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TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE (HIIT) NO


ÍNDICE GLICÊMICO, PERCENTUAL DE GORDURA E CONDICIONAMENTO
FÍSICO DE DUAS MULHERES COM DIABÉTES DO TIPO 2 – ESTUDO DE
CASO.

JOSÉ VAGNER CHAVES L. JUNIOR


Aluno Concluinte do CEDF/UEPA
Juniorvagner96@hotmail.com

LUCIANO SANTANA DE LEMOS


Aluno Concluinte do CEDF/UEPA
lucianolemos_tuc@hotmail.com

JANDERSON MOTA
Professor Orientador do CEDF/UEPA
jandersonmota@yahoo.com.br

RESUMO
Introdução: Com o avanço da diabetes mellitus no mundo, fica visível a necessidade de se obter
respostas de tratamentos não fármacos para a intervenção desta doença. A literatura aponta vários
tipos de atividades físicas capazes de tratar esta síndrome, porém objetiva-se olhar para a mais eficaz,
aquela que pode ser a melhor opção, se tratando principalmente de índice glicêmico, e o treinamento
intervalado de alta intensidade HIIT vem crescendo ao longo do tempo se tornando uma estratégia para
o combate dessa enfermidade. Objetivo: O objetivo desse estudo é verificar a eficácia do treinamento
HIIT sobre o índice glicêmico, percentual de gordura, condicionamento aeróbio e circunferência da
cintura de duas mulheres diagnosticadas com DM2. Metodologia: estudo de caso com duas voluntarias
acima de 60 anos e com diagnóstico de diabetes 2, realizaram o protocolo de treinamento HIIT durante
12 semanas e foi avaliado o IG capacidade aeróbia (COOPER 12 min), percentual de gordura
(POLOOK 3 dobras) índice glicêmico (GLICEMIA PRÉ – PRANDIAL) e circunferência da cintura
(PERIMETRIA) os testes feitos pré e pós teste. Conclusão: houve resultados bastantes satisfatórios
com as variáveis obtidas pós teste e assim conclui-se que o método HIIT é de certa forma eficaz no
tratamento da DM II, composição corporal, circunferência da cintura e aptidão física
Palavras - chaves: Diabetes Mellitus tipo2, HIIT, Índice Glicêmico
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INTRODUÇÃO

A Diabetes mellitus (DM) é um grupo dissemelhante de alterações metabólicas


que se denota em comum a hiperglicemia, caracterizada por deficiência na ação da
insulina, na secreção da insulina ou nos dois casos. De acordo com dados da
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), estima-se que a população com diabetes no
mundo é de 382 milhões de pessoas e que poderá atingir 471 milhões em 2035. A
Sociedade Brasileira de Diabetes afirma que 80% dos indivíduos com Diabetes
Mellitus vivem em países em desenvolvimento onde o crescimento da epidemia é com
muita intensidade.
Em 2013, a (SBD) determinou que 11.933.580 de indivíduos com idade entre
20 a 79 anos, estavam diagnosticadas com a diabetes no Brasil (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE DIABETES, 2015). Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a
causa fundamental do crescimento da doença é em virtude do crescimento e do
envelhecimento populacional e da crescente prevalência da obesidade e do
sedentarismo, sendo ambas um dos principais fatores para que a epidemia venha se
alastrando.
Para a (SBD) o Diabetes Mellitus do tipo 2 (DM2) é a configuração que
representa 90% a 95% dos casos e determina-se pelas alterações na ação e secreção
da insulina. Em regra, as duas alterações se fazem vigente quando a hiperglicemia se
caracteriza, entretanto pode haver o predomínio de uma delas.
Nesta linha de raciocínio, para Cheng (2005), o (DM2) é a forma predominante
dessa patologia e que se define pela hiperglicemia ocasionada pela ineficiência na
ação e/ou secreção da insulina.
Estudos apontam vários métodos de treinamento para o combate a DM II,
entretanto esse tratamento ainda e passivo de remédios, más a um crescimento no
acompanhamento nutricional aliado ao bom treinamento físico, realizando assim um
papel importante para o controle dessa doença prevenindo que ela se desenvolva
(GALVIN, NAVARRO, GREATTI,2014).
Segundo Meléndez (2013), as primeiras espécies dos nossos ancestrais
surgiram há cerca de sete milhões de anos e, muito diferente dos nossos hábitos
atuais, o único meio de se locomoverem e obterem alimentos era através de seus
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próprios corpos. Utilizavam-se da habilidade de correr para caçar ou para fugir de


predadores, desta forma, a rapidez, velocidade e a agilidade eram essenciais para a
sobrevivência, caso contrário, facilmente morreriam. Mas nos tempos de hoje o
quadro é bastante diferente: o sedentarismo faz parte da vida de diversas pessoas,
que passam horas e horas sentadas frente a computadores ou assistindo à televisão.
Não há exigência de esforço nem mesmo pela busca da comida, basta ir ao
supermercado ou à lanchonete mais próxima para conseguir o alimento.
O Treinamento HIIT (do inglês High Intensity Interval Training), ou Treinamento
Intervalado de Alta Intensidade é considerado um treino metabólico, uma atividade
similar a que nossos ancestrais faziam em busca de comida. O aumento da sua
popularidade deve-se pela saturação dos exercícios aeróbicos de longa duração e
baixa intensidade, junto com a busca por métodos diferentes que oferecem iguais ou
melhores condições para o corpo e saúde (MELÉNDEZ, 2013).
De acordo com Gibala (2007), embora não haja uma definição universal, o HIIT
geralmente se refere a sessões repetidas de exercício intenso relativamente breve,
muitas vezes realizado com um esforço "all-out" (que seria um esforço máximo) ou a
uma intensidade próxima à que provoca o pico do consumo máximo de oxigênio
VO2máx., (ou seja > = 85-90% do VO2máx.).
Para Gibala et al., (2010) o HIIT tem o objetivo de quebrar o equilíbrio do
organismo (homeostase) para fazer com que ele desprenda a maior quantidade de
energia possível para se reestruturar, ou seja, o HIIT é dependente da intensidade,
duração e tempo do exercício. É um método que traz benefícios para o nosso dia a
dia devido ao menor risco de um possível impacto e sobrecarga fisiológica, melhora
do metabolismo, além de resultados estéticos
Um dos fenômenos que explica a eficiência do HIIT denomina-se EPOC. A
ciência, após diversas investigações acerca de treinamentos, descobriu que o gasto
energético de atividades intensas era muito superior a atividade de intensidade
moderada. Isso por que o corpo precisava gastar mais energia para retornar ao estado
em que se encontrava antes da realização da atividade. Após uma atividade intensa,
como o treinamento intervalado de alta intensidade, o corpo leva aproximadamente
18 horas para retornar ao seu estado anterior. Durante esse período, todo o
metabolismo fica mais acelerado, gastando mais calorias e principalmente tecido
adiposo, já que o metabolismo predominante em nossa vida é o aeróbico. Este
fenômeno recebe o nome de EPOC. O mesmo é o responsável pela queima de
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gordura em exercícios predominantemente de alta intensidade como o HIIT (BAHR e


SEJERSTED, 1991).
Além de "quebrar" o equilíbrio corporal, segundo King (2001), uma das grandes
vantagens do HIIT é continuar estimulando a queima calórica mesmo após o exercício.
Neste sentido, Perry (2008) afirma que o HIIT utiliza-se do mesmo ou de movimentos
diferentes durante períodos de alta intensidade em um tempo menor.
Para Hazell et. al (2010), o HIIT pode oferecer uma vantagem modesta no
tempo e na eficiência, uma vez que muitos dos benefícios e adaptações fisiológicas
do exercício podem ser adquiridos entre 15 a 20% a menos de tempo em comparação
com sessões de exercícios aeróbios de intensidade moderada eventualmente tem
como característica uma longa duração. Isto é particularmente verdadeiro, uma vez
que vários estudos mostram que o HIIT obteve uma melhora igual ou maior no
VO2máx em comparação com exercícios de longa duração.
O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), vem crescendo não só com
o intuito de emagrecimento mais também no tratamento da DM II, onde estudos já
apontam melhorias consideráveis em parâmetros metabólicos, como hemoglobina
glicosilada (HbA1c), glicemia, composição corporal, pressão sanguínea e
condicionamento físico. (MANGIAMARCHI et al. 2017).
O objetivo do estudo é verificar se o método de treinamento HIIT é eficaz sobre a
composição corporal, índice glicêmico, condicionamento aeróbico, circunferência da
cintura em duas voluntarias diagnosticadas com diabetes mellitus tipo 2 acima de 50
anos.

MATERIAIS E MÉTODOS

Tipo de estudo

O estudo trata-se de um estudo de caso que consiste em um estudo profundo


de um ou poucos objetos, permitindo de maneira ampla e detalhado conhecimento
explorar os casos, possuindo uma abordagem quantitativa. (GIL,2008)

Local da Pesquisa

A pesquisa se desenvolveu na quadra da Universidade do Estado do Pará


(UEPA) Campus XIII, situada no Bairro Santa Monica, do município de Tucuruí – PA.
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Amostra

Convocadas através de avisos nas rádios locais, publicação de cartazes, redes


sociais e convites pessoais, onde chegamos duas voluntárias que participaram da
pesquisa, cumprindo todas as etapas de avaliações e intervenção.

Participante 1

A voluntaria possui 61 anos, Brasileira, moradora do bairro centro da cidade de


Tucuruí-PA, mãe de 3 filhos ambos partos Cesário, aposentada e diagnosticada com
DM II há 7 anos, e por conta da diabetes antes da intervenção realizava atividades na
viva idade onde praticava exercícios 2 vezes na semana.

Participante 2

A voluntaria tem 66 anos, Brasileira do sexo feminino, residente do bairro


colinas em Tucuruí-PA, mãe de 12 filhos partos normais, detectada com DM II há 19
anos, não possui outro tipo de doença, vive dos serviços domésticos na sua própria
casa, e por conta da diabetes antes da intervenção participava do projeto viva idade
realizado pela prefeitura onde praticava alguns exercícios 2 vezes por semana.

Protocolos de avaliação

Questionário de Anamnese

Os participantes da pesquisa foram submetidos a um questionário para


conhecimento das voluntarias em estudo como hábitos, uso de medicamentos no
tratamento de DM II, problemas físicos e práticas de atividades físicas.

Avaliação Antropométrica

Para a avaliação da composição corporal utilizamos o protocolo de perimetrais


corporal onde serão mensuradas as circunferências dos braços, tórax, cintura,
abdome, quadril e coxa medial sendo necessário o uso de fita métrica.

Avaliação percentual de gordura


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Para percentual de gordura e massa magra foi aplicado o protocolo de Pollock


3 dobras sendo elas: tríceps, supra ilíaca e coxa medial. (JACKSON & POLLOCK,
1978; JACKSON, POLLOCK & WARD, 1980).

Avaliação da aptidão física

Avaliada a aptidão aeróbica dos indivíduos pré-estudo e pós-estudo, utilizando


o protocolo de Cooper, que consiste em uma corrida de 12 minutos recomendando
que os voluntários percorram a maior distância possível durante esse período de
tempo e a máxima distância percorrida por cada um deve ser armazenada para a
avaliação (COOPER, 1968).

Avaliação do índice glicêmico pré –prandial

Avaliação se deu pré e pós teste, foi feita a mensuração do índice glicêmico
pré-prandial e após os três meses de estudo foi realizado novamente a mensuração
do mesmo com a finalidade de compara pré e pós.

Para a mensuração do índice glicêmico pré-prandial utilizamos um glicosímetro


da marca Accu- Chek Performa avaliado pelo Inmetro e esteja dentro dos parâmetros
aceitáveis para verificação.

Treinamento HIIT

Treinamento intervalado de alta intensidade, onde os pesquisados treinaram 3


vezes na semana (segunda, quarta e sexta) com uma duração média de 25 a 30
minutos de treino na quadra pelo período da tarde. Os exercícios que foram utilizados
e distribuídos nos 3 dias de atividade são: polichinelo, corrida estacionária e Sprints,
sendo levado em consideração a individualidade dos participantes. Foram realizadas
adaptações aos exercícios nas primeiras semanas, aquecimento de 5 minutos antes
das atividades e desaceleração ao final das atividades. Sendo nas primeiras semanas
15 segundos de execução por 1 minuto e 30 segundos de descanso passivo ou ativo,
conforme a evolução o tempo foi alterando, a partir do segundo mês passou a ser 30
segundos de intensidade por 1 minuto de descanso, e por fim o terceiro mês que
passou a ser 40 segundos de intensidade por 30 de descanso.
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Ética da pesquisa

Os voluntários dispostos a participar do estudo, assinaram um termo de


consentimento livre e esclarecido (TCLE) de acordo com a resolução 466/12 do
conselho nacional da saúde, que rege as pesquisas com seres humanos
RESOLUÇÃO nº 466/12.

Análise dos Resultados

Para a análise dos resultados foi utilizado o Software Microsoft Excel 2013 em
forma de tabelas e gráficos para análise dos dados, em forma de tabelas e gráficos
para realizar a análise estatística da coleta. A diferença percentual foi calculada
através da formula Δ%=[(Pósteste-teste) */teste)].

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Tabela 1. Dados descritivos das voluntárias pesquisadas.


Variáveis Participante 1 Participante 2
Idade (anos) 61 66
Peso (Kg) 93 77
Altura (m) 1,50 1,65
IMC (Kg/m²) 41.33 28,28
IMC = Índice de Massa Corporal; Idade, Altura, Peso.
Fonte: Autoria própria (2017)
8

45

44 44.6
44.3

43
% de Gordura

42 42.3

41
40.8
40

39

38
P1 Pré Pós P2

Figura 1. Resultados da composição corporal (percentual de gordura).


Fonte: Autoria própria (2017)

Figura 1, apresenta os resultados para a avaliação da porcentagem de


gordura dos participantes pré e pós teste num período de 12 semanas. P1 iniciou o
projeto com o percentual de gordura de 44,6% e finalizou com 42,3%tendo assim um
(Δ%= -5,2%) resultado bastante relevante, P2 iniciou com 44,3% e finalizou com
40,8% onde obteve um (Δ%= -7,9%) tendo uma redução considerável no que se trata
da porcentagem de gordura
Grossman e colaboradores (2017), efetuaram uma pesquisa no qual o objetivo
foi avaliar a perca de peso a massa corporal baseado no treinamento intervalar de alta
intensidade, em mulheres pós menopausa, que foram divididas em dois grupos HIIT
e Endurance, e chegaram à conclusão que ao final de 16 semanas o grupo HIIT
perdeu o dobro de peso e massa corporal em relação ao outro grupo.
No ano de 1996, o estudo de Treuth et al (1996) realizado pela Baylor College
of Medicine, localizada em Houston, no estado do Texas, EUA, indicou que um grupo
de indivíduos que realizaram um treinamento HIIT em bicicleta estacionária queimou
muito mais calorias durante as 24 horas seguintes pós-treino, do que o grupo que
realizou o mesmo exercício em intensidade moderada e constante .
Já outro estudo da Norwegian University of Science and
Technology (Trondheim) indica que no caso de indivíduos portadores de síndrome
metabólica (obesidade) que seguiram um programa de treinamento em HIIT de 16
semanas, conseguiram uma diminuição de 98% do conteúdo da enzima lipídica em
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relação aos indivíduos que se submeteram aos exercícios feitos continuamente em


intensidade moderada.
Ratificando com o estudo, Souza (2012) mostra o resultado da sua pesquisa
realizada com 12 mulheres destreinadas, que foram submetidas a três métodos de
treino diferentes. Divididas em 3 grupos, o grupo A realizou treinos aeróbicos
contínuos, o grupo B realizou treinos intervalados de alta intensidade (HIIT) e o grupo
C realizou treinamento resistido. Chagando a conclusão que o método HITT foi o que
mais gerou resultados positivos no percentual de gordura, num percentual de mais de
6% em relação as outras atividades.

250
Índice Glicêmico (Pré-Prandial)

200
198

150 160
138 140
100

50

0
P1 P2

Pré Pós

Figura 2. Resultados do Índice Glicêmico (mg/dl)


Fonte: Autoria própria (2017)

Figura 2, Apresenta os resultados para a avaliação de índice glicêmico


avaliado em jejum (pré – prandial), antes e depois de 12 semanas de treinamento,
onde P1 iniciou com 138 mg/dl e finalizou com 140 mg/dl, com um (Δ%= 1,4%) não
apresentou qualquer mudança em seu estado. No entanto P2 iniciou com 198mg/dl e
após a intervenção finalizou com 160 mg/dl tendo uma redução considerável de (Δ%=
– 19,2%) no que diz respeito ao índice glicêmico.
Corroborando com o estudo que teve como um dos principais objetivos avaliar
a eficácia do HIIT na diminuição do índice glicêmico, e com os resultados vimos que
isso e possível , Madsen e colaboradores (2015), evidenciaram em um estudo de 8
semanas com portadores de diabetes tipo 2 acima de 50 anos o benefício do HIIT em
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relação a saúde, onde obtiveram o resultado que o treinamento intervalado de alta


intensidade HIIT mostrou eficácia no controle glicêmico melhorando a função da célula
pancreática.
Junior (2012), colaborando com a pesquisa, mostra o resultado de um estudo
com indivíduos que possuem DM II, que realizaram um esforço aeróbico de 30 minutos
com intervalo ativo, tendo como método o Limiar Aeróbico (LA) e obteve como
resultado uma diminuição considerável na glicemia sanguínea.
No trabalho de Racil e colaboradores (2013), que buscou ver os efeitos do
treinamento intervalado de alta intensidade vs o treinamento de moderada
intensidade, no perfil lipídico e nos níveis de adiponectina (hormônio protéico que
modula vários processos metabólicos, incluindo a regulação da glicemia e o
catabolismo de ácidos graxos) de indivíduos obesos e jovens, constatou o aumento
desta proteína e a redução da gordura corporal nesses indivíduos que praticaram o
HIIT.
Uma amostra de 34 obesas adolescentes do sexo feminino com idade entre
15 a 18 anos, cujo IMC estava entre 30% a 31% respectivamente, foram distribuídas
aleatoriamente. Para o grupo de exercício intervalado de alta intensidade, foram
distribuídas 11 jovens (HIIT, n=11), para o grupo do exercício de intensidade
moderada também participaram 11 jovens (MIIT, n=11), e 12 jovens ficaram como
grupo controle (CG, n=12). O objetivo do trabalho foi investigar os efeitos do HIIT vs
MIIT nos perfis lipídicos e nos níveis de adiponectina, durante 12 semanas de estudo.
O consumo máximo de oxigênio (VO2máx), a velocidade aeróbica máxima, os níveis
de adiponectnina e perfis lipídicos foram medidos antes e depois do estudo. Após o
programa de treinamento, o IMC diminuiu enquanto a aumentou em ambos os
métodos de treinamento, porém, a circunferência da cintura, níveis de triglicerídeos e
colesterol total diminuiu apenas no grupo que praticou o HIIT, além de uma redução
significativa no índice de resistência à insulina.
11

120

Circunferencia da Cintura (cm)


115
115
110

105 108

100 102

95 97

90

85
P1 P2

Pré Pós

Figura 3. Resultados da circunferência da cintura (cm)


Fonte: Autoria própria (2017)

Figura 3 descreve o gráfico para circunferência da cintura (cm) onde obtemos


resultados depois de 12 semanas de intervenção, P1 iniciou com 115cm e ao final do
estudo finalizou com 108cm tendo assim um (Δ%= -6%) obtendo uma redução, e P2
iniciou com 102cm e finalizou com 97cm obtendo um (Δ%= -5%) resultado
considerável no que se diz respeito a circunferência da cintura
Boer e Terblanche (2013), colaboram com a pesquisa mostrando um
resultado de um estudo onde foi avaliado o efeito do HIIT quando comparado ao
exercício aeróbico de intensidade moderada. Como resultados, obteve-se que o grupo
HIIT diminuiu a circunferência da cintura, o IMC. Neste estudo pudemos observar
que o HIIT proporcionou efeitos benéficos na composição corporal.
Farah, Prado e Balagopal (2013), também apoiam evidenciando em um
estudo mais sistematizado e elaborado, onde analisaram durante seis meses os
efeitos do HIIT em comparação com os efeitos do treinamento de baixa intensidade
em quarenta e três indivíduos obesos, onde foram divididos aleatoriamente em 2
grupos. O grupo 1 praticou HIIT (n=20) e o grupo 2 praticou a atividade de baixa
intensidade (n=23). Após a intervenção de 6 meses, os níveis de pressão sistólica,
diastólica e pressão arterial diminuiu para ambos os grupos, porém, a circunferência
da cintura mostrou mudanças positivas somente no grupo de HIIT.
12

1400

1200 1,310

Teste de Cooper (m)


1000
1,040
944
800 853

600

400

200

0
p1 p2

Pré Pós

Resultados do Teste de Cooper 12 min, distância em metros.


Fonte: Autoria própria (2017)

Figura 4 apresenta os resultados para o Vo2 máximo onde foi aplicado o teste
de COOPER antes e depois de 12 semanas de intervenção, onde P1 iniciou com 853
metros e terminou com 1040 metros obtendo um (Δ%=21,9) apresentando uma
melhora no seu resultado e para P2 que iniciou com 944 metros e terminou com 1310
metros tendo um aumento bastante considerável no seu Vo2 máximo que foi de (Δ%=
38,8%)
Mangiamarchi et al (2017), colabora afirmando que o treinamento HIIT tem o
desempenho superior, tanto no condicionamento quanto no desenvolvimento aeróbico
comparado a qualquer outro exercício físico. Visto que a utilização da taxa energética
está sempre elevada até mesmo pós atividade, sendo assim proporciona uma melhora
no sistema aeróbico.
Buchan, Simpson e Baker (2012), examinaram os efeitos do HIIT nos
componentes da aptidão física e doenças cardiovasculares em jovens. Quarenta e um
participantes entre 15 a 17 anos foram divididos aleatoriamente em dois grupos para
a intervenção, o grupo HIIT e o grupo Controle. O grupo HIIT, realizou três sessões
semanais ao longo de sete semanas, que consistia na realização de quatro a seis
sprints a esforços máximos com recuperação de 20 a 30 segundos. O grupo controle
continuou seus padrões de atividades normalmente. Todos os participantes tiveram
os índices de obesidade e pressão arterial anotadas pré e pós-intervenção.
O índice de massa corporal, aptidão cardiorrespiratória, força muscular,
velocidade nos sprints e a agilidade no grupo de HIIT, melhoraram significativamente
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enquanto os participantes do grupo controle, por sua vez, obtiveram um déficit


significativo no desempenho de salto e nos sprints.
Cheema et al., (2015) confirma com seu estudo cujo o objetivo foi verificar
durante 16 semanas a viabilidade e a eficácia do treinamento de boxe intervalado de
alta intensidade em relação à uma caminhada rápida de intensidade moderada em
adultos com sobrepeso, chegou ao resultado que pós intervenção o grupo de boxe
melhorou significativamente o percentual de gordura corporal, pressão arterial
sistólica, aumento do VO2máx e a funcionalidade física.

CONCLUSÃO
Concluiu-se que o método de treinamento intervalado de alta intensidade
(HIIT) é eficaz na melhora do índice glicêmico, percentual de gordura, circunferência
da cintura e aptidão física. A tendência é que este método de treinamento pode ser
eficaz em diversas finalidades inclusive no controle de patologias como a diabetes
mellitus do tipo 2.
Gostaríamos que mais acadêmicos e estudiosos continuassem realizando
esse tipo de pesquisa e se aprofundando ainda mais nesse assunto. Indicamos que
façam o estudo com mais voluntários.

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