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Deus Rejeita a Adoração

Deus merece a adoração de todas as suas criaturas. Animais vivem conforme seus instintos,
cumprindo seu propósito no plano de Deus. Seres humanos, porém, servem (ou não) por
escolha própria. Quando adoramos a Deus, é porque decidimos honrar o nosso Criador.

Muitas pessoas acreditam que Deus ficaria contente com qualquer tipo de serviço. Mesmo se
viver uma vida egoísta e desordenada, pode levantar a voz em louvor a Deus, e ele vai
gostar. Com esta mentalidade, muitas pessoas que se consideram religiosas têm separado
seus rituais religiosos da sua vida cotidiana. Podem praticar injustiça e imoralidade, podem
tratar outros com desrespeito e violência, mas participam de missas ou cultos e acreditam
estarem bem com Deus.

Os gnósticos, uma seita que surgiu entre os cristãos primitivos, criaram uma filosofia para
justificar essa separação. Ensinaram que o espírito pode manter sua santidade enquanto o
corpo satisfaz seus desejos carnais e pecaminosos. Mas os fiéis rejeitaram esses
ensinamentos, porque o corpo do cristão é o templo do Espírito Santo e deve ser mantido
puro (1 Coríntios 6:19-20).

Essa falsa distinção, porém, não começou com os gnósticos. Séculos antes, os profetas de
Israel combatiam ideias semelhantes. Não foi tanto uma questão de desenvolver doutrinas e
filosofias sofisticadas, mas simplesmente uma vida dupla na prática. Pessoas que viviam em
rebeldia contra Deus ainda faziam sacrifícios, levavam ofertas e levantavam suas vozes em
adoração a Deus.

E Deus ficava cada vez mais cansado e enjoado com a adoração dos hipócritas de Israel. Por
meio de vários profetas, ele disse que não aceitaria seu louvor e seus sacrifícios.

Amós profetizou uns 750 anos a.C., durante o auge da prosperidade do reino de Israel. Deus
disse, por meio desse profeta: “Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas
assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos
e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas
pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos,
porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Amós 5:21-23).

Oseias foi contemporâneo de Amós. Ele usou palavras diferentes para dizer a mesma
coisa: “Amam o sacrifício; por isso, sacrificam, pois gostam de carne e a comem, mas o
SENHOR não os aceita; agora, se lembrará da sua iniqüidade e lhes castigará o pecado;
eles voltarão para o Egito” (Oseias 8:13).

Logo depois de Amós e Oseias pregarem, Deus mandou Isaías, que também falou do seu
motivo de rejeitar a adoração de Israel: “Quando vindes para comparecer perante mim,
quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs;
o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a
convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao
ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha
alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando
estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas
orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Isaías 1:12-15).
Ele também disse: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a
sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o
seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente
aprendeu” (Isaías 29:13).

Um dos últimos pregadores do Antigo Testamento, o profeta Malaquias, reforçou a mesma


mensagem quando transmitiu estas palavras de Deus: “Tomara houvesse entre vós quem
feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho
prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a
oferta” (Malaquias 1:10).

O problema citado pelos profetas de Israel continua sendo uma grave ofensa contra o Senhor
em nossos dias. Deus não pediu auditórios e estádios cheios de pessoas que adoram da
boca para fora. Ele pediu a entrega total dos nossos corações. Deus merece e deseja a nossa
adoração. Mas não nos enganemos, pensando que Deus aceitará o nosso serviço religioso se
não demonstrarmos o amor e a obediência no dia a dia. Deus deseja corações e vidas
totalmente dedicadas a ele.

–por Dennis Allan

ADORAÇÃO REJEITADA
O dia do juízo abalará muitas pessoas religiosas. A maioria das pessoas supõe que zelo e
fervor nas atividades da igreja garantem sua aceitação por Deus. Ouçam as surpreendentes
palavras de Jesus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão
de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em
teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que
praticais a iniqüidade” (Mateus 7:21-23).

Em outra ocasião Jesus observou: “Então, direis: comíamos e bebíamos na tua presença,
e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de
mim todos os que praticais iniqüidades” (Lucas 13:26-27). Poderiam as pessoas ativas,
religiosas e empenhadas serem realmente perdidas no último dia? Jesus diz que sim, e ele é
quem irá julgar.

Amós profetizou durante uma era de paz e prosperidade em Israel. O povo se sentia seguro
(Amós 6:1), mantinha uma vida espiritualmente ativa e oferecia sacrifícios constantemente.
Mesmo assim, Amós repreendia o povo contundentemente, e predizia uma rápida destruição
tanto do povo como dos seus lugares de adoração (Amós 7:7-9; 8:1-3). Cerca de quarenta
anos depois de Amós ter falado, a nação de Israel foi derrotada e exilada, justamente como
ele havia previsto. Precisamos analisar os fatores que levaram à rejeição da adoração do
povo na época de Amós.

Interesseira

Hoje em dia, muitos buscam adorar o Senhor do modo que lhes convenha. Eles até admitem
que procuram uma igreja onde possam sentir-se confortáveis, uma na qual sintam que se
ajustam perfeitamente. Eles buscam formas de adoração que pareçam estimulantes e que
lhes dêem satisfação. As igrejas se acomodam buscando satisfazer os desejos dos
adoradores. Mas onde está o Senhor em tudo isto? Por definição, a meta da adoração é
agradá-lo. Faz pouca diferença quão satisfeitos possamos estar.

Amós enfrentou o mesmo problema: “Vinde a Betel e transgredi, a Gilgal, e multiplicai as


transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias,os
vossos dízimos; e oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai ofertas
voluntárias, e publicai-as, porque disto gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor
Deus”(Amós 4:4-5).

Betel e Gilgal eram os dois mais sagrados locais de adoração. Eles estavam oferecendo mais
adoração do que o Senhor exigia. Em vez de sacrificar uma vez por ano, eles sacrificavam
todas as manhãs. Em vez de trazer o dízimo de três em três anos, eles o traziam de três em
três dias. Não obstante, Deus rejeitava a adoração deles dizendo que quando vinham a esses
lugares, eles multiplicavam as transgressões. Por quê? O problema deles é que estavam
fazendo o que queriam fazer. A adoração, e não o Senhor, se tornara o objeto da veneração
deles. Sua adoração nada tinha a ver com Deus, seus desejos, sua vontade ou seu serviço.
Eles estavam fazendo o que lhes agradava. Uma vez que os adoradores comiam uma porção
da oferta de agradecimento e da oferenda voluntária, eles apreciavam ir ao templo e partilhar
do que não passava de um piquenique familiar. Mas tinham esquecido o objeto de sua
adoração: o Senhor.

Não é errado gostar de adorar o Senhor. Mas é errado quando nossos gostos na adoração
têm precedência sobre a vontade do Senhor ou quando o foco da adoração está em nós
mesmos. É errado quando “adoramos” com música de que gostamos em vez de cantar louvor
a Deus como ele instruiu. É errado quando os sermões tratam dos nossos gostos em vez de
refletirem a pura mensagem do evangelho de Cristo. É errado quando nossa adoração
apresenta numerosas atividades que praticamos sem a autorização do Senhor simplesmente
porque agradam a nós ou aos nossos vizinhos. Dê mais uma olhada na adoração na
congregação à qual você pertence. A adoração agrada primeiramente a nós ou honra ao
Senhor?

Não autorizada

Quando o reino de Israel se dividiu, em I Reis 12, Jeroboão inventou sua própria religião. Ele
estabeleceu novos centros de adoração em Dã e Betel, em lugar de Jerusalém. Ele
estabeleceu novos objetos de adoração, bezerros de ouro, em vez do Deus vivo que era um
objeto de adoração invisível. Ele concebeu sua própria festa no décimo quinto dia do oitavo
mês, parodiando a verdadeira festa dos tabernáculos que Deus tinha ordenado para o sétimo
mês. E ele consagrou os seus próprios sacerdotes, ignorando o desejo de Deus de que os
sacerdotes fossem da tribo de Levi. Jeroboão era uma pessoa altamente religiosa, mas sua
religião foi baseada em suas próprias idéias e não se apoiou na vontade revelada do Senhor.

Nos dias de Amós, o povo ainda estava seguindo a adoração de Jeroboão em Betel: “Pois
assim diz o Senhor à casa de Israel, “Buscai-me e vivei. Porém não busqueis a Betel
nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal, certamente, será levada
cativa, e Betel será desfeita em nada. Buscai ao Senhor e vivei, para que não irrompa
na casa de José como um fogo que a consuma, e não haja em Betel quem o
apague” (Amós 5:4-6).

Para muitos dos ouvintes de Amós esta mensagem deve ter sido desconcertante. Ele estava
dizendo-lhes que buscassem a Deus, mas proibindo-os de ir aos próprios santuários onde
eles acreditavam que o Senhor poderia ser encontrado. Depois de gerações de adoradores
betelitas, o povo tinha ficado acostumado a suas formas tradicionais e nunca tinham pensado
na possibilidade de que o Senhor pudesse estar desagradado com elas. Mas Deus disse que
ele rejeitava sua adoração não autorizada.

Hoje em dia muitas pessoas adoram o Senhor de modos que ele nunca autorizou. Elas
aceitam as mudanças que penetraram através dos séculos, sem voltar à revelação original
para encontrar o que agrada a ele. Hoje em dia as pessoas precisam ser exortadas a buscar
o Senhor, porém não indo aos lugares de costume para fazer isso. Não se perturbariam as
pessoas se hoje o Senhor voltasse e lhes dissesse que o buscassem mas que não fossem a
esta igreja ou a esta denominação para fazer isso? Contudo, muitas igrejas modernas
praticam dúzias, talvez centenas, de coisas para as quais nenhuma permissão foi dada nas
Escrituras. Veja você mesmo na Bíblia. Onde você encontra autorização para batizar recém-
nascidos, ou para alguém ser aspergido? Onde você encontra aprovação para solteiros ou
jovens servirem como pastores? Onde, no Novo Testamento você encontra permissão para
igrejas usarem água benta, música instrumental ou exigir dízimos? [*] Onde Deus indica que
Ele quer igrejas que têm cultos devotados a prosperidade, família ou libertação de demônios?
Deus rejeita adoração não autorizada.

Contudo, o povo não quis ouvir as repreensões dos profetas. Israel queria continuar adorando
a Deus da maneira que escolheu. Disse aos profetas que não profetizassem: “Mas vós aos
nazireus destes a beber vinho e aos profetas ordenastes, dizendo: Não
profetizeis”(Amós 2:12).

Amazias, sacerdote de Betel, ordenou a Amós que saísse e não falasse contra Betel: “Então,
Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão,
e ali profetiza; mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário
do rei e o templo do reino” (Amós 7:12-13). As pessoas hoje em dia, especialmente os
chefes religiosos, não querem ouvir críticas a suas práticas de adoração estabelecidas.
Ouviríamos a Amós, ou teríamos continuado adorando em Betel mesmo sem aprovação de
Deus?

Exterior

O povo na época de Amós apenas executava alguns rituais de adoração, porém não mudava
suas vidas:“Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes
não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de
manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos
animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as
melodias das tuas liras. Antes corra o juízo como as águas; e a justiça, como o ribeiro
perene” (Amós 5:21-24). Aqui Amós considerou cada um dos elementos essenciais da
adoração israelita: festivais, sacrifícios e louvor. Deus rejeitou todos eles e indicou seu
desprazer referindo-se aos festivais, assembléias e oferendas deles.

Por que Deus rejeitou sua adoração? Porque suas vidas eram corruptas. Deus queria um
compromisso sem esmorecimento com a justiça e a retidão. O terreno de Israel era cheio de
“vádis”, as correntes intermitentes. Deus não queria “vádis” ou justiça intermitente, mas um
firme e contínuo transbordamento de obediência na vida. Quando eles adoravam no sábado
mas tratavam mal os outros durante a semana (veja 2:6-8; 8:4-6), Deus rejeitava até a
adoração que eles ofereciam no sábado. Para o Senhor, a fidelidade era uma exigência
diária. Um homem não pode cometer adultério de vez em quando e declarar que o resto do
tempo é fiel a sua esposa. Assim também um homem não pode ser infiel ao Senhor de vez
em quando e adorá-lo no fim de semana como se nunca pecasse.

Jamais imaginemos que o Senhor aceitará automaticamente nossa adoração, não importa
como ela seja oferecida. Adoração interesseira, não autorizada ou meramente exterior ele
rejeitará.