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danosas, inconcebíveis no passado, representa um caminhar para a reflexão da responsabilidade civil sem dano, na nossa opinião. Como bem exposto por Vitor Gughnski, "a ocorrência sucessiva e acintosa de mau atendimento ao consumidor, gerando a perda de tempo útil, tem levado a jurisprudência a dar seus primeiros passos para solucionar os dissabores experimentados por milhares de consumidores,. passando a admitir a reparação civil pela perda do tempo livre". (TARTUCE, Flávio; NEVES, Dani.el Assumão. Manual de Direito do Consumidor - Volume Único - Direito Material e Processual [livro eletrônico]. S ª Ed. São Paulo: Método, 01/2016. Epub. ISBN 978-85-309-6893-9)

Defendendo essa mesma enseada, verbera Orlando da Silva

Neto, ipsis litte r is:

Outras situações em que há (ou pode haver) a caracterização do dano moral são aquelas nas quais a forma pela qual que ocorre o descumprimento de uma obrigação é tão grave que ultrapassa o mero dissabor e transtorno. (SILVA NETO, Orlando da. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor [livro eletrônico]. - Rio de Janeiro:

Forense, 2013. Epub. ISBN 978-85-309-4812-2)

Nessa esteira, inclusive, é o entendimento jurisprudencial:

APELAÇÃO CÍVEL

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não logrou êxito em corroborar nos autos as alegações vertidas no apelo,

sendo seu o ônus de comprovar a inexistência de defeito na prestação do

serviço. Apelo do autor pugnando pela indenização de danos morais e materiais, estes pelo pagamento em dobro por cada cobrança indevida;

pagamento da multa diária de r$600,00 por desconto indevido e ainda,

insurge-se contra a sucumbência recíproca, pleiteando que os honorários

advocatícios sejam fixados sob o valor da condenação. A. situaçã,o é

suficiente para gerar angústia intensa nos moldes que ultrapassem ao

mero aborrecimento, pois não realizou o contrato de empréstimo, e ainda,

sofreu descontos no seu contracheque, sendo visível a boa fé do autor em promover a ação e depos"tar o valor que foi consignado em sua conta,

gerando transtornos. Valor de r$3.000 ,, 00 estabelec·dos a títu!lo de danos

morais. Cancelamento de contrato de empréstimo. Procede a devolução

em dobro dos valores indevidamente cobrados indevidamente através de desconto em folha de pagamento. Dano material reconhecido. Astreintes

bem fixadas; que devem ser apuradas em liquidação de sentença. Decisão

mantida. Precedente desta corte. Nega-se provimento ao recurso da parte ré e, dá-se provimento parcial ao recurso da parte autora. (TJRJ; APL

0020479-45.2015.8.19.0014; Campos dos Goytacazes; Vigésima Sétima

Câmara Cível Consumidor; Reiª Desig. Des ª Fernanda Femanades Coelho

Arrabida Paes; Julg. 19/07/2017; DORJ 24/07/2017; Pág. 353)

Reiª Desig. Des ª Fernanda Femanades Coelho Arrabida Paes; J u l g . 19/07/2017; DORJ

95.2015.8.24.0113; Camboriú; Terceira Câmarai de Direito Civil; Rei. Des.

Fernando Carioni; DJSC 24/07/2017; Pag. 97)

Urna

vez

que,

nessa

situação,

o

dano

é

presumido,

97) Urna vez que, nessa situação, o dano é presumido, maiormente face à má prestação do

maiormente face à má prestação do serviço, cabe à ré, por isso, desincumbir-se em

comprovar a regularidade nos préstimos ofertados.

2.3. Dano moral presumido ("in re ipsa,,)

Noutro giro, certamente pode-se qualificar o cenárrio tático­

probatório como fatos geradores de dano moral "in re ipsa".

Não seria despiciendo, a título ilustrativo, lembrar o magistério

de Sérgio Cavalieri Filho:

Não há, pois, que discutir em torno do fundamento da responsabilidade. Aliás, se útil fosse a discussão, haveria de concluir-se pela existência� no presente caso, de responsabilidade fundada na culpa. Na culpa in re ipsa, vale dizer, na culpa que deriva inexoravelmente das circunstâncias em que ocorreu o fato danoso, de tal modo que basta a prova desse fato para que ipso facto fique demonstrada a culpa, a guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis, ou facti. O agente do dano demonstre o caso fortuito, ou a forca maior, para se exonerar dessa responsabilidade que

exsurge do próprio fato. Tal demonstração não foi feita."