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HISTÓRIA DO BRASIL

6ª Edição - 2017
Curso Preparatório Cidade - SCLN 113 Bloco C - Salas 207/210 Tel.: 3340-0433 / 9975-4464 / 8175-4509 - www.cursocidade.com.br / cursocidade@gmail.com
Agradecimentos Prezado aluno do Curso de História do Brasil

Em primeiro lugar, meu agradecimento especial e minha consideração a dois professores O conhecimento, o entendimento e o perfeito domínio da História Brasileira, em suas
extraordinários – aqueles que me levaram a gostar de ensinar com excelência – Dometildes diversas muitas vertentes, são ferramentas essenciais para o sucesso em qualquer concurso
Tinoco e Euzébio Cidade. (Olá, Mamãe e Papai!) – especialmente no âmbito da carreira militar, com provas cada dia mais seletivas que
abordam diversas particularidades e singularidades da nossa história.
Um agradecimento sincero aos meus queridos alunos e a excelente e dedicada equipe de
professores da Cadeira de História, liderada pelo Professor Sirmany Fernandes, profissional Tendo em vista, essencial e prioritariamente, o sucesso de seus alunos, o Curso Cidade, por
ímpar, e que reúne as qualidades de um verdadeiro líder. Coordena com esmero a cadeira intermédio de sua equipe da Cadeira de História, apresenta este material. Confeccionado a
de humanas do Curso Cidade, com seu trabalho de incomensurável valor pedagógico partir de um sólido embasamento teórico, calcado na Bibliografia do concurso. A presente
reconhecido pela Direção do Curso, pela equipe que coordena e pelos demais alunos que já apostila traz cerca de mil exercícios gabaritados, com o intuito de fortalecer e solidificar a
se prepararam em nosso Curso. Agradeço também ao prestativo colaborador de todas as teoria aprendida em sala, trabalhada na apostila e praticada nos simulados semanais, cujo
horas e inestimável amigo Prof. Djalma Augusto, que procedeu a atualização dos objetivo é ajudar a pensar com fluidez a nossa história, sem recorrer a estratégias
conteúdos para o corrente ano. Um agradecimento especial a Laura Maciel pela mnemônicas ineficazes e ideias generalizadas, desprovidas de lógica.
coordenação da equipe de TI que executou excelente trabalho de formatação e
diagramação deste material. Aproveite! O material é seu: faça um ótimo uso dele!

Finalizando um agradecimento muito especial aos professores André Luiz e Felício Mourão, Temos certeza de que aquele que se dedicar com afinco à resolução das questões aqui
que com dedicação e competência auxiliaram na confecção desta apostila de história que apresentadas irá melhorar sobremaneira o seu desempenho nos exames vindouros. Nosso
apresenta 20 questões por subtópico, além das questões cobradas nos últimos concursos. principal objetivo, com este material, é contribuir para melhorar o desempenho de todo
Questões necessárias e fundamentais para um adestramento simples, rápido e eficaz para o candidato que, de fato, queira aprender.
concurso da EsFCEx.
Estamos aqui torcendo e trabalhando pelo seu sucesso!
Esperamos que você utilize esta obra, exercitando com atenção cada item apresentado e
pesquisando na bibliografia àqueles que apresentaram maior grau de dificuldade. Traga Bom trabalho e bom estudo!
para a aula as dúvidas das questões cuja resposta não esteja de acordo com seu
Equipe de História do Brasil
conhecimento ou envie-as por e-mail para seu professor.

Aceite nossa companhia nesta viagem de treinamento Rumo à EsFCEx.

Bons Estudos!!

Luiz Cidade

Diretor
EQ U I P E Equipe de Professores

Professores dos Idiomas


Diretor Geral Luiz Cidade – Espanhol
Luiz Alberto Tinoco Cidade Maristella Mattos Silva – Espanhol (EAD)
Monike Cidade – Espanhol (EAD)
Diretora Executiva Genildo da Silva – Espanhol
Clara Marisa May Leonardo dos Santos – Espanhol
Diego Fernandes – Espanhol
Diretor de Artes Rita de Cássia de Deus Vindo - Inglês
Fabiano Rangel Cidade Márcia Mattos da Silva – Francês (EAD)
Marcos Henrique – Francês
Coordenação Geral dos Cursos Preparatórios
Profº Luiz Alberto Tinoco Cidade Professores dos Concursos
Drº Adriano Andrade – Geografia do Brasil
Coordenação dos Cursos de Idiomas EAD Gibrailto Soares - Geografia do Brasil (EAD)
Profº Dr. Daniel Soares Filho Drº Daniel Soares Filho – Espanhol (EAD)
Drª Simone Tostes – Inglês (EAD)
Secretaria Edson Antonio S. Gomes – Administração de Empresas
Evelin Drunoski Mache Tomé de Souza – Administração de Empresas (EAD)
Sormany Fernandes – História do Brasil
Suporte Djalma Augusto – História do Brasil
Laura Maciel Cruz André Luís Gonçalves – História
Jefferson de Araújo Felício Mourão Freire – História Geral (EAD)
Geraldo Luís da Silva Júnior Albert Iglésias – Língua Portuguesa e Literatura
Valber Freitas Santos – Gramática, Redação e Literatura (EAD)
Editoração Gráfica Alexandre Santos de Oliveira – Direito
Edilva de Lima do Nascimento Lúcio dos Santos Ferreira – Direito
Emerson Marques Lima – Direito
Fonoaudióloga e Psicopedagoga Ms Edson da Costa Rodrigues – Ciências Contábeis
Mariana Ramos – CRFa 12482-RJ/T-DF Genilson Vaz Silva Sousa – Ciências Contábeis
Paulo Augusto Moreira – Ciências Contábeis
Assessoria Jurídica Anderson Silva de Aguiar – Ciências Contábeis
Luiza May Schmitz – OAB/DF – 24.164 Jorge Basílio – Matemática Financeira
Ricardo Sant'Ana – Informática
Assessoria de Línguas Estrangeiras Cláudio Lobo – Informática
Cleide Thieves (Poliglota-EEUU) Eliel Martins – Informática
João Jorge Gonçalves (Poliglota-Europa) Cintia Lobo César – Enfermagem
Elaine Moretto – Enfermagem (EAD)

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Conteúdo Divisão da Colônia durante o governo espanhol................................................................. 33
Tópico 1.0 – A Expansão Marítima.............................................................................................. 17
EXERCÍCIOS ........................................................................................................................ 34
Comentário inicial ............................................................................................................. 17
EXERCÍCIOS DE PROVA ........................................................................................................ 37
A EXPANSÃO MARÍTIMA ........................................................................................................ 17
Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e
A formação de Portugal..................................................................................................... 17 comércio. ................................................................................................................................. 40
Dinastia de Borgonha ........................................................................................................ 17 Comentário ...................................................................................................................... 40
A dinastia de Avis ............................................................................................................. 17 AS ATIVIDADES ECONÔMICA E A EXPANSÃO COLONIAL – AÇÚCAR MINERAÇÃO, GADO E
COMÉRCIO .......................................................................................................................... 40
A expansão ultramarina européia ...................................................................................... 18
O ciclo do pau-brasil ........................................................................................................ 40
A Escola de Sagres ........................................................................................................... 18
O ciclo do açúcar ............................................................................................................. 41
Novas tecnologias ............................................................................................................. 19
A pecuária ....................................................................................................................... 41
Os Tratados feitos com a Espanha ..................................................................................... 20
Os escravos ..................................................................................................................... 42
A Viagem de Cabral .......................................................................................................... 20
Drogas do sertão ............................................................................................................. 42
A questão da intencionalidade do descobrimento ............................................................... 21
Outras atividades econômicas........................................................................................... 42
As consequências da expansão marítima ........................................................................... 21
A exploração das minas .................................................................................................... 43
Brasil pré-colonial (1500 – 1530) ....................................................................................... 21
Os diamantes................................................................................................................... 43
Os habitantes do Brasil antes de Cabral ............................................................................. 22
Transformações na colônia ............................................................................................... 44
A estrutura político-administrativa: a expedição de 1530 de Martim Afonso de Souza. ......... 24
EXERCÍCIOS ........................................................................................................................ 45
EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 24
EXERCÍCIOS DE PROVA ........................................................................................................ 48
EXERCÍCIOS DE PROVA......................................................................................................... 28
Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. .................................................................. 49
Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais .............................................................. 30
Comentário ...................................................................................................................... 49
Comentário....................................................................................................................... 30
OS POVOS INDÍGENAS E AÇÃO JESUÍTICA. .......................................................................... 49
AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS ............................................................................................ 30
A Ação Jesuítica ............................................................................................................... 51
Os Governos Gerais .......................................................................................................... 31
CARTA JESUÍTICA ............................................................................................................ 52
Primeiro Governo Geral (1549-1553) ................................................................................. 32
EXERCÍCIOS ........................................................................................................................ 54
As Câmaras Municipais ...................................................................................................... 32
EXERCÍCIOS DE PROVA ........................................................................................................ 58
O Segundo Governo Geral (1553-1558) ............................................................................. 32
Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos .......................................................................... 60
O Terceiro Governo Geral (1558-1572) .............................................................................. 33
Comentário ...................................................................................................................... 60
Dois Governos: Um no norte e outro no sul ....................................................................... 33
A CAMADA SENHORIAL E OS ESCRAVOS ............................................................................... 60
O Domínio Espanhol ......................................................................................................... 33

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EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 61 Os Motins do Maneta (Salvador /1711) ............................................................................104
EXERCÍCIOS DE PROVA......................................................................................................... 67 A Revolta de Vila Rica (1720) ..........................................................................................105
Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras ...................................................... 69 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................107
Comentário....................................................................................................................... 69 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................111
A CONQUISTA DOS SERTÕES – ENTRADAS E BANDEIRAS ...................................................... 69 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do
XIX. ........................................................................................................................................112
EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 73
Comentário .....................................................................................................................112
EXERCÍCIOS DE PROVA......................................................................................................... 78
OS CONFLITOS COLONIAIS E OS MOVIMENTOS REBELDES DO FINAL DO SÉCULO XVIII E
Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil ......................................................................... 81
INÍCIO DO XIX ....................................................................................................................112
Comentário....................................................................................................................... 81
Aclamação de Amador Bueno (São Paulo – 1641).............................................................112
A formação da União Ibérica ............................................................................................. 83
A Revolta contra os Xumbergas (Pernambuco -1666) .......................................................113
A campanha holandesa na Bahia (1624-1625).................................................................... 83
A Guerra dos Emboabas (1708-1709) ..............................................................................113
A campanha holandesa em Pernambuco (1630-1654) ........................................................ 84
O Levante do Terço Velho (1728) ....................................................................................114
Governo Nassoviano (1637-1644) ...................................................................................... 85
Inconfidência Mineira (1789) ...........................................................................................114
Insurreição Pernambucana (1644-1654) ............................................................................ 85
Conjuração Carioca (1794) ..............................................................................................116
EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 86
A Conjuração Baiana (1798) ............................................................................................116
EXERCÍCIOS DE PROVA......................................................................................................... 91
EXERCÍCIOS .......................................................................................................................117
Tópico Especial - A expansão territorial ...................................................................................... 93
EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................123
Comentário....................................................................................................................... 93
Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos ............................125
Expansão rumo ao Sul ........................................................................................................... 93
Comentário .....................................................................................................................125
Expansão rumo ao Norte ................................................................................................... 94
A TRANSFERÊNCIA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL E SEUS EFEITOS.....................125
Os Tratados e Limites ....................................................................................................... 94
O contexto da vinda da família real (1808) .......................................................................125
EXERCÍCIOS ......................................................................................................................... 95
As transformações ocorridas no Brasil a partir da presença da corte no Rio de Janeiro .......126
EXERCÍCIOS DE PROVA......................................................................................................... 99
EXERCÍCIOS .......................................................................................................................128
Comentário..................................................................................................................... 100
EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................134
O MONOPÓLIO COMERCIAL PORTUGUÊS ............................................................................ 100
Tópico 1.9 – A política expansionista de Dom João ....................................................................136
A Revolta da Cachaça (Rio de Janeiro /1660-1661) .......................................................... 100
Comentário .....................................................................................................................136
A Revolta de Beckman (Maranhão/1684) ......................................................................... 101
A POLÍTICA EXPANSIONISTA DE DOM JOÃO ........................................................................136
A Guerra dos Mascates (Pernambuco /1710-1711) .......................................................... 102
EXERCÍCIOS .......................................................................................................................137
A Revolta do Sal (São Paulo/1710) .................................................................................. 104
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EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 140 A GUARDA NACIONAL .........................................................................................................170
Tópico 2.1 – As lutas pela independência ................................................................................. 141 O Período regencial e a Guarda Nacional ..........................................................................170
Comentário..................................................................................................................... 141 Regência Trina Provisória (1831) .....................................................................................171
AS LUTAS PELA INDEPENDÊNCIA ........................................................................................ 141 A Regência Trina Permanente (1831-1834) ......................................................................171
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL ............................................................................................ 142 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................172
A Revolução Liberal do Porto (1820) ................................................................................ 142 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................176
O "Fico" e o "Cumpra-se" ................................................................................................ 143 Tópico 2.5 – O Ato Adicional de 1834 .......................................................................................177
A Independência............................................................................................................. 144 Comentário .....................................................................................................................177
As guerras da Independência .......................................................................................... 145 O ATO ADICIONAL DE 1834 ................................................................................................177
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 146 A Regência Una do Padre Diogo Antônio Feijó ..................................................................177
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 151 A Regência de Araújo Lima ..............................................................................................178
Tópico 2.2 – A independência do Brasil e o Primeiro Reinado .................................................... 153 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................179
Comentário..................................................................................................................... 153 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................182
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E O PRIMEIRO REINADO...................................................... 153 Tópico 2.6 – As revoltas regenciais ...........................................................................................184
A Confederação do Equador (1824) e Guerra da Cisplatina (1825-1828) ........................... 153 Comentário .....................................................................................................................184
Abdicação do trono português ......................................................................................... 154 AS REVOLTAS REGENCIAIS .................................................................................................184
Abdicação do trono brasileiro .......................................................................................... 155 Rebeliões do Período Regencial .......................................................................................184
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 155 A Cabanagem .................................................................................................................184
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 160 A Sabinada .....................................................................................................................186
Tópico 2.3 – A Constituição de 1824 ........................................................................................ 161 A Balaiada ......................................................................................................................186
Comentário..................................................................................................................... 161 A Revolução Farroupilha ..................................................................................................187
A CONSTITUIÇÃO DE 1824.................................................................................................. 161 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................188
Primeiro Reinado ............................................................................................................ 161 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................193
O reconhecimento da independência ............................................................................... 161 Tópico 2.7 – A consolidação da ordem interna: o fim das rebeliões, os partidos, a legislação, o
fortalecimento do Estado, a economia cafeeira, a tributação......................................................196
A Carta Outorgada de 1824 ............................................................................................. 162
Comentário .....................................................................................................................196
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 163
A CONSOLIDAÇÃO DA ORDEM INTERNA: O FIM DAS REBELIÕES, OS PARTIDOS ..................196
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 167
A consolidação da ordem interna .....................................................................................196
Tópico 2.4 – A Guarda Nacional ............................................................................................... 170
EXERCÍCIOS .......................................................................................................................197
Comentário..................................................................................................................... 170

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EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 201 Tópico 2.13 – O movimento republicano ...................................................................................245
Tópico 2.8 – Centralização x descentralização ........................................................................... 203 Comentário .....................................................................................................................245
Comentário..................................................................................................................... 203 O MOVIMENTO REPUBLICANO.............................................................................................245
CENTRALIZAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO ............................................................................. 203 A Queda da Monarquia ....................................................................................................245
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 205 A Questão Militar ............................................................................................................246
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 209 O fim do Império ............................................................................................................246
Tópico 2.9 – Economia e cultura na sociedade imperial ............................................................. 210 Deodoro da Fonseca .......................................................................................................247
Comentário..................................................................................................................... 210 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................247
ECONOMIA E CULTURA NA SOCIEDADE IMPERIAL ............................................................... 210 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................251
Modernização: economia e cultura na sociedade imperial. ................................................ 210 Tópico 3.1 – A constituição de 1891, os militares e a consolidação da República ........................254
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 212 Comentário .....................................................................................................................254
Tópico 2.10 – A escravidão, movimento abolicionista e a abolição ............................................. 219 A REPÚBLICA VELHA (1889-1930) .......................................................................................254
Comentário..................................................................................................................... 219 O Governo Deodoro da Fonseca (1889-1891) ...................................................................254
A ESCRAVIDÃO, MOVIMENTO ABOLICIONISTA E A ABOLIÇÃO ............................................. 219 Bandeira Provisória da República .....................................................................................255
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 220 O Congresso Nacional e a Constituinte de 1890 ................................................................256
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 225 Governo Constitucional: tentativa de golpe e renúncia ......................................................258
Tópico 2.11 – Transição para o trabalho livre............................................................................ 226 Governo Floriano Peixoto (1891-1894) .............................................................................258
Comentário..................................................................................................................... 226 Governo Prudente de Morais (1894-1898) ........................................................................259
TRANSIÇÃO PARA O TRABALHO LIVRE ................................................................................ 226 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................260
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 228 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................264
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 232 Tópico 3.2 – A política dos governadores ..................................................................................267
Tópico 2.12 – Política externa – as questões platinas e a Guerra do Paraguai............................. 233 Comentário .....................................................................................................................267
Comentário..................................................................................................................... 233 A POLÍTICA DOS GOVERNADORES ......................................................................................267
POLÍTICA EXTERNA – AS QUESTÕES PLATINAS E A GUERRA DO PARAGUAI ......................... 233 Governo Campos Sales (1898-1902) e a política dos governadores ...................................267
A Guerra contra Oribe e Rosas ........................................................................................ 233 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................269
A Questão Christie .......................................................................................................... 234 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................274
A Guerra do Paraguai .......................................................................................................... 234 Tópico 3.3 – O coronelismo e o sistema eleitoral .......................................................................276
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 238 Comentário .....................................................................................................................276
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 242 CORONELISMO ...................................................................................................................276
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EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 277 O Governo Provisório (1930-1934) e a Revolução Constitucionalista de 1932. ....................322
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 283 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................325
Tópico 3.4 – Os movimentos sociais no campo e nas cidades .................................................... 284 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................331
Comentário..................................................................................................................... 284 Tópico 3.9 – O Governo Constitucional .....................................................................................333
OS MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO E NAS CIDADES ....................................................... 284 Comentário .....................................................................................................................333
Governo Afonso Pena (1906-1909) .................................................................................. 286 O GOVERNO CONSTITUCIONAL ...........................................................................................333
Governo Nilo Peçanha (1909-1910) ................................................................................. 286 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................335
Governo Hermes da Fonseca (1910-1914) ....................................................................... 287 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................339
Governo Delfim Moreira (1919-1919) / Morte de Rodrigues Alves ..................................... 291 Tópico 3.10 – O Estado Novo (1937-1945) – populismo e intervenção do Estado na economia ...340
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 292 Comentário .....................................................................................................................340
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 296 O ESTADO NOVO (1937-1945): POPULISMO E INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA ....340
Tópico 3.5 – Tenentismo ......................................................................................................... 298 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................345
Comentário..................................................................................................................... 298 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................350
TENENTISMO...................................................................................................................... 298 Tópico 3.11 – A crise do governo Vargas ..................................................................................353
Governo Artur Bernardes (1922-1926) ............................................................................. 298 Comentário .....................................................................................................................353
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 305 A CRISE DO GOVERNO VARGAS ..........................................................................................353
Tópico 3.6 – A Semana de Arte Moderna .................................................................................. 306 A política do Brasil pós-1945............................................................................................353
Comentário..................................................................................................................... 306 Governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) ...........................................................................353
A SEMANA DE ARTE MODERNA ........................................................................................... 306 Governo Getúlio Vargas (1951-1954) ...............................................................................354
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 308 A Carta-testamento de Getúlio Vargas .............................................................................356
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 312 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................357
Tópico 3.7 – A Aliança Liberal e a Revolução de 1930 ............................................................... 314 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................361
Comentário..................................................................................................................... 314 Tópico 3.12 – O governo JK e o desenvolvimentismo ................................................................363
A ALIANÇA LIBERAL E A REVOLUÇÃO DE 1930 .................................................................... 314 Comentário .....................................................................................................................363
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 317 O GOVERNO JK E O DESENVOLVIMENTISMO .......................................................................363
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 320 Governo João Café Filho (1954-1955) ..............................................................................363
Tópico 3.8 – O Governo Provisório (1930-1934)........................................................................ 322 Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) ......................................................................364
Comentário..................................................................................................................... 322 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................367
O GOVERNO PROVISÓRIO (1930-1934) ............................................................................... 322 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................371

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Tópico 3.13 – A crise institucional nos Governos de Quadros e Goulart ...................................... 373 Período presidencial ........................................................................................................406
Comentário..................................................................................................................... 373 A CAMPANHA DAS DIRETAS JÁ. ...........................................................................................407
A CRISE INSTITUCIONAL NOS GOVERNOS DE QUADROS E GOULART .................................. 373 Governo Figueiredo .........................................................................................................407
Governo Jânio Quadros (1961) ........................................................................................ 373 Dados biográficos ...........................................................................................................407
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 380 Período presidencial ........................................................................................................408
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 385 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................410
Tópico 3.14 - As reformas de base e a intervenção militar ......................................................... 386 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................415
Comentário..................................................................................................................... 386 Tópico 3.17 – A campanha pelas eleições diretas ......................................................................416
AS REFORMAS DE BASE E A INTERVENÇÃO MILITAR ........................................................... 386 Comentário .....................................................................................................................416
Os Atos Institucionais. .................................................................................................... 386 A CAMPANHA PELAS ELEIÇÕES DIRETAS .............................................................................416
GOVERNO COSTA E SILVA .................................................................................................. 388 Tancredo de Almeida Neves ............................................................................................416
Período presidencial ........................................................................................................ 388 Dados biográficos ...........................................................................................................416
JUNTA MILITAR .............................................................................................................. 390 José Sarney ....................................................................................................................416
Dados biográficos ........................................................................................................... 390 Dados biográficos ...........................................................................................................416
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 391 Período presidencial ........................................................................................................417
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 396 EXERCÍCIOS .......................................................................................................................418
Tópico 3.15 – O milagre econômico.......................................................................................... 397 EXERCÍCIOS DE PROVA .......................................................................................................423
Comentário..................................................................................................................... 397 Tópico 3.18 – A Constituição de 1988 .......................................................................................424
O MILAGRE ECONÔMICO .................................................................................................... 397 Comentário .....................................................................................................................424
Governo Médici ............................................................................................................... 397 CONSTITUIÇÃO DE 1988 .....................................................................................................424
Dados biográficos ........................................................................................................... 397 EXERCÍCIO .........................................................................................................................425
Período presidencial ........................................................................................................ 397 EXERCÍCIO DE PROVA .........................................................................................................429
EXERCÍCIOS ....................................................................................................................... 400 GABARITOS.............................................................................................................................430
EXERCÍCIOS DE PROVA....................................................................................................... 405 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima .......................................................................................430
Tópico 3.16 – A redemocratização ............................................................................................ 406 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................430
Comentário..................................................................................................................... 406 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................430
A REDEMOCRATIZAÇÃO ...................................................................................................... 406 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais ........................................................430
Governo Geisel ............................................................................................................... 406 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................430
Dados biográficos ........................................................................................................... 406 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................430
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Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar mineração, gado e Tópico 1.9 – A política expansionista de Dom João ...............................................................432
comércio............................................................................................................................. 430
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 430
Tópico 2.1 – As lutas pela independência .............................................................................432
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 430
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica.............................................................. 430
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................432
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 430
Tópico 2.2 – A independência do Brasil e o Primeiro Reinado ................................................432
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 430
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos .................................................................... 430
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................432
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 430
Tópico 2.3 – A Constituição de 1824 ....................................................................................432
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 430
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras ................................................ 430
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................432
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 430
Tópico 2.4 – A Guarda Nacional ...........................................................................................432
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 430
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
Tópico Especial - Invasões Holandesas................................................................................. 431
Tópico 2.5 – O Ato Adicional de 1834 ...................................................................................432
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 431
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................432
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 431
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................432
Tópico Especial - A expansão territorial ................................................................................ 431
Tópico 2.6 – As revoltas regenciais ......................................................................................433
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 431
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................433
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 431
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................433
Tópico 1.6 – O monopólio comercial português .................................................................... 431
Tópico 2.7 – A consolidação da ordem interna: o fim das rebeliões, os partidos, a legislação, o
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 431 fortalecimento do Estado, a economia cafeeira, a tributação. ................................................433
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 431 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................433
Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................433
do XIX. ............................................................................................................................... 431
Tópico 2.8 - Centralização x descentralização .......................................................................433
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 431
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................433
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 431
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................433
Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos ....................... 431
Tópico 2.9 – economia e cultura na sociedade imperial .........................................................433
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 431
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................433
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 431
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................433

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Tópico 2.10 - A escravidão, movimento abolicionista e a abolição.......................................... 433 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................435
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 433 Tópico 3.7 – A Aliança Liberal e a Revolução de 1930 ...........................................................435
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 433 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................435
Tópico 2.11 – Transição para o trabalho livre ....................................................................... 433 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................435
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 433 Tópico 3.8 – O Governo Provisório (1930-1934) ...................................................................435
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 433 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................435
Tópico 2.12 – Política externa – as questões platinas e a Guerra do Paraguai ........................ 434 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................435
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434 Tópico 3.9 – O governo Constitucional .................................................................................435
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434 EXERCÍCIOS ...................................................................................................................435
Tópico 2.13 – O movimento republicano .............................................................................. 434 EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................435
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434 Tópico 3.10 – O Estado Novo (1937-1945) – populismo e intervenção do Estado na economia
..........................................................................................................................................435
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................435
Tópico 3.1 – A constituição de 1891, os militares e a consolidação da República .................... 434
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................435
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434
Tópico 3.11 – A crise do governo Vargas ..............................................................................436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................436
Tópico 3.2 – A política dos governadores ............................................................................. 434
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434
Tópico 3.12 – O governo JK e o desenvolvimentismo ............................................................436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................436
Tópico 3.3 – O coronelismo e o sistema eleitoral .................................................................. 434
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434
Tópico 3.13 – A crise institucional nos Governos de Quadros e Goulart ..................................436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................436
Tópico 3.4 – Os movimentos sociais no campo e nas cidades ................................................ 434
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 434
Tópico 3.14 – As reformas de base e a intervenção militar ....................................................436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 434
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................436
Tópico 3.5 – Tenentismo ..................................................................................................... 435
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 435
Tópico 3.15 – O milagre econômico .....................................................................................436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 435
EXERCÍCIOS ...................................................................................................................436
Tópico 3.6 – A Semana de Arte Moderna ............................................................................. 435
EXERCÍCIOS DE PROVA ..................................................................................................436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 435
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Tópico 3.16 – A redemocratização ....................................................................................... 436
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 436
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 436
Tópico 3.17 – A campanha pelas eleições diretas ................................................................. 437
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 437
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 437
Tópico 3.18 – A Constituição de 1988 .................................................................................. 437
EXERCÍCIOS ................................................................................................................... 437
EXERCÍCIOS DE PROVA .................................................................................................. 437

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Lista de Figuras Figura 38: Bandeira dos Sabinos ..............................................................................................186
Figura 39: Cena da Guerra dos Farrapos. ..................................................................................187
Figura 1: À Descoberta da História e Geografia de Portugal. ........................................................ 18 Figura 40: Estudo para a sagração de Dom Pedro II. ................................................................196
Figura 2: Navegações portuguesas. ............................................................................................ 18 Figura 41: D. Pedro II ..............................................................................................................204
Figura 3: Representação do Infante Dom Henrique num dos Painéis de São Vicente de Fora. ....... 19 Figura 42: Regiões de Produção de Café. ..................................................................................210
Figura 4: Astrolábio. .................................................................................................................. 19 Figura 43: Negros no porão de um navio negreiro. ....................................................................219
Figura 5: Nau de Pedro Álvares Cabral. ...................................................................................... 19 Figura 44: Os três chefes de Estado do Uruguai. .......................................................................235
Figura 6: Mapa de Cantino feito em 1502. .................................................................................. 20 Figura 45: O Imperialismo Brasileiro. ........................................................................................235
Figura 7: Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira da Figura 46: (circa de 1867): dois cartes-de visite mostrando soldado e oficial paraguaios capturados
Silva, 1904. ............................................................................................................................... 21 por oficiais brasileiros e argentinos respectivamente. ................................................................237
Figura 8: Jean de Lery. Século XVI. ............................................................................................ 20 Figura 47: “Derrubado do trono”. .............................................................................................247
Figura 9: “Família de um chefe Camacã se preparando para festa” .............................................. 23 Figura 48: Juramento constitucional. Após a promulgação da 1ª Constituição Republicana do Brasil,
Figura 10: Capitanias hereditárias .............................................................................................. 31 assumem o poder os Marechais Manuel Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Francisco Aurélio
Figura 11: Chegada de Tomé de Sousa à Bahia, numa gravura de começo do século XIX ............. 32 de Figueiredo e Mello ...............................................................................................................258
Figura 12: Mem de Sá ............................................................................................................... 33 Figura 49: “A esfinge”. .............................................................................................................259
Figura 13: Derrubada do pau-brasil ............................................................................................ 40 Figura 50: Caricatura de Prudente de Morais e presidente Campos Sales. ..................................269
Figura 14: Moagem da Cana no Engenho ................................................................................... 41 Figura 51: As próximas eleições... “de cabresto”. ......................................................................276
Figura 15: Imagem de Rugendas ............................................................................................... 42 Figura 52: Charge. ...................................................................................................................285
Figura 16: Mineração de diamantes ............................................................................................ 44 Figura 53: Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon: quando Jovem, desbravando os ignotos
Figura 17: Ritual Antropogáfico .................................................................................................. 50 sertões da Amazônia brasileira. Hoje, Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro. .286
Figura 18: Imagem de hans staden ............................................................................................ 50 Figura 54: Marinheiros revoltosos (1910). João Cândido ao centro. ............................................288
Figura 19: Nobrega e Anchieta ................................................................................................... 51 Figura 55: Sobreviventes da Guerra do Contestado. ..................................................................289
Figura 20: Redução Jesuítica...................................................................................................... 52 Figura 56: “Combatentes em torno de uma peça de artilharia após um dos combates travados na
Figura 21: Estátua de Antônio Raposo Tavares, um dos mais famosos bandeirantes..................... 70 região de Medeiros (PR), entre novembro de 1924 e janeiro de 1925.” ......................................299
Figura 22: Domingos Jorge Velho por Benedicto ......................................................................... 70 Figura 57: Crash de 1929. ........................................................................................................300
Figura 23: O Caminho de Peabiru. .............................................................................................. 71 Figura 58: Revolta dos 18 do Forte de Copacabana: da esquerda para direita, tenentes Eduardo
Figura 24: Selvagens Civilizados Soldados Índios da Província de Curitiba Conduzindo Prisioneiros Gomes, Siqueira Campos, Nílton Prado e o civil Otávio Correia. .................................................306
Indígenas .................................................................................................................................. 72 Figura 59: Getúlio Vargas (1882-1954) e João Pessoa (1878-1930) pouco antes da Revolução. ..315
Figura 25: Território sob domínio de Felipe II. ............................................................................ 82 Figura 60: Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) fotografada por Claro Jansson durante sua
Figura 26: Planta de restituição de Bahia .................................................................................... 84 passagem por Itararé (São Paulo) a caminho do Rio de Janeiro após a vitoriosa Revolução de 1930.
Figura 27: Óleo sobre tela Batalha dos Guararapes. .................................................................... 86 ..............................................................................................................................................322
Figura 28: Algodão no Brasil .................................................................................................... 101 Figura 61: Almerinda F. Gama, do Sindicato dos Datilógrafos, na eleição dos representantes
Figura 29: Beckman no Sertão do Alto Mearim.......................................................................... 102 classistas para a Assembleia Constituinte. Rio, 1933..................................................................333
Figura 30: Julgamento de Felipe dos Santos. ............................................................................ 106 Figura 62: Material da ANL apreendido pela Polícia Política do D.F. Rio, 1935. ............................334
Figura 31: Tropeiros ................................................................................................................ 113 Figura 63: Humor de J. Carlos à atuação de Getúlio na sucessão presidencial. Rio, 1937 ............340
Figura 32: Leitura da sentença dos inconfidentes. ..................................................................... 115 Figura 64: Getúlio Vargas comunica ao país a instauração do Estado Novo no Rio de Janeiro. 10 de
Figura 33: Vice-rei conde de Resende....................................................................................... 116 novembro de 1937. .................................................................................................................340
Figura 34: Escravos exercendo vários ofícios nas ruas de Salvador. ........................................... 116 Figura 65: Cartaz de propaganda da Ação Integralista Brasileira (AIB). ......................................341
Figura 35: Paço de São Cristóvão em 1816. .............................................................................. 127 Figura 66: Carteira de Trabalho de Getúlio Vargas ....................................................................342
Figura 36: Desembarque em Caiena. ........................................................................................ 136 Figura 67: Manifestação contra o afundamento de navios brasileiros pelos alemães. Rio, 1942. ..342
Figura 37: Belém do Pará, primeira metade do século XIX ......................................................... 185
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Figura 68: Embarque de tropas da FEB para a Itália. Rio, 1944 ................................................. 343
Figura 69: Manifestação "queremista" em frente ao Palácio Guanabara. Rio, 1945. .................... 344
Figura 70: Com Paulo Baeta Neves, por ocasião da posse no Senado. Rio, 1946. ....................... 353
Figura 71: Com Leonel Brizola (de terno claro), Ernesto Dornelles e outros, na campanha para a
presidência da República. Itaqui (RS), 1950. ............................................................................. 354
Figura 72: Manifestação contra Vargas por ocasião da missa de 7° dia do major Vaz. Rio, 1954. 356
Figura 73: Juscelino Kubitschek discursando para Benedito Valadares e Getúlio Vargas, durante a
inauguração da Avenida do Contorno (Belo Horizonte), em 12 de maio de 1940. ....................... 364
Figura 74: Jânio Quadros e Che Guevara no Brasil. ................................................................... 375
Figura 75: Carta-renúncia de Jânio Quadros. ............................................................................ 376
Figura 76: João Goulart foi o último presidente da República Populista. O famoso comício da
Central do Brasil, em 13 de março de 1964 não foi bem aceito pelos setores mais conservadores da
sociedade brasileira. Em poucos dias ocorreria a intervenção militar. ......................................... 377
Figura 77: Soldados protegendo o Palácio da Guanabara durante o Golpe de Estado no Brasil em
1964, em 31 de março............................................................................................................. 387
Figura 78: Brasília - Nas ruas de Brasília, diante do Congresso Nacional, o povo se manifesta e
exige o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em 1984................. 408
Figura 79: Charge de Miguel Paiva. ...............................................Erro! Indicador não definido.
Figura 80: Assembleia Constituinte de 1988.............................................................................. 417
Figura 81: Ulysses Guimarães e a Constituição de 1988. ........................................................... 424
Figura 82: Boa parte da imprensa brasileira apoiou a candidatura de Collor.Erro! Indicador não
definido.
Figura 83: Denunciado pelo irmão Pedro Collor. .............................Erro! Indicador não definido.
Figura 84: Charge. .......................................................................Erro! Indicador não definido.
Figura 85: Charge política. ............................................................Erro! Indicador não definido.

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16 | Curso Preparatório Cidade
Tópico 1.0 – A Expansão Marítima A EXPANSÃO MARÍTIMA

Comentário inicial A formação de Portugal

A península Ibérica, onde surgiu o Estado Português, fica situada na Europa, tendo seu território
Caro estudante, começaremos aqui nossa "viagem" pela História do Brasil. Nosso banhado pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. A atividade pesqueira sempre foi uma
objetivo neste tópico é compreender os principais motivos que trouxeram os europeus constante naquela região da Europa. No século XIV, Portugal afirmou-se como primeiro Estado
ao "Novo Mundo" e o "início" da história brasileira. moderno da Europa. Sua origem ligou-se a um movimento peculiar à Península Ibérica chamado de
Reconquista, que consistiu na expulsão dos muçulmanos que dominavam parte da Península.
Tradicionalmente a história brasileira é contada a partir do chamado “descobrimento
do Brasil”. O ano 1500 d.C. seria então o “marco zero” da história brasileira. No entanto
é sabido que essa terra já existia e era habitada por diversos povos - os índios ou
silvícolas. Dinastia de Borgonha

Certamente, estimado leitor, você sabe que os rios, morros, planaltos e planícies já Inicialmente havia quatro reinos na península ibérica: Leão, Castela, Navarra e Aragão. O nobre
estavam aqui, mas ainda não existia o “Brasil” enquanto país. Henrique de Borgonha recebeu do Rei de Leão e Castela, como recompensa por seus serviços de
luta contra os muçulmanos, o Condado Portucalense. Mais tarde seu filho, D. Afonso Henriques,
Dessa forma uma “completa história brasileira” vai além do ano de 1500. São muito conseguiu a independência do condado através da assinatura, em 1143, do Tratado de Zamora,
mais que cinco séculos de História! Pesquisas recentes demonstraram que o homo formando o Reino de Portugal e fundando a primeira dinastia portuguesa.
sapiens sapiens habitava essas terras havia pelo menos dez mil anos. No Piauí, estado
do nordeste brasileiro, pesquisadores tentam provar que, se Cabral chegou em terras Auxiliado por cruzados que se dirigiam para o Oriente, D. Afonso Henriques estendeu os domínios
americanas cinco séculos atrás lá o homem teria chegado há cinqüenta mil anos – ou do Reino de Portugal para o sul, conquistando as localidades de Santarém, Lisboa, Palmela e Évora
seja, quinhentos séculos! aos mouros. A dinastia de Borgonha teve seu fim, quando em 1383, faleceu D. Fernando I, sem
deixar herdeiros.
Verdadeiras ou não, tais suspeitas demonstram que uma "verdadeira" história do
território brasileiro indubitavelmente é anterior à chegada de Cabral no Brasil.

No entanto é somente o período mais “recente” da história brasileira que nos interessa A dinastia de Avis
diretamente tendo em vista os objetivos desse curso. Estudaremos a vida dos povos
indígenas ainda nessa aula, principalmente o contato com os europeus, posto que esse A segunda dinastia portuguesa é a dinastia de Avis. Ela era apoiada pela burguesia mercantil, pois
é um item do conteúdo programático. Todavia é a partir da chegada dos europeus que o último rei da dinastia de Borgonha (D. Fernando I) faleceu sem deixar herdeiro. Para não
nos ocuparemos daqui em diante. perderem sua independência para o reino de Castela, pois a sua filha D. Beatriz, herdeira única do
trono português, era casada com o Rei de Castela, comerciantes portugueses das cidades do Porto
Entender os motivos que os trouxeram ao “Novo Mundo” é fundamental para que e de Lisboa financiaram o Mestre da Ordem Militar de Avis, D. João I, para armar um exército,
possamos entender os fatos posteriores. O programa curricular da avaliação não enfrentar as pretensões de Castela e assumir o trono. A batalha de Aljubarrota em 1385 marca o
aborda diretamente o tema Expansão Marítima e Comercial Européia, mas por questões fim da sucessão do trono português dando início à dinastia de Avis que durou até 1580. A
didáticas ele será o nosso ponto de partida. Como em uma novela é necessário que revolução de 1383-1385 foi um momento decisivo no processo de centralização política do Estado
saibamos o que aconteceu antes para entendermos melhor o que aconteceu depois. Português.

Sobre o assunto leia o texto a seguir. Bons estudos!

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 17


Figura 1: À Descoberta da História e Sob o comando da dinastia de Avis foi Figura 2: Navegações portuguesas.
Geografia de Portugal. elaborada a expansão marítima portuguesa.
Incentivados pelo Infante D. Henrique de
Avis – “ O NAVEGADOR”, grandes sábios,
cartógrafos e navegadores se reuniram na
lendária Escola de Sagres.

A expansão ultramarina européia

Chamamos de expansão marítima o


processo de saída do homem europeu em
busca de riquezas em outros continentes
via Oceano Atlântico, conhecido à época
como Mar Tenebroso. Cabe aqui ressaltar
Fonte:MARIA LUÍSA SANTOS, CLÁUDIA AMARAL,
LÍDIA MAIA, À Descoberta da História e Geografia de que este foi um processo lento, fruto da
Portugal – 5º Ano, Porto: Porto Editora. união de diversos fatores e interesses. A situação piorou depois de 1453, devido à tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos,
dificultando o comércio de especiarias pelo Mar Mediterrâneo.
Portugal foi o primeiro país da Europa a se atirar na aventura atlântica concorrendo para isso
diversos fatores. A solução encontrada foi buscar um novo caminho para se chegar a origem das especiarias: o
Oriente. O problema era como chegar...
Ocupou sempre lugar de destaque na economia lusa a atividade pesqueira, sendo esta a origem da
experiência portuguesa em navegação, mas o projeto expansionista português data do início do
século XV. O comércio foi o grande motor da expansão marítima portuguesa, pois as famosas
especiarias (pimenta, canela, gengibre, noz moscada, etc.), para serem distribuídas para o Norte A Escola de Sagres
da Europa, passavam pelos portos portugueses estimulando o comércio. No entanto, as especiarias
atingiam preços absurdos quando chegavam em Portugal devido à distância dos centros produtores O infante D. Henrique, filho do Rei D. João I, estabeleceu no seu castelo na Ponta de Sagres em
e ao monopólio exercido pelas cidades italianas de Gênova e Veneza na compra dos produtos em Portugal, um centro náutico conhecido como Escola de Sagres, que coletava informações de mapas
Constantinopla. e instrumentos de navegações. Em Sagres, com apoio e a proteção do Infante, reuniam-se
cartógrafos, matemáticos e peritos náuticos. A fundação deste centro de estudos está inserida no
contexto das transformações sociais pelas quais a Europa passava naquele momento, com a
propagação dos ideais humanistas que buscavam explicações racionais e científicas para a
compreensão do mundo, fugindo das teorias religiosas.

18 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


Figura 3: Representação do Infante Dom Figura 4: Astrolábio. Figura 5: Nau de Pedro Álvares Cabral.
Henrique num dos Painéis de São Mantinha-se, no entanto, segredo das
Vicente de Fora. principais descobertas principalmente na
divulgação de mapas, os famosos
portulanos, nome dado aos documentos
nos quais estavam descritos os itinerários
marítimos com distâncias e ilustrações dos
principais portos marítimos e lugares de
atracação.

A centralização do Estado português ainda


no século XIV, a obtenção de informações
técnicas, os interesses da burguesia
mercantil, da Igreja, da nobreza,
principalmente a partir do Infante D.
Henrique, em busca de novas possessões
Fonte: Livro das Armadas (Biblioteca da Academia das Ciências
territoriais, possibilitaram a Portugal, entre Fonte:http://cvc.instituto-camoes.pt
Fonte: Museu Nacional de Arte Antiga Lisboa, de Lisboa).
Portugal. 1415 e 1500, diversas viagens e
descobertas náuticas.
Uma das invenções mais importante foi a caravela com vela triangular que permitiu a navegação
em mar oceânico. A caravela navegava contra o vento e tornava as viagens bem mais rápidas que
Estas ações eram assim motivadas, ao mesmo tempo, pelo espírito de cruzada e cavalaria e por
as antigas embarcações utilizadas no Mediterrâneo.
considerações políticas e econômicas.
A primeira conquista portuguesa foi a cidade de Ceuta (1415), grande entreposto comercial no
norte da África. Em 1420, foram atingidas as Ilhas da Madeira e Açores. Seguindo a política de
contornar a costa africana para poder chegar às Índias (Périplo Africano), o Navegador Gil Eanes,
Novas tecnologias
em 1434, dobra o cabo Bojador. Em 1488, Bartolomeu Dias conseguiu dobrar o cabo das
Tormentas (que passou a ser chamado de cabo da Boa Esperança). Coroando o projeto português,
A Escola de Sagres também foi responsável por aperfeiçoar várias tecnologias na área de
em 1498, Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para as Índias, chegando a Calicute.
navegação como o sextante (peça árabe utilizada na localização de meridianos através de estrelas)
e a bússola (invenção chinesa utilizada pelos árabes para localizar o norte verdadeiro através de
Enquanto a costa ocidental da África era explorada, a navegação no Atlântico era um segredo de
uma agulha magnética).
estado, só quebrado por Colombo que pretendia alcançar o Oriente pelo Ocidente navegando para
a coroa espanhola. Sua teoria teria dado certo se não houvesse em seu caminho um continente
desconhecido pelos europeus: a América. Sua descoberta acirrou as relações entre Portugal e
Espanha como você verá a seguir.

Observe o esquema abaixo sobre as causas da expansão marítima e comercial européia.

Causas econômicas:

- Cobiça de lucros, o comércio Oriente-Ocidente era o mais rentável da Idade Média;

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 19


- Busca de ouro e prata; Figura 6: Mapa de Cantino feito em 1502.

- O interesse em acabar com o monopólio italiano na venda de especiarias;

- Interesses em novas terras a serem descobertas.

Causas políticas:

- A tomada de Constantinopla pelos turcos;

- Atuação da burguesia, que passou a financiar parte das viagens marítimas;

- Formação dos Estados Nacionais absolutos capazes de financiar o empreendimento.

Causas religiosas:

- Levar a fé católica a outros povos;


Fonte: Academia de Ciências de Lisboa.

- Busca do Paraíso Terrestre. O rei de Portugal, D. João II, não ficou satisfeito com a bula papal, pois a linha imaginária passaria
no meio do Atlântico, ameaçando as conquistas portuguesas nas rotas do Atlântico Sul. Em 1494,
Causas tecnológicas:
foi assinado o Tratado de Tordesilhas, que seria o definitivo entre portugueses e espanhóis. Foi
traçado um novo meridiano, agora a 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde, ficando as terras a
- Os grandes progressos náuticos, muitas vezes copiados dos árabes, como: bússola, astrolábio,
caravela, portulanos; leste do mesmo meridiano para Portugal. O novo tratado garantiu a Portugal não apenas as rotas
do Atlântico, como também uma parte da América, onde mais tarde Cabral fundaria o Brasil.
- Mudança de mentalidade européia com o movimento humanista que buscava explicações
racionais para compreensão do mundo.

A Viagem de Cabral

Os Tratados feitos com a Espanha Com o objetivo de fundar feitorias na Índia e de forçar o Marajá de Calicute a aceitar comercializar
com Portugal, o rei D. Manuel I, O Venturoso, preparou uma grande esquadra composta de 13
No ano de 1492, a Espanha iniciou sua expansão marítima. Os reis espanhóis, Fernando II e Isabel caravelas, a mais poderosa das expedições até então organizada. Com artilharia, munições e
I, financiaram o projeto do navegador genovês Cristóvão Colombo, que pretendia chegar às Índias mantimentos a esquadra levava o melhor possível. Transportava 1.500 homens de armas, entre os
navegando para o Ocidente, acreditando que a terra era redonda. Colombo chega à América em quais 20 degredados que deviam ser deixados em terra para aprender a língua. Esta esquadra
outubro de 1492, pensando ter chegado às Índias. estava sob o comando do Fidalgo Pedro Álvares Cabral, embaixador de Portugal perante o Marajá
de Calicute (cidade da Índia). Cabral não era navegador, mas por ser a figura mais importante da
A descoberta da América por Colombo em 1492 abriu uma etapa de negociações entre Portugal e frota, assumiu o comando. Tinha os melhores comandantes de navios na sua esquadra.
Espanha sobre as descobertas, tendo a Igreja o papel de mediadora. O primeiro tratado entre os
dois países foi a Bula “Inter Coetera”, de 1493, na qual o Papa Alexandre VI estabelecia um No dia 09 de março de 1500 a frota partiu do porto do Tejo em direção à Índia, contornando a
meridiano de 100 léguas a Oeste do arquipélago de Cabo Verde, concedendo à Espanha todas as costa africana, como era o projeto português, mas a viagem tinha objetivos secretos, e se afastou
possessões a Oeste deste meridiano cabendo à Portugal tudo a Leste. Portanto os resultados da muito da costa africana. No dia 21 de Abril de 1500 foram avistados os primeiros sinais da terra. A
primeira expedição de Colombo iniciaram uma disputa pela partilha do mundo. 22 de abril: terra firme. Era a costa, atualmente do sul da Bahia. O primeiro ponto percebido foi um

20 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


monte, chamado de monte Pascoal, por estarem próximos da Páscoa. Aproximando-se da terra, - Posição geográfica estratégica (Península Ibérica – Sudeste europeu);
Cabral entrou em contato pacífico com os indígenas. No dia 26, foi rezada a primeira missa, na
localidade chamada Coroa Vermelha por frei Henrique de Coimbra, franciscano; o escrivão Pero Vaz - Portugal foi o primeiro Estado Nacional Moderno (centralização do poder);
de Caminha escreveu notícia do descobrimento para que o navegador Gaspar de Lemos a levasse a
Portugal e noticiasse o Rei e a Europa das novas possessões portuguesas. O Brasil teve vários - Presença de uma forte burguesia;
nomes além de Pindorama como os índios a chamavam, foi batizada pelos portugueses como Ilha
- A Espanha estava preocupada em expulsar os árabes de seu território;
de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e Brasil.
- Existência de escolas de navegação;
Figura 7: Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira
da Silva, 1904.
- O rei e a burguesia mercantil de Portugal uniram-se com o objetivo de expandir o
comércio marítimo.

- Tradição Naval.

As consequências da expansão marítima

As grandes navegações representaram um dos mais significativos acontecimentos da Idade


Moderna. Entre as principais transformações trazidas por este processo podemos citar: a mudança
do eixo econômico europeu do Mar Mediterrâneo para os Oceanos Atlântico e Índico; decadência
Fonte: Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
econômica das cidades italianas; duas novas potências ascenderam, Portugal e Espanha;
europeização do mundo.
O local chamado por Cabral como um porto seguro é hoje identificado como Baía Cabrália, ao sul
da Bahia. Não se conhecem as cartas de Cabral e as dos demais comandantes. As únicas que nos
As outras consequências da expansão marítima foram: a comprovação da esfericidade da terra; a
restam são a de Pero Vaz de Caminha e a do Astrônomo Mestre João.
ampliação do mundo conhecido com a descoberta de novos continentes; alta de preços na Europa;
o fortalecimento da burguesia; o reestabelecimento do escravismo; a formação de impérios
A questão da intencionalidade do descobrimento
coloniais; propagação da fé católica para América, África e Ásia; comércio de proporções mundiais
que agora uniam diversos continentes; dizimação de civilizações americanas e da cultura indígena
Muitos historiadores admitem que houvesse intencionalidade no descobrimento, isto é, julgam que
presente na América.
os portugueses já sabiam ou suspeitavam da existência de terras ao Oeste do Atlântico Sul. Entre
os argumentos podemos citar os seguintes:
A consequência principal para Portugal foi que, como um reino pequeno, se deparou com enormes
extensões territoriais para conquistar, não tendo de imediato a força para poder dominá-lo inteiro.
- A carta de Pero Vaz de Caminha não demonstra surpresa com a nova descoberta.

- D. João II não aceitou a primeira demarcação estabelecida pelo papa Alexandre VI,
através da Bula Inter Coetera.
Brasil pré-colonial (1500 – 1530)

- Mestre João, físico e cirurgião do rei de Portugal, alemão de nascimento, era dos mais
O processo de colonização do Brasil surgiu dentro da lógica comercial da Europa de então. A
categorizados astrônomos da época. Muito entendido na arte de determinar a longitude
expansão marítima modificou o mundo. O comércio, na Europa, teve grande impulso, devido às
de leste a oeste, não haveria ele, sendo um dos componentes da esquadra cabralina,
encarregado de corrigir com presteza a rota do Cabo da Boa Esperança a Calicute?

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 21


especiarias vinda da Ásia e também à infinidade de produtos que chegavam da África como ouro e aos padrões tradicionais da vida indígena. Os índios forneciam a
marfim. madeira e, em menor escala, farinha de mandioca, trocadas por peças
de tecido, facas, canivetes e quinquilharias, objetos de pouco valor
No Brasil, de imediato, os portugueses não encontraram coisa alguma que fosse objeto de para os portugueses.
comercialização, exceção feita ao pau-brasil, madeira utilizada para tingir roupas. Por isso o
comércio com as Índias era, sem dúvida, mais rentável aos cofres portugueses. Além disso, FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.
Portugal não dispunha de pessoal, dinheiro e navios suficientes para manter duas linhas de
comércio ao mesmo tempo, com o Oriente e com o Brasil. Devido a isso, até 1530, Portugal não se
interessou muito pelo Brasil. Os habitantes do Brasil antes de Cabral

Figura 8: Jean de Lery. Século XVI. O primeiro reconhecimento da terra foi feito
No Brasil foram encontrados muitos sítios arqueológicos (conjuntos de vestígios encontrados em
pelo próprio navio encarregado de levar as
uma determinada região) e seu estudo tem contribuído muito para elucidar o modo de vida dos
cartas narrando o descobrimento ao Rei D.
povos que aqui viveram nos primeiros tempos.
Manuel I, sob o comando de Gaspar de
Lemos. Verificou não se tratar de uma Os sítios arqueológicos encontrados no litoral brasileiro são conhecidos como sambaquis, ou seja,
simples ilha, como dissera Cabral, mas um montes de conchas e esqueletos de peixes associados e artefatos de pedra que atingem de 2 a 30
grande continente. metros de altura, resultantes das sucessivas ocupações de comunidades que se alimentavam de
animais marinhos, deixando os restos dos alimentos (cascas de moluscos e esqueletos de peixes)
Para que fossem obtidas maiores na própria área de habitação. Alguns sambaquis datam de 10 mil anos atrás.
informações a respeito da terra descoberta,
foram enviadas algumas expedições. Em São comuns também as pinturas rupestres, encontradas nas paredes rochosas das cavernas, em
1503, o governo português arrendou os lajes de pedras e em fragmentos de rochas. Trata-se de desenhos de figuras humanas e de
direitos de exploração do pau-brasil e um animais, cenas de caça e pesca. No Brasil, já foram catalogados mais de 220 abrigos usados por
grupo de comerciantes liderados por esses grupos pré-históricos, com cerca de 9 mil figuras pintadas. As mais famosas estão em
Fernando de Noronha. O arrendatário cavernas de Minas Gerais e do Piauí.
comprometia-se a pagar imposto ao
Jaen de Lery. Século XVI. governo português pela extração do pau- Ao chegar ao novo mundo os portugueses se depararam com habitantes que eles identificaram
brasil, que era considerado estanco do rei como gentio. Eram índios, em sua maioria do grupo étnico Tupi-guarani. Inicialmente tiveram
contato com duas grandes macro-famílias, os Tupinambás e os Tupiniquins, que viviam em
constante luta entre si e praticavam a antropofagia ritual.
de Portugal, ou seja, patrimônio real. Para a extração do pau-brasil, foi montado ao longo do litoral
algumas feitorias, depósitos destinados a armazenar pau-brasil. Os outros grupos indígenas brasileiros além do tupi eram: Jê, Aruaque e Caraíba. Estes por sua vez
se subdividiam em diversas outras famílias de línguas.
Nesses anos iniciais, entre 1500 e 1535, a principal atividade
econômica foi a extração do pau-brasil, obtida principalmente O grupo tupi ocupava a área referente ao litoral brasileiro, desde o Ceará até São Paulo. Desta
mediante troca com os índios. As árvores não cresciam juntas, em região até o Rio Grande do Sul, os Guaranis dominavam. O grupo Jê ocupava a região do Sertão se
grandes áreas, mas encontravam-se dispersas. À medida que a estendendo desde o Maranhão e Piauí até o Mato Grosso. Os Aruaques e Caraíbas ocupavam a
madeira foi se esgotando no litoral, os europeus passaram a recorrer região norte que inclui o Amapá, Pará e perto do Amazonas.
aos índios para obtê-la. O trabalho coletivo, especialmente a
derrubada de árvores, era uma tarefa comum na sociedade tupinambá.
Assim, o corte do pau-brasil podia integrar-se com relativa facilidade

22 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


Figura 9: “Família de um chefe Camacã se preparando para festa” portugueses com o Oriente sofreu uma baixa devido à concorrência de outras nações que
chegavam às Índias para comercializar. Logo, a coroa portuguesa associada à burguesia mercantil,
iniciou pioneiramente entre os Estados modernos, uma nova forma de exploração econômica das
terras americanas, que não se assemelhava ao simples escambo nem se baseava na extração
predatória de metais preciosos.

A primeira expedição colonizadora foi comandada por Martim Afonso de Souza, que chegou em
1530 e trazia cerca de quatrocentas pessoas, entre elas trabalhadores, padres e soldados. Martim
Afonso de Souza veio de Portugal com a missão de expulsar os estrangeiros que contrabandeavam
pau-brasil, de procurar ouro e de iniciar a colonização. Tem início o povoamento português em
terras brasileiras.

Em 1532 foi fundada a Vila de São Vicente, primeiro núcleo de povoamento do Brasil. Lá se fixaram
quatrocentos colonos, que se dedicaram ao plantio da cana. E lá surgiu o primeiro engenho
produtor de açúcar.

A colonização do Brasil estava, como não poderia ser, dentro do sistema mercantilista mundial.
Nossa economia, graças ao Pacto Colonial, era transformada em uma economia periférica, cuja
função, era gerar riquezas para a metrópole.

Chamamos de mercantilismo o conjunto de práticas econômicas que vigorou entre as potências


européias entre os séculos XV e XVIII, baseado na direta intervenção do Estado na economia, e
por Jean-Baptiste Debret. cuja finalidade principal era enriquecer estes Estados. Podemos ainda acrescentar: política de
incentivo ao crescimento populacional, incentivo à construção naval e os monopólios.
Os índios brasileiros praticavam a caça, a pesca, a coleta de alimentos das matas e a agricultura,
sendo os principais produtos a mandioca, milho, amendoim e feijão, seu método agrícola baseava- O mercantilismo tem um conjunto de ideias que formam o corpo de sua doutrina. São elas:
se na coivara, cujo princípio básico era a queimada realizada após as colheitas. Este método levava
ao cansaço do solo e obrigava as aldeias a se deslocarem em busca de melhores regiões que os Balança comercial favorável: Maior exportação e menor importação.
alimentasse. Por isso, afirmamos que a maioria dos índios brasileiros eram seminômades. Neste
percurso, eram comuns os choques e guerras com outras tribos na disputa pelo território. Metalismo: Quantidade de metais preciosos que possui, o torna mais rico.

- O termo índio nasceu de um engano histórico: ao desembarcar na América, o navegador Protecionismo: Ideia da balança comercial favorável, garante o mercado interno às indústrias
Cristóvão Colombo chamou seus habitantes de índios, pois pensava ter chegado às nacionais.
Índias.
Industrialismo: Satisfação do mercado interno e fornecer manufaturados aos consumidores.
- Outras designações para o habitante da América pré-colombiana: aborígenes,
ameríndio, autóctone, brasilíndio, gentio, íncola, “negro da terra”, nativo, bugre, silvícola, Colonialismo: Procura de produtos e mão-de-obra, desenvolvimento do comércio mundial.
etc... (Revolução Comercial).

Como vimos anteriormente, a partir de 1530, surgiu um verdadeiro dilema para a coroa Existiram vários tipos de Mercantilismos, mas, basicamente, eles estavam ligados às riquezas que
portuguesa: ou ocupava as terras brasileiras ou as perdia para os franceses que constantemente cada nação poderia extrair de suas colônias. A saber:
vinham ao nosso litoral em busca de pau-brasil. Também devemos mencionar que o comércio dos

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 23


Espanha: seu tipo de Mercantilismo foi chamado de Bulionista ou Metalista, ou seja, seu propósito EXERCÍCIOS
era acumular metais preciosos, isto se explica, pois teve contato precocemente com tribos que
conheciam o ouro e a metalurgia na América. 01. (Puccamp)

Portugal: em princípio Portugal adotou o comercialismo, ou seja, valorização das trocas comerciais, Erro de português
mas a partir do século XVIII, com a descoberta de ouro no Brasil se tornou metalista.
Quando o português chegou
França: desenvolveu o Industrialismo ou Colbertismo devido ao seu ministro Colbert, que optou Debaixo duma bruta chuva
pelo desenvolvimento das manufaturas têxteis com amplo incentivo do governo. Vestiu o índio
Que pena!
Holanda: seu Mercantilismo baseava-se na sua ampla frota naval, sendo responsáveis pela maioria
Fosse uma manhã de sol
dos fretes marítimos. Também buscou a implementação das Cias. privilegiadas de Comércio. É
O índio tinha despido
importante lembrar que na Holanda estavam concentrados os maiores bancos da Europa.
O português
Pacto colonial era, na verdade, a forma com que as metrópoles dominavam suas colônias. As
colônias só poderiam fazer comércio com a metrópole. A colônia fornecia produtos tropicais e (Oswald de Andrade. "Poesias reunidas". 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972)
matéria-prima para a metrópole e esta vendia manufaturas à colônia.
Sobre o contexto histórico em que se insere o fenômeno que os versos identificam é correto
afirmar que:

A estrutura político-administrativa: a expedição de 1530 de Martim Afonso de Souza. (A) a descoberta de metais preciosos favoreceu o estabelecimento das primeiras relações
econômicas entre portugueses e indígenas.
Organizada por D. João III, o Colonizador, a expedição era constituída de cinco navios. Era (B) a agressividade demonstrada pelos nativos despertou o interesse metropolitano pela
comandada por Martim Afonso de Souza, que recebeu ordens de explorar o litoral desde o ocupação efetiva das novas terras.
Maranhão até o rio da Prata, dar combate aos franceses, estabelecendo núcleos de povoação. (C) a conquista da América pelos portugueses contribuiu para o crescimento demográfico da
população indígena no Brasil.
Logo que chegou ao Brasil aprisionou três naus francesas, que regularmente frequentavam o nosso
(D) no chamado período pré-colonial, o plantio e a exploração do pau-brasil incentivaram o
atual litoral, também explorando o pau-brasil, inclusive um dos fatores para o início da ocupação
tráfico africano.
destas terras, estava ligado ao receio de Portugal perder suas terras para outros países europeus.
(E) apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o interesse da
monarquia estava voltado para o Oriente.
Nessa expedição foi fundada a primeira vila brasileira, São Vicente, em 22 de janeiro de 1532, com
a ajuda de João Ramalho e também a segunda vila do Brasil: Santo André da Borda do Campo.
Foram trazidas as primeiras mudas de cana-de-açúcar, as primeiras cabeças de gado e foi
02. (Fuvest) Foram características dominantes da colonização portuguesa na América:
construído o primeiro engenho no Brasil.

(A) pequenas unidades de produção diversificada, comércio livre e trabalho compulsório.


(B) grandes unidades produtivas de exportação, monopólio do comércio e escravidão.
(C) pacto colonial, exploração de minérios e trabalho livre.
(D) latifúndio, produção monocultora e trabalho assalariado de indígenas.
(E) exportação de matérias-primas, minifúndio e servidão.

24 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


03. (Fatec) Durante o Período Colonial brasileiro, a mão-de-obra do negro africano substituiu, 06. (Ufmg) Leia o texto.
progressivamente, a indígena. Isso se deveu:
"A língua de que [os índios] usam, toda pela costa, é uma: ainda que em certos vocábulos difere
(A) ao fato dos portugueses já utilizarem, há muito, o trabalho escravo negro no sul de em algumas partes; mas não de maneira que se deixem de entender. (...) Carece de três letras,
Portugal e nas ilhas do Atlântico. convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem
(B) à inabilidade do indígena para o trabalho agrícola e sedentário. Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem desordenadamente (...)."
(C) à reduzida e dispersa população pré-colombiana comparada com a grande oferta de mão-
de-obra negra africana. (GÂNDAVO, Pero de Magalhães. HISTÓRIA DE PROVÍNCIA DE SANTA CRUZ. 1576)
(D) ao fato dos negros africanos já aceitarem passivamente o trabalho na lavoura e na
mineração do Brasil. A partir do texto, pode-se afirmar que todas as alternativas expressam a relação dos portugueses
(E) aos interesses dos traficantes negreiros e de Portugal neste ramo de comércio colonial, com a cultura indígena, EXCETO:
altamente lucrativo.
(A) A busca da compreensão da cultura indígena era uma preocupação do colonizador.
(B) A desorganização social dos indígenas se refletia no idioma.
04. (Faap) A colonização portuguesa no Brasil é caracterizada por uma ampla empresa mercantil. É (C) A diferença cultural entre nativos e colonos era atribuída à inferioridade do indígena.
o próprio Estado metropolitano que, em conjugação com as novas forças sociais produtoras, ou (D) A língua dos nativos era caracterizada pela limitação vocabular.
seja, a burguesia comercial, assume o caráter da colonização das terras brasileiras. A partir daí (E) Os signos e símbolos dos nativos da costa marítima eram homogêneos.
os dois elementos - Estado e burguesia - passam a ser os agenciadores coloniais e, assim, a
política definida com relação à colonização é efetivada através de alguns elementos básicos que
se seguem: dentre eles apenas um não corresponde ao exposto no texto; assinale-o. 07. Sobre o Período Colonial brasileiro, pode-se considerar INCORRETA apenas uma das afirmações
a seguir:
(A) a preocupação básica será a de resguardar a área do Império Colonial face às demais
potências européias. (A) não apresentou movimentos sociais contestadores da dominação metropolitana;
(B) o caráter político da administração se fará a partir da Metrópole e a preocupação fiscal (B) o século XVI foi marcado pelo início da administração portuguesa e pela implantação da
dominará todo o mecanismo administrativo. rentável agroindústria açucareira;
(C) o vértice definidor, reside no monopólio comercial. (C) apesar do domínio português, nosso território chegou a ser ocupado parcialmente por
(D) a função histórica das Colônias será proeminente no sentido de acelerar a acumulação do franceses e holandeses;
capital comercial pela burguesia mercantil européia. (D) a vinda da família Real portuguesa para o Brasil desencadeou um processo de
(E) a produção gerada dentro das Colônias estimula o seu desenvolvimento e atende às transformação desde a quebra do pacto colonial em 1808 até a Independência em 1822;
necessidades de seu mercado interno. (E) a expansão territorial rompeu os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas e, em
1750, o Brasil praticamente já tinha a atual configuração geográfica, reconhecida pelo
Tratado de Madri.
05. (Faap) No processo de colonização dos trópicos americanos, as relações entre as colônias e as
metrópoles foram definidas pelo regime:
08. (Fuvest) No período colonial o Brasil, exemplo típico de colônia de exploração, apresentava as
(A) de livre comércio. seguintes características:
(B) de oligopólio.
(C) de monopólio. (A) grande propriedade, policultura, produção comercializada com outras colônias e mão-de-
(D) liberal. obra livre.
(E) de livre iniciativa. (B) pequena propriedade, cultura de subsistência, produção para o consumo interno e
trabalho livre.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 25


(C) colonato, produção manufatureira comercialização com a Metrópole e mão-de-obra (E) a junção da autoridade temporal com a espiritual através da criação do Império da
compulsória. Cristandade.
(D) latifúndio, cultura de subsistência, produção destinada ao mercado interno e mão-de-obra
imigrante.
11. (Cesgranrio) "A História do Brasil nos três primeiros séculos está intimamente ligada à da
(E) grande propriedade, monocultura, produção para o mercado externo e mão-de-obra
expansão comercial e colonial européia na época moderna".
escrava.
(NOVAES, Fernando, A. "O BRASIL NOS QUADROS DO ANTIGO SISTEMA COLONIAL" in Brasil Perspectiva. Difil. S.Paulo,
1980, p.47)
09. (Cesgranrio) Sobre o Pacto Colonial que, na época mercantilista, definiu o relacionamento entre
Metrópole e Colônia e determinou a forma de organização da sociedade colonial, assinale a
afirmativa INCORRETA: Considerando-se a opinião do autor, podemos dizer que, durante o período colonial:

(A) "a metrópole, por isso que é mãe, deve prestar às colônias suas filhas todos os bons (A) Portugal foi o artífice único do desenvolvimento do Brasil.
ofícios e socorros necessários para a defesa e segurança das suas vidas e dos seus bens, (B) houve uma autonomia do Brasil em relação ao quadro de competição entre as várias
mantendo-se em uma sossegada posse e fruição dessas mesmas vidas e desses bens". potências.
(B) "é, pois necessário que os interesses da Metrópole sejam ligados com os das colônias, e (C) o comércio interno foi a mola maior do desenvolvimento de nosso país.
que estas sejam tratadas sem rivalidade. Quanto os vassalos são mais ricos, tanto o (D) a organização da vida econômica e social do Brasil se vinculou ao quadro geral europeu.
soberano é muito mais". (E) houve uma relativa dependência da estrutura do Brasil Colonial à conjuntura européia
(C) "esta impossibilidade de subsistir qualquer indivíduo sem alheios socorros, ou Lei moderna.
Universal que liga os homens entre si, tem a política nas colônias para maior utilidade e
dependência em que devem estar da Metrópole". 12. (Mackenzie) "Contudo tornava-se cada dia mais claro que se perderiam as terras americanas a
(D) "para viverem em igualdade e abundância... que todos ficariam ricos, tirados da miséria menos que fosse realizado um esforço de monta para ocupá-las permanentemente. Este
em que se achavam, extinta a diferença da cor branca, preta e parda, porque uns e esforço significava desviar recursos de empresas muito mais produtivas do oriente".
outros seriam sem diferença chamados e admitidos a todos os ministérios e cargos".
(E) "numa palavra, quanto os interesses e as utilidades da pátria-mãe se enlaçarem mais com (Celso Furtado)
os das colônias suas filhas, tanto ela será mais rica e quanto ela dever mais às colônias,
tanto ela será mais feliz e viverá mais segura". Para garantir sua presença em terras americanas e contornar os gastos elevados de uma
colonização, o governo português introduziu:

10. (Cesgranrio) Com a expansão marítima dos séculos XV/XVI, os países ibéricos desenvolveram a
(A) o sistema de capitanias, que transferia a particulares, em troca de privilégios e terras, as
ideia de "império ultramarino" significando:
despesas da colonização.
(B) a centralização administrativa através do governo geral.
(A) a ocupação de pontos estratégicos e o domínio das rotas marítimas, a fim de assegurar a
(C) a emigração maciça de mão-de-obra livre para a colônia, tendo em vista seu povoamento
acumulação do capital mercantil;
e desenvolvimento interno.
(B) o estabelecimento das regras que definem o Sistema Colonial nas relações entre as
(D) a criação de um sistema administrativo, totalmente original, baseado em feitorias que
metrópoles e as demais áreas do "império" para estabelecer as ideias de liberdade
incrementaram o povoamento.
comercial;
(E) o enfrentamento militar com as potências invasoras e a perda de consideráveis áreas
(C) a integração econômica entre várias partes de cada "império" através do comércio
coloniais.
intercolonial e da livre circulação dos indivíduos;
(D) a projeção da autoridade soberana e centralizadora das respectivas coroas e sobre tudo e
todos situados no interior desse "império";

26 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


13. (Unirio) A descoberta do Brasil não alterou os rumos da expansão portuguesa voltada 16. (Mackenzie) "Pedro Álvares Cabral morreu na obscuridade por volta de 1520, sem nunca ter
prioritariamente para o Oriente, o que explica as características dos primeiros anos da retornado à corte e virtualmente sem saber que revelara ao mundo um território que era quase
colonização brasileira, entre as quais se inclui o(a): um continente. Em 1521, morria também o rei D. Manuel I, o monarca que jamais se
interessou pela terra descoberta por Cabral".
(A) caráter militar da ocupação, visando à defesa das rotas atlânticas.
(B) escambo com os indígenas, garantindo o baixo custo da exploração. (Eduardo Bueno - "A viagem do descobrimento")
(C) abertura das atividades extrativas da colônia a comerciantes das outras potências
européias. O desinteresse de Portugal pelo Brasil na época do descobrimento explica-se:
(D) migração imediata de expressivos contingentes de europeus e africanos para a ocupação
do território. (A) pela reduzida repercussão da descoberta entre as potências marítimas européias.
(E) exploração sistemática do interior do continente em busca de metais preciosos. (B) pelo fato dos interesses do Estado Português e da burguesia mercantil estarem voltados
para as riquezas do oriente.
(C) pela lógica da economia mercantilista, que valorizava acima de tudo a produção em
14. (Unirio) O início da colonização portuguesa no Brasil, no chamado período "pré-colonial" (1500 detrimento do comércio.
-1530), foi marcado pelo(a): (D) por estas terras pertencerem à Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas.
(E) pelas enormes dificuldades de transportar com segurança os excedentes de produção dos
(A) envio de expedições exploratórias do litoral e pelo escambo do pau-brasil. índios brasileiros.
(B) plantio e exploração do pau-brasil, associado ao tráfico africano.
(C) deslocamento, para a América, da estrutura administrativa e militar já experimentada no
Oriente. 17. As características dos primeiros núcleos de ocupação no Brasil, dos quais emergiram os
(D) fixação de grupos missionários de várias Ordens Religiosas para catequizar os indígenas. mencionados grupos sociais nascentes, revelam o tipo de colonização empreendida por
(E) implantação da lavoura canavieira, apoiada em capitais holandeses. Portugal e predominante na América Latina, denominado pela historiografia de:

(A) colonização estatal.


15. (Ufmg) "A cidade que os portugueses construíram na América não é produto mental, não chega (B) colonialismo religioso.
a contradizer o quadro da natureza, e sua silhueta se enlaça na linha da paisagem. Nenhum (C) colonização de exploração.
rigor, nenhum método, nenhuma providência, sempre esse significativo abandono que exprime (D) neocolonialismo.
a palavra desleixo." (E) colonização de povoamento.

(HOLANDA, Sérgio Buarque de. "O Semeador e o Ladrilhador". In: RAÍZES DO BRASIL. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1956.) 18. (Ufes) A organização da agromanufatura açucareira no Brasil Colônia está ligada ao sentido
geral da colonização portuguesa, cuja dinâmica estava baseada na:
A urbanização no Brasil colonial até o século XVII é vista como sendo provisória e acanhada. Um
dos motivos pelos quais Portugal deixou em segundo plano a questão da urbanização foi: (A) pesada carga de taxas e impostos sobre o trabalho livre, com o objetivo de isentar de
tributos o trabalho escravo.
(A) a inutilidade dos centros urbanos já que na colônia a administração ficava a cargo dos (B) unidade produtiva voltada para a mobilidade mercantil interna, ampliada pelo
Donatários. desenvolvimento de atividades artesanais, industriais e comerciais.
(B) as dificuldades para contratar técnicos especializados que pudessem organizar as cidades. (C) estrutura de produção, que objetivava a urbanização e a criação de maior espaço para os
(C) as lutas com os espanhóis para a manutenção das terras coloniais que impediram o homens livres da colônia.
desenvolvimento da colônia do Brasil. (D) pequena empresa, que procurava viabilizar a produção açucareira apenas para o mercado
(D) O predomínio da vida rural, nos engenhos e nas fazendas de criação, o que diminuiu a interno.
importância das cidades.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.0 – A Expansão Marítima 27


(E) propriedade latifundiária escravista, para atender aos interesses da Metrópole Portuguesa EXERCÍCIOS DE PROVA
de garantir a produção de açúcar em larga escala para o comércio externo.

01. (EsFCEx - 2001) Sobre os fatos determinantes que levaram Portugal a se tornar uma grande
19. (Ufpe) Na opinião do historiador Caio Prado Jr., todo povo tem na sua evolução, vista a potência colonial e descobrir o Brasil no final do século XV, analise as afirmativas abaixo:
distância, um certo sentido. Este se percebe, não nos pormenores de sua história, mas no
conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais... I. Portugal se transformou num país marítimo voltando-se para o oceano no alvorecer do
século.
Assinale a alternativa que corresponde ao "sentido" da colonização portuguesa no Brasil. II. A Espanha serviu de exemplo para Portugal porque precedeu os portugueses no início da
expansão marítima.
(A) A colonização se estabeleceu dentro dos padrões de povoamento e expansão religiosa. III. comércio europeu continental se caracterizou por ter se desenvolvido de forma quase
(B) A colonização foi um fato isolado, portanto, uma aventura que não teve continuidade. unicamente marítima até o século XIV.
(C) A colonização foi o resultado da expansão marítima dos países da Europa e, desde o IV. As demais nações européias só investiram na corrida colonial após o século XVII.
início, constituiu-se numa sociedade de europeus sem nenhuma miscigenação.
(D) A colonização se realizou no "sentido" de uma vasta empresa comercial para fornecer ao Com base na análise, assinale a alternativa correta:
mercado internacional açúcar, tabaco, ouro, diamantes, algodão e outros produtos.
(E) A colonização portuguesa teve, desde cedo, o objetivo de criar um mercado nacional no (A) Somente I está correta.
Brasil. (B) Somente II e IV estão corretas.
(C) Somente III e IV estão corretas.
20. (Cesgranrio) A política colonizadora portuguesa, voltada para a obtenção de lucros do (D) Somente I, II e III estão corretas.
monopólio na esfera mercantil, tinha como principal área de produção: (E) Todas estão corretas.

(A) a implantação da grande lavoura tropical, de base escravista e latifundiária caracterizada 02. (EsFCEx - 2002) Examinando-se a situação européia à época das grandes navegações e dos
pela diversidade de produtos cultivados e presença de minifúndios e latifúndios; grandes descobrimentos, pode-se corretamente afirmar que:
(B) o "exclusivo colonial", que subordinava os interesses da produção agrícola aos objetivos
mercantis da Coroa e dos grandes comerciantes metropolitanos; (A) acima dos Pirineus estavam os países responsáveis pelo início das Grandes Navegações.
(C) a agricultura de subsistência, baseada em pequenas e médias propriedades, utilizando (B) os Países Balcânicos viviam fechados na Europa.
mão-de-obra indígena; (C) a Inglaterra vivia ensimesmada na sua ilha.
(D) a integração agropastoril, destinada ao abastecimento do mercado interno colonial, (D) a Rússia não se comunicava com outros mundos fora da Europa.
sobretudo ao do metropolitano; (E) a Espanha e Portugal eram pontos de contato para a Europa.
(E) a criação de Companhias Cooperativas envolvidas com a produção de tecidos e demais
gêneros ligados ao consumo caseiro.

03. (EsFCEx - 2003) Dentre as causas que determinaram o surto expansionista europeu que levou
aos grandes descobrimentos encontramos o (a):

(A) renascimento do comércio de escravos.


(B) ausência da atividade pesqueira em Portugal.
(C) Marrocos como grande produtor de ouro e prata.
(D) desestímulo papal aos empreendimentos portugueses
(E) ausência de laços históricos com o imperialismo europeu medieval.

28 Tópico 1.0 – A Expansão Marítima | Curso Preparatório Cidade


04. (EsFCEx - 2005) Sobre as questões que motivaram o empreendimento marítimo dos
portugueses, não é correto afirmar que:

(A) o papel pioneiro de Portugal na expansão ultramarina está relacionado com a


intensificação da rota marítima comercial que contornava o continente europeu pelo
estreito de Gibraltar para chegar até o Mar do Norte.
(B) o projeto econômico da Coroa lusitana de navegar em direção à Ásia contou com os
recursos financeiros da nobreza tradicional e da burguesia, ambas unidas por uma aliança
matrimonial para a consolidação precoce do Estado português.
(C) a expansão marítima dos países da Europa deriva-se do desenvolvimento do comércio
continental europeu e de um novo sistema de relações internas que integrava o Mar
Mediterrâneo ao Mar do Norte, especialmente a partir da revolução da arte de navegar.
(D) os portugueses, buscando se livrar da concorrência no continente europeu e contando
com suas vantagens geográficas empregaram seus esforços no comércio com a costa
Ocidental da África.
(E) a riqueza das repúblicas italianas e dos mouros, originada do comércio com as Índias,
levou Portugal a desenhar um plano de navegação para atingir o Oriente contornando a
África.

05. (EsFCEx - 2006) No século XV, Portugal e Espanha deram início à expansão marítima européia,
da qual resultaram grandes impérios coloniais, a exemplo do Brasil. As afirmativas abaixo dizem
respeito às várias explicações acerca do expansionismo e dos descobrimentos portugueses dos
séculos XV e XVI. Analise-as e, a seguir, assinale a alternativa correta.

I. A busca por rotas comerciais alternativas na tentativa de escapar das altas taxas cobradas
pelos turco otomanos, a partir do domínio estabelecido por eles no Mediterrâneo oriental
em 1453.
II. O desenvolvimento de instrumental tecnológico para navegação, a partir de estudos
realizados por cartógrafos, astrônomos, matemáticos e navegadores na Escola de Sagres.
III. A aliança entre portugueses, venezianos e genoveses para fortalecer o monopólio que
mantinham sobre o Mediterrâneo, visando anular os prejuízos causados pela invasão árabe
na península Ibérica ocorrida naquele período.
IV. As aspirações da burguesia mercantil que havia consolidado a sua relação com a Coroa
durante a Revolução de Avis, entre 1383 e 1385, quando as forças de Castela foram
expulsas de Portugal e Dom João I assumiu o trono.

(A) Somente a I está correta.


(B) Somente a I e a III estão corretas.
(C) Somente a I, a II e a IV estão corretas.
(D) Somente a I, a III e a IV estão corretas.
(E) Somente a II e a IV estão corretas.

Curso Preparatório Cidade | 29


Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais A “descoberta” teria sido intencional ou não? Isso é uma outra história...

O fato é que o Brasil não interessou muito aos portugueses no primeiro momento, logo
Comentário após a chegada de Cabral.

No início do século XVI era no Oriente - terra das caras especiarias - onde se
Caro estudante! No tópico anterior vimos o que foi a expansão marítima e comercial encontravam as maiores possibilidades de lucro. A longa e penosa viagem de Vasco da
européia bem como as causas do pioneirismo português. Gama proporcionara um lucro de aproximadamente 2000%. Dessa forma o Brasil,
entre os anos 1500 e 1530, serviria basicamente como um entreposto de passagem.
Na passagem do século XV para o XVI as nações ibéricas lideraram a corrida colonial. Metais preciosos não foram encontrados e nada, nem um atrativo comercial, justificava
Portugal, depois Espanha, uniram o mundo de forma nunca imaginada anteriormente. o difícil esforço colonizatório naquele momento. O Brasil ficou em “segundo plano”. Era
O império português abarcou áreas distantes do globo terrestre. Prova disso é que o Oriente que interessava aos portugueses naquela conjuntura. Por isso os anos iniciais
atualmente o idioma português é falado em todos os continentes. No Japão, por da história do Brasil são classificados como período Pré-Colonial (1500-1530). Não
exemplo, o século XVI é conhecido como o “Século Cristão”. Oceania, África, América e houve efetiva colonização nesse período. Basicamente a exploração de uma madeira de
Ásia foram visitadas e exploradas pelos portugueses. tinta avermelhada era o que acontecia por essas paragens.

Num primeiro momento, ao se depararem com uma nova terra, os portugueses não Somente a partir de 1530, com a instalação do sistema das Capitanias Hereditárias, é
colonizavam, antes optavam pela instalação de feitorias, bases militares e postos que os portugueses decidiram iniciar a colonização do Brasil. Novos fatos se
comerciais ao mesmo tempo. Essa estratégia foi utilizada em vários locais, inclusive no sucederam. A mudança é a única lei da História.
Brasil. Era uma forma tateante de colonização e garantia, ainda que de forma
superficial, o domínio do território recém descoberto. Portugal sempre teve problemas Quais fatos ocorreram e mudaram a postura dos portugueses diante do Brasil? Por que,
com o tamanho reduzido de sua população e a tarefa colonizatória exigia um esforço somente depois de três décadas, eles decidiram iniciar a colonização? Trataremos
muito significativo. dessas e outras questões relativas ao período nesse tópico.

Colonizar é habitar! Boa leitura!

Isso não era tarefa fácil para um país pequeno e de população reduzida diante da
vastidão das terras "descobertas".
AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
Vasco da Gama foi quem atingiu e completou a rota para o Oriente contornando a
África. O Oriente era a fonte das cobiçadas e desejadas especiarias. Alguns chegaram a Portugal percebeu que não conseguiria por muito tempo manter o território que havia tomado
imaginar que ele não conseguiria voltar e já estaria morto. A viagem estava demorando posse nas terras americanas, enviando apenas expedições, pois a colônia era bastante extensa e a
demais. Contrariando expectativas Vasco da Gama voltou e trouxera consigo boas presença de navios estrangeiros no que hoje é o litoral brasileiro era muito comum. Além disso,
notícias. O projeto português, iniciado em 1415 estava finalizado. O caminho marítimo havia falta de recursos do Estado português para colonizar o Brasil e um grande interesse na
para o Oriente estava descoberto. manutenção do lucrativo comércio com o Oriente. O Reino Português vai optar pela divisão da
colônia em grandes faixas de terras que seriam doadas a nobres, fidalgos e mercadores, para que
A possibilidade de novos ganhos animara os portugueses. Imediatamente, D. Manuel, esses realizassem a colonização no Brasil. Assim a colônia foi dividida em grandes lotes de terras,
rei de Portugal em 1500, decidiu enviar uma nova expedição com destino às Índias. as Capitanias Hereditárias. Algumas capitanias e seus donatários:
Chefiada por Pedro Álvares Cabral o objetivo principal consistia em estabelecer um
entreposto comercial na “terra das especiarias”. Cabral cumprira a missão e nesse
percurso “descobriu” o Brasil.

30 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais | Curso Preparatório Cidade


Figura 10: Capitanias hereditárias ao longo da costa, dividida e quatro ou cinco lotes, isentos de qualquer tributo, exceto o dízimo.
- Primeira Capitania do Maranhão: Concedia, ainda, o privilégio de fabricar e possuir engenhos d´água e moendas.
donatário João de Barros
Foral: Dizia os direitos e deveres do donatário:
- Itamaracá: Donatário Pero Lopes
Direitos: cobrar impostos, distribuir sesmarias (lotes doados a outros colonos), explorar a capitania,
- Ilhéus: Jorge de Figueiredo administrar a justiça, escravizar os índios.
Correia
Deveres: pagar o imposto ao rei de Portugal, principalmente na extração do pau-brasil, cuidar da
terra, não vender, trocar ou dividir a capitania.
- Porto Seguro: Pero de Tourinho
Como vimos pelo fato da coroa não ter condições financeiras de bancar a colonização do Brasil,
- Bahia de Todos os Santos:
entregou esta responsabilidade aos donatários. No entanto, o rei mantinha uma série de privilégios
Francisco Pereira Coutinho
sobre a exploração da terra, tais como: monopólio sobre o comércio da capitania, direito exclusivo
de cunhagem de moedas, direito de 1/5 sobre a produção de metais preciosos encontrados e 1/10
- São Vicente: Martim Afonso de
(a dízima) sobre produtos exportados.
Fonte: Luís Teixeira. Roteiro de todos os sinais..., c. 1586. Souza
Lisboa, Biblioteca da Ajuda
Contudo, o projeto das capitanias não deu muito certo, só prosperando as capitanias de
- Pernambuco: Duarte Coelho Pernambuco e São Vicente. As razões desse fracasso foram: área muito grande das capitanias, o
que dificultava o controle do território; poucos recursos dos donatários, ataques indígenas e
estrangeiros; dificuldades de comunicação com a Europa e entre as capitanias.
Os donatários receberam uma doação de Coroa, pela qual se tornavam
possuidores, mas não proprietários da terra. Isso significava, entre outras Devido principalmente à falta de recursos, muitos donatários se quer vieram tomar posse de suas
coisas, que não podiam vender ou dividir a capitania, cabendo ao rei o terras na colônia. Era preciso que o rei tomasse novas providências para viabilizar a colonização.
direito de modificá-la ou mesmo extingui-la. A posse dava aos donatários
extensos poderes tanto na esfera econômica (arrecadação de tributos)
como na esfera administrativa. A instalação de engenhos de açúcar e Os Governos Gerais
moinhos de água e o uso de depósitos de sal dependiam do pagamento de
direitos; parte dos tributos devidos à Coroa pela exploração de pau-brasil, O fracasso das Capitanias Hereditárias forçou o governo de Portugal a elaborar uma nova forma de
de metais preciosos e de derivados da pesca cabia também aos capitães- organização administrativa do Brasil. Diante das dificuldades dos donatários, a coroa portuguesa
donatários. Do ponto de vista administrativo, eles tinham o monopólio da resolveu nomear um governador-geral para a colônia, tornando-se então participante direto da
justiça, autorização para fundar vilas, doar sesmarias, alistar colonos para empresa colonial. O Governador representaria diretamente o rei e teria poderes de fiscalização
fins militares e formar militares e formar milícias sob seu comando. sobre todas as capitanias. Portanto, a criação do governo-geral não destruiu o sistema de
capitanias, mas diminuiu os poderes dos donatários.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.
A instituição de um Governo-geral representou um esforço de
centralização administrativa, mas isso não significa que o Governo-geral
Documentos que normatizavam o sistema de Capitanias detivesse todos os poderes, nem que em seus primeiros tempos pudesse
exercer uma atividade muito abrangente. A ligação entre as capitanias era
Carta de Doação: Título de posse dado pelo Rei, e a propriedade de 10 léguas de terra
bastante precária, limitando o raio de ação dos governadores. A
correspondência dos jesuítas dá claras indicações desse isolamento.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais 31


Primeiro Governo Geral (1549-1553) Para auxiliar o governador vieram alguns funcionários reais:

Em 1549, chegou ao Brasil o primeiro governador geral, Tomé de Souza, trazendo consigo ▪ Ouvidor-mor — encarregado da Justiça.
funcionários, soldados, artesãos e padres jesuítas.
▪ Provedor-mor — encarregado dos impostos.
Figura 11: Chegada de Tomé de Sousa à Bahia, numa gravura de começo do século XIX
▪ Capitão-mor — encarregado da defesa das costas do Brasil.

▪ Alcaide-mor — responsável pela segurança.

As Câmaras Municipais

O poder local era exercido nas câmaras municipais e os vereadores eram escolhidos entre os
homens-bons, que eram os grandes proprietários de terra. As Câmaras Municipais sempre
defendiam seus interesses. O poder político estava, portanto nas mãos dos senhores de engenho.
As Câmaras Municipais eram presididas por um juiz ordinário, também escolhido pelos “homens
bons”, e acumulavam vários poderes: abastecimento de mão-de-obra escrava de acordo com as
necessidades da região, cobrança de impostos, catequese, guerras contra os índios.

(Chegada de Tomé de Sousa à Bahia, numa gravura de começo do século XIX) Embora o sistema de Governo Geral tenha sido criado para centralizar o poder político, dando aos
governadores gerais amplos poderes, eles não conseguiam, porém, impor totalmente sua
O regimento Geral era a carta que dava autoridade ao governador, suas obrigações e deveres.
autoridade aos senhores de engenho. A classe que dominava econômica, social e politicamente no
Brasil colonial era a dos grandes proprietários de terras, chamada a aristocracia rural.
As funções do Governo Geral eram:

- Exercer a justiça na colônia;

O Segundo Governo Geral (1553-1558)


- Comandar a defesa da costa brasileira;

- Dar apoio ao processo colonizador incentivando a montagem de engenhos e auxiliando O segundo governador geral do Brasil foi Duarte da Costa. O seu governo é tido como fraco, pois
o combate aos índios; ocorreu a invasão francesa na Guanabara, onde foi fundada a França Antártica, em 1555 (tentativa
de estabelecer uma colônia francesa de povoamento no Brasil, de caráter protestante).
- Zelar e fiscalizar a arrecadação dos impostos que cabiam ao rei;
Também é fundado em 25 de janeiro de 1554, o colégio São Paulo de Piratininga, por José de
- Implantar novos cargos administrativos na colônia. Anchieta, onde hoje é a cidade de São Paulo. Porém, no seu governo, os índios se organizam na
Confederação dos Tamoios. A tribo dos Tamoios (quer dizer mais antigo do lugar), organizados,
O governo-geral se estabeleceu na capitania da Bahia, onde Tomé de Souza fundou a cidade de impôs resistência ao domínio lusitano, não só no Rio de Janeiro, mas em todo o litoral sul, até São
Salvador, primeira capital da colônia. As capitanias continuaram existindo governadas pelos Vicente. Em 1575, Antônio de Salema, com uma força de 400 portugueses e de 700 índios aliados,
donatários, que ficavam agora subordinados ao governador-geral. Tomé de Souza vem com provenientes do Espírito Santo, derrota a confederação dos Tamoios, pondo fim à primeira
autorização Papal para criar no Brasil o Primeiro Bispado. O primeiro Bispo do Brasil é frei Sardinha. resistência organizada contra o domínio português.

32 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais | Curso Preparatório Cidade


O Terceiro Governo Geral (1558-1572) Habsburgo, se tornando o soberano mais poderoso que o mundo já conheceu até então. Tinha o
apelido de diabo do meio-dia, pois o Sol nunca se punha em seu reinado.
Figura 12: Mem de Sá
Apesar da unificação das coroas, Filipe II tentou preservar a imagem de Portugal, não o tratando
como nação conquistada, mas como um reino independente, que tinha como rei o mesmo rei de
O Governo de Mem de Sá, terceiro
Espanha. Este tratamento foi assegurado com a assinatura do juramento de Tomar, 1581. Ele
governador geral, é de pacificação da
garantia que Portugal continuaria com suas leis e a administração continuaria nas mãos dos
colônia, segue-se a proibição de escravizar
portugueses.
indígenas. Durante seu governo, seu
sobrinho, Estácio de Sá fundou a Cidade do
O domínio espanhol trouxe várias consequências para a evolução da colônia americana de
Rio de Janeiro em 1º de março de 1565 e
Portugal:
empreendeu a guerra definitiva que levou a
expulsão dos franceses da Baía da - Foi incentivada a ocupação do interior do território.
Guanabara entre 1565 e 1567.
Retrato de Mem de Sá por Manuel Vitor Filho.
- A linha de Tordesilhas na prática deixou de existir, já que todas as terras agora pertenciam à
Espanha.

Dois Governos: Um no norte e outro no sul - A primeira visitação do tribunal do Santo Ofício ao Brasil, expulsando os cristãos-novos.

- A invasão holandesa do tribunal do Santo Ofício do Brasil em Estado do Brasil e Estado do


Com a morte de Mem de Sá, o rei nomeou D. Luís de Vasconcelos para ser o quarto governador
Maranhão.
geral da colônia. Ele foi, porém, atacado por piratas franceses e morreu antes de chegar ao Brasil.

Com o objetivo de administrar melhor o vasto território brasileiro, Portugal decidiu, então, dividir a
colônia em dois governos distintos:
Divisão da Colônia durante o governo espanhol

▪ o governo do norte, com capital em Salvador, foi dado a D. Luís de Brito.


Durante o domínio espanhol houve outra tentativa de melhorar a administração do Brasil e
▪ o governo do sul, com capital no Rio de Janeiro, foi dado a D. Antônio de Salema defender o litoral contra a invasão dos franceses. Em 1621, o território brasileiro foi outra vez
dividido, desta vez em dois grandes estados. As diversas capitanias passaram a ser administradas
A tentativa não teve êxito e, em 1578, Lourenço da Veiga unificou os dois governos, tornando-se o em dois blocos que durariam até 1774. Eram eles:
quinto governador geral.
- Estado do Maranhão (da Amazônia ao Ceará): a capital era São Luís. Transformou-se
mais tarde em Estado do Grão-Pará, com capital em Belém.

O Domínio Espanhol - Estado do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul): a capital em Salvador.
A partir de 1763 a capital passou a ser o Rio de Janeiro.
Em 1578, o rei português, D. Sebastião, faleceu sem deixar herdeiros. O rei de Portugal morreu
lutando na batalha de Alcácer-Quibir, Norte da África, contra os muçulmanos. Seu tio, o Cardeal D.
Henrique, assume o trono, mas já contava com sessenta e cinco anos, morrendo então dois anos
depois que assumiu o trono. Fica então vago o trono português; o nome mais próximo na linha de
sucessão ao trono é Filipe II da Espanha, que assume o trono português. Ele era da dinastia dos

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais 33


EXERCÍCIOS (E) Os choques violentos com as tribos foram inevitáveis, já que os portugueses arrendatários
escravizaram as tribos litorâneas para a exploração do pau-brasil.

01. (Puccamp) Não, é nossa terra, a terra do índio. Isso que a gente quer mostrar pro Brasil:
gostamos muito do Brasil, amamos o Brasil, valorizamos as coisas do Brasil porque o adubo do 03. (Puccamp) Em razão de as comunidades primitivas indígenas representarem, no Período
Brasil são os corpos dos nossos antepassados e todo o patrimônio ecológico que existe por aqui Colonial, apenas reservas de força de trabalho a ser aproveitada no corte e transporte do pau-
foi protegido pelos povos indígenas. Quando Cabral chegou, a gente o recebeu com brasil, entre 1500 e 1530, no Brasil:
sinceridade, com a verdade, e o pessoal achou que a gente era inocente demais e aí fomos
traídos: aquilo que era nosso, que a gente queria repartir, passou a ser objeto de ambição. Do (A) o comércio realizava-se através da troca direta ou escambo.
ponto de vista do colonizador, era tomar para dominar a terra, dominar nossa cultura, anulando (B) a maioria das atividades produtivas concentrava-se na economia informal.
a gente como civilização. (C) o extrativismo mineral acabou desenvolvendo um mercado de consumo interno.
(D) a economia baseou-se essencialmente em atividades agrícolas.
(Revista "Caros Amigos". ano 4. no. 37. Abril/2000. p. 36). (E) a expansão da pecuária impulsionou a utilização da mão-de-obra escrava africana.

A respeito do início da colonização, período abordado pelo texto, pode-se afirmar que a primeira
forma de exploração econômica exercida pelos colonizadores, e a dominação cultural e religiosa 04. (Unirio) A colonização brasileira no século XVI foi organizada sob duas formas administrativas,
difundida pelo território brasileiro são, respectivamente: Capitanias Hereditárias e Governo Geral. Assinale a afirmativa que expressa corretamente uma
característica desse período.
(A) a plantation no Nordeste e as bandeiras realizadas pelos paulistas.
(B) a extração das "drogas do sertão" e a implantação das missões. (A) As capitanias, mesmo havendo um processo de exploração econômica na maior parte
(C) o escambo de pau-brasil e a catequização empreendida pela Companhia de Jesus. delas, garantiram a presença portuguesa na América, apesar das dificuldades financeiras
(D) a mineração no Sudeste e a imposição da "língua geral" em toda a Colônia. da Coroa.
(E) o cultivo da cana-de-açúcar e a "domesticação" dos índios por meio da agricultura. (B) As capitanias representavam a transposição para as áreas coloniais das estruturas feudais
e aristocráticas européias.
(C) As capitanias, sendo empreendimentos privados, favoreceram a transferência de colonos
02. (Mackenzie) A árvore de pau-brasil era frondosa, com folhas de um verde acinzentado quase europeus, assegurando a mão-de-obra necessária à lavoura.
metálico e belas flores amarelas. Havia exemplares extraordinários, tão grossos que três (D) O Governo Geral permitiu a direção da Coroa na produção do açúcar, o que assegurou o
homens não poderiam abraçá-los. O tronco vermelho ferruginoso chegava a ter, algumas rápido povoamento do território.
vezes, 30 metros(...) (E) O Governo Geral extinguiu as Donatarias, interrompendo o fluxo de capitais privados para
a economia do açúcar.
Náufragos, Degredados e Traficantes (Eduardo Bueno).

Em 1550, segundo o pastor francês Jean de Lery, em um único depósito havia cem mil toras. 05. (Unaerp) Em 1534, o governo português concluiu que a única forma de ocupação do Brasil
Sobre esta riqueza neste período da História do Brasil podemos afirmar que: seria através da colonização. Era necessário colonizar, simultaneamente, todo o extenso
território brasileiro. Essa colonização dirigida pelo governo português se deu através da:
(A) O extrativismo foi rigidamente controlado para evitar o esgotamento da madeira.
(B) Provocou intenso povoamento e colonização, já que demandava muita mão-de-obra. (A) criação da Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil.
(C) Explorado com mão-de-obra indígena, através do escambo, gerou feitorias ao longo da (B) criação do sistema de governo geral e câmaras municipais.
costa; seu intenso extrativismo levou ao esgotamento da madeira. (C) criação das Capitanias Hereditárias.
(D) O litoral brasileiro não era ainda alvo de traficantes e corsários franceses e de outras (D) montagem do sistema colonial.
nacionalidades, já que a madeira não tinha valor comercial. (E) criação e distribuição das Sesmarias.

34 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais | Curso Preparatório Cidade


06. (Unesp) A implantação do sistema de Governo-Geral, em 1548, não representou a extinção do 09. (G1) Entre as causas da Criação das Capitanias Hereditárias no Brasil, podemos apontar:
anterior modelo administrativo descentralizado das Donatárias. Assinale a alternativa
diretamente relacionada com o governo Tomé de Souza. (A) a necessidade de apoio do governo português aos comerciantes de pau-brasil;
(B) a necessidade de organizar a exploração do ouro;
(A) Incorporação do reino português à Coroa espanhola pela morte do Rei D. Sebastião em (C) o fracasso do governo geral;
Alcácer-Quibir. (D) o interesse de Portugal no comércio de escravos indígenas;
(B) Fundação de São Paulo de Piratininga e da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. (E) a falta de recursos do governo português que transferiu aos donatários a
(C) Criação do Bispado do Salvador, o primeiro do Brasil. responsabilidade da colonização.
(D) Assinatura do Tratado de Madrid, restabelecendo os limites naturais previstos no Tratado
de Tordesilhas de 1494.
10. (G1) Entre as realizações de Men de Sá, o terceiro governador geral do Brasil, NÃO se destaca:
(E) Os franceses expulsos desistiram de contestar a soberania lusitana no Brasil.

(A) a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro;


07. (Uece) "A armada de Martim Afonso de Sousa, que deveria deixar Lisboa a 3 de dezembro de (B) a construção da primeira capital do Brasil, Salvador;
1531, vinha com poderes extensíssimos, se comparados aos das expedições anteriores, mas (C) o apaziguamento da Confederação dos Tamoios, através dos jesuítas;
tinha como finalidade principal desenvolver a exploração e limpeza da costa, infestada, ainda e (D) o incentivo à agricultura e à pecuária;
cada vez mais, pela atividade dos comerciantes intrusos." (E) a permanência no Brasil além do que havia sido determinado, devido ao bom
desempenho.
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. "As Primeiras Expedições." in: HOLANDA, Sérgio Buarque de. (org) HISTÓRIA GERAL DA
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA. Tomo I, Volume 1. São Paulo: DIFEL, 1960. p. 93.)
11. (Mackenzie) O sistema de capitanias hereditárias, criado no Brasil em 1534, refletia a transição
Com base nesta citação, assinale a alternativa que indica corretamente os principais objetivos das do feudalismo para o capitalismo, na medida em que apresentava como característica:
primeiras expedições portuguesas às novas terras descobertas na América:
(A) a ausência do comércio internacional, aliada ao trabalho escravo e economia voltada para
(A) expulsar os contrabandistas de pau-brasil e combater os holandeses instalados em o mercado interno.
Pernambuco. (B) uma economia de subsistência, trabalho livre, convivendo com forte poder local
(B) garantir as terras brasileiras para Portugal, nos termos do Tratado de Tordesilhas, e descentralizado.
expulsar os invasores estrangeiros. (C) ao lado do trabalho servil, uma administração rigidamente centralizada.
(C) instalar núcleos de colonização estável, baseados na pequena propriedade familiar, e (D) embora com traços feudais na estrutura política e jurídica, desenvolveu uma economia
escravizar os indígenas. escravista, exportadora, muito distante do modelo de subsistência medieval.
(D) estabelecer contatos com as civilizações indígenas locais e combater os invasores (E) uma reprodução total do sistema feudal, transportada para os trópicos.
franceses na Bahia.

12. (Uece) A administração colonial portuguesa exercia seus poderes através das Câmaras
Municipais. Sobre estas instituições de poder local no Brasil colônia, podemos afirmar
08. (Uel) A centralização político-administrativa do Brasil Colônia foi concretizada com a: corretamente que:

(A) criação do Estado do Brasil. (A) tinham funções exclusivas de aplicar as determinações da Coroa, sendo compostas por
(B) instituição do Governo Geral. funcionários sem qualquer poder de decisão.
(C) transferência da capital para o Rio de Janeiro. (B) eram compostas exclusivamente pelos "homens bons", os grandes proprietários de terras,
(D) instalação do Sistema das Capitanias Hereditárias. o que garantia a estabilidade econômica e permitia ampla autonomia local.
(E) política de descaso do governo português pela atuação predatória dos bandeirantes.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais 35


(C) as câmaras detinham poderes limitados à aplicação da justiça em casos de crimes comuns (C) desde o final do século XVI até o início do XVII, negros e indígenas coexistiam nas
e à arrecadação dos impostos locais, apesar de formada pelos "homens bons" da colônia. propriedades açucareiras realizando, por vezes, tarefas diferenciadas;
(D) tinham amplos poderes, tanto ao nível político como administrativo, e eram compostas (D) as principais atividades econômicas nesse período tinham como base o trabalho familiar e
por vereadores escolhidos em eleições diretas e universais. a mão-de-obra livre;
(E) a falência do escambo do pau-brasil redundou em utilização exclusiva do indígena na
cultura açucareira e na criação do gado, até o final do século XVI.
13. (Fgv) A exploração do pau-brasil se fazia pelo sistema de escambo. Isto significa que:

(A) a exploração era monopólio real; 16. (Fuvest) "No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos
(B) a exploração se baseava no trabalho forçado dos indígenas; toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, ... destinada a explorar os recursos naturais
(C) a exploração era feita pelo sistema de arrendamento; de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da
(D) a exploração era feita por contrabandistas; colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos
(E) a exploração implicava na troca do produto por produto. fundamentais, tanto no social como no econômico, da formação e evolução dos trópicos
americanos".

14. (Fgv) "Há exagero em dizer que a extração do ouro liquidou a economia açucareira do (Caio Prado Júnior, HISTÓRIA ECONÔMICA DO BRASIL)
Nordeste. Ela já estava em dificuldades vinte anos antes da descoberta do ouro (...). Mas não
há dúvida de que foi afetada pelos deslocamentos de população e, sobretudo, pelo aumento do Com base neste texto, podemos afirmar que o autor:
preço da mão-de-obra escrava..."
(A) indica que as estruturas econômicas não condicionam a vontade soberana dos homens.
Uma das consequências do processo descrito no texto, em termos administrativos, foi: (B) demonstra a autonomia existente entre as esferas social e econômica.
(C) propõe uma interpretação econômica sobre a colonização do Brasil, acentuando seu
(A) a transferência da capital do Vice-Reinado para São Paulo, que passou a ser o pólo sentido mercantil.
econômico mais importante da Colônia. (D) dá ao Brasil uma especificidade dentro do contexto de colonização dos trópicos.
(B) a criação das Câmaras Municipais que passaram a deter, na Colônia, os poderes de (E) confere ao sentido da colonização uma relativa autonomia em relação ao mercado
concessão para exploração do ouro em Minas Gerais. internacional.
(C) o deslocamento do eixo da vida da Colônia para o Centro-Sul, especialmente para o Rio
de Janeiro, por onde entravam escravos e suprimentos, e por onde saía o ouro das
17. (Fuvest) O tráfico de negros para o Brasil foi importante elemento de:
minas.
(D) o desaparecimento do sistema de Capitanias Hereditárias e sua substituição, na região
(A) acesso a mão-de-obra de baixa rentabilidade econômica.
Sudeste, pelas Províncias.
(B) estímulo ao comércio de índios enviados para Portugal.
(E) o desenvolvimento de um comércio paralelo de escravos nas antigas regiões produtoras
(C) lucratividade, favorecendo a acumulação de capitais na metrópole.
de açúcar, que gerou a necessidade de centralizar o poder nas mãos dos ouvidores.
(D) incentivo à produção de manufaturas para o mercado interno.
(E) predomínio da agricultura de subsistência e da policultura.
15. (Fuvest) Quanto à utilização da mão-de-obra durante o primeiro século da colonização, na
região Nordeste do Brasil, pode-se afirmar que:
18. (Fei) Leia com atenção as afirmações a seguir:

(A) o escravo africano foi utilizado, preponderantemente, desde a fase do escambo do pau-
I. A economia colonial brasileira foi baseada na diversificação de atividades voltadas para o
brasil;
mercado interno.
(B) as tribos tupis realizavam o comércio das madeiras com os franceses, ao passo que
aimorés e os nagôs plantavam gêneros alimentícios para os jesuítas e colonos;

36 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais | Curso Preparatório Cidade


II. A agricultura no período colonial era pautada pelo trinômio monocultura-latifúndio- (B) a ausência da ordem política e da fé entre os povos indígenas do Brasil.
escravidão.
III. Apesar da existência de homens livres em torno do engenho, principalmente em cargos (C) o relato do comportamento e da falta de moral do índio no tocante aos seus costumes.
técnicos, a mão-de-obra essencial do cultivo da cana e do preparo do açúcar era escrava.
(D) a descrição da organização militar e ausência da autoridade indígena.
(A) Apenas II está correta.
(E) a resistência do gentio à colonização e o estranhamento do colonizador frente à cultura
(B) Apenas I está correta.
indígena.
(C) II e III estão corretas.
(D) Todas estão corretas.
(E) I e III estão corretas.
EXERCÍCIOS DE PROVA

19. (Fgv) Quais as características dominantes da economia colonial brasileira:


01. (EsFCEx - 2002) Examinando a conquista e colonização do Brasil, analise as afirmativas abaixo.
(A) propriedade latifundiária, trabalho indígena assalariado e produção monocultura;
(B) propriedades diversificadas, exportação de matérias-primas e trabalho servil; I. O português vinha buscar no Brasil a riqueza, mas a riqueza que não custasse o trabalho.
(C) monopólio comercial, latifúndio e trabalho escravo de índios e negros; II. Os portugueses instauraram no Brasil uma civilização tipicamente agrícola.
(D) pequenas vilas mercantis, monocultura de exportação e trabalho servil de mestiços; III. A superpopulação do Reino Português contribuiu para a implantação de uma civilização
(E) propriedade minifundiária, colônias agrícolas e trabalho escravo. tipicamente agrícola no Brasil.
IV. O labor agrícola sempre foi mais atraente aos portugueses do que as aventuras marítimas e
as glórias da guerra e da conquista.
20. (Pucmg) "Havia muitos destes índios pela Costa junto das Capitanias, tudo enfim estava cheio
deles quando começaram os portugueses a povoar a terra; mas porque os mesmos índios se Com base na análise, assinale alternativa correta.
levantaram contra eles e faziam-lhes muitas traições, os governadores e capitães da terra
destruíram-nos pouco a pouco e mataram muitos deles, outros fugiram para o sertão, e assim ficou (A) Somente I está correta.
a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto deles ficaram alguns índios destes (B) Somente II e IV estão corretas.
nas aldeias que são de paz, e amigos dos portugueses. (C) Somente III e IV estão corretas.
Á língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras - não se acha nela F, nem L, (D) Somente I, II e III estão corretas.
nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira (E) Todas estão corretas.
vivem sem justiça e desordenadamente.

Estes índios andam nus sem cobertura alguma, assim machos como fêmeas; não cobrem parte 02. (EsFCEx - 2003) Durante o Período Colonial e mesmo durante o Império Brasileiro pode-se
nenhuma de seu corpo, e trazem descoberto quanto a natureza lhes deu. (...). Não há como digo perceber que a Igreja no Brasil:
entre eles nenhum Rei, nem justiça, somente cada aldeia tem um principal que é como capitão, ao
qual obedecem por vontade e não por força; (...) [e que] não castiga seus erros nem manda sobre (A) gozava de total autonomia.
eles cousa contra sua vontade". (B) subordinava-se exclusivamente ao papado.
(C) estava estreitamente sujeita ao poder civil.
(GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratados da Terra do Brasil. História da província Sta. Cruz. Belo
(D) nomeava livremente os seus bispos brasileiros.
Horizonte / São Paulo: Itatiaia/Edusp., 1980, p.52-54)
(E) estava desvinculada do poder secular.
O tema central do trecho dado pode ser resumido como sendo:

(A) a violência do processo colonizador contra os índios e sua submissão aos portugueses.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais 37


03. (EsFCEx - 2005) Analise as afirmativas abaixo sobre a colonização brasileira e, a seguir, marque O texto acima auxilia na compreensão de que, a Coroa portuguesa decidiu dividir as terras no Brasil
a alternativa correta: em Capitanias Hereditárias, principalmente com o objetivo de:

I. Antes da fundação das Capitanias, algumas feitorias foram espalhadas pela costa brasileira. (A) povoar as terras brasileiras poupando seus recursos, atraindo o interesse e os recursos de
II. A Paraíba foi conquistada durante o período de unificação das Coroas Ibéricas. particulares para os quais transferia os riscos do empreendimento.
III. Martim Soares Moreno foi o conquistador do Ceará. (B) instalar núcleos de colonização estável, baseados na propriedade familiar, abdicando a
sua soberania sobre as terras do Brasil.
(A) somente a I e a III estão corretas (C) transferir amplos poderes aos capitães, diretamente submetidos à Coroa, no tocante à
(B) somente a I e a II estão corretas. administração pública, através da descentralização política, sem a vigilância dos
(C) somente a II e a III estão corretas. funcionários reais.
(D) somente a III está correta. (D) suprimir a tradição medieval européia de conceder benefícios em troca da lealdade
(E) todas estão corretas. política e militar entre os reis e seus vassalos, à medida que instituía a Carta de Doação
com os direitos do donatário.
(E) montar feitorias ao longo da costa litorânea e o consequente monopólio do comércio de
04. (EsFCEx - 2005) Leia o texto.
pau-brasil, nesse momento contrabandeado pelos franceses.

“ O Governador correrá todas as Capitanias acompanhado do provedor-mor, e com ele e com os


respectivos capitães e oficiais da Fazenda, consultará tudo quanto importar a sua boa governação e 06. (EsFCEx - 2006) A máquina administrativa colonial portuguesa primou pelos zelos fiscais e pela
defesa, fazendo levantar cerca onde as não houver e reparar as existentes”. preservação da soberania lusitana sobre as terras brasileiras.

(Regimento de Tomé de Sousa in CASTRO, 1982) Acerca dos mecanismos de controle criados por Portugal, é correto afirmar:

O texto indica o objetivo principal da Coroa portuguesa em implantar o Governo-Geral no Brasil,


(A) as câmaras municipais representavam a única manifestação autônoma da colônia. Entre
que era:
suas atribuições estava a possibilidade de contratar serviços, nomear os capitães-mores e
distribuir sesmarias.
(A) criar instituições administrativas que evitassem o conflito entre donatários e jesuítas.
(B) o Regimento Geral estabelecia as regras fiscais na própria Colônia. O Regimento trazido
(B) criar um centro administrativo e político e promover a unidade da Colônia.
pelos primeiros capitães-donatários determinava ainda os direitos e deveres dos mesmos.
(C) empreender viagens de fiscalização aos donatários.
(D) suprimir as Capitanias Hereditárias.
(C) o objetivo principal da criação do Governo Geral, estabelecido em Salvador em 1549, era
(E) estabelecer tribunais que julgassem os crimes de má governança na Colônia.
centralizar a administraçao metropolitana na própria colônia.
(D) os “homens bons” representantes da elite colonial tinham seu poder muito mais
05. (EsFCEx - 2005) Leia o texto. determinado pela quantidade de terras que possuíam do que pela quantidade de
escravos. Os forais regulavam o tamanho destas propriedades.
TEXTO (E) tanto donatários como sesmeiros possuíam as mesmas obrigações fiscais, oportunidades
fundiárias e direitos arrecadatórios determinados pelas Cartas de Doação.
“Depois de vossa partida se praticou se seria meu serviço povoar-se toda a costa do Brasil, e
algumas pessoas me requeriam capitanias em terra dela...depois fui informado que de algumas
partes faziam fundamento de povoar a terra do dito Brasil...determinei demarcar de Pernambuco
até o Rio da Prata cinqüenta léguas de costa a cada capitania [...]”

(Carta de Martim Afonso, 1532 in LINHARES, 1990, p. 29)

38 Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais | Curso Preparatório Cidade


07. (EsFCEx - 2013) Tomando como ponto de partida o texto “O sentido da Colonização”, de Caio 09. (EsFCEx 2012) O Estado português moderno estabeleceu o sistema de sesmarias na América a
Prado Junior (em Formação do Brasil Contemporâneo), analise as afirmativas abaixo e marque partir do século XVI. Com base na bibliografia sobre o tema, analise as afirmativas abaixo e
a opção correta. marque a opção correta.

I. Diferentemente da Espanha, Portugal inicia, logo após os primeiros contatos com os povos I. A instituição da sesmaria procurou atender àqueles que já tinham a posse da terra na
indígenas, a efetiva colonização das terras “descobertas”. colônia.
II. Para Caio Prado Jr, a idéia de povoar as novas terras derivou da necessidade de tornar II. O Regimento dado pelo Rei D. João III ao primeiro governador geral determinou que a
produtivas as feitorias, capacitando-as a fornecer gêneros para fins mercantis. concessão de sesmarias nas margens dos rios deveria ser feita apenas a pessoas que
III. No contexto colonial, os metais, mesmo sendo os maiores atrativos para os colonizadores, possuíssem recursos para construir engenhos.
ocuparam uma posição de pouca relevância nos dois primeiros séculos coloniais. III. A concessão de sesmaria não podia ser revogada, independente do aproveitamento das
terras pelos sesmeiros.
(A) Somente I é correta.
(B) Somente II é correta. (A) Somente I é verdadeira.
(C) Somente III é correta. (B) Somente II é verdadeira.
(D) Somente I e II são corretas. (C) Somente III é verdadeira.
(E) Somente II e III são corretas. (D) Somente I e II são verdadeiras.
(E) Somente I e III são verdadeiras.

08. (EsFCEx 2013) As afirmativas abaixo tratam do sistema de capitanias hereditárias e do


estabelecimento do governo geral na América portuguesa. Analise-as e marque a opção
correta.

I. Entre as motivações para a criação do sistema administrativo de governo geral nas


possessões portuguesas da América estava o risco de perda de parte do território para os
franceses.
II. A criação do sistema de capitanias hereditárias, implantado na América portuguesa durante
a década de 1530, foi uma decisão que provocou um acelerado crescimento populacional e
produtivo na região em poucas décadas.
III. Entre as prerrogativas entregues pelo rei de Portugal aos capitães donatários,
encontravam-se a de doar terras, a de reter para si parte da renda da produção e a de
monopolizar a justiça, o que incluía o poder de condenar à morte em certos casos.

(A) Somente I é correta.


(B) Somente II é correta.
(C) Somente III é correta.
(D) Somente I e II são corretas.
(E) Somente I e III são corretas.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.1 – Capitanias Hereditárias e Governos Gerais 39


Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, O ciclo do pau-brasil
mineração, gado e comércio.
A madeira do pau-brasil era conhecida dos europeus desde a Idade Média. No Brasil era natural da
Mata Atlântica. Foi uma riqueza disputada entre franceses e portugueses e não justificou de
Comentário imediato um esforço colonizador. A descoberta do pau-brasil favoreceu um processo de
conhecimento inicial da nossa terra e aproximou Portugal dos holandeses, maiores compradores do
produto e seus aliados.
Nesse tópico analisaremos os principais “ciclos econômicos” da história brasileira
durante o período colonial. Figura 13: Derrubada do pau-brasil

A noção de ciclo deve ser relativizada, pois nos passa a falsa ideia de que um produto
deixou de ser produzido e perdeu espaço para outro. O café, por exemplo, até os anos
70 do século XX foi produto decisivo para a balança comercial brasileira.

O texto a seguir é fruto de pesquisas mais recentes e aborda aspectos importantes da


economia colonial. Novos métodos e fontes permitiram aos historiadores da economia
colonial lançarem um novo olhar, mais completo, sobre o assunto. Destaca-se nessa
abordagem a importância do mercado interno. A economia colonial não foi um mero
apêndice da economia metropolitana e possuía uma dinâmica própria. Esse
entendimento foi importante na resolução de duas questões no certame de 2011
demonstrando que a prova para ingresso no Exército do Brasil tem incorporado temas e
estudos da historiografia mais recente. Sobre o assunto leia o texto a seguir.

Boa leitura!

(Derrubada do pau-brasil em ilustração da Cosmografia Universal de André Thevet, 1575.)


AS ATIVIDADES ECONÔMICA E A EXPANSÃO COLONIAL – AÇÚCAR MINERAÇÃO, GADO
E COMÉRCIO

Os indígenas conheciam o pau-brasil pelo nome de Ibirapitanga, os portugueses já conheciam uma


Uma forma de avaliarmos economicamente a história do Brasil colonial é estudarmos os ciclos variedade do pau-brasil, existente na Índia, dela serviam para extrair uma tinta de cor vermelha,
econômicos, porém a teoria dos ciclos econômicos são numerosas e variadas, mas para o nosso muito procurada no ocidente.
estudo iremos considerar a representação e duração dos ciclos de cada atividade econômica, com
expansão e retração de suas atividades. A forma de exploração do pau-brasil foi feita por meio de escambo, ou seja, a troca de
quinquilharias vinda de Portugal pelo trabalho do índio de executar a derrubada e o transporte de
Existem ciclos grandes de 70 anos, ciclos pequenos de 6 anos ou menos, e também os que duram toras até as feitorias portuguesas. Com o tempo, a relação entre portugueses e índios se agravou
séculos. É importante você entender que esta divisão é apenas didática e aponta a principal levando os portugueses a escravizarem indígenas para o trabalho.
atividade econômica desenvolvida no período, e junto a estas atividades existiram diversas outras
tais como: algodão, o tabaco e a produção de cachaça (utilizados na troca por escravos na África)
o comércio de couro e produção de alimentos para abastecimento interno, a criação de gado e o
tráfico de escravos. Todas estas atividades foram desenvolvidas ao mesmo tempo na colônia.

40 Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. | Curso Preparatório Cidade
O ciclo do açúcar Com o tempo, o açúcar se transformou no principal responsável pela ocupação do litoral brasileiro
pelos portugueses. Em sua obra definitiva sobre o Brasil rural do período colonial Stuart B.
O solo da região Nordeste, principalmente uma pequena faixa litorânea conhecido como solo de Schwartz afirma que:
Massapê, bastante rico de origem vulcânica, a proximidade do mar e a grande quantidade de água
doce, fizeram que o litoral nordestino se transformasse no maior produtor de açúcar do mundo no A abertura do Novo mundo à colonização e exploração criou
período, e se fizesse ali a primeira grande empresa colonial, ou seja, a empresa açucareira que deu oportunidades novas e aparentemente ilimitadas para a expansão da
origem ao ciclo do açúcar. agricultura de exportação em grande escala, da qual o açúcar era o
produto mais racional e provavelmente o mais lucrativo.
Não se conhece a data em que os portugueses introduziram a cana-de-
açúcar no Brasil. Foi nas décadas de 1530 e 1540 que a produção se (Stuart B. Schwartz. Segredos Internos. Engenhos e escravos na sociedade colonial. São
estabeleceu em bases sólidas. Em sua expedição de 1532, Martin Afonso Paulo. Companhia das Letras, 1988, p. 30)
trouxe um perito na manufatura do açúcar, bem como portugueses,
italianos e flamengos com experiência na atividade açucareira da ilha da
Madeira. Plantou-se cana e construíram-se engenhos em todas as As razões da escolha do açúcar, como produto para colonizar o Brasil, foram as seguintes:
capitanias, de São Vicente a Pernambuco.
▪ Clima tropical;
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.

▪ Portugal já tinha experiência no seu cultivo, pois plantava açúcar nas ilhas de Madeira e
Os primeiros engenhos que se instalaram na região ainda no século XVI, atingindo seu apogeu no
Açores;
século XVII foram montados com empréstimos do capital holandês, na época, aliados dos
mercadores portugueses. Aos holandeses também cabia o transporte do produto para a Europa, o ▪ O açúcar era um produto de alto lucro no mercado
refino final e a distribuição do produto no mercado europeu. Você deve estar se perguntando qual
era a parte de Portugal. Bom, a coroa portuguesa lucrava com a cobrança de impostos sobre a O maior desenvolvimento da indústria açucareira ocorreu em Pernambuco e na Bahia, devido à
produção. qualidade da terra e à proximidade com a Europa. No cultivo da cana, difundiu-se no Brasil o
sistema de plantation (monocultura, latifúndio e trabalho escravo), sendo a produção orientada
Figura 14: Moagem da Cana no Engenho para a exportação.

O predomínio da lavoura agroexportadora no Brasil colonial fez surgir uma sociedade


essencialmente rural, pois a maior parte da população se fixava no campo e, assim, as cidades
ficavam em segundo plano (com exceção das regiões mineradoras).

A pecuária

A pecuária surgiu no Brasil como atividade complementar da cana, inicialmente nos engenhos e
mais tarde no interior do Nordeste, às margens do rio São Francisco. A mão-de-obra era livre
(mestiços e índios) e o gado servia para alimento, transporte, vestuário, dentre outros. Nas regiões
(imagem de Benedixto Calixto, Moagem da Cana no Engenho) em que se desenvolveram a pecuária, as diferenças sociais eram menos acentuadas do que na
sociedade açucareira, uma vez que, nessas áreas, o trabalho livre e assalariado se sobrepôs ao

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. 41
trabalho escravo. Os vaqueiros estavam mais próximos dos proprietários, podendo no futuro sustentáculo da sociedade colonial brasileira. O tráfico negreiro tornou-se um lucrativo comércio.
tornarem-se fazendeiros também. Eram vendidos nos mercados, dormiam nas senzalas e em troca de seu trabalho recebiam apenas
roupas e comida para a sobrevivência. Os negros reagiam à escravidão evitando a reprodução
Com o crescimento dos rebanhos, surgiram as fazendas da criação, expandindo-se para o sertão, (para que os filhos não nascessem escravos), cometendo suicídio, matando feitores, capitães-do-
possibilitando o desbravamento e ocupação do interior. No século XVIII os campos meridionais mato e senhores ou fugindo para quilombos.
foram extremamente importantes para abastecer a economia mineradora (alimentação e
transporte). A pecuária é considerada a única atividade colonial que esteve prioritariamente voltada
para o mercado interno.
Drogas do sertão

Expressão que designa espécies e produtos vegetais nativos da Amazônia, extraídos pelos
Os escravos europeus, principalmente portugueses, ao constatar que essas espécies poderiam substituir as que
haviam encontrado no Oriente. As principais atividades econômicas na região eram a coleta de
Figura 15: Imagem de Rugendas cacau, de gengibre, da canela, da pimenta, do cravo e da noz-moscada orientais, castanha do Pará
e, em menor escala, de óleo-de-copaíba, de salsaparrilha, de algodão silvestre, de anil e de
baunilha, produtos abundantes na floresta equatorial amazônica.

A importância histórica desses produtos refere-se no fato de representarem a base econômica para
a posse da Amazônia, além de constituírem, também, incentivo para o desbravamento do interior
do país em geral, sendo, portanto e para além de uma tentativa do Estado para recuperar uma
posição de controle do mercado europeu de especiarias, a intensificação da busca de drogas do
sertão pode também ser considerada como um dos vetores que influiu no movimento de
colonização ocorrido no Norte do Brasil como reação à presença de europeus em território luso-
brasileiro.

Estes produtos eram extraídos com a exploração da mão-de-obra indígena e permitiram como já foi
dito a fixação de núcleos de povoamento e catequese dos índios da região.

(imagem de Rugendas)

Outras atividades econômicas

Para montar a empresa açucareira, era necessária mão-de-obra em grande quantidade. Os índios
Outras atividades econômicas de destaque eram: o tabaco, o algodão e agricultura para o
foram os primeiros a serem escravizados, mas foram sendo lentamente substituídos pelo negro
abastecimento interno – o primeiro era produzido principalmente na Bahia e era exportado para a
africano. Os motivos dessa substituição foram: a diminuição drástica do número de indígenas no
África, sendo utilizado no escambo do comércio negreiro. Integrava o comércio entre Brasil,
litoral, a oposição da Igreja católica à escravização do índio e o fato do comércio negreiro trazer
Portugal e África.
mais lucros para a coroa. Então, preste atenção! Não cabe afirmar que os índios foram substituídos
pelos negros pelo fato de serem indolentes, preguiçosos ou inferiores. As razões são mais
O algodão predominou no Maranhão, na segunda metade do século XVIII, voltado para o
complexas.
abastecimento da nascente indústria têxtil inglesa. Era uma atividade monocultora, latifundiária e
escravista, tal qual o açúcar. Seus momentos de apogeu estiveram vinculados ao declínio da
Os africanos que vinham para o Brasil eram basicamente de duas etnias: bantos (angolanos e
concorrência norte-americana, por problemas internos (guerra de independência, no século XVIII;
moçambicanos) e os sudanenes (nigerianos, guiné, malês). O trabalho escravo foi então o
e guerra de secessão, no século XIX).

42 Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. | Curso Preparatório Cidade
A agricultura para abastecimento interno ou de subsistência era realizada junto às principais - Capitação — cobrada sobre o número de escravos que o mineiro possuísse. 17 gramas
atividades econômicas. Por exemplo, cada engenho possuía uma pequena área destinada à anuais por escravo. Caso o minerador não possuísse escravos pagava pela "própria
produção de alimentos (mandioca, milho, feijão, etc). cabeça".

Com o desenvolvimento da colonização, surgiram diversas áreas destinadas exclusivamente ao - Fintas anuais — determinavam que uma quantidade de ouro devesse ser enviada
abastecimento interno. anualmente para Portugal, em princípio foram estabelecidas 30 arrobas que chegaram a
100 arrobas.

A exploração das minas


Os diamantes
As minas brasileiras ocupavam uma vasta região compreendida entre a serra da Mantiqueira e a
região de Cuiabá, atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Eram depósitos aluviais A intervenção estatal na empresa mineradora foi levada ao extremo na extração dos diamantes. As
recentes. Este fato tornou desnecessário o emprego de grandes capitais e mão-de-obra primeiras descobertas ocorreram em 1729, na região do Arraial do Tijuco (atual Diamantina),
especializada na sua exploração. Nos locais em que os veios se aprofundavam na terra, a pertencente à comarca do Serro do Frio, sendo imediatamente declarado que todos os minerais
exploração era abandonada pela deficiência técnica, buscando-se novas áreas. encontrados pertenciam à coroa. Eram explorados pelo regime dos contratos para a mineração a
um ou mais indivíduos, neste caso associados, que podiam empregar nas lavras até 600 escravos.
Mas, como era feita a exploração? Veja, em princípio, logo após a descoberta do ouro, por volta de Foram arrematantes João Fernandes de Oliveira e Francisco Ferreira da Silva, de 1740 a 1748, e
1695 na região de Minas Gerais, milhares de pessoas seguiram para o local o que acabou Felisberto Caldeira Brant e irmãos, de 1749 a 1752, e o mesmo João Fernandes de Oliveira e seu
motivando conflitos. filho de igual nome, famoso pela companheira Chica da Silva, até o final do período.

A fim de organizar a exploração, a coroa portuguesa criou em 1702, a Intendência das Minas, Foi esta a fase de apogeu da extração de diamantes, cuja entrada no território europeu era
órgão responsável pela demarcação, distribuição de datas e cobrança de impostos. severamente regulamentada (decreto de 1753) visando à manutenção dos elevados preços. Os
batalhões dos dragões asseguravam as medidas drásticas adotadas pela Intendência dos
A distribuição das datas (lotes de terras para exploração) seguia os seguintes critérios: ao Diamantes, diretamente subordinada a Lisboa, não havia Câmaras Municipais, juízes ou tribunais,
descobridor da jazida cabiam duas datas (uma como descobridor e outra como mineiro), ao rei e tudo se subordinando à vontade do intendente, mesmo as entradas e saídas da área.
ao guarda-mor outras duas. As restantes eram distribuídas por sorteio, sendo o número de
escravos o critério para a distribuição. Apesar de tamanha severidade, existiam a mineração e o comércio ilícito de diamantes, realizado
pela figura lendária do garimpeiro, perseguido pela administração, venerado pelo povo, e tendo na
Após a distribuição, os mineradores tinham o prazo de 40 dias para começarem a exploração, sob geografia acidentada da região o seu maior aliado. A partir de 1771 a exploração dos diamantes
pena de devolução. Mesmo com a organização inicial, havia um intenso contrabando de ouro, o coube exclusivamente à coroa portuguesa, sem contratadores.
que representava um grande prejuízo para a coroa. Desta forma, o rei decidiu estabelecer as casas
de fundição, cuja finalidade era reunir todo ouro extraído, quintar o ouro, ou seja, retirar 1/5 do
ouro, parte que cabia à coroa, e transformar todo o ouro em barras numeradas que poderiam
circular na colônia. A partir do estabelecimento das Casas de Fundição, ficou proibida a circulação
do ouro em pó ou em pepitas.

O sistema de impostos que vigorou nas Minas tinha como tributos principais:

- O quinto do ouro — 20 % de toda produção pertencia ao rei.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. 43
Figura 16: Mineração de diamantes Para a região mineradora são atraídos os elementos marginalizados pela crise da lavoura
açucareira e a população das regiões pobres da colônia. De Portugal, a cada ano, chegavam levas
de imigrantes. Na Metrópole sucediam-se sem interrupção às leis colocando empecilhos a
emigração com resultados pouco práticos. O português, o futuro emboaba, que antes não via
oportunidade de progredir no Brasil, agora vê um novo horizonte, longe da Metrópole decadente.

A economia açucareira era uma economia de grandes proprietários, onde nenhum homem livre
com reduzido capital poderia fazer riqueza, a economia mineira ao contrário era uma economia de
pequenos capitais, onde até ex-escravos como Chico Rei poderiam enriquecer, dando oportunidade
ao homem livre de elevar-se socialmente. Assim compreendemos como aumentou o fluxo
migratório para o Brasil.

▪ No ano de 1709, foi criada a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, destacada do Rio
de Janeiro, suprimindo a hereditária de São Vicente;

▪ A exploração da Colônia fica bem caracterizada na cobrança do “quinto”, que nem


sempre obedeceu às mesmas normas. As Casas de Fundição: só tinha valor o ouro
fundido e marcado com o selo Real, sendo proibida a circulação de pepitas ou do ouro em
pó. Durante a fundição era deduzido o quinto da Coroa, derivando daí, a expressão
Mineração de diamantes Carlos Julião. 1770. “quintar o ouro”;

Com a mineração surgiu o tropeirismo, pois o gado necessário para a região das minas vinha do sul ▪ Surgimento de novos grupos sociais (comerciantes, médicos, etc.), formando uma
do Brasil. Surgiu o Caminho do Viamão, ligando essa cidade à Sorocaba, em São Paulo. Ao longo camada intermediária urbana;
desse caminho foram surgindo inúmeras cidades.
▪ Transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro;
Com a transferência do centro econômico para o centro-sul do Brasil, houve a mudança da capital
para o Rio de Janeiro, em 1763. A mineração acabou acarretando uma acumulação de capital na ▪ Mudança do eixo econômico para o Centro-Sul;
Inglaterra, que era para onde ia a maioria das riquezas do Brasil, pois Portugal pagava as
manufaturas que comprava dos ingleses com o ouro brasileiro. Essa riqueza acabou ajudando a ▪ Interligação econômica entre as diversas regiões;
Revolução Industrial da Inglaterra.
▪ Interiorização da colonização que antes estava fixada no litoral;

▪ Desenvolvimento do Rio de Janeiro, principal porto de embarque do ouro para Portugal;


Transformações na colônia
▪ Desenvolvimento de um mercado interno.

A descoberta do ouro acarretaria profundas transformações na vida da colônia. A primeira delas


está ligada ao surto demográfico: o Brasil que possuía cerca de 300.000 habitantes, em 1700,
passará para 3.000.000 cem anos depois. Este crescimento é devido ao fato de que, além do
natural fascínio exercido pelo ouro (chance de elevação social), a atividade mineradora surge numa
época de crise econômica no Império Português.

44 Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. | Curso Preparatório Cidade
EXERCÍCIOS 03. (Fuvest) A produção de açúcar, no Brasil colonial:

(A) possibilitou o povoamento e a ocupação de todo o território nacional, enriquecendo


01. (Pucsp) Personagem atuante no Brasil colônia, foi "fruto social de uma região marginalizada, de grande parte da população.
escassos recursos materiais e de vida econômica restrita (...)", teve suas ações orientadas "ou (B) praticada por grandes, médios e pequenos lavradores, permitiu a formação de uma sólida
no sentido de tirar o máximo proveito das brechas que a economia colonial eventualmente classe média rural.
oferecia para a efetivação de lucros rápidos e passageiros em conjunturas favoráveis - como no (C) consolidou no Nordeste uma economia baseada no latifundiário monocultor e
caso da caça ao índio - ou no sentido de buscar alternativas econômicas fora do quadro da escravocrata que atendia aos interesses do sistema português.
agricultura voltada para o mercado externo (...)". (D) desde o início garantiu o enriquecimento da região Sul do país e foi a base econômica de
sua hegemonia na República.
Carlos Henrique Davidoff, 1982.
(E) não exigindo muitos braços, desencorajou a importação de escravos, liberando capitais
para atividades mais lucrativas.
O personagem e a região a que o texto se refere são, respectivamente:

(A) o jesuíta e a província Cisplatina. 04. (Fuvest) No século XVIII a produção do ouro provocou muitas transformações na colônia. Entre
(B) o tropeiro e o vale do Paraíba. elas podemos destacar:
(C) o caipira e o interior paulista.
(D) o bandeirante e a província de São Paulo. (A) a urbanização da Amazônia, o início da produção do tabaco, a introdução do trabalho livre
(E) o caiçara e o litoral baiano. com os imigrantes.
(B) a introdução do tráfico africano, a integração do índio, a desarticulação das relações com
a Inglaterra.
(C) a industrialização de São Paulo, a produção de café no Vale do Paraíba, a expansão da
02. (Unesp) O açúcar e o ouro, cada qual em sua época de predomínio, garantiram para Portugal a
criação de ovinos em Minas Gerais.
posse e a ocupação de vasto território, alimentaram sonhos e cobiças, estimularam o
(D) a preservação da população indígena, a decadência da produção algodoeira, a introdução
povoamento e o fluxo expressivo de negros escravos, subsidiaram e induziram atividades
de operários europeus.
intermediárias; foram fatores decisivos para o relativo progresso material e certa opulência
(E) o aumento da produção de alimentos, a integração de novas áreas por meio da pecuária
barroca, além de contribuírem para o razoável florescimento das artes e das letras no período
e do comércio, a mudança do eixo econômico para o Sul.
colonial. Apesar desta ação comum ou semelhante, a economia aurífera colonial avançou em
direção própria e se diferenciou das demais atividades, principalmente porque:
05. (Fgv) No período colonial, a renda das exportações do açúcar:
(A) não teve efeito multiplicador no desenvolvimento de atividades econômicas secundárias
junto às minas e nas pradarias do Rio Grande. (A) Raramente ocupou lugar de destaque na pauta das exportações, pelo menos até a
(B) interiorizou a formação de um mercado consumidor e propiciou surto urbano chegada da família real ao Brasil.
considerável. (B) Mesmo no auge da exportação do ouro, sempre ocupou o primeiro lugar, continuando a
(C) o ouro brasileiro, sendo dependente do mercado externo, não resistiu à influência ser o produto mais importante.
exercida pela prata das minas de Potosi. (C) Ocupou posição de importância mediana, ao lado do fumo, na pauta das exportações
(D) representou forte obstáculo às relações favoráveis à Metrópole e não educou o colonizado brasileiras, de acordo com os registros comerciais.
para a luta contra a opressão do colonizador. (D) Ocupou posição relevante apenas durante dois decênios, ao lado de outros produtos, tais
(E) as bandeiras não foram além dos limites territoriais estabelecidos em Tordesilhas, apesar como a borracha, o mate e alguns derivados da pecuária.
dos conflitos com os jesuítas e da ação cruel contra os indígenas do sertão sul-americano. (E) Nunca ocupou o primeiro lugar, sendo que mesmo no auge da mineração, o açúcar foi
um produto de importância apenas relativa.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. 45
06. (Uel) No Brasil Colônia, a pecuária teve um papel decisivo na: 10. (Fuvest) Entre as várias formas de resistência do negro ao regime escravista no Brasil Colonial
encontramos os quilombos. Palmares, o maior exemplo de grande quilombo, possuía uma
(A) ocupação das áreas litorâneas. organização econômica que apresentava as seguintes características:
(B) expulsão do assalariado do campo.
(C) formação e exploração dos minifúndios. (A) agricultura policultora como principal atividade, organizada com base num sistema de
(D) fixação do escravo na agricultura. sesmarias semelhante ao dos engenhos, que visava o consumo local e a comercialização
(E) expansão para o interior. do excedente.
(B) agricultura monocultora, que visava a comercialização, a caça, pesca, coleta e criação de
gado para o consumo interno.
07. (Ufmg) Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a atividade pecuária no
(C) agricultura policultora realizada em pequenos roçados das famílias, e um sistema de
processo de colonização no Brasil, EXCETO:
trabalho cooperativo que produzia excedentes comercializados na região, além da
extração vegetal e da criação para a subsistência.
(A) Constituiu-se numa atividade subsidiária da grande lavoura.
(D) atividades extrativas, pecuária bovina e caprina para atender o consumo local, e
(B) Criou núcleos urbanos destinados ao comércio do couro.
fabricação de farinha, aguardente e azeite para a comercialização.
(C) Destinou grande parte da produção de charque para o mercado externo.
(E) criação de animais, caça, pesca e coleta para a subsistência, e agricultura monocultora
(D) Foi um dos elementos importantes na interiorização da colonização.
que concorria com a produção dos engenhos.
(E) Produziu a figura do vaqueiro, um trabalhador livre geralmente pago em espécie.

08. (Unesp) O tráfico de negros escravos para o Brasil Colônia representou: 11. (Fuvest) Podemos afirmar sobre o período da mineração no Brasil que:

(A) certa lucratividade para a Metrópole portuguesa, favorecendo a acumulação de capitais. (A) atraídos pelo ouro, vieram para o Brasil aventureiros de toda espécie, que inviabilizaram a
(B) prejuízos à Metrópole lusitana pela não adaptação do negro ao trabalho agrícola. mineração.
(C) a possibilidade da exportação de índios para a Europa na condição de escravos (B) a exploração das minas de ouro só trouxe benefícios para Portugal.
domésticos. (C) a mineração deu origem a uma classe média urbana que teve papel decisivo na
(D) incentivo ao crescimento do mercado interno e à criação de um parque manufatureiro. independência do Brasil.
(E) maior estímulo à agricultura de subsistência em prejuízo dos produtos agrícolas (D) o ouro beneficiou apenas a Inglaterra, que financiou sua exploração.
exportáveis. (E) a mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil, e foi fator de
diferenciação da sociedade.
09. (Mackenzie) Constituíram importantes fatores para o sucesso da lavoura canavieira no início da
colonização do Brasil: 12. (Fuvest) No processo histórico de Portugal o Tratado de Methuen consolidou a:

(A) o domínio espanhol, que possibilitou o crescimento do mercado consumidor interno. (A) subordinação econômica de Portugal à Inglaterra.
(B) o predomínio da mão-de-obra livre com técnicas avançadas. (B) prosperidade da indústria nacional portuguesa.
(C) o financiamento, transporte e refinação nas mãos da Holanda e a produção a cargo de (C) liberdade de comércio entre as colônias portuguesas e inglesas.
Portugal. (D) posse das terras situadas além do meridiano de Tordesilhas.
(D) a expulsão dos holandeses que trouxe a imediata recuperação dos mercados e ascensão (E) supremacia da França como principal parceira comercial de Portugal.
econômica dos senhores de engenho.
(E) a estrutura fundiária, baseada na pequena propriedade voltada para o consumo interno.

46 Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. | Curso Preparatório Cidade
13. (Cesgranrio) Apesar do predomínio da agromanufatura açucareira na economia colonial (C) extração de pau-brasil e escambo;
brasileira, a pecuária e a extração das "drogas do sertão" foram fundamentais. A esse respeito, (D) mineração e pau-brasil;
podemos afirmar que: (E) pecuária e escambo.

(A) ocorreu uma grande absorção da mão-de-obra escrava negra, particularmente na


17. (G1) Sobre a descoberta do ouro nas Minas Gerais, podemos afirmar EXCETO:
pecuária.
(B) a presença do indígena na extração das "drogas do sertão" foi essencial pelo
(A) ainda no século XVI, foram feitas as primeiras descobertas de ouro no Brasil;
conhecimento da geografia da região nordeste.
(B) foi estabelecido o Regimento das Minas para controlar a exploração do ouro;
(C) por serem atividades complementares, a força de trabalho não se dedicava integralmente
(C) o ouro atraiu vários tipos de pessoas e de todos os lugares para a região, favorecendo o
a elas.
surgimento de cidades;
(D) ambas foram responsáveis pelo processo de interiorização do Brasil colonial.
(D) entre os impostos sobre o ouro, o Quinto era a entrega de 20% do ouro encontrado à
(E) possibilitaram o surgimento de um mercado interno que se contrapunha às flutuações do
Coroa;
comércio internacional.
(E) o comércio não se desenvolveu com a mineração.

14. (Mackenzie) Duas atividades econômicas destacaram-se durante o período colonial brasileiro: a
18. (Uece) Sobre a estrutura social e econômica dos engenhos coloniais no Brasil, marque a opção
açucareira e a mineração. Com relação a essas atividades econômicas, é correto afirmar que:
certa:

(A) na atividade açucareira, prevalecia o latifúndio e a ruralização, a mineração favorecia a


(A) a escravidão era a forma de trabalho predominante, fazendo com que não houvesse
urbanização e a expansão do mercado interno.
qualquer divisão técnica do trabalho.
(B) o trabalho escravo era predominante na atividade açucareira e o assalariado na
(B) na agro-manufatura do açúcar, os escravos trabalhavam nas plantações de cana-de-
mineradora.
açúcar enquanto os homens livres se ocupavam do trabalho nos engenhos.
(C) o ouro do Brasil foi para a Holanda e os lucros do açúcar serviram para a acumulação de
(C) os engenhos mantinham uma divisão do trabalho muito desenvolvida, com escravos
capitais ingleses.
realizando tarefas simples e homens livres realizando atividades que exigiam maior
(D) geraram movimentos nativistas como a Guerra dos Emboabas e a Revolução Farroupilha.
conhecimento técnico.
(E) favoreceram o abastecimento de gêneros de primeira necessidade para os colonos e o
(D) apesar de uma certa divisão do trabalho ser estabelecida nos engenhos, geralmente os
desenvolvimento de uma economia independente da Metrópole.
homens livres se ocupavam das tarefas menos importantes e mais simples, em que se
exigia somente a força física.
15. (G1) A expressão "engenho" no Brasil colonial, designava:

19. (Mackenzie) A função histórica das colônias era completar a economia das metrópoles; no caso
(A) as áreas de lavoura de algodão para exportação;
brasileiro, a atividade econômica que iniciou este papel histórico foi:
(B) locais onde se armazenavam produtos para exportação;
(C) companhias de comércio de açúcar;
(A) a criação de gado, facilitando a penetração e povoamento do sertão.
(D) grandes propriedades rurais onde se produzia açúcar;
(B) a cana-de-açúcar, produto em expansão no mercado europeu, que permitiu a ocupação
(E) local onde era moída a cana-de-açúcar.
efetiva da colônia.
(C) a exploração do ouro, fato que consolidou o modelo metalista de mercantilismo
16. (G1) São atividades que auxiliavam a lavoura açucareira: português.
(D) a exploração de drogas do sertão, utilizando trabalho indígena através de missões
(A) tabaco e pecuária; jesuíticas.
(B) extrativismo e mineração; (E) a produção de gêneros de primeira necessidade voltados para o mercado interno.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. 47
20. (Uece) A corrida do ouro em Minas Gerais no final do século XVII trouxe uma riqueza muito (C) alterou as bases políticas da Metrópole com a participação de ricos mineradores no
grande para a Coroa portuguesa mas também exigiu muitos esforços no sentido de fiscalizar a Conselho Ultramarino, para evitar o contrabando aurífero.
produção e punir o contrabando. Assinale a expressão correta a respeito das medidas fiscais (D) reduziu a importação de escravos para o Brasil, pois a mão-de-obra liberada pela região
empreendidas por Portugal na área das minas: açucareira foi suficiente para atender as necessidades da região mineradora.
(E) provocou a decadência da agricultura e a conseqüente queda do poder político dos
(A) apesar dos protestos dos fidalgos encarregados da arrecadação, a Coroa portuguesa senhores de engenho no âmbito regional.
evitava pressionar os produtores através das derramas, limitando-se a aumentar os
impostos.
(B) sem conseguir se impor aos proprietários das minas, a administração colonial passou a
permitir a livre comercialização do ouro, arrecadando impostos nos portos e nas estradas.
(C) a administração colonial instalou as casas de fundição para regulamentar a produção do
ouro e arrecadar mais impostos, obtendo total apoio dos proprietários das minas.
(D) ao aumentar a carga fiscal e as casas de fundição, a Coroa logrou aumentar a
arrecadação de impostos, mas provocou a revolta dos proprietários das minas.

EXERCÍCIOS DE PROVA

01. (EsFCEx - 2002) A cultura da cana-de-açúcar no Brasil Colonial se caracterizou por:

(A) não ter contribuído para formação de uma estrutura agrária caracteristicamente
latifundiária no Brasil.
(B) desenvolver características jamais usadas, todas desenvolvidas em nosso País.
(C) falta total de adaptação dos portugueses ao Brasil, que não souberam se adaptar a novos
costumes.
(D) demonstrar que historicamente o índio não contribuiu com técnicas agrícolas para com os
portugueses.
(E) aplicar em larga escala um processo já instituído, inclusive com utilização dos negros da
Guiné.

02. (EsFCEx - 2005) Sobre o impacto da mineração no conjunto da economia colonial, pode-se
dizer que:

(A) a faixa de ocupação litorânea do território brasileiro recebeu grande fluxo de artesãos
especialistas na arte de fundir metais preciosos, o que promoveu expressiva dinamização
na economia da região.
(B) a economia do ouro conseguiu atrair para si a pecuária sulina, através de São Paulo, e a
nordestina, através do rio São Francisco, integrando povoamentos e mercados.

48 Tópico 1.2 – As atividades econômicas e a expansão colonial – açúcar, mineração, gado e comércio. | Curso Preparatório Cidade
Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. resistência oposto aos portugueses. Por exemplo, os aimorés que se
destacaram pela eficiência militar e pela rebeldia, foram sempre
apresentados de forma desfavorável. Segundo as descrições, os índios
Comentário viviam em geral em casas, como homens; os aimorés, como animais na
floresta. Os tupinambás comiam os inimigos por vingança; os aimorés,
Caro estudantes, avancemos um pouco mais! Nesse tópico estudaremos a ação porque apreciavam a carne humana. Quando a Coroa publicou a primeira
jesuítica no Brasil. Eles foram fundamentais no processo colonizador em terras lei proibindo a escravização dos índios (1570), só os aimorés foram
brasileiras. Nem sempre o processo de conversão indígena mostrou-se uma tarefa especificamente excluídos da proibição.
simples. Acusados de criarem um "estado dentro do estado" foram expulsos do Brasil
no ano de 1759 por Marquês de Pombal. Sobre o assunto leia o texto a seguir. Há também uma falta de dados que não decorre nem da incompreensão
nem do preconceito, mas da dificuldade da sua obtenção. Por exemplo,
Bons estudos!
não se sabe quantos índios existiam no território abrangido pelo que é
hoje o Brasil e o Paraguai quando os portugueses chegaram ao Novo
Mundo, oscilando os cálculos em números tão variados como 2 milhóes
OS POVOS INDÍGENAS E AÇÃO JESUÍTICA. para todo o território e cerca de 5 milhões só para a Amazônia brasileira.

(Boris Fausto. História Concisa do Brasil. EdUsP. 2001. Página 15)


Falar dos índios que habitavam as terras brasileiras não é tarefa muito simples. O primeiro
Figura 17: Ritual Antropogáfico
problema enfrentado ocorre pela falta de dados precisos sobre essas populações. Outra dificuldade
reside no fato que o pouco que se sabe sobre os índios foi escrito pelos europeus. Os indígenas
não possuíam linguagem escrita e não puderam registrar sua própria visão da história. A tradição
oral se perdeu junto com essas populações.

Quantos eram? Como era a vida espiritual desses povos? Como foi o encontro entre índios e
europeus e como comparar essas duas formas de vida tão distintas? Eram realmente “preguiçosos”
e “traiçoeiros”?

Como os europeus encaravam e enxergavam práticas tão distintas daquelas que conheciam? Por
que andavam pelados? Será que conheceram o pecado original da cristandade? Como entender a
prática da antropofagia?

De acordo com Boris Fausto:

É difícil analisar a sociedade e os costumes indígenas porque se lida com


povos com uma cultura muito diferente da nossa, sobre a qual existiram e
ainda existem fortes preconceitos. Isto se reflete em maior ou menor grau
nos relatos escritos por cronistas, viajantes e padres, especialmente
jesuítas.

(Ritual Antropogáfico por Hans Staden. Século XVI)


Existe nesses relatos uma diferenciação entre índios com qualidades
positivas e negativas, de acordo com o maior ou menor grau de

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 49


Num primeiro momento, o contato entre índios e portugueses foi pacífico. A prática do escambo Figura 18: Imagem de hans staden
utilizada na exploração do pau-brasil tornava desnecessária a escravização do indígena. O corte
dessa madeira de tinta avermelhada ajustava-se perfeitamente ao cotidiano do indígena nativo. No
entanto, a implementação da empresa agrícola açucareira modificou tal situação: era necessário
fixar o homem à terra, diferente do que acontecera antes. Passaram do escambo à escravidão.
Dessa forma a agricultura comercial destinada à exportação incentivou a produção de açúcar em
grande escala e, como consequência, a escravidão no Brasil colonial.

Apesar de inicialmente pacífico, o contato entre e europeus e índios representou uma verdadeira
catástrofe demográfica para as populações ameríndias. A ausência de anticorpos para doenças
trazidas pelos europeus como a gripe e a varíola fez que epidemias dizimassem milhares de
homens, mulheres e crianças. Segundo Stuart B. Scwhuartz:

Já em 1559 relatava-se a existência de uma peste que assolava a costa


brasileira. A doença, provavelmente varíola (bexigas), alastrou-se em
direção ao norte.

Em 1559 ou 1560, matou mais de seiscentos escravos indígenas no


Espírito Santo em tão pouco tempo que precisavam ser enterrados
escravos dois corpos em cada cova. Não se tem ideia do número de
mortos entre os nativos livres. Em 1561, os efeitos da mortalidade
crescente faziam-se sentir no Recôncavo. O padre Leonardo do Vale
relatou que era chamado diariamente para tratar de escravos doentes, às
vezes em dois ou três lugares diferentes simultaneamente. A epidemia
atingiu o auge em 1562. Milhares pereceram. As estimativas são de 30 mil
mortos entre os índios sob o jugo português, sem mencionar as
incontáveis vítimas no sertão, onde a doença se alastrou à medida que os
nativos fugiram das condições mortíferas do litoral.

(Stuart B. Schwartz. Segredos Internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial. Companhia das Letras. 1988. Pg.52)

Diante da necessidade de fixar o indígena à terra, a vulnerabilidade biológica do gentio representou


(imagem de hans staden)
um grande problema para os senhores de escravos. Este fator foi um dos responsáveis pela
substituição do “negro da terra” pelo africano na realização do trabalho compulsório. A expectativa
de vida de um gentio fazia dele um investimento arriscado e ajuda a explicar por que o preço dos
escravos índios era muito menor do que dos escravos vindos da África. Uma forma de resistência indígena à escravidão foi a interiorização, ou seja, as populações
ameríndias buscaram cada vez mais se distanciar da costa em busca de sobrevivência e liberdade.

Na maioria das sociedades indígenas encontradas, a atividade agrícola era uma função
essencialmente feminina. Aos homens cabiam outras tarefas como caça, pesca e fazer guerra. Isso
representou dificuldade muitos vezes insuperável na escravização de índios nas propriedades

50 Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. | Curso Preparatório Cidade


agrícolas. A noção de trabalho compulsório era totalmente desconhecida para essas populações. complicada sem o auxílio efetivo da Igreja Católica. Participar da colonização na América foi uma
Um famoso diálogo entre um índio e um branco mostra o espanto das populações ameríndias das respostas da Igreja Católica frente ao avanço Protestante.
diante do esforço empreendido pelo homem branco.
Figura 19: Nobrega e Anchieta
Frente às dificuldades enfrentadas na escravização do indígena, o comércio de homens vindos da
África apresentou-se como alternativa. O tráfico negreiro representou outra possibilidade de lucros
no empreendimento colonial. Mais uma oportunidade de lucros dentro do empreendimento colonial.
Um escravo africano chegava a custar cinco vezes mais caro que um escravo indígena. De acordo
com Stuart B. Schwartz:

Muitos negros provinham da África ocidental, de culturas em que os


trabalhos com ferro, gado e outras atividades úteis para a lavoura
açucareira eram praticados. Esses conhecimentos e a familiaridade com a
agricultura a longo prazo tornava-os mais valiosos para os portugueses na
escravidão específica da indústria do açúcar. Os africanos sem dúvida não
eram mais “predispostos” ao cativeiro do que índios, portugueses,
ingleses ou qualquer outro povo arrancado de sua terra natal e submetido
à vontade alheia, mas as semelhanças de sua herança cultural com as
tradições europeias valorizavam-nos aos olhos dos europeus.

A suscetibilidade dos índios de todas as idades às doenças europeias


aumentava o risco do investimento de tempo e capital para treiná-los em
trabalhos artesanais ou de fiscalização. Naturalmente também os
africanos sofriam nas condições ambientais do Brasil, mas as taxas mais
elevadas de mortalidade entre os negros eram sempre encontradas entre
(Nobrega e Anchieta por Benedicto Calixto. Século XIX)
os recém-chegados (boçais) e as crianças. Assim, tão logo um escravo se
ambientava e ultrapassava a idade infantil, tinha grandes chances de
sobrevivência e, portanto, de ser um investimento seguro. A catequização de povos indígenas foi uma forte justificativa para colonização. Durante muito
tempo, a religião católica foi religião oficial no Brasil. Até 1889, ano da Proclamação da República
(Stuart B. Schwartz. Segredos internos. 1988. Cia das Letras. Engenhos e escravos na sociedade colonial. Pág 70) no Brasil, Estado e Igreja ainda estavam ligados. A laicização do Estado Brasileiro é relativamente
recente. Este fato demonstra a importância da Igreja Católica na história brasileira.
Podemos afirmar então que aspectos biológicos, culturais, geográficos e até mesmo religiosos
determinaram que o índio fosse preterido em detrimento do negro africano. Esse último aspecto diz A companhia de Jesus foi fundada no ano 1534 por Inácio de Loyola, líder de um grupo de
respeito ao fato da Igreja Católica considerar o negro africano um ser desprovido de alma. Opinião universitários. Os membros da Companhia de Jesus (jesuítas) tiveram papel fundamental a partir
diferente daquela relativa ao indígena brasileiro visto como um “povo criança” do Concílio de Trento (século XVI - Contra-reforma) no sentido de combater as ideias protestantes
e difundir a fé católica. Com esta missão, os jesuítas se incorporaram ao projeto colonizador,
garantindo a unidade religiosa e cultural na colônia através da evangelização e da educação.
A Ação Jesuítica
Os jesuítas foram a principal ordem religiosa atuante no Brasil. Foram decisivos. Cultos e
O apoio da Igreja Católica e a ação jesuítica em território brasileiro foram determinantes para que inteligentes couberam-lhes o papel de evangelizar os índios, vistos por eles como um “povo
o projeto colonizador fosse concretizado. De fato a colonização das terras brasileiras teria sido mais criança” ou uma “página em branco” pronta para ser preenchida pelos valores cristãos. Podemos

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 51


imaginar que o contato gerou um choque cultural tremendo. Os jesuítas eram jovens e CARTA JESUÍTICA
entusiasmados com a nova ordem religiosa recém-fundada. Quase não podiam acreditar no que
seus próprios olhos viam: colonos piores que os próprios índios, escândalos, filhos ilegítimos e todo A informação que vos posso dar destas partes do Brasil, padres e irmãos caríssimos, é que tem
tipo de comportamento ao sul do Equador. esta terra léguas de costa, toda povoada de gente que anda nua, assim mulheres como homens,
tirando algumas partes, muito longe de onde estou, nas quais as mulheres andam vestidas com
Figura 20: Redução Jesuítica traje de ciganas, com panos de algodão, por ser a terra mais fria que esta, a qual, aqui, é muito
temperada. De tal maneira que o inverno não é frio nem quente, e o verão, ainda que seja mais
quente, bem se pode sofrer; porém é terra muito úmida, pelas muitas águas que chovem todo o
tempo mui a miúdo. Pelo que os arvoredos e as ervas estão sempre verdes, e por isso é a terra
mui fresca. Em algumas partes é mui áspera pelos montes e matos, que sempre estão verdes.

Há nela diversas frutas de que comem os da terra, ainda que não sejam tão boas como as daí, as
quais creio que se dariam aqui, se se plantassem. Porque vejo dar-se parreiras, uvas até duas
vezes por ano, porém são poucas, por causa das formigas que fazem muito dano nisto como em
outras coisas. Cidras, laranjas, limões dão-se em muita abundância, e figos também, tão bons
como os daí.

O principal mantimento da terra é uma raiz de pau, a que chamam mandioca, da qual fazem uma
farinha de que comemos todos. E dá também milho, o qual misturado com a farinha faz um pão
que escusa o de trigo. Há muito pescado e também muito marisco, de que se mantêm os da terra,
e muita caça de mato, e gansos que criam os índios. Bois, vacas, ovelhas, cabras e galinhas
também dão na terra e há deles muita cópia.

Os gentios são de diversas castas, uns se chamam goianases outros carijós. É este o melhor gentio
(Redução Jesuítica por Zacarias Wagner. Século XVII)
que há nesta costa, aos quais foram, há não muitos anos, dois frades castelhanos ensinar-lhes, e
tão bem tomaram a doutrina que tinham já casas de recolhimento para mulheres, como freiras, e
Possuíam métodos próprios e, muitas vezes, objetivos distintos daqueles da coroa portuguesa. Em
outras de homens, como frades. E isso durou muito tempo, até que o demônio levou lá uma nau
alguns momentos, chocaram-se com o estado e colonos. No Brasil foi comum a criação de
de salteadores, e cativaram muitos deles. Trabalhamos por resgatar os cativos, e já temos alguns
aldeamentos ou reduções jesuíticas onde os nativos eram aculturados.
para os levar à sua terra, com os quais irá um padre dos nossos.
Diante da vastidão das novas terras descobertas mundo afora, os jesuítas tiveram que atuar em
Há outra casta de gentios que se chamam guaimures e é gente que habita pelos matos adentro.
vários continentes. Congo, Índia, Brasil e Japão são exemplos de locais onde os jesuítas deixaram
Não têm nenhuma comunicação com os cristãos, pelo que se espantam quando nos vêem, e dizem
suas marcas. Frente às dificuldades inerentes à missão catequizadora a comunicação era algo de
que somos seus irmãos porque trazemos barba como eles.
grande utilidade extremamente necessária. Interessava aos jesuítas saberem o que seus irmãos
realizavam em outros lugares. A utilização de cartas foi a solução encontrada. Em pleno século XVI
A qual não trazem todos os outros, antes rapam até as pestanas, e fazem buracos nos beiços e nas
conseguiram desenvolver um eficiente sistema de comunicações centralizado em Roma nas mãos
ventas, e põem neles uns ossos, que parecem demônios; e assim alguns, principalmente os
de Inácio Loyola. Ao chegarem em Roma as cartas eram reescritas e enviadas para outros lugares
feiticeiros, trazem o rosto cheio deles. Esses gentios são como gigantes. Trazem um arco mui forte
onde eram lidas de forma entusiasmada para o maior número possível de pessoas. Entre 1524 e
na mão, e na outra um pau muito grosso com que pelejam com seus contrários, e facilmente os
1556, Santo Inácio redigiu nada menos do que 6.815 cartas. A linguagem utilizada nessas cartas
despedaçam e fogem para os matos, e são muito temidos entre todos os outros.
era bastante direta, familiar e coloquial. Bem diferente das epístolas medievais.

52 Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. | Curso Preparatório Cidade


Aqueles com quem temos comunicação até agora são de duas castas: uns se chamam tupiniquins vingariam, e outras coisas semelhantes. E, morto, corram-lhe logo o dedo polegar, porque com ele
e os outros tupinambás. Estes têm casas de palmas mui grandes, e tais que nelas habitariam atirava suas flechas, e o demais fazem em pedaços, para comê-lo assado ou cozido.
cinqüenta Índios casados, com suas mulheres e filhos. Dormem todos em redes de algodão, junto
do fogo, que durante toda a noite têm aceso, assim pelo frio, porque andam nus, como também Quando morre algum dos seus, põem sobre a sepultura pratos cheios de viandas, e uma rede em
pelos demônios que dizem fugir do fogo, e por esta causa trazem tições à noite, quando saem. que eles dormem, mui bem lavada. Isso porque crêem, segundo dizem, que depois que morrem
Esta gentilidade a nenhuma coisa adora, nem conhece a Deus, somente aos trovões chamam tupã, tornam a comer e descansar sobre a sepultura. Deitam-nos em covas redondas, e, se são
que é como quem diz coisa divina. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para principais, fazem-lhes uma choça de palma. Não têm conhecimento de glória nem de inferno,
trazê-los ao conhecimento de Deus que chamá- Lo pai tupã. Somente entre eles se fazem umas somente dizem que depois de morrer vão descansar num bom lugar, e em muitas coisas guardam
cerimônias da maneira seguinte: de certos em certos anos vêm uns feiticeiros de longes terras a lei da natureza.
fingindo trazer santidade, e ao tempo de sua vinda lhes mandam limpar os caminhos, e os vão
receber com danças e festas segundo seu costume. E antes que o feiticeiro chegue ao lugar, Nenhuma coisa própria têm que não seja comum, o que um tem reparte com os outros,
andam as mulheres de duas em duas pelas casas dizendo publicamente as faltas que fizeram a principalmente se são coisas de comer, das quais nada guardam para o outro dia, nem curam de
seus maridos, e umas às outras, e pedido o perdão delas. entesourar riquezas. Às suas filhas não dão nada em casamento, antes os genros ficam obrigados a
servir a seus sogros. A qualquer cristão que entre em suas casas, dão-lhe de comer do que têm e
Em chegando o feiticeiro, com muita festa, ao lugar, entra em uma casa escura e põe na parte uma rede lavada em que durma.
mais conveniente para seus enganos uma cabaça que traz em figura humana, e mudando sua
própria voz, como a de criança, junto da cabaça, diz-lhes que não cuidem de trabalhar, nem vão à São castas as mulheres aos seus maridos. Têm memória do dilúvio, porém falsamente, porque
roça, que o mantimento por si próprio crescerá, e que nunca lhes faltará o que comer, e que por si dizem que, cobrindo-se a terra de água, uma mulher e seu marido subiram em um pinho e, depois
virá a casa, e que as aguilhadas se irão a cavar, e as flechas se irão ao mato caçar para seu de minguadas as águas, desceram, e deles procederam todos os homens e mulheres. Têm muito
senhor, e que hão de matar muitos de seus contrários, e cativarão muitos para seus comeres; e poucos vocábulos para lhes podermos bem declarar a nossa fé, mas contudo damos a entender o
promete-lhes longa vida, e que as velhas se hão de tornar moças, e as filhas que as dêem a quem melhor que podemos, e algumas coisas lhes declaramos por rodeios. São mui apegados às coisas
quiserem, e outras coisas semelhantes lhes diz e promete, com o que lhes engana; de maneira que sensuais, muitas vezes me perguntam se Deus tem cabeça, e corpo, e mulher, e se come, e de que
crêem haver dentro da cabaça alguma coisa santa e divina, que lhes diz essas coisas, nas quais se veste, e outras coisas semelhantes.
crêem. E, acabando de falar o feiticeiro, começam a tremer, principalmente as mulheres, com
Dizem eles que São Tomé, a quem chamam Zome, passou por aqui, isso lhes vem do dito por seus
grandes tremores pelo corpo, que parecem endemoniadas, como decerto o são, lançando-se à
antepassados, e que pegadas dele estão assinaladas à beira de um rio, as quais eu fui ver por ter
terra, espumando pela boca, e nisto lhes persuade o feiticeiro de que então lhes entra a santidade,
mais certeza da verdade, e vi com meus próprios olhos quatro pegadas, com seus dedos, mui
e quem assim não age, tomam-lhe mal. E depois lhe oferecem muitas coisas.
assinaladas, as quais algumas vezes o rio cobre quando enche. Dizem também que quando deixou
E nas enfermidades dos gentios usam também esses feiticeiros de muitos enganos e feitiçarias. essas pegadas, ia fugindo dos índios que lhe queriam flechar, e chegando ali, abriu-se-Ihe o rio, e
Esses são os maiores inimigos que temos aqui: algumas vezes fazem crer aos enfermos que nós passou pelo meio dele até a outra margem, sem se molhar, e dali foi para a Índia. Assim mesmo
lhes metemos no corpo facas, tesouras e coisas semelhantes, e que com isso os matamos. E em contam que quando lhe queriam flechar os índios, as flechas se tornavam para eles, e os matos lhe
suas guerras os gentios aconselham-se com eles, além de agouros que obtêm de certas aves. abriam caminho por onde passasse. Outros contam isso como por escárnio. Dizem também que
lhes prometeu que havia de tornar outra vez a vê-Ias. Ele os veja do céu, e interceda por eles
Quando cativam algum, trazem-no com muita festa, com uma soga ao pescoço, e dão-lhe por junto a Deus, para que sejam trazidos ao seu conhecimento, e recebam a santa Fé, como
mulher a filha do principal, ou qualquer outra que mais lhe contente, e põem-no a cevar como esperamos.
porco, até que o hão de matar; para o que se ajuntam todos os da aldeia para ver a festa. E um
dia antes que o matem, lavam-no todo, e no dia seguinte tiram-no para um terreiro, atado pela Isto é o que brevemente, caríssimos irmãos, vos posso informar desta terra. Quando vier a ter
cintura com uma corda, e vem um deles mui bem ataviado, e lhe faz uma prática sobre seus mais conhecimento de outras coisas que há nela, não deixarei mui particularmente de disso dar-
antepassados; e, acabada, o que está para morrer lhe responde dizendo que é dos valentes não lhes notícia.
temer a morte, e que ele mesmo matara muitos dos seus, e que aqui ficavam seus parentes, que o
(Padre Manuel da Nóbrega)

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 53


Acusados de criar um estado dentro do estado foram expulsos do Brasil no ano de 1759 por Na questão adiante julgue os itens numerados de I a V e assinale a alternativa correta utilizando a
Marquês de Pombal. chave de respostas a seguir:

De acordo com esse os jesuítas eram "(...) com tantos, tão abomináveis, tão inveterados e (A) Apenas as afirmativas II e III são corretas.
tão incorrigíveis vícios (…) rebeldes, traidores, adversários e agressores, contra a paz (B) Apenas as afirmativas I, II e V são corretas.
pública dos meus reinos e domínios". Classifica-os também como "desnaturalizados, proscritos (C) Apenas as afirmativas I, IV e V são corretas.
e exterminados". (D) Apenas as afirmativas II, III, IV e V são corretas.
(E) Todas as afirmativas são corretas.
De fato Pombal não gostava dos Jesuítas e chegou a acusá-los de responsáveis por todos os males
portugueses.
02. (Ufba) "(...) Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos
despidos e nus; os senhores banqueteando; os escravos perecendo a fome; os senhores
EXERCÍCIOS nadando em ouro e prata; os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como
brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando
para açoite, como estátua da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas
01. (Ufba)
atrás, como imagem vilíssima da servidão e espetáculos da extrema miséria. Oh Deus!
Quantas graças devemos à Fé que nos destes, (...) para que à vista destas desigualdades
"(...) Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos
reconheçamos com tudo vossa justiça e providência! (...)"
e nus; os senhores banqueteando; os escravos perecendo a fome; os senhores nadando em ouro e
prata; os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos (Vieira apud AVANCINI, p. 46)
adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando para açoite, como estátua
da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás, como imagem vilíssima Vieram somar-se aos primeiros observadores do país, de que trata o texto, missionários jesuítas,
da servidão e espetáculos da extrema miséria. Oh Deus! Quantas graças devemos à Fé que nos como Anchieta e Manuel da Nóbrega, aqui chegados para:
destes, (...) para que à vista destas desigualdades reconheçamos com tudo vossa justiça e
providência! (...)" (A) promover a conversão do gentio.
(Vieira apud AVANCINI, p. 46) (B) instituir o nosso sistema literário.
(C) disseminar as ideias da Reforma.
Com base no sermão do Padre Vieira, pode-se inferir: (D) assimilar elementos do imaginário indígena.
(E) fundar nossas primeiras Academias.
I. A posição do jesuíta referente à escravidão reflete o pensamento da Igreja Católica no
período colonial.
II. As denúncias da Igreja se limitavam ao repúdio às torturas e aos maus tratos, não 03. (Pucmg) O texto, do ano de 1612, refere-se ao período colonial brasileiro. Leia-o com atenção.
havendo, porém, questionamento da escravidão enquanto instituição.
III. As desigualdades terrenas são reconhecidas no discurso do jesuíta, que elege como espaço "Os bens dos vassalos deste Estado são engenhos, canaviais, roças ou sementeiras, gados, lenhas,
de julgamento o fórum divino. escravos, que são o fundamento em que se estriba essa potência [...] porém a [posse] dos
IV. A dominação colonialista se fazia pelo poder econômico, jurídico, político e ideológico sobre escravos é a mais considerável porque dela depende o remédio de todos os outros.
a classe trabalhadora escravizada. Estes escravos hão de ser de Guiné, vindos das conquistas ou comércios de Etiópia, ou hão de ser
V. O negro ingressou na sociedade brasileira como cultura dominada, e as marcas da da própria terra, ou de uns e de outros.
escravidão persistem no Brasil de hoje.

54 Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. | Curso Preparatório Cidade


[...] Os índios da terra, que parecem de maior facilidade, menos custo e maior número, como (B) A resistência do índio legitimou as "guerras justas", levando a sua captura e morte.
andam metidos com os religiosos aos quais vivem sujeitos de maravilha fazem serviço, nem dão (C) A aculturação do indígena foi feita pela catequese, tarefa exercida especialmente pelos
ajuda aos leigos, que seja de substância [...]" jesuítas.
(D) Na estrutura social indígena, o chefe exercia a autoridade e não poder de mando sobre a
(MORENO, Diogo de. Livro que dá razão do Estado do Brasil. Apud INÁCIO, Inês da C. e LUCA, comunidade.
Tania R. de. DOCUMENTOS DO BRASIL COLONIAL. São Paulo. Ática, 1993, p. 62-63)
(E) Dentre as formas de rebeldia do gentio, destacaram-se as fugas e o ataque às vila
Todas as afirmativas que se seguem têm relação com o texto, EXCETO: coloniais.

(A) A mão-de-obra escrava foi indispensável para a produção de riquezas coloniais. 05. (Puccamp) Não, é nossa terra, a terra do índio. Isso que a gente quer mostrar pro Brasil:
(B) O tráfico negreiro foi responsável, em grande parte, pelo abastecimento de escravos na gostamos muito do Brasil, amamos o Brasil, valorizamos as coisas do Brasil porque o adubo do
Colônia. Brasil são os corpos dos nossos antepassados e todo o patrimônio ecológico que existe por aqui
(C) A riqueza do colonizador media-se pelo volume de suas propriedades, incluindo os foi protegido pelos povos indígenas. Quando Cabral chegou, a gente o recebeu com
escravos. sinceridade, com a verdade, e o pessoal achou que a gente era inocente demais e aí fomos
(D) A contribuição do trabalho dos indígenas foi mais substancial que o dos africanos. traídos: aquilo que era nosso, que a gente queria repartir, passou a ser objeto de ambição. Do
(E) Os aldeamentos facilitaram a exploração, ainda que mais amena, da força de trabalho do ponto de vista do colonizador, era tomar para dominar a terra, dominar nossa cultura, anulando
índio. a gente como civilização.

(Revista "Caros Amigos". ano 4. no. 37. Abril/2000. p. 36).


04. (Pucmg) "Havia muitos destes índios pela Costa junto das Capitanias, tudo enfim estava cheio
deles quando começaram os portugueses a povoar a terra; mas porque os mesmos índios se Considere as afirmações adiante sobre o papel da Igreja no processo de colonização.
levantaram contra eles e faziam-lhes muitas traições, os governadores e capitães da terra
destruíram-nos pouco a pouco e mataram muitos deles, outros fugiram para o sertão, e assim I. Várias ordens religiosas atuaram na catequização dos índios brasileiros: franciscanos,
ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto deles ficaram alguns índios carmelitas, beneditinos e, principalmente, jesuítas.
destes nas aldeias que são de paz, e amigos dos portugueses. II. As ordens religiosas acumularam, gradativamente, um considerável patrimônio econômico,
para o qual a mão-de-obra indígena foi fundamental.
Á língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras - não se acha nela F, nem L, III. A expansão do catolicismo não contou com o apoio da Coroa Portuguesa, que mantinha
nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira com a Igreja o regime de padroado.
vivem sem justiça e desordenadamente. IV. A Inquisição não chegou a atuar no Brasil Colônia, uma vez que o grande sincretismo
existente impedia o estabelecimento de dogmas.
Estes índios andam nus sem cobertura alguma, assim machos como fêmeas; não cobrem parte
nenhuma de seu corpo, e trazem descoberto quanto a natureza lhes deu. (...). Não há como digo
São corretas SOMENTE:
entre eles nenhum Rei, nem justiça, somente cada aldeia tem um principal que é como capitão, ao
qual obedecem por vontade e não por força; (...) [e que] não castiga seus erros nem manda sobre
(A) I e II
eles cousa contra sua vontade".
(B) II e III
(GANDAVO, Pero de Magalhães. Tratados da Terra do Brasil. História da província Sta. Cruz. Belo (C) III e IV
Horizonte / São Paulo: Itatiaia/Edusp., 1980, p.52-54) (D) I, II e IV
(E) I, III e IV
Todas as afirmativas a seguir, têm relação com o texto de Gandavo, EXCETO:

(A) No início da colonização, os portugueses encontraram diversas tribos indígenas que 06. (Unesp) Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O europeu,
habitavam o litoral. com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura. A

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 55


acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo da (B) à bem-sucedida campanha dos jesuítas em favor dos índios.
população indígena, que se agrava nos séculos seguintes. Os fatores que mais contribuíram (C) à completa incapacidade dos índios para o trabalho.
para o citado decréscimo foram: (D) aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro aos capitais particulares e à
Coroa.
(A) a captura e a venda do índio para o trabalho nas minas de prata do Potosi. (E) ao desejo manifestado pelos negros de emigrarem para o Brasil em busca de trabalho.
(B) as guerras permanentes entre as tribos indígenas e entre índios e brancos. 09. (Unesp) Sobre os jesuítas, intimamente relacionados com a expansão européia e a realidade
(C) o canibalismo, o sentido mítico das práticas rituais, o espírito sanguinário, cruel e colonial, é correto afirmar que:
vingativo dos naturais.
(D) as missões jesuíticas do vale amazônico e a exploração do trabalho indígena na extração (A) foram expulsos de Portugal e do Brasil no reinado de D. José I.
da borracha. (B) respeitaram as culturas alheias, mas fizeram da educação uma das tarefas menos
(E) as epidemias introduzidas pelo invasor europeu e a escravidão dos índios. constantes na América, na Ásia e na África.
(C) a Ordem dos Jesuítas nunca foi reconhecida pela Santa Sé e pelos monarcas absolutos.
(D) deliberadamente buscaram aniquilar os guaranis catequizados.
07. (Fuvest) "Na primeira carta disse a V. Rev. a grande perseguição que padecem os índios, pela
(E) foram indispensáveis na luta contra-reformista, mas não estavam sujeitos a um modelo
cobiça dos portugueses em os cativarem. Nada há de dizer de novo, senão que ainda continua
de organização hierarquizada militarmente.
a mesma cobiça e perseguição, a qual cresceu ainda mais.

No ano de 1649 partiram os moradores de São Paulo para o sertão, em demanda de uma nação de 10. (Fgv) Com relação às populações indígenas brasileiras, NÃO é correto afirmar:
índios distantes daquela capitania muitas léguas pela terra adentro, com a intenção de os
arrancarem de suas terras e os trazerem às de São Paulo, e aí se servirem deles como costumam." (A) para praticar a agricultura, os tupis derrubavam árvores e faziam a queimada, técnica que
seria posteriormente incorporada pelos colonizadores.
(Pe. Antônio Vieira, CARTA AO PADRE PROVINCIAL, 1653, Maranhão.)
(B) quando os europeus chegaram aqui, encontraram uma população ameríndia homogênea
em termos culturais e lingüísticos, distribuída ao longo da costa e da bacia dos Rios
Este documento do Padre Antônio Vieira revela:
Paraná-Paraguai.
(C) ao longo do período colonial, em várias ocasiões os aimorés, tupis, xavantes, tupiniquins,
(A) que tanto o padre Vieira como os demais jesuítas eram contrários à escravidão dos
tapuias e terenas uniram-se para enfrentar os invasores europeus.
indígenas e dos africanos, posição que provocou conflitos constantes com o governo
(D) feijão, milho, abóbora e mandioca eram plantados pelas nações indígenas, sendo que a
português.
farinha de mandioca tornou-se um alimento básico na Colônia.
(B) um dos momentos cruciais da crise entre o governo português e a Companhia de Jesus,
(E) uma forma de resistência dos índios à presença do homem branco consistiu no seu
que culminou com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro.
contínuo deslocamento, para regiões cada vez mais pobres.
(C) que o ponto fundamental dos confrontos entre os padres jesuítas e os colonos referia-se
à escravização dos indígenas e, em especial, à forma de atuar dos bandeirantes.
(D) um episódio isolado da ação do padre Vieira na luta contra a escravização indígena no 11. (Ufmg) Todas as alternativas contêm elementos corretos sobre o projeto missionário e
Estado do Maranhão, o qual se utilizava da ação dos bandeirantes para caçar os nativos. catequizador dos jesuítas, no momento da colonização brasileira, EXCETO:
(E) que os padres jesuítas, em oposição à ação dos colonos paulistas, contavam com o apoio
do governo português na luta contra a escravização indígena. (A) A legitimação da espoliação e da fraternidade cristã.
(B) A oratória barroca, marcada pelo discurso linear e retilíneo.
(C) A simbiose da alegoria cristã e do pensamento mercantil.
08. (Fuvest-gv) A escravidão indígena adotada no início da colonização do Brasil foi
(D) O ardor da diplomacia cristã, mistura de veemência e ambigüidade.
progressivamente abandonada e substituída pela africana entre outros motivos, devido:
(E) Os caminhos violentos e sedutores da pedagogia missionária.
(A) ao constante empenho do papado na defesa dos índios contra os colonos.

56 Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. | Curso Preparatório Cidade


12. (Uel) Durante o período colonial, havia atritos entre os padres jesuítas e os habitantes locais 15. (Ufmg) Leia o texto adiante.
porque os:
"... Não castigar os excessos que eles [os escravos] cometem seria culpa não leve, porém estes
(A) colonos eram ateus belicosos, e os jesuítas, pacíficos católicos. [senhores] hão de averiguar antes, para não castigar inocentes, e se hão de ouvir os delatados e,
(B) religiosos pretendiam escravizar tanto o negro como o índio e os colonos lutavam para convencidos, castigar-se-ão com açoites moderados ou com os meterem em uma corrente de ferro
receber salários dos capitães donatários. por mão própria e com instrumentos terríveis e chegar talvez aos pobres com fogo ou lacre
(C) colonos desejavam escravizar o negro e os jesuítas se opunham. ardente, ou marcá-los na cara, não seria para se sofrer entre os bárbaros, muito menos entre os
(D) religiosos preocupavam-se com a integração dos indígenas no mercado de trabalho cristãos católicos."
assalariado e os colonos queriam escravizá-los. (ANTONIL, André João. CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL. 1711.)
(E) colonos pretendiam escravizar os indígenas e os padres eram contra, pois queriam aldeá-
los em missões. Esse texto, escrito por um padre jesuíta em 1711, pode ser relacionado à:

(A) associação entre a escravidão e a moral cristã.


13. (Mackenzie) "Pouco fruto se pode obter deles se a força do braço secular não acudir para (B) condenação dos castigos aplicados aos escravos.
domá-los. Para esse gênero de gente, não há melhor pregação do que a espada e a vara de (C) oposição do clero católico à escravidão.
ferro." (D) regulamentação das relações entre senhores e escravos.

(José de Anchieta. Pedro Casaldáliga in "Na Procura do Reino")


16. (G1) Assinale a afirmativa que sintetiza a lógica dos empreendimentos coloniais em relação ao
O fragmento de texto anterior, escrito nos primórdios da colonização do Brasil, refere-se: trabalho:

(A) à evangelização do negro e o apresamento de escravos pelos bandeirantes. (A) A mão-de-obra indígena era mais facilmente obtida por ser menos dispendiosa e pela
(B) à expansão da cana-de-açúcar para o interior de Mato Grosso e a utilização de mão-de- grande quantidade de índios disponíveis na própria Colônia.
obra indígena. (B) A necessidade de grandes contingentes de trabalhadores levou os portugueses a
(C) à catequização do índio pelos jesuítas e a utilização dos silvícolas como mão-de-obra nas recorrerem ao trabalho indígena.
propriedades da Companhia de Jesus. (C) A questão da mão-de-obra foi um problema constante no período, conduzindo à
(D) à inadaptação do índio para o trabalho e a escravização do negro pelos jesuítas em suas escravização de índios e africanos.
reduções de ouro. (D) A escravização do gentio constitui-se numa questão polêmica que contrapôs,
(E) à determinação dos jesuítas em pregar o Evangelho junto aos índios e negros, ampliando frequentemente, lavradores e missionários.
os horizontes da fé. (E) O trabalho compulsório mostrou-se o mais adequado ante as diretrizes mercantilistas de
ocupação e exploração coloniais.
14. (G1) Sobre a presença dos jesuítas no Brasil, é INCORRETO afirmar:
17. (G1) A escravização do negro, pode ser explicada porque:
(A) Catequizavam os indígenas;
(B) Educavam os indígenas e os colonos; (A) os indígenas eram fracos e não suportavam o trabalho;
(C) Entregavam indígenas aos traficantes de escravos para manter as missões; (B) a Igreja a considerava legítima e o tráfico negreiro era altamente lucrativo;
(D) Fundaram vários colégios; (C) os indígenas fugiam para as missões;
(E) Contribuíram para amenizar as tensões entre indígenas e colonos. (D) os negros eram mais saudáveis que os indígenas;
(E) os indígenas resistiam à escravidão, organizando-se em quilombos.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 57


18. (Uff) "Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não (B) pelo incentivo da Igreja e da Coroa à escravidão de índios e negros.
é possível fazer, conservar e aumentar fazenda." (C) por estar amplamente distribuída entre a população livre, constituindo a base econômica
da sociedade.
(Antonil, CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL, 1711, livro 1, Capítulo, IX). (D) por destinar os trabalhos mais penosos aos negros e os mais leves aos índios.
(E) por impedir a emigração em massa de trabalhadores livres para o Brasil.

Assinale a opção que, baseada na citação do jesuíta Antonil, justifica corretamente os fundamentos
EXERCÍCIOS DE PROVA
da sociedade colonial.

(A) A sociedade colonial se resumia ao mundo da casa-grande e da senzala, espaços 01. (EsFCEx - 2001) Sobre os fatos preponderantes do Brasil Colônia em seus aspectos históricos,
fundamentais de um mundo rural mediado pelos engenhos açucareiros. geográficos e econômicos, analise as afirmativas abaixo:
(B) O ideal de sociedade colonial, segundo os inacianos, era o de uma sociedade de missões,
o que explica a crítica do jesuíta Antonil à escravidão. I. Aos Jesuítas coube a catequese apenas nas áreas tradicionais, Bahia e São Vicente.
(C) A estrutura social do Brasil Colônia era fundamentalmente escravista, uma vez que os II. O sistema de capitanias garantiu à Coroa Portuguesa a posse do longo litoral brasileiro.
setores essenciais da economia colonial, a exemplo da agro-manufatura do açúcar, III. As missões jesuíticas foram restritas à América Colonial Portuguesa.
dependiam do trabalho escravo, sobretudo dos africanos. IV. O bandeirantismo predador de índios e prospector de metais concorreu para a expansão
(D) A sociedade escravista erigida na Colônia sempre foi condenada pelos jesuítas que, a interior.
exemplo de Antonil, desejavam ardorosamente que índios e africanos se dedicassem ao
mundo de Deus. Com base na análise, assinale a alternativa correta.
(E) A sociedade colonial possuía duas classes, senhores e escravos, pólos antagônicos do
latifúndio ou da "fazenda" mencionada por Antonil. (A) Somente I está correta.
(B) Somente II e IV estão corretas.
19. (Mackenzie) "O ser senhor de engenho é título que muitos aspiram; traz consigo o ser servido, (C) Somente III e IV estão corretas.
obedecido e respeitado de muitos". (D) Somente I, II e III estão corretas.
(E) Todas estão corretas.
(Antonil - "Cultura e Opulência do Brasil").

O texto de Antonil retrata a sociedade açucareira brasileira, cujas características eram: 02. (EsFCEx - 2003) Analise as afirmativas abaixo sobre o elemento indígena no Brasil:

(A) a estrutura social rígida e a autoridade quase sem limites do grande proprietário, I. O sedentarismo era a maior característica do seu comportamento.
estendendo-se aos familiares, dependentes e escravos. II. Era possuidor de uma técnica de agricultura intensiva e altamente desenvolvida.
(B) a notável mobilidade social e as grandes possibilidades de ascensão para trabalhadores III. A prática da antropofagia era comum entre os Tupis.
livres, mestiços e escravos. IV. A poligamia era uma prática social entre os indígenas brasileiros.
(C) o predomínio da vida urbana e a ausência de relações patriarcais.
(D) senhor de engenho e trabalhador assalariado nas posições sociais chaves. Com base na análise, pode-se afirmar que:
(E) cultura e ideologia próprias, sem vínculos com a metrópole.
(A) somente a I está correta.
(B) somente a II e a IV estão corretas.
20. (Fuvest) No Brasil colonial, a escravidão caracterizou-se essencialmente: (C) somente a III e a IV estão corretas.
(D) a I, a II e a III estão corretas.
(A) por sua vinculação exclusiva ao sistema agrário exportador.

58 Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. | Curso Preparatório Cidade


(E) todas estão corretas.

03. (EsFCEx – 2011) Sobre as relações entre colonos e jesuítas, no que diz respeito ao uso da mão
de obra indígena, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta.

I. O uso da mão de obra escrava pelos colonos não conflitava com os interesses da Coroa e
nem com os dos jesuítas, mas ao insistirem no cativeiro indígena, os colonos despertaram a
oposição dos inacianos.
II. As relações contrárias aos padres jesuítas por parte dos colonos acentuou-se pelo fato de
os lusos acreditarem que os inacianos retardavam o desenvolvimento de suas atividades
econômicas ao dificultar o uso da mão de obra indígena.
III. Os jesuítas foram expulsos da Capitania de São Vicente porque os colonos os denunciaram
por transformar índios aldeados em escravos da Companhia.

(A) somente I está correta


(B) somente II está correta
(C) somente III está correta
(D) somente I e II estão corretas
(E) somente II e III estão corretas

04. (EsFCEx - 2013) No contexto colonial, a escravidão indígena foi limitada por diversos fatores.
Sobre o tema, analise as afirmativas abaixo e marque a opção correta.

I. Entre os fatores limitados da escravidão indígena, não esta presente qualquer posição da
Coroa Portuguesa.
II. Os índios que de fato reagiram à escravidão foram aqueles que habitavam as regiões mais
distanciadas do litoral.
III. Um dos fatores que desencadearam a expulsão dos jesuítas da América Portuguesa no
século XVIII foi a sua resistência ao uso da mão-de-obra indígena pelos colonos.

(A) Somente I é correta.


(B) Somente II é correta.
(C) Somente III é correta.
(D) Somente I e II são corretas.
(E) Somente II e III são corretas.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.3 – Os Povos Indígenas e a Ação Jesuítica. 59


Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos vidas. O trabalho agrícola era uma atividade realizada pelas mulheres na maior parte das
sociedades indígenas.

Comentário Biologicamente, a presença européia representou uma verdadeira catástrofe para as populações
indígenas. Vindos de outras paragens, os europeus também trouxeram um arsenal de novas
doenças para as quais os nativos não possuíam anticorpos. De acordo com Stuart B. Schwartz
Nesse tópico estudaremos um pouco mais sobre a sociedade colonial criada em torno
da atividade açucareira. A camada senhorial e os escravos representaram opostos
O contato intensivo com os europeus nas aldeias e nos engenhos tornava
extremos dessa sociedade. Entre eles uma infinidade de status possíveis.
os índios crescentemente suscetíveis a doenças européias. Já em 1559
relatava-se a existência de uma peste que assolava a costa brasileira. A
Quem foram os primeiros escravos no Brasil? Por que os europeus recorreram a tal
doença, provavelmente varíola (bexigas), alastrou-se em direção ao
instituição numa época que se dizia “moderna”? Por que houve a substituição do
norte. Em 1559 ou 1560, matou mais de seiscentos escravos indígenas no
trabalho indígena pelo trabalho do africano? Qual era o papel da Igreja Católica nesse
Espírito Santo em tão pouco tempo que precisavam ser enterrados dois
contexto?
corpos em cada cova. Não se tem ideia do número de mortos entre os
Sobre o assunto leia o texto a seguir. Bons estudos! nativos livres. Em 1561, os efeitos da mortalidade crescente faziam-se
sentir no Recôncavo. O padre Leonardo do Vale relatou que era chamado
diariamente para tratar de escravos doentes, às vezes em dois ou três
lugares diferentes simultaneamente. A epidemia atingiu o auge em 1562.
A CAMADA SENHORIAL E OS ESCRAVOS Milhares pereceram. As estimativas são de 30 mil mortos entre os índios
sob jugo português, sem mencionar as incontáveis vítimas do sertão,
onde a doença se alastrou à medida que os nativos fugiram das condições
Os primeiros escravos no Brasil colonial foram os próprios indígenas. Em um primeiro momento, o mortíferas do litoral.
escambo atendeu às necessidades dos desbravadores europeus. A madeira de tinta avermelhada
era obtida através da troca por outros produtos de menor valor e proporcionava um bom lucro ao (SCHWARTZ, Stuart B.. Segredos Internos – Engenhos e escravos na sociedade colonial
ser vendida na Europa. O escambo não exigia que o índio fosse fixado à terra e escravizado. brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 51 e 52).

Quando a opção pela empresa açucareira foi efetivada, coube aos índios o trabalho braçal.
Podemos dizer que a atividade açucareira foi responsável pelo início da escravidão no Brasil. A
escravidão indígena não durou muito tempo, mas foi o suficiente para que os colonizadores Na África, desde 1444, os europeus passaram a capturar e depois comprar escravos em fortalezas
conseguissem o capital necessário para a aquisição de escravos negros. Apesar de algumas regiões no atlântico africano.
brasileiras terem utilizado o trabalho escravo indígena por mais tempo, foi o trabalho escravo negro
o tipo de mão-de-obra predominante no Brasil colonial. A compra foi a principal forma de obtenção de escravos na África. Os africanos só tomaram
conhecimento da sua africanidade no século XIX. A escravidão mercantilista deixou marcas
Alguns fatores explicam a transição do trabalho escravo indígena para o trabalho escravo africano. profundas nessas sociedades.
Em primeiro lugar a demanda por escravos negros criou outro nicho no empreendimento colonial:
o tráfico de escravos. Apesar de ilegal, essa foi a atividade responsável pela acumulação das As viagens eram penosas e muitos decidiam dar a cabo a própria vida durante a travessia
maiores fortunas pessoais durante a época colonial brasileiro. acreditando que esta era uma forma de se livrar daquela condição. Acreditavam que o espírito
voltaria para terra natal.
Também é importante considerar o fato de que os indígenas não estavam dispostos a trabalhar de
acordo com os padrões europeus. Para eles, o trabalho tinha outro espaço e significado em suas No Brasil as cidades que mais receberam escravos negros foram o Rio de Janeiro e Salvador. Ao
chegar eram expostos e vendidos em feiras. O preço de um escravo negro normalmente era três
ou quatro vezes maior que o valor de um cativo indígena.

60 Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos | Curso Preparatório Cidade


A maioria dos escravos que vieram para o Brasil foram trabalhar nas fazendas açucareiras. O (A) o dia da consciência negra celebra a assinatura da Lei Áurea no século XIX, que
trabalho não era fácil e a expectativa de vida era muito baixa. proclamou a liberdade dos escravos.
(B) aos escravos só restava a rebeldia como forma de reação, a qual se manifestava através
Em Minas Gerais o escravo brasileiro teve sua pior condição de trabalho. Principalmente depois que do assassinato de feitores, das fugas e até do suicídio. Não havia qualquer forma de
o ouro de aluvião (superfície) foi acabando e o metal tinha que ser buscado em galerias cada vez negociação com vistas a melhores condições de vida por parte dos negros.
mais profundas. (C) no continente africano os vários povos estavam divididos em etnias organizadas em
tribos, clãs e reinos. Apesar desta divisão, a unidade desses povos foi uma forma de
A resistência à escravidão também foi uma realidade no Brasil colonial. As principais táticas resistirem à escravidão e não serem transformados em mercadoria.
utilizadas foram o assassinato, suicídio, fugas e formação de quilombos. O quilombo de Palmares (D) a Constituição de 1988 afirma que “cabe aos remanescentes das comunidades de
foi o mais famoso quilombo da história brasileira. Durante cerca de um século ofereceu dura quilombos que estejam ocupando suas terras o reconhecimento da propriedade definitiva,
resistência às autoridades metropolitanas. O mito de Zumbi, morto pelos bandeirantes em 1695, é devendo o Estado emitir-lhes os títulos definitivos”. Este artigo da Constituição solucionou
evocado atualmente pelo Estado brasileiro. a “questão quilombola” no Brasil.
(E) através das obras do pintor e desenhista alemão Johan Moritz Rugendas, é possível
Somente no século XIX o Brasil conseguiu efetivar o processo abolicionista.
conhecer aspectos do cotidiano da escravidão. Ele aqui esteve no século XIX e deixou
preciosa fonte iconográfica sobre a vida no Brasil.
As razões da opção pelo escravo africano foram muitas. É melhor não
falar em causas, mas em um conjunto de fatores. A escravidão do índio
chocou-se com uma série de inconvenientes, tendo em vista os fins da 02. (PUC-RIO) Sobre as características da sociedade escravista colonial da América portuguesa
colonização. Os índios tinham uma cultura incompatível com o estão corretas as afirmações abaixo, À EXCEÇÃO de uma. Indique-a.
trabalho intensivo e regular e mais ainda compulsório, como
pretendido pelos europeus. Não eram vadios ou preguiçosos. Apenas (A) O início do processo de colonização na América portuguesa foi marcado pela utilização
faziam o necessário para garantir sua subsistência, o que não era dos índios – denominados “negros da terra” – como mão-de-obra.
difícil em uma época de peixes abundantes, frutas e animais. Muito de (B) Na América portuguesa, ocorreu o predomínio da utilização da mão-de-obra escrava
sua energia e imaginação era empregada nos rituais, nas celebrações e africana seja em áreas ligadas à agro-exportação, como o nordeste açucareiro a partir do
nas guerras. As noções de trabalho contínuo ou do que hoje final do século XVI, seja na região mineradora a partir do século XVIII.
chamaríamos de produtividade eram totalmente estranhas a eles. (C) A partir do século XVI, com a introdução da mão-de-obra escrava africana, a escravidão
indígena acabou por completo em todas as regiões da América portuguesa.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.
(D) Em algumas regiões da América portuguesa, os senhores permitiram que alguns de seus
escravos pudessem realizar uma lavoura de subsistência dentro dos latifúndios
agroexportadores, o que os historiadores denominam de “brecha camponesa”.
EXERCÍCIOS
(E) Nas cidades coloniais da América portuguesa, escravos e escravas trabalharam vendendo
mercadorias como doces, legumes e frutas, sendo conhecidos como “escravos de ganho”.
01. (UFSC - adaptado) Os africanos foram trazidos do chamado continente negro para o Brasil em
um fluxo de intensidade variável. Os cálculos sobre o número de pessoas transportadas como 03. (FUVEST) Trabalho escravo ou escravidão por dívida é uma forma de escravidão que consiste
escravos variam muito. Estima-se que, entre 1550 e 1855, entraram pelos portos brasileiros 4 na privação da liberdade de uma pessoa (ou grupo), que fica obrigada a trabalhar para pagar
milhões de escravos, na sua grande maioria jovens do sexo masculino. uma dívida que o empregador alega ter sido contraída no momento da contratação. Essa forma
de escravidão já existia no Brasil, quando era preponderante a escravidão de negros africanos
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo,1995. p. 51.)
que os transformava legalmente em propriedade dos seus senhores. As leis abolicionistas não
Sobre a escravidão no Brasil, é correto afirmar que: se referiram à escravidão por dívida. Na atualidade, pelo artigo 149 do Código Penal Brasileiro,
o conceito de redução de pessoas à condição de escravos foi ampliado de modo a incluir

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos 61


também os casos de situação degradante e de jornadas de trabalho excessivas. (Adaptado de 04. (PUC-RIO)
Neide Estergi. A luta contra o trabalho escravo, 2007.)

Com base no texto, considere as afirmações abaixo:

I. O escravo africano era propriedade de seus senhores no período anterior à Abolição.


II. O trabalho escravo foi extinto, em todas as suas formas, com a Lei Áurea.
III. A escravidão de negros africanos não é a única modalidade de trabalho escravo na história
do Brasil.
IV. A privação da liberdade de uma pessoa, sob a alegação de dívida contraída no momento do
contrato de trabalho, não é uma modalidade de escravidão.
V. As jornadas excessivas e a situação degradante de trabalho são consideradas formas de
escravidão pela legislação brasileira atual.

São corretas apenas as afirmações:

(A) I, II e IV
(B) I, III e V
(C) I, IV e V
(D) II, III e IV
(E) III, IV e V

Cartazes, como o acima, registram algumas das características da escravidão na sociedade


brasileira, durante o século XIX.

Com base nas informações contidas no documento e no seu conhecimento acerca da escravidão,
assinale a única opção que NÃO apresenta uma característica correta.

(A) Os escravos especializados em algum ofício usufruíam de melhores condições de trabalho;


viviam, nas cidades, como homens livres, e evitavam fugas ou revoltas.
(B) O costume de andar calçado era um símbolo de status social que permitia estabelecer
critérios de distinção entre trabalhadores libertos (forros) e escravos.

62 Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos | Curso Preparatório Cidade


(C) A identificação do escravo como “crioulo” apontava para sua condição de nascido no Assinale a alternativa correta.
Brasil, distinguindo-o, do “africano”, o recém-chegado, trazido pelo tráfico.
(D) As diferenças entre escravos e “forros”, isto é, cativos que haviam conseguido sua (A) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
alforria, em áreas urbanas, eram pouco expressivas em termos de matizes raciais. (B) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
(E) As fugas de escravos, a despeito de sua recorrência, eram compreendidas pelos (C) Somente as afirmativas I, II, IV e V são verdadeiras.
proprietários como a perda de um bem constituído, o que justificava o pagamento de (D) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.
recompensa pela captura. (E) Todas as afirmativas são verdadeiras.

05. (UDESC) Em 17 de março de 1872 pelo menos duas dezenas de escravos liderados pelo 06. (FUVEST) O Brasil ainda não conseguiu extinguir o trabalho em condições de escravidão, pois
escravo chamado Bonifácio avançaram sobre José Moreira Veludo, proprietário da Casa de ainda existem muitos trabalhadores nessa situação. Com relação a tal modalidade de
Comissões (lojas de venda e compra de escravos) em que se encontravam, e lhe meteram a exploração do ser humano, analise as afirmações abaixo.
lenha . Em depoimento à polícia, o escravo Gonçalo assim justificou o ataque: Tendo ido
anteontem para a casa de Veludo para ser vendido foi convidado por Filomeno e outros para se I. As relações entre os trabalhadores e seus empregadores marcam-se pela informalidade e
associar com eles para matarem Veludo para não irem para a fazenda de café para onde pelas crescentes dívidas feitas pelos trabalhadores nos armazéns dos empregadores,
tinham sido vendidos. (Apud: CHALHOUB, Sidney, 1990, p. 30 31) aumentando a dependência financeira para com eles.
II. Geralmente, os trabalhadores são atraídos de regiões distantes do local de trabalho, com a
Com base no caso citado acima e considerando o fato e a historiografia recente sobre os escravos promessa de bons salários, mas as situações de trabalho envolvem condições insalubres e
e a escravidão no Brasil, é possível entender os escravos e a forma como se relacionavam com a extenuantes.
escravidão da seguinte forma: III. A persistência do trabalho escravo ou semi-escravo no Brasil, não obstante a legislação que
o proíbe, explica-se pela intensa competitividade do mercado globalizado.
I. O escravo era uma coisa, ou seja, estava sujeito ao poder e ao domínio de seu proprietário.
Privado de todo e qualquer direito, incapaz de agir com autonomia, o escravo era Está correto o que se afirma em:
politicamente inexpressivo, expressando passivamente os significados sociais impostos pelo
seu senhor. (A) I, somente.
II. Nem passivos e nem rebeldes valorosos e indomáveis, estudos recentes informam que os (B) II, somente.
escravos eram capazes de se organizar e se contrapor por meio de brigas ou desordens (C) I e II, somente.
àquilo que não consideravam justo , mesmo dentro do sistema escravista. (D) II e III, somente.
III. Incidentes, como no texto acima, denotam rebeldia e violência por parte dos escravos. O (E) I, II e III.
ataque ao Senhor Veludo, além de relevar o banditismo e a delinqüência dos escravos, só
permite uma única interpretação: barbárie social.
07. (ADVISE) A escravidão negra no Brasil teve várias facetas. Dentre as assertivas a seguir, qual
IV. O tráfico interno no Brasil deslocava milhares de escravos de um lugar para outro. Na
não pode ser considerada uma marca do escravismo brasileiro?
iminência de serem subitamente arrancados de seus locais de origem, da companhia de
seus familiares e do trabalho com o qual estavam acostumados, muitos reagiram agredindo
(A) A vida nos engenhos era dura e penosa. Por isso, a expectativa de vida dos escravos era
seus novos senhores, atacando os donos de Casas de Comissões, etc.
muito pequena.
V. Pesquisas recentes sobre os escravos no Brasil trazem uma série de exemplos, como o
(B) Todos os escravos se reconheciam como iguais e lutaram juntos pelo fim da infame
texto citado acima, que se contrapõem e desconstroem mitos célebres da historiografia
escravidão.
tradicional: que os escravos eram apenas peças econômicas, sem vontades que
(C) O processo de derrocada da escravidão foi lento e gradual, durando, legalmente falando,
orientassem suas próprias ações.
quase quarenta anos (1850-1888).

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos 63


(D) Era relativamente comum ao “preto forro”, caso tivesse algum pecúlio, adquirir um Sobre o tema escravidão, é CORRETO afirmar que:
escravo.
(E) Os escravos que conseguiam, ao longo de muito anos de trabalho duro, juntar algum (A) a partir de 1888, com a Lei Áurea, foram criadas condições especiais para que os libertos
cabedal compravam a sua liberdade. pudessem ingressar no mercado de trabalho, especialmente no meio rural com a
distribuição de terra a ex-escravos.

08. (UFPB) O texto, a seguir, retrata uma das mais tristes páginas da história do Brasil: a (B) dada à tradição de liberdade, a população indígena no Brasil nunca pode ser submetida à
escravidão. escravidão, optando-se, então, pela compra de negros da África.

“O bojo dos navios da danação e da morte era o ventre da besta mercantilista: uma má-quina de (C) no Brasil do século XXI ainda existem pessoas que vivem em condições de escravidão,
moer carne humana, funcionando incessantemente para alimentar as plantações e os engenhos, as tanto em grandes fazendas quanto no meio urbano.
minas e as mesas, a casa e a cama dos senhores – e, mais do que tudo, os cofres dos traficantes
de homens.” (D) em função das políticas de inclusão adotadas no Brasil nos últimos anos, as diferenças
salariais desapareceram quando comparados os salários entre brancos e negros.
(Fonte: BUENO, Eduardo. Brasil: uma história: a in-crível saga de um país. São Paulo: Ática, 2003. p. 112).
(E) hoje, a escravidão existente se relaciona diretamente a preconceitos étnicos e de cor, não
Sobre a escravidão como atividade econômica no Brasil Colônia, é correto afirmar:
tendo nenhuma relação com as condições sociais e a distribuição de renda.

(A) As pressões inglesas, para que o tráfico de escravos continuasse, aumentaram após 1850.
Porém, no Brasil, com a Lei Eusébio de Queiróz, ocorreu o fim do tráfico inter-continental 10. (Fuvest-SP) Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O
e, praticamente, desapareceu o tráfico interno entre as regiões. europeu, com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura.
(B) A mão-de-obra escrava no Brasil, diferente de outros lugares, não era permitida em A acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo
atividades econômicas complementares. Por isso, destinaram-se escravos exclusivamente da população indígena, que se agrava nos séculos seguintes. Os fatores que mais contribuíram
às plantações de cana-de-açúcar, às minas e à produção do café. para o citado decréscimo foram:
(C) A compra e posse de escravos, durante todo o período em que perdurou a escravidão, só
foi permitida para quem pudesse manter um número de, pelo menos, 30 cativos. Essa (A) a captura e a venda do índio para o trabalho nas minas de prata do Potosí.
proibição justificava-se, devido aos altos custos para se ter escravos. (B) as guerras permanentes entre as tribos indígenas e entre índios e brancos.
(D) Muitos cativos, no início da escravidão, conseguiam a liberdade, após adquirirem a carta (C) o canibalismo, o sentido mítico das práticas rituais, o espírito sanguinário, cruel e
de alforria. Isso explica o grande número de ex-escravos que, na Paraíba, conseguiram vingativo dos naturais.
tornar-se grandes proprietários de terras. (D) as missões jesuíticas do vale amazônico e a exploração do trabalho indígena na extração
(E) Os escravos, amontoados e em condições desumanas, eram transportados da África para da borracha.
o Brasil, nos porões dos navios negreiros, como forma de diminuição de custos. Com isso, (E) as epidemias introduzidas pelo invasor europeu e a escravidão dos índios.
muitos cativos morriam antes de chegarem ao destino.
11. (Fuvest-SP) A sociedade colonial brasileira "herdou concepções clássicas e medievais de
09. (UFSC - adaptado) A Anti-Slavery Internacional, organização não-governamental que atua no organização e hierarquia, mas acrescentou-lhe sistemas de graduação que se originaram da
combate à escravidão no mundo contemporâneo, considerava que cerca de 25 milhões de diferenciação das ocupações, raça, cor e condição social. (...) as distinções essenciais entre
pessoas eram vítimas do trabalho escravo em 2003. Dentre essas pessoas haveria trabalho fidalgos e plebeus tenderam a nivelar-se, pois o mar de indígenas que cercava os colonizadores
infantil, exploração sexual e trabalhadores escravizados por dívida. Nesse mesmo ano, portugueses tornava todo europeu, de fato, um gentil-homem em potencial. A disponibilidade
conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT), aproximadamente 25 mil pessoas estariam de índios como escravos ou trabalhadores possibilitava aos imigrantes concretizar seus sonhos
vivendo nessas condições no Brasil. de nobreza. (...) Com índios, podia desfrutar de uma vida verdadeiramente nobre. O gentio
CATELLI JUNIOR, Roberto. História – Texto e Contexto. São Paulo: Editora Scipione, 2007. p. 268. transformou-se em um substituto do campesinato, um novo estado, que permitiu uma

64 Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos | Curso Preparatório Cidade


reorganização de categorias tradicionais. Contudo, o fato de serem aborígines e, mais tarde, os 13. (Cesgranrio-RJ) "O senhor de engenho é título a que muitos aspiram, porque traz consigo o ser
africanos, diferentes étnica, religiosa e fenotipicamente dos europeus, criou oportunidades para servido, obedecido e respeitado de muitos." O comentário de Antonil, escrito no século XVIII,
novas distinções e hierarquias baseadas na cultura e na cor." pode ser considerado característico da sociedade colonial brasileira porque:

(Stuart B. Schwartz, Segredos internos.) (A) a condição de proprietário de terras e de homens garantia a preponderância dos senhores
de engenho na sociedade colonial.
A partir do texto pode-se concluir que: (B) a autoridade dos senhores restringia-se aos seus escravos, não se impondo às
comunidades vizinhas e a outros proprietários menores.
(A) a diferenciação clássica e medieval entre clero, nobreza e campesinato, existente na (C) as dificuldades de adaptação às áreas coloniais levaram os europeus a organizar uma
Europa, foi transferida para o Brasil por intermédio de Portugal e se constituiu no sociedade com mínima diferenciação e forte solidariedade entre seus segmentos.
elemento fundamental da sociedade brasileira colonial. (D) as atividades dos senhores de engenho não se limitavam à agroindústria, pois
(B) a presença de índios e negros na sociedade brasileira levou ao surgimento de instituições controlavam o comércio de exportação, o tráfico negreiro e a economia de
como a escravidão, completamente desconhecida da sociedade européia nos séculos XV e abastecimento.
XVI. (E) o poder político dos senhores de engenho era assegurado pela metrópole através da sua
(C) os índios do Brasil, por serem em pequena quantidade e terem sido facilmente designação para os mais altos cargos da administração colonial.
dominados, não tiveram nenhum tipo de influência sobre a constituição da sociedade
colonial.
(D) a diferenciação de raças, culturas e condição social entre brancos e índios, brancos e 14. (CESGRANRIO) No Brasil, o quilombo foi uma das formas de resistência da população escrava.
negros tendeu a diluir a distinção clássica e medieval entre fidalgos e plebeus europeus Sobre os quilombos no Brasil, é correto afirmar que o(a):
na sociedade.
(E) a existência de uma realidade diferente no Brasil, como a escravidão em larga escala de (A) maior número de quilombos se concentrou na região nordeste do Brasil, em função da
negros, não alterou em nenhum aspecto as concepções medievais dos portugueses decadência da lavoura cafeeira, já que os fazendeiros, impossibilitados de sustentar os
durante os séculos XVI e XVII. escravos, incentivavam-lhes a fuga.
(B) maior dos quilombos brasileiros, Palmares, foi extinto a partir de um acordo entre Zumbi
e o governador de Pernambuco, que se comprometeu a não punir os escravos que
12. (UNISO) Durante a maior parte do período colonial a participação nas câmaras das vilas era desejassem retornar às fazendas.
uma prerrogativa dos chamados "homens bons", excluindo-se desse privilégio os outros (C) existência de poucos quilombos na região Norte pode ser explicada pela administração
integrantes da sociedade. A expressão "homem bom" dizia respeito a: diferenciada, já que, no Estado do Grão-Pará e Maranhão, a Coroa Portuguesa havia
proibido a escravidão negra.
(A) homens que recebiam a concessão da Coroa portuguesa para explorar minas de ouro e (D) quase inexistência de quilombos no Sul do Brasil se relaciona à pequena porcentagem de
de diamantes; negros na região, o que também permitiu que lá não ocorressem questões ligadas à
(B) senhores de engenho e proprietários de escravos; segregação racial.
(C) funcionários nomeados pela Coroa portuguesa para exercerem altos cargos (E) população dos quilombos também era formada por indígenas ameaçados pelos europeus,
administrativos na colônia; brancos pobres e outros aventureiros e desertores, embora predominassem africanos e
(D) homens considerados de bom caráter, independentemente do cargo ou da função que seus descendentes.
exerciam na colônia.

15. (FATEC) A escravidão indígena adotada no início da colonização do Brasil, foi progressivamente
abandonada e substituída pela africana, entre outros motivos, devido:

(A) ao constante empenho do Papado na defesa dos índios contra os colonos.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos 65


(B) à bem sucedida campanha dos jesuítas em favor dos índios. 18. As leis portuguesas do século XVI são dúbias com relação aos indígenas, proíbem a
(C) à completa incapacidade dos índios para o trabalho. escravização do indígena, mas ao mesmo tempo abrem essa possibilidade em caso de “guerra
(D) aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro aos capitais particulares e à justa”. Para os portugueses “guerra justa” significava:
coroa.
(E) ao desejo manifestado pelos negros de emigrarem para o Brasil em busca de trabalho. (A) A utilização da força para que esses povos pudessem participar do reino dos céus.
(B) Aquela no qual o indígena tomava a iniciativa de agressão contra o branco.
(C) O aprisionamento devido à necessidade vital de mão-de-obra.
16. Durante o período colonial, o Estado português deu suporte legal a guerras contra povos
(D) A ação missionária do jesuíta para ensinar os valores da sociedade branca.
indígenas do Brasil, sob diversas alegações; derivou daí a guerra justa, que fundamentou:
(E) O uso da violência na formação dos aldeamentos, evitando a ação dos jesuítas.

(A) o genocídio dos povos indígenas, que era, no fundo, a verdadeira intenção da Igreja, do
Estado e dos colonizadores. 19. Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e
(B) a criação dos aldeamentos pelos jesuítas em toda a colônia, protegendo os indígenas dos nus, os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome...
portugueses.
(C) o extermínio dos povos indígenas do sertão quando, no século XVII, a lavoura açucareira Estas palavras, do padre Antônio Vieira, descrevem bem a situação da sociedade colonial à época
aí penetrou depois de ter ocupado todas as áreas litorâneas. do apogeu açucareiro. A respeito, considere as afirmativas:
(D) a escravização dos índios, pois, desde a antigüidade, reconhecia-se o direito de matar o
prisioneiro de guerra, ou escravizá-lo. I. Os senhores eram os donos dos engenhos e da riqueza neles gerada; logo, podiam comer
(E) uma espécie de "limpeza étnica", como se diz hoje em dia, para garantir o predomínio do bem e vestir-se luxuosamente.
homem branco na colônia. II. Os escravos eram uma propriedade dos senhores, como qualquer outro objeto de sua
lavoura e de seu engenho, não precisando de roupas e comendo apenas o mínimo
necessário.
17. A organização do engenho exigia a utilização de numerosos trabalhadores na produção
III. A Igreja Católica, inclusive os padres da Companhia de Jesus, admitiu em geral a
açucareira, estimulando a escravidão, já adotada por Portugal nas Ilhas Atlânticas, e que
escravidão africana, embora tenha combatido com coragem e tenacidade a escravização do
representava:
indígena.
IV. A minoria dos senhores de terras e escravos temia as ações dos jesuítas, tal como haviam
(A) a efetivação do sistema capitalista na periferia do sistema colonial, fundamental para a
feito os holandeses em Pernambuco, em prol da libertação dos escravos dos engenhos e
acumulação de riquezas.
plantações.
(B) um grande retrocesso para Portugal, que desde o Renascimento Humanista havia abolido
a escravidão de seus territórios.
Assinale:
(C) uma contradição, pois nos países europeus desenvolvia-se a mentalidade liberal,
antiescravista.
(A) Se somente as alternativas I e II estão corretas.
(D) um choque com a Igreja Católica, contrária qualquer forma de escravidão, por considerar
(B) Se somente as alternativas II e III estão corretas.
que todos são filhos de Deus.
(C) Se somente as alternativas I, II e II estão corretas.
(E) a retomada do escravismo antigo, tal como no Império Romano, em que o escravo era
(D) Se somente as alternativas II, III e IV estão corretas.
utilizado em atividades variadas.
(E) Se todas as alternativas estão corretas.

66 Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos | Curso Preparatório Cidade


20. (PUC-PR) Sobre a sociedade brasileira da época colonial e primeiros tempos imperiais, é correto (C) Somente III e IV estão corretas.
afirmar-se: (D) Somente I, II e III estão corretas.
(E) Todas estão corretas.
I. A sociedade colonial foi predominantemente rural, ocorrendo a urbanização do interior de
Minas Gerais por efeito da economia aurífera.
02. (EsFCEx - 2008) Sobre a escravidão africana no Brasil é correto afirmar que:
II. A robusta casa grande, a característica do ciclo açucareiro e sociedade rural, passou a ter
sua equivalente arquitetônica no sobrado, símbolo da classe predominante, nos tempos
(A) os escravos urbanos eram mais vigiados porque conviviam com os seus proprietários no
finais da época colonial.
reduzido espaço da casa da cidade, enquanto que os escravos rurais ficavam mais
III. Enquanto o poder patriarcal caracterizou a sociedade rural, o poder semipatriarcal ou até
isolados trabalhando nas lavouras, favorecendo às rebeliões e às fugas.
paternal assinalaria a sociedade urbana. Uma suavização dos rudes costumes surgiu em
(B) no início do tráfico negreiro para o Brasil, a maioria dos africanos provinha da Guiné, na
função da urbanização.
África Ocidental, e integravam dois grandes grupos unidos por semelhanças linguísticas e
IV. Desde os primeiros tempos coloniais, a arquitetura espelhava os violentos contrastes
culturais: bantos e sudaneses.
sociais: a soberba casa grande tinha por contraste a senzala; os sobrados tiveram seus
(C) no quilombo de Palmares, símbolo da resistência africana, Ganga Zumba, então líder
opostos nos miseráveis mocambos, prenúncios antigos das atuais favelas.
daquele quilombo, foi substituído por Zumbi que, em 20 de novembro de 1694, venceu as
forças comandadas por Domingos Jorge Velho. Por sua vitória contra a opressão, o 20 de
(A) somente as opções II e III estão corretas;
novembro passou a ser o Dia da Consciência Negra.
(B) somente as opções I e IV estão corretas;
(D) os africanos, ao chegarem no Brasil, eram divididos pelos colonizadores em duas
(C) somente as opções I, II e III estão corretas;
categorias: a dos boçais, que reunia os recém chegados fossem bantos ou sudaneses
(D) somente as opções II, III e IV estão corretas;
que nada sabiam da cultura dos portugueses; e a dos ladinos, africanos aculturados que
(E) todas as opções estão corretas.
já entendiam a língua e alguns costumes dos colonizadores.
(E) Recife e Salvador, por se tratarem de grandes produtores de cana-de-açúcar, foram os
EXERCÍCIOS DE PROVA principais entrepostos escravistas, do início ao fim da escravidão no Brasil. Receberam,
sobretudo, africanos bantos.

01. (EsFCEx - 2002) Observando-se a formação étnica do povo brasileiro, analise as afirmativas 03. (EsFCEx - 2010) A sociedade colonial brasileira “herdou concepções clássicas e medievais de
abaixo. organização e hierarquia, mas acrescentou-lhe sistemas de graduação que se originaram da
diferenciação das ocupações, raça e condição social (...)”
I. Os portugueses (brancos) possuíam grande orgulho da sua raça, o que determinou as
relações étnicas no Brasil. (Schwartz, Stuart B. Segredos Internos.)
II. A facilidade com que ocorreu a miscigenação no Brasil foi determinada pelo português ser
um povo de mestiços, inclusive com sangue negro. A partir da análise do fragmento acima e dos conhecimentos sobre as consequências do processo
III. As ordens régias, cegamente acatadas no Brasil, proibiam que qualquer mulato, até a colonial para a formação da sociedade brasileira é correto afirmar que:
quarta geração, exercessem cargos municipais.
IV. O governo português estimulava os casamentos entre brancos e índios, protegendo-lhes a (A) a categoria “raça”, no que se refere aos indígenas e negros no Brasil colonial se constituiu
prole. em um importante elemento de submissão e dominação cultural e religiosa e, também,
de exploração da força de trabalho.
Com base na análise, assinale a alternativa correta. (B) Os elementos de diferenciação entre raça, cultura e condição social obedeceram, na
formação do Brasil colonial, o modelo medieval português que se utilizava dessas
(A) Somente I está correta. categorias em sua organização social.
(B) Somente II e IV estão corretas.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos 67


(C) A hierarquia gradual dos diversos grupos sociais se constituiu em um importante
elemento de formação da sociedade brasileira, a qual diluiu e superou as distinções
clássicas de raça, cor e condições sociais.
(D) As distinções essenciais entre colonizadores, índios e negros no Brasil colonial não
consideraram, como o modelo português clássico, a propriedade e o trabalho como
elementos do processo de hierarquização social.
(E) Localizados hierarquicamente no topo da pirâmide social do Brasil colonial, os
portugueses promoveram o processo de miscigenação com o objetivo de reduzir a
distância social entre brancos, índios e negros – o que resultou em uma sociedade
marcada pela convivência democrática e pacífica entre os seus grupos formadores.

68 Tópico 1.4 – A camada senhorial e os escravos | Curso Preparatório Cidade


Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras A CONQUISTA DOS SERTÕES – ENTRADAS E BANDEIRAS

“(...) os portugueses, até então, só haviam arranhado o litoral como caranguejos”.


Comentário
Prezado estudante, Frei Vicente do Salvador Arrais

Avancemos um pouco mais! Entradas e Bandeiras foram movimentos de penetração no interior do território brasileiro. Típicos
do século XVII e influenciados diretamente pela formação da União Ibérica estes movimentos
Entre as anos 1580 e 1640, Portugal foi dominado pela Espanha. A crise sucessória possuíram objetivos diversos como:
iniciada com a morte do jovem rei Dom Sebastião em 1578 fez que monarca espanhol,
Filipe II, assumisse a coroa portuguesa ao mesmo tempo em que era rei espanhol. Esse - promoção da expansão e exploração do novo território
período também é conhecido como Era Filipina e trouxe consequências para a colônia
- busca de metais preciosos
portuguesa na América do sul.
- aprisionamento de indígenas
Nesse contexto surgiu no Brasil, principalmente a partir de São Paulo, um movimento
conhecido como Bandeiras e Entradas.
- destruição de quilombos

Você conhece algo sobre o assunto? Provavelmente hoje o Brasil teria uma dimensão
Classificar essas expedições não é tarefa tão simples. De acordo com Synesio Sampaio Goes Filho.
geográfica muito inferior à atual se não fossem as andanças desses bravos
aventureiros! A realidade é complexa, pois o movimento de penetração territorial
apresenta aspectos diferentes em lugares e tempos diversos. Uma coisa
Foram eles os responsáveis pela expansão das fronteiras brasileiras. Ultrapassando os
são os grandes agrupamentos que adentravam os sertões, divididos em
limites de Tordesilhas (lembre-se que este tratado "perdeu o sentido" com a formação
unidades militares, bem armados, às vezes até acompanhados pelos
da União Ibérica!) e contando com a presença dos indígenas em suas tropas, os
agentes básicos das comunidades urbanas, como juízes, padres, tabeliães
bandeirantes realizaram feitos grandiosos e importantíssimos para o futuro do país.
e policiais. Verdadeiras "cidades em marcha", na expressão de Cassiano
Ricardo, tal como a célebre bandeira de Manoel Preto e Raposo Tavares,
Apesar de sua importância, a verdade é que o movimento das bandeiras e entradas não
de novecentos brancos e mamelucos e dois mil e duzentos índios, que, em
foi, ainda, definitivamente estudado pelos historiadores brasileiros. A própria
1629, destruiu as reduções jesuíticas do Guairá.
nomenclatura do que seriam as entradas e do que seriam as bandeiras ainda é um
pouco confusa.
Outra coisa são as expedições fluviais, de que é exemplo o grupo de "118
Ao ler o texto repare, estimado leitor, que as bandeiras tiveram um caráter povoador pessoas, 30 armas de fogo e 88 índios de frechar", que, chefiado por
em muitas regiões do Brasil, como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso. Por outro lado o Francisco de Mello Palheta, a mando do Governo de Belém, subiu em cinco
mesmo movimento teve um caráter despovoador em outras regiões, como no sul grandes embarcações o Amazonas e o Madeira em 1722, encontrando as
brasileiro, onde as bandeiras objetivavam principalmente a captura de índios. frentes espanholas da Missão de Moxos e descobrindo o rio Guaporé.
Diferente ainda são os corpos armados de sertanistas, como o de
Em outros momentos, o principal objetivo das bandeiras foi descobrir metais preciosos Domingos Jorge Velho, contratado em 1694 pelo Governo-Geral para
ou destruir quilombos. guerrear os negros do Quilombo de Palmares, em Alagoas. E, finalmente,
de espécie diversa são os grupos pequenos - quase nunca passavam de 50
Sobre o assunto, leia o texto a seguir. homens - que saíam à procura de pedras e metais preciosos, carregando
muito mais bateias e almoçares (enxadas para mineração) do que flechas
Bons estudos!

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 69
e arcabuzes, tal como o de Antônio Dias de Oliveira, que descobriu ouro, Figura 21: Estátua de Antônio Raposo Figura 22: Domingos Jorge Velho por
em 1698, no local onde nasceria Ouro Preto. Tavares, um dos mais famosos Benedicto
bandeirantes
(Synesio Sampaio Goes Filho. Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas. Um ensaio sobre a
formação das fronteiras do Brasil. Biblioteca do Exército Editora. 1ª edição. Janeiro de
2000. Págs. 90 e 91)

Percebemos que existiram diversos tipos de movimentos com diferentes características e objetivos.
Classificá-los é uma tarefa complexa, mas de forma geral podemos considerar que as chamadas
entradas tinham como principal objetivo expandir o território. Eram financiadas pelos cofres
públicos e com o apoio do governo colonial em nome da Coroa Portuguesa, ou seja, eram
expedições organizadas pelo governo de Portugal.

As bandeiras eram iniciativas de particulares, associados ou não, que com recursos próprios
buscavam obtenção de lucros. Ou seja, eram expedições organizadas por particulares. As bandeiras
geralmente partiam da capitania de São Vicente como Sorocaba, Taubaté e da Vila de São Paulo.
Boris Fausto chama a atenção para o fato que:

As relações entre os interesses da Coroa e o bandeirismo foram


complexas. Houve bandeiras que contaram com o direto incentivo da
administração portuguesa, e outras não. De um modo geral, a busca de
metais preciosos, o apresamento de índios em determinados períodos e a
expansão territorial eram compatíveis com os objetivos da Metrópole. Calixto. 1903.
Museu Paulista em São Paulo

(História Concisa do Brasil. Boris Fausto. EdUsP. São Paulo. 2001. Página 51)

Não existem documentos iconográficos que possam atestar o efetivo uso da insígnia : a bandeira. De acordo com relatos escritos "trajavam calças de algodão, protegidas de altas perneiras,
um cinturão sobre o qual caía a camisa, e um gibão [espécie de casaco] de couro ou
Não há imagens de bandeirantes feitas à época. Todas as imagens dos bandeirantes divulgadas uma vestimenta estofada de algodão, que protegia o peito e o ventre.
atualmente são representações posteriores e o típico bandeirante paulista com suas longas roupas
e botas na verdade foi inspirado na figura dos bandeirante canadense. Andavam quase sempre descalços. Um chapelão de palha de abas largas, uma bolsa de
couro a tiracolo, uma cuia para o rancho e um primitivo cantil de chifre completavam a
farda e os aprestos desses mateiros...”

Em relação às armas, usavam "o trabuco, o arcabuz, o mosquete". Alguns levavam


machados, e todos usavam o facão, ao passo que "os índios da tropa [a grande maioria,
marchando nus ou quase] iam armados de arco e flecha".

Também podemos citar, nessa época, outro movimento importante na formação territorial
brasileira: as monções. As monções foram expedições fluviais que se dirigiram para o sertão
posteriormente denominado das Minas Gerais; outras, descendo o curso do rio Tietê, atingiram as
bacias dos rios Paraná e Paraguai, o Pantanal Mato-grossense e, de lá, a bacia amazônica e o

70 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
Oceano Atlântico. As monções foram importantes no desbravamento e incorporação da região Para o historiador Capistrano de Abreu, as bandeiras não podem ser bem entendidas sem levarmos
centro-oeste brasileira, povoada inicialmente a partir das descobertas de ouro e diamantes no Mato em conta o hábito tupi de levar estandartes em suas investidas bélicas contras os inimigos.
Grosso e em Goiás. Para os participantes das monções, os rios brasileiros poderiam servir como Sabemos que a maioria das bandeiras contava com tropas indígenas em suas fileiras. Aliás, sem os
verdadeiras estradas. Isto não quer dizer que muitos rios não fossem margeados ou servissem de indígenas seria muito difícil para os portugueses adentrarem o território brasileiro. Ao contrário do
pontos de referência nas jornadas desgastantes pelo sertão brasileiro. Somente no século XVIII é trabalho agrícola, a guerra e a formação de expedições era uma atividade masculina e natural para
que as monções efetivamente ganharam importância. os índios brasileiros e por isso o número de indígenas sempre superou o de brancos nessas
expedições.
Apesar da existência das monções, podemos afirmar que as bandeiras foram um movimento
essencialmente terrestre. É interessante notar também que apesar dos indígenas serem fundamentais nesse movimento, o
velho espírito aventureiro português, característico da expansão marítima, também se faz presente
O historiador Alfredo Ellis Junior afirma que as rotas bandeirantes eram basicamente as mesmas nesse movimento. De certa forma, as bandeiras são uma continuação terrestre da expansão
utilizadas pelos indígenas. A mais conhecida dessas trilhas é anterior à chegada de Cabral e tem marítima – momento privilegiado na descoberta de novas terras e regiões a serem exploradas.
cerca de 1400 quilômetros de extensão por 1,5 metro de largura. Se chamava “piaburu” e ligava o
Pacífico Andino até o litoral atlântico. Essa trilha passava por regiões como os atuais estados de As bandeiras partiram de diversas regiões brasileiras, mas foi a partir de São Paulo que ganharam
São Paulo e Paraná. destaque. Ao analisarem as causas do destaque paulista no movimento bandeirante Luiz Koshiba e
Denise Manzi Freira afirmam que:
Figura 23: O Caminho de Peabiru.
A capitania de São Vicente, apesar do relativo sucesso no começo da
colonização, terminou por mergulhar num estado de profunda pobreza por
causa da sua posição excêntrica em relação ao pólo dinâmico do nordeste.
A falta de contato com a Metrópole estimulou os vicentinos a entrarem
para o interior depois de subir a serra do Mar e atingir o planalto de
Piratininga. A princípio tratava-se de encontrar ouro ou prata. É a fase do
bandeirismo de ouro de lavagem.

(História do Brasil. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire. História do Brasil. Editora Atual. 7ª
edição revista e atualizada. São Paulo. Editora Atual. 1996. Pág. 66)

A busca por metais preciosos motivou os paulistas a começarem suas andanças pelo sertão
brasileiro. No entanto as principais empreitadas bandeirantes partiram de São Paulo e rumaram em
direção ao sul da colônia para a apreensão de indígenas – bandeirismo de preação.

A presença holandesa na África entre 1625 e 1650 dificultou temporariamente o tráfico de escravos
para o Brasil. Dessa forma o aprisionamento de indígenas atendia a demanda por escravos ainda
que estes não se adaptassem perfeitamente ao trabalho agrícola como queriam os senhores de
terras. O historiador John Manuel Monteiro afirma que o chamado bandeirismo de apresamento
deveu-se sobretudo às necessidades da agricultura na região em torno de São Paulo – importante
região produtora de trigo. Ou seja, nem todos os escravos indígenas eram destinados às
plantações de cana-de-açúcar no litoral.

A presença dos bandeirantes na região sul do continente gerou conflitos com jesuítas espanhóis
que montavam suas reduções (missões) em áreas de fronteira com a colônia portuguesa. Um dos

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 71
bandeirantes que obteve mais êxito neste período foi Antônio Raposo Tavares, que após travar invasões haviam destruído boa parte das aldeias Guarani e virtualmente todas as reduções do
diversos conflitos com jesuítas ao sul, fez uma longa viagem ligando a região platina à região Guairá.
amazônica.
Após a retomada dos portugueses de suas possessões africanas e o consequente restabelecimento
Figura 24: Selvagens Civilizados Soldados Índios da Província de Curitiba Conduzindo do tráfico de escravos, o chamado bandeirismo de preação entrou em declínio e os bandeirantes
Prisioneiros Indígenas tiveram que se reinventar. Ainda de acordo com Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire

Na época da conquista holandesa, ocorreram fugas em massa de


escravos, que formaram o mais famoso quilombo, o de Palmares, em
Alagoas. Da mesma forma, os indígenas oprimidos organizaram no Rio
Grande do Norte a Confederação dos Cariris. Para destruir esses focos de
rebelião, os grandes proprietários do nordeste recorreram a esses rústicos
bandeirantes que agora passaram a ser utilizados como força repressora.
Teve início aí o sertanismo de contrato, a última fase e forma do
bandeirismo. Para destruir a resistência do Quilombo dos Palmares e a da
Confederação dos Cariris foram contratados os serviços de Domingos
Jorge Velho.

(História do Brasil. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire. História do Brasil. Editora Atual. 7ª
edição revista e atualizada. São Paulo. Editora Atual. 1996. Pág. 66)

A independência dos paulistas precisa ser qualificada. Sem dúvida, não


tiveram um comportamento subserviente com relação à Coroa, cujas
determinações muitas vezes desafiaram. Foram inclusive chamados por
Jean-Baptiste Debret – Da obra “Voyage Pittoresque et Historique au Brésil”.
um governador geral de gente que “não conhecia nem Deus, nem Lei, nem
Justiça”. Não se pode dizer, porém, que os interesses da Coroa e o
Na região sul do continente, os índios guaranis eram maioria. Muitos já estavam disciplinados pelos
bandeirismo estivessem inteiramente divorciados. Houve bandeiras que
jesuítas nos aldeamentos ou reduções jesuíticas. O fato dos guaranis acreditarem em um deus
contaram com o direto incentivo da administração portuguesa e outras,
principal foi decisivo para que os jesuítas tivessem êxito no processo de aculturação indígena.
não. De modo geral, a busca de metais preciosos, o apresamento de índios
Repare que em regiões como Goiás e Mato Grosso o foco da ação bandeirante era principalmente a em determinados períodos e a expansão territorial eram compatíveis com
descoberta de metais. Nessas regiões os indígenas eram mais arredios e dificilmente capturados. os objetos da Metrópole. Os bandeirantes serviram também aos
Ao contrário do que ocorrera no sul, o bandeirismo teve um caráter povoador nessas regiões. propósitos de repressão de populações submetidas, no Norte e Nordeste
do país. Domingos Jorge Velho e outro paulista, Matias Cardoso de
Na região sul, a situação era diferente, pois num único ataque, os bandeirantes conseguiam mão- Almeida, participaram do combate no Rio Grande do Norte à longa
de-obra abundante e disciplinada. Jesuítas espanhóis afirmam que somente nas missões rebelião indígena conhecida como Guerra dos Bárbaros (1683-1713). O
paraguaias foram capturados mais de 300 mil indígenas. mesmo Domingos Jorge Velho conduziu a campanha final de liquidação do
Quilombo doa Palmares em Alagoas (1690-1695).
A situação era tão complicada para os jesuítas que em 1640 o Papa os autorizou a usarem armas.
A partir daí os bandeirantes conheceram algumas derrotas. No entanto, as armas e os FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição.
deslocamentos das reduções não freavam os bandeirantes paulistas. Até 1632, as sucessivas

72 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
Aos bandeirantes devemos parte e responsabilidade importante na formação das fronteiras 03. (Ufmg) Leia o texto.
terrestres do Brasil. Toda fronteira brasileira está situada na banda espanhola delimitada
inicialmente pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Foram eles os responsáveis por nossa “Marcha "Doenças, acidentes, deserções, combates com os índios iam dizimando paulatinamente a tropa.
para o Oeste”. Atualmente o território brasileiro alcança os contrafortes andinos e o ponto mais (...) Num dos momentos mais difíceis da aventura, o filho bastardo de Fernão, José Pais,
ocidental localiza-se a apenas 500 quilômetros do Pacífico. compreendeu que a única maneira de retornar à casa seria matando o obstinado líder da bandeira.
Mas Fernão descobriu a conspiração e quem morreu - enforcado à vista do arraial - foi José. E com
ele seus companheiros de conjura."
EXERCÍCIOS
(SANTOS, C Moreira dos. JORNAL DO BRASIL, Caderno B, 27/04/1974.)

01. (Fuvest) Em 1694, uma expedição chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho foi Assinale a alternativa que apresenta afirmação correta sobre as bandeiras que penetraram o sertão
encarregada pelo governo metropolitano de destruir o quilombo de Palmares. Isto se deu brasileiro no século XVII.
porque:
(A) O caráter nômade e provisório das bandeiras impediu que elas iniciassem a fixação de
(A) os paulistas, excluídos do circuito da produção colonial centrada no Nordeste, queriam aí população no interior.
estabelecer pontos de comércio, sendo impedidos pelos quilombos. (B) A adversidade da natureza impediu que os bandeirantes dessem início a qualquer tipo de
(B) os paulistas tinham prática na perseguição de índios, os quais aliados aos negros de atividade de subsistência.
Palmares ameaçavam o governo com movimentos milenaristas. (C) Os índios encontrados pelo caminho eram exterminados, quando impediam a captura de
(C) o quilombo desestabilizava o grande contingente escravo existente no Nordeste, mão-de-obra negra e escrava.
ameaçando a continuidade da produção açucareira e da dominação colonial. (D) Os bandeirantes paulistas, soltos no sertão bravio, muitas vezes usurpavam do Rei o
(D) os senhores de engenho temiam que os quilombolas, que haviam atraído brancos e poder que este lhes delegara.
mestiços pobres, organizassem um movimento de independência da colônia.
(E) os aldeamentos de escravos rebeldes incitavam os colonos à revolta contra a metrópole 04. (Ufu) A atividade bandeirante marcou a atuação dos habitantes da Capitania de São Vicente
visando trazer novamente o Nordeste para o domínio holandês. entre os séculos XVI e XVIII.

02. (Mackenzie) A historiografia tradicional atribui ao bandeirismo o alargamento do território A esse respeito, assinale a alternativa correta.
brasileiro para além de Tordesilhas.
(A) Buscando capturar o índio para utilizá-lo como mão-de-obra ou para descobrir minas de
Sobre esta atividade é correto afirmar que: metais e pedras preciosas, o chamado bandeirismo apresador e o prospector foram
importantes para a ampliação dos limites geográficos do Brasil colonial.
(A) jamais converteu-se em elemento repressor, atacando quilombos ou aldeias indígenas. (B) As bandeiras eram empresas organizadas e mantidas pela Metrópole, com o objetivo de
(B) as Missões do Sul foram preservadas dos ataques paulistas, devido à presença dos conquistar e povoar o interior da colônia, assim como garantir, efetivamente, a posse e o
jesuítas espanhóis. domínio do território.
(C) na verdade, o bandeirismo era a forma de sobrevivência para mestiços vicentinos, rudes e (C) As chamadas bandeiras apresadoras tinham uma organização interna militarizada e eram
pobres e a expansão territorial ocorreu de forma inconsciente como subproduto de sua compostas exclusivamente por homens brancos, chefiados por uma autoridade militar da
atividade. Coroa.
(D) eram empresas totalmente financiadas pelo governo colonial, tendo por objetivo alargar o (D) O que explicou o impulso do bandeirismo no século XVII foi a assinatura do tratado de
território para além de Tordesilhas. fronteiras com a Espanha, que redefiniu a Linha de Tordesilhas e abriu as regiões de
(E) era exercida exclusivamente pelo espírito de aventura dos brancos vinculados à elite Mato Grosso até o Rio Grande do Sul, possibilitando a conquista e a exploração
proprietária vicentina, cujas lavouras de cana apresentavam grande prosperidade. portuguesa.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 73
(E) Derivado da bandeira de apresamento, o sertanismo de contrato era uma empresa (E) a colonização indígena sofreu uma significativa queda com o início das Missões dos
particular, organizada com o objetivo de pesquisar indícios de riquezas minerais, Jesuítas.
especialmente nas regiões de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

07. (Fgv) "Assim, alguns dos irmãos mandados para esta aldeia, que se chama Piratininga,
05. (Unesp) "Nossa milícia, Senhor, é diferente da regular que se observa em todo o mundo. chegamos a 25 de janeiro do ano do Senhor de 1554, e celebramos em paupérrima e
Primeiramente nossas tropas com que vamos à conquista do gentio bravo desse vastíssimo estreitíssima casinha a primeira missa, no dia da Conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso,
sertão não é de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, nem a ele dedicamos a nossa casa".
por pagamento de munição."
ANCHIETA, José de, "Carta de Piratininga (1554)". Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões,
(Carta de Domingos Jorge Velho ao rei de Portugal, em 1694.) Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988, p.48.

De acordo com o autor da Carta, pode-se afirmar que: Sobre a fundação da vila de São Paulo no período colonial podemos afirmar que:

(A) os bandeirantes possuíam tropas de mercenários, pagas pela metrópole, com o objetivo (A) Expulsos de Piratininga, os jesuítas retornaram em 1554 com tropas portuguesas que
de exterminar indígenas. promoveram a destruição dos grupos indígenas da região.
(B) havia proibição oficial de capturar índios para a escravização e os bandeirantes (B) Sua fundação acompanhou a tendência da colonização portuguesa em privilegiar a
pretendiam evitar ser punidos pelos colonos e pelos espanhóis. formação de núcleos no interior, em lugar de entrepostos litorâneos.
(C) os exércitos portugueses, organizados na colônia, tinham a particularidade de serem (C) Desde sua fundação até o final do século XVIII, sua principal atividade econômica foi a
compostos por indígenas especializados em destruir quilombos. produção de açúcar e algodão voltada para o mercado externo.
(D) algumas tribos indígenas ameaçavam a segurança dos colonos e as bandeiras eram (D) Sua fundação ocorreu em função dos interesses jesuíticos em controlar o comércio de
tropas encarregadas de transportar os nativos para as reduções religiosas. metais e pedras preciosas realizado pelas tribos indígenas da região.
(E) muitas das bandeiras paulistas eram constituídas por exércitos particulares, especializados (E) Sua fundação está vinculada à motivação missionária dos jesuítas que tinham nos
em exterminar e capturar indígenas para serem escravizados. colégios e aldeamentos suas bases principais.

06. (Ufc) A crueldade e impunidade dos participantes das entradas contra os indígenas foi 08. (Ueg) O processo de ocupação e desbravamento do interior brasileiro talvez seja uma das
denunciada pelo Pe. Antônio Vieira." ... e assim fala toda esta gente nos tiros que deram; nos etapas mais interessantes da formação social do Brasil no período colonial. As entradas e
que fugiram... nos que mataram, como se falassem de uma caçada e não valessem mais as bandeiras que desbravaram o sertão estão na origem da formação dos primeiros núcleos
vidas dos índios que a dos animais". urbanos no interior do país, como no caso da região de Goiás.

Fonte: Carta do Pe. Antônio Vieira, 1653, Maranhão, destinada ao Padre Provincial, in COLETÂNEA DE Sobre o processo de ocupação e povoamento de Goiás, é CORRETO afirmar:
DOCUMENTOS HISTÓRICOS PARA O 1º GRAU - 5• à 8• SÉRIES. SE/CENP. 1979, P.25.

(A) Até o início do século XVIII, a região do atual Estado de Goiás era desabitada e
Considerando este depoimento, é correto afirmar que:
considerada território desconhecido tanto por portugueses quanto por indígenas, que
ocupavam preferencialmente o litoral brasileiro.
(A) as aldeias indígenas consolidavam a solidariedade existente entre as tribos.
(B) A bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva foi a primeira expedição de exploração do atual
(B) a população indígena, sobretudo no interior, sofreu um verdadeiro extermínio, vítima da
território goiano, que lançou as bases para outros descobertos, como o das minas de
escravidão.
Cuiabá.
(C) o bandeirismo contribuiu para o crescimento das vilas indígenas no atual território de São
(C) Por causa da grande distância a ser percorrida entre a região das minas dos Goyases e o
Paulo.
Estado de São Paulo, foi pequena a utilização da mão-de-obra africana na região, ficando
(D) a caça ao elemento indígena pelos bandeirantes foi condenada pelos senhores de terras.
a extração aurífera sob o encargo de indígenas escravizados.

74 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
(D) O curto período de exploração aurífera em Goiás deve-se ao rápido esgotamento dos (C) A busca de terras para o gado, afastadas da região canavieira litorânea, estimulou os
veios auríferos localizados nos leitos dos rios e à técnica rudimentar utilizada na extração estancieiros do sul (Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul) a empreenderem
do ouro. entradas nos sertões paraibanos.
(E) O declínio da produção aurífera trouxe poucos abalos à dinâmica social goiana, visto que (D) A procura de ouro e, depois, o interesse no comércio decorrente da descoberta das minas
já havia se estabelecido na região uma intensa atividade comercial e agrícola que na região incentivaram os colonos paulistas a organizarem monções para a Capitania de
sustentava o crescimento econômico local. Mato Grosso, penetrando território, então, pertencente ao Império espanhol.
(E) A necessidade de expansão do gado para novas terras induziu os habitantes de São Paulo
a formarem bandeiras contra os índios guaranis, aldeados em Missões ao sudoeste dos
09. (Ufpb) O título e a letra da música a seguir fazem referência, em linguagem artística, ao
limites territoriais da América Portuguesa, à época.
processo de formação territorial do Brasil. Esse processo teve muitas motivações, diversos
agentes históricos, variadas formas de organização e múltiplas direções geográficas, dele
resultando o alargamento das dimensões originais das possessões portuguesas na América, que 10. (Mackenzie) "Os bandeirantes foram romantizados (...) e postos como símbolo dos paulistas e
haviam sido estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas (1494). do progresso, associação enobrecedora. A simbologia bandeirante servia para construir a
imagem da trajetória paulista como um único e decidido percurso rumo ao progresso,
ENTRADAS E BANDEIRAS encobrindo conflitos e diferenças."

O que vocês diriam dessa coisa (Abud, K. Maria. In: Matos, M. I. S. de São Paulo e Adoniram Barbosa)
Que não dá mais pé?
O que vocês fariam pra sair desta maré? Ainda que essa imagem idealizada do bandeirante tenha sido uma construção ideológica, sua
O que era sonho vira terra importância, no período colonial brasileiro, decorre:
Quem vai ser o primeiro a me responder?
(A) de sua iniciativa em atender à demanda de mão-de-obra escrava do Brasil Holandês,
Sair desta cidade ter a vida onde ela é durante o governo de Maurício de Nassau.
Subir novas montanhas diamantes procurar (B) de sua extrema habilidade para lidar com o nativo hostil, garantindo sua colaboração
No fim da estrada e da poeira espontânea na busca pelo ouro.
Um rio com seus frutos me alimentar (C) de sua colaboração no processo de expansão territorial brasileira, à medida que
ultrapassou o Tratado de Tordesilhas e fundou povoados, garantindo, futuramente, o
NASCIMENTO, Milton e BRANT, Fernando. Disponível em: direito de Portugal sobre essas terras.
<http://miltonnascimento.letras.terra.com.br/letras/252573/->. Acesso em: 08 set. 2006).
(D) de sua atuação decisiva na Insurreição Pernambucana, que resultou na expulsão dos
holandeses do nordeste, em 1654, considerada como o primeiro movimento de cunho
Considerando a letra da música, as informações apresentadas e seus conhecimentos sobre o tema,
emancipacionista da colônia.
verifica-se que as motivações, os agentes, as formas de organização e a direção geográfica da
(E) da colaboração dos mesmos na formação das Missões Jesuíticas, cujo objetivo era a
expansão territorial na América Portuguesa estão, corretamente, correlacionadas em:
proteção e catequização de índios tupis, obstáculo à ocupação do território colonial.
(A) A busca e aprisionamento de índios, para a sua comercialização nos engenhos do atual
Nordeste, desfalcados de escravos negros após a tomada de Angola pelos holandeses, 11. (Unifesp) "... a vila de São Paulo de há muitos anos que é República de per si, sem observância
motivou os habitantes de São Paulo a organizarem bandeiras para o extremo ocidental da de lei nenhuma, assim divina como humana..."
Amazônia.
(B) A procura de ouro e metais preciosos impulsionou autoridades metropolitanas e colonos a (Governador Geral Antonio L. G. da Câmara Coutinho, em carta ao Rei, 1692.)
formarem monções, aproveitando a navegabilidade do rio Paraná, em direção à Capitania
de Minas Gerais. O texto indica que, em São Paulo:

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 75
(A) depois que os jesuítas, que eram a favor da escravidão, foram expulsos, a cidade ficou 2. A ocupação do Pampa gaúcho não teve nenhum interesse econômico, estando ligada aos
abandonada à própria sorte. conflitos luso-espanhóis na Europa.
(B) como decorrência da geografia da capitania e dos interesses da Metrópole, imperava a 3. O planalto central, nas áreas correspondentes aos atuais Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato
autonomia política e religiosa. Grosso, foi um dos principais alvos do bandeirismo, e sua ocupação está ligada à mineração.
(C) a exemplo do que se passava no resto da capitania, reinava o mais completo descaso em 4. A zona missioneira no sul do Brasil representava um obstáculo tanto aos colonos, interessados
termos políticos e religiosos. na escravização dos indígenas, quanto a Portugal, dificultando a demarcação das fronteiras.
(D) com a descoberta do ouro de Minas Gerais, os habitantes passaram a se queixar do 5. O Sertão nordestino, primeira área interior ocupada no processo de colonização, foi um
abandono a que ficaram relegados. prolongamento da lavoura canavieira, fornecendo novas terras e mão-de-obra para a expansão
(E) graças à proclamação de Amador Bueno, os habitantes da cidade passaram a gozar de da lavoura.
um estatuto privilegiado.
As afirmações corretas são:

12. (Espm) "Essas longas jornadas fluviais diversificaram os meios de locomoção e exigiram nova
(A) somente 1, 2 e 4.
postura dos seus componentes. Os rios tornaram-se a principal artéria de deslocamento, razão
(B) somente 1, 2 e 5.
pela qual as técnicas fluviais alcançaram grande desenvolvimento entre os paulistas. Para
(C) somente 1, 3 e 4.
tornar a jornada menos perigosa formaram-se comboios que substituíram as unidades isoladas.
(D) somente 2, 3 e 4.
Porto Feliz era seu foco irradiador e as frotas que dali seguiam pelos rios Tietê, Paraná e
(E) somente 2, 3 e 5.
outros, reuniam por vezes 300 ou 400 canoas em expedições que com diversas variantes por
todo um século, inclusive com a difícil transposição de numerosas cachoeiras e corredeiras,
asseguravam as comunicações entre São Paulo e Mato Grosso". 14. (Fuvest) Entre 1750, quando assinaram o Tratado de Madrid, e 1777, quando assinaram o
Tratado de Santo Ildefonso, Portugal e Espanha discutiram os limites entre suas colônias
(Adaptado do "Dicionário do Brasil Colonial", direção de Ronaldo Vainfas). americanas. Neste contexto, ganhou importância, na política portuguesa, a ideia da
necessidade de:
O texto descreve o seguinte tipo de expedições:

(A) defender a colônia com forças locais, daí a organização dos corpos militares do centro-sul
(A) As monções.
e a abolição das diferenças entre índios e brancos.
(B) O sertanismo de contrato.
(B) fortificar o litoral para evitar ataques espanhóis e isolar o marquês de Pombal por sua
(C) A caça ao índio.
política nitidamente pró-bourbônica.
(D) O tropeirismo.
(C) transferir a capital da Bahia para o Rio de Janeiro, para onde fluía a maior parte da
(E) O comércio de drogas do sertão.
produção açucareira, ameaçada pela pirataria.
(D) afastar os jesuítas da colônia por serem quase todos espanhóis e, nesta qualidade,
13. (Cesgranrio) A ocupação do território brasileiro, restrita, no século XVI, ao litoral e associada à defenderem os interesses da Espanha.
lavoura de produtos tropicais, estendeu-se ao interior durante os séculos XVII e XVIII, ligada à (E) aliar-se política e economicamente à França para enfrentar os vizinhos espanhóis,
exploração de novas atividades econômicas e aos interesses políticos de Portugal em definir as impondo-lhes suas concepções geopolíticas na América.
fronteiras da colônia.

As afirmações a seguir relacionam as regiões ocupadas a partir do século XVII e suas atividades
dominantes.

1. No Vale Amazônico, o extrativismo vegetal - as drogas do sertão - e a captura de índios


atraíram os colonizadores.

76 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
15. (Cesgranrio) A formação do território brasileiro no período colonial resultou de vários 17. (Fatec) "São os portugueses que antes de quaisquer outros se ocuparão do assunto. Os
movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no século XVIII. Assinale a opção espanhóis, embora tivessem concorrido com eles nas primeiras viagens de exploração,
que relaciona corretamente os movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites: abandonarão o campo em respeito ao Tratado de Tordesilhas (1494) e à bula papal que dividira
o mundo a se descobrir por linhas imaginária entre as coroas portuguesa e espanhola. O litoral
(A) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta das minas de ouro, foi brasileiro ficava na parte lusitana, e os espanhóis respeitavam seus direitos. O mesmo não se
consolidada nos Tratados de Utrecht. deu com os franceses, cujo rei (Francisco I ) afirmaria desconhecer a cláusula do testamento
(B) A região missioneira no sul constituiu um caso à parte, só resolvido a favor de Portugal de Adão que reservava o mundo unicamente a portugueses e espanhóis. Assim eles virão
com a extinção da Companhia de Jesus. também, e a concorrência só resolveria pelas armas".
(C) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território brasileiro conformação
semelhante à atual. (PRADO Jr, Caio. HISTÓRIA ECONÔMICA DO BRASIL. São Paulo, Brasiliense, 1967.)

(D) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das Missões e do rio da
Segundo o texto, é correto afirmar que:
Prata.
(E) Os Tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio português no sul,
(A) espanhóis e portugueses resolveriam a posse das terras da América pela força das armas.
passando a incluir a região platina.
(B) a concorrência entre Portugal e Espanha serviu de pretexto para que o rei da França
reservasse a si o direito de atacar a Península Ibérica e resolver o impasse pela força das
16. (Pucpr) "...sairão os missionários com todos os móveis, e efeitos, levando consigo os índios armas.
para aldear em outras terras da Espanha; e os referidos índios poderão levar também todos os (C) os franceses não reconheceram o Tratado de Tordesilhas e, por isso, não respeitaram a
seus bens móveis e semoventes, e as armas, pólvora e munições ... se entregarão as posse de terras pertencentes a Portugal ou Espanha.
povoações à Coroa de Portugal, com todas suas casas, igrejas, e edifícios e a propriedade e (D) lançando mão da "cláusula de Adão", o rei da França fundamentava a tese de que o Papa
posse de terreno..." tinha todo o direito de dispor do mundo, uma vez que era descendente direto de Adão.
(E) para os franceses, os espanhóis não respeitavam o litoral brasileiro e assolavam-no
"...como seria possível fazer a mudança de mais de trinta mil índios para outro lado do rio Uruguai constantemente porque não reconheciam, em nenhum documento, que Portugal detinha
sem causar-lhes danos irreparáveis; como transportar sem riscos mais de setecentas mil cabeças a posse das terras brasileiras.
de gado?..."

(Érico Veríssimo. O CONTINENTE. São Paulo, Círculo do Livro.) 18. (Ufrs) Considere as seguintes afirmações, referentes ao período colonial do Rio Grande do Sul
(séculos XVII e XVIII).
O texto refere-se ao:
I. Os Sete Povos das Missões foram uma tentativa de evangelização empreendida pelos
(A) Tratado de Santo Ildefonso - com entrega para a Espanha das terras da Colônia do jesuítas portugueses, visando à formação de reduções que abrigariam majoritariamente
Sacramento e dos Sete Povos. povos indígenas de etnia guarani, os quais, em troca da instrução religiosa, prestariam
(B) Convênio de El Pardo - que anulava o Tratado de Madri, em função da Guerra Guaranítica serviços nas estâncias missioneiras.
e atritos entre as comissões demarcadoras portuguesas e espanholas. II. A vila da Colônia do Sacramento foi a primeira capital da capitania do Rio Grande de São
(C) Tratado de Badajós - que restaurava, na prática, o que fora disposto no Tratado de Madri. Pedro, tendo a entrega daquele território aos espanhóis ocasionado a transferência da
(D) Princípio "Uti Possidetis": missionários e índios deveriam abandonar aquelas terras dado capital para Porto Alegre.
ao fato de as mesmas terem sido colonizadas efetivamente, antes, pelos portugueses. III. A ocupação efetiva do território do atual Rio Grande do Sul começou com o processo de
(E) Tratado de Madri - que, no Sul, entregava a Colônia do Sacramento para a Espanha e concessão de sesmarias e com a constituição das primeiras estâncias ou fazendas
destinava os Sete Povos para Portugal. dedicadas à pecuária extensiva.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 77
Quais estão corretas? 20. (Mackenzie) O desenvolvimento do ciclo de preação ao índio no banderismo vicentino, durante
as invasões holandesas no século XVII, explica-se porque:
(A) Apenas I.
(B) Apenas III. (A) os holandeses passaram a controlar as regiões africanas fornecedoras de escravos,
(C) Apenas I e II. impedindo o tráfico negreiro para área portuguesa, gerando assim a procura de escravos
(D) Apenas I e III. indígenas nas áreas sob domínio português.
(E) Apenas II e III. (B) os invasores holandeses substituíram o escravo negro pelo índio, mais habituado à
produção de excedentes.
(C) os portugueses sempre preferiram a escravidão indígena, que traziam lucros para a
19. (Ufc) Leia o texto a seguir.
colônia.
(D) os vicentinos, devido à abundância de escravos negros na região, relutaram em aceitar
"A barbarização ecológica e populacional acompanhou as marchas colonizadoras entre nós, tanto
escravos indígenas.
na zona canavieira quanto no sertão bandeirante; daí as queimadas, a morte ou a preação dos
(E) os bandeirantes paulistas aprisionaram somente indígenas destribalizados, poupando as
nativos. Diz Gilberto Freyre, insuspeito no caso porque apologista da colonização portuguesa no
missões jesuítas de seus ataques.
Brasil e no mundo: 'O açúcar eliminou o índio'. Hoje poderíamos dizer: o gado expulsa o posseiro;
a soja, o sitiante; a cana, o morador. O projeto expansionista dos anos 70 e 80 foi e continua
sendo uma reatualização em nada menos cruenta do que foram as incursões militares e EXERCÍCIOS DE PROVA
econômicas dos tempos coloniais".

(BOSI, Alfredo. "Dialética da colonização". São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 22)
01. (EsFCEx - 2001) O grande afluxo populacional brasileiro para o interior do continente, a partir
A partir da leitura do texto, pode-se concluir, corretamente, que: do século XVIII, foi proporcionado pelo ciclo do (a) (s):

(A) os princípios republicanos garantiram, no século XX, uma ocupação territorial, feita com Escolher uma resposta.
base na realocação econômica, nos centros urbanos, dos sujeitos expulsos pelas novas
atividades implantadas no interior do país. (A) ouro
(B) o impacto ambiental e social das atividades econômicas implantadas é um problema que (B) pau-brasil
surgiu recentemente, a partir da mecanização das práticas agrícolas e pastoris. (C) cana de açúcar
(C) a marginalização social e econômica de alguns grupos constitui um dos efeitos das (D) couro
atividades econômicas desenvolvidas no Brasil desde o período colonial. (E) drogas do sertão
(D) o desenvolvimento da atividade açucareira na colônia alterou as condições naturais do
território, ao introduzir o plantio em áreas extensas, o que reverteu em ganhos para as 02. (EsFCEx - 2002) Sobre o Bandeirantismo no Brasil, analise as afirmativas abaixo.
comunidades locais.
(E) a introdução de atividades modernas, desde a colônia, vem substituindo a ocupação I. Foi um movimento histórico sem maiores consequências, inclusive no que diz respeito à
predatória do meio ambiente, pelos nativos, por outra mais racional que, ao otimizar os nossa expansão territorial.
recursos naturais, garante sua renovação. II. Os Bandeirantes com sua penetração impuseram o idioma português no trato civil e
doméstico.
III. Deve-se aos Bandeirantes, mais do que ao indígena, nossa riqueza extraordinária de
topônimos de procedência tupi.
IV. Este movimento foi responsável pelo sistema, quase matriarcal, a que ficavam sujeitas as
crianças em São Paulo.

78 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
Com base na análise, assinale alternativa correta. (A) somente a I está correta.
(B) somente a I e a II estão corretas.
Escolher uma resposta. (C) somente a II e a III estão corretas.
(D) somente a II está correta.
(A) Somente I está correta. (E) todas estão corretas.
(B) Somente II e IV estão corretas.
(C) Somente III e IV estão corretas.
05. (EsFCEx - 2007) Relacione a coluna da direita de acordo com a da esquerda, identificando
(D) LEGENDA
características e situações que se referem a cada um dos ciclos econômicos do Brasil colonial,
(E) Todas estão corretas.
em destaque. A seguir, marque a alternativa que contém a sequência correta.

03. (EsFCEx - 2005) Numere a coluna da esquerda de conformidade com a da direita e, CICLOS ECONÔMICOS CARACTERÍSTICAS / SITUAÇÕES
posteriormente, marque a alternativa que apresenta a sequência encontrada:
1. Ciclo do pau-brasil 1. ( ) Teve como principal pólo de expansão econômica nos
ENTRADISTAS E BANDEIRANTES FEITOS HISTÓRICOS 2. Ciclo do açúcar primeiros séculos da colonização, a zona da mata das
3. Ciclo do ouro capitanias nordestinas. .
1. ( ) Gabriel Soares de Sousa. 01. Tornou-se o maior bandeirante. 2. ( ) Utilizou-se da mão-de-obra indígena na extração
02. Levou sete anos na região do predatória do seu produto cujo o trabalho era pago
2. ( ) Belchior Dias. Jequitinhonha. em utensílios diversos que substituíam a remuneração
03. Revelou as minas de Goiás. em moedas. .
3. ( ) Antônio Raposo Tavares. 04. Faleceu antes de alcançar o rio São 3. ( ) Caracterizou-se, do ponto de vista social, pela
Francisco. instituição do modelo patriarcal com grandes famílias
4. ( ) Antônio Rodrigues Arzão. 05. Chegou à Minas Gerais partindo da e agregados, e com forte inserção dos seus patriarcas
Bahia. na vida política regional. .
5. ( ) Bartolomeu Bueno da Silva. 06. Descobriu o ouro em Minas Gerais. 4. ( ) Gerou uma política de alta tributação da metrópole em
07. Excursionou pela Chapada Diamantina. relação à colônia. Dentre os impostos cobrados
destacava-se o quinto e a capitação. .
Escolher uma resposta. 5. ( ) A partir do seu desenvolvimento a interiorização do
território brasileiro veio acompanhada de um rápido
(A) 02 ; 06 ; 01 ; 05 ; 04. desenvolvimento urbano e a intensificação de diversas
(B) 04 ; 05 ; 06 ; 01 ; 03. atividades profissionais.
(C) 02 ; 04 ; 03 ; 06 ; 01.
(D) 03 ; 07 ; 06 ; 05 ; 04. Escolher uma resposta.
(E) 04 ; 07 ; 01 ; 06 ; 03.
(A) 3; 2; 3; 3; 1.
04. (EsFCEx - 2005) Analise as afirmativas abaixo sobre a formação étnica do povo brasileiro e, a (B) 2; 2; 1; 3; 1.
seguir, marque a alternativa correta: (C) 2; 1; 2; 3; 3.
(D) 3; 2; 1; 1; 2.
I. Os negros que foram introduzidos no Brasil não apresentavam diversidade cultural. (E) 2; 1; 1; 3; 2.
II. Os mamelucos eram os mestiços de colonos com as índias.
III. Os troncos das grandes famílias paulistas são geralmente de casais mulatos.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras 79
06. (EsFCEx - 2010) Sobre a economia açucareira no período colonial, em particular na segunda
metade do século XVIII, analise as afirmativas abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.

I. Nas áreas do Nordeste e Rio de Janeiro é possível identificar uma situação de recuperação,
marcado pelo surgimento de um novo mercado consumidor nas regiões mineradoras, a
partir do “renascimento agrícola”.
II. A política pombalina marca o referido contexto, uma vez que proporcionou a instalação de
refinarias em Portugal e a criação das Companhias de Comércio do Grão-Pará e Maranhão.
III. Em paralelo ao contexto da economia açucareira na América Portuguesa, as colônias
francesas vivenciaram um aumento da produção de açúcar, em decorrência da queda do
produto nas Antilhas.

(A) Somente I está correta.


(B) Somente II está correta.
(C) Somente III está correta
(D) Somente I e II estão corretas.
(E) Somente II e III estão corretas.

07. (EsFCEx 2013) O fator de maior efetividade para a conquista e ocupação de áreas sertanejas
da América portuguesa no primeiro século da colonização foi:

(A) a caça ao índio, que visava suprir as necessidades de mão-de-obra.


(B) a busca de metais e a implantação das minas de ouro e prata.
(C) a procura das especiarias e de drogas sertanejas.
(D) a implantação da cultura de produção do gado.
(E) a busca de madeiras de lei para a construção urbana e o mobiliário.

80 Tópico 1.5 – A conquista dos sertões – entradas e bandeiras | Curso Preparatório Cidade
Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil Qual foi o prejuízo da Holanda diante da formação da União Ibérica? É interessante
notar que a própria formação da Holanda enquanto país acontece necessariamente
diante de atritos com os espanhóis.
Comentário
No Brasil podemos dividir a presença holandesa em três momentos distintos: invasão
(1630-1637); auge (1637-1644) e guerras de reconquista (1644-1654). Durante o auge
Caro estudante, do período holandês no Brasil, o Nordeste foi governado por Maurício de Nassau. O
governo Nassau é importante demais em qualquer curso de história do Brasil. É muito
Na aula anterior, pudemos observar elementos importantes para formação e comum em qualquer avaliação em que a história nacional é abordada termos questões
construção do Brasil. sobre o governo de Nassau.

Vimos o que foi a expansão marítima e comercial européia bem como as causas do É muito importante também que você identifique as implicações que a formação da
pioneirismo português. Observamos que o início da colonização brasileira ocorreu União Ibérica trouxe para as fronteiras do Brasil. Se o Tratado de Tordesilhas dividia a
somente trinta anos após a chegada de Cabral no Brasil e que a implantação do sistema América entre espanhóis e portugueses o que aconteceu depois da "união" de
das capitanias hereditárias foi um marco no processo colonizatório. portugueses e espanhóis? Será que portugueses foram favorecidos no que se refere a
expansão territorial no Brasil com o advento da União Ibérica? Ou ocorreu o contrário?
Percebemos também que a sociedade e a economia colonial eram bem mais complexas
do que aqueles esquemas mecânicos nos fazem imaginar. Certamente a sociedade Motivados pela riqueza do açúcar e impulsionados pela Cia das Índias Ocidentais os
colonial era polarizada entre senhores e escravos, mas coexistiam entre eles uma holandeses estiveram no Brasil por mais de um quarto de século. Ocuparam o nordeste
diversidade enorme de status possíveis na sociedade colonial brasileira. Em relação aos brasileiro do Ceará à foz do Rio São Francisco.
aspectos econômicos, é lugar comum afirmar a existência das plantations . Elas
existiram sim, mas ao seu lado existiram pequenas e médias propriedades produzindo Sobre o assunto, leia o texto a seguir.
para o mercado interno.
Bons estudos, conte sempre com o apoio do professor-tutor e, sobretudo, não deixe de
Apesar de já termos estudado o século XVIII (o primeiro tópico do edital inseriu a realizar os exercícios da plataforma!
economia mineradora como subtópico), o assunto abordado na aula anterior restringiu-
se basicamente ao século XVI.

Nessa aula, começaremos estudando a traumática passagem do século XVI para o XVII INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL
em Portugal e seus reflexos no Brasil. Em 1580 Portugal foi anexado pelos espanhóis
dando início a chamada "União Ibérica" que durou até 1640. Os acontecimentos do As invasões holandesas tiveram como principal motivo a proibição do comércio entre a Holanda e
continente europeu refletiram diretamente na colônia Brasil. As invasões holandesas no as colônias portuguesas. Este fato foi decorrência da União Ibérica (1580-1640), onde Portugal e
nordeste brasiileiro não podem ser bem entendidas fora desse contexto. A nova suas possessões passaram a ser administrados pela Coroa Espanhola (dinastia Filipina – Filipe II)
situação no continente europeu motivou os batavos em suas investidas no Brasil. que tinha acabado de perder seu domínio sob as terras dos atuais holandeses.

Ao dominar Portugal, os espanhóis prejudicaram os negócios da Holanda no Brasil. Esta A proibição do comércio entre os holandeses e as colônias portuguesas é entendida como uma
desenvolveu uma verdadeira guerra mundial atacando os pontos mais vulneráveis do represália espanhola ao processo de emancipação de sua antiga possessão. Vejamos como isso
imenso império luso-espanhol. Em diversas áreas do globo terrestre. Dentre essas aconteceu.
áreas estava o Brasil.
Antes da independência, os holandeses viveram uma fase de intensa atividade econômica e o
Procure prestar atenção nos motivos que levaram os holandeses a não aceitarem a comércio florescia em cidades como Bruges, Haarlem, Utrecht, Leide, Ghent, Antuérpia e Amsterdã.
nova situação originada com a formação da União Ibérica e seus reflexos no Brasil. Nestas cidades se desenvolvera uma próspera burguesia mercantil que no século XVI converteu-se

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 81


à doutrina calvinista, mais adequada às práticas e costumes econômicos burgueses. No entanto, Figura 25: Território sob domínio de Felipe II.
ainda eram governados pelos espanhóis. De acordo com Myriam Brecho e Patrícia Ramos Braick

Em 1568, a Holanda e outras províncias setentrionais dos Países Baixos,


de população majoritariamente calvinista, revoltaram-se contra o domínio
espanhol. Em 1579, as províncias do norte e alguns territórios do sul
formaram a União de Utrecht. Dois anos depois, os signatários da União
de Utrecht proclamaram a formação de um novo país, a República das
Províncias Unidas dos Países Baixos, sob a liderança do príncipe
Guilherme de Orange.

Nas décadas seguintes, os burgueses das Províncias Unidas enfrentaram


os exércitos e frotas da Espanha, que só reconheceu a independência do
país em 1648. Paralelamente, os holandeses reforçaram sua presença no
comércio europeu - e construíram um império mundial.

(extraído do livro "HISTÓRIA das cavernas ao terceiro milênio" de Myriam Brecho Mota e
Patrícia Ramos Braick. Dados incompletos)

Os laços comerciais entre portugueses e holandeses eram antigos. Os espanhóis não estavam
dispostos a manter esta situação. No Brasil os holandeses eram parte fundamental nos negócios do
Fonte: http://www.culturabrasil.org/holanda.htm
açúcar. Participavam de várias etapas desde o financiamento inicial da produção, transporte, refino
até a distribuição do produto na Europa.

Nessa época o comércio entre Lisboa e Amsterdã era intenso. Esta fornecia madeiras, trigos e
Na verdade, os holandeses estavam dispostos a invadir as partes mais frágeis deste novo e imenso
pescados em troca de vinho, sal e especiarias vindas do oriente e ocidente, entre elas o açúcar. A
império. Não estavam dispostos a aceitar as dificuldades impostas pelos espanhóis frente aos
independência frente os espanhóis aumentou ainda mais a importância regional dos comerciantes
negócios do açúcar. Pernambuco era a principal região produtora de açúcar no mundo e seu litoral
holandeses.
estava relativamente desguarnecido. Apesar da primeira tentativa de invasão ter sido mais ao sul,
A formação da União Ibérica deu origem a um dos maiores impérios que a história conheceu. Pelo na Bahia, foi a partir de Pernambuco que os holandeses dominaram considerável região do
menos em extensão territorial... nordeste brasileiro.

Os instrumentos utilizados pelos holandeses para financiar e organizar estas invasões eram duas
poderosas companhias comerciais, a Companhia das Índias Orientais, formada em 1602 e a
Companhia das Índias Ocidentais, formada em 1621.

82 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


A formação da União Ibérica Por outro lado a formação da União Ibérica trouxe consequências negativas para os portugueses
uma vez que Portugal herdou os inimigos dos espanhóis. É nesse contexto que ocorrem as
Portugal sempre se viu espremida pelos espanhóis na ponta do continente. O desejo espanhol em invasões holandesas no Brasil. Estes ataques fazem parte de um contexto maior. Para o historiador
incorporar o território português é quase tão antigo quanto à formação dos dois países. No final do Charles Boxer trata-se da verdadeira primeira guerra mundial da história.
século XVI o desejo espanhol tornara-se realidade. Em 1578 o jovem rei português, D. Sebastião
Diversas partes do império ibérico foram invadidas. Na África os holandeses buscaram controlar o
morreu em combate no norte africano. Ironicamente onde havia começado anos antes, em 1415, a
fornecimento de escravos invadindo em 1641 o domínio luso de São Jorge da Mina, em Angola. No
formação do Império Português. Essa batalha ainda apresentava um caráter cruzadístico e o
Brasil a principal motivação foi o açúcar pernambucano – principal região produtora do mundo.
sumiço do corpo do rei abalou fortemente o imaginário português dando origem a um movimento
místico-secular conhecido como sebastianismo. Esta crença atravessou o Atlântico e chegou até o
Os principais momentos da presença holandesa no Brasil são os seguintes:
Brasil. Seus adeptos acreditam na volta do Rei D. Sebastião. A morte do rei português
simbolicamente é a morte do império português. De acordo com Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire • 1624-1625 - Invasão de Salvador, na Bahia;

Em 1578, o rei de Portugal D. Sebastião, morreu na batalha de Alcácer- • 1630-1654 - Invasão de Recife e Olinda, em Pernambuco;
Quibir, contra os árabes, no norte da África. Com a morte do rei, que não
tinha descendentes, o trono de Portugal foi ocupado pelo seu tio-avô, o • 1630-1637 - Fase de resistência ao invasor;
velho cardeal D. Henrique, que, no entanto, faleceu em 1580. Com a
morte deste último, extinguia-se a dinastia de Avis, que se encontrava no • 1637-1644 - Administração de Maurício de Nassau;
trono desde 1385, com a ascensão de D. João I, mestre de Avis.
• 1644-1654 - Insurreição pernambucana.
Vários pretendentes se candidataram então ao trono vago: D. Catarina,
duquesa de Bragança, D. Antônio, prior de Crato e, também, Filipe II, rei
da Espanha, que descendia, pelo lado materno, em linha direta, do rei D. A campanha holandesa na Bahia (1624-1625)
Manuel, o Venturoso, que reinou nos tempos de Cabral. Depois de invadir
Portugal e derrotar seus concorrentes, o poderoso monarca espanhol
A primeira investida holandesa no Brasil ocorreu em 1624, na Bahia. O alvo principal era a capital –
declarou: Portugal, lo herde, lo compre y lo conquiste”.
Salvador. A campanha foi organizada e financiada pela Companhia das Índias Ocidentais, que
recebera o monopólio por 24 anos de navegação, comércio, transportes e conquista de todas as
(História do Brasil. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire. História do Brasil. Editora Atual. 7ª edição
revista e atualizada. São Paulo. Editora Atual. 1996. Págs. 36 e 37)
terras da costa atlântica situadas na América e na África.

A União Ibérica durou de 1580 até 1640. Este período também é denominado como a “Era dos A força holandesa chegou à cidade de Salvador com 26 navios, centenas de canhões e mais de três
Filipes”. Foram três em sessenta anos de dominação espanhola. Filipe II, III e IV. mil homens. Mesmo conhecendo previamente os planos neerlandeses os portugueses nada
puderam fazer, pois não dispunham de tropas suficientes para deter os invasores. O governador
A união das coroas ibéricas trouxe efeitos importantes para o Brasil. A primeira consequência dessa Mendonça Furtado foi preso e enviado para Holanda. Em seu lugar assumiu o holandês Van Dorth.
situação na América foi a superação e suspensão temporária da linha de Tordesilhas. Não fazia
mais sentido a divisão da América em duas partes através de uma linha imaginária posto que os A resistência baiana não se fez tardar. De acordo com Boris Fausto
dois lados agora eram governados pelo mesmo monarca – Filipe II. Esta situação estimulou o
As invasões começaram com a ocupação de Salvador em 1624. Os
avanço português rumo ao interior na região central da colônia, no sul do Brasil e na região
holandeses levaram pouco mais de 24 horas para dominar a cidade, mas
Amazônica. Nesse sentido merece destaque a ação dos bandeirantes através de um movimento
praticamente não conseguiram sair de seus limites. Os chamados homens
conhecido como bandeiras ou entradas.
bons refugiaram-se nas fazendas próximas à capital e organizaram a
resistência, a cargo de Matias de Albuquerque, novo governador por eles

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 83


escolhido e do bispo Dom Marcos Teixeira. Utilizando-se de tática de O ataque começou em Olinda, em 1630. Somente em 1654 os holandeses foram expulsos do
guerrilhas e com reforços chegados da Europa, impediram a expansão dos Brasil. Esse período pode ser divido em três fases bem distintas:
invasores. Uma frota composta de 52 navios e mais de 12 mil homens
juntou-se a seguir às tropas combatentes. Depois de duros combates, os - invasão e resistência (1630 – 1637)
holandeses se renderam (maio de 1625). Tinham permanecido na Bahia
por um ano. - governo nassoviano (1637 -1644)

(História Concisa do Brasil. Boris Fausto. EdUsP. São Paulo. 2001. Página 45) - expulsão holandesa (1644-1654)

Figura 26: Planta de restituição de Bahia Na primeira fase os holandeses dominaram Olinda e Recife sem maiores dificuldades. Esse período
foi marcado pela resistência luso-brasileira terminando com a afirmação do poder holandês na
região situada entre a foz do rio São Francisco até o atual estado do Ceará. A invasão teve
momentos distintos e entre 1632 e 1635, com reforços advindos do continente europeu e a ajuda
de moradores nativos, os holandeses conquistaram pontos estratégicos como a Ilha de Itamaracá,
a Paraíba, o Rio Grande do Norte e, por fim, o Arraial do Bom Jesus, consolidando e garantindo a
ocupação de Pernambuco. Dentre os colaboradores dos holandeses, destacou-se negativamente a
figura de Domingos Fernandes Calabar. Mulato nascido em Alagoas, especialista no conhecimento
das terras onde se desenvolvia a guerra brasílica - as guerrilhas contra os holandeses -, Calabar
surge como vilão na historiografia de Brasil e Portugal. Inicialmente participou das forças que
tentavam impedir a conquista do território pernambucano, mas acabou tornando-se um valioso
aliado dos invasores holandeses. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire afirmam que

Calabar, grande conhecedor da região, foi uma peça fundamental para os


holandeses expandirem o seu domínio territorial no nordeste. Com a
chegada de mais reforços, os holandeses conquistaram o Rio Grande do
Norte e a Paraíba. Em 1635, finalmente, caiu a resistência sediada no
Arraial de Bom Jesus. Consolidou-se assim o domínio holandês.
Autor: Victor Couto (1631).
Entretanto, os resistentes chefiados por Matias de Albuquerque, em sua
retirada, conseguiram capturar Calabar, que foi imediatamente
No entanto, a sorte sorrira para os holandeses. Em 1628 o corsário Piet Heyn, em nome da
executado.
Companhia das Índias Ocidentais, realizou nas Antilhas o maior roubo proveniente de um
carregamento de prata americana para a Espanha. Os recursos obtidos com esse ato fantástico de (História do Brasil. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire. História do Brasil. Editora Atual. 7ª
pirataria foram utilizados para financiar uma nova invasão no Brasil. edição revista e atualizada. São Paulo. Editora Atual. 1996. Pág. 39).

A campanha holandesa em Pernambuco (1630-1654) Após inúmeros combates e pilhagens, a Companhia das Índias Ocidentais julgou que a conquista
estava efetivada e nomeou um governo para a região ocupada pelos holandeses. O Conde João
Financiados pelo roubo de Piet Heyn os holandeses elegeram a maior região produtora de açúcar Maurício de Nassau foi nomeado comandante das fortalezas e regimentos bem como governador
no mundo como o alvo da vez. Na verdade, as possessões portuguesas eram consideradas pelos da região conquistada.
holandeses como sendo calcanhar-de-aquiles do imenso império ibérico.

84 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


Era necessário recuperar, reestruturar e reorganizar a região devastada por sete anos de guerras A popularidade de Nassau junto aos colonos brasileiros manifestava-se de forma inversa frente aos
para que esta pudesse fazer aquilo que os holandeses mais desejavam: prover lucros. dirigentes da Companhia das Índias Ocidentais. Os elevados custos militares e administrativos do
Posteriormente Nassau ocupou Alagoas e tomou o forte português que defendia a costa do Ceará, governo nassoviano faziam que o lucro da exploração no nordeste ficasse aquém do esperado.
embora fracassasse num ataque a Salvador em 1638.
Alguns fatores começaram a mudar o curso da administração nassoviana. A relação entre os luso-
Governo Nassoviano (1637-1644) brasileiros (zona rural) e holandeses (zona urbana) deteriorava-se rapidamente. Tratava-se do
mesmo conflito polarizado também na administração portuguesa: senhores de engenho e
Nassau chegou a Recife no início de 1637 para assumir sua função de governador do Brasil burguesia mercantil. Os produtores não conseguiam pagar suas dívidas e esse fato gradativamente
holandês. O cenário inicial era desolador. Após sete anos em guerra a produção açucareira estava tensionava o ambiente. No entanto, Nassau com sua habilidade conciliadora escamoteava o clima
em total estado de desorganização. Muitos proprietários refugiaram-se no interior ou fugiram para de insatisfação.
Bahia. Engenhos e canaviais estavam destruídos. Aproveitando-se do conflito centenas de escravos
Em 1640 novos fatos ocorridos no continente europeu novamente iriam interferir na vida colonial
buscaram abrigo em Palmares ajudando a consolidar a história do maior, mais duradouro e mais
brasileira. Terminara naquele ano a União Ibérica com a restauração portuguesa promovida por D.
importante quilombo da história brasileira. Palmares estava situado na Serra da Barriga, atual
João IV. Iniciava-se a dinastia de Bragança (1640-1777). Portugal saiu praticamente arruinado do
Estado de Alagoas. Holandeses e portugueses tentaram, sem sucesso, destruir o quilombo que
domínio espanhol e tratou de estabelecer com a Holanda uma trégua de dez anos na qual os dois
durou até fins do século XVII sendo vencido pelos bárbaros bandeirantes paulistas.
países comprometiam-se a não ameaçar os respectivos domínios coloniais. O tratado não foi
Dessa forma, as primeiras ações do governo de Nassau foram pensadas objetivando reestruturar a cumprido por ambas as partes. Porém essa medida fez que a Holanda diminuísse seus efetivos
economia açucareira no nordeste brasileiro. Determinou que fossem concedidos empréstimos a militares no Brasil.
juros baixos para reconstrução dos engenhos destruídos e compra dos engenhos abandonados.
Internamente a pressão exercida pela Companhia das Índias Ocidentais para a exigir a liquidação
Nassau também permitiu que os colonos praticassem a religião que bem lhes conviesse. Também
das dívidas dos senhores de engenho inadimplentes era enorme. De forma metafórica Nassau
obrigou os proprietários de terras a cultivar mandioca na proporção do número de pessoas
afirmava que “não era possível explorar mais leite do que a vaca pode dar”. Em 1644 Nassau foi
existentes dentro do engenho. Essa medida visava superar as sucessivas crises de abastecimento.
demitido e o governo local passou a ser exercido por um Conselho Supremo formado por três
Nassau também procurou estabelecer uma boa política com os colonos portugueses através de
membros. A nova administração mostrou-se extremamente severa e não seguiu os conselhos de
uma Assembleia que procurava diminuir as divergências entre os agricultores portugueses (que
Nassau que recomendara tolerância no trato com os luso-brasileiros. Dívidas deveriam ser pagas
antes da invasão tinham grande autoridade política) e os comerciantes holandeses. Nassau
imediatamente, engenhos foram confiscados e a liberdade religiosa já não era a mesma dos
também instituiu relativa liberdade no comércio para os colonos das capitanias conquistadas que
tempos de Nassau. A tensão pairava no ar e logo tomara corpo em forma de rebeliões que se
tivessem investido na produção açucareira a partir de seus engenhos. As medidas positivas eram
generalizaram rapidamente. Era o início da Insurreição Pernambucana.
várias. De acordo com Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire
Insurreição Pernambucana (1644-1654)
Nos tempos de Nassau, Recife foi remodelada. Ele trouxe consigo vários
artistas, homens de ciência, escritores e até teólogos. Dentre eles,
podemos citar os pintores Frans Post e Albert Eckhout, que registraram a Com a saída de Nassau ocorreu o aumento das medidas repressivas sobre os colonos, sobretudo
fauna e flora locais; o astrônomo Marcgrave; o médico Willem Piso, que no campo dos impostos. Os prazos para o pagamento de impostos foram reduzidos, o que
estudou as doenças tropicais. Apesar de não ter vindo ao Brasil, merece concorreu para a revolta dos senhores de engenho contra a ocupação holandesa.
menção Piet Post, que projetou a Cidade Maurícia, “cuja localização
corresponde ao coração da moderna cidade de Recife”, conforme observa
o historiador Charles Boxer.

(História do Brasil. Luiz Koshiba e Denise Manzi Freire. História do Brasil. Editora Atual. 7ª
edição revista e atualizada. São Paulo. Editora Atual. 1996. Pág. 40).

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 85


Figura 27: Óleo sobre tela Batalha dos Guararapes. africanos os neerlandeses passaram a investir também na região das Antilhas e passaram a
representar forte concorrência para as exportações do açúcar brasileiro. Nas ilhas do Caribe os
holandeses possuíam vantagens como isenção de impostos sobre a mão-de-obra (antes tributada
pela coroa portuguesa) e menor custo de transporte. No entanto o mercado interno absorveu a
produção colonial e ainda fez aumentar a demanda pelo produto. É por isso que mesmo diante da
forte concorrência internacional o número de engenhos de açúcar no Brasil não declinou, ao
contrário.

Ainda de acordo com Boris Fausto é importante observar que:

A forma pela qual se deu a expulsão dos holandeses impulsionou o


nativismo pernambucano. Ao longo de duzentos anos, até a Revolução
Autor: Victor Meirelles. Praieira (1848). Pernambuco tornou-se um centro de manifestações de
autonomia, de independência e de revolta aberta. Até a Independência, o
Dessa forma observamos que fatores internos e externos desencadearam a Insurreição alvo principal era a Metrópole portuguesa; depois dela, preponderou a
Pernambucana também conhecida como Guerra da Luz Divina. afirmação de autonomia da província, muitas vezes colorida com tintas de
reinvindicação social. O nativismo teve conteúdos variados, ao longo dos
Integrando as forças lideradas pelos senhores de engenho estavam André Vidal de Negreiros, João anos, de acordo com as situações históricas específicas e os grupos sociais
Fernandes Vieira, pelo afro-descendente Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão. Esses envolvidos. Mas manteve-se como referência básica no imaginário social
homens foram os responsáveis pela guerra volante, “a guerra do Brasil”, em oposição à “guerra da pernambucano.
Europa”. No entanto de acordo com Boris Fausto
(História Concisa do Brasil. Boris Fausto. EdUsP. São Paulo. 2001. Página 48)
Sublinhar o papel das forças locais não significa que elas constituíssem
um exército democrático, um modelo de “união das três raças”. Por sua
importância Calabar ficou conhecido como “grande traidor” na primeira Também é importante observar que os efeitos da União Ibérica para o Brasil foram contraditórios.
fase da guerra. Mas ele não foi um caso único. Na realidade, os A presença holandesa e a quase perda do nordeste para estes é uma consequência direta da União
holandeses contaram sempre com a ajuda de gente da terra, entre vários Ibérica. Se por um lado os portugueses quase perderam o nordeste por outro lado tiveram a
senhores de engenho e lavradores de cana ou entre grupos mal ou não chance de ampliar suas possessões através da superação da linha imaginária de Tordesilhas, ou
integrados à ordem colonial portuguesa, como cristãos-novos, negros seja, outra consequência direta da formação da União Ibérica.
escravos, índios tapuias, mestiços pobres e miseráveis. É certo que os
índios de Camarão e os negros de Henrique Dias formaram com os luso-
brasileiros. Porém a mobilização se deu em níveis reduzidos. Por exemplo, EXERCÍCIOS
em 1648 o contingente de Henrique Dias contava com trezentos soldados,
o que equivalia a 10% do total dos homens em armas e a 0,75% da
população escrava local. 01. (Fuvest ) Foram, respectivamente, fatores importantes na ocupação holandesa no Nordeste do
Brasil e na sua posterior expulsão:
(História Concisa do Brasil. Boris Fausto. EdUsP. São Paulo. 2001. Página 47)
(A) o envolvimento da Holanda no tráfico de escravos e os desentendimentos entre Maurício
de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.
No aspecto econômico é interessante notar que o capital holandês passou a dominar todas as (B) a participação da Holanda na economia do açúcar e o endividamento dos senhores de
etapas dos negócios do açúcar. Com o domínio de importante mercado fornecedor de negros engenho com a Companhia das Índias Ocidentais.

86 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


(C) o interesse da Holanda na economia do ouro e a resistência e não aceitação do domínio 04. (Mackenzie) Acerca da presença dos holandeses no Brasil, durante o período colonial, assinale
estrangeiro pela população. a alternativa correta.
(D) a tentativa da Holanda em monopolizar o comércio colonial e o fim da dominação
espanhola em Portugal. (A) Garantiram a manutenção do direito e liberdade de culto, tabelaram os juros e
(E) a exclusão da Holanda da economia açucareira e a mudança de interesses da Companhia financiaram plantações.
das Índias Ocidentais. (B) Perseguiram judeus e católicos através do Tribunal do Santo Ofício.
(C) Aceleraram o processo de unificação política entre Espanha e Portugal.
02. (Ufmg) Leia o texto. (D) Criaram, no Brasil, instituições de crédito, financiando a industrialização contra os
interesses ingleses.
"Nassau chegou em 1637 e partiu em 1644, deixando a marca do administrador. Seu período é o (E) Visavam à ocupação pacífica do Nordeste.
mais brilhante de presença estrangeira. Nassau renovou a administração (...) Foi relativamente
tolerante com os católicos, permitindo-lhes o livre exercício do culto. Como também com os judeus
(depois dele não houve a mesma tolerância, nem com os católicos e nem com os judeus - fato 05. (Pucrs) Responder à questão associando os países europeus (coluna A) com os fatos relativos
estranhável, pois a Companhia das Índias contava muito com eles, como acionistas ou em postos às suas tentativas de ocupação territorial no Brasil colonial (coluna B).
eminentes). Pensou no povo, dando-lhe diversões, melhorando as condições do porto e do núcleo
Coluna A Coluna B
urbano (...), fazendo museus de arte, parques botânicos e zoológicos, observatórios astronômicos".

(Francisco lglésias) 1. França 1. ( ) Ocupou área de importância central para a economia


açucareira, desviando, para a região ocupada, grande
Esse texto refere-se: 2. Espanha parte do tráfico escravista de origem angolana.
2. ( ) Disputou a ocupação da zona conflituosa e militarizada
(A) à chegada e instalação dos puritanos ingleses na Nova lnglaterra, em busca de liberdade na fronteira meridional do império português.
religiosa. 3. Holanda 3. ( ) Dominou a área setentrional, de base econômica
(B) à invasão holandesa no Brasil, no período de União lbérica, e à fundação da Nova extrativista, com importância estratégica na expansão
Holanda no nordeste açucareiro. imperial rumo ao Pacífico.
(C) às invasões francesas no litoral fluminense e à instalação de uma sociedade cosmopolita 4. ( ) Desenvolveu importante base de apoio dos latifundiários
no Rio de Janeiro. luso-brasileiros, fornecendo empréstimos que
(D) ao domínio flamengo nas Antilhas e à criação de uma sociedade moderna, influenciada propiciaram melhorias para o setor açucareiro.
pelo Renascimento.
(E) ao estabelecimento dos sefardins, expulsos na Guerra da Reconquista lbérica, nos Países A numeração correta na coluna B, de cima para baixo, é:
Baixos e à fundação da Companhia das Índias Ocidentais.
(A) 1 - 2 - 2 -3
(B) 2 - 3 - 3 -1
03. (Fuvest) É característica da economia holandesa, na primeira metade do século XVII:
(C) 3 - 2 - 1 -3
(D) 2 - 2 - 3 -1
(A) a preponderância das atividades comerciais e financeiras, com a formação de importante
(E) 3 - 1 - 2 –1
frota naval.
(B) o predomínio do setor industrial na economia, em detrimento das atividades comerciais.
(C) a formação de companhias de comércio, dando início ao liberalismo econômico.
(D) o aproveitamento exclusivo de rotas fluviais, consolidando a hegemonia econômica na
Europa Oriental.
(E) a inexistência de agricultura e pesca, conduzindo à dependência dos países fornecedores.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 87


06. (Mackenzie) Dentre as consequências da expulsão dos holandeses do Brasil no século XVII, (E) os espanhóis, ao dominarem o Brasil, pretendiam desenvolver uma colonização fora do
destacamos: sistema mercantilista, e isto era lesivo aos interesses da Companhia das Índias
Ocidentais.
(A) o crescimento da produção açucareira, graças às novas técnicas aprendidas com os
holandeses.
09. (Cesgranrio) No século XVII, as invasões do nordeste brasileiro pelos holandeses estavam
(B) o desaparecimento da oposição senhor e escravo, em função da luta contra o invasor
relacionadas às mudanças do equilíbrio comercial entre os países europeus porque:
batavo.
(C) o declínio da produção açucareira do nordeste, devido à concorrência do açúcar holandês
(A) a Holanda apoiava a união das monarquias ibéricas.
produzido nas Antilhas.
(B) a aproximação entre Portugal e Holanda era uma forma de os lusos se liberarem da
(D) o alinhamento de Portugal à França, potência hegemônica da época.
dependência inglesa.
(E) o abrandamento das restrições do pacto colonial e a concessão de maior liberdade de
(C) as Companhias das Índias Orientais e Ocidentais monopolizavam o escambo do pau-
comércio.
brasil.
(D) os holandeses tinham grandes interesses no comércio do açúcar.
07. (Fatec) A administração de Maurício de Nassau, no Brasil Holandês, foi importante, pois, entre (E) Portugal era tradicionalmente rival dos holandeses nas guerras européias.
outras realizações: 10. (Mackenzie) Durante a União Ibérica, Portugal foi envolvido em sérios conflitos com outras
nações européias. Tais fatos trouxeram como consequências para o Brasil Colônia:
(A) eliminou as divergências existentes com os representantes da Companhia das Índias
Ocidentais. (A) as invasões holandesas no nordeste e o declínio da economia açucareira após a expulsão
(B) criou condições para que a Reforma Luterana se afirmasse no Nordeste. dos invasores.
(C) promoveu a efetiva consolidação do sistema de produção açucareira. (B) o fortalecimento político e militar de Portugal e colônias, devido ao apoio espanhol.
(D) integrou o sistema econômico baiano ao de Pernambuco. (C) a redução do território colonial e o fracasso da expansão bandeirante para além de
(E) realizou alterações na estrutura fundiária, eliminando os latifúndios. Tordesilhas.
(D) a total transformação das estruturas administrativas e a extinção das Câmaras Municipais.
(E) o crescimento do mercado exportador em virtude da paz internacional e das alianças
08. (Ufrs) "Motivos por que a Companhia das Índias Ocidentais deve tentar tirar ao rei da Espanha
entre Espanha, Holanda e Inglaterra.
a terra do Brasil e lista de tudo o que o Brasil pode produzir anualmente".

Este título de livro da época nos dá uma visão do espírito que norteou o movimento das invasões 11. (Fgv) Com relação ao domínio holandês no Brasil, no período colonial, pode-se afirmar que:
holandesas. Sobre estas podemos afirmar que:
(A) os limites das suas conquistas ficaram restritos a Pernambuco, então a Capitania que
(A) a política de invasões dos holandeses visava restabelecer o protecionismo ao comércio mais produzia açúcar na Colônia;
colonial, porque os produtos brasileiros só podiam ser comprados pelos comerciantes (B) o governo de Nassau, de acordo com a Companhia das Índias Ocidentais, procurou,
espanhóis. juntamente com os produtores locais, incrementar ainda mais a produção do açúcar;
(B) a criação da Companhia das Índias Ocidentais visava romper o bloqueio econômico (C) a partir de suas bases no Nordeste, os holandeses ampliaram o raio da sua dominação,
português que impedia o livre comércio do açúcar. chegando, em 1645, a conquistar a Amazônia peruana;
(C) os planos dos holandeses visavam à reapropriação dos lucros da distribuição e venda do (D) oriundo de uma Holanda dividida pelas guerras de religião, o protestante Nassau fez do
açúcar brasileiro, prejudicados pela dominação filipina sobre Portugal. seu governo, em Pernambuco, um regime teocrático de protestantismo radical;
(D) a hegemonia holandesa já estava estabelecida na Europa e era necessário agora ocupar a (E) nas regiões que dominaram, os holandeses transformaram a economia numa atividade
área açucareira com trabalhadores livres. igualmente lucrativa para Portugal e Espanha.

88 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


12. (Ufrn) No Brasil colonial, a ocupação holandesa da costa nordeste está inserida num contexto Texto I: "... dos males que causou à Pátria, a História, a inflexível História, lhe chamará infiel,
de disputa mercantilista entre as potências européias. desertor e traidor, por todos os séculos"

Nesse sentido, é correto afirmar que o Rio Grande do Norte: Visconde de Porto Seguro, in: SOUZA JÚNIOR, A. "Do Recôncavo aos Guararapes". Rio de Janeiro: Bibliex,
1949.

(A) mesmo sendo um pequeno produtor açucareiro, contribuiria com uma grande produção Texto II: "Sertanista experimentado, em 1627 procurava as minas de Belchior Dias com a gente da
algodoeira, importante para as trocas mercantis. Casa da Torre; ajudara Matias de Albuquerque na defesa do Arraial, onde fora ferido, e desertara
(B) apesar de sua produção açucareira pouco expressiva, foi tomado pelos holandeses para em consequência de vários crimes praticados..." (os crimes referidos são o de contrabando e
assegurar o controle estratégico da nova colônia. roubo).
(C) por ter grandes rebanhos de gado, atraiu a cobiça de franceses e holandeses que
disputavam o controle da pecuária bovina para o mercado europeu. CALMON P. "História do Brasil". Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.
(D) por sua posição geográfica privilegiada, interessava muito aos holandeses, pois facilitaria
o apoio a seus navios no caminho para as Antilhas. Pode-se afirmar que:

(A) A peça e os textos abordam a temática de maneira parcial e chegam às mesmas


13. (Uff) O domínio holandês no Brasil, sobretudo no governo de Maurício de Nassau, foi marcado conclusões.
por grande desenvolvimento cultural e artístico. Tal processo pode ser relacionado a (B) A peça e o texto I refletem uma postura tolerante com relação à suposta traição de
características peculiares da República das Províncias Unidas no século XVII. Calabar, e o texto II mostra uma posição contrária à atitude de Calabar.
(C) Os textos I e II mostram uma postura contrária à atitude de Calabar, e a peça demostra
Relativamente a este momento histórico é INCORRETO afirmar: uma posição indiferente em relação ao seu suposto ato de traição.
(D) A peça e o texto II são neutros com relação à suposta traição de Calabar, ao contrário do
(A) A assimilação da arte, identificada mais fortemente na produção artística de Rembrandt, texto I, que condena a atitude de Calabar.
testemunhou o poderio da burguesia holandesa do período. (E) A peça questiona a validade da reputação de traidor que o texto I atribui a Calabar,
(B) Os holandeses viviam num república descentralizada que encorajava não só a eficiência enquanto o texto II descreve ações positivas e negativas dessa personagem.
econômica, como também o florescimento das artes e ciências.
(C) O calvinismo foi o fator determinante para o desenvolvimento do capitalismo holandês.
(D) A cultura holandesa era mais receptiva às inovações, assim como os elementos 15. (Ufv) A respeito das invasões holandesas que ocorreram durante o século XVII no nordeste
estrangeiros. brasileiro, é CORRETO afirmar que:
(E) A inexistência de uma corte contribuiu para que a burguesia holandesa não assimilasse,
mais efetivamente, o consumismo exacerbado ditado pelos padrões culturais europeus. (A) foram iniciativas de grupos de aventureiros holandeses, sem qualquer vinculação com as
disputas internacionais entre os Estados-Nação do período.
(B) com a expulsão definitiva dos invasores holandeses em 1654, pela qual lutaram lado a
14. (Enem) Rui Guerra e Chico Buarque de Holanda escreveram uma peça para teatro chamada lado índios, negros e portugueses, saíram reforçados os vínculos entre a Metrópole e a
"Calabar", pondo em dúvida a reputação de traidor que foi atribuída a Calabar, pernambucano Colônia naquela região.
que ajudou decisivamente os holandeses na invasão do Nordeste brasileiro, em 1632. (C) nas batalhas de resistência à invasão dos holandeses em Pernambuco, destacou-se a
figura heróica de Domingos Fernandes Calabar.
- Calabar traiu o Brasil que ainda não existia? Traiu Portugal, nação que explorava a colônia onde (D) durante o período da dominação holandesa no nordeste brasileiro, a população foi
Calabar havia nascido? Calabar, mulato em uma sociedade escravista e discriminatória, traiu a elite obrigada a trocar o catolicismo pelo calvinismo, por ser esta a religião do príncipe
branca? Maurício de Nassau.

Os textos referem-se também a esta personagem.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 89


(E) a forma pela qual se deu a expulsão definitiva dos holandeses explica o surgimento (E) tiveram em Maurício de Nassau a maior figura holandesa no Brasil, pois foi ele quem
posterior de vários movimentos nativistas, como a Revolta de Beckman (1684-85), Guerra reorganizou a vida econômica, após ter garantido a ocupação do território.
dos Mascates (1710-14) e a Revolução Praieira (1848).

18. (Uel) Considere as afirmações.


16. (Uel) "Se determinais Deus meu dar estas mesmas terras aos piratas de Holanda, porque não
as destes enquanto eram agrestes e incultas, senão agora? Tantos serviços vos tem feito essa I. A Companhia das Índias Ocidentais foi criada pelos holandeses, em 1621, com o objetivo de
gente pervertida e apóstata, que nos mandasses primeiro cá por seus aposentadores, para lhe restabelecer, entre outros, o comércio do açúcar no nordeste brasileiro.
lavrarmos as terras, para edificarmos as cidades e depois de cultivadas e enriquecidas lhes II. A Coroa Ibérica enviou Maurício de Nassau para governar Pernambuco e expulsar os
entregardes? Assim se hão de lograr os hereges, e inimigos da fé, dos trabalhos portugueses e holandeses que tentavam ocupar a região produtora de açúcar em todo o nordeste
dos suores católicos (...)". brasileiro.
III. Durante a ocupação do nordeste brasileiro, a administração holandesa procurou manter
(VIEIRA, A. "Obras completas". Porto: Lello & Irmãos, 1951. v. XIV, p.315.) uma política de tolerância em relação às dívidas dos senhores de engenho, que foi rompida
a partir de 1644.
Com base no texto e em seus conhecimentos sobre a presença holandesa no Brasil, é correto
IV. Por serem calvinistas, os holandeses perseguiram principalmente os católicos e judeus,
afirmar:
durante o período de sua ocupação na zona produtora de açúcar, no nordeste brasileiro.

(A) O domínio holandês no Brasil constituiu o episódio central dos conflitos entre Portugal e
Sobre a ocupação holandesa no nordeste brasileiro no século XVII, estão corretas SOMENTE:
Países Baixos pelo controle do açúcar brasileiro, do tráfico de escravos africanos e das
especiarias asiáticas.
(A) I e II
(B) Senhores de engenho, escravos e índios converteram-se ao calvinismo e recusaram-se a
(B) I e III
participar do movimento de expulsão dos holandeses da Bahia e de Pernambuco.
(C) II e III
(C) A intolerância religiosa holandesa para com os católicos, impedindo as tradicionais festas
(D) II e IV
religiosas, procissões e missas, determinou a expulsão dos calvinistas do Brasil.
(E) III e IV
(D) Os portugueses renderam-se aos holandeses por acreditarem que os batavos fundariam
mais cidades no Brasil.
(E) Para os portugueses, o domínio holandês no Brasil representou uma disputa religiosa sem 19. (Ufv) O período que se estende de 1624 a 1654 é caracterizado por tentativas de colonização
implicações políticas e econômicas para o Brasil e Portugal. costeira do Brasil e pelo efetivo domínio holandês no nordeste. Sobre as "Invasões
Holandesas", nesse momento da história colonial brasileira, é INCORRETO afirmar que elas:

17. (Fatec) Os holandeses permaneceram no Brasil, em Pernambuco, de 1630 até 1654;


(A) iniciaram-se pela Bahia, de onde os holandeses foram expulsos, mas expandiram-se em
conquistaram terras, desenvolveram a indústria açucareira e urbanizaram Recife.
direção a Recife até atingir o entorno de São Luís, região estratégica para o ataque às
frotas oriundas das minas espanholas que por lá passavam carregadas de ouro e prata.
É correto afirmar, ainda, que:
(B) estavam relacionadas com a União Ibérica e a conseqüente guerra pela autonomia das
Províncias Unidas dos Países Baixos frente ao domínio espanhol, que interferiu nas
(A) foram traídos por Domingos Fernandes Calabar quando invadiram o Brasil.
relações políticas e comerciais entre portugueses e holandeses.
(B) invadiram primeiramente o Rio de Janeiro, onde fundaram o Brasil Holandês, uma colônia
(C) contaram com a participação da Companhia das Índias Ocidentais, empresa responsável
totalmente formada por protestantes.
pela administração do território holandês conquistado e que, em troca de apoio, ofereceu
(C) dominaram grande parte dos senhores de engenho preocupados não só em escravizar os
vantagens aos senhores de engenhos de Pernambuco.
índios para trabalhar na lavoura mas também em destruir o Quilombo de Palmares.
(D) fundaram o Arraial do Bom Jesus, de onde partiram e dominaram por completo os
brasileiros.

90 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


(D) entraram em decadência a partir de 1642, devido à nova política adotada pela Companhia I. A composição do exército da Companhia das Índias Ocidentais, que lutou em Pernambuco,
das Índias Ocidentais, que obrigou os senhores de engenho a aumentar a produção de era de alemães, franceses, irlandeses e neerlandeses.
açúcar para que conseguissem pagar suas dívidas com os holandeses. II. Os holandeses impuseram e chegaram a consagrar o mesmo modelo de colonização e
(E) propiciaram a substituição da mão-de-obra escrava pela livre nas lavouras canavieiras do economia implantado pelos portugueses no Brasil.
nordeste, durante o governo do conde Maurício de Nassau, também conhecido por III. Todas as experiências colonizadoras dos Países Baixos no continente americano, durante o
implementar a urbanização e o embelezamento do Recife. século XVII, foram marcadas pelo êxito.
IV. As cidades do Brasil-Holandês se caracterizaram por simples e pobres prolongamentos dos
domínios rurais, sem apresentarem ostentações.
20. (Ufpr) Durante a União das Coroas Ibéricas (1580-1640), as formas de exploração do
continente africano sofreram mudanças consideráveis. Sobre esse aspecto, considere as
Com base na análise, assinale alternativa correta.
seguintes afirmativas:

(A) Somente I está correta.


I. O rei de Espanha e Portugal, Felipe II, proibiu os Países Baixos, entre eles a Holanda, de
(B) Somente II e IV estão corretas.
traficar escravos na costa africana. Isso levou os holandeses a fundar a Companhia de
(C) Somente III e IV estão corretas.
Comércio das Índias Ocidentais, com o objetivo de participar do tráfico de escravos para o
(D) Somente I, II e III estão corretas.
Novo Mundo.
(E) Todas estão corretas.
II. Os holandeses conquistaram a Costa da Mina e Angola, na costa africana. Apenas Angola
foi recuperada pelos portugueses, graças a uma expedição que partiu do Brasil liderada por
Salvador de Sá. 02. (EsFCEx - 2003) Analise as afirmativas abaixo sobre as Invasões Holandesas no Brasil:
III. Após a conquista da Costa da Mina pelos holandeses, o tráfico de escravos entre o Brasil e
aquela região africana praticamente desapareceu. I. Enquanto Portugal teve soberania, foi bom parceiro comercial da Holanda.
IV. A produção do tabaco da Bahia entrou em declínio, uma vez que aquele produto era II. Além do açúcar do Brasil, a Companhia das Índias Ocidentais visava, também, as minas de
comercializado essencialmente na Costa da Mina. prata do México e do Perú.
V. Única praça subordinada à administração portuguesa na África, Angola, através de seus III. A tática das guerrilhas no Brasil se iniciou na Bahia.
portos de Luanda, Cabinda e Benguela, passou a receber mercadorias, sobretudo, como a IV. Com a Insurreição Pernambucana os brasileiros não conseguiram expulsar os holandeses.
geritiba (cachaça), que eram trocadas por escravos africanos.
Com base na análise, pode-se afirmar que:
Assinale a alternativa correta.
(A) somente a I está correta.
(A) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. (B) somente a II e a IV estão corretas.
(B) Somente as afirmativas IV e V são verdadeiras. (C) somente a III e a IV estão corretas.
(C) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. (D) a I, a II e a III estão corretas.
(D) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. (E) todas estão corretas.
(E) Somente as afirmativas I e V são verdadeiras.

03. (EsFCEx - 2005) Analise as afirmativas abaixo sobre a defesa do território brasileiro durante o
EXERCÍCIOS DE PROVA período colonial, colocando entre parênteses a letra V, quando se tratar de afirmativa
verdadeira, ou a letra F quando se tratar de uma afirmativa falsa. A seguir, assinale a
alternativa que apresenta a sequência encontrada:
01. (EsFCEx - 2002) Sobre a Invasão Holandesa a Pernambuco e a presença dos holandeses na
América, analise as afirmativas abaixo. 1. ( ) Com a unificação das Coroas ibéricas os holandeses passaram a ameaçar o Brasil.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil 91


2. ( ) A Companhia das Índias Ocidentais foi criada exclusivamente para conquistar as II. A invasão holandesa à cidade de Salvador, em 1624, ocorreu após a derrota dos holandeses
Capitanias do Brasil. em Pernambuco,
3. ( ) A resistência inicial aos holandeses na Bahia foi organizada sob o comando do bispo D. 08. onde o governador Matias de Albuquerque e seus colonos derrotaram a Companhia das
Marcos Teixeira. Índias Ocidentais.
4. ( ) A Bahia sofreu uma única tentativa de conquista por parte dos holandeses. III. A política de Maurício de Nassau instalou um sistema administrativo inspirado no modelo
5. ( ) A reação às invasões holandesas ao Brasil foram feitas através das guerras de guerrilhas. holandês, com grande ênfase na economia açucareira, sobre a qual tomaram todo o
6. ( ) Infelizmente não possuímos heróis nacionais se destacando nas lutas contra os controle, impossibilitando que os colonos exercessem suas atividades.
holandeses.
(A) Somente I está correta.
(A) V ; V ; V ; F ; F ; F. (B) Somente I e II estão corretas.
(B) V ; V ; F ; F ; V ; F. (C) Somente II está correta.
(C) V ; F ; V ; F ; V ; F. (D) Somente III está correta.
(D) F ; V ; F ; V ; F ; V. (E) Todas as afirmativas estão corretas.
(E) F ; F ; F ; V ; V ; V.

06. (EsFCEx - 2009) Quanto à presença holandesa no nordeste brasileiro, analise as afirmativas
04. (EsFCEx - 2006) Inegavelmente, fatores políticos europeus influenciaram a História do Brasil ao abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.
longo dos tempos. Em particular, a invasão holandesa no nordeste brasileiro durante o século
XVII está relacionada: I. A primeira tentativa de conquista holandesa no Brasil ocorreu em 1624. O alvo era
Salvador, a capital da colônia.
(A) à Guerra dos Cem Anos que colocou as terras flamengas sob a égide do domínio britânico II. Em 1630 os holandeses chegaram a Pernambuco, do minando, sem maiores problemas,
obrigando os holandeses a buscarem novas terras para alocar a população perseguida. Recife e Olinda, apesar dos preparativos de defesa efetuados pelos pernambucanos.
III. No governo de Maurício de Nassau não houve a menor preocupação com a reorganização
(B) ao confronto entre lusitanos e castelhanos na região de fronteira de Portugal. Esse da produção açucareira, sendo esse administrador holandês um forte aliado dos senhores
conflito fragilizou as defesas da metrópole ibérica permitindo a ação holandesa no Brasil. de engenho de Pernambuco.
(C) às Guerras de Reconquista contra os mouros que deixou os portugueses à mercê do IV. Depois da saída de Maurício de Nassau do Brasil, a administração holandesa tornou-se dura
controle financeiro dos banqueiros holandeses. e violenta.
(D) aos Atos de Navegação estabelecidos pelo governo inglês. Essa medida prejudicou
enormemente os interesses marítimos holandeses deixando a nação flamenga com a Escolher uma resposta.
única opção de ocupar as zonas produtoras de açúcar.
(E) à União Ibérica que atrapalhou os interesses holandeses no comércio do açúcar levando o (A) Somente I, II e III estão corretas.
governo da Holanda a optar pela ocupação das zonas produtoras no nordeste. (B) Somente I, II e IV estão corretas.
(C) Somente I e III estão corretas.
(D) Somente II e III estão corretas.
05. (EsFCEx - 2007) Analise as proposições sobre as invasões holandesas no Brasil e assinale a
(E) Todas as afirmativas estão corretas.
alternativa correta.

I. As invasões se relacionam às desavenças entre holandeses e espanhóis, acirradas durante o


processo de independência das províncias do Norte, entre as quais a Holanda que,
juntamente com outras províncias dos Países Baixos, foi dominada durante algum tempo
pela Espanha.

92 Tópico Especial - Ocupação Holandesa no Brasil | Curso Preparatório Cidade


Tópico Especial - A expansão territorial Expansão rumo ao Sul

Comentário A formação da União Ibérica alterou a dinâmica das relações comerciais no mundo platino. Muitos
colonos brasileiros passaram a trocar escravos e açúcar por produtos como o couro, sebo e a prata
vinda da Bolívia.
Caro estudante,
Diante da intensa atividade comercial no sul do continente Filipe IV decidiu criar a Alfândega de
Em qual região brasileira você mora? Ela fica a leste ou a oeste da antiga linha de
Córdoba objetivando controlar esse comércio. Esse fato acabou por estimular o contrabando de
Tordesilhas?
produtos via rio Uruguai.
Será que hoje você falaria espanhol se os portugueses tivessem limitado sua ação
Com a restauração bragantina em 1640 e o conseqüente fim da União Ibérica os habitantes da
colonizatória aos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas?
capital argentina e de Córdoba passaram a enfrentar os colonos luso-brasileiros que atuavam na
Você já parou para pensar sobre como o Brasil conseguiu obter um território tão região. O mundo platino sempre foi objeto de interesse para a colônia portuguesa e uma região de
grande? intensas disputas entre os colonizadores ibéricos. Prova disso é que no final do século XVII o
soberano português nomeou D. Manuel Lobo para governar o Rio de Janeiro e de lá estender os
Somos um dos maiores países do mundo em extensão terrestre! domínios da colônia até a margem esquerda do rio da Prata, em frente à cidade de Buenos Aires.

Mas nem sempre foi assim... Sabemos que durante os dois primeiros séculos a Nesse sentido foi fundada em janeiro de 1680 a colônia do Santíssimo Sacramento, na região
colonização das terras brasileiras foi essencialmente litorânea. No século XVI o Brasil platina. Os portugueses davam início nesse momento ao processo de povoamento da região sul –
resumia-se basicamente ao litoral da atual região nordeste. Arrastávamos na costa ainda uma região periférica. Junto com Manuel Lobo seguiram casais de negros livres e brancos
feito caranguejos. que deveriam formar fazendas para criação de gado.

Durante o século XVII a situação mudou de forma considerável diante da ação dos A colônia de Sacramento era estratégica para os portugueses. Ali estavam em jogo interesses
bandeirantes. A formação da União Ibérica permitiu que a colônia ampliasse suas econômicos, diplomáticos, territoriais e militares. Os lusos pretendiam consolidar uma base
fronteiras. A superação de Tordesilhas foi inevitável. Os portugueses avançaram às populacional fixa na conflituosa região e implantar a cultura açucareira e a escravidão. Era uma
terras que pertenciam à Coroa espanhola. forma de frear o expansionismo espanhol na região. Não interessava aos portugueses que os
espanhóis dominassem os rios da bacia do Prata.
Entretanto foi somente durante o século XVIII que a expansão territorial efetivamente
ganhou força e deu ao país um formato muito parecido com o atual formato do A colônia de Sacramento de fato representava um problema para os espanhóis. Os portugueses
território brasileiro - o país-baleia! A economia mineradora mudara definitivamente os deram sinais claros de que pretendiam fixar-se definitivamente na região. Sacramento foi fundada
contornos e as áreas colonizadas no Brasil. A descoberta de ouro nos atuais estados de nos moldes das colônias portuguesas. Possuía governador, Igreja Católica, câmara de vereadores e
Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso foi fator decisivo no processo da expansão territorial juiz de paz.
da colônia portuguesa. Graças a esse metal os limites da incerta linha de Tordesilhas
foram empurrados um pouco mais para o interior. Como reação os castelhanos decidiram organizar uma expedição a partir de Buenos Aires composta
por mais de 12 mil homens. Sacramento foi sitiada e os seus habitantes praticamente todos mortos
O movimento ocorreu em várias frentes, de sul à norte, e posteriormente foi legitimada em conflito. Apesar disso em 1681, Portugal e Espanha assinaram o Tratado Provisional que
por uma série de tratados e acordos. Sobre o assunto leia o texto a seguir. devolvia a região da colônia de Sacramento para Portugal.

Bons estudos!!! A consequência mais notável da expansão portuguesa rumo ao sul foi a fundação da cidade de
Laguna, em Santa Catarina, em 1684 e a colonização da região do Rio Grande do Sul pelos

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 93


tropeiros lusolagunenses a partir de 1725. A marcha da colonização seguiu seu curso e atravessou Os Tratados e Limites
regiões como os campos de Curitiba e Paraná – incorporadas aos domínios de Portugal.
À medida que a colonização na América ganhava força e novas áreas eram colonizadas discutia-se
Alguns ajustes territoriais ainda deveriam ser feitos, mas de forma geral o sul fora incorporado ao
cada vez mais a quem pertencia o território. A linha de Tordesilhas era imprecisa e a dificuldade
Brasil. No século XVIII uma série de tratados definiu melhor os limites da região.
para estabelecer onde ela passava era enorme.

Desde o século XVII os luso-brasileiros já haviam expandido as fronteiras brasileiras além dos
Expansão rumo ao Norte
limites definidos pela indefinida linha imaginária. A situação criada exigia uma revisão nas
fronteiras, principalmente entre o mundo espanhol e português. Gradativamente a questão passou
A colonização da região norte foi motivada principalmente pela necessidade de defender o imenso a ser discutida pelos diplomatas dos países interessados e culminaram nos seguintes acordos:
território colonial brasileiro. Ainda no século XVII exploradores lusos aventuraram-se na selva
amazônica em busca de riquezas. Produtos como cacau, salsaparrilhas, pau-cravo e outros foram - Tratado de Utrecht (1713) - o governo francês trocou com os portugueses as terras situadas à
coletados e denominados drogas do sertão. Muitos índios que viviam nas proximidades de rios margem esquerda do rio Amazonas pelas do rio Oiapoque, o limite entre a Guiana Francesa e o
importantes, como o Rio Negro, foram escravizados. Brasil.

Alijados do Tratado de Tordesilhas, os franceses representaram a maior ameaça a colonização das - Tratado de Utrecht (1715) – os espanhóis reconheceram a posse portuguesa da área onde estava
terras portuguesas. Em 1612 o Maranhão foi invadido pelos franceses que com o apoio do rei situada a colônia do Sacramento. Todavia, os conflitos entre os castelhanos e os luso-brasileiros
pretendiam fundar uma colônia – a França Equinocial. Nesse mesmo ano foi fundada a cidade de determinaram a elaboração de um novo tratado.
São Luís – o nome é uma homenagem um rei francês. (No entanto é possível que no sítio onde
atualmente localiza-se São Luís os portugueses tenham fundado uma pequena cidade - Tratado de Madri (1750) – nessa época a situação territorial do Brasil colonial era a seguinte: no
anteriormente à chegada dos franceses). Sul, os portugueses continuavam em atritos com os castelhanos; no Norte,os lusos ocupavam
efetivamente a região; e no Centro-Oeste, por causa economia aurífera, havia uma forte corrente
Somente três anos após a fundação de São Luís ocorreu a reação portuguesa. Liderados por migratória, especialmente para a região de Goiás. Para contornar essas questões, as Coroas
Jerônimo de Albuquerque os luso-brasileiros conseguiram expulsar os franceses e integrar Ibéricas decidiram assinar o Tratado de Madri, o grande acordo que limitava as fronteiras que
definitivamente a região à colônia brasileira. Para garantir o acesso às regiões interiores foi limitava as fronteiras entre os impérios coloniais ibéricos na América. Por meio dele, a Coroa de
fundada em 1616, na foz do rio Amazonas, o forte do Presépio, origem da cidade de Belém Portugal se tornava possuidora do Norte, do Centro-Oeste e do Sul do Brasil.
(primeira capital da região norte).
- Tratado de El Pardo (1761) – anulou os artigos do Tratado de Madri referentes ao Sul brasileiro,
Posteriormente os lusos edificaram o forte São José da Barra do rio Negro – origem da cidade de porém, manteve as decisões em relação ao Norte e ao Centro-Oeste. No Sul, novos conflitos
Manaus. Em 1621 a coroa portuguesa decidiu desmembrar administrativamente a colônia – foi aconteceram e o governador de Buenos Aires ocupou a colônia do Sacramento, o Rio Grande e
fundado o Estado do Maranhão incorporando os atuais estados de Ceará, Maranhão, Pará e Santa Catarina, a partir de 1763. Somente com a morte do rei português, D. José I, em 1776, foi
Amazonas. Esse novo estado estava diretamente subordinado à Lisboa e não ao governo da Bahia. que a Coroa de Portugal se viu obrigada a rever os limites de seu império colonial na América.
O principal objetivo desta medida era proteger a região da ocupação estrangeira, principalmente Realizou então outro tratado, o que acabou com a ocupação espanhola no Sul do Brasil.
dos franceses, ingleses e holandeses. Em 1637 Pedro Teixeira percorreu o rio Amazonas da foz à
nascente, integrando-o ao domínio lusitano nas América do Sul. Tratado de Santo Ildefonso (1777) - a Coroa de Portugal entregou a colônia do Sacramento aos
espanhóis e ficou definitivamente detentora da parte leste do Rio Grande, de Santa Catarina,
A colonização da região amazônica foi efetivada pelos missionários jesuítas. Estes pretendiam fixar Paraná, regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. O atual território uruguaio passava a pertencer à
os indígenas à terra através dos ensinamentos cristãos. A ideia era fazer do índio um trabalhador Coroa espanhola. Mas os portugueses não pararam aí: a partir de 1780 eles se expandiram e
adaptado às exigências mercantis-coloniais. ocuparam a margem leste do rio Uruguai, atual oeste do Rio Grande do Sul. O capitão-geral (o Rio
Grande já era capitania desde 1760) doava sesmarias, que se constituíram nas fazendas de criação
de gado, as estâncias, tradicional latifúndio que utilizava a mão-de-obra do negro africano. Na

94 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


estância criava-se o gado que, posteriormente, era abatido e sua carne, salgada, o charque. A 02. (Unesp) A partir de 1750, com os Tratados de Limites, fixou-se a área territorial brasileira, com
capitania do Rio Grande se notabilizou na produção de charque para o mercado colonial. pequenas diferenças em relação a configuração atual. A expansão geográfica havia rompido os
limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. No período colonial, os fatores que mais
Tratado de Badajoz (1801) - consolidou a ocupação efetiva do atual oeste sul-riograndense, contribuíram para a referida expansão foram:
delimitando as fronteiras entre os portugueses e os espanhóis nas margens do rio Uruguai. Nessa
época, as estâncias de criação de gado formavam o cenário rio-grandense. (A) criação de gado no vale do São Francisco e desenvolvimento de uma sólida rede urbana.
(B) apresamento do indígena e constante procura de riquezas minerais.
Observamos a partir da análise dos tratados mencionados anteriormente que os lusos tinham muito (C) cultivo de cana-de-açúcar e expansão da pecuária no Nordeste.
interesse na região amazônica, especialmente em função das chamadas “drogas do sertão” que (D) ação dos donatários das capitanias hereditárias e Guerra dos Emboabas.
tinham um mercado forte e em crescimento no continente europeu. (E) incremento da cultura do algodão e penetração dos jesuítas no Maranhão.

Quanto à região sul o interesse lusitano era sobretudo estratégico. A ideia era impedir o avanço
espanhol na região. Para isso tiveram que entregar à Coroa espanhola a colônia do Sacramento. 03. (Uel) Em 1703, a Inglaterra impôs a Portugal o Tratado de Methuen que consistia basicamente
em:

(A) exclusividade comercial entre o Brasil e a Inglaterra.


EXERCÍCIOS (B) bloqueio marítimo aos navios de bandeira francesa.
(C) determinação de ruptura do Pacto Colonial.
(D) abertura dos mercados ingleses ao vinho português, em troca da abertura dos mercados
01. (Ufu) 'Uti possidetis' é um princípio de direito internacional bastante utilizado desde o século
lusitanos aos tecidos ingleses.
XVIII nas definições dos limites entre territórios vizinhos. Esse princípio reconhece o direito de
(E) proibição do comércio franco-espanhol com as colônias portuguesas.
posse a quem de fato ocupa determinado território.

Considerando o uso desse princípio e a formação territorial do Brasil, assinale a alternativa 04. (Unifesp) "A substância do Tratado [de Madri, 1750] consiste em concessões mútuas e na
INCORRETA. partilha de um imenso território despovoado. Nós cedemos a Portugal o que não nos serve e
para eles será de grande utilidade; e Portugal nos cede a Colônia e o rio da Prata que não os
(A) Espanha e Portugal tiveram poucos conflitos sobre territórios conquistados na América, beneficia e nos destrói".
durante o período colonial, pois suas posses foram definidas por tratados e bulas desde
(Francisco de Auzmendi, oficial maior da Secretaria dos Negócios Estrangeiros da Espanha e partícipe do
antes da ocupação das terras.
Tratado.)
(B) A expansão territorial da América Portuguesa no século XVII, motivada por fatores
econômicos, religiosos e políticos, gerou conflitos com nações européias. O 'uti possidetis' Essa interpretação do autor:
foi utilizado, por exemplo, para legitimar essas novas posses.
(C) Os domínios portugueses na América foram ampliados durante a União Ibérica, o que (A) ignora as vantagens que a Espanha obteve com o Tratado, haja vista a tentativa de
permitiu fixar-se no rio da Prata o limite sul do Brasil, até a separação da Província Portugal reconquistar a região em 1809.
Cisplatina no século XIX. (B) demonstra a cordialidade existente entre Portugal e Espanha nas disputas pela posse de
(D) A fixação das fronteiras nacionais do Brasil teve início no século XIX e, nos primeiros anos seus territórios americanos.
do século XX, vários problemas de limites foram solucionados pela diplomacia brasileira, (C) silencia sobre o fato de que o entendimento entre Portugal e Espanha resultava
apoiando-se no princípio do 'uti possidetis'. prejudicial para a Inglaterra.
(D) defende o acordo por ser parte interessada no mesmo, pois foi pago pelo governo
português para que a Espanha o aceitasse.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 95


(E) revela que Portugal e Espanha souberam preservar com muita habilidade seus interesses 07. (Ufpi) Algumas décadas depois da chegada de Cabral à América, os portugueses viram-se na
coloniais no Novo Mundo. necessidade de efetivar a ocupação das suas descobertas territoriais. Sobre o processo de
colonização implementado pelos lusitanos na América, podemos afirmar que:

05. A invasão espanhola na Ilha de Santa Catarina, em 1777, ocorreu devido ao conflito de
(A) Foi viabilizado pela descoberta de ouro e diamantes no interior, particularmente, em
fronteiras entre Portugal e Espanha.
terras hoje pertencentes aos Estados de Minas Gerais e Goiás.
(B) Teve, no cultivo da cana para a fabricação de açúcar a ser comercializado no mercado
Assinale a proposição CORRETA:
europeu e na utilização do trabalho escravo, fatores centrais.
(C) Teve, na exploração do pau-brasil, na utilização da mão-de-obra africana e na criação de
(A) A invasão na Ilha de Santa Catarina pelos espanhóis ocorreu depois de um intenso ataque
um sistema colonial centrado na vida urbana, elementos vitais para o sucesso inicial do
da esquadra espanhola aos fortes existentes na entrada da Baía Sul.
empreendimento colonial.
(B) Com assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, a Ilha de Santa Catarina seria devolvida
(D) Teve, na Coroa Espanhola e nos mercadores da Nova Lusitânia, parceiros vitais para o
novamente para Portugal e a Colônia do Sacramento ficaria com a Espanha.
êxito do empreendimento.
(C) A ocupação espanhola na Ilha de Santa Catarina trouxe para a população local violenta
(E) Só foi efetivamente viabilizado com a unificação da Península Ibérica em 1580.
perseguição religiosa.
(D) O Tratado de Utrecht, assinado no final de 1777, trouxe o fim do conflito e novamente a
paz para a Ilha de Santa Catarina. 08. (Puc-rio) A formação do espaço territorial brasileiro resultou de um conjunto de experiências
(E) Portugal não se preocupou com a invasão espanhola na Ilha de Santa Catarina, pois históricas no qual interferiram processos de conquista e colonização, políticas de povoamento,
estava intensamente envolvido com as guerras napoleônicas. guerras e acordos diplomáticos. Os itens abaixo apresentam algumas dessas experiências:

I. O Tratado de Tordesilhas foi o primeiro documento legal a delimitar possessões


06. A invasão espanhola na Ilha de Santa Catarina, em 1777, ocorreu devido ao conflito de
portuguesas nas Américas.
fronteiras entre Portugal e Espanha.
II. As bandeiras promovidas por paulistas, no século XVII, promoveram a fundação de vilas e
cidades, nas atuais regiões Sudeste e Norte.
Assinale a proposição CORRETA:
III. Anexada ao território brasileiro, em 1821, a Banda Oriental do Uruguai vai permanecer por
poucos anos no Império do Brasil como a Província da Cisplatina.
(A) A invasão na Ilha de Santa Catarina pelos espanhóis ocorreu depois de um intenso ataque
IV. O Tratado de Petrópolis (1903) incorporou a região do Acre ao território brasileiro.
da esquadra espanhola aos fortes existentes na entrada da Baía Sul.
(B) Com assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, a Ilha de Santa Catarina seria devolvida
Assinale:
novamente para Portugal e a Colônia do Sacramento ficaria com a Espanha.
(C) A ocupação espanhola na Ilha de Santa Catarina trouxe para a população local violenta
(A) Se somente I, III e IV estão corretos.
perseguição religiosa.
(B) Se somente I, II e IV estão corretos.
(D) O Tratado de Utrecht, assinado no final de 1777, trouxe o fim do conflito e novamente a
(C) Se somente II, III e IV estão corretos.
paz para a Ilha de Santa Catarina.
(D) Se somente I e II estão corretos.
(E) Portugal não se preocupou com a invasão espanhola na Ilha de Santa Catarina, pois
(E) Se todos os itens estão corretos.
estava intensamente envolvido com as guerras napoleônicas.

96 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


09. (Ufes) O processo de expansão da conquista territorial que culminou com a incorporação da (B) Apenas a proposição IV é verdadeira.
Amazônia ao domínio português esteve vinculado a diferentes situações. NÃO faz parte desse (C) Apenas a proposição II é verdadeira.
contexto o(a): (D) Apenas as proposições II e IV são verdadeiras.
(E) Apenas a proposição III é verdadeira.
(A) iniciativa de colonos que se aventuravam na coleta de recursos naturais da região, como
as "drogas do sertão", ou formavam as "tropas de resgate".
12. (Ufv) Em finais do século XVI e durante o século XVII, inúmeras expedições percorreram os
(B) implantação da grande lavoura canavieira com base no latifúndio e no trabalho escravo
sertões brasileiros, partindo principalmente da Capitania de São Paulo. Tais expedições ficaram
negro, voltada para o mercado externo.
conhecidas como "bandeiras", e seus componentes, "bandeirantes". O objetivo principal das
(C) conflito entre colonos e missionários, que tinham, a respeito da população indígena,
bandeiras era:
interesses diversificados.
(D) prática de uma política oficial adotada pela Coroa, que incentivava o movimento
(A) encontrar um novo caminho para as Índias Orientais.
expansionista e fazia realizar expedições para o reconhecimento da área.
(B) abastecer as regiões mineradoras das Minas Gerais.
(E) ação das Ordens Religiosas que buscavam os indígenas para nucleá-los e catequizá-los,
(C) combater as incursões dos colonos espanhóis na fronteira do Rio Grande do Sul.
estabelecendo missões ou aldeamentos.
(D) destruir os quilombos de escravos fugidos das grandes fazendas de café.
(E) apresar índios e buscar ouro e pedras preciosas.
10. (Mackenzie) A partir do século XVII, uma série de fatores provocaram a expansão da colônia e
ocupação do interior do Brasil, exceto:
13. (Unirio) A definição dos limites do Brasil colonial em diversos tratados, durante o século XVIII,
foi o resultado político de vários movimentos, dentre os quais se destaca na região sul o(a):
(A) a pecuária desenvolvida no sertão nordestino e região sul.
(B) a busca de riquezas minerais liderada pelos bandeirantes de São Paulo.
(A) interesse português no rio da Prata, materializado na fundação da Colônia do
(C) a ação missionária dos jesuítas vinculada também à extração de drogas do sertão.
Sacramento.
(D) a União Ibérica, que possibilitou maior liberdade de circulação no território além de
(B) necessidade natural de ocupação de novas terras para a "plantation" canavieira.
Tordesilhas.
(C) proteção portuguesa aos aldeamentos indígenas, contrariando a política espanhola de
(E) o apoio de jesuítas e índios dos Sete Povos das Missões, confirmando os termos do
escravização do gentio.
Tratado de Madri em 1750.
(D) disputa pela posse das zonas mineradoras na região platina.
(E) interferência do Papado na negociação do Tratado de Madri para resguardar as zonas
11. Leia atentamente as proposições. missioneiras.

I. Durante os primeiros tempos da colonização, a ocupação portuguesa na América limitou-se


14. A anulação do Tratado de Tordesilhas, e a utilização do princípio "uti possidetis", que
à faixa litorânea.
determinou que Sacramento ficaria com a Espanha, e Sete Povos das Missões ficaria com
II. A ação dos bandeirantes contribuiu para a ocupação do interior do território brasileiro pelos
Portugal, ocorre mediante assinatura do Tratado de:
holandeses e ingleses.
III. A descoberta do ouro trouxe muitas mudanças para o Brasil Colônia, entre elas o
(A) Lisboa (1681)
surgimento de núcleos urbanos e novos estilos de vida nas regiões de mineração.
(B) Utrecht (1715)
IV. Os bandeirantes sempre tiveram relações cordiais e amistosas com os padres jesuítas.
(C) Madri (1750)
(D) El Pardo (1761)
Assinale a alternativa CORRETA:
(E) Santo Ildefonso (1777)

(A) Apenas as proposições I e III são verdadeiras.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 97


15. (Pucsp) As Bandeiras utilizaram amplamente os rios para penetrar no território brasileiro e 18. (Fgv) O princípio do "Uti possidetis" esteve presente como base à solução dos conflitos de
atingir regiões distantes do litoral. Entre suas funções, é possível afirmar que: fronteira entre Portugal e Espanha no século XVIII. O resultado efetivo dessa negociação foi o
Tratado de Madri (1750), que definiu, no caso brasileiro, limites territoriais muito próximo dos
(A) estavam intimamente ligadas ao tráfico negreiro e buscavam o interior para vender atuais. Foi o principal articulador desse tratado/princípio:
escravos africanos para aldeias indígenas.
(B) opunham-se às tentativas de catequização de índios pelos jesuítas por considerar os (A) Diego de Mendonça Corte Real;
índios destituídos de alma. (B) Francisco Pereira Coutinho;
(C) procuravam, a mando da metrópole portuguesa, pedras e metais preciosos no interior do (C) Luís Antônio de Sousa;
Brasil e no leito dos rios que navegavam. (D) Alexandre de Gusmão;
(D) fundavam cidades ao longo dos rios e dos caminhos que percorriam e garantiam, (E) João VI.
posteriormente, seu abastecimento de alimentos.
(E) eram contratadas, por senhores de terras, para perseguir escravos fugitivos e destruir
19. (Fgv) O princípio do "Uti possidetis" esteve presente como base à solução dos conflitos de
quilombos.
fronteira entre Portugal e Espanha no século XVIII. O resultado efetivo dessa negociação foi o
Tratado de Madri (1750), que definiu, no caso brasileiro, limites territoriais muito próximo dos
16. (Faap) O Brasil estava sob domínio ibérico de 1580 a 1640. Neste período os criadores de gado atuais. Foi o principal articulador desse tratado/princípio:
e os bandeirantes, que buscavam metais e pedras preciosas, atravessaram a linha imaginária
do Tratado de Tordesilhas, incorporando ao território brasileiro: (A) Diego de Mendonça Corte Real;
(B) Francisco Pereira Coutinho;
(A) Minas Gerais, Amazonas e Pará (C) Luís Antônio de Sousa;
(B) Ceará, Piauí e Alagoas (D) Alexandre de Gusmão;
(C) Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso (E) João VI
(D) Maranhão, Pernambuco e Bahia
(E) Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina
20. (Fgv) Entre os momentos definidores da penetração para além do limite do Tratado de
Tordesilhas e a conseqüente expansão territorial do Brasil, no século XVII, estão o/os:
17. (Unirio) A descoberta do Brasil não alterou os rumos da expansão portuguesa voltada
prioritariamente para o Oriente, o que explica as características dos primeiros anos da (A) Tratados de Utrecht e de Madri;
colonização brasileira, entre as quais se inclui o(a): (B) Tratados de Santo IIdefonso e de Utrecht;
(C) Tratado de Madri e o ciclo da caça ao índio;
(A) caráter militar da ocupação, visando à defesa das rotas atlânticas. (D) ciclos de caça ao índio e de sertanismo por contrato;
(B) escambo com os indígenas, garantindo o baixo custo da exploração. (E) Tratado de Madri e o ciclo de sertanismo por contrato.
(C) abertura das atividades extrativas da colônia a comerciantes das outras potências
européias.
(D) migração imediata de expressivos contingentes de europeus e africanos para a ocupação
do território.
(E) exploração sistemática do interior do continente em busca de metais preciosos.

98 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


EXERCÍCIOS DE PROVA 03. (EsFCEx - 2007) Analise as alternativas abaixo sobre os tratados que fixaram as fronteiras
coloniais na América, colocando entre parênteses a letra V, quando se tratar de afirmativa
verdadeira, e a letra F quando se tratar de afirmativa falsa. A seguir, assinale a alternativa que
01. (EsFCEx - 2001) Preencher as lacunas com o nome de um Estado da Federação. apresenta a sequência correta.

TEXTO 1. ( ) O Tratado de Utrecht (1713), assinado entre representantes de Portugal e da França,


estabelecia que o rio Oiapoque, no extremo norte da colônia, seria o limite da fronteira
“Acompanhemos este litoral, quase sempre ingrato, de norte a sul, saltando apenas aqueles entre o Brasil e a Guiana Francesa.
trechos que já analisamos acima. Um primeiro percurso vai do extremo setentrional da colônia, o 2. ( ) O Tratado de Badajós (1801) estabelecia que a região dos Sete Povos das Missões ficaria
rio Oiapoque, ao Araguari; é a famosa região do ______________________, disputada ao Brasil com os portugueses, assim como a colônia do Sacramento.
durante séculos por ingleses, holandeses e finalmente franceses, e que se incorporou definitiva e 3. ( ) O Tratado de Madri (1750) determinava que a Portugal e Espanha caberia a posse das
indisputadamente no nosso território em 1899 (12). Formado no seu litoral de terras baixas e terras que ocupavam. O descontentamento entre índios e jesuítas dos aldeamentos dos
alagadiças onde a navegação costeira é muito difícil pela falta de abrigos, e a penetração interior Sete Povos das Missões gerou luta violenta que ficou conhecida como Guerra Guaranítica.
quase impossível, o __________________________ se conserva praticamente despovoado. 4. ( ) O Tratado de Santo Ildefonso (1777) estabelecia que a Colônia do Sacramento e a região
Algumas missões franciscanas, ..., tinham estendido para aí a sua catequese dos indígenas no séc. dos Sete Povos das Missões ficariam com Portugal que cederia à Espanha terras que
XVII. Seus resultados foram mínimos, se não nulos. Restariam delas, em fins do séc. XVIII, haviam sido anexadas ao Rio Grande do Sul.
algumas miseráveis e vegetativas aldeias de índios semicivilizados e degenerados.”
(A) V-V-F-F
(Adaptado de: Formação do Brasil Contemporâneo – Caio Prado Júnior – Editora Brasiliense – 6a. edição – 1965 – São
(B) V-F-V-F
Paulo – pág. 37.)
(C) F-V-F-V
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto VIII. (D) F-F-V-V
(E) V-F-F-F
(A) Rio Grande do Sul
(B) Amapá 04. (EsFCEx - 2010) Sobre a fixação de fronteiras no Brasil colonial, durante o século XVIII, analise
(C) Piauí as afirmativas abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.
(D) Ceará
(E) Maranhão I. O tratado de Santo Ildefonso estabeleceria a concessão portuguesa dos Sete Povos das
Missões à França que passou a controlar a região do Rio da Prata.
02. (EsFCEx - 2003) Durante o Período Colonial, o Tratado de Limites que garantiu maior posse II. A delimitação de fronteiras durante o século XVIII foi favorecida pela expansão territorial
territorial ao Brasil foi o de: estimulada pela mineração, pelo bandeirismo, extrativismo e missões católicas.
III. O Segundo Tratado de Utrecht estabelecia o reconhecimento português do direito espanhol
(A) Tordesilhas. à Colônia do Sacramento.
(B) Petrópolis.
(C) Santo Ildefonso. (A) Somente I está correta.
(D) Tomar. (B) Somente II está correta.
(E) Madri. (C) Somente III está correta.
(D) Somente I e II estão corretas.
(E) Somente I e III estão corretas.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 99


Tópico 1.6 – O monopólio comercial português Bons estudos!

O MONOPÓLIO COMERCIAL PORTUGUÊS

Comentário
A Revolta da Cachaça (Rio de Janeiro /1660-1661)

Caro estudante,
Salvador Correia de Sá e Benevides era o governador poderoso do Rio de Janeiro. Apesar de
possuir linhagem espanhola pelo lado materno gozava de grande prestígio junto à Coroa
Avancemos um pouco mais em nossos estudos!
portuguesa. Seus poderes não eram subordinados ao governador-geral da Bahia.
Espero que você esteja aproveitando da melhor forma possível o material que está
Logo no início de sua administração criou um imposto predial cujas receitas deveriam atender aos
sendo disponibilizado com bastante cuidado e critério na plataforma.
crescentes custos de uma tropa subordinada diretamente ao governador.
Estudar a distância não é fácil. Requer do estudante capacidade de organização e boa
Durante os debates no Senado e na Câmara, foi aprovada a isenção da cobrança de impostos para
dose de disciplina.
as ordens religiosas dos jesuítas, dos carmelitas e dos beneditinos. Como alternativa ao imposto
O tópico 1.6 do edital foi rebatizado no edital referente a prova deste ano. No predial foi decidida a cobrança de impostos sobre a venda de carne e cachaça. Enquanto o imposto
penúltimo edital o tópico se chamava “Exploração e Conflitos no Brasil colonial”. predial atingia os proprietários de imóveis a cobrança de impostos sobre cachaça e carne atingia
toda população. No entanto o governador notou que a arrecadação estava abaixo do esperado e
Em sua opinião qual tipo de relação pode existir entre “monopólio comercial” e determinou que o imposto predial também fosse recolhido. Na sequência partiu para São Paulo a
“conflitos” no Brasil colonial? fim de observar a exploração de ouro tendo deixado seu primo, Tomé de Alvarenga para substituí-
lo. Outro parente foi encarregado de assumir a presidência do Senado da Câmara.
Compreender essa relação vai ser importante para o melhor entendimento das várias
revoltas do período. Esse será o enfoque da prova caso este tópico seja cobrado no dia No início de novembro de 1660 eclodiu uma revolta na capital carioca liderada por Jerônimo
do certame. Perceba que eles possuem basicamente uma relação de causa e efeito. A Barbalho Bezerra. Seu pai se chamava Luís Barbalho Bezerra e ficou conhecido por seu empenho
exploração metropolitana sobre a colônia é a causa principal da maior parte das na luta contra os holandeses.
revoltas no Brasil colonial. A principal queixa dos colonos dizia respeito aos vários
monopólios e exclusivismos comerciais existentes no Brasil e que na maioria das vezes Os motivos da revolta foram vários. Podemos destacar especialmente o fato do governador praticar
beneficiavam somente Portugal e os portugueses. um tipo de nepotismo escancarado, adotar atitudes tiranas, peculato, relações obscuras com donos
de casas de jogos e principalmente a pesada tributação. Sá e Benevides também era mal visto por
A maior parte dessas rebeliões surgiram em fins do século XVII e foram resultado ser aliado dos jesuítas. Estes defendiam a liberdade dos indígenas. Opinião contrária à da maioria
direto da nova política colonial adotada por Portugal depois da Restauração em 1640. dos colonos.
Após se libertarem do domínio espanhol, os portugueses decidiram explorar ainda mais
a colônia brasileira. A reação veio em forma de rebeliões. Como resultado da rebelião o governador interino foi deposto e preso na fortaleza de Santa Cruz.
Eleições foram realizadas para o Senado da Câmara (Câmara Municipal) e Agostinho Bezerra, irmão
Num primeiro momento, essas rebeliões não questionaram o pacto colonial (rebeliões do líder da rebelião, nomeou-se governador.
nativistas), mas o quadro alterou-se em fins do século XVIII a partir da Inconfidência
Mineira (rebeliões anticoloniais). Muitos colaboradores do antigo governador foram enviados para Portugal. Após alguns vacilos de
Agostinho Bezerra ao tentar manobras conciliatórias o Senado da Câmara o destituiu do cargo e
Logo viria a ruptura com Portugal... assumiu o governo da cidade em fevereiro de 1661. Dois meses após Salvador Correia voltou ao
Rio de Janeiro com a ajuda de forças militares vindas de Portugal. A cidade foi invadida de surpresa
Sobre o assunto leia o texto a seguir. e o antigo governador reconquistou o poder.

100 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


Após a realização de investigações foram apontados Jerônimo Barbalho Bezerra e Jorge Ferreira Figura 28: Algodão no Brasil
Bulhões como líderes da revolta. O primeiro foi condenado à morte e em 10 de abril foi enforcado
na atual praça XV de Novembro – antigo Largo do Polé. Decapitado à machadas teve a cabeça
exposta no pelourinho existente próximo à forca. Outros integrantes foram presos e enviados à
Portugal até obterem o perdão e voltarem ao Rio de Janeiro. Jorge Ferreira Bulhões morreu na
prisão devido a maus tratos e não pode retornar ao Brasil.

Em primeiro de julho de 1661 a corte designou outro governador para o Rio de Janeiro. Era uma
evidência de que Salvador Correia Sá e Benevides já não gozava do prestígio de dias anteriores.

O novo governador, Pedro de Melo, só assumiu o cargo em 29 de abril de 1662.

A Revolta de Beckman (Maranhão/1684)

Desde 1677 prevalecia o regime do estanco de algumas mercadorias no Maranhão. Para a


população em geral esse regime significava exploração. O comércio de produtos como aço, ferro,
facas e outros era de exclusividade da Coroa. Era ela quem determinava os valores de compra e
venda. Muitas vezes não havia moedas suficientes para realizar essas transações o que acabava
gerando grande descontentamento na população.

Em abril de 1680 o descontentamento aumentou ainda mais, pois a Coroa decidiu estabelecer
O lucro da companhia muitas vezes significou o prejuízo da população. Frequentemente os
liberdade incondicional para os povos indígenas proibindo de forma clara qualquer tipo de
produtores tinham que vender seus produtos por preços muito baixos e eram obrigados a consumir
escravidão desses povos. Aos jesuítas foi confiada a catequização e conseqüente domínio dos
mercadorias vindas da Europa ou da África por preços muito acima da tabela. A exploração sobre a
indígenas.
população era cada vez maior.
A proibição da escravidão indígena gerou um sério problema de mão-de-obra para os colonos no
O que era ruim ficou ainda pior com as vantagens e privilégios oferecidos à companhia que
Maranhão. Em 1682 foi criada a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão no intuito de
monopolizava o comércio. Em 1680 o governador Francisco de Sá Menezes chegou a São Luís no
solucionar a questão da mão-de-obra para as atividades agrícolas. A criação de companhias
mesmo navio que trazia Pascoal Pereira Jansen – representante da companhia comercial. A
monopolistas nunca foi bem aceita em nenhum lugar do Brasil.
população maranhense organizou-se para interpelar os ilustres membros da embarcação. Não
conseguiram muito.
A ideia era que a companhia abastecesse a região com 500 escravos por ano durante vinte anos.
Este era o tempo do monopólio da Companhia do Comércio do Estado do Maranhão. Toda
Diante desse quadro de abusos e exploração eclodiu a rebelião. Manuel Beckman – o Bequimão –
importação de tecidos e artigos necessários ao uso e consumo do Grão-Pará e Maranhão estava
senhor de terras e vereador liderou o movimento. Beckman era português e vivia as dificuldades
nas mãos da companhia. Além disso, toda exportação para Lisboa deveria ser realizada em navios
impostas pela coroa à população. Sentiu-se prejudicado pelo fato de não poder escravizar índios
da companhia que decidia previamente o preço de compra de produtos como cana-de-açúcar,
necessários no trabalho agrícola.
algodão, tabaco, baunilha e outros.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 101


Figura 29: Beckman no Sertão do Alto Mearim. Repare que o movimento não teve caráter separatista, ao contrário, reafirmava ainda mais o status
colonial da região ao esperar ordens da Metrópole.

Ao final Belquior Dias Gonçalves foi condenado ao degredo na África e açoitado nas ruas de São
Luís. Tomás Beckman foi condenado à morte mas teve a pena comutada para morte civil. Os
jesuítas conseguiram retomar ao Maranhão e o monopólio da companhia comercial foi suspenso.

A Guerra dos Mascates (Pernambuco /1710-1711)

Este movimento ocorreu na capitania de Pernambuco e teve como motivação principal a constante
e crescente rivalidade entre a decadente aristocracia rural pernambucana e os prósperos
comerciantes portugueses situados em Recife.

A dominação holandesa mudara a face da cidade do Recife.

Nassau embelezou a cidade e permitiu que esta prosperasse justamente por ser a capital do Brasil
holandês. Em Recife desenvolveu-se uma classe mercantil muito forte dominada principalmente
pelos portugueses. Estes eram pejorativamente chamados de mascates – ou seja, viviam da
mascateação. De acordo com a mentalidade das elites rurais as atividades braçais bem como o
comércio eram atividades inferiores, indignas.

(Obra de Antônio Parreiras sobre a revolta no Maranhão). A mascateação é o comércio ambulante. Atividade altamente desprezada pelos senhores de terras.
Os portugueses ligados ao comércio em Recife sofriam todo tipo de preconceito por parte dos
Vários setores da sociedade maranhense uniram-se aos rebeldes, até mesmo ordens religiosas senhores de terras. Eram chamados de forasteiros, marinheiros e grumetes.
como os carmelitas, franciscanos e até mesmo bispo Gregório dos Anjos. Todos condenavam o
monopólio dado a companhia de comércio. Exceção feita aos jesuítas que anteriormente haviam Por sua vez os comerciantes de Recife chamavam os fazendeiros de “pés-raspados”, pois estes
recebido o monopólio da jurisdição das aldeias indígenas. Por motivos óbvios estes se calaram. enfrentavam dificuldades após as guerras holandesas. As guerras advindas da presença holandesa
criaram dificuldades para fazendeiros. Escravos fugiram e muitos engenhos estavam arrasados. A
Em fevereiro de 1684 a revolta eclodiu após a ausência do governador que estava em Belém. Os solução encontrada pelos fazendeiros para enfrentar dificuldades de toda ordem foi a obtenção de
rebeldes prenderam o capitão-mor Baltazar Fernandes, depuseram o governador ausente, empréstimos junto aos comerciantes de Recife. O financiamento da produção açucareira passava a
expulsaram os jesuítas e acabaram com os privilégios da Companhia de Comércio do Estado do depender cada vez mais dos comerciantes de Recife. Os fazendeiros endividavam-se cada vez mais
Maranhão. junto aos comerciantes localizados na capital. Endividado não restava ao senhor de engenho
aceitar as condições impostas pelos comerciantes. Este dava duas opções ao seu devedor: ou lhe
Foi formada então uma Junta de Governo integrada por um frade carmelita, representantes dos pagava o dobro no ano seguinte ou vendia o açúcar por um preço muito abaixo do convencional –
proprietários e representantes das camadas populares. A junta deveria governar até que novas o que acaba deixando o fazendeiro sempre endividado.
ordens de Lisboa determinassem o que deveria ocorrer dali em diante.
A economia aurífera e seus efeitos inflacionários agravavam a situação. Enquanto o preço do
A junta foi auxiliada por três adjuntos João de Sousa de Castro, Manoel Coutinho de Freitas e o açúcar baixava o do escravo subia.
irmão de Bequimão – Tomás Beckman.

102 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


O preço de um escravo em Pernambuco passou a custar cinco vezes mais do que custava A primeira proposta consistia em entregar o poder ao bispo D. Manoel Alves da Costa de acordo
anteriormente à descoberta das jazidas auríferas na região das minas. Devedores, os fazendeiros com orientações anteriores feita pela Coroa. A segunda proposta defendia a constituição de um
tinham sua situação cada vez mais complicada. governo republicano independente de Portugal inspirada no exemplo de Veneza e Holanda. É por
isso que alguns historiadores consideram a Guerra dos Mascates como o primeiro movimento
Por sua vez, os comerciantes, credores, desejavam acabar com a submissão política, nativista da história nacional.
administrativa, jurídica e religiosa de Recife diante de Olinda. Recife não possuía sequer a categoria
de vila. Era totalmente subordinada à Olinda. Os mascates portugueses tentaram reverter a Uma última proposta foi apresentada por um rico senhor de terras bastante conhecido na capitania
situação. Apesar de não serem nobres os principais comerciantes de Recife tinham relações pelo seu passado como governador do Rio Grande do Norte e como combatente contra o Quilombo
privilegiadas com integrantes do Conselho Ultramarino e com governadores da capitania de de Palmares. Afirmou que era melhor entregar a capitanias aos franceses.
Pernambuco. Principalmente com Francisco de Castro Morais, que governou de 1703 a 1707, e com
Sebastião de Castro e Caldas, que assumiu o governo em 1707. A maioria dos aristocratas preferiu entregar o governo ao bispo contando que este apoiasse as
decisões dos rebeldes. Durante cerca de sete meses Olinda manteve o controle da capitania.
Foi durante a administração de Castro e Caldas que eclodiu o conflito, uma vez que sua
administração era claramente favorável aos mascates de Recife. O governador foi acusado de No início de 1711 as autoridades metropolitanas tiveram conhecimento do que acontecera em
praticar relações comerciais escusas a partir da utilização de testas de ferro. Também foi acusado Pernambuco e ficaram preocupadas, afinal, a Guerra de Sucessão da Espanha continuava, Minas
de vender cargos na administração e vender escravos para o Rio de Janeiro o que era proibido por Gerais fora sacudida pouco antes com a Guerra dos Emboabas e ainda existia o perigo de uma
determinação da coroa. intervenção francesa na capitania de Pernambuco.

Os fazendeiros também queixavam-se da proibição de usar armas de fogo em Olinda. Acreditavam Contemporizando a Coroa decidiu enviar o governador Félix José Machado de Mendonça Eça Castro
que era necessário frente ao risco de um ataque estrangeiro, sobretudo francês. Castro e Caldas e Vasconcelos como governador. Provavelmente os mascates tiveram algum peso na decisão da
também foi acusado de traição ao permitir que uma embarcação francesa ancorasse em Recife Metrópole. Enquanto isso em Pernambuco os mascates procuravam se organizar para contra-atacar
quando Portugal estava entre os países adversários da França na Guerra de Sucessão na Espanha. a aristocracia rural e suas tropas.

Em fevereiro de 1710 uma frota de Lisboa trouxe uma Carta Régia datada de 19 de novembro do Dentre as táticas utilizadas pelos mascates era comum o suborno de autoridades civis e militares. O
ano anterior elevando Recife à condição de vila. Cabia ao governador e ouvidor da capitania dinheiro levantado pelos mascates também foi utilizado para compra de suprimentos e na formação
estabelecer os limites do novo município. O governador simpatizante dos mascates agiu de tropas compostas por negros e índios. Em junho de 1711 os mascates partiram para a contra-
sorrateiramente e mandou levantar um pelourinho na praça central da Vila de Santo Antônio do ofensiva obtendo vitórias e derrotas. A chegada do governador Félix Machado em 10 de outubro
Recife, privilégio de cidades e vilas. Também mandou instalar a Câmara Municipal integrada por cessou os conflitos.
dois pernambucanos e dois portugueses. Obviamente a reação de Olinda não tardou. Um atentado
contra o governador foi planejado mas este saiu ileso e também reagiu efetuando a prisão de Após a chegada do governador houve demonstrações públicas em banquetes e outras festividades
vários senhores de terras. O cenário de guerra estava armado. onde este procurava demonstrar neutralidade diante dos grupos rivais. No entanto após curto
período de tempo e alegando ter descoberto uma conspiração contra sua vida o governador
Os fazendeiros organizaram milícias compostas por agregados e lavradores dependentes da desencadeou uma campanha contra os que estariam envolvidos na trama. Mais de 150 pessoas
aristocracia. Diante de um novo atentado e percebendo que estava perdendo poder diante das foram presas e um número maior ainda fugiu para o sertão.
tropas Castro e Caldas fugiu para Salvador no que foi acompanhado por muitos portugueses.
Recife foi invadida, teve seu pelourinho destruído e sua Câmara fechada. Um grupo contratado pelo governador encarregou-se de espalhar o pânico. O chefe desse bando
se chamava Manoel Gonçalves e foi apelidado de “Tunda-Cumbé” – pessoa torta do corpo e da
Nas ruas de Olinda a população carregava um boneco representando o governador desertor. Assim cabeça. Esse grupo era extremamente violento e ficou conhecido pelas crueldades cometidas
como Judas, foi malhado, surrado e queimado. contra homens, mulheres e crianças. Em Olinda o cenário de horror não foi diferente: corpos
arrastados, amarrados, presos e encarcerados nas masmorras da Fortaleza de Cinco Pontas. Alguns
Os rebeldes pensaram em duas fórmulas para encaminharem a situação: foram enviados para prisão do Limoeiro em Lisboa. Dentre eles Bernardo Vieira de Melo e seu filho.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 103


Em 1714 alguns presos em Pernambuco foram libertados, mas desterrados para Índia. fazendeiro paulista responsável pelo ataque à Santos. No entanto este tinha a população a seu lado
e conseguiu fazer de sua fazenda um verdadeiro forte de guerra.
Recife foi definitivamente elevada à condição de vila. Era a vitória dos mascates sobre a
aristocracia rural. Somente em 1722 a prisão de Bartolomeu foi efetuada pelo coronel Luiz Antônio de Sá Queiroga,
governador militar de Santos. Com oitenta anos o velho fazendeiro paulista foi enviado para a
capital da colônia a fim de ser julgado. Contudo o julgamento não chegou a acontecer, pois
Bartolomeu foi vítima de varíola. Morreu antes de ser julgado. Seu enterro foi bancado por
A Revolta do Sal (São Paulo/1710) populares. Este fato explicita o apoio do povo à causa do homem que representou em seu tempo a
luta de oprimidos contra opressores.
O comércio de sal, produto amplamente consumido por todos os setores da sociedade colonial, a
exemplo de outros produtos também era monopólio da coroa. Essa permitia que apenas pequenos
grupos de comerciantes pudessem comercializar o produto, inclusive em Lisboa. Era proibido
extrair sal no Brasil embora houvesse extração e comércio ilegal. Os Motins do Maneta (Salvador /1711)

Os comerciantes que detinham o monopólio desse comércio associavam-se aos comerciantes da Trata-se na verdade de dois motins ocorridos em outubro e novembro de 1711 na capital da
colônia. Como consequência a população era a grande prejudicada muitas vezes tendo que se colônia – Salvador. O movimento recebe esse nome, pois João Figueiredo Costa, alcunha Maneta,
alimentar sem a presença do sal em suas refeições. foi o líder dos dois violentos tumultos embora estudos recentes afirmem que ele só tenha
participado do primeiro.
Na época em que foram descobertas as primeiras jazidas de ouro a região das minas pertencia à
capitania de São Paulo. Nessa capitania bem como em outras regiões da colônia grupos O primeiro motim teve início em 17 de outubro de 1711, três dias após a posse do novo
monopolistas forçavam a alta do preço do sal. Uma maneira eficiente de se atingir esse objetivo é governador – Pedro Vasconcelos e Sousa. O tumulto teve continuidade no dia 19 com mais
reduzir a oferta do produto. O sal era estocado pelos comerciantes que após verificarem a alta no intensidade porque à gente do povo juntaram-se soldados e oficiais da tropa.
preço do produto disponibilizavam-o para o comércio. Outras vezes o sal embarcado em Lisboa era
insuficiente para atender às necessidades usuais o que por si só é um fator de elevação no preço O motivo da revolta era a alta carga tributária. A multidão aos gritos dizia que não queria novos
do produto. No Rio de Janeiro a Câmara da cidade chegou a protestar junto à Coroa, mas esta não impostos. Envolvida na Guerra de Sucessão da Espanha, Portugal transferia para as colônias os
adotava nenhuma medida para aliviar a situação. custos do conflito. Em Salvador novos impostos geraram grande insatisfação. O imposto cobrado
por cabeça de escravo trazidos da Costa da Mina e Angola teve um aumento de 100% naqueles
Em São Paulo no ano de 1710 a situação de exploração atingiu seu ápice. O preço do sal era anos. A taxa de sal elevada em 50% e houve também a exigência do pagamento de imposto
impraticável e insustentável. Diante disso um grande fazendeiro decidiu, com forte apoio popular, alfandegário de 10% ad valorem sobre as mercadorias importadas do reino.
invadir e tomar de assalto a cidade de Santos. Os armazéns que guardavam o produto foram
invadidos. O nome do fazendeiro era Bartolomeu Fernandes de Faria. Suas propriedades eram O grau de insatisfação era elevado e até mesmo portugueses participavam ameaçando através de
imensas e ele possuía centenas de escravos. Seu bando formado por negros, índios e capangas panfletos tornarem-se vassalos de outros senhores caso a exploração continuasse. Saques foram
obrigou que os comerciantes vendessem os produtos por preços mais baixos. realizados e casas de homens de negócios foram depredadas.

No caminho de volta para São Paulo o fazendeiro e seu grupo levou grande quantidade de sal e Diante da gravidade dos fatos e sem forças militares o governador teve que ceder: os novos
foram derrubando árvores e pontes no caminho serra acima para que as autoridades de Santos impostos foram extintos e foi decretada anistia geral para os principais amotinados. Para o
não os alcançassem. governador Pedro de Sousa a falta de castigos exemplares era um problema. Somente com
punição severa as ordens da Coroa seriam cumpridas e obedecidas.
O governador paulista nada fez diante dos fatos e em 02 de novembro de 1710 foi denunciado às
autoridades metropolitanas pelo desembargador Antônio da Cunha Sottomaior. A denúncia levou o Um mês e meio depois explodiu novo motim em Salvador quando nesta cidade chegou notícias da
rei de Portugal, D. João V, a enviar ofício datado de 28 de abril de 1711 determinando a prisão do ocupação da cidade do Rio de Janeiro pelos franceses liderados pelo corsário René Duguay-Trouin.
Esta ocupação também é uma consequência da Guerra de Sucessão da Espanha.

104 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


Este novo motim também é conhecido como Motim dos Patriotas. Os amotinados exigiam do gramas de ouro nos anos iniciais da sociedade e não era raro encontrar forasteiros embrenhados
governador a formação de uma força militar para defender e restaurar a liberdade do Rio de no mato na busca desesperada por alguma alimentação qualquer que fosse.
Janeiro. Muitos voluntários se apresentaram chegando inclusive a oferecer seus bens em nome da
liberdade carioca. Naturalmente a notícia da descoberta de ouro fez que Portugal estabelecesse uma legislação dura
de modo a reter a maior quantidade possível do precioso mineral. A legislação era extremamente
Apesar de tudo o governador postergou ao máximo a formação de tal força militar que acabou não repressiva e contribuía para deixar o clima mais tenso. Eram vários os impostos existentes na
sendo realizada pois os franceses após receberem o resgate dos cariocas deixaram a cidade. região das Minas Gerais. Crimes e faltas toleradas em outras circunstâncias passaram a ser punidas
até mesmo com a morte do infrator. A coroa tentava regular ao máximo as atividades na região de
No entanto a repressão ao líderes do segundo motim não se fez tardar. Os principais líderes foram exploração do ouro. Em Minas Gerais era evidente o contraste entre a pobreza da população e a
sentenciados, açoitados e degredados para África. exploração do ouro cada vez mais abundante.

A Coroa portuguesa e o Conselho Ultramarino julgaram estranho o comportamento do governador. Não era interessante que a migração continuasse intensa e descontrolada. Nesse sentido algumas
Enquanto anistiou os primeiros cujo delitos foram bem mais graves foi implacável com os estradas, como as que ligariam a região à Mato Grosso, foram proibidas bem como a presença de
participantes do segundo motim, causado por motivos justos e até mesmo nobres. Muitos frades e ourives. A expressão “santa do pau oco”, bastante utilizada no Brasil, refere-se justamente
participantes ofereceram à própria vida em nome da luta pela liberdade da população do Rio de ao tráfico de ouro praticado por religiosos. Nas mãos deste o ouro saia da região das minas e não
Janeiro. era fiscalizado nas alfândegas justamente por estar escondido e camuflado no interior de santos de
madeira.
Por ordem da Coroa foi enviado um novo governador para a Bahia com a missão de cobrar os
tributos anteriormente fixados. A orientação era para que a cobrança fosse feita empregando o uso Em meio a esse clima de dificuldades, cobiça, aventureirismo e forte intervenção estatal eclodiram
da força com a menor efusão de sangue que fosse possível. uma sucessão de rebeliões em diferentes localidades: Vila do Carmo, em 1712; Morro Vermelho,
em 1715; Rio das Velhas, em 1716; em São Francisco, em 1718; e no Pitangui, em 1719. Todas
elas duramente reprimidas. Em Pitangui, por exemplo, a justiça colonial determinou que fosse
enforcado um boneco no lugar do principal líder que conseguira fugir.
A Revolta de Vila Rica (1720)
Dentre esses movimentos o mais conhecido foi a Revolta de Vila Rica, ocorrida em 1720. Esse
Como é natural em regiões onde ocorrem descobertas minerais de relevância em Minas Gerais não movimento também é conhecido como Revolta de Filipe dos Santos ou Sedição de Vila Rica e não
foi diferente: para lá afluíram pessoas de diferentes regiões, profissões e religiões mas todos com o deve ser confundido com a Inconfidência Mineira de 1789.
mesmo interesse: enriquecimento rápido. De acordo com Boris Fausto
Foi em meio a esse clima de descontentamento e rebeliões que o governador mineiro à época da
A exploração de metais preciosos teve importantes efeitos na Metrópole e rebelião, Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, o Conde de Assumar, determinou que
na Colônia. A corrida do ouro provocou em Portugal a primeira grande fosse aplicadas três medidas bastante impopulares:
corrente imigratória para o Brasil. Durante os primeiros sessenta anos de
século XVIII, chegaram de Portugal e das ilhas do Atlântico cerca de 600 • Criação de um bispado na capitania objetivando disciplinar determinados elementos do
mil pessoas, em média anual de 8 a 10 mil, gente da mais variada clero. Muitos levavam uma vida totalmente fora daquilo que era pregado pela Igreja
condição: pequenos proprietários, padres, comerciantes, prostitutas e Católica. Foi comum encontrar clérigos envolvidos com contrabando, vivendo
aventureiros de todo tipo. amancebados e praticando violências e delitos os mais diversos;

(Boris Fausto. História Concisa do Brasil. EdUsP. São Paulo 2001. Pág 52) • Divulgação de Carta Régia de 25 de abril de 1720, determinando a extinção de postos
de oficiais de ordenanças onde não houvesse corpos militares organizados, além de
Em um primeiro momento a situação dos que para lá migraram era muito complicada. Não havia reforçar o poder do governador, colocando à sua disposição um regimento de Dragões de
estrutura nenhuma para receber tantas pessoas. Crises de abastecimento foram comuns nos anos Cavalaria.
iniciais da sociedade mineira. Uma galinha que em outros tempos custava x chegou a custar 96

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 105


• Instituição das Casas de Fundição. Para lá deveria ser levado todo ouro extraído onde o Figura 30: Julgamento de Felipe dos Santos.
mesmo seria quintado, ou seja, era lá que deveria ser pago os 20% de todo ouro
explorado. Nas Casas de Fundição o ouro era transformado em barras e identificado com
o carimbo real. Caso alguém fosse pego comercializando ouro que não estivesse no
formato era a prova de que o mesmo estava praticando uma atividade irregular – tráfico
de ouro. A criação das Casas de Fundição também foi o motivo da Revolta de Pitangui.

A insatisfação que já existia somou-se ao fato de que os mineradores teriam que percorrer longas
distâncias para chegar nas Casas de Fundição e ao chegarem lá estariam nas mãos de burocratas
corruptos e lentos. Em vários distritos os mineiros começaram a fazer demonstrações de força
contra as autoridades. Esses tumultos foram sufocados com relativa facilidade pela Companhia dos
Dragões. No entanto no dia de São Pedro, 28 para 29 de junho de 1720, eclodiu uma rebelião mais
séria em Vila Rica. Em meio aos fogos e barulhos tão comuns nesse tipo de festividades ficaria
mais fácil executar o plano rebelde que consistia em expulsar o governador e assassinar o ouvidor.
Julgamento de Felipe dos Santos
Um conjunto de medidas também deveriam ser aplicadas. A saber:

* anulação dos registros nos quais se cobravam impostos aos mineradores;


Óleo de Antônio Parreiras, retratando a versão mítica da execução. Ao fundo o pintor mostra a
* redução das custas judiciais e dos salários do foro;
fumaça da queima das casas dos revoltosos.
* supressão do monopólio do sal, da aguardente e do fumo pela coroa;
Como consequência da Revolta de Filipe dos Santos houve a criação da capitania das Minas de
* fim dos contratos de gado. Ouro, independente da capitania de São Paulo e a postergação da criação das casas de fundição
implantadas somente em 1725.
Um dos líderes do movimento foi o português Pascoal da Silva Guimarães. Grande proprietário de
terras, lavras e escravos foi denunciado pelo próprio filho, João da Silva, três dias antes da Depois da Sedição de Vila Rica de 1720 e antes da Inconfidência Mineira de 1789, ocorreram
conspiração ter início. As autoridades nada fizeram diante da carta-denúncia que revelava os outras rebeliões em Brejo do Salgado em 1736 e Montes Claros em 1736. Além da Conspiração de
propósitos dos rebeldes. Curvelo em 1775.

Somente em 16 de julho de 1720 o governador conseguiu invadir Vila Rica com cerca de mil e
quinhentos homens. O lugar cheirava conspiração.

Conde de Assumar mandou destruir e queimar as casas das principais lideranças. O objetivo era
dar um claro recado à população e aos conspiradores. Após isso começaram as prisões. O
português Filipe dos Santos Freire, representante das camadas populares, foi acorrentado,
algemado e depois arrastado pelas ruas. Depois de ser julgado sumariamente diante da população
foi condenado à morte na forca. Seu corpo foi arrastado por um cavalo e feito em pedaços. Sua
cabeça ficou exposta durante alguns dias no pelourinho em Vila Rica e as partes do seu corpo,
divididas, expostas nas estradas da região.

106 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


EXERCÍCIOS (D) a função histórica das Colônias será proeminente no sentido de acelerar a acumulação do
capital comercial pela burguesia mercantil européia.
(E) a produção gerada dentro das Colônias estimula o seu desenvolvimento e atende às
01. (Ufrn) A Guerra dos Emboabas, a dos Mascates e a Revolta de Vila Rica, verificadas nas necessidades de seu mercado interno.
primeiras décadas do século XVIII, podem ser caracterizadas como:

(A) movimentos isolados em defesa de ideias liberais, nas diversas capitanias, com a intenção 04. (Ufes) A organização da agromanufatura açucareira no Brasil Colônia está ligada ao sentido
de se criarem governos republicanos. geral da colonização portuguesa, cuja dinâmica estava baseada na:
(B) movimentos de defesa das terras brasileiras, que resultaram num sentimento nacionalista,
visando à independência política. (A) pesada carga de taxas e impostos sobre o trabalho livre, com o objetivo de isentar de
(C) manifestações de rebeldia localizadas, que contestavam aspectos da política econômica tributos o trabalho escravo.
de dominação do governo português. (B) unidade produtiva voltada para a mobilidade mercantil interna, ampliada pelo
(D) manifestações das camadas populares das regiões envolvidas, contra as elites locais, desenvolvimento de atividades artesanais, industriais e comerciais.
negando a autoridade do governo metropolitano. (C) estrutura de produção, que objetivava a urbanização e a criação de maior espaço para os
homens livres da colônia.
(D) pequena empresa, que procurava viabilizar a produção açucareira apenas para o mercado
02. (Fuvest) A chamada Guerra dos Mascates, ocorrida em Pernambuco em 1710, deveu-se: interno.
(E) propriedade latifundiária escravista, para atender aos interesses da Metrópole Portuguesa
(A) ao surgimento de um sentimento nativista brasileiro, em oposição aos colonizadores de garantir a produção de açúcar em larga escala para o comércio externo.
portugueses.
(B) ao orgulho ferido dos habitantes da vila de Olinda, menosprezados pelos portugueses.
(C) ao choque entre comerciantes portugueses do Recife e a aristocracia rural de Olinda pelo 05. (Ufpe) Na opinião do historiador Caio Prado Jr., todo povo tem na sua evolução, vista a
controle da mão-de-obra escrava. distância, um certo sentido. Este se percebe, não nos pormenores de sua história, mas no
(D) ao choque entre comerciantes portugueses do Recife e a aristocracia rural de Olinda cujas conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais...
relações comerciais eram, respectivamente, de credores e devedores.
(E) a uma disputa interna entre grupos de comerciantes, que eram chamados Assinale a alternativa que corresponde ao "sentido" da colonização portuguesa no Brasil.
depreciativamente de mascates.
(A) A colonização se estabeleceu dentro dos padrões de povoamento e expansão religiosa.
(B) A colonização foi um fato isolado, portanto, uma aventura que não teve continuidade.
03. (Faap) A colonização portuguesa no Brasil é caracterizada por uma ampla empresa mercantil. É (C) A colonização foi o resultado da expansão marítima dos países da Europa e, desde o
o próprio Estado metropolitano que, em conjugação com as novas forças sociais produtoras, ou início, constituiu-se numa sociedade de europeus sem nenhuma miscigenação.
seja, a burguesia comercial, assume o caráter da colonização das terras brasileiras. A partir daí (D) A colonização se realizou no "sentido" de uma vasta empresa comercial para fornecer ao
os dois elementos - Estado e burguesia - passam a ser os agenciadores coloniais e, assim, a mercado internacional açúcar, tabaco, ouro, diamantes, algodão e outros produtos.
política definida com relação à colonização é efetivada através de alguns elementos básicos que (E) A colonização portuguesa teve, desde cedo, o objetivo de criar um mercado nacional no
se seguem: dentre eles apenas um não corresponde ao exposto no texto; assinale-o. Brasil.

(A) a preocupação básica será a de resguardar a área do Império Colonial face às demais
potências européias. 06. (Unesp) O tráfico de negros escravos para o Brasil Colônia representou:
(B) o caráter político da administração se fará a partir da Metrópole e a preocupação fiscal
dominará todo o mecanismo administrativo. (A) certa lucratividade para a Metrópole portuguesa, favorecendo a acumulação de capitais.
(C) o vértice definidor, reside no monopólio comercial. (B) prejuízos à Metrópole lusitana pela não adaptação do negro ao trabalho agrícola.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 107


(C) a possibilidade da exportação de índios para a Europa na condição de escravos (E) a junção da autoridade temporal com a espiritual através da criação do Império da
domésticos. Cristandade.
(D) incentivo ao crescimento do mercado interno e à criação de um parque manufatureiro.
(E) maior estímulo à agricultura de subsistência em prejuízo dos produtos agrícolas
09. (Cesgranrio) A política colonizadora portuguesa, voltada para a obtenção de lucros do
exportáveis.
monopólio na esfera mercantil, tinha como principal área de produção:

07. (Cesgranrio) Sobre o Pacto Colonial que, na época mercantilista, definiu o relacionamento entre (A) a implantação da grande lavoura tropical, de base escravista e latifundiária caracterizada
Metrópole e Colônia e determinou a forma de organização da sociedade colonial, assinale a pela diversidade de produtos cultivados e presença de minifúndios e latifúndios;
afirmativa INCORRETA: (B) o "exclusivo colonial", que subordinava os interesses da produção agrícola aos objetivos
mercantis da Coroa e dos grandes comerciantes metropolitanos;
(A) "a metrópole, por isso que é mãe, deve prestar às colônias suas filhas todos os bons (C) a agricultura de subsistência, baseada em pequenas e médias propriedades, utilizando
ofícios e socorros necessários para a defesa e segurança das suas vidas e dos seus bens, mão-de-obra indígena;
mantendo-se em uma sossegada posse e fruição dessas mesmas vidas e desses bens." (D) a integração agropastoril, destinada ao abastecimento do mercado interno colonial,
(B) "é, pois necessário que os interesses da Metrópole sejam ligados com os das colônias, e sobretudo ao do metropolitano;
que estas sejam tratadas sem rivalidade. Quanto os vassalos são mais ricos, tanto o (E) a criação de Companhias Cooperativas envolvidas com a produção de tecidos e demais
soberano é muito mais." gêneros ligados ao consumo caseiro.
(C) "esta impossibilidade de subsistir qualquer indivíduo sem alheios socorros, ou Lei
Universal que liga os homens entre si, tem a política nas colônias para maior utilidade e
10. (Mackenzie) A riqueza produzida pela mineração trouxe poucos benefícios de caráter
dependência em que devem estar da Metrópole."
permanente à economia luso-brasileira, porque:
(D) "para viverem em igualdade e abundância... que todos ficariam ricos, tirados da miséria
em que se achavam, extinta a diferença da cor branca, preta e parda, porque uns e
(A) a rígida estrutura escravista da zona do ouro não permitiu alforrias e mobilidade social.
outros seriam sem diferença chamados e admitidos a todos os ministérios e cargos."
(B) o mercado interno não se desenvolveu mantendo-se a situação de ilhas econômicas.
(E) "numa palavra, quanto os interesses e as utilidades da pátria-mãe se enlaçarem mais com
(C) o contrabando e a voracidade do fisco português não podem ser considerados fatores que
os das colônias suas filhas, tanto ela será mais rica e quanto ela dever mais às colônias,
colaboraram para este resultado.
tanto ela será mais feliz e viverá mais segura".
(D) a região não atraiu mão-de-obra da metrópole, ocorrendo um povoamento disperso e
pouca vida urbana.
08. (Cesgranrio) Com a expansão marítima dos séculos XV/XVI, os países ibéricos desenvolveram a (E) a dependência econômica de Portugal, em relação à Inglaterra configurada no Tratado de
ideia de "império ultramarino" significando: Methuen, transferiu para este país grande parte do ouro explorado.

(A) a ocupação de pontos estratégicos e o domínio das rotas marítimas, a fim de assegurar a
11. (Ufrs) Considere a seguir, a nota de 1776 do Marquês de Pombal ao Embaixador da França em
acumulação do capital mercantil;
Lisboa:
(B) o estabelecimento das regras que definem o Sistema Colonial nas relações entre as
metrópoles e as demais áreas do "império" para estabelecer as ideias de liberdade
1. as colônias devem estar debaixo da imediata dependência de proteção dos fundadores;
comercial;
2. o comércio e a agricultura delas devem ser exclusivos dos mesmos fundadores;
(C) a integração econômica entre várias partes de cada "império" através do comércio
3. aos fundadores pertencem também privativamente 'os úteis provenientes da agricultura,
intercolonial e da livre circulação dos indivíduos;
comércio e navegação' das colônias;
(D) a projeção da autoridade soberana e centralizadora das respectivas coroas e sobre tudo e
4. para que prestem a utilidade desejada, as colônias não podem ter o necessário para subsistir
todos situados no interior desse "império";
por si sem dependência da metrópole;

108 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


5. quando entretém algum comércio com estrangeiros, tudo o que importa esse comércio 13. (Unesp) "E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moedas
clandestino e essas mercadorias introduzidas é um verdadeiro furto que se faz à respectiva para os reinos estranhos e a menor é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil, salvo o
metrópole e um furto punível pelas leis dos respectivos soberanos [...]; que se gasta em cordões, arrecadas e outros brincos, dos quais se vêem hoje carregadas as
6. portanto, não atentam contra a liberdade do comércio as potências que o restringem nas mulatas de mau viver e as negras, muito mais que as senhoras".
colônias a favor dos seus vassalos, e todo o governo que por indiferença tolere nos seus portos
a contravenção dos cinco princípios anteriores pratica 'uma política destrutiva do comércio e da (André João Antonil. "Cultura e opulência do Brasil", 1711.)

riqueza da sua nação'."


No trecho transcrito, o autor denuncia:

Com relação a essa nota, são feitas as seguintes afirmativas:


(A) a corrupção dos proprietários de lavras no desvio de ouro em seu próprio benefício e na
compra de escravos.
I. A liberdade de comércio é a base de todo o antigo sistema colonial.
(B) a transferência do ouro brasileiro para outros países em decorrência de acordos
II. A subordinação das colônias às metrópoles abrange a política, a agricultura, o comércio e a
comerciais internacionais de Portugal.
navegação.
(C) o prejuízo para o desenvolvimento interno da colônia e da metrópole gerado pelo
III. O comércio entre as colônias e metrópoles não estabelece dependência, tornando a colônia
contrabando de ouro brasileiro.
livre em termos de política econômica.
(D) o controle do ouro por funcionários reais preocupados em esbanjar dinheiro e dominar o
poder local.
Quais estão corretas?
(E) a ausência de controle fiscal português no Brasil e o desvio de ouro para o exterior pelos
escravos e mineradores ingleses.
(A) Apenas I
(B) Apenas II
(C) Apenas III 14. (Fei) Sobre o período colonial brasileiro, podemos afirmar que:
(D) Apenas II e III
(E) I, II e III I. Foi marcado por um rígido controle da economia por parte da metrópole portuguesa.
II. Teve na produção de açúcar no Nordeste e na mineração no Sudeste as duas principais
fontes de riqueza coloniais.
12. (Cesgranrio) A colonização brasileira foi sempre marcada por confrontos que refletiam a
III. Caracterizou-se pelo estabelecimento de um modelo agrário baseado na produção
diversidade de interesses presentes na sociedade colonial como pode ser observado nos(as):
diversificada de gêneros agrícolas em pequenas propriedades.

(A) conflitos internos, sem conteúdo emancipacionista, como as Guerras dos Emboabas e dos
(A) apenas I está correta
Mascates.
(B) I e III estão corretas
(B) ideais monárquicos e democráticos defendidos pelos mineradores e agricultores na
(C) II e III estão corretas
Conjuração Mineira.
(D) apenas II está correta
(C) projetos imperiais adotados pela Revolução Pernambucana de 1817 por influência da
(E) I e II estão corretas
burocracia lusitana.
(D) reações contrárias aos monopólios, como na Conjuração Baiana, organizada pelos
comerciantes locais. 15. (Ufsm) "O monopólio do comércio das colônias pela metrópole define o sistema colonial porque
(E) características nacionalistas de todos os movimentos ocorridos no período colonial, como é através dele que as colônias preenchem sua função histórica, isto é, respondem aos estímulos
nas Revoltas do Rio de Janeiro e de Beckman. que lhes deram origem, que formam a sua razão de ser, enfim, que lhes dão sentido."

(NOIVAS, Fernando A. O Brasil nos quadros do Antigo Sistema Colonial. In: MOTA, Carlos Guilherme(org.).
BRASIL EM PERSPECTIVA. São Paulo: Difel.)

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 109


O texto expressa a situação do Brasil no chamado Pacto Colonial. Sobre isso, pode-se dizer que: 3. Guerra dos Emboabas na região mineira e criação das Casas de
Fundição.
(A) a colonização do Brasil se inseriu nos quadros da expansão imperialista mundial e 4. Guerra dos Mascates 3. ( ) Criação da Companhia Geral do
constituiu um importante pilar de sustentação do Estado colonial. Comércio do Maranhão e oposição dos
(B) a colonização foi, em sua essência, motivada pelo interesse do Estado e dos grupos 5. Revolta de Filipe dos Santos jesuítas à utilização da mão-de-obra
dominantes em adquirir e acumular metais preciosos e terras e em conquistar mercados. indígena pelos colonos.
(C) o pacto transformava a economia colonial numa economia central cuja função era gerar 6. Inconfidência Baiana 4. ( ) Insatisfação dos colonos com a tentativa
riquezas para a economia periférica metropolitana. de monopolização das minas auríferas
(D) o pacto favorecia os senhores feudais da metrópole que, recebendo dos colonos os pelos paulistas.
privilégios do monopólio, apropriavam-se do extraordinário lucro gerado pela
industrialização das colônias. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
(E) a colônia era estimulada a produzir mercadorias manufaturadas, o que promovia o
desenvolvimento do mercado interno e a acumulação de capital comercial pela burguesia (A) 4 - 5 - 2 - 3.
mercantil nacional. (B) 1 - 2 - 3 - 6.
(C) 5 - 1 - 2 - 4.
(D) 3 - 2 - 6 - 5.
16. (Unifesp) "Não resta outra coisa senão cada um defender-se por si mesmo; duas coisas são
(E) 4 - 1 - 3 - 6.
necessárias... a fim de se recuperar a mão livre no que diz respeito ao comércio e aos índios".

(Manuel Beckman, 1684.) 18. (Unesp) Os preços dos produtos da colônia portuguesa da América, o Brasil, caíram
sensivelmente na segunda metade do século XVII. De 1659 a 1688, houve uma queda de 41%
As duas principais reivindicações do líder da Revolta que leva seu nome são:
no preço do açúcar; já o preço do tabaco encolheu 65% de 1668 a 1688. A diminuição dos
preços destes produtos coloniais produziu uma crise no comércio português. Na primeira
(A) a revogação do monopólio da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão e a
metade do século XVIII, o déficit da balança comercial portuguesa foi compensado:
expulsão dos jesuítas que se opunham à escravidão indígena.
(B) a saída dos portugueses do Grão Pará e Maranhão e a supressão dos aldeamentos
(A) pela extinção dos monopólios estatais sobre produtos coloniais e pela suspensão do
indígenas, que monopolizavam as chamadas "drogas do sertão".
regime metropolitano do exclusivo colonial.
(C) a repressão ao contrabando estrangeiro, que prejudicava os negócios dos atacadistas
(B) pela entrega do nordeste brasileiro à Holanda e pelo incentivo à criação de gado nas
portugueses, e a liberdade para importar escravos negros.
regiões sul e sudeste da colônia.
(D) a expulsão dos holandeses do Nordeste, que monopolizavam o comércio do açúcar, e a
(C) pela implantação de indústrias na colônia do Brasil e pela intensificação do comércio de
reedição da guerra justa, que proibia a escravidão indígena.
especiarias com o Oriente.
(E) a revogação do monopólio comercial da Metrópole sobre o Norte e Nordeste da colônia e
(D) pela diminuição da exploração social, com o aumento dos salários dos operários, e o
a proibição para importar escravos negros.
fortalecimento dos sindicatos de trabalhadores.
(E) pelo estímulo governamental ao desenvolvimento de manufaturas no reino e pelo volume
17. (Ufrs) A seguir, na coluna I, são citadas seis revoltas ocorridas durante o período colonial crescente da produção aurífera no Brasil.
brasileiro. Na coluna II, são apresentadas as motivações de quatro daquelas revoltas.

19. (Ufv) O sistema de colonização introduzido no Brasil pelos portugueses baseou-se


1. Inconfidência Mineira 1. ( ) Insatisfação da comunidade mercantil
fundamentalmente:
recifense com o domínio político dos
2. Revolta de Beckman senhores de engenho olindenses.
2. ( ) Proibição da circulação de ouro em pó

110 Tópico Especial - A expansão territorial | Curso Preparatório Cidade


(A) no monopólio do comércio pelo Estado português, assegurando, assim, a máxima (D) somente a I, II e a III estão corretas.
lucratividade para os empresários metropolitanos. (E) todas estão corretas.
(B) no desenvolvimento de produtos tropicais para satisfação do mercado interno
consumidor.
02. (EsFCEx - 2006) Sobre os conflitos no Brasil colonial pode-se destacar dois modelos, não
(C) na exploração econômica da terra, com sua divisão em pequenos lotes chamados de
exclusivos, de revoltas e rebeliões que tensionaram o domínio português e contribuíram para o
feitorias.
desgaste do sistema colonial, a saber:
(D) no povoamento da terra pelos excedentes demográficos da Europa, semelhante ao
esforço colonizador empreendido nas Américas.
I. o primeiro modelo caracterizou-se por diversos levantes de colonos que se sentiam
(E) no trabalho da mão-de-obra européia assalariada, para garantir a maior produtividade da
prejudicados com as altas taxas de impostos cobrados pela Coroa e como exercício do
área plantada e atender aos interesses da colônia.
monopólio exercido pelas companhias mercantilistas. Estes movimentos não tinham caráter
anticolonial e independentista, porém, serviram para mostrar a existência de interesses de
20. (Mackenzie) Duas atividades econômicas destacaram-se durante o período colonial brasileiro: a uma população já enraizada no Brasil. Receberam o nome de rebeliões nativistas.
açucareira e a mineração. Com relação a essas atividades econômicas, é correto afirmar que: II. o segundo modelo caracterizou-se por revelar, claramente, a intenção em lutar pela
emancipação do Brasil em relação à Portugal mostrando-se possuidor de alguma
(A) na atividade açucareira, prevalecia o latifúndio e a ruralização, a mineração favorecia a consciência nacional, além de certa organização política. Não se limitou a contestar
urbanização e a expansão do mercado interno. determinados aspectos da dominação colonial, como impostos, mas questionava o próprio
(B) o trabalho escravo era predominante na atividade açucareira e o assalariado na pacto colonial. Buscava a independência política, apesar de circunscritos às regiões em que
mineradora. aconteceram. Recebeu o nome de rebeliões anticoloniais.
(C) o ouro do Brasil foi para a Holanda e os lucros do açúcar serviram para a acumulação de
capitais ingleses. Assinale a alternativa que combina, respectivamente, movimentos relacionados a cada um dos
(D) geraram movimentos nativistas como a Guerra dos Emboabas e a Revolução Farroupilha. modelos acima.
(E) favoreceram o abastecimento de gêneros de primeira necessidade para os colonos e o
desenvolvimento de uma economia independente da Metrópole. (A) Guerra dos Emboabas e Guerra dos Mascates.
(B) Inconfidência Mineira e Revolta de Beckman.
(C) Conjuração Baiana e Inconfidência Mineira.
EXERCÍCIOS DE PROVA (D) Rebelião de Vila Rica e Conjuração Baiana.
(E) Inconfidência Mineira e Guerra dos Mascastes.

01. (EsFCEx - 2005) Analise as afirmativas abaixo sobre a Revolta de Beckman no Maranhão e, a
seguir, marque a alternativa correta:

I. Este movimento foi uma explosão popular contra a Companhia de Comércio do Maranhão.
II. Os conjurados se apossaram facilmente do poder e constituíram um governo.
III. O movimento não conseguiu se expandir e entrou em declínio.
IV. A Companhia de Comércio do Maranhão conseguiu conservar o monopólio após o
movimento.

(A) somente a I está correta.


(B) somente a II e a IV estão corretas
(C) somente a III e a IV estão corretas.

Curso Preparatório Cidade | Tópico Especial - A expansão territorial 111


Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do OS CONFLITOS COLONIAIS E OS MOVIMENTOS REBELDES DO FINAL DO SÉCULO XVIII
século XVIII e início do XIX. E INÍCIO DO XIX

Comentário Aclamação de Amador Bueno (São Paulo – 1641)

Também conhecida como Revolta de Amador Bueno. Trata-se de um acontecimentos mais curiosos
Caro estudante, da história brasileira.

Nesse tópico estudaremos um pouco mais sobre as principais rebeliões do Brasil No ano de 1640, Portugal livrou-se do jugo espanhol de mais de meio século. Era o fim da União
colonial. Ibérica e o início da dinastia de Bragança. Vimos na aula anterior que a união de Portugal e
Espanha favoreceu a superação da linha de Tordesilhas, sobretudo a partir de São Paulo, com o
Vimos anteriormente que essas revoltas possuem relação direta com o quadro de movimento das Bandeiras. Pois bem...
opressão fiscal e a contradição que o pacto colonial impunha ao Brasil.
Foi justamente em São Paulo, o local onde ocorreu a manifestação de um movimento de caráter
Depois de 1640, o império português não estava muito bem... E é dentro desse separatista logo após a restauração bragantina, e tinha neste fato sua causa principal. A formação
contexto que a história brasileira faz mais sentido. da União Ibérica favoreceu a atividade de contrabando em toda região da bacia do Prata. Havia o
temor de que com a restauração portuguesa essas atividades fossem proibidas.
Muitas colônias foram perdidas para holandeses e ingleses durante a União Ibérica
(período em que Portugal foi dominado pela Espanha – de 1580 a 1640). A partir de São Paulo partiam as bandeiras de preação no intuito de escravizar índios aldeados nas
missões jesuíticas. Obtendo grandes lucros com o tráfico negreiro, era natural que a Coroa
Concessões eram feitas constantemente para holandeses e principalmente ingleses. dificultasse as atividades de aprisionamento indígena realizada pelos paulistas e também proibisse
Somados a esse fato Portugal tinha que sustentar uma corte parasitária ao mesmo o contrabando na região platina. Havia um grupo de comerciantes que via na restauração
tempo em que buscava desesperadamente enfrentar uma grave crise econômica. portuguesa um obstáculo em sua tentativa de expandir as atividades comerciais até Buenos Aires.

O arrocho em relação ao Brasil era inevitável. Representou uma saída conveniente para Um grupo de famílias espanholas temeu pela perda de terras e privilégios diante da separação das
Portugal que assim poderia aliviar seus problemas fiscais e econômicos. coroas de Portugal de Espanha. Diante desse quadro de expectativas e rumores houve a aclamação
de um novo rei: Amador Bueno. O termo de aclamação foi assinado em 1º de abril de 1641. O
Depois das primeiras descobertas de ouro em solo brasileiro a opressão tornou-se cada
grupo era liderado pelos irmãos Rendon de Quevedo e Juan e Francisco Rendón de Quevedo y
vez mais insuportável! Não foi por acaso a enorme quantidade de rebeliões em Minas
Luna. Entre seus signatários também estavam nobres espanhóis no Paraguai. Ao que parece, os
Gerais. A Revolta de Vila Rica (1720) e a Inconfidência Mineira (1789) foram as mais
separatistas espanhóis desejavam tornar São Paulo parte das colônias espanholas platinas.
importantes rebeliões ocorridas em solo mineiro, mas não foram as únicas.
No entanto, Amador Bueno, ele próprio filho de espanhol, rejeitou a proposta e jurou fidelidade a
Sobre o assunto leia o texto a seguir.
D. João IV de Bragança. Era de origem espanhola por linhagem paterna, descendente de
bandeirantes e com o histórico de ter assumido cargos importantes dentro da administração
Bons estudos!
portuguesa. Era o homem mais prestigiado e rico da região.

Diante da recusa, o homem que não quis ser rei teve que se refugiar no convento dos beneditinos
em primeiro de abril de 1641. Na verdade, o movimento não trouxe consequências mais sérias,
pois seria facilmente debelado pela Coroa portuguesa dada a condição ainda periférica de São
Paulo no contexto colonial. Dias depois os paulistas juraram fidelidade à D. João IV. Para o

112 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
historiador Luiz Felipe de Alencastro o movimento não teve caráter separatista. Foi muito mais uma A Coroa não retaliou os integrantes da sedição. A principal consequência deste movimento foi o
espécie de invenção paulista. acirramento das rivalidades entre os senhores de engenho de Olinda e os mascates portugueses
situados em Recife.

A Revolta contra os Xumbergas (Pernambuco -1666)


A Guerra dos Emboabas (1708-1709)
A Revolta contra os Xumbergas foi uma revolta contra o governador da capitania de Pernambuco
cujo nome era Jerônimo de Mendonça Furtado. O governador foi apelidado de Xumbergas devido O termo “emboaba” provavelmente é de origem tupi e quer dizer “pássaros de pés emplumados”.
ao vasto bigode que usava numa tentativa de imitar o oficial alemão que comandou as tropas Há controvérsias a respeito do seu significado. A palavra poderia significar também forasteiro,
portuguesas na guerra de libertação portuguesa em 1640 – Armand Friedrich von Schomberg. estrangeiro ou inimigo.

A rebeldia pernambucana também é conhecida pelo nome de Conjuração do Nosso Pai. Referência Em Minas Gerais ocorreu um conflito entre paulistas e os emboabas: forasteiros, principalmente
ao fato do governador ter sido preso em uma procissão de extrema-unção conhecida como portugueses, pernambucanos e baianos. O conflito ocorreu entre os anos de 1708 e 1709 e
procissão do Nosso Pai. expunha diferenças culturais enormes, sobretudo a crescente rivalidade em torno do direito da
exploração do valioso metal.
Jerônimo de Mendonça Furtado governou a capitania de Pernambuco despoticamente de 1664 até
1666, ano em que foi deposto, preso e encarcerado na fortaleza do Brum, em Recife e depois Figura 31: Tropeiros
deportado para a Lisboa. Seu estilo de governo era autoritário e rude. Foi acusado pelas elites
rurais pernambucanas de uma série crimes. As elites rurais reunidas na Câmara de Olinda enviaram
representação para Lisboa denunciando os atos do tirano governador. Dentre as queixas contra o
Xumbergas constavam o roubo de um quinhão da receita do donativo da Rainha da Inglaterra e
paz da Holanda, imposto criado para a satisfação do dote de D. Catarina de Bragança, irmã do
monarca português casada com Carlos II. Também foi acusado de permitir que franceses
realizassem o comércio de pau-brasil na costa pernambucana. Foram vários os crimes imputados
ao Xumbergas e a maioria deles era verdade.

Para piorar a situação do governador, a capitania de Pernambuco foi assolada por curiosa epidemia
de bexigas. Para a população a causa da enfermidade era a passagem de cometas e as más
energias exaladas pelo governador do bigode grande.
Tropeiros. Rugendas.

Algumas medidas mais foram o suficiente para a conspiração ganhar corpo e apesar da população Boa parte da população paulista era composta por índios que viam na guerra uma espécie de
ter tomado parte do movimento ele foi encabeçado pelas elites locais. Personagens como João combustível para sua engenhoca social primitiva. Não aceitaram o trabalho fixo na agricultura de
Fernandes Vieira e André de Barros Rego, integrantes da alta elite aristocrata pernambucana, não cana-de-açúcar, mas se aliaram muito bem ao paulista que vinha de outras terras e via no
aceitavam as cobranças feitas pelo Xumbergas argumentando que foram eles os responsáveis pela desbravamento da imensidão dos sertões muito mais que uma atividade econômica e sim uma
expulsão holandesa em anos anteriores. Era injusto a opressão e tirania exercida. O nativismo forma de vida.
pernambucano ficara cada vez mais forte.
Para os descobridores paulistas somente eles poderiam explorar o novo metal. De acordo com ato
Após a prisão, deposição e deportação do governador corrupto uma Junta de Governo composta real de 18 de março de 1694 aqueles que descobrissem o metal teriam garantia da posse das
por três representantes da aristocracia rural, dentre eles André de Barros Rego, assumiu o minas desde que pagassem o quinto devido à Fazenda Real.
governo. A satisfação foi geral entre os populares.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 113
Quando solicitaram à Coroa, em petição datada de 07 de abril de 1700, que a concessão de terras O Levante do Terço Velho (1728)
das regiões auríferas fosse realizada somente para os habitantes da capitania de São Vicente
tiveram seu pedido negado. Isso aumentou o descontentamento e as animosidades tenderam a Em 10 maio de 1728 ocorreu em Salvador um levante armado contando com a participação de
aumentar. mais de seiscentos militares. Esses homens pertenciam ao Terço Velho, corpo da mais antiga tropa
da capital da colônia.
À medida que o fluxo populacional crescia, os ânimos se exaltavam. Os paulistas eram os bárbaros
que andavam pelos sertões e, dentre outras atividades, foram os responsáveis pela destruição de Os amotinados desejavam soldos melhores e pagos de forma regular além de queixarem-se do
vários quilombos. Insistiam na legitimidade da exclusividade pretendida na exploração do metal. comportamento excessivamente rígido do ouvidor-geral.
Para alguns, eles eram mais rudes que os próprios quilombolas. Em pouco tempo foram acusados
de cometerem assassinatos contra forasteiros. Por seu turno os comerciantes portugueses, aliados Após tomarem a fortaleza do Campo da Pólvora, enviaram o mestre-de-campo João de Araújo de
dos baianos, especulavam com a venda de produtos de grande consumo. Entre os emboabas Azevedo ao encontro do vice-rei como representante dos rebeldes. Outros corpos da velha tropa
também havia o receio de uma rebelião de escravos que por sua vez não se relacionavam bem com aderiram ao movimento que também passou a reivindicar a soltura dos soldados presos pelo
os índios paulistas. ouvidor-geral. Nas ruas da cidade, grupos aos berros gritavam pela morte do ouvidor.

Um boato espalhado no início de 1708 divulgou a notícia de que os paulistas planejavam realizar Sorrateiramente o vice-rei reuniu presenças ilustres da capitania e convocou o representante dos
um massacre de forasteiros. amotinados, mestre-de-campo Azevedo. Perdoou os soldados presos pelo ouvidor e mandou
comunicar a notícia ao som de caixas pelas ruas. Posteriormente ordenou a divisão do velho corpo.
Diante desta possibilidade, os emboabas decidiram se organizar e decidiram criar um governo Suas lideranças foram enviadas para áreas distintas da capitania. Secretamente o governador
proclamando governador Manoel Nunes Viana. iniciou investigações sobre o movimento ocorrido e depois que os soldados estavam desarmados
sentenciou os envolvidos com degredos e enforcamento.
Muitos combates ocorreram e os paulistas perderam datas importantes. Aos poucos iam sendo
expulsos das terras que reivindicavam.

Um dos principais episódios do conflito é chamado de Capão de Traição. Esse fato foi ocorrido nas Inconfidência Mineira (1789)
proximidades da atual cidade de São João del Rei. Depois de cercar um grupo de paulistas o
sargento-mor Bento do Amaral Coutinho prometeu poupar a vida dos paulistas, caso entregassem A inconfidência mineira foi um movimento histórico que aconteceu no final do século XVIII na
as armas. Foram traídos e massacrados. região conhecida como Minas Gerais. Esse acontecimento está intimamente ligado com as
conjunturas do sistema colonial português no território brasílico.
Após o episódio, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a formação de uma força
expedicionária para vingar o assassinato do grupo atraiçoado. Formado por indígenas e mestiços, No final do século XVII, houve um processo marcante de interiorização e urbanização da paisagem
essa tropa foi comandada por Amador Bueno da Veiga que após quatro dias de ataques a brasileira, provocado pela exploração de metais preciosos na região centro oeste. Com a
emboabas fortificados próximo ao rio das Mortes decidiu retirar as tropas. Era novembro de 1709 e descoberta desses recursos naturais – ouro e diamantes - , tão desejados desde o período pré –
esse episódio marca o fim do conflito. colonial, além da modificação do viés exploratório, a coroa também necessitava de um novo
modelo fiscal/legal na nova dinâmica econômica que estava se criando e transformando as
No início de 1710, foi criada a capitania de São Paulo e das Minas de Ouro. Também foram criadas
estruturas culturais e sociais da colônia. Dessa forma, já em 1704 o rei de Portugal criou a
normas mais claras para a distribuição de terras entre paulistas e forasteiros.
instituição denominada Intendência das Minas Gerais, responsável pela distribuição e demarcação
de terras entre colonos, bem como na cobrança de diversos impostos, como o famoso quinto, taxa
Diante do clima de insegurança, os paulistas decidiram buscar ouro em outras regiões e em 1718
de vinte por cento do valor arrecadado sobre o montante de metais preciosos, sobretudo o ouro.
descobriram ouro em Mato Grosso.
Outro imposto que fazia parte desse modelo fiscal era a capitação, cobrado sobre o número de
escravos que o mineiro possuísse. Podemos também ressaltar as finas anuais que determinavam

114 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
uma taxação sobre o ouro, relacionando a quantidade produzida e o tempo de mineração, podendo envolvimento com os rebeldes. O rei de Portugal, mostrando sua benevolência perdoou todos os
chegar até trezentas arrobas. revoltosos, com exceção do alferes Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, sendo condenado à forca
em 1792 no RJ e depois esquartejado. Os portugueses espalharam parte do seu corpo em MG para
Esse modelo fiscal teve um exacerbado rigor sobre a colônia, devido a problemas econômicos que servir de exemplo a qualquer outro revoltoso que atentasse contra o rei.
Portugal estava sofrendo com o mercado internacional, principalmente em relação à Inglaterra, no
que tange o tratado dos panos e vinhos ou tratado de Methuen, onde pelas suas cláusulas, os Figura 32: Leitura da sentença dos inconfidentes.
portugueses se comprometiam a consumir os produtos têxteis britânicos e em troca, teriam
exclusividade na venda de vinhos para Inglaterra. Todavia, dentro dessa lógica, os portugueses
tinham uma balança comercial desfavorável, em que se importavam muito mais tecidos do que se
exportava vinhos, gerando um endividamento latente. Devemos relembrar que, internamente,
Portugal também passava por dificuldade, tendo em vista o terremoto que devastou Lisboa em
1755, provocando, dentre outros fatores, um gasto para reconstrução dessa importante cidade
portuária, além da morte de cerca de quarenta mil pessoas.

Outro aspecto a ser ressaltado era a influência ideológica revolucionária advinda dos pensadores
das “luzes” que questionavam monarquias fortemente autoritárias, interligadas com o processo de
independência das treze colônias americanas em 1766 e que se adequavam ao sistema de
cobrança do quinto real. É importante pensar que quando o ouro entregue não perfazia cem
arrobas, ou seja, cerca de mil e quinhentos quilos, era decretada a derrama, um imposto sobre o
não pagamento do valor bruto mínimo desejado.

Dentro desse contexto, influenciados por uma possibilidade de enriquecimento pessoal, assim como
de autopromoção local da região de Minas Gerais, se formou o movimento reacionário denominado
inconfidência mineira, batizado com essa denominação, porque seus participantes agiam de
maneira secreta, como confidentes.

Os objetivos gerais do movimento eram:


Por Leopoldino Faria.
1) Proclamar um governo republicano;
Apenas no século XIX, começasse com o IHGB – Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – no
2) Criar uma Universidade em Vila Rica; governo de Dom Pedro II a associar a figura de Tiradentes como uma mártir da história do Brasil,
tendo como objetivo criar uma identidade nacional. Em muitas figuras, tal “herói” é visto com
3) Estabelecer uma capital em São João Del Rei; barba e traços semelhantes a Jesus Cristo, tendo como intenção sensibilizar as pessoas sobre o
sentido da morte de Joaquim Xavier, todavia, é questionado na historiografia tal ponto de vista,
4) Adotar uma bandeira, selo e hino próprio;
levando em consideração que a inconfidência mineira era um movimento local e não tinha um
sentimento nacional, bem como seus participantes procuravam se autopromover e não estavam se
5) Se adequar economicamente nos ideais liberais de produção;
preocupando com a população humilde, haja vista a permanência do trabalho escravo negro. Jesus
A revolta deveria acontecer simbolicamente no dia da taxação derrama em 1788, todavia, tal plano cristo morreu para nos salvar, então somos todos irmãos em cristo. Tiradentes morreu em prol da
não deu certo, pois três participantes do movimento – Inácio Correia Pamplona, Basílio de Brito e nação, então somos todos irmãos brasileiros. Essa foi a ideia muitas vezes construída nesse
Joaquim Reis - procuraram o governador da província, Visconde de Barbacena, para denunciar a período histórico.
ação dos inconfidentes, tendo como objetivo que a coroa perdoasse suas dívidas e seu possível

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 115
Conjuração Carioca (1794) Figura 34: Escravos exercendo vários O clima de insatisfação vinha de longa data
ofícios nas ruas de Salvador. na capital baiana. O preço dos alimentos
Chamamos de Inconfidência Carioca o movimento de intelectuais reunidos em torno de uma era manipulado e os preços elevavam-se
organização acadêmica chamada Sociedade Literária. com frequência. Eram comuns queixas
contra o governador baiano antes da
As autoridades coloniais estavam atentas a qualquer sinal de contestação e no Rio de Janeiro a eclosão do movimento. Na Bahia o exemplo
difusão dos ideais iluministas e organização das lojas maçônicas preocupavam as autoridades. dos mineiros era conhecido e em 1792 o
Essas chegaram a ter as atividades suspensas pelo vice-rei Conde de Resende. Nesse contexto de Haiti tornara-se independente animando os
debates cada vez mais sem limites a Sociedade Literária foi fechada, mas seus membros baianos a fazerem o mesmo.
continuaram-se reunindo secretamente. Um dos participantes mais ilustre era o poeta Inácio da
Silva Alvarenga. Em 12 de maio de 1798 foram espalhados
panfletos rebeldes nas portas das igrejas e
Figura 33: Vice-rei conde de Resende Após novas denúncias, os integrantes lugares de grande circulação de pessoas.
dessas reuniões foram presos e Os panfletos diziam:
investigados entre os anos de 1794 e 1795.
No final nada foi provado, apenas a "Animai-vos Povo baiense que está para
acusação de circulação de livros proibidos. chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o
Todos os envolvidos foram libertados. tempo em que todos seremos irmãos: o
tempo em que todos seremos iguais”.

A Conjuração Baiana (1798)


A influência francesa é clara. Dentre as
principais reivindicações dos rebeldes
Enquanto os inconfidentes mineiros tiveram
estavam:
na independência estadunidense, seu
exemplo, os rebeldes baianos foram
- A criação de um governo
diretamente influenciados pelos ideais
republicano e igualitário
propagados pelos franceses.

- Libertação dos escravos


A Conjuração Baiana foi mais um movimento colonial de caráter separatista. Em 12 de maio de
- Liberdade de comércio
1798 a cidade de Salvador estava tomada por cartazes onde a influência francesa era clara. Entre
seus líderes estava Cipriano Barata – o “homem de todas as revoluções”. Médico e culto jornalista
- Aumento dos salários dos soldados
foi ele o único que realmente tomou partido do movimento entre as elites baianas. Esse grupo
reunia-se em torno da sociedade secreta Cavaleiros da Luz. A repressão ao movimento não se fez tardar. Muitos participantes delataram outros personagens
envolvidos. As investigações foram instauradas pelo governador baiano D. Fernando José de
Apesar disso, podemos dizer que a Conjuração Baiana, também conhecida como Inconfidência
Portugal. Após analise das caligrafias dos manifestos aprendidos chegaram logo ao verdadeiro
Baiana, não foi um movimento de caráter elitista. Apesar da participação das elites baianas, o
autor das mensagens – o soldado Luíz Gonzaga das Virgens.
movimento também é conhecido como Conjuração dos Alfaiates. Esse nome evidencia o caráter
popular da rebelião e o destaque que estes trabalhadores tiveram. Os participantes foram presos, sentenciados, degredados, tiveram seus bens despojados e seus
nomes amaldiçoados até a terceira geração. Os principais líderes foram enforcados e tiveram as

116 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
partes de seus corpos expostas à carne crua para a população. Cipriano Barata foi preso e solto em Mas o Recife sem história nem literatura
1800.
Recife sem mais nada
A Conjuração Baiana apresentou o projeto mais radical do período colonial. Apesar de duramente
punido pela Coroa portuguesa, deixou marcas profundas na sociedade baiana. Recife da minha infância

Ao mesmo tempo, ocorria na Inglaterra uma revolução silenciosa, sem (Manuel Bandeira, "Evocação do Recife, Libertinagem")

data precisa, tão ou mais importante do que as mencionadas, que ficou


Contextualizando historicamente a Guerra dos Mascates a que a poesia se refere, é correto afirmar
conhecida como Revolução Industrial. A utilização de novas fontes de
que ela:
energia, a invenção de máquinas, principalmente para a indústria
têxtil, o desenvolvimento agrícola, o controle do comércio
(A) teve conotação nativista, mas não antilusitana, uma vez que foi um movimento resultante
internacional são fatores que iriam transformar a Inglaterra na maior
da luta entre os grandes proprietários de terras de Olinda e o governo, pelo comércio
potência mundial da época. Na busca pela ampliação dos mercados, os
interno do açúcar no Recife.
ingleses impõem ao mundo o livre-comércio e o abandono dos
(B) resultou da insatisfação das camadas mais pobres da população da vila de Olinda contra o
princípios mercantilistas, ao mesmo tempo em que tratam de proteger
controle da produção e comercialização dos produtos de exportação impostos pelos
seu próprio mercado e o de suas colônias com tarifas protecionistas.
comerciantes de Recife.
Em suas relações com a América espanhola e portuguesa, abrem
(C) refletiu a lógica do sistema colonial: de um lado, os colonos latifundiários de Olinda
brechas cada vez maiores no sistema colonial, por meio de acordos
endividados e empobrecidos; de outro, os comerciantes metropolitanos de Recife,
comerciais, contrabando e aliança com os comerciantes locais.
credores e enriquecidos.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo 2013. 14ª edição. (D) significou o marco inicial da formação do nativismo na colônia: de um lado, criou um forte
sentimento antilusitano que se enraizou em Olinda; de outro intensificou a luta contra os
comerciantes lusos de Recife.
(E) foi um dos mais importantes movimentos de resistência colonial: de um lado, a recusa
EXERCÍCIOS dos proprietários rurais de Olinda em obedecer a metrópole; de outro, a luta dos
comerciantes de Recife pelo monopólio do açúcar.

01. (Puccamp)
02. (Cesgranrio) A colonização brasileira foi sempre marcada por confrontos que refletiam a
Recife diversidade de interesses presentes na sociedade colonial como pode ser observado nos(as):

(A) conflitos internos, sem conteúdo emancipacionista, como as Guerras dos Emboabas e dos
Não a Veneza americana Mascates.
(B) ideais monárquicos e democráticos defendidos pelos mineradores e agricultores na
Não a Mauritsstad dos amadores das Índias Ocidentais Conjuração Mineira.
(C) projetos imperiais adotados pela Revolução Pernambucana de 1817 por influência da
Não a Recife dos Mascates burocracia lusitana.
(D) reações contrárias aos monopólios, como na Conjuração Baiana, organizada pelos
Nem mesmo a Recife que aprendi a amar depois -
comerciantes locais.
(E) características nacionalistas de todos os movimentos ocorridos no período colonial, como
Recife das revoluções libertárias
nas Revoltas do Rio de Janeiro e de Beckman.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 117
03. (Ufsm) Escravos, colonos, mineiros, padres, poetas, militares e até senhores de engenho se Estão corretas somente as afirmações:
revoltaram contra a dominação portuguesa no Brasil dos tempos coloniais. Nesse sentido,
pode-se considerar que a: (A) I e II.
(B) II e IV.
I. Revolta de Filipe dos Santos, em 1720, refletia posições antagônicas, ou seja, a tentativa de (C) I, II e III.
Salvador continuar dominando o Rio de Janeiro e de o Rio de Janeiro tornar-se (D) I, II e IV.
independente de Salvador. (E) II, III e IV.
II. Inconfidência Mineira de 1789 defendia o fim da dominação portuguesa, a proclamação da
República, a criação da Universidade e a fundação de fábricas.
III. Conjuração Baiana de 1789 pregava a luta pela independência do Brasil e a defesa dos 05. (Fgv) Antunes voltou ao capão e transmitiu a seus companheiros as promessas de Bento. Os
ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. paulistas saíram dos matos aos poucos, depondo as armas. Muitos não passavam de meninos;
IV. Guerra dos Mascates de 1710 objetivava o fim da dominação portuguesa, a independência outros eram bastante velhos. Sujos, magros, cambaleavam, apoiavam-se em seus
do Brasil, o fim das desigualdades sociais e a instalação de um governo republicano. companheiros. Estendiam a mão, ajoelhados, suplicando por água e comida. Bento fez com que
V. Revolução Pernambucana de 1817 visava à manutenção do poder de escravizar os índios e os paulistas se reunissem numa clareira para receber água e comida. Os emboabas saíram da
à exploração igualitária das minas entre paulistas e mineiros. circunvalação, formando-se em torno dos prisioneiros. Bento deu ordem de fogo. Os paulistas
que não morreram pelos tiros foram sacrificados a golpes de espada.
Estão corretas:
(Ana Miranda, "O retrato do rei")

(A) apenas I e III.


O texto trata do chamado Capão da Traição, episódio que faz parte da Guerra dos Emboabas, que
(B) apenas II e III.
se constituiu:
(C) apenas I e V.
(D) apenas II e IV.
(A) em um conflito opondo paulistas e forasteiros pelo controle das áreas de mineração e
(E) apenas II e V.
tensões relacionadas com o comércio e a especulação de artigos de consumo como a
carne de gado, controlada pelos forasteiros.
(B) em uma rebelião envolvendo senhores de minas de regiões distantes dos maiores centros
04. (Fatec) Considere as afirmações seguintes, sobre a Conjuração Baiana.
- como Vila Rica - que não aceitavam a legislação portuguesa referente à distribuição das
datas e a cobrança do dízimo.
I. A chamada Conjuração Baiana (1798 - 1799) tinha como projeto o fim do Pacto Colonial, a
(C) no primeiro movimento colonial organizado que tinha como principal objetivo separar a
diminuição de impostos, a abolição da escravatura e o aumento dos soldos militares.
região das Minas Gerais do domínio do Rio de Janeiro, assim como da metrópole
II. Os revolucionários baianos pregavam ideias coincidentes com as doutrinas sociais francesas
portuguesa, e que teve a participação de escravos.
- igualdade, liberdade e representação popular soberana.
(D) no mais importante movimento nativista da segunda metade do século XVIII, que
III. Os articuladores tinham a pretensão de construir uma república libertária e igualitária,
envolveu índios cativos, escravos africanos e pequenos mineradores e faiscadores contra
apesar de manterem, no início, a escravidão para conseguirem o apoio dos grandes
a criação das Casas de Fundição.
proprietários.
(E) na primeira rebelião ligada aos princípios do liberalismo, pois defendia reformas nas
IV. A Conjuração Baiana foi mais que uma manifestação pelo fim da dominação colonial. Ela
práticas coloniais e exigia que qualquer aumento nos tributos tivesse a garantia de
mostrou possuir um caráter democrático, igualitário e popular, que se chocava com o
representação política para os colonos.
simples projeto de independência proposto pelos grandes senhores rurais, desejosos de
manter a estrutura escravista tradicional.

118 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
06. (Ufrs) A seguir, na coluna I, são citadas seis revoltas ocorridas durante o período colonial (D) Farroupilha, revolta que defendia a proclamação da República Rio-Grandense (República
brasileiro. Na coluna II, são apresentadas as motivações de quatro daquelas revoltas. dos Farrapos) como forma de obter liberdades políticas, fim dos tributos coloniais e
proibição da importação do charque argentino.
1. Inconfidência Mineira 1. ( ) Insatisfação da comunidade mercantil (E) Cabanagem, movimento de elite dirigido por padres, militares e proprietários rurais, que
recifense com o domínio político dos propunham a proclamação da república como forma de combater o controle econômico
2. Revolta de Beckman senhores de engenho olindenses. exercido pelos comerciantes portugueses.
2. ( ) Proibição da circulação de ouro em pó na
3. Guerra dos Emboabas região mineira e criação das Casas de
08. (Ufpel) "No decorrer do período colonial no Brasil os interesses entre metropolitanos e colonos
Fundição.
foram se ampliando.
4. Guerra dos Mascates 3. ( ) Criação da Companhia Geral do Comércio
do Maranhão e oposição dos jesuítas à
O descontentamento se agravou quando, a 1¡. de abril de 1680, a Coroa estabeleceu a liberdade
5. Revolta de Filipe dos Santos utilização da mão-de-obra indígena pelos
incondicional dos indígenas, proibindo taxativamente que fossem escravizados. Além disso confiou-
colonos.
os aos jesuítas, que passaram a ter a jurisdição espiritual e temporal das aldeias indígenas.
6. Inconfidência Baiana 4. ( ) Insatisfação dos colonos com a tentativa
Visando solucionar o problema da mão-de-obra para as atividades agrícolas do Maranhão, o
de monopolização das minas auríferas
governo criou a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão (1682).
pelos paulistas.
Durante vinte anos, a Companhia teria o monopólio do comércio importador e exportador do
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: Estado do Maranhão e do Grão-Pará. Cabia-lhe fornecer dez mil escravos africanos negros, à razão
de quinhentos por ano, durante o período da concessão outorgada."
(A) 4 - 5 - 2 - 3.
(B) 1 - 2 - 3 - 6. (AQUINO, Rubim Santos Leão de [et al.]. "Sociedade Brasileira: uma história através dos movimentos
(C) 5 - 1 - 2 - 4. sociais". 3• ed., Rio de Janeiro: Record, 2000.)
(D) 3 - 2 - 6 - 5.
(E) 4 - 1 - 3 - 6. Pelos elementos mercantilistas, geográficos e cronológicos, o conflito inferido do texto foi a
Revolta:

07. (Fatec) No século XVIII, a colônia Brasil passou por vários conflitos internos. (A) dos Emboabas.
(B) dos Mascates.
Entre eles temos a: (C) de Amador Bueno.
(D) de Filipe dos Santos.
(A) Guerra dos Emboabas, luta entre paulistas e gaúchos pelo controle da região das Minas (E) de Beckman.
Gerais. Essa guerra impediu a entrada dos forasteiros nas terras paulistas e manteve o
controle da capitania de São Paulo sobre a mineração.
(B) Revolta Liberal, tentativa de reagir ao avanço conservador da monarquia portuguesa, que 09. Leia atentamente as seguintes afirmações sobre a chamada "Inconfidência Mineira":
usava de seus símbolos monárquicos e das baionetas do Exército da Guarda Nacional,
como forma de cooptar e intimidar os colonos portugueses. I. A Inconfidência Mineira foi um movimento de contestação à Coroa Portuguesa, em função
(C) Revolta de Filipe dos Santos, levante ocorrido em Vila Rica e liderado pelo tropeiro Filipe do aumento de impostos sobre o açúcar, principal produto de Minas Gerais no século XVIII.
dos Santos. O motivo foi a cobrança do quinto, a quinta parte do ouro fundido pelas II. Predominava entre os inconfidentes a ideia de se criar uma república.
Casas de Fundição controladas pelo poder imperial. III. Dos inconfidentes, apenas Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi morto; a maioria
foi condenada à prisão e ao degredo.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 119
Assinale a alternativa CORRETA: (A) os mineiros eram mais radicais do que os baianos com relação à escravidão, pois
defendiam não só liberdade dos negros mas sua participação no governo.
(A) Apenas as proposições I e III são verdadeiras. (B) enquanto em Minas os revoltosos evitavam tocar em questões delicadas como a
(B) Apenas as proposições II e III são verdadeiras. escravidão, na Bahia a influência da Revolução Francesa era mais marcante.
(C) Todas as proposições são verdadeiras. (C) a revolta na Bahia foi liderada e apoiada por setores instruídos da população, o que ditou
(D) Apenas a proposição I é verdadeira. seu tom mais moderado, mas em Minas a população pobre foi às ruas e expulsou as
(E) Nenhuma proposição é verdadeira. lideranças conciliadoras.
(D) a influência da Independência dos EUA foi mais intensa na revolta baiana, enquanto que,
em Minas, a presença dos ideais franceses foi mais forte.
10. (Fgv) O movimento político organizado na Bahia em 1789 incluía em seu bojo e na sua
liderança mulatos e negros livres ou libertos, ligados às profissões urbanas, como artesãos ou
soldados, bem como alguns escravos. 12. (Uel) A Inconfidência Mineira foi uma conspiração que ocorreu em Vila Rica, hoje Ouro Preto,
com caráter separatista. Sobre esse movimento é correto afirmar que:
"Os conspiradores defendiam a proclamação da República, o fim da
escravidão, o livre comércio especialmente com a França, o aumento do (A) "foi um mero sintoma da generalização do pensamento socialista que vai explodir na
salário dos militares, a punição de padres contrários à liberdade. O geração seguinte. Apesar de sua existência efêmera representou um marco de resistência
movimento não chegou a se concretizar, a não ser pelo lançamento de colonial contra a opressão metropolitana..."
alguns panfletos e várias articulações. Após uma tentativa de se obter o (B) "inspirada nos ideais revolucionários franceses, visava à igualdade social, liberdade de
apoio do governador da Bahia, começaram as prisões e delações. Quatro comércio, trabalho livre e fim das distinções de raça e de cor."
dos principais acusados foram enforcados e esquartejados. Outros (C) "o movimento reflete o clima de tensão social e política vivida na região. Foi nesta região
receberam penas de prisão ou banimento." que se desenvolveu a maioria das sociedades secretas que divulgaram os ideais
revolucionários de liberdade."
O texto anterior refere-se à: (D) "foi um movimento que abortou antes de se iniciar, mas que mostrou um sintoma de
desagregação do Império português na América. Embora não tenha recebido influência
(A) Conjuração dos Alfaiates. direta da Revolução Francesa os ideais iluministas e liberais estavam presentes no
(B) Balaiada. movimento."
(C) Revolução Praieira. (E) "defendendo o federalismo, os insurretos pretendiam proclamar a independência e
(D) Sabinada. organizar o governo com base nos princípios de soberania popular e participação das
(E) Inconfidência Mineira. camadas mais pobres nas decisões políticas”.

11. (Uece) "Cada hum soldado he cidadão mormente os homens pardos e pretos que vivem 13. (Mackenzie) "A coalizão de magnatas comprometidos com a revolução mineira não era
escornados, e abandonados, todos serão iguaes, não haverá diferença, só haverá liberdade, monolítica, tendo na multiplicidade de motivações e de elementos envolvidos uma debilidade
igualdade e fraternidade." potencial. Os magnatas esperavam alcançar seus objetivos sob cobertura de um levante
popular".
(Manifesto dirigido ao "Poderoso e Magnífico Povo Bahiense Republicano", em 1798. Cit. por NEVES, Joana e NADAI,
Elza. HISTÓRIA DO BRASIL. DA COLÔNIA À REPÚBLICA. 13• ed. São Paulo: Saraiva, 1990. p. 119.) (Kenneth Maxwell - "A devassa da devassa").

Assinale a opção que melhor expressa as diferenças entre a Conjuração Baiana e a Inconfidência Assinale a interpretação correta sobre o texto referente à Inconfidência Mineira.
Mineira:
(A) A Inconfidência Mineira era um movimento de elite, com propostas sociais indefinidas e
que pretendia usar a derrama como pretexto para o levante popular.

120 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
(B) O movimento mineiro tinha sólido apoio popular e eclodiria com a adesão dos dragões: a (B) se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas.
polícia local. (C) se apenas as afirmativas III e IV estiverem corretas.
(C) Os envolvidos não tinham motivos pessoais para aderir à revolta, articulada em todo o (D) se apenas as afirmativas I , II e III estiverem corretas.
país através de seus líderes. (E) se todas as afirmativas estiverem corretas.
(D) A conspiração entrou na fase da luta armada, sendo derrotada por tropas metropolitanas.
(E) A segurança perfeita e o sigilo do movimento impediram que delatores denunciassem a
16. (Ufrs) Associe as afirmações apresentadas na coluna superior com as contestações
revolta ao governo.
setecentistas referidas na coluna inferior.

14. (Mackenzie) O fato de ser alferes influiu para transformar-me em conspirador, levado a tanto 1. Revolta de Vila Rica (1720) 1. ( ) Foi um movimento inspirado nas ideias
que fui pelas injustiças que sofri, preterido sempre nas promoções a que tinha direito. Uni revolucionárias francesas, com expressiva
minhas amarguras às do povo, que eram maiores, e foi assim que a ideia de libertação tomou 2. Conjuração Mineira (1789) participação popular, principalmente de
conta de mim. soldados e alfaiates.
3. Conjuração Carioca (1794) 2. ( ) O principal motivo de sua eclosão foi o
(Tiradentes) anúncio da criação das Casas de Fundição na
4. Conjuração Baiana (1798) região mineradora, visando coibir o
As razões da insatisfação do alferes e do povo mineiro em 1789 eram: contrabando do ouro.
3. ( ) Foi um movimento independentista de reação
(A) a opressão tributária sobre a capitania cujo ouro se esgotara, o empobrecimento e aos excessos do colonialismo português,
ameaça da derrama e a divulgação das ideias iluministas pela elite letrada. tendo como principais articuladores os
(B) a concentração de terras e do comércio em mãos de comerciantes lusos, provocando padres, os militares e os intelectuais.
intensa xenofobia na região do ouro.
(C) a criação de indústrias nesta área pelo governo de D. Maria I, fato que enriqueceu a A sequência correta de preenchimento dos parênteses de cima para baixo é:
população local, gerando a ideia da independência.
(D) o predomínio do trabalho escravo na zona mineradora e a ausência total de mecanismos (A) 1 - 2 - 4.
de alforria e trabalho livre, agravando a crise social. (B) 1 - 3 - 4.
(E) o declínio da produção de açúcar para exportação, despertando o choque de interesses (C) 4 - 2 - 3.
entre colônia e metrópole, e a ideia de libertação. (D) 4 - 1 - 2.

15. (Puc-rio) A Conjuração Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) possuem em comum o 17. (Fgv) Leia as afirmações sobre a Sedição Baiana de 1798 e assinale a alternativa CORRETA.
fato de terem sido movimentos que:
I. Conhecida como Conjuração Baiana ou dos Alfaiates, a Sedição de 1798, foi um movimento
I. evidenciaram a crise do Antigo Sistema Colonial. social de caráter republicano e abolicionista.
II. visavam à emancipação política do Brasil. II. Diferentemente da Conjuração Mineira, o movimento de 1798 teve apoio dos setores mais
III. apresentavam forte caráter popular. explorados da sociedade colonial.
IV. expressavam insatisfações em face da política metropolitana, particularmente desde a III. Entre as reivindicações dos sediciosos estavam o fim do domínio colonial, a separação
queda do Marquês de Pombal. Igreja-Estado e a igualdade de direitos, sem distinção de cor ou de riqueza.
IV. Dos muitos processados, quatro foram enforcados. Entre eles, Manuel Faustino dos Santos,
Assinale: de apenas 23 anos.
V. O movimento caracterizou-se pela distribuição de panfletos manuscritos na cidade de
(A) se apenas a afirmativa II estiver correta. Salvador.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 121
19. Leia atentamente as seguintes afirmações sobre a chamada "Inconfidência Mineira":
(A) apenas I, II e IV estão corretas;
(B) apenas II, III e V estão corretas; I. A Inconfidência Mineira foi um movimento de contestação à Coroa Portuguesa, em função
(C) apenas III e V estão corretas; do aumento de impostos sobre o açúcar, principal produto de Minas Gerais no século XVIII.
(D) apenas I e IV estão corretas; II. Predominava entre os inconfidentes a ideia de se criar uma república.
(E) todas estão corretas. III. Dos inconfidentes, apenas Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi morto; a maioria
foi condenada à prisão e ao degredo.

18. (Udesc) Sobre os movimentos que questionaram a dominação colonial na América portuguesa,
Assinale a alternativa CORRETA:
assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) paras as afirmativas falsas.

(A) Apenas as proposições I e III são verdadeiras.


1. ( ) A Inconfidência ou Conjuração Mineira (1789) reunia intelectuais, clérigos, advogados,
(B) Apenas as proposições II e III são verdadeiras.
mineradores, proprietários, militares, etc.; dentre outros objetivos, pretendia proclamar
(C) Todas as proposições são verdadeiras.
uma república em Minas Gerais.
(D) Apenas a proposição I é verdadeira.
2. ( ) Os sentimentos de liberdade e independência dos inconfidentes de Minas Gerais foram
(E) Nenhuma proposição é verdadeira.
alimentados pelos ideais iluministas e influenciados pela Independência dos EUA (1776).
Mas nem chegaram a decretar a revolução, pois foram delatados por um dos seus
companheiros. 20. (Cesgranrio) No período colonial surgiram várias rebeliões e movimentos de libertação que
3. ( ) O movimento baiano (1798), também influenciado pelas ideias de liberdade, igualdade questionaram a dominação portuguesa sobre o Brasil. A respeito dessas rebeliões, podemos
e fraternidade da Revolução Francesa (1789), teve um caráter popular e contou com a afirmar que:
participação de pequenos comerciantes, soldados, artesãos, alfaiates, negros libertos,
mulatos e escravos. I. Todos os Movimentos de contestação visavam à separação definitiva do Brasil de Portugal.
4. ( ) Os movimentos mineiro e baiano foram duramente reprimidos pelas autoridades II. Até a 1 metade do século XVIII, os movimentos contestatórios exigiam mudanças, mas não
portuguesas. Alguns conspiradores, sobretudo os mais poderosos, conseguiram se livrar o rompimento do estatuto colonial.
das acusações ou receberam penas mais leves. III. Desde o final do século XVIII, os movimentos de libertação sofreram a influência do
5. ( ) No movimento mineiro, o único condenado à morte foi Tiradentes; e no movimento Iluminismo e defendiam o fim do pacto colonial.
baiano, apenas os negros e os mulatos foram punidos com rigor, com quatro IV. A luta pela abolição da escravatura era uma das propostas presentes em basicamente todas
integrantes condenados à morte, executados e esquartejados, a exemplo de Tiradentes. as rebeliões.
V. Uma das razões de vários movimentos contestatórios era o abuso tributário da Coroa
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA, de cima para baixo. Portuguesa em relação aos colonos.

(A) V-F-V-V-F Estão corretas as afirmativas:


(B) V-V-F-V-V
(C) F-F-V-V-F (A) somente I, II e III.
(D) F-V-F-V-V (B) somente I, III e V.
(E) V-V-V-V–V (C) somente II, III e IV.
(D) somente II, III e V.
(E) somente III, IV e V

122 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
EXERCÍCIOS DE PROVA II. A Sociedade Literária – A Ilustração, agremiação dos intelectuais, foi centro divulgador das
ideias do movimento baiano.
III. A Revolta dos Alfaiates foi de natureza distinta, pois pretendia-se abolir a escravidão e
01. (EsFCEx - 2001) Os movimentos nativistas mais embasados filosoficamente pelas ideias revelava um forte anticlericalismo.
iluministas foram: IV. O movimento mineiro circunscreveu sua atuação a Minas Gerais na sua fase inicial e teve
por base em suas reivindicações o fim das amarras econômicas da Metrópole.
Escolher uma resposta.
Escolher uma resposta.
(A) Revolta Beckman e Guerra dos Mascates
(B) Guerra dos Emboabas e Revolta de Felipe dos Santos (A) somente a I está correta.
(C) Revolta Beckman e Inconfidência Mineira (B) somente a II e a IV estão corretas.
(D) Revolta de Felipe dos Santos e Revolução dos Alfaiates (C) somente a III e a IV estão corretas.
(E) Inconfidência Mineira e Revolução dos Alfaiates (D) somente a I, II e a III estão corretas.
(E) todas estão corretas.
02. (EsFCEx - 2005) Analise as afirmativas abaixo sobre a Inconfidência Mineira e, a seguir, marque
a alternativa correta: 04. (EsFCEx - 2008) Relacione a coluna da direita com a da esquerda, identificando características
e situações que se referem à Inconfidência Mineira de 1789 e à Conjuração dos Alfaites de
I. Uma das suas causas foi a ameaça do fisco com pesados impostos num ciclo econômico já 1798 e, a seguir, assinale a alternativa que contemple a sequência correta.
em declínio.
II. Minas Gerais possuía uma das mais famosas elites intelectuais da colônia, o que contribuiu 1. Inconfidência Mineira 1. ( ) Seus integrantes eram, em sua maioria, da elite
para o movimento. colonial.
III. Houve influências das ideias iluministas que existiam na Europa. 2. Conjuração dos Alfaiates 2. ( ) Seus integrantes eram majoritariamente de origem
IV. Constitui-se no único movimento político e social do mundo no último quartel do século popular, prevalecendo homens mulatos e negros.
XVIII (1776/1800). 3. ( ) Os conspiradores defendiam a proclamação da
república, o livre comércio, o fim da escravidão e
Escolher uma resposta. punição a padres contrários a liberdade.
4. ( ) As dívidas com a Coroa Portuguesa foram um dos
(A) somente a I está correta. fatores que levou seus integrantres a conspirar contra
(B) somente a II e a IV estão corretas. o domínio metropolitano
(C) somente a III e a IV estão corretas.
(D) somente a I, II e a III estão corretas. (A) 1- 2 - 2 - 1
(E) todas estão corretas. (B) 2-1-2-2
(C) 2-2-1-1
03. (EsFCEx - 2005) A independência do Brasil em 1822 foi precedida de movimentos antilusitanos, (D) 2-1-1-2
dentre eles destacamos, a Inconfidência Mineira em Minas Gerais, e a Revolta dos Alfaiates na (E) 1-2-1–2
Bahia, na segunda metade do século XVIII. Analise as afirmativas abaixo sobre esses
movimentos e, a seguir, marque a alternativa verdadeira: 05. (EsFCEx - 2009) Um clima de tensão e revolta tomou conta das camadas mais altas da
sociedade quando o governador da capitania, o Visconde de Barbacena, anunciou que haveria
I. O problema da escravidão foi amplamente debatido pelo movimento mineiro, constando da uma nova derrama. Ou seja, haveria uma nova cobrança forçada de impostos atrasados. Os
sua proposta de reivindicações a alforria dos negros.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. 123
fatos do enunciado acima se aplicam ao movimento que atingiu o Brasil durante o século XVIII
e que se denominou:

(A) Revolta de Vila Rica.


(B) Guerra dos Emboabas.
(C) Guerra da Cisplatina.
(D) Inconfidência Mineira.
(E) Conjuração Baiana.

06. (EsFCEx - 2010) No quadro dos movimentos coloniais separatistas destacou-se na Bahia, em
1798, a Conjuração Baiana. Analise as afirmativas abaixo sobre este movimento e, a seguir,
assinale a alternativa correta.

I. Um dos elementos de inspiração do movimento era o ideário revolucionário da Republica


jacobina estabelecida na França entre 1793 e 1794.
II. Os Cavaleiros da Luz, denominação dos integrantes da sociedade maçônica baiana,
impulsionaram o movimento de resistência fazendo circular panfletos que atacavam
ferozmente a administração local.
III. O contexto da transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro agravou a situação
das camadas mais pobres, sobretudo, pelo aumento nos preços dos produtos e pela
diminuição da oferta de empregos na Capitania da Bahia.
IV. A Conjuração Baiana, assim como a Inconfidência Mineira, se pautou, basicamente, na
discussão das questões políticas liberais e, apesar de obtido o apoio das camadas populares
foi liderada por intelectuais e grandes comerciantes.

Escolher uma resposta.

(A) Somente I e III estão corretas.


(B) Somente I, II e III estão corretas.
(C) Somente I, II e IV estão corretas.
(D) Somente II e III estão corretas.
(E) Todas estão corretas.

124 Tópico 1.7 – Os conflitos coloniais e os movimentos rebeldes dos finais do século XVIII e início do XIX. | Curso Preparatório Cidade
Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos A TRANSFERÊNCIA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL E SEUS EFEITOS

O contexto da vinda da família real (1808)


Comentário
Depois de governar cinco anos como cônsul, Napoleão Bonaparte foi coroado imperador da França
Caro estudante, em 1804. Conquistando grande parte da Europa continental, não conseguiu, contudo, submeter a
Inglaterra. Em 1806, o imperador francês Napoleão Bonaparte assinou em Berlim o decreto do
Continuemos nossos estudos. Bloqueio Continental, que proibia, a todos os países do continente europeu, fazer comércio com a
Grã-Bretanha (comumente chamada de Inglaterra, embora esta última não corresponda à
Veremos nesse tópico como ocorreu a transferência da Família Real portuguesa para o totalidade do território britânico). O fato de Napoleão ter determinado essa medida em plena
Brasil em 1808 bem como as principais consequências deste fato para a colônia. capital da Prússia – e não em Paris – nos dá conta da hegemonia que ele alcançara sobre as
demais monarquias da Europa.
O primeiro quartel do século XIX na América latina foi marcado pelas independências e
formação dos estados nacionais no continente. Incapaz de derrotar a inimiga Inglaterra no mar, devido à inferioridade naval francesa, o imperador
pretendia debilitá-la economicamente, forçando o governo de Londres a um entendimento com a
Em meio à república o Brasil constitui-se caso singular. A presença da família real França.
portuguesa possibilitou que o processo de formação do estado nacional brasileiro fosse
feito sob o manto de um regime monárquico. Na ocasião, a Inglaterra era o único país do mundo que já se encontrava em plena Revolução
Industrial. Como na França esse processo ainda era incipiente, seria impossível preencher o vácuo
D. Pedro I veio para o Brasil na ocasião da transferência da Família Real. Era o início do criado pela falta de produtos britânicos. Estes, portanto, continuaram a entrar na Europa
chamado processo de “inversão brasileira”. O Rio de Janeiro se tornou capital do Continental, por meio de contrabando. Na verdade, o Bloqueio Continental prejudicou mais os
império português e o Brasil experimentou as consequências de tal mudança. países que o praticaram do que aquele contra o qual ele fora planejado. A Holanda recusou-se a
acatar as determinações de Napoleão, que mandou invadi-la e impôs seu irmão, Luís Bonaparte,
Sobre a transferência da família real portuguesa para o Brasil é bom estudar melhor:
como rei dos holandeses.
*as causas;
O Bloqueio Continental deixou Portugal em uma situação delicada. Desde 1641, ou seja, logo após
o final da União Ibérica (1580-1640), o país caíra sob a dominação da Inglaterra. Essa relação se
*as transformações observadas no Rio de Janeiro e no Brasil;
consolidará ao longo dos anos, notadamente após a assinatura do Tratado de Methuen (ou dos
*os tratados comerciais especialmente o tratado de Abertura dos Portos e as Panos e Vinhos, 1703), e foram inúteis os esforços do ministro Marquês de Pombal (1750-77) para
consequências destas medidas para o Brasil; alterá-la.

*a elevação do Brasil à condição de Reino Unido à Portugal e Algarves em Em 1792, a rainha D. Maria I, atingida por irremediável doença mental, fora afastada da chefia do
1815; Estado. Em seu lugar, assumiu o governo, na qualidade de regente, o príncipe-herdeiro D. João
(futuro D. João VI).
*a Revolução Pernambucana de 1817;
Se por um lado Portugal não podia afrontar Napoleão, dada sua vulnerabilidade a um ataque
*a Revolução Liberal do Porto (1821) e o papel das Cortes na tentativa de francês (na ocasião, a França era aliada da Espanha, por cujo território as tropas francesas
recolonizar o Brasil. necessariamente teriam de passar), por outro também não podia simplesmente romper com a
Inglaterra. Aliás, a indiscutível supremacia marítima britânica inviabilizaria as comunicações entre
Sobre o período joanino leia o texto a seguir! Bons estudos!

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos 125
Portugal e Brasil – principal colônia lusitana, de cuja exploração dependia a própria sobrevivência Majestade o Imperador dos Franceses ...” – e o selo do império francês.
econômica de Portugal. Abolidas as milícias e dispersas as forças armadas portuguesas,criou uma
polícia política. Sob comando do general Louis Loison (1771-1816), a
Em agosto de 1807, o governo francês enviou um ultimato a Portugal: ou aderia ao Bloqueio instituição ficou conhecida pela violenta repressão desencadeada contra
Continental, ou teria seu território invadido. Diante da negativa de D. João, os embaixadores da opositores.
França e Espanha retiraram-se de Lisboa em 1º de outubro, como prenúncio da invasão.
(Ana Canas D. Martins.Anos de guerra e incertezas.Revista de História da Biblioteca
Nessa situação crítica para o governo português, a Grã-Bretanha interveio por meio de seu Nacional.Rio de Janeiro, número 55,p.23, abril.2010.)
embaixador em Portugal, lorde Strangford: o governo britânico oferecia proteção naval para que
não só a Família Real, mas toda a Corte Portuguesa (isto é, os nobres que conviviam com a Família
Real e seus servidores) e os funcionários do governo se transferissem para o Brasil. Em As transformações ocorridas no Brasil a partir da presença da corte no Rio de Janeiro
contrapartida, Portugal se comprometia – mediante um acordo firmado secretamente – a ceder
temporariamente a estratégica Ilha da Madeira aos britânicos e a permitir o comércio direto entre a A transferência do Estado Português para o Brasil foi fundamental para que nosso país pudesse
Grã-Bretanha e o Brasil. encaminhar seu processo de emancipação política. O primeiro passo nesse sentido foi dado poucos
dias após o desembarque de D. João na Bahia (de onde depois se transferiria para o Rio de
Em 27 de outubro de 1807, França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, que
Janeiro). Trata-se do decreto (na época denominado carta-régia) de abertura dos portos brasileiros
destronava a Dinastia de Bragança, reinante em Portugal desde a Restauração de 1640. O território
“a todas as nações amigas” – que na ocasião se resumiam à Inglaterra, já que até os Estados
português seria dividido em três partes, a maior das quais caberia pessoalmente a Napoleão.
Unidos mantinham relações preferenciais com a França Napoleônica.
Em 19 de novembro, o general francês Junot penetrou com suas tropas em Portugal, avançando
É verdade que pouco depois, pelos Tratados de 1810, o governo português concedeu ao comércio
rapidamente para o sul, em direção a Lisboa. Três dias antes, uma frota britânica ancorava no Rio
e aos cidadãos britânicos condição privilegiada para atuar no Brasil. Mas outra não poderia ser a
Tejo, colocando-se à disposição do príncipe D. João para trasladá-lo ao Brasil.
atitude lusitana, tendo em vista a fragilidade da posição de Portugal em face de seu poderoso
aliado.
O que se seguiu foi um grotesco quadro de atropelo, confusão e desespero, agravado pelas
notícias da célere aproximação dos franceses. Ao todo, mais de 10 000 pessoas apinharam-se a
Segundo Emília Viotti da Costa:
bordo de 16 navios de guerra e 20 de transporte – todos portugueses. A frota britânica do
almirante Sidney Smith dava-lhes cobertura. Seguiram-se medidas revogando os entraves à produção e ao comercio da
colônia cuja permanência era incompatível com sua nova situação de seda
Foram embarcados os arquivos dos ministérios, móveis e pratarias, bem como uma enorme soma
da monárquica. O alvará de 1 de abril de 1808 permitiu o livre
de dinheiro, equivalente à metade das moedas que circulavam em Portugal. Parte da guarnição
estabelecimento de fabricas e manufaturas, levando as restrições
militar de Lisboa também foi para bordo com seu armamento. Em suma: o estado metropolitano
anteriormente estabelecidas. A 30 de junho de 1810 revogou as
português transferiu-se para a sua principal colônia. Essa completa subversão das regras do pacto
disposições de 1749 e 1751 e autorizou todos os vassalos a vender, pelas
colonial traria enormes benefícios para o Brasil.
ruas e casas, qualquer mercadoria que tivesse pago os competentes
direitos. O alvará de 28 de setembro de 1811, prosseguindo na
No dia 29 de novembro de 1807, a frota anglo-portuguesa levantou âncoras. Menos de 24 horas
liberalização da economia, revogou o de 6 de dezembro de 1755 e
depois, à frente de seus soldados esfalfados, Junot entrava em Lisboa.
declarou livre a todos comerciar quaisquer gêneros não vedados. A 11 de
No início de fevereiro de 1808, Junot decretou, em nome de Napoleão, a janeiro, revogando-se medidas anteriores, autoriza-se o Conselho das
extinção da Casa de Bragança – suprema ironia, dado qe ela estava a Fazendas a conceder licenças para o corte de pau-brasil (...) O decreto de
salvo no Brasil – e nomeou um Conselho de Governo. Determinou que as 18 de julho de 1814, permitiu a entrada de navios de qualquer nação nos
armas portuguesas fossem retiradas ou cobertas e que se usassem na portos dos Estados Portugueses e a saída dos nacionais para portos
documentação oficial as referencias napoleônicas – “Em nome de Sua estrangeiros.

126 Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos | Curso Preparatório Cidade
(DA COSTA,Emília Viotti. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil.in.: Figura 35: Paço de São Cristóvão em 1816.
MOTTA,Carlos Guilherme (org).Brasil em Perspectiva. São Paulo:Difel,1969,p.74)

Dada abertura às nações amigas, o que se observa é um aumento da influencia inglesa sobre o
domínio luso na América do Sul. Com a ocupação dos demais países europeus pela França
napoleônica, aproveitava-se, o Império britânico, da ausência da concorrência estrangeiro sobre o
comércio do Brasil. Como ressalta Pedro Octávio Carneiro da Cunha

(...) O convênio mercantil, dando aos ingleses uma tarifa preferencial,


afastou outros concorrentes e, sobretudo abafou a esperança da indústria
e de certas culturas incipientes. A Inglaterra ambicionava o mercado
brasileiro, mas a abertura dos portos já lhe dera um virtual monopólio,
pela forçada exclusão da Europa napoleônica. Mesmo quando viesse a paz
geral, a superioridade da manufatura inglesa, apoiada em marinha
igualmente superior, dispensaria proteção de alfândega para prosperar.
Queria, no entanto sempre mais, o que é o próprio do negociante - que em
geral, só não é imperialista quando não pode.

(CUNHA,Pedro Octávio Carneiro da. A Fundação de um Império liberal.in.:BARRETO,Célia de Barros [et


al.]. O Brasil monárquico, tomo II:o processo de emancipação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001,
p.145. (História Geral da Civilização Brasileira,v.1,t.2)
J.B. Debret - Biblioteca Nacional RJ

D. João também
Durante o tempo em que permaneceu no Brasil, D. João, assessorado por ministros capazes,
tomou numerosas iniciativas importantes, que deram ao Brasil um certo arcabouço administrativo e (...)Instalou os Ministérios do Reino, da Marinha e Ultramar e da Guerra;
cultural. No plano econômico, foi revogado o alvará de D. Maria I que proibia a instalação de estabeleceu o Erário Régio (Ministério da Fazenda, em 1821); instalou o
indústrias no Brasil; ainda no econômico, criaram-se a Casa da Moeda e o Banco do Brasil; no Conselho de Estado, as Mesas de Desembargo do Paço e da Consciência e
militar, fundaram-se as Academias Militar e Naval e foi implantada uma fábrica de munições; no Ordem, o Conselho da Fazenda e o Supremo Conselho Militar.
cultural, surgiram a Imprensa Régia, a Biblioteca Real, o Real Teatro de S. João, o Jardim Botânico
e as Escolas de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, além de se contratar a vinda -após a queda (TEIXEIRA,Francisco M.P;TOTINI,Maria Elizabeth.História econômica e administrativa do
de Napoleão - de uma importante Missão Artística Francesa. Brasil. São Paulo: Ática, 1996,p.62-63.)

O coroamento de todas essas realizações deu-se em 1815, quando foi instituído o Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves (este último território corresponde ao extremo sul de Portugal). Com
isso, o Brasil deixava de ser uma colônia, equiparava-se a Portugal e – mais que isso – tornava-se
a sede legalizada do Reino Lusitano.

De um modo geral, a aristocracia rural brasileira aceitou de bom grado a administração joanina. Tal
avaliação, porém, não se aplica a Pernambuco, onde o antilusitanismo sempre foi muito forte e
havia uma intensa atuação da Maçonaria (uma organização secreta, ideologicamente liberal, e,
portanto, oposta ao absolutismo de D. João). Acrescentem-se a esse quadro o aumento de

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos 127
impostos (para sustentar a Corte Portuguesa no Brasil) e a crise nas exportações do açúcar (devido Assinale a opção que contém as afirmativas corretas:
ao consumo do açúcar de beterraba na Europa), e teremos os elementos detonadores da
Revolução Pernambucana de 1817. Esta foi duramente reprimida, mas alguns de seus líderes não (A) I e II
chegaram a ser executados, graças a um ato de clemência de D. João. (B) IeV
(C) II e IV
(D) III e IV
(E) IV e V
EXERCÍCIOS

03. (Fuvest) "... quando o príncipe regente português, D. João, chegou de malas e bagagens para
01. (Mackenzie) "O certo é que, se os marcos cronológicos com que os historiadores assinalam a residir no Brasil, houve um grande alvoroço na cidade do Rio de Janeiro. Afinal era a própria
evolução social e política dos povos, não se estribassem unicamente nos caracteres externos e encarnação do rei [...] que aqui desembarcava. D. João não precisou, porém, caminhar muito
formais dos fatos, mas refletissem a sua significação íntima, a independência brasileira seria para alojar-se. Logo em frente ao cais estava localizado o Palácio dos Vice-Reis".
antedatada de 14 anos..."
(Lilia Schwarcz. "As Barbas do Imperador".)
(Caio Prado Júnior - "Evolução Política do Brasil")
O significado da chegada de D. João ao Rio de Janeiro pode ser resumido como:
O fato histórico mencionado no texto e que praticamente anulou nossa situação colonial foi:
(A) decorrência da loucura da rainha Dona Maria I, que não conseguia se impor no contexto
(A) Criação do Ensino Superior. político europeu.
(B) Alvará de Liberdade Industrial. (B) fruto das derrotas militares sofridas pelos portugueses ante os exércitos britânicos e de
(C) Tratados de 1810 com a Inglaterra. Napoleão Bonaparte.
(D) Abertura dos Portos. (C) inversão da relação entre metrópole e colônia, já que a sede política do império passava
(E) Elevação do Brasil a Reino Unido. do centro para a periferia.
(D) alteração da relação política entre monarcas e vice-reis, pois estes passaram a controlar o
mando a partir das colônias.
02. (Ufes) No início do século XIX, a transformação do Brasil em sede da monarquia portuguesa
(E) imposição do comércio britânico, que precisava do deslocamento do eixo político para
levou D. João VI a adotar medidas que mudaram o contexto socioeconômico da antiga colônia.
conseguir isenções alfandegárias.

Dentre essas medidas, podemos destacar:


04. (Mackenzie) A Abertura de Portos foi um ato historicamente previsível, mas ao mesmo tempo
I. a organização da maçonaria, constituída por grandes latifundiários e comerciantes do Rio impulsionado pelas circunstâncias do momento. Portugal estava ocupado por tropas francesas e
de Janeiro; o comércio não podia ser feito através dele. Para a Coroa, era preferível legalizar o extenso
II. a criação do Banco do Brasil, da Casa da Moeda e do Jardim Botânico; contrabando existente entre Colônia e a Inglaterra e receber os tributos devidos.
III. a convocação de uma Assembleia Constituinte, que estabeleceu a liberdade de comércio
Boris Fausto
para os comerciantes nacionais;
IV. a criação da Faculdade de Medicina na Bahia, da Imprensa Régia, da Escola Nacional de A Abertura de Portos produziu inúmeras transformações EXCETO:
Belas-Artes e da Biblioteca Pública do Rio de Janeiro;
V. a assinatura de tratados de comércio e navegação com a Inglaterra, os quais favoreciam a (A) a escalada inglesa pelo controle do mercado colonial brasileiro, consolidada nos Tratados
comercialização de produtos portugueses pelas baixas tarifas alfandegárias. de 1810.
(B) a necessidade do governo Joanino de conciliar os interesses dos grandes proprietários
brasileiros e comerciantes reinóis.

128 Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos | Curso Preparatório Cidade
(C) que a medida foi acompanhada da revogação dos decretos de proibição da produção de 07. (G1) Neste texto, Ruy Castro se transporta no tempo e se vê como um jornalista a noticiar a
manufaturas na Colônia. chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, ocorrida há 200 anos.
(D) que a presença inglesa não anulou nossos esforços de industrialização, em virtude das
tarifas protecionistas e do pequeno volume de importações inglesas. É hoje!
(E) a questão da escravidão, que interessava à Inglaterra nesse momento, foi incluída nos
tratados e acordos entre Portugal e Inglaterra. Rio de Janeiro. O príncipe regente dom João desembarca hoje no Rio com sua família e um enorme
séquito de nobres, funcionários, aderentes e criados. Precisou que Napoleão botasse suas tropas
nos calcanhares da Corte para que esta fizesse o que há cem anos lhe vinha sendo sugerido:
05. (Pucrs) A chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, representou o início do transferir-se para o Brasil.
desenvolvimento estrutural do Brasil, e também a introdução de princípios do liberalismo
econômico na Colônia, com a "Abertura dos portos às nações amigas". Essa abertura Não se sabe o que, a médio prazo, isso representará para a metrópole. Mas, para a desde já ex-
ocasionou: colônia, será supimpa. Porque, a partir de agora, ela será a metrópole. E, para estar à altura de
suas novas funções, terá de passar por uma reforma em regra - não apenas cosmética, para
(A) a diminuição dos laços coloniais, baseados no monopólio comercial mercantilista. receber o corpo diplomático, o comércio internacional e os grã-finos de toda parte. Mas,
(B) a diminuição das liberdades coloniais, fundadas na estrutura liberal. principalmente, estrutural. Afinal, é um completo arcabouço administrativo que se está mudando.
(C) o aumento da opressão colonial portuguesa, privilegiando-se a Inglaterra no comércio
com o Brasil. Para cá virão os ministérios, as secretarias, as intendências, as representações e a burocracia em
(D) o aumento de restrições ao comércio com a Inglaterra. geral. Papéis sem conta serão despachados entre esses serviços, o que exigirá uma superfrota de
(E) o aumento da distribuição de privilégios aos franceses, quanto ao comércio com o Brasil. estafetas [mensageiros]. A produção de lacre para documentos terá de decuplicar. O Brasil
importará papel, tinta e mata-borrões em quantidade, mas as penas talvez possam ser fabricadas
aqui, colhidas dos traseiros das aves locais.
06. “A história do Período Joanino no Brasil é inseparável do anedotário que traça o perfil de sua
mais importante personagem feminina: a Princesa Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança”.
Estima-se que, do Reino, chegarão 15 mil pessoas nos próximos meses. Será um tremendo
(Fonte: AZEVEDO, Francisca L. Nogueira. "Carlota Joaquina na Corte do Brasil". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
impacto numa cidade de 60 mil habitantes. Provocará mudanças na moradia, na alimentação,
2003, p.17). nos transportes, no vestuário, nas finanças, na medicina, no ensino, na língua. Com a criação da
Imprensa Régia, virão os jornais. O regente mandará trazer sua biblioteca. Da escrita e da leitura,
Sobre a princesa Carlota Joaquina, são feitas as seguintes afirmações: brotarão as ideias.

I. A historiografia tanto brasileira, quanto portuguesa, foi comumente parcial tanto no tocante Até hoje, na história do mundo, nunca a sede de um império colonial se transferiu para sua própria
à vida pública quanto à vida privada da Princesa. colônia. É um feito inédito - digno de Portugal. E que pode não se repetir nunca mais.
II. O tratamento dado à figura da Princesa fixou no imaginário social a imagem de uma mulher
(Ruy Castro. "Folha de S. Paulo", 08/03/2008)
vulgar, ambiciosa e transgressora de todas as normas morais e éticas do seu tempo.
III. Enquanto no Brasil a imagem da princesa foi construída de modo negativo, em Portugal sua
O texto de Ruy Castro apresenta algumas mudanças ocorridas na Colônia após a chegada da
memória foi construída de forma apologética e D. Carlota é vista até hoje como heroína.
Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro, as quais foram fundamentais para o processo da
Independência.
Assinale o correto.
Assinale a alternativa que apresenta uma medida adotada e sua importância para a emancipação
(A) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
política do Brasil.
(B) Apenas as afirmações I e III são falsas.
(C) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
(A) a transferência do corpo diplomático, do comércio internacional e dos grã-finos, pois
(D) Apenas as afirmações I e II são falsas.
garantiu a formação de uma elite nacional interessada na autonomia.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos 129
(B) um sensível crescimento da leitura e da escrita, com a criação da Imprensa Régia, os FALCÓN, F. C.; MATTOS, I. R. de. "O Processo de Independência no Rio de Janeiro". In: MOTA, C. G. (org).
1822. Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1972.
jornais, a biblioteca e o ensino, o que abriu espaço à formação e difusão de novas ideias.
(C) a vinda de ministérios, secretarias e intendências, pois sem essa burocracia seria
Entre as medidas que favoreceram essas transformações podem ser assinaladas:
impossível a formação de uma nação.
(D) a importação de papel, tinta e mata-borrões, sem os quais as aves não seriam utilizadas
(A) o início da construção do Paço Imperial, a sede do governo, a criação da Imprensa Régia
para o desenvolvimento de uma produção local.
e a instalação da iluminação a gás.
(E) as mudanças na moradia, na alimentação, nos transportes e no vestuário, pois
(B) a construção da primeira estrada de ferro do Brasil, a criação do banco do Brasil e a
favoreceram a formação de uma classe média crítica e transformadora.
fundação da Imperial Academia de Música.
(C) o estabelecimento da Intendência Geral de Polícia, a fundação do Banco do Brasil e a
08. (Mackenzie) Adotar em toda a extensão os princípios do liberalismo econômico significaria criação da Imprensa Régia.
destruir as próprias bases sobre as quais se apoiava a Coroa. Manter intacto o sistema colonial (D) a criação da Imprensa Régia, a instalação da iluminação a gás e a construção da primeira
era impossível nas novas condições. Daí as contradições de sua política econômica. estrada de ferro do Brasil.
(E) a permissão de instalação de manufaturas no Brasil, o estabelecimento da Intendência
Emília Viotti da Costa geral de Polícia e a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.

Sobre a política econômica adotada por D. João VI durante a permanência da Corte portuguesa no
Brasil, é correto afirmar que: 10. (G1) Assinale a proposição CORRETA. A transferência da Corte portuguesa para o Brasil teve
consequências no processo de autonomia política brasileira.
(A) permanecia a proibição à produção das manufaturas nacionais e o estabelecimento de
fábricas no Brasil, que representariam uma possível concorrência aos produtos ingleses. (A) Foi possível ao governo metropolitano controlar o processo de independência do Brasil,
(B) proibia a entrada e a venda de vinhos estrangeiros no Brasil, estabelecendo tarifas que acabou ocorrendo de maneira lenta e gradual, diferentemente das demais colônias
favoráveis aos vinhos portugueses, que continuaram a ser os mais consumidos. do continente sul-americano.
(C) a abertura dos portos às nações amigas, em 1808, concedia liberdade de comércio à (B) A presença da monarquia no Brasil aguçou as contradições entre a Colônia e a Metrópole,
colônia, mas não extinguia o monopólio português exercido em nossa economia. levando a uma violenta separação, que se resolveu nos campos de batalha.
(D) com a assinatura dos Tratados de 1810, consolidou-se a dominação econômica inglesa (C) Confrontada pela realidade brasileira e pelo alto grau de desenvolvimento político das
sobre o nosso país, apesar de os súditos britânicos residentes no Brasil não terem instituições coloniais, a Coroa Portuguesa cedeu a independência de forma pacífica e
garantia de liberdade religiosa. generosa.
(E) as medidas tomadas durante esse período acentuaram as divergências entre os interesses (D) Os brasileiros, sentindo mais próximas as amarras metropolitanas, rebelaram-se e
da elite nacional, as exigências britânicas e as necessidades dos comerciantes conquistaram a independência no mesmo movimento que varria as colônias ibero-
metropolitanos. americanas.
(E) A presença da Corte possibilitou um grande desenvolvimento econômico, político e
cultural na Colônia, o que, paradoxalmente, acabou por retardar o surgimento de um
09. (Ufrrj) A citação a seguir destaca a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808,
sentimento autonomista e nacionalista entre os brasileiros.
como um início de uma fase de grandes mudanças para a cidade que perdia então a sua
imagem colonial.
11. (Ufg) Leia os fragmentos a seguir.
Para o Rio de Janeiro, principalmente, era toda uma fase de sua história que agora terminava. Fase
de grandes transformações realizadas sob o impacto das necessidades de toda ordem despertadas "Não corram tanto ou pensarão que estamos fugindo!"
pela chegada e instalação da Corte portuguesa. Em pouco mais de uma década, a cidade passara
("REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL". Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, jul. 2005, p. 24.)
por um processo de modernização material e atualização cultural, perdendo muito de sua aparência
colonial para transformar-se numa metrópole.

130 Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos | Curso Preparatório Cidade
"Preferindo abandonar a Europa, D. João procedeu com exato conhecimento de si mesmo. (E) a independência da economia portuguesa em relação aos interesses capitalistas
Sabendo-se incapaz de heroísmo, escolheu a solução pacífica de encabeçar o êxodo e procurar no britânicos.
morno torpor dos trópicos a tranquilidade ou o ócio para que nasceu".

(MONTEIRO, Tobias. "História do Império: a elaboração da Independência". Belo Horizonte: Itatiaia; São 13. (Puccamp) " 'A 3 de setembro de 1825, partimos do Rio de Janeiro. Um vento fresco ajudou-
Paulo: EDUSP, 1981. p. 55. [Adaptado]. nos a vencer, em 24 horas, a travessia de 70 léguas, até Santos, e isto significou dupla
vantagem, porque a embarcação conduzia, também, 65 negros novos, infeccionados por sarna
O embarque da família real para o Brasil, em 1807, deu origem a contraditórias narrativas. A frase da cabeça aos pés'. Assim começa o mais vivo, completo e bem documentado relato da famosa
acima, atribuída à rainha D. Maria I, tornou-se popular, passando a constituir uma versão narrativa Expedição de Langsdorff, que na sua derradeira e longa etapa, entre 1825 e 1829, percorreu o
ainda vigorosa. Nos anos de 1920, os estudos sobre a Independência refizeram o percurso do vasto e ainda bravio interior do Brasil, por via terrestre e fluvial - do Tietê ao Amazonas. Seu
embarque, assegurando uma interpretação republicana sobre esse acontecimento, tal como autor é um jovem francês de 21 anos, Hercules Florence, no cargo de desenhista topográfico.
exemplificado no trecho do jornalista e historiador Tobia Monteiro. Sobre essa versão narrativa em Encantado com as maravilhas das terras brasileiras e com seu povo hospitaleiro, Hercules
torno do embarque, pode-se dizer que pretendia: Florence permaneceu aqui, ao término da expedição, escolhendo a então Vila de São Carlos,
como Campinas foi conhecida até 1842, para viver o resto de sua vida. Florence morreu em 27
(A) conquistar a simpatia da Inglaterra, ressaltando a importância do apoio inglês no de março de 1879 (...)."
translado da corte portuguesa para o Brasil.
(B) associar a figura do rei ao pragmatismo político, demonstrando que o deslocamento da (Revista: "Scientific American Brasil", n. 7, São Paulo: Ediouro, 2002. p. 60)
corte era um ato de enfrentamento a Napoleão.
(C) ridicularizar o ato do embarque, agregando à interpretação desse acontecimento os Muitos franceses, principalmente professores, cientistas, arquitetos, escultores e pintores vieram
elementos de tragédia, comicidade e ironia. ao Brasil no século XIX a partir da instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro. Pode-se
(D) culpabilizar a rainha pela decisão do embarque, afirmando-lhe o estado de demência explicar a presença desses franceses no país com o argumento de que:
lamentado por seus súditos.
(E) explicar o financiamento do ócio real por parte da colônia, comprovando que o embarque (A) a maioria deles chegou ao Brasil com o intuito de colonizar as regiões desabitadas do
fora uma estratégia articulada pelo rei. interior do país, constituindo núcleos de exploração de produtos tropicais, que seriam
comercializados na Europa.
(B) eles tinham como missão convencer o rei D. João VI a romper relações diplomáticas com
12. (Fatec) "Após o tratado, pelo regime de virtual privilégio do comércio britânico, ficou sendo o a Inglaterra, uma vez que este país tinha estabelecido o Bloqueio Continental, impedindo
seguinte o estado legal das relações mercantis no Brasil: livres, as mercadorias estrangeiras as relações comerciais entre França e Brasil.
que já tivessem pego direitos em Portugal, e bem assim os produtos da maior parte das (C) grande parte deles desembarcou no Rio de Janeiro estimulados por D. João VI, que tinha
colônias portuguesas; sujeitas à taxa de 24% 'ad valorem' as mercadorias estrangeiras como um dos seus grandes projetos trazer uma missão artística francesa, com o objetivo
diretamente transportadas em navios estrangeiros; sujeitas à taxa de 16% as mercadorias de constituir no Brasil uma base de desenvolvimento cultural.
portuguesas, e também as estrangeiras importadas sob pavilhão português; sujeitas à taxa de (D) todos esses franceses chegaram ao Brasil como refugiados políticos, uma vez que os
15% as mercadorias britânicas importadas sob pavilhão britânico, ou português." mesmos discordavam da política cultural do imperador Napoleão Bonaparte, que
perseguia os artistas contrários às suas determinações políticas.
(Lima, Oliveira - D. JOÃO VI NO BRASIL.)
(E) parte significativa da população francesa emigrou para o Brasil em razão dos intensos
O acontecimento histórico abordado no texto está diretamente relacionado com: combates ocorridos durante a Comuna de Paris, instalando-se principalmente nos Estados
do Maranhão e do Pará e trabalhando na extração da borracha.
(A) a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, em 1808.
(B) o repúdio à manutenção do Pacto Colonial.
(C) o Tratado de Comércio e Navegação de 1810, celebrado entre Inglaterra e Portugal.
(D) o processo de emancipação política do Brasil, iniciado em 1810.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos 131
14. (Fei) O ato de D. João VI, proclamando a abertura dos portos do Brasil, na verdade garantia (E) II, III e V.
direitos preferenciais ao comércio inglês, que:

16. (Puccamp) (...) era o Leonardo Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e gordíssima
(A) na época dependia economicamente de Portugal;
personagem de cabelos brancos e carão avermelhado, que era o decano da corporação, o mais
(B) estava prejudicado pelo bloqueio imposto por Napoleão Bonaparte;
antigo dos meirinhos(*) que viviam nesse tempo. (...) Fora Leonardo algibebe(**) em Lisboa,
(C) assegurava o desenvolvimento econômico da colônia;
sua pátria; aborreceu-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por
(D) pretendia favorecer os franceses, aliados tradicionais da Inglaterra;
proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como
(E) era carente de produtos industriais e bom fornecedor de matérias primas.
dissemos, desde tempos remotos.

15. (Puccamp) Na limpidez transparente de um universo sem culpa, entrevemos o contorno de uma ( *) meirinho = funcionário da justiça.
terra sem males definitivos ou irremediáveis, regida por uma encantadora neutralidade moral.
Lá não se trabalha, não se passa necessidade, tudo se remedeia. Na sociedade parasitária e (**) algibebe = vendedor de roupas baratas; mascate.
indolente, que era a dos homens livres do Brasil de então, haveria muito disto, graças à
(Manuel Antonio de Almeida. "Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e
brutalidade do trabalho escravo, que o autor elide junto com outras formas de violência. (...) Científicos, 1978, p. 6)
Por isso, tomamos com reserva a ideia de que as "Memórias de um sargento de milícias" são
um panorama documentário do Brasil joanino (...). Leonardo Pataca é uma personagem que viveu "nos tempos do rei" e obteve emprego por meio da
proteção de alguém, prática que integra a política exercida por D. João VI após 1808. São medidas
(Antonio Candido, Dialética da malandragem. "Memórias de um sargento de milícias")
tomadas durante a administração joanina:

Analise as afirmações sobre o período a que o texto se refere.


(A) a elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarve e a decretação de Guerra ao
Paraguai.
I. A Coroa portuguesa suspendeu todas as concessões de futuras sesmarias, até o
(B) a Abertura dos Portos e o Tratado de Comércio e Navegação com a Inglaterra.
estabelecimento de um novo regime de propriedade legal da terra. Essas medidas
(C) a extinção do tráfico negreiro, imposta pela Inglaterra em 1810, e a criação do Banco do
favoreciam diretamente os interesses ingleses.
Brasil.
II. O governo português autorizou o livre-comércio entre o Brasil e as demais nações não
(D) a modernização da capital e o Golpe da Maioridade, que garantiu a sucessão de D. Pedro
aliadas da França; o imposto de importação a ser pago nas alfândegas brasileiras pelos
I ao trono.
produtos estrangeiros foi fixado em 24%; os produtos portugueses pagavam 16%.
(E) o saneamento dos gastos da Corte e o crescimento das exportações e do setor industrial.
III. Portugal, ao mesmo tempo que deu aos produtos ingleses tarifa preferencial de 15% no
Brasil, inferior a dos seus próprios artigos, comprometeu-se a limitar o tráfico de escravos.
IV. O governo foi responsável pela implantação de diversas academias e obras culturais no 17. Muitos franceses, principalmente professores, cientistas, arquitetos, escultores e pintores
Brasil e pela contratação de artistas e professores estrangeiros. vieram ao Brasil no século XIX a partir da instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro.
V. Os acordos realizados com a Inglaterra impulsionaram a imigração européia para o Brasil, Pode-se explicar a presença desses franceses no país com o argumento de que:
deslocando o eixo econômico do Nordeste para a região Sudeste, no final do século XIX.
(A) a maioria deles chegou ao Brasil com o intuito de colonizar as regiões desabitadas do
É correto o que está afirmado SOMENTE em: interior do país, constituindo núcleos de exploração de produtos tropicais, que seriam
comercializados na Europa.
(A) I, II e IV. (B) eles tinham como missão convencer o rei D. João VI a romper relações diplomáticas com
(B) I, II e V. a Inglaterra, uma vez que este país tinha estabelecido o Bloqueio Continental, impedindo
(C) I, III e IV. as relações comerciais entre França e Brasil.
(D) II, III e IV.

132 Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos | Curso Preparatório Cidade
(C) grande parte deles desembarcou no Rio de Janeiro estimulados por D. João VI, que tinha (D) Chegando ao Brasil, o monarca trabalhou muito para a ampliação da cidadania.
como um dos seus grandes projetos trazer uma missão artística francesa, com o objetivo (E) A política de terras foi imediatamente implementada e, em 1810, o Brasil realizava sua
de constituir no Brasil uma base de desenvolvimento cultural. primeira reforma agrária.
(D) todos esses franceses chegaram ao Brasil como refugiados políticos, uma vez que os
mesmos discordavam da política cultural do imperador Napoleão Bonaparte, que
20. (Uel) Leia os documentos a seguir.
perseguia os artistas contrários às suas determinações políticas.
(E) parte significativa da população francesa emigrou para o Brasil em razão dos intensos
"Sua Sagrada Majestade El-Rei de Portugal promete, tanto em seu próprio Nome, como no nome
combates ocorridos durante a Comuna de Paris, instalando-se principalmente nos Estados
de Seus Sucessores, admitir para sempre, de aqui em diante, no Reino de Portugal os panos de lã
do Maranhão e do Pará e trabalhando na extração da borracha.
e mais as fábricas de lanifício de Inglaterra, como era costume até os tempos em que foram
proibidos pelas leis, não obstante qualquer condição em contrário."
18. (Ufrs) Embora a independência política do Brasil tenha sido declarada somente em 1822, o
(Tratado de Methuen, entre Inglaterra e Portugal, em 1703. Disponível em:
início do processo de emancipação pode ser relacionado com uma conjuntura anterior, na qual <http://historiaaberta.com.sapo.pt//lib/doc002.htm.> Acesso em: 30 set. 2004.)
um acontecimento de grande impacto desencadeou as mudanças que levaram à separação
entre o Brasil e Portugal. Esse fato, que assinalou o final efetivo da situação colonial, foi: "Eu a rainha faço saber aos que este alvará virem [...] que sendo-me presente o grande número de
fábricas e manufaturas que [...] têm se difundido em diferentes capitanias do Brasil, com grave
(A) a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, que introduziu no Brasil as ideias iluministas e prejuízo da cultura, e da lavoura, e da exploração das terras minerais naquele vasto continente;
republicanas, minando a monarquia portuguesa. porque havendo uma grande e conhecida falta de população, é evidente que, quanto mais se
(B) a Inconfidência Baiana, ocorrida em 1798, que introduziu no Brasil as ideias jacobinas e multiplicar o número de fabricantes, mais diminuirá o dos cultivadores; [...] hei por bem ordenar
revolucionárias, levando ao fim do domínio lusitano. que todas as fábricas, manufaturas ou teares [...] excetuando-se tão somente aqueles [...] em que
(C) a transferência da Corte para o Brasil em 1808, que significou a presença do aparato se tecem, ou manufaturam, fazendas grossas de algodão, que servem para o uso e vestuário de
estatal metropolitano na Colônia, a qual passou a ser a sede da Monarquia portuguesa. negros, para enfardar, para empacotar, [...]; todas as mais sejam extintas e abolidas por qualquer
(D) a Revolução Pernambucana de 1817, que trouxe para o cenário político brasileiro o parte em que se acharem em meus domínios do Brasil."
ideário maçônico e republicano.
(E) a convocação das Cortes de Lisboa em 1820, que exigiram o retorno de Dom João para (Alvará de Dona Maria I sobre a manufatura no Brasil, em 1785. Disponível em:
<http://www.webhistoria.com.br> Acesso em: 30 set. 2004.)
Portugal e a recolonização do Brasil.
(F) Chegaram à América portuguesa cientistas e viajantes estrangeiros, como o zoólogo Spix, Com base nos documentos, é correto afirmar:
o botânico Martius e o naturalista Saint-Hilaire, que percorreram o território realizando
inventários de comunidades, da geografia, da fauna e da flora. (A) Ao contrário da Inglaterra, a manufatura não se desenvolveu no Brasil devido à ausência
de vocação para a industrialização.
(B) As restrições da metrópole ao desenvolvimento manufatureiro no Brasil justificaram-se
19. (Udesc) O ano de 2008 assinala os duzentos anos da chegada da Família Real ao Brasil.
pela concorrência dos produtos ingleses, considerados de melhor qualidade.
Sobre isso assinale a alternativa CORRETA.
(C) No século XVIII, a Coroa portuguesa aumentou o controle sobre a Colônia enquanto
submeteu o seu reino aos interesses comerciais ingleses.
(A) A monarquia que chegava ao Brasil representava, em realidade, boa parte dos ideais da
(D) As medidas proibitivas dos portugueses contra as manufaturas da Colônia representaram
Revolução Francesa e do liberalismo europeu daquele período.
um afrouxamento no monopólio comercial, favorecendo os setores rurais.
(B) As motivações da vinda da Família Real para o Brasil estão relacionadas mais à realidade
(E) No século XVIII, Portugal e Inglaterra adotaram medidas conjuntas visando estimular a
européia do período do que à ideia de desenvolvimento de um Brasil monárquico e
produção e o comércio das manufaturas em suas respectivas colônias.
posteriormente independente de Portugal.
(C) Foi incentivada a manifestação pública de nossos problemas, seguindo as práticas liberais
e laicas da monarquia portuguesa.

Curso Preparatório Cidade | Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos 133
EXERCÍCIOS DE PROVA Com base na análise, pode-se afirmar que:

(A) somente a I está correta.


01. (EsFCEx - 2001) Durante o primeiro quartel do século XIX, os fatos da História do Brasil (B) somente a II e a IV estão corretas.
demonstram claramente que: (C) somente a III e a IV estão corretas.
(D) a I, a II e a III estão corretas.
(A) a transmigração da Família Real para o Brasil não provocou consequências substanciais. (E) todas estão corretas.
(B) houve uma diminuição da influência inglesa na economia brasileira.
(C) a escravidão indígena e negra era adotada no Brasil, inclusive com legislação régia da
época. 04. (EsFCEx - 2004) Os cursos superiores leigos no Brasil começaram a ser implantados no período
(D) as fronteiras brasileiras mantiveram a mesma configuração que existia antes da de:
transmigração da Família Real para o Brasil.
(E) houve paz interna, sem ocorrência de qualquer movimento revolucionário. (A) D. João VI.
(B) D. Pedro I.
(C) Padre Feijó.
02. (EsFCEx - 2002) O desenvolvimento cultural da América Portuguesa e da América Espanhola, (D) Araújo Lima.
fez-se diferentemente durante a época colonial. Analise as afirmativas abaixo. (E) D. Pedro II.

I. Na América Espanhola, as universidades só surgiram no século XIX.


II. O número de graduados por universidades no Brasil era superior ao da América Espanhola. 05. (EsFCEx - 2005) O processo de emancipação política do Brasil teve ligação estreita com a
III. Os periódicos na América Colonial Portuguesa foram censurados pela Metrópole. transferência da Família Real portuguesa para a Colônia em 1808, pois esta:
IV. Só se estabeleceu a imprensa oficial no Brasil, no século XIX, com a transmigração da
Família Real. (A) introduziu pela primeira vez as ideias liberais na Colônia, incentivando várias rebeliões.
(B) reforçou os laços de dependência e monopólio do sistema colonial português com a
Com base na análise, assinale alternativa correta. assinatura dos tratados de 1810.
(C) incentivou as atividades mercantis dos brasileiros em detrimento dos interesses dos
(A) Somente I está correta. portugueses, grandes proprietários da lavoura canavieira.
(B) Somente II e IV estão corretas. (D) instalou no Brasil a estrutura do Estado português reforçando a autonomia da Colônia.
(C) Somente III e IV estão corretas. (E) proibiu que os portugueses e ingleses criassem manufaturas ou fábricas no Brasil para
(D) Somente I, II e III estão corretas. incentivar a industrialização nacional.
(E) Todas estão corretas.
06. (EsFCEx - 2005) A existência de governadores gerais no Brasil, estes que depois passaram ao
03. (EsFCEx - 2003) Analise as afirmativas abaixo sobre os últimos tempos da Era Colonial no título de vice-reis, sobreviveu até:
Brasil:
(A) 1808, quando a família Real se transferiu para o Brasil.
I. A ocupação de Portugal pela França precipitou a independência econômica do Brasil. (B) 1763, quando a sede do governo foi transferida para o Rio de Janeiro.
II. Nos últimos tempos da Colônia, os brasileiros haviam alcançado grande prestígio dentro da (C) 1572, quando o rei português resolveu dividir a administração da Colônia em dois
monarquia portuguesa. governos: Norte e Sul.
III. A vinda da corte portuguesa para o Brasil foi favorável ao nosso país. (D) 1580, quando o Brasil ficou subordinado à Coroa espanhola.
IV. O conceito brasileiro no exterior era de ser um território mais pobre e menos culto que (E) 1822, com o processo de Independência.
Portugal.

134 Tópico 1.8 – A transferência da Corte portuguesa para o Brasil e seus efeitos | Curso Preparatório Cidade
07. (EsFCEx - 2008) Sobre a vinda da família real e suas consequências é correto afirmar que:

(A) sua chegada ao Brasil retardou o processo de independência brasileira.


(B) inúmeras medidas tomadas por D. João visavam aferrar ainda mais os laços coloniais do
Brasil com Portugal.
(C) a Abertura dos Portos de 1