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Comandos elétricos

Formação continuada

Comandos elétricos
Formação continuada

Comandos elétricos

© SENAI - SP, 2008

Trabalho editorado pela Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo”,


do Departamento Regional de São Paulo.

Coordenação geral Carlos Eduardo Cabanas

Elaboração Gilberto Coppi


Marco Tulho A. Fontoura
Osmar de Souza

Diagramação Roberto Rodrigues

Revisão Maria Regina José Silva

S47c SENAI - SP. Comandos elétricos. São Paulo, 2008. 141p. il.
Formação continuada.

Apostila técnica.

Todos os direitos reservados.


É permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Escola SENAI “Orlando Laviero Ferraiuolo”


Rua Teixeira de Melo, 106 – Tatuapé – São Paulo - SP – CEP 03067-000
Tel.: (11) 2227 6900 – Fax.: (11) 2295 2722
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www.sp.senai.br/construcaocivil
Sumário

Introdução ..............................................................................5
Chaves manuais.....................................................................7
Motores de C.A. monofásicos ............................................18
Distribuição de energia elétrica em C.A. (trifásica)...........24
Motores trifásicos de C.A. ...................................................35
Sistemas de partidade motores trifásicos .........................46
Dispositivos de proteção e segurança ...............................54
Contatores ............................................................................60
Relés como dispositivo de segurança ...............................67
Diagramas de comando ......................................................71
Sinalização ...........................................................................80
Chaves auxiliares tipo botoeira ..........................................83
Partida de motor trifásico com comutação direta ............87
Reversão da rotação de motores trifásicos .......................91
Relés de tempo ....................................................................94
Partida de motor trifásico com
comutação automática estrela-triângulo ...........................96
Motor trifásico de indução com
ligação tipo Dahlander ........................................................99
Sensores de níveis.............................................................104
Símbolos gráficos conforme NBR – IEC – DIN ................139
Referências bibliográficas .................................................141
Introdução

Esta apostila refere-se ao curso Comandos elétricos – For-


mação Continuada – que visa proporcionar qualificação de
nível básico a profissionais que atuarão em comandos elé-
tricos, utilizando vários tipos de materiais, equipamentos,
ferramentas e acessórios de acordo com suas características
e aplicações.

Os conteúdos que serão aqui estudados são:


• Eletrotécnica: magnetismo; eletromagnetismo; distribuição
de energia elétrica; sistema de partida de motores trifási-
co; dispositivo de proteção e segurança (fusíveis e relê);
diagrama de comando.
• Tecnologia de componentes elétricos: chave de partida
direta monofásico e trifásica; chave reversora trifásica;
chave estrela triângulo; elementos de um circuito de co-
mando; transformador de força/comando; contator; tipos
de motores e suas aplicações.
• Prática de laboratório: comando automático simples; co-
mando automático com reversão; comando automático
estrela triângulo; comando automático compensado;
comando automático para motor de duas velocidades;
comando automático para chave série – paralelo triângulo
e estrela; comando automático de bóias.
Chaves manuais

Como os comandos automáticos são como dimensões e formato, instruções


caros, em pequenas e médias indús- quanto à forma de instalação e os parâ-
trias geralmente usam-se as chaves metros elétricos de cada chave.
manuais para realizar a ligação de mo-
tores. Elas são usadas não só por seu Os parâmetros elétricos e mecânicos
baixo custo, mas também por sua ver- são muito importantes e devem ser
satilidade e facilidade de instalação. levados em consideração para garantir
o melhor desempenho possível dentro
Neste capítulo estudaremos as chaves do circuito. Esses parâmetros são:
manuais mais comumente usadas na • corrente nominal – corrente nominal
partida de motores e no seccionamento de carga que a chave suporta sem
de circuitos. danificar-se;
• tensão nominal de serviço – tensão
Para melhor compreensão desse con- máxima que a chave suporta para
teúdo, você deverá ter conhecimentos manobrar com segurança;
anteriores sobre sistemas de partida • tensão de isolação – tensão máxima
de motores. que a chave pode isolar com segu-
rança;
• simultaneidade na abertura e fecha-
Chaves de comando manual mento dos contatos – evita falta de
fase na carga e, conseqüentemente,
Chaves de comando manual são dispo- sobrecorrentes e arcos elétricos de
sitivos eletromecânicos usados princi- maior intensidade, protegendo os
palmente no comando de motores. contatos contra o desgaste;
• velocidade de abertura dos contatos
Essas chaves são normalmente do tipo – a chave deve ter um dispositivo
rotativo. Possuem um eixo ao qual especial que acelere a abertura dos
estão fixados cames que, mediante a contatos independente da velocidade
manobra do operador, acionam os con- em que a chave é acionada;
tatos a fim de abri-los ou fechá-los. • pressão dos contatos – deve ser
grande para diminuir a resistência e
Os catálogos dos fabricantes normal- facilitar a circulação da corrente.
mente fornecem as características físicas

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Tipos de chaves e seu funcionamento • na posição D (à direita), o motor está
ligado se energiza e gira em sentido
Veja a seguir como funciona: horário, por hipótese;
• a chave reversora para motor mono-
fásico;
• a chave reversora para motor trifásico;
• a chave estrela-triângulo;
• a chave comutadora de pólos;
• a chave compensadora;
• o disjuntor industrial;
• o seccionador;
• o seccionador fusível.

Chave reversora para motor monofásico

A chave possui três posições: 0, D, E.

• na posição E (à esquerda) o motor


está ligado se energiza e gira em sen-
tido anti-horário, por hipótese.

Quando a chave funciona em 110 volts:


• na posição 0 o motor está desligado
e todos os contatos móveis estão
abertos;

Para efetuar a reversão, é imprescindível


levar o manípulo à posição 0 e aguardar
a desaceleração do motor para haver o
fechamento do dispositivo automático
de partida (interruptor centrífugo).

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Quando a chave funciona em 220 volts: • na posição E o motor gira para a es-
• na posição 0 o motor está desligado; querda.

• na posição D o motor gira para a


direita.
Os bornes 2, 3 e 5 são ligados entre si e
isolados da chave. A inversão do sentido
da rotação se faz apenas pelo borne 6,
que se acopla com o borne 1 ou 4.

Para que o motor gire à esquerda,


quando a chave estiver na posição E,
ou á direita, quando a chave estiver na
posição D, às vezes é necessário trocar
as ligações entre os bornes 5 e 6.

Chave reversora para motor trifásico

Essa chave também tem três posições


0, D e E.

Na posição 0 os contatos estão abertos


e o motor não gira.

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Na posição D o motor gira em sentido Chave estrela-triângulo
horário.
A chave estrela-triângulo tem as posi-
ções 0, Y e .

Na posição 0 os contatos móveis estão


abertos e o motor está parado.

Na posição E há inversão de fase na


alimentação e o motor gira em sentido
anti-horário.

Os contatos R, 1, 6, S, 2, 4, T, 3 e 5 são
fixos.

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Quando a alavanca é girada para a po- com 4; T com 3 e com 5; o motor fica
sição estrela, fecham-se os contatos: R ligado em triângulo e atinge a veloci-
com 1; S com 2; T com 3; 6 com 4 e com dade nominal.
5; o motor parte em estrela até atingir
80% da velocidade nominal.

Chave comutadora de pólos

Após o motor atingir 80% da velocida- A chave comutadora de pólos é espe-


de nominal, a alavanca é girada para cialmente desenvolvida para coman-
a posição triângulo; fecham-se os dar motores com enrolamento tipo
contatos R com 1 e com 6; S com 2 e Dahlander.

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Esse tipo de chave possui 3 posições: Na posição 2 o motor é ligado em
0, 1 e 2. dupla estrela e há conexão de menor
número de pólos e o motor gira em alta
velocidade.

Na posição 0 o motor está desligado


e não gira.

Chave compensadora

A chave compensadora é empregada


como dispositivo de partida com ten-
são reduzida.

A tensão é reduzida por um auto-trans-


formador fabricado com “taps” de 65%
e 80% da tensão de alimentação.

Para que o motor arranque, leva-se a


alavanca para a posição partida.
Na posição 1 o motor é ligado em triângu-
lo e há conexão de maior número de pó- Esta operação deve ser feita o mais
los e o motor gira em baixa velocidade. rapidamente possível.

A alavanca é, então, mantida até que


o motor atinja a velocidade nominal,
embora com tensão reduzida.

Nesse instante, a alavanca é levada


para a posição funcionamento e é tra-
vada por um eletroimã alimentado pela
tensão da rede.

Esse eletroimã também funciona como


um relé de subtensão. Assim, se a
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tensão cair abaixo de 80% da tensão de porte. A função desse óleo é diminuir
nominal, o campo magnético diminui o arco voltaico e, conseqüentemente,
e destrava a alavanca que volta para a diminuir o desgaste dos contatos.
posição parado.
As chaves compensadoras têm limites
O desligamento da chave é feito atra- de partida por hora, a fim de proteger
vés de um botão colocado na frente o autotransformador contra o aqueci-
do painel. Ao ser pressionado, ele in- mento.
terrompe a alimentação do eletroimã e
destrava a alavanca de partida. Esse aquecimento pode acontecer, por-
que o autotransformador é subdimen-
Botões de desligamento podem ser sionado em função de sua utilização
instalados distantes do painel, se fo- por apenas alguns segundos em cada
rem ligados em série com o botão já partida.
colocado no painel.
Para informações sobre o número de
A chave compensadora também é partidas/hora e outros detalhes técni-
dotada de um relé térmico bimetálico cos sobre a chave, o profissional deve
que deve ser ajustado de acordo com consultar os manuais dos fabricantes.
a corrente nominal do motor.
Disjuntor industrial
O relé térmico possui um contato auxi-
liar NF que é acionado quando há so- O disjuntor industrial é um disposi-
brecarga no motor. Nesse caso, como tivo mecânico de manobra capaz de
ele é ligado em série com o eletroimã, estabelecer, conduzir e interromper
destrava a alavanca de partida e dese- correntes sob condições anormais do
nergiza o motor. circuito, tais como, curto-circuito e
sobrecarga.

O conjunto de contatos da chave é imerso O disjuntor industrial pode ser de baixa


em óleo isolante do mesmo tipo usado tensão e de alta tensão.
na isolação de transformadores de gran-
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O disjuntor de baixa tensão é usado em disparadores bimetálicos ajustáveis
circuitos de alimentação de motores e dentro de uma determinada faixa;
é capaz de ligar ou desligar a carga sob • disparadores eletromagnéticos de
condições normais ou anormais. curto-circuito – são disparadores
fixos com disparo instantâneo ou
disparadores ajustáveis com pequeno
retardo de disparo.

Além dos disparadores de sobrecor-


rente, o disjuntor de baixa tensão pode
ainda ser dotado de disparadores de
subtensão ou de trabalho.

Os disjuntores sem limitação de cor-


rente necessitam de instalação de fu-
síveis (NH) no circuito, caso a corrente
de curto-circuito no local seja maior
que sua capacidade.

1 bornes de ligação Os disjuntores de baixa tensão podem


2 câmara de extinção ainda ser dimensionados para atuar
3 eixo de acionamento seletivamente num circuito. Nesse
4 contatos principais caso, eles não poderão ser do tipo
5 mecanismo de acionamento com limitação de corrente e deverão
6 base ser capazes de suportar os efeitos
7 relé de subtenção “r” (relé de destravamento para térmicos e dinâmicos da corrente de
comando à distância “f”) curto-circuito.
8 eixo de manobra

9 punho de manobra A figura a seguir representa esque-


10 relé de sobrecorrente “n” maticamente o funcionamento de um
disjuntor.
Quando ligados, os disjuntores podem
ter ou não capacidade para suportar
os efeitos térmicos e dinâmicos de um
curto-circuito. Os que apresentam essa
capacidade são dotados de disparadores
com pequena temporização (disparado-
res de sobrecorrente) que desligam a
corrente de curto-circuito antes que seu
valor de pico seja alcançado. Veja a seguir os principais parâmetros
para dimensionar o disjuntor correto.
Esses disparadores podem ser:
• disparadores de sobrecarga – são

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Para cada circuito, deve-se levar em consideração:
• a tensão de isolamento – determinada pela norma que
orienta o sistema;
• a tensão nominal – determinada pela tensão no ponto de
instalação;
• a corrente nominal – determinada pela corrente nominal
no ponto de instalação do disjuntor;
• o acionamento – manual, motorizado ou por ar comprimi-
do. Em um sistema automático, deve-se usar um disjuntor
com acionamento motorizado ou com ar comprimido;
• a capacidade de ruptura – função da corrente de curto-cir-
cuito simétrica no local de instalação do disjuntor;
• a curva de desligamento – indica o tempo necessário para
o disparo dos relés em função da corrente do disjuntor.

1 bornes de ligação

1 múltiplo da corrente

ajustada no relé

a relé térmico

n relé eletromagnético

s disparo extra-rápido

e faixa de regulagem

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A figura a seguir mostra, o diagrama multifilar principal do
circuito do disjuntor, o diagrama de comando com o disjun-
tor desligado e com o disjuntor ligado.

Seccionador

O seccionador é uma chave manual usada geralmente como


chave geral em circuitos de distribuição.

Os seccionadores mais avançados tecnologicamente são


dotados de câmaras de extinção de arco voltaico. Podem
ser manobrados sob carga e funcionar como chave de co-
mando de carga.

Os modelos mais simples são usados apenas como chave


geral ou como chave separadora. Estes somente devem ser
manobrados sem carga ou com correntes desprezíveis.

Na indústria, usam-se seccionadores que podem ser travados


na posição ligada ou desligada por meio de cadeado. Dessa
forma, garante-se a segurança de operadores e técnicos de
manutenção.

Seccionador fusível

Esse tipo de seccionador compõe-se do dispositivo de co-


mando propriamente dito (igual à chave seccionadora) e de
um conjunto de fusíveis (um por pólo) presos à parte móvel
da chave como mostra a figura a seguir.

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Os seccionadores fusíveis associam em um só elemento
a função de comando sem carga e a de proteção contra
curto-circuito.

Todavia, os seccionadores não possuem mecanismos de


desligamento rápido (mola) que atue sobre seus contatos.
Isso cria um risco de explosão porque, quando são abertos
manualmente os contatos por onde circula corrente de uma
certa intensidade (circuito com carga), o meio gasoso entre
os contatos ioniza-se sucessivamente, criando condições
para o aparecimento de um arco voltaico. Se este persistir,
haverá fluxo de corrente pelos contatos mesmo com as facas
abertas. Isso provoca a fusão dos contatos e vaporiza-os
sob forte explosão.

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Motores de C.A. monofásicos

Os motores de C.A. podem ser monofási- Motor universal


cos ou polifásicos. Neste capítulo estuda-
remos os motores monofásicos alimen- Os motores do tipo universal podem
tados por uma única fase de C.A.. funcionar tanto em CC como em C.A.;
daí a origem de seu nome.
Para melhor entender o funcionamento
desse tipo de motor, você deverá ter A figura a seguir mostra o rotor (parte
bons conhecimentos sobre os prin- que gira) e o estator (parte fixa) de um
cípios de magnetismo e eletromag- motor universal.
netismo, indução eletromagnética e
corrente alternada.

Os motores monofásicos possuem


apenas um conjunto de bobinas, e sua
alimentação é feita por uma única fase
de C.A.. Dessa forma, eles absorvem
energia elétrica de uma rede mono-
fásica e transformam-na em energia
mecânica.

Os motores monofásicos são emprega-


dos para cargas que necessitam de mo-
tores de pequena potência como, por
exemplo, motores para ventiladores,
geladeiras, furadeiras portáteis etc..

De acordo com o funcionamento, os


motores monofásicos podem ser clas-
sificados em dois tipos: universal e de
indução.

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O motor universal é o único motor mo-
nofásico cujas bobinas do estator são
ligadas eletricamente ao rotor por meio
de dois contatos deslizantes (escovas).
Esses dois contatos, por sua vez, ligam
em série o estator e o rotor.

É possível inverter o sentido do movi-


mento de rotação desse tipo de motor,
invertendo-se apenas as ligações das
escovas, ou seja, a bobina ligada à
escova A deverá ser ligada à escova B
e vice-versa.

Os motores universais apresentam


conjugado de partida elevado e ten-
dência a disparar, mas permitem variar
a velocidade quando o valor da tensão
de alimentação varia. Sua potência não
ultrapassa a 500W ou 0,75cv e permite
velocidade de 1500 a 15000rpm.

Esse tipo de motor é o motor de C.A.


mais empregado e está presente em
máquinas de costura, liquidificadores,
enceradeiras e outros eletrodomésti-
cos, e também em máquinas portáteis,
como furadeiras, lixadeiras e serras.

A construção e o princípio de funcio-


namento do motor universal são iguais
ao do motor em série de C.C..

Quando o motor universal é alimentado


por corrente alternada, a variação do
sentido da corrente provoca variação no
campo, tanto do rotor quanto do estator.
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Dessa forma, o conjugado continua a entre os campos magnéticos do rotor e
girar no mesmo sentido inicial, não ha- do estator não será mais que 180°.
vendo inversão do sentido da rotação.

Motor de indução

Os motores monofásicos de indução


possuem um único enrolamento no
estator. Esse enrolamento gera um
campo magnético que se alterna junta-
mente com as alternâncias da corrente. Para dar o giro inicial do rotor, são
Neste caso, o movimento provocado usados comumente a partida de campo
não é rotativo. distorcido (motor de campo distorcido)
e a partida de fase auxiliar com capaci-
Quando o rotor estiver parado, o campo tor (motor de fase auxiliar).
magnético do estator, ao se expandir e
se contrair, induz correntes no rotor. Motor de campo distorcido

O campo gerado no rotor é de polarida- Constitui-se por um rotor do tipo gaiola


de oposta à do estator. Assim, a oposi- de esquilo e por um estator semelhante
ção dos campos exerce um conjugado ao do motor universal. Contudo, no
nas partes superior e inferior do rotor, motor de campo distorcido, existe na
o que tenderia a girá-lo 180° de sua sapata polar uma ranhura onde fica
posição original. Como o conjugado alojado um anel de cobre ou espira
é igual em ambas as direções, pois as em curto-circuito. Por isso, este motor
forças são exercidas pelo centro do é conhecido também como motor de
rotor e em sentidos contrários, o rotor anel ou de espira em curto-circuito.
continua parado.

Se o rotor estiver girando, ele continuará


o giro na direção inicial, já que o conju-
gado será ajudado pela inércia do rotor
e pela indução de seu campo magnético.
Como o rotor está girando, a defasagem

20
Uma vez que, no motor de campo criado pela bobina auxiliar, formada
distorcido, o rotor é do tipo gaiola de pelo anel, e ele se distribui na superfície
esquilo, todas as ligações encontram- da peça polar.
se no estator.

De 90° a 180° o campo vai se contrain-


do, e o campo da bobina auxiliar tende
a se opor a essa contração, concen-
Esse tipo de motor não é reversível. trando as linhas de força na região da
Sua potência máxima é de 300W ou bobina auxiliar.
0,5cv; a velocidade é constante numa
faixa de 900 a 3400rpm, de acordo com
a freqüência da rede e o número de
pólos do motor.

Esses motores são usados, por exem-


plo, em ventiladores, toca-discos, se-
cadores de cabelo etc. De 0° a 180° o campo se movimenta
ao longo da superfície polar, definindo
Quando o campo magnético do estator assim o sentido de rotação.
começa a aumentar (a partir de zero) as
linhas de força cortam o anel em curto. De 180° a 360° o campo varia do mes-
A corrente induzida no anel gera um mo modo que de 0° a 180°, porém em
campo magnético que tende a se opor direção oposta.
ao campo principal.

O movimento do campo produz um


Com o aumento gradativo do campo conjugado fraco, mas suficiente para
até 90°, a maior parte das linhas de dar partida ao motor. Como o conju-
força fica concentrada fora da região gado é pequeno, esse tipo de motor é
do anel. Quando o campo atinge o usado para alimentar cargas leves.
máximo, ou seja, os 90°, não há campo
21
Motor monofásico de fase auxiliar lamentos são defasadas entre si. Devi-
do à maior indutância no enrolamento
É o de mais larga aplicação. Sua cons- de trabalho (principal), a corrente que
trução mecânica é igual à dos motores circula por ele se atrasa em relação à
trifásicos de indução. que circula no enrolamento de partida
(auxiliar), cuja indutância é menor.
Assim, no estator há dois enrolamen-
tos: um de fio mais grosso e com gran- O capacitor colocado em série com o
de número de espiras (enrolamento enrolamento tem a função de acentuar
principal ou de trabalho), e outro de fio ainda mais esse efeito e aumentar o
mais fino e com poucas espiras (enro- conjugado de partida. Isso aumenta a
lamento auxiliar ou de partida). defasagem, aproximando-a de 90° e
facilitando a partida do motor.
O enrolamento principal fica ligado du-
rante todo o tempo de funcionamento
do motor, mas o enrolamento auxiliar
só atua durante a partida. Esse enrola-
mento é desligado ao ser acionado um
dispositivo automático localizado parte
na tampa do motor e parte no rotor.

Geralmente, um capacitor é ligado em


série com o enrolamento auxiliar, me-
lhorando desse modo o conjugado de
partida do motor.

Depois da partida, ou seja, quando o


motor atinge aproximadamente 80%
de sua rotação nominal, o interruptor
automático se abre e desliga o enro-
lamento de partida. O motor, porém,
continua funcionando normalmente.

Ligação dos motores monofásicos


O motor monofásico de fase auxiliar
funciona em função da diferença entre Os motores monofásicos de fase auxi-
as indutâncias dos dois enrolamentos, liar podem ser construídos com dois,
uma vez que o número de espiras e a quatro ou seis terminais de saída.
bitola dos condutores do enrolamento
principal são diferentes em relação ao Os motores de dois terminais funcio-
enrolamento auxiliar. nam em uma tensão (110 ou 220V) e
em um sentido de rotação.
As correntes que circulam nesses enro-
22
Os de quatro terminais são constru- pelos números 1, 2, 3 e 4 e o auxiliar
ídos para uma tensão (110 ou 220V) por 5 e 6. Para a inversão do sentido de
e dois sentidos de rotação, os quais rotação, troca-se o terminal 5 pelo 6.
são determinados conforme a ligação
efetuada entre o enrolamento principal As bobinas do enrolamento principal
e o auxiliar. são ligadas em paralelo, quando a
tensão é de 110V e, em série, quando
De modo geral, os terminais do en- a tensão é de 220V.
rolamento principal são designados
pelos números 1 e 2 e os do auxiliar,
por 3 e 4.

Para inverter o sentido de rotação, é


necessário inverter o sentido da cor-
rente no enrolamento auxiliar, isto é,
trocar o 3 pelo 4.

O motor de fase auxiliar admite reversi-


bilidade quando retiram-se os terminais
do enrolamento auxiliar para fora com
cabos de ligação. Admite também chave
de reversão, mas nesse caso, a reversão
só é possível com o motor parado.
Os motores de seis terminais são cons-
truídos para duas tensões (110 e 220V) A potência desse motor varia de 1/6cv
e para dois sentidos de rotação. até 1cv, mas para trabalhos especiais
existem motores de maior potência.
Para a inversão do sentido de rotação,
inverte-se o sentido da corrente no A velocidade desse tipo de motor é
enrolamento auxiliar. constante e, de acordo com a freqüên-
cia e o número de pólos, pode variar
O enrolamento principal é designado de 1425 a 3515rpm.
23
Distribuição de energia
elétrica em C.A. (trifásica)

A distribuição de energia elétrica em Distribuição de energia elétrica


C.A. trifásica é usada para alimentar em C.A. trifásica com secundário
um grande número consumidores de em triângulo
pequena potência, ou para consumi-
dores que apresentam média potên- A ilustração a seguir mostra a distribui-
cia. Por exemplo residências grandes, ção de energia elétrica em C.A. trifási-
prédios estabelecimentos comerciais, ca, com secundário em triângulo e o
pequenas indústrias etc.. centro de uma fase aterrado, a quatro
condutores.
Os consumidores de grande potência
são obrigados a ter um sistema de dis-
tribuição próprio. É o caso, por exem-
plo, das médias e grandes indústrias.

A distribuição de energia elétrica em


C.A. trifásica pode ser feita de duas
formas básicas:
• distribuição de energia elétrica em C.A. No secundário de um transformador
trifásica com secundário em triângulo; trifásico tem-se um enrolamento fecha-
do em triângulo. De cada uma das três
pontas de interligação das bobinas sai
um condutor.

Poderíamos afirmar então que cada


um desses condutores seria um con-
dutor-fase.
• distribuição de energia elétrica em C.A.
trifásica com secundário em estrela. Porém, destes três condutores, dois se-
guem diretamente para os consumido-
res, enquanto que o terceiro condutor
só o fará após ser ligado a um ponto
de terra.

Esse terceiro condutor passará a ser o


condutor neutro do sistema.
24
Os outros dois condutores serão aos
condutores-fase do sistema.

Em conseqüência disso, a diferença de


potencial entre os condutores não será
a mesma, em relação à terra.

Agora, você vai estudar esse nosso


assunto apresentado esquematica-
mente.

Veja no diagrama abaixo um exemplo


de distribuição de energia elétrica tri-
fásica, com secundário em triângulo e
uma fase aterrada.

O condutor neutro, por estar aterrado,


não apresentará nenhuma diferença de
potencial com relação à terra.

Cada um dos condutores-fase apresen-


tará uma diferença de potencial de 220
volts com relação à terra. Conseqüente-
mente, com relação ao condutor neutro,
sua d.d.p. também será de 220 volts.

Por outro lado, a diferença de potencial


entre dois condutores-fase será de 220
volts.

Resolva a seguir algumas questões


antes de continuar seus estudos.

25
Exercícios

1 Você tem abaixo um diagrama que representa distri-


buição de C.A. trifásica, com secundário em triângulo e
uma fase aterrada. Com um dos dados abaixo preencha
corretamente os retângulos do diagrama.

Dados: 220V; fase; 0(zero); neutro.

2 Associe os diagramas abaixo com os textos que melhor


definem o tipo de distribuição apresentado, registrando
a letra do diagrama dentro do quadradinho do texto
correspondente.

Distribuição da energia Distribuição de energia Distribuição de energia


elétrica em C.A. trifásica, elétrica em CA trifásica, elétrica em CA trifásica,
com secundário em tri- com primário em triân- com secundário em tri-
ângulo e o centro de uma gulo e o centro de uma ângulo e uma fase aterra-
fase aterrado, a quatro fase aterrado. da, a três condutores.
condutores.

No sistema de distribuição de energia elétrica em C.A. trifásica,


com secundário em triângulo e uma fase aterrada, a energia
26
elétrica poderá ser distribuída de duas formas diferentes:
• Na primeira forma, cada um dos consumidores – no caso,
A e B – recebe um dos condutores-fase e mais o condutor
neutro. Podem então contar com uma d.d.p. de 220 volts.

Esse tipo de distribuição é utilizado para alimentar consu-


midores que necessitam de pequena potência.

• Na segunda forma, para os consumidores que necessitam


da maior potência são enviados os dois condutores-fase
e o neutro, neste caso o consumidor só contará com uma
diferença de potencial: 220 volts.

Resumindo

Na distribuição de energia elétrica em C.A. trifásica, com


secundário em triângulo e uma fase aterrada, os consumi-
dores podem receber: um dos condutores-fase e o neutro
ou ambos os condutores-fase e o neutro. Isso vai depender
da potência que necessitam. Em qualquer dos casos, porém
sempre receberão uma só tensão.
27
A segunda possibilidade da
distribuição em triângulo é
o sistema de distribuição
de energia elétrica em C.A.
trifásica, com secundário em
triângulo e o centro da fase
aterrado, a 4 condutores.

No secundário de um trans-
formador trifásico há um
enrolamento fechado em
triângulo.

Assim, de cada uma das três pontas de interligação das


bobinas sai um condutor.

Temos então três condutores-fase.

Observe também que, do centro da bobina A – B, sai um


condutor que após ser ligado a um ponto de terra segue
para os consumidores.

Esse condutor é chamado de condutor neutro.

Exemplo esquemático de sistema com secundário em tri-


ângulo e o centro da fase aterrado.

O condutor neutro, por estar aterrado, não apresentará ne-


nhuma diferença de potencial com relação à terra.

Entre o neutro (ou a terra) e os condutores que saem dos


extremos A e B das bobinas , a d.d.p. é de 115V.
28
Porém, entre o neutro (ou a terra) e o condutor que sai do
extremo C das bobinas, a d.d.p. é maior. É de 199V.

Entre os condutores que saem dos extremos das bobinas,


existe uma d.d.p. de 230V. Esse sistema encontra maior
campo de aplicação na distribuição de energia por algumas
concessionárias.

A distribuição de energia elétrica nesse sistema poderá ser


feita de três formas diferentes:
• Na primeira, o condu-
tor-fase que sai do ex-
tremo A segue para um
consumidor de pequena
potência (consumidor A),
juntamente com o neutro.
O condutor-fase que sai
do extremo B segue para
outro consumidor (consu-
midor B) juntamente com
o neutro, dessa forma
cada consumidor (A e B) pode contar com a tensão com a
tensão de, por exemplo, 115V.
• Na segunda possibilida-
de, os dois condutores-
fase, que saem dos extre-
mos A e B, seguem para
o consumidor de média
potência juntamente com
o condutor neutro, assim,
o consumidor poderá con-
tar com suas tensões, por
exemplo, 115 e 230V.
• Na terceira possibilidade,
os três condutores-fase e
o condutor neutro seguem
para os consumidores de
maior potência. Neste
caso os consumidores
podem contar com a ten-
são trifásica e com duas
tensões monofásicas – a
tensão de linha e a metade
de tensão.
29
Alguns cuidados devem ser tomados para que as instalações
não recebam o condutor-fase errado. Se isso acontecer, os
receptores receberão tensão maior. Veja a seguir como isso
acontece.

Consideremos que o receptor (no caso, a lâmpada) seja


de 115V. Se o condutor-fase ligado errado (como mostra a
ilustração), teríamos uma tensão de 199V, o que provocaria
queima de lâmpada.

A tensão de 199V não será utilizada, mesmo porque não se


trata de tensão padronizada e não contamos com aparelhos
elétricos que funcionem com essa tensão.

Resolva a questão antes de continuar seus estudos.

Exercício

1 Temos a seguir uma seqüência de registre as letras dos itens que


itens que caracterizam e definem melhor as definem:
distribuição de energia elétrica. a) Cada consumidor recebe os três
Tem também esquemas relacio- condutores-fase e mais o condu-
nados com esses itens. Dentro dos tor neutro e poderá contar, por
quadrinhos próprio do diagrama, exemplo, com a d.d.p. de 115V,
30
mais a d.d.p. de 230V, mono- a d.d.p. de 115V.
fásica; além de d.d.p. de 230V d) Cada consumidor recebe os dois
trifásica. condutores-fase, que saem dos
b) O consumidor recebe os dois extremos da bobina, do centro
condutores-fase e mais o condu- da qual sai o condutor neutro.
tor neutro e poderá contar, por Recebe também o condutor
exemplo, com a d.d.p. de 220V. neutro. Assim, esse consumidor
c) Cada consumidor recebe um poderá contar, por exemplo, com
dos condutores-fase, que sai do a d.d.p. de 115V e mais a d.d.p.
extremo da bobina, do centro de 230V, monofásicas.
da qual sai o condutor neutro. e) Cada consumidor recebe um
Recebe também o condutor dos condutores-fase e o condu-
neutro. Assim, esse consumidor tor neutro, podendo contar, por
poderá contar, por exemplo, com exemplo, com a d.d.p. de 220V.

31
Distribuição de energia elétrica
em C.A. trifásica, com secundário em estrela

Esse sistema poderá ser:


• distribuição de energia elétrica em CA trifásica, com se-
cundário em estrela e o centro das fases aterrado, a quatro
condutores;
• distribuição de energia elétrica em CA trifásica, com se-
cundário em estrela e o centro das fases aterrado, as três
condutores.

Esse sistema tem, no secundário de um transformador tri-


fásico, um enrolamento fechado em estrela. De cada uma
das três pontas do enrolamento que ficam abertas sai um
condutor, que será chamado de condutor-fase.

O ponto de interligação das três bobinas é aterrado. Dele sai


um condutor que será enviado para os consumidores.

Esse condutor é o condutor neutro.

O condutor neutro não apresentará d.d.p. com relação à


terra, por estar ligado a um ponto de terra.

Por sua vez, cada um dos condutores-fase apresentará uma


d.d.p. que, por exemplo, poderá ser: 120, 127 ou 220 vots
com relação à terra. Essas tensões serão iguais também
com relação ao condutor neutro.

Porém, entre dois condutores-fase a d.d.p. será de, por


exemplo, 207, 220 ou 380 volts.

32
Na ligação estrela, a tensão de linha é igual à tensão de fase
multiplicada pela (1,73):
ET = EF · 1,73

Então, no exemplo, teremos:


120 · 1,73 = 207V
127 · 1,73 = 220V
220 · 1,73 = 380V

Considerando como exemplo a tensão de 127V entre fase


e neutro e 220V entre fases.

Esse sistema que estamos estudando no momento também


encontra grande aplicação no campo da distribuição de
energia elétrica.

A distribuição, nesse sistema, poderá ser feita de três ma-


neiras diferentes.

33
O consumidor de pequena potência receberá um dos con-
dutores-fase e o condutor neutro, podendo contar com uma
d.d.p. igual a, por exemplo, 127 volts.

O consumidor receberá dois condutores-fase e mais o con-


dutor neutro. Assim, o consumidor poderá contar com a
d.d.p. de, por exemplo, 127 volts e a d.d.p. de 220 volts.

O consumidor de potência relativamente maior receberá


todos os três condutores-fase e o condutor neutro. Assim, o
consumidor poderá contar com as tensões monofásicas de,
por exemplo, 127V e 220V e mais tensão trifásica, de 220V.

34
Motores trifásicos de C.A.

A maior parte da energia elétrica produzida é distribuída em


corrente alternada (C.A.), o que justifica o largo emprego
dos motores de C.A..

A construção mecânica dos motores de C.A. é mais simples


que a dos motores de C.C.. Por isso, eles são mais comu-
mente usados na indústria.

Neste capítulo estudaremos a estrutura, os tipos e as ca-


racterísticas de funcionamento dos motores trifásicos de
corrente alternada.

Para isso é necessário que você tenha conhecimentos an-


teriores sobre magnetismo e eletromagnetismo, indução
eletromagnética e corrente alternada.

Os motores trifásicos de CA são menos complexos que os


motores de CC. Além disso, a inexistência de contatos mó-
veis em sua estrutura garante seu funcionamento por um
grande período, sem a necessidade de manutenção.

A velocidade dos motores de CA é determinada pela freqüência


da fonte de alimentação, o que propicia excelentes condições
para seu funcionamento a velocidades constantes.

Os motores trifásicos de CA funcionam sob o mesmo princípio


dos motores monofásicos, ou seja, sob a ação de um campo
magnético rotativo gerado no estator, provocando com isto
uma força magnética no rotor. Esses dois campos magnéticos
agem de modo conjugado, obrigando o rotor a girar.

Os motores trifásicos de CA são de dois tipos:


• motores assíncronos (ou de indução);
• motores síncronos.

35
Motor assíncrono de C.A. Quando a corrente alternada trifásica é
aplicada aos enrolamentos do estator
O motor assíncrono de CA é o mais do motor assíncrono de C.A., produz-se
empregado por ser de construção um campo magnético rotativo (campo
simples, resistente e de baixo custo. O girante).
rotor desse tipo de motor possui uma
parte auto-suficiente que não necessita A figura a seguir mostra a ligação in-
de conexões externas. terna de um estator trifásico em que
as bobinas (fases) estão defasadas em
Esse motor também é conhecido como 120° e ligadas em triângulo.
motor de indução, porque as correntes
de CA são induzidas no circuito do
rotor pelo campo magnético rotativo
do estator.

No estator do motor assíncrono de


CA estão alojados três enrolamentos
referentes às três fases. Estes três en-
rolamentos estão montados com uma
defasagem de 120°.
O campo magnético gerado por uma
O rotor é constituído por um cilindro bobina depende da corrente que no
de chapas em cuja periferia existem momento circula por ela. Se a corrente
ranhuras onde o enrolamento rotórico for nula, não haverá formação de campo
é alojado. magnético; se ela for máxima, o campo
magnético também será máximo.

Como as correntes nos três enrolamen-


tos estão com uma defasagem de 120°,
os três campos magnéticos apresen-
tam também a mesma defasagem.

36
Os três campos magnéticos individuais combinam-se e disso
resulta um campo único cuja posição varia com o tempo.
Esse campo único, giratório, é que vai agir sobre o rotor e
provocar seu movimento.

O esquema a seguir mostra como agem as três correntes para


produzir o campo magnético rotativo num motor trifásico.

No esquema vemos que no instante 1, o valor da corrente A é


nulo e, portanto, não há formação de campo magnético. Isto
é representado pelo 0 (zero) colocado no pólo do estator.

As correntes B e C possuem valores iguais, porém sentidos


opostos.

Como resultante, forma-se no estator, no instante 1, um


campo único direcionado no sentido N à S.

No instante 2, os valores das correntes se alteram. O valor


de C é nulo. A e B têm valores iguais, mas A é positivo e B
é negativo.

O campo resultante desloca-se em 60° em relação à sua


posição anterior.

Quando um momento intermediário (d) é analisado, vemos


que nesse instante as correntes C e A têm valores iguais e o

37
mesmo sentido positivo. A corrente B, unidas por um anel também de cobre
por sua vez, tem valor máximo e sentido ou de alumínio.
negativo. Como resultado, a direção do
campo fica numa posição intermediária
entre as posições dos momentos 1 e 2.

Entre o núcleo de ferro e o enrolamento


de barras não há necessidade de iso-
lação, pois as tensões induzidas nas
barras do rotor são muito baixas.

Esse tipo de motor apresenta as se-


guintes características:
• velocidade que varia de 3 a 5% à vazio
até a plena carga;
• ausência de controle de velocidade;
• possibilidade de ter duas ou mais
velocidades fixas;
• baixa ou média capacidade de arran-
Se analisarmos, em todos os instantes, que, dependendo do tipo de gaiola de
a situação da corrente durante um ciclo esquilo do rotor (simples ou dupla).
completo, verificaremos que o campo
magnético gira em torno de si. A velo- Esses motores são usados para situa-
cidade de campo relaciona-se com a ções que não exigem velocidade variá-
freqüência das correntes conforme já vel e que possam partir com carga. Por
foi demonstrado. isso são usados em moinhos, ventila-
dores, prensas e bombas centrífugas,
Os motores assíncronos diferenciam-se por exemplo.
pelo tipo de enrolamento do rotor, assim,
temos o motor com rotor em gaiola de No funcionamento do motor com rotor
esquilo e o motor de rotor bobinado. em gaiola de esquilo, o rotor, formado
por condutores de cobre, é submetido
Motor com rotor em gaiola de esquilo ao campo magnético giratório, já ex-
plicado anteriormente. Como conse-
O motor com rotor em gaiola de esqui- qüência, nesses condutores (barras da
lo tem um rotor constituído por barras gaiola de esquilo) circulam correntes
de cobre ou de alumínio colocadas nas
ranhuras do rotor. As extremidades são

38
induzidas, devido ao movimento do Quando a carga do motor é aumentada,
campo magnético. ele tende a diminuir a rotaçào e a au-
mentar o escorregamento. Conseqüen-
temente, aumenta a corrente induzida
nas barras da gaiola de esquilo e o
conjugado do motor.

Desse modo, o conjugado do motor é


determinado pela diferença entre a velo-
cidade do campo girante e a do rotor.

Segundo a Lei de Lenz, as correntes in- Motor de rotor bobinado


duzidas tendem a se opor às variações
do campo original. Por esse motivo, as O motor com rotor bobinado trabalha
correntes induzidas que circulam nos em rede de corrente alternada trifásica.
condutores formam um campo magné- Permite um arranque vigoroso com
tico de oposição ao campo girante. pequena corrente de partida.

Como o rotor é suspenso por mancais Ele é indicado quando se necessita de


no centro do estator, ele girará junta- partida com carga e variação de veloci-
mente com o campo girante e tenderá a dade, como é o caso de compressores,
acompanhá-lo com a mesma velocida- transportadores, guindastes e pontes
de. Contudo, isso não acontece, pois o rolantes.
rotor permanece em velocidade menor
que a do campo girante. O motor de rotor bobinado é composto
por um estator e um rotor.
Se o rotor alcançasse a velocidade do
campo magnético do estator, não ha- O estator é semelhante ao dos motores
veria sobre ele tensão induzida, o que trifásicos já estudados. Apresenta o
o levaria a parar. mesmo tipo de enrolamentos, ligações
e distribuição que os estatores de in-
Na verdade, é a diferença entre as velo- duzido em curto.
cidades do campo magnético do rotor e
a do campo do estator que movimenta
o rotor. Essa diferença recebe o nome
de escorregamento e é dada percentu-
almente por:

S = NS - NR . 100
NS

Onde:
NS é a velocidade de sincronismo
NR é a velocidade real do rotor
39
O rotor bobinado usa enrolamentos de É também usado em trabalhos que
fios de cobre nas ranhuras, tal como o exigem variação de velocidade, pois
estator. o enrolamento existente no rotor, ao
fazer variar a intensidade da corrente
O enrolamento é colocado no rotor que percorre o induzido, faz variar a
com uma defasagem de 12°C, e seus velocidade do motor.
terminais são ligados a anéis coletores
nos quais, através das escovas, tem-se Deve-se lembrar, porém, que o motor
acesso ao enrolamento. de rotor bobinado é mais caro que os
outros devido ao elevado custo de seus
enrolamentos e ao sistema de conexão
das bobinas do rotor, tais como: anéis,
escovas, porta-escovas, reostato.

Em pleno regime de marcha, o mo-


tor de rotor bobinado apresenta um
deslizamento maior que os motores
Ao enrolamento do rotor bobinado comuns.
deve ser ligado um reostato (reostato
de partida) que permitirá regular a cor- É importante saber que há uma relação
rente nele induzida. Isso torna possível entre o enrolamento do estator e o do
a partida sem grandes picos de corren- rotor. Essa relação é de 3:1, ou seja, se
te e possibilita a variação de velocidade a tensão do estator for 220V, a do rotor
dentro de certos limites. em vazio será de 220, ou 73V aproxi-
madamente.
O reostato de partida é composto de três
resistores variáveis, conjugados por meio A mesma relação pode ser aplicada às in-
de uma ponte que liga os resistores em es- tensidades da corrente. Se a intensidade
trela, em qualquer posição de seu curso. no estator for 10A, o rotor será percorrido
por uma corrente de 10 · 3 = 30A.

Conseqüentemente, a seção do fio do
enrolamento deve ser calculada para
essa corrente. Por isso, os enrolamen-
tos dos induzidos têm fios de maior
seção que os do indutor.

É importante verificar na plaqueta do mo-


O motor trifásico de rotor bobinado é tor as correntes do estator e do rotor.
recomendado nos casos em que se ne-
cessita de partidas a plena carga. Sua O princípio de funcionamento do motor
corrente de partida apresenta baixa com rotor bobinado é o mesmo que
intensidade: apenas uma vez e meia o o do motor com rotor em gaiola de
valor da corrente nominal. esquilo.
40
A única diferença é que a resistência do enrolamento do rotor
bobinado pode ser alterada, pois esse tipo de rotor é fechado
em curto na parte externa, através de reostatos. Isso permite o
controle sobre o valor da corrente que circula no enrolamento
do rotor e, portanto, a variação de velocidade, dentro de certos
limites, mantém o conjugado constante.

Em resumo, pode-se dizer que, para a formação de um cam-


po girante homogêneo, devem existir duas condições:
• o estator deve ser dotado de três bobinas deslocada entre
si de 120°;
• nas três bobinas do estator devem circular três correntes
alternadas senoidais defasadas em 120°, ou seja, 1/3 do
período.

Na figura a seguir, vemos que o campo magnético no estator


gira em sentido horário, porque as três correntes alternadas
tornam-se ativas, seqüencialmente, nos três enrolamentos
do estator, também em sentido horário.

Se invertermos a seqüência de fase nos enrolamentos do


estator, por meio de dois terminais de ligação, o campo gira
em sentido contrário, isto é, em sentido anti-horário.

É desta maneira que se inverte o sentido de rotação do


campo girante e, conseqüentemente, a rotação dos motores
trifásicos.

Para determinar a velocidade de rotação do campo girante,


é necessário estabelecer a relação entre freqüência (f) e o

41
número de pares de pólos (p) pela se-
guinte fórmula:

NS = 120 . F
Np

NS = 60 . F
Pp

Onde:
NS = velocidade síncrona (rpm)
NP = número de pólos
PP = pares de pólos
F = freqüência

Motor síncrono de C.A.

O motor síncrono de C.A. apresenta a


mesma construção de um alternador,
e ambos têm o rotor alimentado por
C.C.. A diferença é que o alternador
recebe energia mecânica no eixo e
produz C.A. no estator; o motor sín-
crono, por outro lado, recebe energia
elétrica trifásica C.A. no estator e for-
nece energia mecânica ao eixo.

Esse tipo de motor apresenta as se-


guintes características:
• velocidade constante (síncrona);
• velocidade dependente da freqüência
da rede;
• baixa capacidade de arranque.

Por essas características, o motor sín-


crono é usado quando é necessária
uma velocidade constante.

A energia elétrica de C.A. no estator


cria o campo magnético rotativo, en-
quanto o rotor, alimentado com C.C.,
age como um ímã.

42
Um ímã suspenso num campo magnético gira até ficar pa-
ralelo ao campo. Quando o campo magnético gira, o ímã
gira com ele. Se o campo rotativo for intenso, a força sobre
o rotor também o será. Ao se manter alinhado ao campo
magnético rotativo, o rotor pode girar uma carga acoplada
ao seu eixo.

Quando parado, o motor síncrono não pode partir com


aplicação direta de corrente C.A. trifásica no estator, o que é
uma desvantagem. De modo geral, a partida é feita como a
do motor de indução (ou assíncrono). Isso porque o rotor do
motor síncrono é constituído, além do enrolamento normal,
por um enrolamento em gaiola de esquilo.

Ligação dos motores trifásicos

Como já foi estudado, o motor trifásico tem as bobinas dis-


tribuídas no estator e ligadas de modo a formar três circuitos
distintos, chamados de fases de enrolamento.

Essas fases são interligadas formando ligações em estrela


(Y) ou em triângulo (D), para o acoplamento a uma rede
trifásica. Para isso, deve-se levar em conta a tensão que
irão operar.

43
Na ligação em estrela, o final das fases se fecha em si, e o
início se liga à rede.

Na ligação em triângulo, o início de uma fase é fechado com


o final da outra, e essa junção é ligada à rede.

Os motores trifásicos podem dispor de 3, 6, 9 ou 12 termi-


nais para a ligação do estator à rede elétrica. Assim, eles
podem operar em uma, duas, três ou quatro tensões, res-
pectivamente. Todavia, é mais comum encontrar motores
com 6 e 12 terminais.

Os motores trifásicos com 6 terminais só podem ser liga-


dos em duas tensões uma a maior do que a outra. Por
exemplo: 220/380V, 440/760V ou 380/660V.

Esses motores são ligados em triângulo na menor tensão


e, em estrela, na maior tensão.

A figura a seguir mostra uma placa de ligação desse tipo


de motor.

44
Os motores com 12 terminais, por sua vez, têm possibilidade
de ligação em quatro tensões: 220V, 380V, 440V e 760V.

A ligação à rede elétrica é feita da seguinte maneira:


 para 220V  para 440V
YY para 380 Y para 760

Veja a representação da placa de ligação desse tipo de motor.

Padronização da tensão e da dimensão dos motores


trifásicos assíncronos e síncronos

Os motores trifásicos são fabricados com diferentes potências


e velocidades para as tensões padronizadas da rede, ou seja,
220V, 380V, 440V e 760V, nas freqüências de 50 e 60Hz.

No que se refere às dimensões, os fabricantes seguem as


normas NEMA, IEC e da ABNT.

45
Sistemas de partida
de motores trifásicos

Os motores trifásicos podem fazer uso de diversos sistemas


de partida. A escolha de cada um depende das condições
exigidas pela rede, das características da carga e da potência
do motor.

Para iniciar o estudo dos comandos das máquinas elétricas,


veremos neste capítulo os tipos e os sistemas de partida
para motores trifásicos.

Para isso, é necessário que você domine os conceitos so-


bre corrente alternada, transformadores e ligações estrela
e triângulo.

Conjugado ou momento

Conjugado ou momento é o conjunto de forças (binário)


produzido pelo eixo do rotor que provoca o movimento de
rotação.

O conjugado não é constante do momento da partida até


que a velocidade nominal seja alcançada. Essa variação
chama-se curva de conjugado, cujos valores são expressos
em porcentagem em relação ao conjugado nominal, ou seja,
com relação ao conjugado na velocidade a plena carga.

Cada motor tem sua própria curva de conjugado. Essa curva


varia com a potência e a velocidade do motor. Assim, em
motores de velocidade e potência iguais, mas de fabricantes
diferentes, geralmente a curva do conjugado é diferente.

46
O conjugado pode ser calculado pela fórmula:

M = 9,55 . P dado em N · m (newton · metro)


n
Onde:
M é o momento ou conjugado
P é a potência
n é a rotação

A curva típica do conjugado motor (CCM) é mostrado no


gráfico a seguir.

Para a carga, temos a curva do conjugado resistente (CCR),


que varia segundo o tipo de carga.

Veja as curvas do conjugado resistente para alguns tipos


de carga:
• conjugado resistente diminui com o aumento da velocidade;

47
• conjugado resistente se mantém constante com o aumento
da velocidade;

• conjugado resistente aumenta com o aumento da veloci-


dade.

A curva do conjugado motor (CCM) deve situar-se sempre


acima da curva do conjugado resistente (CCR), para ga-
rantir a partida do motor e sua aceleração até a velocidade
nominal.

De modo geral, quanto mais alta a curva do conjugado do


motor em relação ao conjugado resistente, melhor será o
desempenho do motor.

48
Tipos de partida Para cargas diferentes, as curvas ca-
racterísticas do motor permanecem
Os motores podem ser submetidos à constantes, pois a carga não exerce
partida direta ou a diversas modalida- influência no comportamento do mo-
des de partida indireta que fornecerão tor. A influência da carga se limita ao
curvas de conjugados diferentes. tempo de aceleração do motor. Assim,
se a carga colocada no eixo do motor
Assim, podemos escolher um tipo for grande, ele levará mais tempo para
de partida mais adequado à curva do alcançar a velocidade nominal.
conjugado da máquina, diminuindo a
corrente de partida do motor. O motor não atinge a rotação em duas
situações:
Partida direta • o conjugado de partida do motor é
menor que o conjugado de partida de
A partida direta é realizada por meio carga;
de chaves de partida direta ou de con- • o conjugado mínimo do motor é
tatores e se presta a motores trifásicos menor que o conjugado da carga na
de rotor tipo gaiola. velocidade nominal.

Nesse tipo de partida a plena tensão, Se uma situação dessas ocorrer, o


o motor pode partir a plena carga e motor terá o rotor travado e poderá
com corrente se elevando de cinco a ser danificado se as altas correntes
seis vezes o valor da corrente nominal, que circulam em seu enrolamento não
conforme o tipo ou número de pólos forem eliminadas.
do motor.
A utilização da partida direta apresenta
O gráfico mostra a relação entre a rota- as seguintes desvantagens:
ção, o conjugado e a corrente. A corrente • aquecimento nos condutores da rede
de partida é seis vezes o valor da corrente devido aos picos de corrente;
nominal, e o conjugado na partida atinge • elevada queda de tensão no sistema
aproximadamente 1,5 vezes o valor do de alimentação da rede, o que pro-
conjugado nominal. voca interferência em equipamentos
instalados no sistema;
• custo elevado devido à necessidade
de superdimensionamento do siste-
ma de proteção.

Partida indireta

Quando não é possível o emprego da


partida direta, deve-se usar a partida
indireta, cuja finalidade é reduzir o pico
de corrente na partida do motor.

49
A redução do pico de corrente somente é possível se a
tensão de alimentação do motor for reduzida, ou se for al-
terada a característica do motor, mudando as ligações dos
seus terminais.

A queda da corrente de partida é diretamente proporcional


à queda de tensão. E a queda do conjugado é diretamente
proporcional ao quadrado da relação entre a tensão aplicada
e a tensão nominal.

Partida por ligação estrela-triângulo

A partida por ligação estrela-triângulo é um tipo de partida


indireta. É usada quando a curva do conjugado do motor é
suficientemente elevada para poder garantir a aceleração
da máquina com a corrente reduzida. Isso acontece nos
motores para serras circulares, torno ou compressores que
devem partir com válvulas abertas.

Além disso, é necessário que o motor tenha a possibili-


dade de ligação em dupla tensão (220/380V, 380/660V, ou
440/760V) e que tenha, no mínimo, seis bornes de ligação.

O motor parte em dois estágios. No primeiro estágio, ele


está ligado em estrela e pronto para receber uma tensão
vezes maior que a tensão da rede. Com isso, a corrente que
circulará nos enrolamentos será três vezes menor, ou seja,
será 1/3 da corrente para a ligação triângulo (2º estágio).

Assim, o conjugado e a corrente de partida serão, também,


reduzidos a 1/3 do valor.
50
Como a curva do conjugado reduz-se a bornes ou terminais acessíveis para
1/3 do valor, sempre que se usar esse tipo a ligação da chave;
de partida, deve-se empregar um motor • necessidade de coincidência da ten-
com curva de conjugado elevada. são da rede com a tensão em triângu-
lo do motor;
No segundo estágio, o motor é ligado • redução do momento de partida para
em triângulo. Isso acontece quando a 1/3 como conseqüência da redução da
rotação atinge cerca de 80% da rotação corrente de partida para 1/3;
nominal. • pico de corrente na comutação quase
correspondente a uma partida direta
Essa comutação leva a um segundo caso o motor não atinja pelo menos
pico de corrente, mas de pouca inten- 85% de sua velocidade nominal.
sidade, já que o motor está girando. Como conseqüência, aparecem pro-
blemas nos contatos dos contatores
Assim, o motor parte em dois peque- bem como na rede elétrica.
nos picos de corrente, ao invés de um
pico de grande intensidade como na Em geral, esse tipo de partida só pode
partida direta. ser empregado em partidas de má-
quinas em vazio, ou seja, sem carga.
Somente depois de o motor atingir 95%
da rotação, a carga poderá ser ligada.

Partida por autotransformador

Esse sistema de partida é usado para


dar partida em motores sob carga,
como, por exemplo, motores para ca-
landras, bombas, britadores.

Ele reduz a corrente de partida e, por


isso, evita a sobrecarga na rede de ali-
mentação, embora deixe o motor com
As vantagens da partida estrela-triân- um conjugado suficiente para a partida
gulo são: e a aceleração.
• custo reduzido;
• ilimitado número de manobras; A partida efetua-se em dois estágios.
• componentes de tamanho compacto; No primeiro, a alimentação do motor é
• redução da corrente de partida para feita sob tensão reduzida por meio do
aproximadamente 1/3 da corrente de autotransformador.
partida da ligação triângulo.
Na partida, o pico de corrente e o
As desvantagens da partida estrela- conjugado são reduzidos proporcio-
triângulo são: nalmente ao quadrado da relação de
• necessidade da existência de seis transformação. Conforme o “tap” do
51
transformador, esta relação de trans- dor é igual ao produto da tensão pela
formação pode ser 65 ou 85%. corrente na saída, a corrente na rede
será de 42, 25A, conforme é demons-
Desse modo, o conjugado do motor trado abaixo:
atinge, ainda no primeiro estágio, 220V · IE = 143V · 65A
maior velocidade do que a atingida no
sistema de ligação estela-triângulo. IE = 143V · 65A = 42,25A
220V
No segundo estágio, decorrido o tem- • o conjugado no “tap” de 65% será
po inicial da partida, o ponto neutro do então de 42%, ou seja,
autotransformador é aberto, o motor M = V2
é ligado sob plena tensão, retomando M = 0,65 · 0,65 = 0,42
suas características nominais.
Calculando da mesma maneira, veremos
A tensão no motor é reduzida através que o conjugado no “tap” de 80% será
dos “taps” de 65% ou de 80% do auto- de aproximadamente 64% do conjugado
transformador. nominal, ou seja, M = 0,80 · 0,80 = 0,64.

No “tap” de 65%, a corrente de linha é As vantagens desse tipo de partida são:


aproximadamente igual à do sistema • corrente de linha semelhante à da parti-
de partida estrela-triângulo. Entretan- da estrela-triângulo no “tap” de 65%;
to, na passagem da tensão reduzida • possibilidade de variação do “tap” de
para a plena tensão, o motor não é 65% para 80% ou até 90% da tensão
desligado. da rede.

O segundo pico de corrente é bastante As desvantagens desse sistema de


reduzido, porque o autotransformador, partida são as seguintes:
por um curto período de tempo, se • limitação da freqüência de manobra;
torna uma reatância ligada em série • custo mais elevado quando compara-
com o motor. do ao da partida estrela-triângulo;
• necessidade de quadros maiores
Ao utilizar um autotransformador para devido ao tamanho do autotransfor-
um motor ligado a uma rede 220V e mador.
que absorva 100A, observamos que:
• se o autotransformador for ligado no Partida por resistência rotórica
“tap” de 65%, a tensão aplicada nos
bornes do motor será de: A partida por resistência rotórica (ou
0,65 · 220V = 143V partida do motor com rotor bobinado e
• com a tensão reduzida em 65%, a cor- reostato) pode ser feita, conforme o caso,
rente nos bornes do motor também em dois, três, quatro ou mais estágios.
será reduzida de 65%, e será de:
0,65 · 100A = 65A Em cada um desses casos, a partida é
• como o produto da tensão pela cor- feita por diminuição sucessiva de resis-
rente na entrada do autotransforma- tências previamente inseridas no circuito
52
do rotor, enquanto o estator permanece O gráfico a seguir mostra os picos de
sob tensão plena. Isso é feito por meio corrente para uma partida de motor com
de um reostato externo conectado ao cir- rotor bobinado em quatro estágios.
cuito rotórico por meio de um conjunto
de escovas e anéis deslizantes.

O pico de corrente e o conjugado de


partida são reguláveis em função do
número de estágios, ou à medida que
a resistência do reostato diminui. Partida de motores síncronos trifásicos

Esse sistema de partida é o que apre- Os rotores dos motores síncronos


senta melhor resultado, pois permite podem ser construídos apenas com o
adaptar o conjugado durante a partida enrolamento em que será aplicada a
e os picos de corrente correspondentes corrente contínua.
às necessidades da instalação.
Nesse caso, o motor não é dotado de
Durante a partida, a resistência rotórica partida. Para funcionar, necessita ser
adicional é mantida no circuito para di- impulsionado até a velocidade próxi-
minuir a corrente de partida e aumentar ma à do sincronismo, ou seja, até o
os conjugados. momento em que o estator seja ligado
à rede e que seja aplicada corrente
A resistência externa pode ser regulada contínua ao rotor.
de forma que o conjugado de partida
seja igual ou próximo do valor do con-
jugado máximo.

À medida que a velocidade do motor


aumenta, a resistência externa é redu-
zida gradualmente.

Quando o motor atinge a velocidade


nominal, a resistência externa é to-
talmente retirada do circuito, o enro-
lamento rotórico é curto-circuitado, e
o motor passa a funcionar como um
motor de gaiola.
53
Dispositivos de proteção
e segurança

Os dispositivos de segurança e proteção são componentes


que, inseridos nos circuitos elétricos, servem para interrom-
pê-los quando alguma anomalia acontece.

Nesse capítulo veremos os dispositivos empregados para


proteção dos motores.

Para aprender esse conteúdo com mais facilidade, é neces-


sário ter conhecimentos anteriores sobre corrente elétrica,
picos de correntes dos motores e sistemas de partida.

Fusíveis de segurança

Os fusíveis de segurança são elementos inseridos nos circui-


tos para interrompê-los em situações anormais de corrente,
como curto-circuito ou sobrecargas de longa duração.

De modo geral, os fusíveis de segurança são classificados


segundo a tensão de alimentação em alta ou baixa tensão,
e, também, segundo as características de desligamento em
efeito rápido ou retardado.

Fusíveis de efeito rápido

Os fusíveis de efeito rápido são empregados em circuitos


em que não há variação considerável de corrente entre a
fase de partida e a de regime normal de funcionamento.

Esses fusíveis são ideais para a proteção de circuitos com


semicondutores (diodos e tiristores).

54
Fusíveis de efeito retardado Fusíveis NH

Os fusíveis de efeito retardado são Os fusíveis NH suportam elevações de


apropriados para uso em circuitos, cuja tensão durante um certo tempo sem
corrente de partida atinge valores muitas que ocorra fusão.
vezes superiores ao valor da corrente Eles são empregados em circuitos su-
nominal, e em circuitos que estejam su- jeitos a picos de corrente e onde exis-
jeitos a sobrecargas de curta duração. tem cargas indutivas e capacitivas.

Como exemplo desses circuitos po- Sua construção permite valores pa-
demos citar os motores elétricos, as dronizados de corrente que variam de
cargas indutivas e as cargas capacitivas 6 a 1000A. Sua capacidade de ruptura
em geral. é sempre superior a 70kA com uma
tensão máxima de 500V.
Os fusíveis de segurança de efeito
retardado mais usados são os NH e
DIAZED. Construção dos fusíveis NH

Os fusíveis NH são constituídos por


duas partes: base e fusível.

A base é fabricada de material isolante


como a esteatita, o plástico ou o termo-
fixo. Nela são fixados os contatos em
forma de garras as quais estão acopla-
das molas que aumentam a pressão
de contato.

O fusível possui corpo de porcelana de


seção retangular. Dentro desse corpo,
estão o elo fusível e o elo indicador de
queima imersos em areia especial.

55
Nas duas extremidades do corpo de Construção dos fusíveis DIAZED
porcelana existem duas facas de metal
que se encaixam perfeitamente nas O fusível DIAZED (ou D) é composto
garras da base. por: base (aberta ou protegida), tampa,
fusível, parafuso de ajuste e anel.

A base é feita de porcelana dentro da


qual está um elemento metálico roscado
internamente e ligado externamente a
um dos bornes. O outro borne está iso-
lado do primeiro e ligado ao parafuso de
ajuste, como mostra a figura abaixo.

A tampa, geralmente de porcelana, fixa


o fusível à base e não é inutilizada com
a queima do fusível. Ela permite inspe-
ção visual do indicador do fusível e sua
O elo fusível é feito de cobre em forma substituição mesmo sob tensão.
de lâminas vazadas em determinados
pontos para reduzir a seção condutora.
O elo fusível pode ainda ser fabricado
em prata.

Fusíveis DIAZED
O parafuso de ajuste tem a função de
Os fusíveis DIAZED podem ser de ação impedir o uso de fusíveis de capacida-
rápida ou retardada. Os de ação rápida de superior à desejada para o circuito.
são usados em circuitos resistivos, ou A montagem do parafuso é feita por
seja, sem picos de corrente. meio de uma chave especial.

Os de ação retardada são usados em


circuitos com motores e capacitores,
sujeitos a picos de corrente.

Esses fusíveis são construídos para


valores de, no máximo, 200A · A capa- O anel é um elemento de porcelana
cidade de ruptura é de 70kA com uma com rosca interna, cuja função é pro-
tensão de 500V. teger a rosca metálica da base aberta,
56
pois evita a possibilidade de contatos acidentais na troca
do fusível.

O fusível é um dispositivo de porcelana em cujas extre-


midades é fixado um fio de cobre puro ou recoberto por
uma camada de zinco. Ele fica imerso em areia especial,
cuja função é extinguir o arco voltaico e evitar o perigo de
explosão quando da queima do fusível.

O fusível possui um indicador, visível através da tampa, cuja


corrente nominal é identificado por meio de cores e que se
desprende em caso de queima. Veja no quadro a seguir, algu-
mas cores e suas correntes nominais correspondentes.

Cor Intensidade de corrente (A)

rosa 2

marrom 4

verde 6

vermelho 10

cinza 16

azul 20

amarelo 25

preto 35

branco 50

laranja 63

O elo indicador de queima é constituído de um fio muito fino


ligado em paralelo com o elo fusível. Em caso de queima
do elo fusível, o indicador de queima também se funde e
provoca o desprendimento da espoleta.
57
Características dos fusíveis NH e DIAZED

As principais características dos fusíveis DIAZED e NH são:


• corrente nominal – corrente máxima que o fusível suporta
continuamente sem interromper o funcionamento do circuito.
Esse valor é marcado no corpo de porcelana do fusível;
• corrente de curto-circuito – corrente máxima que deve
circular no circuito e que deve ser interrompida instanta-
neamente;
• capacidade de ruptura (kA) – valor de corrente que o fusível
é capaz de interromper com segurança. Não depende da
tensão nominal da instalação;
• tensão nominal – tensão para a qual o fusível foi construído.
Os fusíveis normais para baixa tensão são indicados para
tensões de serviço de até 500V em CA e 600V em CC;
• resistência elétrica (ou resistência ôhmica) – grandeza
elétrica que depende do material e da pressão exercida. A
resistência de contato entre a base e o fusível é a respon-
sável por eventuais aquecimentos que podem provocar a
queima do fusível;
• curva de relação tempo de fusão x corrente – curvas que
indicam o tempo que o fusível leva para desligar o circui-
to. Elas são variáveis de acordo com o tempo, a corrente,
o tipo de fusível e são fornecidas pelo fabricante. Dentro
dessas curvas, quanto maior for a corrente circulante, me-
nor será o tempo em que o fusível terá que desligar. Veja
curva típica no gráfico 10.

58
Instalação dos fusíveis NH e DIAZED

Os fusíveis DIAZED e NH devem ser colocados no ponto


inicial do circuito a ser protegido.

Os locais devem ser arejados para que a temperatura se


conserve igual à do ambiente. Esses locais devem ser de
fácil acesso para facilitar a inspeção e a manutenção.

A instalação deve ser feita de tal modo que permita seu


manejo sem perigo de choque para o operador.

Escolha do fusível

A escolha do fusível é feita considerando-se a corrente


nominal da rede, a malha ou circuito que se pretende pro-
teger. Os circuitos elétricos devem ser dimensionados para
uma determinada carga nominal dada pela carga que se
pretende ligar.

A escolha do fusível deve ser feita de modo que qualquer


anormalidade elétrica no circuito fique restrita ao setor onde
ela ocorrer, sem afetar os outros.

Dimensionamento

Para dimensionar um fusível, é necessário levar em consi-


deração as seguintes grandezas elétricas:
• corrente nominal do circuito ou ramal;
• corrente de curto-circuito;
• tensão nominal.

59
Contatores

Neste capítulo estudaremos um dispositivo de manobra me-


cânica usado no comando de motores e na proteção contra
sobrecorrente, quando acoplado a relés de sobrecarga.

Esse dispositivo chama-se contator. Suas características,


utilização e funcionamento são aqui apresentados para que
você possa utilizá-lo corretamente.

Contatores são dispositivos de manobra mecânica, aciona-


dos eletromagneticamente, construídos para uma elevada
freqüência de operação.

De acordo com a potência (carga), o contator é um dispo-


sitivo de comando do motor e pode ser usado individu-
almente, acoplado a relés de sobrecarga, na proteção de
sobrecorrente. Certos tipos de contatores têm a capacidade
de estabelecer e interromper correntes de curto-circuito
(câmeras de extinção de arco).

Basicamente, existem dois tipos de contatores:


• contatores para circuitos de potência;
• contatores auxiliares.

Esses dois tipos de contatores são semelhantes. O que os


diferencia são algumas características mecânicas e elétricas.

Assim, os contatores para motores caracterizam-se por


apresentar:
• dois tipos de contatos com capacidade de carga diferentes
chamados principais e auxiliares;
• maior robustez de construção;
• possibilidade de receberem relés de proteção;
• câmara de extinção de arco voltaico;
• variação de potência da bobina do eletroimã de acordo
com o tipo de contator;
60
• tamanho físico de acordo com a potên- Um contator auxiliar é mostrado na
cia a ser comandada; ilustração a seguir.
• possibilidade de ter a bobina do eletroi-
mã com secundário.

Veja um contator para motor na ilus-


tração a seguir.

Elementos construtivos

O principais elementos construtivos


de um contator são:
• contatos;
• sistema de acionamento;
• carcaça;
• câmara de extinção de arco-voltaico.

Contatos dos contatores e pastilhas

Os contatos são partes especiais e fun-


damentais dos contatores, destinados
Os contatores auxiliares são usados a estabelecer a ligação entre as partes
para aumentar o número de contatos energizadas e não-energizadas de um
auxiliares dos contatores de motores; circuito ou, então, interromper a liga-
para comandar contatores de elevado ção de um circuito.
consumo na bobina; para evitar repi-
que; e para sinalização. São constituídos de pastilhas e supor-
tes. Podem ser fixos ou móveis, sim-
Esses contatores caracterizam-se por ples ou em ponte.
apresentar:
• tamanho físico variável conforme o
número de contatos;
• potência do eletroimã praticamente
constante;
• corrente nominal de carga máxima de
10A para todos os contatos;
• ausência de necessidade de relé de
proteção e de câmara de extinção.
61
Os contatos móveis são sempre acio- Os contatos principais têm a função de
nados por um eletroimã pressionado estabelecer e interromper correntes de
por molas. Estas devem atuar unifor- motores e chavear cargas resistivas ou
memente no conjunto de contatos e capacitivas.
com pressão determinada, conforme a
capacidade para a qual os contadores O contato é realizado por meio de
foram projetados. placas de prata cuja vida útil termina
quando elas estão reduzidas a 1/3 de
seu volume inicial.

Os contatos auxiliares são dimensiona-


dos para a comutação de circuitos au-
xiliares para comando, para sinalização
e para intertravamento elétrico. São
dimensionados apenas para a corrente
de comando e podem ser de abertura
retardada para evitar perturbações no
comando. Podem ser do tipo NA (nor-
malmente aberto) ou NF (normalmente
fechado) de acordo com sua função.

Sistema de acionamento

O acionamento dos contatores pode


ser feito com corrente alternada ou
com corrente contínua.

Para o acionamento com C.A., existem


anéis de curto-circuito que se situam
sobre o núcleo fixo do contator e evi-
tam o ruído por meio da passagem da
Para os contatos simples, a pressão C.A. por zero.
da mola é regulável e sua utilização
permite a montagem de contatos adi- Um entreferro reduz a remanência após
cionais. a interrupção da tensão de comando e
evita o colamento do núcleo.
Os contatos simples têm apenas uma
abertura. Eles são encontrados em Após a desenergização da bobina de
contatores de maior potência. acionamento, o retorno dos contatos
principais (bem como dos auxiliares)
Os contatos são construídos em for- para a posição original de repouso é
matos e tamanhos determinados pelas garantido pelas molas de compressão.
caraterísticas técnicas do contator. São
classificados em principal e auxiliar. O acionamento com CC não possui
62
anéis de curto-circuito. Além disso, se nesse caso os componentes CMOS e
possui uma bobina de enrolamento os microprocessadores, presentes em
com derivação, na qual uma das deri- circuitos que compõem acionamentos
vações serve para o atracamento e a de motores que utilizam conversores e/
outra para manutenção. ou CPs (controladores programáveis).

Um contato NF é inserido no circuito da Carcaça


bobina e tem a função de curto-circuitar
parte do enrolamento durante a etapa É constituída de duas partes simétricas
do atracamento. Veja representação (tipo macho e fêmea) unidas por meio
esquemática a seguir. de grampos.

Retirando-se os grampos de fecha-


mento da tampa frontal do contator, é
possível abri-lo e inspecionar seu inte-
rior, bem como substituir os contatos
principais e os da bobina.

A substituição da bobina é feita pela


parte inferior do contator, através da
retirada de quatro parafusos de fixação
para o suporte do núcleo.

Câmara de extinção de arco voltaico

É um compartimento dos seccionado-


O enrolamento com derivação tem a res que envolve os contatos principais.
função de reduzir a potência absorvida Sua função é extinguir a faísca ou arco
pela bobina, após o fechamento do voltaico, que surge quando um circuito
contator, evitando o superaquecimento elétrico é interrompido.
ou a queima da bobina.
Com a câmara de extinção de cerâmica,
O núcleo é maciço, pois, sendo a cor- a extinção do arco é provocada por refri-
rente constante, o fluxo magnético geração intensa e pelo repuxo do ar.
também o será. Com isso, não haverá
força eletromotriz no núcleo nem cir-
culação de correntes parasitas. Funcionamento do contator

O sistema de acionamento com CC é Como já sabemos, uma bobina ele-


recomendado para aplicação em circui- tromagnética, quando alimentada
tos onde os demais equipamentos de por uma corrente elétrica, forma um
comando são sensíveis aos efeitos das campo magnético. No contator, ele
tensões induzidas pelo o campo magné- se concentra no núcleo fixo e atrai o
tico de corrente alternada. Enquadram- núcleo móvel.
63
Como os contatos móveis estão aco- • tensão de operação de 85 a 110% da ten-
plados mecanicamente com o núcleo são nominal prevista para o contator.
móvel, o deslocamento deste no
sentido do núcleo fixo movimenta os
contatos móveis. Montagem dos contatores

Quando o núcleo móvel se aproxima Os contatores devem ser montados, de


do fixo, os contatos móveis também preferência verticalmente, em local que
devem se aproximar dos fixos de tal não esteja sujeito à trepidação.
forma que, no fim do curso do núcleo
móvel, as peças fixas e móveis do sis- Em geral, é permitida uma inclinação
tema de comando elétrico estejam em máxima do plano de montagem de
contato e sob pressão suficiente. 22,5° em relação à vertical, o que per-
mite a instalação em navios.
O comando da bobina é efetuado por
meio de uma botoeira ou chave-bóia Na instalação de contatores abertos, o
com duas posições, cujos elementos espaço livre em frente à câmara deve
de comando estão ligados em série ser de no mínimo 45mm.
com as bobinas.

A velocidade de fechamento dos conta- Intertravamento de contatores


tores é resultado da força proveniente
da bobina e da força mecânica das O intertravamento é um sistema de se-
molas de separação que atuam em gurança elétrico ou mecânico, destina-
sentido contrário. do a evitar que dois ou mais contatores
se fechem acidentalmente ao mesmo
As molas são também as únicas respon- tempo, o que provocaria curto-circuito
sáveis pela velocidade de abertura do ou mudança na seqüência de funciona-
contator, o que ocorre quando a bobina mento de um determinado circuito.
magnética não estiver sendo alimentada
ou quando o valor da força magnética for O intertravamento elétrico é feito por
inferior à força das molas. meio de contatos auxiliares do contator
e por botões conjugados.

Vantagens do emprego de Na utilização dos contatos auxiliares (K1


contatores e K2), estes impedem a energização de
uma das bobinas quando a outra está
Os contatores apresentam as seguintes energizada.
vantagens:
• comando à distância; Nesse caso, o contato auxiliar abridor
• elevado número de manobras; de outro contator é inserido no circuito
• grande vida útil mecânica; de comando que alimenta a bobina
• pequeno espaço para montagem; do contator. Isso é feito de modo que
• garantia de contato imediato; o funcionamento de um contator de-
64
penda do funcionamento do outro, ou O intertravamento mecânico é obtido
seja, contato K1 (abridor) no circuito do por meio da colocação de um balancim
contator K2, e o contato K2 (abridor) no (dispositivo mecânico constituído por
circuito do contator K1. Veja diagrama um apoio e uma régua) nos contatores.
da figura abaixo.
Quando um dos contatores é acionado,
este atua sobre uma das extremidades
da régua, enquanto a outra impede o
acionamento do outro contator.

Os botões conjugados são inseridos no


circuito de comando de modo que, ao
ser acionado um botão para comandar
um contator, haja a interrupção do fun-
cionamento do outro contator.

Quando se utilizam botões conjugados, Esta modalidade de intertravamento


pulsa-se simultaneamente S1 e S2. Nessa é empregada quando a corrente é ele-
condição, os contatos abridor e fechador vada e há possibilidade de soldagem
são acionados. Todavia, como o contato de contatos.
abridor atua antes do fechador, isso pro-
voca o intertravamento elétrico. Assim,
temos: Escolha dos contatores
• botão S1: fechador de K1 conjugado
com S1, abridor de K2; A escolha do contator para uma dada
• botão S2: fechador de K2 conjugado corrente ou potência deve satisfazer a
com S2, abridor de K1. duas condições:
• número total de manobras sem a ne-
Quando possível, no intertravamento cessidade de trocar os contatos;
elétrico, devemos usar essas duas • não ultrapassar o aquecimento ad-
modalidades. missível.
65
O aquecimento admissível depende da
corrente circulante e é interrompida,
da freqüência de manobras e do fator
de marcha.

O número total de manobras é expres-


so em manobras por hora (man/h),
mas corresponde à cadência máxima
medida num período qualquer que não
exceda 10 minutos.

O fator de marcha (fdm) é a relação


percentual entre o tempo de passagem
da corrente e a duração total de um
ciclo de manobra.

Veja a seguir o emprego dos contatores


conforme a categoria:
• AC1 – Cargas fracamente indutivas ou
não-indutivas (fornos de resistência);
• AC2 – Partida de motores de anel sem
frenagem por contracorrente;
• AC3 – Partida de motores de indução
tipo gaiola (desligamento do motor
em funcionamento normal e partida
de motores de anel com frenagem por
contracorrente);
• AC4 – Partida de motores de indução
tipo gaiola (manobras de ligação in-
termitente, frenagem, por contracor-
rente e reversão);
• DC1 – Cargas fracamente indutivas ou
não-indutivas (fornos de resistência);
• DC2 – Motores de derivação (partida
e desligamento durante a rotação);
• DC3 – Partida, manobras intermiten-
tes, frenagem por contracorrente,
reversão;
• DC4 – Motores série (partida e desli-
gamento durante a rotação);
• DC5 – Partida, manobras intermiten-
tes, frenagem por contracorrente,
reversão.

66
Relés como dispositivo
de segurança

O relé é um dispositivo de comando, ou Os relés usados como dispositivos de


seja, é empregado na partida de motores segurança podem ser:
no processamento de solda de ponto, no • eletromagnéticos;
comando de laminadoras e prensas e no • térmicos.
controle de iluminação de edifícios.

Neste capítulo estudaremos os relés Relés eletromagnéticos


como dispositivos de segurança.
Funcionam com base na ação do ele-
Para compreender com mais facilidade tromagnetismo, por meio do qual um
o funcionamento desse dispositivo, é núcleo de ferro próximo de uma bobina
necessário ter conhecimentos anterio- é atraído, quando esta é percorrida por
res sobre eletromagnetismo. uma corrente elétrica.

Diferentemente dos fusíveis, que se Os relés eletromagnéticos mais co-


autodestroem, os relés abrem os cir- muns são de dois tipos:
cuitos em presença de sobrecarga, por • relé de mínima tensão;
exemplo, e continuam a ser usados • relé de máxima corrente.
após sanada a irregularidade.
O relé de mínima tensão recebe uma
Em relação aos fusíveis, os relés apre- regulagem aproximadamente 20%
sentam as seguintes vantagens: menor do que a tensão nominal. Se a
• ação mais segura; tensão abaixar a um valor prejudicial, o
• possibilidade de modificação do relé interrompe o circuito de comando
estado ligado para desligamento (e da chave principal e, conseqüente-
vice-versa); mente, abre os contatos dessa chave,
• proteção do usuário contra sobrecar- abrindo o circuito.
gas mínimas dos limites predetermi-
nados; Os relés de mínima tensão são aplica-
• retardamento natural que permite dos principalmente em contatores e
picos de corrente próprios às partidas disjuntores.
de motores.

67
Veja, na figura abaixo, o esquema Relés térmicos
simplificado de um relé de mínima
tensão. Esse tipo de relé, como dispositivo de
proteção, controle ou comando do cir-
cuito elétrico, atua por efeito térmico
provocado pela corrente elétrica.

O elemento básico dos relés térmicos


é o bimetal.

O bimetal é um conjunto formado por


duas lâminas de metais diferentes (nor-
malmente ferro e níquel), sobrepostas
e soldadas.
O relé de máxima corrente é regulado
para proteger um circuito contra o Esses dois metais, de coeficientes de
excesso de corrente. Esse tipo de relé dilatação diferentes, formam um par
abre, indiretamente, o circuito principal metálico. Por causa da diferença de co-
assim que a corrente atingir o limite da eficiente de dilatação, se o par metálico
regulagem. for submetido a uma temperatura ele-
vada, um dos metais do par vai dilatar
A corrente elevada, ao circular pela mais que o outro.
bobina, faz com que o núcleo do relé
atraia o fecho. Isto provoca a abertura Por estarem fortemente unidos, o me-
do contato abridor e interrompe o cir- tal de menor coeficiente de dilatação
cuito de comando. provoca o encurvamento do conjunto
para o seu lado, afastando o conjunto
A regulagem desse tipo de relé é feita de um ponto determinado.
aproximando-se ou afastando-se o
fecho do núcleo. Quando o fecho é Veja representação esquemática desse
afastado, é necessário uma corrente fenômeno.
mais elevada para acionar o relé.

Veja, na figura a seguir, o esquema


simplificado de um relé de máxima
corrente.

Esse movimento é usado para disparar


um gatilho ou abrir um circuito, por

68
exemplo. Portanto, essa característica Nos circuito trifásicos, o relé térmico
do bimetal permite que o relé exerça o possui três lâminas bimetálicas (A, B,
controle de sobrecarga para proteção C), que atuam conjuntamente quando
dos motores. houver sobrecarga equilibrada.

Os relés térmicos para proteção de


sobrecarga são:
• diretos;
• indiretos;
• com retenção.

Os relés térmicos diretos são aqueci-


dos pela passagem da corrente de car-
ga pelo bimetal. Havendo sobrecarga,
o relé desarma o disjuntor. Os relés térmicos indiretos são aque-
cidos por um elemento aquecedor in-
Embora a ação bimetal seja lenta, o direto, que transmite calor ao bimetal
desligamento dos contatos é brusco à e faz o relé funcionar.
ação do gatilho. Essa abertura rápida
impede a danificação ou soldagem dos Os relés térmicos com retenção pos-
contatos. suem dispositivos que travam os
contatos na posição desligado, após a
A figura a seguir mostra a representa- atuação do relé. Para que os contatos
ção esquemática de um relé térmico voltem a operar, é necessário soltar,
direto nas posições armado e desliga- manualmente a trava por meio de um
do por sobrecarga. botão específico. O relé, então, estará
pronto para funcionar novamente.

É necessário sempre verificar o moti-


vo por que o relé desarmou, antes de
armá-lo novamente.

69
Os relés térmicos podem ser ainda A curva 3 representa o comportamento
compensados ou diferenciais. dos relés quando submetidos a sobre-
carga tripolar e a curva 2 para sobre-
O relé térmico compensado possui um carga bipolar.
elemento interno que compensa as va-
riações da temperatura ambiente. Os valores de desligamento são válidos
para sobrecarga a partir da temperatu-
O relé térmico diferencial (ou falta de ra ambiente, ou seja, sem aquecimento
fase) dispara mais rapidamente que o prévio (estado frio).
normal, quando há falta de uma fase ou
sobrecarga em uma delas. Assim, um Para relés que operam em temperatu-
relé diferencial, regulado para disparar ra normal de trabalho e sob corrente
em cinco minutos com cargas de 10A, nominal (relés pré-aquecidos), deve-
dispara antes, se faltar uma fase. se considerar os tempos de atuação
em torno de 25 a 30% dos valores das
Curva característica de disparo curvas.
do relé térmico
Isso acontece porque os bimetálicos já
A relação tempo/corrente de desarme terão sofrido aproximadamente 70%
é representada por uma curva carac- do deslocamento necessário para o
terística semelhante à mostrada no desarme, quando pré-aquecidos pela
gráfico a seguir. passagem da corrente nominal.

t = tempo de desarme

XIE = múltiplos da corrente de regulagem

3 = curva característica para carregamento tripolar

2 = curva característica para carregamento bipolar

No eixo horizontal (abcissas), encon-


tram-se os valores múltiplos da corren-
te de regulagem (XIe) e no eixo vertical
(ordenadas), o tempo de desarme (t).

70
Diagramas de comando

Neste capítulo estudaremos os diagramas de comando e a


lógica de comando. A finalidade dos primeiros é represen-
tar os circuitos elétricos. A segunda analisa a seqüência de
entrada dos elementos componentes do circuito elétrico.

Esses conhecimentos são importantes quando se necessita


analisar o esquema de uma máquina desconhecida para
realizar sua manutenção. Essa análise permite solucionar
problemas “difíceis”, experiência indispensável para o pro-
fissional de manutenção eletroeletrônica.

Lógica de comando

A lógica de comando, ou lógica de funcionamento, é o sis-


tema interativo de um ou mais interruptores ou contatos
que tem por objetivo o acionamento de um equipamento
elétrico. Vejamos, por exemplo, o circuito da figura a seguir
no qual um interruptor comanda um relé que, por sua vez,
liga um motor.

A lógica desse comando é simples: ao ser acionado, o in-


terruptor S1 energiza a bobina do relé RL1 que, por sua vez,
fecha os contatos RL1A e RL1B. Estes, uma vez fechados,
permitem a circulação da corrente pelas bobinas do motor,
que entra em funcionamento.
71
No desligamento, o efeito é inverso: desligando-se o in-
terruptor S1 a corrente deixa de circular pelo relé. Isso de-
senergiza e desliga os contatos, fazendo o motor parar de
funcionar.

O circuito da figura a seguir mostra outro exemplo de lógica


de comando.

Esse é um circuito no qual S2 liga e S1 desliga o motor. Sua


lógica de comando é: ao ser pressionado, o botão S2 esta-
belece a circulação de corrente pelo relé RL1 e fecha seus
três contatos: RL1A, RL1B e RL1C.

RL1A fica em paralelo com o botão S2 e fecha o circuito. Isso per-


mite que S2 seja desacionado e que RL1 permaneça ligado.

Ao mesmo tempo, com o acionamento do relé RL1, o motor


começa a funcionar alimentado pela rede, via RL1B e RL1C. O
circuito permanecerá nessa condição, mesmo que S2 seja
acionado novamente.

Para que o motor deixe de funcionar, aciona-se S1. Com isso,


o circuito é interrompido e a corrente deixa de circular pelo
relé. Por esse motivo, os três contatos de relé se abrem e
desligam o motor.

S1 volta ao seu estado anterior ao ser desacionado. Porém,


o circuito não será religado porque o contato RL1A já estará
aberto.

72
Diagrama de comando

O diagrama de comando faz a representação esquemática


dos circuitos elétricos. Ele mostra os seguintes aspectos:
• funcionamento seqüencial dos circuitos;
• representação dos elementos, suas funções e as interliga-
ções, conforme as normas estabelecidas;
• visão analítica das partes ou do conjunto;
• possibilidade de rápida localização física dos componentes.

Tipos de diagrama

Os diagramas podem ser multifilar completo (ou tradicional)


e funcional.

O diagrama multifilar completo ou tradicional representa


o circuito elétrico da forma como é montado. Esse tipo de
diagrama é difícil de ser interpretado e elaborado, princi-
palmente quando os circuitos a serem representados são
complexos.

Em razão das dificuldades de interpretação desse tipo de


diagrama, os três elementos básicos dos diagramas, ou seja,
os caminhos da corrente, os elementos e suas funções e a
seqüência funcional são separados em duas partes repre-
sentadas por diagramas diferentes.

73
O diagrama simplificado no qual os aspectos básicos são
representados de forma prática e de fácil compreensão é
chamado de diagrama funcional.

A representação, a identificação e a localização física dos ele-


mentos tornam-se facilmente compreensíveis com o diagrama
de execução ou de disposição mostrado na figura a seguir.

Identificação dos componentes

Nos diagramas, os componentes são representados e


identificados por letras e números ou símbolos gráficos, de
acordo com a simbologia adotada.

74
A seguir são apresentados alguns
exemplos de representação e identifi-
cação de componentes:
• Identificação por letras e números;

• Identificação por símbolos gráficos;

Os retângulos ou círculos represen-


tam os componentes, e as letras ou
símbolos indicam um determinado
contator e sua função no circuito.

Quando o contator é identificado por


meio de letras, sua função só é conhe-
cida quando o diagrama de potência é
analisado.

A seguir, está o quadro referente à


norma da ABNT-NBR 5280 que apre-
senta as letras maiúsculas iniciais para
designar elementos do circuito.

75
Letra Tipos de elementos Exemplos

amplificadores coom válvulas ou transistores, amplificadores


A conjuntos, subconjuntos
magnéticos laser, maser

transdutores de grandezas
sensores termoelétricos, células fotoelétricas, dinamômetros,
B não-elétricas, pára-elétricas
transdutores a cristal, microfones, alto falantes
e vice-versa
C capacitores —
elementos binários,
elementos combinatórios, linhas de atraso, elementos biestáveis,
D dispositivos de atraso,
monoestáveis, núcleo de memória, fitas magnéticas de gravação
dispositivos de memória

dispositivos luminosos, de aquecimento ou outros não específicados


E miscelânea
nesta tabela

F dispositivos de proteção fusíveis, pára-raios, dispositivos de descarga de sobretensão

geradores, fontes de geradores rotativos, conversores de freqüência rotativos, baterias,


G
alimentação fontes de alimentacão, osciladores

H dispositivos de sinalização indicadores óticos e acústicos

K relés, contatores —

L indutores —

M motores —

equipamento de medição e de dispositivos de gravação e de mediação, integradores, indicadores,


P
ensaio geradores de sinal, relógios

dispositivos mecânicos de
Q conexão para circuitos de abridor, isolador
potência

resistores ajustáveis, potenciômetros, reostatos, derivadores (shuts),


R resistores
termistores

chave de controle, push buttons, chaves limitadoras, chaves seletoras


S seletores, chaves
seletores

T transformadores transformadores de tensão de corrente

U moduladores discriminadores, emoduladores, codificadores, inversores, conversores

V válvulas, semicondutores válvulas, tubos de descarga de gás, diodos, transistores, tiristores

elemento de transmissão, jumpers, cabos, guias de onda, acopladores direcionais, dipolos,


W
guias de onda, antenas antenas parabólicas

tomadas macho e fêmea, pontos de prova, quadro de terminais, barra


X terminais, plugues, soquetes
de terminais

dispositivos mecânicos
Y válvulas pneumáticas, freios, embreagens
operados eletricamente

transformadores híbridos,
filtros a cristal, circuito de balanceamento, compressores expansores
Z equalizadores, limitadores,
(compandor’s)
cargas de terminação

76
Identificação de bornes de bobinas e contatos

As bobinas têm os bornes indicados pelas letras a e b ou


ainda A1 e A2 como mostram os exemplos a seguir.

Nos contatadores e relés, os contatos são identificados por


números que indicam:
• função – contatos abridores e fechadores do circuito de
força ou de comando: contatos de relés temporizadores
ou relés térmicos;
• posição – entrada ou saída e a posição física dos contatores.
Nos diagramas funcionais, essa indicação é acompanhada
da indicação do contator ou elemento correspondente.

No esquema a seguir são mostradas as identificações de


função e posição dos contatos.

Programação de contatos

A programação dos contatos permite que se identifique ra-


pidamente, nos diagramas, os contatos que são acionados
77
por um contator e a sua localização num diagrama funcional.
O contator também é localizado mais facilmente a partir da
indicação sob o contato. Para isso, o diagrama é dividido
em colunas.

Interpretação

Os números sob o neutro (1, 2, 3...8) indicam as colunas.


Embaixo do esquema funcional e, respectivamente, em cada
coluna estão desenhadas cruzetas com letras e números.

A letra A indica contato abridor (NF) e o F, contato fechador


(NA). A cruzeta corresponde à coluna 1, por exemplo, indica
que temos um abridor na coluna 3, um fechador (NA) nas
colunas 2 e 5.

O diagrama também pode ser dividido em linhas.

Quando o diagrama ocupa mais de uma folha, além dos


números que identificam as colunas, são colocados os nú-
meros das folhas nas quais se encontra o contato.

Assim, na figura a seguir, vamos localizar o contator C2.


78
a - contato abridor localizado na coluna 2;

b - contato abridor localizado na coluna 5;

c - contato fechador localizado na coluna 4;

d - contato fechador disponível no contator;

e - contato fechador localizado na coluna 1 da folha 2.

79
Sinalização

Para que um operador saiba o que está acontecendo com


o equipamento que ele está operando, é necessário que
possa visualizar, rápida e facilmente, mensagens que indi-
quem que a operação está se realizando dentro dos padrões
esperados.

Isso é feito por meio da sinalização, que é o assunto deste


capítulo.

Sinalização luminosa e sonora

Sinalização é a forma visual ou sonora de chamar a atenção


do operador para uma situação determinada em um circuito,
máquina ou conjunto de máquinas.

Ela é realizada por meio de buzinas e campainhas ou por sina-


lizadores luminosos com cores determinadas por normas.

Sinalização luminosa

A sinalização luminosa é a mais usada por ser de mais rá-


pida visualização.

A tabela a seguir mostra o significado das cores de sinali-


zação de acordo com as normas VDE.

80
Cor Condição de operação Exemplo de aplicação
Indicação de que a máquina está paralisada por atuação de um
vermelho condição anormal dispositivo de proteção (aviso para a paralisação da máquina
devido a sobrecarga).

O valor de uma grandeza (corrente, temperatura) aproxima-se de


amarelo atenção ou cuidado
seu valor limite.

Partida nominal: todos os dispositivos auxiliares funcionam e


estão prontos para operar. Aa pressão hidráulica ou a tensão estão
verde máquina pronta para operar
nos valores especificados. O ciclo de operação está concluído e a
máquina pronta para operar novamente.

Chave principal na posicão liga. Escolha da velocidade ou do


circuitos sob tensão em
branco (incolor) sentido de rotacão. Acionamentos individuais e dispositivos
operação normal
auxiliares estão operando. Máquina em movimento.
azul Todas as funções para as quais não se aplicam as cores acima.

A sinalização intermitente é usada para indicar situações


que exigem atenção mais urgente.

A lente do sinalizador deve propiciar bom brilho e, quando a


lâmpada está apagada, apresentar-se completamente opaca
em relação à luz ambiente.

Sinalização sonora

A sinalização sonora pode ser feita por meio de buzinas ou


campainhas.

As buzinas são usadas para indicar o início de funcionamen-


to de uma máquina ou para ficar à disposição do operador,
quando seu uso for necessário. Elas são usadas, por exem-
plo, na sinalização de pontes rolantes.

81
O som deve estar entre 1000 e 3000 Hz.
Deve conter harmônicos que o torna-
rão distinto do ruído local.

As campainhas são usadas para indicar


anomalias em máquinas. Assim, se um
motor com sobrecarga não puder parar
de imediato, o alarme chamará a aten-
ção do operador para as providências
necessárias.

Instalação de sinalizadores

Na instalação de sinalizadores para


indicar a abertura ou o fechamento de
contator, é importante verificar se a
tensão produzida por auto-indução não
provocará a queima da lâmpada.

Nesse caso, a lâmpada deverá ser ins-


talada através de um contato auxiliar,
evitando-se a elevada tensão produzida
na bobina do contator.

Veja na figura a seguir o circuito de


sinalização.

82
Chaves auxiliares tipo botoeira

Neste capítulo estudaremos um tipo de chave que comanda


circuitos por meio de pulsos. Ela é usada em equipamentos
industriais em processos de automação.

Chaves auxiliares tipo botoeira

As chaves auxiliares, ou botões de comando, são chaves


de comando manual, que interrompem ou estabelecem
um circuito de comando por meio de pulsos. Podem ser
montadas em painéis ou em caixas para sobreposição. Veja
ilustração abaixo.

As botoeiras podem ter diversos botões agrupados em pai-


néis ou caixas, e cada painel pode acionar diversos contatos
abridores ou fechadores.

83
Construção

As chaves auxiliares tipo botoeira são constituídas por bo-


tão, contatos móveis e contatos fixos.

Em alguns tipos de botoeiras, o contato móvel tem um


movimento de escorregamento que funciona como automa-
nutenção, pois retira a oxidação que aparece na superfície
do contato.

Os contatos são recobertos de prata e suportam elevado


número de manobras.

As chaves auxiliares são construídas com proteção contra li-


gação acidental, sem proteção ou com chave tipo fechadura.

As chaves com proteção possuem longo curso para ligação,


além de uma guarnição que impede a ligação acidental.

As botoeiras com chave tipo fechadura são do tipo comu-


tador. Têm a finalidade de impedir que qualquer pessoa
ligue o circuito.

botoeira protegida botoeira sem proteção – saliente comutador de comado

As botoeiras podem ainda conjugar a função de sinaleiro,


ou seja, possuem em seu interior uma lâmpada que indica
que o botão foi acionado. Elas não devem ser usadas para
desligar circuitos e nem como botão de emergência.

Botoeiras do tipo pendente

As botoeiras do tipo pendente destinam-se ao comando de


pontes rolantes e máquinas operatrizes, nas quais o operador
84
tem de acionar a botoeira enquanto em Disposição dos botões de comando
movimento ou em pontos diferentes.
O botão desliga deve, então, ficar sob
o botão liga na posição vertical. Essa
Normas gerais para botoeiras disposição também é utilizada e reco-
mendada em diversos outros países.
As botoeiras são marcadas e coloridas Existem diferenças, entretanto, para
conforme a codificação estabelicida por a disposição horizontal dos botões. A
normas, para se indicar a sua função. DIN e uma grande parte de normas de
outros países determinam que o botão
Devem ser instaladas bem à mão, na al- desliga deve ser posicionado à esquer-
tura prevista, e dispostas fisicamente na da do botão liga. Nas normas america-
posição e espaçamento correto, quando nas e inglesas è fixado ao contrário, ou
se instalarem várias botoeiras. seja, o botão desliga fica à direita do
botão liga. Uma norma internacional
Quando são usados botões de comando sobre a utilização de figuras ou sím-
para o acionamento à distância de equi- bolos e posicionamento em botoeiras
pamento de manobra de baixa tensão, blindadas, está em estudo.
é importante que esses botões sejam
identificados por cores nas funções de
liga e desliga e eventuais símbolos com-
plementares, que facilitem e acelerem o
comando que se quer realizar.
vertical

As ilustrações ao lado podem ser co-


locadas sobre ou ao lado dos botões,
em qualquer posição.

horizontal

As botoeiras pendentes instaladas em


pontes rolantes trazem as indicações
dos movimentos que o guincho exe-
cuta conforme a norma U.T.E..

85
86
Partida de motor trifásico
com comutação direta

Partida dos motores assíncronos

Quando um motor é colocado em funcionamento, a corrente


exigida (da rede) é aumentada e pode, sobretudo se a seção
do condutor de alimentação for insuficiente, provocar uma
queda de tensão susceptível de afetar o funcionamento das
cargas. Por vezes, esta queda de tensão é tal, que é percep-
tível nos aparelhos de iluminação.

Para evitar estes inconvenientes, os regulamentos de ins-


talações de algumas concessionárias proíbem, acima de
uma determinada potência, a utilização de motores com
partida direta. Outros limitam-se a impor, em função da
potência dos motores, a relação entre a corrente de partida
e a corrente nominal.

O motor de rotor em curto-circuito é o único que pode ser


ligado diretamente à rede, por intermédio de aparelhos
simples.

Apenas as extremidades dos enrolamentos do estator


estão disponíveis na placa de terminais. Uma vez que as
características do rotor são determinadas pelo fabricante,
os diversos processos de partida consistem essencialmente
em fazer variar a tensão nos terminais do estator. Neste tipo
de motor, com freqüência constante, a redução do pico de
corrente é acompanhada automaticamente de uma forte
redução do conjugado.

Partida direta

É o modo de partida mais simples, com o estator ligado


diretamente à rede. O motor parte com as suas caracterís-
ticas naturais.
87
No momento da colocação em funcionamento, o motor
comporta-se como um transformador em que o secundário,
constituído pela gaiola do rotor, muito pouco resistiva, está em
curto-circuito. A corrente induzida no rotor é elevada. Sendo
as correntes primárias e secundárias sensivelmente propor-
cionais, o pico de corrente resultante é elevado:
I partida = 5 a 8 I nominal

O conjugado de partida é, em média:


C partida = 0,5 a 1,5C nominal

Apesar das suas vantagens (aparelhagem simples, conjuga-


do de partida elevado, partida rápida, preço baixo), a partida
direta só é interessante nos casos em que:
• a potência do motor é baixa, relativamente à potência
disponível na rede, de modo a limitar as perturbações
originadas pelo pico de corrente;
• a máquina movimentada não necessita de uma aceleração
progressiva e está equipada com um dispositivo mecânico
(redutor, por exemplo) que evita uma partida muito rápida;
• o conjugado de partida tem que ser elevado.

Em contrapartida, sempre que:


• a corrente exigida possa perturbar o bom funcionamento
de outros aparelhos ligados ao mesmo circuito, provocado
pela queda de tensão que ela causa;
• a máquina não agüente golpes mecânicos;
• o conforto ou a segurança dos usuários sejam considerados
(caso das escadas rolantes, por exemplo), torna-se necessá-
rio utilizar um artifício para diminuir a corrente exigida ou o
conjugado de partida. O processo mais
usado consiste em partir o motor sob
tensão reduzida.

Veja ao lado o gráfico da curva corren-


te/velocidade em partida direta.

Uma variação da tensão de alimenta-


ção tem as seguintes conseqüências:
• a corrente de partida varia proporcio-
nalmente à tensão de alimentação;
• o conjugado de partida varia propor-
cionalmente ao quadrado da tensão
de alimentação.
88
Exemplo: se a tensão for dividida por , a corrente é sen-
sivelmente dividida por , e o conjugado é dividido por 3.

Partida direta de um motor comandada por contator

O circuito de partida direta de motor comandada por con-


tator é mostrado na figura a seguir.

Na condição inicial, os bornes R, S e T estão sob tensão.


Quando o botão b1 é acionado, a bobina do contator K1 é
89
energizada. Esta ação faz fechar o con-
tato de selo K1, que manterá a bobina
energizada. Os contatos principais se
fecharão e o motor funcionará.

Para interromper o funcionamento


do contator e, consequentemente,
do motor, aciona-se o botão b0. Isso
interrompe a alimentação da bobina,
provoca a abertura do contato de selo
K1 e dos contatos principais, e faz o
motor parar.

O contator também pode ser comanda-


do por uma chave de um pólo. Neste
caso, eliminam-se os botões b0 e b1
e o contato de selo K1. Em seu lugar,
coloca-se a chave b1, como mostra na
próxima figura.

90
Reversão da rotação
de motores trifásicos

Quando há necessidade de controlar extremidade, cuja função é transmitir


o movimento de avanço ou retrocesso movimento aos contatos a fim de abri-
de um dispositivo motorizado de uma los ou fechá-los.
máquina, empregam-se contatores
comandados por botões e por chaves Essas chaves podem ser: mecânica, de
fim de curso. precisão e eletromagnética.

A reversão é feita pela inversão das A chave fim de curso mecânica depen-


fases de alimentação. Esse trabalho é de de uma ação mecânica para acionar
realizado por dois contatores comanda- seus contatos. Seu movimento pode
dos por dois botões, cujo acionamento ser retilíneo ou angular.
fornece rotações nos sentidos horário
e anti-horário.

Para aprender esse conteúdo com mais


facilidade, você deve ter conhecimen-
tos anteriores relativos a contatores.

Chaves auxiliares tipo fim de curso

Para estudar a reversão de rotação de


motores trifásicos, estudaremos inicial-
mente as chaves tipo fim de curso.
Elas são usadas para:
Essas chaves são dispositivos auxilia- • controle – aceleração de movimentos;
res de comando usadas para coman- determinação de pontos de parada de
dar contatores, válvulas solenóides e elevadores; produção de seqüência e
circuitos de sinalização. controle de operação; sinalização;
• comando – inversão de curso ou sen-
São constituídas por uma alavanca tido de rotação; parada;
ou haste, com ou sem roldanas na • segurança – paradas de emergência,
alarme e sinalização.

91
A chave fim de curso de precisão atua
com um mínimo de movimento: mais ou
menos 0,5mm de curso de haste ou 6° de
deslocamento angular de alavanca.

Existe uma chave fim de curso de ma-


nobra rápida, cuja haste ou alavanca
tem movimento lento, mas cujo dispa-
ro do contato é rápido, já que acionado
por mola de disparo.

A chave fim de curso eletromagnética


funciona por indução eletromagnética, ou seja, uma bobina
atravessando o campo magnético recebe a indução de uma
corrente elétrica, que aciona os contatos através de um relé.

O circuito que realiza a reversão da rotação de motor trifá-


sico é mostrado a seguir.

Na condição inicial, K1 e K2 estão desligados e RST está


sob tensão.

Ao pulsar o botão conjugado S1, a bobina do contator K1 é


alimentada. Isso provoca o fechamento do contato de selo (que
mantém a bobina energizada) e dos contatos principais.

92
O acionamento do motor em um senti-
do movimenta uma parte da máquina
até que esta atinja o limite da chave de
fim de curso, acionando o contato S3
e desligando a bobina K1.

Quando a bobina é desenergizada, os


contatos principais se abrem, cortando
a alimentação do motor.

Para reverter o sentido do movimento


do motor temos, na condição inicial,
K1 ligado e K2 desligado.

Ao pulsar o botão conjugado S2, o seu


contato fechado se abre e interrompe
a alimentação de K1. Isso permite a
energização de K2. O contato fechado
de S2, por sua vez, alimenta a bobina
de K2 fechando o contato de selo S2
que mantém a bobina energizada.

Com a bobina energizada, ocorrerá o


fechamento dos contatos principais.
Como conseqüência, o motor e o dis-
positivo da máquina são acionados
até que seja atingido o limite do fim
de curso.

Quando a chave fim de curso é atingida,


S4 se abre e desliga a bobina K2. Com
isso, os contatos principais se abrem e
cortam a alimentação do motor.

Quando o motor está em movimento,


ao pulsar o botão S0, interrompe-se
seu movimento em qualquer ponto do
percurso. A retomada do movimento
é possível em qualquer sentido, pois
isso depende apenas do botão que for
acionado (S1 ou S2).

93
Relés de tempo

Neste capítulo estudaremos os relés de tempo ou relés tem-


porizadores que atuam em circuitos de comando para a co-
mutação de dispositivos de acionamento de motores, chaves
estrela-triângulo, partidas em seqüência e outros circuitos que
necessitem de temporização para seu funcionamento.

Conhecer esse componente é muito importante para a ma-


nutenção de equipamentos industriais.

Nos relés temporizadores, a comutação dos contatos não


ocorre instantaneamente. O período de tempo (ou retardo)
entre a excitação ou a desexcitação da bobina e a comutação
pode ser ajustado.

Essa possibilidade de ajuste cria dois tipos de relés tempo-


rizadores: o relé de ação retardada por atração (ou relé de
excitação) e o relé de ação retardada por repulsão (ou relé
de desexcitação).
94
Os retardos, por sua vez, podem ser vanca e provoca a abertura da válvula,
obtidos por meio de: liberando o contato. O conjunto volta
• relé pneumático de tempo; instantaneamente à posição inicial.
• relé mecânico de tempo;
• relé eletrônico de tempo.
Relé mecânico de tempo

Relé pneumático de tempo O relé mecânico de tempo é constituído


por um pequeno motor, um jogo de en-
O relé pneumático de tempo é um grenagens de redução, um dispositivo
dispositivo temporizador que funciona de regulagem, contatos comutadores
pela ação de um eletroimã que aciona e mola de retorno.
uma válvula pneumática.
No funcionamento do relé mecânico de
O retardo é determinado pela passa- tempo, um came regulável é acionado
gem de uma certa quantidade de ar pelo redutor de um motor. Após um
através de um orifício regulável. O ar tempo determinado, o came abre ou
entra no dispositivo pneumático que fecha o contato.
puxa o balancim para cima, fornecendo
corrente para os contatos. Se for necessário, o motor poderá per-
manecer ligado, e os contatos do relé
Esse tipo de relé é usado em chaves de ficarão na posição inversa à normal.
partida estrela-triângulo ou compensa-
doras, na comutação de contatores ou na Os relés de tempo motorizados podem
temporização em circuitos seqüenciais. O ser regulados para fornecer retardo
retardo fornecido varia de um a sessenta desde segundos até 30 horas.
segundos, porém não é muito preciso.
Quando um contator tiver elevado con-
No processo de funcionamento do relé sumo e a corrente de sua bobina for
pneumático de tempo, o eletroimã é superior à capacidade nominal do relé,
energizado e libera a alavanca. A mola é necessário usar um contator para o
tende a abrir a sanfona, mantendo a temporizador.
válvula fechada. A velocidade de aber-
tura depende diretamente da vazão
permitida pelo parafuso que controla Relé eletrônico de tempo
a admissão do ar.
O relé eletrônico de tempo é acionado
Após um tempo “t”, que depende da por meio de circuitos eletrônicos. Esses
regulagem do parafuso, a sanfona está circuitos podem ser constituídos por
completamente aberta e aciona os con- transistores, por circuitos integrados
tatos fechadores e abridores. como o CI 555 ou por um UJT. Estes
funcionam como um monoestável e
Quando o contato é desenergizado, o comandam um relé que acionará seus
braço de acionamento age sobre a ala- contatos no circuito de comando.
95
Partida de motor trifásico
com comutação automática
estrela-triângulo

Neste capítulo estudaremos os siste-


mas de partida para motor trifásico
com comutação automática estrela-
triângulo com:
• contatores;
• relé de proteção acoplado a um trans-
formador de corrente.

Partida automática estrela-triângulo


com contatores

Este sistema permite a comutação da


ligação estrela para triângulo. Possibi-
lita também a inversão do sentido de
rotação do motor.

A partida é feita por meio de três con-


tatores comandados por botões. O
sistema é usado para reduzir a tensão
de fase do motor durante a partida.

A tensão de fase do motor é:

UF = UL = 0,58UL

Seqüência operacional

Observe a seguir os diagramas referen-


tes ao circuito principal e ao circuito de
comando.

96
Na condição inicial de partida do motor
(em estrela), K1, K2 e K3 estão desliga-
dos e a rede RST sob tensão.

Pulsando-se o botão b1, a bobina do


contator K2 e o relé temporizado d1
serão alimentados, fechando os con-
tatos de selo e o fechador de K2, que
mantêm energizadas as bobinas dos
contatores K1 e K2 e o relé d1.

Uma vez energizadas as bobinas de K2 e


K1, fecham-se os contatos principais e o
motor é acionado na ligação estrela.

Decorrido o tempo para o qual o relé


temporizado foi ajustado, este atua fa-
zendo com que o contato abridor de d1
se desligue, desenergizando a bobina de
K2 e abrindo seus contatos principais.

Com a bobina K2 desenergizada, o


contato abridor K2 é acionado, ener-
gizando a bobina K3, que acionará o
motor na ligação triângulo.

Parada do motor

Para parar o motor que está funcio-


nando em triângulo, aciona-se o botão
bo, interrompendo a energização da
bobina K1. Este abrirá os contatos K2
(13-14) e K1 (23-24), interrompendo
a corrente da bobina K3. Com isso, o
motor está desenergizado.

Segurança do sistema

Na ligação triângulo, quando o motor


está em movimento, o contato K3 (31-
32) fica aberto e impede a energização
acidental da bobina K2.

97
Partida automática estrela-triângulo com relé de
proteção conjugado a transformador de corrente

Esse sistema permite a partida do motor com tensão de fase


e corrente de partida reduzidas.

O uso de transformadores de corrente possibilita o emprego


de relés de pequena capacidade de corrente para motores
de grande potência, porque ele reduz a corrente de linha.

Os esquemas a seguir mostram o circuito principal e o cir-


cuito de comando desse sistema.

Para a partida, pulsa-se o botão b1 que energiza K2. Este


alimenta d1 e permite a energização de K1.

O motor parte com rotação reduzida (ligação em estrela), e


K1 e K2 ligados.

Decorrido o tempo de ajuste do relé temporizado, d1 dispara,


desligando K2 e energizando K3.

O motor está ligado a plena tensão e velocidade normal


(ligação em triângulo), com K1 e K3 ligados.
98
Motor trifásico de indução
com ligação tipo Dahlander

O motor trifásico de indução Dahlander é um motor cujas


bobinas são conectadas de forma diferente da convencional,
pois em certos momentos funciona por polarização ativa e,
em outros, por pólos conseqüentes.

Este é o assunto deste capítulo e, para estudá-lo com mais


facilidade, é necessário ter conhecimentos anteriores sobre
motores trifásicos, ligações estrela e triângulo e tipos de
enrolamentos.

Ligação Dahlander

A ligação Dahlander é um tipo de conexão que aproveita


as propriedades da ligação de pólos conseqüentes e pólos
ativos para se obter, alternadamente, duas velocidades
com um só enrolamento. Nesse caso, a velocidade maior é
sempre o dobro da menor.

Esse tipo de ligação permite que, com dois grupos de bobi-


nas, se obtenham dois ou quatro pólos; com quatro grupos
de bobinas, se obtenham quatro ou oito pólos e, com seis
bobinas, seis ou doze pólos.

99
Esse tipo de ligação é muito útil para aplicação em má-
quinas industriais, pois a ligação Dahlander permite que
se consigam velocidades diferentes com um número de
engrenagens bem reduzido.

Enrolamento

O enrolamento desses motores com dupla polaridade é se-


melhante aos outros enrolamentos de motores de corrente
alternada assíncrona, exceto quanto à forma das ligações.

O enrolamento mais usual para ligação tipo Dahlander é


o tipo cadeia concêntrico ou progressivo, sendo também
comum o tipo meio-imbricado.

Nas ligações Dahlander recomenda-se Yf = 120E + 120E para


uma distribuição mais harmônica de saída dos condutores
e para uma partida mais vigorosa do motor, pois:

Yf = 120E + 120E = 240E = 16 ou 1 a 17

Conexões internas do motor Dahlander


para dois e quatro pólos

Para funcionamento do motor Dahlander em quatro pólos,


ligar os terminais U, V e W e deixar isolados os terminais
X, Y e Z.

100
Assim, os dois grupos de cada fase ficam em série, formando
dois pólos ativos e dois conseqüentes.

Para formar dois pólos, ligar os terminais U, V e W em


estrela e aplicar corrente nos terminais X, Y e Z, formando
dois pólos ativos.

Esta ligação também se chama dupla estrela, porque os


grupos de bobinas são ligados em paralelo, pela união dos
bornes U, V e W.

101
Em resumo, para maior polaridade (menor velocidade) ali-
menta-se o motor em U, V e W, deixando os terminais X,
Y e Z abertos. Para menor polaridade (maior velocidade)
unem-se os terminais U, V e W e alimenta-se o motor em
X, Y e Z.

A potência do motor, quando funciona com dois pólos, é,


aproximadamente, o dobro da que tem quando funciona
com quatro pólos.

Segundo a norma VDE, os terminais podem ser ligados


pelas letras Ua, Va e Wa, equivalendo a U, V e W, e Ub, Vb
e Wb, equivalendo a X, Y e Z.

Tipos de conexões Dahlander

As conexões Dahlander podem ser:


• triângulo – dupla estrela;
• estrela – dupla-estrela.

O esquema a seguir mostra um exemplo de um motor tri-


fásico, 36R, 8/4 pólos e ligações -YY/Y-YY, onde é possível
obter tensões diferentes com esses tipos de conexões em
um mesmo bobinado.

102
103
Sensores de níveis

Chave de bóia As chaves de contato sólido são geral-


mente, construídas para 250 V – 6 A e
É um interruptor automático que liga funcionam por ação de uma bóia e a
ou desliga um circuito de comando ilustração abaixo explica esse funcio-
acionado indiretamente pelo nível lí- namento.
quido (água) e diretamente pela bóia.
São utilizadas, geralmente aos pares.
Uma para a caixa d’água superior, ou-
tra para caixa inferior.

A chave da caixa d’água tem por fi-


nalidade desligar o motor, quando a
caixa está cheia, impedindo que ela
transborde.

A chave da caixa inferior deve desligar


o motor, quando esta estiver vazia, não
permitindo que o motor funcione quan-
do não houver água para elevar. Essas
chaves podem apresentar aspectos
diferentes de fabricante para fabrican-
te, todavia, no seu funcionamento são
todos muito semelhantes.

As chaves de bóia apresentam três


tipos:
• contatos sólidos;
• contatos líquidos (mercúrio);
• eletrônico.

Contatos sólidos

As chaves de bóia mais usuais têm os


contatos do tipo sólido.

104
Contatos líquidos (mercúrio)

São construídos em, material plástico reforçado, contendo


um contra-peso de ferro, uma ampola com mercúrio e con-
tatos e fio condutor.

O funcionamento dos contatos líquidos ocorre quando a


ampola estiver numa certa posição em que os contatos
encostem no mercúrio fechando assim o circuito.

Para a instalação e regulagem dos contatos líquidos, deve-


se pendurar a chave de bóia pelo próprio fio e regular pelo
seu comprimento o nível máximo e mínimo desejado.

As chaves de bóia com contatos líquidos são fabricadas


para as caixas superior e inferior.

105
Veja a seguir as principais vantagens Quando a água deixar de fazer contato
do uso dos contatos líquidos: com o sensor de mínimo (S2), desligará
• elimina-se o uso de varetas, guias, um circuito de dispositivo eletrônico e
roldanas, correntes para sustentação acionará o relé de controle, e conse-
de bóias e pesos no controle de nível qüentemente o contator e o motor da
desejado; bomba.
• pode-se usar em líquidos de quais-
quer densidade, com garantia abso- Quando a água fizer contato com o sen-
luta de segurança e funcionamento sor de máxima S1 o efeito será inverso
mesmo em líquidos com superfície e o motor da bomba para.
fortemente agitada (ondulações).

Eletrônico Sensores de proximidade indutivo

Basicamente o funcionamento geral é Os sensores de proximidade indutivo


o mesmo. Apenas no lugar da chave são equipamentos eletrônicos capazes
de bóia estão os sensores (grafite) que de detectar a aproximação de peças,
são eletrodos limites de nível (superior componentes, elementos de máquina,
e inferior). etc., em substituição às tradicionais
chaves fim de curso.

A detecção ocorre sem que haja o con-


tato físico entre o acionador e o sensor,
aumentando a vida útil do sensor por
não possuir peças móveis sujeitas a
desgastes mecânicos.

O princípio de funcionamento baseia-


se na geração de um campo eletromag-
nético de alta freqüência, que é desen-
volvido por uma bobina ressonante
instalada na face sensora.

A bobina faz parte de um circuito


oscilador que em condição normal
(desacionada) gera um sinal senoidal.
Quando um metal aproxima-se do
campo, este por correntes de super-
fícies (Focault), absorve a energia do
campo, diminuindo a amplitude do
sinal gerado no oscilador.

A variação de amplitude deste sinal é


convertida em uma variação continua
106
que comparada com um valor padrão, Distância sensora real (SR)
passa a atuar no estágio de saída.
Valor influenciado pela industrialização,
Face sensora especificado em temperatura ambiente
(20°) e tensão nominal, desvio de 10%.
É a superfície onde emerge o campo
eletromagnético. 0,9Sn  Sr = 1,1Sn

Distância sensora (S) Distância sensora efetiva (Su)

É a distância em que aproximando-se Valor influenciado pela temperatura de


o acionador da face sensora, o sensor operação, possui um desvio máximo de
muda o estado da saída. 10% sobre a distância sensora real.

Distância de acionamento 0,8Sn  Su = 1,21Sn

A distância de acionamento é função do Distância sensora operacional (Sa)


tamanho da bobina. Assim, não pode-
mos especificar a distância sensora e o É a distância em que seguramente
tamanho do sensor simultaneamente. pode-se operar, considerando-se todas
variações de industrialização, tempera-
Distância sensora nominal (Sn) tura e tensão de alimentação.

É a distância sensora teórica, a qual 0  Sa  0,81Sn


utiliza um alvo padrão com acionador
e não considera as variações causadas Alvo padrão (Norma DIN 50010)
pela industrialização, temperatura de
operação e tensão de alimentação. É É um acionador normalizado utilizado
o valor em que os sensores de proxi- para calibrar a distância sensora nomi-
midade são especificados. nal durante o processo de fabricação do
sensor. Consiste de uma chapa de aço de
Como utiliza o alvo padrão metálico, 1mm de espessura, formato quadrado. O
a distância sensora nominal informa lado deste quadrado é igual ao diâmetro
também a máxima distância que o sem do círculo da face sensora ou 3 vezes
sor pode operar . a distância sensora nominal quando o
resultado dor maior que o anterior.
L = D (se 3 x Sn < D) ou
Material do acionador
L = 3 x Sn (se 3 x Sn > D)
A distância sensora operacional varia ain-
Onde: da com o tipo de metal, ou seja, é especi-
• D – diâmetro da área onde emerge o
campo eletromagnético;
• Sn – distância sensora nominal.
107
ficada para o ferro ou aço e necessita ser O princípio de funcionamento baseia-
multiplicada por um fator de redução: se na geração de um campo elétrico,
• ferro ou aço ............... fator 1,0 desenvolvido por um oscilador contro-
• cromo níquel ............. fator 0,9 lado por capacitor.
• aço inox ..................... fator 0,85
• latão ........................... fator 0,5 O capacitor é formado por duas pla-
• alumínio .................... fator 0,4 cas metálicas, carregadas com cargas
• cobre .......................... fator 0,3 elétricas opostas, montadas na face
sensora, de forma a projetar o campo
Histerese elétrico para fora do sensor, formando
desta forma um capacitor que possui
É a diferença entre o ponto de aciona- como dielétrico o ar.
mento (quando o alvo metálico apro-
xima-se da face sensora) e o ponto de Quando um material aproxima-se da
desacionamento (quando o alvo afasta- face sensora, ou seja do campo elétrico
se do sensor). Este valor é importante, o dielátrico do meio se altera, alteran-
pois garante uma diferença entre o ponto do também o dielétrico do capacitor
de acionamento e desacionamento, evi- frontal do sensor. Como o oscilador
tando que em uma possível vibração do do sensor é controlado pelo capacitor
sensor ou acionador, a saída oscile. frontal, quando aproximamos um ma-
terial a capacitância também se altera,
Embutido provocando uma mudança no circuito
oscilador. Esta variação é convertida
Esse tipo de sensor tem o campo ele- em um sinal contínuo que comparado
tromagnético emergindo apenas na com um valor padrão passa a atuar no
face sensora e permite que seja mon- estágio de saída.
tado em uma superfície metálica.
Face sensora
Não embutido
É a superfície onde emerge o campo
Nesse tipo o campo eletromagnético elétrico. É importante notar que os
emerge também na superfície lateral modelos não embutidos, com região
da face sensora, sensível à presença sensora lateral, são sensíveis aos ma-
de metal ao seu redor. teriais a sua volta.

Distância sensora nominal (Sn)


Sensores de proximidade capacitivos
É a distância sensora teórica a qual
Os sensores de proximidade capaci- utiliza um alvo padrão como acionaodr
tivos são equipamentos eletrônicos e não considera as variações causadas
capazes de detectar a presença ou pela industrialização, temperatura de
aproximação de materiais orgânicos, operação e tensão de alimentação. É
plásticos, pós, líquidos, madeiras, pa- a distância em que os sensores são
péis, metais, etc. especificados.
108
Alvo padrão • óleo, papel, petróleo, poliuretano,
parafina, silicone, teflon 2 a 3;
A distância sensora nos capacitivos são • araldite, baquelite, quartzo, madeiras
especificadas para o acionador metá- 3 a 4;
lico de aço SAE 1020 quadrado, com • vidro, papel grosso, borracha, porce-
lado igual a 3 vezes a distância sensora lana 4 a 5;
para os modelos não embutidos (na • mármore, pedras, madeiras pesadas
grande maioria) e em alguns poucos 6 a 8;
casos de sensores capacitivos embuti- • água, alcoólicos, soda cáustica 9 a
dos utiliza-se o lado do quadrado igual 80.
ao diâmetro do sensor.
O ajuste de sensibilidade dos senso-
Distância sensora efetiva (Su) res capacitivos é protegido por um
parafuso, que impede a penetração de
Valor influenciado pela industrialização líquidos e vapores no sensor.
e considera as variações causadas pela
temperatura de operação: O ajuste de sensibilidade presta-se
principalmente para diminuir a influên-
0,9Sn  Sr = 1,1Sn cia do acionamento lateral no sensor,
diminuindo-se a distância sensora.
Su = ± 10% Sr Permite ainda que se detecte alguns
materiais dentro de outros, como por
0,81Sn  Su  1,21Sn exemplo: líquidos dentro de garrafas
ou reservatórios com visores de vidro,
Distância sensora operacional (Sa) pós dentro de embalagens, ou fluidos
em canos ou mangueiras plásticas.
É a distância que observamos na prá-
tica, sendo considerados os fatores de
industrialização (81% Sn) e um fator Sensores fotoelétricos
que é proporcional ao dielétrico do
material a ser detectado, pois o sensor Os sensores fotoelétricos conhecidos
capacitivo reduz sua distância quanto por sensores ópticos, manipulam a luz
menor o dielétrico do acionador. de forma a detectar a presença do acio-
nador, que na maioria das aplicações é
As = 0,81 · Sn · F () o próprio produto.

Material a ser detectado Seu princípio de funcionamento baseia-


se na transmissão e recepção de luz in-
Veja a seguir o dielétrico dos principais fravermelha (invisível ao ser humano),
materiais, para efeito de comparação; que pode ser refletida ou interrompida
sendo indicado sempre um teste prático por um objeto a ser detectado.
para determinação da distância sensora
efetiva para o acionador utilizado: Os sensores fotoelétricos são com-
• ar, vácuo 1; postos por dois circuitos básicos: um
109
responsável pela emissão do feixe de das, o feixe de luz contorna o objeto
luz, denominado transmissor, e outro e atinge o receptor que não acusa o
responsável pela recepção do feixe de acionamento. Nestes casos deve-se
luz, denominado receptor. utilizar sensores com distância sensora
menor e consequentemente permitem
O transmissor envia o feixe de luz a detenção de objetos menores.
através de um fotodiodo, que emite
flashes, com alta potência e curta du- Sistema por difusão (Fotosensor)
ração, para evitar que o receptor con-
funda a luz emitida pelo transmissor Neste sistema o transmissor e o recep-
com a iluminação ambiente. tor são montados na mesma unidade.
Sendo que o acionamento da saída
O receptor é composto por um fototran- ocorre quando o objeto a ser detecta-
sistor sensível a luz, que em conjunto do entra na região de sensibilidade e
com um filtro sintonizado na mesma reflete para o receptor o feixe de luz
freqüência de pulsação dos flashes do emitido pelo transmissor.
transmissor, faz com que o receptor
compreenda somente a luz vinda do Distância sensora nominal (Sn)
transmissor.
A distância sensora nominal no siste-
Sistema por barreira ma por difusão é a máxima distância
entre o sensor e o alvo padrão.
O transmissor e o receptor estão em
unidade distintas e devem ser dispos- Alvo padrão
tos um frente ao outro, de modo que o
receptor possa constantemente receber O alvo padrão no caso dos sensores por
a luz do transmissor. O acionamento da difusão é uma folha de papel fotográfico
saída ocorrerá quando o objeto a ser branco com índice de refletividade de
detectado interromper o feixe de luz. 90%, com dimensões especificadas para
cada modelo de sensor. Utilizado duran-
Distância sensora nominal (Sn) te a industrialização para calibração da
distância sensora nominal (Sn).
A distância sensora nominal (Sn) para
o sistema por barreira é especificada Distância sensora efetiva (Su)
como sendo a máxima distância entre
o transmissor e o receptor, o que não Valor influenciado pela industrialização
impede o conjunto de operar com e considera as variações causada pela
distâncias menores. Disponível para temperatura de operação:
distâncias de até 150m.
0,9Sn  Sr m 1,1 Sn
Dimensões mínimas do objeto
Su = ± 10% Sr
Quando um objeto possui dimensões
menores que as mínimas recomenda- 0,81 Sn  Su  1,21 Sn
110
Distância sensora operacional (Sa)

Para os modelos tipo fotosensor existem vários fatores


que influenciam o valor distância sensora operacional (Sa),
exemplificados pelas leis de reflexão de luz da física.

Sa = 0,81 · Sn · F (cor, material, rugosidade, outros)

Abaixo apresentaremos duas tabelas que exemplificam os


fatores de redução em função da cor e do material do objeto
a ser detectado.

Cor Fc Material Fm

branco 0,95 a 1,00 metal polido 1,20 a 1,90

amarelo 0,90 a 0,95 metal usinado 0,95 a 1,00

verde 0,80 a 0,90 papéis 0,95 a 1,00

vermelho 0,70 a 0,80 madeira 0,70 a 0,80

azul claro 0,60 a 0,70 borracha 0,40 a 0,70

violeta 0,50 a 0,60 papelão 0,50 a 0,60

preto 0,20 a 0,50 pano 0,50 a 0,60

Em casos onde há a necessidade da determinação exata do


fator redução deve-se fazer um teste prático, pois outros
fatores podem influenciar a distância sensora, tais como:
rugosidade, tonalidade, cor, dimensões, etc.. Lembramos
também que os fatores são acumulativos, como por exem-
plo: papelão (0,5), preto (0,5) gera um fator de 0,25.

Zona morta

É a área próxima ao sensor onde não é possível a detec-


ção do objeto, pois nesta região não existe um ângulo de
reflexão da luz que chegue ao receptor. A zona morta nor-
malmente é dada por 10 a 20% de Sn.

Sistema refletivo

Este sistema apresenta o transmissor e o receptor em uma


única unidade. O feixe de luz chega ao receptor somente
após ser refletido por um espelho prismático, e o aciona-
mento da saída ocorrerá quando o objeto a ser detectado
interromper este feixe.

111
Distância sensora nominal (Sn) objeto neste caso pode refletir o feixe
de luz. Atuando assim, como se fosse
A distância sensora nominal (Sn) para o espelho prismático, ocasionando a
o sistema refletivo é especificada como não interrupção do feixe, confundin-
sendo a máxima distância entre o sen- do o receptor que não aciona a saída,
sor e o espelho prismático, sendo pos- ocasionando uma falha de detecção,
sível montá-los com distância menor. para se prevenir aconselha-se utilizar
Disponíveis para até 10m. um dos métodos:
• montagem angular: Consiste em
Espelho prismático montar o sistema sensor espelho de
forma que o feixe de luz forme um
O espelho permite que o feixe de luz ângulo de 10° a 30° em relação ao eixo
refletido para o receptor seja paralelo perpendicular ao objeto.
ao feixe transmitido pelo receptor, devi- • filtro polarizado: Existem sensores
do as superfícies inclinadas a 45° o que com filtros polarizados incorporados,
não acontece quando a luz é refletida que dispensam o procedimento ante-
diretamente por um objeto, onde a luz rior. Estes filtros mecânicos servem
se espalha em vários ângulos. A distân- para orientar a luz emitida, permitindo
cia sensora para os modelos refletivos apenas a passagem desta luz na re-
é função do tamanho (área de reflexão) cepção, que é diferente da luz refletida
e o tipo de espelho utilizado. pelo objeto, que se espalha em todas
as direções.
Detecção de transparentes
Imunidade à iluminação ambiente
A detecção de objetos transparentes,
tais como: garrafas de vidro, vidros Normalmente os sensores ópticos pos-
planos, etc; podem ser detectados com suem imunidade à iluminação ambiente,
a angulação do feixe em relação ao ob- pois operam em freqüência diferentes.
jeto, ou através de potencionamentros Mas podem ser afetados por uma fonte
de ajuste de sensibilidade, mas sempre muito intensa (exatamente como acon-
aconselha-se um teste prático. tece com as rádios FM), como por exem-
plo, uma lâmpada incandescente de
A detecção de garrafas plásticas tipo 60W a 15cm do sensor, ou um raio solar
PET, requerem sensores especiais para insidindo diretamente sobre as lentes.
esta finalidade.
Meio de propagação
Detecção de objetos brilhantes
Entende-se como meio de propagação,
Quando o sistema refletivo for utilizado o meio onde a luz do sensor deverá
na detecção de objetos brilhantes ou percorrer. A atmosfera em alguns casos
com superfícies polidas, tais como: pode, estar poluída com partículas em
engradados plásticos para vasilhames, suspensão, dificultando a passagem da
etiquetas brilhantes, etc; cuidados luz. Veja a seguir os fatores de atmosfe-
especiais devem ser tomados, pois o ra que devem ser acrescidos no cálculo
112
da distância sensora operacional Sa:
• ar puro podendo ter umidade sem
condensação 1Fatm;
• fumaça e fibras em suspensão, com
alguma condensação 0,4 a 0,6Fatm;
• fumaça pesada, muito pó em suspen-
ção e alta condensação 0 a 0,1Fatm.

113
Tarefa 1 – Instalação de motor monofásico
com chave de partida direta manual

114
Tarefa 2 – Instalação de motor monofásico
com chave de partida direta manual – 220V

115
Tarefa 3 – Instalação de motor monofásico
com chave reversora manual – 110V

116
Tarefa 4 – Instalação de motor monofásico
com chave reversora manual – 220V

117
Tarefa 5 – Instalação de motor trifásico com chave partida direta manual

118
Tarefa 6 – Instalação de motor trifásico com chave reversora manual

119
Tarefa 7 – Instalação de motor trifásico com chave estrêla triângulo manual

120
Tarefa 8 – Comando automático simples – partida direta

121
Tarefa 9 – Circuito de potência partida direta trifásica

122
Tarefa 10 – Comando automático simples à distância

VM VD

123
Tarefa 11 – Circuito de potência para reversão de motor trifásico

124
Tarefa 12 – Comando automático para reversão de motor trifásico

125
Tarefa 13 – Circuito de potência para estrela – triângulo

126
Tarefa 14 – Circuito de comando para estrela – triângulo

127
Tarefa 15 – Circuito de potência para compensador

128
Tarefa 16 – Comando automático para compensador

129
Tarefa 17 – Circuito de potência para motor trifásico
de duas velocidades (Dahlander)

130
Tarefa 18 – Comando automático para motor trifásico
com duas velocidades (Dahlander)

131
Tarefa 19 – Comando de bóia para uma bomba

132
Tarefa 20 – Comando automático de bóias para duas bombas

133
Tarefa 21 – Comando automático para duas bombas
com revezamento de funcionamento

134
Tarefa 22 – Chave série-paralela estrela 380V

135
Tarefa 22 – Chave série-paralela estrela 380V

136
Tarefa 23 – Chave série paralela triângulo 220V

137
Tarefa 24 – Chave série-paralela triângulo 220V

138
Símbolos gráficos conforme NBR – IEC – DIN

Símbolo Descrição Símbolo Descrição

disjuntor motor (unifilar) com


resistor relés disparadores de sobrecarga
e curto-circuito

resistor variável
seccionador
reostato

resistor com derivações fixas seccionador sob carga

enrolamento
fusível
bobina

enrolamento com núcleo


tomada e plugue
magnético e derivações

capacitor acionamento manual

terra acionamento pelo pé

acionamento saliente de
massa (estrutura)
emergência

bobina de acionamento
contato normalmente aberto (NA)
(ex.: contator)

contato normalmente aberto acionamento por sobrecarga


prolongado (NA) (ex.: bimetal)

acionamento por energia


contato normalmente fechado (NF)
mecânica acumulada

contato normalmente fechado


acionamento por motor
prolongado (NF)

acionamento com bloqueio


contato comutador
mecânico

contato normalmente aberto (NA) acionamento com bloqueio


com fechamento temporizado mecânico em duas direções

contato normalmente fechado


acionamento com posição fixa
(NF) com abertura temporizada

disjuntor (unifilar) acionamento temporizado

139
Símbolo Descrição Símbolo Descrição

acoplamento mecânico
desacoplado diodo zener
acoplamento mecânico acoplado

acionamento manual inversor de freqüência


(ex.: seccionador e comutador)

acionamento por impulso conversor


(ex.: botão comando)

acionamento por bloqueio pilha (unidade de energia)


mecânico de múltiplas posições
(ex.: comutador de quatro posições)

bateria (várias unidades de


acionamento mecânico energia)
(ex.: chave fim de curso)

acionamento eletromagnético buzina


(ex.: bobina de contator)

acionamento magnético duplo campainha


(ex.: bobina com duplo
enrolamento)

acionamento temporizado no sirene


desligamento (ex.: relé de tempo
temporizado no desligamento)

acionamento temporizado lâmpadas de sinalização


na ligação(ex.: relé de tempo
temporizado na ligação)

acionamento temporizado na
ligação e no desligamento (ex.:
relé de tempo temporizado na
ligação e desligamento)
contator e relé de sobrecarga com
dispositivo de proteção contra contatos auxiliares
surtos (DPS)

sensor

disjuntor com relés disparadores


transformador e transformador de de sobrecarga e curto-circuito
potencial para medição

seccionador sob carga


auto-transformador

transfomador de corrente para seccionador-fusível sob carga


medição

motor trifásico
disjuntor com relés disparadores
de sobrecarga, curto-circuito e
subtensão
tiristor

140
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141