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NA REDE DE SAÚDE E NA UNIVERSIDADE: A PRECEPTORIA NO

PET-SAÚDE REDES EM FLORIANÓPOLIS/SC

Débora Martini; Karine Elmisan Zolet; Marina Leite Souza; Patrícia Pozzatti Wanzeller;
Thaís Titon de Souza e Samanta Botelho
Instituições: Universidade Federal de Santa Catarina e Secretaria Municipal de Saúde de
Florianópolis/SC
Email: thayyts@yahoo.com.br
Palavras-chave: Sistema Único de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Preceptoria.

PERÍODO DE REALIZAÇÃO
O Pro-PET Saúde Redes Pessoas com Deficiência tem dois anos de duração, iniciado
em agosto de 2013.
OBJETIVO DA EXPERIÊNCIA
O Pró-PET Saúde e Residências Multiprofissionais demonstram a importância do SUS
como cenário de práticas educativas1. Assim, surgiu o preceptor, com um papel pouco
discutido, porém largamente executado nestes contextos. Na experiência dos preceptores do
PET-Saúde Redes Pessoas com Deficiência, acompanhar os alunos exige competências e
responsabilidades, gerando desafios a estes profissionais.
OBJETIVOS
Este trabalho objetivou apresentar a experiência de preceptoria vivenciada, trazendo à
tona a reflexão sobre o papel do preceptor no PET-Saúde, as ações realizadas, as
potencialidades e as dificuldades identificadas nesse processo.
METODOLOGIA
Na metodologia, utilizou-se uma abordagem qualitativa descritiva, caracterizando este
estudo como um relato de experiência. A análise e a apresentação se deram no sentido de criar
descrições substantivas ou uma compreensão mais aprofundada da experiência vivenciada,
buscando promover o conhecimento, a compreensão e a reflexão de seu valor e do contexto
dentro do qual tem operado2.
RESULTADOS
A preceptoria para alunos é uma realidade em várias Unidades de Saúde do município
e no PET-Saúde Redes Pessoas com Deficiência, onde as preceptoras são profissionais de
Enfermagem, Odontologia, Nutrição, Farmácia, Educação Física e Serviço Social, vinculadas
à Prefeitura de Florianópolis, que atuam na ESF ou no NASF. A preceptoria foi desenvolvida
de maneira a integrar as diferentes profissões. Assim, as preceptoras participaram ativamente
do processo de seleção dos alunos bolsistas e auxiliaram na organização de uma proposta de
ações em conjunto com os alunos selecionados e a tutora do grupo.
Devido à heterogeneidade do grupo, foi possível desenvolver trabalhos
interdisciplinares, como a territorialização, a participação em grupos de educação em saúde,
consultas conjuntas com outros profissionais, atividades na escola vinculadas ao PSE, entre
outros. Ainda, a preceptoria se fez presente nos momentos de discussão teórica, mapeamento
da rede de atenção a pessoas com deficiência e na construção da pesquisa a ser desenvolvida
pelo grupo, contribuindo para a educação transformadora e participativa centrada no aluno.
A experiência no PET- Saúde proporcionou momentos de discussão e aprofundamento
dos conhecimentos de forma multiprofissional e interdisciplinar, sendo considerada essencial
para a formação e a transformação de profissionais para atuação no âmbito do SUS. Trata-se
de um processo de educação no trabalho, que tem como finalidade garantir a qualidade da
atenção à saúde, adequada às necessidades da população usuária dos serviços e da equipe4, e
não somente das carências profissionais de qualificação e atualização. A educação em saúde,
como processo político pedagógico, requer o desenvolvimento de um pensar crítico e
reflexivo, permitindo desvelar a realidade e propor ações transformadoras, que levem o
indivíduo a sua autonomia e emancipação, enquanto sujeito histórico e social.
Para as preceptoras, o PET- Saúde mostrou-se como um grande desafio, já que não é
suficiente exercer bem a profissão, é preciso também articular a teoria com a prática, motivar
os alunos, proporcionar a eles novas experiências e agir com vistas à interdisciplinaridade.
Além disso, a preceptoria exigiu planejamento, organização e dedicação para contribuir com o
aprendizado do aluno e, ao mesmo tempo, manter a qualidade do serviço. Esse desafio tornou-
se também uma motivação na medida em que promoveu a ampliação de olhares e saberes
relacionados à formação e ao trabalho para um SUS de qualidade, tendo o cenário da prática
como base para essas reflexões. Consequentemente, as atuações tornaram-se mais elaboradas,
resolutivas, integrais e humanizadas, reforçando o pensamento de que ensinar e aprender
andam lado a lado5.
CONCLUSÃO
Considera-se que o preceptor atua estrategicamernte no processo de ensino, com
posição decisiva no funcionamento das redes de saúde e educação no âmbito do SUS. Porém,
os desafios para a consolidação de uma metodologia participativa e transformadora são
muitos, sendo necessário discutir o papel e responsabilidades do preceptor nesse processo e
promover sua formação de acordo com essa concepção, valorizando seu papel para a
consolidação do SUS.
REFERÊNCIAS
1 Rodrigues CDS. Competências para a preceptoria: construção no Programa de Educação
pelo Trabalho para a Saúde. Dissertação [Mestrado] – Universidade Federal do Rio Grande do
Sul. Porto Alegre; 2012. 101 p. [aceso em 14 agosto 2014]. Disponível em
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/56085/000858993.pdf?sequence=1
2 Worthem BR; Sanders JR; Fitzpatrick JL. Avaliação de programas: concepções e práticas.
São Paulo: Editora Gente; 2004. 730 p.
3 BRASIL.Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Diretrizes Curriculares
para os Cursos de Graduação. Resolução CNE/ CES Nº 3, de 7 de novembro de 2001.
Brasília: Ministério da Educação; 2001.
4 Pagani R; Andrade LOM. Preceptoria de território, novas práticas e saberes na estratégia de
educação permanente em saúde da família: o estudo do caso de Sobral, CE. Saude soc. 2012;
21(1).
5 Freire P. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho D’água;
1997. 127p.