Você está na página 1de 4

O Natal

Muito se discute nas igrejas a respeito do cristão comemorar ou não o


Natal, bem como o uso de seus símbolos (árvore de natal, papai Noel, pisca-
pisca). O presente estudo visa entender as origens dessa data bem como
apresentar ao cristão se é de fato ou não um pecado comemorar o Natal.

A Data
No Natal, como sabemos, é comemorado o nascimento de Cristo. A data
é 25 de Dezembro, porém, a Bíblia não dá respaldo para que tenha sido essa a
data do nascimento de Jesus. Todavia, sabemos que não foi nesse período do
ano que nosso Senhor nasceu, pois essa é a época do inverno na Judeia e não
seria possível que pastores vagassem a noite com seus rebanhos (Lucas 2:8).
Alguns supõem que foi o imperador Constantino que estabeleceu o Natal em
25 de Dezembro, para substituir a festa pagã em honra ao deus sol. Nesse
caso, o Sol tomou o lugar do sol, afinal, Jesus é a Luz do mundo espiritual. A
festa pagã em questão celebrava o início do inverno, quando no hemisfério
norte do globo os dias ficam mais longos.
Constantino nasceu em 280 d.C., viveu na região conhecida como Gália.
Em 306 d.C. seu pai morreu e Constantino foi elevado ao cargo de Augusto
(um título de nobreza entre os romanos) mediante ao testamento deixado pelo
seu pai. Era muito prestigiado pelo exército romano e tinha empatia pelos
cristãos da Gália. Tornou-se imperador de Roma mediante a vitória que teve
sobre Maxêncio (outro senador importante de Roma). A caminho da batalha ele
teria recebido uma visão da cruz com as palavras por cima da mesma: In hoc
signo vinces (com este sinal vencerás). Pintou uma cruz em cada escudo de
seus soldados e marchou para a batalha obtendo vitória. Na Roma de sua
época três grandes grupos dividiam a população: os cristãos, os judeus e os
devotos de Mitra (deus sol). Com o intuito de agradar o maior número de
pessoas e conquistar o domínio do império, a suposta visão fez ele unir Mitra a
Cristo, conquistando assim a empatia de dois grandes grupos. No ano de 313
d.C., já no posto de imperador, expediu o edito de tolerância, sobre o qual
cessou a perseguição sobre os cristãos.
A saber, mitra era um divindade persa, que em 69 d.C. foi adotada pelo
exército romano quando marchavam dominando o oriente. Isso mostra que era
comum entre os povos da antiguidade adotar as divindades de outras culturas.
O apóstolo Paulo faz uso desse recurso quando pregou em Atenas no
Areópago (Atos 17:15-23). Vale lembrar que no nosso caso quem a escolha
partiu do Mestre, não dos discípulos (João 15:16).
No mês de Dezembro também se comemorava a Saturnália, festividade
relacionada ao deus Saturno. Eram realizadas festas com muitos excessos, a
ponte de permitirem que escravos tivessem os mesmos direitos que seus
senhores. Excluindo as bebedices e as glutonarias, fazemos um paralelo com
Jesus citando os dizeres de Paulo:
“Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho
nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28)
Quanto ao comemorar o nascimento de Jesus, não é um mandamento
como o batismo e a Santa Ceia, mas também não é proibido. Os anjos, por
exemplo, se regozijaram com o nascimento do Messias (Lucas 1:13-14). E
também os sábios vindos do oriente presentearam ao Senhor no seu
nascimento (Mateus 2:1-12).

A Árvore de Natal

Desde muito se questiona a origem da árvore de Natal e se o crente


pode ou não ter uma em sua casa. E a resposta para essa pergunta é:
depende.
Na Bíblia lemos em muitas passagens o povo de Israel de dobrando
diante de “postes ídolos” ou “bosques”. O artefato por sua vez poderia ser um
ídolo feito de madeira ou até mesmo uma árvore que simbolizava a deusa Istar.
Vale observar que Istar era a divindade feminina da fertilidade dos caldeus
babilônios, em outras localidades e em outros tempos foi admitida por povos
vizinhos, sendo conhecida ao longo da história por Aserá, Astarote, Astorete,
Astarte e Anate. Todos esses nomes fazem referência à mesma divindade. Nos
tempos dos apóstolos, na Grécia e Roma antiga, existiam as deusas Afrodite,
Cibele, Diana, Vênus, todas elas relacionadas à fertilidade, caça ou
prosperidade, assim como Istar.
Como vimos anteriormente, a adoração aos ídolos era copiada de um
povo por outro, promovendo a fusão religiosa e cultural, o que torna um pouco
difícil hoje determinar quem era quem no panteão dos deuses da antiguidade.
Todavia, uma coisa é certa, por trás de toda essa bagunça religiosa, existe um
ser maligno que rege a mente de homens entregues aos seus próprios
prazeres, a saber, o diabo. Com isso, alguns comentaristas acreditam que o
uso da árvore de Natal, como símbolo dessa data, surgiu a partir de um
sincretismo religioso, engendrado pelo próprio adversário, a fim de levar a
cristandade à idolatria.
Recentemente ouvi um pastor comentando o fato de outro pastor
permitir que uma árvore de Natal (que ele chama de poste ídolo) fosse
montada no meio da igreja. O mesmo pastor que faz as críticas não monta
arvore de Natal, porém, vende “meia ungida”, “sal ungido”, “carnê no Simão
Cireneu”, entre outras coisas absurdas e bizarras que pervertem a graça, sobre
o preceito de que a meia ou o sal trarão ao crente algum benefício divino.
Que a árvore de Natal tem uma origem pagã isso é verdade, porém, a
intensão de se ter a arvore no meio da sala é que muda a sentença. Se a
pessoa monta uma arvore de natal acreditando que o final do ano dela só será
feliz se tiver o símbolo em casa, tal pessoa atrai para si maldição, pois está
sendo idólatra, tirando sua fé de Deus e colocando em uma tradição. Todavia,
se a pessoa monta com intuito de adornar a casa, apenas para deixa-la bonita
e agradável para receber parentes e amigos, isso atrai benção. O mesmo se
aplica à questão de obras de arte. Não é pecado o crente ter um quadro da
Santa Ceia, de DaVinci, em sua casa, desde que não o use como objeto
mediador entre ele e Deus, como um altar.
O ato de adorar pinheiros, mais especificamente as sempre-vivas,
originou-se nas tribos celtas e teutônicas. As sempre vivas eram as únicas
arvores que não perdiam suas folhas com o rigoroso inverno dos países
nórdicos, disso vem o nome. Eram adoradas nas festas em celebração à vida
eterna. Esse tipo de culto nos faz lembrar o Salmo 1 versículo 3. O simbolismo
relacionado à vida eterna nos leva a meditar em tudo o que Jesus fez pela
humanidade, a fim de lhe trazer a paz com Deus. De fato a Bíblia não nos
ordena a adorar arvores, porém usamos algumas para comparar a prender
valores morais e espirituais, por exemplo, o cedro do Líbano (Salmo 92:12), a
figueira como símbolo da nação de Israel e a videira como símbolo da igreja e
do próprio Cristo (João 15).
Outra história que conta a origem do uso da árvore de Natal aponta para
Martinho Lutero. A tradição diz que ao passar por um bosque, Lutero teria
observado a beleza das estrelas entre os ramos dos pinheiros. Então, ao
chegar em casa, procurou duplicar essa beleza acendendo velas entre os
ramos de sempre-viva.
Seja qual for a origem do uso da árvore de Natal, o pecado está em
adorar ou depositar a fé naquilo que não é Deus. Além disso, a sempre-viva
tornou-se um símbolo da vida eterna que há em Cristo Jesus. Se o símbolo lhe
fizer pensar nas coisas que são de cima, particularmente não vejo motivo
considerar o mesmo como um ídolo.
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto,
tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa
fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses
4:8)

O Papai Noel
No século IV d.C. existiu um santo conhecido como Nicolau de Mira. Foi
um crente muito popular nas igrejas gregas e latinas. As tradições afirmam que
ele nasceu em Patara, na Lícia, Ásia Menor. Era piedoso desde a juventude,
tornou-se abade e posteriormente bispo de Mira. Não está registrado a data de
seu nascimento porém conhecemos a data de sua morte, 06 de Dezembro de
345 ou 352. Durante seu ministério foi perseguido, torturado e preso.
Posteriormente foi libertado por Constantino. Era muito querido por sua
generosidade. Segue abaixo lenda que cerca seu nome:
Certo nobre empobrecera a tal ponto que não conseguia prover um dote
às suas três filhas, a fim de que elas se casassem. Ele estava prestes a
permitir que elas se tornassem prostitutas quando Nicolau ouviu falar a
respeito, e resolveu intervir secretamente. Primeiramente, ele foi até defrente
da casa daquele nobre, à noite, e jogou para dentro da casa uma peça de ouro,
que mui convenientemente caiu aos pés do nobre. E este usou o ouro para
equipar sua primeira filha para o casamento. Na noite seguinte, Nicolau repetiu
o ato, e assim a segunda filha do nobre pode ser preparada para o casamento.
Na terceira noite Nicolau fez a mesma coisa. Mas, dessa vez, o nobre
conseguiu apanhá-lo. Porém, Nicolau fez o homem prometer que não contaria
nada a ninguém. (Enciclopédia de Bíblia, Filosofia e Teologia. / R.N., Champlin,
Ph.D. / Volume 4, página 500).
Dessa história, que não sabemos se é verídica ou não, surgiu o costume
dos homens mais velhos da família colocarem presentes sobre os sapatos ou
meias dos membros mais jovens.
Inicialmente, a troca de presentes era comemorada em 5 de Dezembro,
porém, graças a um poema de Clement C. Moore, Véspera de Natal, o rito de
presentear foi unido ao Natal alterando assim sua data para 25 de Dezembro.
A narrativa escrita em 1822 atribuiu a São Nicolau poderes como entrar nas
casas pela chaminé, voar com um trenó puxado por renas e ser auxiliado por
duendes na fabricação dos brinquedos. Aqui sim ele ganha o nome de Papai
Noel.
Apesar dos contos, o fato é que o crente Nicolau de Mira deixou um
legado de generosidade, ato esse que nos serve de exemplo, assim como o de
outros santos da igreja primitiva, que não deve ser observado apenas no final
do ano, mas se possível, todos os dias.

Conclusões
Com esse estudo, concluímos que não é um pecado declarado
comemorar o Natal, o nascimento de Jesus. Os anjos se regozijaram com o
nascimento do Messias. É lícito fazer um jantar especial na noite da véspera,
desde que não façamos com glutonarias ou bebedices. Importante também é
não nos esquecermos dos irmãos que passam necessidades (I Coríntios
11:21). Quanto a árvore de Natal, desde que a mesma não seja posta como um
ídolo, cai bem como um memorial no meio da casa, nos lembrando da
eternidade que há em Cristo. Já o Papai Noel, nos serve de exemplo
mostrando que é melhor dar do que receber (Atos 20:35).