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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

CURSO DE GRADUAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
DISCIPLINA MATEMÁTICA APLICADA

5 Sistemas de Equações Lineares

Equação linear nas incógnitas 𝑥1 , 𝑥2 , ... , 𝑥𝑛 é toda equação do tipo:


𝑎1 𝑥1 + 𝑎2 𝑥2 + ⋯ + 𝑎𝑛 𝑥𝑛 = 𝑏
Em que 𝑎1 , 𝑎2 , ..., 𝑎𝑛 e 𝑏 são coeficientes reais. 𝑏 é chamado coeficiente
(ou termo) independente da equação. Exemplos de equações lineares:
- 𝑥1 − 2𝑥2 + 4𝑥3 = −7 - 4𝑥 − 3𝑦 = −2
-𝑥+𝑦+𝑧=1 - 4𝑥 − 2𝑦 + 3𝑧 − 𝑡 = 0
1 1
- √3 ∙ 𝑥 − 2𝑦 + 𝑧 = − 5 - 2 ∙ 𝑥1 − 4𝑥2 = −3

Observações:
- Numa equação linear, os expoentes de todas as incógnitas são sempre
unitários. Dessa forma NÃO representam equações lineares:
2𝑥1 2 − 𝑥2 = 5 𝑥2 + 𝑦2 + 𝑧2 = 1 𝑥3 − 𝑦2 = 0
- Uma equação linear não apresenta termo misto (aquele que contém produto
de duas ou mais incógnitas). Dessa forma, NÃO representam equações lineares:
2𝑥1 + 𝑥2 𝑥3 = 5 𝑥 + 𝑦 + 𝑧𝑤 = 0 𝑥 2 + 𝑦𝑧 = −4
Dizemos que a sequência de números reais (𝜑1 , 𝜑2 ,..., 𝜑𝑛 ) é a solução da
equação 𝑎1 𝑥1 + 𝑎2 𝑥2 + ⋯ + 𝑎𝑛 𝑥𝑛 = 𝑏 quando a sentença 𝑎1 𝜑1 + 𝑎2 𝜑2 + ⋯ +
𝑎𝑛 𝜑𝑛 = 𝑏 for verdadeira, isto é, quando substituímos 𝑥1 por 𝜑1 , 𝑥2 por 𝜑2 , ... , 𝑥𝑛 por
𝜑𝑛 e, ao fazermos as contas indicadas, obtemos uma sentença verdadeira.
Exemplo 5.1: Obtenha três soluções da seguinte equação linear: 𝑥 − 3𝑦 = −2.
Podemos escolher, arbitrariamente, um valor para uma das incógnitas (por exemplo, x),
e, a partir daí, determinar o valor da outra incógnita:
−3
𝑥=1 → −3𝑦 = −2 − 𝑥 = −2 − 1 = −3 → 𝑦= =1
−3
Logo, o par (1,1) é solução da equação linear.
−2 2
𝑥=0 → 0 − 3𝑦 = −2 → 𝑦= =
−3 3
Logo, o par (0,2/3) é solução da equação linear.
𝑥=7 → 7 − 3𝑦 = −2 → −3𝑦 = −2 − 7 = −9
−9
−3𝑦 = −9 → 𝑦= =3
−3
Logo, o par (7,3) é solução da equação linear.

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Quando temos mais de uma equação linear com as mesmas variáveis,


dizemos que temos um sistema de equações lineares. Um sistema linear 2 × 2, por
exemplo, é um conjunto de duas equações lineares em que 𝑥 e 𝑦 são as incógnitas de
cada uma dessas equações.
Para resolver um sistema 2 × 2, usamos o método da adição, que consiste
em somar, convenientemente, as duas equações, a fim de que se obtenha uma equação
com apenas uma incógnita (fazemos isso multiplicando uma das equações por um
escalar negativo e em seguida somando com a segunda equação, de forma a cancelar,
através da subtração, uma das incógnitas).

3𝑥 + 2𝑦 = 14
Exemplo 5.2: Resolva o sistema de equações lineares 2× 2: {
2𝑥 + 𝑦 = 8
Primeiramente, multipliquemos a segunda equação do sistema (2𝑥 + 𝑦 = 8) por −2:
(−2) ∙ (2𝑥 + 𝑦 = 8) → −4𝑥 − 2𝑦 = −16
3𝑥 + 2𝑦 = 14
Após a multiplicação, o sistema fica: {
−4𝑥 − 2𝑦 = −16
Efetuando a soma:
3𝑥 + 2𝑦 = 14
{
−4𝑥 − 2𝑦 − 16 +
−𝑥 = −2
Assim, 𝑥 = 2. Substituindo 𝑥 em uma das duas equações, encontramos 𝑦:
2𝑥 + 𝑦 = 8 → 2(2) + 𝑦 = 8 → 𝑦 = 8−4 =4
Assim, 𝑦 = 4 e o conjunto solução desse sistema é S={2, 4}.

Outra maneira de resolver um


sistema 2 × 2 é através da interpretação
geométrica das retas das duas equações que
compõe o sistema. Existem três possíveis
combinações entre as duas retas:
1. As retas são concorrentes, e a solução
do sistema é o ponto em que elas se
encontram. No exemplo da figura
abaixo, a solução do sistema
2𝑥 + 𝑦 = 5
{ é o ponto (3,25; −1,5) e
2𝑥 + 3𝑦 = 2
esse sistema é chamado sistema possível e determinado (SPD).

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2. As retas são paralelas, logo nunca se


cruzam, de forma que não existe
uma solução para o sistema. Por
exemplo, o sistema:
𝑥+𝑦 =0
{
𝑥+𝑦 =3
Não possui solução definida, e
também pode ser chamado de
sistema impossível (SI).

3. Sistemas em que uma das


equações é múltipla da outra
admitem infinitas raízes e as
retas de todas as equações são
coincidentes. Por exemplo, o
sistema:
𝑥 + 2𝑦 = 1
{
2𝑥 + 4𝑦 = 2
Possui infinitas soluções e é chamado sistema possível e indeterminado (SPI).
Desse modo, um sistema linear 2 × 2 pode ser classificado de acordo com o
número de soluções que admite, como:

5.1 Sistemas Lineares 𝒎 × 𝒏


Um conjunto de 𝑚 equações lineares e 𝑛 incógnitas 𝑥1 , 𝑥2 , … , 𝑥𝑛 é chamado
sistema linear de 𝒎 equações e 𝒏 incógnitas. Por exemplo:
𝑥 + 𝑦 − 2𝑧 = 0
é 𝑢𝑚 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚 𝑡𝑟ê𝑠 𝑒𝑞𝑢𝑎çõ𝑒𝑠
{𝑥 − 2𝑦 + 𝑧 = 0
𝑒 𝑡𝑟ê𝑠 𝑖𝑛𝑐ó𝑔𝑛𝑖𝑡𝑎𝑠
2𝑥 − 𝑦 − 𝑧 = 0

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𝑥+𝑦+𝑧+𝑤 = 1 é 𝑢𝑚 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚 𝑑𝑢𝑎𝑠


{
𝑥 − 𝑦 − 𝑧 + 2𝑤 = 7 𝑒𝑞𝑢𝑎çõ𝑒𝑠 𝑒 𝑞𝑢𝑎𝑡𝑟𝑜 𝑖𝑛𝑐ó𝑔𝑛𝑖𝑡𝑎𝑠.
𝑎+𝑏 =3
é 𝑢𝑚 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚 𝑞𝑢𝑎𝑡𝑟𝑜
{ 𝑏−𝑐 =0
𝑐+𝑑 =5 𝑒𝑞𝑢𝑎çõ𝑒𝑠 𝑒 𝑞𝑢𝑎𝑡𝑟𝑜 𝑖𝑛𝑐ó𝑔𝑛𝑖𝑡𝑎𝑠.
𝑎 − 𝑑 = −1

Obs.: Sistemas lineares 2 × 2 são um caso particular de um sistema linear 𝑚 × 𝑛.

Dizemos que a sequência de números reais (𝛼1 , 𝛼,..., 𝛼𝑛 ) é a solução de um


sistema linear de 𝑛 incógnitas quando é solução de cada uma das equações do sistema.

Exemplo 5.3:
𝑥+𝑦 =5
1. O par ordenado (4,1) é solução do sistema { 𝑥−𝑦 =3 , pois
−6𝑥 − 10𝑦 = −14
substituindo 𝑥 por 4 e 𝑦 por 1 em cada equação do sistema, obtemos sentenças
verdadeiras:
4+1 =5
{ 4−1 =3
−6(4) + 10(1) = −14
𝑥 + 𝑦 + 𝑧 = 10
2. A tripla ordenada (5,3,2) é solução do sistema { 𝑥 − 𝑦 + 𝑧 = 4 , pois, fazendo
𝑥−𝑦−𝑧 =0
𝑥 = 5, 𝑦 = 3 e 𝑧 = 2, obtemos sentenças verdadeiras:
5 + 3 + 2 = 10
{5 − 3 + 2 = 4
5−3−2= 0
Podemos associar a um sistema linear duas matrizes cujos elementos são
os coeficientes das equações que formam o sistema. Por exemplo, ao sistema linear
5𝑥 + 4𝑦 = 1
{ , podem ser associadas às matrizes:
3𝑥 + 7𝑦 = 2
5 4
𝐴=( ) 𝑐ℎ𝑎𝑚𝑎𝑑𝑎 𝒎𝒂𝒕𝒓𝒊𝒛 𝒊𝒏𝒄𝒐𝒎𝒑𝒍𝒆𝒕𝒂
3 7
Composta pelos coeficientes das incógnitas 𝑥 e 𝑦.
5 4 1
𝐵=( ) 𝑐ℎ𝑎𝑚𝑎𝑑𝑎 𝒎𝒂𝒕𝒓𝒊𝒛 𝒄𝒐𝒎𝒑𝒍𝒆𝒕𝒂
3 7 2
Composta pelos coeficientes das
incógnitas 𝑥 e 𝑦 mais o resultado da multiplicação.
Sistemas também podem ser expressos através da multiplicação de matrizes:
5 4 𝑥 1
( ) ∙ (𝑦) = ( )
3 7 2

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Exemplo 5.4:
𝑥 + 𝑦 − 2𝑧 = 0
O sistema {𝑥 − 2𝑦 + 𝑧 = 0 pode ser representado pela equação matricial:
2𝑥 − 𝑦 − 𝑧 = 0
1 1 −2 𝑥 0
(1 −2 1 ) ∙ (𝑦) = (0)
2 −1 −1 𝑧 0

5.2 Sistemas escalonados


Consideremos um sistema linear 𝑆 no qual, em cada equação, existe pelo
menos um coeficiente não nulo. Dizemos que 𝑆 está na forma escalonada (ou,
simplesmente, é escalonado) se o número de coeficientes nulos, antes do 1º coeficiente
não nulo, aumenta de equação para equação. São exemplos de sistemas escalonados:
3𝑥 − 𝑦 + 𝑧 = 2 𝑎+𝑏+𝑐+𝑑+𝑒 = 1
{ 2𝑦 − 3𝑧 = −1 2𝑏 + 𝑐 − 𝑑 + 3𝑒 = −5
−𝑧 = 5 5𝑐 + 2𝑑 − 𝑒 = 7
𝑑 + 2𝑒 = 11
4𝑥 + 𝑦 − 𝑧 − 𝑡 − 𝑤 = 1
{ 3𝑒 = 2
{ 𝑧 + 𝑡 + 2𝑤 = 0
2𝑤 = −3 4𝑥 − 𝑦 + 5𝑧 = 3
{
3𝑦 − 2𝑧 = 1
Podemos dividir os sistemas escalonados em dois tipos:
 1º tipo: Com número de equações igual ao número de incógnitas.
Exemplo:
𝑥 − 2𝑦 + 𝑧 = −5
{ 𝑦 + 2𝑧 = −3
3𝑧 = −6
Partindo da ultima equação, encontra-se o valor de 𝑧, substituindo esse
valor na segunda equação, encontra-se o valor de 𝑦 e substituindo 𝑦 e 𝑧
na primeira equação, encontramos 𝑥.
−6
𝑧= = −2 𝑦 = −3 − 2(−2) = 1 𝑥 = −5 + 2(1) − (−2) = −1
3
Assim, a solução do sistema é dada por 𝑆 = {−1,1, −2}.
Observação: quando um sistema apresentar número de equações igual
ao número de incógnitas ele é possível e determinado (SPD).

 2º tipo: Com número de equações menor que o número de


incógnitas.
Exemplo:
𝑥 + 𝑦 + 𝑧 = 100
{
𝑦 − 2𝑧 = 0
Para resolver esse sistema, existe um procedimento que consiste nos
cinco passos abaixo descritos:
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1. Devemos identificar a incógnita que não aparece no início de


nenhuma das equações, chamada incógnita livre (ou variável livre).
A única variável livre do sistema é 𝑧.
2. Transpomos a variável livre 𝑧 para o 2º membro em cada equação e
obtemos:
𝑥 + 𝑦 = 100 − 𝑧 (1)
{
7= 2𝑧
3. Se atribuirmos um valor para 𝑧, obteremos outro sistema do 1º tipo;
portanto, determinado. Resolvendo-o, encontramos uma solução do
sistema.
Se atribuirmos outro valor para 𝑧, obteremos outro sistema, também
determinado, que, resolvido, fornecerá outra solução do sistema. E
assim por diante.
Assim, fazendo 𝑧 = 𝛼 (𝛼 é um número real qualquer) temos:
𝑥 + 𝑦 = 100 − 𝛼 (2)
7= 2𝛼 (3)
4. Substituindo (3) em (2), temos:
𝑥 + 2𝛼 = 100 − 𝛼 → 𝑥 = 100 − 𝛼 − 2𝛼
𝑥 = 100 − 3𝛼
5. Por fim, as soluções do sistema podem ser representadas pela
solução geral (100 − 3𝛼, 2𝛼, 𝛼), em que 𝛼 ∈ 𝑅.
Observação: esse tipo de sistema apresenta sempre infinitas soluções,
sendo então, um sistema possível e indeterminado (SPI).

𝑥 + 2𝑦 + 𝑧 = 2
Exemplo 5.5: Resolva o sistema { .
𝑦 − 3𝑧 = 1
Seguindo o passo a passo:
1. A variável livre é 𝑧.
2. Transpondo para o 2º termo da equação:
𝑥 + 2𝑦 = 2 − 𝑧
{
𝑦 = 1 + 3𝑧
3. Fazendo 𝑧 = 𝛼 (com 𝛼 ∈ 𝑅), obtemos:
𝑥 + 2𝑦 = 2 − 𝛼 (1)
{
𝑦 = 1 + 3𝛼 (2)
4. Substituindo (2) em (1), obtemos:
𝑥 + 2(1 + 3𝛼) = 2 − 𝛼
𝑥 + 2 + 6𝛼 = 2 − 𝛼
𝑥 = 2 − 𝛼 − 2 − 6𝛼
𝑥 = −7𝛼
5. Assim, a solução é dada por: 𝑆 = {(−7𝛼, 1 + 3𝛼, 𝛼), 𝛼 ∈ 𝑅}.

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5.3 Escalonamento
Quando o sistema trabalhado não se encontra na forma escalonada, é
possível transformá-lo através do processo de escalonamento. O escalonamento
consiste em transformar o sistema em outro equivalente, porém na forma escalonada.
Dois sistemas lineares 𝑆1 e 𝑆2 são equivalentes quando toda solução de 𝑆1 é
𝑥+𝑦 =2 𝑥−𝑦 =4
solução de 𝑆2 e vice-versa. Os sistemas 𝑆1 = { e 𝑆2 = { , por
𝑥 + 2𝑦 = 1 3𝑥 + 2𝑦 = 7
exemplo, são equivalentes, pois ambos admitem apenas o par (3, −1) como solução.
Para escalonar um sistema linear qualquer, vamos seguir o roteiro abaixo:
1. Escolhemos para a 1ª equação aquela em que o coeficiente da 1ª
incógnita seja não nulo. Se possível, fazemos a escolha para que esse
coeficiente seja igual −1 ou 1, pois os cálculos ficam, em geral, mais
simples.
2. Anulamos o coeficiente da 1ª incógnita das demais equações.
3. Fixamos a 1ª equação e aplicamos os dois primeiros passos com as
equações restantes.
4. Fixamos a 1ª e a 2ª equações e aplicamos os dois primeiros passos nas
equações restantes, até o sistema ficar escalonado.
𝑎 + 2𝑏 + 3𝑐 = 360
Exemplo 5.6: Vamos escalonar, e depois, resolver o sistema { 2𝑎 + 𝑏 + 𝑐 = 150.
4𝑎 + 3𝑏 + 𝑐 = 290
Seguindo o passo a passo:
1. Escolhemos o coeficiente de 𝑎 que é 1.
2. Em seguida, precisamos anular os coeficientes de 𝑎 na 2ª e na 3ª equações, para
isso:
a) Substituímos a 2ª equação pela soma dela com a 1ª, multiplicada por −2:
𝑎 + 2𝑏 + 3𝑐 = 360
{ −3𝑏 − 5𝑐 = −370
4𝑎 + 3𝑏 + 𝑐 = 290
b) Substituímos a 3ª equação pela soma dela com a 1ª, multiplicada por −4:
𝑎 + 2𝑏 + 3𝑐 = 360
{ −3𝑏 − 5𝑐 = −370
−5𝑏 − 11𝑐 = −750
3. Fixamos a 1ª equação e repetimos os passos 1 e 2:
𝑎 + 2𝑏 + 3𝑐 = 360
{ −3𝑏 − 5𝑐 = −370
−5𝑏 − 11𝑐 = −750
Substituindo a 3ª equação pela soma dela multiplicada pela 2ª por −5:
𝑎 + 2𝑏 + 3𝑐 = 360
{ −3𝑏 − 5𝑐 = −370
−8𝑐 = −400
4. O sistema obtido já está escalonado e é do 1º tipo (SPD). Resolvendo-o,
obtemos: 𝑎 = 30; 𝑏 = 40 e 𝑐 = 50.

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5.4 Regra de Cramer


Vamos considerar um sistema linear em que o número de equações é igual
ao número de incógnitas. Um processo de resolução desse tipo de sistema é a conhecida
Regra de Cramer, baseada no cálculo de determinantes.

Regra de Cramer:
Se 𝐷 ≠ 0, então o sistema é possível e determinado (SPD) e sua solução (𝑥, 𝑦) é dada
por:
𝐷𝑥 𝐷𝑦
𝑥= 𝑒 𝑦=
𝐷 𝐷
Em que 𝐷𝑥 e 𝐷𝑦 são os determinantes das matrizes obtidas a partir da matriz 𝑀
substituindo, respectivamente, a 1ª e a 2ª coluna de 𝑀 pela coluna dos coeficientes
independentes das equações do sistema.

4𝑥 + 5𝑦 = −1
Exemplo 5.7: Usando a Regra de Cramer, vamos resolver o sistema: {
2𝑥 + 3𝑦 = 4
4 5
Observemos que, como 𝐷 = | | = (4)(3) − (5)(2) = 12 − 10 = 2 ≠ 0, podemos
2 3
usar a Regra de Cramer.
Assim, esse sistema é possível e determinado. Calculemos 𝐷𝑥 e 𝐷𝑦 :
−1 5
𝐷𝑥 = | | = (−1)(3) − (5)(4) = −3 − 20 = −23
4 3
4 −1
𝐷𝑦 = | | = (4)(4) − (−1)(2) = 16 + 2 = 18
2 4
𝐷𝑥 −23 𝐷𝑦 18
Então, 𝑥 = = e𝑦= = = 9.
𝐷 2 𝐷 2
23
Logo, 𝑆 = {(− , 9)}.
2

A Regra de Cramer também pode ser aplicada a sistemas 3 × 3.


𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑
Considerando o sistema linear { 𝑎2 𝑥 + 𝑏𝑠 𝑦 + 𝑐2 𝑧 = 𝑒 nas incógnitas 𝑥, 𝑦 𝑒 𝑧.
𝑎3 𝑥 + 𝑏3 𝑦 + 𝑐3 𝑧 = 𝑓
𝑎1 𝑎2 𝑎3
Se 𝐷 = |𝑏1 𝑏2 𝑏3 | ≠ 0, então o sistema é possível e determinado (SPD).
𝑐1 𝑐2 𝑐3
Sua solução (𝑥, 𝑦, 𝑧) é dada por:
𝐷𝑥 𝐷𝑦 𝐷𝑧
𝑥= 𝑦= 𝑧=
𝐷 𝐷 𝐷

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𝑥 + 2𝑦 − 𝑧 = −5
Exemplo 5.8: Resolva o sistema: { −𝑥 − 2𝑦 − 3𝑧 = −3.
4𝑥 − 𝑦 − 𝑧 = 4
1 2 −1
Como 𝐷 = |−1 −2 −3| = −36 ≠ 0, o sistema é SPD; podemos usar a Regra de
4 −1 −1
Cramer:
−5 2 −1
𝐷𝑥 = |−3 −2 −3| = −10 − 24 − 3 − 8 + 15 − 6 = −36
4 −1 −1
𝐷𝑥 −36
Então, 𝑥 = = −36 = 1.
𝐷
1 −5 −1
𝐷𝑦 = |−1 −3 −3| = 3 + 60 + 4 − 12 + 12 − 5 = 72
4 4 −1
𝐷𝑦 72
Então, 𝑦 = = −36 = −2.
𝐷

Para determinar 𝑧, basta substituir os valores encontrados para 𝑥 𝑒 𝑦 em qualquer uma


das equações. Na primeira equação, temos:
𝑥 + 2𝑦 − 𝑧 = −5 → 1 + 2(−2) − 𝑧 = −5
−𝑧 = −5 − 1 + 4 = −2 → 𝑧=2
Logo, 𝑆 = {(1, −2,2)}.

5.5 Sistemas homogêneos


Dizemos que um sistema linear é homogêneo quando o termo independente
de cada uma de suas equações é igual a zero. Assim, são exemplos de sistemas
homogêneos:
4𝑥 + 3𝑦 = 0
𝑆1 {
3𝑥 + 2𝑦 = 0
3𝑥 + 𝑦 = 0
𝑆2 { 𝑥 + 𝑦 = 0
2𝑥 − 𝑦 = 0
𝑥 + 2𝑦 + 2𝑧 = 0
3𝑥 + 𝑦 − 𝑧 = 0
𝑆3 {
1
−𝑥 + 5𝑦 + 𝑧 = 0
2
Os sistemas homogêneos são sempre possíveis, pois possuem ao menos uma
solução dada por (0,0, … ,0), também chamada de solução nula, trivial ou imprópria.
Se o sistema possui somente a solução nula, ele é possível e determinado (SPD).

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Havendo outras soluções, além da solução nula, ele é possível e indeterminado (SPI).
Essas soluções recebem o nome de soluções próprias ou não triviais.
4𝑥 + 3𝑦 = 0
Exemplo 5.9: Resolvendo o sistema { por escalonamento obtemos:
3𝑥 + 2𝑦 = 0
4𝑥 + 3𝑦 = 0
{ −𝑦 = 0 ← (1ª𝑒𝑞) ∙ (−3) + (2ª𝑒𝑞) ∙ (4)

Temos um sistema escalonado de 1º tipo (SPD); a única solução é (0,0)

REFERÊNCIAS
IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo; DEGENSZAJN, David; PÉRIGO, Roberto;
Matemática Volume Único. 5ª Edição. Editora Atual, São Paulo, 2006.

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