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AULA 03.

1 – IMUNO
ANTICORPO E ATIVAÇÃO CELULAR
Os anticorpos são proteínas circulantes produzidas pelos vertebrados em resposta à exposição a estruturas não
próprias, os antígenos. O nome anticorpo foi cunhado devido ao tratamento eficaz da difteria por Emil Von
Behring e Shibasaburo Kitasato em 1890, quando o soro de animais imunizados estabeleceu o papel protetor
das proteínas circulantes.
Os anticorpos, as moléculas
do complexo principal de
histocompatibilidade e os
receptores de antígenos dos
linfócitos T são as três
classes de moléculas usadas
pelo sistema imune
adaptativo para ligação a
antígenos; sendo que os
anticorpos foram os
primeiros a serem
elucidados.
Os anticorpos podem existir
em duas formas:
1. Ligados a proteínas
de superfície de linfócitos B, atuando como receptores de antígenos.
2. Secretados que residem na circulação, nos tecidos e das mucosas, onde
neutralizam toxinas, impedem a entrada e a disseminação de patógenos e
eliminam micro-organismos.
Os linfócitos B são as únicas células que sintetizam moléculas de anticorpos. Após a exposição a um antígeno,
as células B se diferenciam em plasmócitos que secretam anticorpos. Uma célula B gera aproximadamente
4000 plasmócitos, produzindo cerca de 10^9 moléculas de anticorpo/dia.
Ativação das células B: Ativação de
células é iniciada pelo reconhecimento
específico de antígenos por receptores IgM
ou IgD de superfície das células B naive.
Antígenos e outros estímulos, incluindo as
células T auxiliares, estimulam a
proliferação e diferenciação do clone de
células B específicas. A população clonal
expandida pode produzir isótipos IgM e
outras Ig (Ex: IgG), pode sofrer maturação
de afinidade, ou pode continuar como
células de memória.

O tipo e a quantidade anticorpo produzido


variam de acordo com o tipo de antígenos, o envolvimento de células T o histórico prévio de exposição aos
antígenos e o sítio anatômico onde ocorre a ativação. As respostas de anticorpo contra antígenos proteicos
necessitam que os antígenos sejam expressamente reconhecidos e internalizado pelas células B e que um
fragmento de peptídeo da proteína internalizada seja apresentado aos linfócitos T CD4 auxiliares que, por sua
vez, ativarão essas células B.

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As respostas de anticorpo a antígenos não proteicos multivalentes com determinantes que se repetem como
polissacarídeos, lipídeos, não necessitam de linfócitos auxiliares específicos para o antígeno, pois trata-se de
respostas timo-independentes.
Algumas progênies das células B ativadas são plasmócitos
secretores de anticorpos de vida longa que continuam a
produzir anticorpos por meses ou anos, e outras são células
de memória de vida longa, resposta timo-dependentes.
A mudança de isótipos de cadeia pesada e maturação da
afinidade são tipicamente vistos nas respostas imunes
humorais dependentes de células T auxiliares a antígenos
proteicos, pois o ligante CD40 das CTh induzem a
mudança da cadeia pesada da imunoglobulina das células
B.
As respostas de anticorpos primários e secundários aos
antígenos proteicos diferem quantitativamente e
qualitativamente. E subgrupos distintos de células B
respondem preferencialmente a diferentes tipos de
antígenos.

As células B foliculares nos órgãos linfoides


periféricos montam principalmente respostas
de anticorpos a antígenos proteicos que
necessitam da colaboração de células T
auxiliares. As células b da zona marginal do
baço e outros tecidos linfoides reconhecem
antígenos multivalentes, como
polissacarídeo, e montam principalmente
respostas de anticorpos independentes de
células T. As células B-1 medeiam grande
partes das respostas independentes de células
T, mas em tecidos de mucosa e peritônio.
Reconhecimento dos antígenos: A ativação dos linfócitos B específicos para o
antígeno inicia-se pela ligação do antígeno às moléculas de Ig da membrana, as
quais, em conjunto com as proteínas associadas Igα e Igβ, formam o complexo do
receptor de antígenos de células B maduras. Igα e Igβ associadas às
imunoglobulinas de cadeias pesadas destinadas para a membrana da célula
permitem seu transporte para a superfície da membrana, assegurando, dessa forma,
que somente o complexo do receptor de célula B completo esteja presente na célula.
Uma cópia de um motivo de sequência conservada, chamado de motivo ativador
com base no imunorreceptor de tirosina (ITAM), está presente em cada cadeia Igα
e Igβ e é essencial para a capacidade de sinalização dos receptores. Os ITAMs
contêm resíduos de tirosina que são fosforilados por quinases associadas quando os
receptores se ligam aos seus ligantes, criando sítios para o recrutamento de proteínas
sinalizadoras.

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Os receptores de antígenos de linfócitos são receptores associados à tirosina
quinases e, a maior parte dos receptores deste tipo tornam-se ativados
quando duas ou mais proteínas receptoras se agregam, como o resultado da
ligação do ligante. No caso do receptor da célula B, a ligação de um antígeno
monovalente a um único complexo de receptor não produzirá um sinal. A
sinalização é iniciada somente quando dois ou mais receptores são ligados
juntos, ou com ligação cruzada, por um antígeno multivalente. Isto foi
demonstrado primeiramente com os experimentos utilizando anticorpos
específicos e fragmentos de anticorpos como ligantes para o receptor. O
agrupamento dos receptores de células B causado pela ligação-cruzada
promove a ativação de suas tirosinas quinases associadas à geração de um
sinal intracelular.
Ligações cruzadas: eventos celulares distintos são induzidos pela ligação cruzada do complexo BCR mediada
por tipos diferentes de antígenos: antígenos multivalentes
iniciam a proliferação e a diferenciação das células B, e
antígenos proteicos preparam as células B para interações
subsequentes com células T auxiliares.
A importância da sinalização do complexo BCR pode variar
de acordo com a natureza do antígeno
 Antígenos T-independes (Polissacarídeos e lipídios) exibe
múltiplos epítopos idênticos que, portanto, promovem a
ligação cruzada de muito mais receptores antigênicos de
células B de maneira mais eficaz e iniciam respostas, mesmo
que não sejam reconhecidos pelos linfócitos T auxiliares.
 Antígenos T-dependentes (proteínas globulares) tem
apenas uma cópia de cada epítopo por molécula, portanto,
não exibem suficientes sinais que podem levar a proliferação
e diferenciação das células B., entretanto, esses antígenos de
proteínas podem ser internalizados, processados e
apresentados às células T auxiliares, que são, por sua vez, estimuladores potentes da proliferação e
diferenciação dos linfócitos B.
Ativação de células B e apresentação de antígenos: As células B que foram ativadas por células T auxiliares
na borda de um folículo primário migram para o folículo e proliferam, formando uma zona escura do centro
germinal. Células B presentes nos centros germinativos sofrem extensas mudanças de isótipos. A
hipermutação somática de genes V da Ig ocorre nessas células B, e elas migram para a zona clara, onde
encontram células dendríticas foliculares exibindo antígeno e células Tfm. As células B com maior afinidade
aos receptores IG são selecionadas positivamente e elas se diferenciam em células B secretoras de anticorpo
ou células de memória. As células secretoras de anticorpos saem e residem na medula óssea como plasmócitos
de longa vida, e as células B de memória entram no conjunto de células em recirculação.
Ativação da célula B e apresentação de antígeno: Os antígenos proteicos ligados à Ig de membrana são
endocitados e processados, e fragmentos de peptídeos são apresentados em associação com moléculas de

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MHC classe II. As células T auxiliares que anteriormente eram ativadas por células
dendríticas reconhecem os complexos MHC peptídeo nas células B e, em seguida,
estimulam respostas de células B através da liberação de citocinas. As células B
ativadas também expressam coestimuladores que melhoram as respostas T
auxiliares. Em resposta ao Hapteno-carreador, a proteína é conjugada a uma
hapteno (epítopo de célula B) e é internalizada por uma célula B específica ao
hapteno, que processa o antígeno e apresenta o peptídeo linear
(epítopo de célula T, também conhecido como o determinante de
carreador) em moléculas MHC de classe II a uma célula T auxiliar
ativada.
Efeito hapteno carreador: O princípio de colaboração entre células
B-T é chamado de efeito hapteno-carreador. Os haptenos são
pequenas moléculas que podem ser reconhecidas por anticorpos
específicos podem não desencadeiam uma resposta imune caso não esteja
conjugados com uma proteína que servem como carreadores. São características dessa resposta:
1) Essa resposta requer células B específicas para o hapteno e células T específicas para as proteínas
(carreador).
2) Para estimular a resposta hapteno e proteínas precisam estar conjugados, ou seja, fisicamente ligados.
3) A interação B-T é restrita aos linfócitos B que apresentam moléculas de MHC II idênticos aos que as
células dendríticas sensibilizaram as células T.
Assim, os dois linfócitos que cooperam reconhecem epítopos diferentes do mesmo antígeno complexo.
Analogamente, nas respostas humorais um determinante conformacional é análogo ao hapteno, enquanto o
outro epítopo na forma de um peptídeo linear associado a MHC II é análogo ao carreador. O efeito hapteno-
carreador é a base para o desenvolvimento de vacinas conjugadas.
Função do CD40: CD40 é um membro da família do receptor TNF dos receptores das citocinas e está
envolvido na ativação de fases importantes da resposta das células B, como proliferação das células B, troca
de classe das imunoglobulinas e hipermutação somática. A ligação do CD40 pelo seu ligante de CD40 ajuda
a direcionar a célula B em repouso para o ciclo celular e é essencial às
respostas da célula B aos antígenos timo-dependentes. Essa ligação também
leva a célula B a aumentar sua expressão de moléculas coestimuladoras,
especialmente aquelas da família B7. Essas, por sua vez, fornecem sinais
importantes que sustentam o crescimento e a diferenciação das células T,
aumentando, assim, a interação mútua entre células T e B.
Dois tipos de eventos de diferenciação podem ocorrer: 1) a formação de focos
extrafoliculares pela ativação de célula B extrafolicular, mudança de isótipo, 1 A célula de cima é T e a de baixo é B.
mutação somática limitada, plasmócitos de vida curta. 2) indução de uma
reação de células B de centros germinativos, mudança de isótipo, maturidade de afinidade, plasmócitos de
longa vida, células de memória.
Ativação de linfócitos B – Antígeno T-dependente: As respostas de anticorpo aos antígenos proteicos
requerem o auxílio das células T antígeno-específicas. Esses antígenos são incapazes de induzir as respostas
de anticorpos em animais ou humanos que não têm células T, e, portanto, são conhecidos como antígenos
timo-dependentes ou antígenos TD. Para receber ajuda das células T auxiliares, a célula B deve estar
apresentando o antígeno na sua superfície de maneira que a célula T possa reconhecê-lo. Isso ocorre quando
o antígeno ligado pela imunoglobulina da superfície em uma célula B é internalizado e devolvido à superfície
da célula como peptídeo ligado a moléculas do MHC de classe II. As células T auxiliares que reconhecem o

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complexo peptídeo:MHC enviam, então, sinais ativadores para a célula B. Quando uma célula T auxiliar
ativada reconhece e liga um complexo peptídeo:MHC de classe II na superfície da célula B, ela induz a célula
B a proliferar e a diferenciar-se em células plasmáticas produtoras de
anticorpos. Esta necessidade pela célula T ajuda no sentido de que antes que
uma célula B possa ser induzida a produzir anticorpos contra as proteínas de
um patógeno infeccioso, as células T CD4 específicas para peptídeos desse
patógeno devem ser ativadas para produzir células T auxiliares. Isto ocorre
quando as células T virgens interagem com células dendríticas que apresentam
os peptídeos apropriados.
Ativação de linfócitos B – Antígeno T-independente: propriedades especiais
de alguns polissacarídeos bacterianos, proteínas poliméricas e
lipopolissacarídeos, que lhes permitem estimularas células B virgens na ausência
do auxílio das células T. Esses antígenos são conhecidos como antígenos timo-
independentes (antígenos TI), pois estimulam fortes respostas de anticorpos em
indivíduos atímicos. Esses produtos bacterianos não-proteicos não podem induzir
respostas clássicas de células T; contudo, eles podem estimular respostas de
anticorpos em indivíduos normais. Geralmente, não induzem memória
imunológica.
Os antígenos timo-independentes enquadram-se em duas classes, que ativam as células B por dois mecanismos
diferentes. Os antígenos TI-1 possuem uma atividade intrínseca que pode induzir diretamente a divisão de
células B. Em altas concentrações, essas moléculas causam a proliferação e a diferenciação da maioria das
células B, independentemente de sua especificidade ao antígeno; isso é conhecido como ativação policlonal.
Como resultado, os antígenos TI-1 frequentemente são denominados mitógenos das células B, um mitógeno
sendo uma substância que induz as células a sofrerem mitose. Um exemplo de mitógeno de células B e
antígeno TI-1 é o LPS.
A segunda classe de antígenos timo-independentes consiste em moléculas como os polissacarídeos capsulares
bacterianos, que possuem estruturas altamente repetitivas. Esses antígenos timo-independentes, denominados
antígenos TI-2, não têm a atividade estimulante intrínseca das células B. Enquanto os antígenos TI-1 podem
ativar ambas as células B imaturas e maduras, os antígenos TI-2 somente podem ativar as células B maduras;
as células B imaturas, são inativadas por epítopos repetitivos. Os lactentes não produzem anticorpos contra os
antígenos polissacarídicos eficientemente
e isto pode ser porque a maioria de suas
células B é imatura.

2Resumo

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Estrutura do anticorpo: As moléculas de anticorpos possuem uma forma de Y e
consistem em três segmentos de igual tamanho, conectados por uma porção flexível.
As três formas esquemáticas da estrutura do anticorpo, que foram determinadas por
cristalografia por raios X.
Cada molécula de imuno globulina é formada por duas cadeias pesadas (verde) e duas
cadeias leves (amarelo), unidas por pontes dissulfídricas, de modo que cada cadeia
pesada se liga a uma cadeia leve, e as duas cadeias pesadas se ligam entre si.
Dois tipos de cadeias leves, denominadas lambda (λ) e kappa (κ), são encontradas nos anticorpos. Uma
determinada imunoglobulina apresenta sempre ambas as cadeias λ e κ, nunca uma
de cada. Nenhuma diferença funcional foi encontrada entre anticorpos com cadeia
leves λ e κ, e ambos os tipos de cadeia leve podem ser encontradas em anticorpos
de qualquer uma das cinco classes principais.
A classe de um anticorpo e consequentemente sua função é definida pela estrutura
de sua cadeia pesada. Existem cinco principais classes de cadeias pesadas ou
isotipos, alguns dos quais têm diversos subtipos e esses determinam a atividade
funcional da molécula de anticorpo. As cinco principais classes de imunoglobulinas
são imunoglobulina M (IgM), imunoglobulina D (IgD), imunoglobulina G (IgG),
imunoglobulina A (IgA) e imunoglobulina E (IgE).
Primeiro, cada cadeia consiste em uma série de similares, embora não-idênticas, sequências com cerca de 110
aminoácidos de comprimento. Cada uma dessas repetições corresponde a uma
discreta região compacta dobrada na estrutura da proteína, conhecida como
domínio proteico.
A segunda característica importante revelada pela comparação de sequências de
aminoácidos refere-se ao fato de que a sequência aminoterminal das cadeias
pesadas e leves varia muito entre os diferentes anticorpos. A variabilidade da
sequência é limitada aos primeiros 110 aminoácidos aproximadamente,
correspondendo ao primeiro domínio, e os domínios restantes são constantes
entre as cadeias de imunoglobulina com mesmo isotipo. Os domínios variáveis
aminoterminais (domínio V) das cadeias pesada e leve (VH e VL,
respectivamente), juntos, formam a região V do anticorpo e conferem sua
capacidade de ligar-se a antígenos específicos, ao passo que os domínios constantes (domínio C) das cadeias
pesadas e leves (CH e CL, respectivamente) formam a região C. Os múltiplos domínios C da cadeia pesada
são numerados a partir da porção aminoterminal em direção à carboxiterminal, por exemplo, CH1, CH2, e
assim por diante.
Fragmentos e funções: Os domínios proteicos descritos se associam para formar grandes domínios
globulares. Portanto, quando totalmente dobrada e unida, uma molécula de anticorpo compreende três
(amarelo, roxo e rosa) porções globulares de igual tamanho, unidas por uma porção flexível da cadeia
polipeptídica, conhecida como região da dobradiça. Cada braço do Y é formado pela associação de uma cadeia
leve com a metade aminoterminal de uma cadeia pesada; o tronco do Y é formado pelo pareamento das
metades carboxiterminais das duas cadeias pesadas. A associação das cadeias pesadas e leves é tal que os
domínios VH e VL são pareados, assim como os domínios CH1 e CL. O domínio CH3 pareia com cada um

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dos outros, mas o domínio CH2 situa-se entre as duas cadeias
pesadas. Os dois sítios de ligação com o antígeno são
formados pelo pareamento dos domínios VH e VL na
extremidade dos dois braços do Y
A papaína cliva a molécula de imunoglobulina em três
partes, dois fragmentos Fab e um fragmento Fc. O
fragmento Fab contém as regiões V que se ligam ao antígeno.
O fragmento Fc é cristalizável e contém as regiões C. A
pepsina cliva a imunoglobulina, produzindo um fragmento
F(ab )2 e muitos fragmentos pequenos Fc, sendo o maior
chamado de fragmento pFc . F(ab )2 é escrito com um
apóstrofo porque contém alguns aminoácidos a mais que o
Fab, incluindo as cisteínas que formam as ligações
dissulfídricas. A região da dobradiça que liga as porções Fc
e Fab da molécula de anticorpo é uma região flexível,
permitindo movimentos independentes dos dois braços Fab.
Regiões hipervariáveis: As regiões V de uma determinada
molécula de anticorpo diferem de qualquer outra molécula de anticorpo. A variabilidade da sequência não é,
entretanto, distribuída uniformemente por toda a região V, mas está concentrada em determinados segmentos,
como pode ser visto claramente no chamado diagrama de variabilidade, onde são comparadas as sequências
de aminoácidos das regiões V de muitos anticorpos diferentes. Essas são designadas regiões hipervariáveis e
são chamadas de HV1, HV2 e HV3. A porção mais variável
do domínio está na região HV3. As regiões localizadas entre
as regiões hipervariáveis, o que compreende o restante do
domínio V, apresentam uma menor variabilidade e são
denominadas regiões estruturais. Existem quatro dessas
regiões em cada domínio V, denominadas FR1, FR2, FR3 e
FR4. As regiões estruturais formam as folhas Beta.
Organização genômica das Ig: A região V, ou o domínio
V, de uma cadeia leve ou pesada de imunoglobulina é
codificada por mais de um segmento gênico. Na cadeia leve, cada domínio V é codificado por dois segmentos
de DNA separados. O primeiro segmento codifica os primeiros 95-101 aminoácidos, a maior parte do domínio,
e recebe a denominação segmento gênico V, ou variável. O segundo segmento de DNA codifica o restante do
domínio (até 13 aminoácidos) e é denominado junção ou segmento gênico J.
As regiões V da cadeia pesada são codificadas por três segmentos gênicos. Além dos segmentos gênicos V e
J (denominados VH e JH, a fim de diferenciá-los dos segmentos gênicos das cadeias leves VL e JL), há um
terceiro segmento gênico chamado de segmento de diversidade ou segmento gênico DH, que se localiza entre
os segmentos gênicos VH e JH.
(Acompanhar com a imagem abaixo durante a leitura). Os genes das regiões V de cadeia leve são formados
por dois segmentos (quadro central). Os segmentos gênicos variáveis (V) e de junção (J) no DNA genômico
são reunidos para formar um éxon completo da região V de cadeia leve. As cadeias de imunoglobulinas são
proteínas extracelulares, e o segmento V é precedido por um éxon que codifica para o peptídeo líder (L), o
qual direciona a proteína para a via secretora celular e é, então, clivado. A região C de cadeia leve é codificada
em um éxon separado e ligado ao éxon da região V, pelo processamento do RNA de cadeia leve, para remover

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os íntrons L a V e J a C. As regiões
V de cadeia pesada são formadas por
três segmentos gênicos (quadro à
direita). Primeiro, ligam-se os genes
de diversidade (D) e de junção, e,
então, o segmento do gene V liga-se
à sequência D-J combinada,
formando um éxon VH completo.
Os genes das regiões C de cadeia
pesada são codificados por vários
éxons. Os éxons da região C,
juntamente com a sequência líder,
são processados em uma sequência
de domínio V durante o
processamento do transcrito de
RNA de cadeia pesada. A sequência
líder é removida após a tradução, e
são formadas as pontes
dissulfídricas.
Número de segmentos nos genes das Igs: Esses números são derivados da
clonagem e do sequenciamento exaustivos do DNA de um indivíduo e excluem
todos os pseudogenes (versões mutadas e não funcionais de uma sequência gênica).
Devido ao polimorfismo genético, os números não serão os mesmos em todos os
humanos.
Forças de atração antígeno-
anticorpo:
A interação entre um anticorpo e
seu antígeno pode ser rompida por
altas concentrações de sal, pH extremo, detergentes e, algumas
vezes, por competição com altas concentrações do próprio
epítopo puro. A ligação é, portanto, uma interação não-
covalente reversível. As forças ou pontes envolvidas nessas
interações não-covalentes estão esquematizadas ao lado.
Isótipos de imunoglobulinas: As imunoglobulinas são constituídas por várias classes diferentes, as quais são
distinguidas por sua cadeia pesada. Diferentes cadeias pesadas são produzidas em um determinado clone de
células B pela ligação de diferentes regiões C de cadeia pesada (CH) ao gene VH rearranjado. Assim, todas
as classes de imunoglobulinas produzidas por um clone de células B possuem a mesma região V. No lócus de
cadeias pesadas, as diferentes regiões C são codificadas em genes separados localizados após os segmentos
da região V. Inicialmente, as células B virgens usam somente os primeiros dois genes, o Cμ e o Cδ, os quais
são expressos juntamente com uma sequência de região V já unida associada a eles para produzir IgM ou IgD
de transmembrana na superfície das células B virgens.
As cinco principais classes de imunoglobulinas são IgM, IgD, IgG, IgE e IgA e todas podem ocorrer como
receptores de antígeno transmembrana ou como anticorpos secretados. Em seres humanos, anticorpos IgG
podem ser subdivididos em quatro subclasses (IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4), ao passo que os anticorpos IgA são
encontrados como duas subclasses (IgA1 e IgA2). As subclasses IgG no homem são nomeadas na ordem de
abundância no soro, sendo a IgG1 a mais abundante.

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IgM é assim chamada devido ao seu tamanho:
embora a IgM monomérica tenha somente 190 kDa,
ela normalmente forma pentâmeros, conhecidos
como macroglobulinas (daí o M), de grande peso
molecular (aumento da avidez da interação Ag/Ac).
A IgA dimeriza para gerar um peso molecular de
aproximadamente 390 kDa nas secreções. O
anticorpo IgE é associado à hipersensibilidade do
tipo imediata. Quando fixada a mastócitos
tissulares, a IgE tem uma meia-vida muito mais
IgG1
VÍRUS E BACTÉRIAS; longa do que sua meia-vida no plasma mostrada aqui.
Th2

POLISSACARÍDEOS; Diferenças na sequência entre as cadeias pesadas de


IgG2
imunoglobulinas fazem com que os vários isotipos sejam diferentes
IgG

Th1
VÍRUS E BACTÉRIAS; com respeito a várias características. Estas incluem o número e a
IgG3
TH1 localização das pontes dissulfídricas intercadeias, o número de
IgG4 TH2
moléculas de oligossacarídeos ligadas, o número de domínios C e o
tamanho da região da dobradiça. A IgM e IgE não apresentam
dobradiça, o que implica na sua falta de flexibilidade.

Função dos isótipos:


 IgM: A resposta de anticorpos dependente de células T inicia com a secreção de
IgM, porém avança rapidamente para a produção de classes de anticorpos
adicionais. Cada classe é especializada tanto em sua localização no corpo quanto
nas funções que pode realizar. Os anticorpos IgM são encontrados principalmente
no sangue (transferência placentária); eles possuem uma estrutura pentamérica.
IgM é especializado em ativar o complemento eficientemente após a ligação ao
antígeno e em compensar pela baixa afinidade de um sítio de ligação ao antígeno
típico de IgM.
 IgG: Os anticorpos IgG são, em geral, de afinidade maior, sendo encontrados no
sangue e no líquido extracelular, onde podem neutralizar toxinas, vírus e bactérias,
opsonizá-los para fagocitose e ativar o sistema do complemento.
 IgA: Os anticorpos IgA são sintetizados como monômeros, que penetram no
sangue e em líquidos extracelulares, ou como moléculas diméricas pelas células plasmáticas na lâmina
própria de vários tecidos de mucosa. Os dímeros de IgA são, então, transportados seletivamente através
da camada epitelial para locais como a luz do intestino, onde neutralizam toxinas e vírus e bloqueiam
a entrada de bactérias através do epitélio intestinal.

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 IgE: A maioria dos anticorpos IgE está ligada à superfície de mastócitos, que se localizam,
principalmente, logo abaixo das superfícies corporais; a ligação do antígeno à IgE desencadeia reações
de defesa locais. Os anticorpos podem defender o corpo contra patógenos extracelulares e seus
produtos tóxicos de diversas formas. A mais simples é
pela interação direta com os patógenos ou seus produtos,
por exemplo, pela ligação ao sítio ativo das toxinas e sua
neutralização, ou pelo bloqueio da sua habilidade de
ligar-se às células do hospedeiro através de receptores
específicos.
Quando anticorpos do isotipo apropriado se ligam a
antígenos, eles podem ativar a via clássica do
complemento, que resulta na eliminação do patógeno por
meio de vários mecanismos. Complexos imunes solúveis
de antígenos e anticorpos também fixam o complemento
e são eliminados da circulação por meio de receptores
para o complemento, presentes nas células vermelhas do
sangue.
Resposta primária x
secundária: As
características da memória imunológica são facilmente observadas
comparando- se a resposta de anticorpos de um indivíduo a uma primeira
imunização com a mesma resposta produzida no mesmo indivíduo por uma
segunda imunização ou reforço com o mesmo antígeno. A resposta
secundária de anticorpo ocorre após uma pequena fase refratária,
alcançando um nível superior acentuado, e produz anticorpos de altíssima
afinidade, ou força de ligação, para o antígeno. A afinidade aumentada para
o antígeno é chamada maturação da afinidade e é o resultado de eventos
que selecionam receptores de células B e, portanto, os anticorpos, para afinidade progressivamente mais
acentuada para o antígeno durante a resposta imune. Na maturação por afinidade ocorrem mutações da região
V do anticorpo que aumentam a afinidade para o antígeno.
Atividades biológicas da Imunoglobulinas:
 Receptor de linfócitos B: As moléculas de reconhecimento de antígenos das células B são as
imunoglobulinas (Ig). Estas proteínas são produzidas pelas células B com uma ampla variedade de
especificidade a antígenos, onde cada célula B produz uma imunoglobulina de especificidade única.
As imunoglobulinas ligadas à membrana das células B atuam como receptores celulares para antígenos
e são chamadas de receptores de células B (BCR).
 Neutralização: A figura mostra os anticorpos ligando e neutralizando toxinas bacterianas, impedindo
sua interação com as células do hospedeiro e a doença. As toxinas não-ligadas podem reagir com os
receptores das células do hospedeiro, enquanto os complexos toxinas:anticorpos não.
 Opsonização: Os anticorpos também neutralizam partículas virais completas e células bacterianas
ligando-se a elas e inativando-as. Os complexos antígeno:anticorpo são eventualmente eliminados e
degradados pelos macrófagos. Os anticorpos que recobrem os antígenos os tornam reconhecíveis como
estranhos pelos fagócitos (macrófagos e neutrófilos), que os ingerem e destroem, processo denominado
de opsonização.
 Ativação do complemento: Os anticorpos ligados formam um receptor para a primeira proteína do
sistema do complemento, o qual eventualmente forma um complexo proteico na superfície da célula
bacteriana que, em alguns casos, pode matá-la diretamente. Em geral, o recobrimento pelo

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complemento favorece a ingestão e a destruição da bactéria pelos fagócitos. Assim, os anticorpos
sinalizam os patógenos e seus produtos tóxicos para eliminação pelos fagócitos.
 Citotoxicidade celular dependente de anticorpo: é o processo onde o receptor Fc das células NK
liga-se aos anticorpos IgG ligados as células e o resultado é a lise das células revestidas de anticorpo.
O FcγRIII é um receptor de baixa afinidade que se liga as moléculas de IgG agregadas a superfície
celular causando a CCDA. Ele age ativando as células NK para sintetizarem e secretarem citocinas,
tais quais IFN-γ e descarregarem o conteúdo dos seus grânulos que são mediadores da função
citotóxica desse tipo de célula, isso pode ser facilmente demonstrado in vitro, mas seu papel na defesa
do corpo não está definitivamente definido.

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