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Aula 00

Direito Processual Penal p/ TJ-PE (Analista - Função Judiciária) - Com videoaulas

Professor: Renan Araujo

00000000000 - DEMO
D. PROCESSUAL PENAL Ð TJ-PE (2017) Ð ANALISTA JUD. Ð FUN‚ÌO JUDICIçRIA
Teoria e quest›es
Aula DEMONSTRATIVA Ð Prof. Renan Araujo

AULA DEMONSTRATIVA
PRINCêPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL. CONCEITO E
FONTES. DISPOSI‚ÍES CONSTITUCIONAIS APLICçVEIS. SISTEMAS
PROCESSUAIS. APLICA‚ÌO E INTERPRETA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL
PENAL.
SUMçRIO
1. APLICA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL PENAL ............................................................ 6
1.1 Lei processual penal no espa•o............................................................................. 6
1.2 Lei processual penal no tempo ............................................................................. 8
2 PRINCêPIOS PROCESSUAIS PENAIS ................................................................. 10
2.1 Princ’pio da inŽrcia ........................................................................................... 10
2.2 Princ’pio do devido processo legal ....................................................................... 11
2.3 Princ’pio da presun•‹o de n‹o culpabilidade (ou presun•‹o de inoc•ncia) ................. 14
2.4 Princ’pio da obrigatoriedade da fundamenta•‹o das decis›es judiciais...................... 16
2.5 Princ’pio da publicidade ..................................................................................... 17
2.6 Princ’pio da isonomia processual......................................................................... 19
2.7 Princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o ................................................................... 19
2.8 Princ’pio do Juiz Natural .................................................................................... 20
2.9 Princ’pio da veda•‹o ˆs provas il’citas ................................................................. 21
2.10 Princ’pio da veda•‹o ˆ autoincrimina•‹o ........................................................... 22
2.11 Princ’pio do non bis in idem ............................................................................ 23
3 DISPOSI‚ÍES CONSTITUCIONAIS RELEVANTES............................................... 24
3.1 Direitos constitucionais do preso......................................................................... 24
3.2 Tribunal do Jœri ................................................................................................ 25
3.3 Menoridade Penal ............................................................................................. 26
3.4 Disposi•›es referentes ˆ execu•‹o penal ............................................................. 26
3.5 Outras disposi•›es constitucionais referentes ao processo penal ............................. 27
4 INTERPRETA‚ÌO E INTEGRA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL .................................... 28
5 CONCEITO, FINALIDADE E FONTES DO DPP ..................................................... 29
6 SISTEMAS PROCESSUAIS ................................................................................. 30
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7 LEGISLA‚ÌO PERTINENTE ................................................................................ 31


8 SòMULAS PERTINENTES ................................................................................... 34
8.1 Sœmulas vinculantes ......................................................................................... 34
8.2 Sœmulas do STF ............................................................................................... 35
8.3 Sœmulas do STJ ............................................................................................... 35
9 RESUMO ........................................................................................................... 36
10 EXERCêCIOS DA AULA ...................................................................................... 41
11 EXERCêCIOS COMENTADOS .............................................................................. 50
12 GABARITO ........................................................................................................ 70

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Teoria e quest›es
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Ol‡, meus amigos!

ƒ com imenso prazer que estou aqui, mais uma vez, pelo ESTRATƒGIA
CONCURSOS, tendo a oportunidade de poder contribuir para a aprova•‹o de
voc•s no concurso do TJ-PE. N—s vamos estudar teoria e comentar exerc’cios
sobre DIREITO PROCESSUAL PENAL, para o cargo de ANALISTA
JUDICIçRIO Ð FUN‚ÌO JUDICIçRIA.
E a’, povo, preparados para a maratona?
O edital acabou de ser publicado, e a Banca, como sab’amos, ser‡ o
IBFC. As provas est‹o agendadas para o dia 15.10.2017.
Bom, est‡ na hora de me apresentar a voc•s, n‹o Ž?
Meu nome Ž Renan Araujo, tenho 30 anos, sou Defensor Pœblico
Federal desde 2010, atuando na Defensoria Pœblica da Uni‹o no Rio de Janeiro,
e mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da UERJ. Antes,
porŽm, fui servidor da Justi•a Eleitoral (TRE-RJ), onde exerci o cargo de
TŽcnico Judici‡rio, por dois anos. Sou Bacharel em Direito pela UNESA e p—s-
graduado em Direito Pœblico pela Universidade Gama Filho.
Minha trajet—ria de vida est‡ intimamente ligada aos Concursos Pœblicos.
Desde o come•o da Faculdade eu sabia que era isso que eu queria para a minha
vida! E querem saber? Isso faz toda a diferen•a! Algumas pessoas me perguntam
como consegui sucesso nos concursos em t‹o pouco tempo. Simples: Foco +
For•a de vontade + Disciplina. N‹o h‡ f—rmula m‡gica, n‹o h‡ ingrediente
secreto! Basta querer e correr atr‡s do seu sonho! Acreditem em mim, isso
funciona!
ƒ muito gratificante, depois de ter vivido minha jornada de concurseiro,
poder colaborar para a aprova•‹o de outros tantos concurseiros, como um dia eu
fui! E quando eu falo em Òcolaborar para a aprova•‹oÓ, n‹o estou falando apenas
por falar. O EstratŽgia Concursos possui ’ndices alt’ssimos de aprova•‹o
em todos os concursos!
Neste curso voc•s receber‹o todas as informa•›es necess‡rias para que
possam ter sucesso no concurso do TJ-PE. Acreditem, voc•s n‹o v‹o se
arrepender! O EstratŽgia Concursos est‡ comprometido com sua
00000000000

aprova•‹o, com sua vaga, ou seja, com voc•!


Mas Ž poss’vel que, mesmo diante de tudo isso que eu disse, voc• ainda
n‹o esteja plenamente convencido de que o EstratŽgia Concursos Ž a melhor
escolha. Eu entendo voc•, j‡ estive deste lado do computador. Ës vezes Ž dif’cil
escolher o melhor material para sua prepara•‹o. Contudo, alguns colegas de
caminhada podem te ajudar a resolver este impasse:

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Esse print screen acima foi retirado da p‡gina de avalia•‹o do curso de


Direito Processual Penal para Delegado da PC-PE. Vejam que, dos 62 alunos
que avaliaram o curso, 61 o aprovaram. Um percentual de 98,39%.
Ainda n‹o est‡ convencido? Continuo te entendendo. Voc• acha que
pode estar dentro daqueles 1,61%. Em raz‹o disso, disponibilizamos
gratuitamente esta aula DEMONSTRATIVA, a fim de que voc• possa analisar o
material, ver se a abordagem te agrada, etc.
Acha que a aula demonstrativa Ž pouco para testar o material? Pois
bem, o EstratŽgia concursos d‡ a voc• o prazo de 30 DIAS para testar o
material. Isso mesmo, voc• pode baixar as aulas, estudar, analisar detidamente
o material e, se n‹o gostar, devolvemos seu dinheiro.
Sabem porque o EstratŽgia Concursos d‡ ao aluno 30 dias para
pedir o dinheiro de volta? Porque sabemos que isso n‹o vai acontecer! N‹o
temos medo de dar a voc• essa liberdade.
Neste curso estudaremos todo o conteœdo de Direito Processual Penal
previsto no Edital. Estudaremos teoria e vamos trabalhar tambŽm com
exerc’cios comentados.
Abaixo segue o plano de aulas do curso todo:
! !
AULA CONTEòDO DATA
Introdu•‹o ao estudo do Processo
00000000000

Penal: Princ’pios do Direito


Aula 00 Processual Penal. Aplica•‹o da Lei 20.07
processual penal. Disposi•›es
constitucionais.
Processo, procedimento e relaç‹o
jur’dica processual. Elementos
Aula 01 identificadores da rela•‹o 25.07
processual. Formas do
procedimento. Princ’pios gerais e
informadores do processo. Pretens‹o

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punitiva. Tipos de processo penal.


A•‹o penal. Aç‹o civil Ex Delicto .

Aula 02 Jurisdi•‹o e compet•ncia 30.07


Aula 03 Sujeitos processuais 05.08
Atos e prazos processuais.
Nulidades. Cita•›es e intima•›es.
Aula 04 10.08
Senten•a. Quest›es e processos
incidentes.
Aula 05 Das provas (parte I) 15.08
Aula 06 Das provas (parte II) 20.08
Pris‹o e Liberdade Provis—ria (parte 25.08
Aula 07 I): Pris‹o em flagrante, preventiva e
tempor‡ria.
Pris‹o e liberdade provis—ria (parte 30.08
Aula 08
II)
Processo comum: ritos ordin‡rio e 03.09
Aula 09
sum‡rio.
Processos especiais previstos no 07.09
Aula 10 CPP. Processo nos Tribunais (Lei
8.038/90)
Aula 11 Recursos em geral 11.09
Habeas corpus. Rela•›es 15.09
jurisdicionais com autoridade
Aula 12
estrangeira. Disposi•›es gerais do
C—digo de Processo Penal
Aula 22.09
Quest›es da Banca IBFC
EXTRA
00000000000

! !

ATEN‚ÌO! Este curso n‹o engloba a parte de Legisla•‹o especial.

As aulas ser‹o disponibilizadas no site conforme o cronograma


apresentado. Em cada aula eu trarei algumas quest›es que foram cobradas
em concursos pœblicos, para fixarmos o entendimento sobre a matŽria.
Como o IBFC Ž uma Banca com um acervo muito pequeno de
quest›es da nossa matŽria, vamos utilizar quest›es de Bancas consagradas,
como FCC, FGV e VUNESP. Ao final do curso, porŽm, vou trazer uma aula
extra, apenas com quest›es da pr—pria IBFC, a fim de que voc•s possam
utilizar como uma espŽcie de ÒsimuladoÓ antes da prova.

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Teoria e quest›es
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AlŽm da teoria e das quest›es, voc•s ter‹o acesso a duas ferramentas


muito importantes:
¥! RESUMOS Ð Cada aula ter‡ um resumo daquilo que foi estudado,
variando de 03 a 10 p‡ginas (a depender do tema), indo direto ao
ponto daquilo que Ž mais relevante! Ideal para quem est‡ sem
muito tempo.
¥! FîRUM DE DòVIDAS Ð N‹o entendeu alguma coisa? Simples: basta
perguntar ao professor Vinicius Silva, que Ž o respons‡vel pelo
F—rum de Dœvidas, exclusivo para os alunos do curso.

Outro diferencial importante Ž que nosso curso em PDF ser‡


complementado por videoaulas. Nas videoaulas ser‹o apresentados
alguns pontos considerados mais relevantes da matŽria, seja atravŽs da
apresenta•‹o da teoria seja atravŽs da resolu•‹o de exerc’cios anteriores, como
forma de ajudar na assimila•‹o da matŽria.

No mais, desejo a todos uma boa maratona de estudos!


Prof. Renan Araujo

E-mail: profrenanaraujo@gmail.com

Periscope: @profrenanaraujo

Facebook: www.facebook.com/profrenanaraujoestrategia

Instagram: www.instagram.com/profrenanaraujo/?hl=pt-br
Youtube:
www.youtube.com/channel/UClIFS2cyREWT35OELN8wcFQ

Observa•‹o importante: este curso Ž protegido por direitos autorais


00000000000

(copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a


legisla•‹o sobre direitos autorais e d‡ outras provid•ncias.

Grupos de rateio e pirataria s‹o clandestinos, violam a lei e prejudicam os


professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe
adquirindo os cursos honestamente atravŽs do site EstratŽgia Concursos. ;-)

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1.! APLICA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL PENAL

1.1! Lei processual penal no espa•o


O estudo da aplicabilidade da Lei Processual Penal est‡ relacionado ˆ sua
aptid‹o para produzir efeitos. Essa aptid‹o para produzir efeitos est‡ ligada a
dois fatores: espacial e temporal.
Assim, a norma processual penal (como qualquer outra) vigora em
determinado lugar e em determinado momento. Nesse sentido, devemos
analisar onde e quando a lei processual penal brasileira se aplica.
O art. 1¡ do CPP diz o seguinte:
Art. 1o O processo penal reger-se-‡, em todo o territ—rio brasileiro, por este C—digo,
ressalvados:
I - os tratados, as conven•›es e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da Repœblica, dos ministros de
Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da Repœblica, e dos ministros do
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constitui•‹o, arts. 86, 89,
¤ 2o, e 100);
III - os processos da compet•ncia da Justi•a Militar;
IV - os processos da compet•ncia do tribunal especial (Constitui•‹o, art. 122, no 17);
V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF n¼ 130
Par‡grafo œnico. Aplicar-se-‡, entretanto, este C—digo aos processos referidos nos nos.
IV e V, quando as leis especiais que os regulam n‹o dispuserem de modo diverso.

Assim, podemos perceber que o CPP adotou, como regra, o princ’pio da


territorialidade. O que seria esse princ’pio? Esse princ’pio determina que a
lei produzir‡ seus efeitos dentro do territ—rio nacional1. Simples assim!
Desta maneira, o CPP Ž a lei aplic‡vel ao processo e julgamento das infra•›es
penais no Brasil. As regras de aplica•‹o da Lei Penal brasileira est‹o no C—digo
Penal, mas isso n‹o nos interessa aqui. O que nos interessa Ž o seguinte: Se for
caso de aplica•‹o da Lei Penal brasileira, as regras do processo ser‹o aquelas
previstas no CPP, em todo o territ—rio nacional.
00000000000

Portanto, n‹o se admite a exist•ncia de C—digos Processuais


estaduais, atŽ porque compete privativamente ˆ Uni‹o legislar sobre direito
processual, nos termos da Constitui•‹o Federal:
Art. 22. Compete privativamente ˆ Uni‹o legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agr‡rio, mar’timo, aeron‡utico,
espacial e do trabalho;

1
NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execu•‹o penal. 12.¼ edi•‹o. Ed. Forense. Rio de
Janeiro, 2015, p. 92

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Como disse a voc•s, esta Ž a regra! Mas toda regra possui exce•›es2. S‹o
elas:
⇒! Tratados, conven•›es e regras de Direito Internacional Ð Neste
caso, a aplica•‹o do CPP pode ser afastada, pontualmente, em raz‹o
de alguma norma espec’fica prevista em tratado ou conven•‹o
internacional.
⇒! Jurisdi•‹o pol’tica Ð ƒ o caso das prerrogativas constitucionais do
Presidente da Repœblica, dos ministros de Estado, nos crimes conexos
com os do Presidente da Repœblica, e dos ministros do Supremo
Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade. Neste caso, ser‹o
julgados de acordo com procedimentos pr—prios, previstos na
Constitui•‹o Federal.
⇒! Processos de compet•ncia da Justi•a Eleitoral Ð Tais processos
seguir‹o, como regra, o C—digo Eleitoral, e apenas subsidiariamente,
o CPP.
⇒! Processos de compet•ncia da Justi•a Militar - Tais processos
seguir‹o, como regra, o C—digo de Processo Penal Militar, e apenas
subsidiariamente, o CPP.3
⇒! Legisla•‹o especial Ð No caso de haver rito espec’fico para o
processo e julgamento de determinado crime, como ocorre na Lei de
Drogas, dever‡ ser utilizado, primordialmente, o rito espec’fico,
cabendo ao CPP atuar de forma subsidi‡ria.

Assim, o CPP Ž aplic‡vel aos processos de natureza criminal que tramitem


no territ—rio nacional, com as ressalvas feitas anteriormente.
AlŽm do que atŽ aqui foi dito, Ž importante destacar tambŽm que o CPP s—
Ž aplic‡vel aos atos processuais praticados no territ—rio nacional.
Desta forma, se por algum motivo o ato processual tiver de ser praticado no
exterior, por meio de carta rogat—ria ou outro instrumento de coopera•‹o jur’dica
internacional, ser‹o aplicadas as regras processuais do pa’s em que o ato for
praticado.

EXEMPLO: JosŽ est‡ sendo processado, no Brasil, pelo crime X. Todavia,


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uma das testemunhas de JosŽ, Paula, reside na Fran•a. Neste caso, para
que Paula seja ouvida dever‡ ser expedida carta rogat—ria, que Ž um
instrumento por meio do qual o Judici‡rio brasileiro solicita coopera•‹o
jur’dica ao Judici‡rio franc•s, a fim de que Paula seja ouvida na Fran•a e os
termos de seu depoimento sejam enviados posteriormente ao Brasil, por
escrito, a fim de serem anexados ao processo. Neste caso, Paula ser‡ ouvida
na Fran•a, e o seu depoimento ser‡ regulado de acordo com as regras

2
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 85-92
3
H‡ uma pequena diverg•ncia doutrin‡ria quanto a este ponto, mas este Ž o entendimento que prevalece,
ou seja, o CPP Ž aplic‡vel subsidiariamente nos processos por crime militar.

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processuais previstas na Lei francesa, e n‹o de acordo com as regras


processuais brasileiras.

1.2! Lei processual penal no tempo


Quando duas ou mais leis processuais penais se sucedem no tempo, surge
a necessidade de definir qual delas ser‡ aplic‡vel a determinado processo
criminal. Nesse sentido, existem basicamente tr•s teorias para tentar explicar a
aplicabilidade da lei processual penal nova:
⇒! Teoria da unidade processual Ð Uma lei processual penal nova n‹o
poderia ser aplicada a processos criminais j‡ em curso, somente sendo
aplic‡vel aos processos que viessem a ser instaurados no futuro.
Assim, para esta teoria, um processo criminal somente poderia ser
regido, do in’cio ao fim, por uma œnica lei.
⇒! Teoria das fases processuais Ð Uma lei processual penal nova pode
ser aplicada a um processo em curso, mas s— seria aplic‡vel na fase
processual seguinte (fase postulat—ria, fase instrut—ria, fase decis—ria,
etc.). Isso significa, portanto, que num mesmo processo poderiam ser
aplicadas diversas leis, mas cada fase processual somente poderia ser
regida por uma œnica lei.
⇒! Teoria do isolamento dos atos processuais Ð Para esta teoria a lei
processual penal nova pode ser aplicada imediatamente aos processos
em curso, mas somente ser‡ aplic‡vel aos atos processuais futuros,
ou seja, n‹o ir‡ interferir nos atos processuais que j‡ foram
validamente praticados sob a vig•ncia da lei antiga. Para esta teoria,
portanto, um processo pode ser regido por diversas leis que se
sucederam no tempo. AlŽm disso, dentro de uma mesma fase
processual Ž poss’vel que haja a aplica•‹o de mais de uma lei
processual penal.

Mas, qual foi a teoria adotada pelo CP? Nos termos do art. 2¡ do CPP:
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-‡ desde logo, sem preju’zo da validade dos
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atos realizados sob a vig•ncia da lei anterior.

Por este artigo podemos extrair o princ’pio do tempus regit actum,


tambŽm conhecido como princ’pio do efeito imediato ou aplica•‹o imediata
da lei processual. Este princ’pio significa que a lei processual regular‡ os atos
processuais praticados a partir de sua vig•ncia, n‹o se aplicando aos atos j‡
praticados.4

4
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96. No mesmo sentido, Eug•nio Pacelli. PACELLI, Eug•nio. Curso
de processo penal. 16¼ edi•‹o. Ed. Atlas. S‹o Paulo, 2012, p. 24.

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Esta Ž a regra de aplica•‹o temporal de toda e qualquer lei, meus caros, ou


seja, produ•‹o de efeitos somente para o futuro.
Assim, voc•s devem ter muito cuidado! Ainda que o processo tenha se
iniciado sob a vig•ncia de uma lei, sobrevindo outra norma, alterando o CPP
(ainda que mais gravosa ao rŽu), esta ser‡ aplicada aos atos futuros. Ou
seja, a lei nova n‹o pode retroagir para alcan•ar atos processuais j‡
praticados, mas se aplica aos atos futuros dos processos em curso.
EXEMPLO: Imaginemos que uma pessoa responda a processo criminal pelo
crime de homic’dio. Nesse caso, a Lei prev• dois recursos, ÒAÓ e ÒBÓ. Durante
o processo surge uma lei alterando o CPP e excluindo a possibilidade de
interposi•‹o do recurso ÒBÓ, ou seja, Ž uma norma prejudicial ao rŽu, pois
retira do rŽu a possibilidade de manejo de um recurso. Nesse caso, trata-se
de norma puramente processual, e a aplica•‹o da lei nova ser‡ imediata.
Entretanto, se o acusado j‡ tiver interposto o recurso ÒBÓ, a lei nova n‹o ter‡
o cond‹o de fazer com que o recurso deixe de ser julgado, pois se trata de
ato processual j‡ praticado (interposi•‹o do recurso), devendo o Tribunal
apreci‡-lo. A doutrina entende, inclusive, que mesmo se o recurso ainda n‹o
foi interposto, mas o prazo recursal j‡ est‡ em curso, a lei nova n‹o Ž
aplic‡vel.

Assim, sem grande esfor•o, podemos concluir que, no que se refere ˆs


normas de direito processual penal, sua aplica•‹o Ž imediata, inclusive aos
processos em curso, mas somente aos atos processuais futuros, n‹o afetando os
atos processuais j‡ praticados validamente sob a vig•ncia da lei anterior. Isso
consagra a ado•‹o da teoria do isolamento dos atos processuais.
Tudo o que foi dito anteriormente, quanto ˆ aplica•‹o da lei processual penal
nova, se aplica exclusivamente ˆ hip—tese de leis puramente processuais5.
Ocorre, porŽm, que dentro de uma lei processual pode haver normas de natureza
material. Como assim? Uma lei processual pode estabelecer normas que, na
verdade, s‹o de Direito Penal, pois criam ou extinguem direito do indiv’duo,
relativos ˆ sua liberdade, etc., como Ž o caso das normas relativas ˆ prescri•‹o,
ˆ extin•‹o da punibilidade em geral, e outras. Nesses casos de leis materiais,
inseridas em normas processuais (e vice-versa), ocorre o fen™meno da
00000000000

heterotopia.
Em casos como este, o dif’cil Ž saber identificar qual regra Ž de direito
processual e qual Ž de direito material (penal). PorŽm, uma vez identificada a
norma como sendo uma regra de direito material, sua aplica•‹o ser‡ regulada
pelas normas atinentes ˆ aplica•‹o da lei penal no tempo, inclusive no que se
refere ˆ possibilidade de efic‡cia retroativa para benef’cio do rŽu.
EXEMPLO: Imagine que JosŽ esteja sendo processado pelo crime X, que
prescreve em 10 anos. Surge, porŽm, uma Lei nova, que possui conteœdo
eminentemente processual, tratando sobre quest›es relativas ao processo

5
Normas puramente processuais s‹o aquelas que se referem a quest›es meramente relativas ao processo,
ao procedimento em geral, como as normas relativas ˆ comunica•‹o dos atos processuais (cita•›es e
intima•›es), aos prazos para manifesta•‹o das partes, aos recursos, etc.

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em geral. Todavia, essa lei nova contŽm um dispositivo que estabelece que
a prescri•‹o em rela•‹o ao crime X ocorrer‡ em 20 anos. Tal norma, apesar
de estar inserida numa lei processual, possui conteœdo de direito penal,
pois Ž relativa ˆ prescri•‹o (que Ž causa de extin•‹o da punibilidade). Assim,
essa norma n‹o ser‡ aplic‡vel ao caso de JosŽ, por ser uma norma penal
nova mais gravosa. Aplica-se aqui a regra do Direito Penal da irretroatividade
da lei penal nova mais gravosa.

Diferentemente das normas heterot—picas (que s‹o ou de direito


material ou de direito processual, mas inseridas em lei de natureza diversa),
existem normas mistas, ou h’bridas, que s‹o aquelas que s‹o, ao mesmo
tempo, normas de direito processual e de direito material.
No caso das normas mistas, embora haja alguma diverg•ncia doutrin‡ria,
vem prevalecendo o entendimento de que, por haver disposi•›es de
direito material, devem ser utilizadas as regras de aplica•‹o da lei penal no
tempo, ou seja, retroatividade da lei mais benŽfica e impossibilidade de
retroatividade quando houver preju’zo ao rŽu.6

CUIDADO! No que se refere ˆs normas relativas ˆ execu•‹o


penal (cumprimento de pena, sa’das tempor‡rias, etc.), a Doutrina diverge
quanto ˆ sua natureza. H‡ quem entenda tratar-se de normas de direito
material, h‡ quem as considere como normas de direito processual. Entretanto,
para n—s, o que importa Ž o que o STF e o STJ pensam! E eles entendem que
se trata de norma de direito material. Assim, se uma lei nova surge,
alterando o regime de cumprimento da pena, beneficiando o rŽu, ela ser‡
aplicada aos processos em fase de execu•‹o, por ser considerada norma de
direito material.

2! PRINCêPIOS PROCESSUAIS PENAIS


00000000000

2.1! Princ’pio da inŽrcia


Alguns doutrinadores n‹o consideram este um princ’pio do processo penal
com base constitucional, embora seja un‰nime que Ž aplic‡vel ao processo penal
brasileiro.
Este princ’pio diz que o Juiz n‹o pode dar in’cio ao processo penal, pois isto
implicaria em viola•‹o da sua imparcialidade, j‡ que, ao dar in’cio ao processo, o
Juiz j‡ d‡ sinais de que ir‡ condenar o rŽu. Trata-se de uma das materializa•›es

6
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96

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da ado•‹o do sistema acusat—rio, ou seja, a clara separa•‹o entre as


fun•›es de acusar e julgar.
Um dos dispositivos constitucionais que d‡ base a esse entendimento Ž o
art. 129, I da Constitui•‹o Federal:
Art. 129. S‹o fun•›es institucionais do MinistŽrio Pœblico:
I - promover, privativamente, a a•‹o penal pœblica, na forma da lei;

Percebam que a Constitui•‹o estabelece como sendo privativa do MP a


promo•‹o da a•‹o penal pœblica. Assim, diz-se que o MP Ž o Òtitular da a•‹o
penal pœblicaÓ.
Mas e a a•‹o penal privada? Mais ˆ frente voc•s ver‹o que a a•‹o penal
privada Ž de titularidade do ofendido. Assim, o Juiz j‡ n‹o poderia a ela dar
in’cio por sua pr—pria natureza, j‡ que a lei considera que, nesses casos, o
interesse do ofendido em processar ou n‹o o infrator se sobrep›e ao interesse
do Estado na persecu•‹o penal.
Este princ’pio Ž o alicerce m‡ximo daquilo que se chama de sistema
acusat—rio, que Ž o sistema adotado pelo nosso processo penal7. No sistema
acusat—rio existe uma figura que acusa e outra figura que julga, diferentemente
do sistema inquisitivo, no qual acusador e julgador se confundem na mesma
pessoa, o que gera parcialidade do julgador, ofendendo inœmeros outros
princ’pios.
Entretanto, este princ’pio n‹o impede que o Juiz determine a
realiza•‹o de dilig•ncias que entender necess‡rias para elucidar quest‹o
relevante para o deslinde do processo. Isso porque no Processo Penal,
diferentemente do que ocorre no Processo Civil, vigora o princ’pio da busca pela
verdade real ou material, n‹o da verdade formal. Assim, no processo penal
n‹o h‡ presun•‹o de veracidade das alega•›es da acusa•‹o em caso de aus•ncia
de manifesta•‹o em contr‡rio pelo rŽu, pois o interesse pœblico pela busca da
efetiva verdade impede isto.
AlŽm disso, este princ’pio ir‡ embasar diversas outras disposi•›es do sistema
processual penal brasileiro, como aquela que impede que o Juiz julgue um fato
n‹o contido na denœncia (seria uma viola•‹o indireta ao princ’pio da inŽrcia), que
caracteriza o princ’pio da congru•ncia8 entre a senten•a e a inicial
00000000000

acusat—ria.

2.2! Princ’pio do devido processo legal


Esse princ’pio Ž o que se pode chamar de base principal do Direito Processual
brasileiro, pois todos os outros, de uma forma ou de outra, encontram nele seu

7
Alguns sustentam que se adotou um sistema misto (entre acusat—rio e inquisitivo), pois h‡ caracteres de
ambos. NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p.71
8
TambŽm chamado de princ’pio da adstri•‹o ou princ’pio da corre•‹o entre acusa•‹o e senten•a. NUCCI,
Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 608

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fundamento. Este princ’pio est‡ previsto no art. 5¡, LIV da CRFB/88, nos
seguintes termos:
Art. 5¼ (...) LIV - ninguŽm ser‡ privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal;

Assim, a Constitui•‹o estabelece que ninguŽm poder‡ sofrer priva•‹o de sua


liberdade ou de seus bens sem que haja um processo prŽvio, em que lhe seja
assegurada toda a sorte de instrumentos de defesa.
Desta maneira, especificamente no processo penal, esse princ’pio norteia
algumas regras, como o Direito que o acusado possui de ser ouvido pessoalmente
(Sim, o interrogat—rio Ž um direito do rŽu), a fim de expor sua vers‹o dos fatos,
bem como o direito que o acusado possui de arrolar testemunhas, contradizer
todas as provas e argumentos da acusa•‹o etc. Todos eles tiram seu fundamento
do Princ’pio do Devido Processo Legal.
A obedi•ncia ao rito previsto na Lei Processual (seja o rito ordin‡rio ou
outro), bem como ˆs demais regras estabelecidas para o processo Ž que se chama
de Devido Processo Legal em sentido formal.
Entretanto, existe outra vertente deste princ’pio, denominada Devido
Processo Legal em sentido material. Nessa œltima acep•‹o, entende-se que
o Devido Processo Legal s— Ž efetivamente respeitado quando o Estado age
de maneira razo‡vel, proporcional e adequada na tutela dos interesses
da sociedade e do acusado.
O princ’pio do Devido Processo Legal tem como corol‡rios os
postulados da Ampla Defesa e do Contradit—rio, ambos tambŽm previstos
na Constitui•‹o Federal, em seu art. 5¡, LV:
Art. 5 (...)
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;

2.2.1!Dos postulados do contradit—rio e da ampla defesa


00000000000

O princ’pio do Contradit—rio estabelece que os litigantes em geral e, no nosso


caso, os acusados, tem assegurado o direito de contradizer os argumentos
trazidos pela parte contr‡ria e as provas por ela produzidas.
Entretanto, este princ’pio sofre limita•›es, notadamente quando a decis‹o
a ser tomada pelo Juiz n‹o possa esperar a manifesta•‹o do acusado ou
a ci•ncia do acusado pode implicar a frustra•‹o da decis‹o.
EXEMPLO: Imagine que o MP aju’za a•‹o penal em face de JosŽ,
requerendo seja decretada sua pris‹o preventiva, com base na
ocorr•ncia de uma das circunst‰ncias previstas no art. 312 do CPP. O
Juiz, ao receber a denœncia, verificando estarem presentes os requisitos
que autorizam a decreta•‹o da pris‹o preventiva, a decretar‡ sem ouvir

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o acusado, pois aguardar a manifesta•‹o deste acerca da pris‹o


preventiva pode acarretar na frustra•‹o desta (fuga do acusado).

J‡ o postulado da ampla defesa prev• que n‹o basta dar ao acusado ci•ncia
das manifesta•›es da acusa•‹o e facultar-lhe se manifestar, se n‹o lhe forem
dados instrumentos para isso. Ampla Defesa e Contradit—rio caminham juntos
(atŽ por isso est‹o no mesmo inciso da Constitui•‹o), e retiram seu fundamento
no Devido Processo Legal.
Entre os instrumentos para o exerc’cio da defesa est‹o a previs‹o legal de
recursos em face das decis›es judiciais, direito ˆ produ•‹o de provas, bem como
a obriga•‹o de que o Estado forne•a assist•ncia jur’dica integral e gratuita,
primordialmente atravŽs da Defensoria Pœblica. Vejamos:
Art. 5¼ (...) LXXIV - o Estado prestar‡ assist•ncia jur’dica integral e gratuita aos que
comprovarem insufici•ncia de recursos;

Portanto, ao acusado que n‹o possuir meios de pagar um advogado, deve


ser garantida a defesa por um Defensor Pœblico, ou, em n‹o havendo sede da
Defensoria Pœblica na comarca, ser nomeado um defensor dativo (advogado
particular pago pelos cofres pœblicos), a fim de que lhe seja prestada defesa
tŽcnica.
AlŽm da defesa tŽcnica, realizada por profissional habilitado (advogado
particular ou Defensor Pœblico), h‡ tambŽm a autodefesa, que Ž realizada pelo
pr—prio rŽu, especialmente quando do seu interrogat—rio, oportunidade na qual
pode, ele mesmo, defender-se pessoalmente, sem a intermedia•‹o de
procurador. Assim, se o Juiz se recusar a interrogar o rŽu, por exemplo,
estar‡ violando o princ’pio da ampla defesa, por estar impedindo o rŽu de
exercer sua autodefesa.
A autodefesa se desdobra em tr•s:
⇒! Direito de audi•ncia Ð Tal direito se materializa durante o
interrogat—rio, oportunidade na qual o acusado pode apresentar ao
Juiz, pessoalmente, a sua defesa, ou seja, sua vers‹o acerca dos fatos.
⇒! Direito de presen•a Ð ƒ assegurado ao acusado o direito de
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acompanhar os atos da instru•‹o processual, auxiliando o seu defensor


na realiza•‹o da defesa. Ex. Acompanhar a realiza•‹o da
Òreconstitui•‹oÓ (reprodu•‹o simulada dos fatos).
⇒! Capacidade postulat—ria aut™noma excepcional Ð Ao acusado Ž
conferido o direito de postular diretamente ao Ju’zo em determinados
casos. Ex.: O acusado tem legitimidade recursal, ou seja, ele pode
recorrer mesmo que seu defensor n‹o recorra (art. 577 do CPP).

Ao contr‡rio da defesa tŽcnica, que n‹o pode faltar no processo criminal, sob
pena de nulidade absoluta, o rŽu pode recusar-se a exercer a autodefesa,
ficando em sil•ncio, por exemplo, pois o direito ao sil•ncio Ž um direito
expressamente previsto ao rŽu.

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Este princ’pio n‹o impede, porŽm, que o acusado sofra as consequ•ncias de


sua inŽrcia em rela•‹o aos atos processuais (n‹o-interposi•‹o de recursos,
aus•ncia injustificada de audi•ncias, etc.). Entretanto, o princ’pio da ampla
defesa se manifesta mais explicitamente quando o rŽu, embora citado, deixe de
apresentar Resposta ˆ Acusa•‹o. Nesse caso, dada a import‰ncia da pe•a de
defesa, dever‡ o Juiz encaminhar os autos ˆ Defensoria Pœblica, para que atue
na qualidade de curador do acusado, ou, em n‹o havendo Defensoria no local,
nomear defensor dativo para que patrocine a defesa do acusado.

2.3! Princ’pio da presun•‹o de n‹o culpabilidade (ou presun•‹o de


inoc•ncia)
A Presun•‹o de inoc•ncia Ž o maior pilar de um Estado Democr‡tico de
Direito, pois, segundo este princ’pio, nenhuma pessoa pode ser considerada
culpada (e sofrer as consequ•ncias disto) antes do tr‰nsito em julgado se
senten•a penal condenat—ria. Nos termos do art. 5¡, LVII da CRFB/88:
LVII - ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ o tr‰nsito em julgado de senten•a penal
condenat—ria;

O que Ž tr‰nsito em julgado de senten•a penal condenat—ria? ƒ a


situa•‹o na qual a senten•a proferida no processo criminal, condenando o rŽu,
n‹o pode mais ser modificada atravŽs de recurso. Assim, enquanto n‹o houver
uma senten•a criminal condenat—ria irrecorr’vel, o acusado n‹o pode ser
considerado culpado e, portanto, n‹o pode sofrer as consequ•ncias da
condena•‹o.
Este princ’pio pode ser considerado:
⇒! Uma regra probat—ria (regra de julgamento) - Deste princ’pio decorre
que o ™nus (obriga•‹o) da prova cabe ao acusador (MP ou ofendido,
conforme o caso). O rŽu Ž, desde o come•o, inocente, atŽ que o acusador prove
sua culpa. Assim, temos o princ’pio do in dubio pro reo ou favor rei, segundo o
qual, durante o processo (inclusive na senten•a), havendo dœvidas acerca da
culpa ou n‹o do acusado, dever‡ o Juiz decidir em favor deste, pois sua culpa
n‹o foi cabalmente comprovada. 00000000000

CUIDADO: Existem hip—teses em que o Juiz n‹o decidir‡ de acordo com


princ’pio do in dubio pro reo, mas pelo princ’pio do in dubio pro societate. Por
exemplo, nas decis›es de recebimento de denœncia ou queixa e na decis‹o de
pronœncia, no processo de compet•ncia do Jœri, o Juiz decide contrariamente
ao rŽu (recebe a denœncia ou queixa no primeiro caso, e pronuncia o rŽu no
segundo) com base apenas em ind’cios de autoria e prova da materialidade. Ou
seja, nesses casos, mesmo o Juiz tendo dœvidas quanto ˆ culpabilidade do rŽu,
dever‡ decidir contrariamente a ele, e em favor da sociedade, pois destas
decis›es n‹o h‡ consequ•ncias para o rŽu, permitindo-se, apenas, que seja

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iniciado o processo ou a fase processual, na qual ser‹o produzidas as provas


necess‡rias ˆ elucida•‹o dos fatos.

⇒! Uma regra de tratamento - Deste princ’pio decorre, ainda, que o rŽu


deve ser, a todo momento, tratado como inocente. E isso tem uma dimens‹o
interna e uma dimens‹o externa:
a)! Dimens‹o interna Ð O agente deve ser tratado, dentro do processo, como
inocente. Ex.: O Juiz n‹o pode decretar a pris‹o preventiva do acusado
pelo simples fato de o rŽu estar sendo processado, caso contr‡rio, estaria
presumindo a culpa do acusado.
b)! Dimens‹o externa Ð O agente deve ser tratado como inocente FORA do
processo, ou seja, o fato de estar sendo processado n‹o pode gerar reflexos
negativos na vida do rŽu. Ex.: O rŽu n‹o pode ser eliminado de um concurso
pœblico porque est‡ respondendo a um processo criminal (pois isso seria
presumir a culpa do rŽu).

Desta maneira, sendo este um princ’pio de ordem Constitucional,


deve a legisla•‹o infraconstitucional (especialmente o CP e o CPP)
respeit‡-lo, sob pena de viola•‹o ˆ Constitui•‹o. Portanto, uma lei que
dissesse, por exemplo, que o cumprimento de pena se daria a partir da senten•a
em primeira inst‰ncia seria inconstitucional, pois a Constitui•‹o afirma que o
acusado ainda n‹o Ž considerado culpado nessa hip—tese.

CUIDADO! A exist•ncia de pris›es provis—rias (pris›es


decretadas no curso do processo) n‹o ofende a presun•‹o de inoc•ncia,
pois nesse caso n‹o se trata de uma pris‹o como cumprimento de pena, mas
sim de uma pris‹o cautelar, ou seja, para garantir que o processo penal seja
devidamente instru’do ou eventual senten•a condenat—ria seja cumprida. Por
exemplo: Se o rŽu est‡ dando sinais de que vai fugir (tirou passaporte
recentemente), e o Juiz decreta sua pris‹o preventiva, o faz n‹o por consider‡-
lo culpado, mas para garantir que, caso seja condenado, cumpra a pena. Voc•s
ver‹o mais sobre isso na aula sobre Pris‹o e Liberdade Provis—ria! J
00000000000

Ou seja, a pris‹o cautelar, quando devidamente fundamentada na


necessidade de evitar a ocorr•ncia de algum preju’zo (risco para a instru•‹o ou
para o processo, por exemplo), Ž v‡lida. O que n‹o se pode admitir Ž a
utiliza•‹o da pris‹o cautelar como Òantecipa•‹o de penaÓ.

Vou transcrever para voc•s agora alguns pontos que s‹o pol•micos e a
respectiva posi•‹o dos Tribunais Superiores, pois isto Ž importante.
¥! Processos criminais em curso e inquŽritos policiais em face do
acusado podem ser considerados maus antecedentes? Segundo
o STJ e o STF n‹o, pois em nenhum deles o acusado foi condenado de
maneira irrecorr’vel, logo, n‹o pode ser considerado culpado nem

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sofrer qualquer consequ•ncia em rela•‹o a eles (sœmula 444 do


STJ).
¥! Regress‹o de regime de cumprimento da pena Ð O STJ e o STF
entendem que NÌO Hç NECESSIDADE DE CONDENA‚ÌO PENAL
TRANSITADA EM JULGADO para que o preso sofra a regress‹o do
regime de cumprimento de pena mais brando para o mais severo (do
semiaberto para o fechado, por exemplo). Nesses casos, basta que o
preso tenha cometido novo crime doloso ou falta grave, durante
o cumprimento da pena pelo crime antigo, para que haja a regress‹o,
nos termos do art. 118, I da Lei 7.210/84 (Lei de Execu•›es Penais),
n‹o havendo necessidade, sequer, de que tenha havido condena•‹o
criminal ou administrativa. A Jurisprud•ncia entende que esse artigo
da LEP n‹o ofende a Constitui•‹o.
¥! Revoga•‹o do benef’cio da suspens‹o condicional do processo
em raz‹o do cometimento de crime Ð Prev• a Lei 9.099/95 que em
determinados crimes, de menor potencial ofensivo, pode ser o
processo criminal suspenso por determinado, devendo o rŽu cumprir
algumas obriga•›es durante este prazo (dentre elas, n‹o cometer novo
crime), findo o qual estar‡ extinta sua punibilidade. Nesse caso, o STF
e o STJ entendem que, descoberta a pr‡tica de crime pelo acusado
beneficiado com a suspens‹o do processo, este benef’cio deve ser
revogado, por ter sido descumprida uma das condi•›es, n‹o havendo
necessidade de tr‰nsito em julgado da senten•a condenat—ria
do crime novo.

CUIDADO MASTER! Recentemente, no julgamento do HC 126.292 o STF


decidiu (entendimento confirmado posteriormente) que o cumprimento da
pena pode se iniciar com a mera condena•‹o em segunda inst‰ncia por
um —rg‹o colegiado (TJ, TRF, etc.). Isso significa que o STF relativizou o
princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia, admitindo que a ÒculpaÓ (para fins de
cumprimento da pena) j‡ estaria formada nesse momento (embora a CF/88
seja expressa em sentido contr‡rio). Isso significa que, possivelmente, teremos
(num futuro breve) altera•‹o na jurisprud•ncia consolidada do STF e do STJ, de
00000000000

forma que a•›es penais em curso passem a poder ser consideradas como maus
antecedentes, desde que haja, pelo menos, condena•‹o em segunda inst‰ncia
por —rg‹o colegiado (mesmo sem tr‰nsito em julgado), alŽm de outros reflexos
que tal relativiza•‹o provoca (HC 126292/SP, rel. Min. Teori Zavascki,
17.2.2016).

2.4! Princ’pio da obrigatoriedade da fundamenta•‹o das decis›es


judiciais
Este princ’pio est‡ previsto no art. 93, IX da Constitui•‹o:
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispor‡ sobre o
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princ’pios:

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(...)
IX todos os julgamentos dos —rg‹os do Poder Judici‡rio ser‹o pœblicos, e
fundamentadas todas as decis›es, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presen•a, em determinados atos, ˆs pr—prias partes e a seus advogados, ou somente
a estes, em casos nos quais a preserva•‹o do direito ˆ intimidade do interessado no
sigilo n‹o prejudique o interesse pœblico ˆ informa•‹o;

Como voc•s podem ver, Ž a pr—pria Constitui•‹o quem determina que os


atos decis—rios proferidos pelo Juiz sejam fundamentados. Desta maneira, pode-
se elevar esse princ’pio (motiva•‹o das decis›es judiciais) ˆ categoria de princ’pio
constitucional, por ter merecido a aten•‹o da Lei M‡xima.
Portanto, quando o Juiz indefere uma prova requerida, ou prolata a
senten•a, deve fundamentar seu ato, dizendo em que fundamento se baseia para
indeferir a prova ou para tomar a decis‹o que tomou na senten•a (condenando
ou absolvendo).
Esse princ’pio decorre da l—gica do sistema jur’dico p‡trio, em que a
transpar•ncia deve vigorar. Assim, a parte (seja o acusado ou o acusador) saber‡
exatamente o que se baseou o Juiz para proferir aquela decis‹o e, assim, poder
examinar se o Magistrado agiu dentro da legalidade.
Ali‡s, esse princ’pio guarda estrita rela•‹o com o princ’pio da Ampla
Defesa, eis que a aus•ncia de fundamenta•‹o ou a fundamenta•‹o deficiente de
uma decis‹o dificulta e por vezes impede a sua impugna•‹o, j‡ que a parte
prejudicada n‹o tem elementos para combat•-lo, j‡ que n‹o sabe seus
fundamentos.
Alguns pontos controvertidos merecem destaque:
¥! A decis‹o de recebimento da denœncia ou queixa, apesar de
possuir forte carga decis—ria, n‹o precisa de fundamenta•‹o
complexa (STF entende que isso n‹o fere a Constitui•‹o).
¥! A fundamenta•‹o referida Ž constitucional Ð Fundamenta•‹o
referida Ž aquela na qual um —rg‹o do Judici‡rio se remete ˆs raz›es
expostas por outro —rg‹o do Judici‡rio (Ex.: O Tribunal, ao julgar a
apela•‹o, mantendo a senten•a, pode fundamentar sua decis‹o
referindo-se aos argumentos expostos na senten•a de primeira
00000000000

inst‰ncia, sem necessidade de reproduzi-los no corpo do Ac—rd‹o).


¥! As decis›es proferidas pelo Tribunal do Jœri n‹o s‹o
fundamentadas, pois os julgadores (jurados) n‹o possuem
conhecimento tŽcnico, proferindo seu voto conforme sua percep•‹o de
Justi•a indicar.

2.5! Princ’pio da publicidade


Este princ’pio estabelece que os atos processuais e as decis›es judiciais
ser‹o pœblicas, ou seja, de acesso livre a qualquer do povo. Essa Ž a regra
prevista no art. 93, IX da CRFB/88:

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Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispor‡ sobre o
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princ’pios:
(...)
IX- todos os julgamentos dos —rg‹os do Poder Judici‡rio ser‹o pœblicos, e
fundamentadas todas as decis›es, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presen•a, em determinados atos, ˆs pr—prias partes e a seus advogados, ou somente
a estes, em casos nos quais a preserva•‹o do direito ˆ intimidade do interessado no
sigilo n‹o prejudique o interesse pœblico ˆ informa•‹o;

Percebam que a Constitui•‹o determina que os julgamentos dos —rg‹os do


Poder Judici‡rio ser‹o pœblicos, mas entende-se ÒjulgamentosÓ como qualquer
ato processual.
Entretanto, essa publicidade NÌO ƒ ABSOLUTA, podendo sofrer restri•‹o,
quando a intimidade das partes ou interesse pœblico exigir. A isso se chama de
publicidade restrita.
Essa possibilidade de restri•‹o est‡ prevista, ainda, no art. 5¡, LX da
CRFB/88:
Art. 5¼ (...) LX - a lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

Ressalto a voc•s que essa publicidade pode ser restringida apenas ˆs partes
e seus procuradores, ou somente a estes. O que isso significa? Que alguns atos
podem n‹o ser pœblicos nem mesmo para a outra parte! Sim! Imaginem que,
numa audi•ncia, a ofendida pelo crime de estupro n‹o queira dar seu depoimento
na presen•a do acusado. Nada mais natural. Assim, o Juiz poder‡ mandar que
este se retire da sala, permanecendo, porŽm, o seu advogado. Aos
procuradores das partes (advogado, membro do MP, etc.) nunca se pode
negar publicidade dos atos processuais! Gravem isso!
Essa impossibilidade de restri•‹o da publicidade aos procuradores das partes
Ž decorr•ncia natural do princ’pio do contradit—rio e da ampla defesa, pois s‹o os
procuradores quem exercem a defesa tŽcnica, n‹o podendo ser privados do
acesso a nenhum ato do processo, sob pena de nulidade.9
00000000000

9
Por fim, vale registrar que no Tribunal do Jœri (que tem regras muito espec’ficas) o voto dos jurados Ž
sigiloso, por expressa previs‹o constitucional, caracterizando-se em mais uma exce•‹o ao princ’pio. Nos
termos do art. 5¡, XVIII, b, da Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei, assegurados:
(...)
b) o sigilo das vota•›es;
Assim, nesse caso, n‹o h‡ publicidade do voto proferido pelo jurado, mas a sess‹o secreta onde ocorre o
julgamento pelos jurados (dep—sito dos votos na urna) Ž acess’vel aos procuradores.

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2.6! Princ’pio da isonomia processual


O princ’pio da isonomia processual (ou par conditio ou paridade de
armas) decorre do princ’pio da isonomia, genericamente considerado, segundo
o qual as pessoas s‹o iguais perante a lei, sendo vedadas pr‡ticas
discriminat—rias. Est‡ previsto no art. 5¡ da Constitui•‹o:
Art. 5¼ Todos s‹o iguais perante a lei, sem distin•‹o de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa’s a inviolabilidade do direito ˆ
vida, ˆ liberdade, ˆ igualdade, ˆ seguran•a e ˆ propriedade, nos termos seguintes:

No campo processual este princ’pio tambŽm irradia seus efeitos, devendo a


lei processual tratar ambas as partes de maneira igualit‡ria, conferindo-lhes os
mesmos direitos e deveres. Por exemplo: Os prazos recursais devem ser os
mesmos para acusa•‹o e defesa, o tempo para sustenta•‹o oral nas sess›es de
julgamento tambŽm devem ser id•nticos, etc.
Entretanto, Ž poss’vel que a lei estabele•a algumas situa•›es aparentemente
anti-ison™micas, a fim de equilibrar as for•as dentro do processo.10
Boa parte da Doutrina sustenta que na a•‹o penal pœblica o princ’pio da
paridade de armas fica mitigado, pois o MP desempenha dupla fun•‹o (atua
como acusador e como fiscal da Lei). Na a•‹o penal privada haveria uma paridade
de armas mais evidente, j‡ que ter’amos dois particulares litigando, um de cada
lado (o querelante e o querelado, ou seja, v’tima e infrator), e o MP atuando
como fiscal da Lei.

2.7! Princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o


Este princ’pio estabelece que as decis›es judiciais devem estar sujeitas ˆ
revis‹o por outro —rg‹o do Judici‡rio. Embora n‹o esteja expresso na
Constitui•‹o, grande parte dos doutrinadores o aceita como um princ’pio
constitucional impl’cito11, fundamentando sua tese nas regras de compet•ncia
dos Tribunais estabelecidas na Constitui•‹o, o que deixaria impl’cito que toda
decis‹o judicial deva estar sujeita a recurso, via de regra. A despeito de n‹o
estar expl’cito na Constitui•‹o, tem previs‹o expressa no Pacto de San
JosŽ da Costa Rica (Conven•‹o Americana de Direitos Humanos),
00000000000

ratificado pelo Brasil.


Entretanto, mesmo aqueles que consideram ser este um princ’pio de ’ndole
constitucional entendem que h‡ exce•›es, que s‹o os casos de compet•ncia
origin‡ria do STF, a•›es nas quais n‹o cabe recurso da decis‹o de mŽrito (—bvio,
pois o STF Ž a Corte Suprema do Brasil). Assim, essa exce•‹o n‹o anularia o fato

10
Por exemplo, quando a lei estabelece que a Defensoria Pœblica possui prazo em dobro para recorrer, n‹o
est‡ ferindo o princ’pio da isonomia, mas est‡ apenas corrigindo uma situa•‹o de desequil’brio. Isso porque
a Defensoria Pœblica Ž uma Institui•‹o absolutamente assoberbada, que n‹o pode escolher se vai ou n‹o
patrocinar uma demanda. Caso o assistido se enquadre como hipossuficiente, a Defensoria Pœblica deve
atuar. Um escrit—rio de advocacia pode, por exemplo, se recusar a patrocinar uma defesa alegando estar
muito atarefado.
11
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52.

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de que se trata de um princ’pio constitucional, apenas n‹o lhe permite ser


absoluto.

2.8! Princ’pio do Juiz Natural


A Constitui•‹o estabelece em seu art. 5¡, LIII que:
Art. 5¼ (...) LIII - ninguŽm ser‡ processado nem sentenciado sen‹o pela autoridade
competente;

Assim, desse dispositivo constitucional podemos extrair o princ’pio do Juiz


Natural.
O princ’pio do Juiz Natural estabelece que toda pessoa tem direito de ser
julgada por um —rg‹o do Poder Judici‡rio brasileiro, devidamente investido na
fun•‹o jurisdicional, cuja compet•ncia fora previamente definida12. Assim, est‡
vedada a forma•‹o de Tribunal ou Ju’zo de exce•‹o, que s‹o aqueles
criados especificamente para o julgamento de um determinado caso. Isso n‹o Ž
tolerado no Brasil!
Trata-se de princ’pio que remonta ao Direito anglo-sax‹o, fundado na
ideia b‡sica de veda•‹o ˆ exist•ncia de Tribunais de Exce•‹o. Este princ’pio viria
a ser, posteriormente, mais bem trabalhado pelo Direito norte-americano, ao
exigir-se a fixa•‹o prŽvia da compet•ncia jurisdicional.
PorŽm, voc•s n‹o devem confundir Ju’zo ou Tribunal de exce•‹o com varas
especializadas. As varas especializadas s‹o criadas para otimizar o trabalho
do Judici‡rio, e sua compet•ncia Ž definida abstratamente, e n‹o em raz‹o de
um fato isolado, de forma que n‹o ofendem o princ’pio. O que este princ’pio
impede Ž a manipula•‹o das Òregras do jogoÓ para se ÒescolherÓ o Juiz que ir‡
julgar a causa.13
Assim, proposta a a•‹o penal, ela ser‡ distribu’da para um dos Ju’zes com
compet•ncia para julg‡-la.
Boa parte da Doutrina sustenta14, ainda, a exist•ncia do princ’pio do
Promotor Natural. Tal princ’pio estabelece que toda pessoa tem direito de ser
acusada pela autoridade competente. Assim, Ž vedada a designa•‹o pelo
00000000000

Procurador-Geral de Justi•a de um Promotor para atuar especificamente num


determinado caso. Isso seria simplesmente um acusador de exce•‹o, alguŽm que
n‹o estava previamente definido como o Promotor (ou um dos Promotores) que
poderia receber o caso, mas alguŽm que foi definido como o acusador de um rŽu
ap—s a pr‡tica do fato, cuja finalidade Ž fazer com que o acusado seja processado
por alguŽm que possui determinada caracter’stica (Promotor mais brando ou mais
severo, a depender do infrator).

12
PACELLI, Eug•nio. Op. cit., p. 37
13
Outra situa•‹o que tambŽm NÌO VIOLA o princ’pio do Juiz Natural Ž a atra•‹o, por conex‹o ou contin•ncia,
do processo do corrŽu ao foro por prerrogativa de fun•‹o de um dos denunciados (sœmula 704 do STF).
Veremos mais sobre isso na aula sobre jurisdi•‹o e compet•ncia.
14
Ver, por todos, NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52

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Entretanto, a defini•‹o de atribui•›es especializadas (Promotor para crimes


ambientais, crimes contra a ordem financeira, etc.) n‹o viola este princ’pio, pois
n‹o se est‡ estabelecendo uma atribui•‹o casu’stica, apenas para determinado
caso, mas uma atribui•‹o abstrata, que se aplicar‡ a todo e qualquer caso
semelhante. ƒ exatamente o mesmo que ocorre em rela•‹o ˆs Varas
especializadas.

2.9! Princ’pio da veda•‹o ˆs provas il’citas


No nosso sistema processual penal vige o princ’pio do livre convencimento
motivado do Juiz, ou seja, o Juiz n‹o est‡ obrigado a decidir conforme
determinada prova (confiss‹o, por exemplo), podendo decidir da forma que
entender, desde que fundamente sua decis‹o em alguma das provas produzidas
nos autos do processo.
Em raz‹o disso, ˆs partes Ž conferido o direito de produzir as provas que
entendam necess‡rias para convencer o Juiz a acatar sua tese. Entretanto, esse
direito probat—rio n‹o Ž ilimitado, encontrando limites nos direitos
fundamentais previstos na Constitui•‹o. Essa limita•‹o encontra-se no art. 5¡,
LVI da Constitui•‹o. Vejamos:
Art. 5¼ (...) LVI - s‹o inadmiss’veis, no processo, as provas obtidas por meios il’citos;

Vejam que a Constitui•‹o Ž clara ao dizer que n‹o se admitem no processo


as provas que tenham sido obtidas por meios il’citos. Mas o que seriam meios
il’citos? Seriam todos aqueles meios em que para a obten•‹o da prova tenha
que ser violado um direito fundamental de alguŽm.
A Doutrina divide as provas ilegais em provas il’citas (quando violam
normas de direito material) e provas ileg’timas (quando violam normas de
direito processual), mas isso n‹o Ž assunto para esta aula especificamente.

ATEN‚ÌO! A Doutrina dominante admite a utiliza•‹o de


provas il’citas quando esta for a œnica forma de se obter a absolvi•‹o
00000000000

do rŽu.

Veda-se, tambŽm, a utiliza•‹o de provas il’citas por deriva•‹o, que s‹o


aquelas provas obtidas licitamente, mas que derivam de uma prova il’cita,
adotando-se aqui a teoria dos frutos da ‡rvore envenenada.
EXEMPLO: Imagine que Paulo Ž indicado como testemunha de um fato
criminoso. Durante a investiga•‹o, Paulo, mediante tortura, acaba
mencionando que Maria presenciou o fato criminoso. Maria Ž devidamente
ouvida no processo criminal e seu depoimento Ž utilizado para a condena•‹o
do rŽu. Neste caso, o depoimento de Maria, em si, n‹o Ž il’cito, pois foi
realizado validamente. Todavia, s— se chegou atŽ Maria em raz‹o da tortura

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realizada sobre Paulo, motivo pelo qual o v’cio contido no depoimento de


Paulo contamina o depoimento de Maria.

2.10! Princ’pio da veda•‹o ˆ autoincrimina•‹o


Tal princ’pio, tambŽm conhecido como nemo tenetur se detegere, tem por
finalidade impedir que o Estado, de alguma forma, imponha ao rŽu (ou ao
indiciado) alguma obriga•‹o que possa colocar em risco o seu direito de n‹o
produzir provas prejudiciais a si pr—prio. O ™nus da prova incumbe ˆ acusa•‹o,
n‹o ao rŽu.
Este princ’pio pode ser extra’do da conjuga•‹o de tr•s dispositivos
constitucionais:
¥! Direito ao sil•ncio
¥! Direito ˆ ampla defesa
¥! Presun•‹o de inoc•ncia

Assim, em raz‹o deste princ’pio, o acusado n‹o Ž obrigado a praticar


qualquer ato que possa ser prejudicial ˆ sua defesa, como realizar o teste do
baf™metro (trata-se de uma fase prŽ-processual, mas o resultado seria utilizado
posteriormente no processo), fornecer padr›es gr‡ficos para realiza•‹o de exame
grafotŽcnico, etc. AlŽm disso, o sil•ncio n‹o pode ser considerado como
confiss‹o e nem pode ser interpretado em preju’zo da defesa, sob pena
de esvaziar-se a l—gica de tal garantia.
Podemos dizer, ent‹o, que o princ’pio da veda•‹o ˆ autoincrimina•‹o possui
alguns desdobramentos:
⇒! Direito ao sil•ncio Ð Trata-se do direito de n‹o responder ˆs
perguntas que lhe forem formuladas.
⇒! Inexigibilidade de dizer a verdade Ð Toler‰ncia quanto ˆs
informa•›es inver’dicas prestadas pelo rŽu. Como o Brasil n‹o
criminaliza o ÒperjœrioÓ (mentira realizada pelo rŽu em ju’zo), o
processo penal tolera a conduta do rŽu de mentir em ju’zo, da’ n‹o
00000000000

resultando qualquer preju’zo para a defesa.


⇒! Direito de n‹o ser compelido a praticar comportamento ATIVO
Ð O rŽu n‹o pode ser obrigado a participar ATIVAMENTE da produ•‹o
de qualquer prova, podendo se recusar a participar sempre que
entender que isso pode prejudica-lo. Ex.: N‹o est‡ obrigado a fornecer
padr›es gr‡ficos para exame de caligrafia, n‹o est‡ obrigado a
participar da reconstitui•‹o (reprodu•‹o simulada dos fatos), etc.
Todavia, o rŽu pode ser obrigado a participar da audi•ncia de
reconhecimento (pois n‹o se trata de um comportamento ativo, e sim
passivo. O rŽu s— vai ficar l‡, parado, a fim de que a v’tima o
reconhe•a, ou n‹o, como o infrator.
⇒! Direito de n‹o se submeter a procedimento probat—rio invasivo
Ð Trata-se do direito de n‹o se submeter a qualquer procedimento que

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seja realizado por meio de penetra•‹o no corpo humano (Ex.: exame


de sangue, endoscopia, etc.).

A Doutrina, todavia, entende que Ž poss’vel submeter o acusado a situa•›es


nas quais n‹o se exija uma participa•‹o ativa na produ•‹o probat—ria (ex.:
obrigatoriedade de comparecer ao local indicado a fim de que se proceda ao
reconhecimento pela v’tima).

2.11!Princ’pio do non bis in idem


Por este princ’pio entende-se que uma pessoa n‹o pode ser punida
duplamente pelo mesmo fato. AlŽm disso, estabelece que uma pessoa n‹o possa,
sequer, ser processada duas vezes pelo mesmo fato. Da’ podermos dizer que n‹o
h‡, no processo penal, a chamada Òrevis‹o pro societateÓ.

EXEMPLO: JosŽ foi processado pelo crime X. Todavia, como n‹o havia provas,
foi absolvido. Tal decis‹o transitou em julgado, tornando-se imut‡vel. Todavia,
dois meses depois, surgiram provas da culpa de JosŽ. Neste caso, JosŽ n‹o
poder‡ ser processado novamente.

CUIDADO! Uma pessoa n‹o pode ser duplamente processada pelo mesmo fato
quando j‡ houve decis‹o capaz de produzir coisa julgada material, ou seja, a
imutabilidade da decis‹o (condena•‹o, absolvi•‹o, extin•‹o da punibilidade,
etc.). Quando a decis‹o n‹o faz coisa julgada material, Ž poss’vel novo
processo (Ex.: Extin•‹o do processo pela rejei•‹o da denœncia, em raz‹o do
descumprimento de uma mera formalidade processual).

Tal princ’pio veda, ainda, que um mesmo fato, condi•‹o ou circunst‰ncia


seja duplamente considerado para fins de fixa•‹o da pena.

EXEMPLO: JosŽ est‡ sendo processado pelo crime de homic’dio qualificado pelo
motivo torpe. JosŽ Ž condenado pelo jœri e, na fixa•‹o da pena, o Juiz aplica a
00000000000

agravante genŽrica prevista no art. 61, II, a do CP, cab’vel quando o crime Ž
praticado por motivo torpe. Todavia, neste caso, o Òmotivo torpeÓ j‡ foi
considerado como qualificadora (tornando a pena mais gravosa Ð de 06 a 20 anos
para 12 a 30 anos), ent‹o n‹o pode ser novamente considerada no mesmo caso.
Ou seja, como tal circunst‰ncia (motivo torpe) j‡ qualifica o delito, n‹o pode
tambŽm servir como circunst‰ncia agravante, sob pena de o agente ser
duplamente punido pela mesma circunst‰ncia.

Assim:

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VEDAÇÃO À DUPLA CONDENAÇÃO


PELO MESMO FATO

VEDAÇÃO AO DUPLO PROCESSO


NON BIS IN IDEM PELO MESMO FATO

VEDAÇÃO À DUPLA
CONSIDERAÇÃO DO MESMO
FATO/CONDIÇÃO/CIRCUNSTÂNCIA
NA DOSIMETRIA DA PENA

3! DISPOSI‚ÍES CONSTITUCIONAIS RELEVANTES

Vamos sintetizar, neste t—pico algumas disposi•›es constitucionais relativas


ao Direito Processual Penal que, embora relevantes, n‹o podem ser consideradas
princ’pios.

3.1! Direitos constitucionais do preso


A CRFB/88 prev• uma sŽrie direitos que s‹o assegurados ao preso. Vejamos:
Art. 5¼ (...)
LXI - ninguŽm ser‡ preso sen‹o em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judici‡ria competente, salvo nos casos de transgress‹o
00000000000

militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;


LXII - a pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados
imediatamente ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
LXIV - o preso tem direito ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou por seu
interrogat—rio policial;
LXV - a pris‹o ilegal ser‡ imediatamente relaxada pela autoridade judici‡ria;
LXVI - ninguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provis—ria, com ou sem fian•a;
(...)

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LXVIII - conceder-se-‡ habeas corpus sempre que alguŽm sofrer ou se achar
amea•ado de sofrer viol•ncia ou coa•‹o em sua liberdade de locomo•‹o, por
ilegalidade ou abuso de poder;

Vejam que temos uma sŽrie de direitos assegurados ao preso. Tenho um


quadrinho abaixo que pode facilitar a compreens‹o:

GARANTIAS CONSTITUCIONAIS APLICçVEIS AO PRESO


ADMISSIBILIDADE DEPOIS DE EFETUADA A PARA EVITAR A
DA PRISÌO PRISÌO PRISÌO
¥! Flagrante delito ¥! Comunica•‹o da ¥! Liberdade
(sem necessidade de pris‹o e do local em que provis—ria (quando
ordem judicial) se encontra o preso presentes os
¥! Por ordem escrita e IMEDIATAMENTE ao requisitos)
fundamentada de juiz competente e ˆ ¥! Habeas corpus, no
autoridade fam’lia do preso ou ˆ caso de ilegalidade ou
judici‡ria pessoa por ele indicada. abuso de poder
competente, salvo ¥! Informa•‹o ao preso
nos casos de sobre seus direitos,
transgress‹o militar entre os quais o de
ou crime permanecer calado,
propriamente militar, sendo-lhe assegurada a
definidos em lei assist•ncia da fam’lia e
de advogado.
¥! Identifica•‹o dos
respons‡veis pela
pris‹o e/ou
interrogat—rio policial.
¥! Relaxamento da
pris‹o que seja ilegal
¥! Direito de ser colocado
em liberdade, se
00000000000

estiverem presentes os
requisitos para
concess‹o da liberdade
provis—ria.

3.2! Tribunal do Jœri


A Constitui•‹o Federal reconhece a institui•‹o do Jœri, e estabelece algumas
regrinhas. Vejamos:
Art. 5¼ (...)

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XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei,
assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das vota•›es;
c) a soberania dos veredictos;
d) a compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

Sem maiores considera•›es a respeito deste tema, apenas ressaltando que


o STF entende que em havendo choque entre a compet•ncia do Jœri e uma
compet•ncia de foro por prerrogativa de fun•‹o prevista na Constitui•‹o,
prevalece a œltima.
EXEMPLO: JosŽ, Deputado Federal, pratica crime doloso contra a vida
em face de Mariana. Neste caso, h‡ um aparente conflito entre a
compet•ncia prevista par ao Jœri (crime doloso contra a vida) e a
compet•ncia do STF (crime praticado por deputado federal). Neste caso,
o STF entende que prevalece a compet•ncia por prerrogativa de fun•‹o,
sendo competente, portanto, o pr—prio STF.

3.3! Menoridade Penal


A Constitui•‹o prev•, ainda, que os menores de 18 anos s‹o inimput‡veis.
Vejamos:
Art. 228. S‹o penalmente inimput‡veis os menores de dezoito anos, sujeitos ˆs
normas da legisla•‹o especial.

Isso quer dizer que eles n‹o respondem penalmente, estando sujeitos ˆs
normas do ESTATUTO DA CRIAN‚A E DO ADOLESCENTE.

3.4! Disposi•›es referentes ˆ execu•‹o penal


A Constitui•‹o traz, ainda, algumas disposi•›es referentes ˆ execu•‹o da
00000000000

pena privativa de liberdade, de forma a garantir, tambŽm ao condenado,


condi•›es de cumprimento da pena que preservem sua dignidade:
Art. 5¼ (...)
XLVIII - a pena ser‡ cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - Ž assegurado aos presos o respeito ˆ integridade f’sica e moral;
L - ˆs presidi‡rias ser‹o asseguradas condi•›es para que possam permanecer com
seus filhos durante o per’odo de amamenta•‹o;

Vale ressaltar que o inciso XLVIII Ž uma espŽcie de materializa•‹o do


princ’pio da individualiza•‹o da pena, pois busca uma execu•‹o da pena mais

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racional, evitando-se que presos de perfis distintos venham a cumprir pena


juntos.

3.5! Outras disposi•›es constitucionais referentes ao processo penal


A Constitui•‹o nos traz, ainda, algumas outras disposi•›es relevantes.
Vejamos:
Art. 5¼ (...)
XII - Ž inviol‡vel o sigilo da correspond•ncia e das comunica•›es telegr‡ficas, de dados
e das comunica•›es telef™nicas, salvo, no œltimo caso, por ordem judicial, nas
hip—teses e na forma que a lei estabelecer para fins de investiga•‹o criminal ou
instru•‹o processual penal; (Vide Lei n¼ 9.296, de 1996)
(...)
LVI - s‹o inadmiss’veis, no processo, as provas obtidas por meios il’citos;
(...)
LVIII - o civilmente identificado n‹o ser‡ submetido a identifica•‹o criminal, salvo nas
hip—teses previstas em lei; (Regulamento).
LIX - ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o pœblica, se esta n‹o for intentada
no prazo legal;
(...)
LXXV - o Estado indenizar‡ o condenado por erro judici‡rio, assim como o que ficar
preso alŽm do tempo fixado na senten•a;

Vamos tecer breves considera•›es:


¥! INTERCEPTA‚ÌO TELEFïNICA (inciso XII) Ð Atualmente est‡
regulamentada pela Lei 9.296/96. Constitucionalmente s— se admite
para instru•‹o processual penal ou investiga•‹o criminal, sempre por
ordem JUDICIAL (Chamada Òcl‡usula de RESERVA DE JURISDI‚ÌOÓ).
¥! PROVAS ILêCITAS (inciso LVI) Ð Tais provas s‹o vedadas no
processo penal (e em qualquer processo), estando regulamentadas no
CPP (art. 157), que veda, inclusive as provas que sejam derivadas das
il’citas. A Doutrina, contudo, vem admitindo a utiliza•‹o destas provas
00000000000

quando for a òNICA maneira de provar a inoc•ncia do acusado.


¥! VEDA‚ÌO Ë IDENTIFICA‚ÌO CRIMINAL (inciso LVIII) Ð A
identifica•‹o criminal (registro datilosc—pico, fotografia em sede
policial, e outros registros biomŽtricos, etc.) Ž meio deveras vexat—rio,
n‹o sendo admitido para aquele que for civilmente identificado, bem
como nos demais casos previstos em Lei (Para esta aula n‹o nos
aprofundaremos no tema).
¥! A‚ÌO PRIVADA SUBSIDIçRIA DA PòBLICA (inciso LIX) Ð Trata-
se de uma modalidade de a•‹o penal na qual o ofendido oferece a
queixa (a•‹o penal privada) em crime de a•‹o pœblica (No qual n‹o
caberia a•‹o privada) em raz‹o da inŽrcia do MP. Est‡ regulamentada
no CPP, em seu art. 29 e seguintes.

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¥! INDENIZA‚ÌO AO CONDENADO POR ERRO E AO QUE CUMPRIR


PENA ALƒM DO PRAZO (inciso LXXV) Ð Com rela•‹o a este inciso,
apenas uma observa•‹o: O preso provis—rio n‹o tem direito ˆ
indeniza•‹o caso, posteriormente, seja considerado inocente.
Isto porque a pris‹o provis—ria tem natureza cautelar, e n‹o se
fundamenta na culpa do indiciado/acusado. Assim, a posterior
senten•a absolut—ria n‹o representa assun•‹o, pelo Estado, de um
ÒerroÓ anterior.

4! INTERPRETA‚ÌO E INTEGRA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL

O art. 3¡ do CPP diz:


Art. 3o A lei processual penal admitir‡ interpreta•‹o extensiva e aplica•‹o anal—gica,
bem como o suplemento dos princ’pios gerais de direito.

Vamos explicar, assim, o que seriam interpreta•‹o extensiva, aplica•‹o


anal—gica e princ’pios gerais do Direito.
A interpreta•‹o extensiva Ž uma atividade na qual o intŽrprete estende
o alcance do que diz a lei, em raz‹o de sua vontade (vontade da lei) ser esta.
No crime de extors‹o mediante sequestro, por exemplo, Ž l—gico que a lei quis
incluir, tambŽm, extors‹o mediante c‡rcere privado. Assim, faz-se uma
interpreta•‹o extensiva, que pode ser aplicada sem que haja viola•‹o ao princ’pio
da legalidade, pois, na verdade, a lei diz isso, s— que n‹o est‡ expresso em seu
texto. A Doutrina processualista diverge um pouco com rela•‹o a isso. Embora o
CPP admita expressamente sua possibilidade de aplica•‹o, h‡ doutrinadores
que entendem que no caso de se tratar de norma mista, ou norma puramente
material inserida em lei processual, n‹o caber‡ interpreta•‹o extensiva em
preju’zo do rŽu.
A aplica•‹o anal—gica, por sua vez, Ž bem diferente. Como o nome diz,
decorre da analogia, que Ž o mesmo que compara•‹o. Assim, essa forma de
integra•‹o da lei penal somente ser‡ utilizada quando n‹o houver norma
disciplinando determinando caso. Nesta situa•‹o, utiliza-se uma norma
00000000000

aplic‡vel a outro caso, considerado semelhante.


Na aplica•‹o anal—gica (analogia), o Juiz aplica a um caso uma norma que
n‹o foi originariamente prevista para tal, e sim para um caso semelhante.
A grande quest‹o Ž saber o que se enquadra como Òcaso semelhanteÓ. Para
isso, a Doutrina elenca tr•s fatores que devem ser respeitados:
¥! Semelhan•a essencial entre os casos (previsto e n‹o previsto pela
norma). Desprezam-se as diferen•as n‹o essenciais.
¥! Igualdade de valora•‹o jur’dica das hip—teses
¥! Igualdade de circunst‰ncias ou igualdade de raz‹o jur’dica de
ambos os institutos

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A Doutrina entende, ainda, que no caso de aplica•‹o anal—gica (analogia) in


malam partem, n‹o pode haver les‹o a conteœdos de natureza material (penal),
pois n‹o se admite analogia in malam partem no Direito Penal.
J‡ os princ’pios gerais do Direito s‹o regras de integra•‹o da lei, ou seja,
de complementa•‹o de lacunas. Assim, quando n‹o se vislumbrar uma lei que
possa reger adequadamente o caso concreto, o CPP admite a aplica•‹o dos
princ’pios gerais do Direito. Esses princ’pios gerais do Direito s‹o inœmeros, e s‹o
aqueles que norteiam a atividade de aplica•‹o do Direito.
Como exemplo, imaginemos que uma lei estabele•a a participa•‹o das
partes (autor e rŽu) em determinado ato processual. Se a lei nada disser em
rela•‹o a ordem de participa•‹o das partes no ato processual, deve-se permitir
que a defesa atue por œltimo, pois Ž de conhecimento geral daqueles que aplicam
o Direito que a defesa deve falar por œltimo no processo, a fim de que possa se
defender plenamente dos fatos que lhe s‹o imputados.

5! CONCEITO, FINALIDADE E FONTES DO DPP


Conceitualmente, podemos conceber o Direito Processual Penal Ž o ramo
do Direito que tem por finalidade a aplica•‹o, no caso concreto, da Lei Penal
outrora violada. Nos dizeres de JOSƒ FREDERICO MARQUES:
ÒO conjunto de princ’pios e normas que regulam a aplica•‹o jurisdicional do Direito
Penal, bem como as atividades persecut—rias da Pol’cia Judici‡ria, e a estrutura•‹o
dos —rg‹os da fun•‹o jurisdicional e respectivos auxiliaresÓ15.

Do ponto de vista pr‡tico, ou seja, da materializa•‹o do processo, pode ser


definido como:
Ò(...) conjunto de atos cronologicamente concatenados (procedimentos), submetido a
princ’pios e regras jur’dicas destinadas a compor as lides de car‡ter penal. Sua
finalidade Ž, assim, a aplica•‹o do direito penal objetivoÓ16.

No que tange ˆs finalidades do Direito Processual Penal, elas podem ser


basicamente divididas em duas:
⇒! Finalidade IMEDIATA (direta) Ð Fazer valer o jus puniendi
00000000000

do
Estado, com a aplica•‹o, em concreto, da Lei penal, respeitando os
direitos fundamentais do indiv’duo.
⇒! Finalidade MEDIATA (indireta) Ð A obten•‹o da paz social, da
restaura•‹o da ordem violada pela pr‡tica do delito, por meio da
aplica•‹o concreta do Direito Penal ao caso.

15
MARQUES, JosŽ Frederico. Elementos de Direito Processual Penal. Ed. Forense. Rio de Janeiro. 1961, p‡g.
20
16
MIRABETE, Jœlio Fabbrini. Processo Penal. Ed. Atlas, S‹o Paulo. 2004, p‡g. 31

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Mas como surge o Direito Processual Penal? Estudar a origem do Direito


Processual Penal pressup›e a an‡lise das FONTES do Direito Processual
Penal.
No que tange ˆs FONTES do Direito Processual Penal, elas podem ser
materiais ou formais. Estas œltimas se dividem em imediatas e mediatas.

1.! Fonte formal (ou de cogni•‹o) Ð Meio pelo qual a norma Ž lan•ada no
mundo jur’dico. Podem ser imediatas (tambŽm chamadas de diretas ou
prim‡rias) mediatas (tambŽm chamadas de indiretas, secund‡rias ou
supletivas).
a)! IMEDIATAS Ð S‹o as fontes principais, aquelas que devem ser aplicadas
primordialmente (Constitui•‹o, Leis, tratados e conven•›es
internacionais). Basicamente, portanto, os diplomas normativos
nacionais e internacionais17.
b)! MEDIATAS Ð S‹o aplic‡veis quando h‡ lacuna, aus•ncia de
regulamenta•‹o pelas fontes formais imediatas (costumes, analogia e
princ’pios gerais do Direito).

2.! Fonte material (ou de produ•‹o) Ð ƒ o —rg‹o, ente, entidade ou


Institui•‹o respons‡vel pela produ•‹o da norma processual penal. No
Brasil, em regra, Ž a Uni‹o (por meio do processo legislativo federal), por
for•a do art. 22, I da Constitui•‹o, podendo os Estados legislarem sobre
quest›es espec’ficas. Sobre Direito Penitenci‡rio a compet•ncia Ž
concorrente entre Uni‹o, estados e DF.

6! SISTEMAS PROCESSUAIS
Os sistemas processuais s‹o basicamente tr•s:
¥! Inquisitivo Ð O poder se concentra nas m‹os do julgador, que
acumula fun•›es de Juiz e acusador. Neste sistema predomina o sigilo
procedimental, a confiss‹o Ž tida como prova m‡xima e o
contradit—rio e a ampla defesa s‹o quase inexistentes. N‹o h‡
possibilidade de recusa do Julgador e o processo Ž eminentemente
00000000000

escrito (e sigiloso).
¥! Acusat—rio Ð Neste sistema h‡ separa•‹o clara entre as figuras do
acusador e do julgador, vigorando o contradit—rio, a ampla defesa e
a isonomia entre as partes. A publicidade impera e h‡ possibilidade
de recusa do Juiz (suspei•‹o, por exemplo). H‡ restri•‹o ˆ atua•‹o
do Juiz na fase investigat—ria, sendo esta atua•‹o bastante limitada
(ex.: impossibilidade de decreta•‹o da pris‹o preventiva Òde of’cioÓ).
¥! Misto Ð Neste sistema s‹o mesclados determinados aspectos de cada
um dos outros dois sistemas. Geralmente a primeira fase

17
H‡ quem inclua tambŽm, dentre as fontes imediatas, as SòMULAS VINCULANTES, pois s‹o verdadeiras
normas de aplica•‹o vinculada. Lembrando que a jurisprud•ncia e a Doutrina n‹o s‹o consideradas,
majoritariamente, como FONTES do Direito Processual Penal, pois representam, apenas, formas de
interpreta•‹o do Direito Processual Penal.

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(investiga•‹o) Ž predominantemente inquisitiva e a segunda fase


(processo judicial) Ž eminentemente acusat—ria.

A Doutrina n‹o Ž un‰nime, mas prevalece o entendimento de que o


Brasil adotou um sistema predominantemente acusat—rio (para alguns,
MISTO), por diversas raz›es, dentre elas:
¥! Existe uma etapa genuinamente inquisitiva Ð InquŽrito policial
¥! O Juiz pode, de of’cio, produzir provas (sem requerimento de ninguŽm)
¥! O Juiz pode julgar com base em provas colhidas na investiga•‹o (etapa
inquisitiva)
¥! O Juiz pode, de of’cio, decretar a pris‹o do acusado

Todas estas circunst‰ncias conduzem ˆ interpreta•‹o de que o Brasil adotou


um sistema predominantemente acusat—rio (para alguns, MISTO18).

7! LEGISLA‚ÌO PERTINENTE
CîDIGO DE PROCESSSO PENAL
Ä Art. 1¡ do CPP - Aplicabilidade territorial do CPP, principal e subsidi‡ria:
Art. 1o O processo penal reger-se-‡, em todo o territ—rio brasileiro, por este C—digo,
ressalvados:
I - os tratados, as conven•›es e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da Repœblica, dos ministros de
Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da Repœblica, e dos ministros do
Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constitui•‹o, arts. 86, 89,
¤ 2o, e 100);
III - os processos da compet•ncia da Justi•a Militar;
IV - os processos da compet•ncia do tribunal especial (Constitui•‹o, art. 122, no 17);
V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF n¼ 130
Par‡grafo œnico. Aplicar-se-‡, entretanto, este C—digo aos processos referidos nos nos.
IV e V, quando as leis especiais que os regulam n‹o dispuserem de modo diverso.

Ä Art. 2¡ do CPP - Aplicabilidade espacial do CPP (tempus regit actum):


00000000000

Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-‡ desde logo, sem preju’zo da validade dos
atos realizados sob a vig•ncia da lei anterior.

CONSTITUI‚ÌO FEDERAL

Ä Art. 129, I da CF/88 - Titularidade privativa do MP para ajuizar a a•‹o penal.


Correla•‹o com o princ’pio da inŽrcia:
Art. 129. S‹o fun•›es institucionais do MinistŽrio Pœblico:

18
Alguns se referem a um sistema de apar•ncia acusat—ria ou inquisitivo garantista.

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I - promover, privativamente, a a•‹o penal pœblica, na forma da lei;

Ä Art. 5¼, LIV e LV da CF/88 - Devido processo legal, ampla defesa e


contradit—rio:
Art. 5¼ (...) LIV - ninguŽm ser‡ privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;

Ä Art. 5¼, LXXIV da CF/88 Ð Previs‹o de obrigatoriedade de o Estado prestar


assist•ncia jur’dica integral e gratuita, como forma de promover a ampla defesa:
Art. 5¼ (...) LXXIV - o Estado prestar‡ assist•ncia jur’dica integral e gratuita aos que
comprovarem insufici•ncia de recursos;

Ä Art. 5¼, LVII da CF/88 Ð Princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia (ou presun•‹o


de n‹o culpabilidade):
Art. 5¼ (...) LVII - ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ o tr‰nsito em julgado de
senten•a penal condenat—ria;

Ä Art. 93, IX da CF/88 Ð Estabelece o princ’pio da publicidade e da


obrigatoriedade de fundamenta•‹o das decis›es judiciais:
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispor‡ sobre o
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princ’pios:
(...) IX todos os julgamentos dos —rg‹os do Poder Judici‡rio ser‹o pœblicos, e
fundamentadas todas as decis›es, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presen•a, em determinados atos, ˆs pr—prias partes e a seus advogados, ou somente
a estes, em casos nos quais a preserva•‹o do direito ˆ intimidade do interessado no
sigilo n‹o prejudique o interesse pœblico ˆ informa•‹o;

Ä Art. 5¼, LX da CF/88 Ð Autoriza a restri•‹o da publicidade dos atos


processuais, quando necess‡rio ˆ preserva•‹o da intimidade ou ao interesse
00000000000

social:
Art. 5¼ (...) LX - a lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

Ä Art. 5¼, caput, da CF/88 Ð Estabelece o princ’pio da isonomia:


Art. 5¼ Todos s‹o iguais perante a lei, sem distin•‹o de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa’s a inviolabilidade do direito ˆ
vida, ˆ liberdade, ˆ igualdade, ˆ seguran•a e ˆ propriedade, nos termos seguintes:

Ä Art. 5¼, LIII, da CF/88 Ð Estabelece o princ’pio do Juiz natural e do Promotor


Natural (majorit‡rio):

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Art. 5¼ (...) LIII - ninguŽm ser‡ processado nem sentenciado sen‹o pela autoridade
competente;

Ä Art. 5¼, LVI, da CF/88 Ð Trata da inadmissibilidade das provas il’citas:


Art. 5¼ (...) LVI - s‹o inadmiss’veis, no processo, as provas obtidas por meios il’citos;

Ä Art. 5¼, LXI a LXVI e LXVIII, da CF/88 Ð Estabelecem os direitos da pessoa


presa:
Art. 5¼ (...)
LXI - ninguŽm ser‡ preso sen‹o em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judici‡ria competente, salvo nos casos de transgress‹o
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados
imediatamente ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
LXIV - o preso tem direito ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou por seu
interrogat—rio policial;
LXV - a pris‹o ilegal ser‡ imediatamente relaxada pela autoridade judici‡ria;
LXVI - ninguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provis—ria, com ou sem fian•a;
(...)
LXVIII - conceder-se-‡ habeas corpus sempre que alguŽm sofrer ou se achar
amea•ado de sofrer viol•ncia ou coa•‹o em sua liberdade de locomo•‹o, por
ilegalidade ou abuso de poder;

Ä Art. 5¼, XXXVIII, da CF/88 Ð Estabelece o Tribunal do Jœri e sua


compet•ncia:
Art. 5¼ (...)
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei,
assegurados:
00000000000

a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das vota•›es;
c) a soberania dos veredictos;
d) a compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

Ä Art. 228, da CF/88 Ð Trata da inimputabilidade penal em raz‹o da


menoridade:
Art. 228. S‹o penalmente inimput‡veis os menores de dezoito anos, sujeitos ˆs
normas da legisla•‹o especial.

Ä Art. 5¼, XLVIII a L da CF/88 Ð Tratam dos direitos do condenado:

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Art. 5¼ (...)
XLVIII - a pena ser‡ cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - Ž assegurado aos presos o respeito ˆ integridade f’sica e moral;
L - ˆs presidi‡rias ser‹o asseguradas condi•›es para que possam permanecer com
seus filhos durante o per’odo de amamenta•‹o;

Ä Art. 5¼, XII, LVI, LVIII, LIX e LXXV da CF/88 Ð Estabelecem outras
disposi•›es relevantes correlatas ao processo penal:
Art. 5¼ (...)
XII - Ž inviol‡vel o sigilo da correspond•ncia e das comunica•›es telegr‡ficas, de dados
e das comunica•›es telef™nicas, salvo, no œltimo caso, por ordem judicial, nas
hip—teses e na forma que a lei estabelecer para fins de investiga•‹o criminal ou
instru•‹o processual penal; (Vide Lei n¼ 9.296, de 1996)
(...)
LVI - s‹o inadmiss’veis, no processo, as provas obtidas por meios il’citos;
(...)
LVIII - o civilmente identificado n‹o ser‡ submetido a identifica•‹o criminal, salvo nas
hip—teses previstas em lei; (Regulamento).
LIX - ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o pœblica, se esta n‹o for intentada
no prazo legal;
(...)
LXXV - o Estado indenizar‡ o condenado por erro judici‡rio, assim como o que ficar
preso alŽm do tempo fixado na senten•a;

8! SòMULAS PERTINENTES
8.1!Sœmulas vinculantes
Ä Sœmula Vinculante 45: Consolidou o entendimento no sentido de que a
compet•ncia do Tribunal do Jœri prevalece sobre a compet•ncia de foro por
prerrogativa de fun•‹o que esteja prevista, apenas, na Constitui•‹o ESTADUAL
00000000000

(se estiver prevista na CF/88, tal compet•ncia prevalecer‡ sobre a do Jœri).


Sœmula vinculante 45: A compet•ncia constitucional do Tribunal do Jœri prevalece sobre
o foro por prerrogativa de fun•‹o estabelecido exclusivamente pela constitui•‹o estadual.

Ä Sœmula Vinculante 11: Restringe a utiliza•‹o de algemas a casos


excepcionais, notadamente quando risco de fugo ou perigo ˆ integridade f’sica do
preso ou de terceiros, devendo a utiliza•‹o se dar de maneira fundamentada:
Sœmula vinculante 11 - ÒS— Ž l’cito o uso de algemas em casos de resist•ncia e de fundado
receio de fuga ou de perigo ˆ integridade f’sica pr—pria ou alheia, por parte do preso ou de
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da pris‹o ou do ato
processual a que se refere, sem preju’zo da responsabilidade civil do Estado.Ó

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8.2!Sœmulas do STF
Ä Sœmula 453: Veda a aplica•‹o do instituto da mutatio libelli na segunda
inst‰ncia (correla•‹o com o princ’pio da inŽrcia):
Sœmula 453 - ÒN‹o se aplicam ˆ segunda inst‰ncia o art. 384 e par‡grafo œnico do C—digo
de Processo Penal, que possibilitam dar nova defini•‹o jur’dica ao fato delituoso, em virtude
de circunst‰ncia elementar n‹o contida, expl’cita ou implicitamente, na denœncia ou queixa.Ó

Ä Sœmula 704: Consolida entendimento no sentido de n‹o haver viola•‹o ao


princ’pio do Juiz natural na atra•‹o, por conex‹o ou contin•ncia, de processo de
corrŽu ao foro por prerrogativa de fun•‹o. A princ’pio, o corrŽu que n‹o detŽm
foro por prerrogativa de fun•‹o deveria ser julgado pela primeira inst‰ncia.
Contudo, em havendo conex‹o ou contin•ncia com infra•‹o praticada por pessoa
detentora de foro por prerrogativa de fun•‹o, na grande maioria dos casos dever‡
haver a jun•‹o dos processos para que sejam conjuntamente julgados. Isso n‹o
viola o princ’pio do Juiz natural:
Sœmula 704 - "N‹o viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo
legal a atra•‹o por contin•ncia ou conex‹o do processo do corrŽu ao foro por prerrogativa
de fun•‹o de um dos denunciados."

8.3!Sœmulas do STJ
ÄSœmula n¼ 09 do STJ Ð Assentava a aus•ncia de viola•‹o ao princ’pio da
presun•‹o de inoc•ncia no que toca ˆ exig•ncia de pris‹o cautelar (recolhimento
ˆ pris‹o) para apelar. Encontra-se SUPERADA. Hoje n‹o se exige mais o
recolhimento ˆ pris‹o como requisito de admissibilidade recursal.
Sœmula n¼ 09 do STJ - A EXIGENCIA DA PRISÌO PROVISORIA, PARA APELAR, NÌO
OFENDE A GARANTIA CONSTITUCIONAL DA PRESUN‚ÌO DE INOCENCIA.

ÄSœmula n¼ 64 do STJ Ð Um dos pilares do devido processo legal Ž a


razoabilidade da dura•‹o do processo, motivo pelo qual o prolongamento
excessivo da instru•‹o processual pode caracterizar constrangimento ilegal,
00000000000

notadamente quando o rŽu estiver preso. Contudo, se tal excesso de prazo


decorreu de culpa da pr—pria defesa, n‹o h‡ que se falar em constrangimento
ilegal:
Sœmula 64 do STJ - NÌO CONSTITUI CONSTRANGIMENTO ILEGAL O EXCESSO DE
PRAZO NA INSTRU‚ÌO, PROVOCADO PELA DEFESA.

ÄSœmula n¼ 444 do STJ Ð Em homenagem ao princ’pio da presun•‹o de


inoc•ncia (ou presun•‹o de n‹o culpabilidade), o STJ sumulou entendimento no
sentido de que inquŽritos policiais e a•›es penais em curso n‹o podem ser
utilizados para agravar a pena base (circunst‰ncias judiciais desfavor‡veis), j‡
que ainda n‹o h‡ tr‰nsito em julgado de senten•a penal condenat—ria. Este
entendimento fica prejudicado pelo novo entendimento adotado pelo STF no

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julgamento do HC 126.292 (no qual se entendeu que a presun•‹o de inoc•ncia


fica afastada a partir de condena•‹o em segunda inst‰ncia).
Sœmula n¼ 444 do STJ - ƒ VEDADA A UTILIZA‚ÌO DE INQUƒRITOS POLICIAIS E
A‚ÍES PENAIS EM CURSO PARA AGRAVAR A PENA-BASE.

ÄSœmula n¼ 522 do STJ Ð O direito ˆ autodefesa, uma das vertentes da ampla


defesa, n‹o engloba o direito de atribuir-se falsa identidade perante autoridade
policial, configurando, tal conduta, o crime de falsa identidade (art. 307 do CPP):
Sœmula 522 do STJ - A CONDUTA DE ATRIBUIR-SE FALSA IDENTIDADE PERANTE
AUTORIDADE POLICIAL ƒ TêPICA, AINDA QUE EM SITUA‚ÌO DE ALEGADA
AUTODEFESA.

ÄSœmula n¼ 533 do STJ Ð O reconhecimento da pr‡tica de falta grave durante


a execu•‹o penal deve ocorrer ap—s o devido processo administrativo disciplinar,
no qual Ž INDISPENSçVEL a defesa tŽcnica, por meio de advogado ou defensor
pœblico, em homenagem ao princ’pio da ampla defesa:
Sœmula 533 do STJ - PARA O RECONHECIMENTO DA PRçTICA DE FALTA
DISCIPLINAR NO åMBITO DA EXECU‚ÌO PENAL, ƒ IMPRESCINDêVEL A INSTAURA‚ÌO
DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PELO DIRETOR DO ESTABELECIMENTO
PRISIONAL, ASSEGURADO O DIREITO DE DEFESA, A SER REALIZADO POR
ADVOGADO CONSTITUêDO OU DEFENSOR PòBLICO NOMEADO.

9! RESUMO
Para finalizar o estudo da matŽria, trazemos um resumo dos
principais aspectos estudados ao longo da aula. Nossa
sugest‹o Ž a de que esse resumo seja estudado sempre
previamente ao in’cio da aula seguinte, como forma de
ÒrefrescarÓ a mem—ria. AlŽm disso, segundo a organiza•‹o
de estudos de voc•s, a cada ciclo de estudos Ž fundamental
retomar esses resumos. Caso encontrem dificuldade em
compreender alguma informa•‹o, n‹o deixem de retornar ˆ
aula.
APLICA‚ÌO DA LEI PROCESSUAL PENAL 00000000000

Lei processual penal no espa•o


Princ’pio da territorialidade Ð A Lei processual penal brasileira s— produzir‡ seus
efeitos dentro do territ—rio nacional. O CPP, em regra, Ž aplic‡vel aos
processos de natureza criminal que tramitem no territ—rio nacional.
EXCE‚ÍES:
Ø! Tratados, conven•›es e regras de Direito Internacional
Ø! Jurisdi•‹o pol’tica Ð Crimes de responsabilidade
Ø! Processos de compet•ncia da Justi•a Eleitoral
Ø! Processos de compet•ncia da Justi•a Militar

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Ø! Legisla•‹o especial
OBS.: Em rela•‹o a estes casos, a aplica•‹o do CPP ser‡ subsidi‡ria. Com rela•‹o
ˆ Justi•a Militar, h‡ certa diverg•ncia, mas prevalece o entendimento de que
tambŽm Ž aplic‡vel o CPP de forma subsidi‡ria.
OBS.: S— Ž aplic‡vel aos atos processuais praticados no territ—rio nacional. Se,
por algum motivo, o ato processual tiver de ser praticado no exterior, ser‹o
aplicadas as regras processuais do pa’s em que o ato for praticado.

Lei processual penal no tempo


REGRA Ð Ado•‹o do princ’pio do tempus regit actum: o ato processual ser‡
realizado conforme as regras processuais estabelecidas pela Lei que vigorar no
momento de sua realiza•‹o (ainda que a Lei tenha entrado em vigor durante o
processo).
Obs.: A lei nova n‹o pode retroagir para alcan•ar atos processuais j‡ praticados
(ainda que seja mais benŽfica), mas se aplica aos atos futuros dos processos em
curso.
Obs.: Tal disposi•‹o s— se aplica ˆs normas puramente processuais.
Ø! Normas materiais inseridas em Lei Processual (heterotopia) Ð
Devem ser observadas as regras de aplica•‹o da lei PENAL no tempo
(retroatividade benŽfica, etc.).
Ø! Normas h’bridas (ou mistas) Ð H‡ controvŽrsia, mas prevalece que
tambŽm devem ser observadas as regras de aplica•‹o da lei PENAL no
tempo.
Ø! Normas relativas ˆ execu•‹o penal Ð H‡ controvŽrsia, mas prevalece
que s‹o normas de direito material (logo, devem ser observadas as regras
de aplica•‹o da lei PENAL no tempo).
PRINCêPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL

Princ’pio da inŽrcia
O Juiz n‹o pode dar in’cio ao processo penal, pois isto implicaria em viola•‹o da
sua imparcialidade. Este princ’pio fundamenta diversas disposi•›es do sistema
processual penal brasileiro, como aquela que impede que o Juiz julgue um fato
00000000000

n‹o contido na denœncia, que caracteriza o princ’pio da congru•ncia (ou


correla•‹o) entre a senten•a e a inicial acusat—ria.
OBS.: Isso n‹o impede que o Juiz determine a realiza•‹o de dilig•ncias que
entender necess‡rias (produ•‹o de provas, por exemplo) para elucidar quest‹o
relevante para o deslinde do processo (em raz‹o do princ’pio da busca pela
verdade real ou material, n‹o da verdade formal).

Princ’pio do devido processo legal


NinguŽm poder‡ sofrer priva•‹o de sua liberdade ou de seus bens sem que haja
um processo prŽvio, em que lhe sejam assegurados instrumentos de defesa.

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Ø! Sentido formal - A obedi•ncia ao rito previsto na Lei Processual (seja o


rito ordin‡rio ou outro), bem como ˆs demais regras estabelecidas para o
processo.
Ø! Sentido material - O Devido Processo Legal s— Ž efetivamente respeitado
quando o Estado age de maneira razo‡vel, proporcional e adequada na
tutela dos interesses da sociedade e do acusado.

Dos postulados do contradit—rio e da ampla defesa


Contradit—rio Ð As partes devem ter assegurado o direito de contradizer os
argumentos trazidos pela parte contr‡ria e as provas por ela produzidas.
Obs.: Pode ser limitado, quando a decis‹o a ser tomada pelo Juiz n‹o possa
esperar a manifesta•‹o do acusado ou a ci•ncia do acusado pode implicar a
frustra•‹o da decis‹o (Ex.: decreta•‹o de pris‹o, intercepta•‹o telef™nica).
Ampla defesa - N‹o basta dar ao acusado ci•ncia das manifesta•›es da
acusa•‹o e facultar-lhe se manifestar, se n‹o lhe forem dados instrumentos para
isso. Principais instrumentos:
§! Produ•‹o de provas
§! Recursos
§! Direito ˆ defesa tŽcnica
§! Direito ˆ autodefesa

Presun•‹o de inoc•ncia (ou presun•‹o de n‹o culpabilidade) Ð NinguŽm


pode ser considerado culpado se ainda n‹o h‡ senten•a penal condenat—ria
transitada em julgado.
⇒! Uma regra probat—ria (regra de julgamento) - Deste princ’pio decorre
que o ™nus (obriga•‹o) da prova cabe ao acusador (MP ou ofendido,
conforme o caso).
⇒! Uma regra de tratamento - Deste princ’pio decorre, ainda, que o rŽu
deve ser, a todo momento, tratado como inocente.
Dimens‹o interna Ð O agente deve ser tratado, dentro do processo, como
inocente.
Dimens‹o externa Ð O agente deve ser tratado como inocente FORA do
processo, ou seja, o fato de estar sendo processado n‹o pode gerar reflexos
00000000000

negativos na vida do rŽu.

OBS.: O STF decidiu, recentemente, que o cumprimento da pena pode se iniciar


com a mera condena•‹o em segunda inst‰ncia por um —rg‹o colegiado
(TJ, TRF, etc.), relativizando o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia (HC
126292/SP, rel. Min. Teori Zavascki, 17.2.2016).
Desse princ’pio decorre que o ™nus da prova cabe ao acusador. O rŽu Ž, desde o
come•o, inocente, atŽ que o acusador prove sua culpa.
Pontos importantes:
Ø! A exist•ncia de pris›es provis—rias (pris›es decretadas no curso do
processo) n‹o ofende a presun•‹o de inoc•ncia

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Ø! Processos criminais em curso e inquŽritos policiais em face do acusado NÌO


podem ser considerados maus antecedentes (nem circunst‰ncias judiciais
desfavor‡veis) Ð Sœmula 442 do STJ
Ø! N‹o se exige senten•a transitada em julgado (pelo novo crime) para que o
condenado sofra regress‹o de regime (pela pr‡tica de novo crime)
Ø! N‹o se exige senten•a transitada em julgado (pelo novo crime) para que
haja revoga•‹o da suspens‹o condicional do processo.

Princ’pio da obrigatoriedade da fundamenta•‹o das decis›es judiciais


Os —rg‹os do Poder Judici‡rio devem fundamentar todas as suas decis›es.
Guarda rela•‹o com o princ’pio da Ampla Defesa.
Pontos importantes:
§! A decis‹o de recebimento da denœncia ou queixa n‹o precisa de
fundamenta•‹o complexa (posi•‹o do STF e do STJ).
§! A fundamenta•‹o referida Ž constitucional
§! As decis›es proferidas pelo Tribunal do Jœri n‹o s‹o fundamentadas (n‹o
h‡ viola•‹o ao princ’pio).

Princ’pio da publicidade
Os atos processuais e as decis›es judiciais ser‹o pœblicas, ou seja, de acesso livre
a qualquer do povo.
Essa publicidade NÌO ƒ ABSOLUTA, podendo sofrer restri•‹o, quando a
intimidade das partes ou interesse pœblico exigir (publicidade restrita). Pode
ser restringida apenas ˆs partes e seus procuradores, ou somente a estes.
Impossibilidade de restri•‹o da publicidade aos procuradores das partes.

Princ’pio da isonomia processual


Deve a lei processual tratar ambas as partes de maneira igualit‡ria, conferindo-
lhes os mesmos direitos e deveres.
EXCE‚ÌO: ƒ poss’vel que a lei estabele•a algumas situa•›es aparentemente
anti-ison™micas, a fim de equilibrar as for•as dentro do processo (ex.: prazo em
dobro para a Defensoria Pœblica).
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Princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o


As decis›es judiciais devem estar sujeitas ˆ revis‹o por outro —rg‹o do Judici‡rio.
N‹o est‡ expresso na Constitui•‹o.
EXCE‚ÌO: Casos de compet•ncia origin‡ria do STF, a•›es nas quais n‹o cabe
recurso da decis‹o de mŽrito.

Princ’pio do Juiz Natural

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Toda pessoa tem direito de ser julgada por um —rg‹o do Poder Judici‡rio
brasileiro, devidamente investido na fun•‹o jurisdicional, cuja compet•ncia fora
previamente definida. Vedada a forma•‹o de Tribunal ou Ju’zo de exce•‹o.
OBS.: N‹o confundir Ju’zo ou Tribunal de exce•‹o com varas especializadas. As
varas especializadas s‹o criadas para otimizar o trabalho do Judici‡rio, e sua
compet•ncia Ž definida abstratamente, e n‹o em raz‹o de um fato isolado, de
forma que n‹o ofendem o princ’pio.
Obs.: Princ’pio do Promotor natural - Toda pessoa tem direito de ser acusada
pela autoridade competente (admitido pela Doutrina majorit‡ria).

Princ’pio da veda•‹o ˆs provas il’citas


N‹o se admitem no processo as provas que tenham sido obtidas por meios il’citos,
assim compreendidos aqueles que violem direitos fundamentais. A Doutrina
divide as provas ilegais em provas il’citas (quando violam normas de direito
material) e provas ileg’timas (quando violam normas de direito processual).
ATEN‚ÌO! A Doutrina dominante admite a utiliza•‹o de provas il’citas quando
esta for a œnica forma de se obter a absolvi•‹o do rŽu.

Princ’pio da veda•‹o ˆ autoincrimina•‹o


TambŽm conhecido como nemo tenetur se detegere, tem por finalidade impedir
que o Estado, de alguma forma, imponha ao rŽu alguma obriga•‹o que possa
colocar em risco o seu direito de n‹o produzir provas prejudiciais a si pr—prio. O
™nus da prova incumbe ˆ acusa•‹o, n‹o ao rŽu. Pode ser extra’do da conjuga•‹o
de tr•s dispositivos constitucionais:
§! Direito ao sil•ncio
§! Direito ˆ ampla defesa
§! Presun•‹o de inoc•ncia

Princ’pio do non bis in idem Ð NinguŽm pode ser punido duplamente pelo
mesmo fato. NinguŽm poder‡, sequer, ser processado duas vezes pelo mesmo
fato. N‹o se pode, ainda, utilizar o mesmo fato, condi•‹o ou circunst‰ncia duas
vezes (como qualificadora e como agravante, por ex.).
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CONCEITO E FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL

Conceito - Ramo do Direito que tem por finalidade a aplica•‹o, no caso concreto,
da Lei Penal outrora violada.

Fontes Ð Origem do direito processual penal. Podem ser:


Ø! Fontes formais (ou de cogni•‹o) Ð Meio pelo qual a norma Ž lan•ada no
mundo jur’dico. Podem ser imediatas (tambŽm chamadas de diretas ou
prim‡rias) mediatas (tambŽm chamadas de indiretas, secund‡rias ou
supletivas).

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§! IMEDIATAS Ð S‹o as fontes principais, aquelas que devem ser


aplicadas primordialmente (Constitui•‹o, Leis, tratados e
conven•›es internacionais). Basicamente, portanto, os diplomas
normativos nacionais e internacionais19.
§! MEDIATAS Ð S‹o aplic‡veis quando h‡ lacuna, aus•ncia de
regulamenta•‹o pelas fontes formais imediatas (costumes,
analogia e princ’pios gerais do Direito).
Ø! Fontes materiais (ou de produ•‹o) Ð ƒ o —rg‹o, ente, entidade ou
Institui•‹o respons‡vel pela produ•‹o da norma processual penal. No
Brasil, em regra, Ž a Uni‹o, podendo os Estados legislarem sobre quest›es
espec’ficas.
___________

Bons estudos!
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10! EXERCêCIOS DA AULA

01.! (FCC Ð 2015 Ð TJ-RR Ð JUIZ)


O princ’pio internacionalmente consagrado do Duplo Grau de Jurisdi•‹o Ž
reconhecido por v‡rias legisla•›es ocidentais. No Brasil, o princ’pio tambŽm Ž
reconhecido e, segundo o Supremo Tribunal Federal, decorre
a) diretamente do texto constitucional brasileiro e est‡ previsto no artigo 5¡ como
uma garantia fundamental.
b) diretamente do texto constitucional brasileiro, mas n‹o est‡ previsto no artigo
5¡.
c) do Pacto de Direitos Civis e Pol’ticos e tem previs‹o na Constitui•‹o Federal do
Brasil.
d) do Pacto de S‹o JosŽ da Costa Rica e n‹o tem previs‹o Constitucional.
e) diretamente dos pactos internacionais de direitos humanos e tem previs‹o
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expressa na Constitui•‹o Federal do Brasil.

02.! (FCC Ð 2015 Ð TJ-GO Ð JUIZ)


NÌO se trata de garantia processual expressa na Constitui•‹o da Repœblica:
a) a liberdade provis—ria.
b) a identifica•‹o do respons‡vel pelo interrogat—rio policial.
c) a publicidade restrita.

19
H‡ quem inclua tambŽm, dentre as fontes imediatas, as SòMULAS VINCULANTES, pois s‹o verdadeiras
normas de aplica•‹o vinculada. Lembrando que a jurisprud•ncia e a Doutrina n‹o s‹o consideradas,
majoritariamente, como FONTES do Direito Processual Penal, pois representam, apenas, formas de
interpreta•‹o do Direito Processual Penal.

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d) o cumprimento da pena em estabelecimento distinto em raz‹o da natureza do


delito.
e) o duplo grau de jurisdi•‹o.

03.! (FCC Ð 2013 Ð TJ/PE Ð TITULAR DE SERVI‚OS NOTARIAIS)


Sobre a aplica•‹o da lei processual penal e a interpreta•‹o no processo penal, Ž
INCORRETO afirmar:
a) A legisla•‹o brasileira segue o princ’pio da territorialidade para a aplica•‹o das
normas processuais penais.
b) O princ’pio da territorialidade na aplica•‹o da lei processual penal brasileira
pode ser ressalvado por tratados, conven•›es e regras de direito internacional.
c) A lei processual penal aplica-se desde logo, sem preju’zo da validade dos atos
realizados sob a vig•ncia da lei anterior.
d) A norma processual penal mista constitui exce•‹o ˆ regra da irretroatividade
da lei processual penal.
e) No processo penal, assim como no direito penal, Ž sempre admitida a
interpreta•‹o extensiva e aplica•‹o anal—gica das normas.

04.! (FCC Ð 2011 Ð NOSSA CAIXA DESENVOLVIMENTO Ð ADVOGADO)


A regra que, no processo penal, atribui ˆ acusa•‹o, que apresenta a imputa•‹o
em ju’zo atravŽs de denœncia ou de queixa- crime, o ™nus da prova Ž decorr•ncia
do princ’pio
A) do contradit—rio.
B) do devido processo legal.
C) do Promotor natural.
D) da ampla defesa.
E) da presun•‹o de inoc•ncia.

05.! (FCC Ð 2009 Ð MPE-SE Ð TƒCNICO DO MP Ð çREA ADMINISTRATIVA)


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A condena•‹o de um rŽu sem defensor viola o princ’pio


A) da oficialidade.
B) da publicidade.
C) do juiz natural.
D) da verdade real.
E) do contradit—rio.

06.! (FCC Ð 2009 Ð TJ-AP Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð çREA JUDICIçRIA)


A Constitui•‹o Federal NÌO prev• expressamente o princ’pio
A) da publicidade.

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B) do duplo grau de jurisdi•‹o.


C) do contradit—rio.
D) da presun•‹o da inoc•ncia.
E) do juiz natural.

07.! (FCC Ð 2007 Ð MPU Ð ANALISTA PROCESSUAL)


Disp›e o art. 5¼, inciso XXXVII da Constitui•‹o da Repœblica Federativa do Brasil
que "N‹o haver‡ ju’zo ou Tribunal de exce•‹o; inciso LIII: ÒNinguŽm ser‡
processado nem sentenciado sen‹o pela autoridade competente". Tais
disposi•›es consagram o princ’pio
A) da presun•‹o de inoc•ncia.
B) da ampla defesa.
C) do devido processo legal.
D) da dignidade.
E) do juiz natural.

08.! (FCC Ð 2008 Ð TCE/AL Ð PROCURADOR)


Em rela•‹o ˆ lei processual penal no tempo, em caso de lei nova, a regra geral
consiste na sua aplica•‹o
A) imediata, independentemente da fase em que o processo em andamento se
encontre.
B) imediata, somente em rela•‹o aos processos que se encontrem na fase
instrut—ria.
C) somente a processos futuros, ainda que por fatos anteriores.
D) somente a processos futuros e sobre fatos posteriores.
E) imediata ou a processos futuros conforme decis‹o fundamentada do juiz em
cada caso.

09.! (FCC Ð 2009 Ð TJ/MS Ð JUIZ) 00000000000

A lei processual penal


A) tem aplica•‹o imediata apenas nos processos ainda n‹o instru’dos.
B) tem aplica•‹o imediata apenas se beneficiar o acusado.
C) Ž de aplica•‹o imediata, sem preju’zo de validade dos atos j‡ realizados.
D) vigora desde logo e sempre tem efeito retroativo.
E) Ž aplic‡vel apenas aos fatos ocorridos ap—s a sua vig•ncia.

10.! (FCC Ð 2008 Ð MPE/CE Ð PROMOTOR)


Quanto ˆ efic‡cia temporal, a lei processual penal
A) aplica-se somente aos fatos criminosos ocorridos ap—s a sua vig•ncia.

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B) vigora desde logo, tendo sempre efeito retroativo.


C) tem aplica•‹o imediata, sem preju’zo da validade dos atos j‡ realizados.
D) tem aplica•‹o imediata nos processos ainda n‹o instru’dos.
E) n‹o ter‡ aplica•‹o imediata, salvo se para beneficiar o acusado.

11.! (FCC Ð 2009 Ð TJ/PA Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð çREA JUDICIçRIA)


A nova lei processual penal
A) Ž de incid•ncia imediata, pouco importando a fase em que esteja o processo.
B) n‹o Ž aplic‡vel aos processos, ainda em curso, iniciados na vig•ncia da lei
processual anterior.
C) n‹o Ž aplic‡vel aos processos de rito ordin‡rio, ainda em andamento, quando
de sua vig•ncia.
D) Ž aplic‡vel, inclusive, aos processos j‡ findos.
E) Ž aplic‡vel somente aos processos, ainda em curso, da compet•ncia do
Tribunal do Jœri.

12.! (FCC Ð 2014 Ð TRF4 Ð TƒCNICO JUDICIçRIO)


Nos termos da Constitui•‹o da Repœblica, exige-se ordem judicial para
a) extradi•‹o de estrangeiro por crime pol’tico ou de opini‹o.
b) efetuar a pris‹o de alguŽm em flagrante delito.
c) utiliza•‹o, no processo, de provas obtidas por meios il’citos.
d) entrar na casa de um indiv’duo, sem seu consentimento, exceto para prestar
socorro.
e) quebra do sigilo das comunica•›es telef™nicas, para fins de investiga•‹o
criminal.

13.! (FGV Ð 2013 Ð OAB Ð XI EXAME UNIFICADO)


Em um processo em que se apura a pr‡tica dos delitos de supress‹o de tributo e
evas‹o de divisas, o Juiz Federal da 4» Vara Federal Criminal de Arroizinho
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determina a expedi•‹o de carta rogat—ria para os Estados Unidos da AmŽrica, a


fim de que seja interrogado o rŽu M‡rio. Em cumprimento ˆ carta, o tribunal
americano realiza o interrogat—rio do rŽu e devolve o procedimento ˆ Justi•a
Brasileira, a 4» Vara Federal Criminal. O advogado de defesa de M‡rio, ao se
deparar com o teor do ato praticado, requer que o mesmo seja declarado nulo,
tendo em vista que n‹o foram obedecidas as garantias processuais brasileiras
para o rŽu.
Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espa•o, a alega•‹o
do advogado est‡ correta?
A) Sim, pois no processo penal vigora o princ’pio da extraterritorialidade, j‡ que
as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do territ—rio nacional.

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B) N‹o, pois no processo penal vigora o princ’pio da territorialidade, j‡ que as


normas processuais brasileiras s— se aplicam no territ—rio nacional.
C) Sim, pois no processo penal vigora o princ’pio da territorialidade, j‡ que as
normas processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer territ—rio.
D) N‹o, pois no processo penal vigora o princ’pio da extraterritorialidade, j‡ que
as normas processuais brasileiras podem ser aplicas fora no territ—rio nacional.

14.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


O processo penal reger-se-‡, em todo o territ—rio brasileiro, pelo C—digo de
Processo Penal, n‹o havendo qualquer ressalva prevista neste diploma.

15.! (FGV Ð 2008 Ð PC-RJ Ð OFICIAL DE CARTîRIO - ADAPTADA)


O processo penal rege-se pelo C—digo de Processo Penal, em todo o territ—rio
brasileiro ressalvados, entre outros, os tratados, as conven•›es e regras de
direito internacional.

16.! (FGV Ð 2013 Ð OAB Ð XI EXAME UNIFICADO)


A Lei n. 9.099/95 modificou a espŽcie de a•‹o penal para os crimes de les‹o
corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida lei, tais delitos
passaram a ser de a•‹o penal pœblica condicionada ˆ representa•‹o. Tratando-
se de quest‹o relativa ˆ Lei Processual Penal no Tempo, assinale a alternativa
que corretamente exp›e a regra a ser aplicada para processos em curso que n‹o
haviam transitado em julgado quando da altera•‹o legislativa.
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais
benigna.
B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei Ž aplicada
no momento em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou
n‹o.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma
mais gravosa.
D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei Ž aplicada
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no momento em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis Ž


mais gravosa ou n‹o.

17.! (FGV Ð 2014 Ð TJ/RJ Ð ANALISTA Ð EXECU‚ÌO DE MANDADOS)


A Constitui•‹o da Repœblica e o C—digo de Processo Penal prev•em regras e
princ’pios para solucionar conflitos no tema Òa lei no tempoÓ. Ë lei puramente
processual penal aplicam-se os seguintes princ’pios:
(A) da irretroatividade da lei prejudicial ao rŽu e da retroatividade da lei benŽfica;
(B) da aplica•‹o imediata e do tempus regit actum (tempo rege o ato);
(C) da inalterabilidade e da ultratividade da lei benŽfica;

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(D) da ultratividade e da retroatividade da lei benŽfica ao rŽu;


(E) da retroatividade da lei prejudicial e da ultratividade da lei benŽfica.

18.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


No Brasil, adota-se integralmente o princ’pio da irretroatividade da lei processual
penal, que impede que as inova•›es na norma processual penal sejam aplicadas
de imediato para fatos praticados antes de sua entrada em vigor.

19.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


As normas previstas no C—digo de Processo Penal de natureza h’brida, ou seja,
com conteœdo de direito processual e de direito material, devem respeitar o
princ’pio que veda a aplica•‹o retroativa da lei penal, quando seu conteœdo for
prejudicial ao rŽu.

20.! (FGV Ð 2008 Ð PC-RJ Ð OFICIAL DE CARTîRIO - ADAPTADA)


A lei processual penal aplica-se imediatamente, sem preju’zo da validade dos atos
j‡ realizados sob a vig•ncia da lei anterior.

21.! (FGV Ð 2008 Ð TJ-MS Ð JUIZ DE DIREITO)


Relativamente aos princ’pios processuais penais, Ž incorreto afirmar que:
A) o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia recomenda que em caso de dœvida o rŽu
seja absolvido.
B) o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia recomenda que processos criminais em
andamento n‹o sejam considerados como maus antecedentes para efeito de
fixa•‹o de pena.
C) os princ’pios do contradit—rio e da ampla defesa recomendam que a defesa
tŽcnica se manifeste depois da acusa•‹o e antes da decis‹o judicial, seja nas
alega•›es finais escritas, seja nas alega•›es orais.
D) o princ’pio do juiz natural n‹o impede a atra•‹o por contin•ncia nos casos em
que o co-rŽu possui foro por prerrogativa de fun•‹o quando o rŽu deveria ser
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julgado por um juiz de direito de primeiro grau.


E) o princ’pio da veda•‹o de provas il’citas n‹o Ž absoluto, sendo admiss’vel que
uma prova il’cita seja utilizada quando Ž a œnica dispon’vel para a acusa•‹o e o
crime imputado seja considerado hediondo.

22.! (FGV Ð 2014 Ð TJ-GO Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð APOIO


JUDICIçRIO E ADMINISTRATIVO)
Inserido no t’tulo de direitos e garantias fundamentais, o Art. 5¼ da Constitui•‹o
da Repœblica trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. Em matŽria
processual, tal norma estabelece que:

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a) as provas obtidas por meios il’citos s‹o admiss’veis, no processo, com escopo
de prestigiar a verdade real;
b) a lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa
de uma das partes o exigir;
c) aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral,
s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
d) ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ a prola•‹o de senten•a penal
condenat—ria recorr’vel, proferida por juiz competente e observados o
contradit—rio e ampla defesa;
e) o jurisdicionado poder‡ ser processado, mas n‹o sentenciado sen‹o pela
autoridade judici‡ria competente.

23.! (FGV Ð 2014 Ð ASSEMB. LEGISLATIVA-BA Ð TƒCNICO SUPERIOR)


Inœmeras s‹o as normas relacionadas ˆ pris‹o que acarretam medidas de
prote•‹o aos direitos individuais, dentre as quais a informa•‹o sobre os
direitos do cidad‹o preso, que deve ser informado do seu direito de
permanecer em
a) sil•ncio.
b) observa•‹o.
c) deten•‹o provis—ria.
d) albergue especial.
e) pris‹o domiciliar.

24.! (FGV Ð 2008 Ð TJ-MS Ð JUIZ - ADAPTADA)


O princ’pio do juiz natural Ž uma garantia constitucional que somente poder‡ ser
excepcionada mediante decis‹o da maioria dos integrantes do tribunal ao qual
estiver submetido o juiz.

25.! (VUNESP Ð 2013 Ð PC-SP Ð INVESTIGADOR)


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Sans‹o Herculano, brasileiro, mŽdico veterin‡rio, maior de idade, foi preso em


flagrante delito e levado ˆ Delegacia de Pol’cia. Segundo o que estabelece a
Constitui•‹o Federal, Sans‹o tem os seguintes direitos:
a) a assist•ncia da fam’lia e de um advogado, cela especial por ter curso superior
e uma liga•‹o telef™nica para pessoa por ele indicada.
b) ser criminalmente identificado, mesmo se possuir identifica•‹o civil, cela
especial em raz‹o de ter curso superior e assist•ncia de um advogado.
c) avistar-se pessoalmente com o promotor de justi•a, entrar em contato com
uma pessoa da fam’lia ou quem ele indicar e assist•ncia de um advogado ou
defensor pœblico.

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d) relaxamento imediato de sua pris‹o se ela foi ilegal, permanecer calado e cela
especial privativa.
e) permanecer calado, identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o e que o juiz
e sua fam’lia sejam imediatamente comunicados sobre sua pris‹o.

26.! (VUNESP Ð 2013 Ð PC-SP Ð AGENTE)


Conforme estabelece a Constitui•‹o Federal, o preso tem direitos expressamente
previstos no Texto Maior, sendo um deles o seguinte:
a) de ser identificado criminalmente, mesmo se j‡ identificado civilmente.
b) assist•ncia da fam’lia.
c) sala especial se tiver curso superior.
d) liberdade mediante fian•a, independentemente do crime que cometeu.
e) avistar-se pessoalmente com o Promotor de Justi•a.

27.! (MPE-PR Ð 2014 Ð MPE-PR Ð PROMOTOR)


ƒ inciso do art. 5¼ da Constitui•‹o Federal, que trata dos direitos e garantias
fundamentais, com foco no processo penal, exceto:
a) A pris‹o ilegal ser‡ imediatamente relaxada pela autoridade judici‡ria;
b) NinguŽm ser‡ privado de sua liberdade sem decreto da autoridade judici‡ria
competente, salvo em flagrante delito;
c) A pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados
imediatamente ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele
indicada;
d) Ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o pœblica, se esta n‹o for
intentada no prazo legal;
e) A lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa
da intimidade ou o interesse social o exigirem.

28.! (IBFC Ð 2014 Ð PC-RJ Ð PAPILOSCOPISTA)


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A Constitui•‹o Federal, no cap’tulo ÒDos Direitos e das garantias individuaisÓ


reconhece a institui•‹o do jœri e assegura expressamente em seu texto:
a) A plenitude de defesa.
b) O sigilo das vota•›es.
c) A soberania dos vereditos.
d) A compet•ncia para julgamento dos crimes dolosos contra a vida.
e) O duplo grau de jurisdi•‹o.

29.! (FUNCAB Ð 2014 Ð PRF Ð AGENTE ADMINISTRATIVO)

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A partir do texto expresso da Constitui•‹o Brasileira, assinale a alternativa que


prev• direito ou garantia fundamenta explicitamente conferida aos presos.
a) Comunica•‹o imediata de sua pris‹o e do local onde se encontre a Ordem dos
Advogados do Brasil ou a Defensoria Pœblica
b) Direito ˆ gratuidade de justi•a
c) Direito a ser custodiado no Munic’pio em que reside
d) Direito de permanecer calado
e) Garantia de ser mantido em local separado daqueles que est‹o presos em
raz‹o de senten•a penal condenat—ria transitada em julgado.

30.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð DELEGADO DE POLêCIA)


Quanto ˆs garantias constitucionais e ˆ priva•‹o da liberdade, assinale a
alternativa correta.
a) Conceder-se-‡ habeas corpus sempre que a lei admitir a liberdade provis—ria.
b) O preso ser‡ informado de seus direitos, dentre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a remo•‹o para estabelecimento perto de sua
fam’lia.
c) O preso tem direito ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou por seu
interrogat—rio policial, exceto nos crimes inafian•‡veis.
d) A pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados no
primeiro dia œtil ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele
indicada.
e) NinguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade
provis—ria, com ou sem fian•a.

31.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð OFICIAL ADMINISTRATIVO)


Conforme reza a Constitui•‹o da Repœblica, a compet•ncia para o julgamento dos
crimes dolosos contra a vida Ž do(a).
a) juizado especial federal.
b) jœri. 00000000000

c) Juiz criminal de primeira inst‰ncia.


d) justi•a militar.
e) MinistŽrio Pœblico.

32.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð OFICIAL ADMINISTRATIVO)


Segundo a Constitui•‹o Federal, para que alguŽm seja considerado culpado Ž
suficiente.
a) condena•‹o recorr’vel do Tribunal de Justi•a do Estado de S‹o Paulo
b) senten•a judicial criminal de primeira inst‰ncia recorr’vel.
c) decis‹o un‰nime do tribunal do jœri da qual ainda caiba recurso.

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d) denœncia do MinistŽrio Pœblico recebida pelo Poder Judici‡rio


e) senten•a penal condenat—ria transitada em julgado.

33.! (VUNESP Ð 2013 Ð TJ-RJ Ð JUIZ)


A doutrina Ž un‰nime ao apontar que os princ’pios constitucionais, em especial
os relacionados ao processo penal, alŽm de revelar o modelo de Estado escolhido
pelos cidad‹os, servem como meios de prote•‹o da dignidade humana. Referidos
princ’pios podem se apresentar de forma expl’cita ou impl’cita, sem diferen•a
quanto ao grau de import‰ncia. S‹o princ’pios constitucionais expl’citos:
a) juiz natural, veda•‹o das provas il’citas e promotor natural.
b) devido processo legal, contradit—rio e duplo grau de jurisdi•‹o.
c) ampla defesa, estado de inoc•ncia e verdade real.
d) contradit—rio, juiz natural e soberania dos veredictos do Jœri.

34.! (FUNCAB Ð 2014 Ð PC-MT Ð INVESTIGADOR)


S‹o princ’pios constitucionais do processo penal:
a) presun•‹o de inoc•ncia, contradit—rio e verdade real.
b) devido processo, ampla defesa, verdade real e dispositivo.
c) juiz natural, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa e contradit—rio.
d) devido processo, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa, contradit—rio e
verdade real.
e) devido processo, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa, contradit—rio e
dispositivo.

11!EXERCêCIOS COMENTADOS
01.! (FCC Ð 2015 Ð TJ-RR Ð JUIZ)
O princ’pio internacionalmente consagrado do Duplo Grau de Jurisdi•‹o
Ž reconhecido por v‡rias legisla•›es ocidentais. No Brasil, o princ’pio
tambŽm Ž reconhecido e, segundo o Supremo Tribunal Federal, decorre
a) diretamente do texto constitucional brasileiro e est‡ previsto no artigo
00000000000

5¡ como uma garantia fundamental.


b) diretamente do texto constitucional brasileiro, mas n‹o est‡ previsto
no artigo 5¡.
c) do Pacto de Direitos Civis e Pol’ticos e tem previs‹o na Constitui•‹o
Federal do Brasil.
d) do Pacto de S‹o JosŽ da Costa Rica e n‹o tem previs‹o Constitucional.
e) diretamente dos pactos internacionais de direitos humanos e tem
previs‹o expressa na Constitui•‹o Federal do Brasil.
COMENTçRIOS: O princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o estabelece que as
decis›es judiciais devem estar sujeitas ˆ revis‹o por outro —rg‹o do Judici‡rio.
Embora n‹o esteja expresso na Constitui•‹o, grande parte dos

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doutrinadores o aceita como um princ’pio de ’ndole constitucional,


fundamentando sua tese nas regras de compet•ncia dos Tribunais estabelecidas
na Constitui•‹o, o que deixaria impl’cito que toda decis‹o judicial deva estar
sujeita a recurso, via de regra. AlŽm disso, tem previs‹o no Pacto de San JosŽ
da Costa Rica.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA D.

02.! (FCC Ð 2015 Ð TJ-GO Ð JUIZ)


NÌO se trata de garantia processual expressa na Constitui•‹o da
Repœblica:
a) a liberdade provis—ria.
b) a identifica•‹o do respons‡vel pelo interrogat—rio policial.
c) a publicidade restrita.
d) o cumprimento da pena em estabelecimento distinto em raz‹o da
natureza do delito.
e) o duplo grau de jurisdi•‹o.
COMENTçRIOS: O princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o n‹o est‡ expressamente
previsto na Constitui•‹o Federal, embora tenha previs‹o no Pacto de San JosŽ da
Costa Rica. Os demais princ’pios apontados est‹o previstos na Constitui•‹o
Federal, expressamente.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA E.

03.! (FCC Ð 2013 Ð TJ/PE Ð TITULAR DE SERVI‚OS NOTARIAIS)


Sobre a aplica•‹o da lei processual penal e a interpreta•‹o no processo
penal, Ž INCORRETO afirmar:
a) A legisla•‹o brasileira segue o princ’pio da territorialidade para a
aplica•‹o das normas processuais penais.
b) O princ’pio da territorialidade na aplica•‹o da lei processual penal
brasileira pode ser ressalvado por tratados, conven•›es e regras de
direito internacional. 00000000000

c) A lei processual penal aplica-se desde logo, sem preju’zo da validade


dos atos realizados sob a vig•ncia da lei anterior.
d) A norma processual penal mista constitui exce•‹o ˆ regra da
irretroatividade da lei processual penal.
e) No processo penal, assim como no direito penal, Ž sempre admitida a
interpreta•‹o extensiva e aplica•‹o anal—gica das normas.
COMENTçRIOS:
A) CORRETA: De fato, adota-se, como regra, o princ’pio da territorialidade, ou
seja, no territ—rio nacional aplica-se a lei processual penal brasileira, nos termos
do art. 1¼ do CPP;

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B) CORRETA: De fato, Ž poss’vel que normas de direito penal internacional


restrinjam o princ’pio da territorialidade, conforme expressamente permitido pelo
art. 1¼, I do CPP;
C) CORRETA: Pelo princ’pio do tempus regit actum, a lei processual penal aplica-
se desde logo, e os atos j‡ praticados na vig•ncia da lei anterior s‹o preservados,
conforme art. 2¼ do CPP;
D) CORRETA: As normas processuais s‹o irretroativas, ou seja, n‹o retroagem,
nem mesmo para beneficiar o rŽu. Contudo, caso a norma possua conteœdo de
direito processual e conteœdo de direito material (norma mista), poder‡ retroagir,
caso a parte de direito material seja benŽfica ao rŽu;
E) ERRADA: Conforme art. 3¼ do CPP, admite-se interpreta•‹o extensiva e
aplica•‹o anal—gica no processo penal. Contudo, n‹o se admite a interpreta•‹o
extensiva no Direito Penal, quando em preju’zo do rŽu.
Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA ƒ A LETRA E.

04.! (FCC Ð 2011 Ð NOSSA CAIXA DESENVOLVIMENTO Ð ADVOGADO)


A regra que, no processo penal, atribui ˆ acusa•‹o, que apresenta a
imputa•‹o em ju’zo atravŽs de denœncia ou de queixa- crime, o ™nus da
prova Ž decorr•ncia do princ’pio
A) do contradit—rio.
ERRADA: O contradit—rio determina a necessidade de dar-se ci•ncia a uma parte
quando a outra se manifestar no processo.
B) do devido processo legal.
ERRADA: O devido processo legal determina que o acusado s— poder‡ ser
condenado ap—s ser adotado todo o procedimento previsto na lei processual,
dentro de um processo conduzido por um Juiz devidamente investido na fun•‹o
jurisdicional e cuja compet•ncia tenha sido previamente definida por lei,
C) do Promotor natural.
ERRADA: O princ’pio do Promotor Natural determina que toda pessoa tem direito
de ser acusada por um —rg‹o do Estado cuja atribui•‹o tenha sido previamente
definida em lei. 00000000000

D) da ampla defesa.
ERRADA: A ampla defesa significa que ˆ parte acusada deve ser garantido o
direito de produzir todas as provas que entender necess‡rias ˆ comprova•‹o de
sua inoc•ncia, bem como de recorrer das decis›es judiciais que lhe forem
desfavor‡veis, alŽm do direito de ser patrocinado por profissional habilitado,
inclusive Defensor Pœblico, se n‹o puder pagar, e de exercer, ele pr—prio, a
autodefesa.
E) da presun•‹o de inoc•ncia.
CORRETA: Da presun•‹o de inoc•ncia (ou n‹o-culpabilidade) decorre que aquele
que acusa dever‡ provar suas alega•›es acusat—rias, a fim de demonstrar a culpa
do acusado que, de in’cio, Ž considerado inocente.
GABARITO: LETRA E

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05.! (FCC Ð 2009 Ð MPE-SE Ð TƒCNICO DO MP Ð çREA ADMINISTRATIVA)


A condena•‹o de um rŽu sem defensor viola o princ’pio
A) da oficialidade.
ERRADA: Viola o princ’pio da ampla defesa e do contradit—rio, nos termos do art.
5¡, LV da Constitui•‹o.
B) da publicidade.
ERRADA: Viola o princ’pio da ampla defesa e do contradit—rio, nos termos do art.
5¡, LV da Constitui•‹o.
C) do juiz natural.
ERRADA: Viola o princ’pio da ampla defesa e do contradit—rio, nos termos do art.
5¡, LV da Constitui•‹o. O Juiz Natural seria violado em caso de julgamento por
Juiz casuisticamente escolhido para o caso.
D) da verdade real.
ERRADA: A verdade real Ž o princ’pio pelo qual no processo penal deve-se buscar
saber o que de fato ocorreu, a verdade real. O julgamento seu defensor, portanto,
n‹o viola a verdade real, mas o princ’pio da ampla defesa e do contradit—rio, nos
termos do art. 5¡, LV da Constitui•‹o.
E) do contradit—rio.
CORRETA: O julgamento do acusado sem defensor viola o princ’pio do
contradit—rio e da ampla defesa, atŽ mais este do que aquele, pois Ž direito de
todo acusado a ser defendido por profissional do Direito devidamente habilitado,
inclusive Defensor Pœblico, caso n‹o tenha meios de arcar com as despesas de
advogado particular, nos termos do art. 5¡, LXXIV da Constitui•‹o. Essa Ž a
chamada defesa tŽcnica.
GABARITO: LETRA E

06.! (FCC Ð 2009 Ð TJ-AP Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð çREA JUDICIçRIA)


A Constitui•‹o Federal NÌO prev• expressamente o princ’pio
A) da publicidade. 00000000000

ERRADA: Possui previs‹o expressa no art. 93, IX da Constitui•‹o Federal.


B) do duplo grau de jurisdi•‹o.
CORRETA: O princ’pio do duplo grau de jurisdi•‹o, embora reconhecido pela
Doutrina, n‹o est‡ expressamente previsto na CRFB/88, mas impl’cito nas regras
definidoras de compet•ncia dos Tribunais e, ainda, por decorr•ncia l—gica do
princ’pio da ampla defesa.
C) do contradit—rio.
ERRADA: O princ’pio do contradit—rio est‡ expressamente previsto no art. 5¡, LV
da Constitui•‹o.
D) da presun•‹o da inoc•ncia.

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ERRADA: O princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia (ou estado de inoc•ncia) tem


previs‹o expressa no art. 5¡, LVII da Constitui•‹o Federal.
E) do juiz natural.
ERRADA: Este princ’pio est‡ expressamente previsto no art. 5¡, LIII da
Constitui•‹o Federal.
GABARITO: LETRA B

07.! (FCC Ð 2007 Ð MPU Ð ANALISTA PROCESSUAL)


Disp›e o art. 5¼, inciso XXXVII da Constitui•‹o da Repœblica Federativa
do Brasil que "N‹o haver‡ ju’zo ou Tribunal de exce•‹o; inciso LIII:
ÒNinguŽm ser‡ processado nem sentenciado sen‹o pela autoridade
competente". Tais disposi•›es consagram o princ’pio
A) da presun•‹o de inoc•ncia.
ERRADA: A presun•‹o de inoc•ncia est‡ prevista no art. 5¡, VII da Constitui•‹o,
n‹o guardando qualquer rela•‹o com os incisos trazidos pela quest‹o.
B) da ampla defesa.
ERRADA: A ampla defesa est‡ prevista, juntamente com o contradit—rio, no art.
5¡, LV da Constitui•‹o, e tambŽm n‹o guarda rela•‹o com os trechos narrados
pela quest‹o.
C) do devido processo legal.
ERRADA: Embora o devido processo legal seja fundamento de todos os demais
princ’pios processuais, n‹o Ž o princ’pio especificamente aplic‡vel ˆs hip—teses
trazidas, que se referem ao princ’pio do Juiz Natural.
D) da dignidade.
ERRADA: A dignidade da pessoa humana est‡ prevista no art. 1¡, III da
Constitui•‹o, e Ž um dos fundamentos da Repœblica, mas n‹o guarda rela•‹o com
os incisos mencionados.
E) do juiz natural.
CORRETA: O princ’pio do Juiz Natural est‡ materializado nos dispositivos
constitucionais citados, que vedam a forma•‹o de Ju’zo de exce•‹o e que
estabelecem ser direito de toda pessoa ser julgada por autoridade competente.
00000000000

GABARITO: LETRA E

08.! (FCC Ð 2008 Ð TCE/AL Ð PROCURADOR)


Em rela•‹o ˆ lei processual penal no tempo, em caso de lei nova, a regra
geral consiste na sua aplica•‹o
A) imediata, independentemente da fase em que o processo em
andamento se encontre.
CORRETA: O princ’pio do tempus regit actum n‹o encontra barreiras em
nenhuma fase do processo, ou seja, ser‡ aplicado ainda que o processo j‡ tenha
terminado e estejamos em fase de execu•‹o de senten•a;

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B) imediata, somente em rela•‹o aos processos que se encontrem na


fase instrut—ria.
ERRADA: O art. 2¡ do CPP n‹o faz qualquer distin•‹o entre processos que
estejam na fase instrut—ria ou que j‡ tenha se encerrado ou quaisquer outras
hip—teses, determinando a aplica•‹o da lei processual penal imediatamente: ÒArt.
2o A lei processual penal aplicar-se-‡ desde logo, sem preju’zo da validade dos
atos realizados sob a vig•ncia da lei anterior.Ó
C) somente a processos futuros, ainda que por fatos anteriores.
ERRADA: O princ’pio do tempus regit actum determina a aplica•‹o da lei nova
aos atos processuais futuros, independentemente de o processo j‡ ter se
iniciado sob a Žgide de uma outra lei, ainda que esta lei anterior seja mais
benŽfica ao rŽu (lembrem-se da diferen•a entre normas puramente processuais,
puramente materiais e mistas!);
D) somente a processos futuros e sobre fatos posteriores.
ERRADA: Como disse acima, a aplica•‹o se d‡ tambŽm aos processos j‡
iniciados, mas s— alcan•a os atos ainda a serem praticados, permanecendo
v‡lidos os atos praticados sob a Žgide da lei anterior, pois s‹o atos perfeitos e
acabados;
E) imediata ou a processos futuros conforme decis‹o fundamentada do
juiz em cada caso.
ERRADA: A aplica•‹o imediata da lei processual penal Ž o que se pode chamar
de ope legis, ou seja, n‹o depende de manifesta•‹o do Magistrado nesse sentido,
decorrendo diretamente da lei. Caso dependesse de decis‹o do Juiz determinando
ou n‹o sua aplica•‹o, ter’amos o que se chama de ope judicis.
GABARITO: LETRA A

09.! (FCC Ð 2009 Ð TJ/MS Ð JUIZ)


A lei processual penal
A) tem aplica•‹o imediata apenas nos processos ainda n‹o instru’dos.
ERRADA: Conforme estudamos, ainda que estejamos diante de processos j‡
bastante adiantados (inclusive em sede recursal ou de execu•‹o de pena), ser‡
00000000000

aplicado o princ’pio do tempus regit actum, por n‹o ter o CPP, em seu art. 2¡,
feito qualquer restri•‹o nesse sentido: Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-‡
desde logo, sem preju’zo da validade dos atos realizados sob a vig•ncia da lei
anterior.
B) tem aplica•‹o imediata apenas se beneficiar o acusado.
ERRADA: A aplica•‹o imediata da lei processual penal, inclusive a processos em
curso, se d‡ independente de sua natureza benŽfica ou prejudicial ao rŽu, nos
termos do art. 2¡ do CPP;
C) Ž de aplica•‹o imediata, sem preju’zo de validade dos atos j‡
realizados.

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CORRETA: A aplica•‹o da lei processual penal Ž imediata, e os atos praticados


sob a vig•ncia de outra lei s‹o considerados plenamente v‡lidos, pois foram
devidamente praticados em respeito ˆ lei vigente ˆ Žpoca;
D) vigora desde logo e sempre tem efeito retroativo.
ERRADA: A Lei processual penal vigora desde logo, isso Ž fato (art. 2¡ do CP).
Entretanto, em regra, n‹o h‡ efeito retroativo, salvo se se tratar de norma
material inserida na lei processual (heterotopia) ou norma processual mista
(parte de direito processual, parte de direito material) e que sejam benŽficas ao
rŽu, hip—tese na qual se admite a retroatividade da lei processual.
E) Ž aplic‡vel apenas aos fatos ocorridos ap—s a sua vig•ncia.
ERRADA: A lei processual penal pode ser aplicada a fatos ocorridos antes de sua
entrada em vigor, desde que o processo ainda tramite ou se esteja executando a
pena.
GABARITO: LETRA C

10.! (FCC Ð 2008 Ð MPE/CE Ð PROMOTOR)


Quanto ˆ efic‡cia temporal, a lei processual penal
A) aplica-se somente aos fatos criminosos ocorridos ap—s a sua vig•ncia.
ERRADA: A lei processual penal pode ser aplicada a fatos ocorridos antes de sua
entrada em vigor, desde que o processo ainda tramite ou se esteja executando a
pena.
B) vigora desde logo, tendo sempre efeito retroativo.
ERRADA: A Lei processual penal vigora desde logo, isso Ž fato (art. 2¡ do CP).
Entretanto, em regra, n‹o h‡ efeito retroativo, salvo se se tratar de norma
material inserida na lei processual (heterotopia) ou norma processual mista
(parte de direito processual, parte de direito material) e que sejam benŽficas ao
rŽu, hip—tese na qual se admite a retroatividade da lei processual.
C) tem aplica•‹o imediata, sem preju’zo da validade dos atos j‡
realizados.
CORRETA: Essa Ž a reda•‹o do artigo 2¡ do CPP: ÒArt. 2o A lei processual penal
aplicar-se-‡ desde logo, sem preju’zo da validade dos atos realizados sob a
00000000000

vig•ncia da lei anterior.Ó. Assim, esse artigo consagra o princ’pio da atividade da


lei processual penal, ou do tempus regit actum.
D) tem aplica•‹o imediata nos processos ainda n‹o instru’dos.
ERRADA: Conforme estudamos, ainda que estejamos diante de processos j‡
bastante adiantados (inclusive em sede recursal ou de execu•‹o de pena), ser‡
aplicado o princ’pio do tempus regit actum, por n‹o ter o CPP, em seu art. 2¡,
feito qualquer restri•‹o nesse sentido: Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-‡
desde logo, sem preju’zo da validade dos atos realizados sob a vig•ncia da lei
anterior.
E) n‹o ter‡ aplica•‹o imediata, salvo se para beneficiar o acusado.

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ERRADA: A aplica•‹o imediata da lei processual penal, inclusive a processos em


curso, se d‡ independente de sua natureza benŽfica ou prejudicial ao rŽu, nos
termos do art. 2¡ do CPP.
GABARITO: LETRA C

11.! (FCC Ð 2009 Ð TJ/PA Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð çREA JUDICIçRIA)


A nova lei processual penal
A) Ž de incid•ncia imediata, pouco importando a fase em que esteja o
processo.
CORRETA: O CPP n‹o distinguiu as fases do processo para fins de aplica•‹o da
lei processual penal nova. Nesse caso, a lei processual penal Ž sempre aplic‡vel
aos atos processuais ainda n‹o praticados, por for•a do princ’pio do tempus regit
actum (Vou fazer lavagem cerebral em voc•s!), ainda que o processo esteja em
fase de execu•‹o de pena.
B) n‹o Ž aplic‡vel aos processos, ainda em curso, iniciados na vig•ncia
da lei processual anterior.
ERRADA: O princ’pio do tempus regit actum determina a aplica•‹o da lei nova
aos atos processuais futuros, independentemente de o processo j‡ ter se
iniciado sob a Žgide de uma outra lei, ainda que esta lei anterior seja mais
benŽfica ao rŽu (lembrem-se da diferen•a entre normas puramente processuais,
puramente materiais e mistas!);
C) n‹o Ž aplic‡vel aos processos de rito ordin‡rio, ainda em andamento,
quando de sua vig•ncia.
ERRADA: O CPP n‹o faz distin•‹o entre aplica•‹o a processos em curso ou
processos futuros, tampouco diferencia a aplica•‹o da lei processual penal no que
se refere ao rito adotado para o processo;
D) Ž aplic‡vel, inclusive, aos processos j‡ findos.
ERRADA: Essa alternativa Ž pol•mica. De fato, se o processo j‡ se findou, n‹o
h‡ como aplicar-se a lei processual penal aos atos processuais, pois todos eles j‡
foram praticados anteriormente ˆ sua entrada em vigor. Entretanto, para isso,
temos que entender como Òprocesso findoÓ aquele em que j‡ se esgotou tambŽm
a fase de execu•‹o de pena, e n‹o s— aquele em que se esgotou a fase de
00000000000

conhecimento, pois, como vimos, na fase de execu•‹o tambŽm aplica-se o


tempus regit actum.
E) Ž aplic‡vel somente aos processos, ainda em curso, da compet•ncia
do Tribunal do Jœri.
ERRADA: O CPP n‹o faz distin•‹o entre aplica•‹o a processos em curso ou
processos futuros, tampouco diferencia a aplica•‹o da lei processual penal no que
se refere ao rito adotado para o processo.
GABARITO: LETRA A

12.! (FCC Ð 2014 Ð TRF4 Ð TƒCNICO JUDICIçRIO)


Nos termos da Constitui•‹o da Repœblica, exige-se ordem judicial para

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a) extradi•‹o de estrangeiro por crime pol’tico ou de opini‹o.


b) efetuar a pris‹o de alguŽm em flagrante delito.
c) utiliza•‹o, no processo, de provas obtidas por meios il’citos.
d) entrar na casa de um indiv’duo, sem seu consentimento, exceto para
prestar socorro.
e) quebra do sigilo das comunica•›es telef™nicas, para fins de
investiga•‹o criminal.
COMENTçRIOS: A Constitui•‹o Federal, em seu art. 5¼, XII, exige ORDEM
JUDICIAL para que seja poss’vel a intercepta•‹o das comunica•›es telef™nicas,
para fins de investiga•‹o criminal ou instru•‹o processual penal. Vejamos:
Art. 5¼ (...)
XII - Ž inviol‡vel o sigilo da correspond•ncia e das comunica•›es telegr‡ficas, de dados
e das comunica•›es telef™nicas, salvo, no œltimo caso, por ordem judicial, nas
hip—teses e na forma que a lei estabelecer para fins de investiga•‹o criminal ou
instru•‹o processual penal; (Vide Lei n¼ 9.296, de 1996)
A pris‹o em flagrante delito n‹o depende de ordem judicial. As provas il’citas,
por sua vez, s‹o INADMISSêVEIS NO PROCESSO. A extradi•‹o de estrangeiro por
crime pol’tico ou de opini‹o nunca ser‡ poss’vel, art. 5¼, LII da CRFB/88.
Por fim, a alternativa D est‡ errada, pois n‹o cita a outra exce•‹o (em caso de
flagrante delito), bem como n‹o informa que a invas‹o de domic’lio para
cumprimento de ordem judicial somente pode ocorrer durante o dia.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA E.

13.! (FGV Ð 2013 Ð OAB Ð XI EXAME UNIFICADO)


Em um processo em que se apura a pr‡tica dos delitos de supress‹o de
tributo e evas‹o de divisas, o Juiz Federal da 4» Vara Federal Criminal de
Arroizinho determina a expedi•‹o de carta rogat—ria para os Estados
Unidos da AmŽrica, a fim de que seja interrogado o rŽu M‡rio. Em
cumprimento ˆ carta, o tribunal americano realiza o interrogat—rio do rŽu
e devolve o procedimento ˆ Justi•a Brasileira, a 4» Vara Federal Criminal.
O advogado de defesa de M‡rio, ao se deparar com o teor do ato
praticado, requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que
00000000000

n‹o foram obedecidas as garantias processuais brasileiras para o rŽu.


Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espa•o, a
alega•‹o do advogado est‡ correta?
A) Sim, pois no processo penal vigora o princ’pio da extraterritorialidade,
j‡ que as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do
territ—rio nacional.
B) N‹o, pois no processo penal vigora o princ’pio da territorialidade, j‡
que as normas processuais brasileiras s— se aplicam no territ—rio
nacional.
C) Sim, pois no processo penal vigora o princ’pio da territorialidade, j‡
que as normas processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer
territ—rio.

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D) N‹o, pois no processo penal vigora o princ’pio da


extraterritorialidade, j‡ que as normas processuais brasileiras podem ser
aplicas fora no territ—rio nacional.
COMENTçRIOS: No Direito Processual Penal vigora o princ’pio da territorialidade
da aplica•‹o da lei processual, o que significa dizer que a Lei Processual brasileira
(no caso, o CPP) somente se aplica no TERRITîRIO NACIONAL, n‹o havendo que
se falar em utiliza•‹o da lei processual brasileira para um ato praticado fora do
Brasil.
Isso, inclusive, j‡ foi decidido pelo STF, exemplificativamente, no HC 91444/RJ.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA B.

14.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


O processo penal reger-se-‡, em todo o territ—rio brasileiro, pelo C—digo
de Processo Penal, n‹o havendo qualquer ressalva prevista neste
diploma.
COMENTçRIOS: Item errado, pois o pr—prio CPP traz diversas ressalvas em seu
art. 1¼, como as hip—teses de exist•ncia de tratado internacional, ou em rela•‹o
aos crimes militares (para os quais ser‡ aplicada a lei processual penal militar, e
s— de forma subsidi‡ria o CPP), etc.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç ERRADA.

15.! (FGV Ð 2008 Ð PC-RJ Ð OFICIAL DE CARTîRIO - ADAPTADA)


O processo penal rege-se pelo C—digo de Processo Penal, em todo o
territ—rio brasileiro ressalvados, entre outros, os tratados, as
conven•›es e regras de direito internacional.
COMENTçRIOS: Item correto, pois a regra Ž a aplica•‹o do princ’pio da
territorialidade, ou seja, ao processo penal realizado no territ—rio brasileiro,
aplica-se o CPP. Contudo, existem algumas exce•›es, dentre as quais se encontra
a hip—tese de exist•ncia de tratados, conven•›es ou regras de direito
internacional, nos termos do art. 1¼, I do CPP.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç CORRETA. 00000000000

16.! (FGV Ð 2013 Ð OAB Ð XI EXAME UNIFICADO)


A Lei n. 9.099/95 modificou a espŽcie de a•‹o penal para os crimes de
les‹o corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida lei,
tais delitos passaram a ser de a•‹o penal pœblica condicionada ˆ
representa•‹o. Tratando-se de quest‹o relativa ˆ Lei Processual Penal
no Tempo, assinale a alternativa que corretamente exp›e a regra a ser
aplicada para processos em curso que n‹o haviam transitado em julgado
quando da altera•‹o legislativa.
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma
mais benigna.

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B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei


Ž aplicada no momento em que entra em vigor, sem que se questione se
mais gravosa ou n‹o.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser
norma mais gravosa.
D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei
Ž aplicada no momento em que entra em vigor, devendo-se questionar
se a novatio legis Ž mais gravosa ou n‹o.
COMENTçRIOS: No caso espec’fico da altera•‹o da natureza da a•‹o penal em
rela•‹o aos crimes de les›es corporais leves e culposas, o STJ entendeu que a
norma possu’a car‡ter h’brido (de direito processual e de direito material),
devendo ser aplicada a regra relativa ˆs normas de Direito Penal, no que tange ˆ
retroatividade da lei mais benŽfica.
Por se tratar de lei mais benŽfica, o STJ entendeu que deveria ser aplicada aos
fatos praticados antes de sua entrada em vigor, desde que o processo ainda
estivesse tramitando, devendo a v’tima manifestar seu interesse no
prosseguimento da a•‹o penal (j‡ que a a•‹o penal j‡ havia sido ajuizada).
Vejamos:
(...) A partir da edi•‹o da Lei n¼ 9.099/95, os crimes de les›es corporais leves e de
les›es culposas passaram a ser de a•‹o pœblica condicionada (art. 88), sendo a
propositura da a•‹o penal dependente de representa•‹o do ofendido ou de seu
representante legal.
- Os arts. 88 e 91, do citado diploma legal, s‹o normas de direito processual penal e
de direito penal de natureza benigna, porque suscept’veis de causar a extin•‹o da
punibilidade pela renœncia ou pela decad•ncia, aplicando-se n‹o s— aos casos
previstos na legisla•‹o ordin‡ria, como tambŽm aos previstos em legisla•‹o especial,
inclusive na Justi•a Militar.
(...)
(HC 10.841/RS, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em 22/08/2000,
DJ 11/09/2000, p. 292)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA A.

17.! (FGV Ð 2014 Ð TJ/RJ Ð ANALISTA Ð EXECU‚ÌO DE MANDADOS)


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A Constitui•‹o da Repœblica e o C—digo de Processo Penal prev•em


regras e princ’pios para solucionar conflitos no tema Òa lei no tempoÓ. Ë
lei puramente processual penal aplicam-se os seguintes princ’pios:
(A) da irretroatividade da lei prejudicial ao rŽu e da retroatividade da lei
benŽfica;
(B) da aplica•‹o imediata e do tempus regit actum (tempo rege o ato);
(C) da inalterabilidade e da ultratividade da lei benŽfica;
(D) da ultratividade e da retroatividade da lei benŽfica ao rŽu;
(E) da retroatividade da lei prejudicial e da ultratividade da lei benŽfica.
COMENTçRIOS: No Processo penal vigora, em rela•‹o ˆs leis puramente
processuais, o princ’pio do tempus regit actum, ou seja, a lei Ž aplicada aos

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processos desde logo, independentemente de o processo ter sido instaurado


antes. S‹o preservados, contudo, os atos j‡ praticados. Vejamos:
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-‡ desde logo, sem preju’zo da validade dos
atos realizados sob a vig•ncia da lei anterior.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA B.

18.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


No Brasil, adota-se integralmente o princ’pio da irretroatividade da lei
processual penal, que impede que as inova•›es na norma processual
penal sejam aplicadas de imediato para fatos praticados antes de sua
entrada em vigor.
COMENTçRIOS: Item errado, pois no Brasil se adota o princ’pio da aplica•‹o
imediata da lei processual penal, tambŽm conhecido como princ’pio do tempus
regit actum, ou seja, a norma processual penal Ž aplic‡vel imediatamente aos
processos em curso (naturalmente, s‹o relativos a fatos praticados antes da
entrada em vigor da lei processual nova). Os atos processuais j‡ praticados sob
a vig•ncia da lei antiga, porŽm, permanecem v‡lidos.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç ERRADA.

19.! (FGV Ð 2013 Ð TJ-AM Ð JUIZ Ð ADAPTADA)


As normas previstas no C—digo de Processo Penal de natureza h’brida,
ou seja, com conteœdo de direito processual e de direito material, devem
respeitar o princ’pio que veda a aplica•‹o retroativa da lei penal, quando
seu conteœdo for prejudicial ao rŽu.
COMENTçRIOS: Item correto, pois em se tratando de normas h’bridas, embora
haja alguma diverg•ncia, prevalece o entendimento de que deve ser aplicada a
regra prevista para a aplica•‹o das leis de direito penal material: retroatividade
da lei mais benŽfica, e irretroatividade da lei quando for prejudicial ao rŽu.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç CORRETA.

20.! (FGV Ð 2008 Ð PC-RJ Ð OFICIAL DE CARTîRIO - ADAPTADA)


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A lei processual penal aplica-se imediatamente, sem preju’zo da validade


dos atos j‡ realizados sob a vig•ncia da lei anterior.
COMENTçRIOS: Item correto. O princ’pio do tempus regit actum determina que
a lei processual penal ser‡ aplic‡vel imediatamente, ou seja, inclusive aos
processos em curso. Contudo, os atos j‡ validamente praticados sob a vig•ncia
da lei anterior permanecem ’ntegros, n‹o s‹o prejudicados pela lei nova.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç CORRETA.

21.! (FGV Ð 2008 Ð TJ-MS Ð JUIZ DE DIREITO)


Relativamente aos princ’pios processuais penais, Ž incorreto afirmar
que:

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A) o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia recomenda que em caso de


dœvida o rŽu seja absolvido.
B) o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia recomenda que processos
criminais em andamento n‹o sejam considerados como maus
antecedentes para efeito de fixa•‹o de pena.
C) os princ’pios do contradit—rio e da ampla defesa recomendam que a
defesa tŽcnica se manifeste depois da acusa•‹o e antes da decis‹o
judicial, seja nas alega•›es finais escritas, seja nas alega•›es orais.
D) o princ’pio do juiz natural n‹o impede a atra•‹o por contin•ncia nos
casos em que o co-rŽu possui foro por prerrogativa de fun•‹o quando o
rŽu deveria ser julgado por um juiz de direito de primeiro grau.
E) o princ’pio da veda•‹o de provas il’citas n‹o Ž absoluto, sendo
admiss’vel que uma prova il’cita seja utilizada quando Ž a œnica
dispon’vel para a acusa•‹o e o crime imputado seja considerado
hediondo.
A) CORRETA: Como vimos, a presun•‹o de inoc•ncia norteia todo o
desenvolvimento do processo, pois se considera o acusado inocente atŽ que haja
senten•a penal condenat—ria irrecorr’vel. Assim, havendo dœvidas, dever‡ o rŽu
ser absolvida, pelo princ’pio do favor rei, que decorre da presun•‹o de inoc•ncia.
B) CORRETA: Como estudamos, o STF entende que InquŽritos e Processos
criminais em curso n‹o podem ser considerados maus antecedentes, pois, no
primeiro caso, sequer h‡ acusado, e no segundo ainda n‹o houve decis‹o
irrecorr’vel condenando o rŽu.
C) CORRETA: Um dos baluartes da ampla defesa Ž do contradit—rio Ž o direito
que a defesa possui de se manifestar ap—s a acusa•‹o. Sim, pois se isso n‹o fosse
poss’vel, a acusa•‹o poderia fazer alega•›es que n‹o poderiam ser refutadas pela
defesa, o que implicaria em viola•‹o ˆ ampla defesa e ao contradit—rio.
D) CORRETA: Quando dois rŽus cometem um crime, e um deles possui
prerrogativa de foro, conhecido tambŽm como foro privilegiado (direito de ser
julgado perante determinado Tribunal, conforme o cargo ocupado), Ž poss’vel
que, por conveni•ncia da instru•‹o criminal, ambos sejam julgados
conjuntamente pelo Tribunal perante o qual responde aquele que tem
prerrogativa de foro (sœmula 704 do STF). Isso n‹o ofende o Juiz natural pois Ž
00000000000

uma possibilidade previamente e abstratamente prevista em lei.


E) INCORRETA: Ao contr‡rio do que admite a quest‹o, tal princ’pio n‹o pode ser
relativizada em favor da acusa•‹o, mas somente em favor da defesa, quando
esta prova for o œnico meio de se obter a absolvi•‹o do rŽu, em raz‹o de estar
em jogo o direito ˆ liberdade do acusado (entendimento doutrin‡rio majorit‡rio).
Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA ƒ A LETRA E.

22.! (FGV Ð 2014 Ð TJ-GO Ð ANALISTA JUDICIçRIO Ð APOIO


JUDICIçRIO E ADMINISTRATIVO)

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Inserido no t’tulo de direitos e garantias fundamentais, o Art. 5¼ da


Constitui•‹o da Repœblica trata dos direitos e deveres individuais e
coletivos. Em matŽria processual, tal norma estabelece que:
a) as provas obtidas por meios il’citos s‹o admiss’veis, no processo, com
escopo de prestigiar a verdade real;
b) a lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa de uma das partes o exigir;
c) aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados
em geral, s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios
e recursos a ela inerentes;
d) ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ a prola•‹o de senten•a penal
condenat—ria recorr’vel, proferida por juiz competente e observados o
contradit—rio e ampla defesa;
e) o jurisdicionado poder‡ ser processado, mas n‹o sentenciado sen‹o
pela autoridade judici‡ria competente.
COMENTçRIOS:
A) ERRADA: Tais provas s‹o INADMISSêVEIS no processo, nos termos do art. 5¼,
LVI da Constitui•‹o.
B) ERRADA: A restri•‹o ˆ publicidade dos atos processuais quando a defesa da
intimidade ou o interesse social o exigirem, nos termos do art. 5¼, LX.
C) CORRETA: Esta Ž a previs‹o contida no art. 5¼, LV da Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
D) ERRADA: Item errado, pois o princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia estabelece
que ninguŽm ser‡ considerado culpado antes do TRåNSITO EM JULGADO de
senten•a penal condenat—ria, nos termos do art. 5¼, LVII da Constitui•‹o.
E) ERRADA: Item errado, pois a Constitui•‹o estabelece que ninguŽm ser‡
processado nem julgado sen‹o pela autoridade competente, nos termos do art.
5¼, LIII da CRFB/88.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA C.
00000000000

23.! (FGV Ð 2014 Ð ASSEMB. LEGISLATIVA-BA Ð TƒCNICO SUPERIOR)


Inœmeras s‹o as normas relacionadas ˆ pris‹o que acarretam
medidas de prote•‹o aos direitos individuais, dentre as quais a
informa•‹o sobre os direitos do cidad‹o preso, que deve ser
informado do seu direito de permanecer em
a) sil•ncio.
b) observa•‹o.
c) deten•‹o provis—ria.
d) albergue especial.

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e) pris‹o domiciliar.
COMENTçRIOS: Um dos direitos constitucionais assegurados ao preso Ž de
permanecer calado, ou seja, em sil•ncio, nos termos do art. 5¼, LXIII da
Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA A.

24.! (FGV Ð 2008 Ð TJ-MS Ð JUIZ - ADAPTADA)


O princ’pio do juiz natural Ž uma garantia constitucional que somente
poder‡ ser excepcionada mediante decis‹o da maioria dos integrantes
do tribunal ao qual estiver submetido o juiz.
COMENTçRIOS: Item errado, pois o princ’pio do juiz natural Ž uma garantia que
n‹o pode ser excepcionada, o que n‹o impede a cria•‹o de varas especializadas.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTç ERRADA.

25.! (VUNESP Ð 2013 Ð PC-SP Ð INVESTIGADOR)


Sans‹o Herculano, brasileiro, mŽdico veterin‡rio, maior de idade, foi
preso em flagrante delito e levado ˆ Delegacia de Pol’cia. Segundo o que
estabelece a Constitui•‹o Federal, Sans‹o tem os seguintes direitos:
a) a assist•ncia da fam’lia e de um advogado, cela especial por ter curso
superior e uma liga•‹o telef™nica para pessoa por ele indicada.
b) ser criminalmente identificado, mesmo se possuir identifica•‹o civil,
cela especial em raz‹o de ter curso superior e assist•ncia de um
advogado.
c) avistar-se pessoalmente com o promotor de justi•a, entrar em contato
com uma pessoa da fam’lia ou quem ele indicar e assist•ncia de um
advogado ou defensor pœblico.
d) relaxamento imediato de sua pris‹o se ela foi ilegal, permanecer
calado e cela especial privativa. 00000000000

e) permanecer calado, identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o e


que o juiz e sua fam’lia sejam imediatamente comunicados sobre sua
pris‹o.
COMENTçRIOS: Dentre as alternativas trazidas pela quest‹o aquela que
apresenta direitos constitucionalmente garantidos ao preso Ž a letra E. Vejamos:
Art. 5¼ (...)
LXII - a pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o comunicados
imediatamente ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou ˆ pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
LXIV - o preso tem direito ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou por seu
interrogat—rio policial;

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Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA E.

26.! (VUNESP Ð 2013 Ð PC-SP Ð AGENTE)


Conforme estabelece a Constitui•‹o Federal, o preso tem direitos
expressamente previstos no Texto Maior, sendo um deles o seguinte:
a) de ser identificado criminalmente, mesmo se j‡ identificado
civilmente.
b) assist•ncia da fam’lia.
c) sala especial se tiver curso superior.
d) liberdade mediante fian•a, independentemente do crime que
cometeu.
e) avistar-se pessoalmente com o Promotor de Justi•a.
COMENTçRIOS: O preso ter‡ direito ˆ assist•ncia da fam’lia, nos termos do art.
5¼, LXIII da CRFB/88:
Art. 5¼ (...)
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA B.

27.! (MPE-PR Ð 2014 Ð MPE-PR Ð PROMOTOR)


ƒ inciso do art. 5¼ da Constitui•‹o Federal, que trata dos direitos e
garantias fundamentais, com foco no processo penal, exceto:
a) A pris‹o ilegal ser‡ imediatamente relaxada pela autoridade
judici‡ria;
b) NinguŽm ser‡ privado de sua liberdade sem decreto da autoridade
judici‡ria competente, salvo em flagrante delito;
c) A pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o
comunicados imediatamente ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso ou
ˆ pessoa por ele indicada;
d) Ser‡ admitida a•‹o privada nos crimes de a•‹o pœblica, se esta n‹o
00000000000

for intentada no prazo legal;


e) A lei s— poder‡ restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
COMENTçRIOS: Embora, de fato, ninguŽm possa ser preso sem que haja
decis‹o judicial nesse sentido (salvo em flagrante delito), o enunciado da
alternativa B n‹o encontra uma correspond•ncia expressa no art. 5¼ da
Constitui•‹o, ao contr‡rio dos demais.
O enunciado da alternativa B se referia ao princ’pio do devido processo legal, mas
n‹o fez constar a reda•‹o correta, que seria:
Art. 5¼ (...)
LIV - ninguŽm ser‡ privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

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Seria poss’vel entender, ainda, que o enunciado se referia ao inciso LXI, que tem
a seguinte reda•‹o:
LXI - ninguŽm ser‡ preso sen‹o em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judici‡ria competente, salvo nos casos de transgress‹o
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
Ou seja, aqui tambŽm h‡ erro, pois a Constitui•‹o excepciona n‹o apenas os
casos de flagrante delito, mas tambŽm as hip—teses de transgress‹o militar ou
crime propriamente militar.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA B.

28.! (IBFC Ð 2014 Ð PC-RJ Ð PAPILOSCOPISTA)


A Constitui•‹o Federal, no cap’tulo ÒDos Direitos e das garantias
individuaisÓ reconhece a institui•‹o do jœri e assegura expressamente
em seu texto:
a) A plenitude de defesa.
b) O sigilo das vota•›es.
c) A soberania dos vereditos.
d) A compet•ncia para julgamento dos crimes dolosos contra a vida.
e) O duplo grau de jurisdi•‹o.
COMENTçRIOS: A Institui•‹o do Jœri est‡ prevista no art. 5¼, XXXVIII da
Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei,
assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das vota•›es;
c) a soberania dos veredictos;
d) a compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
Podemos ver, assim, que o Òduplo grau de jurisdi•‹oÓ n‹o Ž uma das
caracter’sticas constitucionais expressas em rela•‹o ao Tribunal do Jœri. Todas as
demais est‹o expressamente previstas. 00000000000

Como a quest‹o n‹o pede que se marque a incorreta, existem quatro afirmativas
corretas que respondem a quest‹o, motivo pelo qual a quest‹o foi ANULADA
PELA BANCA.

29.! (FUNCAB Ð 2014 Ð PRF Ð AGENTE ADMINISTRATIVO)


A partir do texto expresso da Constitui•‹o Brasileira, assinale a
alternativa que prev• direito ou garantia fundamenta explicitamente
conferida aos presos.
a) Comunica•‹o imediata de sua pris‹o e do local onde se encontre a
Ordem dos Advogados do Brasil ou a Defensoria Pœblica
b) Direito ˆ gratuidade de justi•a

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c) Direito a ser custodiado no Munic’pio em que reside


d) Direito de permanecer calado
e) Garantia de ser mantido em local separado daqueles que est‹o presos
em raz‹o de senten•a penal condenat—ria transitada em julgado.
COMENTçRIOS: Dentre as alternativas trazidas, apenas a Letra D apresenta um
direito constitucional expresso conferido ao preso. Vejamos:
Art. 5¼ (...)
LXIII - o preso ser‡ informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assist•ncia da fam’lia e de advogado;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA D.

30.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð DELEGADO DE POLêCIA)


Quanto ˆs garantias constitucionais e ˆ priva•‹o da liberdade, assinale a
alternativa correta.
a) Conceder-se-‡ habeas corpus sempre que a lei admitir a liberdade
provis—ria.
b) O preso ser‡ informado de seus direitos, dentre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a remo•‹o para
estabelecimento perto de sua fam’lia.
c) O preso tem direito ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou
por seu interrogat—rio policial, exceto nos crimes inafian•‡veis.
d) A pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se encontre ser‹o
comunicados no primeiro dia œtil ao juiz competente e ˆ fam’lia do preso
ou ˆ pessoa por ele indicada.
e) NinguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido quando a lei admitir a
liberdade provis—ria, com ou sem fian•a.
COMENTçRIOS:
A) ERRADA: Item errado, pois nos termos do art. 5¼, LXVIII da CF/88, conceder-
se-‡ HABEAS CORPUS sempre que alguŽm sofrer ou se achar amea•ado de sofrer
viol•ncia ou coa•‹o em sua liberdade de locomo•‹o, por ilegalidade ou abuso de
poder. 00000000000

B) ERRADA: Item errado, pois n‹o Ž assegurado ao preso o direito de ser


transferido para estabelecimento mais pr—ximo de sua fam’lia, embora seja
assegurado o direito de assist•ncia familiar e jur’dica (advogado), nos termos do
art. 5¼, LXIII da CF/88.
C) ERRADA: O direito do preso ˆ identifica•‹o dos respons‡veis por sua pris‹o ou
por seu interrogat—rio policial n‹o encontra exce•‹o nos crimes inafian•‡veis.
D) ERRADA: Item errado, pois a pris‹o de qualquer pessoa e o local onde se
encontre ser‹o comunicados IMEDIATAMENTE ao juiz competente e ˆ fam’lia do
preso ou ˆ pessoa por ele indicada, nos termos do art. 5¼, LXII da Constitui•‹o.
E) CORRETA: Item correto, pois esta Ž a previs‹o do art. 5¼, LXVI da
Constitui•‹o:

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Art. 5¼ (...)
LXVI - ninguŽm ser‡ levado ˆ pris‹o ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provis—ria, com ou sem fian•a;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA E.

31.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð OFICIAL ADMINISTRATIVO)


Conforme reza a Constitui•‹o da Repœblica, a compet•ncia para o
julgamento dos crimes dolosos contra a vida Ž do(a).
a) juizado especial federal.
b) jœri.
c) Juiz criminal de primeira inst‰ncia.
d) justi•a militar.
e) MinistŽrio Pœblico.
COMENTçRIOS: A compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos contra a
vida Ž do TRIBUNAL DO JòRI, nos termos do art. 5¼, XXXVIII, d da Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei,
assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das vota•›es;
c) a soberania dos veredictos;
d) a compet•ncia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA B.

32.! (VUNESP Ð 2014 Ð PC-SP Ð OFICIAL ADMINISTRATIVO)


Segundo a Constitui•‹o Federal, para que alguŽm seja considerado
culpado Ž suficiente.
a) condena•‹o recorr’vel do Tribunal de Justi•a do Estado de S‹o Paulo
b) senten•a judicial criminal de primeira inst‰ncia recorr’vel.
c) decis‹o un‰nime do tribunal do jœri da qual ainda caiba recurso.
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d) denœncia do MinistŽrio Pœblico recebida pelo Poder Judici‡rio


e) senten•a penal condenat—ria transitada em julgado.
COMENTçRIOS: Para que alguŽm seja considerado culpado exige-se o
TRåNSITO EM JULGADO de senten•a penal condenat—ria, nos termos do art. 5¼,
LVII da Constitui•‹o:
Art. 5¼ (...)
LVII - ninguŽm ser‡ considerado culpado atŽ o tr‰nsito em julgado de senten•a penal
condenat—ria;
Trata-se do princ’pio da presun•‹o de inoc•ncia (ou presun•‹o de n‹o
culpabilidade).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA E.

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33.! (VUNESP Ð 2013 Ð TJ-RJ Ð JUIZ)


A doutrina Ž un‰nime ao apontar que os princ’pios constitucionais, em
especial os relacionados ao processo penal, alŽm de revelar o modelo de
Estado escolhido pelos cidad‹os, servem como meios de prote•‹o da
dignidade humana. Referidos princ’pios podem se apresentar de forma
expl’cita ou impl’cita, sem diferen•a quanto ao grau de import‰ncia. S‹o
princ’pios constitucionais expl’citos:
a) juiz natural, veda•‹o das provas il’citas e promotor natural.
b) devido processo legal, contradit—rio e duplo grau de jurisdi•‹o.
c) ampla defesa, estado de inoc•ncia e verdade real.
d) contradit—rio, juiz natural e soberania dos veredictos do Jœri.
COMENTçRIOS: Dentre as alternativas trazidas, a œnica que abarca apenas
princ’pios constitucionais EXPRESSOS (ou seja, que est‹o previstos literalmente
na Constitui•‹o, n‹o sendo mera constru•‹o doutrin‡ria) Ž a letra D. Vejamos:
Art. 5¼ (...)
XXXVIII - Ž reconhecida a institui•‹o do jœri, com a organiza•‹o que lhe der a lei,
assegurados:
(...)
c) a soberania dos veredictos;
(...)
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
s‹o assegurados o contradit—rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
(...)
LIII - ninguŽm ser‡ processado nem sentenciado sen‹o pela autoridade competente;
Lembrando que o princ’pio do Promotor Natural n‹o Ž t‹o un‰nime assim. Quem
defende sua previs‹o constitucional alega que o termo ÒprocessadoÓ se refere ao
titular da a•‹o penal (no caso, o MP). Contudo, a Doutrina majorit‡ria entende
que esse termo se refere ao processamento da demanda, logo, ao pr—prio Poder
Judici‡rio.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA D.
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34.! (FUNCAB Ð 2014 Ð PC-MT Ð INVESTIGADOR)


S‹o princ’pios constitucionais do processo penal:
a) presun•‹o de inoc•ncia, contradit—rio e verdade real.
b) devido processo, ampla defesa, verdade real e dispositivo.
c) juiz natural, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa e contradit—rio.
d) devido processo, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa, contradit—rio
e verdade real.
e) devido processo, presun•‹o de inoc•ncia, ampla defesa, contradit—rio
e dispositivo.

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COMENTçRIOS: Das alternativas apresentadas, apenas a letra C traz princ’pio


EXPRESSAMENTE previstos na Constitui•‹o Federal: juiz natural (art. 5¼, LIII),
presun•‹o de inoc•ncia (art. 5¼, LVII), ampla defesa e contradit—rio (art. 5¼, LV).
O princ’pio dispositivo (desdobramento do princ’pio da inŽrcia) e o princ’pio da
verdade real n‹o est‹o expressamente previstos na Constitui•‹o Federal.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA ƒ A LETRA C.

12!GABARITO

1.! ALTERNATIVA D
2.! ALTERNATIVA E
3.! ALTERNATIVA E
4.! ALTERNATIVA E
5.! ALTERNATIVA E
6.! ALTERNATIVA B
7.! ALTERNATIVA E
8.! ALTERNATIVA A
9.! ALTERNATIVA C
10.! ALTERNATIVA C
11.! ALTERNATIVA A
12.! ALTERNATIVA E
13.! ALTERNATIVA B
14.! ERRADA
15.! CORRETA 00000000000

16.! ALTERNATIVA A
17.! ALTERNATIVA B
18.! ERRADA
19.! CORRETA
20.! CORRETA
21.! ALTERNATIVA E
22.! ALTERNATIVA C
23.! ALTERNATIVA A
24.! ERRADA
25.! ALTERNATIVA E

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26.! ALTERNATIVA B
27.! ALTERNATIVA B
28.! ANULADA
29.! ALTERNATIVA D
30.! ALTERNATIVA E
31.! ALTERNATIVA B
32.! ALTERNATIVA E
33.! ALTERNATIVA D
34.! ALTERNATIVA C

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