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Igreja do Nazareno Central Sumaré - INCS

Abril/2016 – Sumaré-SP
Igreja do Nazareno Central Sumaré - INCS

Seja bem-vindo a este tempo de Comunhão&Treinamento de


Discipuladores da Igreja do Nazareno Central Sumaré.

Você faz parte de um projeto que nasceu no coração de Deus e que


está sendo desenvolvido em nossa igreja, a fim de atender com muita alegria o
imperativo do Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em suas palavras que se
encontram no final dos Evangelhos escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João,
como segue:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do


Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado
1
[...]”

Quão honroso e especial para nós é poder fazer parte da “Grande Comissão”. Isso mesmo! Se
você recebeu o presente maravilhoso do Evangelho e busca propagá-lo por onde anda, então você faz
parte da grande equipe comissionada por Jesus Cristo com o objetivo de impactar o mundo ao anunciar as
boas novas de salvação.

Anunciar o evangelho (boas novas de salvação) é sem dúvida o papel de todo cristão que entendeu
a sua posição aqui nesta terra. Muitas são as atividades e as formas utilizadas para expansão do Reino de
Deus em nosso tempo, entretanto, se olharmos atentamente para a Bíblia iremos perceber que o Reino de
Deus somente cresce à medida que o evangelho é compartilhado e o Espírito Santo opera produzindo vida
e frutos dignos de arrependimento.

Em tempos onde a negação de absolutos decorrentes do processo de secularização (abandono


dos preceitos culturais apoiados na religião) está a todo vapor, muitos dos cristãos e suas comunidades em
todo o mundo, encontram-se em estado de estagnação da fé cristã. Muitos têm deixado de acreditar em
textos das Escrituras Sagradas que fazem alusão a criação da humanidade, a morte e ressurreição de
Jesus, a segunda vinda de Cristo, o inferno, etc.

Pensando nisso, nossa comunidade (Igreja do Nazareno) tem se posicionado para que não caiamos
no engodo do deus deste século. Mais do que isso, almejamos que cada um dos integrantes de nossa
comunidade seja um agente ativo no processo de “fazer discípulos à semelhança de Cristo nas
nações”.

Contamos com você para que juntos possamos avançar neste projeto que, nada mais é, do que a
reprodução daquilo que Jesus fez com dozes homens que, mais tarde, impactaram o mundo com as ações
e palavras que aprenderam do seu Mestre.

Esta relação de Jesus com os Doze é chamada de Discipulado. Seja você também um discípulo de
Jesus, e envolva-se no discipulado à luz das palavras do Mestre.

30 de Abril de 2016 – Igreja do Nazareno Central Sumaré.

Direção Geral: Rev. Carlos Martins


Elaboração: Jocinei Godói Data: 09 a 27/04/2016
Revisão: Pr. Paulo César Silveira Data: 28/04/2016

Autorizada à reprodução total ou parcial desta apostila desde que citada a fonte.

1
Mateus 28. 19, 20a
2
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SUMÁRIO

1. O QUE É DISCIPULADO ................................................................................................................. 4


2. PREMISSAS DO DISCIPULADO .................................................................................................... 7
3. OBJETIVO DO DISCIPULADO.......................................................................................................12
4. EXEMPLOS DE DISCIPULADO NAS ESCRITURAS ..................................................................13
5. DESENVOLVIMENTO DO DISCIPULADO ...................................................................................16
6. O DISCIPULADO E A IGREJA DO NAZARENO ..........................................................................18
6.1. Artigos de Fé – Igreja do Nazareno (Manual 2013-2017).........................................................19
7. CONCLUSÃO ...................................................................................................................................20
8. ANEXOS ...........................................................................................................................................21
8.1. Artigos de Fé – Igreja do Nazareno (Manual 2013-2017).........................................................21

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1. O QUE É DISCIPULADO

Muito se tem ouvido neste tempo sobre o termo


discipulado. Fato é que este termo e a sua correta
aplicação perderam-se durante um longo período da história
da igreja. Somente nas últimas décadas, uma parcela da
igreja tem se despertado para o retorno da prática do
discipulado à luz das Escrituras.

1.1 Origem e Aplicação do Termo

Tanto em o Antigo Testamento como em o Novo Testamento o discipulado esteve presente na vida
do povo de Deus. Para facilitar o entendimento do termo, usaremos as expressões constantes no NT.

No NT, a palavra discipulado está ligada a outros termos gregos. Muitas são as formas utilizadas
nos textos gregos do NT para se referir ao discipulado, entretanto, destacamos três termos essenciais:

a) Matheteuo – ser ou fazer um discípulo (Mateus 28.19; At 14.21);


b) Paideuo – educar ou treinar (Atos 7.22; Tt 2.12);
c) Parakaleo – exortar, aconselhar (Hb 3.13).

O termo discípulo vem do grego mathetes (μαθητής) que consta cerca de 270 (duzentos e setenta)
vezes no NT. Ao fazermos um paralelo com o termo cristão, que ocorre apenas 3 (três) vezes no NT,
podemos fazer a seguinte pergunta:

a) Por que Deus desejou que o termo discípulo


aparecesse cerca de 90 vezes a mais do que o
termo cristão no texto neotestamentário?

Resposta em Grupo:
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O discipulado revela o modo de ensino de Jesus aos seus discípulos por meio do relacionamento.

Mais do que expor o conhecimento a outro, o discipulado exige um relacionamento próximo entre
discipulador e discípulo, onde, por meio da caminhada conjunta o ensino flui pelo simples fato de ambos se
relacionarem tendo em vista o objetivo de fazer discípulos à semelhança de Cristo.

1.2 O Discipulado na História

Sempre houve a necessidade de se passar um legado de conhecimento para as gerações futuras.


Isso ocorria por meio de alguém que exercia um papel de liderança ou destaque em sua área, um mestre, o
qual escolhia um ou mais discípulos para receberem seus ensinos e dar continuidade à tradição ou ideal
estabelecido.

Nos séculos próximos ao tempo de Jesus haviam grandes círculos filosóficos que disputavam
acerca do conhecimento da verdade, além de mestres que eram rodeados por seus discípulos, os quais
também ansiavam pela busca da verdade.

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A cultura helênica, predominante da época, foi marcada pela contribuição de grandes filósofos
gregos que possuem os seus pensamentos vivos até hoje, por meio da formação de discípulos que deram
continuidade às suas ideias. Um dos maiores exemplos disso é Aristóteles, discípulo de Platão e tutor
educacional de Alexandre, o Grande.

Em Israel, entre os jovens de 14 e 15 anos, somente os melhores dos melhores permaneciam


estudando a Torá e sua interpretação, geralmente aos pés de um rabino famoso e respeitado. Estes
aprendizes intelectuais eram chamados de talmidim (discípulos), do hebraico talmid (discípulo).2

Jesus Cristo, apesar da influência direta da cultura judaica, reproduz os seus ensinos neste contexto
helênico, sendo os seus primeiros discípulos o circulo interno dos Doze, os apóstolos. Vale ressaltar que,
apenas os melhores talmidim é que continuavam seus estudos com os melhores mestres, a exemplo do
rabino Hilel3 e seus discípulos.

Os Doze chamados por Jesus, certamente, eram menosprezados pelos talmidim da época. Não
somente os Doze, mas o próprio Jesus era objeto de escárnio e preconceito, por não ser um rabino nos
moldes tradicionais da cultura judaica.

No século II, Policarpo, o bispo de Esmirna, afirma ter sido discípulo do apóstolo João em sua
juventude. Policarpo foi morto na fogueira aos 86 anos sendo o mais antigo relato de um martírio cristão,
fora do cânon sagrado.4

Em tempos mais recentes, no século XVIII, os idealizadores do movimento Metodista na Inglaterra,


os irmãos John e Charles Wesley possuíam seus discípulos, os quais aprendiam de perto os ensinamentos
de seus mestres, a fim de propagar o Evangelho de Jesus culminando na criação do referido movimento
Metodista.

1.3 O Discipulado no Século XXI

O discipulado tem sido aplicado de modos diferentes em várias partes do mundo. Nos locais onde
ele tem sido aplicado à luz das Escrituras, o Evangelho tem se expandido efetivamente, a exemplo da
crescente igreja subterrânea na China, a igreja na Índia, etc.

No Brasil o número de evangélicos nominais é de, aproximadamente, cinquenta milhões de


pessoas. Num primeiro momento este grande número parece demonstrar um avivamento em nossa nação,
mas, não passa de uma conclusão equivocada se notarmos a situação da igreja evangélica brasileira, seus
frutos e relevância para a sociedade.

O Ide de Jesus, bem como o fazer discípulos se perderam em nosso tempo dando lugar a
acomodação da igreja aos aspectos mundanos, tornando-a um local de portas largas. Pouco se tem falado
sobre arrependimento e vida cristã verdadeira.

O compromisso com a sã doutrina tem dado lugar a uma vida cristã relativa, onde cada um vive e
age como sendo deus de si mesmo, satisfazendo suas necessidades a qualquer custo e frequentando os
cultos apenas para receber algo da parte de Deus.

Dentre outros fatores, esta situação tem origem na falta do discipulado. Ao compararmos a igreja
evangélica como “uma mãe”, conclui-se que a igreja de modo geral tem sido uma “ótima parteira”, mas
uma “péssima cuidadora”. Isso fica claro quando pessoas aceitam a Jesus nos cultos evangelísticos e
depois são largadas sem acompanhamento cristão, se alimentando apenas das pregações dos cultos
dominicais.

2
Kivitz, Ed René. Talmidim o passo a passo de Jesus. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão. 2012.
3
Hilel: rabino famoso do século I d.C, provavelmente, avô de Gamaliel, mestre do judaísmo e tutor de Paulo.
4
Matos, Alderi de Souza. Fundamentos da teologia histórica. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão. 2008.
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Nestes casos, o neófito acaba sendo conhecido na igreja por sua posição destacada na sociedade,
por seu talento ou por seu carisma e assim, logo acaba sendo chamado para integrar um ministério sem o
correto entendimento e aplicação do evangelho ao longo da sua caminhada cristã.

Felizmente, algumas igrejas tem se despertado em relação a esta problemática e retornado às


Escrituras para aprender do nosso Mestre por excelência. Este aprendizado por meio do discipulado tem
levado pessoas a abrir o seu coração para a ação do Espírito Santo, produzindo frutos dignos de
arrependimento e crescimento cristão integral.

1.4 Conclusão

Mais do que um método o discipulado é, em termos atuais, um processo que visa o


aperfeiçoamento contínuo de cristãos, a fim de prepará-los para continuar este ciclo de fazer discípulos a
semelhança de Cristo nas nações. O discipulado é a vida da igreja, onde cada integrante faz parte, de
modo natural, deste processo de ser e fazer discípulos a semelhança de Cristo.

Discipulado é o estilo de vida do Reino de Deus. É a vida de Jesus gerando vida por meio do
relacionamento entre discípulo e discipulador, quer use apenas a bíblia como fonte de conhecimento, quer
use outro material adicional baseado na bíblia.

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2. PREMISSAS DO DISCIPULADO

Para que o Discipulado ocorra de forma que atenda os aspectos socioculturais deste tempo sem
prejuízo à sã doutrina, é necessário que as bases deste processo estejam de acordo à Palavra de Deus,
contextualizada de maneira coerente, a fim de atender os anseios e as necessidades da igreja cristã
contemporânea.

O entendimento destas bases ou premissas é fundamental para estabelecer as ações do


Discipulado. Eis algumas delas:

2.1 A Grande Comissão

A Grande Comissão é a ordem pós-ressurreição de Jesus Cristo aos seus discípulos como
registrado em Mateus 28.19,20; Mc 16.15-18; Lc 24.46-49; Jo 20.21-23 e At 1.4,5,8.5

a) Baseado nisso, a Grande Comissão foi uma ordenança


de Cristo somente aos apóstolos ou aos cristãos de todas
as épocas e lugares?

Resposta em Grupo:
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A Grande Comissão faz parte do ápice da revelação progressiva de Deus em relação a sua
vontade e missão de salvar a toda humanidade, tendo a vida-morte-ressurreição-ascensão de Jesus
Cristo como a base da Grande Comissão.

De forma resumida e pontual, destacamos este impulso missionário de Deus revelado nas
Escrituras, como segue:6
- No AT: Gn 12.1-3; Is 42.6,7; Is 49.6;
- Em Jesus: Lc 19.10; Jo 3.16; Jo 10.16;
- Pelo Espírito Santo: At 2.17; At 13.2; At 16.6-10;
- Jesus e a Igreja: Ef 2.11-22.

2.1.1 William Carey e a Grande Comissão

Em 1792, um jovem chamado William Carey publicou um pequeno livro [...]. No livro, Carey
argumentou contra a opinião prevalecente de que a Grande Comissão dada em Mateus 28 fora cumprida
pelos primeiros apóstolos e não se aplicava à igreja em gerações posteriores [...]. Ele entendia a Grande
Comissão como um dever e privilégio para todas as gerações, e assim começou o movimento moderno de
missões7.

2.1.2 O Verdadeiro Sentido da Grande Comissão

Às vezes, nossas traduções da bíblia dão a impressão de que “Ide” é a ênfase do mandamento,
mas o verbo principal da oração é “Fazei Discípulos”, que conta com três particípios subordinados e
ligados a ele: indo (ou “à medida que você vai”), batizando e ensinando.

5
Dicionário Bíblico Wycliffe. Tradução: Junior, Degmar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
6
Ibid
7
Marshall, Colin; Paine, Tony. A treliça e a videira. 1. ed. São José dos Campos: Fiel. 2015.
7
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“Batizando” e “ensinando” são os meios pelos quais os discípulos devem ser feitos. Neste caso,
o batismo se refere à iniciação dos discípulos no arrependimento e na submissão ao soberano Jesus, o
Senhor que governa o mundo.

O ensino que os discípulos deveriam fazer reproduz o que o próprio Jesus havia feito com eles.
Jesus fora o Mestre deles (cf. Mt 12.38; 19.16; 22.16; 26.18). Os discípulos devem, agora, por sua vez,
fazer novos discípulos por ensinarem outros a obedecer todo mandamento dado por seu Mestre. Há outro
imperativo de Jesus relacionado ao ensino, descrito no livro de Marcos, nas palavras “pregai o
evangelho”, demonstrando a natureza da Grande Comissão e a importância dos elementos “fazer
discípulos/pregação”.

O ide é entendido atualmente (depois de Carey) como um mandato missionário, um esquema para
enviar obreiros do evangelho ao mundo. Isso pode levar igrejas a entenderem que estão obedecendo a
Grande Comissão, apenas se enviam ou de alguma maneira participam no envio de missionários a outras
localidades.

Entretanto, este particípio seria melhor traduzido por “a medida que você vai”, ou seja, a ênfase
não está na geografia, mas na abrangência e alcance da sua vida por onde você anda e com quem se
relaciona. Em outras palavras, a Comissão torna o fazer discípulos a agenda e a prioridade normal de cada
igreja e de cada discípulo cristão.8

a) Qual é a ênfase principal da Grande Comissão?


b) Qual o meu papel na Grande Comissão?

Resposta em Grupo:
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2.2 Quem é o Nosso Mestre?

Como já dito anteriormente, a ideia de seguir um mestre para que os seus ensinos sejam
transmitidos às gerações posteriores é tão antiga quanto à ideia de religião. Grandes mestres como Buda,
Gandhi, Sócrates, etc., surgiram na história e deixaram seu legado de conhecimento e filosofia de vida que
impactaram milhões de vidas no mundo inteiro.

Em termos humanos compreendemos que o nosso Mestre por excelência é Jesus Cristo da
pequena Belém-Efrata, nascido em uma manjedoura, criado na pobre Nazaré, que adentrou em Jerusalém
sentado numa jumenta, e foi morto pelo seu próprio povo da forma mais trágica e cruel imposta a um
bandido na época, a crucificação.

a) O que diferencia Jesus dos outros mestres que


surgiram na história e que impactaram muitas vidas em
várias partes do mundo?

Resposta em Grupo:
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8
Ibid.
8
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2.2.1 Jesus é Deus

Todos os mestres que surgiram na história tiveram o registro de seus feitos e obras, bem como a
influência e alcance de suas ideias. Mas somente um Mestre é amplamente conhecido na história por sua
vida, obra, morte, ressurreição e ascensão aos céus terem sido anunciadas pelos profetas
veterotestamentários.

Jesus é diferente de todos os outros mestres porque Ele é Deus!


A Cristologia nos mostra que Jesus foi plenamente Deus e plenamente homem em uma só pessoa
9
e assim o será para sempre (Jo 20.25-27; At 1.11; Ap 1.13). Ele foi gerado pelo próprio Espírito Santo em
um nascimento virginal, de modo que Maria não teve necessidade de conhecer a José para engravidar. O
Deus Filho assumiu a natureza humana por meio da encarnação.

Os atributos de divindade (onipotência, onipresença, onisciência, imortalidade, etc.) presentes em


Jesus comprovam que Ele é o Deus que se fez carne e habitou entre nós.

2.2.2 Jesus é o Salvador do Mundo

A bíblia nos ensina que não há salvação fora de Jesus Cristo. O AT fornece detalhes do advento do
Messias que viria trazer a salvação não somente ao povo de Israel, mas a todas as nações da terra (Is 7.14;
9.1-7; Mq 5.2; Zc 9.9). No NT os Evangelhos mostram com clareza a vida e obra do Nosso Senhor Jesus
Cristo, como plano de Deus para o resgate de toda a humanidade que n’Ele cresse. Ele é o cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29b) e foi morto desde a fundação dos séculos (Ap 13.8c).

Ninguém na história da humanidade teve ou tem o poder de salvar uma vida da perdição do pecado.
Somente o nosso Mestre Jesus, perfeito, divino e imaculado poderia satisfazer a justiça de Deus, uma vez
que todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus (Rm 3.23).

A relação de discipulado deve sempre focar na salvação em Jesus e não em nossas obras, por
melhores que elas sejam. Lembre-se: só fazemos boas obras porque fomos salvos e não somos salvos
porque fazemos boas obras.

Isso mostra que a nossa relação com Deus não deve ser pautada em débitos e créditos, mas em
um coração amoroso e grato pelo presente da salvação. Se cairmos, temos que crer que Deus nos redimiu
com seu sangue, levantar novamente e prosseguir com fé na luta contra o pecado.

2.2.3 O Jugo de Jesus

Cada rabino tinha sua forma de interpretar a Torá. O conjunto de regras e interpretações de um
rabino era chamado de “o jugo do rabino”. No tempo de Jesus, havia vários rabinos famosos e respeitados,
entretanto, o jugo destes rabinos era pesado e cheio de exigências absurdas. É neste contexto que Jesus
convida todos, e não somente os extraordinários, que estão cansados e sobrecarregados do jugo da Lei
para tomar o jugo de Jesus.10

O jugo de Jesus é suave e o seu fardo é leve. Ele incentiva todos a aprenderem com a sua
mansidão e humildade, a fim de encontrar o verdadeiro descanso n’Ele. Como pessoas que discipulam
outras, devemos nos ater ao doce evangelho de Jesus que dá alento as almas cansadas. Por outro lado,
devemos levar nossos discípulos a uma experiência de enfrentamento do pecado, por meio do ensino da
Palavra de Deus e oração incessante para que o Espírito Santo aja trazendo conversão e vida abundante.

Não somos nós que mudamos as pessoas, impondo fardos pesados e exigências não bíblicas
quanto à conduta exterior. Somente o Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.

9
Grudem, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova. 2011.
10
Kivitz, Ed René. Talmidim o passo a passo de Jesus. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão. 2012.
9
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2.2.4 Jesus, o Servo Sofredor

Conduzir alguém a Cristo e ser como Ele, nem sempre mostrará que todas as circunstâncias da
vida serão um mar de rosas. A passagem mais significativa do profeta messiânico no AT revela o perfil do
Nosso Mestre e de como seria a sua passagem aqui entre nós. Vejamos o que diz em Isaías 53.3-11:

“Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem
os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele
foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz
estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o
seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele à iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca;
como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua
boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos
viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua
morte, embora não tivesse cometido qualquer violência nem houvesse qualquer mentira em sua boca. Contudo foi da vontade do
Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus
dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu
conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles.” Isaías 53:3-11.

O discipulado à luz das Escrituras revela que o sofrimento humano é parte vital da caminhada cristã,
para nos levar ao entendimento da vontade de Deus e do nosso papel aqui nesta terra. Seguimentos
doutrinários como o Triunfalismo, Determinismo, Confissão Positiva, Teologia da Prosperidade, etc.,
seguem na contramão dos ensinos de Jesus e das epístolas do NT, no que se refere ao sofrimento humano
como “escola de Deus”.

Jesus disse que no mundo passaremos por aflições (Jo 16.33). Ele sofreu em nosso lugar na cruz,
mas isso não nos isenta de sermos forjados por Deus em meio a lutas e provações. Sobre o sofrimento,
podemos ver claramente o entendimento do apóstolo Paulo em Atos 14.19-22:

“Então alguns judeus chegaram de Antioquia e de Icônio e mudaram o ânimo das multidões. Apedrejaram Paulo e o
arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto. Mas quando os discípulos se ajuntaram em volta de Paulo, ele se
levantou e voltou à cidade. No dia seguinte, ele e Barnabé partiram para Derbe. Eles pregaram as boas novas naquela cidade e
fizeram muitos discípulos. Então voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na
fé, dizendo: "É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus."

Longe de fazermos apologia a uma vida masoquista, devemos ter em mente que a caminhada com
Jesus nos mostra que, de tempos em tempos, somos experimentados por Deus, através do sofrimento.

Servir ao próximo como exemplo de discipulado, também foi uma das principais marcas do Nosso
Mestre, demonstrada em vários momentos do seu ministério terreno, como na passagem onde Jesus lavou
os pés dos discípulos dando um grande exemplo de humildade e de serviço cristãos (João 13.1-17).

2.3 O Discipulado é Radical

No inicio desta apostila, tratamos do discipulado como algo que tem sido esquecido em alguns
momentos da história da igreja cristã. É bem provável que estes lapsos na aplicação do discipulado tenham
se dado pela própria natureza do discipulado, no que tange a sua radicalidade. Assim, podemos afirmar,
conforme o exame minucioso das Escrituras Sagradas, que o discipulado é radical.

É radical no sentido de que provém da raiz, ou seja, que nasce de Deus, por meio da ação do
Espírito Santo, mas também no sentido de ser drástico e completo, sem conveniência ou parcialidade na
compreensão do discipulado explicitado nas Escrituras.

John Stott, um dos maiores exegetas do século XX, em seu livro “O Discípulo Radical”, apresenta
oito características do discipulado cristão que são comumente esquecidas, mas ainda precisam ser levadas
a sério: inconformismo, semelhança com Cristo, maturidade, cuidado com a criação, simplicidade,
equilíbrio, dependência e morte.

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Jesus Cristo, o Mestre por excelência expressa esta radicalidade, ao se referir a morte como um
aspecto relevante do discipulado. Servir a Jesus ou segui-lo como seu discípulo pronto a morrer, é
enfatizado em várias passagens da Bíblia, como veremos a seguir:

A Mortificação do Eu - Marcos 8.34,35:


E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e
tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor
de mim e do evangelho, esse a salvará.

Como Dietrich Bonhoeffer escreve em O Custo do Discipulado: “Quando Cristo chama um homem,
ele o convida a vir e morrer”. Além disso, de acordo com a passagem em Lucas, devemos tomar nossa cruz
todos os dias (Lc 9.23) e, se não o fizermos, não poderemos ser seus discípulos (Lc 14.27).

Assim, podemos parafrasear o versículo 35 da seguinte forma: “Quem estiver determinado a se


apegar a si próprio e a viver por si próprio, perderá a si próprio. Porém, quem estiver disposto a morrer, a
perder-se, a se entregar à obra de Cristo e ao evangelho, se encontrará (no momento do completo
abandono) e descobrirá sua verdadeira identidade”. Assim, Jesus promete a verdadeira autodescoberta
11
pelo preço da autonegação, a verdadeira vida pelo preço da morte.

A Morte e o Custo do Discipulado - Lucas 14.28,33:


Qual de vocês se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente
para completá-la? Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.

Em tempos de descompromisso com o evangelho, somos desafiados pela Palavra de Deus a


morrermos para nossas paixões e desejos pecaminosos, renunciando a tudo que tem ocupado o lugar de
Deus em nossas vidas, a fim de nos tornarmos discípulos que verdadeiramente conhecem ao seu Mestre,
vivem e, se necessário, morrem por Ele.

Ser um discipulador ou envolver-se no discipulado, apenas para demonstrar algum tipo de status ou
ar de superioridade na comunidade local, pode revelar a falta de conhecimento e preparo em relação ao
custo do discipulado.

A Morte e a Frutificação - João 12.24:


Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito
fruto.

A morte é o caminho para a frutificação. A menos que morra, a semente permanece sozinha.
Porém, se morrer, ela se multiplica. Foi assim com o Messias e com sua comunidade: aquele que “me
serve, siga-me” (Jo 12.26). Além disso, vemos na história que quanto mais o povo de Deus era perseguido
e morto, mais o evangelho crescia entre os povos e nações do mundo pós-bíblico.

A Morte gera Vida – 2ª Coríntios 4.11,12


Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste
em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida.

Paulo fala aos coríntios sobre a sua morte em Jesus Cristo com a finalidade de que a vida de Jesus
operasse neles. Apesar da dificuldade em falarmos e aceitarmos a morte física, temos que buscar
compreender a morte como uma forma definitiva de passagem para vida eterna com Deus. Todavia,
enquanto estamos vivos, devemos nos submeter à vontade de Deus e morrer para o mundo e a sua cobiça.

11
Stott, John. O Discípulo Radical, Tradução: Meire Portes Santos. Viçosa-MG: Ultimato. 2011.
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3. OBJETIVO DO DISCIPULADO

A esta altura você já deve ter percebido qual é o objetivo do Discipulado. A expressão “fazer
discípulos a semelhança de Cristo nas nações” é o lema do discipulado na Igreja do Nazareno e o
objetivo cabal deste processo.

Aos nos depararmos com este objetivo, que consiste na reprodução de pequenos cristos, é provável
o surgimento de alguns equívocos quanto à forma de condução do discipulado. Citaremos doze aspectos
importantes para chegarmos ao objetivo do discipulado sem prejuízo bíblico, eclesiástico e relacional.

 O Discipulado deve ser iniciativa de cada um e não da liderança da Igreja;


 Não é um método ou técnica que garante o sucesso do Discipulado;
 O Discipulado deve resultar num relacionamento de plena confiança e crescimento mútuo;
 O aconselhamento ou orientação devem ser pautados plenamente na Palavra de Deus;
 Não deve haver ar de superioridade nesta relação, todos somos servos e o único Mestre é
Cristo;
 Discipulado não é transmissão de conhecimento, apenas! É transmissão de vida pelo exemplo;
 O “servir” como qualidade ou característica a ser despertada no discípulo, possui prioridade
maior que o “liderar”;
 O Discipulado deve levar ao despertamento e encaminhamento do discípulo em relação a sua
vocação na obra de Deus;
 O Discipulado deverá, sobretudo, estar apoiado numa vida diária devocional (oração + palavra)
com Deus;
 Se não houver amor no discipulado, a relação será apenas para cumprimento de “dever
institucional”;
 Só forma discípulos de Jesus quem é discípulo de Jesus;
 Não há ninguém tão débil que não possa discipular ou tão maduro que não possa ser
discipulado.

a) O que você entende por “fazer discípulos a semelhança de


Cristo nas nações”? Seu objetivo tem mudado com este treinamento?

Resposta Pessoal:
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4. EXEMPLOS DE DISCIPULADO NAS ESCRITURAS

O discipulado sempre esteve presente na história bíblica. O discipulado foi a forma que Deus usou
para que a Sua vontade fosse conhecida pela humanidade e seu plano fosse transmitido em momentos
cruciais da história do povo de Israel e da Igreja.

Existem vários exemplos de discipulado no AT. Vejamos, pelo menos, dois exemplos de discipulado
e seus principais aspectos.

4.1 DISCIPULADO NO ANTIGO TESTAMENTO

a) Moisés e Josué

Moisés tivera grandes experiências com Deus durante a sua vida. Após ter saído do Egito ele foi
para Midiã, onde constituiu família e ouviu Deus falar consigo e comissioná-lo a libertar o povo de Israel das
mãos de Faraó. Depois do povo de Israel ter saído do Egito, Moisés experimentou grandes milagres e uma
proximidade com Deus nunca antes vista na história, a exemplo de quando Deus falou com ele no Monte
Sinai.

Entretanto, Moisés tinha a necessidade de passar o bastão a alguém para liderar a entrada do povo
de Israel na Terra Prometida e dar continuidade na direção do povo. Moisés escolhe a Josué, um servo
valente que lidera o exército de Israel contra os amalequitas, a partir do voto de confiança dado a ele (Ex.
17.9,10). Desde então, Josué passou a ser um íntimo colaborador de Moisés.

Aspectos importantes do Discipulado de Moisés e Josué:

 Liderança/Treinamento – ao preparar Josué e dar autonomia nas batalhas (Ex. 17.9)


 Confiança/Intimidade – ao subir com Moisés no Monte Sinai (Ex. 24.13);
 Serviço – Josué estava atento para servir Moisés (Ex 33.11);
 Obediência – Josué sempre atendeu aos pedidos de Moisés (Ex. 17.10).

b) Eli e Samuel

O primeiro livro de Samuel mostra a relação de proximidade e treinamento do sacerdote Eli com
Samuel, sendo este consagrado a Deus pelos seus pais e entregue ao serviço da casa do Senhor. Samuel
cresce sob os cuidados de Eli que o ensina o oficio de ministrar no templo.

Aspectos importantes do Discipulado de Eli e Samuel:

 Exemplo: Samuel cresce em meio à perversão dos filhos de Eli, que profanavam as ofertas
do povo e se deitavam com as mulheres que se ajuntavam em bandos na porta da
congregação (1 Sm 2.12-25). Samuel vê os filhos de Eli sendo mortos pelo Senhor em
função dos seus pecados. Anos mais tarde, quando Samuel envelhece, ele constitui seus
filhos como juízes de Israel, entretanto, seus filhos não andaram nos caminhos dele.
Inclinaram-se a avareza, tomaram subornos e perverteram o juízo (1 Sm 8.1-3).

a) Em sua opinião, porque um homem como Samuel, reto e temente


a Deus, teve seus filhos desviados dos caminhos do Senhor?

Resposta em Grupo:
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4.2 DISCIPULADO NO NOVO TESTAMENTO

O conceito de Discipulado é fácil de ser compreendido no NT, uma vez que é o modus operandi de
Jesus introduzir uma nova forma de compreensão das Escrituras e de anunciar o plano da salvação por
intermédio dos apóstolos, após a sua ascensão.

Além de Jesus, nosso maior modelo de discipulado, outros também possuíam seus discípulos, a
exemplo do próprio João Batista, dos fariseus, dentre outros rabinos da época.

Jesus é batizado por João Batista e depois é conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado
pelo diabo. A partir daí ele inicia o seu ministério por meio da pregação (Mt 4.17). Neste contexto, Jesus
chama Pedro e André, Tiago e João (filhos de Zebedeu) para serem seus discípulos.

a) Jesus deu novo significado a ocupação deles: E disse Jesus: “Sigam-me e eu os farei
pescadores de homens” (Mt 4.19). Jesus, por meio da observação atenta, percebe Pedro e
André, Tiago e João ocupados com a pesca. Certamente, Ele sabia que esta ocupação era
importante para todos ali. Jesus contextualiza o seu chamado, despertando o interesse dos
pescadores em seguirem-no.

b) Os pescadores não hesitaram em segui-lo: “[...] e eles, deixando imediatamente seu pai e o
barco, o seguiram” (Mt. 4.22). Um olhar mais atento neste texto revela a profundidade e a
importância de seguir a Jesus. Tiago e João deixam seu pai (seu tutor e bem maior como
família) e seu barco (bem material mais importante, meio de sustento), evidenciando que seguir
a Jesus está acima de qualquer bem humano, material, ocupação, etc.

a) Você se considera um discípulo de Jesus?


O que torna difícil seguir a Jesus em nosso mundo pós-moderno?

Resposta em Grupo:
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Após reunir os Doze, Jesus continua a sua missão de anunciar o evangelho e a chegada do Reino
de Deus. Em todo o tempo Jesus desenvolvia suas ações na companhia de seus discípulos. Seja em casa,
a pé, de barco, comendo, ensinando, orando, etc., Jesus sempre tinha os discípulos por perto.

Um novo estilo de vida (cosmovisão) e interpretação das Escrituras foram propostas por Jesus aos
seus discípulos. A assimilação desta proposta só poderia ocorrer de forma integral, vendo, ouvindo e
falando como o Mestre falava.

Os ensinos de Jesus se tornaram tão marcantes na vida dos seus seguidores que, por meio da
Grande Comissão, os discípulos multiplicaram novos discípulos e, em menos de cem anos, o mundo antigo
foi impactado pelo poder libertador do evangelho de Jesus Cristo até os dias de hoje.

Vários discipulados foram marcantes no NT. Alguns deles foram:

 Os Sete escolhidos pelos apóstolos como diáconos;


 Barnabé e João Marcos;
 Paulo e Silas;
 Paulo e Timóteo (talvez, o exemplo mais relevante).

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Sem dúvidas, o padrão de discipulado é o de Jesus com os Doze. Deste modo, extraímos algumas
lições neotestamentárias, como segue:

 Jesus mais ensinou do que pregou: as narrativas dos evangelhos mostram Jesus investindo
mais tempo no ensino das multidões e principalmente de seus discípulos, do que propriamente
nas pregações.
 Discipulado não é dependência cega: discípulos em meio à tempestade (Mt 8.23-26);
 Escassez de trabalhadores na obra: a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos
(Mt 9.37);
 Jesus dá autoridade e envia seus discípulos: Jesus os envia para pregar, curar e expulsar
demônios, alertando a fazerem isso de graça, que seriam perseguidos, para serem como
Jesus (Mt 10.1,8,17-25).
 Formar discípulos é prioridade: Jesus primeiro instrui seus discípulos para depois sair
pregando pela Galileia (Mt 11.1);
 Nem todos serão discípulos: os corações são diferentes (terras) conforme a parábola do
semeador - a beira do caminho, solo pedregoso, meio dos espinhos e boa terra (Mt 13.1-23);
 O sigilo é fundamental no discipulado: no episódio da transfiguração Jesus pede aos seus
discípulos que não contem a ninguém o que viram no monte (Mt 17.9);
 Discipulado não é imposição: os mestres da lei, os fariseus, entre outros mestres atavam
fardos pesados em seus seguidores, mas eles mesmos não faziam o que diziam (Mt 23);
 Deus concede talentos a quem quer: seu discípulo terá talentos diferentes do seu e, talvez,
terá muito mais do que você. É Deus quem concede a cada um (Mt 25.15);
 Prepare-se! Seu discípulo pode lhe trair: Jesus foi traído por um dos Doze. Mesmo sabendo
disso, Ele comeu com Judas e lavou os seus pés (Mt 26.14.16);
 Prepare-se! Na “hora H” todos podem desaparecer: Pedro assegurou que não negaria a
Jesus, mas fez isso por três vezes (Mt 26.33,34);
 Há momentos que é só você e Deus: viva e ensine isso ao seu discípulo. Jesus agonizava no
Getsêmani enquanto seus discípulos dormiam (Mt 26.38-44);
 Nossa vida e exemplo passam a ser o padrão do discípulo: Ensinamos o discípulo com a
nossa vida. Quando Jesus foi preso, Pedro foi tido como um dos seus discípulos pelo seu
modo de falar parecido com o de seu Mestre (Mt 26.73);
 O discipulador não se preocupa com holofotes: Jesus ao efetuar vários milagres e obras
grandiosas, na maioria das vezes pedia que não contasse a ninguém ou se retirava para não
fazerem dele um rei (Jo 6.15);
 A desobediência pode custar caro: Jesus cura um leproso e pede para que ele não conte a
ninguém do povo, mas, o leproso conta para todo mundo e Jesus não pode mais entrar
publicamente nas cidades (Mc 1.40-45);
 Jesus nos cura para servirmos: Jesus te curou para servir! Ensine isso ao seu discípulo (Mc
1.30,31);
 Jesus nos cura para segui-lo e anunciá-lo: Jesus curou o endemoninhado e imediatamente
ele suplicou a Jesus que deixasse ir com ele. Entretanto, Jesus pede que ele anuncie a
salvação aos da sua casa (Mc 5.18-20);
 A revelação do evangelho é progressiva: a caminhada espiritual requer cuidado. O discípulo
pode ser um recém-nascido ou menino na fé. Neste caso, a feijoada deve ser dada quando o
discípulo estiver pronto para digeri-la (Mc 8.29);
 As vezes é preciso ser duro: Logo após Pedro ter dito que Jesus era o Cristo, Jesus o
repreende chamando-o de satanás. Não vamos chamar nosso discípulo de satanás, mas há
momentos que devemos exortar em amor (Mc 8.33);
 O maior deve ser o último: O discipulado é um instrumento de Deus para o crescimento do
discípulo e não um meio de engrandecimento do discipulador. Jesus ensina que o maior deve
ser o último ou o servo de todos ou, ainda, ser como criança (Mc 9.35,36; 10.37-45).
 Só o amor autentica o discipulado: Jesus se tornou homem, salvou a humanidade, treinou
seus discípulos, lavou os pés deles, sofreu por eles, etc. Ele fez isso por amor. Só o amor pode
caracterizar e tornar conhecido os discípulos de Jesus (Jo 13.35).

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5. DESENVOLVIMENTO DO DISCIPULADO

Com as informações acumuladas neste treinamento, em relação à importância e a natureza bíblica


do Discipulado, podemos avançar para as questões de ordem prática e de desenvolvimento deste processo.

Lembre-se, o discipulado não possui métodos milagrosos. A base para o discipulado produzir bons
resultados é o amor e a concordância com as Escrituras Sagradas. As etapas a seguir não fazem parte de
um método definitivo para o discipulado, mas visa orientar e organizar este processo.

a) Interesse em ser Discipulador

Ao desejar ser um discipulador, contate o seu líder para que o mesmo possa orar contigo e
submeter esta informação à liderança pastoral, a fim de que você seja encaminhado ao programa de
capacitação de discipuladores. Procure sempre manter alguém como seu discipulador.

b) Capacitação

A capacitação será realizada após o direcionamento do discipulador pelo seu líder. Nesta
capacitação você será informado sobre a aquisição de um material padronizado para uso pelos membros da
Igreja do Nazareno. Você deverá passar por treinamento quanto ao uso deste material para realizar o
discipulado. A capacitação poderá ser feita por qualquer pastor, seminarista ou líder que demonstre
proficiência bíblica.

c) Escolha do Discípulo

O discípulo poderá ser escolhido por critérios de afinidade ou conforme a demanda existente
(discipulado de novos convertidos ou recém-transferidos de outras igrejas). O seu líder deve ser avisado
sobre o discipulado em potencial (nome do discípulo, inicio do discipulado, etc.). O discípulo deve aceitar
ser discipulado de modo livre. Também pode ocorre de alguém procurar a liderança da igreja para ser
discipulado. Homem discipula homem. Mulher discipula mulher.
Ao iniciar o discipulado deverá ser enviado um e-mail para discipuladodonazareno@gmail.com com
as seguintes informações:
- Seu nome completo;
- Nome completo do discípulo;
- Inicio do Discipulado.

Informar mensalmente:
- Sobre o discipulado (dificuldades, progressos, paralisações, término do material, etc.).

d) Inicio do Discipulado

Após a concordância entre discípulo e discipulador inicia-se o processo de discipulado com as


seguintes ações:
Encontros para estudo:
- encontros semanais de uma hora podendo se estender a, no máximo uma hora e meia;
- deve ser iniciado e concluído em oração;
- cada lição deve ser estudada no período de 45 a 60 minutos.
- conversas sobre questões particulares podem ocorrer, desde que não afetem o tempo do estudo;
- o local fica a critério e concordância de ambos.

Atividades Conjuntas:
- pode haver encontros (extras) para atividades conjuntas, desde que haja bom senso e o encontro
sirva para conduzir o discípulo a ser como Jesus;
- contatos por meio de WhatsApp, Facebook, E-mails, ligações, etc., para acompanhamento
também devem seguir o mesmo principio do bom senso para não haver excessos.

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Cuidados do Discipulador:
- manter discrição;
- fornecer apenas orientações pautadas na Palavra. Orientação bíblica é diferente de
aconselhamento pastoral;
- não ser manipulador;
- não forçar o discípulo a dizer informações particulares;
- não invadir a privacidade do discípulo;
- ao ser duro, seja em amor;
- o discípulo é de Jesus, antes de ser seu;
- esteja atento aos dons e talentos do seu discípulo para encaminhá-lo a algum ministério da igreja;
- mantenha uma vida devocional ativa e incentive o seu discípulo a fazer o mesmo.

e) Término do Livreto

- Após o término das lições do livreto, enviar e-mail para discipuladodonazareno@gmail.com


informando o término/inicio do livreto, para fins de controle e organização do departamento de Discipulado.
- Quando todos os livretos forem concluídos, o discipulador deverá informar se o seu discípulo
possui condições de se tornar um discipulador. Para isso, os critérios usados para se tornar um discipulador
são: caráter, ser batizado e conhecimento da Palavra.
Importante: caso o material do discipulado seja da igreja, o mesmo deverá ser devolvido, conforme
a conclusão de cada livreto, para uso por outras pessoas em seus discipulados.

f) Observações Gerais

- se o seu discípulo não for convertido, o discipulado deve servir para que o desejo pela conversão
queime em seu coração naturalmente;
- se o seu discípulo não for batizado, o discipulado deve servir para que o desejo pelo batismo
queime em seu coração naturalmente;
- todos, sem exceção, devem possuir um discipulador na igreja local (preferencialmente) ou fora
dela;
- ao menor sinal de conflito ou mau testemunho decorrente da relação de discipulado, o mesmo
será interrompido até que haja esclarecimentos. Se a situação se agravar ambos poderão sofrer as sanções
conforme o Manual da Igreja;
- caso o discípulo esteja passando por graves problemas compartilhados por ele, incentive-o pedir
aconselhamento pastoral;
- deve haver sensibilidade do discipulador em relação a vocação do seu discípulo, para que o
mesmo não seja subestimado ou superestimado.

g) Encontro de Discipuladores

- Periodicamente os discipuladores terão momentos de comunhão para trocar experiências, tirar


dúvidas, receber informações, orar juntos, etc.;
- A troca de experiências nestes encontros deve observar o principio da “não invasão de
privacidade” do seu discípulo. Jamais poderão ser passadas informações particulares dos discípulos.

Com isso, acreditamos que o ciclo de fazer discípulos à semelhança de Cristo nas nações, ocorrerá
de modo saudável em nossa comunidade, com vistas ao crescimento integral dos nossos irmãos para a
glória de Deus.

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6. O DISCIPULADO E A IGREJA DO NAZARENO

a) O Discipulado em John Wesley

Wesley sempre entendeu o discipulado como um modo de se viver a fé e expressar a alegria da


salvação concedida gratuitamente por Deus. Diante disso, precisamos, como nazarenos, nos engajar nesta
visão e resgatarmos a base que mais do que histórica é bíblica e deve ser o diferencial em nossa vida
pessoal.

Lembramos, ainda, que discipulado é, antes de tudo, o estilo de vida do Reino de Deus. Portanto,
uma igreja discipuladora é uma igreja discípula. Nesse sentido, ela vive e pratica sua essência: produz
discípulos/as. Logo, toda vez que buscamos um discipulado fora de nós, na verdade buscamos a forma
daquilo que deveríamos antes de tudo ser como princípio.

Discipulado é para ser algo tão natural em nosso meio que todas as ações da igreja, não
importando a forma como ela se organiza, seja em que área for, devem refletir esse jeito de ser que, mais
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que um método, é vivência. Retornar às práticas de Cristo é o nosso maior desafio.

“A igreja não muda o mundo quando gera convertidos, mas quando gera discípulos.”
John Wesley.

Acerca da necessidade do discipulado, ele escreveu em seu diário em 13/03/1743:


“Pelas terríveis condições que testemunhei aqui (e deveras em todas as partes da Inglaterra), estou
cada vez mais convencido de que o diabo não deseja outra coisa senão isto: que o povo em qualquer parte
seja meio acordado13, e depois deixado para cair no sono novamente. Portanto, estou resolvido, pela graça
de Deus, a não iniciar o trabalho em qualquer lugar sem a probabilidade de conservá-lo”.

b) O Discipulado e a Igreja do Nazareno

O Discipulado faz parte do Ministério de Escola Dominical e Discipulado Internacionais – MEDDI. O


Manual da Igreja do Nazareno 2013-2017 contém várias referências sobre o discipulado. Abaixo,
transcrevemos algumas delas:

Na seção Estatutos da JNI – página 274, diz:


“Nós valorizamos o Discipulado... um estilo de vida buscando ser como Cristo.”

Sobre a Constituição da MNI - Missões Nazarenas Internacionais (Artigo II – Propósito) –


página 314, diz:
“O objetivo desta organização será mobilizar a igreja em missões através da oração, discipulado,
ofertar e educar.”

Sobre a Declaração de Missão do MEDDI – página 339, diz:


“A missão dos Ministérios de Escola Dominical e Discipulado Internacional (MEDDI) consiste em
cumprir a Grande Comissão entre crianças, jovens e adultos, preparando-os para uma vida de fazer
discípulos à semelhança de Cristo nas nações.”

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Apostila do I Encontro Distrital de Escola Dominical e Discipulado.
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Meio acordado: John Wesley classificava as pessoas que ouviam a mensagem e se interessavam por ela com esta expressão.
Deixá-las cair no sono significava não dá-las o respaldo necessário para manterem-se despertadas para o evangelho. Daí, sua ênfase
em discipular.

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6.1. Artigos de Fé – Igreja do Nazareno (Manual 2013-2017)

Êxodo 39.30 (28.36):


Santidade ao Senhor: “Fizeram também a folha da coroa de santidade de ouro puro, e nela
escreveram o escrito como de gravura de selo: SANTIDADE AO SENHOR.”

Artigos de Fé - Constituição da Igreja (páginas 22-31)

I. Deus Trino
II. Jesus Cristo
III. O Espírito Santo
IV. As Escrituras Sagradas
V. Pecado, Original e Pessoal
VI. Expiação
VII. Graça Preveniente
VIII. Arrependimento
IX. Justificação, Regeneração e Adoção
X. Santidade Cristã e Inteira Santificação
XI. A Igreja
XII. Batismo
XIII. A Ceia do Senhor
XIV. Cura Divina
XV. Segunda Vinda de Cristo
XVI. Ressurreição, Juízo e Destino.

Importante: a reprodução de cada artigo de fé consta no Tópico 8 (anexos), conforme extraído do


Manual da Igreja do Nazareno 2013-2017.

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7. CONCLUSÃO

Chegamos ao final deste singelo treinamento acerca do Discipulado à luz da Palavra de Deus e da
sua saudável aplicação em nossa comunidade. A Palavra de Deus não muda, mas a necessidade da
contextualização equilibrada do evangelho, sempre fará parte de uma sociedade dinâmica que muda a todo
o momento, cultural e tecnologicamente.

Apesar da natureza sacrificial do Discipulado, sinta-se desafiado a ser e a fazer a diferença neste
tempo de confusão bíblico-teológica, através do servir a Jesus, segui-lo fielmente e aprender das Suas
palavras que mudaram e ainda continuam mudando a vida de bilhões de pessoas em todos os tempos.

Antes de fazer ou de ensinar é preciso “ser”. Só faz discípulos de Jesus quem é discípulo d’Ele.
Faça como os apóstolos e tantos outros homens e mulheres de Deus que nos confiaram um legado de fé,
santidade e vida cristã frutífera.

Faça discípulos à semelhança de Cristo nas nações. Naquele grande dia, ao se apresentar a
Jesus, que as suas palavras sejam como as do apóstolo Paulo em 2ª Timóteo 4.7: “Combati o bom
combate, terminei a corrida, guardei a fé”.

Que a sua missão como discípulo de Jesus seja cumprida para a glória de Deus. Amém.

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”
João 13.35.

“Agora, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”
1º Coríntios 13.13.

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8. ANEXOS

8.1. Artigos de Fé – Igreja do Nazareno (Manual 2013-2017)

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