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Tópicos abordados, na reunião do dia 13/04/07 (presentes: Edílson, Nena, Amadeu,

Rosângela, Leandro, Marina e Carlão), da “Indrodução: O lugar do espaço”, “O espaço, o


processo e a estrutura”, “Características do espaço econômico industrial” do livro: SILVA,
A. C. O espaço fora do lugar. Hucitec: São Paulo, 1978.

- Identifica de início o processo de fragmentação da cultura e do conhecimento de nossa


época que afetam diretamente a Geografia. Dessa maneira, se o todo se tornou
incoerente, a questão do espaço para o geógrafo tornou-se fora do lugar. “Estar fora do
lugar, em nosso caso, expressa a demora cultural na apreensão da questão essencial: a
fragmentação do saber” (p. 2). Ou seja, a Geografia seguindo sua tradição metodológica
que enfatiza estudos empíricos foi se fragmentando em seus estudos e sofreria, segundo
o autor, uma perda progressiva da síntese, da noção de totalidade (p. 6). “A tentação do
mergulho vazio da parte, sem referência ao todo, passa a significar a transferência das
contradições do real para a consciência [...]” (p. 3). Daí uma necessidade de se repensar
o método vinculado ao objeto no resgate da compreensão do todo para esta disciplina,
que seria representada pela subtotalidade espaço. Espaço torna-se assim uma categoria
que deve ganhar mais importância, tornando-se até uma necessidade epistemológica na
busca da compreensão da totalidade. Por isso, então, o estudo regional, da dinâmica dos
lugares (da parte), deve ser relacionado com a compreensão estrutural da dinâmica e
determinações exercidas pelo espaço (todo). Este estudo “[...] se trata, no movimento do
real, de caracterizar o que permanece na estrutura e que, ao mesmo tempo, indica a
permanência do movimento” (p. 2).
- O espaço geográfico é sinônimo de superfície terrestre (p. 9 e p. 81) que contem os
lugares, sendo “[...] o lugar maior” (p. 7). O lugar se manisfesta como região, área e
território. O espaço deve ser relacionado com a população, constituindo-se uma relação
codeterminante. O espaço é, então, “[...] uma trama de relações e lugares” (p. 7).
- O autor considera que a abordagem ontológica do espaço geográfico “[...] pode
encontrar viabilidade de solução quando o ser é proposto desde logo como não sendo
separável do tempo, do espaço e do movimento” (p. 3) e que deva passar pela análise
“[...] de sua estrutura, de seus processos e funções, de suas transformaçoes e do
significado desses elementos constitutivos do todo para a consciência humana” (p. 9).
- No que concerne a formação do espaço geográfico, além de resgatar a formula que o
“[...] meio natural e o meio cultural formam o meio geográfico. Este modifica-se no
decorrer do tempo à medida que se desenvolvem a história natural e a história humana”
(p. 10). Armando propõe a compreensão desta dinâmica por meio da lei geral do
desenvolvimento desigual e combinado. No entanto não expõe como esta relação é
mediada, deixando o grupo supor que é pelo trabalho em suas diversas maneiras, em
suas técnicas, portanto.
- Em relação à estrutura, o espaço geográfico se inicia com a escolha de um sítio, por
uma determinada população, que pode ser de 3 maneiras: povoamento, colonização e
implatação de uma nova unidade cultural (p. 11). Da escolha do sítio se decorre a
situação, que é o arranjo relativo aos ouros sítios ou a própria cultura já posta. Feita tal
escolha o que haverá posteriormente é o hábitat, que é o lugar de reprodução social.
- “O espaço geográfico possui certas características internas” (p. 12) que podem ser a
dispersão a concentração, continuação e descontinuação. Há também os processos de
polarização que geram, por conseguinte, a centralidade. Estas categorias podem ser
eficazes se aplicadas às questões que concernem, por exemplo, a definição de uma
região. Abordando este tema, Armando apresenta uma influência direta da Geografia dita
Quantitativa: “Convém aumentar o conhecimento dos processos e funções que ocorrem
no espaço geográfico com o objetivo teórico de possibilitar o seu tratamento matemático
aplicado à Geografia” (p. 14).
- Em relação às transformações e ao significado, Armando expõe que quanto ao primeiro
é importante compreender a mudança do espaço tanto de forma planejada quanto de
forma aleatória. Já em relação ao significado, busca compreender como as
transformações do espaço geradas pela sua formação, estrutura, características,
processos e funções se dão na consciência humana, não só como psicologia individual
mas também como coletiva na forma de ideologia (p. 15).
- O grupo concluiu que o que foi lido mostra o esforço de um pensador preocupado com a
apreensão teórica do futuro que a geografia deveria fazer, já que olhando ao seu redor
percebe fortes problemas metodológicos que dificultariam tal procedimento. Por isso, se
lança na busca de refundar um ontológia operacional e eficaz para seu tempo. O mundo
havia mudado e o olhar do geográfo sobre ele deveria mudar. Armando nos oferece um
texto objetivando uma nova metotologia com influências diversas provindas da
geomentria, economia e até da psicologia. Isso tudo para possibilitar o resgate da
geografia na compreensão do todo, ou pelo menos no todo que lhe cabe, o espaço, para
recolocar a análise dos lugares em composição com a análise do espaço. Ou seja,
recolocar o espaço devolta ao lugar.
Questões pendentes:
- O que é o impasse aristotélico-kantiano e qual são efeitos para Geografia? E qual é sua
relação com a subtotalidade? (p. 6).
- Há diferença entre espaço geográfico e meio geográfico para o autor?
 O que são relações verticais e horizontais? (p. 12).
Esse texto busca expor algumas reflexões traçadas a partir dos três últimos textos da
Parte I e os dois primeiros e o último da Parte II.
Sobre o texto: Desenvolvimento Industrial e Geografia - página 32:
Partindo do fragmento “Para cada período de desenvolvimento industrial pode-se falar de
uma geografia que lhe é própria”, p.39 - temos a impressão de que o Armando expõe aqui
que há uma técnica inerente à geografia, que há uma produção simultânea: técnica e
geografia, nos levando a retomar alguns conceitos discutidos nos textos, como o de
espaço, meio, de técnica e até o que entende pela própria geografia.
Mais adiante, na página 47 há menções aos encontros e desencontros entre a história e a
geografia. Em diversas passagens retomamos essa discussão, pensando em
apontamentos feitos pelo autor em direção ao objeto de estudo das ciências e ao
significado dos conceitos espaço e tempo. Nesse ponto, notamos referências ao método,
já que Armando indica que aos geógrafos interessa a estrutura (“na configuração
espacial, descobrir a hierarquia dos fenômenos da situação e a função que
desempenham”); enquanto aos historiados interessaria o processo.
Sobre o texto: Sobrepovoamento e Estrutura Urbana - página 48: retomamos nesse texto
aquela idéia de que em cada período há uma geografia própria de acordo com os
processos e com a técnica vigente. Há então, no final do texto, indicações de que a
migração irá produzir modificações, ou seja, a região muda em função do deslocamento
populacional, ou ainda em função da industrialização.
Sobre o texto: Um bairro de trabalhadores do litoral norte do estado de São Paulo - página
61: o principal ponto discutido pelo grupo foi a partir do trecho: “Dadas as características
de vida dos praianos a urbanização não acompanhou o ritmo do processo físico de
concentração das unidades habitacionais…” p.63 Esse foi um momento do texto que
fizemos referência diversas vezes nas discussões seqüentes, pensando que Armando
aponta para a possibilidade, (aliás, para muitas possibilidades); uma delas seria pensar
em uma ontologia do espaço, ou seria do ser? Enfim, quando expôs esse modo de vida
praiano também nos fez levantar alguns aspectos acerca do processo de urbanização, ou
da ruralização das cidades, a diferenciação urbano rural, que também nos acompanhou
para outras inquietações no decorrer dos textos.
Bem, aqui havíamos finalizamos a Parte I, é difícil relatar a riqueza de nossas discussões,
mas vale lembrar que essa parte inicial e, em especial, nesse último encontro, falamos um
pouco de nossas pesquisas; trocas, guiadas, ou desviadas pelo Armando. Discutimos
sobre o conceito de território, a partir da contribuição do André, as referências que fez à
sua dissertação, quando usa território-rede; pontuamos também as contribuições de
alguns autores, como Raffestin, Haesbaert, Milton Santos e Marcelo Lopez de Souza,
discutindo o conceito de território. Houve também uma discussão acerca do conceito de
região, levantada pelo Carlão a possibilidade de usarmos suas atribuições ao discutirmos
as questões contemporâneas, culturais mais precisamente. Falamos ainda sobre o termo
que a Nena trabalha em sua dissertação “Cidade-Região”, guiados por algumas
contribuições da Sandra Lencioni, trazidas pela Rosângela e recorrendo, pelo Edílson, à
epistemologia desse conceito.
Vamos à Parte II: Da Investigação à Interpretação
Apresentei o primeiro texto: Notas sobre o método científico e a observação em
Geografia, p. 73:
Inicialmente o autor expõe que o procedimento científico deve passar pelas seguintes
etapas: hipótese, observação, análise e formulação de leis. Nesse ponto do livro ainda
demonstra preocupação em tratar especialmente da observação. Afirma, nesse sentido
que há uma distinção entre a experimentação (controlada, realizada em laboratórios -
característica das ciências naturais, que se debruça sobre os aspectos físicos) e a
observação (mais relacionada à geografia humana, onde o laboratório do pesquisador
seria a própria realidade).
Discute ainda a hipótese como sendo uma observação preliminar o que no texto seguinte,
apresentado pela Rosângela, fica mais claro. (na página 92).
Ao anunciar que há um procedimento científico a ser seguido o autor vê a necessidade de
salientar a especificidade da ciência geográfica frente a outras possibilidades de se
realizar trabalhos científicos, a partir de outros arcabouços teóricos. Nesse sentido aponta
que o que diferencia a geografia das outras áreas do conhecimento é entender o espaço
como categoria de síntese.
“Como há inúmeras ciências que se preocupam igualmente com a observação da
natureza e da vida humana, é necessário estabelecer em que medida o interesse do
geógrafo é específico e difere do dos demais especialistas. Trata-se da maneira como ele
encara o espaço geográfico como categoria de síntese.” Pagina 81
Ainda nessa página ele expõe sua definição de espaço, aproximando de superfície
terrestre, recorrendo a Hartshorne.
No final do texto, sobre as fases finais de observação propõe que os métodos de
investigação revelarão alguns “fenômenos tipos” (ou categorias e conceitos de
explicação) que “podem revelar a existência de conexões e seqüências uniformes,
espaciais e temporais suscetíveis de serem expressas sob forma de leis ou tendências”.
Utiliza como exemplo o planejamento, que “baseia-se muito em estimativas – ou
projeções – obtidas a partir dos resultados fornecidos por uma pesquisa.”
Esse é um texto introdutório dessa Parte II, não foram levantadas questões ou discussões
sobre o método de observação descrito pelo autor.
Sobre o texto: Ciência e Valor em Geografia, p. 87 – Apresentado por Rosângela
Retoma a discussão sobre a formulação de hipóteses, expondo uma crise fruto de um
apego maior com os fatos do que com a formulação de hipóteses (página 92).
Separa os problemas tratados pela geografia em três níveis de análise da realidade:
natureza, vida social e relações entre os grupos sociais. (página 96).
Nesse texto retomamos as discussões anunciadas anteriormente sobre o modo de vida
praiano, e o meio rural e urbano a partir da reflexão sobre esse trecho:
“No Brasil, o problema ganha um significado ainda diferente. Estando o país em um
processo de transição entre uma civilização agroindustrial, de passado recente, para um
padrão civilizatório industrial-agrário, a natureza é percebida como um obstáculo ao
progresso, uma vez que a cidade – apesar de seus problemas – é identificada como o
lugar onde ele se realiza.” p. 96
Uma questão que deixamos como encaminhamento para o próximo encontro é sobre o
significado de valor nesse texto.
Sobre o texto: Uma proposta teórica em geografia, p. 113 – Apresentado por Edílson
Esse texto faz algumas importantes referências à introdução, inicialmente sobre a
fragmentação entre saber e cultura e retornando ao fato de a unidade do objeto de estudo
da geografia estar mal formulado, o que leva o autor à afirmação “o espaço fora do lugar”,
mencionando ainda a fragmentação do conhecimento como um todo.
“É desnecessário dizer que em qualquer caso, ocorre uma fragmentação ontológica do
objeto de estudo…”p.115
Nesse ponto está exposta uma tentativa de retornar a unidade através da “construção de
categorias lógico-históricas de explicação geográfica capazes de apreenderem a gênese
e a evolução da região…” p.117
E dessa maneira tem-se a possibilidade de, através da concepção lógico-histórica, dar
sentido aos dados coletados, tratar a região não como algo dado, pronto, mas como
produto da interpretação.
“A região periférica não é assim um dado pronto e acabado, mas se constitui num longo
processo contraditório de evolução.” p.119
Sobre a conclusão: Em busca do lugar, p. 113 – Apresentada por Nena
A partir do trecho seguinte, levantamos algumas questões para nosso próximo encontro:
“Nessa correção uma das tarefas principais é “pôr de pé” a reflexão filosófica a partir da
preocupação do espaço como ser.” p. 127
Quando o autor se refere à preocupação do espaço como ser, ele possibilita:
1) O espaço é produto do homem?
2) O espaço é a junção homem-meio?
3) O espaço é a relação do processo espaço-tempo-movimento?
4) O espaço é ser simplesmente por que é movimento?
Outras questões encaminhadas para o próximo encontro:
 Sobre o significado de valor no texto Ciência e Valor em Geografia.
 Devemos pensar em uma ontologia do lugar? Ou seria uma ontologia do espaço?

Registro da Reunião de 22/06/2007

Presentes neste encontro: Élvio, Amadeu, André, Carlão, Daniela, Edílson,


Fabiana, Marina e Rosangela.

Nesta reunião realizou-se um esforço, sucintamente, em duas direções: refletir


sobre questões propostas em reuniões anteriores e fazer um “balanço”, uma análise do
livro – O espaço fora do lugar, de Armando Corrêa da SILVA (Hucitec, São Paulo, 1978) –
no seu todo. Evidentemente, sem esgotar a análise, mas iniciando um processo de
reflexão da obra em seu conjunto. Isto porque em encontros anteriores se fez não
somente, porém, prioritariamente, a análise das “partes”.
Inicialmente se destacou que Armando apresenta influências da geografia norte-
americana.
Levantou-se a questão sobre o valor da geografia presente no texto. Foi apontado
como possível ponto de elucidação, a própria concepção de Armando a respeito do objeto
da Geografia, pois, para ele, a Geografia trata fundamentalmente de problemas
concernentes a três níveis da realidade, a saber – natureza, vida social e as relações
entre os grupos sociais. Assim, o objeto da Geografia se constitui no estudo da
organização do espaço nesses três níveis.
Dessa forma, para o autor, em todos os três níveis o ser humano é um ator crucial.
É nesse sentido que se encontra o valor da Geografia, como sugere o seguinte trecho,
principalmente na última frase: “Em todos os níveis nota-se que a presença humana é
decisiva, o que tem levado muitos geógrafos a considerarem a Geografia essencialmente
como uma ciência humana, que é a posição que também adotamos. Ora, considerar o
homem é considerar o problema do valor” (p. 97).
Refletiu-se sobre a questão do movimento. Neste sentido concluiu-se que,
provavelmente, Armando foi um dos primeiros a tratar disto.
Foi ressaltado que além da preocupação com o movimento, Armando também
tratava da formação, estrutura, processos e funções etc. (ver – “O espaço geográfico
como totalidade”, p. 9).
Nesse sentido, Armando foi pioneiro ao tratar da ontologia do espaço, como
demonstra o seguinte trecho: “A preocupação com o assunto [ontologia do espaço
geográfico], contudo, já era anterior. Em 1972, escrevendo sobre o método científico,
dizia-se: ‘Além de um conjunto de proposições teóricas, expressas por meio de um
conjunto de categorias e conceitos – em Geografia pensa-se em espaço, região, etc. –
ciência define-se por um método’ (SILVA, A. C. da, 1972, p. 8. Citado em SILVA, A. C. da,
1978, p. 9). Do tratamento do espaço como uma categoria do pensamento geográfico
decorreu então a idéia de uma ontologia desse espaço” (1978, p. 9).
Edílson indagou sobre a influência de Henri Lefebvre na obra de Armando.
Entendeu-se que não se pode afirmar isto, pois possivelmente este autor ainda não
estava difundido por aqui. Aproveitou-se para destacar, ao tratar das possíveis influências
no trabalho de Armando, que a produção do livro em questão ocorreu no período militar.
Uma outra característica do autor discutida pelo grupo, além das preocupações
com a ontologia do espaço geográfico, é o fato de Armando ser repleto de boas idéias,
mas com pouco desenvolvimento destas.
Destacou-se que o autor na p.10 ao tratar da formação, utiliza no 1º parágrafo o
termo espaço. Mas nos parágrafos posteriores faz uso dos termos – paisagem natural e
paisagem cultural. E ainda, meio natural e meio cultural que, por sua vez, formam o meio
geográfico. Ressalta-se que isto tudo no mesmo tópico – formação. Assim, fica a dúvida
da passagem de um termo para outro. Mas, de certa forma, indica a existência de uma
ligação entre estes.
Refletiu-se sobre a preocupação de Armando com a sistematização do pensamento
geográfico.
Élvio levantou a pertinente questão: Qual a importância de Armando na geografia?
Nesse aspecto, destacou que ele foi um pioneiro, um autor de vanguarda. Pois se propôs
inquietações que em seu tempo não existia. É um autor com sensibilidade para
determinados temas.
Salientou-se que no tópico estrutura se tem o que forma a base epistemológica de
uma disciplina. Especialmente nos seguintes fragmentos: “É possível discernir, em
primeiro lugar, um espaço de localização, caracterizado pela existência de um sítio, uma
situação e uma posição. A localização dos fenômenos naturais decorre das razões já
expostas. A localização dos fenômenos de cultura e civilização tem contudo outra gênese,
porque depende da ação humana. Deve-se tomar o habitat como ponto de partida. A
necessidade do habitat, que é um fenômeno de polarização, define para os grupos
humanos a escolha do sítio (…) A posição indica sempre uma relação entre duas ou mais
unidades ou elementos do meio geográfico. Como os elementos do meio geográfico
estão relacionados entre si as articulações naturais ou culturais que os unem definem um
espaço de relações” (p. 11-12). E também se observou que primeiro o autor diz espaço
de localização e, depois, utiliza espaço de relações. Sendo que a estrutura envolve
localização, sítio e habitat.
Asseverou-se que evidentemente havia limitações no pensamento de Armando
como o que compreendia por geografia. Assim o autor reflete literalmente o ambiente em
que foi formado. Por exemplo, não conseguia perceber que natureza é uma construção
social.
André questionou o que foi feito das idéias de Armando. E se o próprio Armando
levou estas idéias adiante. Entendeu-se que poucos estudiosos realmente utilizaram o
trabalho dele. Quanto à segunda questão, Élvio tem uma tese que há uma continuidade
no pensamento de Armando.
Alertou-se que o autor faz uso de paisagem cultural e não de paisagem
humanizada ou paisagem social.
Discutiu-se que Armando pensou numa teoria e, provavelmente, a colocou em
execução. Lembrou-se que o autor é sociólogo com influência de Durkheim, o qual é um
funcionalista.
Desse modo, Carlão levantou as questões do determinismo geográfico e genético.
Tais questões foram discutidas pelo grupo, provocando certa polêmica em torno do tema
determinismo genético.
Nesse sentido, ponderou-se que esse debate no grupo não ocorreu por causa da
sociologia e sim devido à ciência. Logo, é mais fácil relacionar o crescimento da
população ou o aumento da criminalidade ao fator “racial” do que à organização da
sociedade.
Destacou-se que a pergunta – Qual é o objeto da geografia? – é mal formulada. O
conceito nasce da análise da realidade. Para o Élvio, por exemplo, o conceito de ciência é
o conhecimento consciente de si diante do objeto. É a relação forma-conteúdo.
Edílson colocou que tem a impressão de já ter visto as considerações de Armando.
Essa impressão foi debatida pelo grupo. Em seguida, conversou-se sobre epistemologia.
Dialogou-se sobre paisagem cultural, econômica, social e política. Foi destacado
que o espaço se forma de maneira descontínua. Nesse sentido, Armando diz: “Ele
procura mostrar que os fenômenos geográficos podem se encontrar dispersos,
concentrados, contínuos ou descontínuos na superfície do globo” (p. 12). Também se
salientou as considerações de Armando a respeito da percepção humana (ver tópico –
significado – na p. 15).
O grupo, prosseguindo na discussão sobre epistemologia, refletiu sobre teoria e
método. Concluiu-se que Milton Santos, por exemplo, fez uma teoria. O uso da teoria não
pode ser confundido com o método, tendo em vista que o método é o procedimento de
investigação da realidade. Já a teoria é o retrato mais acabado que se pode ter do real.
Ainda nesta discussão sobre método, foi indagado se cada disciplina tem um
método. Alertou-se que a descrição é própria da investigação geográfica, mas podem-se
utilizar vários métodos para realizar a descrição.
Por fim, o Élvio propôs algumas questões para reflexão:
 Como se estrutura o geográfico para você?
 Geografia é processo? Se for processo, como é a processualidade do geográfico?
 Por que as coisas estão onde estão?