
atualmente aceita - se um conceito mais amplo de família, no qual considera integrante
da família as pessoas que estão juntas por laços sanguíneos, em decorrência do
casamento ou até mesmo pela adoção.

Conforme preleciona Guilherme Almeida.

O vocábulo "família" é utilizado no sentido amplo, podendo ter significado


de família brasileira, sendo parentes unidos segundo laços
consanguíneos, família natural e família substituta, sendo importante
ressaltar que o direito de família vem passando significativas mudanças
ao longo da história. se antes a família legítima, ou seja, originada pelo
casamento, era amparada e reconhecida pelo estado, hoje é possível
verificar uma ampliação de tal conceito familiar, pela valorização jurídica
do afeto, abrangendo-se os mais diversos arranjos familiares, dentro de
uma perspectiva pluralista de respeito à dignidade da pessoa humana
através da convivência, publicidade e estabilidade (ALMEIDA, 2013, s.p) .

Segundo Gonçalves (2015), a família é uma existência social que inicia o


alicerce estatal, é o meio relevante em que concentra a sistematização da coletividade.
Deve ser vista como seio relevante e sagrado, por tal razão requer um acolhimento
pelo governo de forma a salvaguardar de qualquer ação preconceituosa.

Nesse sentido Carlos Roberto Gonçalves.

O vocábulo família abrange todas as pessoas ligadas por vínculo de


sangue e que procedem, portanto, de um tronco ancestral comum, bem
como as unidas pela afinidade e pela adoção. Compreende os cônjuges
e companheiros, os parentes e os afins (GONÇALVES, 2015, P.17).

É muita pretensão querer conceituar a família de forma restrita, uma vez que
atualmente existe diversas maneiras de se constituir uma família; por exemplo, família
com casais do mesmo sexo, família monoparental (um dos pais e o seu filho), família
em decorrência do casamento, bem como os parentes afins.

2.1 Evolução legislativa da regulamentação da família no Brasil

2.1 Princípios constitucionais e do direito de família

Conforme aduz Marcelo Novelino (2014), os princípios exercem uma relevante


função, pois serve de base para criar, esclarecer e até pôr em prática os fundamentos
constitucionais, uma vez que não é possível ter uma norma para cada caso concreto;
assim, faz-se necessário interpretar tendo como norte os princípios constitucionais para
garantir a igualdade, tanto formal, quanto material.

Mesmo não havendo hierarquia entre os princípios basilares da Constituição da


República e as demais normas do texto constitucional, aqueles devem preponderar
caso haja algum conflito de direito, visto que tratam – se de normas que norteiam todo
o ordenamento jurídico brasileiro.

Na Constituição Federal de 1988 dentro dos princípios fundamentais da


República Federativa do Brasil está previsto o princípio da dignidade da pessoa
humana (art.1, inciso III da CF), a partir deste princípio desencadeia os outros
princípios também constitucionais que assegura, a qualquer indivíduo, sem nenhuma
distinção, o direito a uma vida livre e digna.

Os fundamentos de um Estado devem ser compreendidos como os


valores essenciais que compõem sua estrutura. A consagração expressa
da soberania, da cidadania, da dignidade da pessoa humana, dos
valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa e do pluralismo político
como fundamentos da República Federativa do Brasil (CF, art. 5, I a V),
sem dúvida, atribui a esses valores significado especial dentro de nossa
ordem constitucional (NOVELINO, 2014, p.359).