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29° ENEVET – ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE

VETERINÁRIA
SANTA MARIA / RS – UFSM
25 DE JULHO A 1 DE AGOSTO / 2010
FORMAÇÃO HUMANISTA NA BUSCA DAS COMPETÊNCIAS SOCIAIS
MV SERGIO BARCELLOS
sergiobarcellos@hotmail.com

 Que façamos nossas questões e não apenas estejamos presos às questões dos outros
(proposta)
 Onde está o social na veterinária?
 Valorização da pesquisa com a entrada da iniciativa privada
 De acordo com a forma que dialogamos com o “proprietário” é possível absorver ou não a
informação verdadeira; técnica relação veterinário x proprietário
 Antropomorfisação: imposição do comportamento humano aos animais
 Nos preocupamos com a vontade do animal?
 O social não é só aquilo que delega pobreza
 Nas atividades técnicas na universidade como os laboratórios, por exemplo, não há social?
Quem tem acesso a esse serviço? Quem tem o conhecimento e técnica para esse serviço?
 Que sociedade servimos? Que sociedade atuamos ou escolhemos atuar?
 Opção de escolha do ambiente, animal, tipo de criação?
 A graduação nos limita ao conhecimento técnico, não aprendemos a lidar com situações
adversas ou precárias
 O profissional faz parte de uma sociedade que tem classes e estão em disputa
 SOMOS AGENTES SOCIAIS
 Quais técnicas? Pra que? Pra quem?
 Antes de sermos MV somos profissionais
 Interagimos pouco com outros profissionais
 O trabalho em equipe, de vários profissionais está sendo necessário
 Ser humano= verbo antes dá a conotação de ação (questão de nossa vivência, construção de
como vamos atuar)
 Formação profissional é somente construída dentro da universidade?
 Família: permite ou não sua permanência, as vezes já está concretizada sua formação
 Sociedade: opções, escolhas
 Ensino: todos os níveis, qualidade, mais específico na graduação
 Me formei e agora? PRONTO!!! = uma fôrma, uma forma
 A formação profissional continua?
 Pós-graduação: continuação do processo de formação profissional
 Outras atividades: não atuando na nossa profissão, também estamos formando
 A formação do curso, como está? Como é ser estudante de MV?
 Universidade = universo de formação
 Tripé= ensino, pesquisa, extensão = diálogo
 E a vida como vai?
 Estrutura do curso = projeto político pedagógico
 Reuniões, colegiados, conselhos, Das
 Conselho profissional e sindicatos
CIÊNCIA: PRA QUE(M)?
MV SANTA ROSA (UFLA/MG)

 Foram elencados elementos importantes construídos ou inventados. Ex. lâmpada, privada,


parafuso, etc...
 Foram elencados nomes importantes. Ex. Hitler, Gandhi, Pasteur, etc...
 Quais desses nomes mereceriam uma bolsa de pesquisa CNPQ? Uma premiação?
 Qual o título acadêmico do indivíduo que descobriu o fogo?
 Fazer algo com a ciência (Ex. tocar um instrumento sem ligar a metodologia à matemática)
 Ciência x Religião = podem ser opostas? Podem ser a mesma coisa?
 Observação da ciência popular
 Como caracterizar a ciência?
 Tudo o que se trata de humanidades não é ciência
 Tudo o que é construído deve ter uma validade cientifica, com capacidade de reprodução e
repetibilidade
 Ciências mais palpáveis geram produtos = apropriação do que é produzido
 Conhecimento válido x não válido
 Os nomes que falamos no início não têm a formação do que criaram
 Darwin e Lamarck não seriam aceitos em nenhuma instituição hoje = não têm titulação
 Produção do conhecimento científico no Brasil = poder público (universidades e iniciativa
privada)
 Grande parte das universidades públicas
 Propriedade intelectual = patente (reconhecimento da construção de um conhecimento e
deve pagar para usá-lo)
 PPP (Parceria Público Privada) = recursos humanos e físicos estão disponíveis para a
empresa
 Qual o problema do apoio da empresa privada na universidade?
 Dentro da universidade a ciência é uma verdade = cientificamente provado
 Ciência não é neutra, depende do olhar do observador, deve-se dialogar com as observações
para haver a visão do todo
 Pesquisa aplicada (pra que?) x básica (pode avançar?)
 A ética na ciência?
 Problema da patente = encarece o produto e escolhe quem vai consumir o produto
 Bioacumulação
 Biomagnificação = um animal que come outro, assim vai acumulando energia
COMO MELHORAR NOSSOS CURÍCULOS ACADÊMICOS?
MV TIAGO TREICHEL
tiagoufsm@yahoo.com.br

 “Informação dentro da sala de aula = no seu histórico estão todos os certificados do que vc
fez?”
 “Muito tempo em sala de aula, carga teórica muito pesada”
 “Estudante deve ser mais participativo, informar desejos, contradições, questionar o ensino
e o que gostaríamos de aprender.”
 “O trabalho na universidade não é voltado para o pequenos produtos e a realidade é
diferente.”
 “Falta prática, os estágios não são suficientes.”
 “O curso poderia proporcionar um melhor ensino, somos obrigados a estudar assuntos que
não são do meu interesse.”
 “Devemos cobrar mais os professores sobre como a disciplina é dada.”
 “Adequar a grade à realidade da região.”
 “Falta a questão do relacionamento interpessoal.”
 “Devemos ter uma formação mais generalista, quem somos nós imaturos para sabermos o
que queremos por toda nossa vida?”
 “A universidade tende a direcionar o ensino por áreas que os professores são
especializados, podemos mudar a vontade de como trabalhar.”
 Descoberta que a universidade não forma para nada = há dificuldade de se inserir no
mercado de trabalho
 Sempre vai haver estudantes que nunca ouvirão falar da ENEV
 As pesquisas que fazemos terão alguma utilidade?
 Preocupação geral: o que está acontecendo com a juventude?
 Como melhorar nossos currículos acadêmicos?
 Inserir disciplinas de organização social e política
 Entender o quanto os rumos da vida de uma sociedade dependem das decisões políticas
 Valorização das organizações estudantis e da juventude
 MEVET = grupo pequeno, mas seletivo que decide o rumo das entidades representativas
 O estudante está cada vez mais individualista?
 Existem diversas realidades sociais dentro do curso
 Não há um inimigo clássico, devemos descobrir esse inimigo
 Qual a solução para melhorar o nosso currículo?
AMEAÇAS AO MERCADO DE TRABALHO NA MV
JOSÉ ARTHUR – CRMV/RS
jarthur@crmvrs.gov.br

 MV é um profissional liberal = presta serviços técnicos científicos


 Lei 5.517 (23/10/68) – legalização da profissão de MV
 Prática da clínica
 Direção do HV
 Assistência técnica sanitária
 Planejamento de defesa sanitária
 Direção técnica e sanitária de estabelecimentos industriais
 Inspeção e fiscalização sanitária POA (produção, manipulação, armazenagem, distribuição)
 Peritagem sobre animal
 Perícias e exames reveladoras de fraudes
 Direção e fiscalização de ensino
 Organização de congressos, comissões e seminários
 Assessorias técnicas em relações exteriores

 Competências não privativas:


 Produção animal
 Saúde pública/zoonoses
 Avaliação e peritagem de animal para seguro
 Padronização e classificação POA
 Formulação de ração para animais
 Exames para registros genealógicos para inscrições
 Exames periciais e tecnológicas sanitário de subprodutos (ex. couro)
 Trabalhos ligados a biologia geral, zoologia
 Defesa da fauna e exploração de animais silvestres
 Organização de trabalhos ligados a estatística
 Organização rural

 Área de atuação com falta de MV:


 Rastreabilidade
 Identificação de animais
 Diagnóstico por imagem
 Etologia
 Terapia assistida
 Medicina de animais silvestres
 Informática aplicada
 Psicultura
 Inspeção de pescado
 TPOA
 Educação ambiental
 Informática aplicada
 Análise de perigos e pontos críticos de controle
 MV legal
 Codex alimentarius
 Destinação de resíduos e impacto ambiental
 Bem estar animal
 Bioterismo (biotério)
 Canis
 Animais em cativeiro
 Plantas medicinais
 Homeopatia
 Acupuntura
 Controle de produtos imunobiológicos e fármaco

 Ameaças ao mercado de trabalho do MV


 Engenharia de pesca, inspeção sanitária
 Engenharia de alimentos
 Oceanografia, recursos naturais de águas interiores
 Zootecnia
 Química, biologia, farmácia, fisioterapia, etc

 Como enfrentar esse problema?


 Formação acadêmica
 Formação profissional
 Espírito de corpo
 Construção de uma imagem
 Enfrentamento focalizado do problema
 Fortalecimento das entidades representativas
EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO NA AGRICULTURA FAMILIAR
MV ALINE MULLER
Aline.muller@ymail.com

 Assessoria técnica, social e ambiental


 Em Dionísio Cerqueira/SC
 100 famílias, 194 pessoas
 1985 – Ocupação de terra em Aberlardo Luz
 1988 – Desapropriação de uma área de 1.200 ha em Dionísio Cerqueira
 Início do assentamento em 24/06/1968
 35 famílias do MST e 25 do município
 Objetivos: Vida digna e Igualdade para tod@s
 Planejamento: Curto Prazo – produção para subsistência; Médio Prazo – produção para
comércio; Longo Prazo – Produção e industrialização
 1990 – COOPERUNIÃO – para comercializar alguns produtos e compras de insumos
 1996 – definição dos setores estratégicos: frango de corte, bovino de leite, psicultura, erva-
mate
 Assembléia – Conselho fiscal – direção coletiva ou Conselho social e político
 Direção coletiva: produção, custos, finanças, comércio
 Conselho social e político: núcleos de base, comissões (jovens, esporte, educação, saúde)
 Prioridades: subsistência e qualidade de vida – há uma horta comunitária e bovino de corte e
leite só para subsistência
 As famílias não têm lote, a terra é do Incra, mas está a disposição deles.
 Os trabalhos são divididos em equipes (divisão social), todos recebem o mesmo valor no fim
do mês
 As mulheres trabalham 4h por dia, pois são contadas as horas que ela passa trabalhando em
casa, somando 8h/dia
 Há falha no desempenho de algumas pessoas, mas não há a exclusão dessas; há uma
diversidade de pessoas, há a tentativa de explorar suas qualidades, há um trabalho de
consciência
 As crianças ficam em creche da cooperativa
 A educação é voltada para a realidade de campo, meio rural, respeito à natureza
 Lazer: time de futebol masculino e feminino, festas
 As casas são semelhantes, mas não há um padrão
 A Aline mora no assentamento, o que auxilia no seu trabalho profissional
 Toda ração para os animais é produzida no assentamento
 Há uma ordenhadeira automática (140 vacas em lactação) – leita Terra Viva
 Excedente do abatedouro são cozidas em auto-clave e serve de alimentação para os peixes
 1998 – foi construído o abatedouro de aves, pela proximidade com o Paraná houve a
necessidade, hoje são abatidas 3.500 aves/dia (somente no período da tarde)
 Jovens têm o período da manhã para estudar
 A legislação não contempla o pequeno produtor, muitas burocracias são questionadas, gasta-
se muito com testes que empresas com 10x mais a capacidade de abate também fazem

 Desafios:
 Consciência coletiva
 Juventude: identidade camponesa x vontade de conhecer a cidade
 Relações sociais: tudo é muito próximo, maior facilidade de divergências o que fragiliza o
grupo
 A hora do pé no freio
LEI DO ESTÁGIO
DEP. FEDERAL MANUELA

 Lei dos estágios durou 30 anos


 Realidade econômica mudou
 O estágio acabou ocupando o espaço do 1º emprego
 Necessidade de estágio pago, por conta dos custos de estudar fora de casa
 Estagiário: não tem salário, não tem jornada de trabalho, não tem auxílio
 Lei do estágio 2007: caráter educacional, ato educativo supervisionado
 Estagiário é estudante: máximo 6 horas/dia, reduzível a metade em período de provas
 Desrespeito ao estudante no ensino superior
 Obrigatório o pagamento de bolsa, não inferior ao valor do transporte
 Direito à férias: proporcional ao tempo de estágio
 Deve haver a figura do professor supervisor do estágio
 Seguro para estagiário com valor de mercado
 Deve haver um profissional da área no estágio, para que o estagiário aprenda e não faça as
tarefas mecanicamente
 Que a universidade desenvolva o estudante para a sociedade como um profissional
 “Imagine a mudança e trabalhe em função dela”

 Para a ENEV: sistematizar limites para a lei de estágios para a veterinária


DESAFIOS DO ATUAL MV
MAURÍCIO PISSIN

 O repasse da CN atual deve ser feito para a próxima CN


 A ENEV vive altos e baixos
 O ME não é de uma classe sindical, tem composição pluriclassista
 Qual o papel das entidades representativas?
 O ME no geral, como está?
 UNE é a ferramenta que o ME precisa construir
 A origem da maioria dos estudantes de veterinária é conservadora
 A UNE apresenta limites concretos
 Final dos anos 80, início dos anos 90, neoliberalismo, crise na UNE
 Ambiente diferenciado, atual situação: momento de transição
 Deve-se articular com a base
 Governo Lula: PROUNI, expansão de política, aumentando verbas para a universidade,
REUNI (2 momentos: inicialmente negativo, depois positivo): cenário de demandas
renovado
 Possibilidade de rearticulação do ME
 O ME perdeu base e possibilidade de se organizar
 Que tipo de expansão de curso nós querem para a veterinária
 ANEL (Associação Nacional dos Estudantes Livre) surgiu em 2008 alternativa à
burocratização da UNE
EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÀO PROFISSIONAL
MV RONALDO

 Avalia a capacidade de competência do profissional por meio de uma prova escrita


 CFMV regulariza e fiscaliza a profissão
 A instituição aprovada pelo MEC deve formar profissionais competentes
 Exame: molda a formação dos MV recém formados
 A escola de Veterinária se torna um cursinho preparatório
 Um curso é criado a partir de uma solicitação ao CFMV
 MEC e CFMV deveriam avaliar outros pontos da universidade como estrutura, métodos de
avaliação, professores
 Se o conselho cumprisse seu papel primário não seria necessário o ENCP
UNIVERSIDADE POPULAR
APOENA

 A estrutura da educação brasileira está em transição


 Discussão da nova universidade: processo de modificação baseado no modelo chileno, o
qual é voltado para mão de obra e à pesquisa
 Pós PSDB não há uma clara discussão da universidade, houve uma modificação nos cursos,
criação de um projeto de universidade
 Discutir: ensino, o que se aprende na sala de aula? Pesquisa, especialização? Extensão, fica
com o resto?
 O papel da universidade é gerar lucro?
 Universidade popular: o que fazer para o que é produzido na universidade seja voltado para
a sociedade
 As pesquisas na universidade popular são feitas de acordo com as necessidades da
população, a formação é voltada para cada região, o número de vagas é de acordo com a
necessidade de cada região
 No Brasil há uma universidade ligada ao MST, sendo os estudantes integrantes de
movimentos sociais, no entanto, as profissões não são regulamentadas
 As especialidades de cada região não permitem pensar em um currículo e modelo de
pesquisa únicos para uma universidade popular no Brasil
 É fundamental a discussão do currículo, pesquisa e extensão com visão do todo
 Para que/quem tem que servir a sua formação?
 A universidade popular propicia o entendimento de toda sociedade
 A organização se dá com a integração entre professores e estudantes
 Discussão do que gosta para ter maiores condições de escolher o que quer fazer da vida
 O jovem opta sem saber o que é
 Bolsas, Prouni, cotas: propicia que outras pessoas com outra visão e condições de vida
tenham acesso a universidade, discutir essa questão das ações afirmativas
BEM ESTAR ANIMAL: DESAFIOS PARA AS NOVAS GERAÇÕES DE MV
PROF. LUIZ HENKES
Universidade Federal de Pampa – Unipampa
Uruguaiana/RS
lhenkes@gmail.com

 Mercado externo está exigindo o bem estar animal


 O melhor sistema depende da escala de valores: mais lucro para o criador, melhor sanidade e
nutrição para o veterinário, menor custo para o consumidor, menos incômodo para o
legislador, animal desfruta de maior conforto
 Função: saúde, crescimento, produtividade
 Comportamento: comparação quantitativa e qualitativa
 Senciência: estado afetivo (dor, sofrimento, contentamento)
 O modo como lidar com a visão técnica ou educação
 Animal x religião: base filosófica
 Influência religiosa
 5 liberdades: liberdade de fome e sede, de desconforto, de dor e doença, para expressar seu
comportamento natural, do medo e estresse
 Como o MV pode melhorar? Etologia e reconhecimento da senciência
 Todo trabalho científico deveria passar pela câmara de experimentação e ética

 Animal de Cia:
 Ética, orientação (posse responsável), etologia, genética (cães de raça)
 Cirurgias estéticas mutilantes foram proibidas (conchectomia, caudectomia, onicectomia em
gatos)

 Animal de pesquisa
 São necessários?
 Se utilizam muitos animais desnecessariamente

 Animal de ensino (resolução 15/02/2008)


 Não é necessário matar os animais para o ensino
 Há recursos substitutivos

 Animal de produção
 Manejo geral, instalações, transporte, abate
 Debicagem de aves está proibida