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RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

6. Responsabilidade civil por ato de


terceiro
- Também chamada de indireta ou pelo
fato de outrem
- O código de 2002 alterou
significativamente o seu tratamento, já
que na legislação anterior cabia à vítima
provar a culpa (“in vigilando”) dos
responsáveis na falha do dever de
guarda, custódia ou vigilância
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

* Doutrinariamente já se adotava a
presunção de culpa para facilitar o
ressarcimento
Súmula 341 do STF (culpa “in
eligendo”)
- A superação da ideia de culpa veio
com o código de 2002 (arts. 932 e
933): responsabilidade objetiva
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- A superação da ideia de culpa veio com o


código de 2002 (arts. 932 e 933):
responsabilidade objetiva
- Há solidariedade passiva, ou seja, a vítima pode
pleitear a reparação diretamente do responsável
legal, cabendo ação regressiva
Obs: Se o pai pagar pelo prejuízo causado pelo
filho, não cabe a ação regressiva (art. 934, CC)
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

A) Responsabilidade dos pais pelos filhos


menores
- Não é necessário estar na presença ou poder do
responsável; basta que esteja sob a autoridade
(vigilância e instrução/educação)
* “Art. 932. São também responsáveis pela
reparação civil:
I – os pais, pelos filhos menores que estiverem
sob sua autoridade e em sua companhia”.
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- A indenização deve ser equitativa (art.


928,CC)
Obs: Objetiva é a responsabilidade dos
pais, NÃO DOS FILHOS.
- Não cabe ação regressiva, por força
do art. 934, CC
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

B) Responsabilidade dos tutores e


curadores
- Art. 932, “II — o tutor e o curador,
pelos pupilos e curatelados, que se
acharem nas mesmas condições;”
- Tutor: representante de menor cujos
pais são falecidos, ausentes ou
destituídos do poder familiar (art.
1.728, CC)
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- Curador: dirige proteção aos interditos (art.


1.767, CC), a exemplo de enfermos, deficientes
mentais, excepcionais, ébrios habituais,
viciados em tóxicos, pródigos etc.
Obs: No caso dos pródigos a curatela tem
limitações, devendo ser analisado o caso
especificamente (vide art. 1.782, CC)
- É cabível ação regressiva
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

C) Responsabilidade do empregador ou
comitente pelos atos praticados pelos
seus prepostos ou empregados
- Art. 932, “III — o empregador ou
comitente, por seus empregados,
serviçais e prepostos, no exercício do
trabalho que lhes competir, ou em
razão dele;”
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- Justifica-se pelo poder diretivo do


empregador ou comitente
* Não é exigível vínculo empregatício
- É cabível ação regressiva
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

D) Responsabilidade dos donos de hotéis,


hospedarias e estabelecimentos educacionais
por ato dos seus hóspedes, moradores e
educandos
- Art. 932, “IV — os donos de hotéis, hospedarias,
casas ou estabelecimentos onde se albergue
por dinheiro, mesmo para fins de educação,
pelos seus hóspedes, moradores e educandos;”
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- Deve-se analisar o caso concreto para


se verificar a atuação causal do dono
do hotel nas situações em que o dano
é causado por outro hóspede
- À má prestação do serviço aplica-se o
código de defesa do consumidor (art.
14, CDC)
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente


da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.
[…]
§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado
quando provar:
I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.”
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

* Não se admite a cláusula de não indenizar (art. 51,


CDC), por ser abusiva
“Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as
cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de
produtos e serviços que:
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a
responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer
natureza dos produtos e serviços ou impliquem
renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de
consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa
jurídica, a indenização poderá ser limitada, em
situações justificáveis;”
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

- No caso de estabelecimentos de ensino, estes


respondem pelo dano ainda que os fatos ocorram fora
das suas dependências (ex: excursões, visitas etc.)
* Em se tratando de educandos maiores, nenhuma
responsabilidade cabe ao educador ou professor
* Respondem pelos danos causados a outros alunos ou
a terceiros
* Em caso de escola pública, a responsabilidade recai
sobre o Estado
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

E) Responsabilidade civil pelo produto


de crime
- Não se refere aos co-autores, pois
estes respondem na forma do art. 942
- A rigor, não têm obrigação de
indenizar, mas apenas devolver a
quantia ou valor correspondente
recebido
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

Art. 932, “V — os que gratuitamente


houverem participado nos produtos do
crime, até a concorrente quantia.”
* A mulher e os filhos do ladrão que
foram sustentados com o proveito do
crime não estão obrigados a restituir o
que receberam (proveito ≠ produto),
ainda que saibam que estão sendo
sustentados com o proveito do crime
RESPONSABILIDADE CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS

7. Responsabilidade civil das pessoas


jurídicas de direito privado
- Art. 931, CC: “Art. 931. Ressalvados
outros casos previstos em lei especial,
os empresários individuais e as
empresas respondem
independentemente de culpa pelos
danos causados pelos produtos
postos em circulação”
RESPONSABILIDADE CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS

- Independe de ser relação de consumo


- Os sócios podem vir a responder com
seus bens pessoais, quando houver
desconsideração da personalidade
jurídica nos casos previstos em lei
(art. 50, CC e 28, CDC, Teorias maior
e menor)
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
8. Responsabilidade civil pelo fato da coisa ou
animal
A) Responsável pela guarda da coisa ou animal
- Aplica-se a responsabilidade objetiva (arts. 936
e 937, CC)
Ex: um adestrador de cães (aplica-se a teoria da
causa direta e imediata para afastar a
responsabilidade do proprietário)
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
- O responsável pela reparação do
dano é o seu guardião, podendo ser
ou não o seu proprietário
- “a responsabilidade pelos danos
causados pela coisa ou animal há que
ser atribuída àquela pessoa que, no
momento do evento, detinha poder de
comando sobre ele.” (Pablo
Stolze/Rodolfo Pamplona)
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
- Em caso de furto de animal ou carro, por
exemplo, pode-se afastar a obrigação do dono,
equiparando o caso à força maior (desde que
não tenha dado causa ao furto)
- A locadora de veículos, se não agir com cautela
acerca da habilitação para dirigir do locatário,
com este responde solidariamente pelos danos
causados a terceiros (Sum. 492, STF)
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
- Havendo alienação do veículo, mas
sem a transferência junto ao
DETRAN, não há responsabilidade a
ser atribuída ao antigo proprietário
(Sum 132, STJ)
- Nos caos de edifício ou construção, a
responsabilidade é do “dono” (art.
937, CC), que tem ação regressiva
em caso de eventual locatário
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
B) Responsabilidade pelas coisas
caídas de edifícios
- Trata-se de responsabilidade por
coisas caídas ou lançadas de
edifícios, que atinjam lugares e
pessoas, indevidamente (art. 938, CC)
- Nestes casos a responsabilidade é do
habitante (locador, comodatário,
usufrutuário) e não do proprietário
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA
COISA OU ANIMAL
- A responsabilidade é objetiva
- A responsabilidade é imputada ao
condomínio, caso não se possa
identificar a unidade habitacional de
onde partiu a coisa
- Pode-se conjugar com a
responsabilidade civil indireta. Ex:
menor que, por brincadeira,
arremessa algo
FIM

BOA NOITE!