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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE DE LETRAS
LINGUÍSTICA III
PROFESSORA: Adriana Leitão Martins

AULA 3: LINGUAGEM E INATISMO

1. QUESTÃO CENTRAL

• Se os homens são parte do mundo natural, então a inteligência humana tem seu

escopo e limites determinados pelo desenho inicial.

• Fenômenos biológicos têm um programa. Organismos funcionam e se

desenvolvem numa direção determinada em grande extensão pelo pacote

genético.

2. TEORIAS SELETIVAS E INSTRUTIVAS DE AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM

• Teoria seletiva (Chomsky) x teoria instrutiva (Piaget)

 Teoria seletiva: nasce-se com uma predisposição à fala, selecionam-se os

sons da língua mãe e eliminam-se os demais.

 Teoria instrutiva: o meio oferece as instruções para o sistema nervoso, o

que caracteriza a não predisposição biológica.

• a. gatilho (genótipo → fenótipo)

 genótipo: composição genética total do indivíduo; conjuntos dos genes de

um indivíduo;

 fenótipo: características de um indivíduo determinadas pelo seu genótipo

e pelas condições ambientais.

b. dados linguísticos primários (gramática universal → gramática)

 GU: genoma específico (exclusivo) da linguagem; chama-se “universal”

porque, a partir dela, pode-se desenvolver uma língua qualquer.

Gramática Universal gramática particular

estímulos primários
• O objetivo é especificar aspectos relevantes do genótipo de uma criança tal que o

estado maduro particular deverá emergir quando a criança é exposta a uma certa

experiência.

• Os dados linguísticos primários são aqueles dados para os quais as crianças são

expostas.

• A teoria é seletiva no mesmo sentido que teorias correntes de imunologia e visão

são seletivas e não instrutivas (formação de anticorpos é vista por Jerne como um

processo seletivo na medida em que um antígeno seleciona e amplifica anticorpos

específicos, que já existem).

• Nas formulações correntes da teoria gramatical, o genótipo linguístico, a

gramática universal, consiste de princípios e parâmetros que são fixados por

algum ambiente linguístico, da mesma maneira que alguns receptores são fixados

sob exposição para linhas horizontais. Sendo assim, o ambiente seleciona valores

particulares para os parâmetros da gramática universal.

3. EVIDÊNCIAS EM FAVOR DO INATISMO

3.1. O argumento da pobreza do estímulo

• O falante de uma língua conhece fatos a seu respeito que não aparecem nos

dados, como, por exemplo, o conhecimento de categorias vazias.

⇒ I want to go.

⇒ I wanna go.

⇒ Who do you want to see?

⇒ Who do you wanna see?

⇒ Who do you want to feed the dog?

⇒ *Who do you wanna feed the dog?


• Outro tipo de conhecimento que o falante possui que não pode ser imediatamente

inferido dos dados ou explicado através de qualquer processo consciente de

aprendizado é o conhecimento de sintagmas abstratos. Este tipo de conhecimento

fica claro quando da formação de sentenças interrogativas.

⇒ O homem está aqui.

⇒ Está o homem aqui?

⇒ O homem irá embora.

⇒ Irá o homem embora?

⇒ O homem que está aqui é alto.

⇒ *Está o homem que aqui é alto?

3.2. Degeneração dos dados

• Os dados que as crianças ouvem nem sempre são perfeitos, no sentido que os

falantes mudam de idéias no meio da frase e cometem vários tipos de hesitação.

3.3. Ausência de evidência negativa

• Um terceiro tipo de evidência em favor do inatismo é o fato de as crianças em

fase de aquisição de linguagem não receberem informações sobre a

gramaticalidade das sentenças.

⇒ Criança: Nobody don’t like me.

Mãe: No, say “nobody likes me”

Criança: Nobody don’t like me

(Oito repetições deste diálogo)

Mãe: No, now listen carefully, say “nobody likes me”

Criança: Oh, nobody don’t likes me.


Independentemente da variação em background e inteligência, a capacidade

linguística emerge de uma maneira absolutamente uniforme, em alguns anos e sem

qualquer esforço aparente.

⇒ OBS: Entendendo que na GU há duas possibilidades paramétricas (uma ainda a ser

fixada), tanto de “realização fonética do sujeito” (+sujeito), quanto de “apagamento

fonético do sujeito” (-sujeito), assume-se que a criança parta da hipótese de que em

sua língua o sujeito deve ser foneticamente realizado. Há ausência de evidência

negativa porque a criança em fase de aquisição parte da “língua menor” para a

“língua maior”. Se fosse o contrário, a criança precisaria de evidência negativa para

eliminar uma possibilidade.

+sujeito
+sujeito
-sujeito

4. A DISTINÇÃO COMPETÊNCIA-DESEMPENHO

• A competência como o sistema de conhecimento representado na mente.

• O objeto de estudo da linguística gerativa: competência.