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NELSON ROSENVALD

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Rio, 05/11/2007. Boa noite à todos. Para quem não me conhece, me chamo Nelson Rosenvald. Sou formado pela UERJ, mestre e doutor pela PUC/SP e atualmente exerço a atividade de Procurador de Justiça do MP/MG. Igualmente, sou autor de alguns livros de direito que os Srs. devem conhecer. Também exerço o cargo professor, coordenador e sócio-proprietário deste curso. Assim caso não gostem do módulo, infelizmente não haverá devolução dos valores pagos. Já gastei tudo. Afinal isto é minha propriedade (sic). Bem, antes de começar achei importante falar sobre meu currículo, não para me gabar, até porque tenho muito a aprender e progredir, mas para afirmar aos Srs. que só o estudo salva, e todos vocês parecem querer a salvação, pois enquanto muitos estão em suas casas vendo suas novelas, entrando em seus perfis de orkut e passando o tempo no messenger, vocês preferiram o caminho mais árduo, porém infinitamente benéfico, que é o conhecimento. Assim, os parabenizo por isso. Há poucos anos atrás também tomei este rumo da mesma forma que os srs. e hoje estou na frente de vocês dando este módulo, mas com o mesmo espírito estudantil dos srs. Somos todos aprendizes desta ciência maravilhosa que é o direito. Cada qual com um nível de aprendizado, afinal o saber é pura e simplesmente a sedimentação decorrente do estudo. Quando resolvi estudar e via os grandes dando aulas achava que nunca iria saber aquilo que me falavam. Gente, sei exatamente como vocês se sentem quando assistem os julgamentos da TV Justiça, principalmente aqueles do STF, onde os ministros parecem alienígenas do planeta direito(sic), falando sua linguagem jurídica extraterrestre (sic). Realmente achamos que representam uma civilização de outro mundo, que vieram destruir o planeta (sic). Dizia caramba, nunca vou saber isso. Mas comecei a estudar, com um passo de cada vez. E um dia após outro de estudo, esse nunca virou talvez e o talvez tornou-se a certeza. Hoje mantenho o hábito de acompanhar este precioso canal. Continuo fã de alguns, como o Marco Aurélio e Carlos Ayres Britto (que simplicidade!) mas já posso dizer que um ministro ou outro disse besteira. O Gilmar Mendes já disse várias (sic). Enfim pra finalizar, digo aos srs. que estudar dá certo. Não tentem saber tudo de uma só vez, procurem saber muito bem uma coisa de cada vez. Volto a repetir, estudo é sedimentação, e isso só se consegue com estudo e regularidade. Dito isso, vamos logo começar para não ficar com cara de palestra de auto-ajuda (sic). Apenas quero ajudar os Srs., porque queria na minha época que alguém me desse essas dicas, que tive que aprender ao longo do estudo.

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Sem mais delongas, começamos hoje com propriedade, mas como essa aula tem duas horas, primeiro eu quero dar uma visão geral para vocês de direitos reais. E com essa visão geral de direitos reais, facilita demais o restante do trabalho. Bem no tocante à bibliografia, recomendo: - Meu livro junto com o Cristiano - Direitos Reais. 3.ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007 Cristiano Chaves de Faria e Nelson Rosenvald. - Direito Civil Brasileiro Vol.V – Direito das Coisas, Carlos Roberto Gonçalves, 1ª Edição, ano 2006, Editora Saraiva. (o mais completo!) - Curso de Direito Civil Vol.3 – Direito das Coisas, Washington de Barros, 37ª Edição, ano 2003, Editora Saraiva.

Gente, quando vocês estudam direito civil, a raiz do direito civil é o direito patrimonial. O direito civil, na sua essência, é um direito que tem dois alicerces. Quais são esses dois alicerces? Contratos e propriedade. O direito civil tradicional sempre se preocupou com a proteção dos contratos e com a tutela da propriedade. Então, ele se bifurcou em dois ramos: direitos reais e direitos obrigacionais. Esses são os dois pilares do direito patrimonial. Direitos reais de um lado e direitos obrigacionais, de outro. Quais são as diferenças sensíveis entre os direitos reais e os direitos obrigacionais? Isso é só para vocês terem sempre essa idéia inicial. Como é o nome do meu amigo do módulo? Resposta do aluno: Flávio. Flávio, você me deve R$ 100 mil. Nelson é credor e Flávio é devedor. Isso é uma relação obrigacional, pois tem um credor e um devedor que estão ligados por uma prestação, que no caso, é uma prestação de dar quantia certa. A outro turno, o Flávio é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira. Se você é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira, você exerce poder sobre uma coisa e esse poder que você tem sobre a coisa é oponível em caráter erga omnes. Isso já é o mundo dos direitos reais. Quais são as diferenças que vocês conseguem perceber entre o mundo dos direitos reais e o dos direitos obrigacionais? Em primeiro lugar, qual é o objeto de uma relação de direito obrigacional? É uma prestação, é o comportamento do devedor. É uma prestação de dar, fazer ou não fazer. Esse é sempre o objeto de uma relação obrigacional.

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Em contrapartida, qual é o objeto da relação de direitos reais? É a coisa, é o bem da vida. É o apartamento, é um carro, é uma casa, é um direito autoral, é um sócio, ou seja, sempre é um bem da vida. Então, a primeira diferença se encontra em relação ao objeto. O objeto do direito obrigacional é a prestação e o do direito real é o bem jurídico. Segunda diferença básica entre os direitos reais e os direitos obrigacionais que, talvez, seja a diferença mais importante: é quanto ao modo de exercer. Querem ver? Flávio, para que eu cobre de você esses R$ 100 mil, para que o credor obtenha essa prestação do devedor, o credor necessita da colaboração do devedor? Sim. Necessariamente as relações obrigacionais são relações de cooperação.porque o credor só obtém a prestação do devedor se o devedor praticar um a conduta de dar, fazer ou de não fazer. Ou seja, a satisfação do credor exige um comportamento do devedor chamado adimplemento. Mas se o Flávio é proprietário de um apartamento na Delfim Moreira, para que ele possa exercer poder sobre aquele apartamento ele precisa da colaboração de alguém? Não, pois as relações de direitos reais não são relações jurídicas baseadas na cooperação entre pessoas. O que nós temos, na verdade, são relações materiais de subordinação de coisas a pessoas, em que bens são submetidos ao poder de pessoas. Qual é a sutileza dessa distinção? Por que que em prova de concurso os direitos reais são chamados de ius in re e os direitos obrigacionais são chamados de ius ad rem? Porque ius in re significa direito sobre a coisa. Quem é titular de direito real exerce poder material evidente sobre o objeto. Ele pode usar da coisa, fruir da coisa, pode dispor da coisa. Ele tem poder imediato, sem a necessidade de colaboração de quem quer que seja. No direito obrigacional, o nome é ius ad rem, pois significa direito à uma coisa. E só terá direito a uma coisa se houver a colaboração, a cooperação do devedor. Então, nunca confundam direitos sobre coisas e direitos à coisa, porque direitos à coisa só são fornecidos se houver uma prestação do devedor, uma colaboração dele em favor do credor. Então, quando alguém perguntar para vocês qual é a diferença de direitos reais para direitos obrigacionais, vocês já sabem: quanto ao objeto e quanto ao modo de exercer. Os direitos reais possuem quatro características básicas. A primeira característica dos direitos reais, que subliminarmente vocês já viram aqui, é que eles são absolutos. Em que sentido? Flávio, quando você é proprietário dessa cobertura no Leblon, o que você pode exigir de todos nós que somos o povão? O dever de abstenção.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 4 Sabe por que você pode exigir o dever de abstenção? Porque nós somos os erga omnes. Então. qual é a diferença entre direitos reais e direitos da personalidade se ambos são absolutos? É que os direitos reais são direitos absolutos patrimoniais. Em tese. eu posso pegar bem pesado com você. mesmo que a relação obrigacional ou contratual seja pelas partes. de jeito nenhum. não pode interferir nas relações de crédito. Nelson. pode prejudicar as relações de crédito que estão em andamento. a sociedade. visto que dizem respeito à nossa essência. nós somos os não proprietários.e os direitos da personalidade são direitos absolutos extra patrimoniais. e devo. No sentido de que esses direitos reais podem exigir de todos um comportamento negativo. no sentido de que toda sociedade tem que respeitar os meus atributos existenciais. Então. pois não são aferíveis pecuniariamente. os direitos da personalidade também são absolutos e também impõem esse comportamento negativo. Olha a linha de raciocínio: direitos obrigacionais são absolutos ou relativos? Vocês aprendem que eles são relativos porque essa prestação de R$ 100 mil eu. posso exigi-la apenas relativamente contra o devedor Flávio. No direito civil existe alguma outra categoria de direito subjetivo absoluto sem ser o direito da propriedade ou direitos reais? Tem. Seriam relativos pois eu só posso exigir essa obrigação de dar. Isso significa que os direitos reais são direitos absolutos no sentido da sua oponibilidade contra todos. . eu vou mostrar porque os direitos obrigacionais são estudados antes dos direitos reais. Como vocês já tiveram obrigações com o Bruno. qual seja: não interferir no exercício da minha propriedade. que não perturbem essa relação obrigacional? Sim. Mas ambos são absolutos. E por que elas te oponibilidade erga omnes? Pois pelo princípio da função social do contrato. É direito subjetivo absoluto que ele tem. os direitos obrigacionais não seriam absolutos. oponibilidade erga omnes. Agora um esclarecimento: se Nelson é credor de R$100 mil de Flávio. pois apesar das obrigações serem relativas no que diz respeito a que a prestação só deva ser paga pelas partes. fazer ou não fazer relativamente contra a pessoa do devedor. à nossa existência. vocês não podem cortar o raciocínio. ele pode exigir que todos que estão na sala não interfiram nessa relação obrigacional. Cada aprendizado em uma matéria serve de início para outra. as relações obrigacionais também têm eficácia. a sociedade não pode lesar os contratantes. porque tudo o que vocês aprendem nesse semestre no Praetorium é uma continuação. Então.

eu posso perseguir a coisa contra todos. ou seja. os direitos reais são absolutos. interferiu nessa relação de cooperação e levou esse contrato ao inadimplemento. O ordenamento hoje. Esse negócio jurídico de vender esse imóvel é um negócio jurídico válido? Sim. se o direito real é igual para todos. Quinze dias antes de vencer a dívida. Então. ela não será cumprida. Por que o direito real tem seqüela? Porque o direito real é absoluto. quando o Flávio deverá pagar os R$ 500 mil. em troca.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 5 É por isso que vocês viram que lá em São Paulo o juiz condenou a Bhrama a indenizar a Nova Schin porque a Bhrama pegou o Zeca Pagodinho no meio do contrato que ele tinha com a Nova Schin. cada vez mais. Examinador. Se eu tenho a possibilidade de . pois o apartamento é dele. as relações obrigacionais são relativas no sentido de que as prestações são só exigidas à parte. Pergunta: Nelson. o que se deve colocar em prova de concurso: Sr. o apartamento não deixou de ser dele. Só que ele vendeu para a Marcele e não pagou a dívida que vencia no dia 15. nos ensina que essa dicotomia entre direitos reais e direitos obrigacionais está perdendo o seu significado porque todas as relações patrimoniais exigem uma oponibilidade em face de terceiro. O Flávio concorda. elas têm oponibilidade erga omnes porque as relações obrigacionais são voltadas para o adimplemento. A hipoteca vence em 15 de dezembro. Então. O apartamento do Flávio fica na Delfim Moreira. Então. pois a segunda característica dos direitos reais é a seqüela. O que é a seqüela? Seqüela é a faculdade do titular do direito real de seguir a coisa onde quer que ela se encontre. ao invés de ter respeitado o contrato em andamento do Zeca Pagodinho com a Nova Schin. que é o credor hipotecário. Acontece que o Flávio está precisando de dinheiro e pede R$ 500 mil emprestados ao Nelson que diz que só empresta essa quantia se o Flávio lhe der em hipoteca esse apartamento da Delfim Moreira. Ela será conduzida ao inadimplemento. o que acontece? O Flávio dá em hipoteca a cobertura para o Nelson que. o Flávio pega a cobertura e vende para a Marcele. A Bhrama. mas elas também geram uma eficácia erga omnes. Só porque ele hipotecou. Se o direito real é absoluto. pode ir atrás da Marcele e tirar o apartamento que ela comprou? Pode. dá os R$ 500 mil para Flávio. A relação obrigacional é um processo que nasce para ser cumprido e se um terceiro interfere nessa relação obrigacional.

são sem seqüela. E. Flávio diz que possui duas más notícias: apesar de não ter vendido o imóvel para ninguém. Os direitos obrigacionais. resolvendo-se tudo em perdas e danos. Como surge a fraude contra credores? Deve-se provar que o Flávio fez uma liberalidade para o Beto. Provado esses requisitos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 6 exigir de todos a abstenção. Isso é uma relação obrigacional. Nelson diz que vai pegar o imóvel. só possa buscar perdas e danos decorrentes do descumprimento da prestação. que é evidente e claro em relação aos direitos reais. em regra. Nelson só pode exigir a prestação relativamente contra o devedor Flávio. vítima do inadimplemento. Então. ele é um terceiro. Os direitos obrigacionais são sem seqüela. a seqüela é um atributo derivado do absolutismo. surge a seqüela. Qual é o único caso que mesmo eu sendo um mero credor obrigacional. eu tenho seqüela contra o bem? Fraude contra credores. Pois quando os direito obrigacionais são objeto de inadimplemento. com isso. Se ele não é parte. Se no dia 15/12 Nelson cobrar a bicicleta de Flávio e este disser que a vendeu para Beto. a regra geral é que o credor. eu posso perseguir a coisa aonde quer que ela se encontre. dando em troca a hipoteca do apartamento na Delfim Moreira e dia 15/12 é o dia do vencimento dessa obrigação. ou seja. pois o bem está hipotecado. efetivamente não haverá seqüela no mundo dos direitos obrigacionais. pois esta é uma relação obrigacional. Em contrapartida. Mesmo em relações obrigacionais. pois são direitos relativos. Flávio pegou R$ 500 mil emprestado com o Nelson. se reduziu à condição de insolvência. se eu assinei com o Flávio o seguinte contrato: Nelson é credor de Flávio que irá entregar-lhe uma bicicleta em 15/12. Mas se não houver fraude. assim sendo. . Nelson tem uma ação pauliana para anular esse negócio jurídico que foi lesivo aos meus interesses. levar à venda em hasta pública. ele não pode buscar a bicicleta do Beto. não irá pagar os R$ 500 mil. Nelson vai cobrar os R$ 500 mil. fez uma doação e. 158 do CC (fraude contra credores). vítima da inexecução. poderá o Nelson ir atrás de Beto e tirar a bicicleta dele? Não. se acontece o que está no art. Só terá seqüela no mundo dos direitos reais. Nelson não pode exigir a prestação relativamente contra Beto porque Beto não é parte nessa relação obrigacional. No dia 15/12.

do privilégio de ser titular de um direito real. possui preferência. Enquanto os quirografários são credores gerais do patrimônio. afetado. Agora eu vou perguntar o que o examinador perguntaria em uma prova aberta e em uma prova oral. quando foi reservado. Primeiro recebe Nelson que é credor preferencial. Em outros termos. A terceira característica dos direitos reais é a preferência. A preferência decorre da seqüela. isso significa que os outros credores são credores quirografários. Nelson diz que como possui direito real. Ele está reservado apenas para esse credor Nelson que o separou e isso significa que ele é que terá preferência no produto da sua venda. o que se faz com os outros R$ 200 mil? Os outros credores irão disputar essa quantia.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 7 Mas Flávio diz que Nelson não é seu único credor. Vale dizer: eles estão no fim da fila. Mas Nelson já recebeu a sua parte em razão da preferência. justamente porque está reservado para satisfazer o seu direito real. que significa que o titular do direito real tem um privilégio. Mas se o apartamento é vendido por R$ 700 mil. pois patrimônio geral do devedor é aquele que serve de garantia para todos os credores. Isso é tanto verdade que: R$ 500 mil é o que você me deve. Flávio possui um enorme número de credores. qual seja: obter o pagamento da dívida em primeiro lugar. Por que o titular do direto real tem preferência? De onde nasce essa preferência dele? A preferência nasce da seqüela. Se eu não conseguir na venda do bem seqüelado apurar o valor. é um bem que está afetado. Além dele. Mas como esse bem foi reservado e afetado. eu perco a preferência porque a minha preferência está ligada apenas ao valor do bem seqüelado. Tudo que eu falei até agora foi fácil. não faz mais parte do patrimônio geral do devedor. ele é um patrimônio em afetação. Esse imóvel. A razão da preferência é a seqüela. como é que eu faço para obter os outros R$ 200 mil que me faltam? Nesse caso. Nelson recebe primeiro os R$ 500 mil. no restante eu entro na fila junto com os credores quirografários para apurar o . Muita atenção: o que quer dizer que um bem foi seqüelado? O bem que está seqüelado é um bem que está reservado. correto? Se eu só consigo apurar R$ 300 mil na venda desse bem. o credor hipotecário é um credor especializado daqueles bens que foram separados.

em privilégios legais. que é o crédito quirografário. É por isso que eles vêm em primeiro lugar.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 8 excesso. diz que os créditos tributários ficam atrás da preferência dos créditos reais em razão da mudança da lei 11. Então. previdenciários. Eles assumiram uma posição anterior aos créditos tributários. Basta ir no art. 83 da lei 11. pois nos últimos 70 anos no Brasil vem acontecendo um fenômeno pelo qual determinados créditos obrigacionais. 186 do CTN. acidentário e trabalhista até 150 salários mínimos são créditos reais? Não.101/05 que é a lei de recuperação. Então. que eram créditos quirografários. por que é que no art. CC:”Os títulos legais de preferência são os privilégios e os direitos reais”. 83 da lei 11. A preferência do titular do direito real se limita ao valor dos bens afetados. 83 da lei 11. mas essa preferência foi mitigada em alguns casos pelos privilégios legais.101/05 eles tomam a frente? Porque não obstante sejam créditos obrigacionais. Então. vem os créditos reais. quem recebe em primeiro lugar são os credores reais? Não. O art. Determinados créditos. só que é uma preferência suavizada pela existência dos chamados privilégios legais. eles se tornaram privilégios legais. Qual é a diferença entre a preferência do direito real e os privilégios legais? É a seguinte: se. mas concorre com os privilégios legais. Tanto é. qual que é a preferência do titular de direitos . Eles ainda têm preferência. vem se transformando por exigência de norma de ordem pública nos chamados privilégios legais. Art. por exigência de norma de ordem pública. E depois desses créditos privilegiados. Crédito previdenciário. que hoje o que vem na frente na lei de falências: créditos tributários ou créditos reais? Os créditos reais. trabalhistas até 150 salários mínimos. Hoje em dia eu posso dizer que a preferência do titular do direito real é a mesma de outrora ou sofreu mitigação? A preferência sofreu grande mitigação. vem sendo transformados. Isso provocou uma reforma no art. 186 do CTN que foi recentemente reformado. por acaso. 958. seqüelados.101/05 fala que recebem em primeiro lugar os créditos acidentários. vocês têm 84 apartamentos e só um deles foi dado em hipoteca.101/05. Isso é só para vocês entenderem que essa preferência existe. Hoje o próprio art. Os créditos reais perderam a preferência? Não. são aqueles que possuem privilégios legais. reservados. por exemplo: se uma empresa hoje quebra. em razão de normas de ordem pública. ainda é título de preferência.

têm seqüela e têm preferência. Eu quero que vocês abram o art. basta olhar o art. vai colocar como número 11 concessão de uso especial de moradia e como número 12 vai colocar concessão de direito real de uso. vocês já viram: direitos reais são absolutos. CC. 1225. Por que os direitos reais têm a lei como fonte? Porque eles são oponíveis contra todos. pois só aquele foi seqüelado e afetado. Os direitos reais são numerus clausus. Me digam um número de 1 a 12. Se vocês querem conhecer quantos direitos reais vocês têm. Quem tem 10. os direitos quirografários que estão no final da fila. o privilégio legal da Fazenda Pública incide sobre qual dos 84 bens? Sobre todos.481 de 01 de junho de 2007 acrescentou esses dois direitos reais ao rol do art. Então. Então. Não é possível que Nelson sente num boteco à noite com a Marcele e inventem um direito real. se a sociedade tem o dever de abstenção. Não é possível inventar direito real por relação contratual. Então. reservados e afetados. . 1225. Quem aí tem 10? Está desatualizado. CC. Já os direitos obrigacionais são sem preferência. Eu quero saber se o Código está atualizado ou não. É o princípio da segurança jurídica. sem dúvida. a sociedade só pode se abster naquilo que alei tenha dado publicidade prévia. Eu estou falando isso porque a lei 11. Qual é a quarta característica evidente dos direitos reais? É a taxatividade. 1225 do CC e me digam quantos direitos reais tem na lista de vocês.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 9 reais recai sobre os 84 apartamentos ou só sobre aquele que foi dado em hipoteca? A preferência recai só sobre o que foi dado em hipoteca. de quantos direitos reais existem no art. Todos na sociedade têm o dever de respeitar os direitos reais.CC. O que quer dizer que os direitos reais são taxativos? Os direitos reais têm como fonte única a lei. a taxatividade é uma conseqüência do próprio absolutismo dos direitos reais. Eu não reconheço no ordenamento jurídico direitos reais que não tenham como fonte a lei. A fonte dos direitos reais é a lei. exceto sobre o bem de família. Mas se vocês estão devendo dinheiro para a Fazenda Pública Municipal do Rio de Janeiro e vocês têm 84 apartamentos. Eles é que são. enquanto a preferência de direitos reais é específica e recai sobre os bens que foram seqüelados. 1225. Não é possível criar direito real por relação obrigacional. Só pode haver segurança jurídica quando as pessoas respeitam direitos que são previamente determinados pelo legislador. pois o privilégio legal recai indistintamente sobre todo um patrimônio.

também fala da propriedade fiduciária. Então. Se eu sou o credor que penhoro o seu apartamento. porque a propriedade fiduciária também é um direito real. CC. Quando o locatário registra a locação do art. 1361.eu não tenho 12 direitos reais. Civil no art. 1225. é oponível erga omnes. Sabe o que perguntaram no concurso do MP de Minas Gerais? A penhora registrada é um direito real? Não. Podem criar contratos atípicos que não estão previamente acertados no código civil. Sabe o que eu ganho? Se amanhã você vende o seu apartamento penhorado.CC. pois se ela foi registrada. Elas são numerus clausus. na verdade. 1225. Então. eu vou fazer uma pergunta: se. . Está no art. coloque do lado “e propriedade fiduciária”. Outro exemplo: Paulo. Então. por acaso. Os direitos reais são aqueles previamente dados pelo legislador. eu ganho alguma coisa registrando a penhora desse apartamento? É bom para o credor registrar a penhora? O que o credor ganha quando ele registra a penhora? Art. Ela não está dentro do rol numerus clausus. pois essa compra é ineficaz perante o exeqüente. eu peço a vocês: quem está com o Cód. pois apesar da locação ter sido registrada e ter eficácia contra terceiros. alguém nessa sala de aula é inquilino. 659. CC. onde está escrito propriedade. CPC. E só uma última observação: os direitos obrigacionais são taxativos ou são numerus apertus? São numerus apertus porque os direitos obrigacionais não se submetem à tipologia do Código. eu tenho 13 porque a propriedade fiduciária também é um direito real que está explícita no inciso I que quando fala de propriedade. Inquilino pode registrar o contrato de locação para amanhã ter direito de preferência caso o proprietário queira vender o bem? Sim. não é um direito real porque só seria direito real se estivesse dentro do rol taxativo de direitos reais do art. imagina que o seu apartamento é penhorado. quem comprou um apartamento cuja penhora já estava registrada fez uma péssima compra. Então. ??? da lei 8245/91 a locação virou direito real? Não. Nada impede que Nelson e Fábio sentem no boteco à noite e criem uma relação contratual. §4o. ela não está no rol taxativo do art. o que aquela locação quando foi registrada continua tendo? Continua tendo uma relação obrigacional porque está fora da taxatividade. eu coloquei essas 4 características dos direitos reais porque uma se conforma à outra. Gente. nem tudo que se registra é direito real. Não tem lei dizendo que aquela locação virou direito real. Os direitos obrigacionais podem ser livremente criados pelas partes. O exeqüente pode tirar o apartamento do cara. Apesar de ter sido registrada.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 10 Então. I. 1225.

O time sharing. observadas as normas gerais fixadas neste código”. Nós já cumprimos a minha primeira tarefa: mostrar que direitos reais e direitos obrigacionais são duas categorias de direitos patrimoniais. Podem perguntar em concurso para vocês: qual é a diferença de taxatividade e de tipicidade? Porque os direitos reais são taxativos. a liberdade de criar relações obrigacionais está submetida à boa-fé objetiva e à função social do contrato. mas com as suas distinções. Mas por que mesmo não tendo essa lei eu digo para vocês que é propriedade? Pelo seguinte: qual é a característica do time sharing? X pessoas . mas eles não são típicos. Tem uma rede de hotéis onde ele pode. CC: ”É lícitos às partes estipular contratos atípicos. 1225. CC. são efêmeros porque a obrigação nasce para ser cumprida. 425. as relações de direitos reais são relações duradouras. Os direitos reais não precisam para serem classificados como direitos reais estarem alinhavados no art.CC. Quais são as normas gerais? Princípio da boa-fé objetiva e função social do contrato. Pergunta de aluno: inaudível. pois os direitos obrigacionais pela sua própria consideração são transitórios. Resposta do prof. Art. Ou seja. Qual desses dois grupos de direitos tende a ter uma duração maior? Reais ou obrigacionais? Reais. com as suas peculiaridades. enquanto as relações de direito obrigacional são marcadas pela transitoriedade. pelo efêmero. eu vou além para que a gente possa até refletir sobre certas coisas. é um tipo de propriedade? É. 425.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 11 Quer dizer que nós dois podemos criar qualquer tipo de contrato? Qualquer coisa a gente pode colocar no contrato? Não. mesmo nas relações contratuais. ao qual ele se filiou chamado time sharing. Isso significa o seguinte: o Marcos Paulo tem um sistema. Mas qual é a regulamentação no Brasil? Tem alguma lei que está trabalhando no Brasil o time sharing como propriedade? Não tem. Então. todo ser humano aspira a dominar um objeto. mas nem tanto. uma semana por ano entrar em um desses hotéis pagando uma certa quantia. Eu só estou dizendo que os contratos são abertos. Os direitos reais estão marcados pela permanência porque em matéria de coisas. Eles são taxativos. O objeto da obrigação é o seu adimplemento. mas não são típicos. Então. Art. Basta que exista uma norma incorporando à categoria de direitos reais para que isso possa ser alcançado. que quer dizer em português tempo compartilhado.: Perfeita a sua colocação. eles são numerus clausus.

É a chave dos direitos reais. da fruição. CC. presa de tipicidade de direitos reais. mas todos são condôminos. 1225. Nada impede que alguém nessa sala use a sua autonomia privada. Tipicidade quer dizer que os direitos reais só são aqueles do art. Como eu posso conceituar propriedade? Tradicionalmente o conceito de propriedade está no art. esse não é o conceito de propriedade. 1228. CC. 1228. CC e conceitua a propriedade através dos atributos do uso. pois é algo realmente muito mais afeto ao ordenamento democrático a idéia da taxatividade do que a idéia restritiva. A taxatividade é mais ampla pois ela admite que os particulares possam exercer a sua autonomia exatamente para dentro desses tipos criarem novas formas de direitos reais adaptadas a outras situações. CC. da disposição e da reivindicação da coisa. Trocando em miúdos: no art. Taxatividade quer dizer o seguinte: os direitos reais. na acepção do termo e só. use a sua criatividade. 1225. Taxatividade é sinônimo de numerus clausus. vem o art. CC? O proprietário poderá usar.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 12 são donas daquele quarto de hotel. Quando eu digo tipicidade eu sou mais restritivo ainda. Mas taxatividade significa que nada impede que as partes possam usar a sua autonomia privada para conformar os modelos que estão no artigo 1225. CC. Isso está dentro da taxatividade. 1225. em princípio são os do art. eu quero dizer que isso é um erro. CC tem propriedade? Tem. Então. fruir. Ninguém entende direitos reais sem passar pela idéia primária da propriedade. Qual é a sutileza dessa propriedade? É que cada proprietário só pode utilizar uma semana por ano. a sua liberdade para adaptar a propriedade a um modelo diferente de propriedade chamada time sharing. . dispor e reaver a coisa contra quem injustamente a possua ou detenha. O que diz o art. Por que falar de propriedade? Porque a propriedade é o mais importante dos direitos reais. Aqui no Rio de Janeiro muitos autores começam também a utilizar essa diferença e eu também a utilizo em meu livro de direitos reais. Vamos falar sobre propriedade. E por que essa espécie de condomínio é direito real? Porque taxatividade é diferente de tipicidade. Agora pessoal. 1228. Gustavo Tepedino é quem defende muito essa distinção entre taxatividade e tipicidade. Moral da história: é uma espécie de condomínio.

a propriedade é sinônimo de titularidade. inciso XXII. A propriedade é a representação que se dá através dessa relação jurídica. Não é. a propriedade não é o objeto. essa é a base do direito de propriedade. que é o direito subjetivo de exigir esse dever genérico de abstenção de toda a coletividade. A propriedade é muito mais interessante. a propriedade não é o corpo em si. Então eu vou explicar para vocês agora o que é propriedade para valer.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 13 Nunca coloquem em uma prova de concurso que ser proprietário é poder usar. você passa a ser titular de um direito subjetivo. como a propriedade pela Constituição tanto pelo art. A todo direito subjetivo se contrapõe um dever. O que o art. . 5o caput como pelo art. E ainda digo mais. E da onde eu tiro essa conclusão? O que é direito subjetivo? É o direito de uma pessoa de exigir uma prestação de outra. Ou seja. 5o. E essa relação jurídica chamada propriedade vai nascer no momento em que Flávio tenha a titularidade da coisa. Essa relação jurídica eu chamo de direito de propriedade. E qual é o meu direito subjetivo? Exigir de todos o dever de não influir no exercício da minha propriedade. fruir ou reivindicar. não só a propriedade é uma relação jurídica. um comportamento. Fábio tem o direito subjetivo de exigir da coletividade o dever de abstenção. 1228 faz é apenas descrever as 4 faculdades da propriedade. e talvez seja a parte mais interessante. A propriedade é uma representação de bem e essa representação de bem surge do registro. O direito subjetivo de propriedade é a relação jurídica entre proprietário e não proprietário. a propriedade é um direito fundamental. a propriedade não é o bem. Então. ou seja. A propriedade é a relação jurídica entre o proprietário e a coletividade. Flávio é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira. Esta relação jurídica se chama direito de propriedade. No momento em que o imóvel está registrado em seu nome. Aqui está o erga omnes que é o tal que tem dever de abstenção. E a coletividade tem um dever. A propriedade não é a coisa. Nunca digam que a propriedade é a soma desses atributos. não é o bem da vida. Então. O que é a propriedade? Vocês equivocadamente pensam que a propriedade é a coisa: cobertura na Delfim Moreira. é a alma. Isso que é o direito subjetivo de propriedade. Mas não está dizendo efetivamente o que é direito de propriedade. Quando vocês são credores vocês não podem exigir uma prestação de outrem? Neste caso.

protegido e privilegiado. XXII quer dizer que é garantido o meu direito subjetivo de exercer a minha propriedade com o respeito de todos. quando o ordenamento jurídico de um país facilita essa pessoa a ter essa propriedade. No país em que existam instituições estáveis que . Então. a propriedade e a segurança. O art. 5 o. Porque a propriedade é local por excelência em que a sua entidade familiar se desenvolverá.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 14 A propriedade é um direito fundamental pelo seguinte: o que o art. garantido. Ou seja. Por que a propriedade está no mesmo pé que a vida. desenvolve a sua privacidade. E o direito à felicidade se dá em qualquer ordenamento jurídico em que as pessoas tenham liberdade de serem proprietárias. CRFB/88 que o exercício do direito de propriedade é uma parte fundamental da nossa ordem econômica. a propriedade é um direito fundamental do ordenamento jurídico porque significa basicamente a liberdade de toda pessoa de ser feliz. 170. Nas entrelinhas. XXII diz que é garantido o direito de propriedade. O art. Porque é dentro da propriedade que você desenvolve seus direitos da personalidade. de se desenvolver como ser humano. que é um direito fundamental de 1a geração. 5o. a liberdade. Quando uma pessoa tem acesso à propriedade. ele quer dizer que a propriedade é uma relação jurídica. Propriedade é uma representação básica do direito fundamental à liberdade. isso quer dizer que é garantido o direito subjetivo de propriedade erga omnes. Por que liberdade? Porque a propriedade é o local onde a pessoa se realiza como ser humano. E a grande questão é que todos os países do mundo que se desenvolveram e acumularam riquezas são os países que protegeram os contratos e a propriedade. a propriedade é um direito fundamental porque o Estado democrático de direito em que nós vivemos considera também o art. caput assegura? A vida. lembrem da propriedade como um direito fundamental e não é apenas um direito fundamental não. Faz parte exatamente do princípio da livre iniciativa do desenvolvimento da ordem econômica que o direito de propriedade seja resguardado. Acima de tudo. que a liberdade? Porque propriedade é sinônimo de liberdade. II. Eu sempre digo aos meus alunos que eles se preocupam demais com a função social da propriedade e se preocupam de menos com a propriedade em si. o que está dando a essa pessoa? Liberdade. 5o.

existe segurança jurídica. já não é mais direito de propriedade. . ele é um cidadão. 5o. Isso é o compromisso de um estado democrático de direito. O sujeito não é mais marginalizado. Então. Então. Nesse momento muitos de vocês devem estar pensando: se é direito de propriedade por que alguns autores chamam isso de direito à propriedade? Porque o art. Ele tem o compromisso de transformar a sociedade. Isso é muito importante. efetivar os direitos fundamentais que estão na Constituição. ele tem que buscar acesso à propriedade porque o ser humano só pode ser chamado de ser humano se ele tiver o patrimônio dele. é direito à propriedade. não. pois tem que ser preservada ao máximo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 15 protejam o contrato e a propriedade existe crescimento econômico. se ele tiver o chamado mínimo existencial. E o cara só vai ter patrimônio mínimo. respeito e auto-estima ele precisa de um mínimo existencial. eu expliquei para vocês o que é o direito subjetivo de propriedade. Ou seja. O mínimo existencial significa o passaporte para a cidadania. XXII quando fala “é garantido o direito de propriedade”. É o estado que deixa as relações de direito privado de uma certa forma. E quando eu falo que é garantido o acesso ao direito de propriedade e quando eu digo isso. Ele quer. a propriedade é direito fundamental. As relações patrimoniais também sofrem o influxo dos direitos da personalidade porque a partir do momento que a dignidade da pessoa humana é o princípio fonte da Constituição Federal. de uma forma radical. No estado democrático de direito. se esse cara tiver um conjunto de bens necessários à sua sobrevivência. implicitamente quer falar outra coisa: não é só garantido o direito de propriedade a quem tem. Vocês estudam que direitos da personalidade não devem pensar que direito da personalidade é apenas dentro das relações extra patrimoniais. É uma relação jurídica e é direito fundamental que está na CRFB/88 de maneira clara. é sinônimo de liberdade. se é esse o objetivo de um estado democrático de direito. correrem soltas. Qual é a diferença do estado democrático de direito para o estado liberal? O estado liberal é o estado pouco intervencionista.É a possibilidade de qualquer cidadão brasileiro ter acesso à propriedade. é claro que o ser humano para ser chamado de digno. para ele ter consideração. O que é o mínimo existencial? É um patrimônio mínimo. Então. É garantido também o acesso ao direito de propriedade. só vai ter mínimo existencial se ele tiver propriedade.

5o. existe relação jurídica de Flávio com o imóvel? Não. que é um capital morto. Então. Só existe relação jurídica entre pessoas. onde essa população toda que mora só tem posse e mais nada. pois o favelado que agora é dono do barraco pode ir ao banco e pegar um empréstimo e com este empréstimo ele já pode realizar uma atividade econômica. Se você pegar e der para eles a propriedade. Mas como no Brasil não existe isso. Se tudo isso é propriedade. não existe nenhuma iniciativa de dar acesso à propriedade. mas é uma opinião que eu tenho muito clara. Isso não vai cair na prova.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 16 Então. é o acesso à propriedade. Ninguém vai perguntar isso em concurso. filosofia. direito ao acesso à propriedade? É só você pegar esses milhões de favelas que existem por aí. pois não existe relação jurídica de pessoas com coisas. Então eu vou dizer uma coisa com pensamento de economista. Deve-se estudar o direito de forma interdisciplinar. o que significa a relação jurídica de Flávio com o imóvel. ele já faz parte da civilização. a garantia do direito à propriedade está implícita também no art. porque elas não têm acesso à propriedade. e transforma em um capital vivo. E estudar direito de forma interdisciplinar não é só conhecer sociologia. você pega o capital deles. isso é muito legal. como é que é o nome da relação material de poder que o titular tem sobre a coisa? Domínio. mas é também conhecer economia. a migalhas porque elas são dignas de pena. E o defeito do jurista é que ele não conhece nada de Economia e aquilo que eles escrevem no mundo real não bate. de subordinação. Estudar direito para mim hoje em dia não é apenas estudar o direito. Sabe como no Brasil você pega e materializa esse direito fundamental ao patrimônio mínimo. é uma relação jurídica. . Isso aqui eu vou falar em 1 minuto para vocês. é dar acesso à propriedade a quem não tem. O que existe entre Flávio e a cobertura na Delfim Moreira é uma relação material de dominação. Se a relação é s]de subordinação. mas é só para vocês terem uma idéia de que o compromisso da CRFB/88 não é só garantir o direito de propriedade a quem já tem. regularizar e dar para eles a propriedade. esses terrenos ilegais.não tem critério. se alguém perguntar no concurso qual é a diferença de propriedade e domínio você vai responder que a diferença entre propriedade e domínio é a seguinte: propriedade é a relação jurídica do titular com o não proprietário. Em primeiro lugar. Se exige dos não proprietários um de ver de abstenção. os favelados ficam à mercê de políticas clientelistas como o bolsa família e ficam submetidos a esmola.

Quando alguém viola o seu direito subjetivo. Ele violou o seu direito subjetivo. é uma pretensão pessoal. Flávio. Qual é o dever do Zé Rainha? É o dever de abstenção. Eu vou usar a coisa. . é uma ação pessoal porque reinvidicar a coisa não é um atributo do domínio. Então. É uma pretensão pessoal contra o Zé Rainha. Percebam o que eu vou falar. ação reinvidicatória. Você ajuíza contra ele uma ação reinvidicatória. sabe por quê? Porque você não reinvidica a coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 17 Domínio é a situação matéria de poder do titular sobre a coisa. pois o dono pode dispor da coisa amanhã. E dispor também. Usar e fruir são poderes ligados à idéia do domínio. ela é direito subjetivo. Olha como vai ficar fácil quando eu explicar para vocês através de outra forma. se é relação jurídica. Como é o nome dessa pretensão que o proprietário tem contra os não proprietários? Pretensão reinvidicatória. Ninguém pode negar que hoje em dia a propriedade realmente não é mais uma propriedade tão imperial quanto outrora porque hoje toda propriedade tem uma função social. A coisa está submetida aos poderes do dono. o que nasce para você? Nasce para o proprietário uma pretensão. Ele obedeceu o dever de abstenção? Não. Zé Rainha odeia o dever geral de abstenção e invade a sua cobertura na Delfim Moreira. Essa é que é a idéia. Já o domínio diz respeito à situação de submissão da coisa à pessoa. se ela é direito subjetivo. E eu vou exercer a pretensão reinvidicatória contra os erga omnes que entraram no seu apartamento. que é a pretensão reinvidicatória. fruir a coisa e dispor da coisa. eu reinvidico contra o Zé Rainha. E o domínio se materializa no usar e no fruir da coisa. ou seja. A pretensão reinvidicatória é exercida contra coisa ou contra pessoa? Contra a pessoa. pois ele descumpriu o direito subjetivo de propriedade. este pode ser violado e vai nascer uma pretensão e a pretensão se chama pretensão reinvidicatória. você reinvidica contra quem violou o dever de abstenção. Vou falar dessa ação nas próximas aulas. você reinvidica contra Zé Rainha. mas eu reinvidico quando o meu direito subjetivo é violado e nasce essa pretensão. é um atributo da propriedade. A ação reinvidicatória é uma ação real ou é uma ação pessoal? É uma ação pessoal. Isso é para mostrar que propriedade é relação jurídica.

CC: “São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade. ela é o abuso do direito. O abuso do direito é um direito subjetivo que foi exercido sem legitimidade. XXIII.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 18 Em resumo. que foi exercido ferindo os limites éticos do ordenamento jurídico. Então. Quando a sua propriedade não tem função social. Nota zero ou dez? Nota zero. não só ela deixa de ser um direito fundamental. a sua propriedade perde a posição de direito fundamental. como é que ele fica? Rico. se essa propriedade não tem função social. Se ela não tem legitimidade. o que acontece com esse cara. O abuso do direito surge quando alguém exerce o seu direito subjetivo de forma desproporcional. CRFB/88 diz logo em seguida que a propriedade atenderá a sua função social. Eu posso dizer que o inciso XXII e o inciso XXIII são contraditórios? Como o legislador diz no inciso XXII que garante a propriedade. 1228. ela não tem merecimento. CC. como ela vira um ato ilícito. . Por que não serve para nada? Porque o §2o está falando do abuso do direito numa visão objetiva ou subjetiva? Subjetiva. XXII. ou utilidade. Então. Em tesa a propriedade dele não é garantida? É. pois ele diz que só haverá abuso do direito quando o proprietário tem o animus de prejudicar alguém. §2o. eu tenho um dilema para resolver com vocês: o art. Isso é contraditório? Não. Quando a sua propriedade não tiver função social. Vou ler com vocês. por acaso. 5o. Art. CC. 187. ela não tem legitimidade.§2o. Por que é uma relação de complementaridade? Porque o padrão de exigência da CRFB/88 é o seguinte: a sua propriedade só será um direito fundamental enquanto ela tiver função social. Por que uma propriedade sem função social passa a ser um ato ilícito? Porque se a propriedade não recebe função social ela vira um ato ilícito por abuso do direito do art. 1228. Os incisos XXII e XXIII estabelecem uma complementaridade. né? Não. CRFB/88 garante direito de propriedade e o art. 5o. e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem”. Mas ele deu função social? Não. de forma contrária ao sistema. alguém tem uma propriedade e a utiliza para plantar maconha. Se. se ela não tem merecimento. eu pergunto para vocês: me dêem uma nota de zero a dez para o art. mas no inciso XXIII diz que a propriedade tem que ter função social. sem merecimento. O que eu quero saber é o seguinte: o cara usa a propriedade dele para plantar maconha.

O resultado da conduta foi contrário ao que o sistema quer? Não. Qual é a estrutura da propriedade? A estrutura da propriedade está no art. E ao mesmo tempo em que ele satisfaz o seu interesse individual. 1228. CC adotou o conceito objetivo do abuso de direito. 187 para o conceito objetivo do §2o do art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 19 Para que a propriedade seja um abuso de direito. fruir. O que significa função? Função quer dizer finalidade. pois a propriedade ainda é um direito privado protegido pela Constituição. São os poderes que o proprietário tem de usar. não é uma questão subjetiva de pesquisar o animus do agente. O art. papel social. CC não adotou o conceito atrasado e retrógrado. Ela é formalmente individual. que é o conceito subjetivo do abuso de direito. 1228. Só que apesar dela ser formalmente individual. Qual é a função da propriedade perante a sociedade? Quando eu pergunto pela estrutura eu pergunto o que é a propriedade? Art. que é quando ele usa. frui. sua estrutura: usar. 1228? No conceito objetivo de abuso de direito para que haja o abuso de direito. Ou seja. eu pergunto para quê serve essa propriedade? Para onde ela está orientada? Qual é a sua missão? Sabe quando uma propriedade tem função social? Quando o proprietário satisfaz o seu interesse econômico e pessoal. É por isso que propriedade sem função social é um ato ilícito. como qualquer direito subjetivo. basta que a conduta de uma pessoa lese as finalidades dadas pelo ordenamento. E por que ele não ofende o bem comum? . E qual é a diferença entre o conceito subjetivo do abuso de direito do art. O que é a propriedade. mas é materialmente social. Quando eu pergunto pela função da propriedade. Ou seja. A estrutura da propriedade é a origem da propriedade. para que ela não tenha função social é necessário para o juiz no caso concreto aferir qual era a intenção do proprietário? Óbvio que não porque o art. tem estrutura e função. CC. A propriedade ainda pertence ao particular. dispor e reinvidicar. ele não ofende o bem comum. ela é materialmente social. Não interessa o aspecto subjetivo e psicológico. A propriedade hoje. fruir. dispõe e reinvidica. 187. Por exemplo: plantou maconha. Para que ela seja um ato ilícito. É uma questão objetiva de pesquisar o resultado da sua conduta. a finalidade dela tem que satisfazer o interesse coletivo. Sabe como a gente junta o inciso XXII com o inciso XXIII? A propriedade hoje é formalmente individual. 187. O que interessa é que objetivamente aquele comportamento é sancionado. dispor e reinvidicar.

servidões administrativas. mas sim ela conforma a propriedade. estou querendo dizer que a propriedade é protegida. Sabe o que tem em comum tanto as limitações do direito administrativo quanto as limitações do direito de vizinhança? Porque todas elas são restrições à propriedade. A função social da propriedade entra como quinto elemento. mas não lesa a coletividade que está em volta dele. Flávio? No momento em que você a registra. Então. A melhor forma de explicar que a função social não limita. é aquela que satisfaz tanto os interesses econômicos que o proprietário quer para ele. Quais são os quatro primeiros elementos? São os elementos estruturais. Qual é o momento em que você se torna proprietário da sua cobertura. é com uma pergunta padrão em concurso público: qual é a diferença entre função social da propriedade e limitações ao direito de propriedade? Aonde vocês aprendem limitações ao direito de propriedade? Na aula de direito administrativo. Eu vou mostrar concretamente como é que a função social da propriedade se aplica. Ela atinge os interesses econômicos do proprietário. mas sim conforma. tem uma serie de restrições à propriedade. para você atender ao interesse do . Ou seja. interesses dignos de merecimento. E qual é o quinto elemento? É a função social. tombamento. Essa é a propriedade que tem função social. dispor e reinvidicar. Tem uma série de limitações administrativas. No momento em que você registra. Ela é o quinto elemento porque a função social entra na própria estrutura da propriedade. concedeu a ela interesses relevantes. pois ela não quer limitar a propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 20 Porque a propriedade que tem função social é aquela que dá retorno individual para o proprietário e dá retorno social. A função social é o quinto elemento do direito de propriedade. você tem a titularidade e aí você já pode usar. E aonde mais se aprende limitação ao direito de propriedade dentro do direito civil? Nos direitos de vizinhança. ou seja. O que ela vai fazer é encaminhar a propriedade para a finalidade eleita pelo sistema. mas a fincão social se agrega como legitimação. fruir. ou seja. Citem limitações ao direito de propriedade do direito administrativo. ela dirige a propriedade para suas finalidades constitucionais. como merecimento. Mas você também tem que avaliar se além de você se satisfazer como dono. como também dá retorno social.

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Estado no direito administrativo ou atender ao interesse do vizinho no direito de vizinhança, o que o legislador faz? O legislador restringe os direitos do proprietário. Por exemplo, Flávio, você tem a cobertura no Leblon e você não pode colocar música alta após as 10 horas da noite. Isso é função social da propriedade ou é limitação ao direito de propriedade? É limitação para prestigiar o seu vizinho, para que haja tolerância nas relações entre vizinhos. As limitações ao direito de propriedade são sempre obrigações negativas, são sempre obrigações de não fazer. São restrições que o proprietário recebe para homenagear o Estado ou o seu vizinho. Mas se existe uma determinada norma que diz que você tem que plantar no seu terreno, isso é norma de limitação do direito de propriedade ou de função social? Função social, porque são normas que não querem restringir a propriedade, são normas que querem conformar a propriedade, ou seja, não são limites negativos, são limites positivos da propriedade. São normas de estímulo à propriedade, são normas de promoção da propriedade. Além de serem limites positivos, nesses exemplos que a gente estuda de direito administrativo e de direito de vizinhança, são limites externos ou internos? Externos; é porque o Estado quer, o vizinho quer. As normas de função social são normas que não apenas geram limites positivos, mas limites internos porque a função social está dentro da própria estrutura da propriedade. A função social é a força motriz da propriedade, é como se fosse o motor da propriedade, que direciona para o bem individual do proprietário, conciliado com o bem comum. Eu posso colocar em uma prova que a propriedade hoje em dia é um poder-dever? Sim. É um poder que o proprietário tem de usar, fruir e dispor, mas ele só pode exercer esse poder desde que ele exerça determinados deveres perante a coletividade. Então, é um poder-dever ou, como alguns gostam de dizer, é um direito função. É um direito e, ao mesmo tempo, função. Essa é a lógica da função social da propriedade. E o mais interessante, o que vai nos guiar hoje até o final da aula. Eu tenho dois tipos de função social no Código civil. Eu tenho a função social da propriedade urbana e eu tenho a função social da propriedade rural. É claro que apesar de existir essa menção no Código civil, qual é o diploma que, de forma mais clara, descreve função social? É a própria Constituição. Quem vai lá no art. 182, CRFB/88 retira que toda cidade que tenha mais de 20 mil habitantes necessariamente tem que ter Plano diretor.

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E esse plano diretor tem propriedade urbana. A função do plano cidade seja um espaço de inclusão, marginalidade. Para isso, foi editado 10.257/2001.

qual finalidade? Dar função social à diretor é exatamente fazer com que a e não um espaço de exclusão, de o Estatuto da Cidade que é a lei

Todo mundo nessa sala tem que estudar bastante o estatuto da cidade, pois essa é uma norma bem interessante porque trabalha direito civil, penal, administrativo, ela é transdisciplinar. Na minha aula de hoje quem está com essa lei na mão pode dar uma colada só nos arts. 5 a 8. O que interessa em matéria de função social da propriedade urbana é vislumbrado nos arts. 5 a 8 do Estatuto da Cidade. Não precisa estar com o código não. Eu vou dar uma explicação por alto só para mostrar para vocês que a função social é uma realidade. Não está apenas no plano das idéias. O que acontece Flávio se você tem um terreno baldio na Penha que você não usa para nada há dez anos, em especulação imobiliária. Vem o plano diretor e diz que aquela área na Penha é uma área preferencial para fins residenciais. O que acontece nesse momento? O que o município pode fazer com esse proprietário que está inadimplente em matéria de função social? Alguém pode me dizer, com base nos arts. 5 a 8 do estatuto da cidade o que o município pode fazer com ele? A primeira sanção é o parcelamento do solo ou a edificação compulsória. Flávio, parcelar o seu solo não precisa, porque parcelar quer dizer lotear e o seu solo já está loteado, já está urbanizado, está na Penha. Mas o município do Rio de Janeiro também pode te obrigar a construir. Alguém já imaginou que um proprietário possa ser obrigado a construir para dar função social? Hoje a propriedade não é apenas um direito, a propriedade obriga também. Vamos dizer que o município te deu três anos para você edificar e nada de você edificar nesses três anos. Qual é a segunda sanção sucessiva que o município do Rio de Janeiro pode promover contra o Flávio? IPTU progressivo. Vale dizer, se o Flávio não construiu nos 3 anos, durante 5 anos o IPTU vai tendo a sua alíquota majorada, até chegar a uma alíquota de 15%. IPTU progressivo é constitucional? Não é confisco não? Não, pois a finalidade do IPTU progressivo não é a arrecadação. A finalidade é extrafiscal, que é conceder função social à propriedade urbana. Então, é claro que ele é constitucional.

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Não só ele é constitucional, como a súmula 668 do STF já diz que desde a Constituição de 1988, os estados já podem editar normas atribuindo IPTU progressivo. Aliás, tem uma séria discussão em concurso público, mas não é quanto ao IPTU progressivo que estamos falando. O IPTU progressivo que estamos falando aqui é quanto ao valor do imóvel ou quanto ao tempo? Isso é uma progressividade no tempo que está no art. 182, §4o, CRFB/88. É progressivo no tempo, pois cada ano que você deixa de dar função social vai aumentando o IPTU progressivo. Cabe IPTU progressivo também, mesmo para os proprietários que dão função social, com relação ao valor? Se o seu imóvel que está na Delfim Moreira e custa R$ 2 milhões terá alíquota maior do que o meu porque o meu vale R$ 200 mil? A partir da EC 29, passou a ser assim. Não pelo art. 182, §4o, mas pelo art. 156, CRFB88. Então hoje também tem IPTU progressivo quanto ao valor venal. EC 29 que alterou o art. 156, CRFB/88. O STF hoje não está discutindo a constitucionalidade do IPTU progressivo no tempo, ela é tranqüila. O que o STF está discutindo é a constitucionalidade do IPTU progressivo quanto ao valor venal. Essa é a grande discussão no STF que, em breve, irá decidir. Alessandra, você que é esposa do Flávio, passaram os 5 anos pagando IPTU progressivo e nada de darem função social ao imóvel. Qual é a terceira e última sanção que o município do Rio de Janeiro pode impor? Desapropriação. Alessandra e Flávio ficam felizes porque foram desapropriados e vão receber uma grana? Não. Isso é uma desapropriação sanção. Vocês não serão indenizados em grana, mas sim em moeda podre, isto é, títulos da dívida pública resgatáveis em 10 anos. A desapropriação sanção tem qual finalidade? Retirar o bem do patrimônio do particular justamente porque ele foi inadimplente na sua função social. Duas boas perguntas para prova de direito civil ou de direito administrativo: o que o município faz quando desapropria o imóvel pertencente ao Flávio? O município vai desapropriar para realizar aquela edificação compulsória que o particular deveria ter realizado. Ele desapropria para dar aquela função social que o estatuto da cidade tinha planejado, ou seja, ele desapropria para depois esse imóvel voltar para o poder dos particulares. É uma desapropriação específica para a concessão de função social. E a segunda pergunta é: o que acontece com o município do Rio de Janeiro se o prefeito César Maia no prazo de 5 anos, a contar da data da desapropriação, deixar o imóvel desapropriado largado e não der a ele a

jogar no lixo o direito fundamental de propriedade. que vocês tenham sido previamente chamados para o contraditório. . Tudo isso é função social da propriedade urbana.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 24 função social? O prefeito responderá por improbidade administrativa. Essa três sanções são progressivas. volta o imóvel para o particular ou não volta? A lei silencia. Um exemplo bem simples para iniciar: Pedro. se por acaso você tem um grande latifúndio que é improdutivo. Essa é a posição de José dos Santos Carvalho Filho. Por mais que o município seja desidioso para a concessão da função social. Se isso for aplicado de forma desproporcional. Se o município não der função social no prazo de 5 anos após a desapropriação. mostrando que o imóvel de vocês tem função social. Se isso é um exemplo claro de função social da propriedade urbana. da lei 8429/92. a partir do momento em que ele desapropria e ele tem que dar a função social. 184 e seguintes da CRFB/88 trabalham com a função social da propriedade rural. aonde eu tenho um exemplo claro de função social da propriedade rural? No art. 184. está sendo lesado o direito fundamental de propriedade de vocês. Alguém nessa sala de aula duvida que a desapropriação para fins de reforma agrária não é aplicação da função social da propriedade rural? Claro que é. Qual seria o presente? A propriedade voltar ao proprietário que nunca deu função social a ela. é também uma obrigação do estado e do município. O prefeito responde por improbidade administrativa porque essa obrigação de dar função social não é só do particular. Os arts. pois seria ilegítimo e afrontoso ao ordenamento jurídico esse presente. Essa desapropriação para reforma agrária é privativa da União. tem retrocessão. apenas em razão de função social. qual é a sanção que o sistema jurídico te dá? Desapropriação para fins de reforma agrária. Não pode pular da primeira para a última. Volta ou não volta? Não volta. não há retrocessão. Eles estão no mesmo nível de complementariedade. Não existe hierarquia entre função social e o direito de propriedade. para que vocês tenham a oportunidade de se defender. O município só pode fazer isso com o imóvel de vocês se tiver duas coisas: o plano diretor dizendo que a área em que vocês residem é uma área específica para função social. CRFB/88. A Constituição não pode. já que silencia a lei nesse particular. Em segundo lugar.

185. é claro que cabe a desapropriação para fins de reforma agrária. Então. 225. Olha só que interessante. II. a propriedade rural requer a satisfação desses índices simultaneamente. desapropriação para reforma agrária. Qual é a diferença do confisco para a desapropriação para fins de reforma agrária? O confisco é uma desapropriação sem qualquer indenização. quando o dono de uma fazenda simplesmente não respeita os direitos sociais de seus trabalhadores. você é o maior produtor de soja do Brasil. II. CRFB/88. que fala que a função social não se resume ao aspecto econômico. naquele exemplo que eu dei daquele sujeito que planta maconha no terreno rural dele a solução é a desapropriação para reforma agrária? Não. A função social também tem que atingir proveito de trabalhadores e o resultado ambiental positivo. pois isso é uma interpretação do art. . Mas ela tem que ter além de retorno individual. Então. II. 186. que é um bem de uso comum a nós todos. Não se contraria o art. Aí o examinador pergunta: e se nessa fazenda dele.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 25 Agora. Além da produtividade econômica. Se ela for produtiva. Quando ele ofende o meio ambiente. pelo art. questão de concurso público: Beto. Os interesses trabalhistas são interesses coletivos e os interesses ambientais são interesses difusos. O que é retorno metaindividual? Ela tem que dar satisfação econômica para o Beto e tem que dar satisfação aos interesses difusos e coletivos. A sua propriedade pode ser desapropriada para fins de função social? Dêem uma olhada no art. 243. CRFB/88. O art. que é produtiva. também cabe. ela tem que ter índices de função social ambiental e índices de função social trabalhista. Art. retorno metaindividual. Pessoal. 185. Essa é a idéia da CRFB/88. CRFB/8 diz que não é possível desapropriar a grande propriedade rural se ela for produtiva. não cabe desapropriação dessa fazenda do Beto. ele não paga salário para os seus mil funcionários ou se ele destrói o meio ambiente e provoca destruição total? Mesmo assim não cabe desapropriação? Para que a palavra “produtiva” seja atendida. O que é função social ambiental e função social trabalhista? São índices que deixam claro que a propriedade do Beto pode ser muito interessante sob o ponto de vista do retorno individual para ele mesmo. CRFB/88. CRFB/88. A solução é o confisco. Se um deles não existir. Quanto maior a função social. não é apenas necessário ter produtividade econômica. 185. maior é o merecimento do proprietário.

Quanto menos função social você dá. Olha o que diz o §2o do art. você é indenizada em dinheiro. Percebam que os valores variam conforme os interesses. deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. você tem uma propriedade que recebe função social e uma estrada vai passar por ela. 1276: presumir-se-á de modo absoluto a intenção de abandono quando cessados os atos de posse. além de você se ausentar fisicamente do bem. não pagou os tributos relativos a ele. 150. não seria um novo caso de confisco? Você criar uma presunção absoluta de abandono pelo simples fato de uma pessoa deixar de pagar tributo não seria caso de tributação com efeito de confisco. maior será a sanção do ordenamento jurídico. maior é a sanção que você recebe pelo ordenamento jurídico pela quebra desse princípio da função social. qual é a questão de concurso mais importante onde se revela a função social da propriedade no código civil? É a seguinte: se o Flávio tem um terreno. 1276. propriedade rural tem função social e. CC diz que o imóvel urbano que o proprietário abandonar será arrecadado com bem vago e passará 3 anos depois para a propriedade do município.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 26 Alessandra. antes de continuar a matéria. Está-se discutindo se esse §2o do art. CC. O art. Quanto maior é a ofensa à função social. você vai ser indenizada em quê? Títulos da dívida agrária. que é uma norma de função social é constitucional ou inconstitucional? Ele. Há 10 anos tramita no Senado uma emenda dizendo que colocar trabalho escravo é caso de confisco. que é proibido pelo art. urbano ou rural. 1276. e o abandona. esse terreno pode ser arrecadado pelo poder público? Sim. Então. você vai ter que indenizar o cara por desapropriação por reforma agrária. Se você planta maconha. deixa de pagar os tributos reais que incidem sobre a coisa. você não vai ser indenizada. CRFB/88? Foram feitos 2 enunciados pelo CJF. 1276. Mas se nesse tempo em que o Flávio abandonou o imóvel. . Mas se você não consegue cumprir a função social. Está dizendo que haverá uma presunção absoluta de abandono quando. mas tratar ser humano como coisa e instrumentalizar gente. Notem que propriedade urbana tem função social. plantar maconha dá confisco. Eles não aprovam pois eles são os maiores empregadores dessa gente. fica ainda mais fácil arrecadar? Fica. art. na verdade.

mas sim propriedade imaterial. 1276 não pode ser interpretada de modo a contrariar a norma do art. mas não defendo a socialização da propriedade. é uma forma de vocês terem segurança sobre pontos controvertidos do direito civil. mas não é propriedade de coisa. Eu.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 27 Enunciado do CJF não é súmula. Coisa é todo bem que tem valor econômico. bens materiais tangíveis. Propriedade na constituição é crédito. pois eles exprimem a opinião majoritária da doutrina brasileira sobre determinado assunto. Bem é uma idéia de qualquer objeto que é algo de valor para nós. direito autoral sobre uma música. pois propriedade no CC está dentro do direito das coisas. A idéia de bem é muito mais ampla do que a idéia de coisa. . pois ela considera qualquer espécie de objeto suscetível de avaliação econômica. ações de uma empresa. 150. Patente é propriedade? Dinheiro é propriedade? Software é propriedade? Tudo isso é propriedade. mas é muito importante que vocês conheçam. é propriedade intangível. Estou trabalhando com estado democrático de direito. Coisas são bens corpóreos. O enunciado 243 diz o seguinte: “A presunção de que trata o §2o do art. IV é o que proíbe que qualquer tributo seja utilizado com efeito confiscatório. Aqui na~tem nada de Marx. 150. é bem. Bem é gênero e coisa é espécie. Perfeito. 1276 depende de devido processo legal em que seja assegurado ao interessado demonstrar a não afetação de posse”. propriedade na Constituição não é coisa. Mas quando a CRFB/88 garante direito de propriedade. propriedade é bem. sou defensor da função social da propriedade. Então. Aonde a função social da propriedade é mais ampla: no Código civil ou na Constituição? Na Constituição. O art. para que o proprietário possa provar que não deixou de possuir. Nelson. O enunciado 242 está dizendo que não pode o Estado simplesmente arrecadar a propriedade sem que antes haja o contraditório. que ele não abandonou o terreno. Deve ter o contraditório em decorrência também do direito fundamental de propriedade. tias com dinheiro no banco. Olha o que diz o enunciado 242 do CJF: ”A aplicação do art. qualquer crédito que eu tenho no patrimônio é chamado de propriedade. Por isso que o mais correto é falar em função social da propriedade porque cada propriedade tem um regime específico de função social. O CC só cuida da propriedade de coisa móvel ou imóvel. IV da CRFB/88”.

não é possível se criar uma norma de função social da propriedade. CRFB/88. ficar 6 meses ausente da sua fazenda. Uma pessoa só pode ser ameaçada de alguma forma no seu direito de propriedade pela quebra da função social quando essa norma de função social for uma norma que estiver em lei e for uma norma proporcional. o governo federal fazer um decreto para mudar os índices de aproveitamento de terrenos rurais no Brasil. Possuem o direito metaindividual de exigir função social. O laboratório pode ganhar dinheiro com a patente? Pode. Flávio. exigindo o dever de abstenção de toda a sociedade. o proprietário pode exigir dever de abstenção. deverá conceder função social. que está no art. mas ao mesmo tempo. aqui está a sua cobertura na Delfim Moreira e aqui estão os erga omnes. O proprietário tem direitos e deveres perante a coletividade. O que existe é que a função social da propriedade só pode ser aplicada nas hipóteses que estão na lei. o proprietário só pode ser lesado por quebra de função social nas hipóteses específicas que estão na lei e que tenham razoabilidade. por pressão do MST. XXIII. Ou seja. Quer dizer que se o Flávio não der função social à sua propriedade. De agora até o final da aula eu vou chamar os erga omnes de não proprietários. . não é anarquia. 5o. A sociedade pode exigir que o proprietário dê função social. Vale dizer. o que ele fez? Função social da propriedade. A propriedade como um todo sofre os influxos da função social. Mas até que ponto a propriedade pode ser exercida pelo laboratório? Até o momento em que sua ganância seja tão grande que lese toda a sociedade brasileira que tem o direito fundamental à saúde. estará autorizando o Zé Rainha a invadir a fazenda? Não. 5o. XXII que garante um direito subjetivo que é um direito de propriedade. é direito de propriedade. A propriedade hoje é uma relação jurídica complexa porque hoje a propriedade tem duas vias. pois quando eu digo que existem deveres do proprietário perante a sociedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 28 Hoje o grande desafio é: patente tem função social? Direitos autorais têm função social? Claro que têm. Está na iminência de. Por exemplo: por decreto. Quando o ministro quebrou a patente de dois medicamentos. Não sei se vocês estão acompanhando. Primeiro você já viu que propriedade é uma relação jurídica entre os proprietários e não proprietários e essa relação jurídica nasce do art. Os não proprietários hoje em dia têm algum direito contra o proprietário? Sim.

Todos os direitos fundamentais são relativos. acessão e transcrição. diante da situação que está em lide. Significando que só no caso concreto os magistrados. sempre com a possibilidade do STF intervir quando haja excesso nas situações. O Estado democrático de direito deve conciliar. Falar em socialização do direito de propriedade significa que hoje ninguém mais tem direito de propriedade. tornar possível que as pessoas sejam livres e iguais e fazer com que elas sejam solidárias. Bom descanso para todos vocês. Isso não existe. dirá o que deve prevalecer: a garantia de propriedade ou a função social da propriedade. que é uma coisa que quase nenhum proprietário vai atender. usucapião. A função social tem que ser aplicada dentro dos limites que estão no ordenamento e limites esses ponderados.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 29 Se isso acontecer vai ser uma catástrofe.2007 Bom dia a todos! Vamos lá amigos. mas dentro de certos parâmetros de legitimidade e de merecimento. Isso é uma questão que receberá uma conformação da lei ou do juiz em cada caso concreto. A propriedade é emanação do direito fundamental da liberdade e a função social emana do princípio constitucional da solidariedade.11. todos os imóveis. pois eles vão pedir um índice de aproveitamento de praticamente 100%. A segunda conclusão é a seguinte: é mais importante direito de propriedade ou função social? Nenhum dos dois. Um não é mais importante do que o outro. não existe a princípio um que seja mais importante. Hoje nós temos esse tema: modos de aquisição da propriedade imobiliária. perderão sua garantia fundamental de propriedade por pressão política de determinados grupos. Já no código civil atual os modos de aquisição da propriedade são: registro. que o proprietário possa dela retirar a sua liberdade. Nosso segundo encontro de direitos reais começa nesse instante às 10:15h da manhã. Então. Então. Estou terminando a aula agora. 06. Nós temos vários temas a tratar. que é permitir que a propriedade continue privada. Amanhã de 10:15h às 12:15h eu começarei os modos de aquisição da propriedade. O que existe é função social. Rio. de uma hora para outra. No Código civil passado os 4 modos de aquisição da propriedade eram sucessão. A propriedade se tornou coletiva. . Ambos são direitos fundamentais e não existe direito fundamental absoluto no ordenamento. usucapião e acessão.

mudou? Mudou de sexo. 481.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 30 Vamos ver essas mudanças. Nelson. Hoje nós utilizamos registro como modo de aquisição da propriedade. a única coisa que eu fiz com você foi um contrato de compra e venda que já é uma prestação de dar coisa certa. Eu faço escritura pública de compra e venda porque no Brasil todo bem imóvel cujo valor seja superior a trinta salários mínimos. Nesse momento em que você tem a escritura pública. Ana Paula. A tradição se contenta com a simples entrega da coisa. Então. Acessão). Agora. porque agora ninguém mais fala o usucapião. Usucapião. Ninguém mais fala transcrição. eu faço uma escritura pública de compra e venda. . Eu vou começar pelo registro. por que a sucessão não é mais modo de aquisição da propriedade? Gente. para mim em provas vocês podem utilizar o masculino ou o feminino. Acessão continua da mesma forma. pois o registro não se dá simplesmente com a entrega da coisa. não deve estar no livro dos direitos reais. A escritura pública é requisito de validade do negócio jurídico acima de 30 salários mínimos. Usucapião. Qual é o nome do caminho da aula de hoje? É o caminho da RUA (Registro. Não basta a tradição da coisa. necessariamente a forma contratual tem que se dar pela via da escritura pública (art. Formal de partilha e carta de arrematação também são títulos. quando eu tenho esse vidro e eu quero transmitir a propriedade desse vidro que é bem móvel. mas sim a usucapião. tenho um imóvel no Catumbi e quero vender para o Flávio. essa escritura pública que está em suas mãos é o quê? É um título. Em primeiro lugar. Eu. Flávio. CC magistralmente demonstra que Flávio tem apenas em mãos uma relação obrigacional. por esse motivo. a sucessão é modo de aquisição da propriedade? É. Vejam como o art. O registro é uma tradição formal. tem que ter a remessa do ato ao registro imobiliário. o registro é uma tradição solene. 108. Tem que estar no livro do direito das sucessões. fala-se registro. CC). como eu faço? Tradição. Então por que saiu do livro do direito das coisas? Porque sucessão é modo de aquisição da propriedade causa mortis e. Então. O registro requer a formalidade de ser levado o título ao registro imobiliário. Ele é apenas credor de uma relação de direito obrigacional. Nesse momento. Porém. Registro é um modo de aquisição da propriedade interessante. ele já é proprietário? Claro que não. A escritura pública é feita em 06/11. É indiferente.

dia 07/11. É uma nova relação obrigacional. 1227. constituídos ou transmitidos por ato entre vivos. Então. O que é um ato complexo de formação progressiva? Isso ocorre porque o registro no Brasil tem duas etapas: a primeira etapa é aquela em que o adquirente tem em mãos o título. Contrato no Brasil não transmite propriedade. você agora vai ficar muito triste. Flávio. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa a outro e esse outro a pagar certo preço em dinheiro”. de aquisição da propriedade. Posteriormente. me dirijo à Rafaela e a vendo o mesmo apartamento que te vendi hoje por escritura pública de compra e venda. CC:”Os direitos reais sobre imóveis. Flávio pega a escritura pública dele e deixa em casa. não faz o registro de imediato. leva o titula ao RGI e faz o registro. você também passa a ser credora de um direito obrigacional. Todo contrato é uma relação de dar. você leva esse título a registro. só se adquire com o registro no cartório de registro de imóveis dos referidos títulos”. Rafaela. O art. O que diz o artigo? Obriga. A segunda etapa é a que ele leve o título a registro. por excelência. Nesse instante em que a Rafaela levou o título ao RGI. CC deixa claro para vocês que no Brasil o registro é um ato complexo de formação progressiva. fazer ou não fazer. Ele que é o modo. Contrato não tem eficácia translativa no Brasil. ela se tornou proprietária? Sim. causa do negócio jurídico. CC: “Pelo contrato de compra e venda. você é apenas credor de uma relação obrigacional e Nelson está se obrigando a transferir coisa certa. CC. o apartamento no Catumbi. Art. . Mas as pessoas são muito diferentes. Todo contrato é uma relação obrigacional. Eu estou me obrigando a te transmitir essa propriedade no dia 07/11. Já a Rafaela. O que transmite a propriedade é o registro. ou seja. Tudo o que eu disse para vocês sobre o art. Sem você saber.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 31 Art. você passa a ser titular de direito real. 481. O título é sinônimo de causa. 1245. é um ato complexo que se dá de forma progressiva porque primeiro o adquirente tem em mãos um título (escritura pública de compra e venda). Então. 1227. No momento em que você registra. eu amanha. pois o modo de aquisição da propriedade no Brasil é o registro. passa a ser titular de propriedade. que diz: “Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. só que no dia 07/11. no mesmo dia 07/11. 1227 é reiterado no art.

O registro serve só para dar publicidade. fazem um contrato. Contrato não transmite propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 32 O registro tem duas funções: constitui a propriedade e a publica. Em razão desse inadimplemento. 389. por força do contrato napoleônico. fazer ou não fazer. não ficou? Então. o contrato já transmite propriedade. Contrato. CC. O que quer dizer constituir e publicar? Rafaela. 389. O que o Flávio pode fazer se ele foi lesado por Nelson? Perdas e danos contra o Nelson. Na França. não gera direitos reais. você não pode buscar a coisa na Rafaela. No dia em que eu te entrego a escritura de compra e venda na França você já é dono. Vamos às 3 perguntas de concurso público sobre tudo que eu contei até agora. se você for titular de direito obrigacional. Então. . Verdadeiro. Flávio. perdas e danos. os contratos não têm eficácia translativa. Tudo se resolve em perdas e danos. O Flávio ganha essa ação? Não. responde o devedor por perdas e danos”. os contratos têm força translativa. já que a Rafaela já é dona. na França. diz que vai entrar com uma ação reivindicatória contra a Rafaela porque o seu título é anterior ao dela. Contrato só gera obrigação. você ficou chateado. você se torna proprietária com o registro e isso gera publicidade para a sociedade que tem o dever de respeitar o novo titular da propriedade que é a Rafaela. Então. Art. sozinho.CC: “Não cumprida a obrigação. E só quem tem seqüela é o titular de direito real. Na França e na Itália é diferente. Segunda pergunta: Verdadeiro ou falso: No Brasil. vem a parte que eu julgo mais importante para o entendimento. Isso se explica pois o Flávio é titular de direito obrigacional. Quem é titular de direito obrigacional que não tem seqüela pode reivindicar? Não. vou cancelar a propriedade dela e leva-la para mim. Só pode reivindicar alguma coisa quem tem seqüela. Nelson e Washington. Qual foi a obrigação que eu descumpri? A obrigação de dar coisa certa. Não precisa de registro. Nesses países. O Flávio vai ter que procurar perdas e danos. de acordo com o art. Contrato só gera a obrigação de dar. e quem é titular de direito obrigacional tem seqüela? Não. diante disso. é a base da teoria do inadimplemento. mas não transmite propriedade.

objeto é lícito e a forma está prevista em lei. o negócio jurídico entre Nelson e Flávio é válido. na verdade. Agora gente. Depois ele estuda o livro de direitos reais. validade e eficácia do negócio jurídico. Ou seja. O negócio jurídico atendeu aos requisitos do art. Ele produziu efeitos obrigacionais. Qual é o momento em que se afere se o negócio jurídico é válido ou não? No momento do nascimento do negócio jurídico. tem efeitos obrigacionais entre as partes. É um negócio jurídico válido? Sim. Muitas vezes a propriedade que você tem não passa de uma eficácia real de um negócio jurídico válido. CC. ou seja. É um negócio jurídico bilateral. mas não pode gerar eficácia erga omnes porque faltou o elemento do registro. E esse é um bom momento para se distinguir o que é validade e o que é eficácia de um negócio jurídico. Esse negócio jurídico entre Nelson e Flávio teve eficácia? Teve. Ele fez a chamada venda a non domino. o contrato de compra e venda é um negócio jurídico? É. Olha só o que o bom civilista faz: primeiro ele estuda a parte geral para conhecer a teoria do negócio jurídico. Tanto é verdade que ele produziu eficácia obrigacional que diante do um descumprimento. Rafaela.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 33 Na teoria geral do direito civil aprende-se os planos da existência. . Qual é a importância que se deve dar ao registro? Por que se estuda direitos reais depois de direito obrigacional? Porque na maioria dos casos direitos reais não passam de efeito de negócio jurídico válido. o que quer dizer eficácia? A eficácia é a aptidão do negócio jurídico válido para produzir os efeitos desejados. Depois ele entra no livro das obrigações pois obrigações são efeitos de negócios jurídicos válidos. Ele teve direito a perdas e danos porque houve efeitos obrigacionais. o negócio jurídico só passa a ter eficácia de direito real se houver um segundo ato que é o ato jurídico administrativo do registro. Esse negócio jurídico entre Nelson e Flávio teve efeitos reais? Não. já mora nele há três anos. Agente capaz. Todo contrato é um negócio jurídico. a proprietária do imóvel. ele que é o dono e quer o imóvel de volta. ele teve direito a perdas e danos. 104. O Washington diz que a propriedade é dele e que o Nelson passou por representante dele. Teve eficácia obrigacional. O que acontece depois de três anos? Aparece Washington e diz para Rafaela que o Nelson vendeu imóvel que não era dele. fez uma procuração falsa e vendeu o imóvel. Flávio. pois a eficácia real está condicionada ao registro. Mas. queridos pela parte.

Mas ela diz que como ela registrou. ou seja. Então. Se esse título for derrubado. É o Washington. 1245. que deverá demonstrar ao juiz que o título dela é viciado. porque ela registrou. o registro será cancelado. O registro é vinculado ao título de origem. Se o Washington conseguir provar que o título da Rafaela é viciado. Ele terá que fazer prova de que o título é defeituoso. O modo é vinculado ao tipo. CC:”Enquanto não se promover. A propriedade da Rafaela já é presumida porque ela tem titularidade. ela é a proprietária. o seu registro fica vinculado ao seu título de origem. ela tem presunção absoluta de propriedade e que ninguém atira do imóvel. mas se não trouxer prova nenhuma. não é a Rafaela que precisa demonstrar que é proprietária. invalidado o título. se amanhã aparecer alguém e provar que o título de origem é viciado. por que é tão importante a pessoa registrar o imóvel no nome dela se amanha ela pode perder essa propriedade se aparece alguém? O registro te concede uma presunção relativa de propriedade que traz uma inversão do ônus da prova. o vício desse título contamina o registro. Primeiramente deve-se anular o título pois primeiro se demonstra nulidade ou anulabilidade. Isso quer dizer o seguinte: por mais que vocês tenham registrado o imóvel no nome de vocês. Quem está com razão? Washington. O próprio Código civil demonstra que a iniciativa da invalidação cumpre a Washington e que o registro só tem presunção relativa de propriedade. por meio de ação própria.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 34 Em defesa. que é o impugnante. Washington diz que ela está enganada e que não tem presunção absoluta de propriedade. e o respectivo cancelamento. Washington vai ter que ajuizar uma ação de invalidade do título c/ c pedido de cancelamento do registro. até entende que ele seja dono. A propriedade dela já é presumida. porque o direito brasileiro agasalha dois princípios básicos com relação a esse tema: o modo é vinculado ao título e registro no Brasil só gera presunção relativa de propriedade. a Rafaela diz que lendo os papéis do Washington. O que é o modo? É o registro. eu posso derrubar o seu registro. E se o seu título é falso. §2o. pois não obstante ter registrado. viciado. na lide entre Washington e Rafaela. E. a decretação de invalidade do registro. consegue cancelar o registro dela. ela permanece com a propriedade porque ela tem uma presunção relativa de propriedade. O modo é o modo de aquisição. Art. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel”. . perde sua base de sustentação.

Mas para o juiz te conceder o registro Torrens tem que ter ouvido o MP. É um processo de jurisdição voluntária. Tudo isso para gerar uma confiabilidade quanto à origem do seu imóvel. No Brasil há o sistema da abstração da causa ou não? Não. o registro é mais forte no Brasil ou na França? No Brasil. 276. que ´o título. já é dono. Na Alemanha o sistema de registro é melhor que o do Brasil. a causa. tem que ter o levantamento topográfico do terreno. Quando no Brasil o registro que você faz tem presunção absoluta? Qual é o único caso? Quando é o registro Torrens (art. É um procedimento de natureza administrativa. os confrontantes.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 35 Pelo o que eu expliquei aqui. No Brasil a presunção absoluta do sistema Torrens é só para imóvel rural. pois mesmo que você tenha registrado o imóvel no seu nome. Só se pode falar que o registro tem fé pública na Alemanha. o sistema alemão te garante presunção absoluta. O registro Torrens é feito perante o juiz de direito. Mato Grosso é comum o registro Torrens para dar maior garantia para a propriedade rural. Esse segundo contrato é que vai ser registrado no ofício imobiliário da Alemanha. No Brasil tem que haver o registro para que haja aquisição realmente da propriedade. Se você assinou o contrato. porque só tem fé pública aquilo que tem presunção absoluta. Por isso que nós falamos que o nosso sistema é o da presunção relativa. o primeiro contrato é abstraído. o que quer dizer registro Torrens? Torrens era um australiano chamado Sir Richard Robert Torrens e ele criou um sistema de presunção absoluta de propriedade na Austrália. No direito alemão a presunção de propriedade é relativa ou absoluta? É absoluta. E todos os eventuais vícios que ele pudesse ter são sanados pelo segundo contrato. . Gente. Em Tocantins. esquecido. não é abstraído. o registro não tem fé pública. já que na França o registro só serve para dar publicidade. você vai perder essa propriedade. Os dois juntos devem fazer um segundo contrato na frente do oficial do registro. No Brasil. Nelson faz um contrato com Rafaela de escritura de compra e venda. Goiás. E como é abstraída a causa. porque lá se faz abstração da causa. se lá na frente alguém provar que esse título é viciado. Esse segundo contrato se chama Convênio Real. Quando se faz o segundo contrato perante o oficial do registro. onde o juiz vai dar uma sentença te concedendo o registro Torrens. No Brasil. o registro tem força probandi. Na Alemanha. lei 6015/73).

porque proteger a propriedade também é proteger a segurança jurídica. Marcele conta para ela a cadeia causal da venda do imóvel. Isso quer dizer que por mais que a propriedade circule de A para B. o título que é viciado na origem contamina toda cadeia causal subseqüente. O código civil entende que por mais que estejam envolvidos terceiros de boa-fé. Ou seja. não pode perder a propriedade. mas do outro lado eu tenho a teoria da aparência. em colisão. CC: ”Cancelado o registro. de C para D. A ponderação de valores está aonde? Quem eu devo proteger: o proprietário desidioso que deixou o que é seu escapar das suas mãos até cair nas mãos de terceiro ou devo proteger o proprietário aparente? O que eu estou querendo dizer é que em alguns momentos o CC prestigia o proprietário aparente. A teoria da aparência visa prestigiar a boa-fé de um terceiro que por um erro escusável. Renata compra um imóvel do Paul. visto que ele é o único herdeiro. desculpável. 1247. De um lado eu tenho o direito de propriedade do Washington. esses vícios não são purgados pelo tempo. em defesa. os vícios continuam. De repente. tutelado o terceiro de boa-fé. Washington diz para ela que Nelson fez uma venda a non domino e diz que o imóvel é dele. A teoria da aparência visa justamente proteger essa pessoa que. acaba praticando um negócio jurídico. algum tempo depois. esse terceiro de boa-fé se submete à perda da propriedade pois os vícios do título são insanáveis. independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente”. pois ela confiou no registro. Art. Três anos depois aparece um filho que Bill Gates tinha e ele ajuíza uma ação de petição de herança e ganha. esse parágrafo único não pode ser interpretado de forma literal. de B para C. Washington aparece e pergunta como ela é dona desse imóvel. Marcele. Mas esse argumento não lhe garante a propriedade. Exemplo em que a propriedade aparente vence: Bill Gates morre e deixa como herdeiro o seu sobrinho Paul. vendeu para Marcele. ao mesmo tempo. pois eu tenho dois princípios que estão em posição de confronto. com um ato de confiança. de D para E.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 36 A Rafaela vendeu o seu imóvel para a Alessandra que. O filho se torna herdeiro no . acreditou na seriedade do registro imobiliário e acreditou no princípio da segurança jurídica. poderá o proprietário reivindicar o imóvel. no parágrafo único do art. Apesar do CC não ter. eu tenho que proteger o Washington. E. 1247. parágrafo único. alega que é terceira de boa-fé e que pelo princípio da aparência.

é ele que causa a evicção. 214. CC? A evicção é a perda de um direito em razão de uma demanda ajuizada por terceiro. 1827. ou seja. a confiança e a segurança jurídica. a título oneroso. §5o: “A nulidade não será decretada se atingir terceiro de boa-fé que já tiver preenchido as condições de usucapião do imóvel”. Se amanhã vocês perderem a coisa em razão da evicção. mas sim o terceiro de boa-fé que já tenha prazo de usucapião. Houve uma alteração na lei de registros públicos pela lei 10.931/04. parágrafo único. De forma clara. pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé”. Renata.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 37 lugar do sobrinho. I. Em alguns casos o código protege a aparência. Vejam o art. você vai ter que devolver esse imóvel para o verdadeiro herdeiro? O filho do Bill Gates é o verdadeiro proprietário e a Renata é a proprietária aparente. Qual é a única chance da Marcele vencer? Se essa soma de posse gerou prazo para a usucapião ordinária. Ele ajuíza uma ação reivindicatória. O Washington ajuizou uma ação de nulidade do título c/c cancelamento do registro. mas o imóvel ainda está com a Marcele que ao quer sair do imóvel. CPC que diz que a denunciação da lide se dá nas hipóteses de evicção. ela terá que sair do imóvel em decorrência da ação reivindicatória. O que é evicção do art. Washington é o evictor. Ele nulificou o título. Então. Então. Como . A usucapião ordinária pode ser alegada em defesa. Qual é a ação que ele deve ajuizar contra ela? Ação Reivindicatória. cancelou o registro. CC: “São eficazes as alienações feitas. 70. prevalece aquilo que diz o CC. A Marcele não tem prazo para a usucapião. O que a Marcel pode fazer nessa lide já sabendo que ela vai realmente perder a posse da coisa ao final da reivindicatória? Ela promove a denunciação da lide por ser um caso de evicção. Toda vez em que se vende propriedade. o alienante tem que resguardar o adquirente dos riscos da evicção. esse artigo não está protegendo qualquer terceiro de boa-fé. a Marcele promove a denunciação da lide do art. Agora vem a melhor parte. A Marcele é a evicta porque é ele que vai perder a propriedade. Terceiro é o Washington e o direito que a Marcele está perdendo é o direito de propriedade. Art. se ela não tem prazo. 447. vocês têm indenização contra o alienante.

.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 38 a Marcele promove a denunciação da lide? Tradicionalmente diz-se que a denunciação é uma denunciação sucessiva: Marcele denuncia Alessandra que denuncia Rafaela que denuncia Nelson. é claro que ele tem responsabilidade objetiva de indenizar por ter te colocado nesta situação. art.: Não. além de você ter possibilidade de ajuizar uma demanda contra a Alessandra. ela ainda pode numa ação de indenização autônoma buscar a evicção contra a Alessandra? Está escrito no art. É uma faculdade processual. dia 06/11/2007. Porque se vocês me falassem que a Marcele não mais pode buscar indenização em ação autônoma contra a Alessandra só porque ela esqueceu o prazo processual. Então. ainda tem uma ação autônoma de indenização emprazo dado pela lei. 37. Ontem eu estava vendo umas questões da PGE para dar aula em uma turma em que eu vou dar isso. CC. Pergunta de aluna: inaudível. A responsabilidade civil é objetiva pois o tabelião é prestador de um serviço público e ele registrou um título que ele jamais deveria ter registrado porque era proveniente a non domino. alienação fiduciária. Ela pode escolher diretamente contra quem ela quer litigar. evicção. estariam autorizando o enriquecimento sem causa. Marcele. pode ir diretamente na figura do alienante primitivo. É o valor do bem. você tem a possibilidade de entrar com ação de responsabilidade civil contra o Estado? E contra o tabelião? Claro que tem. pois se você perder. 50% das perguntas da PGE são ligadas a propriedade. esse 70. A Marcele pode promover a denunciação da lide diretamente contra o Nelson já que foi ele que ocasionou tudo isso? Pode. Eu ainda tenho mais três aspectos do registro para mostrar para vocês. e não é. 70. Então. Tudo isso é questão de prova. Pode ou não pode? Claro que pode. Quanto o bem valia na época em que foi perdido? Art. 450. CPC que a denunciação da lide é obrigatória. Qual é o prazo processual para fazer a denunciação da lide? Qual é o momento processual? Se ela esqueceu de promover a denunciação da lide e houve a preclusão. §6o. Resposta do prof. CPC é ridículo quando diz que a denunciação da lide é obrigatória. visto que o art. registro. que significa que a Marcele ao invés de ficar buscando os antigos proprietários um a um. Mas Washington somente registra essa escritura pública de compra e venda em 2011. 456. A evicção se dá pelo valor de mercado do bem à época da evicção. cancelamento. I. CC inaugurou a denunciação da lide per saltum. Primeiro: Nelson vende um terreno para Washington hoje. CRFB/88. promessa de compra e venda. A responsabilidade civil do tabelião é objetiva. I.

Acontece que Nelson deixou dívidas de condomínio de 2008. Se Nelson continua sendo proprietário nesse período antes dele registrar. Por que se chama obrigação mista? Porque as obrigações propter rem estão no meio do caminho entre os direito obrigacionais e os direito reais. É por isso que o outro nome das obrigações propter rem são obrigações ambulatórias. Ele não tem eficácia declaratória. a partir de 2011. a partir desse dia ele terá que pagar condomínio e IPTU pois são as chamadas obrigações propter rem. Não são direitos reais propriamente nem são direitos obrigacionais. As obrigações propter rem são obrigações que uma pessoa assume pelo fato de ser titular de um direito real. as obrigações propter rem são dele. No momento em que Washington registra o imóvel em 2011. 2009 e 2010. que foi quando o Washington registrou. Então. São obrigações. ele se torna dono a partir de 2011 ou retroativamente a 06/11/2007? Claro que ele só é dono de 2011 em diante. não nascem de um contrato. antes dele registrar o alienante continuou sendo o dono. pois pagar condomínio e pagar IPTU são obrigações de pagar quantia certa e se aproximam dos direitos reais porque são obrigações que não nascem da autonomia da vontade. São obrigações que você tem que enfrentar porque você adquiriu essa unidade imobiliária. CC: “Enquanto não se registrar o título translativo. Isso é muito importante não somente para demonstrar que o registro tem eficácia constitutiva. Você é dono a partir do registro. As obrigações propter rem sempre aderem à pessoa do novo proprietário. Na medida em que muda o titular. pois são obrigações que seguem a coisa. Qual é a diferença das obrigações propter rem para os ônus reais? As obrigações propter rem são aquelas que o proprietário assume da . São obrigações que nascem da titularidade de um direito real. pois o registro tem eficácia constitutiva. 1245. muda também a titularidade da obrigação propter rem. O que é condomínio e IPTU enquanto ele não registra? Como eu chamo essa situação? Todo mundo tem que se lembrar disso. o alienante continua a ser havido como dono do imóvel”. ele não retroage. O que são obrigações propter rem? Obrigações propter rem também são chamadas de obrigações mistas. Então. Washington também terá que pagar essas dívidas? Sim.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 39 Quando ele registra. mas gera uma série de questões. Prestem atenção no que diz o §1o do art. pois são os ônus reais. quem paga condomínio e IPTU desse imóvel enquanto ele não registra? Nelson.

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data em que se tornou titular em diante. Mas ele também assume as do proprietário anterior, que são os ônus reais. Olha o que diz o art. 1345, CC: “O adquirente de unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive multa e juros moratórios”. Isso quer dizer que perante o condomínio, Washington deve responder. Agora, olha que interessante que vocês aprenderam em direito da obrigações. Washington passa a ser responsável por um débito alheio. Se Washington paga esse condomínio ele tem direito de regresso contra Nelson? Claro que tem, pois o débito é de Nelson, mas o condomínio não quer saber de quem é o débito, ele vai em cima de quem é o proprietário, já que pela lei é ele que assume esses ônus reais. Se alguém nessa sala resolve comprar uma fazenda e o proprietário anterior praticou danos ambientais, você que é o novo proprietário vai ter que indenizar os danos ambientais que ele causou? Vai. São os ônus reais que hoje informam o chamado passivo ambiental. Tem até uma decisão recente nesse aspecto que é uma decisão do STJ dizendo que o entendimento consagrado do STJ é o de que ao adquirir área o novo proprietário assume o ônus de manter a preservação, tornando-se responsável pela reposição, mesmo que não tenha contribuído para o desmatamento. É fundamental que o novo proprietário faça um estudo do passivo ambiental do objeto para se prevenir de eventos futuros. Apesar do Washington só ter registrado esse imóvel em 2011, ele está morando lá desde 2007. Nesse período, quem arca com o condomínio do apartamento? Washington, pois hoje a jurisprudência entende que mesmo que o possuidor do imóvel não seja proprietário, mas ele seja um promitente comprador, já exista uma compra e venda ou uma promessa de compra e venda, mesmo que não tenha sido registrada, mas se a posse dele já é de conhecimento da comunidade, esse promitente comprador já assume as obrigações propter rem. Mesmo efetivamente não tendo registrado. É o art. 1334, CC que consolidou isso. Olha o que diz o art. 1334, I, CC: “I – a quota proporcional e o modo de pagamento das contribuições dos condôminos para atender às despesas ordinárias e extraordinárias do condomínio”. E o §2o do mesmo artigo diz: “São equiparados aos proprietários, para os fins deste artigo, salvo disposição em contrário, os promitentes compradores e os cessionários de direitos relativos às unidades autônomas”.

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Mesmo que efetivamente você não tenha registro, se a sua posse é de ciência dos demais condôminos, você já assume as obrigações propter rem. É uma questão de função social. Não é você que está dando função social? Então é você quem deverá arcar com as obrigações propter rem. Só para lembrar vocês: em termos de IPTU, pelo art. 35 do CTN quem é o responsável pelo pagamento do IPTU não é só o proprietário. Também quem tema posse do imóvel se responsabiliza pelo IPTU. As obrigações propter rem se ampliam. Isso é o principal quanto ao registro hoje no direito brasileiro. Tem umas alterações recentes em lei e eu fico com medo que vocês não tenham. Existe uma coisa muito comum que é a retificação de registro. O cancelamento do registro que vocês estudaram comigo é apenas uma espécie do gênero retificação. Nem toda retificação vai dar em cancelamento. Houve uma mudança significativa da lei de registros públicos com o advento da lei 10.931/2004. Essa lei alterou profundamente os artigos 213 e 214 da lei 6015/73. Só para vocês terem uma idéia muito simples: quem pode retificar registro são três pessoas: o oficial do registro, o juiz corregedor ou o juiz dentro do juízo ordinário. Exemplo: Rafaela, você chega no registro público imobiliário e diz para o oficial que quer mudar o nome do prédio pois fizeram uma convenção resolveram mudar o nome do prédio. Quem muda o nome do prédio é o oficial. Basta fazer uma retificação unilateral. Quem muda é o próprio oficial. Não precisa de juiz. Outro exemplo: Rafaela chega para o oficial que seu terreno tem 100 pelo que está descrito na escritura, mas ela quer que se faça uma medida, pois o terreno tem 150m2. O que o oficial irá fazer? Ele irá convocar o vizinho para ver se não tem nada de errado. Se o vizinho não se manifestar ou se o vizinho concordar, quem faz essa retificação é o oficial, é uma retificação bilateral. m2 É bilateral, pois foram ouvidos os vizinhos e eles não se opuseram. Mas se os vizinhos não concordarem, vai para o juiz corregedor essa discussão. Toda vez que tem impugnação, art. 213, §6o, lei 6015/73, vai para o juiz corregedor. Quando o juiz corregedor perceber que quando a pessoa quer aumentar o terreno de 100 para 150 metros, ela não está querendo apenas retificar, ela está querendo reivindicar uma área, demarcar uma área, ela está querendo a usucapião. Então, sai da retificação e vai para a justiça comum.

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Toda vez que ficar provado que a discussão não é de retificação, mas sim sobre direito de propriedade, vai para a justiça comum. É o art. 213 §6o que diz o seguinte: “Havendo impugnação e se as partes não tiverem formalizado transação amigável para solucioná-la, o oficial remeterá o processo ao juiz competente, que decidirá de plano ou após instrução sumária, salvo se a controvérsia versar sobre direito de propriedade de alguma das partes, hipótese em que remeterá o interessado para as vias ordinárias”. O juiz competente é o juiz corregedor permanente. Vamos para outro modo de aquisição da propriedade que é a acessão. É claro que tem dois tipos de acessão. Uma que não cai em concurso e a outra que cai. A que não cai em concurso é a acessão natural. Pode cair em prova de múltipla escolha. E a que cai em concurso e que é plausível de discussões é a acessão artificial. O que é acessão natural? É o aluvião, avulsão, álveo abandonado, formação de ilhas. Eu não vou estudar isso com vocês. Peço que em casa vocês leiam para em uma prova de múltipla escolha vocês tenham noção para saber a definição de cada um. O que é importante é a acessão artificial, que foi sensivelmente modificada no NCC. Todos os exemplos partem dessa premissa: Nelson tem esse terreno. Se é feita uma construção nesse terreno, como se chama essa construção? Acessão. Acessão artificial é tudo que se incorpora permanentemente ao solo pelo trabalho humano. Se o terreno é meu, a presunção é de que essa construção foi feita por quem? Pelo dono do terreno, por mim. Temos aquela regra milenar do direito romano de que o acessório segue o principal. Se o terreno é meu, a casa é minha e presume-se que foi feita com o meu dinheiro. Art. 1253, CC: “Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário”. Essa regra de que o acessório segue o principal é o princípio da gravitação jurídica que está no art. 233, CC. O que é gravitação jurídica? O acessório gravita em torno do principal. Então, se o terreno é meu, tudo o que gravita, que se incorpora a ele, é meu. Primeiro problema que eu trago para vocês. Flávio, você é do MST, é um sem-terra. Você encontra o terreno do Nelson vazio e decide ficar

Só que Flávio. Depois de 4 meses. Fica lá por 4 meses. possuidor de boa-fé. se procedeu de boa-fé. pois o art. plantas e construções. ajuíza uma ação reivindicatória para te tirar do imóvel. CC: “Aquele que semeia. Aí. pois ele tinha uma escritura que dava a ele a falsa convicção de que era dono da coisa. CC diz que você é um possuidor de má-fé. 1255. O Flávio tem direito de ser indenizado pela construção que fez? Não. terá direito a indenização”. 1255. ele será indenizado pela acessão que ele fez? Sim. quanto mais quem fez acessão de boa-fé. Ele foi lá e construiu pensando que o terreno era dele. planta ou edifica em terreno alheio perde. as sementes. O código silencia. mas sim uma escola privada que tem 1000 alunos nesse terreno. . Nelson aparece. pois aí entra a função social da propriedade que acarreta a chamada acessão inversa. poderá exigir indenização pelos danos causados no imóvel. Nelson aparece e diz que esse formal de partilha é nulo e que ele é o dono. Ele é possuidor de má-fé porque ele tem a legítima noção de que o terreno não lhe possui. O Flávio entra no terreno e constrói uma casinha modesta. Nesse mesmo sentido está o enunciado 81 do CJF que concede direito de retenção em favor de Flávio que fez acessão de boa-fé enquanto não for indenizado. Enquanto Nelson não indeniza Flávio. pois ele é um possuidor de boa-fé (art. Ele terá direito à indenização pelo valor que ele gastou com a casa ou pelo valor atual da construção? Pelo valor atual. em proveito do proprietário. 1255.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 43 nele. Tinha um formal de partilha que você recebeu que te dava noção de que você era dono e construiu lá. mas escrevam ao lada que é pelo valor atual para evitar o enriquecimento sem causa. mas a jurisprudência remansosa do STJ é no sentido de que quem faz benfeitoria de boa-fé tem direito de retenção. Muda alguma coisa se o Flávio construiu no meu terreno. in fine. este tem direito de retenção? Ele pode morar lá? Não tem nenhum artigo proibindo. O Nelson pode pedir indenização pelos prejuízos causados pela ocupação de Flávio? Pode desde que Nelson prove as perdas e danos. Isso muda alguma coisa? Muda. Olha o que diz o art. CC). Vamos mudar um pouco o exemplo. Qual é a sanção que o legislador dá ao possuidor de má-fé? Perde a construção e não terá direito a indenização em razão da má-fé. não construiu uma casa. Quando eu entro com ação reivindicatória e o tiro do imóvel.

aquele que. . Ou seja. 1255: “Se a construção ou plantação exceder consideravelmente o valor do terreno. E que ela iria destruir a fábrica. o acessório vira o principal e o principal vira o acessório. O que eu deveria ter feito imediatamente quando ele começou a construir? Uma nunciação de obra nova. Essa situação de acessão inversa é uma homenagem a quem deu função social para a propriedade. Flávio e Alessandra casam pois o pai dela tem um terreno no Recreio e deixou que eles construíssem a casa deles nos fundos desse terreno. Armênia tinha um terreno em Santos. de boafé. No primeiro capítulo da novela a Regina Duarte recebe da herança do marido um terreno em Santos. Eles casaram em comunhão parcial de bens e. Na novela Rainha da Sucata a D. pensava que o imóvel era dela e o valor da fábrica era significativamente superior do que o valor do solo. Nesse terreno ela constrói a fábrica chamada Rainha da Sucata. porque Regina Duarte construiu de boa-fé. Se essa novela fosse reprisada. O que significa acessão inversa? Significa que diante da importância da acessão. adquirirá a propriedade do solo. É o parágrafo único do art. No meio da novela aparece D. Eu tenho mais 4 questões fundamentais sobre acessão. depois. Veja uma situação que aconteceu em uma novela. Armênia dizendo que aquele terreno em Santos era dela. teria que ter o seu roteiro modificado. pois o direito fundamental da propriedade deve ser preservado em favor do proprietário que é diligente. mediante pagamento da indenização fixada judicialmente. Então. uma demolitória. é por isso que a acessão inversa tem uma realidade social que impõe dinamismo e demonstra função social da propriedade no plano concreto. Nesse caso. Se eu sou proprietário de um terreno e deixo construírem nele. se não houver acordo”. diante do fato da acessão ter um vulto econômico e social superior ao valor do terreno.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 44 Acessão inversa é o novo modelo jurídico do CC derivado da função social da propriedade. eu sou completamente omisso. A construção passa a ser o principal e o terreno passa a ser o acessório. plantou ou edificou. construíram a casa. a ponderação que o CC fez foi correta e razoável. Flávio você vai ficar com tudo e vai indenizar Nelson pelo valor do terreno.

pois. na medida evidente da aplicação da função social da propriedade. eles começam a brigar e Alessandra o coloca para fora de casa. Vamos supor que Washington é o proprietário do terreno B e ele constrói em seu terreno. adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido. O que quer dizer má-fé de ambas as partes? Constrói de má-fé quem constrói sabendo que o terreno é de outra pessoa. Washington vai indenizar Nelson pelo valor do terreno que ele perdeu. Ele pensou que fosse dele pelo que constava na escritura. proprietário de má-fé é aquele que sabe que estão construindo em seu terreno e nada faz. O pai da Alessandra também agiu de má-fé. mas para satisfazer o interesse econômico de um vizinho. adquirirá o proprietário as sementes. o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente”. Isso é uma mini desapropriação por interesse privado pois Nelson está sofrendo uma pequena expropriação no seu imóvel. 1256. E se esse cara entrou no meu terreno sem estar de boa-fé? Quem gosta muito de ocupar parcialmente solo alheio de má-fé é construtora. 1258. Olha o art. invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste. Nelson pode destruir os 5% da casa do Washington porque ocupou o terreno dele? Não. Olha o art. também. Aqui tem o terreno A e aqui tem o terreno B.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 45 Dois anos depois do casamento. quando o trabalho de construção ou lavoura. Ou seja. O NCC criou a mini desapropriação por interesse privado. é uma mini desapropriação que visa atender interesse privado. se o valor da construção exceder o dessa parte. Flávio tem direito a 50% do valor da construção da casa. se fez em sua presença e sem impugnação sua”. . plantas e construções. CC: “Se a construção. CC: “Se de ambas as partes houver má-fé. 1256: “Presume-se de má-fé o proprietário. devendo ressarcir o valor das acessões”. e responde por indenização que represente. Olha o § único do art. Mas Washington não invadiu porque quis. É a primeira vez que o ordenamento jurídico permite que uma desapropriação seja feita não para satisfazer interesse público ou de ordem social. Após a construção. As questões principais de acessão entram agora. mais a desvalorização da área remanescente. segundo o CC. Nelson aparece dizendo que a construção invadiu 5% do seu terreno. feita parcialmente em solo próprio.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 46 Apesar de estar de má-fé. Quem construiu o hospital terá que realizar o pagamento em décuplo. raramente uma casinha consideravelmente superior. 1258. A boa-fé deles e a confiança evitaram que a hipoteca pudesse ser imposta a eles. 1258. a construtora adquire os 5% do imóvel. Por que houve a predileção pela proteção a quem está de má-fé? Para proteger terceiros de boa-fé. não tiveram que pagar o imóvel novamente. § único só se aplica a construção? Porque tem uma palavra que tem no § único que não tem no caput que é “se a construção tiver valor consideravelmente superior”. É exatamente a aplicação do princípio da boa-fé nessa situação. eles como adquirentes de boa-fé. Tem enunciado 318 do CJF nesse sentido: “O direito à aquisição da propriedade em favor do construtor de má-fé somente será viável quando além dos requisitos do § único. pode ser um valor social. Anotem ao lado do § único do art. Se for uma casinha. houver necessidade de proteger terceiros de boa-fé”. o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu. por mais que a Encol não tivesse quitado as hipotecas perante o banco. conforme o § único do art. a função social ainda vai prevalecer. Se a ocupação for feita de má-fé. mas a pessoa construiu um hospital que pode não ter valor consideravelmente superior. mas tem função social. tenha valor tenha valor for prédio) terá valor Esse valor consideravelmente superior nem sempre é um valor econômico. 1258. Mesmo para proteger terceiros de boa-fé. Por que eu estou dizendo que esse artigo 1258. É só quando ficar provado que haverá lesão a terceiros adquirentes de boa-fé. CC: “Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo. CC que essa norma não é para proteger qualquer possuidor de boa-fé. quanto é que se vai ter que pagar para que haja a mini desapropriação por interesse privado? O décuplo. se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção”. pois na ponderação entre a função social e a má-fé. não basta que ela superior. Olha o § único do art. ela terá que ter valor consideravelmente (só quando superior. . Às vezes não é um prédio. como já tinham pago todo preço do imóvel em vão. dez vezes mais do que se pagaria se aquela ocupação fosse feita de boa-fé. Essa é uma das razões pelas quais as pessoas que compraram apartamento da Encol e. Na ocupação de boa-fé basta que essa construção superior.

mas neste caso. Pois para eu ficar com nada. é melhor receber indenização pela totalidade do terreno e comprar outro do que ficar com um resquício de terreno. o cara não me deixou nada. mesmo nessa ocupação de 50% é possível ter desapropriação. Está no art. 1259. Já a maxi é só para quem é possuidor de boa-fé. O CC não fala nada. CC. Mas a diferença é que a mini desapropriação tanto se aceita como ato de má-fé como de boa-fé. Se a sua casa vale 800 mil e metade dela está no meu imóvel. mas ele também criou a maxi desapropriação por interesse privado. Se ele me tomou 100m2. quem está de má-fé jamais poderá ter essa desapropriação favorável pelo CC. mas o CC também percebeu que muitas vezes pessoas ocupam terrenos alheios em áreas muito superiores a 5%. . CC. Qual é o limite mínimo de um imóvel urbano? 125 m2. E tem uma segunda diferença que ressai da leitura do art. Se for maxi desapropriação. Toda vez que a construção for feita totalmente no terreno alheio eu uso a solução normal. lei 6766. além de ter que ter boafé. ele ocupou 50% do meu terreno de boa-fé. a desvalorização do remanescente e o valor da construção que se realizou no meu imóvel.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 47 Vamos voltar ao primeiro exemplo em que o Washington ocupou o meu terreno de boa-fé. Se vocês fossem meus advogados. o Washington terá que pagar para o Nelson o terreno que ele perdeu. É possível que você fique com metade do meu imóvel? Sim. pois o CC não apenas criou a mini desapropriação por interesse privado. Você diz que quer a desapropriação do todo. 1259. 1259. eu aplico a figura da maxi desapropriação do direito privado? Não. É só para quem está de boa-fé. A pessoa fica com tudo e me indeniza cabalmente. vocês coloquem a possibilidade de se pleitear direito de extensão toda vez que o seu imóvel fique tão reduzido que ele perca completamente a sua função social. Então. Se toda construção do Washington é feita no meu terreno. Ou seja. Está na lei de loteamentos. o que vocês me aconselhariam fazer? Qual é o nome do instituto que se dá quando o Estado te desapropria e você fica só com um resto de terreno que não vale nada? Direito de extensão. mas ao lado do art. São 3 valores distintos que se deve pagar na maxi desapropriação do direito privado. Quando você ocupa até 5% é a mini desapropriação. Eu aplico a acessão tradicional. você terá que me pagar 400 mil mais o valor da metade do terreno que eu perdi e mais a desvalorização do remanescente.

se nessa casa que você invadiu você constrói uma garagem. ela é necessária.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 48 Se ele fez de boa-fé. A benfeitoria sempre se realiza para uma de 3 funções: conservar. Quando vocês colocam piso de mármore ou um muro de arrimo na casa de vocês tem que averbar no registro de imóveis? Não. Mas por que quando se constrói a casa deve-se averbar no RGI? Porque a casa é acessão e acessão é modo de aquisição da propriedade. toda vez que eu tenho um terreno e construo uma casa. sempre saibam a diferença entre edificações que invadem parcialmente terreno alheio aplicam-se os arts. 1255. uma garagem é acessório ou é benfeitoria? É uma benfeitoria útil. Qual é a diferença entre acessão e benfeitoria necessária? Sempre lembrem. . se ela é feita para embelezar. Matrícula é a certidão de nascimento do imóvel. tenho que averbar a construção dessa casa. Mas se ele não fez de boa-fé. Quando é que muda a matrícula do imóvel? Se eu vendo o imóvel para alguém a matrícula muda? Não. Esse muro de arrimo é acessão? Isso é benfeitoria necessária. Então. Então. Se ela é feita para conservar. 1258 e 1259. A benfeitoria é feita sempre em função de algo já existente. A matrícula somente muda quando há desmembramento ou fusão que muda a identidade física do imóvel. se ela é feita para melhorar. é o art. A base da benfeitoria é que ela é sempre uma coisa acessória. pois é feita para embelezar a coisa já existente. Esse muro de arrimo é feito com a finalidade de conservar a casa que já existe. Tenho 3 palavras mágicas: matrícula. A construção da casa em um terreno vazio que é o principal é ela que dá função social. ela é voluptuária. benfeitoria é uma obra ou despesa que se incorpora a uma coisa já existente. ela é útil. ele perde a casa e será indenizado. Mas. Se vocês constroem uma casa e ela é invadida pelo Flávio que faz um muro de arrimo para evitar que a casa caia. pois é uma obra feita para melhorar a casa. CC. essa que é a diferença entre acessão e benfeitoria. é uma benfeitoria voluptuária. e o imóvel dele tem valor consideravelmente superior. melhorar ou embelezar uma coisa já existente. Mas quando a acessão é feita completamente no terreno alheio. registro e averbação. Vocês têm que ter sempre em mente que a acessão inova porque ela dá uma destinação econômica para onde nada existia até então. Se o invasor coloca piso de granito na casa. Com isso. ocorrerá a acessão inversa. é a identidade física do imóvel.

Quando se dá o registro? O ato de registrar sempre se dá quando vocês levam para o registro imobiliário qualquer situação em que haja constituição de direito real sobre imóvel. observando os requisitos legais.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 49 Se o seu imóvel é ao lado é ao lado do meu e eu o compro. Muda a matrícula pois vou ter que fundir a sua matrícula com a do meu outro imóvel. 07. São pertenças.11. no silêncio do contrato. Aquele abraço e muitas felicidades para vocês. As pertenças não são partes integrantes da coisa. acessório e benfeitoria? Acessão e benfeitoria se incorporam definitivamente à coisa. Modo de aquisição da propriedade e de outros direitos reais pela posse prolongada da coisa. Amanhã veremos usucapião. 93. Lembrem da aula de ontem. Rio. . eles são utilizados na coisa. Então. você constrói uma casa. Coisa que eu gosto muito de fazer é ditar conceito. as benfeitorias são incluídas ou excluídas? São incluídas porque o acessório segue o principal. CC. vamos lá. Se vocês entram em terreno alheio e colocam uma vaca para arar a área e um trator para fazer a colheita das plantações. Qual é a diferença entre pertença. esse conceito que eu dei é muito importante por dois aspectos. No silêncio do contrato as pertenças são incluídas ou não? São excluídas. não é isso? Rua! Registro usucapião e a acessão são os modos de aquisição de propriedade e ficou faltando o usucapião. Quando se usa a averbação? Quando se leva ao registro qualquer ato que não seja de aquisição de direito real. Ou seja.2007 Hoje vamos discutir sobre usucapião. a sua matrícula irá mudar pois mudou a sua identidade. mas mantêm a sua autonomia. Primeiro: enganam-se os que pensam que usucapião é. melhoram a coisa. Art. Amigos. ao contrário das benfeitorias que se incorporam. apenas. Já as pertenças são bens móveis que mantêm a sua autonomia. Não é. acessão é modo de aquisição da propriedade e benfeitoria é simplesmente acessório. A usucapião é modo de aquisição de outros direitos reais. Vou dar o conceito. A vaca e o trator são acessórios ou benfeitorias? Nenhum dos dois. Quando vocês vendem uma fazenda. termino com ele agora. o último. Ou seja. modo de aquisição de propriedade. Tem que colocar a cláusula “porteira fechada” se quiser incluir as pertenças. você averba a construção. visto que essas mantêm a sua autonomia. Usucapião.

Pelo seguinte: por que. mas na aula de hoje eu resumo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 50 Vocês sabiam que vocês. Eu também entendo. Digam sem pestanejar. por usucapião. é quando não há qualquer relação jurídica entre o usucapiente e o antigo proprietário da coisa. Aqui tem a posse e aqui tem a propriedade. usucapião é o viaduto que faz a travessia entre a posse e a propriedade. Por quê? Porque a usucapião pega uma situação eminentemente fática que é a posse e converte ela. já. O que é propriedade? É o poder de direito de qualquer coisa. o que é o novo proprietário? O usucapiente e o antigo proprietário. saibam que usucapião é passível de aquisição de outros direitos reais. E. Agora. eu falo de modos originários. O que é posse? É o poder de fato de qualquer coisa. A segunda observação que deflui desse conceito é a mais interessante. Toda vez que não há qualquer relação jurídica entre o novo proprietário. em direito de propriedade. Posse é o poder de fato. Por que todo mundo diz que usucapião é modo originário. Modos originários de aquisição são todos aqueles em que não existe o fenômeno da transição. só quem passar pelos vários pedágios alcança o seu destino. Ou seja. originário. como a usucapião como modo de aquisição da propriedade. no passar do tempo. Essa é a mágica da usucapião. Gente. Por que pedágio? Porque existem vários requisitos de acesso ao outro lado da ponte. simplesmente. . É essa a lógica da usucapião. Essa é a primeira observação. A usucapião é modo originário ou modo derivado para aquisição da propriedade? É originário. Existem muitos pedágios nesta ponte chamado usucapião. por que a aula da usucapião é longa? Porque esse viaduto. Propriedade é o poder de direito. Mas. 99% da doutrina da jurisprudência realmente entendem que a usucapião é modo originário. Ah. isso. Qual é o único viaduto que vocês conhecem que faz a ponte entre a posse e a propriedade? Usucapião. que separa essa posse dessa propriedade está cheia de pedágio. o antigo proprietário não transmite nada para o novo proprietário. Só Caio Mário que traz uma posição diferenciada. quando acontece modo originário de aquisição de propriedade. podem adquirir uma servidão? Por usucapião poderiam adquirir um usufruto? Podem. essa ponte Rio Niterói.

A despeito do antigo proprietário. Então. isso é que é importante. vocês ao registrarem a sentença de usucapião. toda aquisição feita através do registro mobiliário transfere . Por que não tem que pagar ITBI? Porque ITBI é imposto de transmissão de bens imóveis. A minha pergunta é a seguinte: você vende para o Flávio Gomes. quando o usucapiente se torna dono. Então. por ser modo originário. Por que claro que ela não subsiste? Porque usucapião é modo originário. O que vocês acham disso? Washington olha aqui. imaculada. Segunda conseqüência prática. a hipoteca que existia contra Washington ela existe contra o usucapiente? Ela subsiste? Não. Quais. Ele recebe a propriedade. Sabe o que aconteceu com esse terreno que está hipotecado? O Washington e Nelson. É que. ontem vocês estudaram comigo registro. como se a propriedade não tivesse restrição anterior. ele recebe a propriedade líquida. em razão de uma dívida. E você consegue a usucapião. têm que pagar ITBI? Não. é o que acontece na usucapião. não fiscalizaram esse terreno. Claro que não. Ele recebe a coisa contra o antigo proprietário. vamos supor 6 anos. E se registro é modo derivado.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 51 E. Você vende aqui para o Flávio Gomes. É por isso que a usucapião é modo originário de aquisição de propriedade. a grande vantagem da usucapião como modo originário é exatamente essa possibilidade do usucapiente não ter que arcar com os ônus reais que haviam contra o antigo proprietário. porque se registro é modo derivado. então. E sabe qual é a vantagem de usucapião ser modo originário? Olha que bacana. porque o antigo proprietário não transmitiu nada para o novo proprietário. não existe relação jurídica entre eles. Nelson. Flávio. não tem que pagar o fato gerador do ITBI. A hipoteca que existia contra você ainda incidirá para o Flávio? Claro que incidirá. o novo proprietário exclui o antigo. Você é proprietário de um terreno. Então. certo? E você deu esse terreno em hipoteca para mim. ele é um sem-terra. de fato. isenta de visto. Modo de aquisição originário. as duas conseqüências relevantes disso num concurso público? Primeira conseqüência eu vou perguntar para vocês. e você fica aqui. o usucapiente não recebe a coisa do antigo proprietário. você tem hipoteca. A pergunta do concurso era: quando Flávio Gomes consegue usucapião desse terreno aqui. o seu imóvel está hipotecado. eu pergunto: Washington. Agora. olha o que eu vou falar. Porque na usucapião. Quando vocês conseguem êxito numa sentença de usucapião. Como a usucapião é modo originário. não existe modo transmissão nenhuma. Registro é modo originário ou derivado? É claro que é derivado. E o que acontece? O nosso amigo Flávio Gomes entra no terreno. Você tem dívida comigo.

suspendem ou interrompem a prescrição. porque usucapião é o modo originário. Por que não tem nada a ver? Eu não posso. suspendem . Sempre tem aluno falando assim: Nelson. que são requisitos pessoais. porque o resto foi comido pela prescrição do crédito tributário. Então. Então. pessoais e formais. elas também impedem. por exemplo. lhes dizendo que a usucapião tem requisitos. vocês têm que pagar. primeiro cuidado que vocês têm que ter em questão aberta que trate de usucapião. por que prescrição é o quê? É o modo de extinção de pretensões. É por isso que o usucapiente tem que pagar IPTU atrasado. Olha aqui. essas são as discussões concretas em concurso público de saber a diferença entre usucapião como modo originário e os outros modos de aquisição de propriedade que seriam modos derivados. Claro que tem que pagar. é um apartamento que vocês conseguem usucapir. agora com o fim desses esclarecimentos eu vou entrar na aula de usucapião propriamente dita.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 52 para o novo proprietário todos os encargos e restrições que haviam contra o antigo. Usucapião tem requisitos reais. pessoal. só que nos últimos 5 anos. Então. gente. Todas aquelas causas que impedem. Por quê? Porque é obrigação propter rem e tem que pagar os ônus reais. os ônus reais anteriores que não foram pagos eles incidem sobre a coisa. Imposto Rural atrasado. suspendem ou interrompem a prescrição se aplicam à usucapião. Vocês têm que pagar o IPTU dele? Vocês têm que pagar ou não. Não é isso? Usucapião não é modo de extinção de pretensões. mesmo sendo modo originário. porque é modo originário. E eu detesto essa aproximação. requisitos reais e requisitos formais. É modo de aquisição de propriedades. Por quê? Porque. Então. Usucapião não tem nada a ver com prescrição aquisitiva. Agora. Esse é o primeiro ponto da aula. por que tem muita gente boa que escreve na prova: usucapião é a mesma coisa que prescrição aquisitiva. Porque o 1244 me diz que todas as causas que impedem. Vamos começar pelos pessoais. a pergunta que eu faço para vocês é: e quando vocês conseguem usucapião do imóvel. sempre paga. Sabe qual é a única semelhança entre prescrição e usucapião? A única semelhança entre elas é o artigo 1244 do Código Civil. tudo bem que o usucapiente não tem que pagar ITBI. Aí é diferente. Nunca confundam ITBI com aquelas tributações reais que são IPTU e aqueles outros.

só não usucapiu contra ele. e Pedro tem 14 anos de idade. isso aqui é causa suspensiva. o usucapiu o resto do terreno. seu Francisco. quem é o litisconsorte mesmo? O proprietário. Quando é que ele ajuíza ação de usucapião? Quem é o réu principal? Existe litisconsórcio passivo necessário. pai contra filho. E. faceiro e fogoso. morreu quando você tinha 8 anos de posse. da usucapião. Só que tem bons alunos concentrados lá atrás que falam: Nelson. o proprietário. Luizinho e Pedro. O que ele descobre? Que o proprietário era o seu Francisco. contra absolutamente incapaz. E todos esses herdeiros são maiores. Só que. gente. por conseguinte. 1244 não ocorre também. Por que esta causa suspensiva vai se comunicar aos outros? Olha isso é pergunta de tudo quanto é concurso. olha bem Washington. Aí o que acontece. Os três são maiores. é o prazo para que o Washington usucapir desse terreno aqui. vamos supor que você quer o usucapir o terreno. Pergunta: ele conseguiu ficar aqui? Não. sabe o que eu quero dizer Washington? Que o seu . pergunta-se: e. Então essa cláusula se comunica aqui. Todas as causas suspensivas da prescrição e. 10 anos. Por quê? Porque os outros são maiores. Marido contra mulher. Porque sempre sai com as diferenças entre as causas interruptivas e as causas suspensivas. Washington ajuíza ação de usucapião. É a única coisa em comum que existe entre prescrição e usucapião. e o prazo de usucapião é de 10 anos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 53 ou interrompem a usucapião. Todo feliz. mas espere aí. O usucapiu o resto do terreno? Não. Sabe por que ele não conseguiu ficar aqui? Porque quando deu oito anos um dos herdeiros não era absolutamente incapaz? Cobre a prescrição quando é absolutamente incapaz. são causas subjetivas. ele vai lá e procura o proprietário. Ou seja: Huguinho. Então parou o tempo. 10 anos. esse prazo aqui ficou interrompido ou suspenso? Suspenso. Então. depois. não é? Então. Por que isso aqui não é um inventário que está aberto? O inventário é um bem divisível ou indivisível? Indivisível. Então. querem ver um exemplo? Washington. pessoal? Ele consegue completar o prazo. Só que Pedro tem 14 anos de idade. Mas. Então se não ocorre a prescrição quando não é absolutamente incapaz. Mas. são causas personalíssimas. contra o menor de 16 anos? Não. A usucapião pelo art. o que não ocorre também? A usucapião. Ou seja. Zezinho. Então. aí. nos meus dois anos quem ficou? Foram os 4 filhos dele.

Tem um caso suspensivo ou interruptivo da usucapião que vocês têm que analisar exatamente. Agora que eu falei disso aqui. porque isso é muito importante na hora da constatação do prazo. Por quê? A prescrição não corre contra o absolutamente incapaz. não tem usucapião bem de uso comum do povo. Por que são requisitos pessoais? Porque não há usucapião de marido contra mulher. . Dominicais ou patrimoniais. mas. nós vamos entrar na parte dos requisitos reais da usucapião. praia e praça. Há possibilidade de usucapião de bem público? Não. não há usucapião de pai contra filho. Quais sejam: bens de uso comum do povo. Então. não tem usucapião de bem de uso especial e não tem usucapião de bem dominical. não há usucapião contra o absolutamente incapaz. são afetados? Não. Volta a correr de onde? Parou. sempre fiquem atentos a essas causas suspensivas ou impeditivas ao curso da prescrição. o prédio do fórum. 183 como pelo art. é de qualquer bem público. Ou seja. O que eu vou perguntar a vocês é qual o tipo de imóvel é passível de usucapião? Qual o bem móvel pode ser usucapido? Qual não pode? Então. Todo examinador adora colocar uma situação aqui no meio. Então são requisitos pessoais. Os bens de uso especiais são aqueles que são afetados em favor de uma atividade da administração como. como rua. tanto pelo art. Esse exemplo foi apenas para vocês botarem na cabeça. numa prova múltipla escolha os bens públicos são inusucapíveis. 191 da Constituição Federal que impedem a usucapião de bens públicos E quando eles impedem usucapião de bens públicos. Só para relembrar os bens de uso comum do povo são aqueles afetados em favor da coletividade. E os bens dominicais. por exemplo. Ou seja. vamos começar do fácil. Bacana. Requisitos reais é uma parte importante da aula. Os dominicais são chamados também de que? Patrimoniais. porque eles são utilizados para uma atividade patrimonial do poder público. Quando ele tiver 16 anos volta a correr. eles são inusucapíveis porque os artigos 183 e 191 assim o querem. mesmo assim. Só quando ele completar 16 anos que volta a correr. gente? Sempre fiquem ligados com isso. Para vocês não. bens de uso especial e bem dominical.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 54 prazo de oito anos só volta a correr no momento em que esse menino completar 16 anos.

eu pergunto o seguinte: O que é que você acha da seguinte situação? Tem um imóvel que pertence ao Estado do Rio de Janeiro que está largado. A minha posição e que é a mesma posição de Celso Bastos. não recebe destinação relevante. Alunos. e vem um particular. na mesma linha reitera e diz que bem público não é passível de usucapião. Então o que eu quero que você bote na cabeça é que existe um mito. que é a mesma posição de alguns outros autores que é a seguinte: claro que haverá usucapião se o bem for formalmente público porque ele não ostenta função social. é de bem materialmente público. que é o bem público mas está abandonado. se é exigida função social do bem particular. Já o bem formalmente público pertence a pessoa jurídica. 102 do CC. Essa distinção é importante e é o que o examinador quer ouvir isso em uma prova dessas. E em um sentido integrativo sabe o que eu penso? Que quando o artigo 183 e 191 proíbem a usucapião de bem público. Agora. não é só a Constituição que diz que o bem público é inusucapível. vamos para a segunda questão dos direitos reais. entra lá dentro e fica por 10 anos nesse bem. está registrado no nome do estado. qual mito? O mito da imprescritibilidade do bem público. pois nestas provas não cabem usucapião de nenhum imóvel público. O particular deveria usucapir? Deveria. Mas Constituição não permite? Opa eu estou interpretando a constituição em um sentido integrativo. não venham me bater amanhã se cair em uma prova de múltipla escolha. art. tá bom? Então. E sabe por que a Constituição só proíbe a do materialmente público? Porque Celso Antônio Bandeira de Melo fala o seguinte: “o bem particular tem função social. Só que vocês são meus alunos. Sabe por que deveria? Porque este bem é formalmente público. quanto mais do bem público. Isso só serve para um prova aberta.” Ou seja. Tirem esses mitos da cabeça. e não vão me decepcionar. o bem público é função social. mas ele não é materialmente público. tirem esses dogmas do raciocínio de vocês.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 55 Agora. o artigo 102 do Código Civil. Qual a distinção ente um bem formalmente público e um materialmente público? O bem materialmente público é aquele que pertence a pessoa jurídica de direito público e recebe a função social. pois o examinador quer ver se vocês conseguem sair do raciocínio puramente legislativo. abandonado. a segunda questão dos direitos reais é a seguinte: Cabe usucapião de um bem que pertence a uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública? . mas não é dotado de função social.

Nós vivemos em uma época hoje no Brasil em que não interessa mais o rótulo e o que interessa é a destinação. E o que os civilistas mostraram para o STJ e há cinco o STJ acolhe? Que o terreno que não este em nome de ninguém não é bem publico não. é inusucapível. uma vez que tem finalidade pública. Pergunta: Cabe o usucapião de imóvel que não esta no nome de ninguém? Então. esse bem recebe uma destinação pública. são bens usucapíveis. Se o bem pertence a uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. em tese cabe? Claro que em tese cabe. é pessoa jurídica de direito privado. terceira pergunta que eu faço: Gabriel você entrou nesse terreno aqui e ficou 10 anos e você quer o usucapião deste terreno onde você morou 10 anos e você ajuíza a ação contra o proprietário. porque que não compensa? Porque imagine vocês a Petrobras. naturalmente. acontece toda hora. Eu quero abrir novamente a noção que vocês têm. Então os bens dessas empresas são particulares e. ninguém admite. pela sua efetividade. . não é? Mas alguém admite a possibilidade de usucapião de uma refinaria? Não. apesar deste bem pertencer a uma pessoa jurídica de direito privado. nosso sistema é muito desorganizado. Só que como todos os administrativistas são uns derrotados é obvio que a posição deles caiu porque o STJ adora os civilistas. eu vou dizer as duas posições: tem a posição dos administrativistas e eles entendem que quando o Brasil foi descoberto as terras se tornaram públicas e no que elas se tornaram públicas e ninguém registrou ate hoje continua sendo bem público. O STF diz que esse critério puramente formal do CC não compensa. Agora. ele se torna inusucapível. não é? É sociedade de economia mista. mas ele recebe uma finalidade pública esse bem se torna inusucapível. só que você descobre que esse terreno não está registrado no nome de ninguém.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 56 Vou perguntar. é res nullius. Só que lá vou eu de novo e agora com apoio do STF. porque uma sociedade de economia mista e empresa pública são pessoas jurídicas de direito privado e se elas são pessoas jurídicas de direito privado e paraestatais e o que diz o artigo 98 do CC? O art. é pela sua finalidade. é a finalidade. é coisa de ninguém. está afetado a uma finalidade pública e. 98 do CC diz que bens públicos são aqueles que pertencem a pessoa jurídica de direito público. e qual que é a noção? A questão do bem se ele é público ou é privado não é pela origem. pelo seu destino. E por que ninguém admite? Porque. posição do STF. digo mais. portanto. você acha que isso é raro? A coisa do terreno sem dono no Brasil é algo comum.

o STJ é bem claro e criterioso. Então para perceber que vocês entenderam: essa presunção de que o imóvel é res nullius é uma presunção absoluta ou relativa? É relativa. nada impede que a União. e se é bem privado e passível de usucapião. E se é adéspota. Ele tinha cara de um bem de família. Eu pergunto: Cabe a usucapião sobre o bem de família? É obvio que cabe. . Impenhorabilidade do imóvel residencial significa o quê? Bem de família legal. na contestação. terras sem dono. vão tentar uma saída para isso. não é bem público. antes do Gabriel completar 10 anos nós ajuizamos uma ação discriminatória. que é sem dono. sabe o que ele diz: que nada impede. mas não tinha destinação. consiga o poder público na contestação demonstrar que este imóvel já sofreu ação discriminatória. tanto na modalidade voluntária quanto na modalidade legal. se você entrou nesse bem de família aqui. É por quê? É porque aquele só era formalmente um bem de família. é bem privado. são chamadas terras adéspotas. Então. continuando na questão dos requisitos reais. em paz e ninguém te incomodou. Agora. então necessariamente as Fazendas sempre vão saber dessa demanda? Em qualquer processo. Bem de família é usucapível? Em primeiro lugar. ela pode. ou seja. o estado ou o município chegue na contestação e diga seu juiz. tranqüilo. Por mais que o imóvel seja sem dono é litisconsórcio necessário. há dois tipos de bens de família. Agora. todavia. gente. existem dois tipos de bens de família: o bem de família voluntário e o bem de família legal. legitimação e merecimento de bem de família.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 57 E já caiu no MPF. Gabriel. usucapível. Resposta do professor: Não é que ela neste caso se manifestaria. Então vai chegar a União vai ver que esse cara está querendo este imóvel. esse imóvel é sem dono. o que acontece. prevalece a tese de que aquele bem era um bem privado e. Mas se essa ação não for ajuizada. ficou 10 anos morando lá. Pergunta de aluno: inaudível. E a finalidade desta ação discriminatória é mostrar que aquele imóvel pertence ao poder público. alto lá. O bem de família legal que é a impenhorabilidade do imóvel residencial da lei 8009/90. O que é uma ação discriminatória? É uma ação ajuizada pelo poder público para discriminar aquilo que é público do que é privado. mas o que eles vão dizer? Mas nós ajuizamos uma ação discriminatória. que o poder público venha em defesa. mas ela deve ser chamada. vou repetir. portanto. Sabe por quê? Gabriel. Terras adéspotas. O bem de família voluntário é aquele que está no artigo 1711 do CC que é instituído pela própria entidade familiar. mas não era materialmente um bem de família. e com base na lei 6383/76.

vou fazer uma pergunta para quem não pegou. Sabe o que vocês vão ver hoje? Vocês vão ver que eu tenho duas usucapiões extraordinárias. Começando pela usucapião extraordinária. ou seja. uma urbana. o que a cláusula de inalienabilidade impede são os modos derivados de aquisição. Você nunca vai lá. mas nunca foi lá. doei um terreno em Itaboraí para você. vou fazer logo um bate-bola com vocês sobre quais são os requisitos para fazer usucapião. mas também nunca poderá vender. Vamos trabalhar com os requisitos formais do usucapião. posse mansa e pacífica. você pode botar numa prova que posse mansa e pacífica é a posse daquele possuidor que é amigo dos . de zero a dez? Nós temos sete. Não vou ficar lendo artigo não. Então. o que aconteceu? O Flávio Gomes começou a possuir o terreno vazio e ficou lá 10 anos. você é meu amigo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 58 É por isso que um bem de família é perfeitamente usucapível. eu te doei com clausula de inalienabilidade. nem nunca vai poder doar. O que a cláusula de inalienabilidade impede. são sete modalidades e trabalharemos as sete com vocês. Totalizando sete modalidades de usucapião. É a ultima dos requisitos reais. uma rural e uma coletiva. Quantas modalidades de usucapião temos no Brasil. a usucapião faz com o usucapiente receba a coisa límpida. quando o usucapiente se torna dono. todas as restrições que existiam contra o antigo proprietário não incidem mais contra o usucapiente. Flavio é possível usucapir um terreno com cláusula de inalienabilidade? É? Por quê? Se a cláusula de inalienabilidade não pode nem doar e nem vender. duas ordinárias. Só se torna bem de família se receber a destinação adequada a sua origem. Então. porque o usucapião é modo originário de aquisição de propriedade. Por que pode usucapir? Lá no início da aula. Só que o Washington é um calhorda e não quis receber esse presente com carinho e você se tornou dono. vamos fazer um bingo aqui. Rafaela. é claro que tem usucapião. Agora. Como o Washington nunca foi lá. jamais os modos originários de aquisição. Washington. eu doei este imóvel para você. Mais uma última: Olha. Pessoal quem estiver copiando vai para o artigo 1238 do CC ele versa sobre a usucapião extraordinária. eu atravessarei os requisitos formais delas. Eu quero ouvir de vocês um número de zero a dez. O primeiro requisito está estampado na leitura do 1238 é esse aqui: É o PMP. beleza? Só que eu sou um cara esperto e doei o bem para ele com uma clausula de inalienabilidade. esse terreno. Como o usucapião é modo originário.

Você leve Washington? Não. Reforçando: é aquela que não sofreu oposição judicial séria. que a nossa justiça é lenta você Flávio só ganha essa demanda contra Washington quando ele já estava lá há 12 anos. Agora.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 59 vizinhos. Ai o Washington responde: ganhou. ajuizamento da demanda. Ai nessa hora o Flávio falou: eu tenho a sentença julgada e sai do meu terreno. Art. ou seja. O Washington já estava lá há 8 anos. O que você faz Flávio quando vê o Washington no terreno? Qual é a ação que o proprietário ajuíza contra o não proprietário mesmo? Ajuíza uma ação reivindicatória. se não houve esse ajuizamento. parágrafo primeiro do CPC. pessoal. convida eles pro almoço. . É isso que vocês têm que saber. A posse de vocês manteve a mansidão e a pacificidade. Vou repetir para quem não ficou atento: por mais que a sentença tenha sido proferida quando o prazo da usucapião já foi ultrapassado. Por quê? Porque esse momento da sentença vai retroagir para gerar a interrupção do prazo de usucapião a contar de quando? Do ajuizamento da demanda pelo art. que é o proprietário do terreno. Posse mansa e pacífica é aquela que não sofreu oposição judicial séria em toda sua trajetória. mas não levou. ótimo. Se vocês têm uma trajetória de possuir o bem e durante toda posse ninguém ajuizou contra vocês uma ação possessória ou uma ação reivindicatória. essa demanda. E quando houve oposição judicial séria? Quando o devido processo legal foi ajuizado. você pode falar que isso é uma posse mansa e pacífica? É obvio que não. joga conversa fiada com o vizinho. E qual é o momento do ajuizamento da demanda em uma comarca como o Rio de Janeiro? A distribuição do feito. Estava faltando dois anos e o que é que aparece? O malvado Flávio Gomes. dez anos é o prazo. já tenho mais que o prazo necessário para a usucapião. 219. O que isso quer dizer? Qual é o momento em que a posse perde a sua mansidão e a sua pacificidade? Quando há uma oposição judicial séria. distribuição. protocolou. Agora olha como no Brasil é como vocês sabem. 219. parágrafo primeiro do CPC. essa sentença terá o efeito de interromper a prescrição retroativamente ao momento do ajuizamento da demanda. porque eu já tenho 12 anos. todo feliz e tranqüilo. Com 12 anos vem uma sentença procedente e com trânsito julgado. Nesse momento interrompeu-se o prazo de usucapião. vou explicar através de exemplos para vocês sempre lembrarem: O Washington ele queria usucapir um imóvel em 10 anos.

Gente. ele a possui em nome alheio. leviana e você consegue o usucapião. se por acaso essa sentença foi julgada improcedente? Muda alguma coisa? Claro que muda. agora olha aqui: número 1 a posse tem que ser mansa e pacífica. o possuidor sabe que não é dono. ou seja. essa que é a posse com animus domini. Eu tenho um terreno em Montes claros e aí gente como eu confio demais no Vitor. Washington conseguiu a usucapião porque essa ação foi ajuizada de maneira irresponsável. até mesmo sabe quem é o proprietário. e número 2. mas uma notificação extrajudicial não interrompe o prazo de usucapião? Não. Ele é um mero subordinado. é posse. Jamais. A usucapião tem uma função social da posse relevante de mais para ser paralisada por notificação extrajudicial. O Vítor não tem posse. O art. O Vítor é detentor porque ele não possui a coisa em nome próprio. claro que não. Deixei o Vitor lá feliz. Muito bem pessoal. Então. é posse com animus domini. Detentor não pode ajuizar ação de usucapião. O que é animus domini? É o desejo do possuidor de ser dono da coisa. Gente durante esses 18 anos eu nunca fui à fazenda. Muito antes de vocês pensarem em animus domini vocês têm que pensar que é carecedor de ação um cara que nem ao menos tenha posse. é só o devido processo legal com o contraditório e com ampla defesa que fazem com que a posse perca sua mansidão e sua pacificidade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 60 Mas. Por quê? O que falta à usucapião? Se vocês falarem que o que falta é animus domini na prova é ZERO! O que falta ao Vitor é uma coisa muito pior. primeiro tem que saber se o cara tem posse. até conhece o proprietário. Ou seja. Então. como é que vocês admitem que a usucapião pode ser paralisada por uma medida extrajudicial. mas qual é o objetivo do possuidor com animus domini? Ele quer dar uma rasteira no proprietário. Ai você pergunta assim: Nelson. ele é mero detentor. ele tem a intenção de ser o novo dono. Então moral da história. Pergunta: Depois de 18 anos o Vitor pode usucapir? Não. E eu durante 18 anos paguei um salário mínimo para o Vitor para ele ser capataz da minha fazenda. Tomem cuidado. . se a sentença foi improcedente. qual que é o segundo requisito para que se consiga uma usucapião extraordinária? PAD. um mero cumpridor de ordens. posse com animus domini. ele quer substituir o proprietário. 1198. CC traz a lume a hipótese de haver um detentor. sabe por quê? Porque a oposição judicial não foi séria. coloquei o Vitor como capataz no meu terreno. essa sentença só provoca esse efeito interruptivo retroativo se ao final a demanda for julgada procedente. É a intenção do possuidor em ser proprietário.

houve posse mansa e pacífica? Houve. Esses não têm animus domini. Zé Rainha invadiu o terreno de vocês.: Essa questão da interversão da posse é muito legal. Ou seja. todas as vezes que alguém entra no imóvel de vocês em virtude de uma relação jurídica contratual. por que ele não tem animus domini? Esse é um exemplo onde ele tem posse. como é que o cara pode ter animus domini se o tempo inteiro ele reconhece que só está na coisa em virtude de uma relação jurídica com o possuidor indireto? Quem não tem animus domini? São as pessoas que estão na coisa investidas de uma relação jurídica contratual porque são possuidores diretos. Depois desses 15 anos ele vai usucapir o terreno? Não. 1197. O Gabriel é arrendatário do Nelson há 15 anos. Animus domini não é a intenção do possuidor de ser o dono da coisa? Zé Rainha tinha alguma relação jurídica contratual com o proprietário? Não. então ele pode tranqüilamente usucapir. CC. arrendatário ou usufrutuário. Então. toda vez que há um possuidor direto. o possuidor direto não tem animus domini. nesse caso. pois falta para ele. Se ele tem posse porque ele é arrendatário. mas eu só vou discutir com vocês daqui a duas semanas. a gente se perde um . pois ele possui animus domini. tirou vocês de lá e ficou no terreno 10 anos sem ninguém incomodar. como ele é apenas um simples instrumento do possuidor. Vocês têm que ter muito cuidado com os requisitos da usucapião extraordinária. Ele está na coisa por um contrato que o investiu na posse. Resposta do prof. Vamos supor que eu tenho um outro terreno lá em Montes Claros e esse outro terreno eu arrendei para o Gabriel. eu falo que esse cara que entrou tem posse direta. se ele ficar lá durante 10 anos sem ninguém incomodar. detentor não pode aju8izar ação de usucapião porque detentor não tem posse. seja como locatário. Se eu entrar na interversão da posse. Mesmo ele tendo posse de má-fé e não tendo justo título ele irá usucapir. Zé Rainha entrou na coisa para se tornar o dono. Pergunta de aluno: inaudível. o proprietário nunca deixou de exercer a posse indireta do art. Nesse exemplo o Gabriel tem posse. pois todo dia que o arrendatário está no terreno.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 61 Como o detentor é apenas um longa manus do possuidor. ele se lembra que enquanto ele exerce a posse direta. Então. sempre lembrem. pois usucapião extraordinária não exige boa-fé e nem justo título. Zé Rainha vai usucapir? Vai. Ele tem posse com animus domini e posse mansa e pacífica. Então. animus domini. mas ele tem apenas a posse direta.

: Gente. CC. Quais são essas 2 modalidades de usucapião extraordinária? É o seguinte: quando vocês são possuidores. Mas essa posse trabalho não passa de uma interessante expressão que resume a idéia da função social da posse. No art. melhor ainda. É a usucapião extraordinária com função social do § único do art. morar no imóvel ou der qualquer forma de função social. 1238. que não tinha ninguém. Miguel Reale usa uma terminologia legal. se você entrou em um terreno largado. quer dizer que o Felipe vai usucapir sem ter dado função social nenhuma? Numa ponderação de interesses o legislador ainda acha que é mais importante para o ordenamento jurídico prestigiar um possuidor mesmo que ele não tenha dado função social do que um proprietário desidioso. O ordenamento jurídico torna-a merecedora de uma redução de prazo. vocês não dão moradia. 1238. Ele fala que isso aqui é a posse trabalho e a posse trabalho tem mais mérito do que a posse simples. Mas se esse possuidor ainda deu função social. não edificam e vocês não plantam. teve posse com animus domini e a única coisa que você fez nesse tempo todo em que possuiu o terreno foi murar o terreno e um vez por semana ia lá para ver se estava tudo bem. Então. vocês vão usucapir em 15 anos. Art. Resposta do prof. 1238. Pergunta de aluno: inaudível. Mas se você. um capataz nunca vai usucapir? Vão. caput é a posse simples e art. Vamos falar sobre usucapião ordinária. 1238. Uma de 15 e outra de 10 anos. parágrafo único é a posse trabalho. mas não ostentam qualquer função social. No CC/2002 eu tenho 2 usucapiões extraordinárias. Quais são os requisitos que a usucapião . teve posse mansa e pacífica. em 15 anos. Você não morou lá. A posse para ser posse em si. CC o caput é de 15 anos e o § único é de 10 anos. mas se ela é posse e ainda tem função social. não realizou nenhuma atividade econômica. não requer uma função social. qual é o seu prêmio? O prazo cai para 10 anos. essa é a idéia. Isso sim é a aplicação da proporcionalidade no art. mesmo assim. Mas o que ele está perguntando é um locatário. 1238. além de possuir. mas em hipóteses especiais. 1242 do CC.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 62 pouquinho. A usucapião ordinária tem residência no art. ele vai usucapir? Vai. olha que ótima pergunta: Nelson. Filipe. no sentido de que ele deve demorar menos tempo para usucapir. não teve nenhuma função social a sua posse. essa ponderação tem que ser mais branda.

alegar usucapião em defesa. tranquilamente que Washington teve a intenção de dono. Simples. Em 99% dos casos em concurso público. Ele vai. você está morando nessa fazenda há 11 anos. pessoal. O que Washington pode alegar em defesa? Usucapião. Sempre que o examinador vai perguntar de justo título ele vai pensar nesse exemplo. Justo título é uma das questões mais difíceis do direito civil. o justo título é um documento que em tese é perfeito para a aquisição de propriedade. Então. eu vendo para você uma fazenda. que dá a Washington a falsa suposição de que ele é o dono da coisa. e agora fica fácil para vocês visualizarem. Justo título. esse título não transferiu a propriedade porque ele é eivado de nulidade. é um documento em tese apto a transferir a propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 63 ordinária exige e que não são exigidos para a extraordinária? Justo título e boa-fé. pela súmula 237 do STF. durante 11 anos ele não teve posse mansa e pacífica? Teve. Justo título. qual é o problema dele? O problema é que apesar dele ter uma aparência perfeita. Você adquiriu a fazenda por escritura pública de compra e venda. Flávio ajuíza ação reivindicatória para retirar Washington de lá. Washington. Eu vou dar um exemplo para vocês que corresponde a toda e qualquer questão de justo título de concurso público. porque é idôneo para transmitir propriedade. qual é esse vício? É a aquisição a non domino. ele teve animus domini? Teve. Qualquer um de vocês na sala de aula se olhar para um justo título. vão dizer eu vou comprar esse imóvel. ele teve justo título? Teve. . na verdade. E por que ele vai alegar usucapião em defesa? Primeiro. Ele teve uma posse sem sofrer qualquer oposição judicial séria. é qualquer documento que dá ao adquirente. não é? Mas o que eu quero dizer. Segundo. pessoal. Terceiro. ele contém um vício que impede que essa propriedade seja verdadeiramente transmitida. É ele ser proveniente de quem não é proprietário. O que é um justo título? Ele tem um justo título. Ou seja. Washington. Apesar do título de aparência de legítimo. Após 11 anos o Flávio Gomes aparece e diz que Nelson fez uma venda a non domino e que o bem pertencia a ele. por que o justo título não é qualquer documento chulé (sem validade)? O justo título é um documento que extrinsecamente. Ou seja. Justo título e boa-fé sempre andam juntos. externamente ele é perfeito.

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Qual é a mágica da usucapião? O tempo nesse meu exemplo foi de 11 anos. O que o tempo fez? O tempo é como se fosse uma vacina que cura o título, é como se fosse uma fórmula milagrosa que elimina o defeito do justo título. O tempo faz a mágica de converter o justo título em um título justo para transmitir propriedade. Então, aqueles vícios são sanados pelo longo prazo. E foi isso que aconteceu com Washington. Ele ficou ali mais de 10 anos e conseguiu sanar o vício. Se Washington não era proprietário porque o título era a non domino, ele se tornou proprietário pela usucapião porque o justo título fea esse milagre. Quem é que deve usucapir em prazo mais curto? O cara que tem usucapião extraordinária ou ordinária? Usucapião ordinária. Quem tem mais merecimento? Aquele que estava na coisa com base no justo título ou sem? É claro que esse que possuía justo título tem mais merecimento. É por isso que os prazos de usucapião ordinária são prazos de 10 e 5 anos. São prazos mais curtos do que o prazo de usucapião extraordinária. Daniele se, por acaso, um cara pega um papel e escreve que está te transmitindo um terreno no Leblon. Esse papel é justo título? É óbvio que não. Justo título é um documento em tese idôneo a enganar pessoas de capacidade de entendimento razoável, ou seja, é um documento que externamente induz alguém a acreditar que está adquirindo propriedade. Eu só posso falar que você tem um justo título na mão quando esse documento exerce idoneidade. Não é qualquer documento que pode ser chamado de justo título. Pergunta de aluno: inaudível. Resposta do prof.: Esse é justo título, mas não é justo título para fins de usucapião. É justo título para fins de posse. A sua pergunta foi ótima porque quando eu for dar aula de posse, eu vou falar que o conceito de justo título para fins de usucapião é muito mais fechado do que o conceito de justo título para fins de posse. Justo título para fins de usucapião não é qualquer título, é só o título idôneo para transmitir propriedade. Esse que você deu o exemplo é justo título apenas para a posse. Eu vou mostrar na aula de posse que ele tem alguns efeitos, mas não gera usucapião. A questão mais importante do justo título é a seguinte: para que um juiz considere que você tenha justo título, esse justo título tem que ser registrado? Antes da vigência do CC/2002 50% dizia que tinha que ser registrado e 50% dizia que não.

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Os que diziam que só poderia ser considerado justo título o título registrado tinham o seguinte argumento: como é que uma pessoa pode ter a falsa convicção de que é dona da coisa se não levou o título ao registro? Mas eu não concordava com essa idéia. Eu ficava com Pontes de Miranda que entendia que era óbvio que o cara que tem justo título não precisa registrá-lo para ele ser considerado justo título. Por uma simples razão: se alguém aqui na sala tem o justo título e chegou a registrá-lo, não precisa ajuizar usucapião porque você já é dono. Então, o cara que tem justo título e já registrou, ele é dono, ele não precisa ajuizar ação de usucapião contra ninguém. É por isso que prevalecia essa tese de que justo título não precisava ser registrado. O NCC/2002 acabou com essa polêmica do justo título. Todo mundo abre o art. 1242, CC. Nós temos 2 usucapiões ordinárias. A do caput que é a usucapião ordinária simples e a do § único que é a de 5 anos que é chamada de usucapião tabular. O art. 1242 fala que se você tem posse, animus domini, mas se você tem justo título e boa-fé o prazo cai para 10 anos. O § único do art. 1242 está dividido em 3 partes. Art. 1242, § único: “Será de 5 anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente,....”. Essa é a primeira parte. Eu pergunto: se você tem um formal de partilha, e esse é o seu justo título, você irá usucapir em 10 anos ou em 5 anos? Em 10 anos, pois formal de partilha não é justo título oneroso. É gratuito. Para cair para 5 anos tem que ser um justo título oneroso, como um contrato de compra e venda, uma promessa de compra e venda e por aí vai. Agora, uma escritura de doação um formal de partilha deve-se contar 10 anos. Vou continuar a ler o artigo. Art. 1242, § único: “... se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório...”. Aí, vocês podem me perguntar: Nelson, esse usucapião xige que o usucapiente tenha registrado. Você não disse que o cara que registrou não precisa usucapir se ele já é dono? Sublinhem a expressão “com base no registro cancelado posteriormente”. Washington, vamos supor que eu te vendi esse imóvel e você conseguiu registrar essa compra e venda no ofício imobiliário, tornando-se, assim, dono. Ele conseguiu registrar e estava com o imóvel registrado no nome dele há 6 anos.

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Após 6 anos aparece Flávio Gomes, ajuíza uma ação de invalidade do título c/c cancelamento do registro e ajuíza uma ação reivindicatória para te retirar do imóvel. O que ele alega em defesa? Usucapião, pois ele vai dizer em defesa que residiu no imóvel com registro por mais de 5 anos. Esse usucapião do § único se chama usucapião tabular porque ´uma proteção maior para aquele possuidor que não só tinha justo título, mas que também registrou esse justo título e conseguiu ficar com esse justo título registrado pó, no mínimo, 5 anos antes dele ter sido cancelado. Aí ele pode alegar usucapião em defesa. O cara que tem justo título, mas que nunca conseguiu registrar vai conseguir o usucapião em 10 anos. O cara que tem justo título, registrou e nunca foi cancelado o registro dele precisa pedir usucapião? Não. O cara que tem justo título, registrou e após 5 anos foi cancelado o registro, pode alegar usucapião em defesa pela usucapião tabular. Alguns autores chamam isso de convalescença registral. Por que convalescença registral? Porque aquele vício do título convalesce em 5 anos pelo fato daquele título ter sido registrado. Essa é a vantagem dessa redução. Eu pedi para vocês dividirem o § único do art. 1242 em 3 etapas, pois não adianta tudo isso se Washington não tiver dado função social à posse. O § único do art. 1242 exige que você tenha dado moradia ou realizado investimentos produtivos nesse imóvel. Quais são os 3 requisitos simultâneos: aquisição onerosa do justo título, que ele tenha sido cancelado, no mínimo depois de 5 anos do registro e que tenha dado função social à posse. Essa é a usucapião ordinária. Só mais um detalhe: não basta ter justo título, tem que ter boa-fé. Possuidor de boa-fé é aquele que tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. Eu só posso chamar de possuidor de boa-fé o cara que ostente justo título. Só tem boa-fé a pessoa que fala que o terreno é dela porque tem justo título. A boa-fé é o elemento subjetivo, mas que é amparado pelo aspecto objetivo que é o justo título. O justo título é o elemento objetivo que presume o elemento subjetivo da boa-fé. Inclusive, isso é a leitura do art. 1201, § único, CC que será analisado nas aulas de posse. O justo título é o elemento objetivo que ampara o elemento subjetivo da posse de boa-fé. Isso acontece porque a boa-fé que eu estou trabalhando nos direitos reais é a boa-fé subjetiva. Não confundam essa boa-fé

1240. não pode juntar o tempo para pedir a usucapião. Ele não pode possuir através de outras pessoas. A função social da posse aqui ainda é mais exigida do que nas modalidades tradicionais da usucapião. Depois de 3 anos você teve que viajar para ver uma tia doente e pediu para o Flávio ficar tomando conta do imóvel enquanto você viaja. CRFB/88 e a usucapião rural está no art. A urbana no art. Isso ocorre porque a índole da usucapião especial é justamente dar tratamento diferenciado a quem realizou uma ocupação pessoal sobre a coisa. A usucapião especial se distingue em usucapião especial urbana e em usucapião especial rural. Não é por menos que a usucapião demanda apenas um prazo de 5 anos de posse em qualquer uma de suas modalidades. Qual é a única chance do Pedro conseguir usucapião? Se o Flávio ficar lá mais 12 anos. São especiais pois são modalidades de usucapião que exigem uma intensa função social. . você está sem lugar para morar e encontrou no Grajaú um terreno vago. E eu só posso falar que o possuidor tem boa-fé se ele tiver justo título.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 67 com a boa-fé objetiva dos direitos das obrigações. Não pode juntar o tempo porque o requisito básico da usucapião. Não houve mudança porque isso é matéria constitucional. Vamos falar de usucapião especial. Com isso. seja ela urbana ou rural é a pessoalidade da posse. CC. Flávio ficou 2 anos no imóvel tomando conta. CC e a rural no art. Pedro. Elas são modalidades de usucapião especial. A usucapião urbana está no art. CRFB/88. está tomando conta. Mas quem tem boa-fé tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. mas sabe que não é dono. 1239. totalizando 15 anos e conseguindo a usucapião extraordinária. 183. 191. O CC também trouxe para o seu corpo essas modalidades de usucapião. Vou fazer 14 perguntas de concursos para vocês sobre usucapião urbana. Quantas modalidades de usucapião faltam? Faltam três. que quer dizer que na usucapião urbana e rural o possuidor tem que possuir pessoalmente. E você ficou nesse terreno de 200 m2 por três anos. Qual é a diferença entre animus domini e boa-fé? Quem tem animus domini só tem a intenção de ser dono. Elas estão na CRFB/88. Jamais o Código civil poderia alterar o sentido dessas usucapiões que estão na CRFB/88. Pedro pode juntar o seu período de posse com a posse do Flávio para pedir a usucapião urbana já que o prazo dele é de 5 anos? Flávio é o detentor do terreno.

que eu é que vou usucapir depois de completado o prazo. Mas esse fenômeno é só na extraordinária e na ordinária. Olha o art. Não se admite a acessão de posse em razão da pessoalidade da posse. para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes. Washington aparece perguntando se você não podia vender a sua posse para ele. vamos supor que você ficou nesse imóvel 3 anos e. Além de demonstrar que ele sucedeu o Pedro na posse. O CC permite essa acessão de posse. 1243 está prevendo a acessio possessionis. nos casos do art. é só para usucapião extraordinária do art. Se por acaso Pedro quer usucapir um bem em 15 anos (usucapião extraordinária) e fica 7 anos. Tem que haver documento ou tem que haver testemunhas demonstrando que ele é sucessor do Pedro. 1242. 1243. acrescentar à sua posse a de seus antecessores (art. Gente. Pode Washington ficar 8 anos no imóvel e depois juntar? Na usucapião extraordinária tranqüilamente é possível a acessio possessionis. após esse tempo. É possível juntar o tempo de posse do Pedro com o tempo de posse do Washington para a usucapião especial? Também não. Pedro fez um contrato de cessão de posse para Washington que ficou no terreno mais dois anos. Posse não transita pelo registro. Anotem ao lado do art. contanto que todas sejam contínuas. pois não se permite em matéria de usucapião especial a chamada acessio possessionis. . ele tem que demonstrar efetivamente que Pedro possuiu por sete anos e que ele efetivamente possuiu por 8 anos. 1243 que quando ele permite a acessio possessionis. O art. 1242. visto que não se exige pessoalidade. Se eu começo a possuir. Esse fenômeno não acontece na usucapião urbana e rural que exige pessoalidade da posse. Pedro. eu posso colocar um arrendatário. Washington terá que provar ao juiz que ele recebeu a posse do Pedro. pacíficas e. Quanto tempo Washington vai ter que ficar lá se ele quiser usucapir? Vai ter que ficar 5 anos. 1207). pode vender posse? Juridicamente vender posse é um absurdo porque posse é algo informal. na prática as pessoas no Brasil fazem contratos de cessão de posse. 1238 e usucapião ordinária do art. Aí ele conseguiria a acessio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 68 Na usucapião extraordinária e na ordinária. Então. você não precisa possuir em pessoa. Mas. com justo título e de boa-fé”. alguém tomando conta. CC: “O possuidor pode.

A sua viúva pode juntar o tempo de 3 anos que você possuía com o prazo de 2 anos após a sua morte e pedir usucapião? Pode. Você morre e deixa sua viúva e 8 filhos. só vai começar a contar o prazo da usucapião no momento em que ele completa 16 anos. Se você morre e seu filho fica. . Mas ele não pode pegar os 2 anos do João e juntar com os 3 anos dele. ele continua. com é que acontece? Resposta do prof. Isso se dá com relação ao proprietário e não ao possuidor. Resposta do prof. a entidade familiar não é a família. Olha o que diz o enunciado 317 do CJF: “A acessio possessionis de que trata o art.183 e 191 da Constituição”. pois para fins de sucessio possessionis. É a entidade familiar que estava no imóvel ao tempo do óbito e continuou até o final. Pergunta de aluna: se for um incapaz. você estava possuindo um imóvel há 3 anos. esse povo só vai usucapir. tem que estar no imóvel na época em que ele morreu. Art. 1243 não encontra aplicação nos arts. se o Pedro morre e sua esposa fica. Se você morre e sua companheira fica. Não basta ser família. CRFB/88. Pedro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 69 Mas essa acessio jamais poderia ser aplicada na urbana ou na rural porque exige pessoalidade. ela continua. Mas os 8 filhos de Pedro terão direito à propriedade? Não. Pergunta de aluno: inaudível. E a sua viúva ainda ficou lá mais dois anos. A usucapião é da pessoa ou e sua entidade familiar. Isso é sucessio possessionis. Mas quando você morreu só a sua viúva morava contigo. Então. Quais são as 3 entidades familiares que vocês conhecem? Casamento. Mas por que pode se é proibida acessio possessionis? Mas isso não é acessio possessionis. A sucessão de posses é a sucessão de posse causa mortis. É por isso que pode juntar com a viúva. união estável e família monoparental. que não corre prescrição contra ele. Por que pode transmitir causa mortis e não pode inter vivos? Pode na causa mortis porque está mantida a pessoalidade. ela continua. 226. desde que ele tenha possuído pessoalmente 5 anos.: Sempre quando você pensa que não corre prescrição contra o incapaz você pensa o seguinte: e se o proprietário desse terreno é um menino de 14 anos? Se o proprietário desse terreno é um menino de 14 anos. 1239 e 1240 em face da normatividade da usucapião constitucional dos arts.: Mesmo que ele tenha adquirido a posse com instrumento qualquer de cartório de títulos e documentos.

Pedro insiste dizendo que quer usucapir. ardilosamente vem o possuidor e reduz o seu pedido a uma fraca. O advogado fala para ele limitar o seu pedido de usucapião para 250 m2. por enquanto. Depois de 5 anos. pois o rol de entidades familiares no direito brasileiro é exemplificativo pelo princípio do afeto. você e o Washington têm uma relação homoafetiva. A CRFB/88 não fala que há um máximo de 250 m de construção. Pedro. Então. Imagine que eu sou proprietário desse lote de 750 m2 e todo dia eu passo lá de carro e vejo que o Pedro está lá. O advogado está correto? Não.: Mas a do rural eu vou falar depois. Pedro. mesmo nas outras famílias que não estão abrangidas pelo art. Então. pois isso seria confisco contra o direito de propriedade. A finalidade da usucapião especial constitucional não é discriminar rico e pobre. O Washington pode continuar os dois anos que faltam? Pode. a 250 m2. se o Pedro não tem imóvel registrado no nome dele e esse é o primeiro. você ficou 5 anos possuindo um imóvel e esse imóvel mede 750 m2. 226. Seria uma forma de confisco contra o meu direito fundamental de propriedade. da dignidade da pessoa humana nós não podemos reduzir o conceito de família a um conceito puramente formal. pois ele é cultural. Pergunta de aluno: inaudível. você conseguiu possuir esse terreno por 5 anos. não cabe ao intérprete limitar. O que interessa é que ele está recebendo sua primeira propriedade e ele não tinha nenhuma. Ele pode usucapir? Claro que pode. O advogado diz que não pois ele é maior do que 250 m2. CRFB/88 nós temos a possibilidade da sucessio possessionis. E penso que. da solidariedade. Onde a CRFB/88 não limitou. pouco importa para a Constituição se a usucapião é de uma mansão ou de um barracão. Depois de 5 anos você contrata um advogado e pergunta se pode usucapir esse imóvel em 5 anos. Você morre. Dentro dessa área do terreno vocês podem construir o que quiserem. Durante esse período o Pedro construiu uma mansão nesse terreno. Esse terreno tem 250 m2 conforme diz a CRFB/88. Daqui a pouco eu chego no imóvel rural. Resposta do prof. A CRFB/88 fala que deve ter 250 m de área do terreno. . ele pode ficar lá pois só irá usucapir em 10 ou 15 anos. Esse pedido tem que ser julgado improcedente pois ele fere o princípio da segurança jurídica. A finalidade é dar propriedade a quem não tem. é por isso que ele tranqüilamente pode usucapir. em qualquer situação. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 70 Pedro.

Pedro. Dá para você pedir 250m e a Raimunda pedir 205m? Não. não tem problema nenhum.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 71 O que Pedro deveria ter feito desde o primeiro dia da posse se ele quisesse usucapir em 5 anos? Ele deveria ter cercado terreno e restringido a parte dele a 250 m2. pois essa usucapião é para fins de moradia. Se vocês fossem o Pedro. Ele deveria ter praticado atos de posse restrito a apenas 250 m2. Se for utilização mista. Pedro. O juiz irá desmembrar a matrícula. 1/18 de um casebre avaliado em R$ 300. pois esses 500 m 250 m2 são para a entidade familiar. A usucapião urbana não é apenas o requisito da pessoalidade. É pessoalidade mais moradia.00. você possuiu um imóvel de 250 m2 e nesse imóvel por 5 anos você fez o seu consultório odontológico. O que não pode é ser um imóvel puramente comercial. Que terreno é esse? É um terreno muito valioso de 250 m2. cercou e demonstrou que ele só quer essa área. Haverá uma matrícula nova para o usucapiente e a matrícula do proprietário será reduzida a 500 m2. Vocês possuem um imóvel de 2. O que seria entidade familiar para a usucapião? Resposta do prof. pois pessoa jurídica não mora. Quando a Constituição fala em no máximo 250 m2. Se ele possuiu 250 m2. Faltando 2 meses para usucapir você recebe um telegrama dizendo que a tia dele que mora no Ceará morreu e deixou para você e para cada um dos seus 17 irmãos. Pessoa jurídica pode obter usucapião ordinária ou extraordinária. . Pedro é casado com Raimunda. Pessoa jurídica consegue usucapião urbana ou rural? Não. Pergunta de aluna: aquela hipótese que você falou da entidade familiar. seja inter vivos ou causa mortis. O terreno pode ser muito maior.: A entidade familiar é restritamente o núcleo composto por pai e filhos. Mas são 250 m2 de posse. Pessoa jurídica pode possuir um terreno por 15 anos e usucapir? Pode. ela pode ocupar os outros 250 m2. Ele consegue o usucapião? Teoricamente pela Constituição e pelo CC ele não consegue porque diz a Constituição e o CC que ele não pode ser proprietário de outro imóvel. o que vocês fariam? Vocês renunciariam a herança. ou seja trabalha e mora lá. não é que o terreno tenha que ter 250 m2 não. Você consegue usucapião? Não. pessoa jurídica tem sede. o juiz vai julgar procedente e o restante do terreno continuam com o proprietário. Se tiver uma prima morando junto. você ficou 4 anos e 10 meses nesse terreno.

É claro que só se torna incompatível o fato de você ser proprietário de outro imóvel capaz de lhe conceder moradia. O problema é ele ter outra propriedade nesse espaço de tempo de 5 anos para completar a usucapião.11. Se o Pedro conseguiu essa usucapião de 5 anos por sentença. que é dar propriedade a quem não tem. 3 meses após completar o prazo de 5 anos ele compra um imóvel. pois você está vulnerando o desiderato social. Quando você tem 1/18 de um imóvel. Amanhã eu vou começar a aula com a usucapião urbana coletiva. você completou o prazo de 5 anos sem ter imóvel nenhum. depois vou falar sobre a usucapião rural e vou terminar falando das técnicas processuais da usucapião. . sem problema nenhum. uma urbana seguida de uma rural. Quando ele for ajuizar ação de usucapião mais tarde isso vai prejudicar? Claro que não. ele pode vender esse imóvel depois da sentença ter transitado em julgado? Claro que pode. Rio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 72 Se ele não renuncia a herança. Quando a Constituição diz que não pode ter outro imóvel. Se. vou falar sobre a concessão especial de uso para fins de moradia. O que não pode é usucapião urbana seguida de outra urbana. não tem problema. Usucapião urbana e rural só pode ser obtida uma única vez. Há também proibição constitucional. Mas ainda não ajuizou a ação de usucapião. vamos continuar usucapião. Se o Pedro depois de ter completado o lapso aquisitivo compra outro imóvel. uma rural seguida de uma rural e uma rural seguida de uma urbana. Pedro. isso não te propicia mínimo existencial nenhum. é do primeiro dia de posse ao último dia do quinto ano de posse. 08.2007 Bom dia. também não tem problema. Nesses casos não pode. mesmo assim vocês como juízes dariam a usucapião para ele? Dariam por quê? Pois quando a Constituição fala que não pode ter outro imóvel ela quer dizer outro imóvel que propicie direito fundamental de moradia. Se o Pedro já teve um dia na vida um outro imóvel e vendeu antes de começar a posse. vocês podem conseguir depois uma usucapião ordinária ou extraordinária? Pode. Se vocês conseguiram uma usucapião urbana. não é dele? E se ele vender amanhã ele pode ajuizar uma nova usucapião urbana? Não. Isso tudo foi para lhes mostrar a usucapião urbana com todos os seus requisitos.

pois sempre surgem questões novas. tenham posse com animus domini e consigam a suscapião urbana de um apartamento de até 250 m2. não ter sido proprietário naqueles 5 anos de outro imóvel. essa era a última coisa que eu queria ter dito a respeito da usucapião urbana individual para que nós possamos começar a usucapião urbana coletiva. Então. A usucapião urbana que eu tratei está no art. 9o do estatuto da cidade tem uma outra finalidade. O que vocês acham? É só a área útil interna. município e por aí a gente vai. Isso quer dizer que o próprio CJF confirma que pode usucapir apartamento. Mas tem uma outra coisa da usucapião individual que está no estatuto da cidade que eu tenho que falar antes. Só que a usucapião urbana individual do art. 1240 do CC foi a usucapião urbana individual que possui os seguintes requisitos: imóvel até 250 m. Efetivamente é uma matéria longa. 10. Tem mais alguma outra usucapião com o prazo de 5 anos sem ser essa? A usucapião ordinária tabular do § único do art. O art. E tanto é verdade que nós temos o enunciado 314 do CJF que fala: “Para os efeitos do art. Eu falei que existem 7 formas de usucapião. você fica 5 anos morando em um apartamento que não é seu. E eu havia dito 14 coisas sobre a usucapião urbana. A cada dia que passa fica mais difícil de dar aula sobre usucapião. Fala em terrenos ou edificações. Por que edificações? Apartamento é imóvel urbano. Quem será citado nessa demanda? O síndico representando o prédio e todos aqueles outros posteriormente: estado. Tem usucapião urbana de apartamento? Claro que tem e está no art. CC. 1240 não se deve computar para fins de limites de metragem máxima a extensão compreendida pela fração ideal correspondente à área comum”. pois a usucapião urbana no CC e na CRFB/88 fala em terreno de até 250 m2. Qual é a diferença entre elas? . 183 da CRFB/88 e no art. Eu já estava na usucapião especial urbana e na usucapião especial rural. o imóvel é para moradia e pessoalidade da posse Eu vou estudar com vocês agora a usucapião coletiva que está no estatuto da cidade no art. 9o do estatuto da cidade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 73 Ontem eu conversei com vocês sobre usucapião. Santino. Então. 1242. Qual é o prazo da usucapião especial? 5 anos. A grande discussão é se é 250 m2 de área interna do apartamento ou se é a área de 250 m2 somando as áreas comuns do prédio. União. 9o do estatuto da cidade vai além do CC na usucapião urbana. o que acontece? Nada impede que qualquer um de vocês entre em um apartamento.

Beto. Primeira pergunta: Beto ficou nessa área de 100 m2 por 5 anos. 1242. Já na usucapião rural ou urbana individual tem limite de metragem (250 m2). Nessa favela tem mil famílias. Cada família deve ocupar mais ou menos 100 m2. não tem como trazer a planta do imóvel porque esse lugar em que você vive não existe no registro do Rio de Janeiro. elas são completamente diferentes. Pode ser qualquer metragem. ele não tem outro imóvel e ele morou lá pessoalmente pelos 5 anos. Qual é a finalidade da usucapião coletiva? . A divisão do terreno que os favelados fizeram foi uma situação fática que não está documentada. Então. § único que também é de 5 anos? A primeira diferença é que para ter aquela usucapião do art. Vamos dar um exemplo para vocês entenderem. No resto. Basta animus domini que já é suficiente. pois para se ajuizar uma ação de usucapião urbana individual é necessário ter a planta do imóvel (art. Ele consegue a usucapião urbana individual? Não. se alguém quer ter usucapião ordinária de 5 anos pode conseguir a usucapião ordinária mesmo ele já tendo 28 imóveis? Pode. A única coisa que elas têm em comum são os 5 anos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 74 Qual é a diferença entre a usucapião especial urbana individual ou a rural individual que também é de 5 anos e aquela usucapião do art. Vamos para a usucapião coletiva. 942. A terceira diferença é a seguinte: na usucapião especial exige-se moradia com pessoalidade. E você. Não se exige que aquele seja o primeiro imóvel dele. Na usucapião de 5 anos do CC não se exige moradia com pessoalidade. A segunda diferença é que nessas modalidades especiais da Constituição o cara não pode ter nenhum outro imóvel. Uma favela de 100 mil m2. 1242 para ser de 5 anos exige justo título e boa-fé. O que existe é essa gleba. Já no CC. § único não há limite de metragem do imóvel. CPC). Para corrigir essa injustiça foi criada a usucapião coletiva (art. ele não consegue a usucapião individual. Isso é injusto pois há uma prevalência da forma sobre o acesso à propriedade. Já a usucapião especial não exige justo título e nem boa-fé. Beto imagina que tem um terreno que é uma favela no Rio de Janeiro. 10. você está ocupando uma área de 100 m2. 1242.257/2001). Beto. A quarta diferença é que a usucapião do art. lei 10.

É por isso que a usucapião coletiva tem o mérito de defender interesses individuais homogêneos e dar acesso ao patrimônio mínimo para as pessoas. Mas você. pois essa não é uma ação que visa satisfazer interesses individuais. na prática. A sentença do juiz não será um título para que você possa matricular essa área fisicamente localizada e diferenciada. Isso não interessa. uma ação ajuizada por um litisconsórcio ativo de mil famílias de possuidores pedindo a coisa toda? Essa afirmação é falsa. não dará a você essa área específica e individualizada. Mas. É interessante que vocês coloquem em uma prova que isso é uma ação que defende interesses metaindividuais. visto que posse é algo provisório. A associação de moradores pelo art. a título de propriedade. Flávio consegue a usucapião? Se eu falei que não cabia acessio possessionis na usucapião urbana. Por isso que quem vai ajuizar essa demanda é a associação de moradores. na realidade. interesses individuais homogêneos. pois essa ação não é um mega litisconsórcio ativo. Ele quer deferir essa usucapião ao todo. Por que vocês acham que pode? Aqui pode porque o art. Essa é uma ação coletiva e todos terão a mesma área. A maioria dos moradores faz uma assembléia e autorizam que essa associação de moradores possa ajuizar essa ação de usucapião coletiva. não tem 5 anos de posse. A sentença vai transformar todas essas pessoas em condôminos. ao contrário dos outros. 12 do estatuto da cidade é substituta processual. todos vão continuar onde estão. que é muito melhor do que posse. . Juntando os 3 anos de posse anteriores com os dois anos de posse. Existem interesses individuais homogêneos relacionando essas pessoas. Mas. Quando o juiz dá a sentença. você é um desses possuidores.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 75 Verdadeiro ou falso? A usucapião coletiva é. você vai ter fração ideal. Você só tem 2 anos de posse porque você comprou essa posse do Washington que tinha 3 anos de posse. mesmo que alguém ocupasse parte do terreno maior que os outros. pois o juiz não está preocupado com a situação peculiar de cada um dos possuidores. E cada uma dessas pessoas terá uma fração ideal idêntica a dos outros. 10 do estatuto da cidade admite a acessão de posse na usucapião coletiva. O juiz vai dar para o Beto uma fração ideal. Ela tem legitimação extraordinária justamente para ajuizar essa ação em nome próprio na defesa do interesse da coletividade. Flávio. Essa ação visa defender interesses metaindividuais. Vai formar um condomínio necessário.

5 anos é o início de ocupação dessa favela. Resposta do prof. Considera-se que tenha baixa renda a pessoa que receba até 3 salários mínimos. O esbulho é dentro da área que eles efetivamente ocupam e cabe ação possessória. o próprio município poderá realizar função social dentro dela podendo fazer a urbanização da favela. Posteriormente esse condomínio pode ser dissolvido? Pode. A dificuldade é que um não pode reivindicar contra o outro. Essa usucapião coletiva é muito boa pois a partir do momento em que essa propriedade é regularizada. Se o juiz desse na sentença para cada um aquela área específica. o município não poderia urbanizar. Sabe qual é a pergunta que o juiz vai fazer? Os atos possessórios dessa coletividade começaram a 5 anos atrás? 5 anos não é a posse de cada um. Mas a partir do momento em que cada um tem uma fração ideal. Então. É por isso que o juiz concede essa sentença deferindo essa usucapião e todos eles serão condôminos necessários. mas reintegração de posse cabe. Ou seja. Condômino não pode reivindicar contra condômino.: Isso. §§ 4o e 5o que trata da desapropriação indireta praticada quando não há função social de determinado bem. não existe usucapião coletiva em favor de ricos que se unem em um condomínio e depois de um tempo descobrem que aquilo que eles compraram foi uma venda a non domino. mas somente com o voto de 2/3 dos moradores no sentido da dissolução. com a usucapião coletiva nós eliminamos a injustiça de questões formais e damos propriedade a essa coletividade. Se por acaso algum dos possuidores só tem 3 anos e não tem tempo nenhum para juntar.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 76 A única chance desse bem ser individualizado é na inicial a associação dos moradores faz o pedido quanto a área inteira. Pergunta de aluna: inaudível. essa usucapião é para a população de baixa renda. pois o juiz não está interessado na trajetória de cada um. mesmo assim ele consegue? Consegue.cabe ação possessória. vocês se tornam proprietários. . o município pode criar todas as condições necessárias para a habitabilidade digna dessa região porque o morador não vai poder se opor para que obras sejam realizadas para que esse local seja melhor para se viver. Vocês devem estar se perguntando por que eu não trabalhei com vocês o art. 1228. Só uma pergunta: Gente. Eu vou trabalhar isso com vocês por aproximadamente 1 hora na aula de posse. Agora. que corresponde à gleba que estava registrada no ofício imobiliário. se um levar o lugar de outro.

mas é metade do caminho. A maioria das favelas se consolidou sobre bens públicos. Qual é o prazo de posse para conseguir a concessão especial? 5 anos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 77 Eu não posso tratar disso com vocês na aula de propriedade porque aquela desapropriação é função social da posse. A única diferença é que ao invés de você ter propriedade. a não ser possuidora desse imóvel. Não é mais aquela posse precária. Então. Só que esse bem é público. Quais são as situação em que a Patrícia pode perder essa concessão especial? Quando ficar provado que existe desvio de finalidade. É o registro de uma posse. 5 anos. Uma observação: eu falei que usucapião coletiva é coisa de favelado. é possível a usucapião coletiva se ela for bem público? Não. cada terreno não pode ter mais de 250 m2. ou seja. Como é a individual? Patrícia. não foi? Mas e se essa favela pertencer ao município do Rio de Janeiro. pois o bem continua sendo público. MP 2220/2001 tendo sido republicada como MP 2172-32/2001. Mas qual é a vantagem? Proprietário você não será. São os mesmos requisitos da usucapião. a associação de moradores não terá direito à usucapião. . O que essa MP te concede? Ela te concede direito especial de moradia. O que o próprio FHC fez para compensar essa proibição da usucapião coletiva? Criou a chamada concessão especial de uso para fins de moradia. Nesse caso. Essa concessão de uso não é usucapião. você terá direito real de moradia. Você tem a posse como um direito real. Ela terá direito à concessão especial e todos os favelados terão a perspectiva de estabilidade. Quando se dá a concessão coletiva? Ela se dá naqueles casos em que a favela é favela que pertença ao poder público. Ele tem menos de 250 m2 e você não é proprietária de nada. ela utilizar aquilo para fins comerciais ou quando você adquiriu um outro imóvel. Fora isso essa garantia não se perde com o passar do tempo. imagina que você ficou 5 anos nesse imóvel. Havia previsão de usucapião coletiva de bem público no estatuto da cidade. é uma posse que é levada ao registro imobiliário. O que é essa concessão especial de uso para moradia? Ela se divide em duas: individual e coletiva. mas o presidente Fernando Henrique vetou pois a CRFB/88 impede a usucapião de bem público. pois a Patrícia e a sua entidade familiar terão a garantia de que até a sua morte você continua morando lá transmitindose esse direito de moradia para os seus herdeiros. Não é função social da propriedade. a maioria das favelas não poderia ser beneficiada por esse novo modelo jurídico porque é bem público.

nada se incorpora na legislação até 2001 se tratando de direito social fundamental. Vale dizer. mas só até 2001. Você pode pleitear a concessão especial em juízo? Pode. Constituição não revoga lei. 6o. qual é a conclusão? Vem uma medida provisória e concede um direito social fundamental. Vamos falar sobre usucapião rural. Direito fundamental de moradia é direito fundamental social. Mas é claro que se aplica subsidiariamente o art. A usucapião rural não. Vai ter muita gente falando que ele se incorporou. ou seja. A Patrícia começou a possuir esse imóvel em 2007.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 78 Está nessa MP que só é possível que o Estado atenda essa concessão especial se esse prazo de 5 anos foi alcançado até a vigência da MP. Em 2012 ela completa esse prazo e descobre que esse bem é público. Ela existe desde a Constituição de 1934. Art. Vou fazer 3 perguntas de concurso sobre a usucapião rural. ela não vai te adiantar nada porque ela só veio para regularizar situações anteriores. Se a pessoa começou a possuir em 2007 e fez 5 anos. Isso é retrocesso social que não se admite no estado democrático de direito. Agora eu não preciso mais da vedação ao retrocesso. essa norma diz que é até só 2001. Mas gente.941 do CPC que é o procedimento da usucapião em geral. qual seja. CRFB/88. O aspecto procedimental da usucapião coletiva está no estatuto da cidade. E qual era um deles? Concessão de uso para fins de moradia. A usucapião rural começou na CRFB/88 ou já havia antes? A usucapião urbana foi inventada pela CRFB/88. só serve essa concessão de uso para quem começou a possuir em 1996 e terminou em 2001. E antes da CRFB/88 ela era regida pela lei 6969/81 que foi recepcionada pela CRFB/88 e continua em vigor. É a lei 6969/81 que rege o aspecto procedimental da usucapião rural. até 2001. O que é o Estado democrático de direito? O Estado democrático de direto quer implementar direitos fundamentais sociais. 1225 na primeira aula? Os dois novos direitos reais. Lá ele começou a possuir um terreno de 40 hectares e ficou . Qual é um princípio implícito da CRFB/88? Proibição do retrocesso. concessão especial. Vocês lembram o que eu pedi para vocês incluírem no art. Ele se aposentou e foi morar no campo. Se direito social é direito fundamental e isso é dito por Daniel Sarmento e por Ingo Sarlet. Constituição recepciona ou não recepciona e suprime ou mantém a eficácia. E. Flávio era funcionário público estadual. de repente.

descobre que esse é um imóvel público. para ser imóvel urbano. 32 do CTN até diz quais são os requisitos para o imóvel deixar de ser rural e passar a integrar a urbi. 191 fala em imóvel situado em zona rural. se não fosse registrado. pois na usucapião rural não basta moradia. você e seu marido moram em uma cobertura no Grajaú e vocês possuem vários animais nessa cobertura. Ou seja. Durante esses 5 anos ele viveu à dispensa da sua aposentadoria como funcionário público estadual. No final desses 5 anos você consegue a usucapião rural? Não. A questão é de localização para estabelecer uma coisa ou outra. está registrada em nome do poder público. tem que morar e produzir. A questão não é de destinação. Você possuiu até 2007. apesar de ser chamada desta forma. É um bem público patrimonial que não recebe qualquer destinação. Pode ser qualquer tipo de produtividade. independente da destinação dada a ele. tendo em vista que morar não basta. terra devoluta. por isso é que não basta moradia. Mas somente com a moradia não caberá usucapião. . A Constituição no ar. Patrícia começou a possuir um terreno rural em 1983 com todos os requisitos que a lei exigia para a usucapião rural. A usucapião rural é bem de produção. Então. Tem uma série de requisitos de saneamento e outros para que ele possa se tornar um imóvel urbano. 8 bodes na sala. A definição de imóvel é pela localização. Tudo aquilo que não estiver um área urbana ou urbanizável no plano diretor. Res nullius seria se não tivesse sofrido processo discriminatório. na piscina tem 7 jacarés. Quando você vai pedir usucapião. Essa cobertura está localizada na zona urbana. O art. Alessandra.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 79 morando lá por 5 anos. ele tem que estar localizado em área urbana. Por isso que a usucapião rural é chamada de usucapião pro labore. Qual é a diferença entre res nullius e terra devoluta? Terra devoluta. A intensidade da função social na usucapião rural é maior do que na usucapião urbana. por exclusão será zona rural. Como é que eu sei que o imóvel está localizado na zona urbana? No plano diretor vocês conseguem descobrir exatamente qual é o imóvel que se encontra em área urbana ou em área urbanizável. Vocês têm 4 vacas na cozinha. você está há 24 anos possuindo esse imóvel. Tem que ter moradia mais trabalho. Esse imóvel é urbano ou é rural? É urbano. pelo trabalho.

E só com a CRFB/88 é que se passou a vedar a usucapião de qualquer bem público. já que a propriedade pertence ao Flávio? Qual será o fundamento da alegação da usucapião em defesa? Quando o Rafael completou o prazo ele adquiriu domínio. só pode contar a partir da CRFB/88. 1o aumentando a área de 25 para 50 hectares. 237. Então. pois nessa lei no art. fruir e dispor da coisa. esse terreno particular você começou a possuir em 1983 até 2007. já que ele não tem justo título e nem boa-fé com moradia e vai conseguir em 10 anos. A lei 6969/81 está toda em vigor. Patrícia. Domínio são as faculdades que o proprietário tem de usar. ou seja. Você consegue usucapião? Quando é que ela vai começar a contar o tempo? Só a partir da CRFB/88. não existia ainda a CRFB/88. Quando ele ajuíza a ação reivindicatória. O Rafael vai alegar exceção de domínio. Em 2020 aparece o proprietário Flávio que percebendo que Rafael não ajuizou a ação de usucapião. Ela vai conseguir usucapir ou não? Vai. Então. Em 2017 ele consegue a usucapião. . ajuíza a ação reivindicatória para tirar o Rafael do seu imóvel. Rafael. a área de terreno que ela usucapiu estava acima do máximo permitido. Se ela completou o prazo antes da CRFB/88. Rafael alega usucapião em defesa (súm. o que dizia o art. Só que a área que você possuiu é uma área de 35 hectares. mas ele não ajuíza a ação de usucapião e continuou morando lá.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 80 Ela descobriu que é um imóvel público. antes da CRFB/88. Por que ele vai alegar usucapião em defesa se ele não tem propriedade. E por que você ganhou a usucapião se o seu pedido é de 2007? Porque na época em que você terminou o período aquisitivo. você começou a possuir um imóvel em 2007. incluindo terras devolutas. Ele está alegando domínio em defesa. Ele quer uma usucapião extraordinária. Mas como irá usucapir se não cabe usucapião de bem público? Como ela começou em 1983 e terminou em 1988. pois ela retirou esse caráter do art. STF). exceto os dois primeiros cuja eficácia foi suprimida pela norma constitucional. Vamos agora falar sobre aspectos relevantes sobre a parte processual da usucapião. 1o antes da CRFB/88 a área máxima era de 25 hectares. a usucapião em defesa é uma exceção de domínio. 2o da lei 6969/81? Ela permitia usucapião de terra devoluta.

CPC. mas não têm a propriedade? Existe. mas agora ele terá que convocar todos em litisconsórcio passivo necessário. Mas ele não pode recuperar. o proprietário. Uma sentença pode ter várias cargas eficaciais. É declaratória de domínio porque ela vai declarar que você já tem aquele domínio há muito tempo. 941. formais e legais da usucapião. E quando o Rafael registrar ele vai ser constituído como proprietário. por que ele perdeu a ação reivindicatória? Porque ele só pode reivindicar. Proprietário que perdeu o domínio não pode reivindicar. Qual vai ser a segunda batalha? Ele agora vai ajuizar uma ação de usucapião extraordinária desse imóvel. pois ele já perdeu o domínio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 81 Quando o Rafael alega domínio em defesa. desde quando completou os requisitos reais. Uma sentença pode ser constitutiva e declaratória. qual é a natureza da sentença de usucapião? Declaratória de domínio e constitutiva de propriedade. É claro que a carga eficacial preponderante é a declaratória. você ganhou a primeira batalha porque o juiz julgou improcedente. Rafael. o Estado e eventuais interessados. Mas ela é constitutiva de propriedade porque aquela sentença vai servir como título para ser levado ao registro. Existem pessoas que já têm o domínio. o que ele quer demonstrar com isso? Qual é a conseqüência se essa reivindicatória é julgada improcedente? Se essa reivindicatória é julgada improcedente ele já pode registrar essa sentença de improcedência da reivindicatória e leva-la como título para a usucapião? Não pode porque vocês aprenderam que a pessoa só pode registrar a sentença se for na ação especial de usucapião do art. Ele terá que convocar o proprietário. Ele irá ajuizar uma ação de usucapião porque ele se deu bem contra o proprietário. que queira recuperar o domínio. Por isso que o juiz vai julgar improcedente a pretensão do Flávio. . Se o juiz julga procedente e você ganha a ação de usucapião. os confinantes. mas não tem a propriedade. Mas vamos por partes. mas não registra tem o domínio.visto que ele nunca ganharia a usucapião se o juiz não observasse que lá atrás ele já adquiriu o domínio. Primeiro. O usucapiente quando consegue a usucapião.

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E existem pessoas que têm a propriedade, mas não têm o domínio. É o caso do proprietário que após a usucapião que continua sendo formalmente proprietário, mas não tem domínio. O domínio está com o possuidor. Art. 1241, CC: “Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel”. O certo seria falar em domínio. Mas o CC não faz a distinção entre propriedade e domínio. Mas o CPC faz. Se vocês forem no art. 941, CPC vocês verão que está escrito que a ação de usucapião tem a finalidade de declarar o domínio. Olha o § 1o do art. 1240: “O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil”. Mas não existe título de domínio. Existe título de propriedade. Titularidade é propriedade. Rafael, quando você completou o prazo de usucapião, você não ajuizou a ação de usucapião. Se ele não ajuizou a ação de usucapião, mas já tem todos os requisitos, pode o Flávio vender a fazenda para Patrícia? Pode. Dois anos depois o Rafael resolve ajuizar ação de usucapião. Ele vai ajuizar contra o Flávio ou contra a Patrícia que é a atual proprietária? Contra a Patrícia. A Patrícia pode alegar em defesa que contra ela não tem usucapião, pois na época em que ele completou a usucapião o proprietário era o Flávio. Ela pode alegar isso? Claro que não, pois esse ato de disposição do proprietário é ineficaz perante o usucapiente. É ineficaz, pois quando o Flávio dispôs do imóvel, já não tinha mais o poder de disposição. O domínio já estava com o Rafael. O Flávio não poderia dispor daquilo que ele já não mais tinha. É um caso de ineficácia relativa. A Patrícia tinha que ter pesquisado o histórico desse imóvel e ver que tinha uma pessoa que já estava lá há muito tempo e que poderia entrar com ação de usucapião. Rafael, você já tinha cumprido o prazo de usucapião e nada do Flávio ajuizar ação reivindicatória. Você já estava no imóvel há mais de 13 anos. De repente, Zé Rainha invade o terreno que Rafael possuía. Qual é a ação que Rafael tem contra Zé Rainha? Reivindicatória ele tem? Não. Reivindicatória é só de quem tem propriedade, pois só quem tem propriedade tem seqüela e poderá reivindicar. Tem reintegração de posse? Claro que tem. Ele não foi esbulhado? Ele não era possuidor?

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Como eu não dei aula de posse, eu não vou ficar discutindo reintegração de posse, mas ele pode. O possuidor que está neste terreno também não tem uma ação possessória contra o Zé Rainha? Teria. Qual é a vantagem do possuidor que tem usucapião contra o Zé Rainha? A ação de que você tem contra ele, além da possessória, é uma ação chamada publiciana. Essa ação publiciana é a mesma coisa que a ação reivindicatória. É igual, só muda o nome. A ação publiciana é uma espécie de ação petitória só que é ajuizada por aquele que tem domínio, mas não tem propriedade. O Rafael tem o mesmo remédio que o Flávio teria, mas não se chama reivindicatória porque o nomen iuris reivindicatória é específico para aquele que já registrou o imóvel no seu nome. A ação publiciana não visa defender uma posse qualquer. A ação publiciana visa defender um domínio. Então, é uma ação muito mais forte contra o Zé Rainha do que uma mera ação possessória. Lembram que no primeiro exemplo o Flávio ajuizou uma ação reivindicatória contra o Rafael e o Rafael alegou em defesa usucapião com exceção de domínio? Vocês me falaram que o juiz julga improcedente a reivindicatória e o Rafael tem que ganhar uma segunda batalha que é ajuizar ação de usucapião. Existe alguma espécie de usucapião que vocês conhecem que se o Rafael consegue derrotar o Flávio na reivindicatória, ele não precisa ajuizar uma ação de usucapião autônoma, ele pode pegar a sentença improcedente da reivindicatória e registrar a propriedade no seu nome imediatamente sem uma segunda demanda? Existe. Na usucapião rural e na usucapião urbana. Na usucapião rural, pelo art. 7o da lei 6969/81 e na usucapião urbana pelo art. 13 da usucapião urbana. Isso acontece porque elas são normas especiais que consagram que quando a usucapião rural ou urbana são alegadas em defesa, elas são consideradas como pedidos contrapostos, ou seja, é quando o réu na contestação além de deduzir sua defesa, deduz uma pretensão contra o autor. Normalmente réu não deduz pretensão. Quem deduz pretensão é o autor. E quando o réu resolve deduzir pretensão de contra ataque, é pela via da reconvenção. Só que a vantagem do pedido contraposto é que ele não necessita das formalidades do art. 315, CPC da reconvenção, pois o contra ataque está nos mesmos autos.

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Flávio ajuíza reivindicatória contra Rafael. Rafael em defesa diz para o juiz que o Flávio não tem direito a ganhar e que ele tem prazo de usucapião e que ele quer que esse prazo seja declarado. Ou seja, ele alega em defesa a usucapião e não precisa de outra ação. Quando você alega um pedido contraposto em defesa, por que esse pedido faz com que não seja preciso ajuizar outra demanda? Porque quando o juiz for dar a sentença, esta será formalmente uma, mas formalmente dúplice. Em uma só sentença o juiz vai decidir dois pedidos. O pedido de Flávio contra Rafael e o pedido contraposto de Rafael contra Flávio. É por isso que como essa matéria entra na parte da motivação e da disposição da sentença, o pedido contraposto fará coisa julgada e é por isso que não será necessário você ajuizar outra ação de usucapião. Isso tudo que eu falei cabe na usucapião ordinária e extraordinária? Não cabe, pois na usucapião ordinária e extraordinária deve-se ajuizar uma outra ação de usucapião. Quando Flávio ajuíza a reivindicatória contra Rafael, já que Rafael está alegando em defesa usucapião extraordinária, Rafael pode reconvir com usucapião? Cabe reconvenção de usucapião? Alexandre Freitas Câmara entende que cabe e eu concordo com ele. Cabe a reconvenção por uma simples questão de efetividade processual que é o que se busca. Por que se vai impor um sacrifício para o Rafael de ter que ajuizar uma outra demanda se ele pode contra atacar utilizando o art. 315, CPC com a reconvenção? A posição de Alexandre Câmara não é majoritária porque a maioria da doutrina diz que não cabe reconvenção na usucapião sob o argumento de que só pode existir reconvenção quando houver coincidência entre as partes da ação principal e da reconvenção. Quem é o autor da reivindicatória? Flávio. Quem é o réu da reivindicatória? Rafael. Quem seria o autor da usucapião? Rafael. Quem seria o réu na usucapião? A coletividade. A doutrina majoritária diz que não pode pela via da usucapião haver ampliação do pólo subjetivo passivo da demanda. Mas eu acho que em prol da efetividade deveria caber reconvenção. Alguém nessa sala de aula admite que o Rafael possa deduzir pedido contraposto em defesa para não precisar de ação autônoma, mesmo essa usucapião sendo ordinária ou extraordinária? Passa a admitir.

Mas ele está sem dinheiro. essa decisão é inexistente perante o município. Mas por que isso ocorre? Porque o MP só intervém nas causas que alteram o registro imobiliário. Quando a usucapião é alegada em defesa. o município pode alegar que a decisão foi ineficaz perante não ter trânsito em julgado. já que ele é litisconsorte necessário obrigatório. Ele participa na ação direta de usucapião. eticidade e operabilidade. O enunciado 315 do CJF fala: “O art. Quando ele diz que vai requerer. O MP. que essa norma tem que ser interpretada de acordo com essas diretrizes. E. o seu sonho é ser proprietário de uma Uno Mille. CC admite que a usucapião possa ser obtida de forma direta. Vamos falar sobre propriedade fiduciária. 1361 até 1368. Washington. Art. O NCC veio para dar efetividade. participa da usucapião quando alegado em defesa? Não. visto que ele não foi chamado. Qual deve ser o cuidado do juiz toda vez que o pedido contraposto é deduzido em defesa na usucapião? É convocar para a ação reivindicatória todos esses eventuais interessados e o MP como custus legis. mediante usucapião. é claro. o juiz deverá chamar todos os interessados e o MP e deverá fazer isso porque se depois houve o registro sem ter chamado todos os interessados. Art. para torná-los reais. Aliás. Está escrito em algum lugar neste artigo que tem que ser pela via de uma ação? Não. 1241.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 85 O art. 1241. Mas se a usucapião em defesa é deduzida em pedido contraposto aquela sentença servirá como título para registro? Servirá. Então. CC: “Poderá o possuidor requere ao juiz seja declarada adquirida. a propriedade imóvel”. os confinantes não participaram dessa demanda e os eventuais interessados também não participaram. veio para dar operabilidade aos direitos. em princípio muda o registro? Não. valendo a sentença como instrumento para registro imobiliário”. Quais são as três diretrizes do NCC: socialidade. em princípio. E só se altera o registro público na ação de usucapião direta. 1241 permite que o possuidor que figura como réu em ação reivindicatória formule pedido contraposto e postule ao juiz que seja declarada adquirida mediante usucapião a propriedade imóvel. Então ele chega ao Banco Alfa e pega um . nós devemos interpretar tanto em via de ação quanto em via de pedido contraposto. Mas o Estado não participou dessa demanda. CC.

A segunda característica é o constituto possessório. tornando-se o devedor o possuidor direto da coisa”. a suas expensas e risco. 1363: “Antes de vencida a dívida. Em relação a Roma Veículos. também chamado de fiduciante. Mas a propriedade é do Banco Alfa e é por isso que o Banco continua com as faculdades de dispor e de reivindicar. Houve o desdobramento da posse onde os poderes de usar e fruir ficaram com o possuidor direto. Já o Banco tem o poder de dispor e de reivindicar. Essa relação contratual chamada alienação fiduciária vincula duas pessoas: Washington e Banco Alfa. Vamos descrever quais são as 4 características fundamentais de uma propriedade fiduciária. O Banco Alfa é o adquirente do carro. dá-se o desdobramento da posse. Ele transferiu a propriedade para o Banco Alfa. Como se faz o desdobramento da posse? Quais são as 4 faculdades do proprietário sobre a coisa? Usar. dispor e reivindicar. Olha o art. Ele pode usar e fruir a coisa porque ele é possuidor direto e depositário do bem. visto que esse se torna o depositário desse veículo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 86 empréstimo para comprar esse carro. sendo obrigado como depositário”. pode usar a coisa segundo a sua destinação. Alienação em fidúcia. §2o: “Com a constituição da propriedade fiduciária. Olha o art. o carro era seu e você o alienou para a instituição financeira. O Banco Alfa transmite para a Roma Veículos o valor correspondente ao carro. o devedor. Washington irá usar e fruir. passa a possuir em nome alheio. 1361. você aliena o seu carro em confiança para o Banco Alfa. Apesar de ele ter transferido a propriedade do carro para o Banco ele não continua na posse da coisa? Continua com a posse direta da coisa. Washington passa a ter posse direta e o Banco passa a ter posse indireta. Aconteceu o desdobramento da posse porque ele era o proprietário e tinha a posse. Constituto possessório é uma inversão no título da posse pela qual aquele que possuía a coisa em nome próprio. A primeira é o desdobramento da posse. Washington. também chamado de credor fiduciário. Washington é o alienante. se surgir uma lide é em relação a algum defeito do produto. . Quando isso acontece. fruir. A Roma Veículos não te nada a ver com a alienação fiduciária. alienação em confiança.

Houve uma inversão no título da posse pelo qual aquele que era possuidor a título de dono. Teve a tradição do carro? Claro que houve. Olha o art. Enquanto ele paga essas prestações o Banco tem a propriedade? Tem. Mas houve a tradição ficta. que se encontra em poder de terceiro. Essa tradição se subentende pela cláusula constituti que é uma cláusula no contrato onde há o constituto possessório. mas sim como depositário. ou seja.00. que é o constituto possessório. você se torna proprietário até a hora que você queira dispor da coisa. Houve a tradição pela via de uma ficção que é o constituto possessório. 1267. O constituto possessório é uma ficção. Mas essa tradição não necessita da entrega da coisa. Agora ele virou depositário. quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa. pois o Banco Alfa agora é que é o proprietário. Mas como foi que houve se ele não entregou o carro para o Banco? Não houve a tradição real. Washington não possuía a coisa em nome próprio? Ele vai continuar possuindo a coisa. Em regra. do alienante se converter em proprietário da coisa. Propriedade resolúvel é exceção. nasce submetida a um evento futuro e incerto que. É claro que houve a tradição. Não houve a tradição simbólica que é a entrega das chaves. é a integralização do pagamento das 36 prestações. por ocasião do negócio jurídico”. A terceira característica é a propriedade resolúvel. E essa propriedade é marcada pela perpetuidade? Não. virou possuidor em nome alheio. como proprietário. § único. O Washington combinou com o Banco Alfa que ele vai pagar essa dívida em 36 prestações de R$ 400.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 87 Washington. Essa propriedade é resolúvel. no caso. você transferiu a propriedade do carro para o Banco Alfa e você continuou na posse. não mais como dono. CC: “Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório. acaba e o Washington vai conseguir o chamado resgate ou a remancipação. ou quando o adquirente já está na posse da coisa. No dia em que o Washington integraliza o pagamento das 36 prestações a propriedade do Banco se resolve. que é a entrega da coisa. O que é resgate ou remancipação? É o fato do devedor. Mas a propriedade resolúvel é uma propriedade que já nasce submetida a uma condição resolutiva. Mas isso irá acontecer se o .

Ele é um direito que já foi concebido. ele já está com as mãos sobre a coisa. Então. mas é uma tradição ficta chamada tradição brevi manu. Tradição brevi manu é o contrário do constituto possessório. O nome é brevi manu porque o Washington não terá que buscar a coisa em lugar nenhum. Quando o Washington está pagando ele apenas tem a posse e não tem a propriedade. Mas no CC é só bem móvel. Quando você paga o último dos 36 meses. o direito que era eventual se torna um direito adquirido. mas ainda não nasceu. (O professor mandou sublinhar “garantia”). mas em lei especial. Quando você pagou a última. Cada prestação que ele paga ele está amortizando uma parcela do débito. Direito eventual é um direito subjetivo que já está incorporado ao seu patrimônio. No final do pagamento da última prestação ocorre uma tradição? Ocorre. você passou a possuir como proprietário. Quando o Washington terminar de pagar a última prestação e se tornar dono ele tem que buscar o carro em algum lugar? Não. Toda propriedade fiduciária tem no começo um constituto possessório e no final uma brevi manu. mas ele tem o quê? Ele tem um direito eventual. Até o último pagamento o Washington possuía a coisa em nome alheio. a propriedade do Banco é uma propriedade resolúvel. Tradição brevi manu é uma inversão do título da posse em que o bem que era possuído em nome alheio passa a ser possuído em nome próprio. Tem a lei 9514/97 que trata da propriedade fiduciária imobiliária. O constituto é a inversão do título da posse pelo qual aquela coisa que era possuída em nome próprio passa a ser possuída em nome alheio. mas que será consolidado na medida em que houver um evento futuro. Art. O conceito de brevi manu é o contrário do de constituto possessório. Propriedade fiduciária no CC no Brasil é só de bens móveis. . transfere ao credor”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 88 Washington cumprir o evento futuro e incerto que é pagar todas as prestações na medida integral. com o escopo da garantia. em nome próprio. Enquanto ele está pagando ele não tem propriedade. 1361: “Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor. Existe propriedade fiduciária de bem imóvel? Existe. Direito eventual é muito mais do que uma expectativa de direito.

. é o negócio jurídico entre as partes. A alienação fiduciária é apenas o contrato. pois atende os requisitos do art. Quando negócio jurídico é registrado no registro de títulos e documentos. Alienação fiduciária em si é direito real ou é direito obrigacional? É uma relação obrigacional. que é muito comum em bolsa de valores. Como é que a instituição financeira vai ter garantia que você vai pagar alguma coisa se o bem é fungível e ele pode ser depreciado? Então. objeto lícito e forma prescrita em lei). pois ele visa sempre garantir o empréstimo.931/2004. Por que no CC propriedade fiduciária além de ser em coisa móvel deverá ser infungível? Porque como é que uma pessoa vai dar em garantia algo que seja fungível? Pois não há possibilidade de conservação da coisa. Isso é um contrato. vira direito real. notem. Tem a lei do mercado financeiro (lei 4278/65) que trata de alienação de títulos. O contrato de alienação fiduciária é um contrato principal ou acessório? É acessório. 1368-A? Ele fala que as demais espécies de propriedade fiduciária submetem-se às disciplinas específicas das leis especiais. É muito interessante para o Banco que haja o registro no cartório de títulos e documentos para que a sociedade saiba que esse veículo está garantido por um contrato anterior de alienação fiduciária. quando você assinou esse contrato com o Banco Alfa esse contrato já é um negócio jurídico válido. Esse artigo foi incluído pela lei 10. Ele serve como contrato acessório para garantir. Então. Quando é que a alienação fiduciária passa a ser propriedade fiduciária? Quando registra porque passa a ter eficácia de direito real. a coisa tem que ser infungível. mas nada impede que exista propriedade fiduciária de bem imóvel e que haja também propriedade fiduciária de bens móveis fungíveis. 104 (agente capaz. Isso ocorre para que haja garantia da instituição financeira. deixa de ser apenas uma alienação fiduciária e passa a ter eficácia erga omnes. O mérito desse artigo é dizer que propriedade fiduciária no CC é de coisa móvel e infungível. mas em outras leis. Washington. direito real requer o registro. vira direito real chamado propriedade fiduciária. ele já tem eficácia obrigacional. Esse contrato já tem eficácia? Já.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 89 O código de vocês tem o art. Washington fez um contrato de alienação fiduciária com o Banco Alfa. ele já produz efeitos obrigacionais entre as partes.

Além disso. Pela interpretação literal este artigo está dizendo que basta você levar no Detran que já existe a propriedade fiduciária. Washington deixou de pagar as prestações para o Banco Alfa. para conhecimento da sociedade. Então. O papel dele é de documentar a organização de veículos de uma forma mais simplificada. Ela é terceiro de boa-fé porque para fins probatórios. pois no Detran não é para fins registrais. Então. CC: “Constitui-se a propriedade fiduciária com o registro do contrato. que lhe serve de título. Vocês concordam com isso? Não. nunca o Detran poderá fazer papel de cartório. Basta fazer a anotação da alienação fiduciária no certificado de registro de veículo. não precisa levar o título ao cartório de títulos e de documentos. Banco Alfa ajuíza busca e apreensão contra você. O que você pode fazer? Opor embargos de terceiro pela súmula 92 do STJ. na repartição competente para o licenciamento. O papel do Detran é colocar no CRV para fins probatórios. em se tratando de veículos. 1361. O Banco Alfa esqueceu de anotar esse gravame de alienação fiduciária no certificado de registro de veículo. Este poder de cartório só tem pessoas de direito privado que tenham a permissão para realizar esses serviços públicos por delegação. pois ninguém pode dispor de coisa que não lhe pertence. celebrado por instrumento público ou particular. A coisa pertence ao Banco Alfa. no Registro de Títulos e documentos do domicílio do devedor. Mas Detran é cartório? Pelo art. Por que ela pode opor embargos de terceiro? Porque ela é terceiro de boa-fé. É conjunção aditiva. . Alguém pode me dizer outros dois direitos reais de garantia famosos? Penhor e hipoteca. ou. mas não para constituir direito real. qual é a lógica se for um carro? Primeiro leva no cartório de títulos e documentos e depois também no Detran. viu que o carro não possuía gravame e o comprou. fazendo-se a anotação no certificado de registro”. Esse § 1o está dizendo que se o Washington tem carro. bastaria a Patrícia ir ao Detran.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 90 Olha o §1o do art. Mas é claro que a conduta do Washington é de estelionato. Ela foi ao Detran. Onde está escrito “ou” no § 1o. Não há possibilidade do Banco Alfa retirar o carro pois ela é terceiro de boa-fé. mas sim para fins de organização administrativa de circulação de veículos. 236 da CRFB/88 o Estado não tem o poder cartorial. O papel do Detran não é ser cartório. pois está registrado no cartório de títulos e documentos. vocês não devem concordar. vocês coloquem “e”. A propriedade fiduciária é um direito real de garantia. Washington vendeu esse carro para a Patrícia.

enquanto você está pagando. o carro pertence ao banco. Por que alienação fiduciária é muito melhor do que hipoteca? Na hipoteca. O banco tem propriedade. Nota promissória é título executivo e a única coisa que ele tem é o carro. mas a hipoteca se dá sob coisa alheia. com quem ficaria a posse da coisa? Com o credor Banco Alfa. enquanto ele está pagando. Existe possibilidade de hipoteca de bem móvel? Navio e aeronave.00 em nota promissória. que pertence ao devedor. O banco é credor da hipoteca. enquanto o Washington estivesse pagando a dívida. Por que a alienação fiduciária é muito melhor? Porque quando o banco emprestou dinheiro para o Washington. Então. essa propriedade fiduciária foi registrada. Sempre quando há o penhor. Então. Por que a alienação fiduciária é melhor do que o penhor? Porque se isso aqui fosse penhor. Você pode executar o carro dele? Não. a coisa continua com o devedor. Na medida em que aumenta a segurança jurídica do credor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 91 Por que a propriedade fiduciária quando registrada como direito de garantia é melhor que o penhor e que a hipoteca para o credor? Bem móvel é objeto de garantia pela via do penhor ou da hipoteca? Penhor. pois retira do Washington a possibilidade de fruir da coisa enquanto ele está pagando. Vamos supor que enquanto ele está pagando as 36 prestações ele faz uma dívida enorme com a Rafaela de R$ 30. a coisa empenhada sai das mãos do proprietário e vai para as mãos do credor. o bem móvel é empenhado. pois o carro não é dele. Por que a hipoteca é direito real de garantia em coisa alheia? Enquanto o devedor está pagando a hipoteca. espande o crédito. Então. a coisa é dele. por que é importante saber que é direito real de garantia em coisa própria? Washington. se amanhã o Washington não pagar. .000. Mas a hipoteca não é muito boa para os credores. o penhor sob o ponto de vista da situação econômica em sociedades como a nossa é extremamente falho. isso é um direito de garantia sobre coisa própria. visto que é direito real de garantia em coisa alheia. O carro já é dele. A Caixa Econômica não faz mais hipoteca. Vamos supor que pudesse ter hipoteca de carro também. No concurso público. O carro é do banco. o banco não tem que tirar nada de você. Agora a Caixa só trabalha com propriedade fiduciária.

pois a coisa pertence ao devedor. . mas dá para o Banco Real pegar alguma coisa? O Banco Real pode penhorar os R$ 400. o Banco Alfa faz uma grande dívida com o Banco Real. pois esse bem não pertence a ele. Por que esse carro está imune aos credores do Banco Alfa? Porque ele está afetado. pois ele é patrimônio de afetação. o Banco perderia. reservado em favor do Washington. estão no nome do devedor. o Banco perderia a possibilidade de reaver o bem. imune à ação dos credores. O Banco Real que é credor do Banco Alfa pode penhorar esse carro que pertence ao Banco Alfa? Não. Se fosse na hipoteca. Qualquer credor privilegiado. por mais que a instituição esteja mal das pernas. Esses 3 apartamentos servem como garantia para os credores de vocês. ele terá a garantia de que aquele bem é intocável. De repente. pois é patrimônio de afetação. CPC. O crédito pode. mas o bem em si não. Esse assunto é moderno. mas é penhora de créditos do art. Não dá para o Banco Real pegar o bem pois é patrimônio de afetação. pois a quarta característica da propriedade fiduciária é que esse patrimônio é um patrimônio em afetação. Banco Alfa é credor de Washington que está pagando as 36 prestações. como o trabalhista que aparecesse. Eles pertencem ao devedor. Washington sabe que enquanto ele paga.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 92 A vantagem da alienação fiduciária é que o credor tem a segurança de que esse bem é impenhorável por outros credores do fiduciante. A doutrina moderna vem criando uma coisa bem diferente que é o patrimônio de afetação que são bens que não estão no patrimônio geral do devedor. Esse bem está reservado ao dia em que Washington acabar de pagar as 36 prestações e fizer o resgate da coisa para ele.00 que ele paga ao Banco Alfa? Pode. mas sim ao credor. A alienação fiduciária tem uma segunda vantagem que é boa para o devedor. Vamos supor que cada um que está na sala tenha 3 apartamentos. O melhor cara que escreve sobre patrimônio de afetação no Brasil é o Menin Shaiub (?). mas formam um patrimônio separado. Essa é uma grande vantagem de ser direito de garantia em coisa própria. 671.

vou comparar a alienação fiduciária com o leasing e vou falar sobre a prisão civil do depositário infiel. pois se a construtora quebrar nomeio do caminho. lei 10. 85 da lei 11. 09. onde ele tinha que pagar exatamente 36 prestações de 400 reais. propriedade resolúvel e o patrimônio de afetação. propriedade resolúvel e patrimônio de afetação. vocês lembram na aula de ontem qual era o sonho de menino de Washington? Um Uno Mille Fire.101/05. Isso está no art. Então. aquele abraço. O Banco Alfa tem que participar do concurso de credores? Qual é o pedido que ele faz? Ingressa com pedido de restituição. muitas construtoras já estão colocando que aquele prédio que está sendo construído é um patrimônio em afetação.11. o Washington vai fazer o pedido de restituição pois é patrimônio de afetação. ação de busca e apreensão. quais são as conseqüências da mora e do inadimplemento dele. Pergunta de aluno: inaudível. E aqui está exatamente o Banco Alfa. só daqui a duas semanas. Eu estou acabando a parte introdutória dessa matéria. Eu parei em propriedade fiduciária.2007 Essa é a última aula dessa parte do módulo. pois o bem pertence ao credor. Rio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 93 Se a empresa quebra e o carro é levado à falência equivocadamente. qualquer pessoa nessa sala que resolva comprar um apartamento em construção.931. Qual é a vantagem para quem compra? É a tranqüilidade. Gente. como se fosse um bem do falido. o prédio não será atingido pelo credores trabalhistas e tributários. Gente. constituto possessório. constituto possessório. Eu não vou acabar essa matéria hoje. e essa última aula começa de onde eu parei. pois o prédio está afetado em favor dos adquirentes da construção.: No caso da falência do Banco Alfa. essas são as quatro características. Quais são as quatro características de propriedade fiduciária? Desdobramento da posse. Amanhã eu vou falar sobre o que acontece quando há o inadimplemento do fiduciante. Ou seja. pois pela lei da construção civil. Resposta do prof. A propriedade fiduciária é um direito real de garantia em coisa própria. Vocês já viram que eu tenho como características: desdobramento da posse. Eu falo que esse patrimônio de afetação é uma tendência. e . Depois.

Flávio Gomes. É exatamente isto que a instituição financeira faz. ele foi automaticamente constituído em quê? Mora. O que é dispor do bem? Ela pode pegar este bem. Mas ela tem um nomen iuris específico de busca e apreensão. gente. “Vencida a dívida e não paga. pois é o fiduciante que está usando e fruindo da coisa. E é isso que ocorre. deixa de pagar? Se ele deixa de pagar a instituição financeira pode dispor do bem. . Segundo o artigo 1364. para pegar o bem. e aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança e a entregar o saldo. que é o Washington. Em mora ex re. contra quem injustamente possua. Por que a posse de Washintgon é uma posse injusta? Alguém pode me falar? Pelo seguinte: porque no momento que ele não pagou. justamente para reaver aquele bem. qual é a ação que o fiduciário ajuíza. Mas. que a garantia do empréstimo é exatamente o valor da garantia deste bem. Não pagou a prestação para Alfa. para sua satisfação. judicial ou extrajudicialmente. Eu estou falando em reaver o bem contra quem injustamente o possua. porque a busca e apreensão é uma ação reivindicatória. Começando a aula. ela vai dispor deste bem para se pagar. Só que eu estou com uma dúvida. O Washington foi inadimplente. e ele não pagou. você se tornaria proprietário em caráter definitivo. a coisa a terceiros. se ele continua com as faculdades de dispor e reivindicar. o credor fiduciário continua com a faculdade de dispor e reivindicar. se o nome é reivindicatório? Gente. Então. Qual é a ação? Busca e apreensão. se houver algo. porque o carro está na mão do Washington. que é a garantia do contrato dele. pessoal. Pergunta: o que acontece diante do inadimplemento? Artigo 1364 do Código Civil. era dia 05. oficialmente. mas este bem está na posse direta do fiduciante. O Washington deu o cano no Banco Alfa. você teria o resgate. fica o credor obrigado a vender. por exemplo. ao devedor”. Ela ajuíza ação de busca e apreensão pelo procedimento do decreto-lei 911/69. Se ela vai dispor deste bem. Então ela tem que dispor do valor do bem. Por que a ação é de busca e apreensão. a remancipação. o que o fiduciante tem? A faculdade de usar e fruir. Mas a busca e apreensão tem a natureza de demanda reivindicatória. Vocês lembram que enquanto o fiduciante está pagando.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 94 quando você acabasse de pagar. o que acontece quando o fiduciante.

Por quê? Gente. quem está acompanhando pelo art. vamos supor que esse carro. Olha como é bom conhecer obrigações para depois conhecer direitos reais. Então.931/2004. não é Washington? Só que você não pagou 3 prestações que totalizam 1. comprovando o protesto cambiário? Por que ele precisa protestar se já está em mora? Porque essa necessidade do protesto ou da notificação do cartório de títulos e documentos não é para constituir em mora. for notificado pelo cartório de títulos e documentos. Já foi constituído desde o dia do vencimento. Abram ele. no art. a instituição financeira só consegue liminar se você devedor. Diz que a única chance de o devedor fiduciante livrar a cara é fazer o pagamento integral do saldo devedor em aberto. o débito em atraso é de 1. O saldo devedor em aberto dele é 14 mil. tem 5 dias para fazer o pagamento integral da dívida. Então. E. porque o decreto-lei 911/69 era uma aberração. que só será concedida liminar. agora olha o regime atual como ele gera segurança jurídica. 397 do Código Civil. olha gente. O cara não pagou. olha. Por que é se você já foi constituído em mora. Comprovada a mora. Ele foi profundamente alterado. O que diz essa lei agora no parágrafo segundo do art. E. automaticamente ele caiu em mora. Como ele gera incentivo à atividade econômica. Abram o decreto 911 aí. É concedida essa liminar. por isso que você vai reaver. o que diz o artigo 3o do decreto-lei. ungida pelo regime autoritário. você já tinha pago 6 mil reais e estão faltando 14 mil.800. Vamos entender o que é pagamento integral? Olha só pessoal.931/2004.800. Washington. sempre a instituição financeira tem que comprovar a mora. . Só para comprovar.. porque ele foi profundamente alterado. Quando ele cai em mora. todo mundo presta atenção que é muito importante isso. o regime antigo era péssimo. O que falta pagar é 14 mil. gente. ele ficou muito bom agora com as investidas todas provocadas pela lei 10. peguem os seus Códigos e abram o decreto-lei 911/69. agora. a instituição financeira consegue a liminar. Washington. o que eu peço a todos os meus alunos. Washington. 3o. 3o. É para comprovar a mora.começam as grandes mudanças.00 reais. Washington. a posse dele já é considerada injusta.00 reais. Mas. Agora. O que acontece? Primeira coisa. de 20 mil reais. na minha opinião ele ficou muito bom.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 95 O que é mora ex re? É a mora automática. Você. agora. através do protesto cartorário ou da notificação do cartório de títulos e documentos. com a entrada em vigor da lei 10. Essa é uma de caráter comprobatório.

ela ficou com o bem em que momento. dizendo que ele estava submetido à alienação fiduciária? Aquela anotação vai cair. Ela fica com o bem. Ou seja. Sabe o que significa isso pessoal? Significa que a instituição financeira vai pegar aquele carro e naquele carro não tinha uma anotação no CRV – Certificado de Registro de Veículo. Sempre isso é possível. se a lei não disse isso é porque a lei ela não possibilitou. Quais são essas duas opções? Ele paga integralmente o bem e aí já se torna dono da coisa em definitivo ou então o quê? Ele purga a mora pelo art. parágrafo 1o). toma aqui está o atraso. 3o. Cai a garantia. . Pessoal. A propriedade que era resolúvel termina e ele se torna proprietário pleno. o que eu quero dizer? Ao lado do parágrafo segundo do art. a liminar foi efetivada por quê? Porque o carro foi apreendido. Pode o Washington chegar na instituição financeira e falar assim: instituição eu não quero pagar o saldo devedor em aberto. na sentença? Não. e a propriedade do Washington se torna plena. Ela era a proprietária resolúvel. 401 do Código Civil. Então. Mas. E o que acontece quando ele paga o atraso? Normaliza a situação e ele volta a pagar as prestações que faltam. Cinco dias após a efetivação da liminar. a lei não diz isso. se o devedor Washington. ele vai submeter o credor. notem. Vamos ver se alguém entende de parte geral.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 96 Quem paga os 14 mil qual a conseqüência? A conseqüência é que ele vai consolidar a propriedade. ou seja. E se ela fica com o bem. Vou fazer uma pergunta para vocês. 3o vocês digam que o devedor tem duas opções para evitar que essa liminar possa gerar a perda do bem. O carro é dela sem qualquer restrição. Continua a propriedade fiduciária no estágio anterior. a instituição financeira vai consolidar a propriedade (art. se o devedor na contestação quiser purgar a mora. Ele pode? Claro que pode. eu vou só pagar aquilo que está em atraso. Nelson. Mas a lei foi mané. se você nesses 5 dias não purgar a mora ou não realizar o pagamento integral. vai ser cancelada. Agora se tornou a proprietária plena. Não vai voltar mais para ninguém. A possibilidade de purgar a mora é um direito potestativo. Eu só quero purgar a mora. A possibilidade do devedor purgar a mora é um direito subjetivo do devedor ou um direito potestativo? É um direito potestativo. e o novo proprietário pleno desse carro passa a ser a Alfa.

e o CDC é explícito. Vocês estão concordando comigo que a instituição financeira pode ficar com o carro? Pode. com uma legislação tão medíocre? Agora não. Primeiro. Eu não vim aqui para ler lei. O que é a cláusula comissória? É uma cláusula inserida no contrato dizendo que. Nelson. Você vai ter de volta as prestações. que é a cláusula comissória. Restituir para o Washington toda a verba anterior. Estava completamente estragado. nulas todas as cláusulas contratuais encontradas de alienação fiduciária. Alguém aqui na sala vê algo de errado? Tem alguma agressão. mas você terá essas prestações. o credor poderia ficar com a coisa. não apenas a perda do bem como a perda de todas as prestações. o primeiro aspecto. ela vai e recebe R$ 20 mil. ela se torna proprietária. ou seja. Essa cláusula comissória normalmente é nula por uma questão muito simples. algum dispositivo do Código Civil. Eu vim aqui para falar o que a lei não falou. senão haveria enriquecimento sem causa. repetindo.800. sabe o que acontecia? O carro já estava um lixo. vender.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 97 Efetivou a liminar.00? Se ela vender o carro por R$ 20 mil. por que essa cláusula comissória normalmente é nula? Tem razão. o segundo aspecto é o mais legal. mas se ele já pagou X. . E como é que era antes? As instituições financeiras só tinham chance de vender o veículo antes quando chegava a sentença. se ela fica com o carro Washington. Ou seja. façam previsão de que haverá. qual que é? Não pagou no dia o teu contrato de alienação fiduciária? Cinco dias depois da busca e apreensão efetivada. Agora. quando tem uma norma e diz que o credor pode ficar com a coisa? Existe uma cláusula que os civilistas sempre consideravam como nula. 53 do CDC torna nula todas as cláusulas contratuais. não valia nada. E quando chegava a sentença. oito anos depois. tem que haver restituição. toma Washington aquilo que você já pagou. quem é que queria financiar carro novo no Brasil. o que ela tem que fazer? Restituir para ele tudo aquilo que diz respeito ao que ele pagou. Ele não vai perder as prestações. de onde você tira isso? Eu tiro do art. Isso é bom para ela. já vai lá e consolida. O art. o carro não vale R$ 20 mil? O seu saldo devedor em aberto não é R$ 1. Isso é ótimo. É claro que das prestações que você pagou você terá uma multa. 53 do CDC. caso o vendedor não pague a dívida. Consolida significa que ela pode ficar com o carro para ela ou transferir para terceiros. gente. ela vai restituir. Então. Nelson.

mas tem que restituir as prestações que você já pagou. Quando ele for contestar. 1365 está proibindo? A cláusula comissória.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 98 Se. e a propriedade foi consolidada. Agora. O que esse art. Washington. Vocês não estudam processo civil? É a mesma coisa que acontece agora na nova legislação da execução de quantia certa na fase de cumprimento de sentença do art. se a dívida não for paga no vencimento”. a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia. Agora eu vou continuar. Por que ele perdeu a eficácia? Porque o § 1o do art. é: pode ficar com o carro. Ele tem 15 dias para contestar. Eu pergunto. Isso é questão de concurso. Então eu não vejo ilegalidade nenhuma que a instituição financeira tem que ficar com a coisa à medida que o consumidor receba de volta os valores que forem pagos. 3o ele aceita a cláusula comissória. o apartamento vale um milhão. Você Washington não pagou. Olha o que ele diz: “É nula. o que ele está dizendo? Ele está dizendo que a instituição financeira pode ficar com a coisa. o único cuidado. mas em garantia você tem um apartamento de um milhão. O § 1o do art. A matéria é nova e exatamente a lei não conseguiu fazer a previsão de todas as situações. Não pagou nem purgou a mora e o que aconteceu? A liminar foi efetivada. 1365 do Código Civil. o que aconteceu com o carro? O seu carro já está no setor financeiro e já foi vendido. então do art. Só esse cuidado deve ser adotado. O que vocês acham. . Washington ainda pode contestar essa demanda? Pode. por acaso. Olha que interessante. Eu pergunto: esse artigo 1365 mantém a eficácia ou perdeu a eficácia? Claro que ele perdeu. Então. Nelson isso não existe. 3o desse decreto-lei 911. o que é isso? Isso é enriquecimento sem causa. a finalidade da nota comissória é evitar o enriquecimento sem cláusula do credor. ele está hipotecado. Diz no caso o § 3o do decreto-lei 911: qual é o prazo que ele tem para contestar? 15 dias. Existe. você está pagando um apartamento de um milhão. 475 do CPC. Se você não paga a dívida de duzentos mil e o credor tiver um apartamento de um milhão. Ele aceita por que a lei está dizendo que o credor pode ficar com o carro para si. nem purgou a mora. mas a sua dívida é de duzentos mil. certo.

vai te dar essa multa de 50%. além de evitar o erro da instituição financeira. É isto que está acontecendo. Para que eu vou contestar. já dançou. além das perdas e danos. O que é isso que ele está fazendo? Isso é um pedido contraposto. pessoal? Diz o § 6o: na sentença que decretar a improcedência da busca e apreensão – então a busca e apreensão serão julgadas improcedentes. não é. mais as perdas e danos dentro desse caso concreto. o que o Washington está fazendo toda vez que ele chega na defesa e diz: Senhor Juiz. cara. o contra ataque nos próprios autos. alegando que ele não foi inadimplente por que ele quis. Isso é uma tendência do processo civil de efetividade do valor do credor. Então isso não é uma inovação só aqui não. Se Washington chegou na contestação e falou assim: Senhor Juiz eu fui levado ao inadimplemento. uma sanção. O Washington pode contestar. Essa é que é a noção do pedido contraposto. Então. ele está usando do dispositivo do § 3o. o que diz a lei? Se a instituição se precipitar o credor pode depois conseguir a improcedência e obter a multa. pelo seu inadimplemento. em razão dessas cláusulas abusivas? Vocês estão prontos. É por isso que a sentença que julga improcedente a busca e apreensão. perdas e danos ele vai ter que provar. A mesma coisa na nova execução do tipo extrajudicial. por essas causas abusivas aqui. A multa é automática. se o carro já foi embora? É esse que é o grande barato. na verdade. E por que você vai ter a multa? A propriedade já consolidou e já vendeu. Mas isso é para mostrar o quê? Primeiro eu quero ouvir de vocês. Ele está contra atacando para dizer que ela é que é responsável pela sua mora. . foi conduzido ao inadimplemento por uma série de cláusulas abusivas que estavam inseridas nessa relação de consumo. por falta da legitimidade da busca e apreensão – o juiz condenará a instituição financeira a pagar uma multa de 50% do valor do financiamento. Multa é perda e danos? Não. Ele. Quando você for exatamente embargar aquela execução extrajudicial. o que vocês acharam dessa legislação? O que ela tem de bacana? Ela faz o equilíbrio entre o credor e o devedor. o credor já pegou o seu patrimônio. multa é sanção. eu é que fui levado ao inadimplemento. Ao mesmo tempo em que o credor é beneficiado pela efetividade. Sabe o que o Washington consegue se ficar provado que realmente você é que foi levado agora. Washington. Agora. ou seja. Perdas e danos é o prejuízo que você provar.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 99 Quando você vai fazer impugnação ao cumprimento de sentença. legal.

Está suspenso e daqui a pouco vêm esses três votos e eu vou explicar por que ficou suspenso. e elas estão catalogadas no art. Certamente. E se ela é interpretada de forma restritiva. Como é que é a posição hoje do Supremo com relação à prisão civil do depositário infiel nesses contratos? É pela prisão ou é contra? O STF. só estão faltando três votos. ofendem o direito de liberdade da pessoa humana. onde é qu` e está a inconstitucionalidade dessa prisão? É o seguinte: qual a natureza de um contrato de depósito típico. Nelson. quais são os argumentos dizendo que esse art. 902 e seguintes. essas normas têm que ser interpretadas de modo restritivo. Qual é a conseqüência? Prisão civil de até um ano pelo art. inciso LXVII. por hora. pessoal. Então. a ação de depósito já não está nessa lei. eu pergunto: se a norma constitucional trata dessas hipóteses de prisão. O que a instituição financeira faz? Converte a busca e apreensão em ação de depósito. mas ela não apreendeu o carro. o melhor vem agora. E se a instituição financeira conseguiu uma liminar. Primeiro lugar. Qual é a finalidade da ação de depósito? A finalidade da ação de depósito é fazer com que o bem que não foi entregue seja depositado pela instituição financeira ou que a dívida seja paga. por quê? Elas. pessoal. que é o artigo que cuida das garantias fundamentais. não encontrou o carro e nem Washington pagou essa dívida. Agora. Qual é a natureza de um depósito típico? Quando eu. esse é o procedimento novo. Mas. da CRFB/88. O STF vai mudar seu entendimento. por oito votos a zero. na verdade. Na ação de depósito o bem não é depositado pelo devedor. todo mundo anota: é o RE 466343. qual é a sua obrigação no final do contrato? Restituir. Afinal.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 100 Então. que fala que os dois últimos casos de prisão são de alimentos e do depositário infiel. está em andamento uma ação. onde está a inconstitucionalidade da prisão do depositário infiel no contrato de alienação fiduciária? Eu não quero 500 argumentos. Mas eu só quero que vocês me digam o seguinte: ação de depósito. 652 do Código Civil. Eu me contento com dois argumentos. art. ela já é retida precipuamente pelo CPC. . entrego para a Cíntia este código para você ser depositária por algum tempo. oito votos a zero contra a prisão. Primeiro lugar. Então. 5o. a prisão civil do depositário infiel está no art. 5o. 652 que trata da prisão civil tem vício de inconstitucionalidade. Perfeito.

Agora. Por depósito nunca caberia. este não é o depósito típico. que o Brasil aderiu ao pacto de São José da Costa Rica. o segundo argumento é um argumento ainda mais amplo. 5o. E ainda dentro dela. e por que essa é a questão que eu quero saber exatamente de vocês. porque ele não fica com a coisa para restituir. e ele está pagando 36 prestações de quatrocentos reais. Então. nós aderimos em 1992 a esse pacto. Qual? É aquela posição que vocês já conhecem. e é um depósito atípico de verdade. Esse pacto diz que só caberia nos países signatários prisão civil por alimentos. a questão é: no contrato de depósito normal. Por que quem defende a tese de que não há prisão por que é um depósito atípico. Essa é uma primeira questão. Esse é o primeiro argumento. tem uma segunda posição que não aceita a prisão nem de depósito típico. é mais importante talvez. clássico. Ele só pode conservar. Que o Ministro Carlos Brito ressaltou para provar que este é um depósito atípico. Então. enquanto o depositário tem a coisa ele pode usar e fruir da coisa? Ele não pode usar e fruir. Ele fica com a coisa para si. Quando ele está pagando as prestações o objetivo dele como depositário é restituir a coisa ao final do contrato? Não. Este é o depósito atípico. Existem dois tipos de convenções que o Brasil pode realmente realizar: convenções do direito patrimonial e convenções sobre direitos humanos. . e ele é chamado de depositário. eu pergunto: por que essa convenção é tão poderosa. de nenhuma espécie de depósito. conservar e restituir ao final do contrato.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 101 A obrigação dela é guardar. Agora. Que depósito é esse em que o possuidor direto não pode usar e fruir? Isso desnatura a natureza do depósito. você como depositário pode usar e fruir do carro? Pode. se ele é desnaturado não cabe a prisão. Se desnatura a natureza dele. A prisão só caberia nas hipóteses de depósito típico. Então eu pergunto Cíntia: quando o Washington compra um carro da instituição financeira Alfa. a ponto de passar por cima do art. o objetivo dele é ficar com a coisa para si. se o objetivo dele é ficar com a coisa para si. LXVII da CRFB/88? Por uma questão prática. ainda aceita. Agora eu pergunto: Washington. Ao contrário. Só por alimentos. e desnaturar é da natureza. ainda aceita a prisão do depositário quando é depósito típico? Aceita.

em cada Casa do Congresso Nacional. além do art. 5o. § 2o que diz que ele é recepcionado por força de norma fundamental. o que ele traz de diferente: Art. 5o. e o legislador tem que acatá-la. que trouxe o art. parágrafo 3o: “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. Mas. todo mundo leia comigo neste instante. da Constituição. 1o Como é o nome dessa eficácia imediata? Eficácia vertical. Por que o STF parou? Porque o Ministro Celso Mello vai dar os 9 a 0. eu pergunto: há necessidade de um decreto do poder executivo para que esse tratado possa ser aplicado no direito brasileiro ou não? Por que não há necessidade de um decreto executivo? Porque o art. Esse é o sistema dualista. 5o. parágrafo único que diz: os direitos fundamentais não são apenas aqueles que estão na Constituição. Ou seja. que tem que acatá-la. Portanto. § 2o da Constituição. Isso é claro porque o art. esse é um bloco de constitucionalidade. Também são aqueles que estão incorporados por tratado ou convenções internacionais. Então. Ele falou que precisa parar por que essa discussão é muito importante à luz da emenda constitucional 45. em dois turnos. isso aqui já nasce com o vício de inconstitucionalidade. § da Constituição fala que as normas dos direitos fundamentais têm eficácia imediata. ela entra no nosso sistema interno por força de lei fundamental. ele está dizendo que só um estudo maior para. Eficácia vertical quer dizer quando vem uma norma de direito fundamental. 5o. quando a convenção é relativa aos direitos humanos. E se é o tratado que versa sobre os direitos fundamentais. Que legislador? Legislador subalterno. O que é o bloco de constitucionalidade? É uma cláusula geral no art. Por que se trata de eficácia vertical? Porque aqui estão os direitos fundamentais. legislador infraconstitucional. 5o. versa sobre o chamado bloco de constitucionalidade. por três quintos dos votos dos respectivos membros. O que é o legislador infraconstitucional? É o cara que fez o artigo 652. serão equivalentes às emendas constitucionais”. ela se põe de cima para baixo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 102 Quando as convenções do direito patrimonial entram no nosso ordenamento e internalizam por força de lei ordinária. aqui está exatamente o Juiz e aqui está o legislador. chegar a que conclusão? Há ou não necessidade desse tratado . Mas isso é tão óbvio. 5o. efetivamente. § 3o. com força constitucional.

Imagine que esse terreno é do Flávio. Essa possibilidade de fracionamento de uma propriedade em duas. Por que esse princípio é suspenso? Porque na vigência da propriedade superficiária. Então. Só que. quem for trabalhar com o Código Civil. E por que juntar a . com essa construtora. que você recebeu de herança. na Barra da Tijuca. você não tem muito dinheiro. Ou seja. o Flávio que é o proprietário do solo. Elas já entram no ordenamento com essa força de norma fundamental. vamos à propriedade superficiária. pode acompanhar comigo pela leitura do arts. Olha. essa construção será de propriedade do construtor. Quando esse shopping ficar pronto e esse negócio jurídico for registrado no ofício imobiliário. As anteriores não se submetem a esse quorum qualificado. você recebeu isso de herança. 1369 ao 1377. Duas propriedades superpostas. Vamos fazer o seguinte Flávio: nós queremos fazer um shopping. Tem dois proprietários ao mesmo tempo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 103 ter sido aprovado com esse quorum qualificado. Esse princípio é suspenso. Aí o Flávio diz: beleza. nesta matéria. enquanto o solo continua a pertencer ao proprietário Flávio. Aí chega um incorporador de uma construtora forte do Rio de Janeiro. no tocante à prisão civil. É o famoso juntar a fome com a vontade de comer. apesar de você ter recebido esse terreno. Mas esse cara que fez a construção passa a se chamar proprietário superficiário. É um terreno enorme que você tem. E nós queremos edificar no seu terreno. Haverá um fracionamento das propriedades. um contrato. Primeiro ponto. eu não aplico o princípio da acessão. horizontalmente fracionadas. Flávio. A tendência de se dizer é: esse quorum qualificado é só para as convenções que tenham sido subscritas após a emenda 45. continua sendo proprietário. qual o princípio clássico do artigo 1243 que é o acessório segue o principal. Qual é o princípio da cessão? Que esta construção teria que pertencer a quem? Ao dono do solo. vamos fazer um contrato? E aí o Flávio faz um negócio jurídico. Essa é a discussão que agita o STF hoje em dia. pelo qual ela vai edificar a acessão que é o shopping. Então é só vocês entenderem isso. Isso quebra ou suspende qual o princípio milenar que vocês conhecem e que estudaram comigo? Suspende o princípio da acessão. O que acontece. Mas isso é bom? É ótimo. Notem. um fica com o terreno e o outro adquire a propriedade das acessões.

Perguntas que podem ser respondidas no art. só se pode falar em direito real imobiliário quando o negócio jurídico é objeto de registro. o que ia agir sobre o seu imóvel? Aquelas sanções do estatuto da cidade. É possível isso? Entenderam gente? No primeiro exemplo o que aconteceu? Não tinha nada construído e veio essa construtora. por tempo determinado. por que é ótimo para o construtor? É ótimo para o construtor por que ele não vai ter que desembolsar uma grana enorme comprando o terreno. É impossível se falar em propriedade superficiária. Aí vem uma empresa dessa de publicidade. . ela fez a acessão e ela se tornou proprietária da acessão. muito bacana e fala assim: Flávio nós queremos a propriedade superficiária e nós vamos ficar com esse prédio que você já fez e vamos reformar todo ele. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis”. Esse terreno é dele e ele não tem dinheiro. por isso que eu digo que é juntar a fome com a vontade de comer para os dois. Se esse terreno ficasse largado. Portanto. aqui novamente. Então é ótimo para você? Olha. por que está fazendo uso da sua propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 104 fome com a vontade de comer. abandonado. O prédio está caindo aos pedaços. 1369. Notem. antes desse registro. Enquanto não se registra é impossível falar em direito de superfície. É possível na opinião de vocês que o Flávio seja dono de um terreno e ele tem um prédio velho lá. Então. Mas. abra o Código Civil no artigo 1369: “O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. Agora o cara construiu no seu imóvel e esse imóvel está recebendo função social. Vai começar o show de perguntas. agora não. O Flávio é o proprietário. contra o proprietário é desidioso. Aí o Flávio fala: mas o que eu quero com isso? Você ganha. e vamos ficar com a nossa propriedade superficiária. Nós vamos reformar todo ele e ficar com ele. gente. meu amigo Washington? Olha como esse instituto dá função social. e está pessimamente conservado. por que esse cara aqui vai ter que te pagar. O prédio tem 90 anos.

não aceitaria essa possibilidade. pela leitura bem pessoal do artigo 1369. Sabe como se chama isso? Superfície por cisão. que aqui é futuro e certo. Ou seja. Ele volta a ser proprietário de tudo. a propriedade superficiária. Qual? O tempo. Então. O termo aconteceu e. essa propriedade que a construtora adquiriu sobre as acessões é uma propriedade perpétua ou resolúvel? Resolúvel. O que é superfície por cisão? A quem pertencia antes essa construção e esse prédio? Ao Flávio. E olha o que diz o art. porque a Constituição não quer dar função social? A superfície com cisão não é uma excelente forma de dar função social aos prédios destruídos no Rio de Janeiro. ou seja. Nelson dá para a gente ir atrás de você? Dá para ir atrás no enunciado 250 do CJF. de onde você tirou isso. 1369 do Código Civil. o que haverá? Uma cisão. Por que incorpóreo? Porque no momento em que foi feito o contrato. o Código Civil na letra da lei. O prédio já pertence ao proprietário superficiário. Em 2037 o que vai acontecer com a propriedade e as acessões que a construtora fez com ela? Para quem voltam as acessões? Para o proprietário do solo. não é? No instante em que houver uma superfície. o pessoal chama de interpretação bem progressista do art. ele passa a ser proprietário de tudo. em virtude do exemplo. Sabe o que vai acontecer com esse contrato? A construtora será proprietária desse shopping. dada as acessões que nós fizemos por 30 anos. Nelson. que o proprietário não faz nada neles. 1369 conforme a Constituição. Vou dar um exemplo: o Flávio em 2007 ele registrou o contrato de superfície. Que cisão? Só o terreno continua com o Flávio. 1369: “O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir”. O que existe é o projeto de construir. por que não tem grana. Olha o que diz o enunciado 250: “admite-se a constituição do direito de superfície por cisão”. nada existe ainda. aí. se o Código não fala? Isso é uma interpretação do art. Por quê? Porque a propriedade se resolveu. Flávio esse direito de superfície que você concedeu ao construtor. esse direito de superfície se daria sobre um bem incorpóreo. A propriedade superficiária tem natureza resolúvel. Ele quer apenas pegar o que já tem e reformar e ser proprietário disso: isso é possível? Pela leitura literal do código não é. Mas sabe o que eu quero falar com vocês? Pode sim. não tem vontade? Não é ótimo alguém pegar e falar: a propriedade é minha e eu vou revitalizar a cara da cidade. .INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 105 Nesse segundo o proprietário superficiário não quer construir nada.

diz o seguinte: qual é a regra? É que. ela também pode ser gratuita. Veja se não é isso que diz o art. que é o artigo 1369. o proprietário do solo vai adquirir a acessão pela primeira vez. 1375: “Extinta a concessão. alguém nessa sala pode me dizer? Por que é que o Flávio. que este contrato feito entre o proprietário e . E olhem se isso não é verdade no art. Se ele será feito de uma só vez ou parceladamente. Agora. O que é um solarium? O solarium é uma espécie de aluguel. se for convencionado nesses 30 anos. Que pagamento? O solarium. É essa que é a situação. tendo um shopping para ele. depois de 30 anos ele vai ficar milionário. sem pagar nada? Como é que ele consegue isso? Pelo seguinte: é porque a construtora. 1375. e se for superfície por cisão? Ele vai adquirir a acessão pela primeira vez? Ele vai resgatar a acessão. A única coisa que o Fábio recebe. 1370: “a concessão da superfície será gratuita ou onerosa”. Mas. ele tem que pagar pelo valor das acessões ou não? Não. Se por acaso a construção foi criada por esse cara. que é o art. explorando economicamente aquela área. A lei fala em concedente e em concessionário. Está dizendo no primeiro artigo que vocês leram na aula. Por que uma suspensão? Porque no final do contrato a acessão vai acontecer? Vai. Mas eu prefiro o termo da doutrina: proprietário do solo e superficiário. Por quê? Porque o dono do principal vai se tornar dono do acessório. gente. Concordam? Mas. houve uma suspensão ao princípio da acessão. que você recebe por essa situação. estipularão as partes o pagamento. por que naqueles 30 anos ela que obteve todos os ganhos econômicos relativos à propriedade superficiária. naqueles 30 anos ela ganhou todo o dinheiro que ela precisava.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 106 É por isso que eu pedi que vocês anotassem o que no caderno? Que só no momento em que ocorre o termo é que o proprietário do solo vai adquirir as acessões. Ela se beneficiou. Ou seja. é o solarium. notem amigos. Se onerosa. esse artigo que eu li. Gente. o proprietário do solo passa a ter propriedade plena. Ou seja. independente de indenização se as partes não houverem estipulado o contrário”. Ou seja. quando volta para o proprietário no silêncio do contrato.

Eu quero isso tudo para mim. Quantos anos mais Joãozinho poderá ser proprietário? 16 anos. está lá. e o proprietário. Por quantos anos? 16 anos. 1359: “Resolvida a propriedade pelo implemento da condição ou pelo advento do termo. As superfícies. sabe qual é a pergunta que vai cair no concurso? Vamos ver se vocês estão bem em matemática. E mais. O que aconteceu com essa propriedade superficiária? Vai para os meus herdeiros. tem o prazo sempre. É da essência dela. o art. A minha pergunta é: quando deu 14 anos de superfície. Acabou. É de 30 anos o meu exemplo. Ela não pode se submeter instabilidade a essas situações. Amigos. o Código Civil não admite que se faça direito de superfície sem prazo. tranqüilamente. normalmente elas são feitas para durar 30 anos. O que vocês acham? Tem que ser com prazo. Ou seja. porque essa propriedade é resolúvel. a de Joãozinho também é resolúvel. vamos supor que fui eu. 50 anos. 70 anos. O que vocês acham do art. o que o Flávio poderia fazer no segundo ano? Interpelar o proprietário superficiário e dizer: eu quero isso de volta. 1372: “O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e por morte do superficiário. Por quê? Porque isso é uma propriedade como outra qualquer. E quando deu 14 anos eu morri. por tempo determinado. notem. gente.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 107 o superficiário tem que ser um contrato com prazo ou pode ser contrato sem prazo. pode a construtora vender essa propriedade superficiária? Joãozinho pode comprar? Pode. 1372 fala claramente que o direito de superfície é plenamente transmissível. Por que seria muito perigoso? Se houvesse aqui uma relação de superfície sem prazo. . Agora. Nelson. Por que ele não admite? Porque seria muito perigoso. por que eles adquiriram da mesma maneira. pode reivindicar a coisa do poder de quem a possua ou detenha”. também. é sempre transmissível dentro do prazo fixado no negócio jurídico. Ela pode ser alienada gratuita ou onerosamente. aqui está a propriedade superficiária. Por quê? Já não tinham passados 14 anos? Se a propriedade da construtora é resolúvel. Olha o que diz o art. entendem-se também resolvidos os direitos reais concedidos na sua pendência. a seus herdeiros”. em cujo favor se opera a resolução. que adquiri a superfície. Ou seja. Então é possível sim. Aliás. Mas.

aqui vocês vão colocar no art. Sabe o que isso quer dizer? Que o município pode ir contra quem? Um ou outro. Por quantos anos? Pelo prazo que faltar exatamente naquela disposição contratual. o IPTU? O superficiário. Pelo art. Então. Eu posso fazer ônus reais sobre ela. desde que o prazo não exceda a duração da concessão da superfície”. Ou seja. ela só vai penhorar a propriedade superficiária. mas isso não é problema do município.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 108 Então. . em hipoteca? Gente. Agora. O contribuinte obviamente é o proprietário do solo. Dêem uma olha no art. O que é que você vai penhorar como credora hipotecária? Tudo? Não. é uma responsabilidade solidária. Se uma pessoa conseguir arrematar isso em hasta pública. Eu não te paguei a dívida dos 300 mil. eu quero saber de vocês: pode ter uma cláusula contratual entre eles. 1371 ao lado do superficiário responderá solidariamente. É ele que é o contribuinte. eu posso constituir ônus reais sobre ela? Tranqüilamente. então. Eu fiz uma hipoteca da propriedade superficiária e você é a credora. o que vai ser levado à venda é a propriedade superficiária. Olha o que diz o enunciado 249 do CJF: “a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direitos reais de gozo e de garantia. eu posso dar essa minha propriedade em garantia. que é o superficiário ou do Flávio que é o proprietário do solo? Do Flávio. pela Constituição Federal. O município vai cobrar IPTU de quem? Do Nelson. É só lei complementar. Vocês concordam com esse artigo? Vocês não concordam. eu posso hipotecá-la. e mais eu quero ver se vocês são corajosos. lei ordinária não pode criar novo fato gerador para o contribuinte. 1371 “responderá” não é como contribuinte. E mais. Nem eu. 1371 quem vai pagar. eu quero ver se vocês estão bem na aula de Direito Tributário. você tem regresso contra a minha pessoa. 128 do CTN permite que a lei ordinária possa criar responsabilidade solidária. Eu posso fazer uma propriedade fiduciária em cima dela. o terceiro recebe a propriedade com a característica resolúvel anterior. Agora. ou os dois. Flávio você continua a ser o dono do terreno e o arrematante passa a ser o novo proprietário superficiário. dizendo qual vai pagar? Pode. nada impede que lei ordinária crie hipótese de responsabilidade solidária. Se o município for no Flávio e você tiver repassado esse caso para mim. art. Amigos. Se eu sou o superficiário. 1371: “o superficiário responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel”. 146. porque o art. Sabe por quê? Quando está escrito no art.

E se você quiser vender o solo. 504. que é para facilitar a vida dessa gente toda. e o art. Olha o que diz o art. 1373. Gente. Então. Então. Ele diz: “no caso de extinção do direito de superfície em conseqüência de desapropriação. A única coisa que o Código não diz é: e se esse direito de preferência não for concedido? Qual é a conseqüência? Eu não dei direito de preferência para você Flávio? E vendi minha superfície para o João. Vamos a outro exemplo: está rolando um prazo de superfície de 30 anos. vem o Estado do Rio de Janeiro e quer desapropriar essa área. 1376 que tem uma saída meio estranha. não é o proprietário? Mas o que eles dispõem no contrato? Que o pagamento tem que ser feito por quem? Pelo locatário. em igualdade de condições”. se o inquilino não pagar o proprietário paga e. 1373: “Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície. olha o enunciado 94 do CJF: “a parte tem plena liberdade para deliberar no contrato. Eu tenho que te dar direito de preferência? Tem. Quem é que paga realmente o IPTU. 504 o que ele diz? Ele diz. Vamos supor que eu quero vender a superfície. a mesma coisa quando vocês alugam um apartamento. que se essa preferência não for dada. depois. Por que vai se aplicar ao lado do art. não é o proprietário? Quem paga o condomínio. Vocês vão ao lado desse artigo fazer uma remissão ao art. o que a doutrina mais antenada diz.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 109 Então. Quando deu 28 anos. Aquela venda será desconstituída porque no prazo decadencial de 180 dias ele foi lá e pagou aquele valor. no valor correspondente ao direito real de cada um”. existe essa economia privada. Se a . quando vende uma fração do seu condomínio. Então. O condômino. não tem que dar preferência a outro condômino? Pois é. aquele outro que não foi notificado tem o prazo de 180 dias para depositar o dinheiro. E quando ele deposita o dinheiro o que acontece com aquela venda? Será desconstituída. você pode? Pode. notem tudo vai depender do tempo em que se desenvolve a desapropriação. o rateio de encargos e tributos que incidirão sobre a área objeto de concessão de superfície”. a indenização cabe ao proprietário e ao superficiário. Ou seja. o superficiário ou o proprietário tem direito de preferência. nesse particular aqui pessoal. cobra do locatário. Quem vai ser indenizado? O proprietário do solo ou o superficiário? Quem está colando no Código Civil vai ler no art. pessoal. Por que vai se aplicar a mesma norma que se aplica ao condomínio. é só para a gente complementar uma coisa com a outra.

é claro que houve o inadimplemento de uma obrigação de fazer por parte do superficiário. Ele me deu a superfície. Ele também traz o direito de superfície. porque ele já estava com aquela expectativa de ser proprietário das acessões e o superficiário já tinha fruído de todos os direitos econômicos que eram de seu interesse. Ou seja. 475. A outra situação que eu tenho é a seguinte: Flávio. Agora. você me deu o direito de superfície para que eu fizesse um shopping nesse seu terreno. e eu nada de construir o shopping. que um tarado pelo estudo do Direito Civil clássico vai dizer: Nelson. Art. Aí. O que o Flávio pode fazer. em detrimento do superficiário. ocorreu a revogação. gente. então tem a lei anterior. a colocação que eu faço é: o proprietário não precisa ficar esperando acabar o prazo de 30 anos. Então qual é a visão doutrinária? Quanto mais próximo do final da superfície. no Estatuto da Cidade. Toda vez que não foi concedida a função social ao bem. Abra o art. 21 do Estatuto da Cidade. à luz do art. O terreno continua vago. É que existe direito de superfície fora do código civil? Existe. E o que tem lá: o Estatuto da Cidade ou o Código Civil? O Estatuto da Cidade já tinha essa previsão antes do Código Civil. se essa desapropriação se der no início da concessão. o que eu posso fazer? Art. à medida que ele notifique o superficiário. sabe o que o aluno é acostumado a fazer? O aluno. Onde está “destinação diversa” sabem o que vocês têm que colocar? Não concedeu função social à propriedade. E esse inadimplemento gera a resolução contratual. Você já deve agir. O inadimplemento de uma obrigação de fazer. à medida que a função social é negligenciada pelo superficiário. 475 do Código Civil.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 110 desapropriação ocorre já chegando ao final da superfície. maior é a indenização do proprietário do solo. gente. pela frustração de todas as expectativas que ele tinha de obter rendimentos daqui. . Só que. eu tenho uma coisa a lhes contar. é claro que a verba maior se dirigirá ao superficiário. e o superficiário nada de construir. passou o prazo de dois anos. quem é o mais prejudicado? O proprietário do solo. resolução contratual pelo inadimplemento. a lei posterior. 1374: “antes do termo final resolver-se-á a concessão se o superficiário der ao terreno destinação diversa daquela para que foi concedida”. se o Estatuto da Cidade veio antes e o Código Civil depois.

na superfície ou ele pode ser uma simples construção. Direito de Superfície aéreo. Isso não é Estatuto da Cidade. Por que o cara quer o direito de superfície aéreo? Por que ele não quer que amanhã você construa e perca a bela vista que ele tem da praia. Tem uma fazenda do Washington lá no interior do Rio de Janeiro. Por quê? Porque esse direito de superfície já atende ao plano diretor e à função social da cidade. Mas. Quando é que é Código Civil. isso aí ninguém vai questionar. Pode chegar o morador do prédio de trás que tem um apartamento e falar: eu quero o direito de superfície aéreo do seu imóvel. por que eu vou construir. o Estatuto da Cidade só é aplicado aonde? Zona urbana. Por quê? Porque apesar de ser um imóvel urbano. justamente por um interesse privado do vizinho. Ela não visa dar função social à cidade. Agora. ou seja. Isso é relação contratual. Ela não está ligada a nenhum dos planos de urbanização da cidade do Rio de Janeiro. Então. não existe antítese entre as normas. Há uma relação de complementaridade. Agora. se por acaso. principalmente. chega o César Maia e fala assim: Washington. existe um diálogo de fontes. eu pergunto para vocês: Washington tem um terreno em Ipanema de frente para a praia. quando é que é Estatuto da Cidade. Estatuto da Cidade. Pode? Inclusive já fazem isso aqui na Lagoa Rodrigo de Freitas. Há um diálogo de fontes entre o Código Civil e o Estatuto da Cidade. Ela serve. apesar de ter função social. isso é Código Civil. Por que. O direito de superfície não se dá no solo. Ele pode ser embaixo. Washington. Para que Luciano? Ah. Então é Código Civil. Código Civil ou Estatuto da Cidade? Código Civil. para a gente fazer a dimensão exata das duas situações. Ou seja. você tem um terreno em Ipanema. nós estamos precisando desse terreno para fazer garagem no subsolo com mil vagas. aqui você não pode construir. Eu tenho direito de superfície e vou construir uma Academia de Ginástica nova. e é feito um grande colégio no direito de superfície pelo município de Vassouras faz lá uma escola rural. a interesse particular. você está falando em direito de superfície do subsolo. zona rural. É Estatuto da Cidade ou Código Civil? Código Civil. Um vai ajudar o outro. Então por isso é que vocês têm que ter o cuidado. . você tem um terreno em Ipanema e aí chega o Luciano Huck e diz assim: eu quero o direito de superfície do seu terreno.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 111 Não tem nada disso. eu pergunto: quando é que se aplica o Estatuto da Cidade e quando é que se aplica o Código Civil. Então ele adquire esta superfície. essa acessão de superfície visa a dar de alguma forma função social à cidade? Não.

porém. uma das partes houver feito investimentos consideráveis para sua execução. Eu vou dar o único exemplo em que se pode admitir usucapião de direito de superfície. 473 traz uma norma de grande função social. Então minha filha você foi enganada.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 112 Vou fazer uma última observação: no Estatuto da Cidade o direito de superfície pode ser feito sem prazo? Pode. 473. pode ser por tempo indeterminado? Pode. 473 do Código civil. Então. está te notificando para você ir embora. . Quer dizer então que sendo o plano diretor a meta da cidade. Ele diz: “Se. a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos”. Aí você está lá. Isso geraria muita insegurança jurídica. Mas note. dada a natureza do contrato. para evitar essa insegurança jurídica. retirando as garantias que o proprietário superficiário poderia ter sobre a coisa. Ele diz que você foi enganada. esse contrato é sem prazo. no mínimo. eu peço que seja aplicado o § único do art. quando você adquire dois anos depois. Foi uma superfície a non domino. mas justo título de superficiária. que pertence ao Fábio. chega o Fábio e pergunta: minha filha. mas isso é muito raro. havendo a possibilidade de fazer na superfície para atender uma função social da propriedade. Imagina se o proprietário chega 1 mês depois e fala que como o contrato é sem prazo. 21 fala: “por tempo determinado ou por tempo indeterminado”. Pergunta de aluna: Pode ter usucapião de direito de superfície? Resposta do prof. § único visa evitar o abuso do direto potestativo do proprietário de tentar denunciar aquele contrato de forma abrupta. esse art. pois quando uma das partes faz um contrato sem prazo com a outra o que a qualquer tempo um deles pode fazer? Não pode denunciar? Não ode resilir? Mas o § único do art. o que você está fazendo aí nesse imóvel? Eu adquiri direito de superfície do Nelson. Você quer comprar? Você compra e adquire o direito de superfície por um negócio jurídico. o que você vai alegar em defesa? Que você teve justo título não de proprietária. certamente o direito do superficiário deve ser resguardado. Então. Esse cara fingiu para você que era superficiário do meu imóvel.: Pode. Mas se porventura você ficou lá 10 anos. O que a doutrina ensina e eu coloco no meu livro também é que apesar do contrato ser sem prazo. Roberta eu tenho o direito de superfície desse imóvel aqui. Olha só o art.

A promessa de compra e venda faz a passagem entre a propriedade e a posse. A promessa de compra e venda é um direito obrigacional ou é um direito real? Ela nasce como uma relação obrigacional e pode posteriormente se tornar um direito real.00. Será uma forma de preparar o raciocínio de vocês para semana que vem. que é o contrato definitivo. Pergunta de aluno: E se. Mas vocês viram como esse exemplo é raro? Roberta. pois a propriedade superficiária é ??? mesmo quando adquirida por usucapião. Mas por quanto tempo? Pelo tempo que ele colocou no contrato. O solo vai continuar pertencendo a quem? Ao Flávio.00. A promessa de compra e venda é o mais importante de todos os contratos preliminares. o que ele exigirá de Nelson? Ele exigirá a escritura definitiva de compra e venda. Isso é uma relação obrigacional. passou a produzir obrigações. Ninguém entra em um terreno e fica lá por 20 anos e diz que apenas quer ser o superficiário. Ela tem um pouco de propriedade e um pouco de posse e nos remete às aulas que eu venho dando há 2 semanas.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 113 Então.000. pois quando eu assinei a promessa de compra e venda e ela se tornou um negócio jurídico válido. Porque senão. depois de acabado o prazo. Vamos começar Promessa de compra e venda. Nelson vai vender esse imóvel em 30 prestações de R$ 1. Quando Washington acabar de pagar a última das 30 prestações de R$ 1. aí eu usucapi tudo. A finalidade das partes é a futura realização de um contrato definitivo. por exemplo. você vai adquirir usucapião da superfície. Isso é uma promessa de compra e venda. Contrato preliminar é o contrato que é realizado entre as partes cuja finalidade é a futura realização de um contrato definitivo. normalmente se você entra no terreno. . Por que quem entra no terreno tem animus domini ou animus superficiaris? Tem animus domini. Nelson e Washington fazem um contrato onde Nelson é o promitente vendedor e o Washington é o promitente comprador. poderia ficar lá a vida inteira. Você vai ter usucapião da superfície. Você vai usucapir a propriedade.: Se acabou o prazo e o proprietário do imóvel deixa eu ficar lá. quando resolve a propriedade o proprietário do solo não aparece? Resposta do prof.000. você nunca vai usucapir a superfície.

E qual é a obrigação do Nelson? Fazer. O juiz vai mandar Nelson assinar a escritura. a leva para o RGI tornando-se. essa promessa de compra e venda não foi registrada.Esse negócio jurídico possui agente capaz. então. A obrigação de outorgar a escritura do Nelson é uma obrigação fungível ou infungível? É uma obrigação fungível. Em primeiro lugar. o juiz o substitui. A outorga da escritura está relacionada ao plano da relação obrigacional. Washington está pedindo uma tutela específica. sem estar com a promessa registrada. Quando o Washington terminou de pagar a última prestação e o Nelson se nega a outorgar a escritura definitiva de compra e venda. 466-B do CPC. Esse negócio jurídico entre Nelson e Rafaela é válido? Claro que é. objeto lícito e forma prevista em lei. Por que o Washington conseguiu essa outorga de escritura mesmo sem ter registrado perante o RGI? Porque a outorga de escritura não está relacionada ao registro. Súmula 239 do STJ: o direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis.000. O que o advogado do Washington deve fazer? Ele deve ajuizar uma ação de adjudicação compulsória ou também chamada de ação de outorga de escritura do art. O segundo ponto é o seguinte: Washington estava pagando a dívida. se tornou inadimplente da obrigação de fazer. fica sabendo que Nelson o vendeu para Rafaela. Quando Washington termina de pagar o imóvel. Por que ele vai ajuizar essa ação? Ele vai ajuizar essa ação porque o Nelson tinha a obrigação de fazer e ao se recusar em outorgar a escritura. Rafaela. o juiz irá substituir a sua vontade e irá outorgar aquela escritura que o particular não outorgou. Nelson perguntou a Rafaela se ela queria comprar esse imóvel. Quando Washington consegue essa outorga de escritura. Enquanto ele estava pagando. pois se o Nelson desaparecer. pois quando ele acabar de pagar a última prestação eu terei que outorgar a escritura definitiva de compra e venda. Com isso. mas se este se mantiver inerte. proprietário em definitivo. Washington pode ajuizar ação de outorga de escritura onde a adjudicação compulsória se dá em face de Rafaela? Não. pois . desta forma. comprou o imóvel que o Washington estava pagando.00 por mês.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 114 Qual é a obrigação do Washington? Dar quantia certa de R$ 1.

Quando você fala de direito real de aquisição. Nelson diz que vendeu o imóvel para Rafaela. Pode Nelson vender o imóvel para Rafaela se Washington registrou a promessa de compra e venda? Pode. é claro que há oponibilidade erga omnes. A promessa de compra e venda que era um direito obrigacional. A única coisa que ele tem é o direito de garantia. a coisa já é dele. A outorga de escritura. está dizendo que se você registrou. Mas não contra terceiros. mas Rafaela fica com a propriedade para si. mas sim como direito real de aquisição. Mas a coisa não é dele. Se há seqüela. E como essa é uma relação obrigacional. nós podemos falar em seqüela. O nome é direito real à aquisição porque quem registra passa a ter o direito de garantia. o que você fez no dia seguinte da assinatura do contrato antes sequer de ter pago a primeira prestação? Ele registrou a promessa de compra e venda. Qual é o direito de garantia que passa a ter a pessoa que registra? Ela passa a ter o direito real a adquirir a coisa no futuro se pagar a integralidade das suas prestações. A Rafaela é terceira e o Washington não tem seqüela. você terá direito a uma futura aquisição da propriedade se pagar integralmente as suas prestações. dá uma falsa idéia de que quando a pessoa registra. Qual é a conseqüência? Se há registro. Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 115 quem prometeu outorgar escritura a ele foi o Nelson. . não se adquire a propriedade. O que nasce para Washington? Nasce o direito real à aquisição. Nelson indeniza por perdas e danos Washington. pois ele é apenas credor de uma relação obrigacional. Vocês podem estar pensando que vocês já estudaram essa matéria não como direito real à aquisição. você registrou e pagou tudo. E foi ao encontro de Nelson pedindo que ele lhe outorgue a escritura. a adjudicação compulsória é uma ação pessoal que só pode ser exigida contra aquele que prometeu ou pelos sucessores. agora também é um direito real à aquisição que nasce do registro. somente faz efeito entre as partes. O terceiro ponto é o seguinte: Washington. Isso é que é direito real à aquisição. Ou seja. Quando ocorre o registro. a propriedade continua sendo do Nelson. pois não obstante registrada.

ele é ineficaz perante o promitente comprador. pois ele efetuou o registro. Washington termina bem para você. tem uma questão muito maneira. pessoal. esse negócio jurídico é ineficaz. Por que se trata de um caso de ineficácia relativa. Agora.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 116 Washington tem. na medida em que você realize o registro. qual é a conseqüência disso? Nelson irá ajuizar uma ação de resolução da promessa de compra e venda que. Ou seja.931/2004 que cuida da incorporação imobiliária. por acaso Nelson vendeu para Rafaela quando Washington já tinha registrado. O que acontece com a venda feita para Rafaela se a promessa de compra e venda feita para Washington foi desconstituída? A venda que já era válida torna-se plenamente eficaz. ação de adjudicação compulsória contra Rafaela? Tem. se ele registrou. Se. Então. É essa que é a noção. E como ele efetuou o registro antes. retirado do mundo jurídico. Na lei 6766/79 com lotes urbanos e. pois isso eu já sei. que é a seguinte: o Código Civil não é o único instrumento legal que trata de promessa de compra e venda. Por que a única pessoa que poderia se opor à eficácia relativa ou a inoponibilidade. tornando-se inadimplente. mas Washington no sétimo mês pára de pagar. não poderá mais se opor. A promessa de compra e venda já existe em outras normas. porque ele registrou ou porque é erga omnes. também chamada de inoponibilidade? É uma ineficácia relativa porque houve o registro anteriormente. Por que ele vai tirar a coisa da Rafaela se o negócio jurídico entre Nelson e Rafaela é válido? Não me digam que é porque ele tem seqüela. que é quando vocês compram apartamento em construção. que é a do 4o Capítulo. O decreto-lei 58/37 trata da aquisição de lotes rurais com promessa de compra e venda. no decreto-lei 58/37 que trata de lotes rurais. por que o negócio jurídico dele foi desconstituído. ele tem a seqüela e ele pode buscar a coisa contra Rafaela. sendo julgada procedente. não produz efeitos porque ele registrou e pagou integralmente as prestações a posteriori. o terceiro capítulo da novela. irá desconstituir a promessa de compra e venda. foi resolvido. nesse caso. Tem promessa de compra e venda nessas três leis. Lei 6766/79 promessa de compra e venda de . Porque não obstante o negócio jurídico seja válido. com a atual 10.

931/2004.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 117 lotes urbanos e a lei 10931/2004 que trata. vocês são consumidores. Washington.591/64. Por que existem nessas normas a exigência da irretratabilidade? Por que gente? Tudo aqui é relação de consumo. o que o construtor faria? Ele venderia o apartamento para vocês. é um fornecedor. Por que elas são irretratáveis. E sabe o que ele está ganhando? Ele ia especular com o bem. também.591/64 as aquisições de incorporações imobiliárias se tornam irretratáveis. Apesar de não ser da lei 10. Aliás. Então. da referida lei e na última. da promessa de compra e venda na incorporação imobiliária. 32. para ajudar. está no art. Nos lotes rurais a irretratabilidade da promessa de compra e venda é da súmula 166 do STF. ela alterou o art. 25. ele venderia de novo para outra pessoa. toma o dinheiro de volta que vocês me pagaram. § 2o da lei 4. Se nesses contratos houvesse cláusula de retratação ou a chamada cláusula de arrependimento. 10. vamos ver se vocês entenderam. . À medida que o bem valorizasse. que são vulneráveis diz-se que são irretratáveis. trata da promessa de compra e venda de imóveis não loteados. § 6o. O que é imóvel loteado? É quando tem um loteador e ele quer te vender um lote urbano ou rural ou quando tem um construtor que quer fazer um prédio e quer te vender um apartamento. Quando vocês compram apartamento em construção quem está vendendo para vocês é um incorporador. então. Então. também. Quando a gente compra um lote. Pois bem. Vocês pagariam duas ou três prestações.931/2004. elas são irretratáveis. quando é feita a promessa de compra e venda de compra de lote ou de compra de apartamento em construção. o que essas três leis têm em comum? Essas três dizem que. para proteger os adquirentes desses bens. parágrafo 2o da lei 4. se você quer me vender um apartamento hoje com promessa de compra e venda é Código Civil. chegaria o construtor e falaria assim: olha desculpa eu me arrependi. quem vai atender vocês é um profissional loteador. Ou seja. Na lei 6766/79 está no art. 32. O Código Civil. Existem normas de ordem pública que fazem com que em todas essas leis haja irretratabilidade. essas leis chamam a promessa de compra e venda de compromisso de compra e venda. eu vou até dizer quais são os artigos e os fundamentos.

quando o Washington me vende um apartamento. não são? O que acontece se eu me arrependo e falo já na oitava prestação. não é relação de consumo. Primeira: Washington. há a possibilidade mais ampla do exercício da autonomia privada da fixação de cláusula de arrependimento. Eu quero me arrepender. Eu tenho essa cláusula no Código. Mas tem essa possibilidade porque há essa cláusula aqui. sempre o direito de arrependimento está ligado a que? Arras. nada obsta que seja inserida que cláusula? Cláusula de retratação. Não nessas leis. compromisso é irretratável. Compromisso não. Alguém pode me dizer por que não posso mais me arrepender depois que o Washinton pagou a última prestação? Porque quando o Washington pagou a última prestação ele já adquiriu o domínio. Ou seja. para quem está noivo nesta sala. Então. De resilição unilateral. Alessandra. o que é mais forte. É uma relação privada. . Pergunta de concurso: Até quando eu posso exercer esse direito potestativo de arrependimento que está na cláusula? Até o último pagamento. Precisa de alguma motivação? Não precisa de motivação nenhuma. Isso é no Código Civil. O que é resilição unilateral? É o potestativo de uma das partes de desconstituir o negócio jurídico. Agora. Duas conclusões importantíssimas. tenho.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 118 E por que se chama de promessa de compra e venda? Compromisso. Então o que eu tenho que fazer Washington? Devolver tudo aquilo que você me pagou. por que nas relações com o Código Civil pode haver cláusula de arrependimento? Porque as relações entre o Código Civil são de relativa igualdade entre as partes. Porque quando ele paga a última prestação. Nelson. Normalmente quem aí já viu esse contrato. São 35 prestações de mil reais. Fazer uma promessa de casamento ou um compromisso de casamento? Compromisso não é muito mais forte? Por quê? Por que a promessa nasce para ser descumprida. Arras ou cláusula penal de acordo com o contrato. É o direito de pedir denúncia. é uma relação entre dois particulares. O que é esse direito que eu. o vendedor já não pode mais se arrepender. Gente. Gente. Washington eu não quero mais te vender esse imóvel não. de arrependimento. se há uma cláusula de arrependimento. A chamada cláusula de arrependimento. na promessa de compra e venda do Código Civil. É por isso que nessas leis a gente fala que é compromisso de compra e venda. Sempre tem o valor de arras ligado a uma idéia de direito de arrependimento.

o que sobrou da propriedade? Só a titularidade. Por que não pode ter esta adjudicação compulsória se tinha cláusula de arrependimento. No Código Civil quando? Três coisas tiverem acontecido: você tenha registrado. Moral da história. só o meu nome. você tenha integralizado o pagamento e que não haja cláusula de arrependimento. Não precisa de registro. Por quê? Porque é relação obrigacional. por que o comprador tem que buscar uma escritura definitiva. mas não pode ter cláusula de arrependimento. pedir uma outorga de escritura ao vendedor se o vendedor no dia da promessa de compra e venda já disse que não iria se arrepender? . O STJ trabalha muito com isso. Agora.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 119 Como ele adquiriu o domínio se ele nem ajuizou a outorga de escritura? Ele tem o domínio. Tomem muito cuidado com esta cláusula de arrependimento. Só a titularidade no Registro de Imóveis. Como é que o Juiz vai substituir a vontade de uma pessoa que quis se arrepender? O juiz só pode substituir a vontade. vocês precisam ir atrás de mim que sou o loteador para exigir a outorga de escritura? Vocês fizeram a promessa de compra e venda e pagaram tudo. não precisa de registro. ele não tem é a propriedade. Ele já tem o domínio e eu tenho a propriedade. você não pode exigir o direito à adjudicação compulsória só é possível se não houver cláusula de arrependimento. Mas o direito à outorga de escritura contra a parte. Ele tem disposição. Só é possível falar em direito real a aquisição no Código Civil. Se ele já pagou tudo. Ele está assumindo. Primeira conclusão: quando eu faço um contrato com vocês. Por que ele já tem domínio? Porque ele pagou todas as prestações. Quando vocês acabam de pagar. vocês não têm que ir atrás de mim que sou o vendedor para ter a outorga de escritura? Não. Então pessoal eu vou fazer duas conclusões e vou ler o código civil. eu sendo um loteador. se não existir essa cláusula de arrependimento. Então olha: o direito a outorga de escritura adjudicação compulsória contra terceiros requer registro. pois isso é o chamado contrato preliminar impróprio. Isso é fundamental. Se houver cláusula de arrependimento e eu não quiser outorgar a escritura definitiva. para ele todo poder e domínio estão com ele. Por que nos compromissos de compra e venda dessas leis há contrato preliminar impróprio? Se eu faço um contrato com vocês e não há previsão de cláusula de arrependimento. Ele está usando. cabe cláusula de retratação? Não.

Segundo: atende o princípio da socialidade. o CC não. as cessões e promessas de cessão valerão como título para o registro da propriedade do lote adquirido. Agora. sabe por quê? Pois atende as três diretrizes do código civil brasileiro. . No código civil o contrato preliminar é próprio ou impróprio? É próprio. porque O Brasil é um país pobre e o que acontece? Se alguém compra um lote tem que fazer escritura definitiva de compra e venda isso gera custo. Olha o art. quando acompanhados da respectiva prova de quitação”. Por que se chama impróprio? Porque não precisa fazer depois escritura definitiva. você pega a prova da quitação e leva imediatamente ao registro imobiliário. Terceiro: atende ao princípio da operabilidade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 120 Se o vendedor já disse que não iria se arrepender. O único cara que fica chateado com isso tudo é o dono do cartório que não vai ganhar dinheiro com uma segunda escritura ridícula e repetitiva de um ato que já foi feito. É por isso que todas essas leis dizem que imediatamente quando você acabou de pagar a última prestação. porque necessariamente ele faz com que haja maior confiança da sociedade no cumprimento das relações obrigacionais porque o comprador já sabe que não vai ter o risco de amanhã ter que correr atrás do vendedor e o vendedor vai fazer o quê? Desaparecer. não há necessidade de lhe pedir uma segunda declaração de vontade. Por isso que é contrato preliminar impróprio. Você não precisa fazer a escritura definitiva. A justiça não fica abarrotada porque ninguém precisa ajuizar ação de adjudicação compulsória. sumir. Ou seja. ele trabalha com o contrato preliminar próprio e eu quero ler os artigos 1417 e 1418 com vocês. pois sempre a promessa de compra e venda deve ser seguida da compra e venda definitiva por escritura pública. pois não precisa correr atrás do vendedor que sumiu ou que morreu. isso é uma demonstração de que o que é melhor na sociedade brasileira: o contrato preliminar próprio ou impróprio? O impróprio. sabe por quê? Pois evita milhares de ações de adjudicação compulsória. 26. ou seja. isso gera confiança e amplia a boa fé objetiva. Não precisa fazer a compra e venda definitiva. § 6o da lei 6766/79: “Os compromissos de compra e venda. Primeiro ele atende a diretriz da eticidade.

titular de direito real. Então. se não houver cláusula de arrependimento não dá para fazer como aqui imediatamente mudar no registro imobiliário. Ela perguntou: Nelson. mesmo que ele não seja titular de direito real nenhum. pode exigir do promitente vendedor. Está dizendo o que o direito real a aquisição só surge se não houver cláusula de arrependimento.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 121 Eu quero uma nota de zero a dez para o artigo 1417: ”Mediante promessa de compra e venda. nota dez. requerer ao juiz a adjudicação do imóvel”. Aonde está escrito que ele tem que ser titular de um direito real para exigir a adjudicação compulsória do vendedor está errado. Pergunta de aluno: inaudível. ou de terceiros. nesse caso se exige. Esse artigo tem dois erros. Vamos ver o artigo 1418: “ O promitente comprador. e se houver recusa. que é o devedor. Esse artigo está dizendo que o promitente comprador quando registra pode exigir do Nelson. pois o projeto é da década de 70. pois se nós interpretarmos literalmente o art. ou do terceiro. Perfeito. necessariamente. a quem os direitos deste forem cedidos a outorga da escritura definitiva de compra e venda. adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel”. conforme o disposto no instrumento preliminar. Para exigir do vendedor você não precisa ter registro nenhum. é dispensável o registro. pois ele precisa apenas ter integralizado as prestações. Isso é um retrocesso. Outro erro foi a parte final do artigo. Nós devemos dizer que o Código civil é que foi redigido de uma forma retrógrada. 1418. que é a Rafaela a outorga da escritura definitiva de compra e venda. um se liga ao registro e a inexistência da cláusula de arrependimento. Onde está o erro? Você só precisa ter direito real para exigir da Rafaela. “e se houver recusa requerer ao juiz a adjudicação”. Isso é um retrocesso do art. em que não se pactuou arrependimento. . E se há cláusula de arrependimento eu não posso exigir a aquisição de quem quer que se arrependa. 1418. Resposta do professor: Não. a súmula 239 do STJ perde a sua eficácia. Olha o que diz o enunciado 95 do CJF: Para o promitente comprador exigir a adjudicação compulsória do vendedor. celebrada por instrumento público ou particular e registrada no Cartório de Registro de imóveis.

vai diretamente no Cartório. Se você pagou tudo. você não tem a outorga de escritura . Eu tirei isso da lição que vocês tiveram na aula de usucapião. Quem invade o seu terreno? Zé Rainha. essa é a posição da doutrina mais moderna que diz que apesar do atraso. 1418 todos os particulares devem ser incitados a provocar o Judiciário. A única coisa que falta é por sentença você constituir a propriedade. sumiu e você não consegue me achar. O possuidor que já completou o prazo de usucapião mas ainda não registrou tem reivindicatória? Não. quando quitada. A promessa de compra e venda é uma interessante via de usucapião. A única finalidade do registro é dar proteção contra terceiros em caso de venda. vocês já possuem o domínio. Só que o Nelson. aquela promessa de compra e venda quitada é título para usucapir. por que o NCC manteve exatamente a velha noção da necessidade da outorga de escritura definitiva quando simplesmente bastava o Código civil ter dito que se acabou de pagar. Aliás. sabe por quê? Porque a promessa de compra e venda mesmo sem ser registrada. pois esta ainda está no nome do promitente devedor. é justo título para fins de usucapião. aquilo é justo título. Então. E se o domínio já é dele. A última pergunta é agora: Washington terminou de pagar. Quando vocês terminam de pagar. A última pergunta da aula de hoje é a seguinte: Washington. O promitente comprador tem ação reivindicatória? Lembrem da aula de ontem que eu falei na usucapião do possuidor que já completou o prazo de usucapião mas ainda não é dono. O registro não tem relação com isso.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 122 Se não há cláusula de arrependimento. mas ele tinha a ação publiciana. não tem a adjudicação compulsória. Se ele ficou lá 10 anos pagando. você pagou tudo e não registrou. . Se ele chegou a registrar esse justo título. o que acontece com essa promessa de compra e venda? Cai para 5 anos o prazo da usucapião. do anacronismo do art. Quem tem essa posição é o maior autor do Brasil de promessa de compra e venda que é o José Osório de Azevedo. ao invés de ajuizar a outorga de escritura. Se acabou de pagar e não tem cláusula de arrependimento. basta pegar o recibo de quitação e levar para o registro imobiliário. que é o vendedor. está morando no imóvel e não registrou. ele já adquiriu a usucapião. ele pode ajuizar usucapião? Pode.

O que você não terá é o direito real a aquisição se houver a inserção de uma cláusula de arrependimento. como é que você faz? Entra com uma reintegração de posse? Mas essa não é tão efetiva quanto à demonstração de cara de que você é o proprietário. 21. é por isso que ele tem a reivindicatória por extensão nessa altura do campeonato. Então. mas eu conserto. Por quê? Porque lê já tem o domínio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 123 Mas a jurisprudência concede a reivindicatória ao promitente comprador que já integralizou as prestações. houve a decadência do direito potestativo e ele vai conseguir. Qual será o interesse desse proprietário de ajuizar uma ação reivindicatória contra o Zé Rainha se ele já recebeu todo dinheiro e não está morando mais lá. Enunciado 87 do CJF: Considera-se também justo título para fins de usucapião a promessa de compra e venda devidamente quitada. Já Washington se não tiver uma reivindicatória. Enunciado 253 do CJF: O promitente comprador titular de direito real tem a faculdade de reivindicar de terceiro o imóvel prometido a venda. vocês estão vendo que o promitente comprador tem a faculdade de reivindicar mesmo ele não sendo proprietário. se ele pagou a última prestação.11. Daqui a duas semanas falaremos sobre posse. Resposta do prof. Então. Você não terá o direito real a aquisição se houver essa cláusula de arrependimento porque você não pode forçar a ??? a uma pessoa que não teve vontade de transmitir. A única coisa que o proprietário tem quando você já acabou de pagar é simplesmente o nome no registro. . Porém. Não posso começar uma aula de posse sem fazer uma homenagem às duas pessoas que mostraram o caminho das pedras que são Savigny e Ihering. Um grande abraço para vocês.2007 Nosso assunto é posse.: Eu falei errado. Pergunta de aluna: inaudível. Isso é jurisprudência tranqüila do STJ. Rio.

segundo Ihering. Para Ihering o possuidor é quem dá destinação econômica à coisa. a vontade do possuidor de ser o proprietário. Inquilino tem corpus. se por acaso eu te alugo o meu apartamento. Por isso a teoria dele até hoje é conhecida como teoria subjetiva da posse. Na teoria do Savigny inquilino. Corpus era o poder físico sobre a coisa. Então. Como vocês estão vendo. O inquilino pode ajuizar ação possessória contra Zé Rainha na teoria de Savigny? Não. que tinha atuação física sobre a coisa. você é meu inquilino. Como Savigny chamava essa galera que tinha corpus. a noção de corpus do Ihering é muito mais ampla do que a noção de corpus do Savigny. Detentor só tem corpus e não pode exercer ações possessórias. eles não eram possuidores. mas inquilino não tem animus. pois ele dá muito valor ao elemento psicológico do animus. O cara tinha 23 anos de idade quando ele disse que posse era igual a corpus mais animus. segundo Savigny. . A diferença entre posse e propriedade é que a posse é o poder de fato sobre a coisa e propriedade é o poder de direito sobre a coisa. As ações possessórias seriam privativas de quem tem corpus mais animus. possuidor era a pessoa que tinha contato material com o bem. Sendo a posse o poder de fato sobre a coisa. todos esses possuidores eram pessoas que não tinham animus domini. não tinham vontade de serem proprietários. o possuidor é aquele que dá visibilidade ao domínio. Beto. O segundo elemento fundamental para a posse segundo Savigny era o animus. pois inquilino não tem animus domini. possuidor tinha corpus e animus. Ihering fez a teoria dele no final do século XIX e dizia que posse era igual a corpus. Savigny dizia que o detentor era aquela pessoa que tinha corpus. Então. Então. mas não tinha animus.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 124 Savigny era um gênio. Savigny dizia que para o cara ser possuidor ele tinha que ter corpus mais animus. usufrutuário. ao elemento intencional da vontade de ser dono. é aquele que exterioriza a propriedade. Na concepção de vocês a teoria de Savigny é objetiva ou subjetiva? É uma teoria subjetivista. Essa intenção de dono era o animus. se eles não tinham animus domini. comodatário. Vem o Zé Rainha e quer invadir esse apartamento. que é a intenção do possuidor de ser o dono da coisa. mas não tinha animus? Detentor.

como locatários. Na teoria do Ihering se eu alugo um apartamento para você e Zé Rainha resolve invadir esse apartamento alugado. Na teoria do Ihering. comodatários e usufrutuários se convertem em possuidores. Por isso. a teoria de Ihering sob o ponto de vista econômico é superior à de Savigny. É por isso que a teoria de Ihering é chamada de teoria objetiva da posse. O elemento psicológico é desprezível. A rasteira decisiva de Ihering em Savigny foi com relação ao animus. O locatário tem ação possessória contra o Zé Rainha? Tem. É aquela pessoa que se comporta como normalmente o proprietário se comportaria perante a coisa. .INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 125 Imagina que vocês chegaram em uma fazenda enorme no interior do Rio de Janeiro. Sabe o que vocês pensam? Deve ter alguém aí. dão visibilidade ao domínio. pois não havia como entrar na cabeça do possuidor para descobrir se ele tinha ou não a intenção de ser dono. o cara se conduza como dono. mesmo que não esteja lá. todos eles dão destinação econômica à coisa. O fato deles não terem animus não é considerado na teoria de Ihering. Ihering disse que para o cara ser possuidor tanto faz como tanto fez se ele tem o animus. exteriorizam a propriedade. pois se os detentores na teoria de Savigny se tornam possuidores na de Ihering. Vocês começam a caminhar pela fazenda e acham um maço de cigarros perdido no chão e o pega para vocês. Alguém está concedendo destinação econômica à coisa. amplia-se a proteção possessória. justamente por desprezar o elemento subjetivo de animus. visto que estava perdido. aqueles que eram detentores. Se vocês não encontraram ninguém naquela hora exercendo poder físico sobre a coisa. mas não tem ninguém lá. Ele dizia isso. Para Ihering o animus é secundário. que dê destinação à coisa como o proprietário daria. deve ter algum dono. Ihering despreza o elemento subjetivo da posse. alguém está dando visibilidade ao domínio. A noção do Ihering é que o possuidor é justamente aquela pessoa que é o aparente proprietário. é aquele que se conduz como o proprietário se conduziria. Alguém está exteriorizando a propriedade. Visto que todos eles têm corpus. Vocês continuam caminhando e encontram materiais de construção. Para ele o importante é que querendo ou não ser dono.

Mas fora a usucapião. pleno ou não. CC. Para o Savigny a distinção entre detentor e possuidor é uma distinção feita sob o aspecto subjetivo. Qual é a grande distinção entre a teoria subjetiva de Savigny e a teoria objetiva de Ihering? A grande distinção é na distinção quanto a quem são os detentores. Visto que para usucapir não basta ter a posse de Ihering. Se não tem animus. de alguns dos poderes inerentes à propriedade”. Art. Se tem animus. O código começa o estudo do direito das coisas pela posse ou pela propriedade? Pela posse. CC: “Considera-se possuidor toda aquele que tem de fato o exercício. Nós começamos nossos estudos pela propriedade porque propriedade é mais fácil do que posse. É o ordenamento que separa posse da detenção e não questões psicológicas. residualmente na usucapião. O CC/2002 adotou qual dessas teorias? Adotou a teoria de Ihering. é quem dá destinação econômica à coisa que o dono normalmente concederia. Esse é o conceito de posse. . Temos vários temas para estudar nessa aula de posse e o primeiro deles é o desdobramento da posse. Tem que ter posse mais animus domini. nós não trabalhamos com Savigny. Já para o Ihering existem detentores também. Nós trabalhamos com a teoria possessória de Ihering.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 126 Muitas pessoas que até então não tinham tutela possessória passam a tê-la em virtude da teoria de Ihering ser uma teoria mais abrangente. Para Ihering a diferença entre a detenção e a posse não está no aspecto psicológico da pessoa. é detentor. é possuidor. É uma diferença objetiva. Ihering disse que é possuidor quem exerce de fato poderes de proprietário. 1196. é quem age como se proprietário fosse. O código em algum momento homenageou a teoria do Savigny? Sim. Art. 1196. Só que para o Ihering a diferença entre detenção e posse não é uma diferença subjetiva. Está objetivamente na lei. É a lei objetivamente que diz quem é possuidor e quem é detentor. subjetivas.

vamos supor que você é proprietário de um sítio. Gente. Quando o proprietário tem todos esses poderes reunidos com ele. Com isso. Exemplo de relação jurídica de direito real onde ela teria posse direta: usufruto. O desdobramento da posse sempre é emanado de uma relação jurídica do proprietário com um terceiro que se investe na posse direta da coisa. você tem a titularidade. direito de superfície. Quando acaba a relação jurídica. surgiu o fenômeno do desdobramento da posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 127 Washington. Mas nesse tempo em que Flávia é usufrutuária. Exemplo de relação jurídica de direito obrigacional onde Flávia tem posse direta: locatária. o que acontece com esses poderes de usar e fruir que estão com a Flávia? Voltam para Washington que volta a ter a propriedade plena da coisa. Como se chama a posse quando é o próprio proprietário que a exerce? Posse. comodatária. direito de habitação. direito de uso. o bem está registrado no seu nome. Flávia pede a Washington para que ela seja usufrutuária da sua fazenda e ele aceita. Nesse instante a Flávia adquire a posse direta da fazenda. Ou seja. . Um cara que mora no imóvel só pode ser chamado de possuidor direto quando ele está ali em virtude de uma relação jurídica que ele realizou com o proprietário. arrendatária. E o Washington que deu o bem em usufruto continua com a posse indireta do bem. Como proprietário. ele próprio estaria morando na coisa e teria a posse da coisa. possuirá propriedade plena ou alodial. O proprietário Washington através de uma relação jurídica de direito obrigacional ou de direito real outorga à Flávia a posse direta da coisa. Washington não perde a posse indireta. A posse direta sempre tem duas características: toda posse direta é temporária. se ele é proprietário. Se você é proprietário. fruir. dispor e reivindicar. quais são as propriedades que Washington tem perante a coisa? Usar. Washington transfere para Flávia as faculdades de usar e fruir. ele é proprietário e possuidor. Se Washington não tivesse dado o bem em usufruto para Flávia.

só pode usar. O possuidor direto porque está morando lá e o Washington através da pessoa do possuidor direto. Quem está dando destinação econômica para a coisa? Os dois. ou seja. Como Washington tem posse se ele não mora no imóvel. mas derivada da relação jurídica que lhe deu origem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 128 A segunda característica da posse direta é que ela sempre é derivada. O desdobramento da posse só é possível na teoria do Ihering. se ele o deu em usufruto para Flávia? Isso ocorre pois nós adotamos a teoria de Ihering. É por isso que a posse indireta é conhecida como posse mediata. Na teoria do Savigny. através de uma relação jurídica colocou um terceiro na coisa para dar visibilidade ao domínio. Nós podemos dar destinação econômica à coisa pessoalmente ou através de outra pessoa. ela se tornou usufrutuária. mas quem dá destinação econômica para a coisa. pois possuidor não é quem mora. a Flávia teria mais ou menos poderes do que com o usufruto? Menos poderes. É por isso que a posse direta é sempre uma posse derivada da posse indireta. visto que o possuidor indireto está possuindo através da pessoa do possuidor direto. Se nós tivéssemos adotado a teoria do Savigny. Quando Washington entregou para Flávia os poderes de usar e fruir. pois quem tem direito real de uso Não pode fruir. somente seria possuidor quem morasse na coisa. Não derivada da pessoa do possuidor. E. nunca poderia haver desdobramento da posse na teoria de Savigny. O conteúdo dos poderes do possuidor direto. no caso. Quem estabelece a extensão dos poderes do possuidor direto é o possuidor indireto através do contrato. É o proprietário no contrato que vai dizer até aonde será maior ou menor a extensão da posse direta. teria a posse o possuidor direto ou o possuidor indireto? Nenhum deles. a Flávia tem o corpus e o Washington tem o animus. Então. pois para ter a posse seria necessário ter o corpus mais o animus. . até aonde o possuidor direto terá poderes é derivado da posse indireta. Se fosse um direito real de uso.

Um está fruindo em pessoa e o outro está recebendo frutos civis. . O possuidor direto tem ação possessória contra o possuidor indireto porque na constância da relação jurídica o possuidor direto tem proteção possessória contra erga omnes. O possuidor direto e o indireto possuem ao mesmo tempo sem que a posse de um obstrua a do outro. Nesse imóvel em que você é comodatária você tem posse direta. Cada um tem uma ação autônoma contra o Zé Rainha porque são dois possuidores distintos. Rafaela tem ação possessória contra o proprietário para evitar que ele a tire de lá? Claro que tem. Um não tem nada a ver com a vida do outro. ou seja.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 129 Quando há o usufruto é interessante porque justamente há esse desdobramento. que são frutos civis. O possuidor indireto também tem ação possessória contra o possuidor direto. mas Washington está possuindo através dela. Ihering falava que aqui havia a chamada espiritualização da posse. contra qualquer agressor. Os dois estão fruindo. O possuidor direto tem ação possessória contra o indireto? Tem. Quem tem ação possessória contra o Zé Rainha? O proprietário ou o usufrutuário? Os dois. eu te dou esse imóvel em comodato por 5 anos. Precisa de litisconsórcio ativo entre os dois na ação possessória? Não. a Flávia é a pessoa que está na coisa. Se fosse locação. basta pensar o seguinte: Rafaela. ele está possuindo em espírito. Por isso é que se chama espiritualização da posse ou posse mediata ou posses paralelas. Mas o inquilino paga todo mês aluguel para o proprietário. Flávia. ele está morando lá. mesmo que eventualmente esse agressor seja o proprietário. Um está fruindo a coisa in natura e o outro está fruindo as rendas obtidas da exploração da coisa. paralelos. Aproveitem o mesmo exemplo. Vamos supor que após três anos de contrato eu chegue e fale para você sair do imóvel e se você não saísse. Zé Rainha invade esse imóvel em que você é usufrutuária. Por isso é que são posses paralelas. iria te retirar a força. o inquilino é possuidor? É. Essas posses são chamadas de posses paralelas porque são duas posses que correm ao mesmo tempo paralelamente sem que uma inviabilize a outra. pois são duas ações possessórias autônomas. Cada um tem proteção possessória completamente diferente da do outro. pois Washington que é o proprietário não está possuindo em corpo.

Só faltou colocar ao final do artigo “e vice-versa”. São dois possuidores indiretos e um possuidor direto. o que se desdobra é a posse direta ou a indireta? É a indireta. CC: “A posse direta. quem está morando na coisa. não anula a indireta. de quem aquela foi havida. porque como terminou a relação jurídica a obrigação do possuidor direto é restituir a posse para o possuidor indireto. ele pode descer em vários graus e não apenas entre duas pessoas.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 130 Rafaela. 1197. a posse seria bipartida na figura dos possuidores direto e indireto. pode. pois a posse direta é sempre de uma pessoa. Então. a posse da Rafaela que era uma posse justa se tornou uma posse injusta por precariedade. quem está no elo final da cadeia. ou real. Quando completou 5 anos de contrato eu peço o imóvel de volta e Rafaela se nega de sair do imóvel. Apesar do desdobramento da posse ter de dado entre três pessoas nesse exemplo. eu gosto de desdobramento. Como isso não ocorreu. ou seja. em virtude de direito pessoal. O desdobramento da posse se verticaliza. temporariamente. de pessoa que tem a coisa em seu poder. Quem leu entende que a posse direta é temporária. Rafaela pode sublocar esse imóvel? Se não tiver vedação contratual. Tem aluno que chega na prova e fala que isso é bipartição da posse. teremos três possuidores: o proprietário. Nessa tripartição quem tem a posse direta é o sublocatário e a posse indireta pertence à locatária e ao proprietário. . Nessa hora o proprietário tem ação possessória contra o comodatário? Sim. Faltou dizer que o possuidor indireto também tem ação possessória contra o indireto. Nesse caso. você é comodatária por 5 anos. Eu não gosto de bipartição. qual seja. você é inquilina e possuidora direta e eu sou proprietário e possuidor indireto. podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. Olha o que diz o enunciado 76 do CJF: o possuidor indireto tem direito de defender sua posse contra o indireto e este contra aquele. Art. se eu te alugo um apartamento. o que se desdobra é a posse indireta. o locatário e o sublocatário. Rafaela. é derivada da indireta e que o possuidor direto tem ação possessória contra o indireto.

A composse é uma posse pro indiviso. pois na composse cada um dos compossuidores vai possuir 1/3 do todo. O quarto 1 eu aluguei para a Rafaela e o quarto 2 para o Washington. Havendo posse pro indiviso eu tenho composse. Havendo divisão fática. Que posse eles têm do banheiro? Composse direta. Que posse Rafaela tem do quarto dela e que posse Washington tem do dele? Ambos têm posse direta. A posse ou comunhão pro indiviso é sempre essa situação em que há no aspecto prático uma posse comum que é exercida por várias pessoas ao mesmo tempo. Terminou a composse? Terminou. Cada um deles pode usar cada uma das partes pelo simples fato de ter 1/3 da propriedade. eu pergunto para vocês: vamos supor que um cara morre e ele deixou uma fazenda de herança e três herdeiros. pois na medida em que eles estabelecem as suas áreas fáticas de atuação. simultaneamente. a posse que era pro indiviso virou uma posse pro diviso. Por isso que um não pode excluir o outro do todo. Alguém nessa sala é capaz de dizer aonde está situada a posse de cada um dos herdeiros? Impossível. havendo individualização de posse termina a composse porque a posse se tornou pro diviso. É uma posse comum. cada um só pode utilizar sua área específica. . A fração de cada um não se localiza materialmente dentro da propriedade. Só tem um banheiro nessa casa. Composse é uma posse exercida por mais de uma pessoa. sobre uma coisa em estado de indivisão. Que posse os três herdeiros têm sobre essa fazenda que eles acabaram de herdar? É uma composse. que é a mesma coisa que posses paralelas. uma quota abstrata de 1/3 do todo. pois um não pode excluir o outro da atuação. Cada um tem uma fração ideal. Eu tenho um apartamento e alugo quartos para estudantes. Vamos supor que o inventário está em andamento e os três herdeiros resolvem dividir a área de cada um dentro do terreno.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 131 Se vocês compreenderam bem desdobramento da posse. A composse cessou porque agora eu tenho três posses independentes. localização material de posse.

Várias pessoas terão acesso à posse da mesma coisa. O que cessou: o condomínio ou a composse? Só a composse. um não interfere no outro. O . No meio do inventário eles resolvem dividir a sua área de atuação. Muitas vezes a composse anda junto com o condomínio. Por isso que a teoria de Ihering foi adotada pelo código civil. Mas as áreas comuns do prédio são condomínio e composse. pois o dinheiro do aluguel pertence aos dois. Efetivamente existem 4 situações em que o cara tinha tudo para ser possuidor. Na composse nunca existirá atuação exclusiva. Posses paralelas são duas posses autônomas sobre a mesma coisa. Mas eles têm composse? Sim. mas que se dá em níveis distintos. mas não têm condomínio. poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios. nós dois temos composse direta. O que acabou? O condomínio. Iherihg dizia que o detentor era um miserável. Os herdeiros no momento da abertura do inventário têm composse e condomínio. Vamos falar sobre detenção. Se Zé Rainha e Deolinda invadiram o seu terreno eles têm condomínio? Não. pois eles não são donos de nada. Se esse apartamento é meu e da Flávia. Cada um passa a ter propriedade autônoma. Perguntaram no penúltimo concurso em Goiás qual seria a diferença entre posses paralelas e composse. Quando sai o formal de partilha fica definida a área de cada um. Se vocês moram em um prédio de apartamentos. Mas não necessariamente existe condomínio onde existe composse. O condomínio continua. Terminou o inventário e saiu o formal de partilha. CC: “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa. contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. Já a composse são duas posses que se dão no mesmo grau sobre a mesma coisa. A composse não é excludente do desdobramento da posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 132 Art. Eles têm composse. Detenção é uma posse desqualificada pelo ordenamento jurídico. vocês têm propriedade individual sobre o apartamento de vocês. pois tinha tudo para ser possuidor. pois ao mesmo tempo eles têm co-propriedade e composse. mas no país onde ele nasceu havia um artigo do código civil que dizia que ele nunca poderia ser possuidor. 1199.

mas em nome de outrem. desde que com moderação. CC: “Considera-se detentor aquele que. O juiz só admite a possessória quando você prova na inicial que você é o possuidor. Art. é um cumpridor de ordens. Para ser servidor da posse tem que ter contrato de trabalho assinado? Sem ganhar salário? Não. O servidor da posse não pode ajuizar a possessória. Ele exerce atos de posse em nome alheio. achando-se em relação de dependência para com outro. Para ajuizar ação possessória tem que ser possuidor. mas sim detentor da posse. Detentor não tem legitimidade ativa para ajuizar ação possessória. você usucapiu? Não. O fâmulo da posse é aquela pessoa que não exerce atos de posse em nome próprio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 133 nosso código civil entende que as hipóteses de detenção são hipóteses normativas. Ele é um longa manus do verdadeiro possuidor. O fâmulo da posse é uma pessoa que apenas pratica atos materiais de conservação da coisa. se você é caseiro da minha fazenda e está nela há 28 anos como caseiro tomando conta. Esse artigo fala que o sujeito não é possuidor por uma opção legislativa. . 1198. CC. Se ele está em uma situação de subordinação a alguém. Art. O servidor da posse não é possuidor porque ele não dá destinação econômica à coisa. que é o caso do servidor da posse. conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. 1198. mas ele pode se utilizar da autotutela. Ele é um mero subordinado. ele pode utilizar o desforço imediato. Em uma questão de prova para você saber se o cara é detentor ou possuidor. Zé Rainha invade essa fazenda que Flávio é o caseiro. O primeiro caso vocês já estudaram comigo. O Flávio tem ação possessória contra Zé Rainha? Não. Flávio. Ele não exerce o elemento econômico. razoabilidade. basta perguntar se ele está na coisa com autonomia ou se ele está cumprindo ordens. ele apenas é um subordinado. ele não é possuidor. pois você teve 28 anos de detenção e não de posse.

Olha o art. 1198. 1204. em relação ao bem e à outra pessoa. em nome próprio. Permissão é uma autorização expressa para o uso da coisa. vocês têm detenção ou . Ele pode deixar de ser detentor e passar a ser possuidor? Tranqüilamente. A idéia da permissão é justamente uma situação do exercício de um direito potestativo. O possuidor é quem exerce posse em nome próprio. § único. até que prove o contrário”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 134 Se eu paro de pagar o salário do Flávio. Vamos ver os outros tipos de detentores. Na hora que a situação concreta revela que você tem autonomia e já não mais é cumpridor de ordem. de qualquer dos poderes inerentes à propriedade”. presume-se detentor. Como diferenciar na prova uma permissão de um comodato verbal? Se vocês estão no imóvel como comodatários. Eu empresto meu apartamento para o Santino ficar lá por dois meses. O Flávio só é detentor enquanto é cumpridor de ordem. CC: “Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício. CC: “Aquele que começou a comportar-se de modo como prescreve este artigo. 1204 para o detentor do art. Esse é um ótimo exemplo de permissão ou tolerância. mas sim posse incube àquele que era detentor e quer se mostrar possuidor. Art. A permissão pode ser verbal. Basta que na situação concreta se deduza que houve a autorização expressa para o uso transitório da coisa. O permissionário é o cara que fica na coisa em caráter transitório e revogável a qualquer tempo. paro de ir na minha fazenda e o Flávio vai ficando por lá sem que eu pague salário. O direito potestativo se dá quando você unilateralmente pode alterar a situação jurídica do outro sem que este outro possa a isso se opor. Essa é a diferença do possuidor do art. A prova de que não há mais detenção. desde que rompida a subordinação na hipótese de exercício em nome próprio do atos possessórios. Durante esses dois meses ele será possuidor ou detentor? Ele é detentor. deixou de ser detentor e passou a ser possuidor. Olha o que diz o enunciado 301 do CJF: É possível a conversão da detenção em posse. 1198.

Só que eu tenho vaga de garagem e você não tem. Só lá na frente que se considera que houve uma tolerância. Se ele sabia que estava sendo vigiado. Eu tenho um terreno no Recreio e o abandonei. pois não são 5 anos de posse. Washington permaneceu nele por 20 anos e ajuizou usucapião. Já a tolerância só se dá a posteriori. E como Nelson não tem carro. são 5 anos de detenção ou tolerância. mas ele sabe que a situação dele é transitória e que a qualquer hora ele pode ser retirado. Ele não pediu autorização. Mas Leandro tem um carro e pergunta a Nelson se pode utilizar sua vaga de garagem. Isso é permissão. Como distinguir tolerância de posse? Você tem que entrar na cabeça do usuário e perguntar se ele sabia que estava na esfera de vigilância alheia. Eu alego em defesa que Washington não tem direto a usucapir porque durante esse tempo ele não teve posse eu tolerei que lá ele . A pessoa que faz uso da coisa na tolerância sabe muito bem que a qualquer hora a situação dela pode ser rompida. A permissão é sempre prévia. Leandro. Ele teria que trazer testemunha demonstrando de que apesar de ter sido tudo verbal confirmando tudo o que ocorreu. A prova para saber se é um comodato verbal ou uma permissão incumbe a quem está fazendo uso da coisa. ele vai usucapir a minha vaga de garagem? Não. vamos supor que eu sou seu vizinho. Há uma outra diferença: sempre quando há uma permissão. Qual é a diferença de uma permissão para uma tolerância? Tolerância é a autorização tácita para o uso de um bem. é tolerância. É muito melhor ser possuidor direto do que ser detentor. Foram 5 anos que eu tolerei porque foram 5 anos de consentimento tácito para o uso da coisa. fiscalizado. primeiro se permite e depois começa-se a fazer uso. vai deixando estacionar o carro na sua vaga.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 135 posse direta? Posse direta. foram 5 anos em que eu fui condescendente. Mas vamos supor que ele coloque o carro na vaga do Nelson sem pedir. pois comodato é a relação jurídica entre o proprietário e o comodatário. eu moro no 101 e você no 102. Se ele fica 5 anos com o carro todo dia na minha vaga.

CC: “Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos. mas sim detenção. Então. dizem que a tolerância vai ter que sumir do mapa em razão da supressio com o abuso de direito. fazendo com que ele se tornasse possuidor da coisa. . houve. essa é a diferença entre a tolerância e a inércia. Se não induz posse. Se você não exerce o seu direito por um determinado tempo. Exercício de violência ou clandestinidade. 1208. O que imediatamente você pode fazer contra o Zé Rainha antes de ajuizar a ação possessória? Pode exercer a autotutela. Tem apenas detenção. Esse argumento cola? Não.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 136 permanecesse. Quando o proprietário tolera que alguém use o que é seu esse proprietário está fiscalizando. você não tem posse. Então. na verdade. esses atos induzem detenção. Terceira situação em que nós não temos posse. ou clandestinos. uma legítima expectativa de confiança de que você abandonou a coisa. supressio que é a supressão do seu direito subjetivo pelo não exercício por um tempo determinado. Mas quando o proprietário é inerte. senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”. Zé Rainha invade esse terreno e te põe pra fora. Art. Porque nos tempos atuais é muito difícil você acreditar em uma história de um proprietário que tolerou que alguém ficasse no que é seu por 5 ou 10 anos. quem entra lá já é um possuidor que poderá usucapir se tiver todos os requisitos do Código civil. Leandro. o seu não exercício faz nascer no outro. Vocês jamais podem confundir o proprietário que tolera com o proprietário que é inerte. ou seja. e eu também coloco isso no meu livro de direitos reais. você é possuidor de um terreno. Não tolerou nada. É justamente com base nesses raciocínios que cada vez mais alguns autores. que é o possuidor. abandona o que é seu. Tolerância em prazos longos hoje em dia já indica justamente a questão da supressio que é abuso do direito. O STJ tem precedente de supressio em matéria de questões possessórias para que vocês saibam que toda tolerância tem que ser por prazos curtos. Se tolerou por 5 ou 10 anos.

são bens que estão fora do comércio. CC. Mas vocês vão aprender daqui a pouco que ele passa a ter uma posse injusta. o que ele poderia fazer quando o Leandro começasse a reagir? Ele poderia ajuizar uma ação possessória contra o Leandro. .INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 137 Quantos dias você tentou voltar a esse imóvel usando a autotutela? 10 dias. ela não adquiriu posse. Enquanto a pessoa exercita a violência. para morar em uma caixa de papelão na esquina. ninguém pode possuí-los. aqui do Praetorium. Nesses 10 dias em que o Zé Rainha está no imóvel tomando conta de tudo ele tem posse? Não. Ele. Quarta e última situação em que nós podemos falar que não existe posse. Não existe posse desses bens porque os bens de uso comum do povo e os de uso especial são bens inalienáveis. então. pois ele está fazendo exercício da violência. visto que esses bens são afetados à coletividade ou afetados ao exercício de atividades públicas. O Flávio estava me contando que ele não tem onde morar e fica perambulando pela rua. Essa é a segunda parte do art. Vamos ao exemplo. É por isso que enquanto ele está usando a violência. Ele não tem posse desse canto da rua porque a rua é bem público. mas sim detenção. Se o Zé Rainha fosse possuidor pelo simples fato de estar na coisa. 100. Por isso. um esbulhador. Não existe posse de bem público de uso comum do povo e de bem público de uso especial. Ele está errado. da posição desses bens públicos como bens imunes a qualquer posse de terceiros. Nesse dia Zé Rainha virou possuidor? Virou. Ele é mero detentor. Ele virou possuidor porque ele parou de exercer a violência. 1208. já cessou o exercício da violência. o ordenamento jurídico seria obrigado a agir para defender um agressor. Mas já deixou de ser detentor. Ele tem detenção. ou seja. O direito não poderia permitir que uma pessoa que use a força seja privilegiada pelo ordenamento jurídico. no 11º dia você foi embora. Hoje chegaram uns policiais e mandaram ele sair de onde estava dormindo. ele só é detentor. O art. Por 10 dias Leandro não aceitou a invasão e ficou tentando voltar. CC trata da inalienabilidade. Leandro. pediu para o Carlos. Ou seja. Ele disse para os policiais que ele tinha posse do cantinho da rua onde ele estava dormindo.

chega uma pessoa e fala que esse terreno pertence ao município do Rio de Janeiro. é claro que o que existe é detenção. Depois de 5 anos. justamente porque é mero detentor. Isso é posse ou é detenção? Isso é posse. Quando o particular está em bem público patrimonial detém posse. você está ocupando um terreno que estava vago há 5 anos. É bem público dominical ou patrimonial. ele só pode ser posto para fora por ação possessória. O município pode arrendar a lanchonete do Washington? Pode. mas através de uma relação contratual. O Teatro municipal do Rio de Janeiro é bem público de uso especial. Como concessionário de um bem público ele é possuidor. pois não cabe usucapião de qualquer bem público. Se ele fosse possuidor daquele canto da rua. Hoje se eu pudesse falar para vocês qual é a natureza jurídica da posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 138 Então. Em razão do contrato de arrendamento ele pode se tornar um concessionário de um bem público. só poderia ser retirado de lá com ação possessória. Eu queria fazer um resumo do que a gente já viu até agora. Não obstante ele ter posse desse bem. ele consegue usucapir? Não. pois o bem público patrimonial é coisa fora do comércio? Não. Como é posse se é bem público? É bem público. Ele tem posse direta porque ele se relaciona com o estado. Isso é importante porque se a pessoa está morando na rua a polícia pode usar de meios moderados para retirar essa pessoa de lá. mas não é bem público de uso especial ou de uso comum. não como detentor. É muito melhor ser possuidor do que ser detentor. . É bem que está dentro do tráfego jurídico. qual foi a vantagem dele ter tido posse se ele não consegue usucapião? Vocês vão aprender a partir de amanhã que a vantagem de ser possuidor ou de ser detentor não é a possibilidade de conseguir a usucapião.. 100 do CC. Então. É a vantagem de ser possuidor. Washington. vai ter direito aos frutos. O possuidor vai ter direito às benfeitorias que ele fez na coisa. Não tem posse de bem público de uso comum do povo e de uso especial à luz do art..

Washington. O que é posse natural? A posse natural é uma posse desvinculada de qualquer relação jurídica com o proprietário. Quando é que o proprietário coloca uma outra pessoa na posição do possuidor? Quando acontece o desdobramento da posse. Então. . A primeira é a seguinte: PR = PO. vamos supor que você encontre um terreno abandonado e começa a morar nesse terreno abandonado. Ela é uma derivação da propriedade. Essa posse direta é sempre uma relação jurídica entre o proprietário e o não proprietário. Quando o proprietário se confunde com a pessoa do possuidor? Quando há propriedade plena. Sabe como eu chamo essa posse dele? Posse natural. É o contrário da chamada posse civil. A posse civil é obtida através de uma relação jurídica. Ela não passa de uma visualização da propriedade. No desdobramento da posse acontece um fenômeno interessante que o proprietário transfere parcela do domínio para outra pessoa. E aí esse terceiro passa a se chamar possuidor direto e o proprietário passa a se chamar possuidor indireto. ele é o possuidor que não tem qualquer vinculação com a pessoa do proprietário. você é proprietário de um apartamento e está morando nele. Ele é o proprietário? Não. pois ela emana da propriedade. Com relação à natureza da posse eu tenho 3 dimensões. que ocorre quando ele é proprietário e possuidor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 139 É um absurdo falar da natureza da posse como uma coisa só. surge a posse quando eu sou proprietário ou surge a posse quando o proprietário através de uma relação jurídica coloca terceiro em posição de exercer poderes dominiais. Qual é a natureza jurídica dessa posse? Eu posso dizer que ela é um direito real? É. Ele tem relação jurídica alguma com o proprietário? Não tem. Então. Essa posse não passa exatamente de um direito real. A terceira dimensão é a seguinte situação: Leandro. Isso quer dizer que o proprietário é a mesma pessoa que o possuidor. Você é possuidor? É. Vamos ver a segunda dimensão.

objeto lícito e ato prescrito em lei. Alguns autores como Alexandre Câmara dizem que ele é inconstitucional. 1228.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 140 A posse natural é independente de qualquer relação jurídica com o proprietário. o Alexandre Câmara teria . O proprietário que não está morando no imóvel tem posse indireta? Não tem. O art. a posse natural é um ato-fato. O art. e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”. CC: “O proprietário tem a faculdade de usar. Se eu sou proprietário de um apartamento e Washington está lá possuindo. Ele será chamado de proprietário sem posse. Esse proprietário que não é possuidor ajuíza uma ação reivindicatória. O detentor é sempre alguém que por exclusão está fora desses casos. 1228 está dizendo que a partir de agora o detentor tem legitimação passiva nas ações reivindicatórias. O possuidor natural tem posse direta? Não. 1228 está dizendo que o detentor é parte legítima para ser réu nessa demanda reivindicatória. pois ele entende que o detentor jamais poderia estar no pólo passivo de uma ação reivindicatória. eu ajuizei contra Zezinho que é caseiro dele. gozar e dispor da coisa. no segundo caso ele é possuidor porque tem relação jurídica com o proprietário e no terceiro caso ele tem posse porque a posse natural é um ato-fato. Se fosse isso. Ela não é um negócio jurídico realizado com ninguém. Mas vamos supor que no ajuizamento da ação reivindicatória eu não ajuizei contra o Washington. Se o sujeito que vocês estão analisando não está nem no caso 1 ou no caso 2 ou no caso 3. você já começa a pensar de que forma podemos conciliá-lo a uma hipótese de possuidor. Art. Mas se não tiver nessas hipóteses. Sempre verifiquem se o cara é empregado de alguém. Eu confundi. pois ele não tem relação jurídica com ninguém. é permissionário ou por tolerância. A constitucionalidade da palavra detentor neste artigo é objeto de discussão. Ato-fato é qualquer conduta humana que produz efeitos jurídicos independente do elemento volitivo. Então. Ele apenas tem posse ou posse natural. se ele está ali em situação de caráter transitório. Ela não se trata de um negócio jurídico onde se exige agente capaz. então ele é detentor. No primeiro caso ele é possuidor porque tem direito real de propriedade.

CC. A detenção dele é a chamada detenção autônoma. clandestinidade ou precariedade. pois o detentor não pode ser réu na ação reivindicatória porque se essa ação for julgada procedente contra ele e transitar em julgado contra ele. Se eu sou proprietário de um bem e o Zé Rainha o invade usando a violência. Art. Toda vez que alguém falar em vício objetivo da posse. Quando o Zé Rainha entra no terreno de alguém exercendo a violência. vocês vão conceituar por exclusão. . Então. ele é detentor. visto que o possuidor não foi parte na demanda.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 141 razão total. Quais são as três situações em que a posse pode ser injusta? Pela violência. Então. A posse injusta é uma posse que padece de vícios objetivos. 1200. É pelo seguinte. Eu terminei essa parte e de agora até 12:30h eu vou começar outra questão que é a questão mais importante da aula. É aquela que não foi adquirida por violência. 1200. Posse justa é aquela que não sofre de nenhum dos 3 vícios do art. a doutrina chama isso de detenção dependente. Na palavra detentor que está no final do art. Mas eu mostro que o código civil agiu certo ao colocar o detentor no art. viola o contraditório. pode ser executada essa decisão contra Washington? Claro que não. Ele não é possuidor porque ele está fazendo uso da violência. Toda posse é classificada pelos seus vícios e toda posse pode padecer de um vício objetivo ou de um vício subjetivo. O código civil não conceitua o que é uma posse justa. do proprietário. CC. mas ele é detentor dependente de alguém? Não. pois viola o devido processo legal. é claro que seria inconstitucional. 1228 é legítima nos casos de detenção autônoma. clandestinidade ou precariedade. essas duas hipóteses do servidor da posse e da permissão. É contra esse detentor autônomo que eu vou ajuizar a minha ação reivindicatória. Quem detém a coisa porque está fazendo uso da violência é o detentor autônomo. Vou começar agora a falar sobre a classificação da posse. essa posse é uma posse injusta. 1228. Detenção dependente porque as pessoas que estão ali são dependentes do possuidor. contra quem eu vou ajuizar a reivindicatória? Contra o Zé Rainha que é o detentor.

é justamente aquela pessoa que já faz uso da coisa em nome alheio. Em um desse períodos em que ele está no RJ. Rafaela. mas indevidamente quer converter esse uso da coisa em nome alheio em uso da coisa em nome próprio. Se isso fosse uma aula de penal eu diria que se aplicariam os artigos 157. conforme o direito. a clandestinidade é contra quem deveria saber. a posse da pessoa que era justa se converte em injusta pela precariedade. Quando acabou o prazo do comodato você disse que não iria sair do imóvel. . Então. É aquela adquirida pela vis absoluta ou pela vis compulsiva. pois ele se utilizou da clandestinidade. O art. Só o Flávio não ficou sabendo. É aquela posse adquirida na calada da noite. O que a pessoa usa é a possibilidade de esconder o fato de quem deveria saber. E a precariedade é a apropriação indébita. O possuidor precário é justamente aquele que se recusa a restituir o bem quando termina a relação jurídica que lhe deu origem. Imaginem que o Flávio tem uma mansão em Búzios. Zé Tainha fez uma rave na mansão e chamou todos que moram em Búzios. Posse violenta é aquela adquirida pela força ou pela ameaça. Durante os 5 anos do comodato ela tinha uma posse direta e justa. ela passou a ter posse injusta por precariedade. Posse clandestina é aquela posse adquirida às ocultas. 157 é o roubo. O cara que se utiliza da clandestinidade. Ainda assim é clandestina a posse? A clandestinidade não é erga omnes. você é minha comodatária por 5 anos. sem ofensividade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 142 A posse justa é aquela que foi adquirida de modo regular. A posse clandestina não é marcada pela força ou pela ameaça a ninguém. 155 e 168 do Código penal. A posse de Zé Tainha é justa ou injusta? Injusta. Precariedade é o abuso do direito de quem retém indevidamente o bem além do prazo normal de devolução. Mas o Flávio sempre fica no Rio de Janeiro. O cara que usa a violência está roubando o que é de vocês. pratica um furto na calada da noite. Na precariedade o possuidor que tem a coisa em nome alheio quer se converter em possuidor em nome próprio. um pescador. entra na sua casa sabendo que você está aqui no Rio de Janeiro. Zé Tainha. Quando terminou o prazo e ela disse que não iria sair.

ele deixou de ser detentor e passou a ter posse violenta pelo uso da força ou da violência. Se alguém tem posse violenta. Já a precariedade é um vício que se dá a posteriori. é porque um dia o Zé Tainha começou aquilo usando da clandestinidade. Naqueles 10 dias em que o proprietário estava tentando entrar no imóvel o Zé Rainha só tinha detenção. Já na precariedade não é isso que acontece. Tanto é que deixou de ser detenção e virou posse. Esses vícios da posse querem nomear o modo pelo qual se deu a aquisição da posse. O cara já começou a possuir usando a violência ou a clandestinidade. Ele tem detenção. Por isso é que se chama vício objetivo. É um desses vícios que macula a posse e esta se torna injusta. a posse dele era violenta e no outro exemplo a posse dele usando a violência era detenção? Nunca esqueçam. é por que essa violência está ainda sendo executada ou um dia já se executou? É porque um dia já se executou porque se por acaso Zé Rainha ainda está usando da violência. clandestinidade ou precariedade. O Zé Rainha que começou a posse violenta e fica no terreno por mais dez anos. ele não tem posse. Na precariedade antes de ter uma posse precária. mas que a violência já cessou. Toda posse que se chama violente é para dizer que um dia aquilo começou com o uso da violência. Mas no 11º dia em que você desistiu de brigar com o Zé Rainha. Qual é a diferença entre esses três elementos? Tem uma diferença que é captada de forma bem visível. Violência e clandestinidade são vícios que se dão a priori. mas essa clandestinidade já cessou e agora é uma posse clandestina. A pessoa adquire a posse com base na violência. Toda vez que vier uma questão de concurso dizendo “Fulano tem posse violenta” ou “Fulano tem posse injusta por violência”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 143 Por que é que no exemplo que eu dei do Zé Rainha. Ele pode ter usucapião extraordinária que não exige justo título nem boa-fé. Se fala que a posse é clandestina. E essa posse justa no meio do caminho perdeu o caráter de posse justa e se tornou posse injusta. A precariedade sempre envolve uma situação de uma posse que um dia já foi justa e se torna uma posse injusta. qual foi o momento em que se deu a violência ou a clandestinidade? No início da posse. Toda pessoa que exerce uma posse violente ou clandestina. ele pode usucapir? Se ninguém incomodá-lo pode? Pode. tinha uma posse justa. . E o mesmo ocorre com a clandestinidade.

Eles tiram isso de uma interpretação equivocada do art. Nesses 30 meses em que ele foi meu inquilino ele teve posse? Ele teve posse direta. Ele tem a usucapião? A posse dele nasceu sem animus domini. lá na frente eles podem desaparecer. senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”. A doutrina tradicional diz que a posse dele nunca é sanada pela usucapião. 1028 só menciona a cessação da clandestinidade e da violência e não menciona a precariedade? É claro que nesse artigo não há que se falar na precariedade porque a violência e a clandestinidade são vícios originários. CC. 1208. ou clandestinos. Se há posse mansa e pacífica. CC: “Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição ao atos violentos. 1208. pois a posse nunca perde o caráter pelo qual ela foi adquirida. A maioria dos doutrinadores não admite que a precariedade seja sanada. . 1208 apenas diz que cessa violência e clandestinidade. Apesar da literalidade do art. o vício da precariedade seria um vício insanável. 1208. Acabou o contrato de locação. não havia animus domini. É claro que vocês já perceberam que essa leitura literal não pode vingar. mesmo a precariedade pode sanar. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 144 Os vícios da violência e da clandestinidade são vícios sanáveis pela usucapião. Ele teve animus domini? Não. Locatário e comodatário não têm animus domini porque eles sabem que eles estão na coisa em decorrência de uma relação jurídica com o proprietário. ele nunca vai usucapir porque a posse fica presa a sua causa originária que. será possível a usucapião. Washington parou de pagar o aluguel. vamos supor que você foi meu locatário por 30 meses. E se eles são vícios que se dão no início. no caso. Washington. Por que o art. mas ele não quer sair do imóvel. Ela não foi adquirida com o caráter de posse sem animus domini? Então. Que posse ele passou a ter agora? Injusta por precariedade. Alguns autores dizem que esse art. Vamos supor que ele não quer sair e ele fica mais 27 anos no imóvel e eu me desinteressei completamente em pleitear o imóvel. por mais que ele tenha ficado lá sem pagar aluguel por 30 anos. Olha o art.

Esse “salvo prova em contrário” tem sido respondido na jurisprudência justamente para se admitir o fenômeno da interversão da posse. O ato inequívoco de oposição que Washington praticou foi parar de pagar aluguel e não devolveu o imóvel. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 145 Art. Possuidor de boa-fé para fins de posse de forma geral é aquele que ignora não culposamente o vício da posse. Interversão da posse significa alteração do caráter da posse. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. . se o possuidor ignora o vício. Vício subjetivo não se relaciona com posse justa ou injusta. Tem até precedente do STJ nesse sentido admitindo a interversão da posse. A interversão do caráter da posse se dará nos casos em que com o passar do tempo altera-se a conduta do possuidor perante a coisa. 1203. A interversão da posse não passa da emanação do princípio da função social da posse. Vamos ver vício subjetivo da posse. E nesse “salvo prova em contrário” não pode entrar a usucapião do Washington? Pode. Posse de má-fé é a posse subjetivamente viciada. Washington a sua posse era direta e justa. isso gera uma alteração no caráter da posse. Como o proprietário nada fez. 1201. Para fins de usucapião o possuidor de boa-fé é aquele que tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. mas sim com posse de má-fé. CC: “Salvo prova em contrário. entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida”. Quem é que eu tenho que privilegiar depois de 27 anos sem pagar aluguel: o proprietário desidioso ou o possuidor? O possuidor. CC: “É de boa-fé a posse. Boa-fé para uma aula de usucapião não é o mesmo conceito para uma aula de posse. Olha o enunciado 237 do CJF: É cabível a interversão da posse na hipótese em que o então possuidor direto demonstrar ato exterior e inequívoco de oposição ao antigo possuidor indireto tendo por efeito a caracterização do animus domini. Art. Como passar do tempo a posse dele que era despida de animus domini passou a ter animus domini porque o cenário concreto demonstra que ele parou de pagar aluguel e o proprietário em nenhum momento reivindicou a coisa. como tempo nota-se a interversão da posse e o nascimento do animus domini.

Eu tenho dois conceitos de boa-fé: um psicológico e outro ético. A posse que ele tem é de boa ou de má-fé? É de má-fé. pois mesmo ela tendo sido cuidadosa. O código civil diz que possuidor de boa-fé é aquele que ignora o vício. E quando é que o possuidor passa a ter ciência dos vícios da posse? A partir da citação. Só é possível retirar alguém do estado da boa-fé diante do devido processo legal. Qual é o momento em que a Rafaela deixa de ser possuidora de boa-fé e passa a ser possuidora de má-fé? Quando você passa a ter ciência dos vícios da posse. Nesses 6 anos a sua posse foi de boa ou de má-fé? Foi de boa-fé. como eu transformo o conceito do art. 1201 em ético? Basta incluir ao lado de “ignora” a expressão “não culposamente”. a citação é o momento da conversão da boa-fé em má-fé. O conceito do Código civil é um conceito psicológico. Washington ignora o vício da posse. ou seja. que não providenciou a documentação. Essa é uma boa-fé subjetiva. mas sim como ético. Então. imagina que você vende para o Washington por R$ 100 mil um terreno ao lado do Pão de Açúcar. Patrícia. Não basta que o possuidor seja ignorante. Só que isso iria gerar insegurança jurídica porque esse conceito de boa-fé meramente psicológico protege o cara que é desidioso. Isso não é boa-fé objetiva porque a boa-fé objetiva está no direito das obrigações. ele seria um conceito de boa-fé psicológico. Depois aparece Washington dizendo que ele te alugou um apartamento que não era dele. Possuidor de boa-fé é o cara que ignora o vício da posse mesmo tendo agido com toda diligência. Eu alugo um apartamento para Rafaela. que qualquer pessoa nessa sala poderia ter caído. Ele pode ser um ignorante que ignorou tendo sido diligente e cuidadoso. . Então. Se esse conceito fosse suficiente. A boa-fé tem que ser ética. ela alugou apartamento de quem não era dono. Ele ignora pois praticou um erro escusável.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 146 Qual é o conceito que está mais determinado? O meu ou o do código? O meu. pois faltou o código dizer que o possuidor ignora não culposamente o vício. mas eu não me contento com esse conceito.

pois essa matéria já foi estudada. . Interditos possessórios são as ações possessórias. valeu. CC: “A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”. É importante saber se a posse é justa ou injusta porque só pode ser réu em ação possessória uma pessoa que tem posse injusta.2007 Em matéria de efeitos da posse nós temos 4 efeitos: direito aos frutos. É importante saber se a posse é de boa-fé ou de má-fé para fins de direito aos frutos. Interpretando o art. Eu tenho que aferir a motivação do possuidor sobre a coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 147 Art. A posse injusta está ligada a vício objetivo porque a questão incide na forma como se adquiriu a posse. Qual é a diferença entre a posse ad interdictae e posse ad usucapionem? Posse ad interdictae é aquela que faculta o possuidor manejar os interditos possessórios. Gente. 1202 conforme a Constituição. 1202. Amanhã às 10:15h. Não há necessária correspondência entre vício objetivo e vício subjetivo. Só pode ter usucapião ordinária quem tem posse de boa-fé. São vícios que se percebe de forma objetiva. qual é o momento em que uma pessoa não ignora mais que possui indevidamente? A partir da citação. A boa-fé quando se converte em má-fé é um vício subjetivo porque é uma questão de índole interna. Rio. Às vezes a posse pode ser viciada objetivamente e ser uma posse de boa-fé.11. direito às benfeitorias. 22. direito às ações possessórias e direito ao usucapião. Às vezes a posse é justa e é uma posse de má-fé. direito às benfeitorias e direito à usucapião ordinária. Desses 4 eu não vou tratar com detalhes do direito ao usucapião. Os vícios objetivos e subjetivos da posse são independentes? É possível que uma posse seja justa e de má-fé ou injusta e de boa-fé? Claro que pode.

Eu estou dizendo quem tem legitimidade para ajuizar o interdito possessório. a pessoa tem apenas posse ad interdictae. Frutos são utilidades da coisa que se reproduzem periodicamente. Para ter posse ad usucapionem. Sem animus domini. Quem não tem posse ad interdictae é o detentor. a maçã que está na árvore é bem imóvel por acessão natural.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 148 Quem tem posse interdictae? Qualquer possuidor. Eu não estou dizendo quem vai ganhar a lide. Os naturais são aqueles obtidos diretamente da natureza. Mas se tiver animus domini. Frutos são bens acessórios. Vamos falar sobre o direito aos frutos com relação à posse. além de ajuizar ação possessória. o mesmo não se diga da posse ad usucapionem. Se eu sou dono de um terreno. Basta ser possuidor que você pode ajuizar ação possessória. Frutos são bens imóveis por acessão natural. Nem todo possuidor tem posse ad usucapionem. Qual é a diferença entre frutos e produtos? Poço de petróleo é fruto porque os frutos produzem e reproduzem. O detentor não pode ajuizar ação possessória. Quais são os 3 tipos de frutos? Naturais. Essa matéria é própria da parte geral do código civil. Então. são utilidades que a coisa produz periodicamente e que se dividem em naturais. esse aluguel é fruto? É fruto civil. a posse ad interdictae é para todos e a posse ad usucapionem é apara alguns cuja posse é qualificada pelo animus domini. Se eu tenho uma fazenda e a arrendo. Se todo e qualquer possuidor tem posse ad interdictae. mesmo que aposse seja injusta. Deixa de ser imóvel quando eu tiro o fruto e passa a ser bem móvel. bens imóveis por acessão natural. civis e industriais. além da posse deve-se ter animus domini. de má-fé ou indireta. Fruto civil é uma remuneração pela cessão da posse a outrem. mas ele não reproduz. industriais e civis. Temos como exemplo o leite da vaca. . você também pode pleitear usucapião. já o produto produz. Os industriais decorrem da atuação do homem sobre a natureza.

. 1214. eles são renovados periodicamente. Beto. Até hoje. A quem pertencem os frutos naturais e industriais? Ao proprietário. ele se exaure. Como se chamam os frutos que o possuidor colhe já na constância do processo? Frutos pendentes. Em 2007 aparece Washington e diz que você não é o dono da coisa. por preceito jurídico especial. enquanto ela durar. CC está escrito “salvo se. ele não se renova. Hoje você foi citado para essa ação reivindicatória Caso Beto seja derrotado nessa ação reivindicatória terá que restituir todos os aluguéis que recebeu durante esses sete anos? Não. salvo se. pois nesse período a sua posse foi de boa-fé. Art. visto que eles não obstante serem retirados. CC. você é proprietário de um terreno desde 2000 e você aluga esse imóvel recebendo frutos civis. Art. Ao contrário dos frutos. CC: “Os frutos e mais produtos da coisa pertencem. CC: “O possuidor de boa-fé tem direito. Washington ajuíza uma ação reivindicatória contra Beto dizendo que ele não é dono. Frutos percebidos são aqueles colhidos na constância da boa-fé. pois nesse período ele já estava de má-fé. nada mais natural que a boa-fé dele seja homenageada. Mas ele foi citado em novembro de 2007 e em 2010 a ação reivindicatória do Washington foi julgada procedente. Se o possuidor estava de boa-fé e deu função social à posse. 1232. por preceito jurídico especial. os frutos também me pertencem. Art. na medida em que ele vai sendo retirado. 1232.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 149 O produto. Esses aluguéis que o Beto recebeu de 2007 a 2010 deverão ser restituídos ao Washington? Tem. 1232. Princípio da gravitação jurídica significa que o acessório gravita em torno do principal. Se eu sou proprietário de um terreno e o solo é meu. ainda quando separados. foi posterior à citação. Pertencerá a quem tem posse de boa-fé. há sete anos você vem recebendo aluguéis. ao seu proprietário. ou seja. couberem a outrem”? Quando é que os frutos não pertencem ao proprietário? Qual é o motivo jurídico dos frutos não pertencerem ao proprietário? Eventualmente o fruto não pertencerá ao proprietário. aos frutos percebidos”. Por que é que na parte final do art. couberem a outrem”.

Pode Washington exigir do Beto tudo aquilo que ele teria recebido nos 3 anos se ele tivesse ficado ali depois da citação? Pode. bem como pelos que. desde o momento em que se constituiu de má-fé. Washington ganhou a ação. São os frutos despiciendos. Frutos despiciendos são aqueles frutos que não são colhidos por negligência do possuidor de má-fé. classifique benfeitoria como necessária. que são aqueles que o possuidor ao momento em que foi citado deixou de colher por irresponsabilidade e negligência. Ele não tem direito aos frutos pendentes que são aqueles colhidos após a citação. 1216. por culpa sua. O Beto tem direito aos frutos percebidos em decorrência da boafé. Se s sentença for julgada improcedente. Os frutos despiciendos. que é Washington. ele abandonou o imóvel e após três anos. tem direito às despesas da produção e custeio”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 150 Frutos pendentes são os frutos fruídos na constância da má-fé. Santino. CC: “O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos. Nunca. Washington teria direito de receber tudo o que Beto embolsou durante esses três anos. o Beto nunca esteve de má-fé. Benfeitorias são obras ou despesas efetuadas na coisa para fins de conservação. Esses devem ser restituídos ao reivindicante. melhoramento ou embelezamento. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação”. Art. § único: “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. 1214. Art. O proprietário faz jus a esses frutos despiciendos porque se ele estivesse no terreno teria produzido sobre ele. você tem uma casa e nela você faz uma piscina. Só que ele nada recebeu. Vamos falar sobre benfeitorias. depois de deduzidas as despesas da produção e custeio. Qual é a natureza dessa benfeitoria? Depende. Quando o Beto foi citado. deixou de perceber. . de forma estanque. útil ou voluptuária. Tudo vai depender do caso concreto utilizando a regra da essencialidade.

que tipo de benfeitoria é essa casa? Isso não é benfeitoria. essa piscina é uma benfeitoria necessária. Elas continuam sendo bens móveis com a sua autonomia perante a coisa. Se no terreno a Mariana coloca uma vaca para pastar e um trator para puxar o arado. em benfeitoria voluptuária. Essa despesa é benfeitoria necessária. Qual é a diferença entre uma benfeitoria e uma pertença? A benfeitoria sempre se incorpora permanentemente à coisa. com a demarcação do terreno. a vaca e trator entram no negócio ou não? Não entram. Essa é a característica das construções. Apenas entram no negócio se tiver cláusula de porteira fechada. Essa vaca e o trator são benfeitorias? Não. tudo depende da configuração da essencialidade. eles não entram no negócio porque são bens imóveis autônomos. deve-se pensar na relação entre a coisa principal e a benfeitoria. útil ou voluptuária? É benfeitoria necessária. se por acaso você possui um terreno há muito tempo e você gastou dinheiro pagando despesa de IPTU. mais ela será necessária. À medida que a essencialidade vai sendo reduzida cai para útil e. É por isso que quando a casa fica pronta deve-se averbar a sua construção no RGI. Então. por fim. Mariana. Qual é a diferença entre benfeitoria e acessão? Acessão é modo de aquisição da propriedade. com adubo para as plantas e ração para os animais. essa benfeitoria se torna útil. cai para voluptuária. Quando eu faço uma acessão. Quando eu vendo a fazenda. são pertenças. Benfeitoria é qualquer despesa ou obra que se incorpora permanentemente à coisa. Se eu tenho um terreno e nesse terreno eu levanto uma casa. Isto é. a acessão está inovando onde até então nada existia. . Isso é acessão. Se não tiver essa cláusula. E se nessa casa onde se construiu a piscina for uma escola de natação. A marca da acessão é o efeito da inovação. Já as pertenças não se imobilizam. Quanto mais essencial para a exploração da coisa principal for a benfeitoria. pois é modo de aquisição da propriedade. estamos acostumados a pensar em piscina para diversão. Eu estou dando destinação econômica à coisa onde até então nada havia.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 151 Quando nós falamos em piscina. Mas vamos supor que nessa casa funcione uma escola para crianças.

por que ele vai ser indenizado? Porque trata-se de uma benfeitoria necessária. mesmo sendo possuidor de má-fé ele é indenizado para evitar enriquecimento sem causa. além de fazer esse muro de arrimo. Eu faço a garagem para dar mais comodidade ao uso da casa. Você vai ser indenizado por esse banheiro que você construiu? Não. Como a casa está caindo. pois possuidor de má-fé só tem indenização por benfeitoria necessária. O retomante passa a ter uma opção a mais. Amanhã quando o invasor for posto para fora. . Então. visto que as benfeitorias são sempre coisas acessórias. Qual é a diferença entre entrar em terreno alheio de boa-fé ou de má-fé se vai ser indenizado do mesmo jeito? Tem. o Flávio gasta seu dinheiro fazendo um muro de arrimo evitando que a casa caia. essa garagem é benfeitoria. o retomante vai ter que indenizar o invasor pela benfeitoria que ele fez? Ele é um possuidor de má-fé. Não tem indenização por benfeitoria útil. E por que a benfeitoria necessária tem que ser indenizada? Porque essa benfeitoria necessariamente teria que ser realizada pelo proprietário se ele lá estivesse. Flávio. A benfeitoria é uma coisa acessória e a acessão é o principal. Quais são as conseqüências da realização de benfeitorias para o possuidor de boa-fé ou para o possuidor de má-fé? Flávio. A benfeitoria é sempre uma obra feita em função de uma coisa já existente. você colocou um banheiro a mias nessa casa. ele será indenizado pelo valor atual da obra. É a novidade do art. Isso é para demonstrar que a posse de boa-fé tem mais valor do que a posse de má-fé e o código deve reconhecer isso em nível jurídico. imagina que você é um invasor do MST e você entra em um terreno que tem uma casa. CC. Mas se quem realizou a benfeitoria foi o possuidor de má-fé. Se por acaso quem fez a benfeitoria necessária foi o possuidor de boa-fé. Ele escolhe o que lhe for economicamente mais interessante. Se fosse possuidor de boa-fé também teria indenização? Teria.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 152 Mas se eu tenho uma casa e coloco uma garagem nessa casa. pois ele não ignora os vícios da posse. Em razão disso. o retomante tem o direito potestativo de escolher se vai indenizar pelo valor atual da obra ou se pelo gasto realizado em sua edificação. 1222.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 153 Benfeitoria útil visa dar mais comodidade à coisa. Possuidor de boa-fé é indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis. O possuidor de boa-fé tem direito a mais o quê com relação às benfeitorias necessárias e úteis? Ao direito de retenção. Flávio. E esse capricho não interessa ao retomante. Flávio. O que o possuidor de boa-fé pode fazer caso o retomante diga que não vai indenizar a benfeitoria voluptuária? Ele poderá usar o seu direito de levantar a benfeitoria voluptuária. . Direito de retenção é uma faculdade concedida ao possuidor de boa-fé de manter a coisa consigo para depois do prazo de devolução em caso de recusa de indenização por benfeitorias necessárias e úteis realizadas de boa-fé. Mas Flávio. pois mesmo o possuidor de boa-fé não tem indenização pela benfeitoria voluptuária. seria indenizado pela piscina? Também não. Por que isso ocorre? Porque as benfeitorias voluptuárias não passam de um capricho do possuidor. se você estivesse de boa-fé e colocasse esse banheiro você seria indenizado? Seria. pois para levantar a benfeitoria voluptuária. desde que retire a coisa sem que haja dano. Nas hipóteses em que o levantamento trouxer danos à coisa. Possuidor de boa-fé recebe indenização pelas benfeitorias necessárias. O possuidor de má-fé recebe indenização apenas pelas benfeitorias necessárias. Você será indenizado por ela? Não. o possuidor não poderá acarretar danos à coisa. pelas benfeitorias úteis e poderá levantar as benfeitorias voluptuárias. não há sequer a chance de levantar a benfeitoria voluptuária. No caso da piscina. você faz o muro de arrimo (benfeitoria necessária) e também faz uma garagem (benfeitoria útil). ao invadir essa casa fez uma piscina olímpica. você entra no meu terreno e. não haverá indenização mesmo se estivesse agindo de boafé. Então. você que é possuidor de má-fé. E se você tivesse de boa-fé. o possuidor de boa-fé poderá levantá-la? Não. de boa-fé.

É um fato impeditivo. Independente de qual demanda Nelson irá ajuizar. No caso da exceção substancial dilatória. é fundamental que vocês entendam que Flávio como réu na contestação vai dizer que o Nelson não tem direito a nada e pedir que seja julgada improcedente a sua pretensão. Defesa indireta de mérito ocorre quando você não obstaculiza a fundamentação do autor. posso fazer? Eu tenho duas opções: ou eu ajuízo uma demanda reivindicatória ou eu ajuízo uma demanda possessória. pois com as últimas reformas processuais acabou qualquer possibilidade de uma sentença condenatória receber um processo de execução autônomo. mas você traz um fato impeditivo. ele pode continuar na posse da coisa. Isso parece com a exceção de contrato não cumprido. Além disso. Qual é o fato impeditivo ao direito do autor que o Flávio trouxe como réu? Direito de retenção. o Flávio diz na contestação que se o juiz entender que a pretensão do Nelson seja procedente. é o famoso “ganha mas não leva”. sob pena de enquanto Nelson não indenizar. Essa exceção substancial é dilatória ou peremptória? É dilatória porque ela apenas está adiando o momento pelo qual o réu vai sair do bem. Enquanto Nelson não indenizar Flávio. pois mesmo que o Flávio seja derrotado na ação reivindicatória ou possessória. Qual é o prazo preclusivo para alegar retenção? É a contestação.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 154 O que eu. modificativo ou extintivo ao direito do autor. diz que tudo que ele falou é mentira. ele pede indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis que fez de boa-fé. anulabilidade em defesa. Quando vocês são réus vocês podem se defender de duas formas: defesa direta de mérito e defesa indireta de mérito. . ter o direto de retenção sobre as benfeitorias úteis e necessárias. Defesa direta de mérito ocorre quando o réu nega todas as afirmações do autor. Exceção substancial peremptória ocorre quando você alega prescrição em defesa. que sou o proprietário. você quer adiar o êxito do seu adversário. O direito de retenção é uma exceção substancial argüida pelo réu em defesa. até que ele seja indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis.

mas concedo a Flávio indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis e enquanto ele não for pago. Quando a sentença diz: julgo procedente a pretensão de Nelson. se não lhe forem pagas. O depósito é uma relação jurídica. Possuidor de má-fé apenas pode pedir indenização com relação às benfeitorias necessárias. o último momento processual para o réu se manifestar dizendo que fez benfeitorias necessárias e úteis é na contestação. O direito de retenção é algo específico do possuidor de boa-fé. Se o possuidor de má-fé realizou benfeitoria necessária. ele é possuidor ou detentor? Ele é possuidor. CC é o artigo que coloca a situação do possuidor de boa-fé perante o direito de retenção. . não mais há embargos de retenção. CC: “O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. você que é o retentor terá ação possessória contra o Zé Rainha? Tem. Então. mas ele tem que devolver o bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 155 Como não há possibilidade de exigir execução autônoma. 1219. ele poderá ajuizar ação ordinária de indenização. O possuidor direto não é aquele que detém a coisa através de uma relação jurídica? Art. A pessoa que recebe o direito de retenção fica na coisa como depositária do bem. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis”. pois você não é detentor. Esse é o momento fundamental. quanto às voluptuárias. Nesse período em que ele vai ficar como depositário. A diferença é que a posse precária é uma posse injusta e o direito de retenção é uma posse justa. Possuidor de má-fé tem direito de retenção? Não tem. fica na coisa como responsável judicial ou depositário. quando o puder sem detrimento da coisa. bem como. Isso quer dizer que o Flávio enquanto não for pago. você é possuidor. ele terá retenção. seja em uma lide possessória ou reivindicatória. a levantá-las. 1219. Se o Zé Rainha invadir o imóvel. Qual é a diferença entre o direito de retenção e a posse precária? Eu já disse que quem tem posse precária é quem retém a coisa após o prazo normal para devolução. visto que o direito de retenção é obtido por sentença. o art.

é um contrato feito entre particulares. muda alguma coisa no que se refere às benfeitorias? Muda. 1220 do código civil. Essa cláusula seria válida porque não é uma relação de consuma. Como não é relação de consumo. 35 da lei 8245/91. aplica-se o art. E é um meio de coerção porque enquanto o proprietário não pagar as benfeitorias necessárias e úteis. É um meio de coerção ofensivo ou defensivo? Defensivo. É o art. Pode o inquilino assinar uma cláusula no contrato dizendo que ele não vai ser indenizado nem pela benfeitoria necessária que ele realizar? Pode. O que acontece se o réu esquece de pedir o direito de retenção na contestação? Ele perde o direito de retenção. mas é óbvio que existe contrato de adesão entre particulares. Só terá indenização pela benfeitoria útil quando autorizado pelo proprietário para que a realize. Contrato de adesão é aquele em que as cláusulas são redigidas unilateralmente por uma das partes. Direito de retenção é meio de coerção. Essas normas dos arts. isso está dentro da autonomia da vontade dos contratantes. 1219 e 1220 são normas dispositivas. No contrato de locação o inquilino quando faz benfeitorias tem direito de indenização por quais? O inquilino tem direto de indenização pelas benfeitorias necessárias. A astreinte é meio de coerção ofensivo. pois impõe-se uma multa à pessoa para que a sua conduta cesse. o possuidor não devolve a coisa. mas sem a possibilidade de reter a coisa. Súmula 335 do STJ: “Nos contratos de locação é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao direito de retenção”. Existe contrato de adesão fora da relação de consumo? Em regra. os contratos de adesão surgem nas relações de consumo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 156 Já o possuidor de boa-fé tem a chance de opor a exceção substancial de retenção. pois se eles tinham um contrato. esse contrato pode ter regras diferenciadas. Quando não existe relação contratual entre o retomante o possuidor. 1219 e o art. Essas regras somente se aplicam quando não existe relação contratual entre o retomante e o possuidor. mas ele ainda pode em uma ação autônoma ser indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis. . Quando a relação é uma relação de locação.

1219 do CC. E o ius possidendi é o juízo petitório. isso não é um contrato de adesão? É. Ius possessionis é o direito de possuir com fundamento exclusivo nos fatos da posse. Flávio é posto para fora do terreno por Nelson. CC. Ius possessionis é o juízo possessório. 424 do CC é muito claro: “Nos contratos de adesão. a história que o Flávio conta é que ele exerceu a posse deste terreno por sete anos. 424. Vamos começar a falar de ações possessórias. Causa de pedir remota é a história. Quando é contrato de adesão eu não aplico a súmula 335 do STJ e aplico o art. A causa de pedir pode ser próxima ou remota. ninguém pode renunciar a direitos decorrentes da relação contratual. a súmula 335 do STJ somente se aplica quando os contratos entre particulares forem contratos negociados. com fundamento exclusivo no direito de propriedade. Toda ação possessória é aquela que tem como causa de pedir a posse e o pedido é a posse. a ação possessória. pois o art. Esse enunciado diz que tem direito de retenção não somente quem faz benfeitorias necessárias e úteis. Ius possidendi é o direito à posse. Então. É válida a cláusula de renúncia à indenização pelas benfeitorias necessárias em contrato de adesão? Não é válida. O enunciado 81 está ligado ao art. Após sete anos. Peço que vocês dividam o caderno de vocês em ius possessionis e ius possidendi. O Flávio tem algum tipo de ação para que possa voltar ao terreno? Sim.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 157 Se eu sou proprietário de um apartamento e chego para o Washington com o contrato já pronto para ele assinar. No caso em tela. Esqueci de falar que o enunciado 81 do CJF diz que o direito de retenção também se aplica às acessões. Quem faz acessões de boa-fé também tem direito de retenção. visto que nesta ação a causa de pedir é a posse. Eu sou proprietário de um terreno e o Flávio está há sete anos possuindo este terreno. Por contrato de adesão. . são nulas as cláusulas que estipulem renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio”.

Na ação petitória a causa de pedir é a propriedade e o pedido é a posse. pois nestas ações o fundamento do autor é que ele possa pedir a posse. Quando Nelson vai para o imóvel. Washington é proprietário e possuidor de um terreno. É só isso que o juiz quer saber em uma ação possessória. Se eu sou proprietário eu tenho direito à posse. pois usar e fruir são direitos decorrentes da minha propriedade. Causa de pedir: Nelson é o novo proprietário e. não por ele tê-la exercido anteriormente. eu tenho direito à posse. A imissão na posse é uma ação petitória. fruir. A imissão na posse é uma ação petitória. dispor e reivindicar. Nelson é o novo dono. Causa de pedir próxima: Flávio foi agredido na sua posse. Por que Washington pode ajuizar uma ação petitória chamada reivindicatória? Porque ele está dizendo ao juiz que é o dono do terreno e . Causa de pedir remota: Flávio tinha posse há sete anos. A única coisa que o Flávio está dizendo é que ele exercia o fato da posse e ele sofreu uma agressão a essa posse pré-existente que ele tinha. Então. a lesão que Flávio sofreu foi que ele foi posto para fora do terreno. Pedido: Flávio quer sua posse de volta. Esses quesitos são suficientes para se exercer a ação possessória. Ele pode escolher uma ou outra. mas sim porque ele é proprietário. No caso. Um exemplo de ação petitória é a imissão na posse. com isso.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 158 Causa de pedir próxima é a lesão que a pessoa sofreu no seu direito subjetivo. Flávio se recusa a sair de lá. Flávio. Então. Zé Rainha invade esse terreno e põe Washington para fora. alguém está discutindo propriedade em algum momento? Não. a posse nas ações petitórias não decorre de um exercício de fato da posse. Quando Nelson se tornou proprietário. Qual é a ação que Washington tem contra Zé Rainha? Petitória ou possessória? As duas. Ela decorre do direito de propriedade. Quando o Flávio ajuíza a ação possessória. passou a ter os poderes de usar. Qual é a ação que Nelson tem para investir na posse desse bem pela primeira vez? Imissão na posse. eu comprei o seu apartamento e registrei a escritura de compra e venda no ofício imobiliário.

O Poder Judiciário estaria dando força para que o proprietário retirasse à força o terceiro que estivesse ocupando o seu imóvel. ele pode fazer o que quiser. E. o proprietário. independente de você ser dono. Art. ele vai mostrar que é dono e vai pedir a posse. No Brasil é proibida a chamada exceção de propriedade. Não a posse como decorrência da propriedade. Então. O que o juiz quer saber na possessória se você exercia o fato da posse. Neste caso. quem é proprietário e possuidor pode optar pelo juízo possessório ou pelo juízo petitório. mas a posse como um fato em si mesmo. quer reaver os poderes de usar e fruir com base no art. § 2o. Vamos voltar ao primeiro exemplo. Mas. se a sua posse foi agredida e que você quer a sua posse de volta. é completamente proibida a discussão de propriedade na constância das ações possessórias. julgaria improcedente a demanda possessória pelo fato da propriedade ser mais forte do que a posse. quer reaver a posse. 1210.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 159 comprovando a sua titularidade. 1228. Se uma ação possessória está em andamento. O juiz.´ Além da reivindicatória ele tem a possessória. o que aconteceria quando o Flávio ajuizasse ação possessória? O Flávio conseguiria uma liminar e o juiz determinaria que ele voltasse para o imóvel por uma liminar. alegaria que como ele é dono. CC: “Não obsta a manutenção ou reintegração da posse a alegação de propriedade”. Aparece Nelson. E quando . CC. Flávio você é possuidor de um terreno há sete anos. Qual era a grave injustiça que existia por trás da possibilidade da exceção de propriedade? A grave injustiça estaria na situação anterior no fato da sentença do juiz dizendo que julga improcedente a possessória porque Nelson é o proprietário. Se no Brasil a exceção de propriedade fosse permitida. com isso. Esse artigo é a base da proibição da exceção de propriedade. A alegação de propriedade não impede o êxito de uma ação de reintegração ou de manutenção de posse. o Flávio tem uma ação possessória. Ele tem a possessória não pelo fato dele ser proprietário. com isso. Na possessória o juiz não se interessa se a pessoa é proprietária. no momento em que Nelson fosse chamado para contestar a possessória. Então. e colocou você para fora.

Nenhum particular. julgo a demanda procedente. deveria ser protegida em caráter temporário. O único argumento que o juiz irá ouvir é que como o possuidor foi agredido na sua posse pré-existente. O que acontece com Nelson se ele não pode alegar em contestação que é dono? Nelson perde a ação possessória. alegue em defesa que você é dono. pois na reivindicatória Nelson estará citando Flávio como réu dando a ele a oportunidade de ter o devido processo legal. eu ajuízo uma reivindicatória contra Flávio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 160 esse terceiro der entrada na ação possessória. Nelson Nery diz que hoje há uma espécie de condição sucessiva ao exercício da demanda petitória. pois a partir do momento que vem o novo código civil e diz que o proprietário não pode alegar em defesa que é dono. a o e a E nessa ação petitória é que efetivamente o juiz vai querer saber se o Nelson é o proprietário e se ele tem condições de ganhar essa demanda. da citação até o trânsito em julgado da possessória. você volta para o imóvel e o juiz determina que o Nelson. E que a posse. no máximo. Hoje há uma separação absoluta entre o plano do possessório e o plano do petitório. A ação possessória do Flávio é julgada procedente. isto é. A sentença visa justamente proteger a situação de ingerência sócio-econômica que o possuidor tem sobre a coisa. A admissão da exceção de propriedade não só é um estímulo à violência. como conduzia vocês a uma falsa noção de que a propriedade é um direito superior e que a posse é um direito inferior. não pode usar da força mesmo que seja para reavê-lo. mesmo que seja proprietário do bem. Mas isso mudou. O que o Nelson faz? Ajuíza uma ação reivindicatória. pois só se pode ajuizar uma petitória após o trânsito em julgado da possessória. O que os juízes fazem ao receberem a inicial dessa reivindicatória? Eles julgam extinto o processo sem resolução do mérito . Além disso. O proprietário Nelson é posto para fora e transita em julgado possessória. que é o proprietário. Isso é mais correto. o contraditório e ampla defesa. Na pendência da demanda possessória. o outro recado do Judiciário é que nenhum particular tem o monopólio da violência. pois os juízes julgarão improcedente a possessória. fica proibida a discussão de propriedade. Na pendência da demanda possessória. seja posto para fora.

mas sim quem tenha realizado a função social da posse. Na contestação Washington diz que o dono é ele. pois está faltando uma condição. pois o fundamento da possessória não é a propriedade. deverá o pedido ser indeferido e julgado improcedente. A questão seguinte apenas irá acertar o aluno que lembra do que eu ensinei há três semanas atrás. que houvesse o trânsito em julgado da demanda possessória. qual seja. não há possibilidade de se ajuizar uma demanda petitória.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 161 (art. . caso o juiz vá dar uma sentença em ação possessória e o juiz não veja que o autor provou a sua posse anterior. pois na inicial ele não demonstrou que era possuidor. sabe o que o juiz vai fazer? Vai julgar improcedente essa ação possessória. 267. O juiz não vai dar vitória para quem pareça ser proprietário. ela perdeu a eficácia porque diante da proibição da exceção de propriedade no direito civil brasileiro. Enunciado 78 do CJF: Tendo em vista a não recepção pelo código civil da exceção de propriedade ou de caso de ausência de prova para embasar decisão liminar ou sentença ancorada exclusivamente no ius possessionis. O STF em hipóteses como essa dizia na súmula 487 que nesse caso. alegando que ele é dono do imóvel e quer retirar Washington de seu imóvel. quando autor e réu usam de uma possessória para discutir propriedade. Enquanto não há o trânsito em julgado da demanda possessória. IV. Nelson ajuizou mal a ação possessória. não obstante eventual demonstração de direito de propriedade no meio litigioso. A súmula 487 ainda tem eficácia? Não. Olha o que diz o enunciado 79 do CJF: a exceção de propriedade como defesa ocorrida nas ações possessórias foi abolida pelo código civil de 2002 que estabeleceu a absoluta separação entre o juízo possessório e o juízo petitório. isso quer dizer que quem deve ganhar a ação possessória não é quem é proprietário. Essa radical separação do plano do possessório para o petitório não foi esquecida pelo CJF. Quando o código civil diz que não interessa quem seja o proprietário. o juiz tem que dar a vitória para aquele que demonstrar ser o verdadeiro proprietário. CPP). O juiz vai julgar improcedente. O que os dois estão fazendo de errado? Os dois estão usando a ação possessória para discutir propriedade. Nelson ajuíza uma ação possessória contra Washington.

O que o CC/02 proíbe é a alegação em defesa da exceção da propriedade. Você alega que a pretensão do Nelson é tão mentirosa e que Washington já estava na posse há tanto tempo que já chegou a gerar domínio. Washington pode alegar usucapião em defesa? Quando eu ensinei usucapião em defesa. Você pode pegar essa sentença e registrar? Pode. ele pode alegar a usucapião em defesa. O que eu estou perguntando é se ele pode alegar usucapião em defesa em uma ação possessória. É por isso. A causa de pedir da usucapião é a posse. Quando ele alega a usucapião em defesa ele está trazendo uma exceção à propriedade. além disso. mas quando se alega usucapião em defesa não é exceção da propriedade. Quando você alega usucapião em defesa. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 162 Nelson e Washington tem uma discussão. Vocês estão apenas mostrando para o juiz como a ação possessória está fundada em argumentos mentirosos porque você já tem até usucapião. 1241 do CC diz que o possuidor pode pedir ao juiz que seja declarada a usucapião. falei em ações reivindicatórias. Washington. Pode o Washington dizer que é mentira e que ele não invadiu a posse de ninguém e. Nelson ajuíza uma ação possessória contra Washington dizendo que Washington invadiu o seu terreno. Diante dessas duas observações vocês mantêm o ponto de vista de que ele pode alegar em defesa a usucapião? Mantenham. Usucapião não é petitório. você não vem com a história de que você é proprietário. pois mesmo sendo alegada a usucapião em defesa a nova dicção do art. mas sim exceção de domínio. Quando se alega usucapião em defesa não se está embaralhando o petitório com o possessório. que o esbulhou. As ações petitórias são aquelas em que a causa de pedir é a propriedade que não tinha posse. . Mas isso é proibido pelo código civil de 2002. Vamos supor que o juiz se convença que você tem usucapião e julga improcedente a possessória. ele diz que já tem prazo para usucapião. que você pode usar a súmula 237 do STF e alegar usucapião em defesa. ele está alegando em defesa que ele é proprietário.

Essas são as únicas ações possessórias que existem no Brasil. você tem a ação de reintegração de posse. Se você é possuidor e sofre uma ameaçazinha. mais forte é também a reação do sistema a essa agressão. Na medida em que se intensifica a agressão à posse é inversamente proporcional a reação do sistema. Ser esbulhado é ser posto para fora do bem. vocês vão subindo um andar. Nunciação de obra nova e embargos de terceiros não são ações possessórias. Essas são as três ações possessórias. E isso em uma prova de concurso é nota 3. você tem a ação de manutenção de posse. Então. Como saber qual das três ações deve-se ajuizar? Tudo depende do nível de hostilidade e aversão que a posse sofreu. Esbulho é a privação física da coisa. Mas se virou um esbulho. Isso é um pedido contraposto. O problema de vocês é que toda vez que vocês pensam em esbulho vocês lembram do Zé Rainha. Mas nunca confundam interdito possessório com interdito proibitório. Já essas três ações são para garantir a tutela específica da posse. Dividam o caderno de vocês em reintegração de posse. Quanto mais forte é a agressão. pois o Zé Rainha aparece no esbulho que se dá com violência. Interdito proibitório é uma das espécies do gênero interdito ou ações possessórias. Vamos agora começar a estudar as ações possessórias. manutenção de posse e interdito proibitório. pode ser declarada pela via da defesa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 163 Mas o art. O possuidor que é esbulhado é aquele possuidor que perde o contato material com o bem. Ação possessória é sinônimo de interdito possessório. Na medida em que se intensifica o grau de agressão à posse. 1241 em nenhum momento exige que seja pela via da ação de usucapião. mas o . Interdito possessório é gênero. visto que essas são ações que tanto podem ser utilizadas para defender a propriedade ou a posse. A base da reintegração de posse é o esbulho. Se você sofre uma turbação. você tem o interdito proibitório. É uma usucapião argüida em defesa em pedido contraposto. Hoje até o final da aula trabalharei com a reintegração de posse.

Vamos supor que eu a interpelo e dou um prazo de 30 dias para ela sair do imóvel. Nelson é esbulhado porque perdeu a possibilidade de reaver o poder fático sobre a coisa. Nesse momento a posse dela virou uma posse precária. Ou seja. . é esbulho por clandestinidade. o cara que entrou na posse é um esbulhador ou pela violência ou pela clandestinidade ou pela precariedade. Ele está esbulhando? Sim. 1200 do código civil. Primeiro: se esse comodato fosse um comodato sem prazo. Durante esse período você tem posse direta e justa. eu posso ter o esbulho por clandestinidade e por precariedade. é claro que vocês estão sendo esbulhados e que cabe ação de reintegração de posse. o mais importante é o esbulho por precariedade. Esse prazo de 30 dias é fundamental para constituir o comodatário em mora. É óbvio que se o Zé Rainha invade a fazenda de vocês a socos e pontapés e põe vocês para correr.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 164 esbulho não se dá apenas por violência. Justamente na precariedade para retirar aquele inquilino e aquele comodatário que não quer devolver. Em questões de concurso. no momento em que Zé Tainha entrou. o Flávio foi excluído do poder material sobre a coisa. mas a posse direta dela virou posse precária e ela está me esbulhando porque se ela não quer me devolver. Rafaela estará me esbulhando a partir do 31o dia caso ela não queira sair. Qual é a ação que eu tenho? Reintegração de posse. como eu faço para retirar a comodatária? Primeiro eu devo interpelar a comodatária. Toda vez que a aquisição da posse se deu pela forma injusta. você é minha comodatária por 5 anos. Rafaela. Acabou o prazo do comodato e você não quer sair. eu não posso entrar. Mesmo que Zé Tainha não tenha usado a força. Zé Tainha entrou na mansão de Flávio em Búzios. Ela tinha posse direta. Em concurso público tem dois complicadores. Eu que sou o proprietário. Então. que posse que eu tinha na constância do comodato? Posse indireta. eu posso ter o esbulho toda vez que a aquisição da posse se deu com a prática de um dos vícios do art.

Eu vou cumular o art. Nelson é o promitente vendedor. Só tem legitimidade passiva para ser réu em ação possessória aquele que tem posse injusta. Washington é o promitente comprador e está comprando este imóvel em 36 prestações de R$ 1. Pode o Nelson ajuizar uma ação de reintegração de posse contra ele? Não. a posse dele que era justa se transforma em injusta. Enquanto ele está pagando as prestações. ele já está morando no imóvel. Na vigésima prestação o promitente comprador parou de pagar. . ele tem posse direta e Nelson tem posse indireta. No dia seguinte que cessou o prazo. 475 do código civil que fala sobre a resolução contratual provando o inadimplemento e o pedido sucessivo de reintegração de posse. A posse do Washington que era justa se transforma em injusta. Durante esses 30 dias a posse dela continua sendo justa. Tirando a base contratual a posse vira injusta e aí tem o pedido sucessivo de reintegração de posse. Quando o juiz julgar procedente a ação de resolução contratual. o pedido sucessivo deve ser de reintegração de posse porque ele virou esbulhador.000. Nelson faz um contrato com Washington de promessa de compra e venda. Nunca ajuízem uma ação possessória conta alguém se a posse dessa pessoa tem uma base contratual. Se a posse dele virou injusta por precariedade.00. eu só posso falar em esbulho quando cessa o prazo dado na interpelação. eu entro com o pedido sucessivo de cumulação de reintegração de posse. clandestinidade e precariedade são as três formas de posse indireta que podem dar margem ao injusto. a posse já virou uma posse injusta por precariedade e aí existe a possibilidade de se ajuizar uma reintegração de posse. Violência. Então. pois a posse dele é justa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 165 Nos contratos sem prazo. Eu tenho primeiro que ajuizar uma ação de resolução do contrato porque eu tenho que provar para o juiz que houve o inadimplemento. A primeira coisa que se deve fazer é tirar a base contratual do possuidor. Pedido principal: resolução contratual. Enquanto ele paga as prestações. Nenhuma pessoa pode ser ré em ação possessória enquanto sua posse é justa. É uma posse baseada em um contrato de compra e venda.

Santino conseguiu penhorar o imóvel porque a promessa de compra e venda não foi registrada.000 m2 do seu terreno.000 m2. Vamos voltar ao exemplo do promitente comprador. Nesse período em que Washington está quase terminando de pagar. O correto é entrar com embargos de terceiro. Esbulho não é apenas quando te retiram a posse do todo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 166 Daniel. E você continua com os outros 17.000 m2. Zé Rainha invadiu 3. Então. . Quando vai um oficial na sua casa dizendo que tem uma dívida e que o seu imóvel está sendo penhorado. visto que o imóvel continua em nome do Nelson e não havia registro da promessa no RGI. 1043. você tem um terreno de 20. Santino me executa e procura no meu patrimônio quais bens podem ser penhorados e penhora o imóvel que eu estava vendendo para Washington. Dessa vez. agressão Você só pode falar em esbulho quando o esbulho é uma por violência. de penhora ou de seqüestro não é esbulho. no todo ou em parte. Isso simplesmente é uma constrição judicial. Washington está sendo agredido em razão de uma dívida que não é dele. uma ordem de arresto. O oficial de justiça vai concretizar o mandado de penhora e encontra Washington morando no imóvel. Estou devendo R$ 100 mil para o Santino. Através do embargos de terceiro Washington quer excluir o imóvel da penhora porque no instante em que Nelson fez a dívida com Santino esse bem já não estava sob a esfera de responsabilidade patrimonial do devedor. Atos de constrição judicial não geram esbulho. Enquanto ele está pagando eu continuo como dono. Qual é a ação possessória que Washington tem diante dessa agressão que ele está sofrendo? Reintegração de posse ou manutenção de posse? Nenhuma das duas. Washington vai usar os embargos de terceiro do art. A sua posse está sendo agredida em razão de uma dívida que não é dele. eu que ainda sou dono do imóvel fiz muitas dívidas com o Santino. Então. esse bem não pode ser incluído como patrimônio do Nelson. Washington está pagando tudo direitinho. Esbulho é quando você é privado fisicamente da coisa. clandestinidade e precariedade. Que ação Daniel ajuíza contra Zé Rainha para retirá-lo de seu terreno? Reintegração ou manutenção? Reintegração porque houve o esbulho parcial. CPC.

Como a posse não se registra no Brasil. O registro da promessa de compra e venda só é importante para uma futura discussão sobre essa outra venda desse bem. a realização de uma obra que atende ao interesse social. A única diferença é que se o agressor fosse um particular. é completamente despiciendo. Muda alguma coisa? Claro que muda. julgo improcedente a reintegração de posse e o particular será indenizado. o município do Rio de Janeiro invadiu o seu terreno usando de violência. Mas como eu estou discutindo uma questão de posse. tanto faz se essa promessa de compra e venda foi ou não registrada. Cabe ação de reintegração de posse contra o Estado? Claro que cabe. Mas sendo o agressor o Estado. realizou função social sobre o bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 167 É essa a razão pela qual Washington opõe embargos de terceiro excluindo esse bem da penhora. qual seja. Se o procurador do município alegar que realmente o município invadiu. § único do CPC. Nunca confundam um ato emanado pelo Judiciário com uma agressão vinda de uma pessoa. Se o Estado nesse período em que ocupou a coisa. . Flávio. O registro da promessa de compra e venda é importante para evitar que amanhã outra pessoa adquira a propriedade. mesmo que com posse injusta. mas que já construiu um posto de saúde no local. Só que eu não estou discutindo propriedade. O juiz vai julgar improcedente a ação possessória e vai ocorrer uma desapropriação indireta. eu teria uma liminar inaudita autera pars contra o particular. Washington pode opor embargos de terceiro mesmo sem ter registrado a promessa de compra e venda? Pode. 928. O juiz vai dizer que diante da questão de ordem pública que se agita. secundário se indagar se a promessa de compra e venda foi registrada ou não. eu estou discutindo posse. não pode ser concedida uma liminar possessória contra o Estado sem que antes seja ouvido o representante do Estado à luz do art. O Estado é uma pessoa como outra qualquer. isso pode ser imprescindível para a quebra do êxito de uma ação possessória sobre a coisa. A súmula 84 do STJ diz que o promitente comprador pode opor embargos de terceiro mesmo não tendo registrado a penhora.

Art. 1212. CC: “O possuidor pode intentar a ação de esbulho. que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era”. 1212. Normalmente. contra o terceiro. eu não teria chance contra o Santino com base no argumento de que ele é terceiro de boafé. Pode Santino alegar em defesa que ele é terceiro de boa-fé e que ele não tinha noção do ato violento anterior do Zé Rainha para ele conseguir êxito na sua defesa? Pode. Zé Rainha falsifica o título dessa propriedade como se fosse dele e a vende para Santino que comprou pensando que fosse do Zé Rainha. ou seja. contra Santino? Contra quem está na coisa. Terceiro de má-fé é aquele que conhecia os vícios da posse. Normalmente a questão da boa-fé ou da má-fé é algo irrelevante. Existe alguma outra ação que eu posso ajuizar onde a boa-fé do Santino não vai lhe ajudar em nada? Ação reivindicatória. Eu tenho ação possessória contra o Zé Rainha? Tenho. independente de ser de boa-fé ou de má-fé. Mas no meu exemplo o Santino foi ludibriado. Mas tem um caso no código civil em que é fundamental averiguar a natureza da má-fé do ocupante pelo art. o que é fundamental em uma ação possessória? É estudar se a posse é injusta ou se a posse é de má-fé? Se a posse é injusta. Então. Na reivindicatória a posse do Santino não é importante porque eu digo para o juiz que eu sou dono e que o Santino tem posse injusta. Só há êxito em uma ação possessória ajuizada contra um terceiro se ele for um terceiro de má-fé. O que interessa é se a posse é justa ou injusta. Se eu não fosse proprietário e só fosse possuidor. Quando Nelson 3 meses depois resolve ajuizar reintegração de posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 168 Zé Rainha invadiu o meu terreno e me colocou para fora. contra quem ele ajuíza reintegração de posse? Contra quem o esbulhou ou contra quem está na coisa. . Nelson perde porque Santino alega em defesa ser um terceiro de boa-fé. ou a de indenização. Deve-se ajuizar a possessória contra quem está exercendo a posse agora. Ele tinha um justo título que dava a ele a falsa noção de que Zé Rainha era o dono.

ela exercia a posse como uma situação de fato e que essa situação fática existente foi agredida. Ou seja. Rio. cabe a reintegração de posse. Se alguém comprou um automóvel e parou de pagar as prestações para o Banco Alfa. Uma pessoa só tem chance de ir para frente com a ação possessória se ficar provado que independente dela ser ou não proprietária. Qual é o esbulho do cara que comprou o carro e parou de pagar? Precariedade. Busca e apreensão é a mesma coisa que reintegração de posse. se você sofre turbação. Despejo é a mesmo coisa que reintegração de posse. . manutenção de posse e o interdito proibitório. qual é a ação que eu ajuízo contra ele? Ação de despejo. Se por acaso o meu inquilino não quer sair do imóvel que eu aluguei para ele. Qual é o esbulho do inquilino? Precariedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 169 É fundamental vocês entenderem que a base da reintegração de posse é a existência de um esbulho. Tanto o despejo como a busca e apreensão passam a idéia de um esbulho. Só que por uma peculiaridade tem esse nomen iuris distinto chamado despejo. A divisão que eu fiz entre essas três ações possessórias tem como base o nível de agressão que a posse sofreu. não basta alguém ser proprietário para ajuizar ação possessória.11. o grau de hostilidade que a posse sofreu. Ser proprietário isoladamente não significa nada no mundo das ações possessórias. Amanhã a gente começa com manutenção de posse. Mas eles têm esses nomes específicos. cabe manutenção de posse e se você sofre uma ameaça.2007 Vocês lembram que ontem eu falei para vocês das ações possessórias. Só há possibilidade de alguém ajuizar uma ação possessória se ficar comprovado que havia antes uma situação fática de posse sendo exercida sobre a coisa. 23. mas por uma peculiaridade recebeu o nome de busca e apreensão. qual é a ação que o Banco Alfa ajuíza para retomar esse automóvel? Busca e apreensão. Essas são as três ações possessórias. Se você sofre esbulho. cabe interdito proibitório. E eu dividi as ações possessórias em 3: reintegração de posse.

Então. mas que está sendo incomodada. Essa é a diferença entre a reintegração e a manutenção.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 170 Só é possível ajuizar ação possessória se ficar provado na inicial que houve um ilícito contra a posse. sou? Juridicamente. Ou seja. . pois em 3 dias seguidos eu pratiquei atos de turbação. seu novo vizinho. na reintegração a pessoa recupera uma posse perdida. Aqui você quer apenas que cessem as agressões atuais que a posse vem sofrendo. Então. eu sou um turbador. O que eu. No primeiro eu corto a cerca que divide os dois terrenos e coloco o meu gado para pastar no terreno do Flávio. chateado. Aqui você não quer recuperar. Ontem nós já vimos que a reintegração de posse decorre de um ato ilícito chamado esbulho. Essa agressão reduz os seus poderes sobre a coisa. Flávio. Qual é a causa de pedir da reintegração? É uma posse que já foi excluída. Em nenhum momento o Flávio foi esbulhado. incomodado. atos de moléstia. E esse ilícito pode ser esbulho. No terceiro dia eu faço um buraco na entrada da sua fazenda para você não poder entrar de carro nela. eu tenho o prazer de começar a aula oficialmente com a manutenção de posse. mas essa agressão à posse não chega ao ponto de excluí-lo do poder fático sobre a coisa. eu sou seu vizinho. eu entro no seu terreno com uma moto-serra e corto 50 árvores. Aqui não. No segundo dia. Qual é a finalidade da manutenção de posse? É o fim da agressão. Aqui há uma posse que ainda é atual. atos de incômodo. é para isso que se ajuíza uma ação de manutenção de posse. Turbação é perturbação. molestado. mas não exclui a pessoa do poder fático sobre o bem. Mas a posse dele está sofrendo uma restrição. pois você ainda não perdeu. Mas em algum desses dias o Flávio foi excluído do poder fático sobre o bem? Não. pentelhado. turbação ou ameaça. possuidor turbado é aquele cara que sofre uma agressão. Ou seja. A palavra chave da manutenção de posse é turbação. Eu contei várias histórias sobre a reintegração de posse. O possuidor turbado é o possuidor perturbado. Notem a diferença da reintegração de posse para a manutenção.

Ela tem um caráter coercitivo. . constitutivas. Se um examinador perguntar se na classificação quinária das ações de Pontes de Miranda em declaratórias. Ou seja. o que ele está pedindo é um comportamento. o mesmo não acontece com o interdito proibitório. O que o juiz está expedindo é uma ordem. Então não se trata de uma coerção direta. Por que dá para ver essa distinção? Na reintegração a carga preponderante na sentença é executiva lato sensu porque quando o juiz na sentença diz: determino que Zé Rainha saia do imóvel em 15 dias. é uma conduta. É uma sentença mandamental porque ela não tem um caráter e subrogação. Ele se substitui na posição do réu. diferencie as sentenças mandamentais das sentenças executivas. É uma coerção indireta. Se a reintegração de posse e a manutenção de posse são ações possessórias que dizem respeito a uma agressão atual. Ou seja. Isto porque a sentença de reintegração é uma sentença executiva e a sentença de manutenção de posse é uma sentença com carga eficacial mandamental. Para vocês se mostrarem bons na prova sempre lembrem da minha aula. Todavia.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 171 Em uma prova de processo civil. O que há é simplesmente uma ameaça. mandamentais e executivas lato sensu. Eu estou dissuadindo você a não mais reiterar aqueles atos turbativos que vinham até então sendo praticados. condenatórias. Simplesmente o juiz age com ou sem a colaboração do devedor. a sentença na manutenção de posse é uma sentença mandamental. Aqui o que existe é uma coerção direta. o juiz nas sentenças executivas não pede que o réu faça alguma coisa. É executiva lato sensu porque o juiz na sentença se subroga na posição do devedor. não perturba mais o Washington. é interessante que vocês lembrem a diferença de intensidade entre o esbulho e a turbação. Por exemplo: Zé Rainha. As sentenças executivas lato sensu são aquelas em que o provimento jurisdicional se executa sem a necessidade de cooperação do réu. No interdito proibitório já se consumou o ilícito possessório ou ainda não se consumou? Não se consumou ainda o ilícito possessório. ele não requer ao devedor alguma conduta.

de que num momento iminente. de comando judicial. o autor do interdito proibitório não pode trazer para o juiz uma elocubração. quando você pede uma liminar ao juiz. manda não concretizar a agressão. Mariana vai ajuizar um interdito proibitório porque isso é uma ameaça evidente e concreta de que Zé Rainha e sua turma em breve vão converter o ato de hostilidade em uma turbação ou esbulho. vem a segunda parte: caso Zé Rainha desobedeça o veto judicial. as ameaças que estão sendo praticadas contra o possuidor serão convertidas ou em uma turbação ou em esbulho. o interdito proibitório não passa de uma tutela inibitória que visa resguardar a sua posse para que você não tenha futuro aborrecimento com turbação e esbulho. CRFB/88 fala que não será excluída da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito. haverá a imposição de um preceito cominatório. em uma ação de interdito proibitório. Mariana. uma idéia simplesmente. uma pessoa só consegue ser feliz em uma ação de interdito proibitório se ela provar que essas ameaças são ameaças sérias. pois o autor de uma ação de interdito proibitório quer inibir o ato ilícito porque inibindo o ato ilícito não haverá o dano. Então. reais. XXXV. 5o. . são 84 mil sem terras com foice e martelo que estão se aproximando da sua fazenda capitaneados por Zé Rainha. haverá imposição de astreintes. Como Zé Rainha não tem medo de veto judicial. Mas quando você olha bem. ou seja. De repente você vê que tem umas nuvens se aproximando. É um comando judicial. Na verdade. Então. você tem uma fazenda em Pontal do Paranapanema e está na piscina curtindo o sol. um desvalio. Depois você olha e percebe que as nuvens se aproximaram com muita rapidez e percebe que a chuva é para agora. reais e graves e induzem a que em um futuro próximo haja turbação ou esbulho. aquilo não são nuvens.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 172 Há uma ameaça de que num momento muito próximo. Ele quer inibir o ato ilícito para evitar o dano. O justo receio do possuidor ao ajuizar o interdito proibitório é que as ameaças que ele já está sofrendo possam amanhã se transformar em uma turbação ou em um esbulho. essa liminar é decomposta em dois momentos: no primeiro momento o juiz manda o Zé Rainha cessar a ameaça. O art. Então. é uma tutela inibitória. Ele tem que mostrar para o juiz concretamente que essas ameaças são sérias. Então. idôneas.

Então. A ação possessória se adapta às novas circunstâncias. 128 e 460 do CPC. ele converte a ordem de interdito proibitório em ordem de reintegração de posse nos mesmos autos. A segunda situação em que se aplica a fungibilidade se dá quando. da correlação ou da congruência porque aplica-se o princípio da fungibilidade das ações possessórias disciplinado no art. 920 do CPC. por exemplo. Então. Sabe o que acontece? Zé Rainha concretiza a agressão e aquilo que até então era ameaça se converte em esbulho.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 173 Zé rainha não tem medo de astreintes. A fungibilidade será admitida em duas hipóteses: a primeira é essa que eu vos trago. O princípio da fungibilidade nos ensina que uma ação possessória pode ser convertida em outra ação possessória sem a necessidade da propositura de uma nova demanda. Nos mesmos autos é possível converter o pleito que era de interdito proibitório em um pleito de manutenção de posse ou de reintegração de posse. Esse princípio nos ensina que o juiz na hora de dar uma decisão ele não pode ir além ou aquém do que foi pedido pelo autor porque senão a sentença vai ser ultra. Mariana terá que ajuizar uma nova ação de reintegração de posse porque o que antes era ameaça virou esbulho? Se vocês falarem para o examinador que ela não vai ter que ajuizar uma nova ação ele vai dizer que conhece um princípio no CPP chamado princípio da adstrição ou da congruência ou da correlação que está nos arts. Washington ajuíza uma ação de manutenção de posse porque foi esbulhado. Mariana. a primeira hipótese de fungibilidade se dá quando dentro da mesma lide possessória se dá a alteração do panorama fático com a evolução da agressão. O juiz vai perceber que houve alteração das circunstâncias fáticas e entendendo que o que a Mariana falou é verdade. . extra ou citra petita. Mas deixou de ser ameaça e virou esbulho. Washington sofreu um esbulho. você ajuizou um interdito proibitório. basta que ela atravesse uma petição dentro do interdito proibitório e informe ao juiz que foi esbulhada e peça um mandado de reintegração de posse. Neste caso. como é que vocês dizem que não vai ter que entrar com outra ação se mudou a causa de pedir e se mudou o pedido? Nesse caso das ações possessórias não prevalece o princípio da adstrição.

Primeiro. se por acaso vocês ajuízam uma possessória. Haveria incompatibilidade entre o pedido e a causa de pedir. Da narração dos fatos não decorreria logicamente a conclusão. § único. Então. essa possibilidade de intercâmbio entre uma ação possessória pela outra pode se dar em grau recursal. o juiz pode converter uma possessória em uma petitória ou uma petitória em possessória? Não. Só se pode aplicar a fungibilidade entre as possessórias antes do trânsito em julgado. Pode nos autos daquela mesma ação que transitou em julgado ser realizado novo pedido? Não. ele indeferiria. Eu tenho duas perguntas para ver se vocês entenderam o interdito proibitório. Em segundo lugar. duas observações finais sobre a fungibilidade das ações possessórias. 295. IV do CPC. No mundo das ações possessórias. ele não deveria ter ajuizado uma manutenção de posse. mas sim uma reintegração de posse. Gente. Eu posso converter interdito em manutenção. Zé Rainha pratica uma nova infração. vai ter que ajuizar uma nova ação possessória. se Mariana ajuizou uma reintegração de posse contra o Zé Rainha. a reintegração foi julgada procedente. não se aplica esse raciocínio no mundo das ações possessórias. mas sim como ação de reintegração de posse. porque ele julgaria inepta pelo art. Não é possível o magistrado converter uma possessória em uma petitória ou uma petitória em uma possessória. mas no fundo vocês queriam uma reivindicatória. transitou em julgado e depois do trânsito em julgado da reintegração de posse. Se transitou em julgado. no processo civil. o juiz irá receber não como ação de manutenção de posse. Washington eu sou o seu vizinho e te digo que você está colocando a cerca que separa os dois terrenos no lugar errado e que se . mas não pode ser depois do trânsito em julgado do processo. O juiz pode indeferir a inicial? Em regra. pela égide da fungibilidade. mas jamais possessória em petitória. manutenção em reintegração. visto que se ele foi esbulhado. O âmbito da fungibilidade é restrito às possessórias entre si.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 174 Washington mandou muito mal. O próprio magistrado vai adequar a causa de pedir ao pedido. o processo pode estar na mão do relator desembargador. Todavia.

Flávio. Sempre entender ameaça como sendo ato material de ofensa à posse. Washington. Ameaça é ato material. você é um grande compositor da música popular brasileira. diante dessa ameaça você pode entrar com o interdito proibitório? Não. visto que não se considera ameaça o exercício normal de um direito. Hoje não. E essa tese foi vencedora até que entrou no lugar o mandado de segurança. Então. com base no art. Bens intangíveis são marcas. 153 do Código civil. usava-se a possessória para a defesa de direitos em geral. Ameaça nunca é ato verbal. software. Entendeu-se que não é possível a posse de bens intangíveis porque a posse na teoria do Ihering é uma visibilidade do domínio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 175 continuar desta forma. Essa discussão é muito antiga porque havia uma dúvida se era ou não possível posse sobre bens intangíveis. patentes. Você pode ajuizar uma ação de interdito proibitório diante dessa ameaça à posse dos direitos autorais de Flávio? Essa é uma discussão bizantina do direito civil que só foi eliminada há dois anos atrás com a edição da súmula 228 do STJ. Concluiu-se no direito brasileiro que só é possível posse sobre coisas que são bens tangíveis. materiais e corpóreos. Pode-se ter propriedade imaterial. Mas antes disso. prevaleceu a tese de que não cabe posse de direitos autorais. . Santino. direitos autorais etc. mas posse só se defere a coisas. você é advogado do Flávio e você descobre que um lote de 10 mil CD’s do Flávio será exposto a venda nas ruas do centro da cidade do Rio. Rui Barbosa defendia a tese de que poderia haver ação possessória para manter cargo público. é a exteriorização da propriedade. como é que se pode ter visibilidade sobre bens que são meras abstrações? Como é que pode ter visibilidade sobre coisas que são bens imateriais e que não são suscetíveis de serem apropriadas fisicamente? Então. Hoje a posse tem como objeto específico coisa. vou entrar com uma ação no Judiciário contra você. Mas pode haver propriedade de bens intangíveis. Mas tem gente que está falsificando o seu CD. Essa súmula diz: é inadmissível o exercício dos interdito proibitório para a proteção de direitos autorais.

Todo interdito proibitório requer uma agressão que seja iminente. Essa divisão é uma divisão de procedimento. . restituído no caso de esbulho e segurado de violência iminente se tiver justo receio de ser molestado”. Não existe interdito proibitório de força nova ou de força velha. Se por acaso um de vocês sofre uma agressão na posse e vocês ajuízam uma ação possessória antes de ano e dia contada da data da agressão. Na medida em que vocês já tenham visualizado o aspecto material das ações possessórias. é inadequado. O que determina que uma ação possessória seja de força nova ou de força velha? O prazo decadencial de ano e dia. Essa dicotomia força nova e força velha é adequada às três ações possessórias? Não. essa ação possessória terá qual rito? O rito de força nova que é um rito especial. 926 do CPC faz a divisão apenas no tocante à reintegração e à manutenção de posse. se a agressão tem que ser iminente.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 176 Art. mas será sancionado só podendo utilizar o rito de força velha que é o rito ordinário sem a possibilidade de concessão de liminar. esse prazo de ano e dia é um prazo decadencial porque se passou de ano e dia. É por isso que só a reintegração e a manutenção de posse se adéquam a essa configuração bipartida da força nova e da força velha. cumpre agora entrar em um ponto novo. você decai de um procedimento mais abreviado e apenas lhe sobra um procedimento mais vagabundo que é o ordinário. Mas você é lento e demora mais que ano e dia para ajuizar a ação possessória. Em sede dos aspectos procedimentais das ações possessórias existem as ações possessórias de força nova e as ações possessórias de força velha. como é que pode existir um interdito proibitório de força velha? Como é que pode existir uma agressão iminente já depois de ano e dia? É incompatível. CC faz a separação da causa de pedir das três ações possessórias. de rito. CC: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação. 1210. O art. que são os aspectos procedimentais das ações possessórias. Mas se o Santino foi agredido na sua posse. com a possibilidade da concessão de liminar. O art. você ainda terá ação possessória. Ela só é adequada à reintegração e à manutenção de posse. Então. 1210.

927. . segundo. recorte de jornal) do art. qual seja. o que você quer é o adiantamento da prestação jurisdicional de mérito.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 177 Essa liminar que vocês ganham na ação de força nova é uma liminar de natureza satisfativa ou cautelar? Satisfativa. Qual é exatamente esse juízo de previsibilidade que ele tem que trazer na inicial? O fumus boni iuris é o seguinte. Ele só precisa provar fumus boni iuris do art. o juiz vai conceder ao autor uma segunda oportunidade. O que você quer é que o magistrado lhe conceda hoje em caráter provisório e revogável aquela decisão que ele só concederia ao tempo da sentença. Isso porque quando você pede uma liminar em ação possessória o que você quer é uma antecipação de tutela. que a tutela de mérito seja adiantada já para esse momento inicial. Não é necessário provar periculum in mora. Se essa é uma liminar satisfativa. uma audiência de justificação. sem a necessidade da oitiva da parte contrária. O autor na ação possessória tem que provar três coisas para o juiz: primeiro. ele consegue essa liminar inaudita altera pars. é necessário que o possuidor agredido prove fumus boni iuris e periculum in mora? Não. Qual é a diferença entre as liminares cautelares para as liminares satisfativas? As liminares cautelares são aquelas que visam garantir. Isso é o fumus boni iuris. Não nas liminares de natureza satisfastiva. assegurar a utilidade e a eficácia de um outro processo que está em andamento. O que nós temos aqui é uma liminar satisfativa. 927. que essa agressão se deu a menos de ano e dia. CPC. que ele exercia o poder de fato sobre a coisa. pois o periculum in mora só é necessário ser provado nas liminares de natureza cautelar. Se o possuidor trouxer prova documental (fotos mostrando que a fazenda dele foi invadida. Não é o caso. CPC. Se o autor da ação possessória não tiver prova documental o juiz vai extinguir essa demanda? Não. É por isso que as liminares de natureza satisfativa são chamadas de liminares de natureza material porque o que se quer verdadeiramente é que a tutela seja atendida já no momento inicial da demanda. que ele sofreu uma agressão e terceiro.

se ele não contestou. Isso não é inconstitucional. o máximo que o réu. ele é citado para formar a relação processual. O contraditório vai ser diferido em uma fase sucessiva. O que acontece é que nessa audiência de justificação eu estou ainda na fase inicial do processo possessório que é uma fase de cognição sumária. pode fazer é contraditar a testemunha do autor. Se o juiz concede a liminar ou não concede a liminar na audiência de justificação. qual é o recurso cabível contra essa decisão? Agravo porque isso é uma decisão interlocutória. como é que ele vai provar? Então. Então. Apesar de ser uma citação muito singular. se o réu pudesse trazer a prova haveria uma inversão procedimental porque o réu só pode provar depois de ter postulado. O réu pode trazer as testemunhas dele? Claro que não. Como isso aqui não é aula de processo civil. mas ele não pode trazer a sua prova nesse momento inicial. Não vou entrar nessa parte processual. Então. ele não é citado para pagar em 24 horas. O réu vai ser citado para comparecer na audiência de justificação? Claro que o réu vai ser citado para comparecer. Ele vai ser citado porque esse vai ser o comparecimento inicial dele na demanda. Ele pode questionar a testemunha do autor. segundo o STJ. é de instrumento porque existe a urgência na necessidade de se revogar essa ordem judicial. E mais. eu vou fazer só mais uma pergunta: Pergunta de aluna: inaudível. É como diz na norma de execução: o réu será citado para pagar em 24 horas. mas vocês lembrem que há o agravo de instrumento com efeito suspensivo ou de efeito ativo.: o réu é citado. se isso é uma fase unilateral. eu só estou trazendo detalhes óbvios. Na verdade. já que ele não havia conseguido prova documental suficiente para demonstrar que a posse dele foi agredida. conforme a decisão seja positiva ou seja negativa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 178 Haverá uma audiência de justificação e nessa audiência de justificação o autor da ação possessória irá trazer prova testemunha. 927. Agravo de instrumento porque apesar da regra agora ser o agravo retido. Resposta do prof. CPC. isso não é violação ao contraditório. . Ele não será citado para a defesa nesse momento. é claro que o réu não pode trazer as provas dele. O réu já contestou aqui? Não. É uma fase de cognição superficial e unilateral que é deferida ao autor para que ele prove os requisitos do art.

por que a possessória também não teria já que ela caiu para o rito ordinário? Mas em prova de concurso eu dificilmente consigo imaginar uma antecipação de tutela em uma demanda de força velha. Santino. que ajuizou ação de força velha.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 179 Como a aula é de direito civil. 927 do CPC ou conseguir a antecipação de tutela? . Pode o Santino. a obtenção de tutela antecipada. Essa liminar é uma liminar específica. mesmo tendo começado pelo rito especial? Porque a necessidade de pressa. 273 do CPC para conseguir a liminar que ele não obteve porque não é demanda de força nova? A posição hoje majoritária na doutrina é que na demanda de força velha é possível. enquanto o art. o processo sai do rito especial e a partir da contestação ele vai para o rito ordinário. Concedida ou não a liminar. buscar tutela antecipada do art. Por que é que concedida ou não a liminar o processo sai do rito especial e vai para o rito ordinário? Por que quando entra na fase de contestação o processo passa para o rito ordinário. O segundo argumento dos processualistas é que qualquer demanda que está no rito ordinário Não tem a possibilidade de receber tutela antecipada? Então. mas você foi lento e ajuizou depois de ano e dia. 273. CPC. se você ajuíza uma ação possessória. à luz do art. é uma liminar específica de tutela. 273. A tutela antecipada é independente da liminar da ação de força nova. CPC. você tem uma ação de força velha. O juiz naquele caso se adere aos fundamentos que ele concedeu naquela medida e ele só pode amanhã alterar a sua decisão quando provocado pelo recurso do agravo. de celeridade judicial só havia no sentido de saber se era caso ou não de concessão de liminar para o autor. Concedida ou não concedida acabou a pressa. Basta vocês entenderem o seguinte: o que é mais fácil? Conseguir a liminar do art. São duas situações que não podem ser comparadas. eu só quero perguntar o seguinte para vocês: o juiz pode alterar a decisão dele fora da via da liminar? Sem que a pessoa impetrasse o agravo? A posição do STF hoje é negativa. Quais são os argumentos dos processualistas? O primeiro argumento é que os requisitos da liminar na ação de força nova não são os mesmos requisitos da tutela antecipada do art. 273 é uma antecipação de tutela genérica.

reconvenção e exceção. Art. Quando o réu contesta. além de dizer que foi o Nelson que agrediu a sua posse e ele pedir proteção possessória? Quais são as três formas de defesa que vocês conhecem? Contestação. Quando o réu contesta. Flávio pode chegar em defesa e dizer que não agrediu ninguém. . Já no art. CPC exige-se o periculum in mora. Art. o réu deduz pretensão? Não. que ele me agrediu. São ações de natureza dúplice. 922. 273 eu tenho que ter um juízo de probabilidade. Se eu ajuízo uma ação possessória contra Flávio dizendo que ele me esbulhou. me parece quase que impossível a antecipação de tutela diante de uma força velha. A única forma de o réu deduzir pretensão é na reconvenção. É muito mais grave do que o juízo de mera possibilidade. Se dois condôminos querem dividir um terreno. de quase certeza. Na prática. CPC. ele não deduz pretensão. me colocou para fora. Aqui.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 180 Conseguir a liminar do art. 927. 315. Qualquer um pode ser autor e qualquer um pode ser réu. É uma ação possessória. Qualquer um dos condôminos pode ser autor e qualquer um pode ser réu. Vocês podem me perguntar: como é que o réu irá deduzir pretensão contra o autor? As ações possessórias não estão na regra. Quais são as ações dúplices mais tradicionais que vocês conhecem? Uma ação demarcatória é uma ação dúplice? É. pois qualquer um dos proprietários vizinhos pode demarcar. No art. a ação de divisão é dúplice? É. CPC. Já no art. 927 não se exige o periculum in mora. Qual vai ser o periculum in mora da pessoa que demora mais de ano e dia para ajuizar a ação? Se houvesse periculum in mora ele teria ajuizado ação logo depois da agressão. 273. Quando surgem as ações de natureza dúplice no processo civil? As ações de natureza dúplice surgem nos casos em que as posições de autor e réu são imprecisas. São aquelas ações em que a legitimidade ativa e a legitimidade passiva são variáveis. basta ter o fumus boni iuris.

922 do CPC. Mas cuidado. pois elas são ações de natureza dúplice mas têm duplicidade limitada. Ele faz o contra-ataque nos próprios autos sem a necessidade de reconvenção. Quem estiver com o art. quer indenização e desfazimento das construções que Nelson fez. Tem que ser pela via da reconvenção porque está fora dos estreitos limites do art. pode ser pela via dúplice? Não. Em segundo lugar o juiz vai dizer: julgo procedente o pedido contraposto de Flávio contra Nelson. ou seja. É uma natureza dúplice porque quando o juiz der a sentença. . mas vai julgar duas pretensões. Flávio consegue evitar o êxito do autor e a sua defesa consegue autoridade de coisa julgada. esta será formalmente uma. A defesa dele agora está coberta pelo manto da definitividade. que é o réu. Deduzir pedido contraposto é justamente a possibilidade do réu deduzir uma pretensão contra o autor. São os dois únicos pedidos que ele pode deduzir pela via dúplice. que é o Flávio chegue na contestação e deduza um pedido contraposto. Se ele pede desfazimento das construções. Se o Flávio. mas materialmente dúplice. 922. o autor ou o réu podem se dizer possuidores da coisa. ele é que quer pedir a reintegração. admite-se que o réu. A situação deles é uma situação marcada pela transitoriedade. ou seja. indeterminadas e voláteis. É por isso que as ações possessórias (art. O que o réu Flávio ganha quando o juiz julga procedente o pedido contraposto dele contra o Nelson? A sua defesa ganha autoridade de coisa julgada. na contestação fala que ele é que quer se proteger do Nelson. As possessórias são ações dúplices porque os conflitos possessórios são estáveis. ou seja. Como a posição de autor e réu são posições muito transitórias.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 181 E o mesmo se diga das possessórias. CPC) são ações de natureza dúplice. 922 do CPC na mão observará que o tipo de pretensão que o réu pode deduzir em reconvenção é o pedido de proteção possessória cumulado com indenização. Primeiro o juiz vai dizer: julgo improcedente a pretensão de Nelson contra Flávio. o juiz vai dar uma sentença. o réu não se limita a defender.

mas é uma ação dúplice limitada até um determinado ponto previsto pelo art. mas não a posse como um fato. A finalidade da ação possessória é preservar uma situação fática de posse que era exercida. Então. Primeira delas: Nelson vendeu um apartamento para Washington. era decorrência de um direito de alguém sobre uma propriedade. Se o Washington virou dono. O sujeito passivo da imissão da posse é o alienante da coisa. Já que vocês viram essa parte procedimental das ações possessórias eu pergunto a vocês: vocês lembram daquele quadro que eu fiz da divisão entre o juízo possessório (ius possessionis) e o juízo petitório (ius possidendi). Quando é que vocês utilizam a ação de imissão de posse e quando é que vocês utilizam a via reivindicatória? Essas são as duas ações petitórias mais relevantes. No caso em tela. mas proteger a posse como direito. . lembrem-se: é uma ação dúplice. A idéia do juízo petitório não era proteger a posse como um fato. 922 do CPC. Se eu sou proprietário. eu transfiro a propriedade e a posse. eu tenho direito à posse. A causa de pedir era a propriedade e a posse vinha justamente com outra noção.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 182 Por isso. mas foi agredida. eu somente transferi a propriedade. qual seja. Existem duas diferenças significantes. É a imissão porque essa ação tem duas características: é uma ação ajuizada pelo adquirente para ter a posse pela primeira vez. Mas o alienante Nelson continua no imóvel e diz que não irá sair de lá. Washington é dono e quer entrar pela primeira vez na posse. Quando eu vendo uma coisa. O juízo possessório visa proteger uma posse como um fato. A posse eu quis guardar. mas sim em razão de uma relação jurídica emanada da propriedade. Washington comprou o apartamento e o registrou no RGI. Todas essas questões que eu acabei de colocar concerne à distinção entre as ações possessórias de força nova e as ações possessórias de força velha. o que o Nelson transmitiu para ele além da propriedade? A posse. Qual é a ação que o novo proprietário tem para se investir na posse pela primeira vez? Imissão da posse.

ou seja. Eu te cedi a posse indireta e a possibilidade de você ter a reintegração que é a restituição da coisa. 1228. Nelson tinha a posse indireta e Flávio a posse direta.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 183 Então ele ajuíza a imissão de posse para consolidar os poderes dominiais de usar e fruir da coisa. É a ação reivindicatória porque a reivindicatória é uma ação que tem no pólo passivo não o alienante. Washington. Olha o § único do art. O sujeito passivo na reivindicatória é o erga omnes. Nelson transmitiu a posse indireta para Washington. Quando Washington foi entrar pela primeira vez no imóvel. dispor e haver a coisa contra quem injustamente a possua. ele já pode ajuizar a ação de reintegração de posse. Zé Rainha estava lá. ou seja. gozar. e como tal tem direito à posse. Qual é a ação que o Washington. clandestinidade ou precariedade. . o meu caseiro. Santino. Então. de acordo com o art. 1267. o novo proprietário tem para tirar o Flávio do imóvel? Reintegração de posse. se alguém te tirou de lá com violência. Que ação Washington tem contra Zé Rainha? Ação reivindicatória. mas você foi embora e o abandonou por 2 anos. Nelson tinha feito o contrato de comodato com Flávio. você pode usar. CC. pois somente há ação possessória se você sofreu uma agressão a sua posse. também é imissão de posse. Que ação você tem para retirar o Jarbas de lá? A ação de imissão de posse. Quando o Washington quis entrar pela primeira vez no imóvel que ele acabou de comprar quem estava lá era Flávio que era um comodatário de Nelson. como o Washington é o novo proprietário e. E se ele é o novo dono e tem a posse indireta. se é contra o Jarbas. O Santino tem que ação para retirar a Alessandra de seu imóvel? Ele tem reintegração de posse? Não. você é dono deste imóvel. CC: “Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa que se encontra em poder de terceiros”. já que essa ação é contra o alienante e contra ou um detentor a ele vinculado. Washington já é proprietário. Não há ação possessória porque nenhuma posse foi agredida. que não queria sair de lá de jeito nenhum. você foi ao imóvel que eu te vendi e quem estava lá era o Jarbas. mas o erga omnes. Nesses 2 anos que você abandonou o imóvel a Alessandra entrou no terreno. Então.

mas tem direito a ela. a sua posse era justa. A Carvalho Hosken já está possuindo esse apartamento há 6 meses. Mas se após o sexto mês ele não quer devolver. Mas você é carecedor de ação na reintegração de posse porque você não tem o fumus boni iuris. E se a sua posse é injusta por precariedade. Não necessariamente o Santino irá ganhar a reivindicatória. Felipe quando vendeu o apartamento colocou no contrato a cláusula constituti. CC). eles acordaram o seguinte: Felipe iria ficar 6 meses morando no seu apartamento e após esses 6 meses você entregaria para eles e iria morar no novo apartamento. O segundo e último exemplo que eu tenho antes de avançar a aula é o seguinte: Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 184 O Santino pode ajuizar ação reivindicatória porque a palavra mágica da reivindicatória é reaver aposse que um dia você já teve (art. Como o prédio novo ainda não estava pronto. qual seja. 1228. você tem um apartamento no Grajaú e a Carvalho Hosken (construtora) compra o seu apartamento porque ele trocou esse apartamento por um novo desta construtora. Nem sempre o autor da ação possessória vai ter que demonstrar que a posse dele era uma posse no plano do fato real. a sua posse ter sido agredida. Ele passa a ter aposse direta do imóvel e a construtora passa a ter uma posse indireta por uma relação jurídica. Sr. O constituto possessório é uma aquisição de posse por ficção. Nesses 6 meses que Felipe tinha a posse direta. Qual é a ação que a construtora tem para tirar o Felipe desse apartamento? Ação de reintegração de posse. Paulo. cabe uma ação de reintegração de posse. uma cláusula contratual. que ele continua como comodatário do imóvel. a sua posse passa a ser injusta por precariedade. No final do 6o mês o Felipe se negou a sair do imóvel. O Felipe que possuía como proprietário passa a possuir como comodatário. Às vezes esse fato da posse foi uma ficção. o seu pai. ou seja. é um cara milionário. ele está esbulhando Carvalho Hosken e se ele está esbulhando. Isso é uma inversão do título da posse pelo qual aquele que possuía a coisa em nome próprio passa a possuir em nome alheio. Simplesmente essa cláusula contratual – cláusula constituti – te colocou na posição de possuidor. Mas . Para você ser possuidor não precisa estar na coisa. Felipe.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 185 Washington não gosta de dinheiro. que vocês saibam concatenar a mensagem teórica que eu passei para vocês com o mundo prático. 5o diz que a propriedade tem que gerar a sua função social. mas ela não concede a esse imóvel legitimidade e merecimento. automaticamente transmite para os herdeiros a propriedade e a posse dos seus bens. XXII. ela tem o imóvel em seu nome. visto que por sucessão ele não adquiriu somente a posse. quem estava lá? Zé Rainha. É isso que as provas da PGE. CRFB/88 diz que é garantido o direito de propriedade e o inciso XXIII do art. ou seja. Após um tempo. ou seja. que nunca na vida colocou as mãos na fazenda do seu pai. mas também a propriedade. o réu é o Zé Rainha. Está correto também quem penso em reivindicatória. O art. Já estudamos a função social da propriedade nas aulas anteriores. você resolve voltar para o Brasil para ver o que o seu pai deixou de herança. pois a pessoa formalmente é proprietária. que ação ele tem para tirar o Zé Rainha de lá? Ação de reintegração de posse. Washington. para conhecer as fazendas que o seu pai deixou em Goiás. Em primeiro lugar. Defensoria querem. Washington é um monge budista e foi para o Nepal. mas ela não concede a este bem a destinação social que o ordenamento jurídico desejava. PGM. uma breve lembrança: para eu poder falar de função social da posse eu vou lembrar o que é função social da propriedade para ninguém confundir. O que é função social da propriedade? A função social da propriedade se materializa naqueles casos em que a pessoa tem titularidade. Isso é uma propriedade sem função social. Vamos estudar agora a chamada função social da posse. Você está há dez anos no Nepal quando recebe a notícia que o seu pai morreu no Brasil. Quando você chega lá alguns anos após a morte do seu pai. 5o. tem o registro em seu nome. E cabe a reivindicatória porque o réu é o erga omnes. Ele tem reintegração de posse pelo princípio de Saisine. quando uma pessoa morre. Esse é outro exemplo de posse adquirida por ficção. .

Ou seja. Então. na função social da propriedade eu estou querendo examinar se o proprietário na sua trajetória isolada concedeu destinação social ao bem. Isso é uma questão de proporcionalidade. O que prevalece? A situação do proprietário pelo só fato dele ser proprietário ou a certeza da situação jurídica do possuidor que não é proprietário. mas não pelas mãos do proprietário. O legislador trouxe três hipóteses claras de ponderação na função social da posse. Vale dizer. mas ele frustra as expectativas metaindividuais sobre o exercício da propriedade. Numa questão de concurso eu quero que vocês digam que existem três aplicações legislativas do princípio da função social da posse. ambientais que dizem respeito a toda ação de função social. Isso é uma situação de balanceamento. Em . É um plus porque agora eu já não estou narrando para vocês a trajetória isolada de um proprietário. A função social da posse é uma propriedade que recebe função social. de colisão. e sim através de outra pessoa. Eu estou trazendo uma situação de tensão entre duas pessoas: o proprietário que se esqueceu de dar função social ao que é dele e um possuidor que entrou lá e passou a dar a função social que o proprietário deveria ter concedido. é o possuidor. Mas esse alguém não é o proprietário. Essa é a lógica da função social da posse. Vocês não concordam comigo que na função social da propriedade eu estou avaliando se eu devo ou não sancionar um proprietário inadimplente com a função social. pois isso é uma tensão entre direitos fundamentais. é claro que não existem respostas a priori. E a função social da posse? A função social da posse é um plus em relação à função social da propriedade. A função social da posse é um plus porque na função social da posse alguém está dando função social à propriedade. ele concede utilidade individual ao bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 186 A pessoa do proprietário não atende às normas urbanísticas. mas que concedeu função social? É claro que não existem respostas prontas.

Ihering entendia que assim como o homem vinha do macaco. Isso é função social da posse. CC que trata da vedação à exceção de propriedade. A primeira função social da posse se encontra na chamada usucapião dos arts. A lei diz que se você for possuidor. A função social da posse está na usucapião ordinária e na usucapião extraordinária. isso era uma demonstração clara de que o legislador entendia que a propriedade era um direito superior à situação do possuidor. . Vocês entenderam porque não é função social da propriedade. Isso é uma aplicação normativa do princípio da proporcionalidade. Serei mais rápido naquelas que vocês já estudaram comigo. tomar conta. A aula de ontem é uma excelente demonstração de função social da posse. ele irá usucapir em 10 ou em 15 anos? Em 15 anos. Enquanto o código civil de 1916 admitia a exceção de propriedade. 1238 e 1242. vigiou o terreno. o que vai fazer variar o prazo de 15 ou de 10 anos? A função social da posse. § único. o prazo vai caindo para 5 anos. mas à medida em que você for dando função social. A visão de Ihering era a visão de Darwin. Quando uma pessoa é possuidora e quer usucapir. CC). que a propriedade sempre triunfava sobre a posse. Se um possuidor ficou possuindo o imóvel. por que é da posse? É função social da posse porque eu estou em uma situação de tensão entre o proprietário inerte e o possuidor que concedeu função social. A segunda situação de função social da posse é o art. ele vai reduzir o prazo de 15 para 10 anos se for usucapião extraordinária ou irá reduzir de 10 para 5 anos se for a usucapião tabular (art. 1242.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 187 uma delas eu serei mais rápido e nas outras duas serei mais demorado. mas ele cercou o terreno. Mas se além desses atos de posse ordinária ele der moradia ou realizar investimentos econômicos no bem. CC. O que é que o proprietário poderia fazer antes no novo código civil quando fosse chamado como réu numa ação possessória? O que ele poderia alegar em defesa em uma ação possessória? Ele poderia alegar que ele era dono. a posse era um ser primitivo e a propriedade era um ser visualizado sob uma ótica contemporânea. §2o. 1210. você vai usucapir em 10 anos.

hoje em dia a sua alegação em defesa de que você é o dono ajuda? Não. independente dessa pessoa ser ou não proprietária. mantém-se o possuidor. Flávio (vou usar um nome fictício) era dono de um grande loteamento na periferia de São Paulo. o novo código civil fala que se vier uma ação possessória e você Washington é o proprietário. Em 1960. o recado do novo código civil é que quem vence a ação possessória é quem estava dando função social à posse. Então. A terceira situação de função social da posse é a chamada desapropriação indireta judicial. São direitos fundamentais distintos. eu falo no estudo da posse. Em homenagem a esse direito social fundamental de moradia. pois a posse não é melhor do que a propriedade e a propriedade não é melhor do que a posse. A base constitucional da posse e está sendo da função social é o direito fundamental de moradia do art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 188 E se a propriedade era uma evolução sobre a posse. a propriedade sempre tinha que triunfar sobre a posse. Art. Quem estava dando ingerência sócio-econômica? Quem estava exercendo a posse como um fato? Quem estava dando utilidade à coisa? Quem estava dando destinação ao bem? Quem estava dando ao bem uma finalidade conforme a Constituição? É o possuidor. Mas isso não é verdade. eu não falo da desapropriação indireta no instituto da propriedade. CC. É o prestígio da função social da posse. Essa é que é a razão que está por trás da vedação à exceção a propriedade. §4o. Não interessa quem é o proprietário. é o réu. Para falar sobre desapropriação indireta judicial eu vou falar sobre um caso real que foi decidido pelo STJ e esse caso dá toda base que vocês têm que ter para o entendimento da matéria. pois isso é função social da posse. O que interessa é manter a posição de quem estava dando ingerência sócio-econômica à coisa. Essa alegação não ajuda em nada porque no momento em que o código civil veda a alegação de exceção de propriedade. Não é função social da propriedade. 1228. É um direito social fundamental. É o famoso caso da favela Pulman lá de São Paulo. . Só por uma curiosidade para quem tem o meu livro de direitos reais. 6o da CRFB/88. Um não tem nada a ver como o outro.

vocês peguem o Resp no 65659 de São Paulo. visto que ele é proprietário e ele tem direito à posse. O STJ vem com um exemplo de perecimento muito melhor: o Flávio não pode reivindicar essa propriedade. Depois de 20 anos Flávio voltou ao seu loteamento e viu que tinha virado uma favela. Houve o perecimento da propriedade. . Eles fizeram as suas casas e o município colocou equipamentos urbanos na favela. mas não ganhou. mas não é uma realidade no plano social. CRFB/88 garantir o direito de propriedade. E ele só tem legitimidade se ele ostentar função social. Em casa. É por isso que julgou-se improcedente por esse primeiro argumento. O segundo argumento foi: hoje para o proprietário ajuizar uma ação reivindicatória não basta ele ter titularidade. A fotografia que o cartório tem desse imóvel não corresponde à fotografia que a realidade tratou de criar nos últimos 20 anos. esse documento que o Flávio tem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 189 Mas Flávio abandonou esse loteamento e durante 20 anos trinta famílias entraram no loteamento dele e fizeram uma favelinha conhecida como favela Pulman. Ele resolve. XXII. qual é o único exemplo que o professor dá sobre perecimento? Ivo Pitangy tem uma ilha em Angra. Segundo o STJ. essa escritura. então. Ele ajuizou a ação reivindicatória. ajuizar uma ação reivindicatória. visto que perecendo a coisa. E que o Direito só pode ser entendido como tal se ao aspecto normativo for agregado o aspecto valorativo. 5o. ele tem que ter legitimidade. Além do fato do art. Quais foram os dois argumentos para o TJ de São Paulo julgar improcedente a demanda reivindicatória? Primeiro argumento: quando vocês estudam direito de propriedade na faculdade. perece o direito. O que o STJ fez foi confirmar o voto do Desembargador José Osório. Vem um tsunami e a ilha é tragada pelo mar. A realidade jurídica foi possuída pela realidade fática. pois a propriedade dele pereceu visto que o loteamento dele foi tragado pela favela. esse registro é apenas uma relíquia histórica porque este documento jamais poderia ter força maior do que a realidade criou. Aquele loteamento é uma realidade no plano jurídico.

é uma desapropriação. Vou ler dois extratos da decisão para vocês verem como a coisa é séria. XXIV. Se são tragados por uma favela consolidada. ele sequer seria indenizado. CRFB/88 fala que a desapropriação por interesse social se dará nas hipóteses previstas em lei. A realidade concreta prepondera sobre a pseudorealidade jurídico cartorária. em um momento posterior. § 4o. Loteamentos são realidades urbanísticas. é que o proprietário será indenizado. pois o art. por força de uma erosão social deixam de existir como loteamento. isso é uma desapropriação judicial indireta. Então. Os lotes do terreno reivindicado não passam de abstração jurídica. CC. é uma ficção. mas sim o Poder Judiciário. É por isso que a demanda foi julgada improcedente. 5o.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 190 E esse proprietário não ostentou função social porque ele abandonou esse imóvel por longos anos a ponto de todas essas famílias terem formado o seu meio de vida. A realidade urbana é outra. Isso não é comunismo. E olha a foiçada que o Tribunal ainda deu nele: “e peça indenização a quem de direito”. Abram o art. 1228. isso não é Karl Marx. A desapropriação judicial indireta é constitucional? Claro que é. Isso é justamente uma aplicação concreta da desapropriação judicial indireta. Primeiro esse pessoal ocupa o imóvel e depois da ocupação. . ele vai perder a propriedade. Então. Vamos começar. Por que isso se chama desapropriação e não usucapião? Isso se chama desapropriação porque por mais que o proprietário perca a propriedade. É um modo de aquisição originário da propriedade. É judicial porque pela primeira vez no direito brasileiro quem está desapropriando não é o Poder Legislativo e nem o Poder Executivo. A mesma coisa acontece aqui. Esta não pode subsistir em razão da perda do objeto do direito de propriedade”. que só existem dentro de um contexto urbanístico. “No caso dos autos a coisa reivindicada não existe. ele será indenizado. A favela já tem vida própria. Por que indireta? Quando se dá a desapropriação indireta no direito associativo? Primeiro o Poder público ocupa o imóvel de vocês e depois ele te indeniza. Se fosse usucapião. É o juiz que estará desapropriando dentro do devido processo legal.

Qual é a primeira conduta do juiz em ações como essa? Convoca a União se for imóvel rural ou convoca o município se for imóvel urbano. Ainda mais que eles já realizaram gastos de investimentos nesse bem. §4o. É a regra geral porque se porventura essas famílias pobres fossem obrigadas a indenizar o Flávio pela propriedade. Se é o poder público que está desapropriando. seria melhor jogar essa norma do Código civil no lixo. se for imóvel rural. é claro que a iniciativa da regularização fundiária tem que ser do Poder público. pois essa norma irá perder toda a sua eficácia social porque essa gente não terá condição econômica de indenizar o Flávio pela propriedade desapropriada. Então. Para vocês verem como tem muita coisa no CJF sobre esse particular e o primeiro deles é o enunciado 82 do CJF. Nesse caso de famílias carentes quem vai indenizar será o município. Então. Enunciado 82. CC. Portanto. Hoje eu vou ler 12 enunciados do CJF. . É claro que eu concordo com vocês que a regra geral é que quem vai pagar vai ser o poder público. Seria uma impossibilidade jurídica. 1228. é ele que deve indenizar. Qual é o argumento para que a União indenize em caso de imóvel rural e para que o município indenize em caso de imóvel urbano? O argumento é que isso é uma desapropriação baseada no interesse social e se o que se visa aqui é dar função social. Vocês podem questionar que o poder público não está na lide. Tanto existem casos em que quem vai pagar são os próprios possuidores e em outros casos quem pagará será o Poder público. essa é uma nova espécie de desapropriação criada por lei. eles não poderiam ser castigados a novamente pagar valores ao proprietário. se for imóvel urbano e a União. CJF: é constitucional a modalidade aquisitiva de propriedade imóvel prevista nos §§ 4o e 5o do art. A segunda pergunta é a seguinte: quem é que vai pagar o Flávio? As trinta famílias ou o Poder público? A resposta é depende.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 191 Isso é uma nova espécie de desapropriação cuja finalidade é satisfazer o interesse social dessas pessoas que se estabilizaram nesse imóvel e a desapropriação por interesse social pode ser reservada à discricionariedade do legislador que a instituiu no art. claro que ela é constitucional. 1228. Quem desapropria é quem indeniza.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 192 O juiz traz a União e o município justamente para que se faça coisa julgada perante elas para que elas sejam condenadas a indenizar. pois nesse caso a satisfação não é de um interesse social ou urbanístico. três famílias tendo sustento aqui já é o suficiente para aplicar essa norma. É um interesse privado deles. Eles estão nessa oficina há sete anos ganhando muito dinheiro com essa oficina. Esses três podem alegar na defesa da ação reivindicatória a desapropriação indireta judicial? Podem. §4o: são três famílias que estão nesse terreno há mais de cinco anos e realizaram obras ou serviços de cunho econômico. CC que tem direito a essa desapropriação só quem é pobre? Não. que é o local por excelência desses conflitos. E se é um interesse privado. Então. Deixa eu dar um exemplo para vocês entenderem bem quando é que os possuidores vão pagar em pessoa. E se esse terreno onde tem essa oficina é de 1000 m2. esses conceitos jurídicos indeterminados “extensa área” e “considerável número de pessoas” têm que ser aferidos em cada caso concreto. Considerável número de pessoas é um conceito jurídico indeterminado. Depois de sete anos o proprietário aparece e ajuíza uma ação reivindicatória para colocar os três para fora da oficina. por exemplo. Imagina que tem um terreno em Caxias e três amigos se unem para fazer uma oficina de automóveis. Eles é que vão pagar. Isso já é suficiente para que o juiz julgue improcedente a pretensão reivindicatória. eles que paguem. §4o. O código não fala que essa desapropriação indireta é para fins de moradia. 1228. Quando é que quem vai indenizar são os próprios possuidores? Está escrito no art. 1228. Em Brasília. Olha os requisitos do art. nem sempre é só o pobre que vai se beneficiar dessa desapropriação indireta judicial. As três famílias vão ficar com a oficina e vão indenizar o proprietário pelo valor do terreno. Se não está falando de renda. Esse é o primeiro aspecto. para um terreno deste tamanho. existem vários imóveis onde moram pessoas de classe alta e classe média alta que estão fora de regularização e essas famílias vão utilizar a desapropriação judicial e quem vai pagar amanhã são essas pessoas que têm condições econômicas. .

Mas se forem pessoas de baixa renda. Não sendo possuidores de baixa renda. Eu sempre achei essa posição injusta. que há o interesse na desapropriação. pois às vezes quem deve pagar é o poder público. O enunciado 84 fica mantido nos casos em que os possuidores não forem pessoas de baixa renda. quem vai pagar vai ser a União se for imóvel rural ou o município se for imóvel urbano nas políticas sociais de reforma agrária para imóvel rural e no estatuto da cidade para o imóvel urbano. Isso é um pedido contraposto. é uma extensa área. O juiz não pode nesse caso se manifestar porque é uma questão de simples conveniência dos particulares. O Flávio vai ser indenizado em dinheiro ou em títulos da dívida pública? Em dinheiro. Flávio ajuizou a reivindicatória. O enunciado 84 diz que quem deve pagar a indenização são os próprios possuidores que se tornarão proprietários. Pode o juiz de ofício falar que é caso de desapropriação indireta judicial? Não pode. . Os réus têm que deduzir o pedido contraposto dizendo que a demanda deve ser julgada improcedente porque nós estamos aqui há mais de cinco anos. Recentemente o CJF manteve parcialmente o enunciado 84 porque ele editou o enunciado 308. Eles que aleguem que há o interesse na aquisição do bem. A desapropriação indireta judicial tem que ser alegada em defesa pelos possuidores. pois título da dívida pública é só naquelas hipóteses constitucionais restritas de desapropriação sanção dos arts. nós somos um considerável número de pessoas e realizamos um investimento considerável. 182 e 184 da CRFB/88. Enunciado 308. Os réus não se manifestaram sobre a desapropriação indireta judicial. CJF: a justa indenização que será paga ao proprietário em caso de desapropriação judicial somente será suportada pela Administração pública quando estiver no contexto das políticas públicas de reforma agrária ou urbana em se tratando de possuidores de baixa renda e desde que tenha havido a intervenção do Estado nos termos da lei processual. aplica-se o enunciado 84. Varia de caso a caso.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 193 Não tem como sair com uma solução legislativa redigida a princípio fechada. sendo eles próprios os responsáveis pelo pagamento da indenização. O CJF entendeu o seguinte no enunciado 84: a defesa fundada no direito de aquisição com base no interesse social deve ser argüida pelos réus da ação reivindicatória.

Vocês têm que perceber que o valor de mercado vai ser de alguma forma reduzido em decorrência de gastos que essas pessoas realizaram e que gerou valorização na coisa. é possível usucapião de bem público? Não. Mas se for bem público patrimonial. mas a justa indenização será uma ponderação dos interesses do proprietário com os interesses dos não proprietários. 1228 do Código civil. 1228 fala que ele vai receber justa indenização. que . se a valorização se debita à conduta dos que estavam possuindo o terreno? Ele vai ser indenizado. Isso aqui é uma desapropriação judicial indireta e ela tem que ser alegada em defesa. A posição inicial do CJF no enunciado 83 era que se o imóvel é público não cabe ao réu na defesa alegar desapropriação judicial indireta. Podem os possuidores abater da indenização o valor que eles gastaram com benfeitorias na coisa? Podem. Eles vão abater com as benfeitorias que eles realizaram na coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 194 Como neste caso não se trata de desapropriação sanção. Cabe desapropriação judicial indireta se esse povo está possuindo o imóvel e o proprietário é o poder público? Vamos ver o enunciado 83 do CJF: Nas ações reivindicatórias propostas pelo poder público não é aplicável o §4o do art. Como é que uma pessoa que abandona o que é seu há mais de cinco anos. mas como uma ponderação de interesses. que é bem público desafetado. Essa proibição só cabe se o bem público for de uso comum do povo ou se for bem público de uso especial. Ou seja. a justa indenização tem que ser entendida não como valor de mercado. que não dá destinação ao seu bem e os outros é que investem no seu terreno. como é que ele vai se locupletar ilicitamente recebendo o valor de mercado se a valorização do bem não se debita à conduta dele. pois se ele fosse receber valor de mercado seria enriquecimento sem causa. O que é justa indenização? Justa indenização é o valor de mercado desse imóvel? Não. se fosse permitida a desapropriação judicial. Qual era a razão desse enunciado? Evitar uma usucapião por uma via oblíqua. ele tem que ser indenizado em dinheiro. o que o Poder Judiciário estaria permitindo? Que bens públicos se convertessem em bens particulares driblando a proibição da usucapião. se for bem público dominical. O §5o do art. Então. Então.

Flávio. §4o. Órgãos ambientais devem entrar nessa ação porque às vezes quem ocupou o imóvel está destruindo o meio ambiente. Coloquem ao lado do artigo que na reintegração de posse também pode.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 195 não recebe destinação. A boa notícia é que veio o enunciado 304 do CJF que diz o seguinte: é aplicável à desapropriação judicial indireta as ações relativas a bens públicos dominicais. pode ajuizar uma reintegração de posse. CC dá a idéia de que a desapropriação judicial indireta só pode ser alegada em defesa em ações reivindicatórias. Olha o que diz o enunciado 305. se o juiz percebe que os réus na contestação deduzem a desapropriação judicial indireta. O §4o do art. do mesmo jeito. Esse povo entrou no imóvel e permaneceu cinco anos nele. o que o proprietário faria para driblar a proibição da lei? Ele ajuizaria uma reintegração de posse apenas para driblar essa impossibilidade. Mas se os réus completaram cinco anos de posse com todos os requisitos que estão no art. Pelo art. Porque se não fosse essa possibilidade plausível. Mantido parcialmente o enunciado 83. III do CPC o MP deverá intervir obrigatoriamente nas demandas possessórias que envolvam interesses coletivos. o juiz tem que convocar o MP? O MP deve obrigatoriamente participar dessas demandas. 1228. Então. CC eles vão alegar isso seja em nível de demanda reivindicatória. Quando o proprietário aparece. o MP e órgãos ambientais. Pode-se alegar desapropriação judicial indireta em defesa se a ação ajuizada não foi uma reivindicatória. 1228. não é legítimo conceder propriedade a eles se eles estão ofendendo a função social ambiental dos bens. mas sim uma reintegração de posse? Claro que pode. Quem entra nessa ação é o Estado. seja em nível de reintegração de posse. ao invés de ajuizar uma reivindicatória. . 82. CJF: tendo em vista a desapropriação indireta judicial o MP tem o poder-dever de atuar sempre que envolva relevante interesse público determinado pela natureza dos bens jurídicos envolvidos. é claro que os réus podem alegar que o bem público estava abandonado e requerer a desapropriação judicial indireta. O enunciado 83 foi mantido parcialmente porque não cabe desapropriação judicial indireta para os bens de uso comum do povo e os de uso especial.

Já a desapropriação judicial indireta pode ser para pobre. 1228. Não tem um favorecimento específico. mas a titularidade requer que o proprietário seja indenizado. vamos indenizar o proprietário e posteriormente haverá a mudança da titularidade. Quais são as sete diferenças entre a desapropriação judicial indireta e a usucapião coletiva? Essa pergunta já caiu no MPF. Para que haja segurança jurídica. na Magistratura de Minas Gerais e no MP de São Paulo. A terceira diferença é que a usucapião coletiva é somente para pessoas de baixa renda. Caso contrário. seria confisco. O enunciado 311 diz que o proprietário tem que ser indenizado. vocês irão julgar improcedente a reivindicatória. pode ser para trabalho. §4o estão presentes. rico ou classe média. Se em dez anos ele não for indenizado. Já a usucapião coletiva exige o máximo de 250 m2 para cada possuidor. estará autorizada a expedição de mandado para registro de propriedade em favor dos possuidores.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 196 Nesse sentido há o enunciado 307 do CJF que diz o seguinte: é obrigatória a intervenção de órgãos públicos competentes para licenciamento ambiental e urbanístico. . mas tem que ser indenizado dentro do prazo prescricional que é o prazo prescricional de 10 anos. Se vocês são juízes e percebem que todos os requisitos do art. Enquanto o proprietário não for indenizado os possuidores ficam com a situação provisória deles mantida. Enquanto o proprietário não for pago a propriedade pode passar para o nome dos possuidores? Não pode. A segunda diferença é que a usucapião coletiva exige moradia de cinco anos da coletividade. prescreveu e os possuidores passam a ter a propriedade independente de qualquer indenização. Olha o enunciado 311 do CJF: caso o proprietário não seja pago e ultrapassado o prazo prescricional para se exigir o crédito. Já na desapropriação indireta não precisa ter moradia. A quarta diferença é que a desapropriação judicial indireta não exige um máximo de metragem do terreno. A propriedade só pode passar para a nova titularidade quando o proprietário for indenizado. A primeira é a seguinte: a desapropriação gera indenização e a usucapião é gratuita.

que é a ignorância do vício. Muito obrigado. Se por acaso o Washington tem um terreno abandonado e ele arrendou para 20 famílias. mas podem pedir a desapropriação. extensa área. pois 99% dos casos de ocupação de imóveis os possuidores sabem que o imóvel não é deles. A sexta diferença é que na desapropriação judicial indireta a pessoa não precisa ter animus domini. 1228. A sétima diferença é que para ter a usucapião coletiva não precisa ter boa-fé. Eu sempre entendi que onde está escrito boa-fé no §4o do art. Não tinham animus domini. CC.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 197 A quinta diferença é que quando a pessoa quer a usucapião coletiva. . Essas 20 famílias durante oito anos cultivaram arroz neste terreno. Se a desapropriação judicial exige boa-fé. O conceito de boa-fé do art. Já para ter desapropriação judicial indireta o possuidor tem que ter boa-fé. Quando você ajuizar a sua reivindicatória de volta. desde que eles tenham cinco anos. Esse entendimento foi adotado pelo CJF no enunciado 309: os conceitos de posse e de boa-fé de que trata o art. Já na usucapião coletiva a pessoa precisa ter animus domini. 1201 do CC não se aplicam ao §4o do art. O conceito de boa-fé do art. Eles entraram lá porque o bem estava abandonado. São três as situações de função social da posse: na usucapião a redução de prazo. ela não pode ter a titularidade de outro imóvel. 1228. essa boa-fé não é para ser entendida como boa-fé. Isso quer dizer que essa boa-fé significa que esses caras que estão na posse da coisa há cinco anos não entraram lá por violência. boa-fé e desde que tenham dado uma destinação econômica. não é o conceito de boa-fé do art. 1228. §4o. CC. É para ser entendida como não sendo posse injusta. Então. ela nunca vai existir na verdade. Basta ter animus domini. essas são as situações ponderáveis de função social da posse. a vedação da exceção de propriedade e a desapropriação judicial indireta que é uma tensão entre propriedade e posse e irão prevalecer os possuidores. mas na desapropriação judicial indireta ele pode ter outros imóveis. §4o é o de alguém que tenha entrado no bem sem que a posse seja injusta. 1201. eles poderão pedir a desapropriação judicial indireta desde que eles te indenizem pelo bem. clandestinidade ou precariedade. 1228.

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