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SEMINARIO TEOLOGICO DA MISSÃO JUVEP

DISCIPLINA: QUESTÕES RELACIONADAS AO DESENVOLVIMENTO HUMANO


PROFª: JOSIMERE DE SOUZA ARAÚJO RAMALHO

ALEX PEREIRA LIMA

RESENHA SOBRE O ARTIGO: Transição para a idade adulta: Das condições


sociais às implicações psicológicas.

JOÃO PESSOA-PB
2017
ANDRADE, Cláudia. Transição para a idade adulta: Das condições sociais às
implicações psicológicas. Análise psicológica, v. 28, n. 2, p. 255-267, 2010.

RESENHA
Alex Pereira Lima1

Uma análise descritiva é o que se apresenta a seguir, cujo texto-fonte foi o


artigo “Transição para idade adulta: Das condições sociais às implicações
psicológicas” – publicado na Revista Análise Psicológica, Vol. XXVIII, Nº 2 (2010), do
Instituto Superior de Psicologia Aplicada (Portugal), de autoria de Cláudia Andrade,
Equiparada a professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Coimbra.
Fazendo uso de uma linguagem clara e objetiva, Claudia Andrade procura
demonstrar quais elementos atuaram paulatinamente de maneira a influenciar o
processo de transição da idade jovem para a idade adulta. Segundo a autora esse
período possui um conjunto de características próprias que tem contribuído para que
o tempo de transição da faze jovem/adulto se torne cada vez mais demorado. O artigo
explora a maneira como as condições sociais repercutem na Europa, especificamente
em Portugal, além de refletir sobre o contexto de adultez emergente com seus
desafios e oportunidades para os jovens.
Em sua introdução a autora explica que o conceito de “ser adulto” passou por
uma mudança ao longo das últimas décadas. O que antes era definido pelo exercício
de uma atividade profissional e pela constituição de uma família recebe novos
contornos em face das mudanças sociais atuais, tanto na transição jovem/adulto,
quanto o assumir o papel de adulto pelo jovem. Com o prolongamento dos estudos, o
processo de emancipação em ralação aos pais e consequentemente a constituição
de uma nova família tendem a ser adiados.
Segundo a autora, a literatura que respalda o assunto tem destacado que as
novas configurações de transição para a vida adulta têm relação com
desenvolvimento do mercado de trabalho que por sua vez demanda um investimento
maior de tempo na formação dos jovens. A autora explica, que esse investimento nos
estudos tem vistas a aquisição de uma profissão, o que não significa que sua inserção
ao mercado de trabalho será fácil e estável, até porque, em todo tempo que estudam

1
Aluno do curso de Aconselhamento Cristão da Missão Resgate em parceria com a Missão Juvep.
estão afastados da experiencia do trabalho. Em comparação com jovens norte-
americanos que estudam e trabalham meio período, onde esse número é bem
elevado, estudos indicam que eles o fazem buscando obter recursos econômicos para
terem acesso ao lazer.
Sobre a questão da dependência familiar, a autora destaca os fatores
econômico, residencial e emocional. Explica ainda, que a descentralização e o
alastramento das instituições de formação permitiram a permanência dos jovens em
casa dos pais, enquanto realizam a sua formação, e mesmo quando o jovem se
desloca para outra região afim de prosseguir seus estudos a situação basicamente
não se modifica.
Claudia destaca como fatores de maior influência no que ela chama de “altura
certa”, referindo-se ao momento em que o jovem deixa a casa dos pais, o cumprimento
do serviço militar, a constituição de sua própria família e a ruptura no casamento dos
progenitores. Já para os jovens que saíram de casa mais tarde, a idade apresenta-se
como o principal desencadeador da saída. Em seu estudo, Claudia destaca que
fatores externos à dinâmica familiar, como o prosseguimento de estudos ou a inserção
no mercado laboral, numa área geográfica diferente da de residência da família de
origem, nunca surgem como fatores decisivos para a saída de casa dos pais.
Com relação ao significado de “ser adulto”, a Claudia diz que alguns autores
que analisaram as representações dos jovens sobre o que significa “ser adulto”
indicam que estas aparecem identificadas com aspectos menos agradáveis da vida
adulta, nos quais se destacam as obrigações familiares e profissionais e a monotonia
daí decorrente.
Sobre o conceito de adulto emergente e suas implicações psicológicas, a
autora cita Arnet (2000), que propôs a designação “adultez emergente”. A adultez
emergente é a denominação proposta para os jovens que se situam entre os 18 e os
24 anos (embora este critério etário possa ser variável, o que corresponderia a um
período desenvolvimental com características próprias do ponto de vista psicossocial).
Deste modo, a designação incorpora aspectos de natureza social, que se repercutem
diretamente ao nível do desenvolvimento psicológico.
Claudia conclui que para diversos autores, a “estrada para a idade adulta” é
cada vez mais longa e a tarefa de “ser adulto”, do ponto de vista psicológico e social,
aparece como sendo mais exigente na atualidade, passando muitas vezes por ser, ou
adiada em termos temporais e a ser completada mais tardiamente, em termos etários.