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ESCOLA SECUNDÁRIA DE GONDOMAR

Época de recurso/Regime Não Presencial


(Portaria nº 550/2004 com alteração da Portaria 242/2012, de agosto)

Prova Escrita de Português - 10º ano - módulo 2


24 de janeiro de 2018

Duração da Prova: 90 minutos

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.


Não é permitida a consulta de dicionário.
Não é permitido o uso de corretor. Deve riscar aquilo que pretende que não seja classificado.
Para cada resposta, identifique o grupo e o item.
Apresente as suas respostas de forma legível.
Ao responder, diferencie corretamente as maiúsculas das minúsculas.
Apresente apenas uma resposta para cada item.
As cotações dos itens encontram-se no final do teste.

Critérios gerais de classificação

• As respostas ilegíveis são classificadas com zero pontos.


• Em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada se
for possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.
• Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que
surgir em primeiro lugar.
• A classificação das provas nas quais se apresente, pelo menos, uma resposta escrita
integralmente em maiúsculas é sujeita a uma desvalorização de cinco pontos.

Fatores de desvalorização − correção linguística

Fatores de desvalorização Desvalorização (pontos)


• Erro inequívoco de pontuação
• Erro de ortografia
(incluindo erro de acentuação, uso indevido de letra
minúscula ou de letra maiúscula e erro de translineação) 1
• Erro de morfologia
• Incumprimento das regras de citação de texto
ou de referência a título de uma obra
• Erro de sintaxe
2
• Impropriedade lexical
GRUPO I

Leia o texto a seguir transcrito. Em caso de necessidade, consulte o vocabulário apresentado.

Finge-se, na introdução, que Inês Pereira, filha de uma mulher de baixa sorte, muito fantesiosa, está
lavrando1 em casa, e sua mãe é a ouvir missa. E ela diz:

Inês Renego deste lavrar


e do primeiro que o usou;
ao diabo que o eu dou,
que tão mau é d’aturar.
5 Oh, Jesu! Que enfadamento,
e que raiva e que tormento,
que cegueira, e que canseira!
Eu hei de buscar maneira
d’algum outro aviamento2.
10 Coitada, assi hei de estar
encerrada nesta casa
como panela sem asa,
que sempre está num lugar?
E assi hão de ser logrados3
15 dous dias amargurados,
que eu possa durar viva?
E assim hei de estar cativa
em poder de desfiados?4
[…]
Vem a Mãe e diz:
Mãe Logo eu adivinhei
20 lá na missa onde eu estava,
como a minha Inês lavrava
a tarefa que lhe eu dei…
Acaba esse travesseiro!
E nasceu-te algum unheiro5
25 ou cuidas que é dia santo?
Inês Praza a Deus que algum quebranto6
me tire do cativeiro.
Mãe Toda tu estás aquela!7
Choram-te os filhos por pão?
30 Inês Prouvesse a Deus! Que já é razão
de eu não estar tão singela8.
Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira, Porto, Porto Editora, 2014 [pp. 7-10, com supressões]
vocabulário

1. lavrando: bordando. 5. unheiro: furúnculo por baixo da unha.


2. aviamento: ocupação; solução. 6. quebranto: feitiço.
3. logrados: aproveitados. 7. v. 28: Não digas disparates!
4. v. 18: a fazer travesseiros de franjas. 8. singela: solteira.
Responda às questões que se seguem, elaborando frases bem estruturadas e gramaticalmente
corretas.

1. Localize o excerto na estrutura interna da obra em que se insere.

2. Atente no monólogo de Inês Pereira.


2.1. Enuncie os aspetos do quotidiano da personagem que lhe desagradam, explicitando
a funcionalidade do seu monólogo.

3. Trace um retrato de Inês a partir das suas palavras.

Leia atentamente o poema.

Um mover d’olhos, brando e piadoso,


sem ver de quê; um riso brando e honesto,
quási forçado; um doce e humilde gesto1,
de qualquer alegria duvidoso;

5 um despejo2 quieto e vergonhoso;


um repouso3 gravíssimo e modesto;
ũa pura bondade, manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;

um encolhido ousar; ũa brandura;


10 um medo sem ter culpa; um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento;

esta foi a celeste fermosura


da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.

Luís de Camões, Rimas [ed. de A. J. Costa Pimpão], Coimbra, Almedina, 2005


Vocabulário:
1 gesto (v. 3): aspeto; rosto.
2 despejo (v. 5): naturalidade; desembaraço.
3 repouso (v. 6): sossego.
Nota: Circe (v. 13): entidade mitológica; feiticeira muito bela que transformou os companheiros de Ulisses em porcos.

4. Indique os sentimentos despertados no poeta pela mulher amada.

5. Apresente, por palavras suas, cinco características da mulher descrita no poema.


Na resposta aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

6. O poema apresenta a descrição de uma figura feminina caracterizando-a


(A) fisicamente.
(B) socialmente.
(C) física e moralmente.
(D) através das suas ações.

7. Na expressão “um mover d’olhos” (v.1) estão presentes um


(A) determinante artigo definido, um verbo, uma preposição e um nome comum.
(B) determinante artigo indefinido, um nome comum, uma preposição e um nome comum.
(C) determinante artigo definido, um nome comum, uma conjunção e um nome comum.
(D) determinante artigo indefinido, um nome comum, uma preposição e um nome próprio.

8. O recurso expressivo presente nas expressões “celeste fermosura” (v.12) e “Circe” (v.13) é uma
(A) metáfora.
(B) hipérbole.
(C) antítese.
(D) comparação.

9. Os aspetos que compõem o retrato feminino são indicados por


(A) verbos.
(B) adjetivos.
(C) determinantes.
(D) nomes e expressões nominais.

10. Na expressão “esta foi a celeste fermosura/ da minha Circe (vv.12 e 13), os constituintes
sublinhados desempenham a função sintática de
(A) sujeito e complemento direto.
(B) complemento direto e sujeito.
(C) sujeito e predicativo do sujeito.
(D) sujeito e complemento indireto.

11. Na última estrofe, a palavra ou expressão que indicia uma conclusão é


(A) «celeste fermosura».
(B) «esta».
(C) «minha Circe».
(D) «pensamento».

12. Esta composição poética trata-se de uma


(A) esparsa.
(B) endecha.
(C) soneto.
(D) cantiga.

13. Indique o antecedente do pronome demonstrativo “esta” (v.12).


14. Refira o tempo e o modo da forma verbal “foi” (v.12).
15. Identifique os processos fonológicos ocorrido na evolução da palavra ũa > uma.

GRUPO II
Escreva um texto de apreciação crítica, de 130 a 150 palavras, no qual apresente o seu
ponto de vista sobre a leitura de Os Lusíadas.

Obedeça às seguintes orientações:


• Introdução – apresentação e caracterização sumária do objeto (Os Lusíadas: planos narrativos,
matéria épica).
• Desenvolvimento – comentário crítico da obra, com apresentação de argumentos (importância
para a nação portuguesa).
• Conclusão – síntese geral das ideias e apelo à leitura ou ao estudo da obra.

FIM DA PROVA

COTAÇÕES

GRUPO ITEM
(cotação em pontos)
A e B: 1. a 5. 100
I 5 x 20 pontos
Gramática: 1. a 10.
II 10 x 5 pontos 50

III item único 50


TOTAL 200