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DIREITO ELEITORAL PROF.

GUSTAVO FERREIRA GOMES


FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – FADIMA CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE
MACEIÓ
APOSTILA 002
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL
01. PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL
COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL:
Em que pese existir uma Justiça Eleitoral, não há no Brasil uma magistratura
eleitoral própria (no caso do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Judiciária
Eleitoral tal função já faz parte de estrutura já existente, como se verá mais
adiante). As funções judiciais eleitorais são exercidas por magistrados
“emprestados” da Justiça Estadual e Federal – inclusive, quando for o caso, por
Ministros dos Tribunais Superiores; sem olvidar da participação nos órgãos
colegiados eleitorais de advogados ou de eleitores no pleno exercício de sua
capacidade civil.

CURIOSIDADE: Importante destacar que o Ministério Público não entra na


composição de nenhum dos órgãos colegiados da Justiça Eleitoral.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE)


O TSE é composto por 07 membros escolhidos da seguinte forma (Art. 119 CR):
a) 03 ministros oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF);
b) 02 ministros oriundos do Superior Tribunal de Justiça (STJ);
c) 02 escolhidos pelo Presidente da República entre 06 advogados de notável
saber jurídico e idoneidade moral indicados pelo STF.

OBS: Em que pese a Constituição da República (CR) se referir a juízes quando


fala dos membros do TSE, o termo técnico correto é ministro conforme consta na
LC 35/1979.

Como os demais Tribunais Superiores, o TSE possui jurisdição nacional sobre as


questões eleitorais e está sediado no Distrito Federal (art. 92, parágrafo único
da CR). A presidência e a vice-presidência serão exercidas sempre por ministros
do STF, e a Corregedoria Eleitoral caberá sempre um ministro do STJ.

Importante destacar, as decisões proferidas pelo TSE são irrecorríveis, salvo se


envolverem matéria constitucional e forem denegatórias de Mandado de
Segurança ou Habeas Corpus (Art. 121, § 3o CR).

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE)


O TRE é composto por 07 membros escolhidos da seguinte forma (Art. 120 CR):
a) 02 desembargadores oriundos do Tribunal de Justiça (TJ);
b) 02 juízes de 1º Grau escolhidos pelo TJ;
c) 01 desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) com sede na capital do
Estado ou do Distrito Federal ou, na ausência, por 01 juiz federal escolhido pelo
respectivo TRF;
d) 02 escolhidos pelo Presidente da República entre 06 advogados de notável
saber jurídico e idoneidade moral indicados pelo TJ.

Os TREs possuem jurisdição regional sobre as questões eleitorais e estão


sediados na capital do Estado ou Distrito Federal em que atuam. Toda a Unidade
da Federação teve ter um TRE próprio.

A presidência e a vice-presidência serão exercidas sempre pelos


desembargadores do TJ, não havendo, como existe no TSE, estipulação
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constitucional de quem vai ocupar a Corregedoria Regional Eleitoral, por praxe,
mais recentemente, tem sido feita eleição interna para saber quem vai ocupar.
Cumpre destacar que, de qualquer modo, a forma de preenchimento deve ser
resolvido pelo Regimento Interno de cada TRE (no caso do TRE/AL, é feita
eleição interna, mas está proibido de concorrer apenas o Presidente para evitar
a cumulação de funções – conforme mudança ocorrida em 2013).

Também existe “limitação” quanto ao princípio da recorribilidade em relação a


decisões emanadas pelos TREs, isto é, “somente” será possível recorrer quando:
envolver matéria constitucional ou legal; houver divergência jurisprudencial
entre dois ou mais tribunais eleitorais (TREs e/ou TSE); em questões referentes
a cargos eletivos estaduais e federais que envolvam inelegibilidade, expedição
ou anulação de diplomas eleitorais e/ou a decretação de perda de mandato
eletivo (estadual e federal); e de decisões denegatórias de Mandado de
Segurança, Mandado de Injunção, Habeas Data ou Habeas Corpus.

OBS¹: O mandato dos membros dos Tribunais Eleitorais será de 02 anos, sendo
possível a recondução consecutiva por igual período apenas uma vez, exceto
motivo justificado.
OBS²: Tanto no TSE, quanto nos TREs os substitutos de seus componentes serão
escolhidos da mesma forma e na mesma modalidade dos titulares. Também
deveriam ser na mesma época, mas como explicado em sala, neste caso adota-se
a regra do CE referente a montagem de listas tríplices.

JUNTA ELEITORAL
Órgão colegiado de 1º grau da Justiça Eleitoral composto por 03 ou 05 membros,
sendo que um deles é Juiz de Direito que será obrigatoriamente seu presidente.
Os demais componentes serão escolhidos entre cidadãos de notória idoneidade
pelo presidente do TRE, que podem ou não ter formação jurídica – aliás,
mormente, tem-se optado por leigos.

Os membros, leigos ou não, das Juntas Eleitorais têm, no exercício da função, no


que for cabível, garantias similares aos demais magistrados eleitorais.

CURIOSIDADE: As Juntas Eleitorais por terem sua competência restrita às


atividades que envolvem a apuração e a diplomação dos candidatos eleitos,
eventualmente são denominadas, de maneira errônea, inclusive em normas
eleitorais, de Juntas Apuradoras.

JUIZ ELEITORAL
O Juiz Eleitoral nada mais é que o Juiz Estadual designado pelo TRE de seu
Estado ou do Distrito Federal e que exerce ambas as funções cumulativamente.
Será o presidente de uma Zona Eleitoral, que a menor fração territorial de uma
circunscrição judiciária eleitoral. A zona eleitoral pode corresponder à extensão
territorial de um município, de vários municípios ou parte de um município.

COMPETÊNCIA:
Na falta da Lei Complementar constitucionalmente prevista para reger a Justiça
Eleitoral, continua sendo aplicado o Código Eleitoral (CE) que estipula a
competência do TSE em seus art.s 22 e 23, dos TREs nos art.s 29 e 30, das
Juntas Eleitorais nos art.s 40, 195 e 196, e dos Juízes Eleitorais no art. 35.
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02. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
É composto, da mesma forma que os órgãos judicantes eleitorais, por membros
“emprestados” dos Ministérios Públicos federais e estaduais por não haver uma
promotoria eleitoral própria.

Por determinação prevista na LC 75/1993 (arts. 72 a 80), a função eleitoral é


própria do Ministério Público Federal (de forma exclusiva no âmbito do TSE – o
Procurador Geral da República é o Procurador Geral Eleitoral - e dos TREs - um
Procurador da República será o Procurador Regional Eleitoral), sendo exercida,
de forma delegada, pelos promotores estaduais perante as Juntas e os Juízes
Eleitorais (arts. 78 e 79 da LC 75/93) – inclusive, cabe ao Procurador Geral de
Justiça a indicação dos promotores estaduais que substituirão os titulares das
zonas eleitorais nos casos de impedimento ou recusa justificada destes, mas a
escolha, ou não, dos nomes indicados é de responsabilidade do Procurador
Regional Eleitoral.

CURIOSIDADE: A filiação a partido político impede o exercício de funções


eleitorais por membro do Ministério Público, até dois anos após o cancelamento
da mesma (LC 75/1993, art. 80).

ATRIBUIÇÕES:
As atribuições do Procurador Geral Eleitoral estão previstas no art. 24, CE –
aliás, estas são estendidas, na devida proporção, ao Procurador Regional
Eleitoral (art. 27, § 3o, CE).

JJ CÂNDIDO fez interessante demarcação das atribuições do Ministério Público


Eleitoral em 1o Grau de Jurisdição, se estiver em época eleitoral e de acordo com
a eleição que está sendo disputada, veja-se:

PERÍODO SEM ELEIÇÕES


1. Acompanhar pedidos de alistamento eleitoral, transferência de títulos de
eleitor e cancelamento de inscrição.
2. Instaurar, acompanhar e executar todos os processos de multas eleitorais.
3. Acompanhar a prestação de contas partidária – em especial, aquelas
motivadas por denúncia de filiado ou delegado de partido (art. 35, LPP).
4. Custos legis eleitoral – em verdade, a todo e qualquer tempo terá esta função.
5. Instaurar e dar andamento, em todas as suas fases, às ações penais eleitorais;
inclusive, a execução penal decorrente de processos criminais eleitorais – neste
caso, em conjunto com o Ministério Público responsável pela execução penal
comum.
6. Pedir a suspensão dos direitos políticos, principalmente se decorrer de
condenação criminal transitada em julgado – mas não somente nesses casos, e
restauração destes quando couber.

PERÍODO ELEITORAL
FASE DA CAMPANHA/PREPARATÓRIA
1. Opinar em todos os pedidos de registro de candidatura, haja ou não sido
apresentada impugnação.
2. Apresentar pedido de impugnação de candidatura quando couber.
3. Fiscalizar a propaganda eleitoral.
4. Ingressar com investigação judicial eleitoral.
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5. Acompanhar a nomeação de mesários, escrutinadores, auxiliares e membros
da Junta Eleitoral.
6. Zelar pela boa e regular execução dos demais atos preparatórios da eleição.

FASE DA ELEIÇÃO (VOTAÇÃO)


1. Opinar, oralmente ou por escrito, sobre todos os casos ocorridos neste dia de
sua esfera de atribuição.
2. Impugnar a identidade do eleitor, a atuação de mesário, fiscal ou delgado de
partido ou coligação.
3. Fiscalizar a entrega das urnas, eletrônicas ou não, e o recebimento dos
disquetes e/ou das cédulas.
4. Requerer auxílio da força policial, se o Juiz Eleitoral não o tiver feito, para
garantir a votação e até a apuração.
5. Fiscalizar a emissão das zerésimas, dos boletins de justificação e de urna.

FASE DE APURAÇÃO
1. Fiscalizar as Juntas Eleitorais – podendo apresentar impugnações e recursos
quando couber, além de emitir parecer, oral ou escrito, antes das decisões da
Junta Eleitoral.
2. Acompanhar pessoalmente o escrutínio.
3. Impugnar fiscal ou delegado de partido ou coligação.
4. Receber, conferir e assinar boletins mapas e atas emitidas pela Junta
Eleitoral.

FASE DA DIPLOMAÇÃO
1. Fiscalizar a expedição de diplomas eleitorais.
2. Assistir a sessão de diplomação.
3. Ajuizar Ação de Impugnação de Mandato Eletivo e interpor Recurso Contra
Diplomação.

IMPORTANTE: Nas Eleições Municipais, os Promotores Eleitorais atuam em


todas as fases; nas Eleições Estaduais/Gerais e nas Nacionais/Presidenciais, não
atua na fase da diplomação e divide responsabilidade na fase da campanha,
respectivamente, com o Procurador Regional Eleitoral e com o Procurador Geral
Eleitoral.

03. POLÍCIA JUDICIÁRIA ELEITORAL


Consoante o Decreto-Lei nº. 1.064/1969, confirmado mais recentemente pela
Resolução nº. 23.396/2013 do TSE, estipulou ser a Polícia Judiciária Eleitoral a
Polícia Federal – o que veio a ser ratificado, indiretamente, pela CR em seu art.
144, §1o, I e IV; nas ausência de representação da Polícia Federal,
habitualmente, tal competência é delegada à Polícia Civil.