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Centro de estudos e explicações

ANO LETIVO DE 2015-2016

Teste de avaliação de Português, 12º ano

GRUPO I
A
Lê, atentamente, o texto a seguir transcrito (texto A) e responde às questões de modo
estruturado:
1 Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

5 Tenho uma grande tristeza


Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
10 Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine¹ consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa, Poesias (Ortónimo), Col. Mundo das


Letras, Porto, Porto Editora

¹ Poeta francês da segunda metade do século XIX.


NOTA: “Verlaine era, para Pessoa, um tipo de escritor "para quem a arte é um refúgio, um modo de esquecer
a vida; como um narcótico, um vício qualquer, um álcool" (in Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer, 1990).”
(In http://maccduck.blogspot.pt, cons. dia 14/10/2015)

1. Identifica o acontecimento do real que suscita a reflexão do sujeito poético,


relacionando--o com o seu estado de espírito.

2. Refere, justificando, de que modo se verifica neste poema a dúvida e a indefinição do eu


poético.

1
3. Analisa formalmente o poema, referindo recursos que te pareçam significativos para a
progressão temática do texto, como a metáfora presente na primeira quadra.

3.1. Comenta a inclusão da expressão entre parênteses (verso 12), associando-a à


estrutura externa (ir)regular do poema.

4. Relaciona, sucintamente, este poema com outro texto pessoano estudado.

5. Das propostas apresentadas, escolhe apenas uma:

5.1. Atenta no cartune que se segue. Num texto entre 60 e 80 palavras, comenta-o,
relacionando-o com a arte poética pessoana.

VLAHOVIC, Jugoslav (Sérvia), 2009, "Felicidade", in World Press Cartoon, Sintra: WPC

5.2. Partindo da citação que a seguir se apresenta (retirada do Livro do Desassossego,


de Bernardo Soares), redige um texto entre 60 e 80 palavras, relacionando-a com a
arte poética pessoana.
“Não soube nunca o que sentia. Quando me falavam de tal ou de tal emoção e a
descreviam, sempre senti que descreviam qualquer coisa da minha alma, mas, depois,
pensando, duvidei sempre. O que me sinto ser, nunca sei se o sou realmente, ou se julgo que
o sou apenas. Sou bocados de personagens de dramas meus.”

GRUPO II
Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta. Escreve, na folha de respostas, o número do
item e a letra que identifica a opção escolhida.

Lê o texto B.

1 Define-se como ser humano o homem, que é um animal que pertence à família do homo
sapiens. Embora seja comum definirmos a nível genérico como homens, este termo pode
provocar alguma confusão, já que também faz referência ao sexo masculino.
Segundo dizem os historiadores, na pré-história, o género homo era composto por várias
5 espécies. Porém, desde que o homem-de-neandertal se extinguiu (facto que teve lugar há cerca
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de 25 mil anos atrás) e que desapareceu da terra o homo floresiensis (extinção que aconteceu
há cerca de 12 mil anos), a única espécie que subsiste deste clã é a do homo sapiens.
O homem é o resultado de uma evolução dos primatas conhecidos como hominídeos. O
seu desenvolvimento original esteve no continente africano, vindo posteriormente o género a
expandir-se pelo resto do mundo.
10 O ser humano representa o nível mais alto de complexidade alcançado pela
escala evolutiva. O cérebro tem um grande desenvolvimento e permite-lhe concretizar
numerosas atividades racionais e elaborar pensamentos abstratos, criativos e de outro tipo. A
partir do momento em que completa os três anos de idade, no pensamento humano prevalece
o simbólico.
15 Convém referir que os seres humanos constam entre os animais com características
pluricelulares mais longevas da atualidade, chegando a ir além dos 100 anos de idade em
alguns casos. Esta circunstância tem variado com o passar dos anos, uma vez que, nos
primeiros séculos desta era, a esperança de vida dos seres humanos não passava dos 25 anos
de idade.
20 Outra particularidade do ser humano é o facto de se tratar da única espécie que tem
consciência da sua finitude: ou seja, o homem sabe que, a uma determinada altura, acabará
por morrer. O ser humano também acredita na existência da alma ou de entidades
semelhantes, que transcendem a experiência corporal.
In http://conceito.de/ser-humano (cons. dia 14/10/2015)-com adapt.
1. Associa os elementos da coluna A aos da coluna B, de modo a obteres enunciados
coerentes.
COLUNA A COLUNA B
A) O constituinte “o homem” (linha 1) desempenha a função 1. oração subordinada
sintática de adverbial concessiva.
B) A oração “que é um animal que pertence à família do homo 2. oração subordinada
sapiens” (linhas 1-2) desempenha a função sintática de adverbial causal.
C) A oração “Embora seja comum definirmos a nível genérico 3. oração subordinada
como homens” (linha 2) designa-se como adjetiva relativa restritiva.
D) A oração “Embora seja comum definirmos a nível genérico 4. sujeito nulo expletivo.
como homens” (linha 2) desempenha a função sintática de 5. predicativo do sujeito.
E) A oração subordinada “já que também faz referência ao sexo 6. complemento agente da
masculino” (linha 3) desempenha a função sintática de passiva.
F) A expressão “por várias espécies” (linhas 4-5) desempenha a 7. modificador apositivo
função sintática de do nome.
G) O sujeito da forma verbal “há” (linha 5) classifica-se como 8. complemento do nome.
H) O constituinte “no continente africano” (linha 8) 9. complemento do
desempenha a função sintática de adjetivo.
I) A locução conjuntiva “uma vez que” (linha 17) introduz uma 10. modificador do grupo
J) A oração “que tem consciência da sua finitude” (linhas 19-20) verbal.
classifica-se como 11. complemento oblíquo.
K) O constituinte “na existência da alma ou de entidades 12. sujeito simples.
semelhantes” (linha 21) desempenha a função sintática de 13. modificador de frase.
L) O adjetivo “corporal” (linha 22) desempenha a função 14. oração subordinada
sintática de adverbial temporal.
15. complemento direto.
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2. Responde às questões que se seguem.
2.1. Quanto aos mecanismos de coesão, como se designam as palavras/ expressões
sublinhadas no enunciado “Define-se como ser humano o homem, que é um
animal que pertence à família do homo sapiens.” (linhas 1-2)?
2.2. Que tipo de relação se estabelece entre a expressão “género homo” (linha 4) e os
constituintes “homem-de-neandertal”, “homo floresiensis” e “homo sapiens” (linhas
5-7)?
2.3. Qual é o antecedente do pronome “lhe” (linha 11)?
2.4. Faz a análise sintática da frase “A partir do momento em que completa os três anos de
idade, no pensamento humano prevalece o simbólico.” (linhas 13-15).
2.5. Indica qual a função sintática desempenhada pela oração subordinada
substantiva completiva “que os seres humanos constam entre os animais com
características pluricelulares mais longevas da atualidade” (linhas 15-16).

GRUPO III

Seleciona um dos temas apresentados e redige um texto argumentativo, entre 180 e 240
palavras, onde apresentes, pelo menos, dois argumentos e dois contra-argumentos para
sustentares o teu ponto de vista.

A) Deverá Portugal abrir as suas fronteiras aos refugiados que fogem dos países em guerra
ou de terceiro mundo?
B) Será que a venda de drogas leves, como marijuana e haxixe, deveria ser
descriminalizada?
C) Poderá um governo de coligação entre o PSD, o CDS e o PS garantir a estabilidade
político-financeira em Portugal?
D) Poderão as imagens chocantes nos maços de tabaco ser eficazes no combate ao consumo
desta substância?
E) Será que a distribuição de preservativos grátis durante o Campeonato do Mundo de
Mundo de Futebol, no Brasil, em 2014, foi uma medida acertada?

GRUPO I GRUPO II GRUPO III

1 2 3 3.1 4 B. 1 2
15 20 15 10 20 5 30 20 50
(C9+F6) (C12+F8) (C9+F6) (C6+F4) (C12+F8) 20 (12x2,5) (5x4) ETD-30
(C12+F8) CL-20

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PROPOSTA DE CORREÇÃO

GRUPO I (grupo retirado, em grande parte (perguntas e proposta de correção), do livro Poemas de Fernando
Pessoa Ortónimo e Heterónimos, da Coleção Resumos, páginas 18-19)

1. Um dia chuvoso e um céu cinzento são o acontecimento real que desperta no sujeito poético a reflexão
interior. Associando a chuva que escorre do céu, sem ter “razão de ser” (verso 2), a um sentimento de
grande tristeza que se acrescenta à que já tinha, o sujeito poético sente inevitavelmente o peso da
consciência dessa dor- “Quero dizer-ma mas pesa” (verso 7). A consciência dessa tristeza exacerbada
incomoda-o, fazendo com que o seu pensamento tenha também “chuva nele a escorrer” (verso 4).
2. A tristeza sentida e a tristeza pensada, associadas, geram no sujeito poético dúvida e incerteza em
relação a si próprio. Numa dualidade permanente de sinceridade e fingimento, o “eu poético” não sabe o
que verdadeiramente sente, o que o leva a afirmar “Não sei se estou triste ou não” (verso 10). Perdido no
labirinto de si próprio, Pessoa não se conhece.
3. O poema apresentado não escapa à estrutura paradigmática da poesia do cancioneiro do ortónimo-
estrofes regulares (duas quadras e uma quintilha), com métrica igualmente regular (verso de redondilha
maior), obedecendo a um esquema rimático de raiz popular (rima cruzada). Utilizando uma linguagem
simples, o sujeito poético desenvolve o assunto da sua composição a partir da metáfora da chuva.
Iniciado com “Cai chuva do céu cinzento” (verso 1), o sujeito lírico assume que até no seu “pensamento/
Tem chuva nele a escorrer” (versos 3-4), já que a chuva é um símbolo da tristeza que o invade. O poema
vai-se desenvolvendo e encerra, de novo, com a imagem da chuva, mas agora “Dentro do meu coração”
(verso 13).
3.1. Sendo as duas primeiras estrofes compostas por quatro versos, a última estrofe destoa,
aparentemente, das anteriores por ser uma quintilha. Todavia, o verso 12, funcionando como um
aparte ou um pensamento do sujeito lírico, que se assume um admirador de Verlaine, é um verso
adicional que poderia ser suprimido sem que o poema visse a sua mensagem afetada.
4. Cenários de resposta:
 A dúvida ou desconfiança em relação aos seus próprios sentimentos assentam no permanente
exercício de intelectualização a que submete os sentimentos e aproximam o poema em análise de
“Autopsicografia”, nomeadamente da analogia entre os versos “chega a fingir que é dor/ A dor
que deveras sente” e “Quero dizer-ma mas pesa/ O quanto comigo minto”.
 A indefinição relativamente à sua identidade e a angústia existencial de que Pessoa padece
também ecoam noutros textos poéticos e reflexivos, como “Não sei quem sou, que alma tenho”.
 Os versos “Quero dizer-ma mas pesa/ O quanto comigo minto” ilustram a dualidade entre o
sentir e o pensar, marca distintiva da arte poética pessoana, evocada em outros textos poéticos
como “Tenho tanto sentimento”.

5.1. Neste cartune vemos a figura de um homem que só revela felicidade quando o seu cérebro desaparece
completamente, numa imagem inviável, mas que podemos associar à poesia pessoana, nomeadamente a
poemas como “Gato que brincas na rua”. Nesta composição, o sujeito lírico discorre sobre a admiração
que sente pelo facto de o gato, ser irracional que não se preocupa com as convenções sociais, ser feliz e
descontraído por estar privado de raciocínio e obedecer unicamente aos seus instintos. (78 palavras)
5.2. Nesta citação do Livro do Desassossego identificamos várias das temáticas que atravessam a poesia
pessoana, a saber: a indefinição do ser, o fingimento poético (sempre associado à dor de pensar) ou a
questão da heteronímia são temáticas que atravessam os poemas de Fernando Pessoa e que nos revelam
a mente torturada de alguém amargurado pela extrema lucidez que o caracteriza e que resulta numa
explosão heteronímica como meio de expressar todos os pensamentos que o dominam. (76 palavras)

GRUPO II

1. A) 12
B) 7
C) 1
D) 13
5
E) 10
F) 6
G) 4
H) 5
I) 2
J) 3
K) 11
L) 8

2.1. correferentes não anafóricos


2.2. hiperonímia e hiponímia
2.3. “ser humano”
2.4. A partir do momento em que completa os três anos de idade-modificador do grupo verbal
no pensamento humano prevalece- predicado
no pensamento humano- complemento oblíquo
o simbólico- sujeito
2.5. complemento direto

GRUPO III
Resposta livre