Você está na página 1de 2

Está aberta a chamada para o livro Mídia e Diversidade, em uma parceria ECO/UFRJ e DECOM/UFRN.

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO

LIVRO: MÍDIA E DIVERSIDADE

A agenda da representatividade no campo midiático vem aumentando nos últimos anos, sobretudo pelas
possibilidades tecnológicas para ampliação das vozes insatisfeitas e questionadoras. Estas, historicamente emudecidas,
invisibilizadas e marginalizadas, conseguem por meio de novos dispositivos técnicos expor a inadequação da representação de
si mesmas em relação àquelas imagens que estampam normativamente os diversos meios e veículos de comunicação.
Amparadas pelos artifícios da cibercultura e da potência fortalecida dos movimentos sociais, estas vozes reivindicam para si o
direito à comunicação de suas narrativas, suas vivências e seus corpos, apropriando-se destes recursos para tensionar padrões
de experiência e sistemas de poder anteriormente centralizados nos meios de massa.
A aparência de um protagonismo na produção midiática, em contato com investigações e pesquisas qualitativas e
quantitativas a respeito dos indivíduos consumidores de conteúdo, muitas vezes pode camuflar a simples adequação ao caráter
de consumidor, numa inclusão artificial que se apropria de suas demandas por um viés de marketing de causa. Por mais que
novas narrativas entrem em disputa, mesmo nas produções midiáticas tradicionais, as implicações para as escolhas imagéticas
de representação ainda parecem estar subjugadas a padrões de estereotipia e padronização características de setores tão
concentrados na lógica de mercado que prejudicam a percepção sobre direitos de cidadania em detrimento de maiores índices
de audiência. Nesse sentido, faz-se necessário um aprofundamento crítico das discussões sobre representatividade e
comunicação em suas mais diversas manifestações profissionais, como na prática publicitária, jornalística, ficção e
entretenimento, buscando compreender os processos e os sentidos que permeiam suas escolhas discursivas.
De tal modo, faz-se necessário ampliar o debate sobre os lugares de fala; os saberes complexos; as diversas
experiências e vivências; as responsabilidades sociais da área da comunicação e da mídia, uma vez que em seu seio
profissional reside uma constante negociação entre interesses mercadológicos; o interesse público e o reconhecimento do
poder de mediação para imagens; influências de comportamentos; e hábitos de um corpo sociocultural.
As diversas narrativas precisam disputar espaço também nas produções acadêmicas e mostrar qual a sua versão dos
fenômenos sócio-midiáticos, sobretudo no que diz respeito às diversas alteridades, a exemplo de debates acerca de identidade
de gênero, problematizando as noções de feminino e masculino, dos gêneros não-binários e da trangeneridade; das questões
raciais e étnicas, e seus reflexos nos debates de classe; suas interseccionalidades; das problemáticas das pessoas com
deficiência; dos padrões do corpo e também do envelhecimento e suas relações com as subjetividades e reconhecimentos de si
e percepção do outro, compreendendo seus embates, suas lutas e suas demandas de representação midiática. Em síntese,
busca-se refletir sobre:

 Perspectivas gerais da interseção mídia e diversidade


 Caminhos para ações midiáticas afirmativas
 Confluências entre educação e mídia
 Relações entre movimentos sociais e diversidade na mídia
 Mídia comunitária e diversidade
 Democratização da mídia e seus impactos na diversidade
 Televisão e representatividade
 Cinema e diversidade
 Mídia e corpo
 Mídia, questões raciais e étnicas
 Mídia, gêneros e sexualidades
 Mídia e questões etárias
 Mídia e a pessoa com deficiência
 Ciberativismo e diversidade
Reconhecer a prioridade deste debate no âmbito acadêmico é, não apenas, refletir sua merecida centralidade nos
embates sociais cotidianos, sejam nos espaços virtuais ou físicos, entre os mais diversos grupos de sujeitos, mas questionar
também sua apropriação pelo mercado, a inadequação das leis de mídia para acomodar as demandas da diversidade e,
sobretudo, entender quais contribuições a academia deve trazer para a compreensão desses fenômenos na contemporaneidade.
Sendo assim, o livro Mídia e Diversidade tem como objetivo reunir perspectivas teórico-científicas e ensaísticas de
estudos multidisciplinares a respeito das relações entre as mediações tecnológicas, seus processos e as demandas de
representatividade contemporâneas, tendo como recorte as minorias e suas questões de representação. Nesse sentido, busca
oferecer uma contribuição para os estudos da diversidade e do campo midiático, em sua relação com a sociedade, no sentido
de fortalecer os debates sociais e políticos, aprofundando e ampliando as percepções sobre práticas mais inclusivas, direitos de
cidadania e ações afirmativas nos âmbitos acadêmico, midiático e profissional.

Cronograma
Data limite para a entrega dos textos: 30 de março de 2018
Aceite e solicitação de revisão: 15 de abril 2018
Envio de textos revisados: 1ª de junho de 2018
Encaminhamento para editoração dos textos: Julho de 2018
Previsão de lançamento: Outubro de 2018

Normas de Formatação
Os artigos devem ser escritos em português.
Os textos devem conter:
Título (em corpo 14, negrito, tipo Times New Roman); uma breve biografia do(a) autor(a) com até 100 palavras; resumo (até
200 palavras, tipo Times New Roman, alinhamento justificado, espaçamento entrelinha simples); palavras-chave (entre 3 e 5);
corpo do trabalho (texto justificado, tipo Times New Roman, corpo 12, espaçamento entrelinha 1,5); e referências
bibliográficas (espaçamento entrelinha duplo). As citações com mais de três linhas devem ser deslocadas do parágrafo, corpo
10, recuo a esquerda de 4cm, com referência de autor/data estilo ABNT. Os artigos devem ter até 20 páginas ou 8 mil
palavras, incluindo a bibliografia, formatados em página A4.

Os textos devem ser enviados para o e-mail: livromidiaediversidade@gmail.com

Organizadoras:
Profa. Dra. Chalini Torquato Gonçalves de Barros – UFRJ (chalini.torquato@eco.ufrj.br)
Profa. Dra. Fernanda Ariane Silva Carrera – UFRN (fernandacarrera@gmail.com)

--
Fernanda Carrera
Professora do Departamento de Comunicação
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
DECOM/UFRN