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1.

Uma breve introdução

Os Transtornos da Personalidade (TPs) são diversos estados e tipos de


comportamento clinicamente significativos que tendem a persistir e são a expressão
característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer relações
consigo próprio e com os outros.

Fernando Portela Câmara afirma que:

estão a meio caminho entre a normalidade e a doença


mental. Neste último século e meio foram denominados
de psicopatia, degeneração moral, loucura sem delírio,
etc, para especificar uma alteração permanente no
padrão afetivo e volitivo sem afetar o juízo da realidade.

A personalidade é o que forma o adulto em sintonia com a norma cultural, social


e ética no meio em que vive. Ivanor Velloso Meira Lima e Homero Pinto Vallada Filho,
em Transtornos da Personalidade (Porto Alegre, Artmed. 2011.), dispõem que a
personalidade pode ser “definida como um conjunto de comportamentos relativamente
estáveis que caracterizam determinado indivíduo”. Já Débora Pastore Bassitt e Mário
Rodrigues Louzã Neto apontam que “o conceito de personalidade envolvem
características que individualizam uma pessoa, presentes desde a infância e adolescência,
permanecendo imutáveis ao longo da vida.”

Nos casos em que o indivíduo é portador de algum tipo de transtorno, o


desenvolvimento da personalidade se fixa em algum padrão anormal.

Continuam Ivanor Lima e Homero Filho:

Os transtornos da personalidade refletem, portanto,


traços anômalos duradouros e persistentes e não
situações transitórias de alteração do funcionamento
psíquico que mais tarde mostram remissões e
recorrências.

Débora Bassitt e Mário Louzã Neto entendem que os TPs constituem o modo
habitual de ser do indivíduo.
A distinção entre personalidade normal e anormal costuma ser difícil e há uma
tendência em se considerar as variações dimensionais e quantitativas dos traços
considerados dentro da linha de normalidade para diagnosticar um indivíduo com
desenvolvimento anômalo de personalidade.

O conceito de transtorno de personalidade tem sido trabalhado desde o século


XIX. Diferenças conceituais e
conveniências práticas levaram a
American Psychiatric Association
(APA) e a Organização Mundial de
Saúde (OMS) a adotar cada qual sua
classificação, quais sejam e
respectivamente: a DSM – V e a CID –
10.

No primeiro, os TPs são definidos como um padrão persistente de experiência


intima ou do comportamento, que se desvia acentuada das expectativas de cultura do
indivíduo, manifestando-se em
pelo menos duas das seguintes
áreas: cognição, afetividade,
funcionamento interpessoal e
controle dos impulsos. Já na CID-
10, seguinte a linha adotada na
APA, conceitua-os como
transtornos graves na constituição
caracterológica e nas tendências
comportamentais.

Marco Aurélio Monteiro Peluso e Laura Helena Silveira Guerra de Andrade


apontam que:
As duas classificações atuais, CID-10 e DSM-IV,
baseiam-se em critérios descritivos, apresentando os
traços de personalidade e os tipos de comportamento
que supostamente caracterizam cada um dos tipos de
TPs. Tais critérios, com base, por sua vez, em fontes
diversas (p.ex. a psicanálise, no caso das TPs histriônica
e obsessiva; e a sociologia, no antissocial), foram
elaborados em consenso por grupo de especialistas que,
apesar de esforçarem em busca de uma uniformização,
nem sempre estão de acordo.

Em verdade, foram razões que conveniência e praticabilidade que levaram a


classificações divergentes. Essencialmente, ambos não apresentam grandes
divergências, por exemplo, uma das exceções mais importantes é o transtorno de
personalidade esquizotípica, que na CID-10 é classificado junto aos transtornos do
espectro da esquizofrenia e no DSM-IV, junto aos transtornos da personalidade.

2. Causas dos TPs

A doutrina especializada não se sente confortável em indicar uma causa determinante


dos TPs. Consoante lição de Débora Bassitt e Mário Louzã Neto, fatores genéticos,
constitucionais, biológicos, ambientais e culturais têm suscitados hipóteses causais. Um
dos modelos possíveis, aponta que o desenvolvimento de TPs envolveria uma iteração
entre suscetibilidade herdada e fatores ambientais.

Os fatores genéticos é o mais investigado. Um estudo americano com 15.000 pares


de gêmeos mostrou que a concordância para TPs foi muitas vezes maior para os
monozigóticos que para os dizigóticos. Aponta Louzã Neto e Bassitt que em estudo
realizado em 234 parentes de primeiro grau de 94 portadores de esquizofrenia e
encontrou-se prevalência de 1,3 a 3,4% de transtornos de personalidade esquizoide, 2,6 a
4,7% de transtornos esquizotípico e 3,4 a 8,6% de transtorno de personalidade paranoide.

No tocante a fatores ambientais, constatou-se que a maior presença de pais biológicos


antissociais levou os pesquisadores a sugerir que tais comportamentos dar-se-iam por
imitação.
3. Prevalência dos TPs

Marcos Peluso e Laura de Andrade


afirmam que a prevalência dos TPs foi
abordada em poucos estudos com uma
metodologia adequada, baseada em dados
clínicos, por exemplo. Em geral, as
estimativas estruturam-se em dados da
amostra estudada para a população em geral.
Somente seis estudos, prosseguem os
autores, estariam fundamentados em dados
clínicos rigorosos e não de pacientes
retirados de maneira probabilística da
população.

Os estudos estão baseados na


classificação adotada na DSM, da Amerian
Psychiatric Association (APA) e apontam
uma prevalência das TPs em
aproximadamente 10% da população.

Os dados estão sintetizados no quadro ao lado.

4. Transtornos de personalidade em espécie: narcisista


A APA conceitua o transtorno de personalidade narcisista como padrão invasivo de
grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da
idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.

O DSM-IV não apresenta uma causa determinante do surgimento desse TPs. Como
mencionado anteriormente, uma variedade de fatores podem conduzir ao
desenvolvimento anômalo da personalidade. Portanto, trata-se de transtorno com causas
múltiplas, relacionadas, muitas vezes, às vivências do indivíduo durante a infância e
adolescência.

A APA estima que a prevalência do Transtorno da Personalidade Narcisista variamde


2 a 16% na população clínica e são de menos de 1% na população geral. Desses, os
homens perfazem 50 a 75% dos indivíduos com o diagnóstico de Transtorno da
Personalidade Narcisista.

O termo “narcisismo” ou “narcisista”, aliás, tem uma origem interessante: vem da


história de Narciso, que viu seu reflexo em um lago claro e apaixonou-se por si mesmo.

Os indivíduos portadores dessa TPs tendem a ter relações conturbadas consigo e com
seu meio social, pois possuem um sentimento grandioso de sua própria importância,
consideram-se perfeitos, supervalorizam suas capacidades e exageram suas realizações.

Louzã, Elkis e Cols, em Psiquiatria Básica (Porto Alegre, Artmed 2007, 2ª Edição),
apontam que esse transtorno em específico é caracterizado pela grandiosidade da fantasia
e do comportamento, hipersensibilidade à avaliação dos outros, sentimentos de autoridade
e falta de empatia.

Charles Zanor, em artigo publicado no New York Times, adverte que:

O requisito principal para o transtorno é um tipo especial


de autoabsorção: um senso grandioso de autoestima, um
sério erro de cálculo de suas próprias habilidades e
potenciais que é muitas vezes acompanhado por fantasias
de superioridade. É a diferença entre dois estudantes com
capacidade moderada que jogam beisebol: um é
absolutamente convencido de que será um jogador da liga
principal, e o outro espera por uma bolsa de estudos para
cursar a faculdade.

O DSM-IV descreve ainda que os portadores do TPN (Transtorno Narcisista de


Personalidade) geralmente exigem admiração excessiva. Eles podem preocupar-se com o
modo como estão se saindo e no quanto são considerados pelos outros, isto resulta muito
frequentemente de uma frágil autoestima. Assim, por exemplo, podem esperar que sua
chegada seja recepcionada com grande alarde e ficar perplexos pelo fato de os outros não
cobiçarem tudo o que possuem.

Narcisistas também carecem de empatia. Não demonstram serem sensíveis para


os desejos dos outros ou para as suas necessidades. Podem esperar grande dedicação por
parte dos outros e sobrecarregá-los de trabalho sem levar em conta o impacto que isso
pode trazer às suas vidas.
Fala-se, inclusive, em um sentimento de “intitulação”: uma manifestação
irracional na expectativa destes indivíduos de receber tratamento especial. É o caso, por
exemplo, de sujeitos que podem pensar não precisar esperar na fila ou que suas
prioridades são tão importantes que os outros lhes deveriam mostrar deferência, etc.

De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos


Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade narcisista, pelo menos cinco dos
critérios abaixo devem ser identificados. Eles são:

A. Sentimento grandioso acerca da própria importância (por exemplo, exagera


realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior);
B. Preocupações com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou
amor ideal;
C. Exigência de admiração excessiva;
D. É explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros
para atingir seus próprios objetivos;
E. Ausência de empatia: se nega a reconhecer ou se identificar com os sentimentos
e necessidades alheias;
F. Frequentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja
alheia;
G. Comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes.
Apenas a título de exemplo, segue um trecho retirado do histórico clínico da paciente
VAR, sexo feminino, branca, 51 anos e solteira, em que a portadora do TPN descreveu
sua história pessoal:

É a segunda filha de uma prole de três. Na infância, não


gostava de brincar, mas de escrever sobre o
comportamento das pessoas; iniciou seus estudos aos
cinco anos de idade e repetiu várias séries, tendo
interrompido sua ida às aulas ainda no primeiro grau;
entretanto, intitula-se como “autodidática”; sempre foi
tratada como uma “rainha”; sua mãe faleceu quando
contava seus nove anos de idade e o pai foi assassinado
seis meses depois; foi, então, criada pela avó e uma tia
maternas, referindo-se a “tortura psicológica” que esta
última lhe dirigia. Na adolescência, saía com as primas
para dançar, dançava muito bem e as pessoas faziam
roda para vê-la e até lhe cumprimentavam; não teve
namorados porque ninguém lhe servia. Aos vinte e três
anos, conheceu um homem semelhante a ela, mas não se
casaram, vivem separados e ainda se encontram; referiu-
se a dois homens que gostam dela e esperam-na há
trinta e quatro anos, mas não quer nada com eles;
nunca esteve empregada e se diz “terapeuta”, apesar de
não ter frequentado qualquer formação, realizando
atendimentos em sua residência a pessoas que lhe
procuram por “propaganda” de outros clientes (“é um
ímã”). Atualmente, reside sozinha e sobrevive com a
renda de imóveis deixados pelo pai.

Nos trechos em negrito é possível facilmente distinguir as características até então


elencadas. A propósito, é necessário ressaltar que o transtorno da personalidade narcisista
é diagnosticado por meio de uma avaliação psicológica em que são analisados em
conjunto a história do indivíduo, a entrevista psiquiátrica e exame do estado mental,
constituindo-se das ferramentas principais que conduzem ao diagnóstico desse distúrbio

No tocante ao tratamento, a doutrina especializada em oscilado entre a


psicoterapia e a terapia cognitiva.

Em se tratando de capacidade civil e laboral, não há registros de ação incapacitante


do TPN. Aliás, na jurisprudência há interessante caso em que um candidato a Promotor
de Justiça foi reprovado no estágio probatório com fulcro em laudo psiquiátrico que o
diagnosticava como portador do transtorno.

Por fim, com relação a imputabilidade penal, não houve registros que o TPN é
capaz de impossibilitar a compreensão do caráter ilícito do fato ou de determinar seu
comportamento de acordo com esse entendimento.

5. Transtorno da personalidade Don Juanista

Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois
do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. Don Juan é um
personagem literário tido como símbolo da libertinagem. A síndrome do donjuanismo
trata de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada,
inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma pessoa.

O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano,


classificada particularmente pelos valores culturais e morais. Não existe essa
denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que por isso
pessoas assim deixam de existir.

A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma


forte compulsão para sedução, entretanto essa característica não é isolada nem única na
personalidade da pessoa, também não é exclusiva do sexo masculino.

Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o


tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada,
a abandona por desinteresse. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a
uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Elas são os
anarquistas do amor, tornando válidos quaisquer meios para conquistar, não obstante, os
sentimentos da outra pessoa não são levados em consideração.

Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode


ser critério para caracterizar uma atitude sociopática ou anti-social. Para o donjuan só
interessa o hedonismo, o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente
quando a pessoa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou
filha de amigo, etc ou os correspondentes masculinos).

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel
social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. O aspecto de desafio
mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e
competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em
conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e
relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.

O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais


marcantes, a ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa
conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou
fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas
conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.
Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira
compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, apesar dessa conquista
compulsiva servir-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, uma vez
possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o donjuan começa a se
desestimular com a conquista quando percebe que a pessoa conquistada já está
apaixonada por ele. Pode até nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento
em que ele percebe que a pessoa aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a pessoa
a ser conquistada é indiferente ou não cede à sedução, o donjuan se torna mais obstinado
ainda.

Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o donjuan se diverte com
o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio
do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o
mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz,
passageiro e que, continuadamente, tem o objeto-alvo renovado. Se algum déficit pode
ser apurado na personalidade do donjuan, este se dá no controle da vontade.

Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de
donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. Esse quadro
não deve ser confundido com a Atividade Sexual Compulsiva onde, aí sim há
hipersexualidade.

Portanto, a contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um


desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer às pessoas a
serem seduzidas, tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são
sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e
exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo
"príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. As pessoas sedutoras têm
habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e são
igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade


dodonjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela
constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica,
sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os
compromissos normais das pessoas maduras.
5.1 Representação Cultural do Donjuanismo

Evidentemente o mito de Don Juan pode representar um ideal masculino e, em


alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da
auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas,
ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude
conquistadora acaba mais cedo ou mais tarde, dando-se por satisfeita diante do objetivo
conquistado. Essa é a principal diferença entre a Sedução Compulsiva e as conquistas
normais durante a vida de qualquer pessoa.

Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de


múltiplas, do sedutor compulsivo, é a ausência de consideração para com os sentimentos
alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais
a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas
pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas.

5.2 Psicopatologia

Seria o donjuanismo uma doença? Seria uma doença, merecedora de tratamento ?


Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-
normalidade tendo como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o
donjuanismo não é normal (maioria das pessoas não é assim). Na realidade, a expressiva
maioria das pessoas não é despojada de consideração para com o sentimento dos outros,
mais especificamente, podemos dizer que a maioria das pessoas se mobiliza com o
sentimento das mulheres.

Em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa,


obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa
não-normalidade (estatística) implique também em um aspecto de morbidez, ou seja,
implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo
poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.

Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios


encontrados no Donjuan podem também ser encontrados no Transtorno Dissocial da
Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social
da Personalidade. Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da
Personalidade temos os seguintes:
Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social

I. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre
desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais,


indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção

(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou
ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer

(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro

(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões


físicas

(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia

(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um


comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras

(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido,
maltratado ou roubado outra pessoa.

II. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.


III. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de
idade.

Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, o Donjuan puro


e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso
não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas
trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança
própria, etc.

Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem


Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma
perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual
específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia.

Cita como exemplos o seguinte:


1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros
traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.

2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo


uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.

3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.

Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo
assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por
conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do
DSM.IV.

A impressão (falsa) que se tem sobre o donjuan é que, assim como é bem sucedido
nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida.
Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo
oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana;
ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar.

A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente
as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma
companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando
constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já
estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas
totalmente fora do contexto.

Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade


quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não
podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.

Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja,


considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado
para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação
vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da
personalidade.
6. Transtorno de Personalidade Histriônico

O termo “histriônico” surgiu como substituto do milenar termo “histérico”,


carregado de preconceito histórico, por ter sido utilizado, continuamente, com conotações
etiológicas sexuais na mulher, desde Hipócrates até Freud.

O Transtorno de personalidade histriônica (TPH) pode ser caracterizado por um


padrão emocional excessivo e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo
a procura incessante por aprovação alheia e comportamento inapropriadamente sedutor,
normalmente a partir do início da idade adulta.

Pessoas com este transtorno, em geral, são capazes de conviver normalmente e às


vezes alcançarem sucesso profissional. Esses indivíduos geralmente possuem bons dotes
sociais, mas tendem a usá-los para manipular os outros, com o objetivo final de se
tornarem o centro das atenções. Mais além, acabam por afetar os relacionamentos sociais,
profissionais ou romântico-afetivos da pessoa, assim como sua habilidade em lidar com
perdas ou fracassos.

O Transtorno de Personalidade Histriônico apresenta, de regra, os seguintes


sintomas:

1. Comportamento exibicionista;

2. Busca constante por apoio ou aprovação;

3. Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;

4. Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de


mudança é vista como ameaça;

5. Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor;

6. Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção;

7. Necessidade de ser o centro das atenções;

8. Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação;

9. Angústia provocada pela alternância de crença nas próprias mentiras insustentáveis


(mitomania);
10. Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o
são.

A incompatibilidade do histriônico com a falta de aceitação faz com que, diante


de qualquer aspecto de não aceitação, uma tempestade de emoções ecloda e são
necessárias horas de incentivos para aplacá-las.

Há casos em que histriônicos criaram novos personagens para substituir os que


foram eclodidos emocionalmente, sendo, às vezes, geradores de atitudes que
intensificaram suas emoções, causando estados febris ou a adoção de comportamentos
destrutivos e esquisitos antes de retornarem ao senso de equilíbrio. Histriônicos também
cometem crimes passionais, assim como podem desenvolver anorexia e bulimia.

As vivências da personalidade histriônica são sempre teatrais, seja na vida de


relação, seja consigo mesma. Seus relacionamentos são mais dramáticos, há mais ciúme,
mais inveja, mais mágoa, mais atração, mais sedução. Seus sintomas são mais
exuberantes, suas queixas mais contundentes, sua sensibilidade mais exaltada.

6.1 Responsabilidade penal e capacidade civil

Em psiquiatria forense brasileira, os transtornos de personalidade - o histriônico


incluso - não são considerados doença mental, mas sim como perturbação da saúde
mental.

Na esfera penal, examina-se a capacidade de entendimento e de determinação de


acordo com o discernimento de um indivíduo que tenha cometido um ilícito penal. A
capacidade de entendimento depende essencialmente da capacidade racional, já em
relação à capacidade de determinação, ela é avaliada no Brasil e depende do aspecto
volitivo do indivíduo.

As questões da responsabilidade, da noção de racionalidade e da vontade nos


transtornos específicos de personalidade, merecem maior número de debates em nosso
meio. A racionalidade no contexto da psiquiatria forense é tradicionalmente considerada
problemática e factível de discussão, principalmente quando se depara com casos
“fronteiriços”, passíveis de dúvida e que traz à tona questões também centrais no que
concerne à imputabilidade: a ignorância, a compulsão ou o “impulso irresistível”; a
autonomia e sua relação com a já citada racionalidade, que é vista como o fator
constitutivo da responsabilidade. O comportamento normativo está vinculado à
responsabilidade penal e as violações a esse comportamento não são passíveis de
imputabilidade, salvo em determinadas circunstâncias que, não raro, ainda geram
polêmica entre diferentes profissionais da área forense.

Dito isso, cada caso a ser investigado é único, cabendo aos médicos peritos de
uma Junta de inspeção de Saúde valer-se do diagnóstico psiquiátrico, bem como do
discernimento de se tratar o mesmo de uma alienação mental ou não, uma vez que, no
caso dos transtornos de personalidade, o diagnóstico por si só não determina invalidez do
indivíduo.

Na esfera cível, por sua vez, apesar de existirem várias outras solicitações, o
exame psiquiátrico mais comumente realizado no Brasil é aquele para fins de interdição,
em que se avalia a capacidade do indivíduo de reger sua própria pessoa e administrar seus
bens. A maioria dos portadores de transtorno de personalidade não sofre qualquer
intervenção judicial. No entanto, casos mais graves podem gerar uma interdição parcial.

6.2 Tratamento

Os pacientes portadores de transtorno de personalidade, em geral, demandam


excessiva atenção por parte da equipe profissional e muitos são considerados irritantes e
de difícil manejo, contribuindo para dificuldades contra transferenciais que dificultam
ainda mais a condução do tratamento.

Os princípios do tratamento são os mesmos de qualquer condição crônica. Em


outras palavras, as condições básicas não podem ser mudadas, mas tenta-se um alívio da
sintomatologia.

Diversos tipos de intervenção psicoterápica vêm sendo propostos. Os melhores


resultados têm sido apontados por aqueles que têm por objetivo o tratamento de sintomas
específicos, e a terapia comportamental dialética vem recebendo um reconhecimento
internacional de sua eficácia em TP. A terapia cognitivo-comportamental pode ser útil,
mas poucos estudos têm dedicado atenção a essa modalidade terapêutica aplicada ao
transtorno de personalidade.

Quanto ao tratamento medicamentoso, benzodiazepínicos podem ser utilizados


para os transtornos como o paranoide ou o histriônico, mas devem ser evitados em
transtorno antissocial, devido ao alto risco de abuso de substâncias por parte desses
pacientes.
7. Transtorno de personalidade Esquizóide

O termo “esquizóide” foi criado por Eugen Bleuler no início do século XX para
definir uma tendência do indivíduo a dirigir sua atenção para o mundo interior, fechando-
se ao mundo exterior.

Segundo o DSM IV, o Transtorno de Personalidade Esquizóide é um “padrão de


distanciamento dos relacionamentos sociais, com uma faixa restrita de expressão
emocional”. Este padrão tem início na fase adulta e se apresenta em diversos contextos,
mas pode aparecer pela primeira vez na infância ou na adolescência em forma de solidão,
fracos relacionamentos e rendimento escolar baixo.

É um Transtorno de Personalidade mais frequentemente diagnosticado em


indivíduos do sexo masculino. Pode, ainda, ter uma prevalência maior entre os parentes
de indivíduos com Esquizofrenia ou Transtorno de Personalidade Esquizotípica.

7.1 Características

Os indivíduos com este Transtorno parecem não possuir desejo de intimidade, de


modo que preferem passar o tempo sozinhos, mostrando-se indiferentes às oportunidades
de desenvolver relacionamentos íntimos. Com frequência, parecem ser socialmente
isolados ou solitários, quase sempre escolhendo atividades ou passatempos que não
envolvam a interação com outras pessoas. Identifica-se uma preferência por atividades
mecânicas ou abstratas, tais como resolver questões matemáticas ou passar o tempo no
computador. Assim, são pessoas que não têm amigos íntimos ou confidentes, exceto,
possivelmente, algum parente próximo.

Estes indivíduos também se mostram indiferentes a críticas e elogios, não se


importando com o que os outros pensam deles. Não costumam responder adequadamente
às interações sociais, raramente retribuindo gestos ou expressões faciais, a exemplo de
sorrisos ou acenos.

Os esquizóides geralmente não sentem fortes emoções, tais como raiva ou alegria,
possuindo uma faixa restrita de expressão emocional, o que os faz parecer frios e
indiferentes.

As pessoas acometidas por este Transtorno têm pouco interesse em experiências


sexuais com outras pessoas, assim como sentem prazer em poucas atividades, se alguma.
Existe, geralmente, uma experiência reduzida de prazer em experiências sensoriais,
corporais ou interpessoais.

7.2 Transtornos Associados e Diagnóstico Diferencial

O Transtorno de Personalidade Esquizóide não deve ser diagnosticado se ocorrer


exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia, Perturbação do Humor com Aspectos
Psicóticos, outra Perturbação Psicótica ou um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.
De igual modo, não deve ser diagnosticado se decorrer tão somente dos efeitos
fisiológicos diretos de uma condição médica geral.

Assim, para o diagnóstico adicional do Transtorno de Personalidade Esquizóide,


é necessário que ele tenha estado presente antes do início dos sintomas psicóticos e
persistir após o término destes.

Pode ser diferenciado do Transtorno Delirante, da Esquizofrenia e do Transtorno


do Humor com Aspectos Psicóticos, pois todos estes transtornos caracterizam-se por um
período de sintomas psicóticos persistentes. É de bom alvitre destacar, contudo, que, em
situações de estresse, algumas pessoas com personalidade esquizóide podem
ocasionalmente experimentar breves instantes de episódios psicóticos.

As formas mais leves de Transtorno Autista e o Transtorno de Asperger


distinguem-se da Personalidade Esquizóide por uma interação social mais severamente
prejudicada e estereotipada de comportamentos e interesses.

O Transtorno de Personalidade Esquizóide também pode ser diferenciado do


Transtorno da Personalidade Esquizotípica pela falta de distorções cognitivas e do
Transtorno da Personalidade Paranóide pela falta de desconfianças. Não se confunde,
também, com o Transtorno de Personalidade Esquiva, vez que os indivíduos acometidos
por este transtorno evitam contato social por medo de serem ridicularizadas, humilhadas
ou desprezadas, enquanto que os esquizóides mostram-se indiferentes aos
relacionamentos sociais.

Contudo, se um indivíduo apresenta características de personalidade que


satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos, todos podem ser diagnosticados. O
Transtorno da Personalidade Esquizóide co-ocorre mais frequentemente com os
Transtornos da Personalidade Esquizotípica, Paranóide e Esquiva.
7.3 Tratamento

O Transtorno de Personalidade Esquizóide deve ser tratado por meio da


psicoterapia individual. No entanto, as pessoas com esse transtorno normalmente não
procuram tratamento, exceto se estiverem em crise aumentada, sob estresse ou pressão.

Outra alternativa é a terapia de grupo, com grupos homogêneos ou heterogêneos


que podem ajudar-se mutuamente, dirigidos por profissionais competentes.

7.4 Imputabilidade

O Código Penal prevê, em seu artigo 26, que “é isento de pena o agente que, por
doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.”

Em relação ao esquizóide, não há como se concluir pela sua imputabilidade ou


inimputabilidade, apesar de, em primeira análise, não se observar comprometimento na
sua capacidade de entender o caráter ilícito do fato.

Assim, pode ser necessária uma perícia para elucidar se o agente era inteiramente
capaz no momento em que praticou o crime, mormente pela possibilidade do indivíduo
com personalidade esquizóide apresentar surtos psicóticos breves.

Inclusive, é de bom alvitre destacar uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio


Grande do Sul que considerou imputável o agente com Transtorno de Personalidade
Esquizóide, vez que o laudo pericial apontou pela sua capacidade de entender o caráter
ilícito do fato:

“APELAÇÃO CRIMINAL. CÓDIGO PENAL. ARTS. 148,


§ 1º, V; 213, 1ª PARTE; 213, 2ª PARTE. 157, § 2º, I E V
CC/ ART. 61, NA FORMA DO ART. 69. SEQUESTRO
QUALIFICADO. ESTUPRO, ROUBO MAJORADO.
AUTORIA E MATERIALIDADE DESENHADAS NA
PROVA. PALAVRA DA VÍTIMA. HIPÓTESE DE
INIMPUTABILIDADE AFASTADA. CONDENAÇÃO
MANTIDA. Ainda que os argumentos defensivos sejam
pelo reconhecimento da incapacidade mental do
apelante, que foi diagnosticado como portador de
"Perturbação de Personalidade Esquizóide", o laudo
psiquiátrico confirmou que o réu era, ao tempo da ação,
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito das
condutas perpetradas e de se auto-determinar.
Materialidade e autoria dos crimes narrados na denúncia
amplamente demonstradas, especialmente diante da
palavra da vítima e da investigação policial, que logrou
êxito em localizar o celular da vítima, que estava na posse
da mãe do apelante. Penas mantidas, diante do
reconhecimento negativo do vetor da culpabilidade, e
também pela reincidência, que não pode ser afastada, vez
que circunstância agravante expressamente prevista no
Código Penal, sendo obrigatória sua aplicação, quando
comprovada, numa demonstração de reprovação pela
reiteração de práticas delitivas, cujo agente não pode ser
equiparado ao primário. APELAÇÃO IMPROVIDA.”
(Apelação Crime Nº 70059720599, Quinta Câmara
Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Lizete
Andreis Sebben, Julgado em 02/07/2014)
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disponível em http://www.psiqweb.med.br . Acessado em 23/10/2014).

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New York Times. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-
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psiquiatricos.htm. Acessado em: 26/10/2014.

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

CCJ – CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

DIREITO
TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE

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Loueine Chrystie

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RECIFE
2014