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TRF-5ª REGIÃO

DIREITO ADMINISTRATIVO
PODERES ADMINISTRATIVOS
DIREITO ADMINISTRATIVO
Poderes Administrativos
Prof. Gustavo Scatolino

SUMÁRIO
Poderes Administrativos...............................................................................3

1. Introdução..............................................................................................4

2. Poderes Administrativos............................................................................6

2.1. Poder Hierárquico..................................................................................6

2.2. Poder Disciplinar................................................................................. 10

2.3. Poder Regulamentar ou Normativo........................................................ 15

2.4. Poder Discricionário e Poder Vinculado................................................... 18

2.5. Poder de Polícia.................................................................................. 19

2.5.1. Atributos ou Prerrogativas ou Características do Poder de Polícia............. 23

2.5.2. Delegação do Poder de Polícia aos Particulares..................................... 26

2.5.3. Polícia Administrativa e Polícia Judiciária.............................................. 27

2.5.4. Prescrição....................................................................................... 31

Questões de Concurso – Lista I................................................................... 35

Gabarito – Lista I...................................................................................... 48

Questões Comentadas ............................................................................... 49

Questões de Concurso – Lista II.................................................................. 71

Gabarito – Lista II..................................................................................... 91

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Prof. Gustavo Scatolino

GUSTAVO SCATOLINO
Atualmente é Procurador da Fazenda Nacional. Bacharel em Direito
e pós-graduado em Direito Administrativo e Processo Administrativo.
Ex-assessor de Ministro do STJ. Aprovado em vários concursos
públicos, dentre eles, Analista Judiciário do STJ, exercendo essa
função durante 5 anos, e Procurador do Estado do Espírito Santo.

PODERES ADMINISTRATIVOS

Olá, amigo(a) concurseiro(a)! Guerreiro(a)!

Vamos para mais uma aula!

O tema desta aula são os Poderes Administrativos. Muitos concursos cobram

esse tema. Mas, no meu ponto de vista, as questões das provas não são difíceis…

Você verá. É um tema relativamente pequeno. Você terá que saber quais são os

poderes administrativos e as características de cada um.

“O rio corta a rocha não por causa de sua força,

mas por causa de sua persistência..."

Vem comigo! Foco total!

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1. Introdução

O exercício da atividade administrativa deve estar voltado, a todo instante, para

o alcance do interesse público. Desse modo, a Administração necessita de instru-

mentos para que o objetivo seja alcançado.

Os poderes administrativos têm esse caráter instrumental. São instrumentos

colocados à disposição do administrador público, para atingir o interesse público.

Poderes administrativos não devem ser confundidos com os Poderes do Estado

(Executivo, Legislativo e Judiciário).

A expressão “poder” administrativo também não deve ser entendida como uma

faculdade para a Administração, pois, quando a situação estiver configurada, o

poder deve ser exercido. Na verdade a expressão mais adequada é “poder-dever”

ou “dever-poder”, ou seja, a Administração tem o dever de valer-se de todos os

poderes que estão à sua disposição.

O não exercício de um poder administrativo pode levar à responsabilidade

administrativa e penal do agente público, bem como à responsabilidade civil da

Administração se causar dano a particulares. Como exemplo, um agente público

não pode deixar de punir um subordinado quando ficar comprovado que a infração

administrativa ocorreu; um superior não pode deixar de controlar e fiscalizar os atos

de seus subordinados; o Estado não pode deixar de restringir direito em benefício

do interesse público.

Já que o administrador tem poderes, ele também terá seus deveres. São eles:

a) Dever de agir: não pode o agente público manter-se inerte diante de situa-

ção em que o poder deva ser exercido.

b) Dever de prestar contas: tem o dever de ser transparente e expor a ativi-

dade desenvolvida e os custos dessa atividade.


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c) Dever de eficiência: o administrador deve desempenhar os poderes com

eficiência (presteza, perfeição, rendimento, qualidade e economicidade).

d) Dever de probidade: deve o agente público atuar com boa-fé, ética e ho-

nestidade, no exercício de suas funções.

Mnemônico PEPA

Prestar contas, Eficiência, Probidade, Agir

Além disso, o exercício dos poderes administrativos deve ser utilizado de modo

correto, para que o agente público não cometa o abuso de poder.

O abuso de poder ocorre de duas formas: (i) quando a autoridade, embora com-

petente para praticar o ato, ultrapassa os limites de suas atribuições; (ii) pratica ato

visando ao interesse próprio ou utiliza atos para finalidades não previstas em lei.

O abuso de poder pode ocorrer de forma comissiva (=ação) ou omissiva. Na

omissão, o agente pode, por exemplo, deixar de praticar um ato visando ao inte-

resse próprio.

a) Excesso de poder: ocorre quando a autoridade, embora competente para

praticar o ato, vai além do permitido e exorbita no uso de suas faculdades adminis-

trativas.

O agente até tem competência, mas a extrapola. Por exemplo: o chefe da re-

partição, pela Lei n. 8.112/90, somente pode aplicar, no máximo, a sanção de ad-

vertência ou suspensão por até 30 dias. Se ele aplica a demissão, comete excesso

de poder. Assim, ele tem competência punitiva, mas estaria avançando nas suas

atribuições legais.
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b) Desvio de finalidade ou desvio de poder: embora atuando nos limites de

sua competência, o agente pratica o ato por motivos pessoais ou com fins diversos

dos objetivos dados pela lei ou exigidos pelo interesse público.

Por exemplo: desapropriação para prejudicar desafeto político; remoção de ser-

vidor com caráter punitivo.

Cai muito em prova!!! Remoção, conforme a Lei n. 8.112/90, NÃO PODE ter caráter

punitivo. A remoção desloca o servidor, mas não pode ser feita para puni-lo.

O abuso de poder pelo excesso viola o requisito de competência do ato admi-

nistrativo. Por outro lado, o abuso de poder pelo desvio viola o requisito da finali-

dade. Em qualquer dos casos o ato nasce viciado (ilegal).

2. Poderes Administrativos

2.1. Poder Hierárquico

É o poder da administração para estabelecer hierarquia entre órgãos e agentes

públicos.

A relação hierarquizada dentro da Administração é essencial. Não é possível

imaginar uma estrutura administrativa que não tenha vários órgãos e agentes

mantendo uma relação de subordinação.

Tem que haver a hierarquia para que o superior possa comandar, dar ordens,

corrigir os atos, avocar atribuições dos seus subordinados, para que possa exercer

os poderes que decorrem da hierarquia.

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a) Poder de fiscalização e revisão: órgãos superiores fazem a fiscalização e

a revisão de atos praticados por órgãos inferiores, para a verificação do exercício

correto da atividade e para a devida correção dos atos, seja revogando os inconve-

nientes e inoportunos ou anulando os ilegais (autotutela).

b) Poder de delegação e avocação: a delegação e a avocação ocorrem em

situações em que o sujeito que recebeu atribuição da lei não pratica o ato. Na dele-

gação, a autoridade transfere parte de suas atribuições para outro agente praticar

o ato em seu lugar. Na avocação, uma autoridade chama para si ato que seria de

seu subordinado.

Como exemplo de delegação, podemos apontar decreto expedido pelo Presiden-

te da República, que transfere para Ministros de Estado a competência de aplicar

demissão a servidores subordinados ao seu ministério.

A delegação pode ocorrer em situações não hierarquizadas também. Apesar de a

delegação de atribuições ser uma consequência da hierarquia, a Lei n. 9.784/99,

art. 11, não exige relação hierarquizada para a delegação de atos. Desse modo,

mesmo entre órgãos ou agentes não subordinados entre si, é possível haver dele-

gação. Ex.: um Ministro delegar atribuição dele para outro Ministro.

Por outro lado, a avocação ocorre quando o superior hierárquico subtrai parte

da competência atribuída originariamente ao seu subordinado. Veja: na avocação

tem que haver a relação de hierarquia.

Ao contrário da delegação, a avocação só ocorre em situações excepcionais e

temporárias. Assim, para haver avocação, deve existir uma autoridade superior,

que chama para si ato que seria de seu subordinado.

c) Poder de punir: o exercício do poder de punir exige relação de hierarquia.


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Se não houvesse na Administração uma estrutura dividida em vários órgãos e

agentes, com relação de hierarquia entre si, não haveria a possibilidade de serem

aplicadas sanções aos servidores, pois, para isso, é essencial que um superior apli-

que punição ao seu subordinado.

O poder de punir é o poder disciplinar que vamos ver mais adiante. Para que o

poder disciplinar possa ser exercido, tem que haver, antes de tudo, uma relação

hierarquizada.

Se a questão disser que o poder de punir/poder disciplinar decorre (é consequên-

cia) do poder hierárquico, estará correta a questão. Mas se a questão disser que

um servidor foi punido por uma infração, será poder disciplinar.

Nem todas as relações em que está presente o poder público são hierarquizadas.

Assim, não há hierarquia:

a) Entre os Poderes do Estado

Entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não há hierarquia, pois são

independentes e harmônicos entre si, conforme o art. 2º da CF.

b) Entre Administração Direta e Indireta

Entre a Administração Direta e suas entidades, que compõem a Administração

Indireta, não há relação de subordinação, e sim de vinculação. Ex.: entre um Mi-

nistério e uma autarquia a ele vinculada (MF e INSS).

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c) Entre as pessoas políticas

As pessoas políticas que compõem a Federação são: União, Estados, DF e Mu-

nicípios. Entre elas não há hierarquia. O Presidente não manda no governador e o

governador não manda no prefeito. Cada um tem a sua autonomia.

d) Nas funções típicas do Poder Judiciário e Legislativo

Quando o Poder Judiciário estiver na sua função típica, de julgar, não haverá

relação de hierarquia entre os juízes e entre os órgãos do Poder Judiciário.

Quando um juiz julga um caso, ele tem liberdade para proferir a decisão que

entenda mais adequada, sem relação de subordinação com ninguém.

As mesmas prerrogativas e independência que um Ministro do STF tem, o juiz

de primeiro grau também tem.

Entre os órgãos do Poder Judiciário não há hierarquia. A primeira instância não

é subordinada à segunda instância. E um Tribunal de Justiça não é subordinado ao

STJ ou STF. Cada um terá as suas atribuições e sua independência.

O mesmo ocorre no Poder Legislativo. Entre os seus órgãos (Câmara, Senado,

Congresso Nacional) não há hierarquia. Nenhum desses órgãos é superior ao outro.

Entretanto, no exercício de uma função administrativa (função atípica), exer-

cida pelo Poder Judiciário e Poder Legislativo, há hierarquia. Entre os diversos juí-

zes de um Tribunal, existe um que organiza hierarquicamente esse órgão. Um juiz,

para poder tirar férias ou licença, deve solicitar ao juiz Presidente do Tribunal para

que a melhor data seja marcada, pois aquele sofre as consequências da hierarquia.

O mesmo raciocínio ocorre no Poder Legislativo, onde há um presidente da Casa

Legislativa que a organiza administrativamente, estabelecendo o dia em que ocor-

rerão as sessões, quando elas se encerram, quando se iniciam etc.

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2.2. Poder Disciplinar

É o poder de punir internamente as infrações funcionais dos servidores e demais

pessoas sujeitas à relação especial com a Administração Pública.

O poder disciplinar incide não só em relação aos servidores, mas também em

relação aos particulares que mantêm algum tipo de vínculo especial com o poder

público, como, por exemplo, concessionários e permissionários, que podem sofrer

determinadas sanções em razão de inexecução contratual ou falha na execução

(ex.: advertência e multa).

A aplicação de sanções aos particulares, normalmente, decorre de manifestação

do poder de polícia. Para se distinguir quando a multa decorre do poder de polícia

e quando decorre do poder disciplinar, deve-se verificar se o particular que sofre

a sanção possui apenas um vínculo geral (relação de supremacia geral) com o Es-

tado, pois, nesse caso, a sanção decorrerá de expressão do poder de polícia. Por

outro lado, se o administrado possui relação especial (supremacia especial) com o

Estado, a sanção decorrerá do poder disciplinar.

Assim, se um particular avança o sinal vermelho, recebendo aplicação de uma

multa, será exercício do poder de polícia, pois decorre do vínculo geral que qual-

quer particular tem em relação ao Estado.

LEMBRE-SE:

Aplicação de sanção em relação com vínculo especial – PODER DISCIPLINAR.

Ex.: sanção que universidade aplica ao seu aluno; sanção da Administração Pública

ao contratado na relação contratual.

Aplicação de sanção em relação com vínculo geral – PODER DE POLÍCIA.

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O poder disciplinar tem por característica a DISCRICIONARIEDADE. Significa

que há margem de liberdade para se decidir sobre o ato mais adequado a ser pro-

ferido.

A discricionariedade do poder disciplinar reside no fato de que a Administração

não está vinculada à prévia definição da lei sobre a infração funcional e a

respectiva sanção, havendo uma margem de liberdade para avaliar o ato

ilegal praticado pelo servidor, a fim de se aplicar a penalidade mais ade-

quada. O art. 128 da Lei n. 8.112/90 exige que, antes de ser aplicada a sanção,

devem ser analisados: a conduta do servidor, os seus antecedentes, a gravidade da

situação e os danos gerados ao serviço público. Ou seja, todo esse conjunto deve

ser aferido para que se possa aplicar uma penalidade.

Ainda há liberdade para fazer o enquadramento do fato praticado à respectiva

infração. Um servidor que se ausenta do local de serviço sem autorização do chefe

imediato pode incidir em infração leve e receber advertência. No entanto, a depen-

der do grau de reprovabilidade, isso pode ser enquadrado como ato de improbidade

e ser aplicada a demissão.

No exercício do poder disciplinar não há a necessidade de prévia definição em

lei da infração administrativa e da sanção a ser aplicada. Isso é denominado de

ATIPICIDADE DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA.

A legislação administrativa tem muitas infrações “abertas” que permitem en-

quadrar várias condutas dentro dos conceitos abertos da lei. Ex.: insubordinação;

incontinência pública; conduta escandalosa; ato de improbidade administrativa.

O que é um ato de improbidade que permite a demissão?

É qualquer ato que viole a boa-fé, a honestidade que deve estar presente no

servidor público. A lei não definiu e nem teria condições de definir todos os possí-

veis atos de improbidade. Então, há apenas a previsão: quem comete ato de im-

probidade receberá a demissão.


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Assim, a Administração Pública avalia a conduta e decide se foi, ou não, ato de

improbidade, aplicando a demissão.

Servidor que usufrui de licença médica para cuidar de pessoa da famí-

lia, dizendo que esposa está doente, e vai fazer uma viagem a passeio para

os EUA é ato de improbidade?

Pode ser que sim. Se comprovado que a esposa não estava doente e ele só que-

ria mesmo é viajar, pode ser configurado ato de improbidade.

Um servidor do INSS que participa de esquema que concede indevida-

mente benefícios da previdência é ato de improbidade?

Se violou os deveres de honestidade, ética administrativa e boa-fé, será.

Então, veja que esses dois casos citados não estão descritos na lei. Na lei não

está previsto: “…servidor do INSS que participa de esquema que concede indevida-

mente benefícios da previdência pratica ato de improbidade…”. Mas condutas como

essas podem ser enquadradas como ato de improbidade.

Apesar de prevalecer o princípio da atipicidade no Direito Administrativo, nada

impede que o legislador estabeleça situação de tipicidade específica, definindo pre-

viamente o ilícito administrativo e a respectiva penalidade. Isso ocorre com o aban-

dono do cargo, conduta descrita como a ausência intencional do servidor ao serviço

por mais de trinta dias consecutivos (art. 138 da Lei n. 8.112/90). Prevê a lei que,

para essa conduta irregular do servidor, será aplicada a demissão. Nesse contexto,

se o servidor se ausentou intencionalmente por mais de 30 dias, deve haver demis-

são. No entanto, se a ausência se deu por tempo inferior, a penalidade de demissão

não poderá ser aplicada.

Atenção! Só responder em prova que o poder disciplinar é vinculado, SE o exami-

nador perguntar conforme posição do STJ.


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O poder disciplinar é vinculado quanto ao dever de punir. Se ficar comprovado que


o servidor cometeu uma infração, ele DEVERÁ ser punido.

É discricionário quanto à seleção da pena aplicável.

A motivação da punição disciplinar é sempre indispensável para a validade do

ato. A exigência de justificação do ato é um princípio implícito da CF e expresso na

Lei n. 9.784/99, que exige motivação com indicação dos fatos e fundamentos jurí-

dicos, quando do ato resultar imposição de sanção.

Pode ocorrer de um servidor ser punido na esfera CIVIL, PENAL e ADMI-

NISTRATIVA?

Sim. Se a infração disciplinar praticada pelo servidor caracterizar ilícito criminal,

ele responderá também na esfera penal. Pela responsabilidade administrativa, o

servidor responde com o seu cargo, podendo ter como resultado advertência, sus-

pensão ou demissão, como regra. Já em relação à responsabilidade penal, o ser-

vidor poderá responder com a sua liberdade. Pode responder, também, na esfera

civil por ato de improbidade (perante o Poder Judiciário) ou/e ação de indenização.

As três esferas são independentes. O servidor pode ser condenado ou ab-

solvido em todas as esferas, ou pode ser condenado na esfera administrativa e

absolvido na esfera penal e vice-versa. Entretanto, a via administrativa ficará vin-

culada à esfera penal na hipótese do art. 126 da Lei n. 8.112/90:

Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absol-


vição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.

De acordo com o dispositivo legal acima citado, se ficar PROVADO, na esfera

penal, que o fato não aconteceu ou que o servidor não foi o autor, nesse caso a

decisão absolutória da esfera penal deve determinar também absolvição na via ad-

ministrativa.
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Se o servidor foi absolvido na esfera penal por “falta/ausência de provas”, essa hi-

pótese não vincula a decisão administrativa. Uma coisa é ficar provado que o fato

não aconteceu ou que não foi o servidor o autor; outra situação é uma decisão

absolutória na esfera penal, com fundamento de não terem sido reunidas provas

suficientes para imputar o crime ao agente.

Não é necessário pedir a suspensão do PAD enquanto tramita o processo na

esfera penal, uma vez que as vias são independentes. Entretanto, se o processo

administrativo foi encerrado antes do processo penal e resultou em demissão do

servidor, caso venha a ser absolvido na esfera penal por um dos fundamentos do

art. 126 da Lei n. 8.112/90, ele deverá pedir a sua reintegração ao cargo anterior-

mente ocupado, com o ressarcimento de todas as vantagens.

Professor, no PAD tem que haver a defesa por advogado?

Não precisa… De acordo com a Súmula Vinculante n. 5 do STF: “A falta de

defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a

Constituição.”

Um assunto dentro do poder disciplinar que geralmente é cobrado em provas é

a prova emprestada do processo penal no PAD.

Caso o servidor pratique um ato que seja ao mesmo tempo ilícito penal

e ilícito administrativo, é possível transportar, para o processo administra-

tivo, uma prova produzida na esfera penal.

EMENTA: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Au-


torização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos co-
metidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso
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em procedimento administrativo disciplinar, contra os mesmos servidores. Admissibili-


dade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF,
e do art. 1º da Lei federal n. 9.296/96. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação
de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para
produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem
ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas
pessoas em relação às quais foram colhidos. (Inq 2424 QO, Relator(a): Min. CEZAR
PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 25/04/2007, DJe-087 DIVULG 23/08/2007 PUBLIC
24/08/2007 DJ 24/08/2007 PP-00055 EMENT VOL-02286-01 PP-00109 RTJ VOL-00205-
02 PP-00638)

2.3. Poder Regulamentar ou Normativo

O poder normativo é o poder da Administração de editar atos normativos para

a complementação das leis.

A expressão poder regulamentar era utilizada para se referir à competência dos

chefes do Poder Executivo para editarem decretos visando à fiel execução das leis.

Mas, atualmente, o chamado poder regulamentar vem sendo conceituado como

poder para editar atos normativos (poder normativo). De acordo com Maria Sylvia

Di Pietro (2011, p. 91):

Normalmente, fala-se em poder regulamentar; preferimos falar em poder normativo,


já que aquele não esgota toda a competência normativa da Administração Pública; é
apenas uma de suas formas de expressão […].

De fato, o poder da Administração Pública para detalhar as leis não se faz ape-

nas pela edição de decretos. Há vários atos administrativos que fazem isso: resolu-

ções, instruções normativas, portarias etc. Mas o ato clássico que explicita/detalha

as leis (gerais e abstratas) são os decretos feitos pelos chefes do PE.

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O Poder Legislativo, ao editar as leis, nem sempre possibilita que elas sejam

executadas. Cabe à Administração criar mecanismos de complementação, indis-

pensáveis à efetiva aplicabilidade. As leis, por serem gerais e abstratas, por vezes

necessitam de atos infralegais para sua correta execução. O decreto é o ato que

terá, como regra, função de explicitar a lei, fielmente, para sua aplicação.

Conforme o art. 84 da CF, temos dois tipos de decretos:

a) Decreto regulamentar ou de execução: art. 84, IV, da CF

É de competência privativa do chefe do Poder Executivo editar este tipo de de-

creto para a fiel execução das leis.

Se o decreto é para a fiel execução da lei, não pode ampliar as determinações

legais, tampouco restringir o alcance da lei. O instrumento jurídico que cria ou res-

tringe direitos é a lei; o decreto tem por função dispor como esses direitos origina-

dos da lei serão exercidos.

Por exemplo, se a Lei n. 8.112/1990 determina que devem ser reservadas até

20% das vagas nos concursos para pessoas com deficiência, o decreto que regu-

lamenta essa lei deve fixar a reserva até o limite da lei. Não pode resolver ampliar

para 30%, por exemplo. Também não pode o decreto criar reserva de 10% das

vagas para indígenas, pois não tem previsão em lei. Sua função é apenas detalhar

o que já está previsto em lei.

Caso o ato normativo venha a exorbitar (extrapolar) a sua função de regula-

mentar a lei, o art. 49, V, da CF autoriza o Congresso Nacional a fazer a sustação

desse ato.

O órgão que faz a sustação de atos normativos que EXORBITAM o poder regula-

mentar é o Congresso Nacional (CN).

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b) Decreto autônomo ou independente: art. 84, VI, da CF

O decreto autônomo ou independente não tem por finalidade regulamentar lei.

Sua existência independe de norma legal anterior que exija regulamentação.

Já foi muito controversa, em nosso Direito, a existência de decretos que não

têm por função fazer a complementação de leis.

Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, e também conforme a posição do STF, a

CF/88, originalmente, não dava margem para a possibilidade de regulamentos au-

tônomos. Seu art. 84, VI, previa a competência do chefe do Executivo para “dispor

sobre a organização e o funcionamento da administração federal, na forma da lei”.

O art. 25 do ADCT, por sua vez, determinou a revogação, a partir de 180 dias da

promulgação da CF, dos dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do

Poder Executivo competência assinalada pela CF ao Congresso Nacional.

Contudo, a EC n. 32/2001 alterou a redação do art. 84, VI, atribuindo ao Presi-

dente da República competência para dispor, mediante decreto, sobre: a) organi-

zação e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de

despesa, nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou

cargos públicos, quando vagos.

Mas, hoje, o assunto já está mais tranquilo, admitindo-se o decreto autônomo.

Pelo menos para as provas…

Atualmente, a doutrina admite esse decreto nas hipóteses das alíneas “a” e “b”

do art. 84, inciso VI, da CF. São as seguintes hipóteses:

1 – dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal, na

forma da lei, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de

órgãos públicos;

2 – extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.


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Assim, para tratar de organização interna da Administração Pública ou fazer


extinção de cargos vagos, pode ser feito um decreto. Se o Presidente da República
quiser tirar a atribuição de um Ministério e transferir para outro, basta fazer um
decreto. Não será preciso enviar um projeto de lei para o CN. Imagine só se toda as
vezes que se pretendesse fazer isso precisasse de uma lei. Seria muito complicado!
Note que os regimentos internos dos Ministérios são decretos editados com
base no art. 84, VI, “a”, da CF, pois dispõem de organização interna.
O decreto é a forma de que se revestem os atos praticados pelo chefe do Poder
Executivo. O seu conteúdo pode ser: um regulamento (DECRETO REGULAMENTAR)
ou sem o conteúdo regulamentar (DECRETO NÃO REGULAMENTAR), por exemplo,
fazer redistribuição de cargos.
Professor, eu já vi algumas questões perguntando o que é deslegaliza-
ção ou deslegificação. O que seria?
Esse é um assunto novo, e que já tem caído em algumas provas… É sempre bom
saber. Significa que um assunto, que antes era tratado por meio de LEI, pode ser
tratado por um ato administrativo. A normatização de um tema sai do domínio da
lei para o domínio de ato regulamentar.
Esse caso que acabamos de falar, sobre organização interna da Administração
Pública, é um caso de deslegalização. Antes era somente a lei que poderia tratar
de organização interna, mas a Emenda Constitucional n. 32/2001 permitiu que o
assunto fosse tratado por decreto. Saiu do nível da lei e passou para o decreto.
Temos vários assuntos na CF que, no regime constitucional anterior, deveriam ser
tratados por lei e que, atualmente, podem ser tratados por decreto.

2.4. Poder Discricionário e Poder Vinculado

O poder discricionário é a prerrogativa concedida aos agentes administrativos


de elegerem, entre as várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência
e oportunidade para o interesse público, como, por exemplo, a prorrogação de con-
curso público ou autorização para uso de bem público.
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Assim, quando o agente tem liberdade de agir, a doutrina entende que ele ma-

nifesta o seu poder discricionário. Ao contrário, quando ele não tem liberdade e

faz aquilo que a lei já determinou, ele exerce o seu poder vinculado, como, por

exemplo, quando aposenta um servidor com 75 anos de idade, pois a CF já fez a

previsão: quando um servidor fizer 75 anos, ele deve ser aposentado.

Na verdade, poder vinculado não é tecnicamente um “poder”, porque poder é

prerrogativa. Quando se menciona o poder discricionário, esse, sim, é um poder,

pois o agente terá escolha para decidir. A expressão "poder vinculado" é usada para

fazer uma contraposição ao poder discricionário.

Mas, para prova, vamos entender o poder vinculado como espécie de um dos

poderes administrativos.

2.5. Poder de Polícia

Este é o poder que mais cai em prova…

O poder de polícia é o poder do Estado de restringir, limitar ou condicionar o

exercício de direitos e da propriedade em benefício do interesse público.

Imagine se o direito à liberdade, à propriedade e todos os direitos garantidos

pelo ordenamento jurídico fossem utilizados como bem entendesse o particular.

Se cada um pudesse construir sua casa da altura e da forma como quisesse, ou se

cada um pudesse fazer o que bem entendesse da sua liberdade, a sociedade viraria

um caos! Concorda?

Então, o que o poder de polícia faz não é retirar o direito, e sim condicionar o

seu exercício para o bem-estar coletivo.

O poder de polícia não proíbe que o cidadão tenha um carro e o dirija. Apenas

coloca condições para que ele faça isso.


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O cidadão tem direito de exercer uma profissão, mas em certas profissões o

Estado irá colocar condições para o seu exercício. Vejamos: ser músico é uma

profissão. Mas se esse profissional, ao exercer seu ofício, comete um erro, que

dano haverá para a sociedade? Se um músico foi tocar em uma festa e desafinou

ou errou a letra, que dano isso terá causado à sociedade? Praticamente nenhum…

Mas se um médico ou um engenheiro, ao exercer a sua profissão, comete um erro,

haverá danos? Sim. Então, em certas profissões, o Estado irá impor condições para

o seu exercício, exigindo que se faça um curso superior, que se tenha inscrição em

um Conselho de Fiscalização profissional etc., sempre visando ao interesse público.

O fundamento do exercício do poder de polícia é o interesse público. O Estado

exerce esse poder em razão da supremacia do interesse público sobre o interesse

do particular.

Importante destacar que há o conceito legal do poder de polícia positivado no

art. 78 do Código Tributário Nacional, pois o exercício do poder de polícia é fato

gerador para a exigência de taxas. De acordo com o CTN:

Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou dis-


ciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato,
em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos cos-
tumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou
ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

Dica! O Estado pode cobrar TAXAS em razão de exercer o poder de polícia. Memo-

rize isso!

Cuidado! Somente TAXAS. Não pode ser imposto, tarifa ou contribuição.

Ex.: taxa de fiscalização ambiental; taxa da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.

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Professor, eu entendia o poder de polícia como o poder DA polícia. En-

tão, não significam a mesma coisa?

Não. O que a polícia (corporação: Polícia Civil e Federal) faz é uma expressão

do poder de polícia do Estado. Mas o poder de polícia vai muito além da área de

segurança pública/criminal.

Em toda atividade potencialmente danosa à coletividade, o Estado poderá exer-

cer o seu poder de polícia, como nas áreas de saúde, consumo, construções, pro-

fissões, trânsito, meio ambiente etc.

No entanto, a questão da segurança pública ganhou corporações especializadas

para essa função. Nas demais áreas, há vários órgãos e entidades públicas que

exercem o poder de polícia.

O poder de polícia não se manifesta apenas com atos de fiscalização e punição.

As formas de o Estado expressar o poder de polícia são as seguintes:

1) Leis e atos normativos: É possível o exercício do poder de polícia por meio

de leis. Por exemplo, o Código de Trânsito ou o Código Florestal. Os atos norma-

tivos gerais e abstratos com alcance indeterminado dos destinatários, incidindo

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sobre todos aqueles que se encontram na mesma situação, também caracterizam

o poder de polícia (ex.: regulamento que disciplina o uso de fogos de artifício ou

que fixa o horário e as condições de venda de bebidas alcoólicas, resoluções do

Contran).

2) Atos individuais/consentimento: São aqueles que possuem destinatários

determinados, incidindo sobre bens, direitos ou atividades de pessoa específica

(ex.: apreensão de mercadorias inapropriadas para o consumo, multa de trânsi-

to, interdição de estabelecimento). Os atos individuais podem revestir-se de atos

de consentimento estatal, sendo a atividade exercida pelo Estado que defere uma

pretensão solicitada pelo particular. É o que ocorre com a autorização para uso de

arma e a licença para exercício de determinada atividade.

3) Atos de fiscalização: Trata-se de obrigação de suportar medidas adminis-

trativas que têm por finalidade averiguar o cumprimento das determinações expe-

didas pela Administração (ex.: fiscalização de restaurantes, lanchonetes, casas de

show; fiscalização de cumprimento de normas ambientais).

4) Atos de sanção: Por meio da sanção, o Estado estará exercendo o poder de

polícia, em razão do administrado descumprir determinações impostas.

Para finalizar a introdução de nossa aula, é importante saber que o poder de

polícia decorre do poder extroverso do Estado, que é a imposição de obrigações

de forma unilateral na esfera do administrado.

Todos os entes federativos têm competência para exercer atos do poder de polícia.

Terá competência para exercer o poder de polícia a entidade política que dispõe do

poder de regular (legislar) a matéria. Assim, sendo os assuntos de interesse nacio-

nal, ficam sujeitos à regulação e ao policiamento da União. Matérias de interesse

regional sujeitam-se às normas e à polícia estadual. E os assuntos de interesse

local (comum) ficam sujeitos à disciplina municipal.


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Nesse caso, ingresso e saída de pessoas do país é assunto de interesse nacional,

regional ou local? É de interesse nacional. Então, a União legisla sobre o tema (Lei

n. 6.815/80 – Estatuto do Estrangeiro) e exerce os atos concretos para conceder a

entrada e saída de pessoas do país.

Já o funcionamento de uma boate é assunto de interesse local. Assim, quem

legisla sobre o tema e exerce os atos concretos (concede licenças) para o seu fun-

cionamento é o município.

2.5.1. Atributos ou Prerrogativas ou Características do Poder

de Polícia

Este tópico é importantíssimo para concurso!

a) Discricionariedade:

O poder de polícia é discricionário, porque há um certo grau de liberdade na sua

atuação. O Estado tem liberdade para escolher as atividades a serem “policiadas”,

para fazer escolha da sanção aplicável, bem como para escolher o melhor momento

de agir.

Conforme já escrevemos em outra obra, tem que haver um certo risco de dano

na atividade, para que o Estado exerça o poder de polícia:

Para que a atividade tenha sobre ela o exercício do poder de polícia, ela deve ter alguma
“danosidade” para a sociedade. Deve ser uma atividade que possa causar alguma lesão
aos demais particulares se for utilizada indevidamente, fazendo surgir a necessidade
de que sejam impostas restrições no seu exercício para o bem-estar da coletividade.
Um exemplo que podemos citar é o uso de veículo aéreo não tripulado e controlado
remotamente, são os chamados drones. Esse “brinquedo” começou a ser usado, ini-
cialmente, no Brasil para atividades recreativas, passando, rapidamente, para uso de
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diversas tarefas como, por exemplo, entrega de encomendas, empresas de segurança e


etc. No entanto, o seu uso, no início, não tinha restrições, mas em razão dos possíveis
danos o Estado enxergou a potencialidade lesiva e, por consequência, fazendo surgir a
necessidade de regulamentação (quem pode pilotar, locais, altura, atividades a serem
realizadas etc.), bem como de fiscalização por órgãos do Poder Público. (Manual de Di-
reito Administrativo, Ed. Juspodivm, 2015)

Também é discricionário o poder de polícia porque o poder público, em muitos

casos, exige que o administrado obtenha autorização do Estado para realizar a

atividade pretendida. Sendo a autorização um ato discricionário da Administração

Pública, o particular solicita a autorização e a Administração avaliará se concede,

ou não, a solicitação feita.

Então, veja que o poder de polícia em regra é discricionário, pois há um certo

espaço para liberdade de atuação. Mas veja só: o poder de polícia também pode se

manifestar de modo vinculado, quando o Estado exige licença para a realização de

atividades. A licença é espécie de ato vinculado, tendo em vista que é necessário

o preenchimento de todas as exigências fixadas em lei geral para o interessado ter

direito ao que pediu, como acontece com a licença para construir ou para dirigir

veículos.

Se a questão disser que o poder de polícia é discricionário, está certo. Se disser

que é puramente/estritamente discricionário, está errado. Se disser que é discri-

cionário ou vinculado está certo. Se disser que pode ser discricionário ou vincula-

do, também estará correto.

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b) Autoexecutoriedade:

Significa a imediata e direta execução dos atos pela própria Administração, in-

dependentemente de ordem judicial. São exemplos desse atributo as interdições

de atividades ilegais e de obras clandestinas; a inutilização de gêneros impróprios

para o consumo.

Ou seja, para o Estado exercer o seu poder de polícia não é preciso autorização

prévia do Poder Judiciário.

Mas cuidado: nem todas as medidas de polícia são dotadas de autoexecutorie-

dade, uma vez que, em determinadas situações, a Administração depende de or-

dem judicial prévia para a implementação do ato, como, por exemplo, a COBRANÇA

DE MULTAS. Nesse caso, o Estado não tem meios diretos para fazer uma cobrança

de multa que não foi paga espontaneamente. Se um fiscal da Anvisa multar um es-

tabelecimento e o proprietário não pagar a multa, o fiscal não pode fechar o local,

ou apreender mercadorias para satisfazer o valor da multa. O que ele faz, então?

Inscreve em dívida ativa e o Estado fará a cobrança pela via judicial.

c) Coercibilidade:

Significa a imposição coativa das medidas adotadas. Por ser imperativo, o ato

de polícia admite até mesmo o uso da força pública para o seu cumprimento, quan-

do resistido pelo administrado.

Assim, se alguém coloca uma barraquinha de camelô na calçada, um fiscal tem

o poder de mandar tirar. E o particular terá que remover do local, ele goste ou não.

Se não retirar por conta própria, o fiscal pode convocar força policial para obrigar

a retirada.

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2.5.2. Delegação do Poder de Polícia aos Particulares

Este tópico também é importantíssimo para concursos! Pode cair na sua prova

e já foi objeto, muitas vezes, até de questão discursiva…

Não é possível delegar o poder de polícia aos particulares. Inclusive, o

art. 4º, III, da Lei das Parcerias Público-Privadas, Lei n. 11.079/05, estabelece que

não pode ser objeto de contrato de PPP o exercício do poder de polícia, por consistir

em transferir para particulares essa atividade estatal.

Por que não?

Porque o Estado, para praticar os atos que decorrem do poder de polícia, age

com seu poder de império, com sua supremacia. E o particular não tem esse poder.

Se fosse admitido, seria o mesmo que repassar ao particular o poder de império do

Estado.

Mas tem algum caso que seria possível?

Atos materiais que PRECEDEM aos atos de polícia podem ser praticados por par-

ticulares, como, por exemplo, colocação de câmeras (“pardal”) para tirar foto de

carro que, supostamente, passou com excesso de velocidade. Nesses casos, o que

ocorre é, simplesmente, a mera verificação de um fato, e não há, naquele instante,

o exercício do poder de polícia. O ato realizado é apenas registrar que suposta-

mente alguém viola uma regra de trânsito, mas a expedição da multa, que é o ato

de polícia, será aplicada por pessoa de direito público (órgão público ou autarquia

criada para esse fim).

É também possível que particulares sejam encarregados de praticar ato mate-

rial SUCESSIVO/POSTERIOR a ato jurídico de polícia, como, por exemplo, a demo-

lição/implosão de uma obra irregular.

O Estado pode não ter tecnologia para fazer a implosão. Assim, contrata uma

empresa privada que o faz. É um simples ato material de execução de um ato

(ordem) administrativo anterior.


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O STF já teve a oportunidade de se manifestar sobre a indelegabilidade do po-

der de polícia aos particulares, quando entendeu que os conselhos de fiscalização

profissional tiveram a natureza de direito público alterada para personalidade de

direito privado, com a Lei n. 9.648/98. O Tribunal decidiu que o mencionado serviço

de fiscalização constitui atividade típica do Estado, envolvendo, também, poder de

polícia, poder de tributar e de punir, insuscetíveis de delegação a entidades priva-

das. (ADI 1.717-DF, rel. Min. Sydney Sanches, 7.11.2002.)

Dissemos há pouco que o poder de polícia não pode ser delegado a particula-

res. Porém, ele pode ser delegado para pessoa jurídica de direito público como,

por exemplo, as autarquias. A lei cria a autarquia e já lhe transfere a atividade

que representa o poder de polícia. Em verdade, o que muitas autarquias fazem

(a maioria) é exercer descentralizadamente o poder de polícia, fiscalizando (pro-

fissão, trânsito, saúde), concedendo licenças (ex.: licença para dirigir ou exercer

profissão) e cassando-as quando o particular descumpre condições que deveria ter

observado.

2.5.3. Polícia Administrativa e Polícia Judiciária

A polícia administrativa e a polícia judiciária são expressões do poder de polícia,

ambas voltadas ao interesse público. O que efetivamente distingue as duas espé-

cies de polícia é que a polícia administrativa visa impedir ou paralisar atividades

antissociais, enquanto a polícia judiciária visa à responsabilização daqueles que

cometem ilícito penal.

A polícia administrativa visa assegurar a observância dos limites impostos pelo

Estado para o exercício de direitos, podendo ser por meio de atos de fiscalização,

prevenção ou repressão.
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A polícia judiciária tem por função auxiliar a atuação do Poder Judiciário. Quan-

do ocorre um crime, a polícia judiciária realiza o inquérito policial e repassa as pro-

vas colhidas ao Poder Judiciário. Será o Poder Judiciário quem aplicará a lei penal.

A polícia administrativa atua preventivamente, visando evitar que danos

aconteçam à sociedade. No entanto, os agentes de polícia administrativa também

agem repressivamente, quando, por exemplo, interditam um estabelecimento

comercial ou apreendem bens obtidos por meios ilícitos.

A atuação da polícia administrativa incide sobre BENS, ATIVIDADES E DIREI-

TOS. Sua conduta é regida por normas administrativas.

A polícia judiciária, em princípio, atua repressivamente, realizando inves-

tigação de crimes já ocorridos. Essa atividade é desenvolvida por órgãos especia-

lizados, a exemplo da polícia federal e da polícia civil, dentre outras corporações

que eventualmente tenham essa atribuição conferida pelo art. 144 da Constituição

Federal. Entretanto, pode também atuar de maneira preventiva, evitando que

crimes venham a ocorrer ou até mesmo atuando nas fronteiras e nos aeroportos,

tendo um caráter mais ostensivo.

Em provas de concurso aparecem mais questões afirmando que a polícia adminis-

trativa é preventiva e a polícia judiciária é repressiva. Essas questões estão certas.

Se a questão afirmar que a polícia administrativa e judiciária atuam de forma pre-

ventiva e repressiva, também estará correto o item. Em muitas provas, de várias

bancas, eu tenho visto essa afirmativa…

Também já vi a seguinte questão em concurso: A característica de ser preventiva

ou repressiva é comum tanto à polícia administrativa quando à polícia judiciária.

Estava certa.

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A polícia judiciária atua sobre PESSOAS, investigando um suposto delito co-

metido.

Resumindo:

Polícia Administrativa Polícia Judiciária


Regra: preventivo (evita danos à sociedade) Regra: repressivo (apuração
Momento de atuação Pode ser repressivo (ex.: aplicação de de crimes)
multa, demolição) Pode ser preventivo

Regime jurídico Normas e princípios administrativos Lei processual penal

Competência para Corporações especializadas


Qualquer órgão/entidade designado por lei
exercer as atividades (ex.: Polícia Civil/Federal)
Responsabilizar os infrato-
Finalidades Combater atividades antissociais
res da lei penal

Destinatários Bens, direitos, atividades (não é a pessoa) A pessoa

A função de polícia judiciária das polícias das Casas Legislativas (ex.: polícia da

Câmara e do Senado) é restrita aos crimes ocorridos internamente, conforme Sú-

mula 397 do STF:

O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime


cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em
flagrante do acusado e a realização do inquérito.

Se ocorrer um crime na calçada em frente ao Senado, fora do seu recinto, a

competência será da polícia civil ou federal, conforme o caso.

Atenção ao tema a seguir sobre as guardas municipais; tem caído em prova…

O STF entendeu que as guardas municipais, desde que autorizadas por lei muni-

cipal, têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito

e impor multas. Para o Supremo é constitucional a atribuição às guardas municipais

do exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções


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administrativas previstas em lei. A fiscalização do trânsito, com aplicação das san-

ções administrativas (multas), constitui mero exercício de poder de polícia, não

havendo, portanto, proibição de que seja exercida por órgãos que não fazem parte

das carreiras policiais, como é o caso das guardas municipais, cuja atribuição des-

crita na CF, art. 144, § 8º, não é exaustiva. [STF. Plenário. RE 658570/MG, rel. orig.

Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015

(Info 793).]

Para finalizar este tópico da aula, vamos tratar da Súmula n. 510 do STJ:

A liberação de veículo retido apenas por transporte irregular de passageiros não está
condicionada ao pagamento de multas e despesas.

Assim, não é lícito condicionar ao pagamento de multas e despesas quando o

veículo for retido APENAS por transporte irregular de passageiros. Isso porque o

Código de Trânsito Brasileiro – CTB prevê para essa infração a aplicação de multa

e a medida administrativa de retenção do veículo.

Segundo o próprio CTB, art. 270, quando a irregularidade puder ser sanada

no local da infração, o veículo será liberado tão logo seja regularizada a situação.

Não sendo possível sanar a falha no local da infração, o veículo poderá ser levado

embora por um condutor habilitado, mediante recolhimento do CRLV, sendo dado

um prazo para regularizar a situação (art. 270 e parágrafos). Desse modo, na re-

tenção o veículo deve ser liberado no próprio local, logo que for regularizada a

situação.

Você pode estar confundindo com a remoção do veículo… Nos casos em que o

CTB prevê a remoção, o veículo será levado para o depósito do órgão de trânsito

com circunscrição sobre a via (art. 271). E para esse caso deve-se pagar todas as

taxas e despesas referentes ao período em que o carro ficou no “depósito”.


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2.5.4. Prescrição

Por fim, vamos falar sobre prescrição para aplicação de sanções.

A prescrição para a punição decorrente do poder de polícia ocorre em CINCO

ANOS, contados da data da prática do ato ou, em se tratando de infração perma-

nente ou continuada, do dia em que tiver cessado.

Porém, se o fato constituir crime, o prazo prescricional será o mesmo atribuído

pela lei penal, conforme a Lei n. 9.873/99.

A prescrição ocorre também sobre procedimentos administrativos paralisados

por mais de três anos, na hipótese em que se aguarda despacho ou julgamento da

autoridade administrativa (art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99).

Resumindo:

PODERES ADMINISTRATIVOS
EXCESSO DE PODER – o agente vai além de suas atribuições.
ABUSO DE PODER DESVIO DE PODER – o agente pratica ato para interesse pessoal ou
sem atender ao seu fim legal.
Poder de estabelecer hierarquia entre os órgãos e os agentes públi-
cos.
Não há hierarquia:
PODER HIERÁRQUICO Entre Adm. Direta e Indireta
Entre as pessoas políticas
Entre os três Poderes
Nas funções típicas do PL e PJ
É o poder que a Administração tem de punir internamente as infra-
PODER DISCIPLINAR ções funcionais dos seus servidores e demais pessoas sujeitas à
relação especial com o Estado.
É o poder de expedir atos normativos/decretos para a complemen-
PODER REGULAMENTAR/ tação das leis.
NORMATIVO Obs.: Decreto não pode inovar na ordem jurídica, não pode con-
trariar a lei.
É a prerrogativa concedida aos agentes administrativos de elege-
PODER DISCRICIONÁRIO rem, entre as várias condutas possíveis, a que traduz maior conve-
niência e oportunidade para o interesse público.
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Confere à Administração o poder para a prática de atos de sua


PODER VINCULADO OU
competência, determinando os elementos e requisitos necessários
REGRADO
à sua formalização. Não há liberdade para os agentes públicos.
É o poder do Estado de impor limitações ao exercício do direito à
liberdade e à propriedade.
Características:
PODER DE POLÍCIA 1. Discricionariedade
2. Autoexecutoriedade
3. Coercibilidade

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Aula 03 – Poderes Administrativos
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LEIS E ATOS NORMATIVOS


FISCALIZAÇÃO
MEIOS
CONSENTIMENTO
SANÇÃO

ORGANIZAR
DISCRICIONARIEDADE ÓRGÃO E AGENTES

AUTOEXECUTORIEDADE ATRIBUTOS PODER DE REVISÃO

COERCIBILIDADE PODER DE FISCALIZAÇÃO


CONSEQUÊNCIAS
PODER DE COMANDO
DECORRE HIERÁRQUICO PODER DE DELEGAÇÃO E AVOCAÇÃO
PODER EXTROVERSO
POLÍCIA
NEGATIVO CARACTERÍSTICA
ADM. DIRETA E INDIRETA
FUNDAMENTO ENTRE OS PODERES DO ESTADO
INTERESSE PÚBLICO NÃO HÁ HIERARQUIA
ENTRE OS ENTES POLÍTICOS
FUNÇÕES TÍPICAS NO PL E PJ
REGRA PREVENTIVA
BENS, DIREITOS, ATIVIDADES
ADMINISTRATIVA
PODERES
NORMAS ADMINISTRATIVAS
ADMINISTRATIVOS
ÓRGÃOS E ENTIDADES ADMINISTRATIVAS
PUNIR SERVIDORES

PUNIR PARTICULARES
REGRA REPRESSIVA DISCIPLINAR VÍNCULOS ESPECIAIS
ILÍCITO PENAL
JUDICIÁRIA CARACTERÍSTICA DISCRICIONARIEDADE
NORMA PROCESSUAL PENAL
CORPORAÇÕES ESPECIALIZADAS

VINCULADO ADM. EDITAR ATOS NORMATIVOS


FIEL EXECUÇÃO DA LEI
NORMATIVO
DECRETO
(PODER REGULAMENTAR) ORG. ADMINISTRATIVA
DISCRICIONÁRIO
AUTÔNOMOS EXTINÇÃO CARGOS e
FUNÇÕES VAGOS

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RESTRINGE, CONDICIONA, LIMITA

COMPETÊNCIA = EXCESSO
ABUSO DE PODER DISCRICIONÁRIO (OU VINCULADO)
FINALIDADE = DESVIO
ATRIBUTOS AUTOEXECUTÓRIO
PRESTAR CONTAS
COERCITIVO
EFICIÊNCIA
DEVERES
PROBIDADE
AGIR NÃO PODE SER DELEGADO PARA PARTICULARES

ATOS REPARATÓRIOS/
POSTERIORES = SIM
FISCALIZAÇÃO
CORREÇÃO ATOS HIERÁRQUICO
CONSEQUÊNCIAS
DELEGAÇÃO/AVOCAÇÃO PODERES
ADMINISTRATIVOS POLÍCIA PODE INSTITUIR TAXAS 
PUNIR
FUNDAMENTOS = SUPREMACIA I.P.
SERVIDORES
PARTICULAR DISCIPLINAR
VÍNCULO ESPECIAL PUNIR
DISCRICIONÁRIO PREVENTIVA (REGRA)
(VINCULADO) POLÍCIA QUALQUER ÓRGÃO/ENTIDADE
ADM.
BENS, DIREITOS, PROPRIEDADES
NORMAS ADM.
DETALHAR LEIS
REGULAMENTAR/
DECRETO NORMATIVO REPRESSIVA (REGRA)
INOVAR
POLÍCIA ÓRGÃOS ESPECIAIS (PC/PF)
ALTERAR JUD.
LEI NÃO PODE PESSOA
RESTRINGIR NORMA PROCESSUAL PENAL
VINCULADO
. DISCRICIONÁRIO

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QUESTÕES DE CONCURSO – LISTA I

1. (FCC/TRT – 6ª REGIÃO (PE)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) Na lição


de Hely Lopes Meirelles, os poderes administrativos nascem com a Administração e
se apresentam diversificados segundo as exigências do serviço público, o interesse
da coletividade e os objetivos a que se dirigem. Esclarece o renomado administra-
tivista que, diferentemente dos poderes políticos, que são estruturais e orgânicos,
os poderes administrativos são instrumentais.

Uma adequada correlação entre o poder administrativo citado e sua utilização pela
Administração é:
a) O poder disciplinar possibilita às autoridades administrativas a práticas de atos
restritivos de direitos individuais dos cidadãos, nos limites previstos em lei.
b) O poder normativo autoriza a Administração a estabelecer condutas e as corres-
pondentes punições aos servidores públicos, para ordenar a atuação administrativa.
c) O poder de polícia comporta atos preventivos e repressivos, exercidos pela Ad-
ministração para condicionar ou restringir atividades ou direitos individuais, no
interesse da coletividade
d) O poder regulamentar atribuído, pela Constituição Federal, ao Chefe do Executi-
vo, o autoriza a editar normas autônomas em relação a toda e qualquer matéria de
organização administrativa e complementares à lei em relação às demais matérias.
e) O poder hierárquico autoriza a aplicação de penalidades aos servidores públicos
e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa em razão de vínculo contratu-
al estabelecido com a Administração.

2. (FCC/TJ-AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA E ADMINISTRATIVA/2014)

A vigilância sanitária interditou, após regular processo administrativo, estabeleci-

mento comercial no Município de Serra do Navio que funcionava regularmente há


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anos. A interdição decorreu do fato de o estabelecimento não manter as condições

sanitárias de higiene estabelecidas em lei e em regulamento nas instalações físicas

e no processamento dos alimentos. A atividade exercida pela vigilância sanitária é

manifestação do poder

a) De polícia administrativa que após a Constituição Federal é conferido somente à

polícia judiciária, em razão do princípio democrático que retirou do ato administra-

tivo o atributo da coercitividade.

b) Disciplinar-normativo da Administração, que expede atos gerais e abstratos

para limitar ou disciplinar direitos, interesses ou a liberdade dos administrados, em

razão de interesse público concernente à segurança e à higiene.

c) De polícia administrativa, que na hipótese não envolveu o atributo da executo-

riedade, porque a medida foi imposta após regular processo administrativo.

d) De polícia administrativa, que possui os atributos da autoexecutoriedade e coer-

cibilidade e deve obediência às regras de competência, forma e finalidade dos atos

administrativos.

e) Disciplinar, também denominado de extroverso, cujos atributos da autoexecuto-

riedade e da coercibilidade não dispensam a observância do devido processo legal.

3. (FCC/PGE-RN/PROCURADOR DO ESTADO DE TERCEIRA CLASSE/2014) A corre-

lação válida entre os chamados poderes da Administração está em:

a) O poder disciplinar pode ser decorrente do poder hierárquico, mas também

pode projetar efeitos para além das relações travadas interna corporis.

b) O poder hierárquico decorre do poder disciplinar, na medida em que estabelece

relação jurídica dentro dos quadros funcionais do poder público.

c) O poder hierárquico decorre do poder normativo no que se refere à estrutura-

ção e criação de secretarias de Estado, na medida em que esse se qualifica como

autônomo e originário.
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d) O poder disciplinar permite a aplicação de sanções não previstas em lei, o que

o aproxima, quanto aos predicados, do poder normativo.

e) O poder hierárquico e o poder disciplinar confundem-se quando se trata de re-

lações jurídicas travadas dentro da estrutura da Administração.

4. (FCC/TRT – 18ª REGIÃO (GO)/JUIZ DO TRABALHO/2014) É tradicional a dis-

tinção entre polícia judiciária e polícia administrativa. Dentre os critérios que per-

mitem distinguir as duas modalidades de exercício do poder estatal por agentes

públicos, é correto afirmar que a polícia judiciária

a) Age somente repressivamente e a polícia administrativa age somente preventi-

vamente.

b) Age sempre de maneira vinculada e a polícia administrativa atua sempre de

maneira discricionária.

c.) É privativa de corporações especializadas e a polícia administrativa é exercida

por vários órgãos administrativos.

c) É exercida com autoexecutoriedade e a polícia administrativa é exercida com

coercibilidade.

d) Atua exclusivamente com base no princípio da tipicidade e a polícia administra-

tiva atua exclusivamente com base no princípio da atipicidade.

5. (FCC/TCE-PI/ASSESSOR JURÍDICO/2014) O poder disciplinar atribuído à Admi-

nistração pública, considerando o disposto na Lei n. 8.112/1990,

a) É incompatível com a discricionariedade, devendo ser aplicado nos estritos ter-

mos da lei.

b) Abrange discricionariedade onde não houver disposição expressa de lei, tal como

considerar a natureza e a gravidade da infração na aplicação da pena


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c) Abrange discricionariedade para instaurar o procedimento disciplinar e punir

o acusado, mas não para definição da pena cabível, que se submete à legalidade

estrita.

d) Submete-se ao princípio da eficiência, o que concede discricionariedade para

instauração do procedimento disciplinar, prescindindo de previsão legal.

e) Constitui-se poder essencialmente vinculado, posto que em razão da possibi-

lidade de imposição de punição, a lei não deixa qualquer margem de escolha ao

administrador.

6. (FCC/ METRÔ-SP/ANALISTA DESENVOLVIMENTO GESTÃO JÚNIOR/ADMINIS-

TRAÇÃO DE EMPRESAS/2014) Diz-se que determinado ato foi praticado com desvio

de finalidade

a) Sempre que atingir, além dos envolvidos na relação jurídica original, terceiros

que dela não participem.

b) Quando a motivação não for coincidente com o contexto fático real, sendo que a

validade do ato estava vinculada aos fatos indicados na motivação para sua prática.

c) Quando o objetivo que a Administração pública quer alcançar com a edição do

ato não for aquele previsto na lei.

d) Sempre que a forma de que se revestir o ato não estiver prevista ou autorizada

em lei.

e) Sempre que o objeto do ato não for lícito, estando expressamente vedado pela

legislação.

7. (FCC/AL-MS/AUXILIAR DE ENFERMAGEM/2016) Rafael, servidor público estadu-

al e chefe de determinada repartição, no exercício de seu poder hierárquico, editou

ato normativo, qual seja, resolução, a fim de ordenar a atuação de seus subordina-

dos. A propósito do tema, a conduta de Rafael está


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a) Correta, pois o poder hierárquico é mais abrangente e sempre engloba o poder

normativo da Administração pública, também denominado de poder regulamentar.

b) Correta, pois insere-se dentro das atribuições próprias do poder hierárquico.

c) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hierár-

quico, mas sim, do poder disciplinar.

d) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hie-

rárquico, mas sim, do poder de polícia, que também vigora entre os servidores e

órgãos públicos.

e) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hierár-

quico, mas sim, do poder normativo.

8. (FCC/AL-MS/DIREITO/2016) Considere dois casos hipotéticos:

I – João é servidor público estadual e chefe de determinada repartição. No exer-

cício de seu poder disciplinar, aplicou a seu subordinado, o servidor Francisco,

a sanção de suspensão após o respectivo processo administrativo disciplinar.

Cumpre salientar que a lei prevê, para a infração cometida por Francisco,

que a Administração pode punir o servidor com as penas de suspensão ou

de multa.

II – Isabela, servidora pública estadual, sofreu remoção ex officio. Referida re-

moção, de acordo com a lei, só pode dar-se para atender à conveniência do

serviço. No entanto, no caso de Isabela, foi feita para puni-la.

Nas situações narradas,

a) Há discricionariedade quanto à forma do ato administrativo, no caso I, vez que

a lei prevê duas formas possíveis para atingir o mesmo fim.

b) Há discricionariedade quanto ao objeto do ato administrativo, no caso I, vez que

a lei prevê dois objetos possíveis para atingir o mesmo fim.


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c) Há discricionariedade quanto à finalidade do ato administrativo, no caso II, e

desvio de finalidade na atuação da Administração.

d) O caso II trata de exemplo de ato administrativo vinculado, havendo, na hipó-

tese, vício de motivo.

e) Ambos os casos correspondem a atos administrativos vinculados; no entanto,

apenas no caso II, o ato administrativo está viciado, sendo, portanto, ilegal.

9. (FCC/SEGEP-MA/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL/2016) O poder de

polícia caracteriza-se como atividade da Administração pública que impõe limites

ao exercício de direitos e liberdades, tendo em vista finalidades de interesse públi-

co. Considere os atos ou contratos administrativos a seguir:

I – Concessão de serviços públicos.

II – Autorização para vendas de material de fogos de artifícios.

III – Permissão de serviços públicos.

IV – Concessão de licença ambiental para construção.

Caracterizam-se como manifestação do poder de polícia APENAS os constantes em

a) I e II.

b) II e III.

c) III e IV.

d) II e IV.

e) I e III.

10. (FCC/SEGEP-MA/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL/2016) O processo

disciplinar é derivado dos poderes:

a) Hierárquico e disciplinar.

b) Regulamentar e de polícia.
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c) Disciplinar e de polícia.

d) De polícia e hierárquico.

e) Hierárquico e regulamentar.

11. (FCC/SEGEP-MA/PROCURADOR DO ESTADO/2016) A atividade de polícia ad-

ministrativa

a) Pode ser exemplificada pela atuação das corregedorias, ao fiscalizar a ativida-

des dos órgãos públicos.

b) Sempre é exercida de forma discricionária, sendo que tal característica é impo-

sitiva, em razão do princípio da proporcionalidade.

c) Nem sempre é prestada de forma gratuita pela Administração, havendo situa-

ções que implicam em onerosidade de seu exercício.

d) É irrenunciável, de modo que não é possível a revogação de medidas de polícia

administrativa, uma vez que tenham sido aplicadas pela autoridade competente.

e) É dotada do atributo de imperatividade, que consiste na possibilidade que a Ad-

ministração tem de executar suas decisões com seus próprios meios, sem necessi-

dade de provocação do Poder Judiciário.

12. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/ ADVOGADO/2016) Nas palavras de José

dos Santos Carvalho Filho, quando o “agente que elege a situação fática geradora

da vontade, permitindo, assim, maior liberdade de atuação, embora sem afasta-

mento dos princípios administrativos”, está se referindo ao poder discricionário dos

agentes públicos, que demanda a

a) Previsão legal das opções postas ao administrador, bem como possibilita revo-

gação pela própria Administração ou pelo Judiciário, preservado o mérito do ato

administrativo.
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b) Existência de opções juridicamente válidas para que o administrador possa


exercer seu juízo de conveniência e oportunidade, o que não afasta a possibilidade
de controle dessa atuação, tanto pela Administração, quanto pelo Judiciário e pelo
Tribunal de Contas.
c) Revisão dos atos discricionários pela própria Administração ou pelo Poder Judi-
ciário, não retroagindo efeitos seja no caso da anulação ou da revogação, em razão
da presunção de veracidade que reveste os atos administrativos.
d) Possibilidade de anulação de atos discricionários somente pela própria Adminis-
tração ou pelo Tribunal de Contas, nos casos de atos administrativos.
e) Análise pelo Poder Judiciário de todos os aspectos dos atos discricionários, anu-
lando-os ou revogando-os diante do controle de políticas públicas realizado por
esse Poder.

13. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/ANALISTA/ADMINISTRADOR/2016) Os po-


deres da Administração pública lhe foram atribuídos para possibilitar o exercício
de suas funções, que sempre devem ser norteadas em benefício da coletividade.
Conferem, portanto, prerrogativas à Administração pública, que não são ilimitadas.
É exemplo disso
a) O poder normativo conferido à Administração, por meio da edição de decreto au-
tônomo, que somente pode ter lugar sempre que houver lacunas ou ausência de lei.
b) O poder hierárquico, que atribui dever de subordinação dos servidores aos seus
superiores, cabendo a estes a apuração de infrações e aplicação de penalidades
disciplinares.
c) O exercício do poder disciplinar, que se estende aos particulares e empresas
contratados pelo poder público para prestação de serviços em repartições públicas.
d) O exercício do poder de polícia, que pode limitar os direitos individuais com al-
gum grau de discricionariedade, mas sempre deve ter previsão legal.
e) O exercício do poder normativo-disciplinar, que se exterioriza na edição de nor-
mas de conduta disciplinar, com elenco de infrações e sanções.
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14. (FCC/MPE-MA/TÉCNICO MINISTERIAL/ADMINISTRATIVO/2013) Considere:

I – Apurar infrações;

II – Aplicar penalidades;

III – Instaurar procedimento administrativo-disciplinar;

IV – Editar atos normativos de efeitos internos.

NÃO é atividade típica do poder disciplinar o que consta em

a) I e II, apenas.

b) IV, apenas.

c) III e IV, apenas.

d) I, III e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.

15. (FCC/PREFEITURA DE CAMPINAS-SP/PROCURADOR/2016) A desconcentração

e a descentralização são formas de organização administrativa para exercício das

funções executivas. Em relação aos poderes da Administração e essa forma de or-

ganização tem-se que

a) O poder hierárquico mostra-se presente tanto na desconcentração, quanto na

descentralização, na medida em que a Administração Central possui poder para

autorizar ou rever atos praticados pelos órgãos e entes abrangidos por aquela or-

ganização administrativa.

b) O poder normativo evidencia-se por meio dos decretos autônomos, adequados

para instituição de pessoas jurídicas de direito público ou privado, por meio das

quais se opera a descentralização.

c) O poder normativo manifesta-se quando há utilização do método descentrali-

zação, pois é necessária edição de leis para instituição de outras pessoas jurídicas

para as quais serão delegadas competências.


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d) O poder hierárquico manifesta-se presente nas relações de desconcentração,

porque há relação de subordinação entre os órgãos da Administração e a Adminis-

tração central, o que não se replica com as relações travadas entre esta e os entes

da Administração indireta, ainda que se evidencie o poder de tutela.

e) A desconcentração não se relaciona com o poder discricionário da Administração

pública, porque este é restrito à Administração e Central, tendo em vista que os

órgãos da Administração não são dotados de autonomia e personalidade jurídica

própria, características que devem estar presentes para o exercício das atribuições

inerentes àquele poder.

16. (FCC/PREFEITURA DE SÃO LUIZ-MA/PROCURADOR MUNICIPAL/2016) Recurso

Extraordinário n. 658.570

Determinada lei municipal, promulgada no início deste ano, estabelece que com-

pete à Guarda Municipal, concomitantemente às suas demais atribuições, atuar na

fiscalização, no controle e na orientação do trânsito, podendo para esse fim, inclu-

sive, autuar condutores e aplicar multas previstas na legislação federal pertinente.

À luz da disciplina constitucional e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal

sobre a matéria, referida lei municipal é

a) Compatível com a Constituição da República, podendo a Guarda Municipal, in-

clusive, autuar condutores e aplicar multas previstas na legislação federal, por se

tratar de legítimo exercício de poder de polícia, não exclusivo das entidades policiais

b) Compatível com a Constituição da República apenas no que se refere à orien-

tação do trânsito, atividade inerente às funções constitucionalmente atribuídas ao

Município, em matéria de segurança viária.

c) Incompatível com a Constituição da República, por atribuir à Guarda Municipal

funções de segurança pública, privativas das polícias militares estaduais.


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d) incompatível com a Constituição da República, por atribuir à Guarda Municipal

funções estranhas à proteção de bens, serviços e instalações municipais.

e) Incompatível com a Constituição da República, por implicar invasão da compe-

tência privativa da União para legislar sobre trânsito e transporte.

17. (FCC/MPE-MA/TÉCNICO MINISTERIAL/ADMINISTRATIVO/2013) Considere a

seguinte assertiva: “Prefeitura interdita casa noturna por não possuir alvará de

funcionamento”. A atividade narrada corresponde

a) À atividade típica do poder hierárquico da Administração Pública.

b) À atividade típica do poder disciplinar da Administração Pública.

c) Ao exercício do poder de polícia judiciária, que não se confunde com a atividade

da polícia administrativa.

d) Ao exercício do poder de polícia administrativa.

e) À atividade típica do poder regulamentar da Administração Pública.

18. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2016)

O exercício dos poderes inerentes à função executiva e a regular atuação da Ad-

ministração pública não estão dissociados da influência dos princípios que regem a

Administração pública em toda sua atuação. Essa relação

a) Existente entre o poder disciplinar e o princípio da legalidade informa o poder de

tutela exercido sobre os atos praticados pelos entes que integram a Administração

indireta, permitindo que a Administração central promova a revisão dos mesmos

para adequá-los à legalidade.

b) Que se forma entre o princípio da legalidade e o poder regulamentar autoriza a

edição de atos de natureza originária nas hipóteses de organização administrativa

e, nos demais casos, sempre que houver lacuna ou ausência de lei.


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c) Expressa-se, no caso do poder de polícia, à submissão ao princípio da supre-

macia do interesse público, que fundamenta a atuação da Administração pública

quando não houver fundamento legal para embasar as medidas de polícia.

d) De subordinação aos princípios da legalidade e da impessoalidade não afasta a

possibilidade da Administração pública adotar medidas administrativas de urgência

ou de firmar relações jurídicas diretamente com alguns administrados, sem submis-

são a procedimento de seleção público, desde que haja previsão legal para tanto.

e) Que impõe presunção de legitimidade e veracidade aos atos praticados pela

Administração pública não admite revisão administrativa, somente questionamento

judicial, cabendo ao administrado o ônus da prova em contrário.

19. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRA-

TIVA/2016) Considere:

I – A Administração pública não pode, no exercício do poder de polícia, utilizar-

-se de meios diretos de coação, sob pena de afronta ao princípio da propor-

cionalidade.

II – O objeto da medida de polícia, isto é, o meio de ação, sofre limitações, mes-

mo quando a lei lhe dá várias alternativas possíveis.

III – A impossibilidade de licenciamento de veículo enquanto não pagas as multas

de trânsito corresponde a exemplo da utilização de meios indiretos de coa-

ção, absolutamente válido no exercício do poder de polícia.

Está correto o que consta em

a) I, II e III.

b) II e III, apenas.

c) I e III, apenas.

d) I, apenas.

e) II, apenas.
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20. (FCC/TJ-PI/JUIZ DE DIREITO/2015) Na ementa do acórdão do Recurso Extra-

ordinário n. 658.570, do Supremo Tribunal Federal, consta o seguinte trecho:

Desprovimento do recurso extraordinário e fixação, em repercussão geral, da se-

guinte tese: é constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício de

poder de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções administrativas

legalmente previstas.

Para assim decidir, o Tribunal estabeleceu algumas premissas. Dentre elas, NÃO

figura por ser incompatível com a conclusão acima citada:

a) Instituições policiais podem cumular funções típicas de segurança pública com

exercício de poder de polícia.

b) Poder de polícia não se confunde com segurança pública. O exercício do primeiro

não é prerrogativa exclusiva das entidades policiais.

c) A fiscalização do trânsito, com aplicação das sanções administrativas legalmen-

te previstas, embora possa se dar ostensivamente, constitui mero exercício de

poder de polícia.

d) O exercício do poder de polícia por instituições policiais é constitucionalmente

possível. No entanto, nesse caso o poder de polícia deixa de se caracterizar como

ação administrativa, passando a configurar exercício de polícia judiciária.

e) Considerando a competência comum dos entes da federação em matéria de

trânsito, podem os Municípios determinar que o poder de polícia que lhes compete

seja realizado pela guarda municipal.

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GABARITO

1. c

2. a

3. c

4. a

5. e

6. e

7. c

8. b

9. d

10. a

11. c

12. b

13. d

14. c

15. d

16. a

17. d

18. d

19. b

20. d

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QUESTÕES COMENTADAS – LISTA I

1. (FCC/TRT – 6ª REGIÃO (PE)/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) Na lição

de Hely Lopes Meirelles, os poderes administrativos nascem com a Administração e

se apresentam diversificados segundo as exigências do serviço público, o interesse

da coletividade e os objetivos a que se dirigem. Esclarece o renomado administra-

tivista que, diferentemente dos poderes políticos, que são estruturais e orgânicos,

os poderes administrativos são instrumentais.

Uma adequada correlação entre o poder administrativo citado e sua utilização pela

Administração é:

a) O poder disciplinar possibilita às autoridades administrativas a práticas de atos

restritivos de direitos individuais dos cidadãos, nos limites previstos em lei.

b) O poder normativo autoriza a Administração a estabelecer condutas e as corres-

pondentes punições aos servidores públicos, para ordenar a atuação administrativa.

c) O poder de polícia comporta atos preventivos e repressivos, exercidos pela Ad-

ministração para condicionar ou restringir atividades ou direitos individuais, no

interesse da coletividade

d) O poder regulamentar atribuído, pela Constituição Federal, ao Chefe do Executi-

vo, o autoriza a editar normas autônomas em relação a toda e qualquer matéria de

organização administrativa e complementares à lei em relação às demais matérias.

e) O poder hierárquico autoriza a aplicação de penalidades aos servidores públicos

e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa em razão de vínculo contratu-

al estabelecido com a Administração.

Letra c.

O poder de polícia se manifesta por atos preventivos, para evitar danos, e por atos

repreensivos, quando algum dano já aconteceu. Além disso, ele visa restringir, li-

mitar ou condicionar o exercício de direito para o bem-estar da coletividade.


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Letra a. Está errada porque a questão disciplinar não possibilita atos restritivos dos

direitos individuais dos cidadãos. O poder que faz isso é o poder de polícia. É até

possível que o poder disciplinar imponha sanções a particulares, desde que tenha

vínculo especial, no entanto, a questão não entrou nessa exceção.

Letra b. Está errada porque o poder normativo não tem a ver com aplicação de pu-

nições, isso seria poder de polícia – se fosse punição para particulares – ou poder

disciplinar – no caso de punições para servidores por infrações constitucionais.

Letra d. Está errada porque o poder regulamentar não é para editar normas autô-

nomas em relação a toda e qualquer matéria de organização administrativa e com-

plementares à lei; o poder complementar é exercido nos estritos limites do artigo

84, inciso IV da Constituição e, quanto a decretos autônomos, nos limites do artigo

84 inciso VI.

Letra e. Está errada porque fala que o poder hierárquico autoriza a aplicação de

penalidades, no entanto, o poder que autoriza a aplicação de penalidades a servi-

dores é o poder disciplinar.

2. (FCC/TJ-AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA E ADMINISTRATIVA/2014)

A vigilância sanitária interditou, após regular processo administrativo, estabeleci-

mento comercial no Município de Serra do Navio que funcionava regularmente há

anos. A interdição decorreu do fato de o estabelecimento não manter as condições

sanitárias de higiene estabelecidas em lei e em regulamento nas instalações físicas

e no processamento dos alimentos. A atividade exercida pela vigilância sanitária é

manifestação do poder

a) De polícia administrativa que após a Constituição Federal é conferido somente à

polícia judiciária, em razão do princípio democrático que retirou do ato administra-

tivo o atributo da coercitividade.

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b) Disciplinar-normativo da Administração, que expede atos gerais e abstratos

para limitar ou disciplinar direitos, interesses ou a liberdade dos administrados, em

razão de interesse público concernente à segurança e à higiene.

c) De polícia administrativa, que na hipótese não envolveu o atributo da executo-

riedade, porque a medida foi imposta após regular processo administrativo.

d) De polícia administrativa, que possui os atributos da autoexecutoriedade e coer-

cibilidade e deve obediência às regras de competência, forma e finalidade dos atos

administrativos.

e) Disciplinar, também denominado de extroverso, cujos atributos da autoexecuto-

riedade e da coercibilidade não dispensam a observância do devido processo legal.

Letra d.

A questão se refere ao poder de polícia, que é exercido com autoexecutoriedade,

dispensando autorização judicial prévia, e com coercibilidade, que é a imposição do

ato ao particular, independentemente da sua concordância.

3. (FCC/PGE-RN/PROCURADOR DO ESTADO DE TERCEIRA CLASSE/2014) A corre-

lação válida entre os chamados poderes da Administração está em:

a) O poder disciplinar pode ser decorrente do poder hierárquico, mas também

pode projetar efeitos para além das relações travadas interna corporis.

b) O poder hierárquico decorre do poder disciplinar, na medida em que estabelece

relação jurídica dentro dos quadros funcionais do poder público.

c) O poder hierárquico decorre do poder normativo no que se refere à estrutura-

ção e criação de secretarias de Estado, na medida em que esse se qualifica como

autônomo e originário.
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d) O poder disciplinar permite a aplicação de sanções não previstas em lei, o que

o aproxima, quanto aos predicados, do poder normativo.

e) O poder hierárquico e o poder disciplinar confundem-se quando se trata de re-

lações jurídicas travadas dentro da estrutura da Administração.

Letra a.

O poder disciplinar pode ser decorrente do hierárquico, mas também pode projetar

efeitos para além das relações travadas interna corporis. Dessa forma, quando aplica

sanção a servidores públicos, o poder disciplinar realmente decorre do hierárquico.

No entanto, quando for aplicar sanção a particular que tenha vínculo especial, não

decorre diretamente da hierarquia, pois esta não existe entre um contratado e a

Administração, ou seja, pode ser projetado para relações travadas além das rela-

ções interna corporis, que são relações internas do órgão.

Letra b. Está errada porque fala que o poder hierárquico decorre do poder dis-

ciplinar quando, na verdade, é o contrário (o poder disciplinar decorre do poder

hierárquico quando aplica sanção a servidores públicos, pois para aplicar sanção, é

necessário haver uma relação hierarquizada).

Letra c. Está errada porque fala que o poder hierárquico decorre do normativo, uma

vez que não existe essa relação.

Letra d. Está errada porque fala que o poder disciplinar permite aplicação de san-

ção não prevista em lei. Todas as sanções administrativas devem possuir previsão

legal, o agente público não pode inventar uma sanção e aplicá-la. Além disso, essa

alternativa menciona que o poder disciplinar aproxima-se dos atos praticados pelo

poder normativo. Tal afirmação transforma o item em errado, já que são poderes

com efeitos diversos.

Letra e. Está errada porque fala que o poder hierárquico e o disciplinar se confun-

dem quando, na verdade, possuem campos de atuação distintos. Porém, não se

esqueça: conforme falamos em aula, o poder disciplinar decorre do hierárquico.

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4. (FCC/TRT – 18ª REGIÃO (GO)/JUIZ DO TRABALHO/2014) É tradicional a dis-

tinção entre polícia judiciária e polícia administrativa. Dentre os critérios que per-

mitem distinguir as duas modalidades de exercício do poder estatal por agentes

públicos, é correto afirmar que a polícia judiciária

a) Age somente repressivamente e a polícia administrativa age somente preventi-

vamente.

b) Age sempre de maneira vinculada e a polícia administrativa atua sempre de

maneira discricionária.

c.) É privativa de corporações especializadas e a polícia administrativa é exercida

por vários órgãos administrativos.

c) É exercida com autoexecutoriedade e a polícia administrativa é exercida com

coercibilidade.

d) Atua exclusivamente com base no princípio da tipicidade e a polícia administra-

tiva atua exclusivamente com base no princípio da atipicidade.

Letra c.

Quem desenvolve a polícia judiciária são corporações especializadas, por exemplo,

a polícia civil, a polícia federal e a polícia administrativa estão espalhadas pelos vá-

rios órgãos que compõem a Administração Pública.

Letra a. Está errada porque, por via de regra, a polícia administrativa atua pre-

ventivamente e a judiciária atua repreensivamente. No entanto, os autores hoje

reconhecem que é comum ser preventiva ou repressiva, tanto a polícia judiciária,

quanto a polícia administrativa.

Letra b. Está errada porque a atuação da polícia judiciária pode ser discricionária,

a depender da situação, e a polícia administrativa pode ser vinculada quando, por

exemplo, pede licença para exercício de alguma atividade.


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Letra d. Está errada porque está mal explicada: o item afirma que a polícia judici-

ária é exercida com autoexecutoriedade e a administrativa com coercibilidade. Na

verdade, as duas características (autoexecutoriedade e coercibilidade) são comuns

às duas policias, que praticam atos autoexecutórios, dispensando alguma autoriza-

ção judicial prévia e, também, com coercibilidade. São apenas algumas situações

da polícia judiciária que dependerão de autorização judicial, como, por exemplo, a

interceptação telefônica.

Letra e. A polícia judiciária atua com base exclusivamente no princípio da tipici-

dade, essa parte da questão está correta, porque a tipicidade penal significa que

todos os crimes já estão previstos em lei, e a polícia judiciária vai atuar com base

nesse pressuposto. Porém, a questão fica errada quando fala que a polícia adminis-

trativa atua com base exclusivamente no princípio da atipicidade. A palavra exclu-

sivamente deixou o item incorreto, uma vez que a polícia administrativa age com

base na tipicidade também, já que existem muitas infrações administrativas que já

estão previstas em lei.

5. (FCC/TCE-PI/ASSESSOR JURÍDICO/2014) O poder disciplinar atribuído à Admi-

nistração pública, considerando o disposto na Lei n. 8.112/1990,

a) É incompatível com a discricionariedade, devendo ser aplicado nos estritos ter-

mos da lei.

b) Abrange discricionariedade onde não houver disposição expressa de lei, tal como

considerar a natureza e a gravidade da infração na aplicação da pena

c) Abrange discricionariedade para instaurar o procedimento disciplinar e punir

o acusado, mas não para definição da pena cabível, que se submete à legalidade

estrita.
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d) Submete-se ao princípio da eficiência, o que concede discricionariedade para

instauração do procedimento disciplinar, prescindindo de previsão legal.

e) Constitui-se poder essencialmente vinculado, posto que em razão da possibi-

lidade de imposição de punição, a lei não deixa qualquer margem de escolha ao

administrador.

Letra b.

Esta é uma posição de Maria Sylvia de Pietro, que fala que quando não houver lei

que regulamente, é porque é uma atuação discricionária do administrador.

Letra a. Está errada, pois o poder disciplinar é compatível com a discricionariedade,

sim, uma vez que vai haver atuação discricionária, muitas vezes até para escolher

a sanção prevista em lei a ser aplicada.

Letra c. Está errada porque não há liberdade para decidir se instaura ou não um

procedimento para apurar uma infração e para punir, caso fique provado que o

agente cometeu a infração.

Letra d. Está errada porque fala que há discricionariedade para instaurar procedi-

mento. Para instaurar suposta infração, deve-se instaurar, não há liberdade.

Letra e. Está errada porque fala que ele é essencialmente vinculado; na verdade,

ele é discricionário, podendo ser também vinculado quando houver, para certas

infrações, a punição que vai ser aplicada. Por exemplo, nos casos de abandono de

cargo: servidor faltou por mais de 30 dias consecutivos, e houve a prova de que

ele teve a intenção de abandonar, deve acontecer a demissão, não há como aplicar

uma outra sanção.

6. (FCC/ METRÔ-SP/ANALISTA DESENVOLVIMENTO GESTÃO JÚNIOR/ADMINIS-

TRAÇÃO DE EMPRESAS/2014) Diz-se que determinado ato foi praticado com desvio

de finalidade
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a) Sempre que atingir, além dos envolvidos na relação jurídica original, terceiros

que dela não participem.

b) Quando a motivação não for coincidente com o contexto fático real, sendo que a

validade do ato estava vinculada aos fatos indicados na motivação para sua prática.

c) Quando o objetivo que a Administração pública quer alcançar com a edição do

ato não for aquele previsto na lei.

d) Sempre que a forma de que se revestir o ato não estiver prevista ou autorizada

em lei.

e) Sempre que o objeto do ato não for lícito, estando expressamente vedado pela

legislação.

Letra c.

É vício na finalidade quando a Administração pratica um ato para um fim que não

foi previsto em lei, ou para atingir o seu interesse particular.

Letra a. Está errada porque fala que quando atingir, além dos envolvidos, terceiros,

houve vício de finalidade e, na verdade, trata-se apenas de ato ilegal, porque atinge

terceiros, contudo, não por conta de vício na finalidade.

Letra b. Está errada porque a motivação inexistente é vício de forma, então a forma

é que será violada.

Letra d. Está errada, mas é por não respeitar a legalidade, e não por um simples

vício de finalidade.

Letra e. Está errada porque se trata de vício no objeto, e não no elemento finalida-

de do ato administrativo.

7. (FCC/AL-MS/AUXILIAR DE ENFERMAGEM/2016) Rafael, servidor público estadu-

al e chefe de determinada repartição, no exercício de seu poder hierárquico, editou

ato normativo, qual seja, resolução, a fim de ordenar a atuação de seus subordina-

dos. A propósito do tema, a conduta de Rafael está


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a) Correta, pois o poder hierárquico é mais abrangente e sempre engloba o poder

normativo da Administração pública, também denominado de poder regulamentar.

b) Correta, pois insere-se dentro das atribuições próprias do poder hierárquico.

c) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hierár-

quico, mas sim, do poder disciplinar.

d) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hie-

rárquico, mas sim, do poder de polícia, que também vigora entre os servidores e

órgãos públicos.

e) Incorreta, pois não se insere no âmbito de atribuições próprias do poder hierár-

quico, mas sim, do poder normativo.

Letra b.

O ato praticado pelo servidor decorre do seu poder hierárquico, já que ele está dan-

do ordens, isto é, está comandando a Administração Pública.

8. (FCC/AL-MS/DIREITO/2016) Considere dois casos hipotéticos:

I – João é servidor público estadual e chefe de determinada repartição. No exer-

cício de seu poder disciplinar, aplicou a seu subordinado, o servidor Francisco,

a sanção de suspensão após o respectivo processo administrativo disciplinar.

Cumpre salientar que a lei prevê, para a infração cometida por Francisco,

que a Administração pode punir o servidor com as penas de suspensão ou

de multa.

II – Isabela, servidora pública estadual, sofreu remoção ex officio. Referida re-

moção, de acordo com a lei, só pode dar-se para atender à conveniência do

serviço. No entanto, no caso de Isabela, foi feita para puni-la.

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Nas situações narradas,

a) Há discricionariedade quanto à forma do ato administrativo, no caso I, vez que

a lei prevê duas formas possíveis para atingir o mesmo fim.

b) Há discricionariedade quanto ao objeto do ato administrativo, no caso I, vez que

a lei prevê dois objetos possíveis para atingir o mesmo fim.

c) Há discricionariedade quanto à finalidade do ato administrativo, no caso II, e

desvio de finalidade na atuação da Administração.

d) O caso II trata de exemplo de ato administrativo vinculado, havendo, na hipó-

tese, vício de motivo.

e) Ambos os casos correspondem a atos administrativos vinculados; no entanto,

apenas no caso II, o ato administrativo está viciado, sendo, portanto, ilegal.

Letra b.

Há discricionariedade quanto ao objeto, que é o resultado final do processo, no

caso da primeira situação, pois ele teria liberdade para decidir o resultado.

Letra a. Está errada porque fala que há liberdade quanto à forma e, na verdade,

não é quanto à forma, mas quanto ao conteúdo. No caso da primeira opção, a for-

ma é pré-determinada e vai ser escrita.

Letra c. Está errada porque fala que há liberdade quanto à finalidade, no caso da

segunda situação. Há vício de finalidade, já que a remoção foi utilizada para punir.

Letra d. Está errada porque, no segundo caso, é um ato discricionário quanto a essa

liberdade de fazer ou não a remoção, e não é vício de motivo: se fez a remoção

para punir, é vício de finalidade.

Letra e. Está errada porque fala que ambos os casos correspondem a atos vincula-

dos. Contudo, se a lei deu liberdade para escolher a punição, é um ato discricioná-

rio no caso 1.

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9. (FCC/SEGEP-MA/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL/2016) O poder de

polícia caracteriza-se como atividade da Administração pública que impõe limites

ao exercício de direitos e liberdades, tendo em vista finalidades de interesse públi-

co. Considere os atos ou contratos administrativos a seguir:

I – Concessão de serviços públicos.

II – Autorização para vendas de material de fogos de artifícios.

III – Permissão de serviços públicos.

IV – Concessão de licença ambiental para construção.

Caracterizam-se como manifestação do poder de polícia APENAS os constantes em

a) I e II.

b) II e III.

c) III e IV.

d) II e IV.

e) I e III.

Letra d.

O poder de polícia, situação I, não é poder de polícia, é situação de serviço público

a particulares, e o mesmo se aplica ao inciso III. Os incisos II e IV, por sua vez,

são expressões do poder de polícia (autorização para venda de material de fogos

de artifício e a construção de licença ambiental para construção). O Estado está

controlando a atividade privada para o bem-estar da coletividade.

10. (FCC/SEGEP-MA/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL/2016) O processo

disciplinar é derivado dos poderes:

a) Hierárquico e disciplinar.

b) Regulamentar e de polícia.
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c) Disciplinar e de polícia.

d) De polícia e hierárquico.

e) Hierárquico e regulamentar.

Letra a.

O poder disciplinar é derivado do poder hierárquico, o processo disciplinar decorre

do poder hierárquico e do poder disciplinar.

11. (FCC/SEGEP-MA/PROCURADOR DO ESTADO/2016) A atividade de polícia ad-

ministrativa

a) Pode ser exemplificada pela atuação das corregedorias, ao fiscalizar a ativida-

des dos órgãos públicos.

b) Sempre é exercida de forma discricionária, sendo que tal característica é impo-

sitiva, em razão do princípio da proporcionalidade.

c) Nem sempre é prestada de forma gratuita pela Administração, havendo situa-

ções que implicam em onerosidade de seu exercício.

d) É irrenunciável, de modo que não é possível a revogação de medidas de polícia

administrativa, uma vez que tenham sido aplicadas pela autoridade competente.

e) É dotada do atributo de imperatividade, que consiste na possibilidade que a Ad-

ministração tem de executar suas decisões com seus próprios meios, sem necessi-

dade de provocação do Poder Judiciário.

Letra c.

Nem sempre é prestada de forma gratuita, como, por exemplo, quando há a co-

brança de taxas pelo Estado para que este exerça seu poder de polícia, taxa de

fiscalização, taxa de bombeiros, entre outras.

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Letra a. Está errada porque fala sobre a atuação das corregedorias, que é mais

própria do poder disciplinar.

Letra b. Está errada porque fala que a polícia administrativa é exercida sempre de

forma discricionária, quando, na verdade, ela pode ser discricionária ou vinculada.

Letra d. Está errada porque fala que é irrenunciável, dando a entender que não é

possível a revogação das medidas, no entanto, caso se adote um ato legal que não

é conveniente, pode, sim, haver a revogação.

Letra e. Está errada porque imperatividade (ou coercibilidade) é a imposição de

ato ao particular, quando falamos de autoexecutoriedade, que significa dispensar

a análise prévia judicial.

12. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/ ADVOGADO/2016) Nas palavras de José

dos Santos Carvalho Filho, quando o “agente que elege a situação fática geradora

da vontade, permitindo, assim, maior liberdade de atuação, embora sem afasta-

mento dos princípios administrativos”, está se referindo ao poder discricionário dos

agentes públicos, que demanda a

a) Previsão legal das opções postas ao administrador, bem como possibilita revo-

gação pela própria Administração ou pelo Judiciário, preservado o mérito do ato

administrativo.

b) Existência de opções juridicamente válidas para que o administrador possa

exercer seu juízo de conveniência e oportunidade, o que não afasta a possibilidade

de controle dessa atuação, tanto pela Administração, quanto pelo Judiciário e pelo

Tribunal de Contas.

c) Revisão dos atos discricionários pela própria Administração ou pelo Poder Judi-

ciário, não retroagindo efeitos seja no caso da anulação ou da revogação, em razão

da presunção de veracidade que reveste os atos administrativos.

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d) Possibilidade de anulação de atos discricionários somente pela própria Adminis-


tração ou pelo Tribunal de Contas, nos casos de atos administrativos.
e) Análise pelo Poder Judiciário de todos os aspectos dos atos discricionários, anu-
lando-os ou revogando-os diante do controle de políticas públicas realizado por
esse Poder.

Letra b.
Ele deve praticar um ato dentro da sua liberdade, com um juiz de conveniência
e oportunidade, porém, não afasta o controle, tanto pela própria Administração
(autotutela) quanto pelo judiciário e também pelo tribunal de contas na sua com-
petência.
Letra a. Está errada porque não demanda previsão legal das ações postas ao admi-
nistrador. Há situações em que a lei não pode prever, e vai ficar a seu critério qual
conduta praticar.
Letra c. O ato discricionário pode ser controlado até mesmo pelo judiciário, no caso
de anulação, e na anulação, os efeitos são ex tunc retroativos.
Letra d. Está errada porque fala da possibilidade de anulação somente pela própria
Administração, no entanto, a anulação pode ser pela Administração ou pelo judiciário.
Letra e. Está errada porque fala que o judiciário pode analisar todos os aspectos
do ato discricionário. Na verdade, só pode analisar requisitos de legalidade, que é
competência, finalidade e forma. Motivo e objeto são discricionários. O poder judi-
ciário não vai poder analisar esses requisitos. E, se for ilegal, é caso de anulação,
e não de revogação.

13. (FCC/PREFEITURA DE TERESINA-PI/ANALISTA/ADMINISTRADOR/2016) Os po-


deres da Administração pública lhe foram atribuídos para possibilitar o exercício
de suas funções, que sempre devem ser norteadas em benefício da coletividade.
Conferem, portanto, prerrogativas à Administração pública, que não são ilimitadas.
É exemplo disso
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a) O poder normativo conferido à Administração, por meio da edição de decreto au-

tônomo, que somente pode ter lugar sempre que houver lacunas ou ausência de lei.

b) O poder hierárquico, que atribui dever de subordinação dos servidores aos seus

superiores, cabendo a estes a apuração de infrações e aplicação de penalidades

disciplinares.

c) O exercício do poder disciplinar, que se estende aos particulares e empresas

contratados pelo poder público para prestação de serviços em repartições públicas.

d) O exercício do poder de polícia, que pode limitar os direitos individuais com al-

gum grau de discricionariedade, mas sempre deve ter previsão legal.

e) O exercício do poder normativo-disciplinar, que se exterioriza na edição de nor-

mas de conduta disciplinar, com elenco de infrações e sanções.

Letra d.

O poder de polícia limita, restringe, condiciona direitos e sempre com previsão legal.

Letra a. Está errada porque a questão afirma que o poder normativo será exercido

sempre que houver lacunas na lei, ou na sua ausência. Na verdade, ele será exer-

cido quando a lei citar expressamente que naquele caso caberá a edição de um ato

normativo.

Letra b. Está errada porque não é o poder hierárquico que apura infrações e aplica

sanções, é o poder disciplinar.

Letra c. Está errada porque fala que o poder disciplinar se estende aos particulares.

Ele se estende, sim, aos particulares, por exemplo, uma empresa contratada; mas,

para todos os particulares? Não. Como regra básica, o poder disciplinar se estende

para servidores, contudo, de forma excepcional, para os particulares que tenham

vínculo especial.

Letra e. Não existe um poder normativo-disciplinar, existe um poder normativo ou

disciplinar. Normativo é edição de atos normativos e disciplinar une, e não elenca

funções.

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14. FCC/MPE-MA/TÉCNICO MINISTERIAL/ADMINISTRATIVO/2013) Considere:

I – Apurar infrações;

II – Aplicar penalidades;

III – Instaurar procedimento administrativo-disciplinar;

IV – Editar atos normativos de efeitos internos.

NÃO é atividade típica do poder disciplinar o que consta em

a) I e II, apenas.

b) IV, apenas.

c) III e IV, apenas.

d) I, III e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.

Letra b.

Os itens I, II e III – apurar inflações, aplicar penalidades e instaurar processo dis-

ciplinar – são expressões do poder disciplinar.

15. (FCC/PREFEITURA DE CAMPINAS-SP/PROCURADOR/2016) A desconcentração

e a descentralização são formas de organização administrativa para exercício das

funções executivas. Em relação aos poderes da Administração e essa forma de or-

ganização tem-se que

a) O poder hierárquico mostra-se presente tanto na desconcentração, quanto na

descentralização, na medida em que a Administração Central possui poder para

autorizar ou rever atos praticados pelos órgãos e entes abrangidos por aquela or-

ganização administrativa.

b) O poder normativo evidencia-se por meio dos decretos autônomos, adequados

para instituição de pessoas jurídicas de direito público ou privado, por meio das

quais se opera a descentralização.


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c) O poder normativo manifesta-se quando há utilização do método descentrali-

zação, pois é necessária edição de leis para instituição de outras pessoas jurídicas

para as quais serão delegadas competências.

d) O poder hierárquico manifesta-se presente nas relações de desconcentração,

porque há relação de subordinação entre os órgãos da Administração e a Adminis-

tração central, o que não se replica com as relações travadas entre esta e os entes

da Administração indireta, ainda que se evidencie o poder de tutela.

e) A desconcentração não se relaciona com o poder discricionário da Administração

pública, porque este é restrito à Administração e Central, tendo em vista que os

órgãos da Administração não são dotados de autonomia e personalidade jurídica

própria, características que devem estar presentes para o exercício das atribuições

inerentes àquele poder.

Letra d.

O poder hierárquico tem a ver com desconcentração, criando novos órgãos que não

têm personalidade jurídica própria.

Letra a. Está errada porque não há hierarquia quando se fala em descentralização.

Entre Administração centralizada e descentralizada não há relação de hierarquia.

Letra b. Está errada porque decretos não podem instituir pessoa jurídica, que de-

vem ser criadas por meio de lei.

Letra c. Está errada porque poder normativo não faz descentralização, criando no-

vas pessoas. Quem deve fazer essa criação de nova pessoa jurídica, por exemplo,

uma autarquia, é a lei.

Letra e. Está errada porque desconcentração se relaciona, sim, com poder discri-

cionário, já que este vai avaliar a conveniência e oportunidade e realizar ou não a

criação de novos órgãos pela desconcentração.

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16. (FCC/PREFEITURA DE SÃO LUIZ-MA/PROCURADOR MUNICIPAL/2016) Recurso

Extraordinário n. 658.570

Determinada lei municipal, promulgada no início deste ano, estabelece que com-

pete à Guarda Municipal, concomitantemente às suas demais atribuições, atuar na

fiscalização, no controle e na orientação do trânsito, podendo para esse fim, inclu-

sive, autuar condutores e aplicar multas previstas na legislação federal pertinente.

À luz da disciplina constitucional e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal

sobre a matéria, referida lei municipal é

a) Compatível com a Constituição da República, podendo a Guarda Municipal, in-

clusive, autuar condutores e aplicar multas previstas na legislação federal, por se

tratar de legítimo exercício de poder de polícia, não exclusivo das entidades policiais

b) Compatível com a Constituição da República apenas no que se refere à orien-

tação do trânsito, atividade inerente às funções constitucionalmente atribuídas ao

Município, em matéria de segurança viária.

c) Incompatível com a Constituição da República, por atribuir à Guarda Municipal

funções de segurança pública, privativas das polícias militares estaduais.

d) incompatível com a Constituição da República, por atribuir à Guarda Municipal

funções estranhas à proteção de bens, serviços e instalações municipais.

e) Incompatível com a Constituição da República, por implicar invasão da compe-

tência privativa da União para legislar sobre trânsito e transporte.

Letra a.

O STF, ao julgar o RE n. 658.570, entendeu que as guardas municipais podem

exercer o poder de polícia, inclusive aplicando multas, pois poder de polícia não é

exclusivo de órgãos da segurança pública.

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17. (FCC/MPE-MA/TÉCNICO MINISTERIAL/ADMINISTRATIVO/2013) Considere a

seguinte assertiva: “Prefeitura interdita casa noturna por não possuir alvará de

funcionamento”. A atividade narrada corresponde

a) À atividade típica do poder hierárquico da Administração Pública.

b) À atividade típica do poder disciplinar da Administração Pública.

c) Ao exercício do poder de polícia judiciária, que não se confunde com a atividade

da polícia administrativa.

d) Ao exercício do poder de polícia administrativa.

e) À atividade típica do poder regulamentar da Administração Pública.

Letra d.

Trata-se de poder de polícia porque está restringindo uma atividade privada em

favor do interesse da coletividade.

18. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2016)

O exercício dos poderes inerentes à função executiva e a regular atuação da Ad-

ministração pública não estão dissociados da influência dos princípios que regem a

Administração pública em toda sua atuação. Essa relação

a) Existente entre o poder disciplinar e o princípio da legalidade informa o poder de

tutela exercido sobre os atos praticados pelos entes que integram a Administração

indireta, permitindo que a Administração central promova a revisão dos mesmos

para adequá-los à legalidade.

b) Que se forma entre o princípio da legalidade e o poder regulamentar autoriza a

edição de atos de natureza originária nas hipóteses de organização administrativa

e, nos demais casos, sempre que houver lacuna ou ausência de lei.


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c) Expressa-se, no caso do poder de polícia, à submissão ao princípio da supre-

macia do interesse público, que fundamenta a atuação da Administração pública

quando não houver fundamento legal para embasar as medidas de polícia.

d) De subordinação aos princípios da legalidade e da impessoalidade não afasta a

possibilidade da Administração pública adotar medidas administrativas de urgência

ou de firmar relações jurídicas diretamente com alguns administrados, sem submis-

são a procedimento de seleção público, desde que haja previsão legal para tanto.

e) Que impõe presunção de legitimidade e veracidade aos atos praticados pela

Administração pública não admite revisão administrativa, somente questionamento

judicial, cabendo ao administrado o ônus da prova em contrário.

Letra d.

Em todos os casos devem ser observados os princípios referidos. Porém, a própria

Constituição e a legislação possibilitam contratações em contratos e de agentes

públicos sem seleção pública prévia.

Letra a. Errada. A Administração direta não pode fazer revisão de atos da Adminis-

tração indireta.

Letra b. Errada. O poder regulamentar NÃO autoriza a edição de atos sempre que

houver lacuna na lei. Ademais, os atos do poder regulamentar não têm natureza

originária.

Letra c. Errada. Deve haver fundamento legal para a prática dos atos do poder de

polícia.

Letra e. Errada. Pode ser revisto em âmbito administrativo, tendo em vista o prin-

cípio da autotutela.

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19. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRA-

TIVA/2016) Considere:

I – A Administração pública não pode, no exercício do poder de polícia, utilizar-

-se de meios diretos de coação, sob pena de afronta ao princípio da propor-

cionalidade.

II – O objeto da medida de polícia, isto é, o meio de ação, sofre limitações, mes-

mo quando a lei lhe dá várias alternativas possíveis.

III – A impossibilidade de licenciamento de veículo enquanto não pagas as multas

de trânsito corresponde a exemplo da utilização de meios indiretos de coa-

ção, absolutamente válido no exercício do poder de polícia.

Está correto o que consta em

a) I, II e III.

b) II e III, apenas.

c) I e III, apenas.

d) I, apenas.

e) II, apenas.

Letra b.

O item I está errado porque a Administração Pública pode se utilizar, sim, de meios

diretos de coerção. É a executoriedade de que falamos em aula. O item II está cer-

to porque o poder de polícia estará sempre limitado pela lei. O item III está certo

porque trata-se de meio indireto de coerção (exigibilidade).

20. (FCC/TJ-PI/JUIZ DE DIREITO/2015) Na ementa do acórdão do Recurso Extra-

ordinário n. 658.570, do Supremo Tribunal Federal, consta o seguinte trecho:

Desprovimento do recurso extraordinário e fixação, em repercussão geral, da se-


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guinte tese: é constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício de

poder de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções administrativas

legalmente previstas.

Para assim decidir, o Tribunal estabeleceu algumas premissas. Dentre elas, NÃO

figura por ser incompatível com a conclusão acima citada:

a) Instituições policiais podem cumular funções típicas de segurança pública com

exercício de poder de polícia.

b) Poder de polícia não se confunde com segurança pública. O exercício do primeiro

não é prerrogativa exclusiva das entidades policiais.

c) A fiscalização do trânsito, com aplicação das sanções administrativas legalmen-

te previstas, embora possa se dar ostensivamente, constitui mero exercício de

poder de polícia.

d) O exercício do poder de polícia por instituições policiais é constitucionalmente

possível. No entanto, nesse caso o poder de polícia deixa de se caracterizar como

ação administrativa, passando a configurar exercício de polícia judiciária.

e) Considerando a competência comum dos entes da federação em matéria de

trânsito, podem os Municípios determinar que o poder de polícia que lhes compete

seja realizado pela guarda municipal.

Letra d.

O STF julgou no RE n. 685.570 que as guardas municipais podem exercer o poder

de polícia, inclusive aplicando sanções.

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QUESTÕES DE CONCURSO – LISTA II

21. (FCC/TRE-PB/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) A organi-

zação da sociedade exige o estabelecimento de regras para ditar o convívio harmô-

nico e balizar os diversos interesses contrapostos, incluindo os titularizados pelos

administrados e os interesses públicos, que servem à coletividade. Para o estabe-

lecimento dessa equação:

a) É necessário haver expressa previsão legal sobre todas as condutas possíveis

para a Administração pública e todas as vedações impostas aos administrados, ten-

do em vista que o exercício do poder de polícia é vinculado.

b) A Administração pública lança mão do poder de polícia, cujo exercício se destina

a limitar e condicionar o exercício de direitos individuais, sempre com fundamento

normativo, ainda que não expresso.

c) A Administração pública se vale do poder discricionário, que se expressa pela

imposição de limitações aos direitos individuais dos administrados, com base na

conveniência e oportunidade do Administrador, independentemente de fundamento

na legislação vigente.

d) É necessário que a Administração se valha de seu poder de polícia, que é sem-

pre vinculado, nos estritos termos previstos em lei, desde que não inclua a imposi-

ção de penalidades, para o quê é necessária decisão judicial.

e) É fundamental identificar o interesse público envolvido, que tem prevalência

apriorística sobre os interesses individuais, cabendo à Administração pública a ado-

ção de quaisquer medidas para impor obrigatoriamente o interesse da coletividade.

22. (FCC/TRE-PB/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Dentre os

poderes atribuídos à Administração pública, é inerente ao poder

a) Regulamentar a possibilidade de criar direitos e obrigações aos administrados

sempre que houver lacuna na lei disciplinando determinado tema.


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b) Regulamentar a competência do executivo para editar ato normativo explicitan-

do os deveres e direitos que tiverem sido instituídos por meio de lei, admitindo-se,

inclusive, a delegação dessa atribuição.

c) Disciplinar a restrição de seu alcance para atingir apenas servidores e desde

que possuam vínculo funcional adquirido mediante concurso com a Administração

pública.

d) Hierárquico a possibilidade de imposição de penalidades aos servidores e ad-

ministrados, sempre que agirem em desconformidade às normas ou aos princípios

que regem a atuação dos entes públicos.

e) Disciplinar a precedência de relação de hierarquia para fundamentar e delimitar

o âmbito de aplicação de medidas punitivas.

23. (FCC/TRT – 9ª REGIÃO (PR)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATI-

VA/2015) Nos autos do Recurso Extraordinário 632.265 RJ, o Ministro Relator do

Supremo Tribunal Federal entendeu que o Estado do Rio de Janeiro teria editado

decreto indevidamente para criar nova forma de recolhimento de tributo, matéria

reservada à lei. A conduta do Poder Executivo em questão

a) Excede o poder de polícia do Chefe do Executivo, que se submete ao estrito

princípio da legalidade.

b) Somente seria válida para criação de direitos ou deveres para os servidores pú-

blicos, para o que o poder normativo do Executivo tem natureza originária.

c) Exacerba o poder normativo originário que lhe compete, mas pode ser convali-

dado em observância ao princípio da eficiência.

d) É expressão do poder regulamentar, não assistindo razão ao STF, na medida em

que se está diante de decreto autônomo.

e) Excede o poder regulamentar e viola o princípio da legalidade, pois adentra ma-

téria reservada à lei.


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24. (FCC/TRT – 9ª REGIÃO (PR)/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATI-

VA/2015) Marilda é comerciante e possui um estabelecimento comercial funcionan-

do no mesmo local há alguns anos. Recentemente recebeu a visita de um fiscal da

Administração pública municipal, que entendeu estar a comerciante descumprindo

algumas normas e posturas referentes ao funcionamento e instalação do estabele-

cimento. Lavrou auto de infração e de imposição de multa. Marilda já apresentou

defesa, que foi rejeitada. Marilda pretende apresentar recurso, mas não dispõe do

montante necessário para efetuar o depósito prévio exigido no auto de infração.

Nesse caso

a) O fiscal cometeu irregularidade no exercício do poder de polícia, posto que já

está sedimentado na jurisprudência ser vedada a exigência de depósito prévio para

a apresentação de recurso administrativo.

b) Houve irregularidade no exercício do poder de polícia, tendo em vista que é ve-

dada a imposição de multa antes do esgotamento do devido processo legal, com

observância do contraditório e da ampla defesa.

c) Ficou prejudicado o recurso administrativo de Marilda, que deverá aguardar a

ação de cobrança judicial para apresentar sua defesa contra a imposição da multa.

d) O princípio da supremacia do interesse público permite o diferimento do contra-

ditório e da ampla defesa, tanto quanto a garantia do depósito prévio para assegu-

rar o adimplemento do débito aos cofres públicos.

e) A comerciante deverá ajuizar ação judicial para depositar em juízo o valor da

multa imposta, garantindo que, caso se sagre vencedora, logrará êxito em obter o

levantamento do montante em seu favor de forma mais ágil.

25. (FCC/TRE-AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ADMINISTRATIVO/2015) A autorização e

a licença constituem exemplos clássicos do exercício do poder de polícia e são me-

didas consideradas

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a) Repressivas.
b) Preventivas.
c) Judiciárias.
d) Normativas.
e) Normativas e punitivas.

26. (FCC/TRE-AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ADMINISTRATIVO/2015) Considere as as-


sertivas abaixo concernentes ao poder disciplinar.
I – É sempre vinculado.
II – Há discricionariedade no momento da aplicação da pena, podendo a Adminis-
tração pública levar em consideração, para a escolha da pena, dentre outros
aspectos, a natureza e a gravidade da infração.
III – Há discricionariedade no momento de decidir se instaura ou não o processo
administrativo disciplinar.
IV – Deve, em regra, ser aplicado a particulares não sujeitos à disciplina interna
da Administração pública.

Está correto o que se afirma APENAS em


a) II, III e IV.
b) I e IV.
c) II.
d) II e III.
e) I.

27. (FCC/TRE-SE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Considere


as seguintes assertivas:
I – Dissolução de reunião.
II – Apreensão de mercadorias deterioradas.
III – Notificação do administrado.
IV – Vistoria.
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Constitui exemplo de poder de polícia de caráter repressivo o que consta APENAS em

a) I e II.

b) I, II e III.

c) II e III.

d) I e IV.

e) III e IV.

28. (FCC/TRE-SE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Um dos

poderes decorrentes da relação hierárquica consiste em editar atos normativos. A

propósito de tais atos é correto afirmar que

a) Podem, excepcionalmente, obrigar pessoas estranhas à relação hierárquica.

b) São apenas e tão somente decorrentes da relação hierárquica.

c) Confundem-se com os regulamentos.

d) As resoluções não se enquadram em tais atos.

e) São considerados atos normativos de efeitos externos.

29. (FCC/TRT – 15ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO/2015) O exercício do poder de

polícia contemporaneamente seria melhor referido como função de polícia, escla-

recendo Diogo de Figueiredo Moreira Neto que “o emprego do poder estatal para

restringir e condicionar liberdades e direitos individuais é uma exceção às suas cor-

respectivas afirmações e garantias constitucionais…” (Curso de Direito Administra-

tivo, Rio de Janeiro: Forense, 16. Ed. p. 438), de cuja lição se pode depreender que

a) É a legislação que promove a essencial limitação e condicionamento aos direitos

e garantias individuais, cabendo ao exercício da função de polícia a correta aplica-

ção dessas disposições.

b) A atuação de polícia depende de expressa prescrição normativa, de forma que

os órgãos de controle possam averiguar se as limitações e condicionamentos foram

bem aplicados.
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c) Inexiste margem de apreciação no exercício do poder de polícia, tendo em vista


que, devido ao caráter excepcional, todas as limitações devem estar previstas na
legislação vigente.
d) Não há possibilidade de delegação do exercício do poder de polícia, tendo em
vista que a lei estabelece o destinatário da norma e o titular do exercício das fun-
ções administrativas.
e) A atuação vinculada da Administração no exercício do poder de polícia não pro-
cede, cabendo à Administração reservar a análise discricionária do tema para si, a
fim de garantir a efetividade dessa manifestação de competência.

30. (FCC/TRT – 15ª Região/Juiz do trabalho/2015) Quando se fala sobre a coor-


denação e subordinação de entes, órgãos e agentes entre si e se alude a uma dis-
tribuição de funções, para que seja promovida uma sequência de autoridade pro-
gressiva, estrutura que viabilizará a ordenação harmônica de atuações, agregada
a possibilidade de fiscalização e correção de eventuais irregularidades, trata-se da
descrição do poder
a) Discricionário da Administração, que tem a função de gestão, com esfera de
decisão fundada exclusivamente em critérios de conveniência e oportunidade para
organização administrativa.
b) Disciplinar, que se aplica às relações jurídicas ou não jurídicas travadas pela
Administração pública, com vistas ao incremento de controle.
c) De polícia, cujo conteúdo contemporâneo não traz mais o sentido de limitação a
direitos e garantias individuais.
d) Hierárquico, intrínseco à organização administrativa e que se consubstancia em
importante ferramenta para viabilizar a execução das funções administrativas.
e) Regulamentar, que constitui verdadeira competência normativa originária para
organização da Administração, possibilitando não só a estruturação das atividades,
mas também a reestruturação de pessoal, com criação e extinção de cargos e em-
pregos visando ganho de eficiência e economicidade.
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31. (FCC/TRT – 15ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO/2015) A Administração estadual

editou um decreto delimitando como deveriam ser apresentados e instruídos os

requerimentos dos administrados para obtenção de certidões e manifestações dos

órgãos competentes quanto ao reconhecimento de limites de imóveis quando con-

frontantes com bens públicos. A manifestação dos confrontantes é exigida em lei

federal para fins de obtenção de retificação de área. Esse decreto configura

a) Exacerbação do poder de polícia, tendo em vista que decreto estadual não pode

disciplinar as condições formais de apresentação de requerimento cujo objeto é o

reconhecimento de direito previsto em lei federal.

b) Manifestação do poder de polícia, vez que limita os direitos individuais dos ad-

ministrados, passando a condicionar o exercício do direito de retificação da área de

seus imóveis.

c) Exemplo de poder disciplinar, porque possui caráter geral e impessoal, dissocia-

do de vínculo jurídico específico, aplicável isonomicamente a todos os proprietários

de bens que confrontem com bens públicos.

d) Exteriorização do poder normativo autônomo, tendo em vista que inexiste lei

estadual disciplinando a matéria, apenas lei federal, de forma que o decreto é a

única norma a tratar do tema na esfera do ente federado em questão.

e) Regular exercício do poder regulamentar, tendo em vista que cuida de explicitar

as condições para aplicação da lei federal na esfera estadual, no que concerne às

confrontações com bens imóveis de titularidade estadual.

32. (FCC/TRT – 4ª REGIÃO (RS)/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVA-

LIADOR/2015) As prerrogativas concedidas à Administração pública e as sujeições

impostas aos administrados são objeto de constantes contraposições, servindo os

princípios que norteiam a atuação do Poder Público também como limitadores e

garantias aos direitos individuais dos administrados. O exercício do poder de polícia


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é exemplo dessa contraposição, havendo situações em que os limites das compe-

tências administrativas ficam mais evidentes do que em outros. Como adequada

forma de interação do poder de polícia e dos direitos individuais é correto,

a) Afirmar que o exercício do poder de polícia administrativo é sempre repressivo,

assemelhando-se à polícia judiciária nesse aspecto, sendo garantido ao adminis-

trado o exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que diferido em relação

àquela atuação.

b) Ressalvar o atributo da autoexecutoriedade no exercício do poder de polícia em

algumas situações que não se mostrem imprescindíveis para o atendimento do in-

teresse público e impliquem infringir garantias constitucionais dos administrados,

como a inviolabilidade de domicílio.

c) Concluir que a autoexecutoriedade é atributo inerente a toda a atuação de polí-

cia da Administração pública, diferentemente da exigibilidade, prescindível muitas

vezes, na medida em que aquela atuação ficaria esvaziada no caso de depender de

interferência do Poder Judiciário.

d) Permitir a superação de garantias e liberdades individuais sempre que a Admi-

nistração pública entender que assim o interesse público restará melhor atendido,

diferindo-se a motivação e a observância do contraditório e da ampla defesa.

e) Limitar a atuação da Administração pública pelos prejuízos financeiros causados

aos administrados, de modo que a atuação coercitiva somente é permitida para fins

preventivos e desde que não gere impacto patrimonial na esfera dos interessados,

sob pena de ser obrigatória prévia instauração de processo administrativo.

33. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/JUIZ DO TRABALHO/2015) Considere a exis-

tência de regular norma federal disciplinando alguns requisitos para fabricação de

alimentos para consumo humano, em especial no que concerne à exigência de pre-

sença de profissional da área de nutrição, com registro no conselho de classe, como

integrante do quadro de funcionários da empresa. Um determinado Município que


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integra importante região industrial do setor alimentício organizou um programa

de acompanhamento e fiscalização de todas as empresas desse segmento sediadas

em seus limites, no Município, para conferir o atendimento da norma federal. O

Ministério Público, contudo, instaurou inquérito civil para apurar a atuação do Mu-

nicípio. Esse cenário e seus desdobramentos

a) Dependeriam de autorização judicial para a efetiva lavratura de auto de infração

e imposição de penalidade, equiparando-se o poder fiscalizatório da Administração

pública ao poder investigatório do Ministério Público no inquérito civil, desprovidos

de autoexecutoriedade.

b) Estão de acordo com o ordenamento jurídico no caso de não ser lavrado ne-

nhum auto de infração, nem adotada nenhuma medida coercitiva ou repressiva até

o término do processo administrativo ou do inquérito civil, tendo em vista que a

unilateralidade da competência exercida tornaria mais difícil ao autuado refutar as

alegações que lhe forem impostas.

c) Possuem amparo no ordenamento jurídico brasileiro, estando o Município no

exercício de seu poder de polícia, que permite a fiscalização da regularidade da

execução das atividades industriais em seu território, nos termos da lei, bem como

compete ao Ministério Público o controle externo da atuação da Administração pú-

blica.

d) Excederam os limites dos poderes investigatórios do Ministério Público, tendo

em vista que a instauração de inquérito civil se cinge ao controle de legalidade, não

permitindo ingressar na seara discricionária que permeia a atuação de polícia da

Administração pública no caso concreto.

e) Somente poderiam ter amparo no ordenamento jurídico brasileiro no caso de

haver delegação expressa da União ao Município, por meio da mesma norma fe-

deral que disciplinou a fabricação de alimentos, não sendo permitido a este último

ente federado o exercício de poder de polícia para aferição e conformação ao aten-

dimento da legislação federal e demais normas pertinentes.


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34. (FCC/TRT – 23ª REGIÃO (MT)/JUIZ DO TRABALHO/2015) O Supremo Tribunal

Federal assentou, no RE 414426-SC, que

Nem todos os ofícios ou profissões podem ser condicionadas ao cumprimento de

condições legais para o seu exercício. A regra é a liberdade. Apenas quando hou-

ver potencial lesivo na atividade é que pode ser exigida inscrição em conselho de

fiscalização profissional. A atividade de músico prescinde de controle. Constitui,

ademais, manifestação artística protegida pela garantia da liberdade de expressão.

A decisão proferida traduz a atuação da Administração pública

a) Quando do exercício de atividade econômica, tendo em vista que se trata de

regulamentar atividade privada com fins lucrativos.

b) Por meio de suas autarquias regulamentadoras, sujeitas a regime jurídico de di-

reito híbrido e no exercício de seu poder de polícia, porque destinadas ao controle,

regulamentação, fiscalização e tributação de atividades profissionais.

c) No exercício do seu poder de polícia, que deve, não obstante condicione e limite

os direitos individuais dos administrados, fazê-lo apenas quando necessário e com

base na legislação pertinente.

d) No exercício de seu poder normativo originário, quando institui regras para au-

torizar e regulamentar profissões e atividades profissionais autônomas.

e) Por meio de suas autarquias reguladoras, no exercício de seu poder normativo

originário para disciplinar e instituir normas para exercício de profissões.

35. (FCC/TCE-AM/AUDITOR/2015) Sobre a relação entre a organização adminis-

trativa e os poderes atribuídos à Administração pública, é correto afirmar:

a) O poder hierárquico projeta seus efeitos interna e externamente, posto que se

dirige aos servidores de determinado ente federado e aos demais integrantes das

pessoas jurídicas que compõem sua Administração indireta, como decorrência do

poder de tutela.
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b) O poder disciplinar possui vínculo intrínseco com a Administração direta, mas

seus efeitos também se estendem à Administração indireta, para aqueles entes do-

tados de personalidade jurídica de direito público, tais como autarquias, empresas

públicas e fundações.

c) O poder normativo tem iniciativa restrita à Administração direta, porque indele-

gável, seja no seu espectro originário, seja na sua função regulamentar.

d) Os entes que integram a Administração indireta também podem exercer poder

normativo, tendo em vista que a competência privativa atribuída ao Chefe do Exe-

cutivo pela Constituição Federal é delegável.

e) Os entes que integram a Administração indireta exercem apenas internamente

poder hierárquico e disciplinar, razão pela qual não lhes é facultado o exercício do

poder de polícia.

36. (FCC/CM-RJ/PROCURADOR/2015) Nova gestão municipal assumiu mandato e,

conforme divulgado em seu programa de governo durante a campanha, restringiu o

horário de funcionamento do comércio aos domingos, determinando o encerramen-

to do expediente duas horas mais cedo. A medida estava motivada na necessidade

de atender pleito fundado da classe trabalhadora do setor de comércio, que, não

obstante ao recebimento da remuneração legal das horas extras, acabava obrigada

a exercê-las em seu grau máximo, diante da necessidade do mercado. Conside-

rando que o Município tenha competência para essa regulamentação de horário e

que o tenha feito de forma regular, respeitando a legislação vigente, é decorrência

direta dessa medida a

a) Possibilidade de fiscalização do comércio, com lavratura de auto de infração e

imposição de multa pelo descumprimento da nova regulamentação e até mesmo

fechamento do estabelecimento, como expressão do poder disciplinar a que estão

sujeitos os administrados.
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b) Necessidade de instituição do controle dos sistemas contábeis de todos os esta-

belecimentos comerciais, para fins de bloqueio de utilização fora do horário permi-

tido pela nova regulamentação.

c) Inconstitucionalidade de medidas coercitivas e de fiscalização repressiva, tendo

em vista que o poder de polícia e normativo do Poder Público municipal exauriu

seus efeitos com a disciplina do horário de funcionamento.

d) Discricionariedade na aplicação e modulação da regra diante de peculiaridades

e necessidade de atendimento de interesses locais específicos, tolerando horários

diferenciados nas regiões em que houver pedido fundamentado dos comerciantes,

prescindindo de alteração normativa.

e) Constitucionalidade da atuação repressiva dos órgãos de fiscalização, com la-

vratura de auto de infração e imposição de multa e até interdição de estabeleci-

mentos, como expressão do poder de polícia administrativa.

37. (FCC/TCM-RJ/AUDITOR/2015) Considere que uma empresa contratada pela

Administração pública para a prestação de serviços de limpeza tenha cometido di-

versos descumprimentos de suas obrigações contratuais e a ela tenham sido apli-

cadas, pela Administração, proibição de participar de licitações. No caso citado, a

atuação da Administração é expressão de seu poder

a) Disciplinar, que permite aplicar penalidades não apenas aos servidores públicos

mas também às demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa.

b) Regulamentar, exercido nos limites da legislação que rege a matéria.

c) Hierárquico, decorrente da supremacia do interesse público sobre o privado.

d) Discricionário, que permite à Administração a escolha da conduta que melhor

atenda ao interesse público no caso concreto.

e) Normativo, que permite impor obrigações aos administrados em prol do inte-

resse público.
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38. (FCC/TCE-CE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/2015) Carmelo e Leôncio

são servidores públicos, sendo o primeiro chefe do segundo. Leôncio e Carmelo

participaram de um torneio interno de futebol e Leôncio foi eleito o melhor jogador

do campeonato. Carmelo, inconformado com o resultado do prêmio futebolístico,

removeu Leôncio para localidade distante, a fim de que este não mais pudesse par-

ticipar do campeonato. Nesse caso, Carmelo

a) Deveria ter contado com a anuência da autoridade superior para efetuar a re-

moção.

b) Agiu dentro das suas atribuições legais.

c) Poderia ter realizado esta remoção, uma vez que possui poder hierárquico para tal.

d) Somente poderia ter realizado a remoção, com este fundamento, após a instau-

ração de processo administrativo.

e) Incorreu em desvio de poder.

39. (FCC/TCE-CE/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO/2015) A Administração pública

tem o poder-dever de apurar infrações administrativas e aplicar penas disciplina-

res, respeitando, para tanto, o contraditório e a ampla defesa. Cuida-se do exercí-

cio do denominado Poder Disciplinar. Quanto a este, é correto afirmar:

a) É obrigatório, razão pela qual a autoridade administrativa tem o dever não só de

apurar eventual prática de falta funcional como tem a obrigação de aplicar sanção

nas hipóteses em que a culpa do servidor não restar integralmente comprovada,

isso em razão do princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.

b) A aplicação de sanção disciplinar decorrente da prática de ilícito administrativo

inibe a aplicação de sanção criminal pelo mesmo fato, em razão do princípio do não

bis in idem.

c) A tipicidade do direito administrativo é menos rigorosa que a do direito penal,

isso em razão dos valores jurídicos protegidos por cada área, motivo pelo qual, em

regra, muitos estatutos funcionais admitem tipos abertos.


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d) Por cuidar-se de dever-poder, de caráter obrigatório, não comporta espaço para

que a Administração exerça juízo discricionário.

e) Compreende as punições dos administrados e indivíduos que não obedecem às

limitações e restrições impostas no interesse público, não apenas as penalidades

impostas aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos

e serviços públicos.

40. (FCC/TCE-CE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/2015) Durante a realização

de um Festival de Rodeio e Gastronômico, foi feita uma denúncia anônima indi-

cando suposta armazenagem de alimentos in natura no mesmo ambiente em que

estavam instalados alguns animais que participariam das apresentações culturais

do evento. A Administração pública competente destacou delegação para apuração

das denúncias. No local, os agentes públicos constataram que, além da armazena-

gem inadequada dos alimentos, os animais estavam sofrendo maus-tratos. Diante

desse quadro, os agentes públicos, considerando a competência legal que desem-

penham,

a) Devem interditar o local onde foram constatadas as ilegalidades e lavrar auto de

infração, a fim de impedir que sejam causados danos à saúde dos frequentadores

do evento, diferindo a observância do contraditório e da ampla defesa.

b) Devem instaurar processo administrativo emergencial para punição dos res-

ponsáveis, sendo possível requerer ao superior a emissão de auto de lacração do

evento.

c) Podem lavrar boletim de ocorrência e propor ao Ministério Público o ajuizamento

de ação civil para responsabilização civil dos organizadores do evento.

d) Devem ajuizar ação judicial, pleiteando tutela de urgência para interdição do

estabelecimento onde foram constatadas as ilegalidades.

e) Precisam de autorização judicial para ingressar no evento, a fim de levar a efeito

a fiscalização determinada pelas autoridades.


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41. (FCC/TCE-CE/PROCURADOR/2015) O Princípio da Separação de Poderes irra-

dia efeitos nas atividades administrativas, podendo extrair dessa atuação algumas

conclusões, tais como aquela que veda que o poder normativo do Executivo subs-

titua a disciplina reservada à lei formal. Considerando que, o conjunto de compe-

tências que compõe a função administrativa se expressa em diversas frentes de

atuação,

a) O controle judicial e o controle legislativo podem incidir sobre todas as áreas

de incidência da função administrativa, inexistindo campo de atuação reservado à

Administração pública, uma vez que todas as matérias passíveis de serem objeto

do poder normativo, também podem ser disciplinadas por lei.

b) A atividade administrativa somente é passível de ser exercida no âmbito do

Executivo, não se podendo qualificar como ato administrativo quando praticada no

âmbito do Poder Judiciário e do Poder Legislativo, que exercem função primordial

distinta.

c) A atividade administrativa que seja expressão da função prestacional do Esta-

do, ou seja, aquela que se presta ao atendimento das necessidades coletivas, é a

essência da função executiva, que não predica a atuação da Administração quando

se trata de atuação regulatória.

d) A atuação da Administração pública como fomentadora de atividades econô-

micas no âmbito privado, tal qual a atuação prestacional, também é expressão da

função executiva, porque visa, em maior ou menor grau, ao atendimento das fina-

lidades constitucionalmente protegidas.

e) A atuação da Administração pública que limita as liberdades e direitos individu-

ais não pode ser considerada função executiva, porque não se trata de prestação

positiva, mas sim de atividade sancionadora e normativa.

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42. (FCC/TCE-CE/PROCURADOR/2015) A propósito da discricionariedade, Marçal


Justen Filho assim se posiciona:
A discricionariedade é uma manifestação da natureza funcional das competências
estatais. Apresenta feição de dever-poder; não se apresenta como faculdade a ser
exercitada segundo juízos de conveniência pessoal. (…) A discricionariedade admi-
nistrativa é atribuída por via legislativa, caso a caso. Isso equivale a reconhecer,
dentre os poderes atribuídos constitucionalmente ao Legislativo, aquele de trans-
ferir ao Executivo a competência para editar normas complementares àquelas de-
rivadas da fonte legislativa.

Partindo dessa lição sobre a discricionariedade e o poder normativo do Executivo,


é correto afirmar:
a) O poder normativo do Executivo é informado pela discricionariedade, na medida
em que a lei, ao não descer às minúcias da solução em determinada matéria, per-
mite à Administração pública escolher a melhor solução dentre as possíveis, não se
confundindo, contudo, essa liberdade de atuação com liberalidade.
b) Com exceção da discricionariedade originária, que não decorre da legislação em
vigor, a atuação da Administração, ainda que com certo grau de liberdade, deve ser
conforme a lei.
c) Em razão de sua intrínseca relação com a lei, a discricionariedade deve vir ex-
pressamente tratada nos atos normativos, para que se extraia os exatos limites da
outorga de liberdade ao Administrador.
d) A discricionariedade é originária quando se trata de matéria sujeita à reserva
de Administração, ou seja, àquelas matérias sobre as quais o Legislativo não pode
tratar, porque exclusivas da Administração pública, o chamado poder normativo
autônomo.
e) O poder normativo não coexiste com a discricionariedade, posto que aquele tem
conteúdo regulamentar e derivado da lei, enquanto a margem de atuação do poder
discricionário excede os ditames da lei.
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43. (FCC/MANAUSPREV/ANALISTA PREVIDENCIÁRIO/2015) De acordo com as li-

ções trazidas por Maria Sylvia Zanella Di Pietro:

“… a possibilidade que tem a Administração de, com os próprios meios, pôr em

execução as suas decisões, sem precisar recorrer previamente ao Poder Judiciário.

(…)

A decisão administrativa impõe-se ao particular ainda contra sua concordância;

se este quiser se opor, terá que ir a juízo”


(Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 25. Ed. p. 126).

A descrição trazida pela autora é condizente com uma das formas de atuação da

Administração pública, mais precisamente com

a) O poder de polícia em seu ciclo normativo originário, vedada a execução mate-

rial direta pela Administração pública

b) O poder de polícia, que permite que a Administração execute materialmente

seus atos, quando dotados do atributo da autoexecutoriedade.

c) O poder de polícia em seu espectro preventivo, na medida em que compreende

a edição de atos normativos infralegais.

d) A atuação de polícia em seu caráter discricionário, visto que permite a edição de

atos normativos originários, para imposição de limitação aos direitos e liberdades

individuais dos administrados.

e) O atributo da exigibilidade, típico da atuação de polícia vinculada, vedada a exe-

cução material direta por parte da Administração pública.

44. (FCC/MANAUSPREV/TÉCNICO PREVIDENCIÁRIO/ADMINISTRATIVA/2015) De

acordo com a definição de José dos Santos Carvalho Filho, a prerrogativa de direito

público que, calcada na lei, autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o

gozo da liberdade e da propriedade em favor do interesse da coletividade (Manual

de Direito Administrativo, São Paulo, Atlas 25. ed. p. 75) refere-se ao poder
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a) De polícia judiciária, que autoriza a Administração pública a restringir a liberda-

de dos administrados.

b) De império, que qualifica todos os atos praticados pela Administração pública.

c) Discricionário, que permite à Administração pública atuar nas lacunas da lei.

d) De polícia, que não se restringe às atividades normativas e preventivas, alcan-

çando também atuação repressiva.

e) Vinculado, que exige que a Administração pública faça tudo aquilo que estiver

expressamente previsto na lei.

45. (FCC/TJ-GO/JUIZ DE DIREITO/2015) O regime jurídico-administrativo com-

preende um conjunto de prerrogativas e sujeições aplicáveis à Administração e

expressa-se sob a forma de princípios informativos do Direito Público, bem como

pelos poderes outorgados à Administração, entre os quais se insere o poder nor-

mativo, que

a) Não se restringe ao poder regulamentar, abarcando também atos originários

relativos a matéria de organização administrativa.

b) Permite a edição de atos discricionários, com base em critérios de conveniência

e oportunidade e afasta a vinculação a requisitos formais

c) Autoriza a Administração a impor limites às atividades privadas em prol do in-

teresse público.

d) É o instrumento pelo qual a Administração disciplina a execução da lei, editando

normas que podem inovar em relação ao texto legal para a criação de obrigações

aos administrados.

e) Compreende a aplicação de sanções àqueles ligados à Administração por vínculo

funcional ou contratual.
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46. (FCC/TRE-RR/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) A edição

de atos normativos de efeitos internos, com o objetivo de ordenar a atuação dos

órgãos subordinados decorre do poder

a) Disciplinar.

b) Regulamentar.

c) Hierárquico.

d) De polícia.

e) Normativo.

47. (FCC/TRE-RR/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2015) Os órgãos pú-

blicos consultivos

a) Admitem a delegação de atribuições, porém não a avocação de atribuições.

b) Fogem à relação hierárquica no que diz respeito ao exercício de suas funções.

c) São exemplos típicos de órgãos onde se exclui totalmente a interferência de

órgãos superiores.

d) Estão excluídos da hierarquia administrativa para fins disciplinares

e) Admitem a avocação de atribuições, porém não a delegação de atribuições.

48. (FCC/TRE-RR/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Claudio,

fiscal do Procon de Roraima, ao receber denúncia anônima acerca de irregularida-

des em restaurante, comparece ao local e apreende gêneros alimentícios impró-

prios para o consumo, por estarem deteriorados. A postura adotada concerne a

uma das características do poder de polícia, qual seja,

a) Discricionariedade.

b) Inexigibilidade.

c) Consensualidade.

d) Normatividade.

e) Autoexecutoriedade.
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49. (FCC/CNMP/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO/2015) A Administração é dotada de

poderes administrativos dentre os quais figuram os poderes

a) Militar, disciplinar, discricionário e hierárquico.

b) Disciplinar, político, vinculado e hierárquico.

c) Político, vinculado, hierárquico e de polícia.

d) Disciplinar, discricionário, regulamentar e de polícia.

e) Regulamentar, vinculado, disciplinar e militar.

50. (FCC/TCM-GO/PROCURADOR/2015) Constitui correspondência válida entre os

poderes ou prerrogativas da Administração e exemplos de expressão dessa atuação

pela Administração pública,

a) Decisão proferida em processo disciplinar que instituiu a sanção aplicada ao

funcionário público, como expressão do poder normativo originário, visto que nem

todas as condutas estão tipificadas em sua integralidade na legislação pertinente.

b) Lavratura de auto de infração e imposição de multa contra estabelecimento co-

mercial que desatende as normas sanitárias, como expressão do poder normativo

originário e do poder de polícia, visto que nem todas as hipóteses que autorizam a

atuação da Administração estão previstas na legislação pertinente.

c) Edição do ato que concede aposentadoria por tempo de serviço, requerida por

servidor com fundamento em tempo de serviço, como expressão de competência

vinculada e da relação de hierarquia.

d) Decisão proferida em processo disciplinar movido contra funcionário público,

como expressão do poder disciplinar originário, visto que abrange, além do reco-

nhecimento do ilícito, o estabelecimento de sanção apropriada para o caso, diante

de ausência de precisão legal.

e) Edição do ato que concede aposentadoria voluntária ao servidor estável, como

expressão do poder normativo regulamentar da Administração, visto que se limita

a cumprir expressa disposição de norma constitucional.


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GABARITO - LISTA II

21. b
22. b
23. e
24. a
25. b
26. c
27. a
28. b
29. a
30. d
31. e
32. b
33. c
34. c
35. d
36. e
37. a
38. e
39. c
40. a
41. d
42. a
43. b
44. d
45. a
46. c
47. b
48. e
49. d
50. c

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