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A ARTE DE PERMANECER CASADOS

O princípio de “permanência” é uma das doutrinas mais importante do cristianismo. Isto é


visto claramente em João 15: 4: “Permanecei em mim, e Eu permanecerei em vós. Nenhum
ramo pode produzir fruto por si mesmo, se não estiver ligado à videira.

Este mesmo princípio é de valia para a “permanência do casamento” onde existem alguns
princípios sobre a preservação do casamento: 1. Casamentos são realizados com a previsão
de durarem a vida toda; 2. Os casamentos para que permaneça precisam de esforço e
cuidado; 3. Precisam de tomadas de atitudes claras e eficazes para que o casamento seja
durável.

Quando alguém assume um grande compromisso que se tem algo bom, geralmente, espera
que isto dure. Do outro lado, quando alguém aceita um compromisso de longa duração,
espera que o valor do compromisso esteja diluído de tal maneira que se torne bastante
pequeno, aceitável. No casamento, as duas dimensões estão presentes: trata-se de um
compromisso intenso e, ao mesmo tempo, um compromisso extenso, para toda a vida.
Nossa lição evitará o trabalho de defesa da durabilidade do casamento, e se dedicará a
oferecer orientações básicas que ajudem as pessoas “na arte de permanecerem casadas”.

I. A RELAÇÃO PRECISA SER CONSTRUIDA


A “permanência” do casamento é correspondente a “permanecer em Cristo” ambos são
essenciais para SOBREVIVÊNCIA e FRUTIFICAÇÃO. Para que esta relação seja “construída”
necessitam de alguns passos:
1. Deixará o homem o seu pai e sua mãe.
Primeiramente a atitude de construção de um lar parte do homem. Ele tem o papel
principal nesta construção e permanência.
Segundo nesta nova construção de relacionamento precisa haver uma convicção
daquilo que se quer. O termo “deixar” é traduzido pela septuaginta é katalei,pw
(kataleípo) este verbo pode ser usado em relação pessoal, em relação a lugar e em relação as
coisas. Usado como relação pessoal não indica “abandono” dos pais, mas “deixar para trás” com
uma finalidade, com o intuito de assumir um objetivo, propósito onde se tem a intenção de se
alcançar.

A maneira bíblica de descrever compromisso no casamento está na célebre frase proferida


em Gênesis (2.24-25) e pelo próprio Senhor Jesus: “Por isso, deixará o homem a seu pai e
mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne” (Marcos
10:7-8). Duas expressões são especialmente contundentes ao ensinarem a intensidade do
compromisso: “unir-se” e “uma só carne”.
UNIR-SE
Frase: proskollhqh,setai pro.j th.n gunai/ka auvtou/. O termo usado é o verbo
proskollhqh,setai (proskollithísete) cuja raiz vem proskolla,w (proskolláw) é um verbo
de justa posição formado por uma preposição pro,j (prós) + o verbo kolla,w (kolláw)
significa grudar, colar, ajuntar, agregar, unir; isto é colar uma coisa na outra face a face.
Segundo os estudiosos, “UNIR-SE” tem o significado de um elo forte que jamais será
quebrado, envolvendo duas características: lealdade inabalável e amor ativo,
permanente, que não desiste. Este verbo está no futuro do indicativo indicando uma
“união contínua” – uma ação que não pode ser interrompida, caso vem ser interrompido
danos incalculáveis acontecerão. Este verbo está na voz passiva – a ação de unir recai sobre
o homem.

Do outro lado, tornar-se uma só carne (que inclui relação sexual e todas as dimensões
adicionais afetivas e físicas) significa uma natureza de união tão forte que seria impossível
desunir (separar, cortar, dividir) sem que marcas profundas sejam manifestas.

“Os dois (em) uma só carne” oi` du,o eivj sa,rka mi,an - A preposição eivj (eis) ir na mesma
direção. O homem e a mulher quando se casam não deixam ser duas pessoas, mas o que se
refere quando o texto diz “de modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Qual o
significa de ser “UMA SÓ CARNE”. O termo “carne” traduzido pela septuaginta é sarko,j
(sarkós) está relacionado com a sua “aquilo que constitui a natureza de um ser ou a mesma
essência”. A união entre o casal ambos devem ir para mesma direção – possuir a mesma
essência (duas pessoas distintas, mas com a mesma essência). Distinto no sentido que cada
um possui uma função, mas que possuem a mesma ação, a mesma vontade, os mesmos
objetivos - TRIUNIDADE DE DEUS “Três pessoas distintas, mas com a mesma essência” –
Deus é o verdadeiro modelo para o casamento permanente. O casamento, a família nada
mais é do que uma representação do conceito divino.
Da mesma forma que não pode separar o Deus Espírito do Deus Filho, não se pode
separar o Deus Filho do Deus Pai e do Deus Espírito, assim, não pode separar o homem da
mulher e nem a mulher do homem e isto é um mistério. Para se ter uma ideia da natureza
desse modelo de união, a Bíblia o chama de mistério e declara ser essa a representação
mais completa do relacionamento entre Cristo e Sua igreja (Efésios 5:31-32).
Um compromisso de tamanha magnitude e com tamanhas implicações não é
assumido com facilidade. Por isso, alguns chegam a temer o casamento. A base do
comprometimento tem que ser o amor, pois ele expulsa o medo (1Jo 4.18 NVI). Desse
modo, enquanto o compromisso dá sustentação para o sentimento de amor, o amor torna
possível a manutenção do compromisso.

II. CASAMENTOS DURÁVEIS PEDEM MANUTENÇÃO SISTEMÁTICA


A atitude própria de todas as pessoas que adquirem um bem durável é programar-
se para o natural cuidado de sua manutenção. Assim fazemos quando adquirimos uma casa,
um carro ou mesmo algum eletrodoméstico. Na verdade, até mesmo a garantia da maioria
dos bens depende de sua manutenção adequada. O mesmo acontece quando se deseja
construir um casamento durável. Sem manutenção adequada, os casamentos se tornam
vulneráveis e frágeis.
MANUTENÇÃO = constatar  consertar
CONSERTAR = conservar Manter o bom estado.
Entre as diversas formas de se cuidar da manutenção de um casamento, duas serão
destacadas aqui.
1. Disposição e capacidade de lidar com conflitos
Podemos evitar muitos dos conflitos que surgem no casamento bastando para isso
uma atitude mais cuidadosa por parte de cada um de nós. A disposição para “aceitar as
diferenças”, por exemplo, diminui de modo decisivo o potencial de um casal para se
envolver em conflito – homens são diferentes de mulheres (que bom!), pessoas criadas na
família “A” são diferentes de pessoas criadas na família “B”, e assim por diante.
Nossas diferenças se “MANIFESTAM”:
1. Na maneira como reagimos aos problemas,
2. Na escala de valores da família,
3. No gosto por alimentos, ambientes, humor e de tantas outras maneiras.
Há casais que não conseguem conviver porque um dos cônjuges deseja “mudar o
outro e fazê-lo ser exatamente igual a ele”. Há casos em que a disposição para “implicar”
com o outro e com a maneira de ele ser e perceber as coisas acaba por tornar
“INSUSTENTÁVEL” a vida comum.

O texto de 1Pedro 3.1-7 (NVI) oferece exemplo de postura favorável para lidarmos com as
diferenças quando orienta as mulheres cristãs a tratarem até mesmo com um marido que
não obedece à Palavra: “Do mesmo modo, mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, a
fim de que, se ele não obedece à palavra, seja ganho sem palavras, pelo procedimento de
sua mulher, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês” (v.1-2). O ensino alcança
diversas áreas da vida familiar, e orienta também os homens a serem sábios no convívio
com a própria esposa… “e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e coerdeiras do
dom da graça da vida…” (v.7).
2. Habilidade de lidar com mudanças necessárias e inevitáveis
Além das questões que podem ser vistas como “diferenças”, o casamento inclui
enganos, erros e pecados por parte dos membros da família. O fato é que somos pecadores!
A maneira como lidamos com os nossos próprios erros e com os erros do cônjuge será
fundamental para definir a continuidade saudável do casamento.
Isso significa aprender a pedir perdão (embora os exemplos bíblicos sejam tantos,
temos a tendência de achar que é humilhante pedir perdão, e acabamos optando por
atitudes prejudiciais ao casamento, como negar, “deixar o tempo passar”, ficar irritado
quando confrontado, culpar o outro, etc.), ter capacidade para entrar em acordo com o
outro e disposição para perdoar. A Bíblia nos ensina que devemos ser “uns para com os
outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em
Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32). Do outro lado, se existe um lugar em que deve ser aplicado
o ensinamento de Jesus a Pedro segundo o qual devemos perdoar nossos irmãos até
“setenta vezes sete”, esse lugar é no casamento.

A atitude de perdão, segundo a Bíblia, é antecedida por uma cuidadosa advertência contra
os pecados relacionais que nos dividem e fazem nascer conflito. Em Efésios 4.25-31, somos
exortados a ser cuidadosos para “não mentir uns aos outros (v.25), não nos entregar à raiva
de uns para com os outros (v.26-27), não roubar uns dos outros (v.28), não dizer palavras
que machuquem uns aos outros (v.29), e viver (inclusive em casa) de maneira que
permaneça “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem
assim toda malícia” (v.31).

III. Casamentos duráveis recebem investimentos constantes

Um casamento saudável não se sustenta “naturalmente”, sem investimento.

1. De natureza física
Resumidamente, o investimento no casamento inclui o cuidado com o corpo (higiene,
saúde, aparência…) e o uso de todas as potencialidades do corpo, incluindo as expressões
físicas de carinho (de caráter sexual ou não).

2. De natureza emocional
Podemos investir no casamento também por meio do uso adequado das emoções,
especialmente quando oferecemos ao outro a segurança de que é importante, especial,
alvo de amor. O livro de Cantares tem sido usado como um verdadeiro manual de
investimento físico e emocional no casamento.
3. De natureza espiritual
Felizes são os casais que oram um pelo outro e juntos, que leem a Bíblia e cultuam juntos
e que, especialmente, são capazes de aplicar os ensinamentos da palavra de Deus nas
atitudes diárias e em todas as dimensões do relacionamento conjugal (veja Tg 1.22).

A Bíblia trata bastante desse tipo de relacionamento de cumplicidade e proximidade.

Eclesiastes 4.9-12 registra que “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga
do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver
só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se
aquentarão; mas um só como se aquentará?”
Provérbios 31 apresenta uma mulher chamada de virtuosa e diz que a vida em família é
muito agradável, entre outras razões, porque o marido confia na mulher (v.11), e “ela lhe
faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” (v.12).
1Coríntios 13 lembra-nos ainda que, havendo amor, há paciência nos momentos de
sofrimento, confiança, e disposição para esperar e suportar as eventuais lutas da vida (v.7).
Vale a pena observar alguns conselhos apresentados pelo Dr. Ed Wheat no livro O Amor que
não se Apaga.

a. Nada é tão essencial qual a saúde de seu casamento e o desenvolvimento de união entre
vocês.

b. Concentrar-se no conhecimento mútuo e em construir um relacionamento íntimo agrada


ao Senhor.

c. É necessário tempos juntos para lançar adequadamente os alicerces do casamento.

d. É essencial que o marido aprenda a satisfazer às necessidades da esposa.

e. O conhecimento do cônjuge é necessário a fim de ver segundo os padrões bíblicos. Você


deve conhecê-lo em profundidade se quiser amá-lo, compreendê-lo e encorajá lo.

f. Os cônjunges devem ser companheiros de equipe unidos para servirem a Deus


eficazmente. Para vocês se tornarem uma equipe, é preciso tempo e colaboração numa
atmosfera tão livre de distrações quanto é possível.

g. De acordo com a sabedoria de Criador, o primeiro ano é crucial em todo casamento,


devendo ser vivido com cuidado e prudência.
Conclusão

Nesta lição estudamos sobre a arte de permanecer casados – um casamento durável, para
a vida toda. Dois lembretes são importantes. Primeiro, que a vida é curta, e devemos gozá-
la com discernimento e alegria, sempre que possível, na companhia da pessoa com quem
nos casamos. Segundo, que não basta ter um casamento duradouro. É preciso viver bem,
com alegria e felicidade. Mais do que aparências e convenções sociais, é preciso construir
relacionamento saudável e feliz, de modo que permanecer casados seja um privilégio, uma
alegria, e não um dever enfadonho e sofrido.

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