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MEDITANDO À LUZ DO PATHWORK

Agradecimentos:

Ao Guia Pathwork, pelos ensinamentos recebidos,


À Eva Pierrakos, que fez da sua vida uma doação ao Pathwork,
À Maria da Glória Rodrigues Costa, helper que me ensina e acompanha amorosamente,
Aos helpers assistentes, pelo seu acolhimento no processo de formação, durante os módulos,
Aos meus colegas de formação do HELPERSHIP.

Ainda:
Aos meus pais, Armando e Clarice,
Ao meu marido Antonio,
Aos meus filhos Daniela e Rodrigo,
Aos meus netos Leonardo e Tiago
Meus queridos!

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Deus é uma presença imediata à espera de um contato.
Guia Pathwork

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MEDITANDO À LUZ DO PATHWORK

Índice
INTRODUÇÃO....................................................................................................................................5
MEDITANDO À LUZ DO PATHWORK............................................................................................7
1. Qual a especificidade da meditação como ferramenta de autoconhecimento no Pathwork? Qual
a sua relação com a prece?..........................................................................................................7
2.Para que serve a Meditação?..................................................................................................11
3.Quais são os pressupostos para uma meditação eficaz? E os seus efeitos?...........................12
4.É possível a distorção no processo de meditar?.....................................................................14
5.Quais são as sugestões de meditação que o Guia oferece e quais as recomendações que faz no
uso dessa ferramenta?...............................................................................................................16
6.As estações do caminho: uma prática meditativa à luz do Pathwork....................................18
7.Conclusões provisórias..........................................................................................................25
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................................28
ANEXO 1 - SUGESTÕES DE MEDITAÇÃO..................................................................................29
ANEXO 2 - AS ESTAÇÕES DO CAMINHO...................................................................................75
ANEXO 3 RELATO DA FACILITADORA NA PREPARAÇÃO DOS ENCONTROS COM O
GRUPO...............................................................................................................................................78
ANEXO 4 RELATOS EM TORNO DA MEDITAÇÃO AS ESTAÇÕES DO CAMINHO..............81

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INTRODUÇÃO

Escolhi a meditação como ferramenta do Pathwork para trabalhar nesta monografia pelo
interesse que sempre me despertou e, paradoxalmente, também pela dificuldade em exercitá-la
cotidianamente, embora pelo menos uma vez por semana realize esta prática em grupo durante
trinta minutos.
A meditação é recomendada em todos os processos de autoconhecimento e faz parte da
trajetória de vida de líderes religiosos, terapeutas, artistas, de todos aqueles que se interessam
pelo fenômeno de expansão da consciência. Foi com encanto que li numa entrevista de Eva
Pierrakos, conduzida por Charles Rotmil, e divulgada no site do Pathwork/SP, o relato de uma
experiência que ela viveu em processo meditativo no ano de 1950:

Aí tive uma experiência interessante... Quase que me esqueço disso. Eu estava


sentada, meditando, era verão, perto havia uma janela aberta. De repente, pela
primeira vez, houve algum tipo de sinal. Isto foi em Zurique, na véspera de ano novo
em 1950. Na Suíça, eles tocam todos os sinos de igreja. Foi então que eu senti alguma
coisa, um poder incrível, como o poder de Cristo... como se os anjos estivessem lá. Eu
não tinha nenhum conceito de tais coisas, mas foi alguma coisa tão forte que me
forçou a ajoelhar. Foi incrível! Aí eu deixei isto de lado e esqueci completamente.
Aquilo foi como um anúncio das coisas por virem.

Dessa experiência profunda vivida durante esse ano seguiu-se posteriormente todo um
processo que resultou na criação do Programa Pathwork de Transformação Pessoal, ou
simplesmente Pathwork, tal qual nós o conhecemos hoje. Como as referências à meditação nas
Palestras do Guia Pathwork são constantes decidi sistematizar nesta monografia as informações aí
obtidas, a partir das seguintes questões: no que consiste o processo meditativo do Pathwork? Qual
sua especificidade? Como a meditação se relaciona com a prece? Para que serve? Quais os
pressupostos para uma meditação eficaz? Quais são seus efeitos? É possível a existência de
distorções no processo de meditar? Quais seriam as sugestões e as recomendações do Guia
Pathwork com relação a essa prática?
Ao mesmo tempo que relia as palestras com o objetivo de clarear as respostas a essas
perguntas, tomei a decisão de experimentar a prática meditativa, tanto individual quanto em
grupo. Aproveitando o período imediatamente anterior à Pascoa, na qual se comemora - no
mundo ocidental cristão - a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo, decidi realizar uma sessão

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de meditação de trinta minutos com os grupos de estudo que conduzo a partir de um texto escrito
por Maria de Lourdes Florencio e eu mesma sobre as estações que nossa alma percorre no
caminho da auto-transformação, apreciando os efeitos imediatos dessa prática na vibração do
grupo. Logo, o relato escrito sobre a minha prática com a meditação incorpora, tanto aspectos da
experiência individual quanto o meu exercício como facilitadora de grupos de estudo e constitui o
momento final desta monografia. Apesar de ser uma experiência bem circunscrita serve como
exemplo vivo de como somos afetados nesse processo.

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MEDITANDO À LUZ DO PATHWORK

1. Qual a especificidade da meditação como ferramenta de autoconhecimento no


Pathwork? Qual a sua relação com a prece?

A meditação é um processo de transcendência das limitações momentâneas da mente para


vivenciar a consciência divina. A especificidade da meditação no Pathwork consiste na
possibilidade da observação tanto daquelas partes em nós que estão identificadas com a
destrutividade quanto daquelas que não estão. É papel da meditação, portanto, tal como o
Pathwork a concebe, trabalhar passo a passo com o problema global da negatividade
inconsciente, o que solicita tempo, paciência, perseverança e determinação.
Para entender a dinâmica e o sentido deste processo de meditação é preciso conhecer as
leis psíquicas. Uma delas é que as três camadas fundamentais da personalidade precisam ser
trabalhadas: a do ego consciente; a da criança egoísta e a do eu universal, com seu amor, sua
sabedoria, sua compreensão abrangente dos eventos humanos. Na meditação do Pathwork o ego
consciente ativa tanto a criança egoísta, quanto o eu universal. A interação entre esses três níveis
da pessoa é vigiado pelo ego consciente. Ele precisa estar determinado a permitir que o eu egoísta
se revele. Isso é sinal de amadurecimento e aceitação de si. Ao invocar o Eu Superior, o ego
consciente invoca os poderes superiores para dominar a resistência a ver o Eu Inferior em seus
detalhes.
O processo de meditação envolve, portanto, estágios que estão ligados entre si, são
interdependentes e podem se superpor: a exploração, a compreensão, a reeducação da criança
egoísta, a fé e que implicam uma tripla confrontação: do ego para o Eu Inferior; do ego para o Eu
Superior; do Eu Superior para o ego e o Eu Inferior. Esse processo ocorre da seguinte forma:

Fase de exploração: o ego toma a decisão consciente de investigar a destrutividade da criança


egoísta, acolhendo-a tal como aparecer sem angustia ou julgamento. É um momento importante
porque através dele nós nos testamos e percebemos a resistência ao desejo positivo de realização
do consciente. Até que ponto desejamos algo? Estamos dispostos a pagar o preço pelo que
desejamos? A meditação nos leva no caminho certo desde que não ignoremos nossas reações

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emocionais ao que pensamos. Aqui a meditação pode ser usada para examinar conflito e dúvida,
deixando que ambos se expressem e solicitando orientação. As respostas podem vir de inúmeras
maneiras: pela inspiração, novas ideias repentinas, novas percepções de sentimentos, uma palavra
que alguém diz em algum lugar. Essas respostas são manifestação de um processo ativo e orgânico
que nada que o intelecto pense poderá igualar.

Fase da compreensão: o ego solicita ajuda ao Eu Superior para compreender as motivações e os


modos pelos quais a destrutividade se manifesta, adquirindo uma compreensão concisa das
questões envolvidas, o que coloca ordem na alma. Nessa fase o ego se esforça incessantemente
para alcançar a percepção de que problemas exteriores nada mais são do que manifestações das
nossas questões interiores não resolvidas. A meditação requer, portanto, que a mente dê um salto
e possa conceber novas possibilidades, novos estados de consciência para o Eu. É preciso, pelo
menos no início, assumir como hipótese, que temos o direito e a possibilidade de moldar a
substancia criativa com a nossa mente até que saibamos que isso é verdade. A visualização segue
uma concepção adequada, isto é, consideramos o novo estado como possibilidade. Sentimo-nos
no novo estado. Não chegamos aos detalhes, pois isso reenviaria à ansiedade.

Fase de reeducação: o Eu Superior reorienta as correntes de energia para seus canais adequados, e
leva o ego, que a ele se abre e nele confia, a assumir decisões que caminham no sentido da
liberação da destrutividade e do amadurecimento das partes infantis. Aqui o ego assume, com
determinação, o papel de reeducar a criança, tendo paciência com seu ritmo de aprendizagem. O
resultado desse processo é uma autoaceitação maior; uma ampliação do entendimento da
realidade; o desaparecimento da auto-aversão e da autocompaixão irreais, assim como do falso
orgulho espiritual, da vaidade, da falsa humildade, da vergonha; o fortalecimento do ego
saudável.

Fase da fé: É a meditação que nos prepara para aceitar todos os nossos sentimentos permitindo
que a energia flua em todo nosso ser e criando as bases para a verdadeira autoestima. Com um
conceito unificado a impressão da substância da alma será forte. O conceito emitido vai nos
impregnar. Não haverá impaciência e o processo seguirá seu curso. Não será interrompido pela
dúvida, medo ou impaciência. Quanto menos atitudes destrutivas inconscientes, mais sentiremos
o processo criativo em ação. Nós confiaremos nele e permitiremos que ocorra de forma orgânica.

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Essa confiança é a fé. De início podemos buscá-la como uma atitude nitidamente
experimental. Não podemos impor a fé por um ato de vontade. É nossa natureza inerente saber,
isto é, ter fé na presença bondosa do Espírito Cósmico dentro de nós. Em seguida, adotamos uma
atitude de abertura. Abertura é considerar a possibilidade que ainda não se experimentou e dar a
ela uma chance honesta.
Meditação é, portanto, criação consciente e deliberada. Meditar é criar porque estamos
vivendo numa substância criativa altamente potente. Tudo que conscientemente emana, emite, se
expressa dentro dessa substancia, deverá tomar forma. A substância criativa na qual vivemos e que
vive dentro de nós está sendo impressa pela forma pensamento com a qual a moldamos. Esta é
tão altamente potente que se move constantemente, sendo impregnada por pensamentos e
intenções da consciência. Este é o modo pelo qual a criação se desdobra em suas inumeráveis
formas de expressão. No ato de meditar também estão implicados o princípio ativo e o receptivo.
Quando o ego consciente toma a decisão de focalizar um tema de meditação ele assume o
princípio ativo: escolhe uma questão e formula concisamente pensamentos e intenções. Encara
atitudes contraditórias e as deixa ir. Aprende a trabalhar de um modo realista as obstruções e abre
a possibilidade do desaparecimento das dúvidas e resistências. A substância da alma é o princípio
receptivo. Quanto mais unidirecionada, sem conflitos e dúvidas secretas (devido a negatividades
não reconhecidas) for a nossa afirmação, mais profunda e mais clara será a impressão na
substância da alma. Esta será moldada de acordo com a força, convicção e clareza da consciência.
Existe uma correlação entre conceitos adequados, visualização de novas possibilidades de
expansão e experiência e receptividade da alma. Quando os conceitos são reais e, portanto, a
abundância ilimitada do universo é percebida, as atitudes positivas estarão em concordância com
as leis cósmicas de verdade e amor. Aí não haverá necessidade de defesas o que torna a substância
da alma solta, elástica, receptiva, permitindo fluir a criação. O contrário também é verdadeiro.
Ao meditar seremos capazes de reconciliar paradoxos e antagonismos, obtendo a
expansão dos nossos conceitos conscientes a fim de criar substância de vida nova e melhor e,
consequentemente, experiência de vida. Reconciliaremos o desejo e a falta de desejo como
atitudes complementares. Seremos ativos e passivos de um modo harmonioso. Isto é, somos
ativos quando exploramos níveis interiores de consciência e passivos quando nos esforçamos e
lutamos para reconhecer e dominar a resistência. É preciso aprender a esperar que os novos níveis
de consciência em nós desabrochem. O equilíbrio entre desejo e falta de desejo; envolvimento e
separação; atividade e receptividade faz crescer a criança destrutiva.

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As verdadeiras respostas só podem chegar quando não há uma atitude fechada e medrosa,
quando existe a disponibilidade para lidar com a resposta, seja qual for. É preciso arriscar-se para
obter uma resposta indesejada. Então a verdade prevalece. A verdadeira fé é o conhecimento,
experiência interior onde não há mais nenhuma dúvida. Estar preparado para lidar com qualquer
coisa na vida nos permite assumir riscos e acabar encontrando a verdade. O mesmo se aplica ao
modo como lidamos com o Eu Inferior. Se tentarmos escondê-lo não teremos coragem para lidar
com nada mais, inclusive a verdade universal.
A meditação é a prece da alma. A prece é o prelúdio da meditação, envolve apenas
pensamentos. Ela é formada na cabeça. A meditação é a prece que envolve os sentimentos e as
forças da alma, ao contrário das forças do pensamento. Ela é forjada no plexo solar, o centro
espiritual do homem. Para atingir esse segundo passo, mais avançado, o homem precisa de uma
certa disciplina e concentração, que aprende através da prece. A meditação correta depende da
concentração. É preciso também pedir ajuda para aprender a orar e meditar verdadeiramente.
Para Susan Thesenga (1999), a diferença entre prece e meditação é que a primeira é mais receptiva
do que a segunda.
A meditação obedece às leis espirituais:

1.Aquilo no que se acredita molda a vida, a experiência.


2.A vida não pode ser trapaceada.
3.Não se pode anular qualquer estágio.

Também na meditação podemos criar círculos viciosos ou círculos virtuosos.

Círculo Vicioso → impedimentos inconscientes → desejo injusto de receber mais do que


damos→convicção carente→privação→dúvida e negação.
Círculo Virtuoso → cumprimento das leis espirituais → remoção das defesas → sensação do direito
à abundância do universo → realização → fé.
Assim:

Meditação é:

-Processo de transcendência das limitações momentâneas da mente para vivenciar a consciência


divina.
-Criação consciente e deliberada.
-Possibilidade de superar paradoxos e antagonismos.

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2.Para que serve a Meditação?

No Pathwork a meditação deve ser usada com o propósito específico de eliminar conceitos
errôneos e atitudes destrutivas. Identificar e saber porque são errôneos nossos conceitos nos
ajuda, aos poucos, a imprimir na substancia de nossa alma crenças corretas. Tudo se passa em
duas fases. Na primeira, usamos a meditação para eliminar aquilo que nos impede de meditar e
para eliminar os conceitos errôneos. A partir desse ponto, criamos experiências mais desejáveis,
uma capacidade de sentimentos melhores e mais profundos, uma autoexpressão mais criativa,
mais alegria e serenidade. Tudo isto está à nossa disposição ilimitadamente. Nós é que colocamos
limites pelas nossas falsas ideias a essa recepção.
A meditação pode ser aplicada a todas as experiências da vida – experiência interna e
externa e autoexpressão. Se ela é feita de forma correta, ela flutua entre uma e outra. Desejar a
verdadeira unidade é o ponto, pois a falsa unidade vem do ato de separar a parte indesejável com
a qual não queremos lidar. A meditação pode ser aplicada para encontrar e remover os medos
mais profundos. Estes só desaparecem quando entramos dentro deles e expomos sua natureza
fantasmagórica. Ela é, sobretudo, importante nos momentos iniciais do processo de
autoconhecimento, quando ainda não temos suficiente autodisciplina e corremos o perigo de ser
negligentes. Graças a ela torna-se efetivamente possível passar da corrente-não para a corrente-
sim. Aprender a usar essa e outras ferramentas do Pathwork de um modo adequado faz parte do
processo de amadurecimento e crescimento pessoal. É importante não só desvendar as
artimanhas do Eu Inferior, mas também tornar-se perceptivo à especial individualidade do Eu
Superior a fim de utilizá-lo e se dar conta da sua força particular atuando em nós.

A meditação:
-é orientada com o propósito específico de eliminar conceitos errôneos e atitudes destrutivas
-pode ser aplicada a todas as experiências da vida
-torna efetivamente possível passar da corrente-não para a corrente-sim.
-cria consciência do Eu Inferior e da força particular do Eu Superior.

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3.Quais são os pressupostos para uma meditação eficaz? E os seus efeitos?

Para uma meditação eficaz é preciso compreender que o grau de desenvolvimento e


expansão do homem é ilimitado, como é ilimitado o material vital que o compõe e que está
presente no seu corpo, à primeira vista um limite à expansão do seu potencial. O homem contém
os princípios divinos ativo e passivo. Essa substância de matéria vital é nosso Eu Superior – uma
edição em tamanho menor do Princípio ou Espírito Criativo. A inteligência ativa, a vontade
espontânea, a decisão, a escolha, a liberdade de selecionar pensamentos e impressionar a
substância da alma fazem parte do princípio ativo. O princípio passivo existe nessa substância com
sua inteligência impessoal, automática, embutida, seguindo suas leis específicas. É a matéria a
partir da qual a inteligência divina ativa, forma, cria, molda, põe em movimento. O casamento
entre as ideias condutoras, emanadas da inteligência que passam para a substância vital ou
matéria da alma, onipresente e eterna, resulta na manifestação, na materialização. Meditar é
entender como usar deliberadamente nossos próprios poderes, produzindo o equilíbrio entre a
vontade, a mente que conduz e a receptividade passiva.
Quando o homem consegue manter um fluxo constante entre a mente exterior e seu eu
mais profundo para, em seguida, agir no mundo ele está meditando. Essa é a forma ideal de
meditação e não se aprende do dia para a noite. Mas se for mantida, com o tempo fatalmente
chegará o dia em que o homem descobre essa presença real em si mesmo, sempre pronta a
responder. Ela está presente o tempo todo, apenas não é percebida. Ser ativo de uma maneira
saudável e harmônica (neste contexto) significa o entendimento completo de que a resposta de
Deus a nossas preces não acontece para nós, mas através de nós. A busca por tentativas de
respostas certas, nossa investigação, o trabalho envolvido, a disposição em ver a verdade e em
mudar, até mesmo a formulação de nossa confusão constituem nossa participação ativa na
aventura do crescimento. Isso diferencia a abordagem a Deus da pessoa que usa Deus como um
meio de fugir à responsabilidade por si mesmo. Vamos adquirir sensibilidade, intuição e sintonia
suficientes com a Realidade Cósmica a ponto de muitas vezes percebermos o impacto dos próprios
pensamentos.
A meditação é o exercício do pensamento profundo, aquele que é feito com toda a
personalidade, incluindo os sentimentos relacionados aos pensamentos. Nesse sentido, é uma
doação de si mesmo ao Divino – à inteligência e verdade das forças universais e isso não apenas de

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um modo geral, mas especificamente onde as barreiras e obstáculos impedem o caminho por
causa do medo da verdade dentro do eu. Quando essas barreiras são superadas porque o amor à
verdade é maior e, portanto, a rendição à verdade maior se torna possível, o oceano de sabedoria
pode reabastecer o ser do homem.
A meditação desenvolve o Eu Observador com suas qualidades: objetividade e
imparcialidade; amor e compaixão para com os nossos muitos outros eus. O Eu Observador
observa o que é vivenciado e assume uma perspectiva na qual pode se instalar psicologicamente e
da qual pode ver o restante da vida. Essa capacidade de auto-observação objetiva e compassiva é,
segundo Susan Thesenga, o atributo mais importante para o desenvolvimento de quem trilha o
caminho espiritual. Ele é uma função positiva do nosso ego, um aspecto do Eu Superior que
podemos experimentar na realidade egóica comum. É uma testemunha benevolente com os
processos internos e externos, que simplesmente registra, sem fazer julgamentos, o que quer que
venha à superfície da consciência. É particularmente acolhedor com qualquer tipo de percepção e
sensível às mensagens do inconsciente que nos trazem informações potencialmente novas a nosso
respeito (1999:p. 55). Tornar-se um auto-observador amoroso é passar a ser o mapeador de si
mesmo. O observador objetivo começa como uma função do ego, enquanto disciplinamos uma
parte nossa para ficar de fora e observar. No entanto, à medida que essa capacidade amadurece,
tornamo-nos mais e mais identificados com o Eu Superior, que observa e transforma tudo o mais
que somos (1999: p. 62). A identificação com o Eu Observador gera o sentimento de grande
liberdade interior.

Uma meditação adequada requer:


a compreensão da possibilidade de uma expansão ilimitada do homem, graças à harmoniosa
interação dos princípios da atividade e da receptividade.

Ela provoca:
um reabastecimento das energias vitais;
o desenvolvimento do Eu Observador e, consequentemente, sentimento de liberdade interna.

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4.É possível a distorção no processo de meditar?

Se a meditação for usada como substituto da busca por si mesmo, da autopurificação, da


mudança das profundas distorções, ela será, em essência, semelhante às vias de escape mais
flagrantemente destrutivas, como a atividade sexual distorcida, drogas e álcool. Se os exercícios de
meditação forem mecânicos, esse caminho será sempre ilusório. Somente quando o ponto agora
for o resultado de um desenvolvimento conquistado vagarosamente é que novas percepções serão
realmente nossas. Caso contrário, vamos gastar muita energia em algo que não pode ser mantido
de maneira desenvolta e que acabará fatalmente se separando das partes não desenvolvidas que
são então expulsas da consciência. Assim, há uma enorme contradição. O ponto agora venturoso é
verdadeiramente resultado da unificação. Se essa unificação não for obtida honestamente e forem
buscados atalhos, em vez da unificação, ocorrerá uma divisão ainda maior. De fato, nesse caso, a
personalidade começa muito menos dividida do que acaba ficando, depois de passageiramente
apreciar e saborear pontos agora venturosos por meios artificialmente induzidos, incluindo entre
eles os exercícios e práticas mecânicas. A meditação se torna problemática quando negamos nosso
desejo negativo e lamentamos o resultado. O progresso nessa arte vai nos mostrando que se trata
de uma constante interação entre os princípios ativo e receptivo, entre faculdades voluntárias e
involuntárias.
As distorções da auto-observação ocorrem quando entra o julgamento. No momento em
que nos julgamos ou julgamos o outro paramos de observar. O processo de observação então
precisa voltar “atrás” do juiz e observar esse ato de julgar-se, ou aos outros. Se ficamos
desanimados com o que observamos, precisamos recuar e observar o desânimo. A auto-
condenação nos leva de volta ao repúdio dos nossos aspectos negativos que, dessa forma, nunca
podem ser transformados. A origem das distorções da auto-observação está, na maioria das vezes,
nos julgamentos negativos do que vemos em nós mesmos enquanto vozes internalizadas dos pais
ou de figuras de autoridade da infância, ou de rígidos códigos de conduta culturais e religiosos.
Esses julgamentos não são o verdadeiro eu observador, mas vêm da imagem auto-idealizada que
incorporou padrões irrealistas de perfeccionismo, em relação aos quais constantemente nos
comparamos. O primeiro passo da auto-observação é, portanto, observar esse perfeccionismo.
Sempre que caímos no auto-julgamento severo, precisamos recuar e também observar com
tolerância esse processo. Precisamos ser capazes de identificar as vozes negativas autocríticas, mas

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aprendendo a não nos identificarmos com elas; elas são apenas uma parte do cenário interior, não
mais “verdadeiras” do que qualquer outra faceta nossa. […] Por trás dos sentimentos temporários
de dor e prazer que nos atravessam, a percepção é simplesmente um receptáculo vazio de toda a
experiência de vida (1999: p. 59). Ser verdadeiro com o eu significa acolher na consciência o
material inconsciente mesmo quando esse material aparece sob a forma de sonhos assustadores,
pensamentos negativos ou sentimentos desagradáveis. Cada ato que traz o material inconsciente,
ou apenas vagamente consciente, para a luz plena da percepção intensifica a evolução da
consciência, a passagem da ignorância para a percepção, da limitação para a totalidade, da
desunião para a união (1999: p. 60).

Distorções da meditação e da auto-observação:


-uso da meditação para evitar a auto-purificação;
-prática mecânica;
-prática que leva a negar o ponto negativo ou a justificá-lo;
-prática impregnada de julgamento ou outro sentimento incompatível com o ato de testemunhar
o que se passa conosco.

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5.Quais são as sugestões de meditação que o Guia oferece e quais as recomendações que
faz no uso dessa ferramenta?

O Guia oferece inúmeras sugestões de meditação na maioria das palestras lidas com o
objetivo de que lidemos com nossas correntes emocionais distorcidas. Seria impossível arrolá-las
todas. Escolhi algumas apenas a título de exemplo:

“Eu quero arriscar meus bons sentimentos. Eu quero buscar a causa em mim e não na outra
pessoa, para que eu possa me tornar livre para amar. Esse tipo de meditação irá realmente
dar frutos” (Palestra do Guia Pathwork 180).

“ Diga nas suas meditações para Deus: É desse jeito que sou agora. Pelo menos uma parte é
desse jeito e não me agrada. Quero aceitar isso como parte do meu ser, sabendo que não
posso mudar nada se não for com liberdade. Sei que o que virá à tona não é o meu ser
total. Mas há duas forças contrárias em mim e preciso estar ciente das duas, também
daquela que, até agora, ignorei. Para me tornar o que eu gostaria de ser preciso, em
primeiro lugar, sem medo da vergonha e sem vaidade, encarar o que existe em mim”
(Palestra do Guia Pathwork 25).

“(…) Vocês devem buscar a calma dentro e fora. Todos os dias vocês devem entrar numa
meditação onde se tornem muito quietos, de forma que o barulho interior, que encobre
esse poço de sabedoria e amor, faça-se conhecido de vocês. Depois de traduzir esses
barulhos em pensamentos concisos, essa meditação finalmente trará para fora daquele
poço da guiança sábia sentimentos calorosos de amor, afeição e compreensão pelo outro,
sem que as suas próprias necessidades urgentes turvem a percepção realista do outro. Se
vocês quiserem desprezar aquele barulho interno de medos, vergonhas, defesas e
necessidades urgentes; se quiserem evitá-lo e ir diretamente ao poço de calma, vocês não
alcançarão realmente o tesouro interior. Vocês podem pensar que conseguiram, mas isso
não o fará real. Em relaxada abertura, a existência efêmera da barreira e do barulho tem
que ser reconhecida e então traduzida em significado. Esta é a forma, meus amigos. Esses
períodos diários de tornarem-se calmos irão ajudá-los enormemente a determinar o
significado da barreira à calma, e esta prática definitivamente não pode ser negligenciada”
(Palestra do Guia Pathwork n.107).

“Você pode começar agora mesmo, de uma forma simples e direta, enfatizando nas suas
meditações “Eu gostaria de conhecer, experimentar e sentir aquilo que realmente sinto”;
qualquer que seja a questão, qualquer que seja a disposição do dia ou do momento.
Cuidado para não se convencer a escapar desse processo por suspeitar de uma
irracionalidade, nem a se manter nele construindo uma argumentação. Ambos implica uma
mente ativa demais; deixe a mente ficar passiva, muito suavemente, deixe o sentimento
emergir – qualquer que possa ser. Quanto mais calmo estiver, quanto mais relaxado e
atenciosamente você “escutar” a natureza do seu sentimento, mais ele será o sentimento
original e não a capa, o resultado da negação da verdade. Uma vez que se permita o
impacto original do sentimento, você fica mais próximo do centro vital, do qual flui todo o
bem. Use a meditação para pedir orientação. Coloque na sua meditação que você tem a
força para aguentar um pouco de dor – uma dor que, afinal de contas, está em você, apenas
piorada como resultado que você está fazendo com ela. Diga a si mesmo que a dor é o
portal para o prazer e a satisfação, para a alegria e a felicidade” (Palestra do Guia Pathwork

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n.165).

“(...) Quando meditarem, digam a si mesmos: “dou o máximo de mim a vida. Não vou
segurar nada de mim. Quero contribuir para o desenvolvimento cósmico e o plano de
evolução com todos os atributos que tenho – os que já se manifestaram, mas que talvez não
tenham sido usados dessa maneira e os que ainda estão latentes. Quero contribuir, e só
posso contribuir como uma pessoa totalmente satisfeita e feliz, e não como uma pessoa
sofredora” (Palestra do Guia Pathwork n.166).

“Como um conselho imediato para você seguir em frente, tome qualquer um dos pequenos
nãos que surgem no seu trabalho, na sua vida cotidiana – um atrás do outro, como você
observa no auto-exame. Tome um não e comece a sua meditação privada, totalmente
sozinho, tranquilo, descontraído. Essa meditação pode ser mais ou menos assim, em
essência, mas você deve usar suas próprias palavras. ´Por que digo não? Tenho o poder de
dizer não, e agora digo sim a querer realmente, verdadeiramente descobrir esse ou aquele
não específico´. ´De todo o coração digo sim a querer entender o não´. Tome um não de
cada vez. A princípio você vai sentir uma vontade muito forte de deixar a questão de lado
mas, já sabendo disso, vai estar preparado e não desistir. Continue dizendo: ´A verdade não
pode me prejudicar, mesmo que uma parte ignorante de mim se rebele contra ela. Apesar
disso, eu digo sim. Aquela parte não tem poder sobre o modo como dirijo minha vontade e
meus esforços. Esse mesmo não já acarretou muita destrutividade e infelicidade. Não
permito que ele continue a me governar. Tomo as rédeas nas mãos.´Se você fizer isso
diariamente, durante algum tempo, e se abrir para o que vier, com esse espírito: ´aceitando
todas as consequências, quero descobrir por que o não me separa de tudo que poderia
trazer felicidade para mim e para os que me cercam. Não quero mais rejeitar tudo que gera
vida, que se expande, que une. Não quero mais assumir o isolamento e a hostilidade.
Quando meditar com suas próprias palavras, de forma tal a convocar as forças divinas que
estão dentro do seu ser, você vai sentir uma grande transformação. A primeira vez será a
mais difícil, mas se você perseverar, vai ficar cada vez mais fácil e gerar cada vez mais
resultados.” (Palestra do Guia Pathwork n.125).

O Guia também faz recomendações importantes para o uso dessa ferramenta no Pathwork.
Em primeiro lugar, ter uma prática regular e correta da meditação, de acordo com os princípios
anteriormente citados. É preciso buscar uma variedade no processo de meditar, procurando
detectar nossa necessidade efetiva com relação ao desdobramento do próprio desenvolvimento
pessoal. Existem passos que nos ajudam a trabalhar na direção de tornar a meditação uma prática
diária, apesar das dificuldades que colocamos a esse processo: pedir ajuda espiritual
→compreensão→decisão→vontade firme e flexível→meditação→receber ajuda espiritual.

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O Guia apresenta inúmeras sugestões de meditação para lidar com as correntes emocionais
errôneas.
Faz as seguintes recomendações:
-prática regular e correta da meditação;
-variação da mesma prática, procurando detectar a direção a ser tomada de acordo com o
desenvolvimento pessoal;
-pedir ajuda para conseguir tornar a meditação uma “segunda natureza”.

6.As estações do caminho: uma prática meditativa à luz do Pathwork

Como afirma Margarete May, “para aprender não basta olhar, mas ver; não basta ouvir, mas
escutar; não basta fazer, mas pensar sobre o que se faz e sobre o que se faz. Para que o olhar possa
transformar-se em ver e o ouvir em escutar, o intervalo estabelecido entre eles precisa ser
preenchido pelo pensamento sensível”1
No processo formativo como facilitadora de grupos de estudo percebi que o
autoconhecimento é uma forma de afirmação de si no mundo e que se manifesta também como
cuidar-se. Nesse processo a meditação permite olhar para a nossa paisagem interior e é uma
ponte que une o visível ao invisível, o dizível ao indizível. Nessa direção fui solicitada à recriar essa
ferramenta à luz de algumas palestras lidas, o que produziu um elenco de 41 sugestões de
meditação reunidas ao final desta monografia (Anexo 1). À medida da necessidade e interesse vou
incorporando essas propostas à minha prática como coordenadora de grupos, mas ainda não
havia tido a experiência de registrar o processo vivido, o que fiz nesse momento como um dos
movimentos que antecederam a escrita dessa monografia.
A aproximação da páscoa me motivou a realizar com os grupos de estudo a meditação AS
ESTAÇÕES DO CAMINHO com adaptações no texto original, já que este foi feito para o módulo
nove do HELPERSHIP. Essa meditação, criada por mim e Maria de Lourdes Florencio, teve o
objetivo de proporcionar um contato profundo da pessoa com sua própria trajetória dentro do
processo formativo do Pathwork. Estendi esse objetivo para aplicar a dois dos meus três grupos
regulares de estudo com o propósito de provocar o contato da pessoa com o momento em que se
encontra na jornada da vida. Incluí nessa monografia 11 relatos. São sucintas descrições de quem
participou da vivência, já que no dia combinado nem todos estavam presentes (Anexo 2).

1 Margarete May. Prefácio ao livro de Danis Bois, Marie-Christine Josso e Marc Humpich (orgs.). Sujeito sensível e
renovação do eu. São Paulo: Paulus, Centro Universitário São Camilo, 2008, p. 10.

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Antes de fazer a proposta com os grupos, eu mesma, enquanto facilitadora, realizei a
experiência individualmente. Essa preparação está também descrita e inclui sensações e
sentimentos que tive e considerei oportuno registrar, não apenas na preparação imediata ao
encontro, mas nos dias que o antecederam. Senti que, ao reunir impressões, lembranças,
sensações esparsas de dias anteriores facilitava meu próprio processo de auto-análise (Anexo 3).
Após a prática meditativa apresentei aos grupos cinco imagens, representativas das
estações sugeridas que ficaram espalhadas pela sala. Solicitei, então, que cada um percorresse de
novo as estações, através das imagens, verificando com qual delas se identificava. Em seguida,
pedia que cada um relatasse por escrito sua vivência (Anexo 4). Finalmente realizamos a partilha
oralmente. Esta experiência também serviu para reflexão do grupo de trabalho no Módulo 9, a fim
de que repensássemos e reformulássemos o texto original. No exame da vivência da meditação
que realizo a seguir reuni todos os relatos, inclusive o meu mesmo, como material de análise,
tomando esse conjunto como objeto de reflexão.
Boa parte de quem busca o processo de auto-transformação nos grupos de estudo
Pathwork é motivada pela necessidade de cuidar de sofrimentos psíquicos, tenha clareza ou não
desse aspecto. Essas pessoas, na maioria das vezes, acham-se submetidas ao estresse, a
preocupações de diversa ordem, à incapacidade de manter distância de determinadas situações e
com dificuldades de se adaptar aos acontecimentos da sua própria vida. Nesse estado a pessoa
pouco se relaciona com suas realidades somáticas e psíquicas, mantendo uma alienação entre seu
corpo e seu espirito, entre partes de si mesma, o que provoca sofrimento interno e externo nas
relações que estabelece em sua vida familiar, afetiva e/ou profissional.
Ao chegar a um grupo de estudo, a pessoa principia, motivada pelas palestras do Guia
Pathwork, a compartilhar um itinerário experiencial num espaço de fala que lhe permite encontrar
uma expressão de si. O processo de transformação varia de pessoa a pessoa e se inicia quando
cada um, dentro da sua pesquisa, enriquece as percepções que tem de si mesmo antes mesmo de
renovar as representações que cultiva e nas quais acredita. A meditação, como ferramenta de
autoconhecimento, é indicada para esse trabalho de desconstrução, num primeiro momento. A
construção, como vimos, é também alvo da meditação, mas antes é preciso identificar e
reconhecer todo aquele material que durante anos evitamos manter contato. Antes de tudo,
porém, é preciso ultrapassar a dificuldade de entrar em estado meditativo. Como aparece num dos
relatos em torno da meditação As estações do caminho:

19
“Dificuldade de me voltar para dentro de mim mesma. O tempo todo houve interferência
dos problemas do cotidiano, aqui e agora, sem a dimensão ampla e profunda que a meditação
propunha” (Relato 6).

Aparecem questionamentos, por certo, significativos que a sabedoria interna de cada um


aponta:
“Com o medo numa mão e o desejo de mudar na outra comecei a pensar no medo.
Primeiro achei que não tinha medo, mas fui percebendo que meu medo está relacionado com uma
forma engessada de ver a realidade, com uma forma de ver a realidade através de modelos prontos
que me impedem de ver o que realmente há nela.
Então é isso... meu medo é ver a realidade sob formas que outros elaboraram. A minha
mãe, talvez?
Não consigo experimentar a realidade de forma fresca, mais natural, mais verdadeira...”
(Relato 2).

Ou ainda, a dolorosa descoberta de quem nunca quis verdadeiramente mudar:

“Lembro da dificuldade de me conectar com a vontade de mudar, mas percebi claramente o


medo e a incapacidade de mudar porque não sei o que mudar, nem para que mudar. Percebo que
me iludi pensando que mudei muito ao longo da vida, mas é engano. Mudei muito pouco. Continuo
insegura e submissa, sem saber ao certo quem sou e o que quero.
Senti profundamente a dor da solidão, do isolamento, da incapacidade de estabelecer
vínculos mais profundos. A dor de não ter criado laços de família. Tenho uma grande rede de
amizades, mas é superficial.
Senti o vazio de um mestre. Li muita coisa, pensei, escrevi, mas avancei pouco na busca por
um conhecimento mais profundo de mim mesma” (Relato 6).

Também a dor da vergonha do Eu Superior e do arrependimento:

“Apareceu (de uma maneira suave e imprevista) o rosto de Cristo e senti uma grande
vergonha de segui-LO. Veio um grande sentimento de tristeza, de arrependimento. Lágrimas
escorreram dos meus olhos. Tentei manter a imagem e me vi cuspindo no rosto DELE. Ampliou-se o
sentimento de tristeza, a dor do arrependimento. Uma grande mobilização interna. O choro” (Relato
da Facilitadora).

Temos aí exemplos de uma aprendizagem que vai se construindo pela dor da descoberta do
auto-engano do qual ninguém está isento, mesmo tendo optado por um caminho como o
Pathwork, no que ganha todo o sentido a frase evangélica: “Vigiai e orai!”. Mas outras dores vão se
desenhando no espaço meditativo, sobretudo através de lembranças da infância, em situações
vividas, imaginadas, sonhadas:

“A dor da solidão. A dor de não ser compreendida. A dor de não ter liberdade. A lembrança
das festas que meus pais faziam, dos churrascos.... as pessoas bêbadas. Eu ia tomar banho e ficava
muito tempo chorando porque não queria estar naquele ambiente e também não queria que

20
ninguém me visse chorar” (Relato 1).

“O medo da criança. Abandono! Silêncio! Escuridão.


Lembro de estar na escada do prédio, sendo “testada” quanto à coragem de estar ali
sozinha no escuro. Eu sabia que estavam tomando conta de mim. Ou só fiquei sabendo depois?”
(Relato 3).

“Eu me senti sozinha, com medo. Tinha medo de ser criticada. Vejo os adultos rindo, pois eu
era diferente: chorona! Vivo para agradar as pessoas, mas continuo só, isolada. E faço isso de
maneira obstinada, orgulhosa. Sinto uma grande dor no peito. É mágoa e não acolhimento.
Quero tirar essa mágoa. Quero acolher esta criança magoada” (Relato 5).

“Eu me identifiquei com uma menina sozinha, pensativa. Parece que a moça quer se jogar
do alto da pedra aonde está lá embaixo, mas ela só pensa e não se joga” (Relato 8).

“A lembrança de um sonho que se repetia na infância. Eu via a mim e a toda a minha família
dentro de uma bolha de sabão, totalmente transparente, flutuando no espaço. De dentro dela via
as outras bolhas de sabão, com pessoas também flutuando. Havia uma sensação de perigo no ar.
Vivia muitas situações de medo na infância: o medo do abandono, o medo de que descobrissem as
minhas “artes”, o meu fracasso, pelas notas ruins tiradas na escola, o medo de não conseguir
aprender o que me ensinavam. A trapaça e a política de silenciamento como única saída: Não falo!
Não conto! Sofro com o medo da descoberta da verdade” (Relato da Facilitadora).

A dor que se sente é acompanhada de sensações físicas, mas nem todos estão atentos a tal
fato. A falta de percepção corporal é uma das grandes lacunas de quem procura livrar-se do
sofrimento auto-imposto, acarretando a perda de informações preciosas que o corpo entrega à
pessoa no estado meditativo.

“Sensação de encolhimento. Todo o corpo contraído. Tristeza” (Relato 1).

“A minha mão que sustentava a dor foi ficando muito pesada... Tão pesada, até que virou “sozinha”.
Experimentei esse gesto como “estou me livrando da dor” (Relato 4).

“Sinto uma grande dor no peito. É mágoa e não acolhimento” (Relato 5).

“A dor torna a mão direita mais fechada, como se contivesse um punhado pequeno de alguma
coisa. A vontade de mudar é mais fluida e circula, mantendo a mão quase aberta” (Relato 7).

“Também mexeu comigo a terceira estação. A máscara é forte. É intensa e é triste. Me deu uma
sensação de algo encoberto, de estranhamento, de mal estar. Senti um aperto no peito” (Relato 8).

A minha impressão é que muitos de nós apenas nos autorizamos a sentir preferencialmente
dor em nosso corpo e graças à sua intensidade o acessamos. Em suma, impõe-se uma constatação:
a de que vivemos todos os dias na proximidade de um corpo que não conhecemos. Além da
convocação constante que recebemos para nos lançar à exterioridade, quando nos voltamos para
nossos estados internos parece haver uma predileção pelos pensamentos e emoções, bem mais do

21
que as percepções ligadas à relação com o corpo e com seu movimento interno 2. Esse modo de
entrar em contato com o espaço interno ganha o status de uma aquisição que não é sequer
questionada. No entanto, existem muitas outras possibilidades de sensações que o estado
meditativo pode nos proporcionar, tais como a sensação de globalidade, a atenção que se
concentra em regiões corporais específicas que se fazem mais presentes, a sensação de
profundidade, de espaço, de luminosidade, de sons.

Veio a percepção de uma linha de força na coluna vertebral, de baixo para cima. Ao notar
essa linha ou sustentação na face posterior do tronco, a face anterior simultaneamente relaxava.
Havia, portanto, um movimento simultâneo de baixo para cima na face posterior e de cima para
baixo na face anterior, como se fossem duas retas que acabavam se alimentando reciprocamente e
formando, pela junção, um círculo em movimento no sentido vertical.
(…) a percepção da globalidade corporal através da respiração. Era como se pudesse
perceber o ar entrando e, em função de segundos, chegar aos pés. Certas regiões do corpo se
fizeram mais presentes (zigomáticos, dedões dos pés). Era simultânea a percepção da globalidade e
de regiões específicas.
O calor se instalou, com mais intensidade nos pés, cabeça, sobretudo na boca.
Contato com o silêncio no osso Occipital, como se estivesse residindo ali, e cuja textura se
avolumava e ganhava o corpo todo”
(…)
Em contraste com o calor que sentia, veio o som de água escorrendo e, em seguida, a
imagem de uma torneira aberta na qual me refrescava lavando rosto e mãos. Fui preenchida por
uma suave emoção e lágrimas escorreram dos meus olhos. Existiam sentimentos de gratidão,
abundância, generosidade “ (Relato da Facilitadora).

O estado meditativo no Pathwork cria condições para a instalação do Eu Observador e a


auto-crítica saudável, que não paralisa porque está isenta de auto-piedade e julgamentos. Existem
três obstáculos a serem transpostos para favorecer a sua emergência: a pobreza perceptiva; o
caráter rígido da estrutura cognitiva de acolhimento das experiências interiores, seja por recusa ou
por medo da novidade e a falta de interesse pelo crescimento de si mesmo. Desenvolver o Eu
Observador é um processo lento que comporta trabalho atento e dedicado.

“Agora percebi que essa dor profunda é a resistência que coloco para entrar em contato com essa
dor [a dor de ver a realidade através de modelos prontos], colocá-la para fora e ver com
distanciamento. Ver com distanciamento (...)” (Relato 2).

“Comecei a lembrar da minha primeira moradia. Só veio o sentimento de vivência de conflitos e


tristeza. Também apareceu um alerta e uma pergunta: Estarei cedendo mais uma vez o meu
espaço? Percebi que jogo fora as quedas da vida. Será que aprendo com o que vivi?” (Relato 4)

“Acho que estou na primeira estação, ainda com medo de olhar os meus medos. Medo de abrir o
2M. Humpich e D. Bois. “Pour une approche de la dimension somato-sensible em recherche qualitative”. Recherches
Qualitatives, n. 3, 2007. Collection hors série “Les actes”; Atas do Primeiro Colóquio Internacional Francófono sobre os
Métodos Qualitativos, Université Paul Valéry, Montpellier III, 27-29 de junho de 2006, pp. 461-489.

22
porão. Medo dos cantos desconhecidos. Mas à medida que percebo esses medos, percebo também
que eles não são tão assustadores assim. Acho que o medo maior é encará-los. Depois que se olha
para eles, não são tão assombrosos. Depois, na hora de acolher a dor, ela não me pareceu tão
dolorida, do jeito que achava que era e como eu acolhi o desejo de mudança na outra mão, me deu
a impressão de que eu posso tomar esse desejo para mim” (Relato 9).

“Senti que, por conta do meu orgulho, determinados aspectos da minha vida não se resolviam
porque eu não pedia ajuda. Achava que sozinha sempre daria conta. (…) Consegui me perdoar por
algo que ocorreu há mais de 20 anos. E... eu sempre achei que já havia me perdoado. Mas vi que
não. (…) Acho que passo pela fase em que ainda não conheço todas as minhas máscaras e, portanto, ainda
encontro dificuldades em resolver algumas coisas em minha vida. Acho que preciso mergulhar mais fundo
dentro de mim. Está faltando isso...” (Relato 10).

“Penso que sempre vivi “enganando”, ou melhor, escondendo de todos os dissabores e as quedas que tive ao
longo da minha vida” (Relato 11).

A transcendência do ego, no ato meditativo, nos coloca em sintonia com a sabedoria


interna que se apresenta de variadas formas de acordo com a singularidade de cada um, a história
de vida e, sobretudo, o sistema de crenças. Nos relatos recolhidos ele apareceu através de figuras
religiosas femininas ou masculinas, representado por figuras sábias, sem forma ou assumindo a
forma do movimento interno e criativo tal qual a pessoa o percebe e traduz em palavras. Assim:

“Na última estação apareceu uma imagem feminina. Era Nossa Senhora. Mas ela me falava com uma
voz masculina e dizia ` _ Mulher de pouca fé!`. Uma grande onda de energia e luz me envolveu e
quando mentalmente fiz a intenção de doar essa energia, a mesma voz me disse: `Não. Essa energia
agora é só para você!´ (Relato 4).

“(...) ´apareceu´ alguém com quem comecei a dialogar. Era alguém mais velho, com uma atitude
maternal, dizendo coisas importantes das quais não consigo lembrar. Poderia resgatar isso em
sonhos? Percebi que voltei desse diálogo como que aterrizando na sala... Veio a sensação de que
aquela conversa foi feita num lugar muito longínquo, ou muito profundo? O lugar em que estava
parecia uma floresta. Da floresta vim imediatamente para a sala”(Relato 2).

“Meu mestre não tem forma. Quer dizer, ele não apareceu como forma. Era mais uma silhueta
humana. Poderia ser qualquer pessoa ou ninguém. Ele está de braços abertos. Dele se irradia uma
luz prateada. Não tem sexo. Foi a primeira vez que consegui visualizar uma imagem, o que me deu
grande alegria” (Relato 3).

“Jesus, de manto amarelo, ficou na minha frente” (Relato 5).


“Neste momento a imagem mais forte de amor incondicional foi a de meu pai, tão ausente e tão
presente. Essa imagem “me pegou”. Foi totalmente nova para mim essa percepção de meu pai”
(Relato 6).

“Não sei porque comecei a ver fogo em volta de mim. Não senti medo e sim um conforto enorme.
O fogo foi ganhando vida. Comecei a dançar com o fogo. Comecei a ser o fogo. Depois fui me
separando e fiquei envolta numa chama até virar um tecido nas cores do fogo. Eu sabia onde

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estava, mas não conseguia ver. O tecido virou uma bola e joguei para cima até ela sumir. Continuei
com as cores do fogo e o tecido voltou. Continuei uma dança/luta. Sabia que estava no mato. Fui
parando de dançar. As imagens sumiram. A última coisa que vi foi uma cachoeira com um lago, um
barco, mato, pedra. E eu lá embaixo. Tudo calmo. Ah! através da meditação senti um ´guia´, uma
força, sei lá... na minha frente. Tomei um susto. Achei que era alguém que tinha se levantado e se
colocado na minha frente. Senti um peso na minha cabeça” (Relato 8).

“Na última estação, encontrei o Grande Mestre, compreensivo e acolhedor. Num primeiro momento
o contato foi apenas sensorial. Depois caminhamos juntos, ainda em silêncio, por uma praia deserta,
tranquila. Foi aí que me fez o convite para atravessar o abismo que separa a pequena consciência do
ego com a grande consciência universal. E começamos a atravessar... Eu não fiquei com medo, nem
do abismo, nem da travessia, pois a presença do Mestre me deixou muito confiante. Estou buscando
este contato com meu Eu Superior” (Relato 9).

Toda essa riqueza de sensações e visualizações serve para quê? Essa é uma pergunta que
remete à importância de extrair da vivência da meditação algo a que se dê continuidade, algo que
possa perseverar e nos ajudar a expandir a visão que temos de nós mesmos. Enquanto experiência
extra-cotidiana, a meditação leva quem a pratica nos moldes do Pathwork a centrar-se em si
própria, a aproximar-se da sua subjetividade em todos os seus aspectos e assim perceber as
características e motivações da sua própria desconexão.

“O medo é o medo de desconectar, por algum incidente ou evento muito forte, medo do inevitável
ou da reação traumática ao inevitável. O medo acompanha, ou melhor, complementa o sentimento
de muitas perdas e da quase falta de elementos que possam supri-las. As perdas causando a
desconexão...Lembrei da palavra “unpluged”, nome de um disco de Gilberto Gil e fiquei pensando
como alguém pode escolher uma palavra tão forte para ligar à arte. “Unpluged” é o louco, o sem
abrigo, sem contato, sem conexão. Até um naufrago, como Robson Crusoé, conseguiu conectar-se
ao mundo que ficara para trás. Conectou-se por meio da replica desse mundo. O “unpluged” é o
nada e é o medo” (Relato 7).

Qual seria então o papel do acompanhante de grupos nesse processo? Em primeiro lugar,
ajudar a pessoa a reconhecer o que lhe foi dado viver durante a experiência; em seguida, ajudá-la
a atribuir um valor àquilo que vive. E, finalmente, ajudá-la a realizar uma reflexão após a vivência
da meditação, solicitando que ela formule para si mesma o sentido que atribui a essas mensagens
ou, em outras palavras, que, de um modo conciso, como recomenda o Guia, sintetize para si
mesma o que aprendeu consigo durante o processo triplo de confrontação ao qual se submeteu,
isto é, do ego para o Eu Inferior, do ego para o Eu Superior, do Eu Superior para o ego e o Eu
Inferior. Esse trabalho é pedagógico e solicita que identifiquemos com aquele que participa da
meditação quais os “fatos” de consciência e “fatos” de conhecimento alcançou ou encaminhou
nesse processo.

24
Com relação aos dois grupos que viveram a meditação, a evolução do trabalho foi diferente.
Num deles culminou numa dinâmica de acolhimento e, no segundo, desdobrou-se num novo
encontro com uma nova meditação cujo tema foi a autoridade divina. Creio que essa forma de
encarar o processo meditativo reconhece o movimento sensível que se instala dentro de nós e
que promove iniciativas práticas, objetivas de continuidade do processo de autoconhecimento,
algumas de modo consciente e outras nem tanto. A meditação nos permite acessar um modo de
sentir e remete igualmente à participação ativa de um modo de pensar que não é distração, mas
que leva cada um a se perguntar sobre o que aprendeu com aquilo que sentiu, o que leva o grupo
a perceber o impacto da sua percepção sobre sua maneira de refletir. Assim, dinamizar uma
atividade reflexiva através do enriquecimento da percepção põe em movimento a matéria, a
consciência, as representações e a reflexão. Num caso, pelo menos, houve a emergência de uma
representação completamente diferente de um genitor até então sempre apreciado como ausente.
Essa percepção, carregada de emoção, provocou lembranças até então apagadas, uma declaração
de amor a um pai e o reconhecimento da identificação com aspectos da sua personalidade que em
sessenta anos de vida ainda não tinha acontecido. Essas lembranças vindas do fundo da memória
assumem nesse momento um sentido específico que pode ser explorado no acompanhamento
verbal. Essa busca de sentido assume três possibilidades: encontrar uma nova orientação para a
vida, contatar o sentimento corporal ligado à experiência relembrada e extrair um significado claro
e/ou novo do que se viveu. A prática desse processo, tal qual nos convida o Pathwork nos dá
acesso a uma “forma de pensamento sentido” ou uma “forma de sentimento pensado”. Esse é o
desafio que a meditação como ferramenta dentro do Pathwork nos apresenta. Que seja bem-
vindo!

7.Conclusões provisórias

Para mim a meditação, tal qual o Pathwork a concebe, é um processo de educação da


consciência para disponibilizá-la a novas sensações, percepções, intuições, imagens, ideias,
pensamentos, lembranças, enfim a tudo que constitui nossa experiência do Sensível. Graças ao Eu
Observador ou, em outras palavras, à consciência da consciência, nós nos tornamos uma fonte de
informações significativas para nós mesmos, tanto sobre nossa história presente quanto nossa
história passada dando acesso a zonas de nosso itinerário como ser humano que a reflexão
intelectual não pode favorecer. No caso da participante que teve um novo insight do próprio pai

25
houve um desdobramento importante. Em seu movimento de auto-revelação, segredos de família
que lhe causavam constrangimento e vergonha vieram à tona, o que lhe permitiu rever também a
apreciação que sempre havia feito da figura materna. De uma maneira muito clara entrou em
contato com novos ângulos de percepção dos pais, o que está levando simultaneamente a uma
nova percepção do seu passado e, obviamente, de como pensava e agia nesses relacionamentos
básicos da vida. Acessou, sobretudo, a dor do conflito da criança de “ter que escolher entre o pai e
a mãe”, fazendo a relação dessa “escolha” com o sentimento de fundo que atravessa sua vida e
está intensificado no presente de se sentir “confusa e perdida”.
Existe, portanto, no meu modo de ver obviamente, na ferramenta da meditação, um
potencial extraordinário que liga a percepção à cognição se não se perderem os frutos que ela traz
para o sujeito que a vive. Afirmaria até que ela não se esgota em si mesma, mas é fundamental
para as decisões que o sujeito vai tomar sobre ele mesmo no mundo. Ela mobiliza
introspectivamente e o que eu assisti na experiência vivida, sobretudo no caso relatado, foi como
se constituiu um modo de pensar a partir de um modo de sentir, o que propiciou a liberação
espontânea e autêntica de um conteúdo carregado de sentido para quem o formulou, mas isso
possivelmente não teria ocorrido se não fosse desdobrado no nível da reflexão aquilo que se viveu
com grande carga emocional. Esse novo modo de pensar age sobre o campo representacional do
sujeito que ampliou a visão e compreensão que tinha de ambos os pais e do relacionamento que
manteve com eles. Creio que encontrei no exemplo dado um indício concreto do trabalho de auto-
transformação acontecendo. Existe uma dinâmica da descoberta que não está dada, mas que é
possível quando se propõe de um modo aberto um campo de possibilidades e que exige, em
contrapartida, a implicação do sujeito. Cabe a ele decidir o quanto se implica e como. Essa
dinâmica da descoberta carrega com ela três aspectos:
1. A emergência do novo e, portanto, do que até então estava fora da consciência;
2. O reconhecimento do que foi vivido e de como a pessoa foi afetada pela forma que
experimentou o que viveu. Esse reconhecimento emerge como uma experiência
emocionante;
3. A possibilidade de escolher como vai continuar a conduzir sua vida agora que sabe
de um modo ampliado como foi afetada e afetou, ao insistir de um modo
semiconsciente e também inconsciente num processo de recriação de situações
desarmoniosas em sua vida.
A meditação no Pathwork remete o sujeito à profundidade do ser e lhe convida a descobrir

26
os seus potenciais. Em sua singularidade, o sujeito se experimenta para além do ego-
personalidade, como uma totalidade de possíveis cuja escolha conforma sua identidade humana.
Os testemunhos são ricos ao revelar tonalidades internas em que se configuram, de um lado, os
sentimentos de profundidade, confiança, animação e, de outro, os aspectos sombrios da dor, do
medo, da obstinação, fazendo desse sujeito – no âmbito da percepção de si – uma pessoa mais
inteira (integração), capaz de discriminar com lucidez suas motivações em determinadas situações
(purificação), capaz de fazer ligações entre passado e o presente vendo como aquele ainda se
manifesta no segundo e atribuir aos conteúdos de vivência o status de descoberta existencial (Eu
sou na minha experiência). Inicia-se então um processo de definição de si mesmo menos
dependente do externo ou de mecanismos psicológicos estereotipados que acabam
condicionando as respostas dadas aos eventos.
Ao findar esta monografia gostaria apenas de frisar que, sem ser um processo acabado – ao
contrário está em pleno andamento – e apesar do modesto trabalho realizado, este me mostrou
não só a a força dos testemunhos, mas também da palavra que os evoca na relação entre o “eu
que vivencia ou sente” e o “eu que observa”. Cabe ao facilitador, agora percebo mais claramente,
uma atitude ativa de propor a experiência e, simultaneamente, uma atitude receptiva de saber
esperar o que vai emergir dela, criando uma atmosfera de confiança para que aquilo que foi
tocado internamente saia do anonimato na qual está mergulhado a maior parte do tempo. Nesse
ponto é que a meditação exige do praticante uma qualidade de presença a si mesmo em que se
autorize a deixar o sentido emergir como fruto da sua implicação na própria experiência e do
acompanhante uma atitude de escuta muito específica ao que está se revelando, atitude que
qualificaria de uma atenção ancorada, estável, vigilante e ao mesmo tempo aberta, livre,
disponível, o que ainda estou aprendendo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.Palestras do Guia Pathwork


Palestra do Guia Pathwork n.005
Palestra do Guia Pathwork n.025
Palestra do Guia Pathwork n.030
Palestra do Guia Pathwork n.036
Palestra do Guia Pathowrk n.039
Palestra do Guia Pathwork n.057
Palestra do Guia Pathwork n.061
Palestra do Guia Pathwork n.107
Palestra do Guia Pathwork n.125
Palestra do Guia Pathwork n.165
Palestra do Guia Pathwork n.166
Palestra do Guia Pathwork n.180
Palestra do Guia Pathwork n.182
Palestra do Guia Pathwork n.193
Palestra do Guia Pathwork n.194
Palestra do Guia Pathwork n.215

2.Livros:

BOIS, Danis; JOSSO, Marie-Christine e HUMPICH, Marc. Sujeito sensível e renovação do eu. São
Paulo: Paulus. Centro Universitário São Camilo, 2008.

PIERRAKOS, Eva. O caminho da auto-transformação. São Paulo: Cultrix, 1990.

PIERRAKOS, Eva. O caminho para o Eu Real, versão sem notas tipográfica, s/d.

PIERRAKOS, Eva e THESENGA, Donovan. Não temas o mal. São Paulo: Cultrix, 1993.

________________________________. Entrega ao Deus interior. O pathwork no nível da alma.


São Paulo: Cultrix, 1997.

THESENGA, Susan. O Eu sem defesas. O Método Pathwork para viver uma espiritualidade integral.
São Paulo: Cultrix, 1999.

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ANEXO 1 - SUGESTÕES DE MEDITAÇÃO

01.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 011 – MEDITAÇÃO DESCOBRINDO O MOVIMENTO NA IMOBILIDADE.


02.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 018 – MEDITAÇÃO DA PEDRA
03.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 046 – MEDITAÇÃO DA AUTORIDADE DIVINA
04.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 055 – MEDITAÇÃO DA ESTRELA
05.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 057 – MEDITAÇÃO DO EU SEM DEFESAS
06.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 060 – MEDITAÇÃO DO ABISMO
07.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 064 – MEDITAÇÃO DA VONTADE DIVINA
08.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 080 – MEDITAÇÃO DO TUDO OU NADA
08.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 085 – MEDITAÇÃO SOBRE A VERGONHA
09.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 089 – MEDITAÇÃO PARA SENTIR-SE
10.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 090 – MEDITAÇÂO SOBRE O PRECONCEITO
11.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 092 – MEDITAÇÃO PARA DESCOBRIR A NECESSIDADE REAL
12.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 100 – MEDITAÇÃO IMITANDO O MESTRE
13.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 104 – MEDITAÇÃO DA CENTELHA DIVINA
14.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 118 – MEDITAÇÃO DA GRATIDÃO
15.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 125 – MEDITAÇÃO DO SIM
16.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 126 – MEDITAÇÃO DA VERDADE DIVINA
17.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 143 – MEDITAÇÃO DAS POLARIDADES
18.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 145 – MEDITAÇÃO DO COMPROMISSO
19.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 148 – MEDITAÇÃO DA INVEJA
20.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 151 – MEDITAÇÃO DA LEVEZA
21.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 155 – MEDITAÇÃO DO VASO QUE SE PARTE
22.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 159 – MEDITAÇÃO SOBRE A ILUSÃO
23.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 162 – MEDITAÇÃO DO OBJETO ESCOLHIDO
24.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 163 – MEDITAÇÃO ACALMANDO ÁGUAS TURBULENTAS
25.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 179 – MEDITAÇÃO DA ABUNDÂNCIA
26.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 181 – MEDITAÇÃO DA ESCUTA INTERNA
27.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 184 – MEDITAÇÃO DA SOMBRA E LUZ
28.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 188 – MEDITAÇÃO DA EMPATIA
29.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 195 – MEDITAÇÃO DO ARCO-ÍRIS
30.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 201 – MEDITAÇÃO DO RAIO DE LUZ
31.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 202 – MEDITAÇÃO DA SOLIDARIEDADE
32.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 227 – MEDITAÇÃO DA GRAÇA
33.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 231 – MEDITAÇÃO DOS EDUCADORES QUE HABITAM EM NÓS
34.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 232 – MEDITAÇÃO SOBRE O SISTEMA DE CRENÇAS
35.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 237 – MEDITAÇÃO SOBRE A FRUSTRAÇÃO
36.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 238 – MEDITAÇÃO DA PULSAÇÃO
37.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 240 – MEDITAÇÃO DO SIM
38.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 247 – MEDITAÇÃO DA CONEXÃO
39.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 248 – MEDITAÇÃO DO CÍRCULO DE PROTEÇÃO
40.MEDITAÇÃO DA PALESTRA 254 – MEDITAÇÃO DA ENTREGA
41.MEDITAÇÃO DO CAP. 3 O caminho para o EU REAL (Eva Pierrakos) – MEDITAÇÃO DA PEDRA

29
PALESTRA 011(Palestra não editada)
AUTOCONHECIMENTO; O GRANDE PLANO; O MUNDO ESPIRITUAL
Módulo 09 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DESCOBRINDO O MOVIMENTO NA IMOBILIDADE

Feche os olhos e entre em contato com o seu corpo.


Você está sentado, totalmente confortável.
Deixe seus sentidos internos lhe guiarem nessa viagem.
Perceba o silêncio.
Perceba sua relação com o silêncio.
Perceba seus micro movimentos, sentindo neles a inteligência e a sabedoria divina.
Perceba a evolução desses movimentos que ocorrem na imobilidade.
Consiga permanecer em pausa.
Na pausa escutamos Deus.
Sentimos Deus.
Sentimos a nós mesmos.
Sentimos nossa realidade interna tão válida quanto a realidade externa.

30
MEDITAÇÃO PALESTRA 018 (Palestra não editada)
LIVRE ARBÍTRIO
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA PIPA

Em grupos de 2 (A e B)
A senta-se em posição confortável junto à cabeça do seu companheiro enquanto ele se encontra
deitado em total estado de relaxamento, no chão. Coloca suas mãos delicadamente de cada lado
da cabeça de seu companheiro.

B sente que seu companheiro é uma extensão de si mesmo, e fica completamente relaxado, do
alto da cabeça até as pontas dos dedos do pé. Deitado no chão, B sente as mãos da amizade
oferecendo o ponto de apoio firme e seguro.

B solta-se aos poucos, imaginando que seus pés se afastam lentamente do chão e que se eleva
bem alto no ar, assim como uma pipa presa por um barbante na terra.

B sente que está solto, flutuando muito acima da terra e que seus problemas são levados para bem
longe pelo vento. Abre seu coração e fica consciente do poder de cura que o desapego lhe traz.
Abre-se para todos os pontos mais remotos do espaço.

B sente que você é um com as estrelas.

Aos poucos, e no momento que convier, B volta a perceber o apoio seguro das mãos na sua
cabeça. Retorna à terra como a pipa que está sendo gradualmente recolhida de forma harmoniosa.

B volta a perceber seu corpo apoiado no chão. Respira profundamente. Espreguiça-se e troca de
lugar com o companheiro. Durante toda a jornada A, sentado e dando apoio, acompanha a pipa no
ar. Depois que A assumir o lugar de B e concluir sua jornada ambos comentam o que
experienciaram.

Não nos desvencilhamos ou mudamos radicalmente após a morte. O que pensamos,


sentimos, vivemos, cria formas.

31
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 046
AUTORIDADE
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA AUTORIDADE DIVINA

Concentre-se, em silêncio, e tente responder às seguintes perguntas:

Como na infância se relacionava com a autoridade materna e paterna? Rememore acontecimentos


marcantes, reações externas e internas, sentimentos e sensações.

Verifique, usando a memória como apoio, se essas reações, sensações, sentimentos vividos na
infância se alteraram na adolescência. Em caso positivo, de que forma?

Hoje, já na idade adulta, perceba como reage a autoridade (representada sobretudo pela figura
dos chefes, das pessoas que em sua vida coordenam e planejam atividades das quais
participa).

Faça um exame honesto das suas reações no presente, observando o quanto de orgulho e
obstinação podem estar presentes e mesmo escondidos nas suas reações.

Em seguida, rememore internamente a figura de Jesus caminhando com malfeitores. Siga,


imaginativamente, ao lado Dele. Olhe para Ele. Sinta a emanação Dele. Aprenda internamente com
Ele a ausência de julgamento, a misericórdia. Agradeça a Ele e pense como pode levar o que
aprendeu dessa vivência interna para suas relações externas com a autoridade.

Anote, de forma concisa, o que aprendeu e o que precisa mudar na sua atitude interna para atingir
a meta de reconhecer a autoridade sem reagir compulsivamente a ela.

32
MEDITAÇÃO PALESTRA 055
TRÊS PRINCÍPIOS CÓSMICOS: EXPANSÃO, CONTRAÇÃO E ESTAGNAÇÃO
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA ESTRELA

Participantes no chão em posição fetal.


Ao som da música, os participantes vão lentamente promovendo a abertura do corpo no chão. A
cada abertura há uma pausa para usufruir das sensações e sentimentos que o movimento de
abertura traz. Isso ocorre até o corpo estar totalmente aberto no chão como uma estrela de cinco
pontas. Cada um segue seu próprio ritmo.
Alcançada a postura da estrela de cinco pontas, inicia-se o movimento de contração, lento e
pausado até a volta ao estado fetal.
Reinicia-se a abertura até concluir na posição da estrela de cinco pontas.
Terminada a movimentação cada participante se recolhe para registrar o que experienciou e, sem
seguida, partilhar com o grupo.
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 057
A IMAGEM COLETIVA DA AUTO-IMPORTÂNCIA
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO EU SEM DEFESAS

Concentre-se, em silêncio, e tente responder às seguintes perguntas:

Como percebeu, ainda criança, quais atitudes e ações deveria ter para agradar aos seus pais?
Rememore essas atitudes e ações e veja de novo o que ocorria quando as praticava. O que
ganhava?

Verifique, como ainda mantém internamente ativas essas atitudes e ações do passado nas suas
relações atuais. Procure as nuanças, as atualizações das atitudes originais, agora talvez mais
aprimoradas, sofisticadas. O que acha que continua ganhando? Entre em contato com a dor
oculta por baixo do ganho.

Se alguém por qualquer motivo não lhe dá a resposta esperada, como se sente? O que pensa?
Como age? Existe coerência nesses três níveis de ações ou não? Como se manifesta, em você,
o conflito? É aberto? É oculto? Se você reprime o sentimento verdadeiro e não o expressa o
que acontece? Tente perceber em que área do corpo registra esse movimento da alma.

Respire profundamente. Entre, agora, em contato com o silêncio do ambiente, com o observador
em você para o qual não existem perdas ou ganhos, mas experiências, aprendizagens. Entre
em contato com a total segurança desse lugar, para o qual não há necessidade, ameaça ou
qualquer perturbação. O lugar aonde apenas se é!

Registre sua experiência interna. Acolha-se na sua singularidade, o que verdadeiramente lhe torna
especial para todos os que o cercam.

34
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 060
O ABISMO DA ILUSÃO; UTOPIA; LIBERDADE E AUTO-RESPONSABILIDADE
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO ABISMO

Concentre-se, em silêncio, numa posição confortável, num ponto da sala que escolher.
Veja-se à beira de um abismo.
Experimente os sentimentos que lhe mobilizam nessa visualização: o medo de cair, a angústia, a
vontade de fugir, a raiva de estar ali naquele lugar (por culpa de quem?), etc...
Veja se é possível tomar a decisão de pular. Perceba o que sente.
Acredite que não vai morrer se pular. Pense que se não pular nunca saberá o que é pular num
abismo.
PULE !
Sinta como é a queda. O que ocorre?
Note, porém, que em todo o seu percurso, existe com você um anjo misericordioso que lhe
acompanha, que lhe conforta.
Olhe nos olhos dele. Dê suas mãos para ele. Vocês estão juntos.
Você está totalmente amparado e, por conta desse amor misericordioso, você pode experimentar
a queda sem se aniquilar.
Agradeça a esse anjo, agradeça a você mesmo a possibilidade que internamente experimentou.

35
MEDITAÇÃO PALESTRA 064
O CONFLITO ENTRE A VONTADE INTERIOR E A EXTERIOR
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA VONTADE DIVINA

Concentre-se, em silêncio em um ponto da sala que escolher. Escolha um desejo que você tem e
que até o momento tentou, mas não conseguiu realizar.

Pense nesse desejo e responda: quando e como surgiu? O que experimentou quando decidiu
realizá-lo no pensamento, no sentimento e nas sensações. O que entravou a realização?

A partir desse ponto inicie uma caminhada concentrada na direção da realização do desejo. A cada
passo pense, sinta que pode realizá-lo. Verifique que entraves cria a essa possibilidade. Avalie
porque motivos o faz e o que ganha ao retardar sua concretização. Enfrente internamente o que
teme. Distinga os motivos reais e os ilusórios nesse temor.

No meio do caminho conecte-se com a vontade divina dentro de você e permaneça receptivo para
acolher as mensagens que lhe enviará. Perceba quais os motivos da vontade divina, em você, para
essa realização. Desse ponto de sabedoria e calma, afirme o seu desejo sem determinar como e
quando se realizará. Lance para o universo o seu desejo, consciente de que em algum ponto da sua
caminhada ele se realizará.

Retorne ao ponto de partida e agradeça à vontade divina a realização do seu desejo.

36
MEDITAÇÃO PALESTRA 080
O CONFLITO ENTRE A OBSESSÃO E O RETRAIMENTO
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO TUDO OU NADA

Concentre-se, em silêncio, numa posição confortável, num ponto da sala que escolher.
Sinta-se poderoso.
Você é um imperador ao qual todos satisfazem os desejos.
Basta você desejar algo que os súditos estão ali para servi-lo.
Observe o que sente, como se compraz com todos lhe fazendo as vontades.
Observe em que medida essa parte egocêntrica existe em você.
Olhe para ela com compaixão.
Veja, então, as pessoas que lhe satisfazem todos os desejos pedindo-lhe alguns favores. Ignore-as.
Vire as costas e deixem que falem e peçam até se calar, porque não tem resposta.
Observe o que sente, com o seu poder de silenciar e de imobilizar-se em si mesmo.
Observe esta parte egocêntrica em você.
Olhe para ela com compaixão.
Convide a parte que exige que os outros lhe obedeçam e a que nega qualquer contato para
buscarem a verdade, os motivos que resultam nessas ações.
Esteja receptivo para acolher o que vier: imagens, lembranças, o que for.
Tente contatar a dor interna que dá origem a esses comportamentos distorcidos, mesmo que não
sejam publicamente revelados.
Anote o que descobriu.

37
MEDITAÇÃO PALESTRA 085 (Palestra não editada)
DISTORÇÕES DOS INSTINTOS DE AUTOPRESERVAÇÃO E PROCRIAÇÃO
Módulo 13 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO SOBRE A VERGONHA

Concentre-se, em silêncio, e tente responder às seguintes perguntas:

Quais os momentos da vida em que se sentiu derrotado?


Como viveu esses momentos?
Sentiu vergonha? Vontade de fugir? Escondeu o fato de outros? Dourou a pílula?
Culpou a outros? Quem?
Culpou a você mesmo?
Em que aspectos se julgou inadequado, sem valor?
Faça, então, um esforço para alcançar os motivos pelos quais você precisou ser derrotado?
Consegue visualizar as atitudes interiores que criaram a derrota?
Avalie se elas persistem dentro de você e em que novas situações têm aparecido.
Aceite simplesmente esse fato, sem julgar-se.
Sinta a divindade em si mesmo.
Permita-se amar-se com todos os sentimentos dos quais se envergonha, com todos os fatos
lembrados que não reforçaram sua imagem idealizada.
Lembre-se: você é mais do que sua imagem idealizada e a sua não perfeição.
Faça contato com a gratidão de poder aprender com você mesmo sobre você mesmo.

38
MEDITAÇÃO PALESTRA 089 (Palestra anteriormente editada)
O CRESCIMENTO EMOCIONAL E SUA FUNÇÃO
Módulo 13 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO PARA SENTIR-SE

Num local calmo e instalado de um modo confortável escolha uma situação atual que revele
dificuldade de relacionamento.
Pense na pessoa em questão.
Relembre uma situação recentemente vivida que trouxe à tona a desarmonia.
Recupere seus sentimentos.
Torne a senti-los, com toda a intensidade que puder.
Não tente explicar ou julgar. Apenas sinta.
Ofereça o que sente ao universo, como dádiva da vida em você.

39
MEDITAÇÃO PALESTRA 090 (Palestra anteriormente editada)
MORALIZAÇÃO – REAÇÕES DESPROPORCIONAIS - NECESSIDADES
Módulo 13 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO SOBRE O PRECONCEITO

Faça um auto-exame e procure responder às seguintes questões:

Como o preconceito aparece em sua vida?


Lembre-se que existem formas sutis, as mais difíceis de detectar.
Pesquise sua atitude interior em diferentes situações.
Você julga com facilidade?
Você repreende com facilidade?
Faz isso expressamente ou internamente?
Se você identificou alguma situação ou relacionamento em que isso acontece procure identificar
como esse preconceito se volta contra você por aspectos seus que ainda não aceita. Quais são
esses aspectos?
Sinta a sua não aceitação.
Aceite a sua não aceitação.
Você está nesse ponto, nem mais nem menos.
Ore, pedindo ajuda para reconhecer e aceitar os aspectos que moraliza para poder em algum
momento mais a frente construir uma outra atitude.
Agradeça pela ajuda recebida.

40
MEDITAÇÃO PALESTRA 092 (Palestra não editada)
NECESSIDADES REPRIMIDAS, RENUNCIANDO ÀS NECESSIDADES CEGAS, REAÇÕES
PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS.
Módulo 13 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO PARA ENCONTRAR A NECESSIDADE REAL

Examine no seu dia a dia situações que vive com desconforto (em que se sente obrigado a... em
que está dividido, em que sofre sem saber o que escolher). Escolha uma delas.

Ore para receber ajuda e deslindar o quê, na situação escolhida, traz explícita uma necessidade
irreal. Identifique-a e a formule de um modo conciso.

Em seguida, procure examinar qual é a necessidade real que ficou escondida, tolhida e a formule
de um modo conciso.

Agradeça a ajuda recebida e o passo que foi dado, seja ele qual for.

41
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 100
ENFRENTANDO A DOR DOS PADRÕES DESTRUTIVOS
Módulo 8 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO IMITANDO O MESTRE

Vizualise o mestre mais perfeito sentado ao seu lado. Concecte-se com Ele.
Sua postura é perfeita. Aos poucos você corrige a sua postura pela Dele.
As suas mãos tornam-se as mãos Dele. Os seus braços os Dele. Se peito, seu pescoço e sua cabeça
as Dele.
Suas pernas, sexo e quadril os Dele.
Sua serenidade é a Dele.
Sua respiração e a Dele estão perfeitamente conectadas.
Agora é Ele quem começa a guiar o seu discernimento, o seu amor e propósito de vida.
Declare seu desejo de renunciar às psendo-soluções diante da dor e da frustração, observando e
aceitando todas as emoções.
Sinta-se Mestre. Sinta-se co-criador da própria vida.

42
MEDITAÇÃO PALESTRA 104
A VONTADE E O INTELECTO HUMANO E A CRIATIVIDADE DO EU SUPERIOR
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA CENTELHA DIVINA

Essa meditação pode ser feita várias vezes ao dia e seu propósito é nos permitir compreender que
a nossa vontade e a vontade divina são a mesma dentro de nós. Quando percebemos isto também
notamos que tudo que nos traz alegria e realização é a vontade de Deus que se expressa através
do nosso coração. É uma espécie de compromisso assumido pelo nosso Eu Superior e pela nossa
personalidade, O primeiro guia a segunda para que o intelecto e a vontade estejam à serviço do
amor.
Basta afirmar, de um modo concentrado esta oração:

Entrego-me à vontade de Deus.


Dou meu coração e minha alma à Deus.
Mereço o melhor da Vida.
Sirvo à melhor causa na Vida.
Sou uma manifestação divina de Deus.

Ore com persistência e observe as mudanças que vão começar a ocorrer interna e externamente
durante o período desse compromisso assumido.

43
MEDITAÇÃO PALESTRA 118
A TRANSFERÊNCIA
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA GRATIDÃO

Recolha fotografias de seus pais (uma de cada um) e coloque-as à sua frente. Se não for possível
visualize seus pais (ou figuras substitutas). Comece pelo pai ou pela mãe. Focalize um dos dois
e em seguida ore:

Sou grato a ti porque me deste a vida.


Sou grato pelo teu trabalho colocado a meu serviço quando ainda era pequeno.
Sou grato pelas orientações recebidas.
Sou grato pelo teu amor imperfeito, mas real.
Sou grato pela tua presença na minha vida.
Desejo-te o melhor.
Reconheço ao olhar-te que és uma centelha divina, como Eu Sou.

Continue olhando para a figura dando ao que ela representa todo o seu amor. Depois de fazê-lo
um certo número de vezes procure transferir um pouco desse amor para si mesmo.

Reproduza o mesmo procedimento com a fotografia do par que restou.

Reuna as fotografias e leve-as ao seu coração. Sinta que aquilo que ambas representam está
dentro de você. Agradeça esse presente!

44
MEDITAÇÃO PALESTRA 125 (Palestra não editada)
Transição da Corrente do Não para a Corrente do Sim
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO SIM

Para meditar (diariamente): Tome um não da sua vida e comece sua meditação privada, sozinho,
descontraído e afirme: Por que digo não? Tenho o poder de não dizer não, e agora digo sim a
querer realmente, verdadeiramente descobrir porque digo não a ................ De todo o coração digo
sim para entender o não. A verdade não pode me prejudicar, mesmo que uma parte ignorante de
mim se rebele conta ela. Apesar disso, eu digo sim. Aquela parte não tem poder sobre o modo
como dirijo minha vontade e meus esforços. Esse mesmo não já acarretou muita destrutividade e
infelicidade. Não permito que ele continue a me governar. Tomo as rédeas nas mãos. Aceito todas
as conseqüências, quero descobrir por que o não me separa de tudo que poderia trazer felicidade
para mim e para os que me cercam. Não quero mais rejeitar tudo que gera vida, que se expande,
que une. Não quero mais assumir o isolamento e a hostilidade.
Abra-se para o que vier.

45
MEDITAÇÃO PALESTRA 126 (Palestra não editada)
CONTATO COM A FORÇA VITAL
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA VERDADE DIVINA

Para meditar (diariamente): Minha felicidade não pode prejudicar a felicidade de outra pessoa,
muito pelo contrário. No entanto, minha infelicidade aumenta a dos outros. Eu afirmo que
enquanto eu ver desvantagem, prejuízo e destrutividade nas decisões, para uma ou para outra
pessoa, sei que meu pensamento está distorcido. Quero tomar posse da verdade divina, que indica
a decisão certa e harmônica para todos, e quero poder sentir isso profundamente. Não consigo
enxergar isso ainda, portanto não sei a verdade.

46
MEDITAÇÃO PALESTRA 143
UNIDADE E DUALIDADE
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DAS POLARIDADES

Acenda uma vela. Coloque-a à sua frente.

Por algum tempo concentre sua atenção apenas na chama da vela, veja seus movimentos, seus
tons coloridos, sua vida. Permaneça alguns minutos apenas observando a chama da vela.

Quando já olhou o suficiente, deite-se no chão e procure sentir todo o corpo e relaxá-lo.

Em seguida, lembre-se da chama que você observou antes. Tendo-a observado dentro de si
mesmo, abra espaço para penetrar na sua escuridão interna. Busque a escuridão. Penetre nela,
Sinta-a. Viva-a.

Depois de alguns minutos volte a concentrar-se no seu corpo, sentindo-o dos pés à cabeça.

Registre suas impressões, sensações e sentimentos num caderno e partilhe.

47
MEDITAÇÃO PALESTRA 145
RESPONDENDO AO CHAMADO DA CORRENTE DA VIDA
Módulo 14 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO COMPROMISSO

Ao som de uma música ( a ser escolhida) levar o grupo a refletir sobre as seguintes questões:

Relembre as circunstâncias que o trouxeram ao Pathwork...


Reflita:

Por que você está no Pathwork?

Qual o seu objetivo neste caminho?

Você adota o Pathwork apenas para ir levando (caminhando) da melhor maneira possível? Para
aliviar certos sintomas? Ou deseja a ativação do seu centro interior? Era isso o que desejava no
início dessa caminhada ou descobriu no correr do trabalho?

Para ativar o seu centro interior é preciso perseverança. Você está disposto a assumir um
compromisso total com o Pathwork?

Se não está examine, com cuidado, o que o impede de fazê-lo. Perceba, então, qual defeito de
caráter precisaria transformar para se sentir pronto a seguir com todo o seu coração este
caminho?

Como você vê sua trajetória nos módulos de formação?

Você cresceu emocionalmente? Você se considera, hoje, uma pessoa melhor? Ou está insatisfeito
consigo mesmo? Se este for o caso examine onde se bloqueou. Veja aonde não quis ir até o fim.

Você consegue visualizar como seria sua vida ao assumir um compromisso total com o Pathwork?
Quão profundamente você realmente quer essa transformação?

48
Outras possibilidades num grupo regular de estudos e ou no grupo de formação:

PRIMEIRA ABORDAGEM AO CHAMADO DA CORRENTE DA VIDA

Como você responde ao chamado da vida?

Você responde com todo o seu ser ou em parte?

Você resiste a dar qualquer resposta e faz ouvidos moucos ao seu chamado?

Você realmente deseja entender o chamado da vida? O que isso requer de você?

Você está receptivo de todo o coração?

DIANTE DE UMA RESISTÊNCIA:

Por que você resiste a escutar o chamado de seu fluxo de vida quando ele lhe traz tudo que é
seguro, bom, produtivo e prazeroso?

Por que você cria um conflito tão grande contra a realização do seu destino quando este não lhe
traz nada mais que o bem?

Por que você resiste ao bem e batalha para manter o debate doloroso e insolúvel?

Por que você teme o bem que o liberta? E por que deposita a sua fé no ego aprisionador e ligado
ao diminuto self exterior e aos pequenos valores exteriores?

DIANTE DE UM TUMULTO TEMPORÁRIO:

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Você está motivado pelo amor e pela verdade?

Você fez um compromisso integral com o curso de honestidade e integridade nesta questão
específica sem se importar com a opinião pública?

Você abandona o medo, o orgulho, a obstinação do seu ego e se esforça na direção da voz do
divino em você, sem se importar com as aparências?

DIANTE DE SINTOMAS:

Você quer extirpar apenas alguns sintomas ou deseja o total preenchimento, a ativação do centro
interior no qual existe todo o bem e a salvação da ansiedade, da insegurança, da confusão? Se
você realmente deseja ativar o centro interior está disposto a pagar o preço da perseverança e do
compromisso total?

O que representa a eliminação de sintomas por si só para o seu futuro?

O que você pode ver depois?

Você pode ver que algo mais é possível? O que é esse algo mais?

Como seria sua vida com esse algo mais?

Se você se dedica totalmente a descobrir quem você é, o que é possível para você?

Quão profundamente você quer essa transformação? Por que ainda se recusa a transformar certos
defeitos?

DIANTE DE UMA INSATISFAÇÃO:

50
Onde foi que você se bloqueou?

Onde não quis ir até o fim?

Onde perdeu a clareza de objetivo?

Onde desfez a ligação do objetivo com o ponto onde se encontra agora por não querer se expor?

DAR UM TEMPO PARA IDENTIFICAR UM DEFEITO DE CARÁTER:

Que defeito específico de caráter não permite que você abandone a atitude de auto-destruição e
de auto-negação? Afirme claramente que você quer descobri-lo.

Visualize esse defeito e responda para si mesmo: você quer, ou não, desistir dele?
Se você não quer, descubra por quê?

Lembre-se, como diz o guia, que: “A insistência em agarrar-se a algo que viola a sua integridade e
a sua decência, represa o melhor que você tem a oferecer e o melhor que você pode ser. Isso
prejudica o seu respeito próprio. Pode ser que não seja uma manifestação externa grosseira; pode
ser um pequeno desvio oculto que não pareça prejudicar ninguém, embora isso sempre ocorra
esteja, ou não, você consciente dele. O processo vividamente experimentado por muitos de vocês
está na proporção exata da sua disposição e abertura".

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MEDITAÇÃO PALESTRA 148
Positividade e Negatividade: uma corrente única.
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA DA INVEJA

Para meditar: “De verdade, eu quero ver onde violo a lei espiritual, onde é que estou errada, no
sentido usual da palavra, mas eu gostaria de saber onde é que sou fraca e confusa e,
conseqüentemente, onde as emoções negativas afloram”.
Gostaria de saber qual é a fonte da minha inveja?
Do meu desejo de querer ser melhor (ou pior) que os outros?
Afirmo o compromisso com a direção de aceitar-me como sou neste instante, neste lugar.

52
MEDITAÇÃO PALESTRA 151
A INTENSIDADE COMO OBSTÁCULO DA ALMA
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA LEVEZA

Concentre-se, em silêncio, numa posição confortável, num ponto da sala que escolher.
Sinta seu corpo da maneira que deseje, com a vista interior, com o tato, com a intuição.
Perceba volumes, contorno, peso.
Experimente então a leveza.
Imagine estar flutuando sobre as águas calmas de um rio que se move com tranqüilidade, num
ambiente bonito.
Veja as margens do rio.
Veja as plantas que o ladeiam.
Olhe o céu, que está muito azul.
Sinta no seu corpo a luz do sol.
Sinta o seu corpo flutuando como uma folha caída da árvore da Vida, levada pelo movimento do
rio.
Você é uno com essa folha.
Você não luta contra o movimento do rio.
Você nada deseja ou teme.
Você apenas segue o rio, sem apressá-lo.
Você está sintonizado com o rio.
Você e o rio são um.
Agora se eleve e olhe você no rio de uma grande altura.
Vá se distanciando, até que não de mais para distinguir o que é o rio, a folha ou você.
De um ponto de vista cósmico somos um.
Nesse estado interior de leveza e sem qualquer pretensão, solte todos os seus problemas no rio.
Deixe que a água limpe, leve e lave a sua alma.
Quando concluir sua purificação, peça ao rio que lhe conduza para algum ponto da margem.
Quando tiver chegado agradeça ao rio por ter esvaziado sua mente das dificuldades que ela cria.
Sinta-se leve.
Sinta-se em paz!

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MEDITAÇÃO PALESTRA 155 (Palestra não editada)
MEDO DO EU; DAR E RECEBER
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO VASO QUE SE PARTE

Primeira parte
Na posição que lhe parecer mais confortável feche os olhos e entre em contato consigo.
Em seguida, formate com a sua imaginação o mais lindo vaso que possa conceber. Capriche! De
que material é feito? Qual é o seu formato? Grande? Médio? Pequeno? Cores? Desenhos? Barras?
Enfeites?
Mentalmente coloque-o no lugar mais importante da sua casa.
Formatado o vaso você o enche gradativamente de areia. O que sente? Qual a sua motivação ao
tomar essa atitude? Procure entrar em contato apenas com seus sentimentos.
Agora, mentalmente, abra a porta da sua casa e receba seus melhores amigos e imagine as rosas
mais bonitas nas mãos deles. Deixe que entrem na sua casa e receba as suas rosas. Aonde você vai
colocá-las se encheu seu vaso de areia?
Mostre a eles o seu vaso. Visualize a reação deles diante do vaso repleto de areia.

Segunda parte

Imagine agora que você esvazia a areia do vaso na frente dos seus amigos.
O que sente? Como ocorre o seu gesto?
Em seguida, você coloca água no vaso e, nelas, mergulha suas rosas.
Como se sente? Olhe para o rosto de seus amigos e perceba como se sentem.
Partilhe com eles sua alegria e veja sair das rosas uma linda e delicada luz rósea que preenche todo
o ambiente. Sinta como é bom o seu perfume. Toque-as em sua imaginação e agradeça a Deus
pelo presente recebido.

54
MEDITAÇÃO PALESTRA 159
A manifestação da vida é uma expressão da ilusão dualista (Palestra não editada).
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO SOBRE A ILUSÃO

Para meditar: “Nada de mal pode me acontecer se eu tiver prazer, nem se eu me magoar ou
decepcionar. Esses medos são ilusórios. Quero a força que é essencialmente minha. Invoco os
poderes que há em meu eu mais profundo e não os falsos medos e idéias. Não quero mais rejeitar
a experiência. Meu medo dos chamados bons ou maus acontecimentos baseia-se na ilusão”.

55
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 162 (Palestra não editada)
TRÊS NÍVEIS DE REALIDADE PARA ORIENTAÇÃO INTERIOR
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO OBJETO ESCOLHIDO

A existência do mal é o impulso cego de não saber, a imprecisão da crença errada, da distorção, do
erro. Se realmente compreendermos essas palavras será impossível odiar alguém ou acreditar na
natureza maligna de alguns seres humanos. Será impossível odiar porque o ódio não teria sentido.
Seria possível odiar o mal do erro, mas jamais a pessoa presa ao erro de não saber no que acredita
(o estado mais alienante do ser humano!). Para que não confundamos os níveis de manifestação
vamos escolher um determinado objeto e tentar nos concentrarmos separadamente na palavra
que o identifica (ou seja, no seu som correspondente), no seu significado simbólico e no objeto em
si.

Essa meditação poderá ser estendida, por exemplo:

Concentre-se num ser de muita força, como é, por exemplo, um elefante. Saboreie a palavra, o seu
significado simbólico (força), a sua forma;

Concentre-se no próprio umbigo. Saboreie a palavra, o seu significado simbólico (ligação com a
mãe). Perceba como a partir do seu umbigo todo o seu corpo se irradia. Vá do umbigo para baixo,
para cima, para os lados;

Concentre-se no vazio da garganta. Saboreie a palavra, o seu significado simbólico. Vá além da


fome e da sede;

Concentre-se na luz da cabeça. Saboreie a palavra, o seu significado simbólico. Conheça os Mestres
que habitam dentro de você;

Concentre-se em seu Ser verdadeiro. Reconheça-o.

56
MEDITAÇÃO PALESTRA 168 (Palestra não editada)
DOIS MODOS BÁSICOS DE VIDA – PARA PERTO E PARA LONGE DO CENTRO
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO ACALMANDO ÁGUAS TURBULENTAS

Visualize um mar revolto.

Permita que suas emoções, sobretudo os seus medos sejam a força que move essas águas
turbulentas.

Deixe que a sua agitação atinja o nível máximo dentro das ondas que dançam ao seu redor.

Peça ajuda ao seu anjo da guarda e encare o seu medo maior, aquele que mais faz as águas
ficarem turbulentas. Pergunte o que existe por trás dele. Descubra o desejo rígido que está por trás
dele e o entregue na mão do seu anjo da guarda, afirmando que toda a tempestade tem um fim.

Permita que as águas revoltas se acalmem até que a sua respiração esteja completamente
tranqüila.

Visualize o sol enviando luz ao mar já bem mais calmo.

Veja como as águas tranqüilas desaparecem no horizonte.

Veja: você está sentado na terra, olhando o mar, são e salvo. Você se abre para a solução que o
universo vai trazer.

57
MEDITAÇÃO PALESTRA 179 (Palestra não editada)
REAÇÕES EM CADEIA NA DINÂMICA DA SUBSTÂNCIA CRIATIVA DA VIDA
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA ABUNDÂNCIA

Examine o momento que está vivendo e veja como a abundância se manifesta nele:
Existem áreas específicas? Quais? Você já havia percebido essa manifestação de abundância?
Sinta-se agradecido, profundamente agradecido e merecedor dela.

Existem áreas de escassez? Quais? Examine qual parte sua constrói a escassez. Como? Com que
pensamentos? Com que sentimentos? Com que atitudes? Declare internamente a sua confiança
em alterar a escassez em abundância. Agora imagine todas as situações de carência como
situações nas quais a abundância se instalou. Como seriam? Afirme, então, a partir das novas
imagens que está criando que a vida vai se encarregar da transformação. Agradeça em seguida
pela transformação ocorrida (mesmo que, no momento, seja apenas em sua mente).

58
MEDITAÇÃO PALESTRA 181 (Palestra não editada)
O SIGNIFICADO DA LUTA DO HOMEM
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA ESCUTA INTERNA

Afirme e observe suas reações internas às afirmações:


Quero ampliar a minha vida.
Quero sentir amor total e prazer supremo, sem negatividades ou bloqueios.
Quero me doar completamente ao amor.
Quero ter saúde e realização e abundância em todas as áreas da vida. É possível ter uma vida
assim tão rica e boa.
Estou disposto a dar à vida tanto quanto desejo obter.
Não quero trapacear a vida, desejando secretamente mais do que estou disposto a dar.
Quero me livrar de toda a falsidade, todo egoísmo, autocentrismo, negatividade e destrutividade,
por mais difícil que isso possa parecer no começo.
Quero me livrar de todas a ilusões a meu próprio respeito, pois esse é o preço a pagar para levar
essa vida plena, e estou disposto a pagar.
Quero vencer a falsa vergonha, o falso orgulho, a falsa vaidade que me faz esconder atrás de
disfarces, e da sutil desonestidade interior que, por excesso de leniência, eu não encaro, não
mudo, preferindo ao contrário sofrer, adotando uma atitude vagamente queixosa e destruindo
assim as forças de criação que estão à minha disposição e não utilizando minha vida.
Minha felicidade contribuirá e pode contribuir para a felicidade dos outros.
Estou disposto a me livrar das defesas do ego e de toda a negatividade, para dar e receber o
melhor.
Estou disposto a aceitar as dificuldades do caminho, pois sei que ao superá-las serei capaz de
receber as boas coisas da vida.
Estou disposto a crescer com elas, em vez de me queixar como uma criança, como se eu as tivesse
recebido de outra pessoa.
Quero procurar a causa em mim e não nos outros, para me tornar livre para amar e para viver.
Vou correr o aparente risco de fazer isso e, assim, adquirir respeito por mim mesmo, coragem,
honestidade, força e instituir padrões de energia positiva.

59
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 184
O SIGNIFICADO DO MAL E SUA TRANSCENDÊNCIA
Módulo 8 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA SOMBRA E LUZ

Acenda uma vela à noite.


Focalize sua atenção na sombra que existe no ambiente. Note que a escuridão comporta nuanças
diferentes, texturas diferentes, dependendo de onde concentre o seu olhar (mais próximo ou
afastado da vela). Sinta essa escuridão dentro de si. Avalie o que ocorre.
Depois de algum tempo feche os olhos e descanse, agradecendo a Deus ter visto a escuridão.
Abra os olhos e os focalize na luz da vela. Então, com todo o amor do qual for capaz acenda uma
pequena chama no seu coração.
Junto com cada respiração suave e calma, estimule a luz a crescer até que tome todo o seu ser.
Escreva então a palavra amor em letras de ouro e a solte deixando que ela o circunde até você ficar
envolto numa luz clara e dourada.
Dirija essa luz a alguém que você deseje.

60
MEDITAÇÃO PALESTRA 188
Afetando e sendo afetado (Palestra não editada).
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA EMPATIA

Escolha um relacionamento atual que esteja complicado para você.


Concentre seu foco na pessoa ou pessoas que, com seu comportamento, o incomodam.
Reveja, na sua mente, como se sente diante do comportamento que considera inconveniente e de
forma concisa nomeie o que sente.
Agora, pedindo ajuda ao seu eu superior, peça para ver em que área da sua vida você tem o
mesmo comportamento que não aprecia. Faça um esforço efetivo para ver de que maneira se
identifica com o outro que, aparentemente, parece totalmente incompatível com você, com o que
pensa e sente.
Focalizada a questão em você veja como se sente a seu respeito e a respeito do (s) outro (s).
Observe nos dias seguintes se alguma coisa em seu sentimento e na sua percepção se alterarou
quando estiver em presença desse (s) outro (s).

61
MEDITAÇÃO PALESTRA 195 (Palestra não editada)
IDENTIFICAÇÃO E INTENCIONALIDADE: IDENTIFICAÇÃO COM O EU ESPIRITUAL PARA
SUPERAR A INTENCIONALIDADE NEGATIVA
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO ARCO ÍRIS

Imagine:

Você está sentado ao ar livre, sob o céu aberto. Um belo arco íris ilumina o céu e os raios do sol
encontram seu caminho através das nuvens. Veja as nuvens se dispersando mais e mais. Sinta o
calor do sol e da força em você transformando-o no melhor do que já é.

Veja o arco-íris se deslocando pelo céu e mudando de predominância de cor: vermelha, laranja,
amarela. Banhe-se nessa luz amarela. O arco-íris continua se deslocando e a cor que predomina é
o verde. Banhe-se na cor verde e afirme: Não quero odiar, quero amar. Não quero mais me retrair,
e sim dar o melhor de mim à vida. Não preciso de meu despeito e desejo de fato me livrar dele.
Quero me expandir, dar à vida e receber igualmente o melhor que a vida tem a oferecer.

62
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 201
DESMAGNETIZAÇÃO DOS CAMPOS DE FORÇAS NEGATIVAS – A DOR DA CULPA
Módulo 7 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO RAIO DE LUZ

Coloque-se em estado de profundo relaxamento.

Visualize-se numa caverna fechada, escura. Como se sente na escuridão? Escute os ruídos ou o
silêncio desse ambiente. Mova-se dentro dele. O que teme? O que ocorre?

Ande até encontrar um raio de luz que vem de cima, do teto da caverna. Olhe esse raio de luz e
acompanhe sua trajetória de cima para baixo. Veja, então, quando seus olhos abaixam, um lago.

Admire esse lago calmo e como seus olhos acostumados à escuridão podem ver, muito limpo.

Ganhe coragem e entre nele.

Dentro do lago caminhe na direção do raio de luz. Posicione-se bem debaixo dele. Sinta a frescura
da água e o suave calor dessa luz.

Entre em fusão com o raio de luz. Você e o raio de luz são um. Deixe seu espírito escalar esse raio e
suba com ele até a pequena fenda que permite a sua passagem

Saia da caverna por essa abertura. O que vê? O que ocorre? O que sente?

63
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 202
INTERAÇÃO PSÍQUICA DE NEGATIVIDADE
Módulo 7 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA SOLIDARIEDADE

Coloque-se em estado de profundo relaxamento.

Escolha uma interação da sua vida na qual ocorrem problemas ou perturbações.

Traga a (s) pessoa (as) que participam dessa interação na sua frente. Mantenha-se relaxado. Tenha
mentalmente uma conversa franca com ela (s), sobre o que lhe aborrece, o que sente diante de
certas atitudes dela (s) e o que gostaria que ela (s) mudasse (m).

Faça, agora, um esforço, para ouvir o que essa (s) pessoa (s) tem a dizer a você. Procure ouvir sem
defesa, sem reagir.

Depois de ouvir o (s) outro (s) formule a seguinte frase: EU E VOCÊ SOMOS UM. EU O PERDOO.

Ouça desse outro (s) a mesma frase em retorno: EU E VOCÊ SOMOS UM. EU O PERDOO.

Agora preste atenção em você. Como se sente?

Reconhecido o sentimento acolha-o e continue em estado de relaxamento pedindo inspiração para


lidar com a situação de interação que lhe perturba.

Acolha a resposta do seu Eu Superior e aplique-a no cotidiano.

64
MEDITAÇÃO PALESTRA 227
MUDANÇA DA LEI EXTERNA PARA A LEI INTERNA NA NOVA ERA
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA GRAÇA

As escolhas estão no plano da dualidade.


Como seria utilizar o Pathwork em benefício da união com o outro, sem rigidez ou frouxidão?

Coloque três almofadas no chão. Uma em cada lugar. Escolha uma e sente-se nela. Concentre-se,
então, numa situação conflitiva, na qual precise tomar uma decisão.

Na primeira almofada: exponha internamente para você mesmo o problema e as alternativas de


solução que visualiza, com a maior clareza e concisão possíveis.

Na segunda almofada: avalie as motivações por trás das alternativas e responda, também de
maneira concisa, o que o move: aspectos sociais, morais, do grupo. Pergunte se concorda com
esses aspectos ou se existe dúvida, conflito.

Na terceira almofada: peça orientação do Eu Superior e, nesse momento, identificado com Ele,
revise cada alternativa observando os motivos do Eu Superior. Peça toda a ajuda que precisar para
compreender o que está realmente movendo suas decisões. A ajuda, sem dúvida, virá. Ao final do
processo, ore:

O estado de Graça precisa do recipiente para ser completo


Estou seguro nas mãos de Deus e totalmente amado.
E quando esse amor pode ser recebido o circuito se completa.

65
MEDITAÇÃO PALESTRA 231
A EDUCAÇÃO DA NOVA ERA
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DOS EDUCADORES QUE HABITAM EM NÓS

Todos temos vários educadores que nos habitam, que admiramos e também detestamos.

Na primeira parte vamos selecionar os que detestamos.

Lembremos seus gestos, palavras preferidas, ações.

Façamos um esforço para ver que parte deles hoje habita em nós.

Agradecemos sua ajuda, reforçando nesse agradecimento a qualidade que nos ajudaram a
desenvolver, graças à sua maneira de ser.

Anotamos à parte.

No segundo momento vamos selecionar os educadores que admiramos e amamos.

Lembremos deles e procuremos identificar aquela qualidade mais apreciada por nós.

Façamos um esforço para verificar como essa qualidade se manifesta em nós hoje.

Agradecemos sua ajuda e nesse agradecimento a qualidade que, graças a eles, adquirimos.

Em seguida, visualizemos dois anjos que estão ao nosso lado sempre com as qualidades que
precisamos e que aprendemos com quem detestamos (anjo provocador)e com quem amamos
(anjo inspirador). Visualizemos, então, que estamos nos dando as mãos num ritual de paz.

Mais uma vez agradecemos por essas qualidades nos permitirem caminhar no sentido do
amadurecimento espiritual.

Educar-se significa dedicar-se ao seu caminho próprio de verdade e amor. Essa é o propósito
educacional da nova era.

66
MEDITAÇÃO PALESTRA 232
VALORES EXISTENCIAIS VERSUS VALORES APARENTES - AUTO-IDENTIFICAÇÃO
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO SOBRE O SISTEMA DE CRENÇAS

Sente-se confortavelmente em algum local agradável.


Examine algum aspecto da sua vida que lhe pareça mal resolvido.
Perceba se você tem necessidade de culpar outra pessoa pelo que lhe ocorre nessa área específica.
Pergunte-se se habitualmente tem essa atitude.
Procure as maneiras mais sutis e não as mais óbvias que você usa.
Examine seu comportamento e se permita averiguar de que modo você contribui para a situação
desagradável ou insatisfatória que vive.
Encontre a crença que lhe move nessa direção e veja seu equívoco nesse ponto.
Entregue a Deus esse equívoco.
Agradeça a oportunidade de conhecer a natureza das suas atitudes internas e perceber como
afetam as situações externas.

67
MEDITAÇÃO PALESTRA 237
LIDERANÇA – A ARTE DE TRANSCENDER A FRUSTRAÇÃO
Módulo 11 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO SOBRE A FRUSTRAÇÃO

Numa postura confortável examinemos nossas ações enquanto líderes em experiências já vividas,
perguntando-nos: fluíram? havia conflitos? deixaram mágoas?
O que faríamos se pudéssemos viver essas experiências de novo? O que repetiríamos? O que
refaríamos? Espelhamo-nos na liderança de alguém que conhecemos?
Quais as nossas qualidades enquanto líderes e nossos defeitos?
Como lidamos com a frustração quando nossos projetos apresentavam dificuldades?
Que lição soubemos, ou não, aproveitar das situações frustrantes?

68
MEDITAÇÃO PALESTRA 238 (Palestra não editada)
O PULSAR DA VIDA EM TODOS OS NÍVEIS DE MANIFESTAÇÃO
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA PULSAÇÃO

Primeira Parte

Entre em contato consigo e procure apenas perceber, sem modificar, a sua respiração.
Focalize o momento da inspiração, da expiração e da pausa.
Permaneça nesse estado de observação pelo tempo que for possível

Segunda Parte

Escolha uma área de sua vida e perceba como, nessa área, manifestam-se os três princípios da
pulsação. Ocorrem de forma harmoniosa? Algum predomina sobre o outro? Se algo está
desarmonioso, em relação aos três princípios citados, o que poderia fazer para conseguir alcançar
a harmonia?

69
MEDITAÇÃO PALESTRA 240 (Palestra não editada)
AL GUNS ASPECTOS DA ANATOMIA DO AMOR
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO AMOR POR SI MESMO

O Guia sugere a seguinte meditação:

Concentre-se, em silêncio, e tente responder às seguintes perguntas:

Em que aspectos odeio a mim mesmo?

Como me odeio?

Em que aspectos e como projeto esse ódio nos outros e assim o intensifico?

Em que aspectos, grandes e pequenos, impeço a minha liberdade, mediante a recusa infantil dos
limites e da estrutura, das leis e das regras?

Em que aspectos me julgo, no íntimo, sem valor?

Em que aspectos amo a minha alma, a minha mente, o meu corpo?

Sinta a divindade em si mesmo.

Permita-se amar-se sem negligência com você mesmo, sem encobrir os defeitos do eu inferior;
enxergando-o como ele é; amando a sua bonita estrutura, a sua encarnação, tudo que está à sua
volta, mesmo aquilo que parece, de alguma maneira, representar uma restrição.

70
MEDITAÇÃO PALESTRA 247 (Palestra editada)
ASPECTOS DO NOVO INFLUXO DIVINO – COMUNICAÇÃO, CONSCIÊNCIA GRUPAL,
EXPOSIÇÃO
Módulo 10 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA CONEXÃO

Perceba-se como energia sabendo que aonde sua mente está, você está.
Examine como tem se comunicado, ou não, com as pessoas próximas. Escolha uma em particular.
Qual a principal qualidade da sua comunicação?
Como você restringe a comunicação? De que maneiras? Com qual motivação?
O que obtém com sua atitude?
Examine-se sem medo e sem julgamento. Veja se deixa de comunicar-se por covardia, por
preguiça, por arrogância, por ignorância? Aceite a sua falha. Afirme sua intenção de comunicar-se
com clareza, com verdade, com assertividade.
Veja e sinta como está conectado com quem escolheu comunicar-se. Como você é ele ou ela e ele
ou ela você.

71
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 248
OS TRÊS PRINCÍPIOS DAS FORÇAS DO MAL OU PERSONIFICAÇÃO DO MAL
Módulo 7 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DO CÍRCULO DE PROTEÇÃO

Sente-se com conforto e trace imaginariamente um círculo com uma luz da sua preferência. Sinta-
se totalmente protegido e seguro dentro dele.

Ore para conseguir ver como o mal tem se personificado em você. Peça para seu Eu Superior
conduzir todo o processo de enfrentamento do mal em si mesmo.

Deixe vir as imagens, as memórias, as frases, tudo que se reporte às suas partes menos crescidas
emocionalmente.

Acolha esse material interno pedindo ao seu Eu Superior que o ajude a trabalhá-lo.

Escolha um foco de atenção e procure, sem defesa, ver, ouvir, sentir como com relação àquele
aspecto escolhido você pratica o mal.

Formule a intenção de abrir mão do mal que você agora reconhece internamente.

Ore, pedindo forças para implementar a sua nova intenção no dia a dia.

Formule uma palavra ou frase guia que será seu ponto de apoio durante a jornada diária e o
lembrará do que intencionou fazer.

Agradeça à proteção recebida durante sua meditação.

Observe, agora, como se sente.

Desfaça seu círculo protetor.

72
MEDITAÇÃO DA PALESTRA 254
ENTREGA
Módulo 7 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO –ENTREGANDO UMA DIFICULDADE A DEUS

Escolha um problema que está vivenciando e permita-se entregar a solução dele a DEUS.
Visualize o problema.
Reconheça que não pode resolvê-lo sozinho e entregue esse problema nas mãos do seu guia
interior.
Acenda uma luz e peça para seu Eu superior instruir e esclarecer o seu Eu inferior.
Com sentimento de aceitação e amorosidade peça a ajuda de Deus para solucionar o que lhe
aflige.
Visualize a solução.

73
MEDITAÇÃO DO CAPÍTULO 3 O caminho para o Eu Real (Eva Pierrakos)
DEUS, O HOMEM E O UNIVERSO (CER)
Módulo 4 – Formação de Facilitadores de Grupo

MEDITAÇÃO DA PEDRA

Encontrar uma pedra redonda e lisa que caiba na mão com facilidade.
Sentar-se no círculo com amigos. Deixar a pedra no centro desse círculo.

Primeiro Momento: Cada um fecha os olhos e identifica uma situação vivida em que percebe que
criou uma idéia errada. Vê, dentro de si, como essa idéia errada o levou a criar uma sutil atitude
interior que produziu atos exteriores. Recorda esses atos, sem julgamento.

Segundo Momento: Um dos integrantes pega a pedra e transfere para ela a falsa realidade que
criou. Passa a pedra para a mão do companheiro que realiza o mesmo até o último componente do
círculo.

Terceiro Momento: O último a ficar com a pedra lava-a em água corrente e a traz para o círculo.
Novamente, a pedra passa de mão em mão e cada um afirma internamente, quando a pega,
afirma que a falsa realidade que criou não suprime a verdade, que só espera ser encontrada.

Quarto Momento: Após a pedra ter sido tocada por todos ela volta ao centro e todos oferecem a
ela o seu amor, lembrando que:

A pedra é Deus e Deus é realidade, verdade, amor, beleza – todas as coisas que
fazem a vida valer a pena.

74
ANEXO 2 - AS ESTAÇÕES DO CAMINHO

Texto de Clarice Nunes e Maria de Lourdes Florencio

INTRODUÇÃO

Reunimo-nos no Pathwork como seres humanos para tomar consciência da nossa vida. A vida é um
caminho de contínuas transformações. É preciso algum tempo para comparar o caminho
percorrido com o que ainda temos pela frente. Não somos máquinas para cumprir desígnios.
Como prova do amor divino recebemos um corpo e a liberdade. Nossas escolhas, aquelas de que
dispomos para construir nossa vida na terra, são o prelúdio de nossa grandeza interior. Nosso
caminho é um caminho de homens e mulheres que procuram compreender. O que não é
compreendido provoca o terror, o fanatismo ou a devoção enfadonha.

Muitas vezes nos esquecemos de que o Mestre foi um homem. Sua resistência era igual a de todo
organismo humano. Ele tinha em si toda a fragilidade do homem e, ao mesmo tempo, a força
cósmica. O Mestre não é só o filho do Eterno, mas o sinal revelador de um autêntico caminho
humano.

PRIMEIRA ESTAÇÃO
A nossa casa estava vazia!

E no princípio tínhamos muito medo. O que encontrávamos em nossa casa? Nossas falhas e
qualidades, aquelas partes em nós com as quais não queríamos entrar em contato e ainda o
totalmente desconhecido no porão da nossa mente inconsciente, o medo do desconhecido em nós
mesmos, medo do preço a pagar para alcançar a consciência de quem somos. Medo intrínseco dos
nossos terrores mais íntimos, da travessia do abismo entre a consciência pequena e separada do
Ego e a consciência universal. Parecia-nos que se atravessássemos esse espaço estaríamos
perdidos. Por que nos identificamos com o ego separado? Por que temos tanto medo de nos
deixar fundir com a consciência universal?

SEGUNDA ESTAÇÃO
Vira-se uma página no nosso coração!

Ao virar as páginas do nosso coração entramos em contato com a dor e com o desejo de
transformação porque estamos repletos de hábitos dos quais não queremos nos desfazer. São
fruto da repressão da dor e da frustração original com as quais nós não soubemos lidar na infância.
Expulsamos ambas da nossa consciência. Criamos formas de combater a dor, o mundo e tudo que
queremos evitar. Fechamo-nos aos sentimentos, ao amor, à vida e a tudo que nos leva a encarar a
nossa própria mágoa. Tomemos a nossa dor em nossas mãos. Vamos acolhê-la agora.

TERCEIRA ESTAÇÃO
O auto-engano, as muitas quedas.

75
Estar no caminho por si só não é garantia contra a fuga. O fato de fazermos isto ou aquilo ainda
não é suficiente e jamais será uma garantia de que saíremos da nossa própria escuridão. Portanto,
depende totalmente de como procedemos, do que estamos dispostos a encarar. Há três mundos:
“eu tenho”, “eu sou” e “eu me torno”. São as três moradas do Mestre. Nosso tornar-se é eterno.
Ignorar esse movimento é condenar-se a recuar no caminho, cair no auto-engano, fugir do
caminho estando nele. O mal ativo sozinho jamais poderia ter levado à crucificação do Mestre. Foi
necessária a cooperação dos traidores, dos coniventes, dos espectadores silenciosos que tinham
medo de arriscar sua pele e assim permitiram que o mal – aparentemente – vencesse.
Em que niveis ainda somos coniventes com a negatividade? com o mal em nós?
Quais são as obstruções que colocamos como elos no Plano da Salvação? Egocentrismo?
Autopiedade? Vaidade? Orgulho? Obstinação? Medo? Covardia espiritual? Timidez?

QUARTA ESTAÇÃO
O perdão aquece a alma

O perdão de si mesmo é o retorno ao atributo divino da verdadeira dignidade, que só é


reconquistada com a humildade. Aprendamos a querer com constância, firmeza e regularidade,
mais do que com teimosia, porque a obstinação cega ergue muralhas inconscientes,
intransponíveis. Que nossa doçura seja firme! Que nossa vontade seja infatigável! Dessa forma,
nunca nos tornaremos insensíveis ao nosso trabalho. Este trabalho só poderá ser realizado de
modo duradouro através de uma vontade de pesquisa interior autêntica, de um desejo de união. O
que tivermos diante dos olhos não deve passar pelo fio da espada do nosso pensamento, mas
diante da compreensão do nosso coração, da nossa sabedoria.
Ouçamos, agora, o que o nosso coração diz, pois ele é a chave suprema, a estrada principal que
conduz ao perdão. Deixemos que só o coração se expresse em nós...

QUINTA ESTAÇÃO
A entrega ao Mestre Interno

Mestre e servidores são ambos importantes, porque são como as duas mãos de um mesmo corpo,
os dois olhos de um mesmo rosto. Eles são o vento e a vela, a espada e o escudo. Um não passa da
metade de si mesmo se o outro não existe. Eis que o Mestre está à nossa frente agora... Sintamos a
sua presença... Conectemo-nos com a luz do nosso plexo solar. Irradiemos agora a nossa luz em
direção ao Seu coração. Mergulhemos na doçura da SUA divina presença!

Ouçamos o que Ele nos diz...

Referências Bibliográficas

MEUROIS-GIVAUDAN, Anne e Daniel. O caminho dos essênios. A vida oculta de Cristo relembrada. Rio de
Janeiro: Objetiva, 1987.
Palestra Pathwork n.004
Palestra Pathwork n.025
Palestra Pathwork n.027

76
Palestra pathwork n.037
Palestra Pathwork n.100
Palestra Pathwork n.203
Palestra Pathwork n.244
Palestra Pathwork n.258

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2012.

77
ANEXO 3 RELATO DA FACILITADORA NA PREPARAÇÃO DOS ENCONTROS COM O GRUPO

Veio a percepção de uma linha de força na coluna vertebral, de baixo para cima. Ao notar
essa linha ou sustentação na face posterior do tronco, a face anterior simultaneamente relaxava.
Havia, portanto, um movimento simultâneo de baixo para cima na face posterior e de cima para
baixo na face anterior, como se fossem duas retas que acabavam se alimentando reciprocamente e
formando, pela junção, um círculo em movimento no sentido vertical.

Chegou a percepção da globalidade corporal através da respiração. Era como se pudesse


perceber o ar entrando e, em função de segundos, chegar aos pés. Certas regiões do corpo se
fizeram mais presentes (zigomáticos, dedões dos pés). Era simultânea a percepção da globalidade
e de regiões específicas.

O calor se instalou, com mais intensidade nos pés, cabeça, sobretudo na boca.

Contato com o silêncio no osso occipital, como se estivesse residindo ali, e cuja textura se
avolumava e ganhava o corpo todo.

Em contraste com o calor que sentia, veio o som de água escorrendo e, em seguida, a
imagem de uma torneira aberta na qual me refrescava lavando rosto e mãos.

Fui preenchida por uma suave emoção e lágrimas escorreram dos meus olhos.

Existiam sentimentos de gratidão e abundância. Generosidade.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

A lembrança de um sonho que se repetia na infância. Eu via a mim e a toda a minha família
dentro de uma bolha de sabão, totalmente transparente, flutuando no espaço. De dentro dela via
as outras bolhas de sabão, com pessoas também flutuando. Havia uma sensação de perigo no ar.
Vivia muitas situações de medo na infância: o medo do abandono, o medo de que descobrissem as

78
minhas “artes”, o meu fracasso, pelas notas ruins tiradas na escola, o medo de não conseguir
aprender o que me ensinavam. A trapaça e a política de silenciamento como única saída: Não falo!
Não conto! Sofro com o medo da descoberta da verdade.

SEGUNDA ESTAÇÃO

Fechamento do peito. Depressão dos ombros. Uma postura que reconheço foi recorrente
um bom período da minha vida, quando ainda não tinha consciência do quanto medo sentia de
viver. Muita vida soterrada. Começou a busca, incerta. Muita angústia, mas também uma
motivação muito forte que me sustentava. Este é o primeiro contato com o movimento interno
que me levava apesar de mim.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Insistência no fechamento da comunicação em relações específicas e que ocorre de muitas


formas: o recuo interno automático de não ouvir o outro, a decisão consciente de não entrar em
contato. Ainda há lá no fundo uma crença de que é mais seguro estar só, separado. Sentimento de
recusa à entrega como se entregar fosse se submeter à vontade do outro. Ainda não sei em mim a
entrega.

QUARTA ESTAÇÃO

Lembrança de que já perdoei, mas não que fui perdoada. Ainda existe em mim um tirano
que me acusa de ter sido imperfeita. Existe uma auto-piedade junto e uma raiva grande de mim
mesma por me deixar enganar, ludibriar pelo outro, por propositadamente ficar cega, mesmo
vendo os sinais, o que é recusa de enxergar e aceitar aquilo que é. De novo, recusa do presente.

QUINTA ESTAÇÃO

Apareceu o rosto de Cristo e senti uma grande vergonha de segui-LO.


Veio um grande sentimento de tristeza, de arrependimento.
Lágrimas escorreram dos meus olhos.
Tentei manter a imagem e me vi cuspindo no rosto DELE.

79
Ampliou-se o sentimento de tristeza, a dor do arrependimento.
Uma grande mobilização interna.
O choro.

Na renovação da experiência a cena do meu encontro com Cristo evoluiu. Agora eu


enxugava a sua face com uma toalha e pedia perdão pela recusa da SUA MAGNÍFICA PRESENÇA em
mim.

80
ANEXO 4 RELATOS EM TORNO DA MEDITAÇÃO AS ESTAÇÕES DO CAMINHO

RELATO 1

SEGUNDA ESTAÇÃO

Sensação de encolhimento. Todo o corpo contraído. Tristeza.


A dor da solidão.
A dor de não ser compreendida.
A dor de não ter liberdade.
A lembrança das festas que meus pais faziam, dos churrascos.... as pessoas bêbadas.
Eu ia tomar banho e ficava muito tempo chorando porque não queria estar naquele
ambiente e também não queria que ninguém me visse chorar.

Rio de Janeiro, 22 de março de 2012

81
RELATO 2

SEGUNDA ESTAÇÃO

Com o medo numa mão e o desejo de mudar na outra comecei a pensar no medo. Primeiro
achei que não tinha medo, mas fui percebendo que meu medo está relacionado com uma forma
engessada de ver a realidade, com uma forma de ver a realidade através de modelos prontos que
me impedem de ver o que realmente há nela.

Então é isso... meu medo é ver a realidade sob formas que outros elaboraram. A minha
mãe, talvez?

Não consigo experimentar a realidade de forma fresca, mais natural, mais verdadeira...

QUINTA ESTAÇÃO

Estava nessa reflexão quando “apareceu” alguém com quem comecei a dialogar. Era alguém
mais velho, com uma atitude maternal, dizendo coisas importantes das quais não consigo lembrar.
Poderia resgatar isso em sonhos?

Percebi que voltei desse diálogo como que aterrizando na sala. Veio a sensação de que
aquele conversa foi feita num lugar muito longínquo, ou muito profundo? O lugar em que estava
parecia uma floresta. Da floresta vim imediatamente para a sala.

Agora me lembro vagamente de estar dizendo àquele alguém como era importante pensar
nessas coisas sem sentir uma dor profunda. Agora percebi que essa dor profunda é a resistência
que coloco para entrar me contato com essa dor, colocá-la para fora e ver com distanciamento. Ver
com distanciamento permite ver sem dor. Ao não resistir ver, vi sem sentir dor.

Rio de Janeiro, 22 de março de 2012.

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RELATO 3

SEGUNDA ESTAÇÃO
O medo da criança. Abandono! Silêncio! Escuridão.
Lembro de estar na escada do prédio, sendo “testada” quando à coragem de estar ali
sozinha no escuro. Eu sabia que estavam tomando conta de mim. Ou só fiquei sabendo depois?

Dor acolhida na mão direita e vontade de mudar na mão esquerda. Neste momento não há
dor, não há medo. Existe até uma certa aceitação por conta de um sentimento de transformação,
como se a transformação estivesse próxima. De fato, a transformação já está ocorrendo...

QUINTA ESTAÇÃO
Meu mestre não tem forma. Quer dizer, ele não apareceu como forma. Era mais uma
silhueta humana. Poderia ser qualquer pessoa ou ninguém. Ele está de braços abertos. Dele se
irradia uma luz prateada. Não tem sexo.

Foi a primeira vez que consegui visualizar uma imagem, o que me deu grande alegria.

Rio de Janeiro, 22 de março de 2012.

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RELATO 4

Muito bom!

Não me lembro de todas as estações. Só duas me causaram recordações.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Comecei a lembrar da minha primeira moradia. Só veio o sentimento de vivência de


conflitos e tristeza. Também apareceu um alerta e uma pergunta: Estarei cedendo mais uma vez o
meu espaço?

SEGUNDA ESTAÇÃO

Percebi que jogo fora as quedas da vida. Será que aprendo com o que vivi?
A minha mão que sustentava a dor foi ficando muito pesada... Tão pesada, até que virou
“sozinha”. Experimentei esse gesto como “estou me livrando da dor”.

QUINTA ESTAÇÃO

Na última estação apareceu uma imagem feminina. Era Nossa Senhora. Mas ela me falava
com uma voz masculina e dizia “Mulher de pouca fé!”. Uma grande onda de energia e luz me
envolveu e quando mentalmente fiz a intenção de doar essa energia, a mesma voz me disse: “Não.
Essa energia agora é só para você!”.

Rio de Janeiro, 22 de março de 2012.

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RELATO 5

SEGUNDA ESTAÇÃO

Eu me senti sozinha, com medo. Tinha medo de ser criticada. Vejo os adultos rindo, pois eu
era diferente: chorona.
Vivo para agradar as pessoas, mas continuo só, isolada. E faço isso de maneira obstinada,
orgulhosa.
Sinto uma grande dor no peito. É mágoa e não acolhimento.
Quero tirar essa mágoa.
Quero acolher esta criança magoada.

QUINTA ESTAÇÃO
Jesus de manto amarelo, ficou na minha frente.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 6

SEGUNDA ESTAÇÃO

Dificuldade de me voltar para dentro de mim mesma. O tempo todo houve interferência
dos problemas do cotidiano, aqui e agora, sem a dimensão ampla e profunda que a meditação
propunha.

Lembro da dificuldade de me conectar com a vontade de mudar, mas percebi claramente o


medo e a incapacidade de mudar porque não sei o que mudar, nem para que mudar. Percebo que
me iludi pensando que mudei muito ao longo da vida, mas é engano. Mudei muito pouco.
Continuo insegura e submissa, sem saber ao certo quem sou e o que quero.

Senti profundamente a dor da solidão, do isolamento, da incapacidade de estabelecer


vínculos mais profundos. A dor de não ter criado laços de família. Tenho uma grande rede de
amizades, mas é superficial.

Senti o vazio de um mestre. Li muita coisa, pensei, escrevi, mas avancei pouco na busca por
um conhecimento mais profundo de mim mesma. Neste momento a imagem mais forte de amor
incondicional foi a de meu pai, tão ausente e tão presente. Essa imagem “me pegou”. Foi
totalmente nova para mim essa percepção de meu pai.

QUARTA ESTAÇÃO

Lembrei de uma pessoa que teve papel importante na minha vida. Era um psiquiatra
filósofo que me ensinou o sentido grego da máscara: não era o disfarce atrás do qual escondemos
aquilo que não queremos mostrar. Era, no teatro grego, a construção da “persona”, esta
pessoa/personagem que até hoje tento construir ou identificar em mim.

A tristeza da máscara reflete a minha eterna tristeza e desânimo.


Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 7

SEGUNDA ESTAÇÃO

A dor torna a mão direita mais fechada, como se contivesse um punhado pequeno de
alguma coisa. A vontade de mudar é mais fluida e circula, mantendo a mão quase aberta.

O medo é o medo de desconectar, por algum incidente ou evento muito forte, medo do
inevitável ou da reação traumática ao inevitável. O medo acompanha, ou melhor, complementa o
sentimento de muitas perdas e da quase falta de elementos que possam supri-las. As perdas
causando a desconexão...

Lembrei da palavra “unpluged”, nome de um disco de Gilberto Gil e fiquei pensando como
alguém pode escolher uma palavra tão forte para ligar à arte. “Unpluged” é o louco, o sem abrigo,
sem contato, sem conexão. Até um naufrago, como Robson Crusoé, conseguiu conectar-se ao
mundo que ficara para trás. Conectou-se por meio da replica desse mundo. O “unpluged” é o nada
e é o medo.

Do resto não lembro quase nada, só de Bachelard quando se falou de casa e porão. Mas é
por causa da tese.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

A casa vazia na verdade não é uma casa vazia, mas um portal por onde o sujeito enxerga
uma possibilidade. Embora o exterior pareça inóspito é uma saída e é amplo, largo. Pode-se ver
que é quase ilimitado.
DESENHO de uma mulher com um véu de estrelas, segurando algo na mão. Me veio essa
imagem depois de escrever. Sinto que tem conexão com a casa vazia, mas não sei de que natureza
é.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 8

QUINTA ESTAÇÃO

Eu só me recordo da última parte, da quinta estação. Não sei porque comecei a ver fogo em
volta de mim. Não senti medo e sim um conforto enorme. O fogo foi ganhando vida. Comecei a
dançar com o fogo. Comecei a ser o fogo.

Depois fui me separando e fiquei envolta numa chama até virar um tecido nas cores do
fogo. Eu sabia onde estava, mas não conseguia ver. O tecido virou uma bola e joguei para cima até
ela sumir. Continuei com as cores do fogo e o tecido voltou. Continuei uma dança/luta. Sabia que
estava no mato. Fui parando de dançar. As imagens sumiram. A última coisa que vi foi uma
cachoeira com um lago, um barco, mato, pedra. E eu lá embaixo. Tudo calmo.

Ah! através da meditação senti um “guia”, uma força, sei lá... na minha frente. Tomei um
susto. Achei que era alguém que tinha se levantado e se colocado na minha frente. Senti um peso
na minha cabeça. Assim começou a minha meditação.

SEGUNDA ESTAÇÃO

Eu me identifiquei com uma menina sozinha, pensativa. Parece que a moça quer se jogar
do alto da pedra aonde está lá embaixo, mas ela só pensa e não se joga.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Também mexeu comigo a terceira estação. A máscara é forte. É intensa e é triste. Me deu
uma sensação de algo encoberto, de estranhamento, de mal estar. Senti um aperto no peito.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 9

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Acho que estou na primeira estação, ainda com medo de olhar os meus medos. Medo de
abrir o porão. Medo dos cantos desconhecidos. Mas à medida que percebo esses medos, percebo
também que eles não são tão assustadores assim. Acho que o medo maior é encará-los. Depois
que se olha para eles, não são tão assombrosos.

Depois, na hora de acolher a dor, ela não me pareceu tão dolorida, do jeito que achava que
era e como eu acolhi o desejo de mudança na outra mão, me deu a impressão de que eu posso
tomar esse desejo para mim.

QUINTA ESTAÇÃO

Na última estação, encontrei o Grande Mestre, compreensivo e acolhedor. Num primeiro


momento o contato foi apenas sensorial. Depois caminhamos juntos, ainda em silêncio, por uma
praia deserta, tranquila. Foi aí que me fez o convite para atravessar o abismo que separa a
pequena consciência do ego com a grande consciência universal. E começamos a atravessar... Eu
não fiquei com medo, nem do abismo, nem da travessia, pois a presença do Mestre me deixou
muito confiante. Estou buscando este contato com meu Eu Superior.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Sempre sonho com essa casa interna. No meu sonho de hoje ela estava vazia. E eu tô
sempre sonhando e vivendo isso internamente. Essa casa interna, que eu nunca sei bem qual é, e
eu sempre tenho que mudar... Essa imagem, da casa vazia, é o sonho mais frequente que eu
tenho.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 10

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Senti medo do desconhecido. Senti medo de não dar conta de muitos aspectos da minha
vida.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Senti que por conta do meu orgulho, determinados aspectos da minha vida não se
resolviam porque eu não pedia ajuda. Achava que sozinha sempre daria conta.

QUARTA ESTAÇÃO

Consegui me perdoar por algo que ocorreu há mais de 20 anos. E... eu sempre achei que já
havia me perdoado. Mas vi que não.

QUINTA ESTAÇÃO

O encontro com meu Guia foi muito emocionante, porque ele me mostrou todo meu brilho
interno e como entrar em contato com meu Eu Superior naqueles momentos em que não consigo
enxergar uma saída. Na verdade, ele me mostrou o quanto a entrega e a confiança são
importantes.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Acho que passo pela fase em que ainda não conheço todas as minhas máscaras e, portanto,
ainda encontro dificuldades em resolver algumas coisas em minha vida. Acho que preciso
mergulhar mais fundo dentro de mim. Está faltando isso...

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 11

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Tenho medo da desarmonia em família, pois venho de uma família muito pequena, tão
pequena, que todos os seus membros juntos não encheriam esta sala. E agora que vejo esta
família crescer e dar frutos, através da vinda dos netos, eu peço a Deus que nos abençoe e nos
harmonize sempre. Peço também ao Mestre Divino que eu possa unir cada vez mais todos nós.
Que eu seja um porto seguro e que possa sempre semear flores nesta estrada que é a vida.

Me arrependo de outrora não ter tido a visão da vida que hoje tenho, para que pudesse ser
mais tolerante, ouvir mais e ser menos precipitada na resolução de problemas e nas decisões
tomadas. Tenho fé e plena certeza que meu Mestre Divino norteará de agora em diante todos os
meus passos.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Penso que sempre vivi “enganando”, ou melhor, escondendo de todos os dissabores e as


quedas que tive ao longo da minha vida. Ao mesmo tempo também me identifico com o perdão.
Hoje aprendi a perdoar aqueles que me magoaram.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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RELATO 12

PRIMEIRA ESTAÇÃO

A casa está cheia de medo, solidão, medo de não ser amada, de ser abandonada. Se eu for
“eu mesma” podem não gostar de mim, podem me abandonar. Tenho que fingir ser sempre
boazinha, não fazer nada para incomodar os outros. Preciso ser amada, senão morro.

Mas o medo não é só meu. Todos tem medo. Eu não sou diferente. O mundo é assim, mas
continuo com medo. Tenho orgulho. Quero ser melhor do que sou na realidade.

O que me segura na direção da mudança é o medo e o orgulho. Mas quero mudar, quero
ser feliz.

QUINTA ESTAÇÃO

Um Ser de Luz diz que já sei o caminho e que tenho que confiar mais em mim, confiar no
meu coração. Peço que Ele vá na frente e me mostre por onde ir, mas ele me diz que o caminho é
só meu. Ele estará do meu lado, mas tenho que ir só. Ele me diz: “_ Não tenha medo. Confie em
você. O caminho está à sua frente. Siga! Siga!
Já senti um pouco da entrega ao meu Deus interior, mas tive medo. Achei que talvez ainda
não merecesse ser feliz e voltei a pedir perdão e ajuda ao Ser de Luz, que é o meu guia espiritual.

QUARTA ESTAÇÃO

Preciso ainda me perdoar dos meus muitos erros do passado. Ainda preciso que o Ser de
Luz me acolha e me dê forças para seguir meu caminho.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2012

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