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A LENDA DAS RUNAS

Segundo a lenda, a sabedoria das runas foi deixada aos Vikings pelo deus nórdico
Odin, para que os homens a ela recorressem, para se divinizar e para obter um sábio
aconselhamento quando necessário.

Odin se submeteu a um supremo ato de auto-sacrifício para obter o conhecimento


secreto das runas. Permaneceu suspenso, por nove dias e nove noites, pendurado pela
lança, de cabeça para baixo no Yggdrasil, a "árvore do mundo", até se dar conta das
pedras rúnicas no chão. Esticando-se com dificuldade conseguiu apanhá-las, sendo
então libertado pela magia destas pedras e, por iluminação, aprendeu os
conhecimentos e poderes mágicos das runas. Odin transmitiu à humanidade esse
conhecimento obtido sobre as palavras mágicas e também de como registrar essas
palavras através do alfabeto rúnico. Odin distribuiu as vinte e quatro runas entre três
deuses: Hagal, Freya e Tyr. Estes três deuses deram às runas suas energias. Freya, a
energia de mãe, de esposa, de amante e de irmã; Hagal, o conselheiro sábio, correto e
enérgico; Tyr, o jovem guerreiro, corajoso e lutador.

A vigésima quinta runa, que é branca, representa Odin.

ALFABETO RÚNICO
A escrita rúnica é uma das mais antigas de que se tem notícia. Segundo Friedrich
Bernhard Marky, tem mais de doze mil anos.

Acredita-se que a palavra runa deriva do antigo vocábulo Norrens, que apresenta a
conotação de segredo. Este, por sua vez, encontra sua raiz na palavra indo-européia
RU, cujo significado é segredo ou mistério. Um ponto de destaque é que, ao contrário
do que está escrito na maioria dos livros, em especial os traduzidos para o português,
AS RUNAS NÃO SÃO APENAS UM ALFABETO MAGICO. É possível que as runas tenham
sido um alfabeto secreto, usado por iniciados de diversos países para a transmissão de
fórmulas ou informações relacionadas ao que era oculto, ou seja, à magia.

Após pesquisa mais detalhada, conclui-se ser prematura a hipótese de que as


runas sejam apenas um alfabeto. É muito mais destacável a importância das runas
dentro do universo nórdico; cada uma das 25 runas traz em si uma mensagem de
cunho mágico e espiritual. Assim, após estudos mais profundos, percebe-se que AS
RUNAS SÃO UM ANTIGO CÓDIGO DE MENSAGENS, derivado de figuras formadas a
partir da junção de pequenos pedaços de madeira.

Os antigos povos acreditavam que as runas possuíam poderes mágicos que


poderiam defendê-los de diversos males e os Xamãs antigos entalhavam as runas nas
embarcações, nas casas, colocavam runas nos leitos dos enfermos, invocando
proteção, cura, ajuda, etc. Os Xamãs passavam aos seus iniciados o conhecimento da
magia das runas, preparando-os para que pudessem usar corretamente esta energia.
Segundo os ensinamentos, cada runa está ligada a uma força determinada, havendo
um poder específico em cada uma delas, por isso, devem ser usadas de forma correta
para que os resultados sejam positivos e satisfatórios. Os ensinamentos dos Xamãs
incluíam formas de tratamento e foram sendo passados através dos tempos, chegando
até nós, que embora no terceiro milênio, vemos que a procura pelas runas ainda
continua, não tanto para a cura, mas para uma orientação que dê ao ser humano um
aconselhamento, levando-o a encontrar respostas que o levem à solução de
problemas, que possam ser empecilhos para seu verdadeiro crescimento.

Das várias maneiras utilizadas para consulta, a conclusão e a resposta serão


sempre em benefício da melhor formação do ser humano, para que ele consiga
fortalecer sua essência e encontrar sua verdade interior.

As runas são uma linguagem de energia que leva o ser à evolução interior, para o
encontro de um bem maior e jamais poderão ser usadas como meio de
comercialização ou charlatanismo porque sua linguagem traduz mensagens de
divinação e não de adivinhação. Ao consultar este oráculo, qualquer pessoa que
tenha intenção correta, respeito e desprendimento, estará permitindo que se abra um
novo canal de compreensão na sua mente e assim estará se interiorizando com uma
nova energia de conhecimento, que visa antes de tudo a prática cada vez maior da
ação para o bem. Portanto, ao fazer esta consulta tenha claro em sua busca, que você
estará indo ao encontro de respostas que o auxiliarão na descoberta de algo maior: a
Sabedoria, a Essência e a Divinação.

O código de mensagens mágicas das runas incluía dois tipos: o primeiro tipo era o
FUThARK - que prestava-se não só a utilização oracular, como também à utilização
gráfica, pois posicionava-se como um alfabeto secreto utilizado somente por aqueles
que haviam sido iniciados nos cultos de Odin. O FUThARK - assim denominado devido
à configuração adotada - consiste de 24 runas gravadas em 3 "famílias" de 8 runas - o
três e o oito sendo números que se acreditava possuidores de potência especial.
Conhecidos como AETTIR, os três grupos tinham os nomes dos deuses escandinavos
Freya, Hagall e Tyr. Os três aettir são:

Oito de Freya

Oito de Hagall

Oito de Tyr

Sua designação deriva dos seis primeiros símbolos que o compõem. Um ponto a
ser destacado é que o citado alfabeto rúnico FUThARK sempre foi ritual. Logo, trata-se
de um código de mensagens escrito, porém jamais falado. Sabe-se inclusive que os
nórdicos não possuíam linguagem escrita, e que tal fato só começou a ocorrer após
travarem relações com os romanos; antes, porém, já havia runas, pois os mais antigos
achados datam da Idade do Bronze.

O FUThARK é o tipo de runas mais conhecido, mas existe um segundo tipo


utilizado ainda mais secretamente e apenas com função ritualística: São as runas de
magia.

Embora tenham sido recolhidos vários destes símbolos, muitos deles têm seu
significado desconhecido para os atuais pesquisadores. Utilizados somente por
sacerdotes e profetas, que eram na sua grande maioria mulheres, essas runas se
prestavam basicamente à atividade mágica. Os achados citam que as runas que se
prestavam a esta última finalidade eram gravadas em madeiras, metais e couros,
sendo depois impregnadas com pigmentos onde o sangue humano muitas vezes era
adicionado. Essas runas se dividiam em dois grandes grupos:

RUNAS BENIGNAS OU POSITIVAS - serviam a encantamentos que visavam


objetivos de cunho altruístico e pacífico.

RUNAS MALIGNAS OU NEGATIVAS - prestavam-se a encantamentos que


visavam objetivos nefastos e mesquinhos.

Podemos dizer que as runas se prestavam a três tipos de atividades básicas: uma
primeira que poderia ser denominada de oracular; uma segunda essencialmente ligada
a transmissão escrita de mensagens simples e diretas; e finalmente uma terceira
fundamentada no conhecimento mágico xamânico.

OS VIKINGS
Eles ganharam uma reputação brutal, conseqüência da devastação por três séculos
da Europa. Eram temidos por toda a França, Itália e Espanha. Apesar disso, passaram
para a história como um povo guerreiro, mas também como navegantes audaciosos.
Eram comerciantes cuja rede econômica ia do Iraque de hoje ao Ártico canadense.

Eles eram mestres no trabalho com metais e forjavam jóias primorosas de prata,
ouro e bronze. Acima de tudo, eles eram exploradores intrépidos cujos corações
inquietos lhes trouxeram ao Norte da América uns 500 anos antes de Colombo.

Não temiam a morte, desafiando destemidamente a fúria dos mares, com navios
construídos por eles próprios e cuja principal característica eram as esculturas que
traziam na proa. Esses barcos denominados Drakkar eram sólidas embarcações
capazes de navegar em alta velocidade até mesmo em rios de pouca profundidade
devido ao formato de seu calado. O papel mais importante dos Drakkar era servir de
túmulo para os chefes militares mortos em batalha e que ali seriam transportados ao
Valhalla, o paraíso da mitologia Viking.

Suas armas eram o arco e a flecha, a espada, o machado e a lança, por isso, o
mais importante de todos os artífices era o ferreiro, que além das armas essenciais em
suas batalhas, produzia as ferramentas com as quais aravam a terra e construíam suas
casas. Entre suas ferramentas o martelo ocupava lugar de destaque, pois além de ser
utilizado como instrumento de trabalho era o amuleto que protegia seu dono dos
perigos.

A capacidade de adaptação desse povo permitiu que vencessem as dificuldades do


mundo inóspito em que nasceram, nunca se deixando abater ou entregando-se ao
desânimo. Acreditavam nos deuses germânicos antes de se converterem ao
cristianismo, mas a sua maior crença era sua própria força.

RUNEMAL - A ARTE DO JOGO


À semelhança de muitos jogos, sagrados e seculares, as Runas devem ser
"jogadas" sobre um campo. Pode-se usar um pedaço de tecido especial branco ou em
cores, que será reservado unicamente para esta finalidade. Quando desdobrar o pano
que funciona como seu campo, esse próprio ato poderá tornar-se uma meditação
silenciosa.

Existe também uma satisfação especial no ato de introduzir a mão em uma sacola
e escolher as pedras. É bom senti-las chocando-se umas nas outras e, ainda mais, da
maneira como freqüentemente uma Runa parece inserir-se entre os dedos.

Entretanto, nem a sacola nem o campo precisam ser enfeitados; segundo nos
recorda o I Ching: "ainda que com meios minguados, podem ser expressos os
sentimentos do coração".

Nos tempos remotos, o lançador de Runas cantaria uma invocação a Odin,


solicitando que o deus estivesse presente, para então lançar as pedras sobre a terra e
extrair orientação daquelas que caíam com o símbolo voltado para cima. Se for
inconveniente este método, há várias outras técnicas recomendadas.

Todo e qualquer Oráculo deve ser respeitado como sagrado. Sua função é revelar
os mistérios do inconsciente e derramar a Luz sobre as sombras da mente e da alma.

Por isso, ao fazer uma pergunta para o Oráculo de runas, faça-o com respeito,
buscando o seu auto conhecimento. As runas têm o sagrado dever de indicar o melhor
caminho. Para tanto, precisam contar com a sua atitude respeitosa e a sua intuição. As
interpretações não vêm prontas para que você desperte o Mago Transformador dentro
de si mesmo.

Antes de formular sua pergunta (sempre de forma clara e concisa para facilitar a
interpretação), leia o histórico das Runas. Estes símbolos sagrados têm uma
mensagem especial. Então escolha um dos três tipos de lançamentos: A RUNA DE
ODIN, o ORÁCULO DS NORNAS e a CRUZ DE THOR.

A RUNA DE ODIN: Este é o mais fácil dos lançamentos, pois utilizando apenas uma
runa, visa dar uma orientação rápida para a consulta.

O ORÁCULO DAS NORNAS: Este lançamento utiliza três runas e visa abordar na
primeira posição o que estruturou a situação atual - runa do passado. A segunda runa
determina o curso das ações presentes - runa do presente. A terceira runa demonstra
como evoluirá a situação atual se for seguido o curso sugerido para ação - runa do
futuro.

A CRUZ DE THOR: Neste lançamento pedimos orientação ao deus Thor, o que


quebra barreiras e vence dificuldades, no sentido de resolvermos situações críticas. As
runas são dispostas como uma cruz e representam do lado esquerdo os prós, do lado
direito os contras, em cima a ação, embaixo a sentença e no centro a síntese.

RELIGIÃO
As runas estão ligadas às concepções religiosas dos povos nórdicos e
conseqüentemente à mitologia nórdica ou escandinava, que tem suas origens na Idade
do Bronze. É uma mitologia muito rica e seus deuses podem ser comparados aos
deuses gregos e latinos. Como na mitologia grega, a mitologia dos povos nórdicos é
calcada em antropomorfismo (deuses criados à imagem do homem).

A religião dos Vikings era orientada pelos Xamãs, que apesar de participarem da
vida comum da tribo eram preparados durante vários anos, tanto física como
psiquicamente, para o importante papel que desempenhavam. Eles tinham ligação com
os animais e o poder de penetrar no mundo do espírito. Em seus cultos era adorada a
deusa Terra, a "Mãe Terra", que tomava a terra fértil, protegia o gado, permitia o
nascimento de crianças fortes e saudáveis e ainda recebia os filhos mortos de volta às
suas entranhas.

Os Vikings acreditavam que após a morte, os guerreiros mais valentes seriam


levados para o Valhalla; lá passariam os dias a lutar e as noites a participar de
maravilhosos banquetes em que iriam saborear as articulações de um javali, cuja
carne branca se renovava assim que era consumida e beber o hidromel, que era a
bebida encantada, dádiva para os deuses e homens, obtida por Odin quando voava
transformado em uma águia.

CONFECÇÃO DAS RUNAS


Você poderá confeccionar seu próprio oráculo, seguindo certas regras que estão
dentro das tradições das runas. No princípio, as runas eram feitas de osso. Hoje temos
runas confeccionadas de vários materiais. A única exigência que não se pode abrir
mão, é que as runas deverão ser confeccionadas com um material natural, pois assim
elas estarão impregnadas de muita energia natural, necessária e indispensável para
uma boa leitura. Quando as runas são feitas de material sintético, a leitura poderá ser
prejudicada pela falta da energia natural.

Para confeccionar um jogo de runas, pode-se usar quaisquer dos seguintes


materiais :

Cortiça ou qualquer outro tipo de madeira, com acabamento e desenhos feitos com
tinta ou pirógrafo.

Qualquer tipo de pedra, desde o cristal até a pedra rolada de rio, com os
caracteres desenhados a tinta ou incrustados em metal.

Metal.

Conchas do mar.

Ossos.

Vértebras de peixe.

É importantíssimo usar a intuição e o sentimento na escolha para que se tenha um


jogo de runas impregnado de grande energia.

As runas devem ser guardadas em saquinho ou estojo, também de material


(algodão, seda, couro). Para facilitar a leitura, principalmente da posição invertida,
deve-se evitar o formato circular na confecção das runas, pois ao serem retiradas do
saquinho poderão estar na posição horizontal, tornando impossível a leitura.

CORRESPONDÊNCIA ALFABÉTICA
POSITIVIDADE E NEGATIVIDADE DAS RUNAS
RUNAS POSITIVAS: São as que apresentam um potencial de realização
favorável. É a maioria das runas em posição normal, mais duas em posição invertida:

Thurisaz e Ehwaz .

E as runas Sowelu e Dagaz .

RUNAS NEGATIVAS: São as que apresentam um potencial de realização


desfavorável. É a maioria das runas em posição invertida.

RUNAS DE ATRASO: São as que avisam que decisões devem ser adiadas para um

momento mais adequado. São elas Nauthiz Isa e Othila .

RUNAS NEUTRAS: São sempre as que não se apresentam em posição invertida.


Aparecem no lançamento com a finalidade de mostrar o assunto sobre o qual deve ser
falado. Dividem-se em duas categorias:

Neutras com tendência a positiva: Gebo e Eihwaz

Neutra com tendência negativa: Hagalaz

As consideradas neutras absolutas são: Jera Inguz e Odin .

Uma runa positiva acompanhada de runas negativas se transforma em runa de


atraso, ou seja: independentemente da demora, a runa poderá influenciar
favoravelmente. O contrário é verdadeiro para o caso de uma runa negativa
acompanhada de runas positivas.

Uma runa positiva ou negativa acompanhada de outras neutras se transforma


imediatamente em runa de atraso, avisando que deve ser esperado o momento certo
para uma decisão, ou ainda que há tempo de recuperar uma situação que se mostre
difícil.

O SIGNIFICADO DAS RUNAS


Clique sobre cada runa para saber seu significado

Wotan ou, Woden é o maior de todos os deuses do panteão nórdico, sendo ainda o
deus-pai, criador do mundo dos homens, demônios e espíritos esclarecidos, genitor de
todos os demais deuses e chefe da família dos Ases. Seu dia de veneração é a quarta-
feira, sua cor é o azul e sua pedra a água-marinha.

Odin era conhecido como Wodanaz, do antigo gótico que significava "Mestre da
Inspiração". Seu nome parece ter origem no antigo nórdico Vada e Od, e no antigo
alemão Watan e Wuot. E se inicialmente significava razão, memória e sabedoria, com
o advento do cristianismo passaram a ser associados às palavras tempestuoso e
violento.
Existem várias designações para Odin, e as mais conhecidas são: todo pai, Pai dos
Exércitos, Pai dos Mortos em Batalha, Pai da Magia, Padroeiro dos Magos, andarilhos e
ladrões, Senhor das Runas, Guardião das Runas, Velho Criador, Encapuzado, Senhor
dos Mortos e das Encruzilhadas e ainda, Senhor do Vento Norte.

Odin é famoso pelo seu alto grau de conhecimento e conta a lenda que procura
revelar-se a partir do duelo de palavras, onde aposta a vida e sai sempre ganhando. É
comum aparecer para as profetisas e visionários pedindo informações estranhas,
dando sempre em pagamento ricos presentes. Era também conhecido como Senhor da
Guerra e da Poesia, e que em sua homenagem havia inclusive uma tropa de
sacerdotes guerreiros chamada BERSERKSGRANG. Os BERSERKERS (nome que
significava "Camisa de Urso" ou "Pele de Lobo"), detinham conhecimento xamânico e
utilizavam cogumelos alucinógenos que visavam alterar o estado de consciência. É
bom esclarecer que a imagem que nos chega do guerreiro viking em nada corresponde
àquela que melhor representaria um soldado. Este último portava rústicas túnicas de lã
para enfrentar o rigoroso inverno nórdico, adornadas por uma cota de metal. A
imagem popularizada é na realidade a dos BERSERKERS: homens enormes, com
barbas e cabelos longos que se apresentavam vestidos com peles de urso ou lobo,
atadas aos corpos por enormes cinturões e portando ainda grandes elmos adornados
por chifres.

Odin era o Rei dos Deuses e devido a tal reinava no Valhalla - paraíso dos deuses -
onde acolhia os que morriam heroicamente nos campos de batalha, os Einherjar, que
comporiam um exército glorioso, capaz de enfrentar monstros e gigantes. Sentado em
seu famoso trono HLIDSKJALF, de onde podia avistar o mundo inteiro, Odin se revestia
de onisciência, onipresença e onipotência. Para isso contava ainda com a ajuda de dois
corvos: HUGIN (Pensamento) e MUNIN (Memória), que estavam sempre posicionados
em seus ombros, e que durante o dia percorriam o mundo, voltando depois para
contar as novidades ao grande deus.

Havia ainda dois lobos: GERI e FREKI, que se alimentavam de toda carne
(inclusive humana) que era ofertada a Odin, e que montavam guarda aos seus pés.
Seu lendário cavalo SLEIPNIR, de oito patas, permitia ao deus locomover-se
rapidamente pelos céus, indo de uma esfera a outra da existência humana ou divina.
Dos mágicos anões ferreiros, Odin recebeu sua lança GUNGNIR, que só se detinha
após ter atingido o alvo; e o anel DRAUPNIR, que aumentava constantemente as
riquezas a quem quer que Odin o emprestasse.

Odin não vivia sozinho no VALHALLAH. Em sua companhia estavam os mais


valorosos guerreiros mortos em campos de batalha, recolhidos no minuto derradeiro
pelas V ALKIRIAS, virgens aladas subordinadas ao grande deus. Esses guerreiros
alimentados com a carne do javali SCHRINNIR (que ressuscitava após todas as
refeições) e o leite mágico da cabra HEIDUM (que em muito se assemelhava ao
hidromel servido aos deuses) formavam o exército espiritual do bem, que, por ocasião
do Crepúsculo dos Deuses liderado pelo próprio Odin, se levantaria contra as forças do
mal. Enquanto este fato não acontecia, esses valorosos combatentes desencarnados
passavam os dias a beber, comer e duelar entre si. Era muito comum que ao findar do
dia o todo-poderoso Odin os encontrasse feridos e até mesmo mutilados: então, o
deus-pai lançava mão de seu potencial mágico, no sentido de promover o retorno à
condição inicial "étero física" de cada um de seus guerreiros.

O grande destaque desta figura de cunho divino reside no fato de sua imagem
estar intimamente relacionada à origem das runas. Conta-nos a lenda que o poderoso
Odin, não satisfeito em ser apenas o chefe do panteão nórdico, desejou ser também
um exímio conhecedor dos mistérios mágicos. Para tanto, entregou-se a um ritual de
sacrifício e abnegação de sua própria figura máxima. Fixou-se de cabeça para baixo
com sua própria lança na Árvore do Mundo - YGGDRASIL- por um período de nove dias
e nove noites, sangrando, com fome e com sede. Ao término deste período, avistou no
chão os caracteres rúnicos e desceu da Árvore do Conhecimento para recolhê-los. Não
satisfeito, solicitou permissão para beber um pouco de água da Fonte de Mimir (Fonte
do Conhecimento) e não hesitou em entregar um de seus próprios olhos em
pagamento por tão valioso líquido mágico.

Há autores que defendem a hipótese de um Odin homem, chefe de uma tribo


asiática que deteria conhecimento xamânico e que teria emigrado para a Escandinávia
e lá instalado uma religião primitiva, baseada num código secreto de mensagens
mágicas. Esse homem, após a sua morte, teria sido elevado à categoria de divindade
local, sendo depois o seu culto difundido pelos sacerdotes iniciados nos seus mistérios
mágicos.
Odin era também voltado às aventuras amorosas parece ter tido várias
simultaneamente. Seu matrimônio com a deusa FRIGG lhe teria dado três filhos:
BALDUR, o bondoso; HODUR, o cego e HERMOD, o ágil.

Com a deusa Terra, Odin teria tido o filho THOR, o mais forte dentre todos os seres
humanos e divinos; além de Wall, com a gigante Rinda, que após a morte de Baldur
teria enlouquecido, nunca mais tendo penteado os cabelos e lavado as mãos. Havia
ainda o filho WIDAR, de sua união com outra gigante, que era conhecida como o mais
silencioso dos Ases.

Fala-se ainda do deus BRAGI, tido como filho de Odin com uma humana, que
pouco aparece nos livros de mitologia escandinava em função do seu surgimento
tardio, e até mesmo influenciado pela mitologia romana, que contava com seres
oriundos de relações estabelecidas entre deuses e humanos.

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