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COELHO BARROS, Aluísio. Gotas. Revista Vórtex, Curitiba, v.4, n.3, 2016, p.

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Gotas1

Aluísio Coelho Barros


Université de Montréal | Canadá

Aluísio Coelho é violonista e compositor. Nascido na cidade de Maringá, começou a


estudar violão em 2000. Em 2006 terminou seus estudos em nível técnico na Escola
de Música da Universidade Estadual de Maringá (EMU), onde estudou violão com
Roberto Baldassi. Ainda na mesma escola, estudou contraponto, história da música e
harmonia com Rael Toffolo. Em 2010 concluiu seu bacharelado em violão na Escola
de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), onde estudou violão com Orlando
Fraga. Em 2013 concluiu seu mestrado na área de composição, onde estudou a vida
e obra do compositor e violonista brasileiro Sérgio Assad. Como resultado, defendeu a
dissertação intitulada “A música para violão de Sérgio Assad: um panorama
composicional através da análise intertextual” com a orientação de Norton Dudeque.
Atualmente faz doutorado em performance pela Université de Montréal (UdeM/Canadá), onde estuda violão e é
orientado por Peter McCutcheon.

Website: www.aluisiocoelho.com
Email: aluisioviolao@gmail.com

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Submetido em: 01/11/2016. Aprovado em: 01/12/2016.

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COELHO BARROS, Aluísio. Gotas. Revista Vórtex, Curitiba, v.4, n.3, 2016, p.1-7

G
otas foi propositalmente planejada para apresentar diferentes camadas e perspectivas
dentro do discurso musical. Primeiramente, podemos nos debruçar em sua camada
dramática e poética, pelo qual o símbolo da “gota” se apresenta como arquétipo
embrionário da obra. A nota ré do início da peça é a tradução para este arquétipo, que vai se
desenvolvendo em vários níveis diferentes. À partir deste ponto de vista é possível perceber um arco
dramático, onde a gota se transforma em múltiplas dela, se tornando então chuva e tempestade. O
contraste mais significativo se apresenta logo após o ápice dramático da obra (cc. 60-63), onde a calma
e tranquilidade tomam o lugar da ruidosa tempestade, retomando o tema inicial da peça. No que diz
respeito à sua camada temática musical, Gotas apresenta o desenvolvimento de uma nota isolada em
diversas direções. A princípio em nível vertical, onde o intervalo de segunda maior é o elemento pivô
para conectar as diversas seções da obra, atuando fundamentalmente como um tema. Também em
nível horizontal, onde as notas com valores rítmicos longos e previsíveis, vão se transformando em
estruturas rítmicas mais complexas e caóticas. É interessante destacar um terceiro nível, onde texturas e
timbres são tão importantes quanto às notas e ritmos apresentados. A variação entre estruturas
diatônicas, polifônicas e à campanella, criam dinamismo e contraste entre as seções, sem perder o
unidade temática da peça. Em relação ao ponto de vista instrumental, esta peça foi pensada para criar
uma sensação técnica natural e idiomática para o instrumentista. Com uma scordatura ligeiramente
diferente da tradicional – alterando a segunda corda para Sib – foi possível produzir acordes e
estruturas mais densas e incomuns, sem perder as reverberações naturais do instrumento. Portanto,
Gotas se propõe como uma peça tecnicamente natural para o instrumentista que, ao mesmo tempo,
procura apresentar sonoridades diferentes da tradicional.

Uma gota de água poderosa basta para criar um mundo e para dissolver a noite. Para sonhar o
poder, necessita-se apenas de uma gota imaginada em profundidade. A água assim dinamizada
é um embrião; dá à vida um impulso inesgotável (BACHELARD, 1997: 10)2.

2 BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. Martins Fontes, São Paulo, 1997.

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