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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Semelhanças e diferenças entre as cantigas de amigo e as cantigas de amor

As cantigas de amigo e as de amor são dois dos três géneros da tradição poética medieval galego-portuguesa
e as suas versões escritas datam de entre os séculos XII e XIV. As primeiras surgiram no Condado da Galiza
e no Condado Portucalense e as segundas surgiram na tradição poética da Provença, sul de França.
Nas cantigas de amigo, o sujeito poético é uma donzela de origem popular e de natureza espontânea, que
fala dos incidentes da sua relação amorosa tendo como objeto amado o seu «amigo». A donzela vive num
meio rural; o cenário é a natureza, que pode ter, para além da função de cenário, a função de confidente da
donzela, como na composição “Ai flores, ai flores do verde pino”, ou uma função simbólica, podendo
representar o tumulto interior da rapariga, como acontece na cantiga “Sedia-m’eu na ermida de Sam
Simiom”, em que o mar encapelado representa o seu estado de perturbação e ansiedade, ou, tal como no
caso da cantiga “Digades, filha, mha filha velida”, representa o seu amigo (o “cervo”).
Nas cantigas de amor, o sujeito poético é um homem que se dirige a uma “senhor” idealizada e perfeita,
exprimindo sentimentos que são a transposição amorosa da estrutura social da Idade Média do vassalo e do
seu suserano.
O tema principal em ambos estes géneros é o amor não correspondido. Nas cantigas de amigo é comum
haver uma ausência do amigo, como é o caso da cantiga “Ai flores, ai flores do verde pino”, ou haver uma
falência da relação amorosa, como é o caso da cantiga “Levad’, amigo, que dormides as manhanas frias”. O
tormento dominante pode, contudo, contrastar com a alegria da donzela no encontro com o amigo em
algumas composições como na cantiga “Bailemos nós já todas três, ai amigas”. Nas cantigas de amor, de
acordo com as regras do amor cortês, é característica a inacessibilidade do sujeito poético relativamente à
“senhor”, como é o caso da cantiga “A dona que eu am’ e tenho por senhor”.
Assim, os principais temas destas cantigas são a saudade, a angústia, a tristeza e a desilusão.
As cantigas podem ser de refrão ou de mestria (cantigas sem refrão) no que respeita às cantigas de amor;
muitas das cantigas de amigo, porém, apresentam paralelismo perfeito, ou quase, como é o caso da cantiga
“Ai flores, ai flores do verde pino”, já referida anteriormente. Muitas das cantigas de amor apresentam
paralelismo semântico como é o caso da cantiga “Se eu podesse desamar”.
A principal semelhança entre os dois géneros destas cantigas é o facto de umas e outras se referirem ao
tormento de amor e a sua principal diferença é o facto de nas cantigas de amor se cultivar um amor cortês
em que o amor entre o vassalo e uma “senhor” idealizada – não correspondido –, pois ela pertence a uma
classe hierárquica, social e culturalmente superior, mantendo-se, assim, uma relação de vassalagem
amorosa. Nas cantigas de amigo há, pelo contrário, um nivelamento social entre a donzela e o amigo.
É esta variedade de situações e tendências que empresta variedade e vivacidade à nossa tradição lírica dos
cancioneiros trovadorescos, precioso documento para o conhecimento da realidade social e cultural da época
medieval.

Autora: Teresa Abrantes, 10ºA


Prof. João Morais
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quinta-feira, 2 de junho de 2016


«As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565)», da História Trágico-
Marítima - III

A ação d’«As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565)», parte da


História Trágico-Marítima, representa o lado desastroso de Portugal e decorre num período em
que o país se encontrava em decadência política, social e moral. A corrupção dos valores e a
ganância dos portugueses são criticados de forma subtil através da viagem narrada,
representando a nau Santo António uma metonímia de Portugal.
Os tripulantes e os passageiros da nau Santo António funcionam como uma personagem
coletiva cujas características contrastam com as qualidades e virtudes de Albuquerque Coelho.
São fortemente criticados não só pela sua falta de disciplina e de organização em momentos
críticos (l. 112: «levantaram-se grandes brigas e discórdias entre marinheiros e passageiros»)
mas também pela sua fraca personalidade, oscilando entre estados de otimismo e de derrotismo
(l. 387: «todos se alegraram muito»; l. 288: «cobertos pelo mar, todos se convenceram de que se
afogariam»).
As personagens deste grupo falham enquanto cristãos, dado que, perante condições extremas
de fome, medo e privação, perdem a fé e pensam em cometer atos abomináveis na perspetiva da
religião cristã, como o suicídio (ll. 429-430: «arrombar a nau para acabarem de vez») e o
canibalismo (ll. 424-425: «Certos homens, nesse transe, lembraram-se de pedir a Jorge de
Albuquerque a permissão de comerem aqueles cadáveres»).
Para além disso, também apresentam uma atitude cobarde e traiçoeira. Revelam falta de
coragem para enfrentar os adversários, já que pensam logo em se render aos corsários franceses
(l. 125) e apontam para Albuquerque como sendo o único responsável pela defesa e resistência
da nau, por medo das consequências (ll. 154-155).
Em contraste, Albuquerque Coelho constitui uma figura representativa do lado positivo da
ideologia patriótica. Sendo ele um indivíduo que incorpora os antigos valores da honra, mantém-
se fiel aos princípios e à prática da mensagem de Cristo, é abnegado (ll. 108-109: «mandou
colocar tudo adiante de todos e repartiu mui irmãmente pela companhia, sem nada pretender
para si próprio»), dedicado, corajoso e apresenta-se ao serviço da pátria e da fé (l. 34: «correndo
risco de perder a vida no zeloso cumprimento dos seus deveres»). Não perde a esperança
mesmo nas mais difíceis circunstâncias, mostrando a sua personalidade forte enquanto comanda
e anima os companheiros (l. 44: «consolava e contentava a sua gente»).
Estes relatos representam o lado negro e anti-heroico de Portugal e do seu Império.
Metaforicamente, os naufrágios, decorrentes dos perigos e dificuldades da viagem, manifestam-
se como o resultado da ganância e corrupção dos portugueses da metrópole que traíram os
valores pátrios e religiosos. Critica-se a ganância, quando a nau revela problemas de navegação
por ir sobrecarregada (ll. 75-76: «por isso que a nau lhes mareava mal, pela muita carga com que
dali partira»).
Em conclusão, o texto recorre aos desastres marítimos como metáfora da decadência de
Portugal e apresenta um modelo de caráter a seguir pelos demais portugueses, o qual surge
personificado por Alburquerque Coelho.

Cenário de resposta do teste de avaliação de Português de 23 de maio, Grupo III

Autora: Oleksandra Sokolan, 10ºC


Prof. João Morais

Publicada por A Biblioteca Escolar da ESSS à(s) 21:35 Sem comentários:


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domingo, 29 de maio de 2016


«As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565)», da História Trágico-
Marítima - I

N’ As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565), da História Trágico-


Marítima, é representado o lado negro e anti-heroico de Portugal e do seu Império através dos
perigos e dificuldades da viagem. De facto, os desastres marítimos são uma metáfora da
decadência de Portugal, na medida em que os naufrágios representam o preço a pagar pela
corrupção e pela ganância dos portugueses que traíram os valores religiosos e patrióticos. Desta
forma, a nau pode representar uma metonímia do estado do Reino.
Neste texto, as críticas a quem atraiçoa a Pátria e o Império surgem de forma subtil e
indireta, sendo o povo português do fim do século XVI e o seu estado de decadência
representados através dos tripulantes e passageiros da nau Santo António. Deste modo, as suas
características contrastam com as virtudes e qualidades de Albuquerque Coelho, já que revelam
ser indivíduos desorganizados, indisciplinados e de personalidade fraca.
Assim, as personagens deste grupo falham enquanto cristãos, uma vez que, perante as
dificuldades que enfrentam no mar, perdem a fé; pensam em cometer atos contrários aos
ensinamentos da religião cristã, como o suicídio (ll. 429-430 – “ (…) arrombar a nau para
acabarem de vez.”) e o canibalismo (ll. 424-425 – “Certos homens (…) lembraram-se de pedir a
Jorge de Albuquerque a permissão de comerem aqueles cadáveres.”); e evidenciam o seu
materialismo, individualismo e ganância quando, por exemplo, a nau revela problemas de
navegação causados pelo excesso de carga que transportava (ll. 75-76 – “por isso que a nau lhes
mareava mal, pela muita carga com que dali partira.”).
Para além disso, os tripulantes e passageiros da nau Santo António falham enquanto
portugueses visto que lhes falta constantemente a valentia e a determinação para enfrentar os
adversários e as dificuldades, o que se verifica pelo facto de a tripulação preferir render-se aos
corsários franceses durante o ataque em vez de continuar a lutar e a resistir (l. 125 – “ (…)
determinaram de se render.”).
Em suma, pode concluir-se que este texto tem uma função edificante e didática, já que o
relato apresenta uma definição do modelo de bom cristão e do português de carácter excelente
que deve servir como um exemplo a seguir pelo restante povo português.
Cenário de resposta do teste de avaliação de Português de 23 de maio, Grupo III

Autora: Marisa Viana, 10ºC

Prof. João Morais


Publicada por A Biblioteca Escolar da ESSS à(s) 22:18 Sem comentários:
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«As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565)», da História Trágico-


Marítima - II

As viagens da História Trágico-Marítima apresentam, evidenciando uma mundividência


maneirista em relação à vida humana (que esta é uma viagem efémera e cheia de sofrimento,
que só tem sentido através da fé), críticas aos portugueses na época dos Descobrimentos,
parecendo a estória narrada ser uma metonímia que simboliza Portugal, no século XVI,
criticando-o em várias vertentes.

Uma das vertentes criticadas na obra é a atitude cobarde e pouco heroica dos portugueses
perante as dificuldades (realçada em contraste com a bravura demonstrada por Jorge
Albuquerque Coelho), por exemplo, quando os tripulantes escolhem render-se a lutar contra os
corsários franceses, por terem medo de morrer (ll. 141-144, pág. 241 do manual).

São também fortemente criticadas as falhas dos portugueses enquanto Cristãos, pois, para
além de só se lembrarem de Deus na hora da morte, despachando as confissões (ll. 273 e 274,
pág. 244 do manual), chegam a pensar em atos tão contrários à fé como o suicídio (ll. 429 e 430,
pág 249 do manual) e o canibalismo (ll. 424-428, págs. 248 e 249 do manual), sendo depois
dissuadidos por Jorge Albuquerque Coelho, que se apresenta como Cristão devoto.

Outra vertente criticada é a atitude dos tripulantes face às dificuldades, que, em vez de
colaborarem uns com os outros, como lhes pedia Jorge Coelho, discutiam e brigavam
constantemente (ll.112-114, pág. 239; l. 310, pág. 245 e ll. 430-433, pág. 249).

Por outro lado, é criticado o facto de a nau em que navegavam se encontrar num estado
lastimável e ser muito lenta (ll. 211.214, pág. 243), que, devido à ganância (que também é
criticada), ia sobrecarregada com mercadorias (ll. 74-76, pág. 238). Estas condições eram, logo à
partida, uma condição para o naufrágio.

Assim, ao contrário d’Os Lusíadas, que, apesar de apresentarem críticas ao portuguese


contemporâneos de Camões no final do cantos, pretendem sublimar os feitos dos portugueses
nas descobertas, a História Trágico-marítima pretende realçar os inconvenientes que estas
trouxeram ao país, como os naufrágios e a decadência de valores que os portugueses estavam a
sofrer.

Esta decadência é reforçada pelo contraste entre Jorge Coelho e os outros portugueses,
apresentando o primeiro as virtudes do velho Portugal (cantado por Camões na Narração d’Os
Lusíadas e os segundos, a decadência (criticada por Camões no final dos cantos d’Os Lusíadas),
tendo sido causada pelos Descobrimentos.
Cenário de resposta do teste de avaliação de Português de 23 de maio, Grupo III

Autora: Joana Gomes, 10ºC


Prof. João Morais

Publicada por A Biblioteca Escolar da ESSS à(s) 22:09 Sem comentários:


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Cenário de resposta ao grupo III do teste global de português

N’ As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565), da História Trágico-Marítima, é


representado o lado negro e anti-heroico de Portugal e do seu Império através dos perigos e dificuldades da
viagem. De facto, os desastres marítimos são uma metáfora da decadência de Portugal, na medida em que os
naufrágios representam o preço a pagar pela corrupção e pela ganância dos portugueses que traíram os
valores religiosos e patrióticos. Desta forma, a nau pode representar uma metonímia do estado do Reino.
Neste texto, as críticas a quem atraiçoa a Pátria e o Império surgem de forma subtil e indireta, sendo o povo
português do fim do século XVI e o seu estado de decadência representados através dos tripulantes e
passageiros da nau Santo António. Deste modo, as suas características contrastam com as virtudes e
qualidades de Albuquerque Coelho, já que revelam ser indivíduos desorganizados, indisciplinados e de
personalidade fraca.
Assim, as personagens deste grupo falham enquanto cristãos, uma vez que, perante as dificuldades que
enfrentam no mar, perdem a fé; pensam em cometer atos contrários aos ensinamentos da religião cristã,
como o suicídio (ll. 429-430 – “ (…) arrombar a nau para acabarem de vez.”) e o canibalismo (ll. 424-425 –
“Certos homens (…) lembraram-se de pedir a Jorge de Albuquerque a permissão de comerem aqueles
cadáveres.”); e evidenciam o seu materialismo, individualismo e ganância quando, por exemplo, a nau
revela problemas de navegação causados pelo excesso de carga que transportava (ll. 75-76 – “por isso que a
nau lhes mareava mal, pela muita carga com que dali partira.”).
Para além disso, os tripulantes e passageiros da nau Santo António falham enquanto portugueses visto que
lhes falta constantemente a valentia e a determinação para enfrentar os adversários e as dificuldades, o que
se verifica pelo facto de a tripulação preferir render-se aos corsários franceses durante o ataque em vez de
continuar a lutar e a resistir (l. 125 – “ (…) determinaram de se render.”).
Em suma, pode concluir-se que este texto tem uma função edificante e didática, já que o relato apresenta
uma definição do modelo de bom cristão e do português de carácter excelente que deve servir como um
exemplo a seguir pelo restante povo português.

Trabalho realizado pela aluna Marisa Viana, 10º C


Prof. João Morais

Publicada por A Biblioteca Escolar da ESSS à(s) 11:06 Sem comentários:


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Cenário de resposta do teste de avaliação de Português de 23 de Maio, Grupo III

As viagens da História Trágico-Marítima apresentam, evidenciando uma mundividência maneirista em


relação à vida humana (que esta é uma viagem efémera e cheia de sofrimento, que só tem sentido através da
fé), críticas aos portugueses na época dos Descobrimentos, parecendo a estória narrada ser uma metonímia
que simboliza Portugal, no século XVI, criticando-o em várias vertentes.
Uma das vertentes criticadas na obra é a atitude cobarde e pouco heroica dos portugueses perante as
dificuldades (realçada em contraste com a bravura demonstrada por Jorge Albuquerque Coelho), por
exemplo, quando os tripulantes escolhem render-se a lutar contra os corsários franceses, por terem medo de
morrer (ll. 141-144, pág. 241 do manual).
São também fortemente criticadas as falhas dos portugueses enquanto Cristãos, pois, para além de só se
lembrarem de Deus na hora da morte, despachando as confissões (ll. 273 e 274, pág. 244 do manual),
chegam a pensar em atos tão contrários à fé como o suicídio (ll. 429 e 430, pág 249 do manual) e o
canibalismo (ll. 424-428, págs. 248 e 249 do manual), sendo depois dissuadidos por Jorge Albuquerque
Coelho, que se apresenta como Cristão devoto.
Outra vertente criticada é a atitude dos tripulantes face às dificuldades, que, em vez de colaborarem uns com
os outros, como lhes pedia Jorge Coelho, discutiam e brigavam constantemente (ll.112-114, pág. 239; l. 310,
pág. 245 e ll. 430-433, pág. 249).
Por outro lado, é criticado o facto de a nau em que navegavam se encontrar num estado lastimável e ser
muito lenta (ll. 211.214, pág. 243), que, devido à ganância (que também é criticada), ia sobrecarregada com
mercadorias (ll. 74-76, pág. 238). Estas condições eram, logo à partida, uma condição para o naufrágio.
Assim, ao contrário d’Os Lusíadas, que, apesar de apresentarem críticas ao portuguese contemporâneos de
Camões no final do cantos, pretendem sublimar os feitos dos portugueses nas descobertas, a História
Trágico-marítima pretende realçar os inconvenientes que estas trouxeram ao país, como os naufrágios e a
decadência de valores que os portugueses estavam a sofrer.
Esta decadência é reforçada pelo contraste entre Jorge Coelho e os outros portugueses, apresentando o
primeiro as virtudes do velho Portugal (cantado por Camões na Narração d’Os Lusíadas e os segundos, a
decadência (criticada por Camões no final dos cantos d’Os Lusíadas), tendo sido causada pelos
Descobrimentos.

Trabalho realizado pela aluna Joana Gomes, 10º C


Prof. João Morais