Você está na página 1de 14

See

discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/242196781

Diagnóstico Clínico e Laboratorial da


Toxoplasmose

Article · September 1999

CITATION READS

1 2,482

6 authors, including:

Marcos Gontijo Mariza Martins Avelino


Centro Universitário UnirG Universidade Federal de Goiás
29 PUBLICATIONS 31 CITATIONS 18 PUBLICATIONS 256 CITATIONS

SEE PROFILE SEE PROFILE

Ana Maria de Castro


Universidade Federal de Goiás
48 PUBLICATIONS 634 CITATIONS

SEE PROFILE

Some of the authors of this publication are also working on these related projects:

Program de Controle da toxoplasmose congenita View project

Changes in energetic metabolism of Biomphalaria glabrata (Mollusca, Planorbidae) in response to


exogenous calcium View project

All content following this page was uploaded by Ana Maria de Castro on 21 May 2014.

The user has requested enhancement of the downloaded file.


Artigo

Diagnóstico Clínico
e Laboratorial da Toxoplasmose
Tatiane Luiza da Costa1, Marcos Gontijo da Silva2, Isolina Maria Xavier Rodrigues3,
Aline Almeida Barbaresco4, Mariza Martins Avelino5, Ana Maria de Castro6
1 a 3 - Mestres em Medicina Tropical na área de Parasitologia do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública IPTSP-UFG
4 - Mestranda em Medicina Tropical na área de Parasitologia do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública IPTSP-UFG
5 - Profª. Adjunto do Departamento de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Medicina da UFG
6 - Profª. Adjunto da disciplina de Parasitologia e orientadora desse estudo, no PPGMT do IPTSP-UFG

Resumo Summary

Os autores fazem uma revisão da literatura sobre Clinical and laboratory diagnosis of toxoplasmosis
o tema toxoplasmose, sendo enfatizado o diagnóstico The authors present a literature review about
clínico e laboratorial. Toxoplasmose é a infecção cau- toxoplasmosis, emphasizing the clinical and laboratory
sada pelo Toxoplasma gondii, um protozoário intra- diagnosis. Toxoplasmosis is an infection caused
celular obrigatório. Disseminada nas regiões tropical by Toxoplasma gondii, an obligatory intracellular
e temperada e nos vários níveis socioeconômicos, é protozoan. Disseminated throughout the tropical and
considerada uma das parasitoses mais freqüentes temperate regions and the various social and economical
no homem e talvez nos animais homeotérmicos. levels, it is considered one of the most frequent
No Brasil, sua prevalência varia de 10% a 80%, parasitosis in humans and maybe in homoeothermic
dependendo da área estudada. O diagnóstico da animals. In Brazil, its prevalence ranges from 10% to
toxoplasmose é baseado na detecção de anticorpos 80%, depending on the area studied. Toxoplasmosis
de diferentes classes de imunoglobulinas (IgG, IgM, diagnosis is based on the detection of different classes
IgA e IgE) anti-T. gondii. Apesar de a sorologia ser of anti-T. gondii immuneglobulins antibodies (IgG, IgM,
eficaz em 89,5% das grávidas, há inespecificidade IgA, and IgE). Although the serology shows efficiency
quando se refere à confirmação da infecção no feto in 89.5% of pregnant women, it presents unspecificity
e/ou recém-nascido pela influência da imaturidade regarding the confirmation of the infection in fetuses or
imunológica. O advento das técnicas automatizadas newborns due to their immunological immaturity. The
de diagnóstico sorológico trouxe a realidade de use of automated methods for serological diagnosis
anticorpos residuais, levando a resultados duvidosos brought about the reality of residual antibodies,
e/ou inconclusivos, tornando necessário o uso de which can lead to doubtful and/or inconclusive
métodos parasitológicos, entre os quais se destacam results, making necessary the use of parasitological
as técnicas de biologia molecular. Entretanto, é muito methods, among which are the molecular biology
cedo para determinar uma técnica padrão-ouro dife- techniques. Nevertheless, it is too soon to determine
rente da sorologia, pois essa é atualmente a principal a golden standard technique different from serology,
abordagem para estabelecer o diagnóstico precoce because this is currently the main approach to establish
de toxoplasmose. precocious diagnosis of toxoplasmosis.

Palavras-chave: Diagnóstico da toxoplasmose, T. gondii, Keywords: Toxoplasmosis diagnosis, T. gondii,


toxoplasmose congênita congenital toxoplasmosis

88 NewsLab - edição 85 - 2007


Introdução a existência do T. gondii em le-
são do sistema nervoso central

O
Toxoplasma gondii, agente de uma criança falecida com um
responsável pela toxoplas- mês de vida. Também realizaram
mose, foi reconhecido prova- a primeira transmissão experi-
velmente pela primeira vez no mental de toxoplasmose humana
Brasil, em São Paulo, por Alfonso para animais, tendo ainda de-
Splendore em julho de 1908 monstrado um agente infeccioso
(1). Este pesquisador de origem produzindo doença intra-uterina.
italiana e radicado no Brasil, ao A descoberta do T. gondii, como
trabalhar com coelhos em seu la- causa de doença adquirida no
boratório, observou uma doença adulto, é creditada a Pinkerton &
cujo quadro anatomopatológico Weinman (4), que descreveram
era semelhante à leishmaniose um caso de doença fatal gene-
visceral humana. Apresentou ralizada em um jovem.
uma descrição completa das Hutchinson (5) foi o primeiro
lesões patológicas e dos corpús- a reconhecer o papel do gato
culos parasitários presentes na no ciclo evolutivo do parasito,
forma livre e intracelular, isola- mostrando que esses animais
dos e agrupados, em diversos poderiam eliminá-lo pelas fe-
tecidos de animais infectados. zes. A verdadeira natureza do
Em 26 de outubro de 1908, Ni- parasito permaneceu um mis-
colle e Manceaux do Instituto tério até que Frenkel et al. (6)
Pasteur de Tunis descreveram estabeleceram que o parasito é
um microrganismo semelhante um protozoário Coccídeo, que
àquele observado por Splendo- tem por hospedeiro definitivo o
re, em células monocelulares do gato e existe em dois ciclos dis-
baço e do fígado de um roedor tintos: enteroepitelial em gatos
norte-africano, o Ctenodactylus e extraintestinal em tecidos de
gondii (2). outros hospedeiros inclusive os
Nos Estados Unidos da Amé- felideos. Hutchinson et al. (7)
rica, Wolf & Cowen (3) foram os descreveram o oocisto como for-
primeiros autores a descrever a ma infectante do parasito.
infecção congênita no homem T. gondii é um protozoário do
relatando a ocorrência de toxo- filo Apicomplexa, pertencente à
plasmose fatal em recém-nas- família Sarcocystidae, da classe
cido com encefalite, meningite Sporozoa, subclasse Coccidia,
e mielite, embora com alguns subordem Eimereina. Apresenta-
erros de classificação posterior- se na natureza sob três formas:
mente corrigidos. Comunicaram - Oocisto, responsável pela

NewsLab - edição 85 - 2007 89


produção de esporozoítos livre ou trofozoíto. Foi a primeira viáveis por até duas horas em
- Taquizoíta ou a forma proliferativa forma descrita e o seu aspecto meio contendo ácido clorídrico e
- Bradizoíta, denominado a for- morfológico, em forma de arco pepsina, ou até seis horas, em
ma cística (toxon = arco), deu o nome ao meio contendo tripsina, permi-
Essas três formas apresen- gênero. Essa forma requer um tindo sobreviverem ao período
tam organelas citoplasmáticas habitat intracelular para se multi- de digestão normal do estômago
características do Filo Apicom- plicar e sobreviver, sendo rapida- e no duodeno.
plexa (visíveis apenas a nível mente destruída no suco gástrico O congelamento abaixo de
de microscopia eletrônica de (8). Sua reprodução dentro das 20°C negativos e o aquecimento
transmissão) que constituem o células do hospedeiro ocorre por acima de 66°C destrói a forma
complexo apical: conóide, anel endodiogenia, um processo de cística do parasito, entretanto
polar (em número de dois), brotamento interno em que duas em temperatura de 4°C, este
microtúbulos subpeliculares, células-filhas são formadas den- pode sobreviver por até dois me-
roptrias, micronemas e grânulos tro da célula-mãe, sendo então ses (8). Um aspecto importante
densos. Os oocistos são produ- liberadas após ruptura. do cisto é uma possível reativa-
zidos nas células intestinais de A forma de taquizoíto é en- ção da infecção, causada pela
felídeos não imunes e são elimi- contrada no estágio agudo da liberação de bradizoítos, que se
nados imaturos junto com as fe- infecção, invadindo todos os transformam em taquizoítos e
zes. Em condições adequadas de tipos de células. Após a invasão promovem uma nova infecção
umidade e temperatura o oocisto das células do hospedeiro, os aguda local (11).
sofre esporulação formando dois microrganismos se multiplicam O ciclo biológico do T. gon-
esporocistos, cada um contendo rapidamente nos seus vacúolos, dii é do tipo heteroxeno, pois
quatro esporozoítos. formando rosetas. O citoplasma ocorre em duas fases distintas.
Após uma infecção aguda no torna-se repleto de taquizoítos a Uma fase se passa no hospedeiro
gato, os oocistos são liberados ponto de se romper e provocar definitivo, conforme definido por
em grandes quantidades pelas a liberação destes, que invadem Frenkel et al. (6) e não é apenas
fezes, chegando a bilhões por células contíguas ou são fagoci- o gato, mas sim os felídeos em
dia. Essa eliminação maciça de tados (9). geral. A outra fase acontece no
oocistos é máxima entre cinco e A forma de resistência do hospedeiro intermediário que
dez dias após a infecção inicial e T. gondii nos tecidos é o cisto pode ser o homem, outros mamí-
dura apenas algumas semanas. contendo bradizoítos, que po- feros e as aves. O ciclo no hospe-
O oocisto, após sua maturação, dem estar presentes em todos deiro definitivo (gatos e felídeos
é viável por muitos meses e os tecidos, porém, os princi- jovens) ocorre somente nas cé-
até anos no solo, desde que em pais sítios de infecção latente lulas epiteliais, principalmente do
condições razoáveis de umidade ocorrem no miocárdio, cérebro intestino delgado. Durante o de-
relativa (1) e tecido músculo-esquelético senvolvimento desse ciclo ocorre
O taquizoíto é a forma encon- (10). A parede do cisto pode ser uma fase assexuada (merogonia)
trada durante a fase aguda da rompida por causa da pepsina ou e outra sexuada (gamogonia) do
infecção, sendo também denomi- da tripsina, sendo que os bra- parasito. Deste modo, um gato
nada forma proliferativa, forma dizoítos liberados permanecem jovem e não imune, infectando-

90 NewsLab - edição 85 - 2007


se oralmente por oocistos, cistos ração denominado esporogonia
ou taquizoítos, desenvolverá o após um período de cerca de
ciclo sexuado (1). quatro dias, e apresentará dois
Os esporozoítos, bradizoítos esporocistos contendo qua -
ou taquizoítos, ao penetrarem tro esporozoítos cada. O gato
no epitélio intestinal do gato, jovem e infectado é capaz de
sofrerão um processo de multi- eliminar oocistos durante um
plicação por endodiogenia e me- mês, aproximadamente. O oo-
rogonia, dando origem a vários cisto, em condições de umidade,
merozoítos. O conjunto desses temperatura e local sombreado
merozoítos formados dentro do favorável, é capaz de se manter
vacúolo parasitóforo da célula é infectante por cerca de 12 a 18
denominado meronte ou esqui- meses (12).
zonte maduro. O tempo decorrido entre a
O rompimento da célula para- infecção e o aparecimento de
sitada libera os merozoítos que novos oocistos nas fezes dos
penetrarão em novas células felídeos (período pré-patente)
epiteliais e se transformarão nas dependerá da forma do parasito
formas sexuadas masculinas ou ingerido. Este período será de
femininas: os gametócitos ou três dias, quando a infecção
gamontes, que, após um proces- ocorrer por cistos, 19 ou mais,
so de maturação, formarão os por taquizoítos e 20 ou mais
gametas masculinos (microga- dias, por oocistos (9).
metas) e os gametas femininos O hospedeiro intermediário
(macrogametas). O macrogame- (homem, por exemplo) se in-
ta (imóvel) permanecerá dentro fecta por via oral, através de
de uma célula epitelial, enquanto transfusão sangüínea, trans-
os microgametas (móveis e fla- plante de órgãos, transmissão
gelados) sairão de sua célula e acidental por auto-inoculação
irão fecundar o macrogameta, em laboratório e por transmis-
formando o ovo ou zigoto. Este são transplacentária. A infecção
evoluirá dentro do epitélio for- por via oral pode ocorrer atra-
mando uma parede externa du- vés de: ingestão de oocistos
pla, dando origem ao oocisto. presentes em jardins, caixas de
A célula epitelial sofrerá rom- areia, latas de lixo ou alimen-
pimento em alguns dias, liberan- tos contaminados; ingestão de
do o oocisto ainda imaturo. Esta cistos contendo bradizoítos, en-
forma alcançará o meio externo contrados em carne crua ou mal
juntamente com as fezes onde cozidos; ingestão de taquizoítos
sofrerá um processo de matu- em leite contaminado. As formas

NewsLab - edição 85 - 2007 91


de taquizoítos que chegam ao parasitos extracelulares desapa- missão congênita, que ocorre
estômago serão destruídas, mas recem do sangue, da linfa e dos no período gestacional princi-
as que penetram na mucosa oral órgãos viscerais, ocorrendo uma palmente durante a infecção
poderão evoluir do mesmo modo diminuição intracelular (9). aguda. Fora desse período, tem
que os cistos e oocistos. Alguns taquizoítos, no en- sido descrita em gestações su-
Cada taquizoíto, esporozoíto tanto, invadem as células, de- cessivas e em gestantes com
ou bradizoíto sofrerá intensa senvolvem, após proliferações síndrome de imunodeficiência
multiplicação, após rápida pas- iniciais, uma cápsula cística na adquirida (SIDA), que já tiveram
sagem pelo epitélio intestinal parede do vacúolo parasitóforo, toxoplasmose em alguma fase
e penetrará em vários tipos de diminuindo seu metabolismo de sua vida e que estão com
célula do organismo, forman- e transformando-se em uma uma depressão imune grave (14,
do um vacúolo citoplasmático forma de metabolismo mais 15). As vias de infecção para o
(vacúolo parasitóforo). Neste baixo, os bradizoítos, que pela feto são:
sofrerão divisões sucessivas por constante resposta imunológica Transplacentária – quando a
endodiogenia, formando novos permanecem no interior do cisto gestante adquire a toxoplasmose
taquizoítos (fase proliferativa), sem despertar sintomatologia durante a gestação e, apresenta
que irão romper a célula parasi- significante do hospedeiro por a fase aguda da doença, poderá
tada, liberando novos taquizoí- meses, anos e provavelmente transmitir T. gondii ao feto, sen-
tos, que invadirão novas células. décadas (13). do provavelmente os taquizoítos
Essa disseminação do parasito A resposta imunológica limita como formas responsáveis.
no organismo ocorre através de a progressão da infecção e o de- Rompimento de cistos no en-
taquizoítos livres na linfa ou no senvolvimento de novas lesões, dométrio – apesar de a gestante
sangue circulante, que poderão porém não erradica os cistos apresentar a doença na fase
provocar um quadro polissinto- já existentes encontrados em crônica, alguns cistos localiza-
mático, cuja gravidade depen- múltiplos órgãos, sendo formas dos no endométrio poderiam se
derá da quantidade de formas de resistência do parasito. Estes romper (distensão mecânica ou
infectantes adquiridas, cepas do cistos ocasionalmente se rom- ação lítica das vilosidades cori-
parasito e da suscetibilidade do pem liberando os bradizoítos, ônicas da placenta), liberando
hospedeiro. que podem evoluir para taquizo- os bradizoítos que penetrariam
Essa fase inicial da infecção ítos e reinfectar células vizinhas, no feto.
– fase proliferativa – caracteriza despertando reação inflamató- Taquizoítos livres no líqui-
a fase aguda da doença. Neste ria, com rápido controle pelo sis- do amniótico – os taquizoítos
ponto, a evolução poderá ir até tema imune. Caso o hospedeiro presentes no líquido amniótico
a morte do hospedeiro, o que esteja com a resposta imune atingiriam o feto (2).
poderá ocorrer em fetos ou em comprometida, o bloqueio imune
indivíduos com comprometi- dessa proliferação pode não ser Diagnóstico Clínico da
mento imunológico, ou diminuir eficiente, desenvolvendo-se um Toxoplasmose
e cessar pelo aparecimento de processo localizado de toxoplas- Os sintomas da toxoplasmo-
resposta imune específica. Com mose (12). se aguda em gestantes podem
o aparecimento da imunidade, os Outra possibilidade é a trans- ser transitórios e inespecíficos.

92 NewsLab - edição 85 - 2007


Quando estão presentes, no sabilizada por óbito intra-uterino
máximo em 10% dos casos, ge- (18). Entretanto, esta ocorrência
ralmente limitam-se à linfadeno- em pacientes com infecção crô-
patia e à fadiga. A linfadenopatia nica é rara e não significativa
pode persistir durante meses e (19).
comprometer apenas um único A infecção que se manifesta
linfonodo. Menos freqüente- no período neonatal é caracte-
mente, tem sido descrita uma rizada pela tríade clássica de
síndrome do tipo mononucleose Sabin, composta por alterações
caracterizada por febre, mal- do volume craniano (hidrocefalia
estar, faringite, cefaléia, mialgia ou microcefalia), coriorretinite
e linfocitose atípica (16). (geralmente bilateral, macular
A forma mais comum da pro- ou perimacular, simétrica), cal-
tozoose quando adquirida na cificações intracranianas e retar-
vida extra-uterina por organismo damento mental. É conveniente
imunocompetente, é a ganglio- ainda referir que, em alguns
nar, que corresponde a processo recém-nascidos gravemente
febril com adenopatias e comum acometidos, desenvolvem-se
hepatoesplenomegalia. Contudo, manifestações hemorrágicas de
trata-se de infecção pleomorfa, vários tipos, além de outras ma-
podendo causar, em indivíduos nifestações menos citadas, como
imunodeprimidos, encefalite, nistagmo, estrabismo, microf-
mielite, miocardite, pneumonia talmia, pneumonia intersticial,
intersticial e outros comprome- miocardite, envolvimento de
timentos (9). supra-renais, hipertrofia de lin-
A possibilidade de transmis- fonodos, alterações endócrinas e
são fetal é remota quando a gastrointestinais, com repercus-
toxoplasmose é adquirida antes sões traduzidas por mixedema,
da concepção. Mas durante a diabetes insípidus e puberdade
gestação o risco de transmissão precoce (20).
para o feto no primeiro trimestre A grande maioria dos recém-
é de 6%, no segundo, de 29% nascidos com toxoplasmose
a 40%, no terceiro, de 59% a congênita tem doença subclí-
72%. Cerca de 50% dos recém- nica ao nascer. Contudo, estes
nascidos de mães que sorocon- recém-nascidos podem apre-
verteram durante a gravidez são sentar anormalidades da retina
infectados e só 10% apresentam e do sistema nervoso central
manifestações clínicas precoces quando são submetidos a exa-
(17). No primeiro trimestre, a mes especializados, ou podem
toxoplasmose tem sido respon- apresentá-las no decorrer do

NewsLab - edição 85 - 2007 93


seu desenvolvimento (21, 22). A parasito ou a presença de anti- em pacientes infectados pelo
concreta possibilidade de crian- corpos específicos (1). HIV tem como órgão de agres-
ças congenitamente infectadas Com relação à toxoplasmose são primária, o sistema nervoso
não exibirem distúrbios detec- ocular podem-se identificar duas central (25).
táveis clinicamente ou através formas distintas: a congênita e
de exames subsidiários em fase a adquirida. Em ambas, o aco- Diagnóstico Laboratorial
inicial da vida, constitui condição metimento pode ser precoce ou As respostas imunes de um
que merece conveniente aten- tardio, podendo em alguns ca- h o s p e d e i r o à t oxo p l a s m o s e
ção. A toxoplasmose congênita sos, manifestar-se clinicamente podem ser natural ou adquiri-
pode permanecer latente por pela primeira vez, anos depois da. Quando um hospedeiro se
vários anos e, não excepcio- da infecção sistêmica (24). A infecta com o parasito, após a
nalmente, durante a puberdade identificação de retinocoroidite multiplicação na porta de entra-
(talvez por influência hormonal) pela fundocospia ocular é muito da, segue-se a sua disseminação
ou mais adiante, reativar. Os dis- freqüente, mesmo nos casos por todo o organismo através
túrbios oculares e neurológicos sem outros sintomas, e permite das vias sangüínea e linfática.
são exemplos comuns obser- realizar o diagnóstico presuntivo Durante este período, inicia-se
vados neste tipo de reativação de infecção congênita. Contudo, a formação de anticorpos espe-
clínica (9). a doença é comumente confir- cíficos e o desenvolvimento de
O diagnóstico clínico da to- mada através de testes soroló- mecanismos imunecelulares que
xoplasmose congênita é, por gicos, devido à dificuldade de são responsáveis pela destruição
vezes, impreciso, pois as ma- se fazer o diagnóstico clínico ou dos taquizoítos extracelulares.
nifestações clínicas podem ser parasitológico. As dificuldades Durante a fase crônica da toxo-
confundidas com as causadas aparecem porque a retinocoroi- plasmose, somente os bradizoí-
por outros agentes como o Ci- dite pode ser causada por mais tos ou taquizoítos intracelulares
tomegalovírus, Herpes simples, de quinze doenças infecciosas persistem e são responsáveis
Rubéola, H IV, Epstein Barr, oculares, como sífilis e herpes, pela manutenção de títulos so-
Treponema pallidum, Listeria mas a toxoplasmose se constitui rológicos que podem durar toda
monocytogenes, Borrelia burg- em principal suspeita (9). a vida do hospedeiro (12).
dorferi e Trypanosoma cruzi. Em imunodeprimidos, as Ainda na vigência da parasi-
Outras doenças também podem manifestações clínicas citadas temia, observada nas primeiras
apresentar sinais clínicos seme- são encontradas com freqüên- semanas da primo-infecção,
lhantes à toxoplasmose como a cia. Talvez pela reativação das surgem anticorpos específicos
eritroblastose fetal e determi- formas latentes dos cistos con- representados por isotipos IgM,
nadas doenças degenerativas tendo bradizoítos nos diferentes IgA, IgE e IgG e os taquizoítos
(23). O exame clínico apenas órgãos, revelando ser o T. gondii extracelulares são lisados por
sugere a eventualidade dessa um agente de caráter oportunis- anticorpos específicos quando
etiologia, mesmo na toxoplas- ta. Há de salientar-se que com esses estão combinados com o
mose sintomática, ficando a sua a extensão da SIDA (Síndrome complemento. No início da in-
confirmação a cargo de exames de Imunodeficiência Adquirida) fecção do hospedeiro as imuno-
laboratoriais que identifiquem o ficou claro que a toxoplasmose globulinas da classe IgM, IgA e

94 NewsLab - edição 85 - 2007


IgE aparecem primeiro, podendo sua presença no sangue do lac-
ser detectadas pelas reações tente pode refletir a imunoglo-
sorológicas dentro de oito a 12 bulina materna que foi passada
dias após a infecção aguda pelo via transplacentária durante a
T. gondii. A pesquisa de IgM e gestação como proteção, ou se
IgA em recém-nascidos é utili- referir à produzida pelos me-
zada para o diagnóstico de to- canismos de defesa imune da
xoplasmose congênita, pois não criança. No entanto, a compa-
atravessam a placenta e quando ração dos títulos dos anticorpos
presentes no soro indicam a do binômio “mãe-filho” pode
produção pelo próprio feto, em diferenciar essa situação quan-
resposta a uma infecção intra- do o recém-nascido apresentar
uterina (26). níveis de IgG maiores do que os
Na evolução da infecção con- da mãe em no mínimo quatro
figura-se um perfil sorológico de diluições (27).
transição, com níveis elevados A dificuldade na interpreta-
de anticorpos IgG, de afinidade ção dos valores de IgG continua
crescente pelo antígeno. Estão durante o acompanhamento da
ausentes os anticorpos IgA, criança porque o anticorpo de
IgE, podendo os anticorpos IgM origem materna pode persistir
ocasionalmente estar presentes no sangue do lactente por até
em baixos títulos. Progressiva- um ano. Mas a sua persistência
mente, este quadro sorológico em títulos significativos com o
dá lugar ao perfil de infecção passar dos meses indica produ-
latente ou crônica, que em geral ção pela criança porque os níveis
se mantém por toda a vida, com oriundos da mãe são decres-
níveis de IgG em baixos títulos centes com o tempo. Após um
com alta avidez e ausência dos ano, sua presença no sangue da
anticorpos de outros isotipos, criança significa que o sistema
ainda que ocasionalmente se imune dela foi estimulado pelo
encontrem resíduos de IgM. A T. gondii e, portanto, houve in-
transição do perfil sorológico de fecção (28).
infecção recente para o perfil Embora a sobrevivência a uma
de infecção latente é mais ou fase aguda resulte em resistência à
menos lenta, em semanas ou reinfecção, a imunidade associada
meses, dependendo do estado com a infecção crônica é somente
imunitário dos pacientes (27). relatada na natureza. Um número
A passagem da IgG específica de diferentes investigadores tem
pela placenta dificulta o diagnós- relatado que a imunidade prévia
tico da infecção congênita, pois para o T. gondii em camundongo,

NewsLab - edição 85 - 2007 95


causada pela infecção não prote- especialmente nos imunocompro- considerada de boa especificidade
ge o suficiente para prevenir uma metidos, seja por imunodepressão e sensibilidade. Tem sido em-
reinfecção. Além disso, camundon- ou por imunoimaturidade como no pregada para amplificar o sinal
gos imunizados contra uma cepa feto e no recém-nascido (26). de fluorescência e aumentar a
de T. gondii e subsequentemente sensibilidade. Essa reação tem a
inoculados com outra cepa têm Diagnóstico Sorológico vantagem de utilizar toxoplasmas
ambas as espécies encistadas em  O teste de Hemaglutina- preservados, fixados em lâminas
seus tecidos. Isso provavelmente ção Indireta (HAI) descrito de microscopia, tornando-a muito
ocorre em humanos (29). originalmente por Jacobs & Lunde mais prático e seguro para a rotina
Classicamente, o diagnóstico (31) com hemácias de carneiro laboratorial, quando comparada
laboratorial da toxoplasmose recobertas por componentes do ao Dye test. Além do mais, esse
tem se baseado na pesquisa parasito, principalmente citoplas- teste permite a identificação dos
de anticorpos contra o parasito máticos, apresentava baixa sen- anticorpos segundo as classes de
através de testes sorológicos. sibilidade. Este teste não detec- imunoglobulinas. Pode apresen-
Segundo as características des- tava IgM ou IgG de baixa avidez, tar resultados falsos-positivos de
ses anticorpos, diferentes mar- além de sofrer a interferência de anticorpos IgM pela interferência
cadores sorológicos têm sido anticorpos heterófilos com conse- de fatores reumatóides, eventu-
descritos para distinguir entre qüente resultado falso-positivo. almente presentes no soro. Os
infecção latente, comum na po- Tais falhas foram solucionadas ao testes para anticorpos IgM podem
pulação, e infecção recente ou se utilizarem hemácias de aves também revelar resultados falsos-
toxoplasmose-doença (30). recobertas com antígenos com- negativos, devido à competição
Outras respostas se esperam, pletos do parasito aglutináveis por entre os anticorpos IgG e IgM,
também, da sorologia da toxo- anticorpos IgG e IgM, tornando o impedindo que estes se fixem aos
plasmose, como datar na gestante teste altamente sensível. É consi- antígenos parasitários (33). Em
seu contágio pelo toxoplasma ou, derado um teste prático de baixo cerca de 75% dos casos de recém-
no paciente imunocomprometido, custo, não exigindo equipamento nascidos com toxoplasmose con-
a reagudização de uma toxoplas- sofisticado e um bom método para gênita podem ocorrer resultados
mose latente. Por tais interroga- triagem da toxoplasmose. Ocasio- falsos-negativos, conseqüência de
ções, a sorologia da toxoplasmose nalmente, observam-se resultados altos títulos maternos de anticor-
apresenta-se como uma das mais falsos-positivos por interferência pos da classe IgG.
complexas, em contínua evolução, de anticorpos IgM “naturais”,  A reação de Aglutinação
exigindo uma variedade de testes e aglutininas IgM não-específicas, por Imunoabsorção (ISAGA)
experiência do responsável pela re- em geral de títulos baixos. Distin- é utilizada para identificação de
alização e interpretação dos resul- gue-se de reações específicas por anticorpos IgM, sendo impor-
tados. Entretanto, a evidenciação permanecer com títulos inaltera- tante no diagnóstico de infecção
do parasito, por isolamento a partir dos, enquanto aquelas se elevam aguda. Os antígenos adicionados
do material do paciente, ou pela em poucos dias na fase aguda da às placas constituem-se em uma
demonstração de seus componen- toxoplasmose (32). suspensão de toxoplasmas, que
tes, como antígenos ou segmentos  A reação de Imunoflu- se aglutinam na presença de IgM
do DNA, é de alto valor diagnóstico, orescência Indireta (IFI) é específica (34).

96 NewsLab - edição 85 - 2007


 A introdução do Ensaio 99,3% e concordância de 98,9% inicial da infecção, dos anticorpos
Imunoenzimático (ELISA) (36). de alta avidez, indicativos de in-
trouxe um grande avanço para o  A técnica MEIA (Micropar- fecção crônica (38). A avidez com
diagnóstico da doença. Camargo ticle Enzyme Immunoassay) que os anticorpos IgG ligam-se a
et al. (35) descreveram a téc- é usada para a determinação seus respectivos antígenos pode
nica para anticorpos IgG e IgM, quantitativa de anticorpos da ser avaliada pela maior ou menor
observando porém, presença de classe IgG e IgM antitoxoplasma facilidade de quebra dessa ligação.
resultados falsos-positivos pa- no soro ou plasma humano. A Mede-se por um teste imunoen-
raIgM em pacientes portadores do reação é realizada no analisador zimático ELISA-IgG modificado,
fator reumatóide. Desmonts et al. de imunoensaio, com acesso pela dissociação dos complexos
(34) desenvolveram uma técnica randômico e contínuo, AXSYM da antígenos-anticorpos formados e
para detecção de IgM, denomi- Abbott. As amostras usadas para liberação dos anticorpos IgG de
nada de ELISA duplo sanduíche pesquisa dos anticorpos da classe baixa avidez, por meio de uma so-
(DS - ELISA IgM) ou teste de IgM são tratadas com tampão de lução caotrópica, por exemplo de
captura de IgM. Através dela foi neutralização do Fator Reumatóide uréia 6M (ELISA-uréia). Para este
possível detectar a presença de (FR), para remover os anticorpos fim, após a incubação do soro na
IgM específica para T. gondii em de interferência (se presentes) placa, essa é lavada com a solução
92% dos indivíduos com toxoplas- do complexo antígeno-anticorpo, de uréia e, em seguida, prossegue-
mose recentemente adquirida, e a fim de se evitar resultados se a reação pela incubação com o
que eram negativos na reação de falsamente positivos. Ao final da conjugado enzimático. Uma baixa
Imunofluorescência para IgM. reação, o complexo imune liga- avidez é indicada por acentuada
 A técnica ELFA (Enzyme do ao conjugado marcado com diminuição do título com relação
Linked Fluorescent Assay) é a fosfatase alcalina reage com o ao título original obtido sem o
um teste automatizado no siste- substrato 4-Metil Umbeliferil Fos- tratamento pela uréia (39).
ma VIDAS da Bio-Mérieux usada fato (MUP). A fosfatase alcalina  A reação de Western blot
para detecção de anticorpos da cataliza a hidrólise do MUP a MU tem mostrado que o soro materno
classe IgG e IgM anti T. gondii. (Metil Umbeliferil). A quantidade e o da criança reconhecem diferen-
O princípio da reação associa o de fluorescência é proporcional tes antígenos do T. gondii, quando
método imunoenzimático com à concentração de anticorpos da a criança está congenitamente in-
uma detecção final em fluores- amostra analisada (37). fectada (40). Hofflin & Remington
cência. Os anticorpos da classe  No início da década de 1990, (41) já tinham reconhecido antíge-
IgM são pesquisados por imuno- foi desenvolvido o teste de ELI- nos diferentes por anticorpos das
captura. As imunoglobulinas IgM SA IgG para avidez, que tem se classes IgG e IgM pela mãe e filho
antitoxoplasma são detectadas mostrado excelente método de congenitamente infectado. Anticor-
especificamente graças a um diagnóstico de infecção aguda pos das classes IgM e IgA podem
imunocomplexo marcado com adquirida. Este método avalia a ser identificados contra a principal
fosfatase alcalina. Este método avidez de ligação ao antígeno dos proteína de superfície do T. gon-
quando comparado com o méto- anticorpos IgG contra o T. gondii, dii, a proteína P30, pela técnica
do ISAGA apresentou sensibilida- separando os anticorpos de baixa de Western blot. Comparando-se
de de 93,5%, especificidade de avidez, produzidos numa fase a técnica de Western blot com a

98 NewsLab - edição 85 - 2007


imunocaptura ELISA, demonstra- o diagnóstico da doença aguda e etapas recentes de avaliação. É
se que a primeira tem vantagens congênita (29). Os componentes muito cedo para determinar uma
sobre a segunda especialmente no desse teste são: anticorpos mono- técnica padrão-ouro diferente da
diagnóstico da toxoplasmose cere- clonais para IgE humana, amostra sorologia, pois essa é a principal
bral dos pacientes com AIDS (42). do paciente e taquizoítos do T. gon- abordagem para estabelecer um
No paciente com HIV e encefalite, dii tratados com formalina. Quando diagnóstico de toxoplasmose.
o uso dessa reação mostra diver- os anticorpos IgE específicos anti Este é baseado na pesquisa de
sidade antigênica entre diferentes T. gondii estão presentes, ocorre anticorpos de diferentes classes de
cepas do T. gondii. aglutinação visivelmente detecta- imunoglobulinas (IgG, IgM, IgA e
 Para a pesquisa de anticorpos da. Por esse método, podem ser IgE) anti-T. gondii.
IgA e IgE específicos para a to- testados soro, sangue fetal, fluido Além disso, a presença dos an-
xoplasmose, utilizam-se as técnicas cerebroespinhal e fluido amniótico. ticorpos antitoxoplasma no curso
imunoenzimáticas, tanto a indireta A persistência do anticorpo especí- da infecção permite a análise de
como a de captura. Embora estas fico no sangue materno é detectada perfis sorológicos, seja de infecção
reações estejam sujeitas a alguma até por quatro meses nas pesquisas recente, em fase aguda, ou de in-
discrepância de resultado, pois realizadas, tornando esse método fecção antiga, em fase de latência
ainda não estão suficientemente mais seguro do que o da determi- ou crônica (30). Com o advento
padronizadas, elas vêm assumin- nação da IgM no diagnóstico da das técnicas automatizadas no
do importância crescente como infecção na gestante. Por outro diagnóstico sorológico, trouxe a re-
marcadores de infecções recentes lado, não atravessa a placenta, e alidade de anticorpos residuais, le-
inclusive congênitas (43, 44). A sua presença no sangue do feto ou vando a resultados duvidosos e/ou
IgA específica pode ser detectada do recém-nascido é diagnóstico de inconclusivos, tornando necessário
no sangue de adultos e crianças transmissão congênita da infecção. o uso de métodos parasitológicos,
congenitamente infectados, usando Entretanto, no sangue de pacientes dentre eles as técnicas de biolo-
ELISA ou ISAGA. Sua sensibilidade com toxoplasmose congênita, o gia molecular, permitindo assim
é maior na identificação da infecção anticorpo pode ser encontrado por um diagnóstico precoce e seguro,
congênita ou agudamente adquirida tempo prolongado (um ano) e du- podendo monitorar a carga para-
(45). Esse método é importante em rante períodos de recrudescências, sitária de gestantes e até mesmo
sangue do cordão umbilical para após a suspensão da terapêutica validar o tratamento utilizado.
evitar a contaminação pelo sangue com Sulfa-Pirimetamina (46). Assim, a prevenção da toxoplas-
materno, uma vez que o anticorpo mose congênita é de fundamen-
não atravessa a barreira placentária Discussão tal importância para um melhor
e o seu encontro no feto é diag- controle da infecção evitando as
nóstico de infecção congênita. Os O diagnóstico da toxoplasmose graves seqüelas que podem ocorrer
títulos permanecem elevados por é baseado na sorologia, porém os em fetos e recém-nascidos.
um período de 26 semanas, pratica- resultados devem ser interpreta-
mente semelhantes à persistência dos concomitantemente à clínica
Correspondências para:
da IgM (45). A IgE específica pode do paciente. – história do pacien-
Profa. Dra. Ana Maria de Castro
ser detectada por Imunoabsorção, te e sintomatologia. As técnicas
amaria@iptsp.ufg.br
podendo também ser usada para moleculares se encontram em

100 NewsLab - edição 85 - 2007


Referências Bibliográficas
1. Rey L.Toxoplasma gondii e Toxoplasmose. Parasitologia. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. p. 274-285, 1991.
2. Neves DP. Parasitologia Humana. 10 ed., Atheneu; São Paulo. p. 147-156, 2001.
3. Wolf A, Cowen D. Granulomatous encephalomyelitis due to an encephalitozoon (encephalitozoic encephalomyelitis): a new
protozoan disease of man. Bull Neurol Inst NY 6: 307, 1939.
4. Pinkerton H,Weinman D.Toxoplasma infection in man. Arch Pathol, St. Louis 30: 374, 1940.
5. Hutchinson WM. Experimental transmission of T. gondii. Nature 206 (4987): 961-962, 1965.
6. Frenkel JR, Dubey JO, Miller NL. Toxoplasma gondii in cats: fecal stages identified as coccidian oocysts. Science 167: 893-
896, 1970.
7. Hutchinson WM, Dunachie JF, Siim JC,Work K. Coccidian like nature of T. gondii. Brit Med J 1:142, 1970.
8. Jacobs L, Remington JS, Melton ML.The resistence of the encysted form of Toxoplasma gondii. J Parasitol 46: 11-21, 1960.
9. Amato NV, Marchi CR.Toxoplasmose. In: Cimerman B & Cimerman S, editors. Parasitologia Humana e seus Fundamentos
Gerais. 2 ed. São Paulo: Atheneu;160-177, 2002.
10. Remington JS, Cavanaugh EM. Isolation of the encysted form of T. gondii from human skeletal muscles and brain. N Engl
J Med 273: 1308-1310, 1965.
11. Frenkel JK, Ruiz A, Chinchilla M. Soil survival of Toxoplasma oocysts in Kansas and Costa Rica. American Journal of Tropical
Medicine and Hygiene 24: 439-443, 1975.
12. Kawazoe U.Toxoplasma gondii. In: Neves DP. Parasitologia Humana. 10 ed. São Paulo: Atheneu. p. 149-156, 2002.
13. Dubey JP, Frenkel JK. Feline toxoplasmosis from acutely infected mice and the development of toxoplasma cysts. J Protozool
23: 537-554, 1976.
14. Garcia APG. Congenital toxoplasmosis in two succesive sibs. Arch Dis Child 43: 705-709, 1979.
15. Bearman MH, McCabe RE,Wong Sin-Yew, Remington JS.T.gondii. In: Mandell D B, editor. Principles and practice of infectious
diseases. 4 ed., New York: Churchill Livingstone: 2455-2475, 1996.
16.Wong SY, Remington JS.Toxoplasmosis in pregnancy. Clinical Infectious Diseases 18: 853-862, 1994.
17. Hinrichsen SL,Valente A, et al.Toxoplasmose. In: Doenças Infecciosas e Parasitárias. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
p.421-427, 2005.
18. Desmonts G, Couvreur J. Congenital toxoplasmosis: a prospective study of 378 pregnancies. The New England Journal of
Medicine 290: 1110-1116, 1974.
19. Remington JS, Mcleod R, Thulliez P, Desmonts G. Toxoplasmosis. In: Remington JS, Klein JO, editors. Infectious diseases in
the fetus and newborn infant. 5. ed. Philadelphia:W.B. Saunders Company. p.205 - 346, 2001.
20.Veronesi R. Doenças Infecciosas e Parasitárias. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. p.780-797, 1982.
21.Wilson CB, Remington JS, Stagno S. Development of adverse sequelae in children born with subclinical congenital toxoplasma
infection. Pediatrics 66 (5): 767-774, 1980.
22. Guerina NG, Hsu HW Meissner HC, Maguire JH, Linfield R, Stechenberg B, et al.. Neonatal serologic screening and early
treatment for congenital Toxoplama gondii infection: The New England Regional Toxoplasma Working Group. N. Engl J Med
330: 1858-1863, 1994.
23. Sáfadi MAP.Toxoplasmose. Pediatria Moderna 36 (1/2): 9-19, 2000.
24. De Vroede M, Dodion J, De Menter F, Piepsz A,Verougstraete C. Congenital toxoplasmosis: late appearance of retinal lesions
after treatment. Acta Pediatr Scand 68: 767-772, 1979.
25. Amato NV, Servolo MEA, Levi GC, Seixas DMI.Toxoplasmose. 4.ed. São Paulo: Sarvier, 1995.

102 NewsLab - edição 85 - 2007


26. Camargo ME.Toxoplasmose. In: Ferreira AW, Ávila SLM, editors. Diagnóstico laboratorial das principais doenças infecciosas
e auto-imunes. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p. 278-286, 2001.
27. Ferreira WA. Diagnóstico laboratorial das principais doenças infecciosas e auto-imunes. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan. p.278-288, 2001.
28. Boyer KM, Remington JS, MacLeod RL.Toxoplasmosis. In: Feigin and Cherry, editors.Textbook of Pediatric Infectious Diseases
Philadelphia:WB Saunders Company;. 2473-90, 1998.
29. Remington JS, Macleod R, Desmonts G. Toxoplasmosis. In: Remington JS, Klein J. Infectious diseases of the new-fetus and
born infant. 4. ed. Philadelphia:WB Saunders. p.140-267, 1995.
30. Contreras MD, Sandoval ML, Salinas P, Muñoz P, Vargas S. Utilidad diagnóstica de ELISA IgG/IgM/IgA y ELISA avidez de
IgG em toxoplasmosis reciente y crônica. Bol Chil. Parasitol 55(1/2): 1-10, 2000.
31. Jacobs L, Lunde M. A hemagglutination test for toxoplasmosis. J Parasitol. 43: 308-314, 1957.
32. Camargo ME, Moura MEG, Leser PG. Toxoplasmosis serology: an efficient hemaglutination procedure to detect IgG and
IgM antibodies. Rev Inst. Med.Trop 31: 279-285, 1989.
33. Camargo ME, Leser PG, Rocca A. Rheumatoid factors as a cause for false positive IgM anti-Toxoplasma fluorescents testes.
A technique for specific results. Rev Inst Med Trop São Paulo 14: 310 -313, 1972.
34. Desmonts G, Naot Y, Remington JS. Immunoglobulin M-immunsorbent agglutination assay for diagnosis of infectious disease:
diagnosis of acute congenital and acquired Toxoplasma infections. J Clin Microbiol 14: 486, 1981.
35. Camargo ME, Leser PG, Guarnieri DB, Rocca A. Padronização de testes sorológicos para toxoplasmose, problema urgente
da patologia clínica.Ver. Brás. Patol. Clin 13:1-5, 1977.
36. Manual de Instruções de Uso do Sistema VIDAS Toxo IgM, produzido por Bio-Merieux, S.A.; França, 1998.
37. Manual de Instruções de Uso do Sistema AXSYM Toxo IgG e IgM, produzido por Abbott Laboratories ; Estados Unidos,
2000.
38. Joynson DH, Payne RA, Rawal BK. Potencial role of IgG avidity for diagnosing toxoplasmosis. J Clin Pathol 43: 1032-1033,
1990.
39. Camargo ME, Silva SM, Leser PG, Granato CH.Avidez de anticorpos IgG específicos como marcadores de infecção primária
recente pelo Toxoplasma gondii.Ver Inst Med Trop São Paulo 33:213-218, 1991.
40. Chumpitazi BFP, Boussaid A, Pelloux H, et al.. Diagnosis of congenital toxoplasmosis by immunoblotting and relationship
with other methods. J. Clin. Microbiol 33: 1479-1485, 1995.
41. Hofflin JM, Remington JS. Tissue culture isolation of Toxoplasma from blood form a patient with AIDS. Arch Int Med; 145:
925-926, 1985.
42. Gross U, Roos T, Appoldt D, Heeseman J. Improved serological diagnosis of Toxoplasma gondii infection by detection of
immunoglobulin A (IgA) and IgM antibodies agains P30 by using the immunoblot technique. J Clin Microbiol 30 (6): 1436-
1441, 1992.
43. Decoster A, Darcy F, Caron A. Anti P30 IgA antibodies as prenatal markers of congenital toxoplasma infection. Clin. Exp.
Immunol 87: 310-315, 1992.
44.Wong SY, Remington JS. Biology of T. gondii. AIDS 7 (3): 299-316, 1993.
45. Stepick-Biek P, Thulliez P, Araujo FG et al. IgA antibodies for diagnosis of acute congenital and acquired toxoplasmosis. J.
Infect Dis 162: 270-273, 1990.
46. Pinon, JM,Thoanes H, Gruson N. An enzyme-linked immunofiltration assay used to compare and maternal antibody profiles
in toxoplasmosis. J Immunol Methods Paris 77: 15-23, 1985.

104 NewsLab - edição 85 - 2007

View publication stats