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A personalidade é a totalidade organizada de traços que característica a

individualidade de um sujeito e que, a par dos seus atributos físicos, serva para a identidade.
Quando falamos de personalidade referimos às características da pessoa associadas a padrões
consistentes de sentimentos, pensamentos e comportamentos. Essas características resultam
uma combinação única de características cognitivas e afetivos, organizadas num padrão de
comportamento consistente e organizado.

A personalidade não é só aquilo que as pessoas nos mostram a nós, mas também
aquelas É importante referir que a personalidade de uma pessoa não é só aquilo que ela nos
mostra de si, esta também tem uma faceta pessoal/oculta/privada que não é do conhecimento
dos outros.

É por isso que muitas pessoas recorrem ao psicólogo para falar do seu lado oculto de
personalidade, que muitas vezes não podem falar em público – procurando ajuda para
compreender o lado mais privado da sua personalidade que publicamente não podem
manifestar porque são proibidos, desagradáveis ou não aceites pela sociedade.

De acordo com estas duas facetas da personalidade acaba-se com a ideia da dupla
personalidade. A dupla personalidade é uma perturbação de saúde mental, os indivíduos
normativos apresentam sempre a sua personalidade com uma faceta pública (aquilo que é
revelado aos outros pelas interações, situações do quotidiano...) e uma faceta privada (que o
sujeito guarda para si porque se a expuser será alvo de repreensões e não será aceite pela
sociedade), e esta dualidade não remete para a existência de uma dupla personalidade. A
personalidade é um dos principais fundamentos dos comportamentos, pois o que expressamos
nos comportamentos é fruto das circunstâncias, mas também da maneira como a pessoa é. E
muitas vezes os psicólogos são chamados a resolver casos em que é necessário perceber a
personalidade oculta de um sujeito para explicar o seu comportamento.

A palavra personalidade surge na Grécia antiga, através do termo persona, que


designava o papel específico desempenhado pelos atores. Remete-nos para a ideia da
personalidade ser única e de adquirir diversas máscaras.

A evolução no campo da investigação faz surgir novos conceitos limítrofes da


personalidade, como o autoconceito.

Algumas pseudociências emergiram também para dividir a personalidade em


diferentes tipos (pseudociências porque há ausência de teorias e fundamentos, existem
através da especulação) como a astrologia (é a mais antiga das pseudociências – determinação
da personalidade através do alinhamento dos astros), Grafologia (tentativa de explicação da
personalidade humana a partir da letra) e frenologia. A Frenologia, inicialmente proposta por
Gall, consiste na divisão do cérebro em secções em que cada porção iria corresponder a
determinados traços de personalidade; consoante o individuo tivesse desenvolvido as
diferentes porções, ele teria diferentes características: se a zona da agressividade fosse mais
desenvolvida, ela seria maior ao observar a cabeça da pessoa; quando viam cabeças com
determinadas zonas mais salientes associavam a uma zona característica de traço de
personalidade.

Atualmente o estudo da personalidade pode ser feito através de 4 vertentes:

Traços são padrões consistentes e interrelacionados de comportamento. O debate


mais constante neste âmbito é em relação ao número de traços básicos e indispensáveis ao ser
humano. Como estudo de análise fatorial de traços, o que resulta num número limitado dos
traços, sendo o Big Five (McRae & Costa, 1982), o modelo mais aceite, sendo os traços
resultantes deste modelo: Neuroticismo, Extroversão, Abertura à Experiência, Amabilidade e
Conscienciosidade.

Motivações, partem do pressuposto que todo o comportamento é orientado para um


objetivo muitas vezes como respostas a incentivos, circunstâncias, reforços – logo a
personalidade não é tão estagnada como os traços sugerem.

Cognições: conceitos como estilo atribucional (Kelly, 1955) e variáveis de


personalidade relacionadas com o self (autoconceito, autoestima, automonitorização e
autoconsciência) complexificaram e enriqueceram o estudo da personalidade tornando um
sujeito um ator mais ativo.

Contexto: essencial para a modelagem dos comportamentos e definição do normal e


patológico, conceito desde sempre presente no estudo da personalidade.