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Primeiro caso de obsessão — Eurípcdes

Barsanulfo mandara construir no porão do Colégio


Allan Kardec quartos com grades de ferro, onde
eram colocados os obsidiados perigosos, então
considerados “loucos” pela maioria dos
psiquiatras, pois os sintomas psicológicos
assemelhavam-se aos da loucura por lesões
cerebrais. Esses infelizes haviam sido internados
em hospícios e, sendo violentos, eram trazidos
por seus familiares a Sacramento algemados c
escoltados por soldados. O tratamento espiritual
era ministrado à noite, quando as atividades
escolares já haviam cessado. Eurípcdes
Barsanulfo e médiuns auxiliares levavam, então,
os obsidiados ao salão nobre e, sob a orientação
do espirito Bezerra de Menezes efetivava-se a
cura com passes, doutrinação e prece.Eurípedes
Barsanulfo era o que se pode qualificar de
“homem magnético”. Seus fluidos aliados ao
sentimento de amor ao próximo realizavam
prodígios no campo da obsessào.
Citemos exemplos.
Certa vez, um homem de baixa estatura,
porém, hercúleo e armado com uma faca,
ameaçava os que tentavam aproximar-se de si.
— Olha a faca! Olha a faca! gritava o
negro, os olhos esgazeados.
Seis homens foram necessários para dominá-lo.
Prenderam- lhe, entào. os pulsos com arames
grossos e levaram-no à porta do Colégio Allan
Kardece chamaram Eurípedes Barsanulfo.
— Olhe como está, professor! Ficou louco!
— Pode soltá-lo, disse o médium.
— Mas, ele é furioso!
— Nào há perigo.
Os arames foram retirados e os seis homens
recuaram, imediatamente. Eurípedes Barsanulfo.
entào. caminhou em sua direção, e, ali mesmo,
transmitiu-lhe um passe magnético. O obsidiado
com os olhos fora da órbita nào reagiu: começou
a suar muito e acalmou-se. Terminado o passe,
Eurípedes Barsanulfo pegou-lhe o braço e levou o
infeliz, ao porào do colégio para o posterior
tratamento, que haveria de curá-lo em pouco
tempo.
Fatos, assim, repetiam-se, constantemente,
com Eurípedes Barsanulfo e a maioria da
população de Sacramento os testemunhou.
Segundo caso de obsessão — Vejamos outro
caso. Passou a residir cm Sacramenta um homem
que logo se tomou popular. Tinha ele a curiosa
mania de escrever a carvào e com letras enormes
seu nome (Pedro) na parede das residências.
Outra mania, nào menos curiosa, é que sem
talento improvisava versos para os transeuntes:
Hoje eu tive uma notícia Que
para mim foi muito bela;
Que O filho da vizinha
Precisa de uma costela...
Quando, porém, os obsessores o apertavam,
tornava-se agressivo e adquiria força descomunal.
A primeira arruaça que fez foi em frente à
prefeitura, enfrentando diversos soldados. Era
impossível dominá-lo. Eurípedes Barsanulfo foi,
entào, chamado e, para
espanto do público, tranquilamente levou Pedro ao
porão do
colégio.
Terceiro caso de obsessão - Eis mais um
expressivo caso de obsessão. Arlindo Gomide (tio
de Jerônimo Cândido Gomide. fundador de
Palmelo) era fazendeiro em Sacramento. Um dia.
questões amorosas abriram-lhe as portas da
obsessão e resolveu suicidar-se. Ingeriu grande
quantidade de tártaro emético e, em crise
convulsiva, pegou o revólver e a carabina e se pôs
a dar tiros ao mesmo tempo em que berrava.
Jerônimo. seu sobrinho, correu a avisar Euripedes
Barsanulfo.
.— Vamos lá, disse o médium.
— Nào. replicou Jerônimo. O tio está dando
tiros em todas as direções e podemos morrer,
professor!
— Vamos lá, tomou a dizer Euripedes
Barsanulfo.
E foram. Ao vê-los, Arlindo apontou a arma e
atirou.
— Voltemos, gemeu Jerônimo.
—■ Avance comigo, respondeu Euripedes
Barsanulfo.
Já próximos de Arlindo. o médium, tranquilo,
disse:
—■ Largue a arma, senhor Arlindo.
E pôs a mão na lesta do obsidiado e orou.
Arlindo. com os olhos vidrados, deixou cair a
carabina, imediatamente. Euripedes Barsanulfo.
então, levou-o à farmácia c introduziu em seu
estômago uma boa porção de leite, através de
uma sonda e fê-lo vomitar o tártaro emético.
O aluno e o sabiá furtado — Era comum
Euripedes Barsanulfo no pátio do colégio ou em
plena sala de aula entrar em transe sonambúlico.
As pálpebras, então, fechavam-se. o rosto ficava
pálido, o suor escorria e... seu espírito
libertava-se! Os alunos, já acostumados com o
fenômeno ficavam em silêncio à espera de que o
professor abrisse os olhos e narrasse o que vira
ou o que fora fazer em espírito pela cidade: uma
cura. um parto ou... verificar porque determinado
aluno travesso fugira do colégio.
Entre os diversos casos com alunos vamos pôr
em pauta dois que nos foram relatados por
Antenor Germano da Silva(l), o popular Cristino, e
que mostram, inclusive, a perícia de Euripedes
Barsanulfo no trato com as crianças.

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ao porào do
colégio.
Terceiro caso de obsessão — Eis mais um
expressivo caso de obsessào. Arlindo Gomide (tio de
Jerônimo Cândido Gomide. fundador de Palmeio) era
fazendeiro em Sacramento. Um dia. questões
amorosas abriram-lhe as portas da obsessào e
resolveu suicidar-se. Ingeriu grande quantidade de
tártaro emético e, em crise convulsiva, pegou o
revólver c a carabina e se pôs a dar tiros ao mesmo
tempo em que berrava. Jerônimo, seu sobrinho,
correu a avisar Eurípedes Barsanulfo.
— Vamos lá, disse o médium.
— Nào, replicou Jerônimo. O tio está dando
tiros em todas as direções e podemos morrer,
professor!
— Vamos lá, tornou a dizer Eurípedes
Barsanulfo.
E foram. Ao vê-los, Arlindo apontou a arma e
atirou.
— Voltemos, gemeu Jerônimo.
— Avance comigo, respondeu Eurípedes
Barsanulfo.
Já próximos de Arlindo. o médium, tranquilo,
disse:
— Largue a arma, senhor Arlindo.
E pôs a mào na testa do obsidiado e orou. Arlindo.
com os olhos vidrados, deixou cair a carabina,
imediatamente. Eurípedes Barsanulfo. entào, levou-o
à farmácia e introduziu cm seu estômago uma boa
porção de leite, através de uma sonda e fê-lo vo-
mitar o tártaro emético.
O aluno e o sabiá furtado — Era comum
Eurípedes Barsanulfo no pátio do colégio ou em plena
sala de aula entrar em transe sonambúlico. As
pálpebras, então, fechavam-se, o rosto ficava pálido,
o suor escorria e... seu espírito libertava-se! Os
alunos, já acostumados com o fenômeno ficavam cm
silêncio à espera de que o professor abrisse os olhos
e narrasse o que vira ou o que fora fazer em espírito
pela cidade: uma cura. um parto ou... verificar porque
determinado aluno travesso fugira do colégio.
Entre os diversos casos com alunos vamos pôr em
pauta dois que nos foram relatados por Antenor
Germano da Silva(l), o popular Cristino, e que
mostram, inclusive, a perícia de Eurípedes
Barsanulfo no trato com as crianças.

(!) Antenor Germano d* Silva, apesar d* avançada


idade era hastante jovial. Koi um dos que matecola-
boraram com esta ohra. Durante várias gcraçOes
professor no Colfjrio Allan Kardec. lecionava
História. Geografia e Matemática. Devencarnou o
querido velhinho em 1973 e nesse nsesmo ano a
prefeitura de Sacramento deu o veu nome a unia rua
code Uomilton Wilson (irmio de Huripedes
Barsanulfo) a uma praça.
Quando menino um dos passatempos prediletos de
Cristino era caçar passarinhos. Ora. um dia
descobriu ele em uma das ameixeiras do colégio um
ninho de sabiá. A tentação de pegar o pássaro foi
grande, mas Cristino a reprimiu porque Eurípedcs
Bar- sanulfo. todas as manhãs, ia ao pé da árvore
para ouvir-lhe o mavioso trinado... Dias depois,
porém, percebeu Cristino que o sabiá tinha um
filhote e. sorrindo, resolveu tirá-lo do ninho elevá-lo
para sua casa. E. rápido, regressou ao colégio.
Quando Eurípcdes Barsanulfo chegou c foi, como de
costume, à ameixeira, viu o sábia nervoso, piando e
pulando de galho em galho... Cristino. de longe,
observava a cena. pensando: "Será que o professor
percebeu alguma coisa?". E misturou-se com a
garotada. Mas. na sala de aula. assim que os alunos sc
sentaram Eurípcdes Barsanulfo chamou Cristino c
disse:
— O senhor não sabe, "seu" Cristino, por que o
sabiá do quintal parou de cantar?
— Não sei, "seu” Eurípedcs...
— Um dos meus alunos subiu na ameixeira e
tirou o filho do sabiá... Coitadinho... Deve estar com
fome! E a mãe está muito aflita... O senhor sabe
quem fez isso?
— Nàosei. "seu" Eurípedcs... Nàosei...
— "Seu" Cristino, o senhor deve saber... Olhe.
eu creio que o meu discípulo que fez isso deve ter
um pouquinho de bondade e colocar o filhote do
sabiá no ninho para que os pais o criem.
— É. sim. "seu" Eurípedes...
— Gostaria, "seu” Cristino. que tirassem o
senhor dos seus pais c o levassem para outra cidade?
— Eu, não, “seu" Eurípedes...
— Então, traga de volta o filhote do sabiá,
concluiu com amor Eurípedes Barsanulfo.
E Antenor Germano da Silva, ao trazer o pássaro
de volta, refletiu: "Ninguém engana o professor! Ele
está. às vezes, a um só tempo em dois lugares! E
consegue enxergar através das paredes... Sabe tudo
o que acontece no colégio!”
A fuga de dois alunos — Cristino, não raras
vezes, trocava as aulas pelos passeios no campo.
Contou-nos ele que em uma quarta- feira (dia cm que
Eurípedes Barsanulfo lecionava religião e moral das
dez às doze horas) fora em companhia de Nestor
Novelino ate uma extensa campina chamada Curtume
e onde o capim crescia formando touceiras. Lá.
ouviram uns grunhidos e Cristinno disse:
— Ouça! São preás! Vamos matá-los?
E começaram a jogar pedras nas touceiras. até
que. de uma delas, saiu uma porca acompanhada de
diversos lcitòezinhos... A porca, raivosa, correu
chamando os filhotes e passou por baixo de uma
perigosa cerca de arame farpado. Nestor fe/. o
mesmo, mas Cristino teve a calça rasgada até à
barra... Os leitões fugiram e os dois meninos foram
às margens do ribeirão Borá. Diversos patos
nadavam... mas. o relógio da Matriz estava prestes a
bater meio- dia e resolveram voltar ao colégio. Hm
uma das esquinas viu Cristino um pedaço de arame
fino e "costurou" a calça pelo lado de dentro e
penetrou com Nestor no salào. sem que Eurípedes
Barsanulfo notasse, pois estava de costas para os
alunos.
— Onde estào o “seu" Cristino e o "seu"
Nestor? perguntou, então, o médium, virando-se.
subitamente.
— Estamos aqui. "seu" Eurípedes. responderam
ambos, erguendo o braço.
— Gostaram da aula de hoje?
— Estava ótima, exclamou Cristino.
— Muito boa. mesmo, acrescentou o Nestor.
— Pois devo dizer que sem sair deste salào vi
no Curtume dois alunos perseguindo com pedradas
uma porca e seus cinco filhi- nhos. Ela. para salvar a
prole, passou por baixo de uma cerca de arame
farpado... "Seu" Nestor, sabe que alunos eram
esses?
— Eunàosei.
— E "seu" Cristino?
— Eu também não sei. "seu" Eurípedes.
— Pois. entào. venha à tribuna e deixe-me ver
sua calça...
— E para quê. "seu" Eurípedes?
— Quero ver como o senhor conseguiu
costurá-la com o arame que achou na esquina...
Cristino e Nestor baixaram a cabeça c o apóstolo
acrescentou, afável:
—. . .Lembrem-se de que sempre estarei onde
estiver um discípulo meu Nào fujam mais do
colégio...
Cristino. então, segredou para Nestor: "Como é
possível ele estar em dois lugares a um só tempo?”
Visão premonitória do Tratado de Versalhes —
Eurípedes Barsanulfo previra com muita
antecedência a Primeira Guerra Mundial, iniciada em
agosto de 1914. E em meiado de outubro de 1918,
estando no interior do Estado de Minas Gerais, ficou
sabendo o que. entào. nenhum chefe de nação
suspeitava, sequer — o fim da guerru. L£is como o
fato sc deu. Estava o médium a ministrar uma aula.
quando, de súbito, entrou em transe sonambúlieoe
viu. no Palácio de Versalhes, na célebre Sala dos
Espelhos, em França, o Tratado de Paz com a
assinatura de líderes políticos — assinaturas que lhe
foi dado ler: Clemcnceau. Presidente Wilson, etc. Ao
abrir os olhos. Eurípedes Barsanulfo relatou aos
alunos, emocionado, o que vira.
— Graças a Deus. cm breve o mundo estará em
paz! Aguardemos.
Oito meses depois, cm 28 de junho de 1919. o
Tratado de Paz foi assinado — exatamente na Sala
dos Espelhos, no Palácio de Versalhes...
Parto medi único (e bi-locaçâo) — Certa vez.
disse Eurípedes Barsanulfo. sorrindo, após o transe
durante uma aula:
— Prestem atenção. Acabo de estar cm uma
residência atrás da igreja do Rosário, fazendo um
parto difícil. O marido não sabe que já e pai e está a
caminho daqui. Vem a cavalo e com roupa de
montaria. Ele está. neste momento, apeando cm
frente ao colégio. Vai agora subir os degraus da
escada. Quando ele entrar na sala os senhores
devem ficar em pé e depois sentar. Atenção... Ele vai
entrar...
E o homem com chapéu c roupa dc moinaria entrou
muito aflito, pedindo a Eurípedes Barsanulfo que
fosse, urgentemente, fazer o parto, pois a mulher
estava passando mal.
— Acalme-se. respondeu o médium, sorrindo.
Fiz o parto há cinco minutos atrás...
— Nào é possível, “seu" Eurípedes. Há cinco
minutos atrás cu teria visto o senhor pelo
caminho.
— O senhor nào mc viu porque fui em espírito.
Mas. eu vi o senhor. Pode voltar para sua casa.
sossegado. A menina que nasceu é bonita c forte.
O homem, porém, duvidou e, temendo pela vida
da mulher.
levou Eurípedes Barsanulfo... A parturiente, com a
filhinha deitada ao lado. ao ver o médium, exclamou:
— O senhor nào precisava vir dc novo. "seu”
Eurípedes... Eu e o bebe estamos passando bem!
Eurípedes Barsanulfo. entào. regressou, rápido, ao
colégio para continuar a aula interrompida.O
fenômeno que acabamos de relatar é simples, mas só
na aparência. Senào, vejamos. Como pôde o
perispírito, ou seja, o corpo espiritual de Eurípedes
Barsanulfo tornar-se tangível, a ponto de crer a
parturiente que se tratava do coipo físico?
Ensina Allan Kardec(l) que "por sua natureza e cm
estado normal o perispírito 6 para nós invisível, mas
pode sofrer modificações que o tornem perceptível,
ou por uma espécie de condensação. ou por uma
mudança na disposição molecular. Ê cntào que nos
aparece sob uma forma vaporosa. A condensação —
mas. por falta de expressão, não seja tomada ao pé
da letra — a condensação. dizíamos nós. pode ser tal
que o perispírito adquira as propriedades de uin
corpo sólido e tangível; este pode, entretanto,
instantaneamente retomar o seu estado etéreo e
invisível."
No entanto, para que o perispírito adquira as
propriedades de um corpo sólido são, ainda,
necessários os fluídos de um médium. Eis o que o
Codificador nos diz(2):
"O Espírito nos aparece quando deu ao seu
perispírito a condição necessária para se tomar
visível. Mas, a simples vontade (do Espírito) não
basta para produzir esse efeito, porque a modifi-
cação do perispírito se verifica mediante a sua
combinação com o fluido específico do médium."
Esses "fluídos específicos do médium” (fluidos
animalizados), como Eurípedes Barsanulfo os
obtinha? Seu espírito necessitaria de um médium a
exemplo dos desencarnados? Sim, mas é evidente
que os fluidos indispensáveis à tangibilidade e, pois,
ao fenômeno da bicorporeidade (seu caso) ele
próprio os produzia, visto que. Eurípedes Barsanulfo
era, inclusive, médium de efeitos físicos.
Aconselhamos o leitor a reler com atenção o texto
acima.
As gêmeas — Continuemos com os casos. A um
senhor que procurara Eurípedes Barsanulfo para
fazer o parto na esposa, respondeu o nosso médiu,
risonho:
— O senhor está me chamando para pegar
duas meninas?
— Ah, "seu” Eurípedes, não brinque! Duas
meninas? Mas, se não posso dar conta nem de uma...
Eurípedes Barsanulfo, então, fez o parto;
realmente, nasceu um casal de lindas crioulinhas de
olho muito vivo...
O médium tornou-se padrinho de uma das gêmeas.

(Dftmird Espirita. número de dcwmbro


de 1958. editora Ediccl. (2) Item 105
de O t.irro das Médiuns. de Allan
Kardce .
Outro parto mediúnico — Narremos mais um caso
de parto feito em desdobramento.
Certa vez fora Eurípcdes Barsanulfo chamado
para fazer um parto na Fazenda Cameleira, distante
doze quilómetros de Sacramento. A parturiente era
a sra. Ana da Costa, esposa do fazendeiro Manuel
Januário da Costa. Eurípcdes Barsanulfo convidou
para acompanhá-lo na viagem o seu amigo e compadre
Joào Duarte Vilela, mais o sobrinho deste, de nome
Antenor. Foram a cavalo. O caminho era tortuoso e
escorregadio devido às pedras. Antenor, entào,
diminuiu a marcha, ficando uns duzentos metros
atráz de seu tioede Eurípcdes Barsanulfo. o qual, de
súbito, disse:
— Há novidade.
— O que foi? perguntou o Joào Duarte Vilela,
também fazendo o cavalo parar.
— O Antenor caiu com o cavalo e está em
apuros. Voltemos para ajudá-lo.
Do lugar onde Eurípcdes e Joào Duarte Vilela se
encontravam era impossível ver Antenor e o cavalo
caídos, pois o caminho fazia curvas sucessivas.
Voltaram ambos e. de fato. estava o cavalo caído
sobre o corpo de Antenor que, felizmente, não se
ferira.
Pedimos ao leitor que não se apresse cm afirmar
que se trata de um caso de clarividência, aliás,
corriqueiro... Prossigamos. Alguns quilômetros
depois, eis que Eurípedes Barsanulfo fez seu cavalo
parar e perguntou:
— Qual o caminho mais curto? Daqui a
Cameleira ou daqui a Sacramento?
— Daqui a Cameleira, respondeu Joào Duarte
Vilela. Por que pergunta?
— Porque acabo de fazer o parto na sra. Ana
da Costa, e nào há necessidade de prosseguir
viagem. Mas. já que estamos perto de Gamclcira.
vamos tomar um café na fazenda da sra. Ana da Cos-
ta...
E Joào Duarte Vilela e Antenor, admirados,
constataram que. cm verdade o fenômeno era
autêntico — Eurípedes Barsanulfo já havia feito, em
espírito, o parto na sra. Ana da Costa, minutos atrás!
Caso da sra. Edalides Míllan — Um outro caso.
nào menos notável, nos foi relatado pela própria irmã
de Eurípedes Barsanulfo: a sra. Edalides Míllan da
Cunha, esposa de José Rezende da Cunha.
Contou-nos ela que estava grávida e passava mal,
quando Eurípedes Barsanulfo. no Colégio Allan
Kardcc, recebera o se- guinte aviso telepático
enviado pelo Dr. Bezerra de Menezes: "Venha à casa
de sua irmã Edalides. A vida dela está em perigo."
O médium encerrou mais cedo a aula e foi vê-la;
encontrou-a prostrada e com dor. Contou-lhe. entào.
o ocorrido no colégio e acrescentou em semi-transe
mediunico:
— Agora, o I)r. Bezerra de Menezes está me
informando que a senhora necessita com urgência de
uma intervenção obstétrica.
— Realmente, tenho hoje muita dor. mas é
proveniente da gravidez... Isso é normal.
— Não é normal. O Dr. Bezerra de Menezes se
propõe a retirar a criança que está morta há dias
dentro de seu ventre. Não podemos perder um
minuto mais!
A sra. Edalides ficou estarrecida com a notícia: a
criança já havia completado seis meses!
— Com ela morta sua vida corre perigo, insistiu
Eurípedes Barsanulfo.
A sra. Edalides olhou o irmão mediunizado. fez
uma prece e autorizou a operação.
Eurípedes Barsanulfo. entào. sem empregar
anestesia material. mas usando instrumental
precário, retirou a criança, já em estado de
putrefação...
Um outro caso semelhante foi registrado pelo
autor deste livro. A beneficiada chamava-se sra.
Leonillla Ribi. esposa de Eduardo Dictrich Ribi.
residente no lugarejo Usina do Chimarro, próximo à
cidade de Araraquara. A única diferença em relação
ao caso anterior é que Eurípedes Barsanulfo fez o
trabalho em espírito.
Eurípedes Barsanulfo salva mãe e filho — É
imprescindível deixar em evidência que Eurípedes
Barsanulfo jamais se negou a atender quem quer que
fosse — mesmo sendo o doente inimigo declarado da
Doutrina dos Espíritos. E. por isso mesmo, mais de
meio século após o desencarne é seu nome ainda
lembrado com muita ternura e seu retrato encontra-
se em quase todas as residências. hotéis, pensões e
até em restaurantes de todo o Brasil Central. O caso
que passaremos a narrar prova a assertiva.
Adcvita Goulart, a jovem esposa do sr. Odorico
Tormin, era muito rica e. pois. respeitadíssima na
sociedade sacramentana. Católica intransigente, não
suportava, sequer, ouvir o nome de Eurípedes
Barsanulfo... Mas, ficou grávida e a posição da
criança pôs em perigo sua vida. O parto era
dificílimo e os médicos achavam que a mãe ou a
criança morreria.
— Creio que devemos consultar o Eurípedes,
disse a màc de Adevita. Ele fez muitos partos
complicados e nenhuma mulher morreu em suas mãos.
Você mesma, quando menina, teve tifo e foi
desenganada, pelos médicos. Quem a salvou foi o
Eurípedes!
— É verdade, mas a cidade sabe que sou
inimiga das idéias religiosas dele. Seria vergonhoso
procurá-lo... E ele poderia recusar-se a fazer o
parto...
— Pois eu o procurarei.
O momento era oportuno. Eurípedes Barsanulfo
passava pela calçada e a mãe de Adevita foi ao seu
encalço e expôs a situação.
— Ela e o bebê correm perigo! Pelo amor de
Deus, Eurípedes! Salve, pelo menos, minha filha
Adevita! Não deixe que ela morra!
— Não ela. apenas; o bebê será salvo, também!
disse o médium, carinhosamente. Tenhamos fé em
Jesus!
Dias depois, a sra. Adevita e o sr Odorico
embalavam o menino Odon Tormin. que viria a tomar-
se um dos mais ilustres médicos de Uberaba.
Um teste para Eurípedes Barsanulfo — Carlos
Tcodoro da Cunha, proprietário da Fazenda do Rio
das Velhas, viera a Sacramento com o intuito de
ridicularizar Eurípedes Barsanulfo. Foi. pois, à
farmácia, "Esperança e Caridade" e. ocultando um
sorriso, pediu ao médium que. depressa, desse um
remédio para Cristina, sua esposa, que estava
passando muito mal...
Eurípedes Barsanulfo preparou o remédio; mas,
antes de pô- lo nas mãos do esperto fazendeiro,
recomendou:
— Note bem. Se não der este remédio ela
morrerá. Toque o cavalo, depressa, porque dona
Cristina, sua esposa, está à morte!
Carlos Teodoro da Cunha guardou o remédio no
bolso e saiu da farmácia, pensando: "Mas. que
farsante! Deixei Cristina em perfeita saúde. Ora.
ora... Mas, e se o que disse for verdade? Melhor
averiguar.
E tocou rápido o cavalo rumo à fazenda. Quando
apeou vieram logo contar-lhe que sua esposa estava
acamada, extremamente pálida, a respiração quase
imperceptível...
— Meu Deus! Então, é verdade! exclamou o
fazendeiro.
E. imediatamente, começou a dar à esposa o
remédio preparado por Eurípedes Barsanulfo.
Cristina, nessa mesma noite, começou a recuperar
a saúde. E Carlos Tcodoro da Cunha, quase um beato,
converteu-se ao Espiritismo.
Um caso de varicela — Houve uma época em
Sacramento em que a varicela se propagou muito.
Uma das pessoas atingidas pelo virus foi a irmã de
João Duarte Vilela. Desejava ele visitá-la, mas tinha
receio do contágio... Como tivesse absoluta confiança
na mediunidade de Eurípedcs Barsanulfo, seu
compadre c amigo, perguntou-lhe:
— O que acha? Serei contaminado?
— Não. mas beba antes o chá de erva mular.
— Nunca ouvi falar dessa erva.
— Em baixo da árvore mais alta do seu pasto a
encontrará. Vá apanhá-la. compadre.
— Como sabe do efeito dela?
— Os espíritos estão me dizendo agora. Vá
buscá-la.
João Duarte Vilela obedeceu; encontrou-a,
exatamente, em baixo da maior árvore do seu pasto.
E Justina, a empregada, preparou o chá. A família
inteira bebeu-o; menos, Justina. por desacreditar na
erva.
Dias depois, a varicela levou Justina para o leito...
O aluno que queria ver para crer — Abramos um
parêntese para chamar a atenção do leitor para o
seguinte fato. O corpo espiritual de Eurípcdes
Barsanulfo. quando liberto do corpo somático.
embora agindo sobre a matéria nem sempre se
tornava tangível. Vamos apresentar novos exemplos
que não devem, pois (apressamo-nos a repetir) ser
interpretados como clarividência. São casos de
"desdobramento”. O próprio Eurípcdes, aliás, assim
os considerava.
Ora. Jerônimo Cândido Gomide, já com vinte e um
anos de idade, tendo o físico robusto tornara-se
enfermeiro dos obsidiados internados e zelador do
Colégio Allan Kardec. Em certa manhã, viu ele o
professor Eurípedes Barsanulfo sentado em uma
cadeira em baixo do caramanchão florido do colégio
c. julgando-o dormir, passou, silencioso...
— Onde vai o senhor, pisando como um gato?
disse o médium.
— Estou pisando assim para não acordar o
senhor.
— "Seu” Jerônimo. segundos atrás estive em
espírito na casa de dona Mariquinha, no Zagáia; a
filhinha dela. que tinha cru-
pe(l) morreu, não faz um minuto. Dona Mariquinha
está me xingando e blasfemando contra Deus e
Jesus.
Jerônimo concordou com a cabeça, mas... nào
acreditou. Se a menina ainda ontem estava tão
alegre! E. fingindo varrer o pátio, contornou o prédio
e. sorrateiro, saiu à rua, correu em direção ao
Zagáia e encontrou, realmente, a menina morta na
cama c dona Mariquinha, aos gritos, blasfemando. E
regressou ao colégio; Eurípedes
Barsanulfocontinuava sentado na cadeira...
— Venha cá. "seu" Jerônimo. É como cu disse
ou não?
— É. sim, senhor! Mas. como sabe que eu fui
verificar?
— Acompanhei-o em espírito. Pois é! Não se
pode impedir o desencarne. A menina tinha de
abandonar a terra, mas a mãe nada compreende das
coisas de Deus e blasfema. Quanto ao senhor, "seu"
Jerônimo. é um Tomé: só acredita, vendo...
Um caso de hemorragia — Em certa noite, a
menina Itália entrou aflita na casa da sra. Vitorina
de Jesus, mãe de Jerônimo Cândido Gomide,
dizendo:
— Jerônimo! Ajude-me! Minha mãe está
morrendo! Vá chamar o "seu” Eurípedes!
— O que houve?
— Minha mãe está toda ensanguentada!
— Foi facada?
— Não sei.
E Jerônimo. ainda garoto, correu em busca de
Eurípedes Barsanulfo. Quando ía contar-lhe o
ocorrido viu o médium extender- Ihe um pacote de
remédios.
— Isto é para a sra. Casimira.
— O senhor não sabe o que aconteceu c já
està dando os remédios? Ela foi golpeada, "seu”
Eurípedes! E está morrendo...
Eurípedes Barsanulfo sorriu.
— Eu fui lá em espírito e ninguém agrediu a
sra. Casimira. Quando o senhor ficar mais velho,
“seu” Jerônimo, explicarei o que aconteceu com ela.
Leve. agora, os remédios.
E, na manhã seguinte, a mãe da menina Itália ficou
curada da forte hemorragia uterina...

(1) Difteria da laringe.


Anselma e Santo Agostinho — Vivia em
Sacramento uma mulher tão bela quanto infeliz.
Chamava-se Anselma. Quando adolescente fora
seduzida pelo namorado, mas ele abandonou-a... Os
pais. sabendo do fato. expulsaram-na do lar e
Anselma entregara-se à prostituição. No entanto,
conseguira, algum tempo depois, recuperar-se,
tornando-se a melhor doceira de Sacramento. Mas.
conservava o vício da bebida, c. quando recordava o
triste passado, embriagava-se até perder,
totalmente, o controle.
Ora. em certa noite desabara sobre a cidade uma
demorada tempestade c Anselma. bêbeda, estava na
rua. A água barrenta quase à altura de seus joelhos,
corria, vertiginosa, ameaçando arrastá-la... Anselma,
mal equilibrando-se, gritou por socorro. Seus gritos
foram ouvidos por Jerônimo Cândido Gomide e Fran-
cisco Magalhães, os quais se encontravam na sacada
do Colégio Allan Kardec.
— É a Anselma! Está embriagada de novo e
pode morrer na enxurrada! Vamos trazê-la para o
colégio.
— Se fizermos isso. Jerônimo, haverá amanhã
maus comentários pela vizinhança. Dirão que nossa
intenção era outra.
— Mas. a mulher pode morrer! Escute os
gritos!
Anselma foi trazida para o salão do colégio. Os
dois cobriram-na com diversos cobertores e se
retiraram. Mas, Anselma. ainda bêbeda, ergueu-se
do sofá e. com os braços abertos, olhando o teto.
começou a berrar:
— Já sei. Santo Agostinho! Eu vou obedecer!
Já sei. Santo Agostinho! Eu vou obedecer!
Jerônimo Cândido Gomide e Francisco Magalhães,
preocupados que a vizinhança ouvisse aqueles
brados, entreolharam-se.
— Vou no salão acabar com os berros, nem que
seja à força, disse Jerônimo.
E foi. Anselma continuava gritando:
— Já sei, Santo Agostinho! Eu vou obedecer!
Jerônimo, então, que já ocupava o cargo de
zelador do colégio c enfermeiro dos obsidiados
violentos, sacudiu-a, várias vezes, pedindo que se
calasse. E a cada sacudidela mais alto ela berrava:
— Já sei, Santo Agostinho! Eu vou obedecer!
Nada fazia Anselma calar-se; e Jerônimo deu de
ombros e foi dormir. Na manhã seguinte, porém,
antes que o portão do colégio fosse aberto, viu com
satisfação que Anselma havia desaparecido. No
entanto. Jerônimo achou que devia contar a
Eurípedes Barsanulfo. E. assim que o médium chegou
com o seu costumeiro guarda-chuva Jerônimo
acercou-se.
— Bom dia. "seu” Eurípedes! Eu queria lhe
dizer...
— Nào precisa contar, "seu" Jerônimo. Eu
estava presente. Ajudei vocês a trazerem a sra.
Anselma para o colégio durante a tempestade. Foi
difícil, mas tudo correu bem! Vocês praticaram um
belo ato de caridade. Mas. "seu" Jerônimo, o senhor
não precisava usar de violência com a sra. Anselma,
pois ela. de fato. estava sendo doutrinada por Santo
Agostinho, um dos nossos irmãos da Espiritualidade
Superior. Sua violência atrapalhou um pouco, mas, a
sra. Anselma. felizmente, já deixou o vício do álcool!
Caso Ana Garcia dc Castro — A família de Ana
Garcia de Castro residia na Fazenda Ribalta, de
propriedade dc Alfredo Vilela de Andrade, na
Estação Delta, próxima de Igarapava( Minas Gerais).
Ana. com dezessete anos de idade, teve uma
forte gripe e. em conseqüência passou a sofrer de
uma infecção pulmonar; tossia, tinha febre alta.
emagreceu demais. Seu pai. Francisco Garcia,
empreiteiro na fazenda, procurou em Igarapava o dr.
Pondé: mas, o médico, achando longe a Estação de
Delta pediu-lhe que trouxesse Ana ao consultório, o
que era impossível devido á fraqueza física e ao fato
de que a viagem teria de ser a cavalo. Para livrar-se.
então, do caso. receitou o dr. Pondé alguns comprimi-
dos... E Ana piorava dia a dia. Foi quando o dono da
fazenda. Alfredo Vilela de Andrade, aconselhou
Francisco Garcia a procurar Eurípedes Barsanulfo —
e deu-lhe. em seguida, uma carta de apresentação,
embora desnecessária.
Francisco Garcia seguiu a cavalo nessa mesma
madrugada para Sacramento. Chegou pela manhã. Ao
misturar-se com o povo cm frente à farmácia
“Esperança e Caridade" ouviu, com surpresa.
Eurípedes Barsanulfo dizer alto:
Acaba de chegar da Estação — de Delta um
homem com uma carta de meu amigo Alfredo Vilela.
Esse homem pode aproximar- se...
Francisco Garcia levou um choque. Como o médium
soubera que Alfredo Vilela lhe enviara uma carta? E
que o portador desconhecido havia chegado naquele
instante? Ergueu o braço e aproximou-se com o
envelope na mão.
— Eis a carta. Vim porque minha filha está
muito doente...
— Dê-lhe este remédio. Vai fazer bem!
respondeu Eurípedes Barsanulfo. mas com um
sorriso...
Francisco Garcia agradeceu, montou no cavalo e
regressou à fazenda. E teve uma surpresa: sua filha
Ana, sem febre, sem tosse, sem dor nos pulmões,
alimentava-se!
Alfredo Vilela, que era espírita explicou, entào:
— Enquanto você foi, de madrugada, para
Sacramento, Eurípedes Barsanulfo, em espírito,
atendendo à prece que fiz. veio à fazenda ver Ana!
E, materializado por alguns minutos, curou-a. Nào há
mais necessidade dela ingerir o remédio que
Eurípedes lhe deu. sorrindo...
Francisco Garcia converteu-se ao Espiritismo.
O caso que acabamos de relatar nos foi
transmitido em São Paulo pela própria sra. Ana
Garcia de Castro.
Caso da dentadura — Certa vez, um casal
desesperado entrara na farmácia de Eurípedes
Barsanulfo.
— Moramos em Uberaba (disse a esposa) e
meu marido, dias atrás, engasgou com a parte
inferior da dentadura postiça e en- guliu-a! Ela está
parada na garganta e mal se pode vê-la. Os médicos
querem operá-lo. Ajude-nos, por favor!
O marido, ao lado, respirando com muita cautela,
escancarou a boca e Eurípedes Barsanulfo espiou.
— Creio que a peça poderá ser retirada sem
operação. Talvez. com uma pinça...
— Os médicos de Uberaba tentaram com
vários instrumentos e nào a moveram, sequer! Está
encravada.
— Eu sei. Fique sossegada, minha senhora, e
faça o seu esposo sentar-se nesta cadeira com a
cabeça bem inclinada para trás.
E Eurípedes Barsanulfo. auxiliado pelo espírito Dr.
Bezerra de Menezes, com uma simples pinça de
dentista retirou a malfadada dentadura.sem que
tivesse o paciente acesso de tosse, ânsia e
hemorragia!
O espinho no olho — Chegara à porta do colégio
Allan Kardec à procura de Eurípedes Barsanulfo um
pobre lavrador com um espinho de macaúba
enterrado no olho direito. Correu ao seu encontro o
aluno Jerônimo Cândido Gomide. dizendo:
— Meu Deus! Como aconteceu isso?
— Eu estava no mato cerrado e não vi o pé de
macaúba. Onde está “seu” Eunpcdes?
— Venha comigo. Eu o ajudo a caminhar.
E o menino levou o infeliz lavrador ao jardim do
colégio, onde o médium, sentado em um banco,
parecia meditar...
— Professor, aqui está esse homem com um
espinho no olho!
— Sente-se aqui. disse Eurípedcs Barsanulfo.
Hum... Ocaso é muito grave... Nào é. apenas, o
espinho; algumas farpas laterais estão. também,
cravadas... O olho poderá vasarse eu puxar...
— Ah. meu Deus. que fazer? gemeu o lavrador,
o sangue escorrendo em fios grossos pelo rosto.
— Ê o que veremos agora, respondeu o médium.
Vamos os três para o salào do colégio.
E subiram os degraus da escada. Eurípcdes
Barsanulfo, então, pegou lápis c papel, sentou-se e
invocou o Dr. Bezerra de Menezes. Segundos depois,
sua mào psicografava o seguinte recado: Pegue a
pinça e puxe o espinho. Não há perigo de furar o
olho. Haverá, apenas, nova hemorragia. Bezerra
de Menezes. Mas. Eurípedes Barsanulfo nào teve
coragem... O olho poderia vasar... E tornou,
mentalmente, a interrogar o espírito. A resposta
veio em outra folha de papel: Faça o que indiquei.
Eurípedes Barsanulfo, então, obedeceu: pegou a
pinça e puxou o espinho, o que ocasionou, como fora
previsto, uma pequena hemorragia.
— Por essa eu não esperava! exclamou
Jerônimo. Eu estava
certo que o olho vasaria!
— O caso parecia difícil e, no entanto, foi tão
facil... O Dr. Bezerra que me desculpe, mas eu
duvidei, também... Nós, neste mundo, temos muito o
que aprender, “seu” Jerônimo...
De novo Eurí pedes Barsanulfo em dois lugares
a um só tempo — O caso abaixo tem semelhança
com o que acabamos de divulgar. mas. como veremos,
é mais complexo. O dentista José Gonçalves
Novelino (1) residia com sua esposa Josefina Mello
em uma vila mais tarde chamada Delfinópolis (Minas
Gerais). Espírita muito caridodo instalara no lugarejo
(hoje município) uma farmácia homeopática, a fim de
oferecer melhor assistência aos enfermos sem
recursos.
Certa vez.
foi ele chamado para ver um fabricante de fogos
juninos que recebera no olho um fragmento durante
uma explosão... O caso era grave.
— Tire o estilhaço, doutor, com sua pinça de
dentista, implorou o infeliz.
Mas Novelino recusou. Mal se via o corpo estranho
entre as estrias de sangue e era um temeridade
introduzir a pinça no olho

Aconselhou, porém, o caboclo a pedir a Jesus que


permitisse a vinda de Eurípedes Barsanulfo, em
espírito, à sua
casa.
— Faça uma oração E a manhà, às oito horas da
manhà, aqui estarei com meu material cirúrgico para
retirar o fragmento, caso Eurípedes Barsanulfo. em
espírito, nâo venha...
E. antes de se despedir, deu-lhe um passe
magnético.
Na manhà seguinte. José Gonçalves Novelino
voltou e, surpreso. viu o caboclo à porta, aguardado-
o.
— O homem já fez o serviço, doutor! Ele veio!
E alegre, abriu um chumaço de algodão e mostrou-
lhe o fragmento.
— Ele saiu daqui, neste momento, dizendo que
esperava o senhor em baixo da árvore de óleo, na
pracinha...
— Tem certeza de que é o Eurípedes
Barsanulfo?
— Pois quem houvera de ser? O homem tem os
traços que o senhor me disse.
O dentista despediu-se e foi à árvore de óleo
(copaíba). E Eurípedes Barsanulfo, então, orientou-o
sobre o movimento espírita local c recomendou que
fizesse curativos no olho do paciente — e
desapareceu, de súbito.
Acidente com arma de fogo — Certo dia, um
roceiro recebeu um tiro de revolver na nádega e foi
levado às pressas à presença do farmacêutico
conhecido por "Neto” que era, aliás, genro do
coronel José Afonso de Almeida, presidente da
Câmara Municipal de Sacramento. Neto, após
examinar o ferimento, despachou o roceiro, dizendo:
— Não posso extrair a bala; nào se percebe
onde está localizada. Esse trabalho só o Eurípedes
Barsanulfo pode fazer. Procurem-no.
O médium estava em sua farmácia e ajudou o
roceiro a entrar, acompanhado de populares.
— A arma que disparou é de sua propriedade,
disse Eurípedes Barsanulfo; não perguntando, mas,
afirmando.
— Sim. senhor, confirmou o roceiro. O
revolver é meu.
—O tiro foi um acidente.
— Foi. sim. senhor.
— E nào sabe como pôde o revólver disparar
sozinho.
— Não. senhor. Como é que sabe tudo isso se o
senhor nâo estava na minha casa?
— Os Espíritos estão me contando. Pode
descer, agora, a calça.
E Eurípedes Barsanulfo olhou o orifício causado
pela bala e. sob a ação do Dr. Bezerra de Menezes,
pôs o dedo no exato ponto onde ela se encontrava —
quarenta centímetros abaixo.
— Aqui! Ela está escondida, aqui... na coxa...
E, com o bisturi, fez um corte fundo, introduziu a
pinça e retirou o projétil.
Caso dos dois tumores — A sra. Elvira Candida
Borges (progenitora de Manoel, de Margarida c de
Zenon Borges, discípulos de Eurípedes Barsanulfo)
dias depois de dar à luz escorregou no quarto e,
como consequência da queda, formaram-se dois
tumores no ventre, cada qual do tamanho de uma
laranja. Nessa época era Eurípedes Barsanulfo muito
jovem ainda não praticava a mediunidade; mas. para
consolá-la, fez uma premonição que haveria longos
anos depois de cumprir-se.
— Olhe. comadre, um dia hei de curá-la!
Treze anos se passaram e, numa tarde, já médium
conscientizado. encontrou a sra. Elvira Candida
Borges nas proximidades do Colégio Allan Kardece
disse:
— A senhora hoje deverá deitar-se mais cedo
porque eu. em espírito, irei às nove horas da noite à
sua casa para curá-la. Não se preocupe porque não
sentirá dor. E nem me verá.
— Meus caroços estão enromes!
— Eu sei, mas, se tiver fé em Jesus acordará
amanhã sem
eles.
No dia seguinte, a sra Elvira Candida Borges
estava livre de seus tumores...
Há de pergu ntar-se: como o espírito do médium
pôde extrair os tumores tão grandes quanto uma
laranja, se o seu perispirito não se tornara tangível?
Ora. a matéria não constitui obstáculo aos
espíritos e estes podem, inclusive, modificar-lhe as
propriedades. Sendo a penetrabilidade uma das
características do perispirito. Eurípedes Barsanulfo
não teria dificuldade, pois. em desagregar os átomos
de que eram constituídos os tumores da sra. Elvira
Candida Borges e, assim, fazê-los desaparecer.
A cura do bebê — Contou-nos Odilon José
Ferreira (dentista e discípulo de Eurípedes
Barsanulfo) que em 1908 transferira de Frutal para
Sacramento sua família, trazendo um filho recém-
nascido de nome João. O bebê chorava dia e noite e
a mãe de Odilon descobriu que era devido ao fato de
não urinar. Mas. porque o bebê não conseguia expelir
a urina? Foi ele, então, levado à presença de
Eurípedes Barsanulfo. que disse:
— Vamos à farmácia.
Foram. E o médium, depois de sentar-se,
concentrou-se por breves segundos; e, sorridente,
pegou o bisturi.
— O que vai fazer?
— simples. Ele vai urinar, já.
E pediu à Jósia. irmã de Odilon, que despisse o
bebê. Em seguida, deu um golpe rápido no prepúcio
da criança e explicou:
— A uretra estava fechada por uma película.
Em menos de um minuto ele vai urinar. Aguardemos.
E o bebê soltou a urina represada desde o
primeiro dia de seu nascimento.
O garoto e a gangrena — O sr. Angelo Ribas
Sobrinho é o- dontólogo. A maneira pela qual o
conhecemos em Uberaba na sede da Comunhão
Espírita Cristã (em presença de Chico Xavier) já foi
relatada na introdução desta obra. Pois bem.
Narrou-nos ele que em criança tivera uma ferida
enorme na perna e que os remédios foram em vão:
dia a dia mais ela ficava arruinada, tomada de
manchas negras e com odor pútrido. O médico José
Ferreira achou melhor, então, fazer a amputação.
Não havia dúvidas: a perna estava gangrenada. O
capitão José Ribas, que era o pai concordou e a data
foi marcada.
O menino, porém, apavorou-se e fugiu em um trem
da antiga linha Mogiana com destino à cidade de
Conquista, onde saltou. E seguiu a pé. a fim de rever
Eurípedes Barsanulfo. seu professor, em
Sacramento.
— Vamos orar, meu filho. Deus há de ajudá-lo,
disse o médium, enquanto o menino Angelo em
lágrimas, abraçava-o.
O tratamento com Eurípedes Barsanulfo durou,
exatamente, vinte e um dias.
— A ferida cicatrizou (disse-nos o sr. Angelo
Ribas Sobrinho) nunca mais tive problema com a
perna! E já cinquenta anos são decorridos!
Caso Maria Modesto Cravo — Outro caso
semelhante, mas. por certo, mais notável devido às
complicações obsessivas, foi vivido por Maria
Modesto Cravo, senhora muito querida no movimento
espírita uberabense pela missào que veio a desem-
penhar.
Ouçamos o médico Inácio Ferreira(l), diretor do
Sanatório Espírita de Uberaba — sanatório
construído por Maria Modesto Cravo com o auxílio
do povo.
Em 1916, adoecera, em Uberaba, uma senhora.
louca.
Família pobre, porém, unida pelos laços fraternos
tudo fez para amparar aquela que um desequilíbrio
mental obrigava a uma vigília contínua.
Levaram-na ao primeiro médico, ao segundo, ao
quinto, sem que os recursos da sua ciência
conseguissem um alívio, sequer.
O estado da enferma agravara-se de tal maneira
que nenhuma esperança se alimentava para a
restituição da sua saúde, mesmo porque o seu
médico assistente dissera à família que nada mais
podia fazer, mas que, depois de seu regresso de uma
viagem ao Rio de Janeiro, novamente a atenderia,
apenas em solidariedade u família. Se, na sua
ausência, se manifestassem crises mais violentas,
que a fechassem em um quarto reforçado —
providência que chegou a ser tomada.
Na manhã seguinte, agravara-se muito o estudo
de saúde da enferma, porquanto a perna esquerda
estava bastante inchada, com manchas roxas,
enormes. Alarmada, a família volta ao consultório do
médico. Este. após longo e minucioso exame diz:
_ Infelizmente, todos os sintomas, e
características são de
gangrena e, nesses casos, só a amputação da perna
poderá resolver. Aconselho procurar um médico
cirurgião, porque o caso. agora, pertence mais a ele.
Ante diagnóstico tão sombrio, a família
telegrafou a Eurípedes e este, incontinenti
respondeu pedindo que levassem a enferma a
Sacramento para onde seguiu, no dia imediato, com
imensas dificuldades.
Naquela mesma noite, na sua residência.
Eurípedes, com o seu sorriso de sempre, foi logo
proporcionando esperanças, consolo e tranquilidade.
Ficaria sã do desequilíbrio menta! E quanto à
gangrena, não passava do efeito da atuação do
espírito obsessor!...
Dois dias depois, apenas aplicando água fluida
para banhar a perna, a gangrena havia desaparecido
e dezoito dias depois, estava completamente livre do
desequilíbrio mental!

111 Vide ".Suhciilso p:irj a hiitóm dc Kuripcik*


Barunulfo”. <1c Inicio I erreira. p*v 19 c 20. lidscJo
ilo autor. anoilc I9O2. Uberaba.
Notemos o que afirma o médico Inácio Ferreira;
com aplicações de água fluida, dois dias depois a
perna condenada ficara sá. Esta informação deixa
evidente, mais uma vez, quào notável era o poder
magnético dos fluidos de Eurípedcs Barsanulfo!
O estranho caso da mão amputada — Na
introdução deste livro informamos que Eurípedes
Barsanulfo amputara a perna do major Antonio
Goulart. Pois bem. Não constitui esse caso uma ex-
ceção na fenomenologia apresentada pelo apóstolo
de Sacramento. Vamos registrar mais dois.
O velho fazendeiro Fajardo possuía um engenho
de madeira movido a bois onde fabricava rapadura e
açúcar redondo, muito usado na época.
Um dia, ao colocar a cana entre as moendas,
distraiu-se e uma de suas mãos foi puxada e
esmagada até o punho. Com os gritos os caboclos
vieram em seu auxílio e Fajardo foi levado à
farmácia de Eurípedes Barsanulfo. em cuja porta já
o público se aglomerava...
O médium, sob a influência do Dr. Bezerra de
Menezes pediu então, à tia Amália. que depressa
fosse ao açougue e trouxesse uma serra... E, sob as
vistas dos curiosos (entre os quais estavam Angelo
Ribas Sobrinho e Odilon José Ferreira) empunhou a
serra e realizou a amputação. Em seguida, fez
lavagem e curativo.
É notável o fato de que Eurípedes Barsanulfo não
fizesse emprego de anestésicos materiais e nem de
suturas. E mais: não puxou o tecido para cobrir os
ossos; todavia, trinta dias depois estavam cobertos
e a cicatriz era uma linha reta!
O caso. no entanto, não termina aqui. E o detalhe
que vamos acrescentar só poderá ser compreendido
se admitirmos o que podemos chamar de "reflexo
magnético no perispírito". É que, meia hora depois do
ato cirúrgico (sem dor, repitamos) o fazendeiro.
súbitamente, queixou-se de uma forte picada na
palma da mão que havia sido amputada... Eurípedes
Barsanulfo. então, surpreendentemente respondeu:
— E tem toda razão de sentir dor. O Dr.
Bezerra de Menezes já me mostrou a causa.
E chamou os rapazes que haviam enterrado a mão
amputada dentro de uma caixa de charutos e lhes
disse:
— Desenterrem a caixa de madeira e tirem o
prego que está fincado na palma da mão. E tornem a
enterrá-la de novo.
Os rapazes obedeceram e, com admiração
encontraram um prego preso na mão! Arrancaram-no
e o sr. Fajardo não mais se queixou de dor.
Evidentemente, tendo sido feita a amputação
minutos atrás, havia ainda uma ligaçào magnética
entre a mào amputada e a mão perispirítica do sr.
Fajardo.
Caso do braço amputado — Eis mais um caso de
amputação. Ele apresenta uma premonição e vale a
pena passá-lo aos leitores.
Toniquinho Buta era muito conhecido em
Sacramento. Certa vez. devido a um acidente com o
bondezinho que fazia o trajeto Sacramento-Estação
do Cipó. apareceu em seu braço um tumor, que logo
gangrenou. Procurou Eurípedes Barsanulfo, c. então,
ouviu os seguintes conselhos:
— É preciso fazer a amputação. Neste caso
não há outro jeito, meu filho. Mas, tudo sairá bem.
Tenha fé em Jesus e nos bons espíritos!
E. chamando a um canto a esposa de Toniquinho e
o velho pai. o médium acrescentou:
— Ele viverá muito tempo ainda e só
desencarnará com a tosse...
Depois, pediu à tia Amália que apresentasse
desculpas ao açougueiro, mas que ele lhe
emprestasse, mais uma vez, a serra. Quando tia
Amália regressou teve dificuldade em entrar na far-
mácia: dezenas de mulheres e homens, espantados,
atravancavam a entrada. Eurípedes Barsanulfo.
então, tirou o casaco e, em transe mediúnico, pegou
o bisturi e abriu a carne na altura da articulação do
braço. Toniquinho Buta não gemeu uma vez só. Em
seguida, o médium tomou a serra das mãos de tia
Amália, serrou o osso e colocou o braço gangrenado
em um recipiente com formol.
Toniquinho Buta. conforme previra Eurípedes
Barsanulfo. veio a desencarnar muitos anos depois —
tuberculoso...
Uma dramática premonição — O sr. Moisés
Santana, advogado e aplaudido jornalista de Uberaba
por seus artigos combativos. levara a esposa a
diversos médicos, mas ela piorava de consultório em
consultório. Resolveu, pois. ir a Sacramento c
solicitar uma receita mediúnica a Eurípedes
Barsanulfo. Quando entrou na farmácia para
entender-se com o médium encontrou, porém, os
remédios já prontos. Eurípedes Barsanulfo.
entretanto, disse- lhe:
— Antes dos remédios terminarem sua esposa
estará curada, mas o senhor deve mudar-se de
Uberaba, o quanto antes! Se não o fizer poderá ser
assassinado.
— Por que me diz isso?
— Santo Agostinho está me pedindo para
avisá-lo.
O jornalista regressou a Uberaba e deu os
remédios à esposa. Ela curou-se, mas ele continuou
na cidade e. duas semanas depois, foi assassinado
pelo dr. Joào Henrique, médico e deputado ube-
rabense.
Mais uma dramática premonição — Certa vez,
Eurípedes Barsanulfo, no colégio, cerrou os olhos e,
após o transe, disse aos seus alunos:
— Acabo de ter uma visão horrível! Presenciei
uma cena que vai se realizar nesta rua. Ela envolve
pessoas que conhecemos e amamos. Meus Deus, que
quadro doloroso, este que os espíritos me
mostraram! A cidade vai ficar abalada!
Uma semana depois, cumpria-se a visão
premonitória. Adal- giso Dornelo, ex-aluno de
Eurípedes Barsanulfo fora à barbearia e,
desentendendo-se por questões comerciais com o
barbeiro conhecido por Bibío, deu-lhe um tiro de
revolver. Bibío caiu e Adalgiso começou a atirar nas
pessoas que se aproximavam. Uma das balas atingiu
Edmundo Ferreira, o primeiro fotógrafo de
Sacramento e proprietário da casa onde estava
instalada a barbearia. Seu desencarne foi
instantâneo.
Edmundo Ferreira era casado com uma prima de
Eurípedes Barsanulfo e, logo após o enterro, ele
apareceu conturbado na farmácia e perguntou:
— Eurípedes, por que estou afastado da
família? Falo e ninguém me olha nem responde... Por
que fazem isso comigo?
— Você desencarnou, Edmundo. Olhe, acaba de
chegar o nosso querido Dr. Bezerra de Menezes.
Acompanhe-o. E ore bastante!
E, mentalmente Eurípedes Barsanulfo fez.,
também, uma prece.
Tentativa de morte contra Eurípedes
Barsanulfo — Ãs seis horas da tarde, quando os
alunos já se haviam retirado do colégio, subia
Eurípedes Barsanulfo ao salão nobre acompanhado
de pessoas necessitadas de passes. A reunião tinha a
colaboração de médiuns de Sacramento e da
Fazenda Santa Maria.
Terminados os passes. Eurípedes Barsanulfo
entrava em transe inconsciente e Santo Agostinho
encerrava a sessão com uma exortação evangélica.
Em uma dessas concorridas reuniões verificou-se um
trágico acontecimento. O telegrafista Carlos Viote,
impulsionado pelas trevas, entrara, de súbito, no
salão com um revolver apontado para Eurípedes
Barsanulfo em transe... Houve um forte tumulto, mas
Santo Agostinho, tranquilo disse ao telegrafista:
— Abaixe a arma. em nome de Jesus!
E um novo imprevisto aconteceu: Carlos Viote
entrou cm estranha convulsão, dobrou-se e caiu no
tablado.
— Peço que nào toquem nele. O obsessor já
está sendo retirado. avisou Santo Agostinho.
Segundos depois, Carlos Viote recobrava a
consciência. O delegado de Sacramento, que assistia
à reunião, deu-lhe ordem de prisão: mas. Santo
Agostinho aconselhou deixá-lo em liberdade. E
acrescentou:
— Façamos em favor dele e dos obsessores
uma prece. A liberdade para Carlos Viote é
necessária para que se cumpra o seu destino.
Eurípedes Barsanulfo. então, abriu os olhos. E
contaram-lhe o sucedido.
— Por que Santo Agostinho dissera que a
liberdade era importante para que o destino de
Viote se cumprisse?
— Não sei, respondeu Eurípedes Barsanulfo.
Mas. o tempo o dirá...
O telegrafista Carlos Viote era fácil presa das
trevas: vivia em bares, era dado à bebida e envolvia-
se. constantemente, em brigas. E. alguns anos após o
incidente no colégio desencarnou de maneira trágica
na residência de seu sogro: foi baleado por Angelino
de Almeida. Dois tiros de revolver: um. perfurou seu
relógio de bolso e o outro atingiu-o no peito. Estava
cumprida a Lei de Ação e Reação. Eurípedes
Barsanulfo, chamado por um grupo de populares,
correu ao local, mas encontrou Carlos Viote já
agonizante. Ainda, assim, ao ver o médium
desabotoar-lhe a camisa, disse num fio de voz:
— Tentei duas vezes matá-lo... Eu estava no
bar do Aristóbulo. Mas. o senhor, nào sei como,
desapareceu da minha vista... Nào sei porque fiz
isso... Três vezes atentei contra sua vida e é o
senhor que vem agora me socorrer...
Eurípedes Barsanulfo começou a orar c Carlos
Viote desencarnou em seus braços.
A aparição e a esposa — É muito natural que
pessoas lastimem a perda de entes queridos. Mas.
eles nào se foram para sempre! E se esforçam para
dar provas de que a vida continua. Se nem sempre as
conseguem é porque motivos há. Por exemplo: a falta
de preparo psicológico dos que ficaram “do lado de
cá". O fato que

Esta relha fotografia sem retCM/ars maura os rer-


dadeirm traf as fisionómicos de Earipedet Harsannl/o.
Mpassaremos a narrar ilustra o que acabamos de
afirmar. Se não, vejamos.
Contou-nos Odilon José Ferreira que seu pai
desencarnara em 1910 c que, semanas depois,
saudoso de sua.esposa, apresentou- se materializado
com um buquê de saudades roxas perante seu amigo
Eurípcdes Barsanulfo, dizendo:
— “Seu" Eurípcdes, o senhor acha que posso
levar estas flores para Francisca? Eu gostaria que
ela tivesse certeza de que continuo vivo. Ela é
católica, o senhor sabe...
O médium sorriu e recomendou-lhe que logo se
afastasse caso dona Francisca se atemorizasse. O
espírito, então, desapareceu e. um quilômetro
depois, reapareceu, totalmcnte materializado. Dona
Francisca, na sala de visitas, sentada costurava. O
espírito aproximou-se com o buque de saudades
roxas. O choque emocional foi muito forte: sua
esposa não estava preparada e ao vê-lo gritou e
desmaiou... Sua filha Jósia, então, correu à farmácia
e chamou Eurípcdes Barsanulfo. Mas, dona
Francisca, sendo católica, não lhe contou a razão do
desmaio — e nem Eurípedes Barsanulfo perguntou...
Dias depois, dona Francisca foi passar uns dias na
residência de seu filho na cidade vizinha de Franca.
O espírito, então tomou a procurar Eurípedes
Barsanulfo, e disse que iria, mais uma vez, tentar
dar as florees à esposa...
— Está bem, mas não esqueça a recomendação
que fiz... respondeu o médium.
Deixemos, agora, que o prório depoente Odilon
José Ferreira, filho de Dona Francisca, conte o
epílogo:
Quando papai chegou diante de minha mãe, ela
quase morreu de susto e resolveu voltar para
Sacramento. Eurípedes, preocupado foi ao seu
encontro, o que se deu em Jaguara, onde os trens se
cruzavam. E voltou com mamãe para Sacramento.
Durante a viagem, a velha resolveu contar o fato a
Barsanulfo, pedindo-lhe que aconselhasse o velho a
não tentar mais levar-lhes as saudades, porque tinha
ela medo. Eo velho, aconselhado, não insistiu mais.
Caso Azarias Arantes — Azarias Arantes, primo
do poeta Al- tino Arantes, então governador do
Estado de São Paulo, residia em Igarapava e exercia
a função de coletor estadual. Sofria de dores na
espinha e, não obstante o tratamento dos médicos
de São Paulo e Rio de Janeiro, viu-se obrigado a
deixar o trabalho. Mas, a moléstia continuou a
evoluir, e não mais conseguiu ele erguer-se do leito.
E, assim, entrevado, viveu longo tempo, definhando
dia a dia, até que amigos seus, penalizados, levaram-
no a Sacramento em u’a maca.
Eurípedes Barsanulfo receitou-lhe dois remédios;
e transmitiu-lhe passes mediúnicos diários na
própria pensào onde se encontrava. Ao fim de pouco
tempo deixou ele o leito. E voltou a trabalhar. Mas,
nào esqueceu as prédicas evangélicas do apóstolo, de
quem se fez grande amigo. E em Igarapava fundou
um centro espírita, passando a levar a Sacramento,
mensalmente, pessoas doentes. Azarias Arantes, no
rumoroso processo contra Eurípedes Barsanulfo,
apresentou-se como sua testemunha de defesa.
Eurípedes Barsanulfo e a menina médium — Eis
um outro caso notável. Fora trazida da Fazenda
Palhares para Sacramento, a fim de ser tratada por
Eurípedes Barsanulfo, a menina Rita. Tinha ela dois
problemas: o corpo estava tomado pelo fogo sel-
vagem (pênfigo foliáceo) e Rita revelara-se, de
súbito, uma notável médium de efeitos físicos, o que
deixara seus pais atônitos... Por intermédio dela
processava-se o fenômeno da “voz direta": a menina
exteriorizava o ectoplasma e com ele o espírito
formava as cordas vocais, podendo, desta forma,
articular palavras. O espírito manifestante era Guia
de Rita e respondia às perguntas que lhe faziam,
dando, assim, provas da sobrevivência.
Eurípedes Barsanulfo tomou Rita sob os seus
cuidados, mas avisou os parentes que o desencarne
estava próximo. E acrescentou:
— Quanto ao espírito é impossível afastá-lo. Ele é
bom, e cumpre uma missào com a criança. Eu
gostaria, aliás, de facilitar- lhe a missào, que há de
terminar dentro de dias... Se os senhores me
autorizarem...
E o apóstolo com a permissão dos parentes
colocou a pequena enferma cm uma casa vasia — e
permitiu, dentro de certo horário, que o público a
visitasse... Perguntas eram formuladas, inclusive,
mentalmente, e o espírito as respondia sem cometer
enganos. O caso foi muito discutido em toda a cidade
e até beatos, contrariando os padres da Igreja-
Matriz, não resistiram à curiosidade c visitaram
Rita... Mas, o fenômeno durou pouco. A menina
médium, dias depois, desencarnara assistida com
muito amor pelo apóstolo de Sacramento.
Um caso de tuberculose — Contou-nos Oscar
Tolentino Bagucira Leal que sua constituição física
sempre fora muito delicada e que em 1913, sendo,
entào, jovem, lhe apareceram os primeiros sintomas
de tuberculose: febre, tosse, emagrecimento
contínuo... Três anos se passaram com os pulmões
minados, as hemoptises se sucedendo. Fora
desenganado pelos tisiólogos de São Paulo. Um amigo
da família sugeriu, então, fosse ele transportado
para Sacramento. Quem sabe poderia Eurípedes
Barsanulfo curá-lo?
Oscar Tolcntino Bagueira Leal não nos soube dizer
que remédios o médium lhe fornecera,
gratuitamente, durante meses. Mas. paralelo ao
tratamento material fora feito o mediúnico, através
de água fluida e passes transmitidos pelo próprio
Eurípedes Barsanulfo. E foram os passes,
fatalmcnte, que o curaram, pois não havia em 1916
drogas específicas contra a tuberculose — moléstia,
então, que mais mortes causava cm todo o globo.
O nosso bom amigo Oscar Tolentino Bagueira
Leal, espírita convicto, desencarnou com quase
oitenta anos de idade.
Caso da progenitora de um jornalista espírita —
Vejamos, agora, o último caso. O depoimento que
passamos a transcrever nos foi remetido pelo
odontólogo Agnelo Morato, um dos redatores do
mensário espírita “A Nova Era", de Franca. Tem por
título “Ante a Verdade” e é (segundo suas próprias
palavras) uma “confissão de um filho ante a cura
obtida pela sua mãe lévâdâ a efeito cm Sacramento,
por Eurípedes Barsanulfo”.
No cartão que acompanhou o depoimento redigido
especial- mente para este livro, frisou Agnelo
Morato: “os reparos ficam por sua conta". Mas. por
uma questão de autenticidade não fizemos uma só
vírgula mover-se. Algumas frases poderão parecer
obscuras. mas os leitores hào dc perdoá-las porque
foram escritas sob forte tensão emocional. E na
continuidade da leitura serão, afinal, compreendidas.
Terminava o ano de 1914. Meus pais: Domingos
Sarto Morato e Josefina Trócoli, residiam em
Franca. Minha mãe teve nesse tempo, duas crianças.
Seu parto foi laborioso e as gêmeas foram assistidas
por parteira leiga, que achou melhor a presença do
médico. Compareceu, então, o facultativo é a custo
sustou uma hemorragia alarmante. A parturiente
ficou muito debilitada, e, mais ainda, lhe causou
transtorno ao ter conhecimento que as
meninas(Florípedes e Angélica) não sobreviveram,
além de quinze dias. Seu abalo moral causou-lhe
profunda anormalidade psíquica e seu
enfraquecimento mais se acentuou.
Agravara-se seu estado físico de tal maneira, que
seu médico assistente, o dr. Paiva resolveu convocar
junta médica. Achou necessário obter diagnóstico
exato da enfermidade de minha mãe.
Assim, compuzeram nessa consulta, e os exames
dependentes, médicos de renome da época em
Franca: dr. Walfrido Maciel e dr. Hortêncio
Mendonça. O resultado desse encontro foi a
declaração fria de que a doente estava acometida de
uma tuberculose em estado irreparável.
Onda de desesperança invadiu nossa casa!
Tuberculoso naquele tempo estava condenado <i
morte. Era fatal! Os ricos poderiam, quando muito,
adiar seu decesso se procurassem climas propícios.
Mas os pobres (e meu pai era operário) só encon-
travam uma solução: isolar dentro da própria família
os infelizes doentes. Dessa maneira dever-se-ia
obedecer à recomendação do médico para evitar
contágio. Assim foi feito: pratos, cama, quarto
foram separados entre a enferma e os familiares .
Que doloroso episódio: dois filhos (eu e minha irmã
Marinha Morato) foram arrancados do convívio
materno em nome da sobrevivência. A transmissão
do mal era mais temida do que o próprio bacilo de
Koch! Dias negros para uma criança de quatro anos,
quando mais necessitava do carinho maternal. Minha
pobre irmã (desencarnada em 1933), às escondidas,
entrava-se-lhe no quarto do isolamento para abraçar
a progenitora, em pranto! Meu pai — um revoltado a
trabalhar dez horas por dia, não continha suas
blasfêmias. Além de anticlerical. por natureza rude,
tinha tendência para o Partido Anarquista,
desfraldado pela exaltação de fíakouninne, na
Rússia, e abrandado pelo socialismo de Francesco
Nitti, na Itália. Não admitia conforto espiritual por
parte de ninguém, quando o queria em condições de
bom ânimo. Essa a situação aflitiva do nosso templo
doméstico, nesse tempo, de dura provação para
todos nós! Sem mãe. condenada pelo terrível mal,
nem remédios lhe amenisavam as crises agudas,
faltava-nos muitas vezes, em casa, o lume, porque
nada havia para levar-se ao fogão. Nessa hora de
dificuldades sem conta, visitou-nos um irmão carnal
de minha mãe. Era o lio Francisco Trócolli. residente
naquele tempo em Sacramento e viera ver a irmã
enferma. Tomou conhecimento da situação toda.
Aconselhou meu pai a levá-la imediatamente para que
Eurípedes Bar- sanulfo a visse de perto. Meu pai
relutou, tão cético era!... Mas tio Chico demoveu-o
de seu pessimismo. Pediu-lhe, pelo menos, tivesse
contato com o falado taumaturgo do Triângulo
Mineiro. Já nessa época o nome do médium
sacramentano era uma bandeira de esperança a uma
coorte de sofredores. Todo o Brasil Central e o
Estado de São Paulo tiveram notícias categóricas de
suas curas extraordinárias. Por isto. venceu a
argumentação do nosso bondoso parente. A
relutância cedera lugar à tentativa de mais uma ex-
periência. Desse modo, minha mãe, em estado
gravíssimo, foi levada para Sacramento. Isto se deu
no início de 1915. No mesmo dia de sua chegada,
anunciaram-lhe que Eurípedes. após a reunião no
Colégio Allan Kardec, viria vê-la, pois ela não se
locomovia tal o estado de sua fraqueza orgânica. Era
em uma noite do mês de fevereiro, conforme relatos
que nos chegaram tempos depois. Minha progenitora,
visivelmente exaurida, quase sem voz. pôs-se então a
esbravejar como se algo lhe tomasse as cordas
vocais. Gritava e protestava. Não permitia a
presença daquele homem junto dela. Era católica e
não podia abjurar seus princípios religiosos. Horas
depois, entrava na casa do tio Chico Trócolli a figura
impoluta e santa de Barsanulfo. Foi direto à cadeira
onde se encontrava a enferma. Tomou-lhe as mãos
brancas e descarnadas e iniciou ali uma doutrinação
com muita meiguice. Ao sair o médium amigo
recomendou a minha tia Sinhá de Castro, esposa do
nosso tio, muita oração em favor da doente. Pediu,
ainda, a meu pai para acompanhá-lo, a fim de trazer
à minha mãe os medicamentos de que ela
necessitava. Tudo viria da farmácia mantida por ele,
nos fundos da casa comercial do seu pai — o senhor
Mogico. No caminho Eurípedes Barsanulfo falou ao
coração daquele homem desiludido: — “Sua esposa
pode recuperar-se. Ê vitima de uma obsessão. Dado
seu enfraquecimento geral foi presa fácil des
espíritos sofredores. Tudo há de contornar-se, mas
depende tudo também de sua colaboração decidida.
Antes, meu irmão, (meu pai ouvia assim pela primeira
vez a evocação fraterna daquela criatura) antes,
deverá combater suas idéias materialistas, que o
fazem tomar atitudes contrárias às leis de Deus...
Assim iniciaram, naquele dia. a recuperação da
saúde de minha mãe e a libertação da influência
anárquica de meu pai. Aquele homem revoltado
contra sua condição de pária, aparentemente
injustiçado, tomou naquele instante uma vitoriosa
deliberação. Embora de cultura primária, pouco
conhecimento além da alfabetização procurou saber
as novas sobre o Espiritismo. Assim. quantas vezes
meus olhos de criança o viram interessado nas
leituras das obras de Allan Kardec. recomendadas
pelo próprio Eurípedes. Noite a dentro, lá estava ele
interessado nas lições contidas nessas páginas
magistrais. Lia até altas horas da noite, porque
durante o dia estaria firme no ganha-pão para a
subsistência da família.
Ele mesmo repetia-nos comumente: — "Meu
encontro com Eurípedes naquela noite, em casa do
cunhado Chico, mostrou-me minha Estrada de
Damasco. ”
Mais tarde minha mãe. já restabelecida, contava a
muita gente as impressões de seu pavor ao ver pela
primeira vez aquele missionário do Bem. E relatava:
— “Quando soube que ele era espírita. acordaram-
me em mim as advertências do padre Marciano, meu
confessor. Ele dizia ser o Espiritismo obra do
demônio e que os católicos deviam se insurgir contra
essa doutrina deletéria. Ao vê-lo entrar em casa do
mano Chico e vir ao meu encontro, não vi um homem
e sim um horrendo fantasma, coberto de larvas. À
medida, porém que ele se encaminhava para mim os
bichos nojentos desprendiam-se dele e caíam no
chão sob ruído semelhante a galhos secos, que se
partissem. Ao tomar-me as mãos e ao falar-me
meigo, senti seu olhar tranquilo e suave. E, assim,
tudo que vira antes se desfez para que o visse em
sua simpatia iluminada, cheia de paz. ”
Coisa interessante, digna de registrar-se neste
relato. Minha mãe. a maior beneficiada de nossa
família, pelo Espiritismo, nunca se declarou
espiritista. Continuou católica, mas devotou sempre
profundo respeito à memória de Eurípedes
Barsanulfo. E a tuberculosa de 1915, que uma juntu
médica declurura irremediavelmente condenada,
desencarnou por insuficiência cardíaca em 22 de
setembro de 1956. Exatamente quarenta e um anos
depois!
Enquanto isto, meu pai. o rebelado, o
anarquista, o anticle- rical irreversível,
tornou-se espírita sincero. Embora em
suas li- mitações. nem tudo era de
cristão, na expressão exata, porque
sempre se insurgia contra os
desmandos e as injustiças dos homens.
Mas. foi fiel e intransigente ao
defender sempre os postulados da
Terceira Revelação. Por via disto, foi
que nós. o filho único, mesmo apagado
e sem valia, encontramos nosso lugar
na presente encarnação para estar ao
lado desta verdade, mesmo saibamos
de nossas deficiências de espirito
devedor e compromissado. E se algum
trabalho encetamos nas lides
espiritistas o fazemos sempre em
louvor e gratidão ao incomum Apóstolo
do Triângulo Mineiro — o inolvidável
Eurípedes Barsanulfo.7. ° capítulo

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