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“Na medida em que os corpos celestes

significam as coisas existentes neste mundo


através dos poderes do seu movimento
natural, então qual a vantagem de ser
ignorante deste conhecimento?”

ABU'MASHAR – Séc. VIII


“A Astrologia é um sistema de pensamento com uma
linguagem simbólica. Fala do que se vê e ensina o que não se
vê, interpreta as rotas dos astros e fala de comportamentos
humanos.” – Mª Flávia de Monsaraz

Etimologicamente, “símbolo” vem do Latim, que deriva do


grego, e significa reunir, ligar. Portanto, se a Astrologia
utiliza uma linguagem por meio de símbolos então liga dois
mundos, duas realidades. A Astrologia é a mediadora entre
dois níveis de consciência, penetrando no nível não racional,
anuncia outro plano de consciência, servindo de porta, de via
de comunicação. Revela os segredos do inconsciente, os
segredos, o desconhecido.
No entanto, os símbolos são elásticos, cada um estica o
conceito para que caiba tudo o que consegue entender
sobre esse conceito. Os símbolos representam uma ideia,
uma emoção, um arquétipo. Estes padrões universais, de
valores, anseios e interesses, são o alvo de estudo na
Astrologia. Os símbolos têm o poder de desencadear
respostas inconscientes e instintivas (como nos
semáforos, o vermelho para parar ou o verde para
avançar), respostas condicionadas e outras intuitivas
(atenção: instinto ≠ intuição → nível de consciência onde
a mente compreende a mecânica subtil da vida).
A Astrologia é tão antiga quanto a civilização. Existem
evidências de um conhecimento astronómico e astrológico
desde o velho mundo mesopotâmico (4000 a.C.). No entanto,
acredita-se que o Homem de há 15000-6000 anos conhecia os
ciclos lunares para o cultivo dos cereais.

A civilização Maia possuía desde o 3º milénio a.C. um grande


conhecimento astronómico e matemático. Tinham calendário
próprio de 365 dias (18 meses de 20 dias e 1 mês intercalado de 5
dias), mais exacto do que os povos orientais da Ásia. Possuíam um
grande conhecimento da periodicidade dos eclipses e de outros
fenómenos astronómicos como a posição exacta de Marte e Vénus.
Na época dos Sumérios e dos Babilónios, (4000 a.C.)
já existiam mapas celestes e calendários
lunares perfeitos, bem como o conhecimento
de outros fenómenos astronómicos. É nesta
altura que surgem os primeiros mapas
astrais/natais. Já estavam “cartografados” 36
estrelas, 12 constelações zodiacais principais,
hoje designado por zodíaco ocidental.

O Stonehenge é um monumento megalítico


da Idade do Bronze (1800-1600a.C.),
representado um dos mais rigorosos
observatórios astronómicos.
Com o conhecimento astronómico e
matemático em grande desenvolvimento, os
Persas e os Árabes já praticavam a Astrologia
como técnica de conhecimento e como base
preditiva. Todo este conhecimento foi
englobado pelos gregos conferindo à
Astrologia um carácter mais “filosófico”,
como uma estrutura de pensamento simbólico,
com um estudo organizado e com estatuto
escolástico - Período Helenista (700 a.C. até
ao séc. XVII).
Os estudos de Pitágoras, Aristóteles e Platão são
continuados, na Era Cristã, por Ptolomeu. Na Época
Medieval o conhecimento astrológico entra em
declínio e fica restrita à Inglaterra protestante, com
W. Lilly, Norte da África e à Península Ibérica, com
grande influência árabe, sendo ensinada na maioria
das universidades. Por volta do séc. XVI, dá-se uma
grande clivagem entre as teorias clássicas e a Igreja.
A Astrologia passa a ser considerada “superstição”
pelo “pensamento científico”.
No séc. XIX dá-se o ressurgimento e a transformação da
Astrologia (sobretudo o ramo da A. Natal) por uma corrente
mais espiritual e esotérica, sendo usada como ferramenta de
“autoconhecimento”. Nos anos 80 ressurgiu a prática
tradicional com a republicação das grandes obras clássicas.
Em Portugal, a prática astrológica é tão antiga como a
própria nacionalidade. Há registos de previsões feitas para
batalhas, nascimentos e na Medicina. As referências
astrológicas mais sólidas surgem na época dos
Descobrimentos. É no séc. XX que a Astrologia passa a ser
novamente estudada e praticada.
A Astrologia Tradicional tem um núcleo de regras e
fundamentos muito claros e bem determinados. Os elementos
de interpretação astrológica são coerentes e estruturados sobre
bases sólidas. A sua aplicação não varia consoante a opinião
pessoal de cada praticante; mesmo quando um autor clássico
apresenta uma variante interpretativa retirada da sua prática
pessoal, esta é sempre coerente com o núcleo de regras
fundamentais da Astrologia. Além disso, a “Tradição” tem uma
base preditiva, que tanto se aplica aos comportamentos e
talentos pessoais, como à antevisão de épocas de vida ou
mesmo a eventos.
A Astrologia Tradicional tem, acima de tudo, uma
abordagem pragmática, muito prática e directa.
Contempla aquilo que o indivíduo é, e esclarece
sobre a melhor forma de desenvolver as suas
capacidades, de acordo com a sua constituição
natural. Não perde tempo fazendo promessas de
“evolução” que levam o indivíduo por caminhos
contrários à sua natureza e que o julgam e que,
muitas vezes, lhe negam a própria identidade.
Existem 3 ramos da Astrologia:

Astrologia Mundana – estuda os fenómenos colectivos


humanos ( as movimentações, as guerras, a política…) e os
fenómenos naturais como tempestades, terramotos, secas…
Para isso são feitos mapas para o momento de um fenómeno,
estuda-se os ingressos anuais (as estações), os mapas dos
países e dos seus governantes.

Astrologia Natal – trata dos nascimentos e estuda o ser


humano, os comportamentos, as capacidades e as dificuldades,
os relacionamentos…

Astrologia Horária – sendo o ramo mais “divinatório”, visa


dar respostas específicas através da interpretação do mapa do
momento exacto em que a pergunta foi formulada.
Na Astrologia existem: 4 elementos, 12 signos, 12 casas,
7 planetas (+ 3 transpessoais) e 5 aspectos “maiores”.
Na elaboração do Mapa Astral é necessário saber o local
de nascimento, a data e a hora do nascimento. Depois
interpretam-se a interacção entre os planetas, os signos
e as casas.
A base de trabalho do astrólogo é o mapa astrológico,
um diagrama que representa as posições planetárias do
nascimento do indivíduo ou do momento em estudo.
Para fazer a interpretação, o astrólogo relaciona os
símbolos presentes no mapa com a pessoa ou evento.
No mapa de um indivíduo, os símbolos astrológicos
traduzem aspectos da sua individualidade, indicando
ainda as suas principais tendências e comportamentos
nas diversas situações de vida.
Os signos são arquétipos, são necessidades, valores e
motivações universais, presentes no psiquismo de cada um
de nós. Cada etapa – signo – tem tarefas, necessidades e
motivações específicas. Os signos são os campos
energéticos onde operam os planetas, isto é, filtram a acção
dos planetas, dão o comportamento, de como (e do porquê)
as coisas acontecem. Exemplo: Mercúrio em Carneiro
significa que é manifestada uma mente lógica impulsiva
enquanto que Mercúrio em Touro significa que essa mente
lógica é manifestada num comportamento cauteloso.
O Sol e a Lua são Luminares e são os instrutores
internos. Mercúrio, Vénus e Marte são os planetas
pessoais. Júpiter (expansão) e Saturno (obstáculos,
rigidez, organização) são os planetas sociais. Úrano,
Neptuno e Plutão são os planetas transpessoais, apelo
para transcender o ego limitado. Os planetas
representam impulsos de energia e motivação, são
forças psíquicas … , são verbos, acção, activam uma
situação, dizem o “Como”.
As casas mostram-me onde, signo, ocorre a acção.

O signo mostra o potencial de acção, a qualidade

vibratória, a força interior que projectamos na

acção e a forma como nos situamos frente às

situações da existência. A Casa é, então, a área de

conflito, o território da experiência, é o filtro que

determina a acção.
O signo pode ser considerado o campo de acção; a
Casa é o lugar onde ocorre a acção, e o planeta é o
poder ou força motivadora.
É uma Ciência ou não? Sim e não. Depende do que se
entende por “Ciência”. Se tomarmos a palavra pelo seu
sentido etimológico – scientia, conhecimento, sabedoria,
saber – a resposta será sim. É, de facto, uma “scientia”, um
saber, um corpo de conhecimentos complexo e coerente, com
regras e leis próprias. Mas se pensarmos em Ciência no
sentido “institucional” que actualmente se dá ao termo, a
resposta será não, pois a sua metodologia difere da usada nas
ciências “clássicas”, como a Matemática ou a Química, por
exemplo.
A natureza da Astrologia é única, pois liga dados e
cálculos muito exactos (de carácter astronómico) à
vertente de interpretação simbólica. Estas características
únicas tornam difícil qualificá-la enquanto corpo de
conhecimento. A Astrologia não é, nem tem de ser, uma
Ciência, da mesma forma que a Música ou a Mitologia
não são Ciências, nem têm de sê-lo. E contudo, todas
são saberes, conhecimentos, sabedorias que aportam
importantes contributos ao legado cultural da
Humanidade.
Em 1950, John Nelson trabalhava para a RCA (Radio
Corporation of America) em experiências que visavam a
previsão de “apagões” nas transmissões televisiva e
radiofónicas. Estudando os aspectos astrológicos clássicos
entre Júpiter, Úrano, Mercúrio e o Sol, Nelson descobriu
que era possível prever “apagões” com base nesse tipo de
dados. A eficácia das previsões era de 92%, melhor que os
85% fornecidos pelos computadores existentes na época,
e ele acabou por conquistar um departamento próprio,
dentro da NCA, para continuar as suas pesquisas.
Esta história serve para mostrar que de facto existe algum
fenómeno físico por de trás dos efeitos descritos pela
Astrologia. Simplesmente esse fenómeno ainda não foi
descrito pelas Ciências Exactas.
Assim, devemos tentar entender a astrologia como
uma “filosofia” que ajuda a explicar a vida. O
propósito da astrologia não é culpar os planetas pelo
que nos acontece, mas, ao contrário, aprender a nosso
respeito através da indicação planetária.
Poderá a Astrologia explicar o
comportamento humano?

Astrologia vs Psicologia

Comportamento vs Processo mental

Acto observado Interno, subjectivo, muito relacionado


(gesticular, falar…) com os comportamentos observados
(sonhos, memórias, sensações,
percepções...)
Todas as Ciências têm por finalidade chegar a
conhecimentos rigorosos e objectivos para
compreender, prever e controlar os factos que
investigam.

• Descrever comportamentos e processos mentais;

• Explicar esses comportamentos e processos;

• Prever comportamentos (se soubermos as causas);

• Controlar as circunstâncias em que ocorrem os


comportamentos (o que exige a sua explicação e
previsão.
Dicotomias:

• Inato (p.ex: fisionomia) e adquirido (vivências);

• Estabilidade e mudança;

• Interno (o que ele faz, a liberdade) e externo (as


dependências, p ex: situações, circunstâncias,
destino, sorte, sobrenatural…);

• Individual e Social.
A Astrologia depara-se com alguns problemas:

A comunicação de alguns aspectos requerem que o


próprio indivíduo se autoanalise (introspecção), que
não é fácil.

A comunicação de alguns aspectos podem alterar o


comportamento da pessoa ou distorcer a
informação guardada na memória;

Como não conseguimos analisar a consciência da


pessoa, não sabemos a forma como ela vai
processar a informação recebida.
Nem sempre a linguagem é um espelho do
pensamento.

A Astrologia apenas deverá ser melhor


compreendida por adultos sãos.

Interpreta alguns fenómenos inconscientes (com


limitações já que é a “base” do iceberg).

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