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Investimento chinês em Portugal à ``boleia´´ das privatizações

Ana Margarida Santos Antunes1

Abstract: The purpose of this paper is to expose the Chinese foreign investment in
Portugal and its consequences. Having begun in a period in which Portugal was struck by
the global economic and financial crisis, which subsequently spread to the eurozone. Due
to the Portuguese financial and economic situation, a programme of assistance was
approved by the Troika which had as one of its elements the privatizations (2011-14).
And it was in this area that initially reversed the Chinese investment. A reflection on the
benefits of these investments in the medium/long term will subsequently be promoted.

Sumário: 1. Enquadramento da economia chinesa; 2. Crise económica e financeira


em Portugal; 3. Privatizações e investimentos estrangeiros; 4. Investimentos chineses à
``boleia´´ das privatizações; 5. Trará este investimento chinês, a médio/longo prazo,
benefícios para Portugal, ou pelo contrário, os benefícios apenas advieram na injeção de
capital feita inicialmente?

Introdução

Neste trabalho será apresentada a evolução da economia chinesa, e como esta


impulsionou a onda de investimentos a que iremos fazer referência. A conjuntura da crise
económica e financeira portuguesa, que levou ao pedido de assistência à Troika, terá
proporcionado a afluência de empresas chinesas a um dos elementos que ficou assente no
programa, as privatizações (2011-2014). As transações, em tempo de privatizações, feitas
pelas companhias chinesas com Portugal foram elevadas e versaram maioritariamente
sobre setores chave (transportes, energia, comunicações e seguros). A questão que se
coloca posteriormente é se estes investimentos a médio/longo prazo irão ser benéficos ou
pelo contrário, estes investimentos são vantajosos, mas apenas a curto prazo.

1
Aluna, do 3º ano, Turma A, subturma 3, na licenciatura em Direito, na Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa.

1
1. Enquadramento da economia chinesa

Entre 1949 e 1978, o regime comunista barrou a participação da China no comércio


internacional e a adoção de determinadas medidas (tais como, a proibição de empresas
privadas) impediram o crescimento económico2. Porém em 1978, a política chinesa foi
alvo de uma mudança radical, a qual se pautou pela permissão quer da entrada da China
no comércio internacional, quer da criação de empresas privadas.

A partir da declaração de partido comunista ``to grow rich is glorious´´3 as taxas


médias de crescimento económico da China rondaram os 10 % por ano. Desde o início
do período liberal com Deng Xiaoping, na década de 1980, foram várias as mudanças
introduzidas na nação asiática. As principais modificações, com esta onda de reformas,
foram a abertura do seu capital ao mundo, bem como a tendência para um modelo de
crescimento, assente em ```high value-addded services and manufactoring´´4.

Atente o facto de a China precisar desenvolver as suas capacidades competitivas, os


seus principais focos seriam, internamente, a condução da economia ao desenvolvimento
tecnológico, e internacionalmente, o investimento de empresas estatais e privadas em
recursos humanos especializados.

A China está actualmente a viver um momento crucial da sua trajetória económica


moderna, a União Europeia, como principal parceiro de negócios da China em todo o
mundo, torna-se o primordial destinatário do investimento das empresas desta nação
asiática, como tal a sua ajuda será fundamental para o desenvolvimento das capacidades
competitivas desta. Segundo MIGUEL SANTOS NEVES5, um dos principais objetivos
do investimento chinês, no caso em Portugal, é a captação de ``know-how´´ e tecnologia.

2
KRUGMAN, PAUL; OBSTFELD, MAURICE International Economics: Theory and Policy, 6º edição,
International Edition, 2003, pg.270.
3
Ibidem … 2003, pg.270.
4
CASABURI, IVANA Chinese investment trends in Europe, 2016-2017 Report, pg.8. Consultado a
09/12/2017 em http://www.novasbe.unl.pt/images/novasbe/files/chinese-investment-trends-in-europe.pdf.
5
SANTOS NEVES, MIGUEL investigador no OBSERVARE, em entrevista ``Observare: O investimento
chinês em Portugal´´, 13/11/2014.

2
2. Crise económica e financeira em Portugal

A crise, a nível internacional, iniciou-se em 2007, no mercado hipotecário


``subprime´´6 dos Estados Unidos, a qual se alastrou ao sistema financeiro global, sendo
considerada por muitos economistas, como a pior crise desde a Grande Depressão7.

Na União Europeia, através da recapitalização dos sistemas financeiros, ajudas nos


setores domésticos e empresariais, pacotes de incentivos fiscais, os Estados enfrentavam
a crise. Contudo estas medidas evidenciaram as limitações estruturais e os desequilíbrios
da zona euro. Países como Portugal ´´viram acrescer aos efeitos da crise económica e
financeira internacional a crise das dívidas soberanas´´8. Ficando a economia portuguesa
numa situação de vulnerabilidade, foi inevitável o pedido de assistência económica e
financeira da Troika, tendo sido assinado o memorando de entendimento português com
a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional a 17
de Maio de 2011.

Foram vários os elementos introduzidos no programa de assistência financeira, sendo


de dar enfâse às privatizações. Segundo SÉRGO GONÇALVES DO CABO 9 ``as
privatizações foram um compromisso assumido no MPEF (Memorando de Políticas
Económicas e Financeiras)´´. De modo a que este compromisso fosse observado foi feita
uma revisão à Lei Quadro das Privatizações, através da Lei nº50/2011, de 13 de Setembro.
Na sequência desta última foi aprovado o Decreto-Lei nº90/2011, o qual eliminou os
direitos especiais detidos pelo acionista Estado na EDP - Energias de Portugal, S.A., na
GALP Energia, SGPS, S.A., e na Portugal Telecom, SGPS, S.A.

6
Sendo este mercado baseado em empréstimos de alto risco facilitados, incluindo cartões de crédito, carros
e férias (subprime loans ou subprime mortgages). DUARTE SANTOS, ANTÓNIO Economia portuguesa
e europeia: crise de 2008 a 2013, consultado a 09/12/2017 em
http://repositorio.ual.pt/bitstream/11144/2453/1/ECONOMIA%20PORTUGUESA%20E%20EUROPEIA
%202008%20-%202013%20%20Jan%202016.pdf.
7
COELHO, LINA; FERREIRA-VALENTE, ALEXANDRA; FRADE, CATARINA; RIBEIRO,
RAQUEL Livro de Atas do 1.o Congresso da Associação Internacional das Ciências Sociais e Humanas
em Língua Portuguesa, 2015, pg. 5155.
8
Ibidem … 2015, pg. 5156.
9
CABO, SÉRGIO GONÇALVES mestre em direito das comunidades europeias e docente do IDEFF,
Privatizações em tempo de crise, consultado a 09/12/2017 em
https://www.ideff.pt/xms/files/Iniciativas/Privatizacoes_/Dr._Sergio_do_Cabo.pdf.

3
3. Privatizações e investimentos estrangeiros

A nível global a privatização designa ``uma técnica pela qual o Estado reduz ou
modifica a sua intervenção na economia em favor do setor privado´´10. São várias as
formas de alcançar esse objetivo, desde a alienação da propriedade dos meios de produção
públicos e da cedência da sua gestão até à abertura de setores anteriormente vedados à
iniciativa privada, e ainda através da liberalização dos regimes legais da atividade
económica privada, sendo também de relevar a colaboração de entidades privadas na
execução de tarefas públicas.

Especialmente na sequência das privatizações, surge o investimento direto


estrangeiro, sendo este definido pela OCDE (Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Económico) como um tipo de investimento internacional, realizado por
uma entidade residente num determinado país com a finalidade de estabelecer um
relacionamento de longa duração, com uma empresa residente num país diferente daquele
onde se encontra registado o investidor11.

Os países do Sul da Europa tornaram-se mais atractivos para os investidores chineses


nos últimos anos, acumulando já 28,3% do total de investimento chinês no período de
2010-2015, posicionando-os como o segundo grupo mais atractivo dos países europeus
para empresas chinesas após os três grandes (Reino Unido, Alemanha e França)12.

Tendo em destaque o caso português, uma massa de investidores estrangeiros, muitos


deles de origem chinesa, mobilizaram capitais para comprarem empresas, ou ações destas,
que estavam em processo de privatização, principalmente de 2011 em diante.

10
DOS SANTOS, CARLOS ANTÓNIO; GONÇALVES, MARIA EDUARDA; MARQUES, MARIA
MANUELA LEITÃO Direito Económico, 5º edição, Almedina, 2006, pg. 159.
11
FERREIRA, EDUARDO; MORTÁGUA, MARIA; OLIVEIRA, JOSÉ Investigação e Prática em
Economia, Principia, 2010, pg. 17.
12
CASABURI, IVANA Chinese investment trends in Europe, 2016-2017 Report, pg.11. Consultado a
09/12/2017 em http://www.novasbe.unl.pt/images/novasbe/files/chinese-investment-trends-in-europe.pdf.

4
4. Investimentos chineses à ``boleia´´ das privatizações

Tendo por base o estudo ``Chinese investment trends in Europe – 2016/17 Report´´,
elaborado por Ivana Casaburi, investigadora da ESADE13, é de salientar que a presença
de empresas chinesas em Portugal é um fenómeno recente. Esta afluente de investidores
começou em 2011, a par do período de privatizações (2011-2014), fazendo estas parte do
memorando assinado com a Troika.

De acordo com a base de dados da ``ESADE China Europe´´14, Portugal recebeu, de


2010 a 2015, USD 7.23 mil milhões com investimento chinês (8% do total da Europa).
Os montantes investidos em Portugal são muito elevados em comparação com o seu peso
económico na Europa (Gráfico1)15.

Gráfico 1 ``Países europeus com nível de investimento chinês mais alto relativamente ao tamanho das suas
economias´´

Do memorando com a Troika resultou que seriam privatizados ativos estatais,


englobando os setores dos transportes (aeroportos de Portugal, TAP), da energia (Galp,
EDP, REN), das comunicações (Correios de Portugal) e dos seguros (Caixa Seguros).

13
CASABURI, IVANA Chinese investment trends in Europe, 2016-2017 Report. Consultado a 09/12/2017
em http://www.novasbe.unl.pt/images/novasbe/files/chinese-investment-trends-in-europe.pdf.
14
``The ESADE China Europe database only reflects investment from mainland China for all countries of
the European Union included in this study´´ - CASABURI, IVANA Chinese investment trends in Europe,
2016-2017 Report, pg.65. Consultado a 09/12/2017 em
http://www.novasbe.unl.pt/images/novasbe/files/chinese-investment-trends-in-europe.pdf.
15
Gráfico extraído do estudo de Ivana Casaburi.

5
O capital chinês foi injetado em várias empresas estatais em Portugal, como parte das
operações que têm trazido grandes vantagens para ambas as partes.

Para Portugal, os compromissos acordados com a Troika foram cumpridos, ao mesmo


tempo que o país poderia continuar a sua relação económica com a segunda economia
mundial.

Da perspetiva da China, foi a concretização de uma oportunidade de entrar no


mercado europeu a preços de compra atrativos e de participar em operações de baixo
risco, com uma carteira de clientes estável e recorrente.

A primeira transação realizada foi a aquisição pela China Three Gorges de 21,35%
do capital da EDP (Energias de Portugal) por 2.7 mil milhões de euros em 2011, tornando-
se a maior acionista16. Um dos benefícios extraídos desta venda foi a obtenção de um
financiamento pelo China Development Bank, de modo a que fossem cumpridas as
obrigações da empresa confortavelmente.

Será de relevar que um dos atrativos que Portugal possui para as empresas chinesas é
o seu acesso a outros mercados, como o Brasil, Angola e Moçambique. Na medida em
que realizaram a primeira transação, esta abriu uma panóplia de novas opções de negócio
para a China.

Em Fevereiro de 2012, foi a vez da REN (Rede Elétrica Nacional), com a State Grid
Corporation, a ficarem com 25% do capital, pagando 387 milhões de euros pela posição
na empresa gestora das redes energéticas nacionais. Mais uma vez, a operação incluía um
financiamento à empresa através do China Development Bank.

Além desta venda, várias outras transações foram realizadas no setor energético,
incluindo o investimento da China Three Gorge na aquisição de uma participação de 49%
na EDP Renováveis por 359 milhões de euros17.

Com as empresas, vieram as linhas de financiamento e dois bancos instalaram-se em


2012, em Lisboa, o Banco Internacional e Comercial da China (ICBC) e o Bank of China.

16
Consultado a 10/12/2017 em http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/privatizacao-da-edp-ha-cinco-anos-
abriu-as-portas-ao-investimento-chines (publicação de 18/02/2017).
17
Consultado a 10/12/2017 em https://www.publico.pt/2017/04/03/economia/noticia/portugal-e-o-pais-da-
ue-onde-o-investimento-chines-tem-mais-peso-1767250 (publicação de 03/04/2017).

6
Em 2014 deu-se outra grande operação em Portugal, a aquisição de 80% do capital da
Caixa Seguros por mil milhões de euros, pela Fosun International (empresa privada). A
companhia chinesa passou também a deter as subsidiárias da CGD (Caixa Geral de
Depósitos) a Fidelidade (maior companhia de seguros portuguesa) e a Multicare.

No mesmo ano, o banco de investimento do Novo Banco (BESI - Banco Espírito


Santo de Investimento) foi assumido pelo grupo chinês Haitong Securities. Além das
operações efetuadas no âmbito do plano de privatização, foram igualmente realizadas
várias outras transações não diretamente relacionadas com a Troika no período 2011-14.

De entre outros investimentos chineses em Portugal, destaca-se a inauguração, em


2012, do centro tecnológico da empresa de telecomunicações Huawei em Lisboa, que
representou um investimento de 10 milhões de euros, que se juntou aos 40 milhões de
euros que a multinacional chinesa tinha investido no mercado português.18

Em 2015, efetiva-se uma nova fase, sendo esta uma consequência da consolidação do
investimento já feito. Sendo efetuada a compra pela Fosun International do Espírito Santo
Saúde. No final de 2016, esta companhia também adquiriu 16,7% do capital do Banco
Comercial Português (BCP), por cerca de 174,6 milhões de euros para ser o seu maior
acionista.

Devido aos vistos Gold, atribuídos aos investidores de nacionalidade chinesa, o setor
imobiliário tem sido também uma grande aposta, na medida em que, desde 2012 foram
investidos mais 1.7 mil milhões de euros.

Gráfico 2 ``Os 10 maiores investimentos feitos por empresas chinesas em Portugal (2010-2016)´´

18
Consultado a 11/12/2017 em http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/privatizacao-da-edp-ha-cinco-anos-
abriu-as-portas-ao-investimento-chines (publicação de 18/02/2017).

7
5. Trará este investimento chinês, a médio/longo prazo, benefícios para

Portugal, ou pelo contrário, os benefícios apenas advieram na injeção


de capital feita inicialmente?

MIGUEL SANTOS NEVES, em entrevista sobre o facto de o ``Investimento chinês


em Portugal estar agora a começar´´19, destaca a passividade com que a União Europeia
e Portugal estão a olhar para o investimento chinês.

O relacionamento entre a China e Portugal intensificou-se no final da década de 2000,


principalmente por dois fatores: por um lado, a crise económica e financeira a nível
mundial e posteriormente na zona euro, que levou à necessidade de ajustamento em
Portugal e, por outro lado, uma aceleração do processo ``go global´´ da China. Estes dois
processos cruzaram-se em Portugal, tendo em conta as oportunidades de investimento
que resultaram do programa de privatizações.

Nas palavras de MIGUEL SANTOS NEVES, ``verifica-se uma intensificação dos


fluxos económicos, entre os dois países, com a China a ter uma posição marcante em
vários sectores estratégicos´´. Através da análise do gráfico 320, é confirmado o aumento
do Investimento Direto Estrangeiro (IDE), proveniente da China em Portugal.

Gráfico 3 Fluxos de investimento direto entre Portugal e a China

19
Entrevista ao Público, consultado a 12/12/2017 em
https://www.publico.pt/2014/11/17/economia/entrevista/investimento-estrategico-chines-em-portugal-
esta-agora-a-comecar-1676480 (publicação de 17/11/2014).
20
Gráfico extraído da CCILC (Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa), consultado a 11/12/2017
em http://ccilc.pt/wp-content/uploads/2017/07/chinare_3.pdf.

8
Um dos problemas, colocados pelo investigador do OBSERVARE, é o facto de
existirem riscos, nestes investimentos, na medida em que não existe nenhuma estratégia
para lidar com esta mudança tão significativa. Sendo equacionado um risco no plano
económico, visto que vários setores estratégicos são controlados, no fundo, pela mesma
entidade: o Estado chinês. Apesar de a Fosun ser uma empresa privada, os privados têm
vários recursos às chamadas ajudas de Estado, como tal, está integrada numa estratégia
definida pelo Estado Chinês.

Na sequência das privatizações, houve um reforço da influência da China em


Portugal, que pode causar alguns constrangimentos para a gestão das relações entre a UE
e China. Devido ao facto de ser necessário a criação de uma divergência de interesses
entre os vários países europeus.

Um dos problemas causados por estes investimentos chineses consubstancia-se na


inexistência de reciprocidade ao nível destes investimentos, quer de Portugal, quer dos
outros Estados europeus. Apesar da reciprocidade fazer parte das negociações, a entrada
de empresas chinesas em setores como o financeiro e a energia, não revela grandes
restrições, de modo que será difícil a obtenção deste tipo de reciprocidade no futuro.

Um dos pontos que necessita de alguma reflexão e que é sublinhado por MIGUEL
SANTOS NEVES é o facto, inquestionável, de que existe um contributo imediato, ou
seja, o capital que entra e ajuda o financiamento de grandes empresas, mas a prazo, tem
outras consequências que não estão a ser antecipadas nem há estratégia de resposta.
Existe maioritariamente uma visão de curto prazo, devido ao financiamento que resolve
problemas imediatos, contra uma visão de médio/longo prazo, que parece que as
instâncias europeias e Portugal não relevam muito.

9
Conclusão

Depois de exposta toda a temática sobre como a economia chinesa sofreu uma
reviravolta positiva, como a abertura da economia chinesa permitiu as transações em
tempo de privatizações em Portugal, é claro o impacto que teve o investimento direto
estrangeiro chinês em Portugal.

Quanto à questão dos benefícios extraídos, dos investimentos chineses, a curto e


a médio/longo prazo são várias as conclusões que podemos tirar.

Primeiramente e algo inegável é o facto de a curto prazo estes investimentos serem


ótimos para as empresas alvo de privatizações, na medida em que recebem uma injeção
de capital e um plano de financiamento. Contudo, numa perspetiva de médio/longo prazo,
o cenário é outro. Estes investimentos maioritariamente foram quase todos investimentos
de empresas estatais, o que vai levar ao monopólio do Estado chinês de grande parte da
economia portuguesa.

Outro problema é o facto de não existir reciprocidade, especialmente porque estes


investimentos são em setores estratégicos e não são impostas quaisquer restrições, o que
implica uma certa dificuldade de Portugal conseguir investir em setor estratégicos na
China.

Chegando à conclusão que, a curto prazo estes investimentos são muito


proveitosos, contudo a médio/longo prazo a situação avista-se diferente, sendo necessário
alguma cautela nestas transações.

10
Bibliografia

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