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Técnico/a de Apoio à Gestão

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Legislação Comercial

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Agito – Formação & Serviços, L.da
Mário Santos

Entidade Promotora / Formadora:


Agito – Formação e Serviços, Lda.

2017
Técnico/a de Apoio à Gestão
Domínio de formação: Legislação Comercial
UFCD: 0563

Índice

Introdução ........................................................................................................................................................... 4

Âmbito do manual........................................................................................................................................... 4

Objetivo .......................................................................................................................................................... 4

Conteúdos programáticos .............................................................................................................................. 4

Carga horária.................................................................................................................................................. 5

1. Noções fundamentais de Direito ……………………………………………………………………………………..6

1.1. Introdução …………………………………………………………………………………………......................7

1.2. Fontes de direito ...................................................................................................................................... 8

1.3. Características da norma jurídica ............................................................................................................ 9

1.4. Distinção entre direito público e direito privado ..................................................................................... 11

1.5. O Direito Comercial ……………………………………………………………………………………………..13

2. Empresa e Direito ………………………………………………………………………………………………...….15

2.1.Tipos de empresas ................................................................................................................................. 18

2.1.1. Singulares ...................................................................................................................................... 19

2.1.1.1. O Empresário em nome individual .............................................................................................. 19

2.1.1.2. EIRL – Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada ............................................. 20

2.1.2. Coletivas ........................................................................................................................................ 20

2.1.2.1.Sociedades comerciais ................................................................................................................ 20

2.1.2.2. Sociedade em nome coletivo ...................................................................................................... 22

2.1.2.3. Sociedade por quotas ................................................................................................................. 22

2.1.2.4.Sociedade em comandita ............................................................................................................. 23

2.1.2.5. Sociedade anónima..................................................................................................................... 24

2.1.2.6. Sociedade unipessoal ................................................................................................................. 26

2.1.6.7. Sociedades civis ......................................................................................................................... 26

3.Contratos comerciais (mais comuns) ............................................................................................................. 28

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3.1. Contrato de compra e venda ................................................................................................................. 30

3.2. Contrato de locação .............................................................................................................................. 37

3.3. Contrato de prestação de serviços ........................................................................................................ 40

Bibliografia ........................................................................................................................................................ 43

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Introdução

Âmbito do manual
O presente manual foi concebido para servir como instrumento de apoio à unidade de formação de
Legislação comercial (de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações). Contempla toda a
material lecionada neste modulo, de forma explicita e clara.

Objetivo
• Interpretar a legislação comercial relevante para a atividade da empresa.

Conteúdos programáticos
• Noções fundamentais de Direito
o As fontes de Direito
o Características da norma jurídica
o Distinção entre direito público e direito privado
• A empresa e o Direito
o Tipos de empresas
▪ - Singulares
▪ - Empresário em nome individual
▪ - EIRL
▪ - Coletivas
▪ - Sociedades comerciais
▪ - Sociedade em nome coletivo
▪ - Sociedade por quotas
▪ - Sociedade em comandita
▪ - Sociedade anónima
▪ - Sociedade unipessoal
▪ - Sociedades civis
• Contratos comerciais mais usuais

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o Contrato de compra e venda


o Contrato de locação
o Contrato de prestação de serviços

Carga horária

25 horas

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1.Noções fundamentais de direito

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1.1 Introdução

Introduzir a temática do Direito nem sempre é tarefa fácil, visto a diversidade de doutrinas
que este abarca, portanto no primeiro capitulo deste manual, será efetuada um analise simplificada
de questões e matérias do Direito, recaindo especificamente no Direito Comercial que é o objeto
desta UFCD. De seguida, iremos estreitar a relação empresarial e o direito para finalizarmos com os
conceitos basilares para a elaboração de contratos comerciais.
Como é de conhecimento comum, desde os primórdios da vida em sociedade que o ser
humano enraizou um código de ética e conduta moral, que apelidou de normas morais, capazes de
fazer a distinção entre o bem e mal, o certo e o errado. Contudo, essas normas não pressupunham
qualquer tipo de punição para quem as infringia, de modo que se sentiu a necessidade de criar outro
tipo de normas, que fossem capazes de punir as infrações das normas morais. Foi então que
surgiram as normas jurídicas. Em termos muito simples, o Direito nascia e era descrito como um
conjunto de normas jurídicas, que no caso de acontecer a sua infração, este ditaria uma punição.
O conceito de Direito é frequentemente ligado erradamente exclusivamente a fenómenos
como sentença, aplicação de penas, tribunais, etc, mas, o que é certo, é que o Direito funciona, e o
nosso comportamento conforma-se com ele espontânea e naturalmente, sem que nos apercebamos.
O Direito tem a função de disciplinar as relações entre os indivíduos e de solucionar os conflitos de
interesses que entre eles surgem, tendo também, a função de disciplinar a constituição e
funcionamento dos órgãos do poder.
Na sociedade atual, é impensável viver sem um mínimo de princípios que regulem o agir
humano, tanto mais que são inevitáveis os conflitos de interesses, quer individuais, quer coletivos,
emergentes da raridade de certos bens (a sua insuficiência para satisfazer todas as necessidades
que os solicitam). É, então, necessário que na vida social existam regras que determinem a cada
indivíduo as suas formas de colaboração com os outros, por meio de atos ou omissões, na
prossecução dos fins sociais, sendo que a nível empresarial o mesmo também acontece.
Para regular a legislação comercial foi criado o código comercial, que contempla toda a
regulamentação relativa aos atos de comercio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nele
intervenham. Este código, é paro o Técnico de Apoio à Gestão uma ferramenta importantíssima para
a regulamentação do seu trabalho, devendo acompanha-lo sempre que se encontre a laborar.

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1.2. Fontes de direito

As fontes do Direito são várias, contudo apenas quatro se constituem verdadeiramente como
sendo fontes do direito, são elas:

• A Lei (sentido amplo);


• A Jurisprudência (o conjunto das decisões judiciais);
• A Doutrina (os contributos dos jurisconsultos na resolução dos problemas jurídicos);
• Os Usos e Costumes (valem apenas se a Lei lhes conferir eficácia).

A Lei

Em sentido amplo, a Lei é a manifestação do poder legislativo, ou seja, é considerada a


norma escrita proveniente dos órgãos estatais com poderes legislativos.

A Lei (em sentido amplo) pode assumir várias formas, existindo uma hierarquia que se respeita
hierarquicamente da seguinte forma:

• Constituição
• Lei
• Decreto-Lei
• Decreto Regulamentar
• Portaria
• Postura
• Etc.

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Jurisprudência

A jurisprudência não é mais que o conjunto das Decisões dos Tribunais, que é utilizada para
apoiar a conceção de novo Direito. No nosso sistema, o juiz é independente, e por isso não tem de
respeitar as decisões anteriores dos Tribunais, ou seja, as decisões dos Tribunais não fazem
precedente com exceção dos Acórdãos do Tribunal Constitucional que declaram a
inconstitucionalidade de uma Lei. Essas anulam a Lei e, por isso, são obrigatórias para todos.

Doutrina

A Doutrina define-se como sendo o conjunto de opiniões, estudos e pareceres jurídicos


elaborados por professores e técnicos de Direito de reconhecida competência sobre a forma
adequada e correta de aplicar, articular e interpretar as normas jurídicas. Esta fonte indireta do
Direito resulta de investigações e reflexões teóricas e de princípios metodicamente expostos,
analisados e sustentados pelos autores, tratadistas, jurisconsultos, no estudo das leis.

A Doutrina não é uma fonte de Direito de carácter vinculativo, funcionando apenas como
uma contribuição para que este possa ser elaborado e interpretado da maneira mais eficaz..
O seu valor é de tal forma importante que acaba por influenciar os Princípios Normativos, por
ajudar na elaboração e interpretação das leis, e na formação dos Juristas.

Usos e costumes

O Costume tem dois elementos essências que se interligam:


• Prática Social constante (corpus)
• Sentimento ou Convicção da sua obrigatoriedade (animus).

Sendo bastante discutível a admissão do Costume como fonte de Direito, a tendência vai no
sentido de os usos e costumes relevantes na ordem social serem acolhidos pelo legislador sob a
forma de Direito escrito, posto que a efetividade deste é tanto maior quanto maior for a sua
coincidência com as regras e práticas sociais aceites e consensualmente numa Comunidade. Se,
pelo contrário, as normas jurídicas forem totalmente alheias aos costumes prevalecentes na
sociedade, a aplicação daquelas pode gerar conflitos e revelarem-se de difícil aplicabilidade social.

1.3. Características da norma jurídica

A ordem jurídica expressa-se através de normas jurídicas, que são regras de conduta social
gerais, abstratas e imperativas, adotadas e impostas de forma coercitiva pelo Estado, através de
órgãos ou autoridades competentes para tal. A norma jurídica é o elemento básico do Direito, as
quais correspondem a normas de conduta social, mas que exprimem a ligação da situação da vida à

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necessidade de uma conduta, concluindo com uma consequência para a sua violação.

A norma jurídica é uma regra, uma fórmula, mas acima de tudo um modelo de
comportamento, sendo esta a característica (entre outras, nomeadamente a da coercibilidade) que a
distingue de outras regras (matemáticas, científicas, etc.).

O que é que as normas jurídicas têm de especial que as distingam de outras normas de
conduta? Que preceitos temos que verificar para confirmarmos que estamos perante normas
jurídicas? As seguintes características definem as normas jurídicas, sendo que se verificam
constantemente.

• Imperatividade:

A norma jurídica funciona como uma voz de comando, onde impõe um certo comportamento e não
se limita a dar conselhos.

• Generalidade:

A norma jurídica refere-se a todas as pessoas e não a destinatários singularmente determinados.

• Abstração:

A norma jurídica diz respeito a um número indeterminado de casos do mesmo tipo, e não a
situações concretas ou individualizadas.

• Coercibilidade:

Consiste na suscetibilidade de aplicação coerciva de sanções, se a norma for violada.

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1.4. Distinção entre direito público e direito privado

O Direito Privado define-se como:


• O conjunto das normas reguladoras das relações entre os particulares ou entre os
particulares e o Estado, quando este intervém despido de «Imperium».

O Direito Público define-se como:


• O conjunto de normas reguladoras das relações entre os Estados ou entre o Estado e os
particulares.

É Direito Público:

• Direito Internacional Público


É o conjunto de preceitos reguladores das relações estabelecidas entre os diversos
Estados: Acordos, Tratados, Praxes Internacionais, etc.

• Direito Constitucional
Conjunto de normas que regulam a organização fundamental do Estado e que fixam os
direitos e obrigações recíprocas do Estado e dos cidadãos.

• Direito Administrativo
Conjunto de normas que regulam a formação, competência e funcionamento dos órgãos
administrativos e disciplinam a atividade administrativa.

• Direito Criminal
Conjunto de normas que fixam os pressupostos da aplicação de sanções criminais.
Considera-se direito público porque protege fundamentalmente interesses de segurança e
de tranquilidade social.

• Direito Processual (civil, penal, fiscal)


Conjunto de regras que fixam os termos a observar na propositura das ações cíveis, na
instauração e desenvolvimento da ação penal.

É Direito Privado:

• Direito Civil ou Direito Privado Comum


É o direito regra, é o direito geral cujo campo de ação tende a estender-se a todas as
relações de direito privado.

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• Direito Comercial
• Direito privado especial que regula os atos de comércio.

• Direito Internacional Privado


É fundamentalmente constituído por aquelas normas que apenas se limitam a indicar a lei
reguladora das relações que estão em conexão com mais do que um sistema jurídico,
normas de conflitos.

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1.5 O Direito comercial

Noção e âmbito

O Direito Comercial é ramo de direito em que tradicionalmente são abordadas e estudadas


as Sociedades Comerciais, na sua qualidade de sujeitos de Direito Comercial. Este regula a
atividade dos sujeitos económicos mais relevantes no mercado: os comerciantes, ou seja,
empresários mercantis em nome individual ou organizados em sociedades comerciais, que se
caracterizam essencialmente pela profissionalidade dos seus atos.

O Direito Comercial não cuida, por isso, dos que exercem outras profissões, liberais
(advogados, médicos, engenheiros, arquitetos) ou manuais (pedreiros, marceneiros, eletricistas,
canalizadores, etc.), nem dos empresários civis, designadamente agrícolas ou pequenas indústrias
familiares, exceto se organizados sob a forma de sociedade comercial. Posto isto, a lei comercial
exclui expressamente do âmbito do comércio a agricultura, os ofícios mecânicos diretamente
exercidos (a chamada pequena empresa) e a atividade literária, bem como as atividades que lhes
sejam acessórias, tais como empresas de transformação acessórias de empresas agrícolas (i.é.,
delas primordialmente dependentes) e a edição de obras próprias.

Mas o Direito Comercial trata também dos negócios que instrumentalizam a atividade
económica dos comerciantes e de todos aqueles que com estes se relacionam, no exercício dessa
atividade e ainda de certos negócios que, por serem típicos da vida mercantil, estão sujeitos a um
regime próprio, independentemente da qualidade dos respetivos sujeitos e da intensidade (repetida
ou esporádica) com que são praticados.

De acordo com o artigo 1.º do Código Comercial:


• A «lei comercial rege os atos do comércio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nele
intervêm».

O direito comercial não é, pois, simplesmente o direito dos comerciantes, mas, sim, o direito da
matéria comercial. Não é, apenas, o comércio propriamente dito que é disciplinado por este direito.
Também, algumas indústrias, como a transformadora e a de transportes são reguladas pelo direito
comercial.

O direito comercial como direito privado especial

No âmbito do direito privado foi incluído o direito comercial, definido como direito privado
especial regulador dos atos do comércio. Diz-se que o direito comercial é especial perante o direito
civil, porque retira do âmbito do direito comum determinadas categorias que prevê e rege através de
normas, por vezes opostas às regras comuns.

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No sistema jurídico português, o direito comercial tem autonomia formal e substancial.


É um direito formalmente autónomo, porque as suas normas fundamentais se encontram num
Código próprio. É um direito substancialmente autónomo, porque a matéria mercantil foi retirada ao
direito privado comum para se reger pelos preceitos do Código Comercial.

A autonomização do direito comercial

Apesar de existir atividade comercial nas sociedades antigas, só a partir da Idade Média,
com o aparecimento das corporações (associações profissionais organizados para a defesa dos
interesses comuns) se foi diferenciando do direito civil, como um direito autónomo regulador do
exercício do comércio.

As razões que levaram à autonomização de um conjunto de preceitos que regulassem a


atividade comercial estão relacionadas com as características particulares desta atividade:
o Rapidez das transações (compromisso no qual há uma negociação);
o Necessidade de crédito.

Características do Direito Comercial

o Simplicidade
o Facilidade de crédito
o Universalidade
o Uniformidade

Se as questões sobre direitos e obrigações comerciais não puderem ser resolvidas, nem pelo
texto da lei comercial, nem pelos casos análogos (jurisprudência) neles prevenidos, serão decididos
pelo direito civil. O Direito civil é, pois, subsidiário do direito comercial, ou seja, quando determinado
caso não possa ser solucionado à luz da lei comercial (Código Comercial e todas as leis avulsas que
versem sobre matéria comercial), recorrer-se-á ao direito civil.
O Direito civil define-se como o ramo do Direito que trata do conjunto de normas reguladoras
dos direitos e obrigações de ordem privada concernente às pessoas, aos seus direitos e obrigações,
aos bens e às suas relações, enquanto membros da sociedade.

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2. A empresa e o Direito

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2.1. Tipos de empresas

A palavra «empresa» traduz um conceito atual que qualquer pessoa tende a identificar com
a ideia de negócio, estabelecimento, organização para a exploração de uma atividade, como
contraponto às antigas «oficinas», «ateliers». Não obstante a importância da «empresa», não foi
ainda aceite por todos como um conceito jurídico de «empresa», que reúna as várias perspetivas
que deveria ser olhada.
Na perspetiva da economia, a empresa é uma «unidade de produção», ou «uma unidade de
exploração económica», ou «uma unidade técnica de produção», uma organização com o objetivo
de criar coisas uteis, sob a forma de bens ou serviços, para obter o lucro.

A empresa no Direito Comercial Português

São consideradas empresas, singulares ou coletivas, as que se propuserem a:

1. Transformar por meio de fábricas ou manufaturas, matérias-primas, empregando operários,


ou operários e máquinas.
Manufatura é um estabelecimento fabril em que a técnica de
produção é artesanal, mas o trabalho é desempenhado por um
grande número de operários, que devem cumprir uma jornada de
trabalho com hora para iniciar e terminar, sob a direção de um
patrão. Embora o termo “manufatura” tenha a sua origem nas
"oficinas manuais", hoje a expressão é usada para fazer referência
às fábricas ou a um grande estabelecimento industrial. O termo
“produto manufaturado” é usado para nominar os bens produzidos
nas indústrias.

2. Fornecer, em épocas diferentes, géneros quer a particulares, quer ao Estado, mediante


preço convencionado (combinado).
3. Agenciar negócios ou leilões por conta de outrem em escritório aberto ao público, e
mediante salário estipulado.
4. Explorar quaisquer espetáculos públicos.
5. Editar, publicar ou vender obras científicas, literárias ou artísticas.
6. Edificar ou construir casas para outrem com materiais subministrados pelo empresário.
7. Transportar e regular, por água ou por terra, quaisquer pessoas, animais, alfaias ou
mercadorias de outrem.

É da disposição do Código Comercial de que se acabou de transcrever uma parte que resulta o
conceito de «empresa» no nosso Direito Comercial. Em primeiro lugar, a empresa é o comerciante,

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isto é, o empresário que exerce as atividades enumeradas no seu art. 1º a 7º. Mas a empresa é
também a atividade do empresário. Os art. 1º a 7º não aludem a um ato, mas a uma atividade, ou
seja, conjunto de atos entre si coordenados para a realização do mesmo fim.
A atividade do empresário há-de exercer-se através de uma organização que lhe sirva de
instrumento de trabalho.

Em suma, a empresa é:
o Em sentido subjetivo: o comerciante;
o Em sentido objetivo: a atividade que o comerciante exerce profissionalmente, servindo-se de
uma organização que é o estabelecimento comercial.

No código comercial verificamos que a atividade do empresário se realiza através de uma


organização, sendo esta o instrumento da atividade comercial, ou seja, o estabelecimento comercial.
Estabelecimento comercial é, assim, o conjunto de bens ou serviços organizados pelo comerciante
com vista ao exercício da sua atividade. É considerado uma universalidade de facto e de direito:
reúne todos os elementos necessários à atividade, tais como, as instalações onde funciona, as
licenças respetivas, os trabalhadores, a clientela, etc.

Requisitos da atividade comercial

O Código Comercial diz-nos especificamente quais são os atos de comércio, tipificando-os como:
• Todos os que se encontrem especialmente regulados no Código Comercial, ou seja, aqueles
que são sempre comerciais, independentemente da qualidade de comerciante de quem os
pratica - são os atos de comércio objetivos;

• Todos os atos praticados pelos comerciantes, exceto se: a sua natureza for exclusivamente
civil (por exemplo, o casamento), se provar que não têm relação com o comércio (como por
exemplo, se o comerciante compra uma casa para a habitação da sua família, este ato não
terá relação com o comércio) - são os atos de comércio subjetivos.

Assim, podemos dizer que os Comerciantes são:


• As pessoas que, tendo capacidade para praticar atos do comércio, fazem desta profissão –
os comerciantes em nome individual.
• As sociedades comerciais.

Obrigações dos comerciantes

Os comerciantes estão vinculados a determinadas obrigações, tais como:


• Criar uma firma;
• Ter uma escrituração (contabilidade);
• Efetuar o registo de determinados atos;
• Dar balanço e prestar contas.

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Estas obrigações a que os comerciantes estão vinculados têm por objetivo geral o exercício do
comércio de uma forma segura e mais justa, sendo especialmente, os objetivos destas obrigações
os seguintes:

o A firma tem por fim distinguir os comerciantes uns dos outros;


o A escrituração, o balanço e a prestação de contas têm por fim dar a conhecer a situação
económica do comerciante;
o O registo tem a finalidade de publicitar os atos dos comerciantes.

2.1.Tipos de empresas

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2.1.1. Singulares

As empresas singulares são aquelas que apenas têm um indivíduo como proprietário, o
qual, para além de deter a totalidade do capital, contribui com o seu trabalho na direção da empresa.
O empresário individual pode assumir uma responsabilidade limitada se optar pelo estatuto
de Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada (Maria Manuela E.I.R.L). Neste caso,
há uma separação entre os patrimónios particular e comercial e apenas este responderá pelas
dívidas contraídas pela empresa.

2.1.1.1. O Empresário em nome individual

Uma empresa individual ou um empresário em nome individual consiste numa empresa


titulada apenas por um só indivíduo ou pessoa singular, que afeta bens próprios à exploração do seu
negócio. O Empresário em Nome Individual pode exercer a sua atividade na área comercial,
industrial, de serviços ou agrícola.
O Proprietário e gestor são uma e a mesma pessoa, que é pessoalmente responsável por
todas as atividades da empresa. Responde ilimitadamente perante os credores pelas dívidas
(incluindo dívidas fiscais e no caso de falência) contraídas no exercício da sua atividade.
Nem sempre este tipo de empresas individuais assume uma forma jurídica regular, e são
raras as vezes que têm contabilidade organizada.
Apesar da sua muito pequena dimensão e aparente fragilidade, as empresas em nome
individual são muito numerosas, mesmo nas economias consideradas mais desenvolvidas. A firma
deverá ser constituída pelo nome civil completo ou abreviado do proprietário, seguido ou não da
atividade a que se dedica.

Exemplos
Maria José Abreu
M. J. Abreu
Maria José Abreu – Artesanato

VANTAGENS
• Ser proprietário único significa poder manter um controlo pronto, direto e completo sobre a
empresa e todas as suas atividades.

DESVANTAGENS
• A dimensão da empresa fica sempre limitada ao volume de recursos que o único proprietário
pode dispor;
• O único proprietário é responsável, perante a lei, por todas as dívidas da empresa, podendo
ser citado judicialmente.

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2.1.1.2. EIRL – Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada

Esta figura foi criada em Portugal em 1986 e, com a criação da figura de sociedades
unipessoais, o Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada (EIRL) passa a ter escassa
importância. É titulada por um único indivíduo ou pessoa singular e é composto por um património
autónomo ou de afetação especial ao estabelecimento, através do qual, uma pessoa singular
explora a sua empresa ou atividade, mas ao qual não é reconhecida personalidade jurídica.
O capital social não pode ser inferior a € 5.000 e pode ser realizado em numerário, coisas ou
direitos que possam ser alvo de penhora. Contudo, a parte em dinheiro não pode ser inferior a 2/3
do capital mínimo. As entradas em espécie deverão constar de um relatório elaborado por revisor
oficial de contas, que deverá instruir o pedido de registo, ou que deverá ser apresentado ao notário
no caso de constituição por escritura pública. A constituição do estabelecimento é obrigatoriamente
efetuado no Registo Comercial e publicada no Diário da República, tendo que ser destinada uma
fração dos lucros anuais não inferior a 20% a um fundo de reserva, até que este represente metade
do capital do estabelecimento.
Existe uma separação entre o património pessoal do empreendedor e o património afeto à
empresa, pelo que os bens próprios do empreendedor não se encontram afetos à exploração da
atividade económica. Pelas dívidas resultantes da atividade económica respondem apenas os bens
a ela afetos. Em caso de falência do empreendedor, e caso se prove que não decorria uma
separação total dos bens, o falido responde com todo o seu património pelas dívidas contraídas.
Ao nível da nomenclatura, a firma deve ser composta pelo nome civil, por extenso ou
abreviado, do empreendedor, podendo a este nome ser acrescido, ou não, da referência ao ramo de
atividade, mais o aditamento obrigatório Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada
ou E.I.R.L.

Exemplos
R. F. Andrade, E.I.R.L.
R. F. Andrade, comércio de equipamentos, E.I.R.L.

2.1.2. Coletivas

As empresas coletivas são todas as empresas constituídas por pelo menos duas pessoas,
denominados sócios, que respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais da
empresa. A administração cabe aos sócios, sendo vedada a nomeação a terceiros.

2.1.2.1. Sociedades comerciais

As sociedades comerciais são a estrutura típica da empresa nas economias de mercado,


embora a empresa possa ter outras formas jurídicas.

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A sociedade comporta duas realidades diferentes que se justapõem:


o Sociedade como contrato, através do qual se prosseguem determinados objetivos e que
supõe a participação de pessoas;
o Sociedade como instituição, a sociedade que resulta do ato de constituição, que será uma
estrutura devidamente organizada.

O contrato de sociedade é definido no Código Civil como:

«aquele em que duas ou mais pessoas se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o
exercício em comum de certa atividade económica, que não seja a de mera fruição, a fim de
repartirem os lucros resultantes dessa atividade».

A sociedade tem, assim, como características:


o Uma pluralidade de pessoas como seu substrato;
o A ideia de colaboração entre as pessoas, numa atividade com vista a um objetivo que é o
lucro;
o Conjugação de bens, isto é, um fundo comum que constituirá o património social;
o Uma organização que seja a base de realização dos objetivos.

De referir que os sócios das sociedades, tanto podem ser pessoas singulares, como
pessoas coletivas, como por exemplo outras sociedades. Esta noção de sociedade que nos é dada
pelo Código Civil é relevante para o Direito Comercial, pois a sociedade comercial é uma espécie de
sociedade. O contrato de sociedade para que seja válido, além dos requisitos de validade gerais,
deve conter os seguintes requisitos:
o Capacidade das partes;
o Objeto possível e legal;
o Mútuo consentimento;
o Adotar a forma escrita.

As sociedades são pessoas coletivas que, à semelhança das pessoas físicas, têm
personalidade jurídica, isto é, são sujeitos de direitos e obrigações. As sociedades compram,
vendem, intentam ações em Tribunal, mas porque são pessoas fictícias, não podem, como as
pessoas físicas, agir, por si, mas sim apenas através dos seus representantes que praticam atos e
agem em nome da sociedade.

São, assim, duas as condições para que se possa qualificar a sociedade como comercial:

o O fim (exercício do comércio);


o A forma (adoção de um dos tipos previstos na lei).

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2.1.2.2. Sociedade em nome coletivo

É uma sociedade de responsabilidade ilimitada em que os sócios respondem ilimitada e


subsidiariamente em relação à sociedade e solidariamente entre si perante os credores sociais. Este
tipo de sociedade não exige um montante mínimo obrigatório para o capital social, visto que os
sócios respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais da empresa.
O sócio para além de responder individualmente pela sua entrada, responde pelas
obrigações sociais, subsidiariamente em relação à sociedade e solidariamente com os outros sócios,
ou seja, o seu património pessoal pode ser afetado.
A firma pode ser composta pelo nome, completo ou abreviado, o apelido ou a firma de todos,
alguns ou, pelo menos, de um dos sócios, seguido do aditamento obrigatório por extenso "e
Companhia", abreviado e "Cia" ou qualquer outro que indicie a existência de mais sócios,
nomeadamente "e Irmãos";

Exemplos
Marques & Pereira
Marques & Cª
Marques E Companhia

2.1.2.3. Sociedade por quotas

É uma sociedade de responsabilidade limitada, ou seja, apenas o património da sociedade


responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. Este tipo de sociedade é composta por
dois ou mais sócios, não sendo admitidas contribuições de indústria (ou seja, o trabalho dos sócios,
a sua habilidade e os seus conhecimentos técnicos ou profissionais não são considerados para o
capital social da empresa.) e a firma deve terminar pela palavra "Limitada" ou sua abreviatura (Lda).
Na Sociedade por Quotas o capital social está dividido em quotas e a cada sócio fica a
pertencer uma quota correspondente à sua entrada. Os sócios são solidariamente responsáveis por
todas as entradas convencionadas no contrato social. As sociedades por quotas até 2011 eram
obrigadas a apresentar um capital social superior a 5.000€, contudo, após alteração à legislação,
desde esse ano que deixou de haver um limite mínimo para o capital social de uma empresa,
podendo os sócios fixar livremente o valor do capital. O capital social é representado por quotas, que
poderão ter ou não um valor idêntico (mas nunca inferior a € 1 cada), ou seja, na pratica o capital
social mínimo nunca será inferior a €. 2.
No caso da realização do capital social ser superior ao mínimo legal, não tem de ser
integralmente realizado no momento da constituição, podendo ser diferidas entradas em dinheiro
que não ultrapassem 50% do capital social por um período máximo de cinco anos a contar da data
da constituição da sociedade. Contudo, o capital realizado em dinheiro à data da constituição deve
perfazer o capital mínimo fixado na lei e deve ser depositado em instituição de crédito, numa conta
em nome da futura sociedade.

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Neste tipo de sociedade, só o património social responde para com os credores pelas
dívidas da sociedade, salvo acordo em contrário, sendo que nesse caso se pode estipular que um
ou mais sócios, além de responderem para com a sociedade respondem também perante os
credores sociais até determinado montante (responsabilidade que pode ser solidária com a
sociedade ou subsidiária em relação a esta e a efetivar apenas na fase de liquidação).

A firma deve ser formada:


a) Com ou sem sigla, pelo nome ou firma de todos, algum ou alguns sócios, aditando-
lhes ou não expressão que dê a conhecer o objeto social;
b) Por denominação particular, aditando-lhe ou não expressão que dê a conhecer o
objeto social;
c) Pela reunião de a) e b);
d) Deve terminar sempre pela expressão "Limitada" ou pela abreviatura "Lda".

Exemplos
Alves, Pereira & Freitas, Lda.
A.P.F. - Alves, Pereira & Freitas, Lda.
TexLar – Comércio de Têxteis, Lda .

2.1.2.4. Sociedade em comandita

Cada um dos sócios comanditários responde apenas pela sua entrada. Os sócios
comanditados respondem pelas dívidas da sociedade nos termos da sociedade em nome coletivo. O
traço distintivo reside na circunstância de terem duas espécies de sócios, com regimes de
responsabilidade diferentes:
o Os sócios comanditados assumem responsabilidade pelas dívidas da sociedade, nos
mesmos termos dos sócios das sociedades em nome conectivo;
o Os sócios comanditários não respondem por quaisquer dívidas da sociedade, à semelhança
do que acontece com os sócios das sociedades anónimas. Respondem, apenas, pelas suas
entradas.

Mas dentro deste tipo de sociedades, e pelo que toca às participações sociais, surgem-nos dois sub-
tipos:

o Sociedades em comandita simples: as participações de ambas as espécies de sócios,


comanditados e comanditários, denominam-se partes sociais, e tal como as participações
homólogas das sociedades em como coletivo, não são representadas por quaisquer títulos;

o Nas sociedades em comandita por ações: as participações dos sócios comanditados são
igualmente partes sociais, mas as participações dos sócios comanditários são ações
tituladas e regidas pelos preceitos próprios do regime das sociedades anónimas, tal como é

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indica a legislação das Sociedades Anónimas especificamente no seu regime


organizacional. Não pode constituir-se com menos de 5 sócios comanditários.

Nas sociedades em comandita um capitalista provê um empresário comercial dos meios de que
este carece para impulsionar o seu negócio. Realmente, tal fenómeno ocorre tanto no mútuo, como
na associação ou conta em participação e na sociedade em comandita, apenas com diversificação
do grau de envolvimento do capitalista no empreendimento comercial.
A firma é formada pelo nome ou firma de um, pelo menos, dos sócios comanditários e o
aditamento “ Em Comandita” ou “& Comandita” (para a comandita simples) / "Em Comandita por
Ações" ou "& Comandita por Ações". Subsidiariamente, aplica-se o regime das sociedades
anónimas a este tipo de sociedade.

2.1.2.5. Sociedade anónima

É uma sociedade de responsabilidade limitada em que os sócios limitam a sua


responsabilidade ao valor das ações por si subscritas, pelo que os credores da sociedade só se
podem fazer pagar pelo património da sociedade. O elemento fundamental deste tipo de sociedades
é o capital, que é o titulado por um grande número de pequenos acionistas ou por um pequeno
número de grandes acionistas com poder financeiro. Assim, é o tipo de sociedade adequado à
realização de grandes investimentos.
O capital social está dividido em ações que se caracterizam pela facilidade de transmissão,
e o número mínimo de sócios, normalmente chamados acionistas, é cinco, não sendo admitidos
sócios de indústria. É possível constituir uma sociedade anónima com um só sócio, desde que este
seja uma sociedade (os sócios das sociedades podem ser pessoas singulares ou pessoas coletivas,
nomeadamente sociedades).
O capital social não pode ser inferior a €. 50 000 e encontra-se dividido em ações, cujo valor
nominal não pode ser inferior a um cêntimo. As ações têm todas o mesmo valor nominal e são
representadas por títulos, tendo que, os subscritores das ações realizar, o mínimo de 30% do valor
nominal das ações.
A subscrição das ações pode ser pública ou particular, ou seja, pública quando qualquer
pessoa tem a faculdade de subscrever uma ou mais ações para o capital social e particular quando
o capital social for subscrito apenas pelos sócios fundadores.
As ações podem ser:
o Nominativas: transmitem-se pela declaração do seu titular escrito no título.
o Ao portador: a transmissão opera-se por mera transferência do título para outrem.

A firma das sociedades anónimas

A firma pode ser composta pelo nome (ou firma) de algum ou de todos os sócios, por uma
denominação particular ou uma reunião dos dois. Em qualquer dos casos, tem que ser seguida do
aditamento obrigatório "Sociedade Anónima" ou abreviado - "S.A.".

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Os órgãos da sociedade anónima são:


o Assembleia geral - órgão deliberativo.
o Conselho de Administração – órgão executivo.
o Conselho Fiscal – órgão fiscalizador.

A assembleia geral é convocada pelo presidente da mesa através de publicação com


antecedência de um mês. No caso de as ações serem todas nominativas, o contrato social pode
estipular que as convocatórias das assembleias gerais sejam feitas por carta registada.
As deliberações da assembleia geral são tomadas por maioria de votos, salvo se o contrato ou a
lei exigir maior número de votos. Em regra, a cada ação corresponde um voto, mas o contrato pode
estabelecer de modo diferente, tendo que as deliberações da assembleia geral ser reduzidas a
escrito, em atas.
A administração e a fiscalização da sociedade anónima podem organizar-se segundo uma de
duas formas:
• Conselho de Administração e Conselho Fiscal;
• Direção, Conselho Geral e Revisor Oficial de Contas.

A administração é normalmente eleita pela assembleia geral e cabe-lhe gerir as atividades da


sociedade. Os lucros apurados no final do exercício são distribuídos pelo número de ações, ato
chamado de dividendo, que é o rendimento de cada ação. Cada ação detida dá direito a um voto na
Assembleia Geral (constituída por todos os acionistas e que reúne, pelo menos, uma vez por ano) e
também à receção de um dividendo (parcela dos lucros apurados no ano anterior).
Relativamente à nomenclatura da sociedade, esta chama-se anónima porque estas ações
(sendo títulos representativos de participação no capital da empresa) podem mudar frequentemente
de mãos e, a cada momento, e nem sempre se sabe muito bem quem é que as possui. A
esmagadora maioria das empresas de grande dimensão assumem esta forma jurídica.

VANTAGENS
• É encarada pela lei como uma entidade totalmente distinta dos indivíduos a quem pertence.
Este processo de financiamento da sociedade anónima implica normalmente que nem os
donos da empresa possam ser os gestores, permitindo uma certa divisão das funções de
decisão, oferta de capital e de aceitação de risco;
• Para os acionistas, o aspeto mais importante de uma sociedade por ações, é a
responsabilidade limitada que esta forma jurídica lhes assegura;
• A principal vantagem da sociedade anónima é o facto desta poder atrair o dinheiro
(financiamento) de um número muito grande de indivíduos (mesmo pessoas de recursos
medianos ou mesmo pequenos);
• Do ponto de vista empresarial:
1. Poder reunir-se e realizar-se uma grande quantidade de capital, permitindo financiar
a constituição de unidades de grande dimensão e a posterior expansão das suas
atividades;

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2. Como as ações são fácil e diretamente transferíveis de um possuidor para outro, a


sociedade por ações pode ter uma vida praticamente independente das mudanças
mais ou menos frequentes dos seus proprietários acionistas.

DESVANTAGENS
• A sociedade anónima, muito embora seja uma forma alternativa de aplicação de poupanças,
pode ter as suas desvantagens. Uma delas é a influência do acionista individual sobre a
gestão da empresa ser normalmente pequena;
• A Tributação dos rendimentos da atividade empresarial. A empresa paga impostos sobre os
lucros que obtém (IRC), tal como os acionistas pagam imposto sobre os dividendos que
recebem (IRS).

2.1.2.6. Sociedade unipessoal

É constituída por um único sócio, pessoa singular ou coletiva, que é o titular da totalidade do
capital social, sendo seu mínimo de €. 1. Apenas o património social responde pelas dívidas da
sociedade.
A sociedade unipessoal por quotas pode resultar de:
a. Concentração do capital de uma sociedade por quotas num único sócio;
b. Transformação de um estabelecimento individual de responsabilidade limitada;
c. Constituição de raiz de uma sociedade unipessoal por quotas.

Uma pessoa singular só pode ser sócia de uma única sociedade unipessoal por quotas, sendo
que, a sociedade por quotas, não pode ter como sócio único outra sociedade unipessoal por quotas.
A firma, para além das regras relativas às Sociedades por Quotas, deve ter em conta o seguinte:
antes da expressão "Limitada" ou da abreviatura "Lda." deve constar a expressão "Sociedade
Unipessoal" ou "Unipessoal".

Exemplos
João José Freitas, Unipessoal, Lda
J.J.F. – João José Freitas, Comércio de Automóveis, Sociedade Unipessoal, Lda
Jocas – Comércio de Automóveis, Unipessoal

2.1.6.7. Sociedades civis

Além de sociedades comerciais, existem Sociedades civis, que são consideradas aquelas
que não têm por fim a prática de atos do comércio, nem adotaram um dos tipos previstos na lei
comercial. Como exemplos deste grupo de sociedades temos as tão conhecidas Associações,
Órgãos de defesa do consumidor, grupos ambientalistas, etc.

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Apesar disto, é possível distinguir entre dois tipos de sociedades civis, as que se encontram
constituídas sob a forma comercial e as sociedades civis simples:

Sociedades civis sob forma comercial

As sociedades civis sob a forma comercial caracterizam-se pelo facto de não terem por
objeto social a prática de atos de comércio nem o exercício de quaisquer atividades previstas no
Código Comercial, contudo, a lei comercial portuguesa admite a possibilidade dessas sociedades
civis adotarem as formas comerciais para efeito de estruturação das quatro formas que pode revestir
a sociedade comercial. Neste caso, passam a chamar-se sociedades civis sob forma comercial e
ficam sujeitas às disposições do Código das Sociedades Comerciais. No entanto, não ficam sujeitas
a um conjunto de obrigações específicas das sociedades comerciais, contudo possuem
personalidade jurídica.

Sociedades civis simples

São aquelas que não têm por objeto a prática de atos comerciais e estão sujeitas ao regime
do Código Civil. Estas sociedades civis simples, distinguem-se das sociedades civis sob forma
comercial, dada a forma que revestem, que está relacionada com a sua organização formal.
Encontram-se subordinadas ao regime da lei civil (Código Civil) e não à lei comercial. No que toca à
responsabilidade dos sócios, segue-se o modelo de responsabilidade dos sócios das sociedades em
nome coletivo. Para além da responsabilidade dos bens de entrada, existe responsabilidade pessoal
e solidaria pelas dívidas sociais.

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3.Contratos comerciais (mais comuns)

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“Acordo vinculativo assente sobre duas ou mais declarações de vontade substancialmente distintas
que visam estabelecer uma regulamentação unitária de interesses contraditórios, mas harmónicos
entre si.”

A definição de contrato acima descrita foca um ponto extremamente importante, a vontade.


Ora, o contrato é considerado uma fonte de obrigações, portanto antes de assinar qualquer contrato
verifique se efetivamente este é vantajoso para si e se vai ao encontro daquilo que efetivamente
necessita. Mais do que uma das fontes possíveis de obrigações, o contrato, como negócio jurídico
bilateral que é, pode considerar-se a fonte natural da relação entre dois ou mais intervenientes,
sendo que, é por vontade de ambos, através do acordo contratual, que o vínculo fica constituído.
Um dos princípios fundamentais do regime dos contratos, expresso no Código Civil, é o
princípio da liberdade contratual. Este princípio comporta duas dimensões diferentes, a liberdade de
contratar e a liberdade de fixar o conteúdo dos contratos.

Liberdade de contratar

A liberdade de contratar, consiste na capacidade reconhecida às pessoas de criarem


livremente entre si acordos destinados a regular os seus interesses recíprocos. Mas, uma vez
concluído o acordo, é negada a cada uma das partes a possibilidade de unilateralmente se afastar
desse acordo, a não ser que o próprio contrato assim o contemple.

Liberdade de fixar o conteúdo dos contratos

A liberdade de fixar o conteúdo dos contratos consiste na possibilidade das pessoas, ou


seja, as partes envolvidas no contrato, celebrarem qualquer contrato tipificado na lei, de acrescentar
a qualquer destes contratos as cláusulas que melhor lhes convierem ou, ainda de realizar contratos
distintos dos que a lei prevê e regula.
Contudo, e apesar destas duas premissas serem essências para a elaboração de um
contrato, quer a liberdade de contratar quer a liberdade de fixar o conteúdo dos contratos têm
limites. Há determinadas situações em que as pessoas, quer tenham ou não vontade, são obrigadas
a contratar um determinado tipo de serviços (seguro automóvel).
No que se refere ao conteúdo dos contratos, a liberdade de o fixar tem, desde logo, os
limites da lei (não podem estabelecer-se cláusulas contrárias à lei), visto que, do contrato nascem
direitos e deveres para os contraentes que terão que estar conformes à luz da legislação.
Um contrato para ser válido tem de conter elementos essenciais, tais como, as partes terão
que ter capacidade e vontade de o realizar, e o próprio objeto do contrato terá que ser física e
legalmente possível. Contudo, e devido ao enorme numero de contratos existentes e à sua variada
natureza, existem alguns contratos que, para além destes elementos, têm de adotar uma forma
especial para serem válidos.
Os contratos devem ser cumpridos no seu todo, senão, quem deixar de o cumprir torna-se
responsável pelo prejuízo causado à outra parte, podendo, dependente do contrato, ver o seu
património responder perante a outra parte.

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Os contratos estão regulados no Código Civil Português e alguns deles são considerados
também comerciais, sempre que verificadas determinadas circunstâncias.
À luz da legislação comercial e principalmente do curso de Técnico de Apoio à Gestão,
abordaremos pormenorizadamente três tipos de contratos que são os mais comuns e usuais no dia-
a-dia desta profissão, são eles o contrato de compra e venda, o contrato de locação e o contrato de
prestação de serviços.

3.1. Contrato de compra e venda

Em termos muito gerais, a compra e venda é o contrato pelo qual um dos contraentes
(vendedor) transmite a propriedade de um bem ou de um direito para o outro contraente
(comprador), mediante um preço convencionado.
A compra e venda tem natureza comercial quando uma das partes – vendedor – transfere
para outra – comprador – mediante preço convencionado, a propriedade de qualquer coisa que o
comprador destine a revenda ou aluguer, ou que o vendedor tenha adquirido com o fim de revender.
Os contratos de compra e venda podem ser vistos de dois prismas diferentes, podendo-se
dizer que os contratos podem ser:
• De natureza Comercial;
• E de natureza Civil.

São considerados de natureza comercial:


• As compras de coisas móveis para revender, em bruto ou trabalhadas, ou simplesmente
para alugar;
• As compras, para revenda, de fundos públicos ou de quaisquer títulos de crédito
negociáveis;
• A venda de coisas móveis, em bruto ou trabalhadas, e as de fundos públicos e de quaisquer
títulos de crédito negociáveis, quando a aquisição houvesse sido feita no intuito de as
revender;
• As compras e revendas de bens imóveis ou de direitos a eles inerentes, quando aquelas,
para estas, houverem sido feitas;
• As compras e vendas de partes ou de ações de sociedades comerciais.

São considerados de natureza civil (não comercial):


• As compras de quaisquer coisas móveis destinadas ao uso ou consumo do comprador ou da
sua família e as revendas que porventura desses objetos se venham a fazer;
• As vendas que o proprietário ou explorador rural faça dos produtos de propriedade sua ou
por ele explorada e dos géneros em que lhe houverem sido pagas quaisquer rendas;
• As compras que os artistas, industriais, mestres e todos os ofícios mecânicos que
exercerem diretamente a sua arte, indústria ou oficio, fizerem de objetos para transformarem
ou aperfeiçoarem nos seus estabelecimentos e as vendas de tais objetos que fizerem
depois de assim transformados ou aperfeiçoados;
• As compras e vendas de animais feitas pelos criadores.

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O contrato, independentemente da natureza da compra e venda (comercial ou civil), percorre


habitualmente quatro etapas essenciais, cada uma com características próprias.

1. Encomenda - Fase em que se expressa a intenção de compra por parte do comprador;


2. Entrega - Fase em que se processa o envio das mercadorias pelo vendedor;
3. Liquidação - Fase do apuramento e fixação dos preços a pagar pelo comprador;
4. Pagamento - Fase referente ao cumprimento da obrigação por parte do comprador,
mediante a entrega total ou parcial da importância atribuída à sua compra.

Para uma mais fácil identificação e rigor, é usual os contratos mencionarem os seguintes
elementos, úteis para o processamento do controlo administrativo:

• Os elementos de identificação do fornecedor/cliente;


• O objeto do contrato, suficientemente especificado;
• O prazo durante o qual se realizará o fornecimento dos bens ou as prestações de serviços,
com indicação das respetivas datas de início e termo;
• As garantias financeiras oferecidas à execução do contrato;
• A forma, os prazos e demais aspetos respeitantes ao regime de pagamentos.

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MINUTA DE CONTRATO-PROMESSA DE COMPRA E VENDA

Entre os aqui identificados:

____________, sociedade comercial, com sede na Av./Rua ____________, n.º ____________ em


____________, matrícula/NIPC n.os ____________, com o capital social de € ____________
(____________), devidamente representada para o ato pelo seu gerente/administrador/procurador
com poderes para efeito, doravante designada por Promitente-Vendedora;

____________, sociedade comercial, com sede na Av./Rua ____________, n.º ____________, em


____________, matrícula/NIPC com o capital social de € ____________ (____________),
devidamente representada pelo seu gerente/administrador/procurador com poderes para o ato,
doravante designada por Promitente-Compradora.

É celebrado de boa-fé ou /e reciprocamente acordado o presente contrato promessa de compra e


venda que se regerá pelas seguintes cláusulas:

Cláusula Primeira
(Objeto)

1. Pelo presente contrato, a Promitente-Vendedora, na qualidade de única e legítima


proprietária do "____________", promete vender à Promitente-Compradora, que por seu turno
promete comprar, a "Fração" e o "Lugar de Estacionamento" acima identificados.

2. A venda ora prometida será efetuada livre de quaisquer ónus, hipotecas ou quaisquer outros
encargos ou responsabilidades.

Cláusula Segunda
(Preço)

O preço global da prometida compra e venda das referidas frações é livremente ajustado em €
____________ (____________), em que € ____________, (____________) correspondem à
"Fração" e € ____________ (____________) correspondem ao "Lugar de Estacionamento".

Cláusula Terceira
(Condições de Pagamento)

1. O preço global referido na cláusula anterior será pago de forma escalonada pela Promitente-
Compradora à Promitente-Vendedora da seguinte forma:

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a) € _____________ (____________), na data da outorga deste contrato-promessa, a título de


sinal (ii) e princípio de pagamento, servindo o mesmo como recibo de quitação;
b) € ____________ (____________), em ____/____/____ a título de reforço do sinal;
c) € ____________ (____________), em ____/____/____ a título de reforço do sinal;
d) O remanescente do preço, no montante de € ____________ (____________), será liquidado
pela primeira à segunda na data da outorga da competente Escritura Pública de Compra e Venda (
ou documento particular autenticado).

2. Após a entrega dos reforços acima previstos, e sua boa cobrança, a segunda contraente
deverá emitir o respetivo recibo de quitação.

Cláusula Quarta
(Escritura Pública)

A escritura de compra e venda (ou o documento particular autenticado) será outorgada logo que se
mostrem pagos os reforços previstos na antecedente cláusula e mostre reunida toda a
documentação necessária, e em dia, hora e local a acordar pelas partes ou, na falta de acordo, em
dia, hora e local a indicar pela Promitente-Vendedora à Promitente-Compradora, através de carta
registada expedida com pelo menos 8 dias de antecedência.

Cláusula Quinta
(Prorrogação do prazo para Escritura Pública)

1. A Promitente-Vendedora poderá, caso assim o entenda, prorrogar o prazo limite previsto na


cláusula anterior para a outorga da prometida escritura de compra e venda por mais ____________
meses. (

2. No entanto, se a Promitente-Vendedora vier a usar desta faculdade compromete-se a pagar


à Promitente-Compradora juros à taxa de ____________ ao ano, calculados sobre a parte do preço
que estiver já pago e pelo período de prorrogação e a Promitente-Compradora fica autorizada a
deduzir no montante do preço em dívida o valor dos juros calculados pela mora da Promitente-
Vendedora.

Cláusula Sexta
(Condições de Construção)

A Promitente-Vendedora compromete-se a completar a construção do "____________" de acordo


com o Projeto, a Licença de Construção e as Especificações Técnicas.

Cláusula Sétima
(Placas Identificadoras)

Eventuais alterações ao projeto que impliquem, alterações às frações prometidas vender,

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designadamente em termos de áreas, deverão ser efetuadas de comum acordo com a Promitente-
Vendedora.

Cláusula Oitava
(Tradição da Coisa)

A tradição material das frações, a concretizar com a entrega das chaves e comando da garagem, só
terá lugar com o pagamento da totalidade do preço. (

Cláusula Nona
(Despesas do Condomínio)

A partir da data em que se operar a tradição material das “frações” prometidas vender, a Promitente-
Compradora obriga-se a suportar e pagar todas as despesas de conservação e manutenção das
partes comuns do edifício.

Cláusula Décima
(Obras e Benfeitorias)

Sem prejuízo dos projetos aprovados e das especificações técnicas do imóvel, a Promitente-
Compradora poderá, com o consentimento prévio e por escrito da Promitente-Vendedora, executar
obras de simples adaptação na "Fração" à atividade de ____________ que nela irá ser exercida.

Cláusula Décima Primeira


(Despesas Contratuais)

Todas e quaisquer despesas relacionadas com o presente contrato, designadamente as relativas à


respetiva escritura pública, IMT, dos emolumentos Notariais e dos custos de Registo, serão de
exclusiva responsabilidade da Promitente-Compradora.

Cláusula Décima Segunda


(Conclusão da Obra)

A conclusão da construção do "____________" está prevista para ____/____/____,


comprometendo-se a Promitente-Vendedora a efetuar a entrega da "Fração" a favor da Promitente-
Compradora até um mês após essa data, excetuando-se eventual dilação deste prazo por motivos
de força maior, ou pela ocorrência de casos fortuitos ou outras circunstâncias não culposas,
responsabilidade ou vontade da Promitente-Vendedora e que não lhe possam vir a ser imputadas e
que, portanto, não constituirão incumprimento deste contrato.

Cláusula Décima Terceira


(Cessão da Posição Contratual)

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A posição contratual e os direitos previstos no presente contrato podem ser cedidos ou transferidos,
pela Promitente-Vendedora, devendo a cessão ser comunicada à Promitente-Compradora no prazo
de 15 dias através de carta registada com aviso de receção.

Cláusula Décima Quarta


(Mora, Incumprimento e desistência)

1. No caso de a Promitente-Compradora, independentemente do motivo, não efetuar qualquer


das prestações de reforço do preço nas datas fixadas na cláusula terceira deste contrato, poderá a
Promitente-Vendedora aceitar a prestação em mora no prazo máximo de 30 dias contados daquelas
datas, sofrendo porém o valor em atraso o aumento correspondente aos juros de mora calculados à
taxa A.P.B. a 90 / 180 dias, acrescida de mais 2% (dois por cento) contados dia a dia.

2. Decorrido o prazo 30 dias fixado no número anterior, sem que a importância em dívida tenha
sido liquidada, constitui a Promitente-Compradora em incumprimento definitivo e confere à
Promitente-Vendedora o direito de resolver automaticamente o presente contrato e optar por fazer
suas todas as importâncias recebidas a título de sinal e respetivo reforços ou solicitar da Promitente-
Compradora a quantia correspondente a 50 % do preço global fixado na cláusula segunda, sem
prejuízo de indemnização pelo dano excedente.

3. Sem prejuízo do disposto na cláusula quinta, o incumprimento definitivo pela Promitente-


Vendedora, traduzida na falta de entrega material das "Frações" a favor da Promitente-Compradora
no prazo fixado confere à Promitente-Compradora o direito de resolver este contrato e de exigir da
Promitente-Vendedora a restituição em dobro de todas as importâncias entregues a título de sinal e
reforços.

4. O incumprimento do presente contrato promessa por qualquer uma das partes, não implica o
afastamento da possibilidade de o Promitente não faltoso requerer, em alternativa, a execução
específica nos termos do artigo 830.º do Código Civil.

Cláusula Décima Quinta


(Partes Comuns)

O ____________ dispõe, como partes comuns, de ____________, ____________, e ____________


para utilização dos Condóminos.

Cláusula Décima Sexta


(Modificações)

Este contrato-promessa e seus anexos traduzem e constitui o integral acordo celebrado entre as
partes, só podendo ser alterado por escrito assinado por ambas.

Cláusula Décima Sétima

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(Notificações)

1. As eventuais notificações a efetuar pelas partes deverão ser dirigidas para as moradas
indicadas no introito.

2. As partes obrigam-se a comunicar entre si eventuais alterações de morada através de carta


registada.

Cláusula Décima Oitava


(Foro Competente)

Para qualquer litígio entre as partes emergentes da interpretação, execução ou integração deste
Contrato-Promessa será competente, com expressa renúncia a qualquer outro, o foro da Comarca
de ____________.

Em duplicado,
____________ de ____________ de ____________

Pela "PROMITENTE-VENDEDORA"______________________
Pela "PROMITENTE-COMPRADORA"_____________________

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3.2. Contrato de locação

A Locação é uma forma de contrato pelo qual uma das partes se obriga a proporcionar à
outra o gozo temporário de uma coisa, mediante retribuição. Se a coisa for móvel, a locação toma o
nome de aluguer, se a coisa for imóvel, a locação diz-se arrendamento.
Quando uma pessoa compra uma coisa com o objetivo de alugar o seu uso, o aluguer terá a
natureza comercial (o arrendamento urbano está regulado no Código Civil e também num diploma
legal que aprovou o Regime do Arrendamento Urbano).
O arrendamento para comércio, indústria ou profissão liberal tem uma regra diferente da do
arrendamento para habitação, ou seja, o arrendatário pode transmitir a sua posição no
arrendamento, sem que o senhorio tenha de dar autorização, no caso de trespasse de
estabelecimento comercial, tendo o senhorio, no entanto, direito de preferência, no trespasse.
O trespasse de estabelecimento comercial consiste na transferência de um estabelecimento
comercial ou industrial e abrange, normalmente, todos os elementos que o compõem.

Contrato de locação financeira (leasing)


A empresa X quer comprar três automóveis, não podendo dispor, desde logo, do valor
necessário para a sua compra, celebra um contrato de leasing, isto é, adquire o uso dos automóveis,
mediante o pagamento de uma prestação mensal, podendo, no final do período, adquirir a
propriedade dos automóveis.
O contrato de locação financeira ou leasing é definido como o contrato pelo qual alguém
cede a outrem o gozo de uma coisa mediante o pagamento de uma retribuição a pagar
periodicamente, e ao fim de determinado período, aquele a quem foi dado o gozo da coisa tem a
facilidade de a comprar pelo valor residual.

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MINUTA DE CONTRATO DE LOCAÇÃO COM OPÇÃO DE COMPRA

Entre:
F1 ____________ (adiante designado Locador)
e
F2 ___________ (adiante designado Locatário)
É celebrado o presente contrato, que se rege pelos termos e condições das cláusulas seguintes:

Cláusula 1ª

O Locador dá de aluguer ao Locatário a/o (Identificação da coisa dada de aluguer).


________ para (descrição do fim a que se destina o aluguer da coisa).

Cláusula 2ª

1. O prazo do aluguer é de _____ meses, não renovável, findo o qual termina automaticamente sem
necessidade de qualquer comunicação entre as partes.
2. No final do prazo do aluguer, o Locatário deverá entregar o _______ em _____, ou noutro local
que venha a ser indicado pelo Locador.

Cláusula 3ª

1. O Locatário pagará um aluguer mensal de _____€ __ ( ___________ euros), vencendo-se o


primeiro aluguer na data da celebração do presente contrato e os restantes no primeiro dia útil de
cada mês a que respeita.
2. Os alugueres deverão ser pagos no domicílio/sede do Locador [ou por depósito na conta
____________ junto do Banco_______].

Cláusula 4ª

1. O Locador obriga-se a vender ao Locatário, no final do prazo do contrato e caso este manifeste a
vontade de o adquirir o bem locado, pelo preço de ___________.
2. O Locatário deverá manifestar a vontade de adquirir o bem locado por carta registada com aviso
de receção, enviada com uma antecedência mínima de 30 dias relativamente ao prazo final do
contrato.
3. O preço referido no número um da presente cláusula será pago no termo do contrato de aluguer,
considerando-se a propriedade do bem transmitida para o Locatário na data do pagamento do preço
correspondente.
4. O direito do Locatário a comprar o bem locado cessará se este não cumprir, temporária ou
definitivamente, o contrato de locação.

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Cláusula 5ª

Fica expressamente proibida a sublocação ou a cedência, a qualquer título, do bem alugado sem o
consentimento prévio e escrito do Locador.

Cláusula 6ª

Para todas as questões emergentes do presente contrato fica estipulado como competente o tribunal
da Comarca de ______, com expressa renúncia a qualquer outro.

Feito em ________, em dois exemplares, sendo um para cada parte.

O Locador,___________________

O Locatário,__________________

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3.3. Contrato de prestação de serviços

O contrato de prestação de serviços é considerado o contrato pelo qual uma das partes se
obriga a proporcionar à outra certo e determinado serviço, resultado do seu trabalho intelectual ou
manual, com ou sem retribuição.

Modalidades de Contrato de Prestação de Serviços

Contrato de Mandato

É o contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais atos jurídicos por
conta de outra. Nesta modalidade a empresa, mandante, incumbe outrem, mandatário, de praticar
um ou mais atos jurídicos por conta daquela, ou seja, no seu interesse, retribuindo-lhe de acordo
com o combinado entre ambos, quando o mandatário não o faça gratuitamente.
Para tal a empresa poderá conferir ao mandatário poderes de representação (mandato com
representação) através de procuração (ato pelo qual alguém atribui a outrem, voluntariamente,
poderes representativos).

Contrato de Empreitada

É o contrato pelo qual uma das partes se obriga em relação à outra a realizar certa obra,
mediante um preço. Trata-se de um contrato cujo objeto consiste num produto ou resultado e não
numa atividade ou disponibilidade da força de trabalho.

Mandato Comercial

É o contrato pelo qual uma pessoa se encarrega de praticar um ou mais atos de comércio
por mandato de outrem (art. 231.º Código Comercial). O mandato comercial, embora contenha
poderes gerais, só pode autorizar atos não mercantis por declaração expressa.
O mandatário comercial é aquele que pratica uma massa de atos mercantis, fazendo disso a
sua profissão, mas atuando em nome, por conta e no interesse do mandante, que é o comerciante
(trabalho de comercial). Os atos e negócios em que intervém o mandatário são de natureza
comercial, ou seja, a sua comercialidade provém do facto de se ajustarem a um tipo de atos
previstos pela lei comercial e não da qualidade de comerciante de quem os pratica.
São mandatários comerciais o gerente, o auxiliar do comerciante, o caixeiro do
estabelecimento e o caixeiro-viajante.
Para além destes tipos de mandatários, que trabalham por conta e nome do mandante e
cuja situação jurídico-comercial pode ser absorvida por um contrato individual de trabalho, outros
existem que agem no interesse e por conta do mandante mas em nome próprio, como é o caso do
comissionista e do representante do comércio ou agente comercial.

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MINUTA DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Entre:

A ……………………. (denominação da sociedade), ……………… (tipo de sociedade), com sede em


…..…………………. (morada completa), pessoa coletiva Nº……………….., matriculada na
Conservatória do Registo Comercial de ……………sob o Nº …………, aqui representada pelo seu
gerente B …………………………. (nome completo), doravante designada como primeira contraente;

B ……………………… (nome, naturalidade, estado civil e profissão), residente em


……………………, portador do Bilhete de Identidade Nº ………………, emitido em ……………..
(data), pelo ……….……. , contribuinte Nº ……………..; doravante designado como segundo
contraente,

Entre os contraentes é celebrado e reciprocamente aceite, um Contrato de Prestação de Serviços,


que se regerá pelas seguintes cláusulas:

Cláusula Primeira

O segundo contraente obriga-se a prestar à primeira, serviços como profissional por conta própria,
compreendendo a ………………….. (atividade realizada).

Cláusula Segunda

O segundo contraente obriga-se a não prestar os serviços indicados na cláusula primeira a


empresas concorrentes da primeira contraente.

Cláusula Terceira

O segundo contraente exercerá os seus serviços na sede da primeira contraente.

Cláusula Quarta

A atividade do segundo contraente será desenvolvida de 2ª a 6ª feira em horário livre.

Cláusula Quinta

O segundo contraente tem direito ao gozo de 30 dias de férias anuais que deverão ser comunicados
à primeira contraente com antecedência não inferior a 30 dias.

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Cláusula Sexta

Como contrapartida dos serviços prestados, e identificados na cláusula primeira, a primeira


contraente pagará ao segundo contraente o correspondente a …..% de todas as vendas realizadas
pela primeira contraente

Cláusula Sétima

Correrão por conta do segundo contraente todas as despesas que ele houver de efetuar no
desempenho das suas funções, nomeadamente, …………….. (Ex.: deslocações, alimentação e
estadias).

Cláusula Oitava

O presente contrato tem o seu início de vigência em ……………. (data) e vigorará pelo período de
um ano, tacitamente renovável.

Cláusula Nona
Qualquer dos contraentes poderá denunciar o presente contrato, independentemente de quaisquer
motivos, desde que a denúncia revista a forma escrita e seja efetuada com a antecedência mínima
de 90 dias.

Cláusula Décima

A falta de aviso prévio estabelecido na cláusula anterior obriga a parte faltosa ao pagamento, a título
de indemnização, dos honorários respeitantes ao período em falta.

Cláusula Décima Primeira

A primeira e o segundo contraentes obrigam-se a cumprir na íntegra o presente contrato, aceitando-


o nos exatos termos constantes das cláusulas expressas.

............................., ........ de .............. de ..........

A Primeira Contraente _________________________

O Segundo Contraente _________________________

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Bibliografia

AA V., Formalidades para a criação de empresas: tipos de sociedades, Ed. ANJE – Gabinete de
apoio jurídico, s/d

Correia, Miguel, Direito Comercial – Direito de Empresa, Ed. Almedina, 2001

Ferreira, Abel, Documentação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

Ferreira, Abel, Legislação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

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