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Teatro ecológico

FRANCISCO E O IRMÃO AR

Teatro: Para ser lido ou representado.


Personagens: Francisco de Assis, Ar, Publicitário, João, Maria e Árvore.

FRANCISCO: Olá, amigos! Paz e bem para todos!... Há dias, dei a volta ao mundo,
passando pelas capitais de quase todos os países. Vi tantos carros e camiões num
emaranhado de ruas e avenidas. Uma loucura... Também as pessoas iam apressadas, como
formigas... Nisto, ouvi uma voz…
AR: Olha para cima, Francisco ...
FRANCISCO: E olhei para o céu. Embora fosse dia, naquela cidade eu não conseguia
ver o irmão Sol. O céu não era azul. Estava sombrio, como se um pano cinzento o
envolvesse.
AR: Sai daí, Francisco, sai! Custa-te respirar na cidade, não é?
FRANCISCO: Sim, é. Os meus olhos ardem. Obrigado por me libertares destes
labirintos de ruído e deste forno cheio de fumo. Mas... Quem és tu?
AR: Respira. Respira profundamente. Tenho a certeza de que vais lembrar-te de quem
sou. Sem mim, não vives...
FRANCISCO: Irmão Ar! Porque queres falar comigo?
AR: É grave o que te vou dizer! Estão a envenenar-me, Irmão Francisco. Hoje sou uma
mistura de oxigénio, nitrogénio e de venenos como o dióxido de sulfureto, o monóxido
de carbono, o óxido de chumbo... Quando me respiras, eles entram no teu corpo.
Francisco, o número de cidades em que abundam estes venenos cresce todos os dias.
PUBLICITÁRIO: Visite as pirâmides do México, as praias do Brasil, prove a
gastronomia da Nigéria, comova-se com o monumento ao amor na Índia, compre o que
quiser na pérola do Oriente, Xangai... E não se esqueça de levar a tão necessária máscara!
FRANCISCO: Quando era jovem, visitei o Egito. O céu era radioso, claro e limpo.
AR: Isso foi há séculos. Vai lá agora e não conseguirás respirar normalmente!... Que
tragédia: eu sou envenenado e enveneno!... Quando estou limpo, dou vida.
JOÃO: E quando estás sujo?...
AR: Quando estou escuro, mato.
MARIA: Então, o que devemos fazer?
AR: Nenhum ser vivo tem escolha: não podem deixar de respirar. E, no entanto, adoecem.
Os venenos que existem em mim intoxicam da cabeça aos pés: a pele, os olhos, os
pulmões, o coração... As mulheres abortam. As crianças não crescem. Surgem tumores,
infeções...
FRANCISCO: Mas quem te suja assim tanto a ponto de provocares tantas desgraças?
AR: A sociedade atual, cuja vida depende da queima de combustíveis como o carvão
mineral e os derivados do petróleo – a gasolina e o gasóleo, que lançam fumos para a
atmosfera.
MARIA: E há alguma maneira de te limparmos?
AR: Sim, há.
JOÃO: Diz, por favor!
ÁRVORE: Eu vou dizer-lhes. Nós e as nossas irmãs Algas podemos limpar o ar… Somos
os pulmões da Mãe Terra. Durante o dia, na nossa alimentação, absorvemos os venenos
de que estão a falar e deixamos o ar mais limpo.
FRANCISCO: Muitas são as maravilhas que Deus fez!
ÁRVORE: Mas... estas maravilhas que admiras também estão a ser arruinadas pelos
humanos, teus irmãos: pelas empresas madeireiras, pelos fazendeiros que queimam os
bosques para pastagens, pelos políticos que financiam estradas que rasgam as florestas...
Ouvem a motosserra?!... A cada 10 segundos, a Mãe Terra perde mil árvores. Tudo por
dinheiro, Francisco, João e Maria.
AR: Deus criou-me para dar vida, para que todas as criaturas possam respirar…
gratuitamente.
ÁRVORE: Ele criou-nos para dar frutos e sombra, para limparmos o ar, para
equilibrarmos as temperaturas, para atrairmos a chuva.
JOÃO: E a nós, humanos, Deus mandou que cuidássemos deste planeta, que é a nossa
casa comum.
MARIA: Já destruímos metade das árvores da Terra; contaminamos o ar; poluímos as
águas e os solos. Se continuarmos assim, em poucas gerações não sobreviverá um só de
nós. Temos de mudar de atitude.

Adaptado da série radiofónica Laudato Si’ da Rede Eclesial Panamazónica (REPAM)


Podes ouvir os áudios em http://zip.net/bttm7m.

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