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DESENHO DE

ARQUITETURA I

autora do original
TANIA BULHÕES

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2016
Conselho editorial  regiane burger, ivo girotto, roberto paes, gladis linhares

Autor do original  alex ferreira dos santos

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gladis linhares

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  tiago tardin

Imagem de capa  denis vrublevski  |  shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2016.

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 7

1. A Importância do Desenho como Linguagem


Representativa do Processo de Concepção e
Desenvolvimento da Obra Arquitetônica 9

1.1  Desenho de arquitetura e comunicação: os códigos e


instrumentos necessários na sua elaboração 13
1.1.1  Minas de Grafite | Lápis de Madeira | Lapiseiras
(de minas grossas e de minas finas) | Canetas Nanquim 15
1.1.2  Folhas e Papéis 26
1.1.3  Prancheta | Régua “T” | Régua Paralela 30
1.1.4 Esquadros 40
1.1.5  Escalímetro e Escalas 43
1.1.6 Transferidor 53
1.1.7 Compasso 54
1.1.8  Curvas Francesas | Régua Flexível 56
1.1.9  Borrachas / Mata-gato 62
1.1.10 Gabaritos 63
1.1.11  Outros equipamentos 64

2. Princípios do Desenho Técnico de Arquitetura e


Normalizações 71

2.1  Normalizações do Desenho Técnico de Arquitetura e Urbanismo 75


2.1.1  NBR 10068: 1987 – Folha de desenho –
Leiaute e dimensões 76
2.1.2  NBR 10582: 1988 – Apresentação da folha
para desenho técnico 83
2.1.3  NBR 13142: 1999 – Desenho técnico –
Dobramento de cópia 89
2.1.4  NBR 8403: 1984 – Aplicação de linhas em desenhos – Tipos de
Linhas – Larguras das Linhas 92
2.1.4.1  Qualidade (ou tipo) de traços 92
2.1.4.2  Espessuras de traços 98
2.1.5  NBR 8402: 1994 – Execução de caractere para
escrita em desenho técnico 100
2.1.6  NBR 10126: 1987 – Cotagem em desenho técnico 105
2.1.6.1  Cota linear 105
2.1.6.2  Cota de nível 115

3. Princípios Básicos da Geometria Plana e Descritiva


Aplicados aos Desenhos de Arquitetura 121

3.1  Conceitos Básicos da Geometria Plana (Euclidiana) e


sua aplicação no universo projetivo 123
3.1.1  Ponto, Reta e Plano 123
3.1.2  Construção de Retas Paralelas e de
Retas Perpendiculares entre si 126
3.1.2.1  Utilizando a régua paralela (ou a régua “T”) e
o jogo de esquadros 126
3.1.2.2  Utilizando apenas o jogo de esquadros 128
3.1.2.3  Utilizando o compasso 131
3.1.3  Construção de ângulos 141
3.1.3.1  Utilizando a régua paralela (ou a régua “T”) e
o jogo de esquadros 141
3.1.3.2  Utilizando o compasso 142
3.1.4  Divisão de um segmento em partes iguais 145
3.1.5  Figuras geométricas bidimensionais – polígonos 148
3.1.6  Concordâncias entre retas e arcos de circunferências 159
3.2  NBR 10067: 1995 – Princípios gerais de representação
em desenho técnico: Geometria Projetiva e Projeções Ortogonais 169
4. Projeções Ortogonais do Desenho
Arquitetônico – Plantas 181

4.1  Passo a passo para a elaboração de plantas 188


4.2  Planta do Pavimento Térreo 206
4.3  Planta dos outros Pavimentos 209
4.4  Planta de Cobertura 212
4.5 Implantação 230
4.6  Planta de Situação 232
4.7  Plantas em meio nível 233

5. Projeções Ortogonais do Desenho


Arquitetônico – Cortes 243

5.1  Passo a passo para a elaboração de cortes 246


5.2  Corte Transversal e Corte Longitudinal 263
5.3  Corte de Cobertura 265

6. Projeções Ortogonais do Desenho


Arquitetônico – Vistas
(Elevações ou Fachadas) 279

6.1  Passo a passo para a elaboração de vistas 282


6.2  Vistas Transversais e Vistas Longitudinais 293
6.3  Vista de uma dada Cobertura 296
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),

A compreensão da linguagem arquitetônica é de suma importância para es-


clarecer aos futuros arquitetos e urbanistas como se elaboram as peças gráficas
representativas dos distintos projetos a serem executados ao longo da profissão
e, para além, de seu processo de constituição.
É preciso salientar que o estudo dirigido ao uso e à reprodução da lingua-
gem eminentemente gráfica nessa profissão coloca em foco a identificação do
desenho como objeto de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os
agentes envolvidos em um determinado processo de projeto. Assim, aprender
a executar tais peças gráficas é fundamental.
Portanto, o presente livro apresenta um conteúdo que despertará em você,
aluno e futuro profissional, um interesse ímpar: além de compreender a im-
portância do processo de projeto, você entrará em contato como as caracte-
rísticas mais peculiares de cada uma das peças gráficas bidimensionais que
constituem a representação básica de um projeto arquitetônico, paisagístico
ou urbanístico.
Para tanto, realizaremos o seguinte percurso de aprendizado:
Capítulo 1 – ensinaremos ao discente a se familiarizar com os instrumen-
tos de desenho utilizados para elaboração de peças gráficas, a fim de entender
como se dá o uso e o manuseio adequado de cada um desses equipamentos e,
por fim, como aplicar tal compreensão à pratica de projeto e como vincular este
uso e manuseio a alguns conceitos técnicos inerentes ao processo projetual –
como o entendimento sobre escalas, curvas de nível e alterações topográficas.
Capítulo 2 – ensinaremos ao discente a se familiarizar com as normas técni-
cas que regulamentam a elaboração de peças gráficas e realizam a complemen-
tação de informações necessárias à compreensão integral do projeto.
Capítulo 3 – compreenderemos como se dá o uso de elementos da geome-
tria plana (ou Euclidiana) bem como o entendimento de projeções ortogonais
derivadas de volumes simples, a fim de aplicar tal compreensão à pratica de
projeto e vincular este uso a alguns conceitos técnicos inerentes ao processo
projetual – como a compreensão sobre como espaços tridimensionais se pro-
jetam em planos constituindo desenhos bidimensionais que conformam, por-
tanto, plantas, cortes e vistas.

7
Capítulo 4 – entenderemos como se dá a construção da projeção ortogonal,
bidimensional, denominada planta; bem como diferenciaremos cada uma das
qualidades de plantas existentes, utilizando cada uma delas de forma adequa-
da para mostrar características distintas do projeto que se pretende elaborar e,
por fim, especificaremos detalhes em cada uma das plantas desenhadas.
Capítulo 5 – entenderemos como se dá a construção da projeção ortogonal,
bidimensional, denominada corte; bem como diferenciaremos cada uma das
qualidades de cortes existentes (transversal e longitudinal), utilizando cada um
deles de forma adequada para mostrar características distintas do projeto que
se pretende elaborar e, por fim, especificaremos detalhes em cada um dos cor-
tes desenhados.
Capítulo 6 – entenderemos como se dá a construção da projeção ortogonal,
bidimensional, denominada vista; bem como diferenciaremos cada uma das
qualidades de vistas existentes (transversais e longitudinais), utilizando cada
uma delas de forma adequada para mostrar características distintas do projeto
que se pretende elaborar e, por fim, especificaremos detalhes em cada uma das
vistas desenhadas.
Ao final da disciplina o aluno estará habilitado ao exercício efetivo de ati-
vidades relativas à composição de desenhos técnicos e humanizados vincula-
dos a projetos de programas variados, sobretudo através do uso e manuseio de
equipamentos que o permitem realizar a confecção de peças gráficas de arqui-
tetura e urbanismo e, por conseguinte, projetar aquilo que lhe for solicitado
pelas diversas disciplinas de ateliê de projeto.

Bons estudos!
Profa. Me. Tânia Maria Bulhões Figueira.
1
A Importância do
Desenho como Linguagem
Representativa do
Processo de Concepção e
Desenvolvimento da Obra
Arquitetônica
A área do conhecimento designada por Arquitetura e Urbanismo utiliza-se de
uma expressividade eminentemente gráfica para exprimir suas ideias e realizar
interlocução entre todos os agentes envolvidos no processo de concepção e de-
senvolvimento projetual de uma dada obra arquitetônica, bem como no decur-
so de construtibilidade dela. Para tanto, há de se vincular tais processos a uma
linguagem própria, porém universalizada.

Linguagem é o meio de expressão e comunicação do pensamento. Sabemos como e


o que pensamos, ou julgamos que sabemos, através da linguagem. Tudo que o homem
possui sobre o real são pensamentos materializados através da linguagem, o que
implica mensuração, convenção e distanciamento. O homem então funda sua escala de
agrimensor e edifica uma memória coletiva. (CARRANZA; CARRANZA, 2013, p. 23).

Tal linguagem é dada pelo conjunto de peças gráficas elaboradas pelo ar-
quiteto e urbanista (e sua equipe), que permite intelecção a respeito dos con-
dicionantes de todo o projeto: sejam estes de ordem subjetiva – cultural, histó-
rica, plástica, advinda da paisagem natural e/ou construída (ou ainda, da que
se pretende construir) – ou objetiva – relacionada às estruturas, materialida-
des e técnicas construtivas, à qualidade topográfica do locus de implantação, à
orientação e circulação de pessoas, veículos não-motorizados e automotores, à
legislação, ao conforto ambiental, ao sistema predial e de instalações, etc. Para
tanto, é necessário compreender que tais condicionantes devem influenciar
equitativamente a concepção da arquitetura; fato que demonstra o quão com-
plexo é o processo de projeto.
A fim de auxiliar o entendimento do mesmo de forma ampla, há uma sub-
divisão passível de se realizar a respeito das etapas subsequentes de desenvol-
vimento do projeto de arquitetura que, grosso modo, organiza estas fases da
seguinte maneira:
•  levantamento de dados físicos, geomorfológicos, condicionantes urba-
nísticos, restrições legais, características e intenções subjetivas, históricas, cul-
turais, de identidade e etc., que influenciam na concepção do projeto;

10 • capítulo 1
•  elaboração de estudos preliminares que apresentam ideias iniciais pauta-
das no desenho de croquis e na autorreflexão do arquiteto sobre suas decisões
de projeto;
•  constituição de anteprojeto com base no que foi acordado pelos agentes
envolvidos no processo de projeto (arquiteto, engenheiro, cliente, etc.) após vi-
sualização, interpretação e análise dos estudos preliminares;
•  confecção de projeto executivo para aprovação do mesmo frente à muni-
cipalidade – projeto legal – e para possibilitar a construtibilidade adequada, ra-
cional e isenta de desperdício (ou, ao menos, que os mitigue) – detalhamento
de projeto;
•  conferência, após o processo de edificação da obra, entre aquilo que foi
projetado (desenhos de concepçào e técnicos) e o que foi efetivamente cons-
truído (edifício) para adequar possíveis diferenças advindas de decisões do can-
teiro de obras necessárias a sua otimização – as built.

A respeito de tais fases, é preciso pormenorizar que uma é dependente da


outra e todas são de fato necessárias para que haja planejamento do processo
de projeto como um todo.
Vinculado a cada etapa de projeto, há um conjunto de peças gráficas im-
portantes e complementares que podem, de forma ampla, serem descritos
como desenhos de concepção ou croquis – elaborados, sobretudo, para con-
ferir gênese ao projeto e autocrítica do autor frente suas próprias ações pro-
jetuais –, desenhos técnicos porém humanizados, utilizados principalmente
para interlocução entre arquitetos e clientes, e desenhos eminentemente téc-
nicos que permitem a aprovação e a construção propriamente dita da arquite-
tura projetada.
O intuito do presente capítulo é justamente introduzir os discentes ao âm-
bito da elaboração de todas essas peças gráficas, a fim de ampliar o repertório
do aluno quanto ao estudo e representação projetual de obras arquitetônicas,
paisagísticas e urbanas; sempre lembrando que,

capítulo 1 • 11
(...) é possível concluir que ideário nos tem impedido de enfrentar o ensino racional,
cuidadoso e interessado do desenho, nas escolas brasileiras. Para desenhar é preciso
ter talento, ter imaginação, ter vocação. Nada mais falso! Desenho é linguagem
também e enquanto linguagem é acessível a todos. Demais, em cada homem há
o germe, quando nada, do criador que todos os homens constituem. E como já tive
oportunidade de sugerir antes, a arte e com ela uma de suas linguagens – o
desenho – é também uma forma de conhecimento. (ARTIGAS,1986, p. 48 apud
CARRANZA; CARRANZA, 2013, p. 21 – negritos da autora).

OBJETIVOS
•  Identificar o desenho como uma linguagem de suma importância para a intelecção do
processo de projeto em Arquitetura e Urbanismo;
•  Familiarizar-se com os instrumentos utilizados para elaboração de peças gráficas – sejam
os desenhos realizados para estudo de propostas de projetos (croquis) e, portanto, feitos à
mão livre; técnicos e humanizados, para interlocução com clientes; ou eminentemente técni-
cos, direcionados ao canteiro de obras;
•  Compreender o uso e o manuseio adequados de cada um dos instrumentos de desenho, a
fim de aplicar tal entendimento à pratica e, para além, ampliar a vida útil de tais equipamentos;
•  Vincular o uso de alguns instrumentos com conceitos imprescindíveis ao processo de pro-
jeto, tais como o entendimento sobre escalas, curvas de nível e alterações topográficas.

12 • capítulo 1
1.1  Desenho de arquitetura e comunicação:
os códigos e instrumentos necessários na
sua elaboração
Os desenhos de arquitetura compõem um conjunto de informações a serem
repassadas a outros interlocutores – sejam estes profissionais afins a àrea da
construção civil ou leigos que realizam a contratação de obras arquitetônicas,
paisagísticas e/ou urbanas. É importante destacar, também, que para além de
se comunicar com outros, os projetistas utilizam-se das peças gráficas ao longo
do processo de projeto a fim de desenvolvê-lo (SCHUNK, 1999, p. 55).
Portanto, há de se ratificar a idéia de que a liguagem pela qual o arquiteto e
urbanista realiza a interlocução com outros é eminentemente gráfica. A men-
sagem é composta por todo o conjunto de informações derivadas do grafismo
(e que, então, incluem desenhos, textos, números, simbologias, etc.) que des-
vendam as características subjetivas (conceito, partido, correspondência das
intenções projetuais com a contrapartida cultural da época) e objetivas (mate-
rialização da obra através do uso de materiais, técnicas e tecnologias da cons-
trução civil) do projeto propriamente dito.

Desenhos de croquis de plantas, vistas, secções e perspectivas, rapidamente esboçadas


ou bem elaboradas e acabadas – com suas técnicas de cor, texturas, claros-escuros,
densidade, figura-fundo, composição, etc., feitos à mão ou com o auxílio do computador
– além dos desenhos técnicos de arquitetura, perfazem o conjunto de desenho
arquitetônico ou desenho de arquitetura, em suas várias etapas de desenvolvimento e
diferenciação para cada destinatário. Por serem a linguagem própria do arquiteto,
tais desenhos se apresentam como ferramenta básica para comunicar as
intenções desse profissional ao cliente contratante ou a outras pessoas que
atuam no meio da construção civil. Constitui-se em um autêntico sistema gráfico,
representando o melhor meio para passar da idéia arquitetônica à realização desta.
(TAMASHIRO, 2010, p. 39 – negritos da autora).

Tendo esta questão em vista, é preciso compreender que a qualidade da co-


municação realizada pelas peças gráficas de todo e qualquer projeto de arqui-
tetura, segundo Schunk (1999, p.55), depende do conhecimento daqueles que

capítulo 1 • 13
estão envolvidos no processo de projeto e edificação da referida obra (arquite-
tos, engenheiros, calculistas, mestres de obras, pedreiros, clientes, etc.), dos
códigos que permitem a sua leitura e interpretação e, por fim, da natureza das
informações espaciais propriamente ditas que são expressas pelos desenhos
arquitetônicos. O conteúdo da mensagem do arquiteto (que é o projeto em si)
precisa ser, à vista disso, inteligível.

Como os protagonistas envolvidos em um projeto arquitetônico manifestam diferentes


graus de leitura da linguagem gráfica, faz-se necessária a abordagem da questão do
código. Segundo Guiraud (1983), o código é um sistema de convenções explícitas que
permite aproximações dos conteúdos da realidade, por meio de sinais reunidos por
um indivíduo ou grupo social. Quanto mais aberto é o código, menor é a necessidade
de uma aprendizagem sistemática e mais acessível é a sua leitura. Quanto mais
fechado é o código, mais especializada e técnica é a linguagem. Sua leitura
exige um conhecimento das chaves de decodificação e abrange grupos
sociais específicos.
(...)
A representação gráfica arquitetônica é regida por uma multiplicidade de sistemas
alternados de códigos, de semelhanças e de regras de arranjos figurativos. Isso equivale
a dizer que não há uma sintaxe única na atividade projetiva, mas uma multiplicidade de
sintaxes, por entre as quais o arquiteto se movimenta em direção às definições físico-
espaciais do projeto. (SCHUNK, 1999, p. 55 – negritos da autora).

No caso do desenho de arquitetura, portanto, os códigos são múltiplos, rela-


cionados a cada uma das etapas de projeto e precisam ser decifrados de modo
que todos os envolvidos no processo de comunicação a respeito das intenções
projetuais as compreendam de forma plena.
Para tanto, se faz mister para todo e qualquer estudante que pretenda qua-
lificar-se de maneira adequada e, por conseguinte, trabalhar com arquitetura
e urbanismo:
•  entender quais são os instrumentos que nos permitem elaborar peças
gráficas inteligíveis de desenho;

14 • capítulo 1
•  identificar quais as características fundamentais dos códigos que tais
desenhos devem seguir para constituir uma linguagem universal – facilmente
compreendida por todos os envolvidos no processo de projeto e na execução
da obra;
•  apreender (sem margem para dúvidas) o que cada uma das peças gráficas
nos apresenta;
•  e assimilar o metodo de elaboração de cada uma delas, suas possibilida-
des de apresentação, bem como sua correta leitura e interpretação.

Posto isto, partiremos para mostra de cada um dos instrumentos que nos
auxiliam na elaboração de desenhos de arquitetura. Esse conjunto de equipa-
mentos foi eleito conforme o grau de sua utilização no processo de constituição
dos projetos. Vale detacar que, para além de sua mera apresentação, ensinare-
mos os métodos adequados para o manuseio, a utilização e o prolongamento
de sua vida útil.

1.1.1  Minas de Grafite | Lápis de Madeira | Lapiseiras (de minas


grossas e de minas finas) | Canetas Nanquim

Minas de grafite
Para toda e qualquer elaboração de desenhos de arquitetura, faz-se necessário
a utilização de minas de grafite. Tais minas podem ser parte constituinte do
instrumento de desenho – como no caso dos lápis de madeira – ou um objeto
a parte a ser inserido no equipamento utilizado para execução dos desenhos –
como, por exemplo, no caso das lapiseiras.
Entretanto, é importante salientar que há um espectro distinto de espessu-
ras, durezas e maciez das minas do grafite que, por conseguinte, alteram a es-
pecificidade de sua utilização: cada tipo particular de mina adequa-se melhor
a uma espécie desenho, seja ele artístico, técnico e humanizado ou eminente-
mente técnico.
A imagem a seguir apresenta tal espectro e ilustra cada um dos traços que
podem ser elaborados por cada uma das minas existentes:

capítulo 1 • 15
• Os traços produzidos Minas Duras
por tais minas são
leves e esbeltos. 9H 8H 7H 6H 5H 4H 3H 2H

• Minas adequadas para


desenhos técnicos.

• Os traços produzidos por tais minas são levemente mais Minas Intermediárias
densos e de espessura intermediária.
F H HB
• Minas adequadas para desenhos humanizados, leiautes,
artes-finais, simbologias (letras e números), linhas de
chamada e Indicações de textos.

• Os traços produzidos Minas Macias


por tais minas são
densos e robustos. B 2B 3B 4B 5B 6B 7B 8B 9B

• Minas adequadas para


desenhos à mão
livre (croquis).

Figura 1.1  –  Espectro de dureza e maciez apresentado pelas minas de grafite. Fonte: Es-
quema elaborado pela autora.

Lápis de madeira

Figura 1.2  –  Exemplos de lápis de madeira existentes. Fonte: Foto (editada) dos instrumen-
tos da autora.

Recorre-se ao manuseio e uso do lápis de madeira para elaboração, geral-


mente, de desenhos de concepção de projeto, ou seja, croquis desenvolvidos à
mão livre cuja característica principal é a exploração da liberdade do traço pes-
soal do autor a fim de gerar uma expressão formal peculiar, a qual pode vir a
ser reconhecida como assinatura pessoal do estudante e/ou profissional. Para
ilustrarmos tal afirmação, basta relembrarmos dos croquis elaborados por dis-
tintos arquitetos e urbanistas brasileiro, internacionalmente reconhecidos:

16 • capítulo 1
Croquis Oscar Niemeyer

Croquis Lucio Costa

Croquis Paulo Mendes da Rocha


Croquis Affonso Eduardo Reidy

Croquis. Image © Acervo Paulo Mendes


Croquis Carlos Bratke
da Rocha

Figura 1.3  –  Croquis de arquitetos brasileiros. Fonte: FRACALOSSI, 2012, não paginado.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/tag/licoes-instantaneas>. Acesso em: 26
Set. 2015. FRACALOSSI, 2014, não paginado. Disponível em: <http://www.archdaily.com.
br/br/627109/classicos-da-arquitetura-sede-social-do-joquei-clube-de-goias-paulo-men-
des-da-rocha-e-joao-eduardo-de-gennaro>. Acesso em: 26 Set. 2015.

capítulo 1 • 17
O uso do lápis também pode auxiliar na humanização de desenhos técnicos,
já que estes permitem uma liberdade maior ao autor quanto à expressividade do
espaço arquitetônico ou paisagem urbana a ser gerado no processo de projeto.

Figura 1.4  –  Desenho à mão livre com grafite, elaborado a partir de um desenho base: linhas
com traço solto, descomprometido com a precisão (mas comprometido com a proporção),
firmes quando necessário. (TAMASHIRO, 2010, p. 167). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 167.

Desta forma, para que o equipamento funcione adequadamente é preciso


ajustá-lo às necessidades do desenho: a fim de evitar equívocos e áreas borra-
das, cerca de um centímetro (1 cm) da mina do grafite permanecerá a mostra
após a madeira ser aparada com bisturi, estilete ou gilete. O ideal é que para
desenhos com caráter mais técnico (porém, humanizados), a ponta do grafite
esteja em formato cônico e levemente abaulada, conforme ilustração a seguir.

18 • capítulo 1
Evite pontas afiadas como agulhas, elas irão quebrar facilmente. (YEE,
2015, p. 5).

Evite uma ponta extremamente rombuda. (YEE, 2015, p. 5).

= 1 cm

Esforce-se para produzir uma ponta cônica que seja levemente arredonda-
da na extremidade. Isso pode ser obtido girando o lápis durante o desenho de
linhas. (YEE, 2015, p. 5).

Figura 1.5  –  Formato adequado da ponta da mina do grafite em lápis de madeira para ela-
boração de desenhos de arquitetura. Fonte: YEE, 2015, p. 5 (imagens editadas pela autora).

Lapiseiras de minas grossas

Figura 1.6  –  Exemplos de lapiseiras de minas grossas utilizadas em desenhos de arquite-


tura (minas de grafite com espessuras maiores do que 2 milímetros). Fonte: Foto (editada)
dos instrumentos da autora.

capítulo 1 • 19
Assim como no caso da utilização de lápis de madeira, usamos as lapiseiras
com minas de grafites grossas para execução de desenhos à mão livre, tanto
durante o processo de concepção projetual, como para apresentar idéias em
formato de croquis aos outros projetistas e/ou clientes envolvidos.
O uso das mesmas se faz necessário devido à liberdade de traços que tais
lapiseiras podem produzir. Desta forma, os desenhos com elas elaborados per-
mitem ao arquiteto e urbanista um ensaio imediato a respeito das ações proje-
tuais em desenvolvimento ou mesmo o encontro de soluções para problemas
enfrentados no projeto.
A execução de desenhos à mão proporcionais à realidade a ser construída
permite, então, uma rapidez no encontro de soluções projetuais maior do que
no caso dos desenhos técnicos propriamente ditos (sejam estes realizados à
mão e com instrumentos ou mesmo diretamente feitos no computador através
de softwares específicos – CAD, BIM, etc.).
Essas lapiseiras possuem dimensionamento de espessuras de grafite maio-
res do que 2 milímetros, podendo chegar até 6 milímetros.

Lapiseiras de minas finas


A utilização de lapiseiras com minas de grafite finas distingue-se daquela
atribuída ao lápis de madeira e às lapiseiras de minas grossas. Devido ao fato de
produzirem traços mais precisos, tais lapiseiras são usadas para elaboração de
desenhos técnicos que demandam maior cuidado de acabamentos.

ATENÇÃO
A importância do uso de minas de grafites com espessuras distintas para a
elaboração correta de desenhos de arquitetura.
A variação da espessura das minas do grafite é utilizada para adequar todos os desenhos à
normas técnicas brasileiras relativas à hierarquia de linhas; ou seja, para se constituir uma
linguagem universal (código) afim ao desenho de arquitetura, cada linha desenhada com
determinada espessura significará uma situação espacial específica a ser elaborada, lida e
interpretada pelos agentes vinculados ao processo de projeto e execução de obra. Mais a
frente, no capítulo 2 do presente livro, aprofundaremos nosso conhecimento a respeito de tal
norma técnica brasileira (a saber: NBR 8403|1984).

20 • capítulo 1
As espessuras de minas de grafite mais utilizadas para desenhos eminente-
mente técnicos de arquitetura são: 0,3 milímetros, 0,5 milímetros, 0,7 milíme-
tros e 0,9 milímetros.
Se faz necessário ressaltar que as minas de espessura 0,3mm precisam de
cuidado especial no seu manuseio, dado que sob uma pressão forte das mãos
sua tendência é quebrar-se e, possivelmente, manchar o desenho com a “fuli-
gem” sobressalente da quebra do grafite.
A mina de espessura 0,5 mm, portanto, é aquela mais utilizada nos dese-
nhos em geral. Tanto os grafites de espessura 0,7 mm quanto às minas de 0,9
mm devem também ser usadas com cautela, dado ao fato de criarem traços
mais densos, robustos e, consequentemente, mais difíceis de serem apagados
sem causarem danos (manchas, vincos, etc.) no papel utilizado. Vale ressaltar
que essas duas últimas espessuras de grafite são usadas, sobretudo, para valori-
zar a hierarquia de linhas, para a elaboração de textos de suporte aos desenhos
(títulos dos desenhos, indicação de escalas, textos gerais que identificam ma-
teriailidades a serem dispostas nas superfícies da obra arquitetônica, etc.) e,
também, no desenvolvimento do pensamento de projeto através de croquis de
investigação sobre soluções projetuais adequadas para um projeto específico
(seja ele arquitetônico, paisagístico ou urbano).

CURIOSIDADE
Porque devo adquirir lapiseiras de cores variadas?
No momento em que estamos trabalhando com o desenho de arquitetura, seja ele eminen-
temente técnico, técnico e humanizado ou à mão livre para sistematização de idéias (ações
projetuais), nos deparamos com a questão do tempo de execução de cada uma de nossas
atividades cotidianas.
A fim de otimizar o uso efetivo do tempo de trabalho, uma dica importante é adquirir lapi-
seiras com cores externas diferentes entre si e que, consequentemente, permitem ao usuário
a identificação – de forma imediata – da espessura do grafite da referida lapiseira.
Assim sendo, o estudante ou profissional não precisará procurar por alguma identifica-
ção menos imediata (tal como o texto impresso no corpo da lapiseira com a identificação
da espessura do grafite) e isso acelerará o processo de seu trabalho. Este fato, inclusive,
justifica a existência de oferta, no mercado, de tais instrumentos com cores externas distintas
entre si:

capítulo 1 • 21
Figura 1.7  –  Exemplos de lapiseiras com as diferentes espessuaras de minas utilizadas em
desenhos de arquitetura (0,3 mm, 0,5 mm, 0,7 mm e 0,9 mm). Fonte: Foto (editada) dos
instrumentos da autora.

Observe, também, que as lapiseiras profissionais adequadas ao desenho


técnico de arquitetura possuem uma especificidade no acabamento de sua ex-
tremidade vinculada ao grafite: esta se constitui por um elemento metálico (e,
portanto, rígido), de forma cônica cuja vinculação com a mina de grafite ocorre
através de um cilindro. É esse acabamento específico que auxilia o projetista/
desenhista a elaborar peças gráficas de arquitetura com a precisão necessária.

= 90˚

Figura 1.8  –  Detalhe da extremidade cilíndrica das lapiseiras profissionais de desenho de


arquitetura e seu correto apoio junto à suportes (réguas e esquadros) para elaboração de
desenhos técnicos precisos. Fonte: CHING, 2011, p.12 (imagem editada pela autora). Foto
(editada) dos instrumentos da autora.

Posto isto, é necessáro destacar o manuseio correto deste equipamento


junto a outras superfícies (réguas paralelas, réguas “T” ou mesmo esquadros)
que fornecerão suporte à lapiseira para definição de traços retilíneos, firmes
e precisos: obtém-se um melhor resultado mantendo a lapiseira alinhada a

22 • capítulo 1
superfícies rígidas de apoio em um posicionamento vertical de ângulos entre
60º a 90º (caso haja inclinação em ângulos menores do que o reto, realizá-la
na direção e sentido do traço). Nunca incline a lapiseira no sentido do suporte
e não se esqueça de pressionar adequadamente a lapiseira em relação ao papel
para produzir linhas nítidas (YEE, 2015, p.5).

Errado: não inclinar a lapiseira em relação à


régua paralela.

(TAMASHIRO, 2010, p.166)

Errado: não inclinar a lapiseira em relação à


régua paralela.

(TAMASHIRO, 2010, p.166)

Correto: pode-se (é mais confortável) incli-


nar levemente na direção da “puxada” do traço.

(TAMASHIRO, 2010, p.166)

Figura 1.9  –  Como utilizar as lapiseiras junto à suportes rígidos (régua paralela, régua “T”
ou esquadros), para definição de traços precisos no desenho técnico de arquitetura. Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p. 166 (imagens editadas pela autora).

capítulo 1 • 23
Canetas nanquim
As canetas nanquim são, geralmente, utilizadas para elaboração de dese-
nhos eminentemente técnicos e desenhos técnicos humanizados. A frequên-
cia de sua utilização foi reduzida desde a introdução de ferramentas digitais na
produção de desenhos de arquitetura e, devido a isso, um conjunto de modelos
e tipos (de baixo custo para manutenção ou até mesmo descartáveis) têm sido
ofertado no mercado. (CHING, 2011, p. 12).

Figura 1.10  –  Exemplos de canetas nanquim com as diferentes espessuaras utilizadas em


desenhos de arquitetura (as mais usuais são: 0,05 mm, 0,1 mm, 0,2 mm, 0,3 mm, 0,4 mm,
0,5 mm, 0,6 mm, 0,7 mm e 0,8 mm). Fonte: Foto (editada) dos instrumentos da autora.

O diferencial que seu menuseio oferece são acabamentos mais refinados


que valorizam os desenhos de arquitetura. Os traços derivados do uso correto
de tais canetas possuem precisão, uniformidade e nitidez de qualidade, sem a
necessidade de calcar-se o objeto com pressão sobre o papel.

Os desenhos arquitetônicos, elaborados à mão livre ou com instrumentos, grafite ou


nanquim, colorido ou não – enfim, com técnicas diversas – ou no CAD perseguem
o mesmo objetivo final: a representação da arquitetura. As diferentes representações

24 • capítulo 1
seguem para destinatários diferentes: o cliente, a comunidade, o engenheiro calculista,
o fornecedor, o empreiteiro de obra, os profissionais da construção.
Cada arquiteto acaba simpatizando com uma técnica e desenvolve-a para melhor se
comunicar com os outros agentes da cadeia de produção da arquitetura. (TAMASHIRO,
2010, p. 167).

Desenho técnico a grafite com instrumentos Desenho à mão livre com caneta nanquim
(régua paralela, esquedros, etc.). descatável e de retroprojetor.

1 2

3 4

Desenho à mão livre com técnicas diversas Desenho com caneta nanquim e
(marcadores, hidrocores, lápis de cor, instrumentos.
canetas nanquim e de retroprojetos, etc.).

Figura 1.11  –  Técnicas variadas de apresentação de desenhos de arquitetura. Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p. 167 (imagens editadas pela autora).

É importante lembrar que o posicionamento das canetas nanquim em re-


lação ao suporte a embasá-las para confecção de traços retilíneos (réguas ou
esquadros) segue a mesma regra empregada para a utilização das lapiseiras:

capítulo 1 • 25
Figura 1.12  –  Como utilizar as canetas nanquim junto à suportes rígidos (régua paralela,
régua “T” ou esquadros), para definição de traços precisos no desenho técnico de arquitetura.
Fonte: MONTENEGRO, 2001, p. 24. (imagens editadas pela autora).

1.1.2  Folhas e Papéis

Conforme a norma técnica brasileira registrada em 1987 e nomeada pela sigla


NBR 10068 – a qual trata das questões relativas às folhas utilizadas em dese-
nhos técnicos, seu leiaute e suas dimensões – o tamanho padrão do papel a ser
usado em desenhos de arquitetura é derivado de um retângulo específico cuja
área é igual a 1m² (um metro quadrado) e cujo lado maior (M) é igual ao lado
menor (N) multiplicado pela raiz quadrada de 2, ou seja, M = N x 2.
Conclui-se, portanto, que o lado maior (M) nada mais é do que o rebatimen-
to ortogonal da diagonal de um quadrado específico de lado igual ao dimensio-
namento do segmento menor (N).

Área = 1 m2 (10.000 cm2)

A0 A0
2
·
00
2

1,
84
·

841,00
N

=
=
N

0
M

,0
89
1
1.

N 841,00
M=N· 2 1.189,00 = 841,00 · 2

Figura 1.13  –  Folha-padrão denominada A0 (A-Zero). Fonte: Elaborada pela autora com

26 • capítulo 1
base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 2.

A esse retângulo específico atribuiu-se a designação de A0 (A-Zero) e por sua


bipartissão sucessiva (ou por sua duplicação sucessiva) obtiveram-se outros ta-
manhos de retângulos que constituíram a série “A” – as quais são utilizadas,
em território nacional, como o padrão de dimensionamento de folhas para de-
senhos de arquitetura.
1189,00
594,00
594,00 297,00 297,00

A1 A2

420,00
841,00
A3 A4

210,00
420,00
A5 A6

210,00
Figura 1.14  –  Dimensionamento das folhas-padrão da série “A” – bipartição|duplicação
sucessivas. Fonte: Elaborada pela autora com base nas informações da NBR 10068,
1987, p. 2.

Tais retângulos, além do A0, são designados da seguinte manei-


ra: A1 (A-Um), A2 (A-Dois), A3 (A-Três), A4 (A-Quatro), A5 (A-Cinco) e as-
sim sucessivamente.
M 1189,00

N 841,00

M/2 594,00
841,00
N

N/2 420,00
594,00
M/2

M/4 297,00
420,00
N/2

297,00
M/4

210,00
N/4

A5 A4 A3 A2 A1 A0 A5 A4 A3 A2 A1 A0

Figura 1.15  –  Dimensionamento das folhas-padrão da série “A”. Fonte: Elaborada pela au-
tora com base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 2.

capítulo 1 • 27
Ainda de acordo com a NBR 10068, (o que pode ser confirmado através de
cálculos matemáticos), as dimensões de tais folhas-padrão são:

DESIGNAÇÃO DIMENSIONAMENTO ÁREA


A0 1.189 x 841 mm 1 m² = 10.000 cm²
A1 841 x 594 mm 0,5 m² = 5.000 cm²
A2 594 x 420 mm 0,25 m² = 2.500 cm²
A3 420 x 297 mm 0,125 m² = 1.250 cm²
A4 297 x 210 mm 0,0625 m² = 625 cm²

Tabela 1.1  –  Designação, dimensionamento e área de cada uma das folhas-padrão da série “A”.
Fonte: Elaborada pela autora com base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 2.

Até então, discorremos sobre os possíveis dimensionamentos-padrão de fo-


lhas aos quais devemos recorrer para elaboração de desenhos de arquitetura. A
seguir, elencaremos quais os tipos de papéis mais adequados para execução de
tais desenhos.
É importante ressaltar que existem modelos de papéis mais adequados à
utilização de minas de grafite (desenhos confeccionados por lápis de madeira,
lapiseiras de minas grossas e lapiseiras de minas finas vinculam-se melhor a
esse tipo de papel) e outros que são ideais para o uso de tintas (desenhos con-
feccionados por canetas nanquim vinculam-se melhor a esse tipo de papel).
O que difere tais tipos de papéis, na realidade, é o grau de rugosidade dos
mesmos que ora é maior, ora é menor dependendo do arranjo das fribras de
algodão que compõem os papéis, denominadas de rag. (YEE, 2015, p. 16).

(...) Os altos e baixos (arranjo das fibras) na superfície de uma papel de desenho
correspondem à sua qualidade de rugosidade. (...) Papéis lisos com menor rugosidade
são melhores para o trabalho com nanquim, enquanto papéis mais rugosos
são melhores para o trabalho com grafite. (...) Desenhos realizados em papéis de
qualidade não agridem a vista nem apresentam “fantasmas” (ranhuras) mesmo após
terem sido redesenhados no mesmo local. (YEE, 2015, p. 16 – negritos da autora).

Recorre-se a papéis translúcidos ou tranparentes para facilitar a execução


sequencial de desenhos: através da sobreposição de tais papéis o desenho

28 • capítulo 1
elaborado na primeira folha pode ser visualizado através da superfície trans-
lúcida da segunda (e assim sucessivemente), permitindo que informações-
chave sejam facilmente replicadas em outras folhas para execução de ou-
tros desenhos.
Uma informação-chave, por exemplo, é o posicionamento exato de cada um
dos pilares de um determinado sistema estrutural de uma dada edificação de
múltiplos pavimentos, os quais, portanto, precisam ser replicados em todas as
plantas dos andares de tal edificação. Copiar tal posicionamento de uma planta
já elaborada acelera o processo de trabalho e evita possíveis erros no dimen-
sionamento da secção transversal desses pilares e no distanciamento existente
entre seus eixos (vãos).
Pelo exposto, o papel denominado manteiga (também chamado de pa-
pel arroz) e o papel designado por vegetal são os mais comumente utilizados
para desenhos eminentemente técnicos de arquitetura ou técnicos humani-
zados. O primeiro se adéqua melhor ao uso de minas de grafite – dado sua
rugosidade elevada – e o segundo, às canetas nanquim – devido a sua rugo-
sidade baixa.

Figura 1.16  –  Bloco de papel vegetal e folhas derivadas do rolo de papel manteiga (ou
arroz) . Fonte: Fotos (editadas) dos instrumentos da autora.

Ambos podem ser adquiridos em blocos de dimensões distintas (derivadas


da série “A”) ou em rolos cujo dimensionamento transversal varia de 30 a 90
centímetros de largura – o comprimento, no caso, é variável.

capítulo 1 • 29
COMENTÁRIO
Devemos adquirir papéis em blocos ou em rolos?
A aquisição dos papéis em rolos barateia os gastos orçamentários, entretanto, faz com que
o usuário precise segmentar (cortar) o rolo em papéis de dimensões adequadas às da série
“A” – com o uso do bisturi ou estilete. Em contrapartida, a compra dos blocos pode ser mais
onerosa, mas oferece ao usuário folhas nas dimensões exatas as que ele necessita. O ideal
é que você escolha qual situação encaixa-se melhor a sua condição.

Vale ressaltar que não é proibido o uso de papéis opacos (tais como o sulfite,
canson, etc.), mas devido a sua opacidade a propridade da replicação de partes
do desenhos (ou dele como um todo) é perdida quando usamos esses tipos de
papéis – sua utilidade prática, portanto, se relaciona mais à confecção de cro-
quis, desenhos de memória e desenhos de observação que não necessariamen-
te serão replicados (à mão livre) pelo autor.

1.1.3  Prancheta | Régua “T” | Régua Paralela

Prancheta
Agora que já compreendemos as especificidades a respeito dos tamanhos e
qualidade de papéis a serem utilizados para elaboração de desenhos de arqui-
tetura, precisamos entender como começar sua execução. Assim sendo, inicial-
mente precisaremos dispôr tais folhas de papel sobre um mobiliário específi-
co: a prancheta.
Atualmente, existe um rol de marcas e modelos distintos que se adequam às
mais variadas necessidades de cada projetista e a espacialidades diferentes. No
entanto, não se pode esquecer que uma boa área de trabalho deve possuir uma
superfície grande, plana, isenta de rugosidades e ser constantemente limpa no
início e no final de cada trabalho executado.
Para evitar grandes despesas orçamentárias com pranchetas profissionais
(de base metálica com tampo ajustável ou de base de madeira e com tampo
de altura regulável), alguns escritórios de arquitetura e urbanismo preferem
confeccionar suas próprias mesas de trabalho através da disposição de uma fo-
lha de porta de madeira sobre cavaletes metálicos, de madeira ou de materiais
plásticos.

30 • capítulo 1
Figura 1.17  –  Exemplos de pranchetas de base tubular metálica e tampo ajustável e de
base de madeira e com altura do tampo regulável. Fonte: YEE, 2015, p. 3.

Nesses casos, é imprescíndível que o usuário forre a madeira da folha de


porta com uma superfície lisa, tal como revestimento melamínico de cor clara
(preferencialmente, o branco). Isso se faz necessário para evitar que a superfí-
cie rugosa da maioria das folhas de porta de madeira prejudiquem o desem-
penho do desenhista e altere de modo negativo a qualidade dos desenhos de
arquitetura por ele elaborados.

Figura 1.18  –  Mesa de trabalho feita a partir da sobreposição de uma folha de porta de
madeira em cavaletes. Fonte: YEE, 2015, p. 3.

Usualmente, essas folhas de portas apresentam variações de 62, 72, 82


e 92 centímetros de dimensão transversal (largura) e uma medida fixa de
2,10 metros de tamanho longitudinal (comprimento). Desta forma, o ideal é
que se adquira uma mesa de tamanho médio a grande – suficiente para abrigar
as folhas de desenho (ao serem fixadas à prancheta) e o restante dos instrumen-
tos necessários para confecção deste. Uma mesa de 92x210 cm é a mais usual,
nesses casos. Sua altura não deverá ultrapssar 75 cm – tamanho ideal para se
evitar danos ao organismo humano derivados de posicionamentos inadequa-
dos do corpo em relação à prancheta. Segundo Montenegro (2001, p. 22), vale
ressaltar que há uma forma adequada de nos posicionarmos junto às mesas de
trabalho a fim de evitarmos problemáticas de ordem ergonômica e visual:

capítulo 1 • 31
Tudo isso é importante, mas sua saúde vale muito mais! Providencie boa iluminação!
O olho humano vê bem as coisas colocadas a MAIS de 30 centímetros de distância,
não menos. Se você põe o rosto junto da prancheta está FORÇANDO A VISTA! Vá ao
oculista. E veja como você se senta: balanço, corcunda, compacto, escorado. Aqui está
certo: corpo com ligeira inclinação, pé apoiado, corpo apoiado nos antebraços e não no
tórax, reflexo fora da vista. (MONTENEGRO, 2001, p. 22).

Figura 1.19  –  Posicionamento correto junto às pranchetas e mesas de trabalho. Fonte:


MONTENEGRO, 2001, p. 22.

32 • capítulo 1
Além de identificar as possibilidade de mobiliário para execução dos traba-
lhos do arquiteto e urbanista e do posicionamento adequado do corpo humano
em relação a ele, é preciso conhecer e aprender a usar o instrumento que forne-
cerá base para toda a confecção de desenhos do profissional, sobretudo ao que
tange os desenhos eminentemente técnicos e técnicos humanizados, os quais
se originam de linhas ortogonais (paralelas e perpendiculares entre si) e diago-
nais. Esse instrumento é a régua “T” ou a régua paralela.

Régua “T”
A nomenclatura “T” desta régua deriva-se de seu formato, ou seja, as réguas
deste tipo específico possuem um elemento horizontal de dimensões varia-
das e um vertical, menor, que deverá ser encaixado em uma das laterais de sua
mesa de trabalho ou prancheta para garantir que o movimento (para cima e
para baixo) deste objeto forneça suporte para elaboração de linhas horizontais
e paralelas entre si no papel.

Figura 1.20  –  Régra “T”. Fonte: CHING, 2011, p. 14 (imagem editada pela autora).

O elemento horizontal (haste) desta régua poderá ser composto por aço inox,
madeira ou madeira com acabamentos laterais em acrílico. Se a régua “T” for
de aço inox, ela poderá ser utilizada para confecção de desenhos e como base
para cortes no momento de produzirmos, por exemplo, maquetes (modelos

capítulo 1 • 33
tridimensionais). Caso ela seja de madeira com acabamento em acrílico, use-a
apenas para produção dos desenhos, pois o acrílico poderá ser atingido pelo
corte do bisturi ou estilete, o que inutilizará essa régua para elaboração de li-
nhas ortogonais de traço preciso e sem abaulamentos.

Figura 1.21  –  Espessura ideal para a haste da régra “T”. Fonte: MONTENEGRO, 2001, p.
18. Evite adquirir réguas “T” constituídas apenas por madeira: a espessura deste
material pode ultrapassar o tamanho dos cilindros que compõem a extremidade das la-
piseiras e das canetas nanquim, fazendo com que os desenhos elaborados por elas se-
jam imprecisos.

Evite adquirir réguas “T” constituídas apenas por madeira: a espessura des-
te material pode ultrapassar o tamanho dos cilindros que compõem a extre-
midade das lapiseiras e das canetas nanquim, fazendo com que os desenhos
elaborados por elas sejam imprecisos.
Existem inúmeras dimensões lineares para esse elemento horizontal. São
elas: 45 cm, 60 cm, 75 cm, 90 cm, 105 cm e 120 cm. O ideal é escolhermos uma
medida que encaixe melhor em nossa mesa de trabalho para que toda ela seja
ocupada pela régua sem que hajam sobras (a régua não deve ultrapassar o
comprimento da prancheta). Portanto, a regua de 90cm é a mais comumen-
te utilizada.

34 • capítulo 1
ATENÇÃO
Como posicionar a régua “T” de forma correta em relação à mesa de
trabalho?
Lembre-se que o posicionamento adequado da régua em relação às características de seu
corpo deve ser levado em consideração: se você for destro, deverá posicionar a régua “T”
com o elemento vertical encaixado à esquerda da prancheta para que sua mão esquerda mo-
vimente para cima e para baixo este instrumento. Caso contrário, se você for canhoto, o ele-
mento vertical será posicionado à direita da mesa de trabalho, liberando sua mão esquerda
para elaboração dos traços que irão compor o desenho – a mão direita é a que movimentará
a régua nesses casos.
Nunca utilize a régua “T” para elaborar linhas perpendiculares às linhas paralelas por
ela criadas. É função dos esquadros fornecer base para a execução destas. Mais a frente,
mostraremos como isso ocorrerá.

Figura 1.22  –  Posicionamento inadequado da régra “T” na prancheta. Fonte: MONTENE-


GRO, 2001, p. 18.

O posicionamento do papel sobre a prancheta, no caso do uso da régua “T”,


deve ser cuidadosamente pensado: como a extremidade final deste instrumen-
to é suscetível a oscilações – e, daí, a imprecisões de traços – é importante que
as folhas sejam fixadas próximas à extremidade da régua que vincula seus ele-
mentos horizontal e vertical, isto é, perto da rótula que configura a forma da
régua como um “T”.

capítulo 1 • 35
Quanto mais próximo o papel estiver fixado em relação ao seu corpo, mais
fácil será trabalhar sobre ele – apenas não se esqueça de prender esta folha com
um distanciamento vertical entre o início da prancheta e o início do papel para
que a régua não se sobreponha em tempo integral à determinada parte do pa-
pel impedindo a utilização desta.

Figura 1.23  –  Como fixar adequadamente a folha de papel na prancheta se for utilizar
uma Régra “T” para confeccionar os desenhos de arquitetura. Fonte: MONTENEGRO,
2001, p. 15.

36 • capítulo 1
Régua paralela
A régua paralela, como a própria designação indica, é um instrumento que,
após fixado à mesa de trabalho, serve de base para elaboração de linhas ho-
rizontais e paralelas entre si. Assim como a régua “T” ela é um alternativa de
equipamento para confecção de tais traços.

Figura 1.24  –  Régra paralela. Fonte: CHING, 2011, p. 14.

Essa régua possui um manual de instalação que nos indica como fixá-la ade-
quadamente à prancheta. A superfície da régua paralela, em si, desliza (ora para
cima, ora para baixo) sobre um sistema de cordas e roldanas que permenece
preso à mesa de trabalho através de quatro pontos (extremidades de um retân-
gulo). Isso faz com que ela movimente-se sempre de modo paralelo em toda sua
extensão – o que, então, diminui a existência de áreas desta régua suscetíveis
a oscilações diagonais como ocorre com a régua “T”. Assim, sua eficiência é
maior do que a da régua “T”; contudo, geralmente, as réguas paralelas são mais
onerosas em termos orçamentários.
Pode-se encontrar réguas paralelas de dimensões longitudinais (compri-
mento) diversas: 80 cm, 100 cm, 120 cm são as mais comumente disponíveis no
mercado. A medida mais usual é a que corresponde a 100 cm (ou 1 m).
Vale destacar que para iniciar as atividades de desenhos de arquitetura, tan-
to utilizando a régua “T” como usando a régua paralela, embasamos as folhas

capítulo 1 • 37
de papel em uma destas réguas para obtermos excelência na execução de traços
horizontais e paralelos entre si e traços verticais e paralelos entre si (estes, in-
clusive, perpendiculares aos horizontais).
Isto é, antes de iniciar a elaboração de um desenho de arquitetura propria-
mente dito, devemos fixar a folha de papel a ser utilizada na prancheta com
fitas adesivas de boa qualidade (a fim de que estas não danifiquem o papel)
e, para tanto, devemos alinhar a extremidade horizontal inferior da folha na
régua “T” ou na régua paralela. Segundo Tamashiro (2010, p. 172), o autor do
desenho deve:
a) Posicionar a borda da folha paralela à régua “T” ou régua paralela (se
a folha já contem desenhos, posicioná-la paralelamente segundo uma reta
do desenho;
b) Fixar a primeira fita na direção das diagonais da folha, esticando-a (tracio-
nando a folha). O segundo adesivo deverá ser fixado na extremidade diagonal opos-
ta para garantir que a folha fique bem esticada. O mesmo se faz para fixar as outras
duas extremidades da folha. (TAMASHIRO, 2010, p. 172 – negritos da autora).

prancheta
Errado!

3 2

régua paralela

1 4

Figura 1.25  –  Como fixar a folha na prancheta com fita adesiva de boa qualidade, embasando
o papel na régua “T”ou na régua paralela. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 172.

38 • capítulo 1
Estes procedimentos são ideais para evitarmos que a folha “enrugue” e, en-
tão, crie imperfeições nos desenhos; pois ao fixar o pa-
pel através de suas diagonais, as fibras das folhas
são tracionadas e isso dificulta seu abaulamento.
Busque adquirir uma fita adesiva de boa
qualidade e, de preferência, translúcida: elas
possuem uma espessura maior do que as trans-
parentes, mas não aderem à folha a ponto de
rasgá-la quando retirada. A fita crepe é uma al- Figura 1.26 – Fita adesiva trans-
ternativa, todavia solta-se do papel com mais lúcida. Fonte: Foto (editada) do
facilidade do que as fitas adesivas translúcidas. instrumento da autora.
Outro dado importante a ser destacado é que sempre devemos traçar retas
horizontais com a lapiseira embasada na extremidade superior da régua “T” ou
da régua paralela. As linhas precisam ser desenhadas da esquerda para a direi-
ta caso o autor for destro e da direita para a esquerda caso ele seja canhoto. E,
para evitar que a régua “T” ou a régua paralela deslize sobre traços horizontais
já desenhados e, com isso, “manchem” o desenho ou a folha de papel, é preci-
so sempre desenhar traços na folha de cima para baixo. Todas essas informa-
ções estão didaticamente explicadas por Tamashiro (2010, p. 166) na ilustração
a seguir:

É errado empurrar
o traço voltando
para a esquerda

Certo:
Puxar o traço!

Traça-se as horizontais
de cima para baixo.

Figura 1.27 – Como traçar linhas horizontais embasadas na régua “T”ou na régua paralela.
Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 166.

capítulo 1 • 39
Nos desenhos de arquitetura sempre se busca utilizar instrumentos cons-
tituídos por acrílico transparente para que o autor consiga visualizar os tra-
ços e o todo do desenho, a fim de não produzir linhas equivocadas. Evita-se,
também, o uso de réguas (“T” ou paralela) graduadas, dado que os sulcos que
demarcam a graduação em tais equipamentos colaborarão para elaboração
de linhas imprecisas e levemente dentadas. Assim sendo, evite adquirir esse
tipo de instrumento: prefira réguas com acabamento em acrílico, sem rebai-
xos e não graduadas.

1.1.4  Esquadros

Os esquadros são instrumentos que guiam a elaboração de linhas verticais,


perpendiculares às horizontais produzidas com o auxílio das réguas “T” ou
paralela, e que conforme desenhadas serão paralelas entre si. Como tais equi-
pamentos possuem formato de triângulos retângulos, além de guiarem traços
verticais, auxiliarão o desenhista a elaborar linhas diagonais.
Geralmente, adquire-se um jogo de esquadros que é composto por dois
equipamentos de formatos distintos: um triângulo retângulo cujos ângulos in-
ternos são de 90, 60 e 30 graus e outro triângulo retângulo cujos ângulos inter-
nos são de 90, 45 e 45 graus.

90º 30º

90º

60º

45º 45º

Figura 1.28  –  Jogo de esquadros em acrílico, sem rebaixos e não graduados. Fonte: Foto
(editada) dos instrumentos da autora.

Assim como no caso das réguas, a predileção é por adquirir esquadros


constituídos por acrílico, sem rebaixos e não graduados – exatamente para

40 • capítulo 1
esquivar-se, respectivamente, de equívocos desenhados devido a falta de visua-
lização adequada dos traços; desvios e abaulamentos das linhas provenientes
dos rebaixos; e elaboração de traços imprecisos e dentados.
O tamanho dos esquadros é variável e o ideal é trabalhar com equipamentos
que tenham a maior dimensão linear entre 20 e 30 cm. Esquadros com tais di-
mensões auxiliam a elaboração de traços contínuos (sem interrupções), o que
favorece a confecção de desenhos melhor acabados. Em contrapartida, segun-
do Ching (2011, p. 212), esquadros menores auxiliam os projetistas a mante-
rem o prumo adequado para produzir linhas que constituirão letras/textos de
suporte à compreensão dos desenhos.

Figura 1.29  –  Como traçar linhas para constituir letras ou textos necessários para o
entendimento dos desenhos de arquitetura utilizando esquadros. Fonte: CHING, 2011,
p. 212.

Para confeccionar retas verticais é imprescindível que a folha esteja adequa-


damente fixada à prancheta – alinhada à régua “T” ou à régua paralela – e o
esquadro (um deles) deverá embasar-se nesta régua para que, ao ser movimen-
tado de uma lateral a outra do papel, guie a lapiseira a fim de elaborarem-se os
traços verticais dos desenhos.
Observe que autores destros precisarão utilizar a mão esquerda para ajustar
o conjunto de instrumentos e movimentá-lo quando necessário. A mão direita
fica livre para desenhar. Nessas situações, o esquadro deve ser deslizado da es-
querda para a direita, de modo que não passe sobre traços previamente dese-
nhados e, portanto, não “borre” a folha e o desenho.
No caso de autores canhotos ocorrerá o oposto: a mão direira ajustará e mo-
vimentará os instrumentos, permanecendo a esquerda livre para desenhar. O
esquadro, assim, será movimentado da direita para a esquerda de forma a evi-
tar que o papel e o desenho sejam manchados.
Em ambos os casos, as linhas verticais serão traçadas de baixo para cima, e
nunca ao contrário, conforme ilustração a seguir de Tamashiro (2010, p.166):

capítulo 1 • 41
Certo! Vem deslizando
o esquadro para a direita.

Certo:
Puxar o traço!

Figura 1.30  –  Como traçar linhas verticais embasadas no esquadro que, por sua vez, estará
embasado na régua “T”ou na régua paralela. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 166.

Para traços verticais, utilizamos o esquadro apoiado na régua paralela.


Apoia-se a mão esquerda na sua base; a mão direita passa por cima do esqua-
dro e desenha-se "puxando" o traço de baixo para cima (nunca o contrário).
Começa-se traçando as verticais da esquerda e vem traçanco as outras, desli-
zando o esquadro para a direita. Os canhotos devem fazer tudo espelhado.
Se houver a necessidade de elaboração de retas diagonais, usaremos tam-
bém os esquadros apoiados na régua para confeccioná-las. Entretanto, é im-
portante saber qual a angulação que deseja-se criar. Para alguns ângulos co-
nhecidos, tais como os de 15°, 30°, 45°, 60°, 75°, 90°, 105°, 120°, 135°, 150° e
165°, o arranjo correto de alinhamentos entre régua paralela (ou régua “T”),
esquadro maior (de 30°, 60° e 90°) e esquadro menor (de 45°, 45° e 90°) permite
sua execução sem a necessidade de uso do transferidor (do qual falaremos no
item 1.1.6. deste livro).
Nos casos dos ângulos obtusos (maiores do que 90°) – 105°, 120°, 135°, 150°
e 165° – basta lembrarmos que eles são, respectivamente, o espelhamento ne-
gativo dos seguintes ângulos agudos (menores do que 90°): 75°, 60°, 45°, 30° e
15°. Então, conseguiremos desenhá-los utilizando o arranjo adequado e espe-
lhado entre régua e esquadros, assim como demonstra a ilustração editada de
Tamashiro (2010, p.159):

42 • capítulo 1
90° Vertical
–75°

75°
–6

°
60
0 °
°
45
–4

(ou 1

(ou

05°)
–3 (o °

12
0° u
13 30 A régua paralela é usada para

0° )

(ou
15
) traçar retas horizontais. Também
–15° 0°) é utilizada como guia para os
15°
(ou 1
65°) esquadros de 45° e 60°, o que
Horizontal 0° permite traçar retas verticais e
inclinadas. Além disso, utilizando
a régua paralela como base, e
combinando os esquadros, pode
se obter ângulos de 15°, 30°,
45°, 60°, 75° e 90°.

Figura 1.31  –  Como traçar linhas diagonais que formam ângulos conhecidos em relação a
uma linha horizontal, utilizando o jogo de esquadros e a régua “T”ou a régua paralela. Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p. 159 (imagem editada pela autora).

1.1.5  Escalímetro e Escalas

Até o presente momento, foram apresentados os instrumentos que auxiliam na


execução de traços (horizontais, veticais e diagonais – os quais podem ser ou
não paralelos ou perpendiculares entre si), tais como lápis, lapiseiras, canetas
nanquim, folhas de papel, réguas (paralela ou “T”) e esquadros. Ressaltamos,
inclusive, que nenhum destes últimos equipamentos (régua e esquadros) pos-
suirá graduação.
Assim sendo, como realizaremos a execução de traços com medidas exatas
e que correspondam ao dimensionamento real do espaço arquitetônico, paisa-
gístico ou urbano a ser representado?
Para essa específica função de medir os segmentos de retas a serem exe-
cutados, bem como os espaços entre eles, usaremos o escalímetro. Tal equi-
pamento é composto por material plástico rígido e possui formatos diversos:
de secção transversal retangular e chanfrada, de secção transversal triangular
e linear.

capítulo 1 • 43
Para desenhos de arquitetura o mais comumente utilizado é o de secção trans-
versal triangular, devido ao fato de cada uma das suas três faces apresentar duas
escalas distintas entre si. Ou seja, esse escalímetro apresenta seis escalas diversas
que podemos utilizar. Tal equipamento está representado pela ilustração a seguir:

Figura 1.32  –  Escalímetro triangular no1. Fonte: Foto (editada) do instrumento da autora.

Como podemos observar, há uma capa de material plástico transparente


que recobre o escalímetro de secção transversal triângular: esta serve para pro-
tegê-lo quando guardado e em desuso, auxiliando para aumentar sua vida útil.
Em tal capa encontra-se impresso o número ao qual o instrumento corres-
ponde. Geralmente, para desenhos de obras arquitetônicas utilizamos o escalí-
metro no1 e, para espaços paisagísticos ou urbanos, o no2.
A diferença entre ambos são as escalas representadas em suas faces:

ENQUANTO O PRIMEIRO (ESCALÍMETRO NO1) APRE- O SEGUNDO (ESCALÍMETRO NO2) TRÁZ CONSIGO
SENTA ESCALAS RELATIVAMENTE MAIORES, COMO: ESCALAS CONSIDERADAS MENORES, TAIS COMO:
1/125 1/500
(lê-se: um para cento e vinte e cinco) (lê-se: um para quinhentos)
1/100 1/400
(lê-se: um para cem) (lê-se: um para quatrocentos)
1/75 1/300
(lê-se: um para setenta e cinco) (lê-se: um para trezentos)
1/50 1/250
(lê-se: um para cinquenta) (lê-se: um para duzentos e cinquenta)
1/25 1/200
(lê-se: um para vinte e cinco) (lê-se: um para duzentos)
1/20 1/100
(lê-se: um para vinte) (lê-se: um para cem)

Tabela 1.2  –  Escalas encontradas nos escalímetros no1 e no2, respectivamente. Fonte: Ela-
borada pela autora.

44 • capítulo 1
Todas essas escalas, no entanto, possuem algo em comum: são escalas de
redução. Em desenhos arquitetônicos, paisagísticos ou urbanos, há necessida-
de de diminuir proporcionalmente as dimensões lineares (comprimentos, lar-
guras e alturas) de espaços para que sua representação seja adequada:

5.2 A escala a ser escolhida para um desenho depende da complexidade do objeto ou


elemento a ser representado e da finalidade da representação. Em todos os casos, a escala
selecionada deve ser suficiente para permitir uma interpretação fácil e clara da informação
representada. A escala e o tamanho do objeto ou elemento em questão são parâmetros
para a escolha do formato da folha de desenho. (ABNT – NBR-8196, 1999, p. 2).

Desenhos de objetos e seus detalhamentos em geral, todavia, necessitam


que tais dimensões sejam ampliadas para que consigamos enxergar aquilo que
está sendo representado. Assim, nesses casos, as escalas utilizadas são as de
ampliação (tais como 2/1: – lê-se dois para um –, 5/1 – lê-se: cinco para h\um –,
10/1 – lê-se: dez para um – e assim sucessivamente).

CONCEITO
NBR-8196 | 1999: Desenho técnico – emprego de escalas
A norma técnica brasileira registrada no ano de 1999 sob numeração 8196 trata, precisa-
mente, do emprego da escala em todo e qualquer desenho técnico. Entretanto, para com-
preendê-la de forma eficaz, devemos entender do que se trata o conceito de escala. Assim,
é importante afirmar que escala é uma relação matemática de proporcionalidade entre as
dimensões de uma representação (desenho) e o tamanho real do objeto ou espaço a ser
representado. Por ser uma relação ela é expressa através de uma fração:

(DIMENSÕES DA REPRESENTAÇÃO (DESENHO)


__________________________________________________________________ .
(DIMENSÕES DO OBJETO OU ESPAÇO REAL (A SER REPRESENTADO)

Assim, as escalas de redução adquiriram essa denominação porque possuem o nu-


merador da fração menor do que o denominador e, portanto, são empregadas para reduzir
proporcionalmente o tamanho do espaço a ser representado. Essas são as usadas em arqui-
tetura, paisagismo e urbanismo.
Já as escalas de ampliação possuem o numerador da fração maior do que o deno-
minador e, portanto, são empregadas para ampliar proporcionalmente o tamanho do objeto

capítulo 1 • 45
a ser representado. Essas, geralmente, são utilizadas para desenhos de objetos do design
industrial, de peças mecânicas e equipamentos industriais.
Por fim, a escala real (ou natural) é aquela em que o numerador e o denominador da
fração são iguais e, então, as dimensões da representação é equivalente às dimensões do
objeto ou do espaço real a ser representado.

ESCALAS DE REDUÇÃO ESCALA REAL ESCALAS DE AMPLIAÇÃO

1 1 1 2 5 10
; ; ; ; ; ;
2 5 10 1 1 1
1 1 1 1 20 50 100
; ; ; ; ; ;
20 50 100 1 1 1 1
1 1 1 200 500 1000
; ; ; etc. ; ; ; etc.
200 500 1000 1 1 1

Tabela 1.3  –  Escalas de redução, real e de ampliação. Fonte: Elaborada pela autora.

Após a compreensão do conceito de escala e suas aplicações (redução, am-


pliação ou manutenção do tamanho real de um objeto ou espaço a ser dese-
nhado), voltaremos ao entendimento de funcionamento do escalímetro. Como
dito anteriormente, o equipamento de secção transversal triângular possui três
faces nas quais estão demarcadas seis escalas distintas entre si. Trataremos,
pois, do escalímetro no1 e, portanto, das escalas 1/125, 1/100, 1/75, 1/50, 1/25
e 1/20.
As melhores marcas de escalímetros relacionam escalas devido a um dado
importante: o número representado pelo menor distanciamento entre duas li-
nhas da graduação de cada uma dessas escalas. Desta forma, cada face do esca-
límetro apresentará duas escalas cuja menor parte de suas graduações corres-
ponde a um mesmo número.
As escalas 1/125 e 1/100, por exemplo, estão na face do escalímetro repre-
sentada por uma faixa de coloração vermelha e a menor parte de sua graduação
equivale a medida de 0,10m (ou 10cm):

46 • capítulo 1
1m
1m
10 cm
10 cm

Figura 1.33  –  Escalas 1/125 e 1/100 do escalímetro no1 e a medida de sua menor parte
(igual a 10cm). Fonte: Fotos (editadas) do instrumento da autora.

Tais escalas, respectivamente, reduzem os desenhos por elas representados


em 125 vezes e em 100 vezes.
As escalas 1/75 e 1/50 encontram-se na face do escalímetro representada
por uma faixa de coloração verde e a menor parte de sua graduação equivale a
medida de 0,05m (ou 5cm):
1m

1m
5 cm

5 cm

Figura 1.34  –  Escalas 1/75 e 1/50 do escalímetro n° 1 e a medida de sua menor parte
(igual a 5cm). Fonte: Fotos (editadas) do instrumento da autora.

Tais escalas, respectivamente, reduzem os desenhos por elas representados


em 75 vezes e em 50 vezes e, por isso, são escalas que apresentam desenhos
maiores do que os representados pelas escalas anteriores (1/125 e 1/100).
Por fim, as escalas 1/25 e 1/20 estão na face do escalímetro representada por
uma faixa de coloração azul ciano e a menor parte de sua graduação equivale a
medida de 0,02 m (ou 2 cm):

capítulo 1 • 47
1m 1m
10 cm 10 cm

2 cm 2 cm

Figura 1.35  –  Escalas 1/25 e 1/20 do escalímetro no1 e a medida de sua menor parte
(igual a 2cm). Fonte: Fotos (editadas) do instrumento da autora.

Tais escalas, respectivamente, reduzem os desenhos por elas representados


em 25 vezes e em 20 vezes e, por isso, são escalas que apresentam desenhos maio-
res do que os representados pelas escalas anteriores (1/125, 1/100, 1/75 e 1/50).
Conforme a experiência profissional passamos a adequar o uso da escala com
mais facilidade, lembrando que devemos fazê-lo pautando, sempre, naquilo que
pretendemos representar. Por exemplo: para edificações de programa relativa-
mente simples e, portanto, de menores dimensões (tais como habitações unifa-
miliares), realizamos desenhos técnicos (plantas, cortes e vistas) na escala 1/50.
Entretanto, para definir detalhamentos dela, tais como o desenho de uma deter-
minada esquadria (portas e janelas), utilizamos escalas maiores como a 1/20 ou
mesmo a 1/10. Para representar a implantação de uma edificação de pequeno
porte no lote, a opção é por escalas menores como a 1/100 ou a 1/200.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
E se eu não tiver acesso a um escalímetro em determinada situação; ape-
nas com uma régua graduada em centímetros conseguirei verificar qual a
escala em que está representado um espaço no desenho?
Com certeza! Basta que você aplique o conceito de escala aprendido nesse subcapítulo a tal
situação. Lembre-se, primeiramente, que escala é uma relação matemática de proporciona-
lidade entre as dimensões de uma representação (desenho) e o tamanho real do objeto ou
espaço a ser representado. Tendo isso em vista, podemos escrevê-la da seguinte maneira:

(DIMENSÕES DA REPRESENTAÇÃO (DESENHO)


__________________________________________________________________ .
(DIMENSÕES DO OBJETO OU ESPAÇO REAL (A SER REPRESENTADO)

48 • capítulo 1
Então, meça um segmento de reta qualquer do desenho que você pretende descobrir a
escala. Vamos imaginar, hipoteticamente, que este segmento seja de 8 cm (oito centímetros)
e você sabe, previamente, que a medida real dele é de 4 m (quatro metros). Qual sua escala
de representação?

PASSO 1: Igualar os valores encontrados em termos de unidade de medida:

RELAÇÃO DAS
Se 1m equivale a 100 cm, 4 m equivalem a X (incógnita):
UNIDADES DE MEDIDA:

1 m 100 cm
=
4m x
X = 4 x 100 cm
X = 400 cm

PASSO 2: Inserir tais medidas na fração matemática do conceito de escala:

DADOS DO Dimensão da representação – 8 cm


EXERCÍCIO: Dimensão do espaço real – 4 m ou 400 cm

(DIMENSÕES DA REPRESENTAÇÃO (DESENHO)


ESCALA = ________________________________________________________________ .
(DIMENSÕES DO OBJETO OU ESPAÇO REAL (A SER REPRESENTADO)
8 cm
ESCALA =
400 cm
ESCALA = 0,02

PASSO 3: Transformar o número decimal obtido em uma relação matemática (fração)


para obter a escala da representação:
2 1
ESCALA = 0, 02 = =
100 50
1
RESPOSTA: A escala da representação, nesse caso, é .
50

capítulo 1 • 49
EXERCÍCIO RESOLVIDO
E se eu não tiver acesso a um escalímetro em determinada situação; ape-
nas com uma régua graduada em centímetros conseguirei verificar qual a
medida real do espaço representado pelo desenho caso eu saiba a escala
deste?
Claro que sim! Novamente, basta que você se lembre do conceito de escala e sua relação de
proporcionalidade matemática:

(DIMENSÕES DA REPRESENTAÇÃO (DESENHO)


__________________________________________________________________ .
(DIMENSÕES DO OBJETO OU ESPAÇO REAL (A SER REPRESENTADO)

Agora, meça um segmento que você pretende identificar a medida real, tal como a
altura total de uma edificação. Digamos que, hipoteticamente, este segmento seja de
30 cm (trinta centímetros) e que o desenho esteja na escala 1/200. Qual a altura real
deste edifício?

PASSO 1: Estabelecar a relação de proporcionalidade entre as grandezas apresentadas:

1
A escala da representação:
DADOS DO 200
EXERCÍCIO: Dimensão da representação – 30 cm

Dimensão do espaço real – Y (incógnita)

(DIMENSÕES DA REPRESENTAÇÃO (DESENHO)


ESCALA = ________________________________________________________________ .
(DIMENSÕES DO OBJETO OU ESPAÇO REAL (A SER REPRESENTADO)
1 30 cm
=
200 Y
Y = 200 x 30 cm
Y = 6.000 cm

50 • capítulo 1
PASSO 2: Igualar os valores encontrados em termos de unidade de medida:

RELAÇÃO DAS Se 100 cm equivalem a 1m, 6.000 cm equivalem a Z


UNIDADES DE MEDIDA: (incógnita):

100 cm 1 cm
=
6.000 cm Z
100 x Z = 6.000 x 1m
100Z = 6.000 m
Z = (6.000m)/100
Z = 60 m
RESPOSTA: A medida real do edifício é de 60 m.

Escala gráfica
Até o presente momento, foram enunciados e explicados o conceito de esca-
la, sua aplicabilidade prática através do escalímetro e maneiras de calcular-se
medidas reais de um objeto através de sua escala de representação. Todavia,
todas as escala apresentadas possuem algo em comum: são descritas por
uma fração matemática através de algarismos numéricos – ou seja, são esca-
la numéricas.
Em alguns casos, entretanto, as escalas de um desenho não são representa-
das desta forma, mas sim através de um conjunto de elementos gráficos, tam-
bém numerados, conforme ilustração a seguir:

0 1 5 10 m

Figura 1.36  –  Possibilidade de representação de uma escala gráfica qualquer. Fonte: Ela-
borada pela autora.

Observe que tal representação segue alguns padrões, tais como:


•  sempre reproduz-se trechos com valores proporcionais entre si, por exem-
plo, na escala da ilustração 27 o trecho que representa 1 m no desenho corres-
ponde à quinta parte do trecho que representa 5m no desenho e à décima parte

capítulo 1 • 51
do trecho que representa 10 m. Já o trecho de 5 m é cinco vezes maior do que
o trecho de 1m e duas vezes menor do que o de 10 m, e assim sucessivamente;
•  cada trecho da escala gráfica alternará as cores preto e branco em duas
linhas e ora a cor preta estará na linha superior, ora na inferior, para que não
ocorram equívocos em sua leitura;
•  deve-se numerar cada trecho a partir do 0 (zero) e utilizam-se partes nume-
radas conforme a qualidade de desenho que está representado. Por exemplo:
edificações de pequeno porte possuem medidas relativas a 1, 2, 5, 10, 20 e 50
m, aproximadamente. Edificações de grande porte ou áreas livres de tamanhos
relativos (como praças ou parques diminutos) possuem medidas relativas a 10,
20, 50, 100, 200 e 500 m, aproximadamente. Já espacialidades urbanas e paisa-
gísticas de grande porte (parques, parques lineares, reservas ambientais, etc.)
possuem medidas relativas a 100, 200, 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000, 20.000,
50.000 e até 100.000 m, aproximadamente. Posto isto, será preciso adequar as
medidas dos trechos da escala gráfica ao conjunto de desenhos de edificações,
paisagístico ou urbano que pretende-se elaborar;
•  quando uma escala gráfica corresponde a uma determinada escala numé-
rica, por exemplo 1/50, os trechos dela devem ser exatamente da medida dos
trechos graduados da referida escala numérica:
0.5 .10 .25 .50 1.00 2.50 m

Figura 1.37  –  Escala gráfica que representa, exatamente, as medidas da escala numérica
1/50. Fonte: Elaborada pela autora.

Mas porquê há necessidade de uso da escala gráfica? Não são raras as vezes
que precisa-se replicar as peças gráficas de uma obra arquitetônica, paisagísti-
ca ou urbana, sobretudo, para divulgação ou análise crítica das mesmas realiza-
das através de periódicos (revistas) ou periódicos eletrônicos (revistas eletrôni-
cas) da área social aplicada denominada Arquitetura e Urbanismo.
Como tratam-se de várias cópias de um conjunto de desenhos, sua replica-
ção pode ampliar ou reduzir – mesmo que suavemente – tais imagens e, portan-
to, o uso da escala numérica seria dispensável, pois não teria efetividade. Já a
escala gráfica, por ser também um desenho, sofrerá junto com as outras peças
gráficas a mesma “deformação”, mantendo-se então sua eficácia em termos de
reprodução das medidas daquela coletânea de desenhos.

52 • capítulo 1
1.1.6  Transferidor

O transferidor é um instrumento de desenho usado com frequência menor do


que os equipamentos apresentados até então. Contudo, possui sua utilidade,
principalmente se precisarmos traçar retas diagonais de ângulos distintos da-
queles conformados pelo jogo de esquadros apoiado sobre a régua paralela (ou
a “T”) – ver item 1.1.4. Esquadros deste capítulo.
Basta alinhar o traço horizontal encontrado na base inferior do transferi-
dor a uma linha horizontal já desenhada no papel com o uso da régua paralela
(ou da “T”), marcar um ponto na folha alinhado à marcação graduada do trans-
feridor que indique o ângulo a ser desenhado, 50° por exemplo, e unir o pon-
to inicial (encontrado na linha horizontal) e o final (demarcado com o uso do
transferidor) com o esquadro solto (sem estar embasado pela régua paralela ou
“T”), para obter-se a representação de um traço diagonal e com ângulo de 50°
em relação à linha horizontal dada.

A B

Figura 1.38  –  Transferidor de 180° com ângulo de 50° representado. Fonte: Foto (editada)
do instrumento da autora.

Pode-se encontrar transferidores que subdividem em angulações a meia


volta (π.r) de uma circunferência, ou seja, de 0 a 180°, bem como os que mar-
cam uma volta inteira (2.π.r) dela: de 0 a 360°. Os mais comumente encontra-
dos no mercado são os que possuem diâmetro entre 10 e 20cm.

capítulo 1 • 53
1.1.7  Compasso

O compasso é um equipamento usado para elabo-


rar circunferências de vários raios (ou diâmetros) fi-
xos. Ele apresenta uma das pontas conformada por
uma espécie de “agulha” metálica – denominada de
seca – e a outra com encaixe para inserir um grafite
de mina grossa, geralmente, de 2 mm de espessura.
O ideal, para sua utilização, é que ambas as extre-
midades estejam com as dimensões semelhantes
e, a do grafite, esteja com 1 cm da mina levemente
chanfrada.

Figura 1.39  –  Compasso profissional. Fonte:


Foto (editada) do instrumento da autora.

Uma ponta em cinzel deve ser


usada para se obter uma linha ní-
tida; uma ponta cônica arredon-
dada não produz resultados tão
satisfatórios ao traçar círculos.
Mantenha um ângulo pe-
queno quando apontar a mina
do compasso.

Figura 1.40  –  Como adequar a mina do grafite do compasso para execução de circunferên-
cias ou traços circulares de raio fixo. Fonte: YEE, 2015, p. 5 (imagens editadas pela autora).

54 • capítulo 1
Para que ele desenhe adequadamente formas circulares, o ideal é abrir as
“pernas” do compasso no tamanho do raio que se pretende desenhar a circun-
ferência determinada. Desta maneira, basta ajustar a ponta seca no 0 (zero) do
escalímetro – lembre-se de utilizar a escala correta do desenho – e, posterior-
mente, movimentar a outra perna do compasso de modo que o grafite dela atin-
ja o traço da graduação do escalímetro que corresponda à medida do raio de-
sejado. Apoie em um ângulo de 90° a extremidade seca em um ponto da folha,
que será o centro da circunferência, depois firme o limite da mina do compasso
no papel e gire a parte superior do instrumento (cabeça) com parcimônia e sem
pressioná-lo bruscamente.

Figura 1.41  –  Como utilizar um compasso para desenhar circunferências ou traços circula-
res de raio fixo. Fonte: YEE, 2015, p. 5 (imagens editadas pela autora).

capítulo 1 • 55
1.1.8  Curvas Francesas | Régua Flexível

As curvas francesas e as réguas flexíveis são instrumentos utilizados para ela-


borar traços curvilíneos de raios variáveis e, portanto, não fixos. As curvas fran-
cesas, geralmente, apresentam-se como curvaturas decalcadas em gabaritos
rígidos compostos de acrílico transparente. Já as réguas flexíveis possuem um
núcleo central maleável revestido por materialidade plástica. Esta pode ser gra-
duada ou não.

Figura 1.42  –  Curvas francesas e Réguas flexíveis (sem e com graduação). Fonte: Fotos
(editadas) dos instrumentos da autora.

Sua principal função em desenhos de arquitetura é compor curvaturas


variáveis, sobretudo a representação das curvas de nível existentes em todo e
qualquer terreno e que precisam ser movimentadas para implantação de um
projeto – seja este de arquitetura (edificação), paisagístico ou urbano.

56 • capítulo 1
CONCEITO
Mas o que são curvas de nível?
Segundo Tamashiro (2010, p. 160) a maneira mais fácil de compreendermos o conceito de
curva de nível é se imaginarmos:
(...) uma caixa de areia sendo preenchida gradativamente com um líquido colorido. Este
líquido, a cada vez, deixa sua marca (uma espécie de “anel”) na areia. Estes “anéis” sempre
têm a mesma altura nesse “terreno acidentado”. São as curvas de nível! (TAMASHIRO, 2010,
p. 60).

Corte esquemático

Corte perspectivado
Planta
Vista geral

Figura 1.43  –  Representações variadas de curvas de nível. Fonte: TAMASHIRO, 2010,


p.160.

Já para Yee (2015, p. 9):


Curvas de nível são linhas de cota constante. Cada um de seus pontos possui a mesma
elevação sobre a superfície do terreno. A equidistância vertical pode ser de 1 m, 5 m ou
10 m, dependendo das condições do terreno e das dimensões da área do objeto de estudo.
(...) Lembre que duas curvas de nível jamais se cruzam. (YEE, 2015, p. 9).
Por ambas as definições, pode-se afirmar que o conjunto de curvas de nível é uma re-
presentação da inclinação de um determinado terreno. A representação de cada uma destas
curvas é dada por uma linha, cujos pontos que a constituem possuem uma altura igual entre
si, e sua cota (a medida desta altura) é aferida em relação ao nível do mar – ao qual, por con-
venção, atribuiu-se a cota 0 (zero). Tal altura nunca é definida por um número quebrado e, en-
tão, sempre constitui-se por um número inteiro que se designa como cota da curva de nível.
Assim sendo, as curvas de nível de um determinado lote ou de uma dada gleba, indicam
como aquele terreno se comporta em termos de inclinações topográficas (aclives e declives):
em algumas situações, dado à proximidade de duas ou mais curvas de níveis, as inclinações
são mais acentuadas – o que pode dificultar, inclusive, a circulação de pessoas, veículos
não-motorizados ou mesmo automotores naquela área específica. Em outros casos, devido

capítulo 1 • 57
ao distanciamento de duas ou mais curvas de nível, a cadência dessa região é mais amena e
pode, até mesmo, configurar-se de modo mais plano – quase como um patamar.
Por convenção, portanto, toda vista superior de um determinado terreno (também cha-
mada de Implantação) apresenta suas curvas de nível tal como elas se constituem original-
mente, isto é, anteriormente às intervenções que o projeto de arquitetura, paisagístico e/ou
urbano pretende realizar sobre aquele local. Essa representação, obrigatoriamente, deve ser
embasada por instrumentos que permitem o desenho adequado das curvaturas de cada uma
das curvas de nível – daí a utilização de curvas francesas ou réguas flexíveis para executá-las.
Pode-se denominar tal representação do terreno com as curvas de nível originais de
Caracterização Física do Lote (ou da Gleba). Esta deve ser visualizada, no mínimo, através de
duas peças gráficas complementares: uma vista superior e uma vista lateral do lote – assim
como apresenta Tamashiro (2010, p. 160) nos desenhos a seguir:

Perfil natural do terreno (corte)


a partir das curvas de nível (em planta)
7.00

6.00

5.00

4.00

3.00

2.00

1.00

0.00

Linha de corte
Linhas de chamada

Planta

7.00
6.00
5.00
4.00
3.00
Muro 2.00
1.00
0.00
Perfil natural do terreno

Figura 1.44  –  Representações em planta (vista superior) e em corte (vista lateral) de curvas
de nível de um terreno qualquer. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 160.

58 • capítulo 1
Ao posicionarmos a(s) edificação(ões) no terreno, a fim de se criar(em) o(s) patamar(es)
de acesso e implantação dela(s), ocorrem movimentações de terra que alteram a topografia
do lote e, por consequência, suas curvas de nível. As representações a seguir, elaboradas por
Tamashiro (2010, p.160), apresentam opções adequadas a respeito da representação de
tais curvas em um terreno qualquer, após a inserção de uma obra arquitetônica (edificação)
sobre ele:

Representação de Curvas de Nível

908 8.00
907 7.00
N 906 N 6.00
905 5.00
904 4.00
903,60 3.60

corte corte
903 3.00

902 2.00
901 1.00

900 0.00
902 2.00
901.30 1.30
aterro 889 aterro -1.00

900 Cota 900m em 0=


relação ao nível RN
900 Opção de “zerar” a
do mar ,00 referência de nível

Opção de curvas de nível Opção de curvas de nível


com linha contínua com linha pontilhada, mais discreto

Figura 1.45  –  Representação em planta de curvas de nível. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 160.

Como visto, é possível representar tais curvas através de linhas contínuas ou tracejadas,
sendo que a segunda opção é mais adequada porque não sobrecarrega o desenho de infor-
mações. Além de demarcar o “percurso” das curvas através de linhas, é fundamental escrever
ao lado de cada uma delas qual sua cota correspondente. Esta cota pode ser representada
pelo número de sua altura em relação ao nível do mar (em metros) ou o arquiteto pode optar
por atribuir a uma determinada cota (a 900 m, por exemplo) o valor 0 (zero). Se esta opção
for a escolhida, todas as outras cotas deverão adquirir novos valores: a 889 m, por exemplo,
torna-se -1 m, já a 901 m vira 1 m e assim sucessivamente.
Toda alteração topográfica que constitui um ou mais patamares (áreas planas) geram
cortes e/ou aterros no terreno que, por sua vez, originam taludes ou muros de arrimo. Os
cortes nada mais são do que retiradas de terra do lote para aplainá-lo e, por oposição,
os aterros são “enxertos” de terra no lote realizados com a mesma finalidade – torná
-lo plano.

capítulo 1 • 59
Aterro
Corte

Figura 1.46  –  Representação de cortes e aterros em um terreno qualquer. Fonte: TA-


MASHIRO, 2010, p.160 (imagem editada pela autora).

Após tais movimentações, no espaço em que a terra foi retirada ou inserida conforma-se
o patamar (ou platô) e ao seu redor ou geram-se taludes – áreas inclinadas do terreno – ou
instalam-se os muros de arrimo – construídos para contenção da terra que permanece no
nível superior do terreno em relação àquele patamar.

PATAMAR
Representaçao de Taludes
TAL (em corte)
UD
E(
2:1
)
2:1 PATAMAR
1. TALUDE

2. MURO DE ARRIMO
1.
3. 3. PATAMAR
2.

EDIFICAÇÃO
TAL
UD
E(
2:1
)
2:1
MURO DE MURO DE
PATAMAR
ARRIMO ARRIMO
PATAMAR
TAL
U DE
(3:1
PATAMAR )

3:1 PATAMARES

Figura 1.47  –  Representação de taludes e muros de arrimo gerados por movimentações de


terra. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 160 (imagens editadas pela autora).

60 • capítulo 1
Observe que o menor comprimento possível a ser vencido pelo talude é duas vezes maior
que a medida de sua altura (2:1 – lê-se dois para um) para evitarem-se desmoronamentos
de terra. Assim, caso o comprimento e a altura a serem vencidos por um talude sejam equi-
valentes (1:1), o ideal é utilizar o muro de arrimo.
Para facilitar a visualização tridimensional (perspectiva) e bidimensional (vista e planta)
dos taludes, Tamashiro (2010, p. 160) elaborou os seguintes desenhos:

Representação de Taludes

Opção 2
Opção 1

Opção 1

Perspectiva

Opção 2

Representação de Talude em Vista Representação de Talude em Planta

Figura 1.48  –  Representação de taludes gerados por movimentações de terra. Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p. 160.

Veja que, em planta, representamos os taludes por linhas paralelas entre si, equidistantes
e que estão dispostas sempre perpendicularmente às extremidades do talude: os traços
ditos ímpares são inteiros – desenhados do início ao final do talude – e os pares são inter-
mediários – terminam na linha média (imaginária) do talude.

capítulo 1 • 61
1.1.9  Borrachas / Mata-gato

Figura 1.49  –  Borrachas específicas para desenho técnico. Fonte: Fotos (editadas) dos ins-
trumentos da autora.

As borrachas utilizadas para apagar traços do desenho precisam realizar sua


função sem, contudo, manchar aquilo que está desenhado ou mesmo rasgar a
folha do papel em uso. Desta forma, o ideal é adquirirmos borrachas confeccio-
nadas a partir de materiais como o vinil ou o plástico PVC que não danificam
nem o desenho nem sua superfície.
Atualmente, existe uma infinidade de dimensões, formatos e cores das mes-
mas; mas as mais comumente usadas são as de superfície branca, dado que as
coloridas podem borrar a folha com o pigmento de sua coloração.
Para que a borracha não apague informações a mais do que o necessário,
muitos projetistas recorrem ao uso do mata-gato – uma superfície metálica
com um gabarito de formas distintas e que salienta particularidades do dese-
nho a serem apagadas, preservando outras. Para eficácia de sua utilização, o
ideal é manusear-se o mata-gato junto com borrachas do tipo “caneta”, as quais
possuem uma superfície de contato menor em relação aos outros tipos.

Figura 1.50  –  Mata-gato – gabarito para apagar particularidades do desenho – e borracha


do tipo “caneta”. Fonte: Foto (editada) do instrumento da autora.

62 • capítulo 1
1.1.10  Gabaritos

Figura 1.51  –  Gabaritos para desenhar figuras geométrias – polígonos – conhecidas (cir-
cunferências, quadrados, triângulos, etc.). Fonte: Fotos (editadas) dos instrumentos da autora.

Gabaritos nada mais são do que instrumentos com formas geométricas


determinadas (circunferências, elipses, quadrados, retângulos, triângulos, he-
xágonos, octógonos etc.) que permitem ao desenhista representá-las de forma
adequada. Eles podem ser mistos ou apresentarem tamanhos distintos de um
único polígono. Essas formas de dimensões variáveis guiam a elaboração de
seu perímeto (todo ele ou parte dele).
Outros gabaritos muito utilizados em desenhos técnicos ou técnicos e hu-
manizados são os que apresentam o contorno (em planta e em vista) das peças
sanitárias (pias, bacias sanitárias e chuveiros) e do mobiliário fixo encontrado
em áreas molhadas (cubas de pias e tanques, por exemplo). É preciso observar
qual escala esses gabaritos representam para não desenhar esse tipo particular
de mobiliário de modo inadequado.

capítulo 1 • 63
Figura 1.52  –  Gabaritos para desenhar peças sanitárias em plantas e cortes. Fonte: Fotos
(editadas) dos instrumentos da autora.

1.1.11  Outros equipamentos

É imprescindível que o arquiteto e urbanista mantenha seus equipamentos e o


espaço de trabalho higienizados. Para tanto, deve limpar todos os instrumen-
tos, incluindo a prancheta, todas as vezes que iniciar a elaboração de desenhos
– sejam estes croquis, técnicos ou técnicos e humanizados. O uso de álcool gel
e uma flanela limpa é fundamental nesses casos.
No entanto, durante o processo de confecção de tais desenhos é importante
que o projetista mantenha a folha isenta de fuligem derivada das minas do gra-
fite ou mesmo de fragmentos oriundos das borrachas. Assim, o uso do popular-
mente conhecido “bigode” é mister, pois impede que esses pequenos elemen-
tos se acumulem sobre a superfície do desenho e sob os equipamentos (réguas,
esquadros, escalímetro, gabaritos etc.), evitando o aparecimento de borrões,
manchas ou rasgos no papel.

64 • capítulo 1
Figura 1.53  –  “Bigode”. Fonte: Foto (editada) do instrumento da autora.

O “bigode” é uma pequena escova, geralmente, de cerdas macias, estrutura


metálica e cabo plástico, que auxilia na dispersão dos pequenos corpúsculos
que podem danificar os desenhos.

ATIVIDADES
01. Observe os croquis, a seguir disponibilizados, do arquiteto Oscar Niemeyer e analise as
asserções a respeito deles.

capítulo 1 • 65
Figura 1.54  –  Croquis da Casa das Canoas - Rio de Janeiro/RJ - 1954 - Oscar Niemeyer. Fon-
te: FRACALOSSI, 2011, não paginado. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/14512/
classicos-da-arquitetura-casa-das-canoas-oscar-niemeyer>. Acesso em: 28 Set. 2015.

I. Os croquis são desenhos de concepção utilizados, sobretudo, para compreensão das


ações tomadas desde o início do processo de projeto;
II. Os croquis são um conjunto de desenhos que representam, detalhadamente, todas as
dimensões e características técnicas de um projeto;
III. O arquiteto Oscar Niemeyer é adepto de croquis sintéticos;
IV. Os croquis são elementos de reflexão e análise do processo de projeto e, particularmen-
te na obra do arquiteto Oscar Niemeyer, constituem-se como elementos simbólico, espontâ-
neo e expressivo;

66 • capítulo 1
V. Os croquis representam todos os detalhes construtivos do projeto executivo de uma
determinada edificação.
São corretas apenas as afirmações:
a) I, II e III; c) II, IV e V; e) II, III e V
b) I, III e IV; d) I, II, III, IV e V;

02. A altura de um dado edifício, desenhado na escala 1/50, mede 40 cm.


Qual a medida real do edifício? Apresente seu raciocínio.

03. Um estudante do primeiro semestre de arquitetura e urbanismo precisa elaborar a planta


de seu dormitório como trabalho a ser entregue para a disciplina “Ateliê de Projeto I”. Após ter
executado o levantamento de dados (medidas gerais do ambiente, das esquadrias existentes
e do mobiliário), percebeu que a maior dimensão do quarto era seu comprimento e esta me-
dia 400 cm. Ele foi, então, questionar o professor sobre qual escala utilizar para a confecção
deste desenho e o docente disse: “represente esta medida real de 400 cm com um traço de
20 cm que estará adequado”. Nessa situação, qual a escala que o professor sugeriu ao aluno
para elaboração do desenho? Apresente seu raciocínio.

04. Utilize os instrumentos de desenho de arquitetura para elaborar as representações, a


seguir, na escala 1/50:

Figura 1.55  –  Exercícios iniciais de desenho de arquitetura. Fonte: Elaborado pela autora.

capítulo 1 • 67
Não se esqueça de fixar a folha A3 adequadamente à mesa de trabalho e desenhar cada
representação com os instrumentos mais adequados (régua parelela, esquadros, compasso,
lapiseiras de minas finas com espessuras distintas, escalímetro etc.).

REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determina-
do processo de projeto. Desta forma, ensinar ao discente a se familiarizar com os instrumen-
tos de desenho utilizados para elaboração de peças gráficas – sejam estas confeccionadas
para auxiliar no estudo de ações projetuais e, portanto, feitas à mão livre (croquis); desenhos
técnicos e humanizados usados, principalmente, para que clientes (leigos) compreendam
as soluções projetuais apresentadas; ou desenhos eminentemente técnicos e, portanto, di-
recionados ao canteiro de obras e seus responsáveis – é uma das competências que todo
estudante de tal área do conhecimento precisa adquirir.
Para além, entender como se dá o uso e o manuseio adequado de cada um desses
equipamentos, a fim de aplicar tal compreensão à prática de projeto e vincular este uso e
manuseio a alguns conceitos técnicos inerentes processo projetual – como o entendimento
sobre escalas, curvas de nível e alterações topográficas – são habilidades que conferem ao
discente capacidade inicial de enfrentamento de projetos de ordem mais complexas.
Todas essas competências e habilidades trabalhadas no primeiro capítulo do presen-
te livro serão ampliadas na sequência, a partir da apresentação, interpretação e análise de
normas técnicas brasileiras registradas que padronizam e intentam por unificar a linguagem
gráfica de obras arquitetônicas e, por extensão, buscam facilitar a comunicação entre ideali-
zadores de projeto, engenheiros, mestres de obras, equipes multidisciplinares de construção
e clientes – pensando em otimizar todas as etapas subsequentes de projeto, desde sua
concepção a sua efetiva edificação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARRANZA, Edite Galote; CARRANZA, Ricardo. Escalas de representação em arquitetura. 3. ed.
Sào Paulo, G&C Arquitectônica, 2013. 240p.

68 • capítulo 1
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
FRACALOSSI, Igor. Clássicos da Arquitetura: Sede Social do Jóquei Clube de Goiás – Paulo
Mendes da Rocha e João Eduardo de Gennaro. 10 Set. 2014. ArchDaily Brasil. Disponível em:
<http://www.archdaily.com.br/br/627109/classicos-da-arquitetura-sede-social-do-joquei-clube-de-
goias-paulo-mendes-da-rocha-e-joao-eduardo-de-gennaro>. Acesso em: 26 Set. 2015.
________________. Clássicos da Arquitetura: Casa das Canoas - Oscar Niemeyer. 15 Dez. 2011.
ArchDaily Brasil. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/14512/classicos-da-arquitetura-casa-
das-canoas-oscar-niemeyer>. Acesso em: 28 Set. 2015.
________________. Lições Instantâneas (1/5) – João Diniz. 16 Jan. 2012. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/21499/licoes-instantaneas-1-5-joao-diniz>. Acesso em:
26 Set. 2015.
________________. Lições Instantâneas (2/5) – João Diniz. 17 Jan. 2012. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/21793/licoes-instantaneas-2-5-joao-diniz>. Acesso em:
26 Set. 2015.
________________. Lições Instantâneas (3/5) – João Diniz. 18 Jan. 2012. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/21796/licoes-instantaneas-3-5-joao-diniz>. Acesso em:
26 Set. 2015.
________________. Lições Instantâneas (4/5) – João Diniz. 19 Jan. 2012. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/21798/licoes-instantaneas-4-5-joao-diniz>. Acesso em:
26 Set. 2015.
________________. Lições Instantâneas (5/5) – João Diniz. 20 Jan. 2012. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/21800/licoes-instantaneas-5-5-joao-diniz>. Acesso em:
26 Set. 2015.
FERREIRA, Patrícia. Desenho de arquitetura. 2. ed. Rio de Janeiro, Imperial Novo Milênio, 2011.
138p.
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
SCHUNK, Dulcinéia. A construção gráfica do espaço como método de ensino de Desenho e Plástica
2. In: GOUVÊA, Luiz Alberto de Campos; BARRETO, Frederico Flósculo Pinheiro; GOROVITZ, Matheus
(organizadores). Brasília, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1999. 144p. p.51-
60.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino
nas escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.

capítulo 1 • 69
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico:
uma possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de
Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2010. 210p.
YEE, Rendow. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Tradução: Luiz
Felipe Coutinho Ferreira da Silva. Revisão técnica: Alice Barsoleiro. Reimpr. Rio de Janeiro, LTC, 2015.
780p.

70 • capítulo 1
2
Princípios do
Desenho Técnico
de Arquitetura e
Normalizações
A fim de dar sequência ao estudo iniciado no capítulo anterior, no qual apresen-
tou-se aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo as etapas subsequentes que
compõem o processo de projeto (grosso modo: levantamento de dados, estudos
preliminares, anteprojeto, projeto executivo – composto pelo projeto legal e pe-
los detalhamentos – e as built), suas respectivas qualidades de representação
(a saber: croquis, desenhos técnicos humanizados e desenhos eminentemente
técnicos) e os equipamentos que permitem aos profissionais da área elabora-
rem tais peças gráficas; daremos continuidade à mostra de elementos e carac-
terísticas que devem ser respeitados e utilizados à risca para que os desenhos
de arquitetura se configurem a partir de uma linguagem universal.
Tal qual a língua e a escrita de um determinado povo, o desenho técnico de
arquitetura possui regras gerais e específicas para cada representação do es-
paço (ou do objeto) que se pretende retratar: seja esta equivalente ao espaço
tridimensional propriamente dito, isto é, apresentado através do desenho pers-
pectivo; ou a combinação de representações bidimensionais e complementa-
res entre si geradas a partir da projeção do espaço em um determinado plano
cartesiano, cujo resultado é a apresentação de apenas duas medidas que com-
põem tal espaço – comprimento e largura (x,y), comprimento e altura (x,z) ou
largura e altura (y,z). A cada peça gráfica gerada por esta operação geométrica
dá-se o nome de projeção ortogonal.

Parte-se do princípio de que a linguagem gráfica é uma forma essencial de conhecimento e


de comunicação do espaço arquitetônico. Como forma de conhecimento, a linguagem
gráfica registra não só a apreensão do espaço observado, mas acompanha todo
o processo de construção mental da forma espacial, partindo de noções gerais
e chegando a um espaço definido e preciso, conduzindo-nos à gênese cognitiva
do projeto. Como este se expressa basicamente por meio da linguagem gráfica, as
representações gráficas equivalem, simbolicamente, às operações cognitivas de apreensão
e de concepção espacial (Boudon, Pousin, 1988). Tais operações ocorrem, basicamente,
por meio de dois modos de representação:
- o modo de representação perspectivo, que reproduz o espaço tridimensional captado pelo
aparelho ótico;
- o modo de representação ortogonal (euclidiano), resultante da operacionalização
geométrica. (SCHUNK, 1999, p. 52 – negritos da autora).

72 • capítulo 2
Desta forma, para que o cérebro humano consiga visualizar o espaço tri-
dimensional e, para além disso, acompanhe mentalmente o seu processo de
concepção e construção – seja o cérebro citado daquele que gera a obra arquite-
tônica através do projeto, ou seja, do arquiteto e urbanista; ou daquele que irá
edificá-la, isto é, do construtor especializado; ou, ainda, de outro agente envol-
vido com a obra, tal como o cliente – se faz necessário elaborar peças gráficas
inteligíveis cognitivamente e que, portanto, recorrem à geometria plana ou eu-
clidiana, (sobretudo ao uso da técnica da projeção ortogonal).
Para além de tal técnica, há necessidade de qualificar esses desenhos atra-
vés de características peculiares e elementos gráficos que irão complementar
as informações a serem, por eles, repassadas.

O desenho técnico não pode sujeitar-se aos gostos e caprichos de cada desenhista, pois
será utilizado por profissionais diversos para chegar à fabricação de um objeto específico:
máquina, cadeira ou casa. (...) As normas procuram dar uniformidade aos diversos elementos
do Desenho Técnico de modo a facilitar a execução (USO), a consulta (LEITURA) e a
classificação (ARQUIVO). (MONTENEGRO, 2001, p. 25).

Essas características e esses elementos devem ser entendidos por todos


aqueles envolvidos no processo de concepção e construção da obra arquitetô-
nica e, por conseguinte, devem ser universais. Isto é, partem de um conjunto
de normas técnicas minuciosamente escritas e registradas em âmbito nacional
(algumas em instância internacional) que permitem a leitura e a interpretação
correta e isenta de equívocos das projeções ortogonais e perspectivas desenha-
das para que haja compreensão do projeto propriamente dito e, paralelamente,
de seu processo de construção.

Na página eletrônica da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – pesquisamos


que normalização é “atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais,
prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de
ordem em um dado contexto. Dois dos objetivos da normalização são proporcionar meios mais
eficientes na troca de informação entre o fabricante e o cliente, melhorando a confiabilidade
das relações comerciais e de serviços; e evitar a existência de regulamentos conflitantes sobre
produtos e serviços em diferentes países, facilitando, assim, o intercâmbio comercial.”. (ABNT,
não datado, não paginado apud TAMASHIRO, 2003, p. 162).

capítulo 2 • 73
Posto isto, é passível de se entender que o presente capítulo irá, justamen-
te, apresentar as normas técnicas registradas no Brasil pela ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas) que são relativas à elaboração, leitura, análise
e interpretação de desenhos técnicos de arquitetura; e, no capítulo seguinte,
apresentar-se-ão os elementos da geometria plana (ou euclidiana) que permi-
tem aos projetistas representarem os espaços tridimensionais a partir de de-
senhos bidimensionais distintos e complementares entre si, denominados
projeções ortogonais (os quais mais tarde trataremos por plantas, cortes, ele-
vações etc.).

OBJETIVOS
•  Identificar o desenho como uma linguagem de suma importância para a intelecção do
processo de projeto em Arquitetura e Urbanismo;
•  Familiarizar-se com as normas técnicas registradas em âmbito nacional que são utilizadas
para elaboração de peças gráficas eminentemente técnicas de Arquitetura e Urbanismo e
que, portanto, são direcionadas principalmente ao canteiro de obras.

74 • capítulo 2
2.1  Normalizações do Desenho Técnico de
Arquitetura e Urbanismo

Conforme descrito, para facilitar a comunicação entre os vários profissionais


diretamente envolvidos com a construção civil, elaboraram-se normas técnicas
(em âmbito internacional e nacional) que visam à otimização da compreensão
de informações passadas através da linguagem gráfica dos desenhos de arqui-
tetura e urbanismo. Recorrendo a elas e utilizando-as de maneira adequada, o
profissional demonstra uma preocupação ímpar para com a unificação de sua
linguagem frente aos outros escritórios de arquitetura e urbanismo ou mesmo
junto a outros profissionais que gerarão os projetos complementares ao arqui-
tetônico e que são indispensáveis para que a edificação seja efetivamente cons-
truída (tais como os projetos topográficos de corte e aterro, infraestruturais,
superestruturais, de iluminação artificial, de condicionamento de ar, de equi-
pamento sonoro, de telefonia e cabeamento ótico etc.).
É importante salientar que devido ao nosso local de atuação profissional
ser o nacional, nosso estudo focará sobre as mais importantes normas técnicas
brasileiras registradas relativas aos desenhos técnicos de arquitetura, também
conhecidas por NBR (Norma Brasileira Registrada), a fim de destacar as carac-
terísticas fundamentais de cada uma delas.
Se observarmos atentamente, perceberemos que já iniciamos o estudo de
normas técnicas relativas à desenhos de arquitetura quando falamos de escalas
de representação no capítulo 1 do presente livro, mais precisamente no item
1.1.5. Escalímetro e Escalas. Nele identificamos o BOX-CONCEITO: NBR-8196
| 1999: Desenho técnico – emprego de escalas que trata justamente da questão
da escolha e uso de escalas distintas (ora de redução, ora de ampliação) na re-
presentação técnica de desenhos de arquitetura.
É necessário enfatizar, pois, que algumas destas normas serão dispostas no
presente item deste livro e outras, entretanto, serão melhor estudadas ao longo
dos outros capítulos porque se vinculam de forma precisa a assuntos que serão
trabalhados com maior ênfase pelos capítulos subsequentes – tal como ocor-
reu com a norma técnica relativa à escala.

capítulo 2 • 75
As normas técnicas registradas em instância nacional denominadas por
NBR 10647: 1989 – Desenho técnico e NBR 6492: 1994 – Representação de
projetos de arquitetura tratam de todas as generalidades relativas ao recursos
gráficos possíveis de serem utilizados pelo projetista, definições, conceitua-
ções e nomenclaturas a respeito de desenho técnico de qualquer ordem e de
particularidades vinculadas às questões de desenhos técnicos específicos de
Arquitetura e Urbanismo, respectivamente. Por tratarem de assuntos múltiplos
que são melhor enfatizados por outras normas, é preciso salientar sua impor-
tância como referência para consulta. Todos os mais importantes assuntos por
elas enunciados serão explicitados aqui através de normas mais precisas, espe-
cíficas e complementares a elas.

2.1.1  NBR 10068: 1987 – Folha de desenho – Leiaute e


dimensões

A NBR 10068: 1987 foi baseada na ISO1 5457 (ou seja, referencia-se em uma
norma internacional) e trata do dimensionamento padrão e derivações
possíveis de folhas de papel a serem utilizadas nos projetos de arquitetura.
Além disso, traz informações a respeito de sua organização, tendo em vista
seus principais elementos constituintes: margem, quadro, marcas de centro
e legenda.
No capítulo 1 do presente livro, mais precisamente no item 1.1.2. Folhas e
Papéis, ao apresentarem-se tais equipamentos aos estudantes já identificou-se
o padrão de dimensionamento de folhas de papel utilizado no Brasil: folhas da
série “A”. Assim, é importante lembrar que a partir da bipartição do formato
A-0 – e através da bipartição sucessiva de cada um dos formatos da série “A” –
geram-se folhas de tamanhos distintos, mas correlacionadas entre si: a biparti-
ção de uma folha A-0 gera duas A-1, a bipartição de uma folha A-1 gera duas A-2,
a bipartição de uma folha A-2 gera duas A-3, a bipartição de uma folha A-3 gera
duas A-4 e assim sucessivamente.

1  ISO é a sigla para International Organization for Standartization, isto é, Organização Internacional para
Padronização.

76 • capítulo 2
1189,00
594,00
594,00 297,00 297,00
M 1189,00

A1 A2

420,00
N 841,00

M/2 594,00

841,00

841,00
N
N/2 A3 A4 420,00

210,00

594,00
M/2
M/4 297,00

420,00

420,00
N/2

297,00
M/4 A5 A6

210,00

210,00
N/4

A5 A4 A3 A2 A1 A0 A5 A4 A3 A2 A1 A0

Figura 2.1  –  Dimensionamento das folhas-padrão da série “A”. Fonte: Elaborada pela autora
com base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 2.

Portanto, o inverso também é verdadeiro: através da duplicação sucessiva


das folhas da série “A”, geram-se todas as outras. A duplicação de uma folha A-4
gera uma A-3, a duplicação de uma folha A-3 gera uma A-2, a duplicação de uma
folha A-2 gera uma A-1 e a duplicação de uma folha A-1 gera uma A-0.
Apenas a título de lembrete, a seguir será disponibilizado uma tabela com
as dimensões exatas de cada uma das folhas da série “A”:

DIMENSÕES EM DIMENSÕES EM DIMENSÕES EM


FOLHA MILÍMETROS (MM) CENTÍMETROS (CM) METROS (M)
A0 1.189 x 841 mm 118,9 x 84,1 cm 1,189 x 0,841 m
A1 841 x 594 mm 84,1 x 59,4 cm 0,841 x 0,594 m
A2 594 x 420 mm 59,4 x 42,0 cm 0,594 x 0,420 m
A3 420 x 297 mm 42,0 x 29,7 cm 0,420 x 0,297 m
A4 297 x 210 mm 29,7 x 21,0 cm 0,297 x 0,210 m

Tabela 2.1  –  Designação e dimensionamento de cada uma das folhas-padrão da série “A”.
Fonte: Elaborada pela autora com base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 2.

O posicionamento da folha é correto em ambos os sentidos segundo a NBR


10068: 1987. Isto é, pode-se utilizar uma folha da série “A” na vertical (nesse
caso seu maior lado é o vertical e o menor, o horizontal) ou na horizontal (nesse
caso seu maior lado é o horizontal e o menor, o vertical).
Por convenção, no entanto, uma vez que uma folha é utilizada na posição
horizontal, também chamado de formato paisagem, todas as outras folhas

capítulo 2 • 77
usadas para este específico projeto de arquitetura deverão seguir essa escolha –
serem dispostas em formato paisagem. O oposto, ou seja, o uso de uma folha na
posição vertical, também conhecida como formato retrato, condiciona o proje-
tista a utilizar folhas subsequentes a esta conforme esse padrão.

Formato paisagem (horizontal) Formato retrato (vertical)

Figura 2.2  –  Posicionamento de folha segundo NBR10068: horizontal ou paisagem e verti-


cal ou retrato. Fonte: ABNT – NBR 10068, 1987, p. 2.

ATENÇÃO
Relação entre escala e dimensionamento da folha no Desenho Técnico de
Arquitetura e Urbaniamo
É válido salientar que os tamanhos das folhas devem ser escolhidos com base na escala dos
desenhos que são representados nelas, não o contrário. Desta forma, nunca haverá alteração
da escala solicitada para elaboração de uma determinada peça gráfica ou um conjunto delas,
para que estas caibam em uma folha. É o tamanho da folha que se altera para abrigar uma
peça gráfica (ou um conjunto de peças gráficas).
Inclusive, é permitido estender o tamanho horizontal (comprimento) de uma folha da
série “A” sem que sua dimensão vertical (altura) seja alterada. Contudo, isso deve ser exe-
cutado sempre tendo em vista a dimensão 210 mm (menor dimensão-padrão das folhas da
série “A”), ou seja, esse aumento se dará de 210 em 210 mm (210 mm, 420 mm, 630 mm,
840 mm e assim sucessivamente).
Essa folha estendida é um recurso possível de ser utilizado para que consigamos dese-
nhar ou imprimir nossos desenhos gerados por softwares de computação gráfica em folhas
A-2, A-1 ou A-0, a fim de evitar a constituição de áreas em branco, isto é, desperdícios de

78 • capítulo 2
papel. Algumas vezes nos deparamos com a seguinte situação: utilizamos a folha A-1 para
imprimir determinado conjunto de peças gráficas em uma escala pré-fixada porque o uso
do A-0 seria um desperdício de papel em seu sentido vertical, mas não no horizontal. Desta
forma, podemos estender o comprimento do papel A-1 de modo a otimizar o uso desta folha.

Figura 2.3  –  Folha A-1 e folha A-1 estendida. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 156.

Nos dias atuais, evita-se utilizar papéis maiores do que o A-0 pelo fato de que as plota-
doras possuem dimensionamento de, no máximo, 900 mm (ou 90 cm). Assim, a folha A-0
com sua dimensão de 841 mm de altura (ou 84,1 cm) é a medida limite que é impressa por
tais equipamentos.
Outro motivo pelo qual evita-se utilizar papéis de grandes dimensões é a dificuldade em
seu manuseio, sobretudo no canteiro de obras; o que pode prejudicar a leitura e interpretação
das informações presentes nas peças gráficas e, como consequência, sua correta construção.

Figura 2.4  –  Há outros possíveis tamanhos personalizados. É preciso levar em conta a lar-
gura do ploter do escritório de plotagem. A maioria deles dispõem de ploter com “boca” de
90 cm. Por isso, em geral, não ultrapassamos a altura do formato A0 (841 mm). Mas seu
comprimento pode ser alongado. No entanto, é difícil manusear pranchas de formatos gran-
des, sobretudo na obra. E dependendo da fase da construção, se faltar um mínimo de cuida-
do, elas ficam sujeitas a todo tipo de acidentes (veja foto acima): chuva, respingo de arga-
massa, quedas, rasgos etc. (TAMASHIRO, 2010, p. 156). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 156.

capítulo 2 • 79
Quanto à orientação desta norma para com a definição da margem e do
quadro das folhas da série “A”, sabe-se que existem distâncias-padrão entre o
limite da folha (seja este esquerdo, direito, inferior ou superior) e as linhas (ver-
ticais ou horizontais) que constituirão o limite entre a margem e o quadro.

Figura 2.5  –  Diferenças entre quadro e margem. Fonte: ABNT – NBR 10068, 1987, p. 3.

Assim, o espaço definido pelo quadro das folhas é aquele que deve ser uti-
lizado para dispor as peças gráficas elaboradas pelo arquiteto e urbanista. Os
espaços existentes para além do quadro (externos a ele) são as margens das fo-
lhas. Seu dimensionamento exato pode ser aferido pela tabela e pela ilustração
a seguir dispostas:

DIMENSÕES DIMENSÕES DIMENSÕES DIMENSÕES


FOLHA DA MARGEM DA MARGEM DA MARGEM DA MARGEM
ESQUERDA DIREITA INFERIOR SUPERIOR
A0 25 mm (2,5 cm) 10 mm (1,0 cm) 10 mm (1,0 cm) 10 mm (1,0 cm)

A1 25 mm (2,5 cm) 10 mm (1,0 cm) 10 mm (1,0 cm) 10 mm (1,0 cm)

A2 25 mm (2,5 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm)

A3 25 mm (2,5 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm)

A4 25 mm (2,5 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm) 7 mm (0,7 cm)

Tabela 2.2  –  Dimensionamento de cada uma das margens das folhas-padrão da série “A”.
Fonte: Elaborada pela autora com base nas informações da NBR 10068, 1987, p. 3.

80 • capítulo 2
Figura 2.6  –  Dimensionamento de cada uma das margens das folhas-padrão da série “A”.
Fonte: Elaborada pela autora com base nas informações da NBR 10068 (1987, p. 3) e com
uso de imagens elaboradas por Tamashiro (2010, p.156).

Fica claro observar que a margem esquerda de todas as folhas-padrão da


série “A” possuem um dimensionamento maior do que as demais margens (di-
reita, inferior ou superior). Isso se dá pelo fato de que caso haja necessidade de
arquivar tais folhas em uma pasta, em gavetas-arquivo ou em armários-arquivo,
em geral, esta margem será utilizada para fixar a folha ao objeto que irá guar-
dá-la. Desta forma, a margem esquerda serve para ser perfurada e utilizada no
arquivamento (ABNT – NBR10068, 1987, p.3).
Outro dado importante sobre as folhas da série “A” é a demarcação de seu cen-
tro por linhas verticais e horizontais, desenhadas externamente ao quadro, isto
é, nas margens. Isso facilita a distribuição e alocação de peças gráficas a fim de
ocupar a folha como um todo, porém de forma organizada e a partir de seu centro.

capítulo 2 • 81
Figura 2.7  –  Localização das marcas que indicam o centro das folhas-padrão da série “A”.
Fonte: ABNT – NBR 10068, 1987, p. 4.

As legendas, também denominadas de carimbos ou selos, são espaços desti-


nados à identificação e caracterização de todas as informações pertinentes aos
projetos e às peças gráficas elaboradas em cada um dos específicos trabalhos de
Arquitetura e Urbanismo. Assim sendo, sua existência é obrigatória em todas as
folhas que contém desenhos técnicos e seu posicionamento é, sem exceção, o
canto inferior direito de cada uma das folhas da série “A”. Essa situação pode ser
verificada pela Ilustração 2.2 do presente capítulo, bem como pela Ilustração 2.6.
As legendas, conforme a NBR 10068: 1987, possuem comprimento máximo
de 175mm (17,5cm) em folhas A-4 e A-3, e de 178mm (17,8cm) em folhas A-2, A-1
e A-0. Sua altura, entretanto, é variável e deve ser compatível com o nível de pro-
fundidade das informações que apresenta – o que depende, diretamente, da eta-
pa de projeto em que o trabalho se encontra: projetos executivos geralmente pos-
suem mais detalhes do que estudos preliminares ou anteprojetos, por exemplo.

Figura 2.8  –  Dimensões e posicionamento das legendas nas folhas da série “A”. Fonte: TA-
MASHIRO, 2010, p.156.

82 • capítulo 2
2.1.2  NBR 10582: 1988 – Apresentação da folha para desenho
técnico

Ao tratarmos mais especificamente sobre questões relativas às legendas, infor-


mações textuais e gráficas que devem estar presentes nas folhas (ou pranchas)
de apresentação de projetos, devemos recorrer também à NBR 10582 registrada
em 1988 em instância nacional e que se baseou na ISO 7200. Ela diz respei-
to justamente à composição e, portanto, à apresentação das folhas para dese-
nhos técnicos.
Assim sendo, é necessário destacar que tal norma regulamenta quais áreas
do quadro das pranchas devem ser utilizadas para abrigar desenhos, quais de-
vem possuir textos informativos e a relação destes para com a legenda que per-
manecerá, sempre, no canto inferior direito das folhas-padrão da série “A”.

Figura 2.9  –  Relação entre áreas distintas da prancha destinadas à alocação de desenhos,
textos e legendas. Fonte: ABNT – NBR 10582, 1988, p.1.

Como pode-se verificar através da Ilustração 2.8, sempre utiliza-se a área


superior da folha, da esquerda para a direita, para alocar desenhos; tendo em
vista que o desenho mais importante da prancha (se houver) será o primeiro a
ser disposto nela (em seu canto superior esquerdo). Daí em diante, basta dispôr
as peças gráficas sempre de acordo com esta sequência: de cima para baixo e da
esquerda para a direita.

capítulo 2 • 83
Figura 2.10  –  Representação de Tamashiro (2010, p.156) para disposição de textos com-
plementares às informações presentes nas peças gráficas de projetos de arquitetura e sua
relação com a legenda das pranchas. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

A área destinada para textos será vinculada diretamente à região que abriga
a legenda da prancha. Pode estar localizada verticalmente acima do carimbo
ou horizontalmente alinhada ao selo. Tais informações referem-se à, basica-
mente, explanação de caracteres necessários à compreensão daquilo que está
desenhado; instrução a respeito da execução de obra que tais desenhos re-
presentam; referências a outras pranchas do projeto ou outros desenhos que
apresentam certas informações relevantes e que se direcionam também a esta
específica folha; planta de situação do projeto que identifica, basicamente, o
locus de implantação da edificação e seu vínculo com a cidade existente (rua,
quarteirão, se este terreno configura-se como um lote de esquina, se trata-se de
uma gleba etc.); e o quadro de revisão que apresenta de modo sequencial quais
as modificações realizadas no projeto ao longo de suas subsequentes etapas

84 • capítulo 2
e, até mesmo, durante a execução da obra, explicando-as, justificando-as e da-
tando-as para que os envolvidos possam acompanhá-las sem maiores dúvidas
a respeito delas. Toda revisão é assinada por um responsável pelo projeto e/ou
pela obra.

Figura 2.11  –  Relação entre áreas da prancha destinadas ao abrigo de textos para: expla-
nação, instrução, referências, planta de situação e quadro de revisão. Fonte: ABNT – NBR
10582, 1988, p.2.

Ainda segundo a NBR 10582: 1988, as legendas devem conter, no mínimo,


as seguintes informações:
•  identificação da empresa ou do escritório prestador do serviço (incluindo
CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica);
•  identificação da empresa ou cliente que contratou o serviço (incluindo
CNPJ ou CPF – Cadastro de Pessoa Física);

capítulo 2 • 85
•  título do projeto;
•  autoria do projeto (incluindo registro no CAU/BR – Conselho de
Arquitetura e Urbanismo do Brasil);
•  título(s) do(s) desenho(s);
•  escala(s) de cada um dos desenhos;
•  autoria do(s) desenho(s);
•  data de execução e finalização dos desenhos;
•  revisão descrita, caracterizada e datada (se houver);
•  número da folha acompanhado do número total de folhas que compõem
todo o conjunto de peças gráficas daquele determinado projeto de arquitetura.

Figura 2.12  –  Representação de Tamashiro (2010, p.156) para uma legenda completa e passí-
vel de ser utilizada por escritórios de Arquitetura e Urbanismo Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

Sabe-se, todavia, que muitas dessas informações não são passíveis de serem
complementadas na instância da instituição de ensino, ou seja, quando os es-
tudantes estão iniciando o aprendizado de desenho técnico de arquitetura e

86 • capítulo 2
não possuem vínculo empregatício nem prestam serviços a nenhum escritório
ou empresa do ramo. Nesses casos, é válido que o carimbo contenha menos in-
formações, as quais se relacionam aos exercícios de desenho disponibilizados
pelas disciplinas e professores responsáveis por elas.
A seguir, reproduz-se a legenda idealizada por Tamashiro (2010, p.156) em
sua tese de doutorado intitulada “Entendimento técnico-construtivo e desenho
arquitetônico: uma possibilidade de inovação didática”, a qual vincula infor-
mações importantes e passíveis de serem usadas por alunos de disciplinas de
desenho de Arquitetura e Urbanismo. Variações destas, obviamente, podem
ser aceitas.

17,5
1,5 3,1 3,5

Nome: Série I Turno Folha: Data:

Assunto: Escala:
3 cm

Disciplina: Professor(es): Curso I Instituição de Ensino:

Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alunos

Figura 2.13  –  Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alu-
nos (TAMASHIRO, 2010, p.156). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

COMENTÁRIO
Particularidades do carimbo destinado às prefeituras municipais para apro-
vação de projetos, isto é, a legenda do projeto legal
Basicamente, as informações necessárias para compor a legenda de um projeto legal são
as mesmas do carimbo regulamentado pelas NBR 10068: 1987 e NBR 10582: 1988. En-
tretando, há algumas particularidades que se alteram de municipalidade à municipalidade e
que devem ser respeitadas para que o projeto seja aprovado sem maiores transtornos ao
arquiteto ou ao cliente. Portanto, é necessário que o profissional pesquise com antecedência
quais são os requisitos que devem estar contemplados na prancha desta etapa de projeto
(além de toda a documentação imprescindível para que o processo de aprovação ocorra).
No caso específico da cidade de Ribeirão Preto, localizada no interior do Estado de São
Paulo, por exemplo, os seguintes requisitos são fundamentais para composição da legenda
do projeto legal:

capítulo 2 • 87
Figura 2.14  –  Legenda de referência para composição de prancha relativa ao projeto legal
de edificações na cidade de RibeirãoPreto/SP. Fonte: SECRETARIA DE PLANEJAMENTO
URBANO E GESTÃO PÚBLICA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE RIBEIRÃO PRETO, não
datado, não paginado. Disponível em: <https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/splan/daaproje-
tos/i28projetos.php>. Acesso em: 21.10.2015.

88 • capítulo 2
2.1.3  NBR 13142: 1999 – Desenho técnico – Dobramento de
cópia

Ainda relativa às pranchas de desenhos técnicos, a NBR 13142 foi registrada no


ano de 1994 em âmbito nacional e, posteriormente, atualizada em 1999. Esta
atualização substituiu todas as informações existentes no registro anterior e
sua referência foi a norma alemã – reconhecida pela sigla DIN – de número 824,
registrada em 1981 na Alemanha.
Tal regulamentação refere-se ao arquivamento de originais e cópias de pro-
jetos, seja este nas sedes de secretarias das municipalidades que aprovam os
projetos de arquitetura e urbanismo ou mesmo nos escritórios e empresas res-
ponsáveis por sua idealização e construção.
De modo geral, todos os formatos-padrão da série “A” devem ser arquivados
a partir de sua margem esquerda – daí o dimensionamento desta ser maior em
relação às outras – e todos os papéis devem ser dobrados em pontos exatos de
maneira a admitir o formato de uma folha A-4. Assim sendo, esta prancha é
a única que não necessita ser dobrada e pode ser diretamente arquivada pela
perfuração de sua margem esquerda.

Figura 2.15  –  Folha A-4 com identificação de tamanhos para margens, quadro e legenda –
apresentação da mesma como folha de rosto. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.3.

Todas as outras, entretanto, devem seguir o dimensionamento a seguir


apresentado para cada uma de suas sequenciais dobras. Tal dimensionamento

capítulo 2 • 89
e a maneira de se dobrar as folhas A-3, A-2, A-1 e A-0 foram determinadas pela
norma técnica em questão (ABNT – NBR 13142, 1999, p.2-3) e ilustradas por
Tamashiro (2010, p.156):

Figura 2.16  –  Dimensões exatas para dobras sequenciais de folhas A-0, A-1, A-2 e A-3
de modo que elas admitam o formato de uma folha A-4. Fonte: ABNT – NBR 13142, 1999,
p.2-3 e TAMASHIRO 2010, p.156.

90 • capítulo 2
Para efeitos práticos, as dobras são realizadas primeiramente no sentido
horizontal (comprimento) das pranchas. No caso das folhas A-2, A-1 e A-0, há
necessidade de realizar dobras no sentido vertical (altura), o que nos obriga a
dobrar a margem esquerda de parte destas folhas na diagonal, de maneira que
seu arquivamento não prejudique a abertura desta prancha e sua leitura inte-
gral. Assim, basta dobrá-las no sentido horizontal, realizar a dobra diagonal
apenas de parte das folhas (conforme indicado na Ilustração 2.16) e, por fim,
dobrá-las no sentido vertical da prancha.
Observe que após as subsequentes dobras, o que denominou-se por “folha
de rosto” na Ilustração 2.6 ficará à mostra em todas as folhas-padrão da série
“A”. Esta folha de rosto nada mais é do que uma parte das pranchas exatamente
do tamanho de uma folha A-4 (210 x 297 mm) que contém todas as informa-
ções pertinentes para identificação do projeto, ou seja, sua legenda (carimbo
ou selo) – como apresenta a ilustração a seguir:

Figura 2.17  –  Dimensões exatas para dobras sequenciais de folhas A-0, A-1, A-2 e A-3 de
modo que elas admitam o formato de uma folha A-4, com identificação da folha de rosto.
Fonte: ABNT – NBR 13142, 1999, p.2-3 e TAMASHIRO 2010, p.156.

capítulo 2 • 91
2.1.4  NBR 8403: 1984 – Aplicação de linhas em desenhos – Tipos
de Linhas – Larguras das Linhas

Cada representação gráfica nos desenhos técnicos em geral e, especificamente,


nos de Arquitetura e Urbanismo precisam ser lidos, analisados, interpretados
e compreendidos por uma infinidade de profissionais e clientes e, portanto, há
códigos dessa linguagem gráfica com os quais devemos trabalhar. No caso das
linhas, duas características são imprescindíveis para seu devido entendimento:
a qualidade (ou tipo) desta e sua espessura.

2.1.4.1  Qualidade (ou tipo) de traços

Cada qualidade de linha representa algo peculiar nos desenhos de arquitetu-


ra e, basicamente, lidamos com quatro tipos delas. A saber: linhas contínuas,
linhas tracejadas, linhas constituídas por traços e pontos e linhas de interrup-
ção, respectivamente mostradas pela ilustração a seguir:

Figura 2.18  –  Qualidades de linhas (ou tipos de traços) utilizados nos desenhos técnicos de
arquitetura. Fonte: Elaboradas pela autora com base na ABNT – NBR 8403, 1984.

De modo geral, as linhas contínuas representam todos os elementos arqui-


tetônicos concretos, isto é, aqueles que existem na realidade a ser construída –
quando a arquitetura deixa de ser apenas um projeto e passa a ser efetivamente
uma edificação. Todos os elementos concretos que estão sob visualização dire-
ta do observador de um determinado espaço que está sendo representado deve
ser, obrigatoriamente, desenhado com este tipo de traço.

92 • capítulo 2
Figura 2.19  –  Exemplo de utilização de linhas contínuas em desenhos de arquitetura – re-
presentação de objetos arquitetônicos em geral, tais como elementos de vedação (paredes
em alvenaria), esquadrias (portas e janelas), elementos estruturais (lajes, vigas e pilares), etc.
Fonte: Elaborada pela autora.

Já as linhas tracejadas indicam objetos concretos do edifício projetado que,


entretanto, não estão dispostos diretamente sob o plano de visão do observador
do espaço representado pela peça gráfica. Diz-se, inclusive, que tais elementos
estão em projeção.
Para sermos mais claros, podemos citar um exemplo de utilização de tal quali-
dade de linha: basta pensar na bancada de uma cozinha americana. Geralmente,
essas bancadas permanecem estruturadas por uma meia-parede, ou seja, por
uma parede de tamanho mediano que sustenta seu tampo. Se quisermos dese-
nhar a vista superior de tal bancada – que representa a visualização deste mobi-
liário estando o seu observador localizado sobre tal bancada, olhando-a de cima
para baixo – devemos desenhar toda a superfície do tampo (comprimento e lar-
gura) mas não sua espessura e, muito menos, a parede que está sob o tampo.
Todavia, caso o projetista queira identificar (por algum motivo em especial) que
sob a bancada há uma meia-parede de sustentação, ele poderá fazê-lo utilizando
para tanto linhas tracejadas que representam a espessura de tal parede. Nesse caso,
a meia-parede de sustentação está indicada no desenho devido a sua importância
estrutural, mas como não aparece de forma direta no plano de visão do observador
de tal espaço, é desenhada em projeção (pois está sob o tampo da bancada).
Outro exemplo corriqueiro é a representação das projeções de espessuras
de vigas existentes em um determinado ambiente na planta deste espaço – pro-
jeção ortogonal que será melhor estudada nos capítulos 3 e 4 do presente livro.

capítulo 2 • 93
Caso estas estejam aparentes, ou seja, se conformarem um conjunto de saliên-
cias sob a laje que auxiliam a sustentar, devido também a sua relevância para a
estrutura da edificação em questão, deve-se representar o posicionamento delas
no ambiente.
Contudo, como o referido desenho – em planta – não direciona-se ao teto
deste espaço, mas sim ao seu piso, não há como o observador deste desenho vi-
sualizar diretamente tais vigas, apenas indiretamente. Portanto, nesse caso, ele
deverá representá-las com linhas tracejadas para indicar aos leitores de tal peça
gráfica que tratam-se de projeções desses elementos estruturais, e não das vigas
propriamente ditas.

Figura 2.20  –  Exemplo de utilização de linhas tracejadas em desenhos de arquitetura – re-


presentação de elementos em projeção: varredura das folhas das portas, vigas e beiral da laje
de cobertura. Fonte: Elaborada pela autora.

94 • capítulo 2
Outra situação característica é a representação de janelas nas plantas dos
ambientes, as quais estão posicionadas em alturas elevadas: todas as janelas
locadas a uma altura superior a 1,50m do piso acabado interno do referido es-
paço devem ser desenhadas com linhas tracejadas, pois é importante mostrar-
mos que há possibilidade de iluminação e ventilação natural nesse ambiente,
entretanto essa janela não encontra-se a uma altura adequada para aparecer na
planta deste espaço.

Figura 2.21  –  Exemplo de utilização de linhas tracejadas em desenhos de arquitetura –


representação em planta de janelas localizadas em alturas elevadas. Fonte: ABNT – NBR
6492, 1994, p.20.

As linhas constituídas por traços e pontos representam, de forma geral,


símbolos necessários à compreensão dos desenhos técnicos, mas que não
constituem objetos concretos da realidade a ser construída. Muitas vezes,
sem a existência de tais simbologias, as informações passadas pelos dese-
nhos poderiam configurar inconsistências, duplicidade ou equívocos que
impediriam a compreensão da representação. Entretanto, o uso de tal qua-
lidade de linha nos auxilia a sermos precisos no momento de passarmos tais
informações adiante.
Esse tipo de linha é utilizado, sobretudo, para indicar eixos, simetrias e para
representar um símbolo peculiar conhecido por indicação de corte, o qual é in-
serido nas plantas. Mais a frente, precisamente nos capítulos 4 e 5, compreen-
deremos melhor o que tal simbologia significa e sua utilidade.

capítulo 2 • 95
Figura 2.22  –  Exemplo de utilização de linhas constituídas por traços e por pontos em de-
senhos de arquitetura – representação da indicação do Corte AA e da indicação do Corte
BB na Planta do Pavimento Térreo de uma dada edificação. Fonte: Elaborada pela autora.

Outro exemplo do uso da linha constituída por traços e por pontos é a de-
marcação exata de eixos de locação de pilares estruturais de uma dada edifica-
ção – o que dialoga diretamente com o trabalho no canteiro de obras, dado que
a demarcação da localização exata em que estarão os pilares em um determina-
do terreno se faz, justamente, pelo cruzamento de eixos que indicam o centro
deste elemento estrutural (o que facilita sua construção na obra).

Figura 2.23  –  Exemplo de utilização de linhas constituídas por traços e por pontos em de-
senhos de arquitetura – representação de eixos de locação de pilares, em plantas. Fonte:
ABNT – NBR 6492, 1994, p.18.

96 • capítulo 2
Por fim, as linhas de interrupção (ou de ruptura) são utilizadas, precisamen-
te, para interromper a representação de partes dispensáveis do desenho de ar-
quitetura. Para facilitar sua compreensão, basta pensarmos na fachada de um
edifício de múltiplos pavimentos, todos exatamente iguais entre si. Para o devi-
do entendimento desta peça gráfica, basta desenharmos a vista do pavimento
térreo, de um ou dois pavimentos-tipo (padrão) e do último pavimento (cober-
tura). Desta forma, compreende-se que todos os pavimentos intermediários
são iguais entre si e evita-se desperdícios de tempo e de papel com a execução
de toda a elevação. É importante salientar, entretanto, que estamos falando de
um edifício de cerca de 50, 75, 100 ou até mesmo mais andares – o que justifica
a economia citada.
Outro caso é o detalhamento de uma parte específica do desenho de arqui-
tetura, como de uma esquadria, do encaixe entre um pilar e uma viga ou mesmo
o detalhe de uma soleira, como mostra a ilustração a seguir:

Figura 2.24  –  Exemplo de utilização de linhas de interrupção em desenhos de arquitetura –


representação de detalhamentos. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.27.

Por tratar-se de um detalhamento não há necessidade de representarmos


todos os elementos arquitetônicos do entorno, apenas o objeto em ques-
tão e, para tanto, utilizamos a linha de ruptura para definirmos os limites de
tal desenho.

capítulo 2 • 97
2.1.4.2  Espessuras de traços
Falamos, até o momento, da importância da qualidade das linhas, isto é, seu
tipo. Mas logo no início deste item, salientamos que a espessura de cada um
dos traços usados para representação de desenhos de arquitetura tinham tanta
relevância quanto a questão do tipo da linha.
É imprescindível utilizarmos minas de grafite distintas para definirmos tra-
ços de espessuras diferentes entre si em um mesmo desenho técnico, a fim de
constituirmos o que denomina-se por hierarquia de linhas.
Como a maioria das peças gráficas de arquitetura é composta por situações
espaciais bidimensionais, para indicarmos aos leitores quais objetos estão
mais próximos do olhar do observador daquele específico ambiente e quais es-
tão mais distantes, usamos a hierarquia das linhas. De forma análoga, é como
se “perspectivássemos” os desenhos técnicos de arquitetura sem, contudo, in-
serirmos a terceira dimensão neles.
Desta forma, todo elemento arquitetônico que encontra-se mais próximo
do olhar do observador em determinada representação de um dado ambiente
deverá, obrigatoriamente, ser desenhado com traços mais espessos (grossos).
Gradativamente, tais linhas vão passando de espessuras medianas a finas con-
forme os objetos arquitetônicos se distanciarem do olhar do observador.
Não há limites para quantidades de espessuras de linhas distintas entre
si em um dado desenho. Na realidade, é o nível de detalhamento que o pro-
jetista pretende alcançar que vai definir essa questão. Entretanto, buscamos
utilizar as quatro espessuras de grafites encontradas nas lapiseiras de desenho
(0,9 mm, 0,7 mm, 0,5 mm e 0,3 mm).

98 • capítulo 2
Figura 2.25  –  Exemplos de utilização de espessuras de linhas distintas entre si em dese-
nhos de arquitetura – corte desenhado por Tamashiro (2010, p.175) em sua tese de douto-
rado, com espessuras de linhas distintas entre si. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.175.

capítulo 2 • 99
2.1.5  NBR 8402: 1994 – Execução de caractere para escrita em
desenho técnico

Segundo a NBR 8402, registrada em território nacional em 1984 e reformula-


da no ano de 1994, os textos e as informações numéricas devem definir com
precisão informações a serem passadas através dos desenhos técnicos. Sua uti-
lização é permitida e se vincula a duas exigências principais: legibilidade e uni-
formidade – o que garante uma estruturação clara de peças gráficas, sem dados
que de certa forma as sobrecarreguem ou “poluam”.

O desenho técnico arquitetônico é complementado com textos e informações de


medidas. No desenho o tamanho (altura) dos textos e sua posição no desenho, a
fonte utilizada, devem primar pela legibilidade e clareza. O texto não deve competir
com o desenho. A informação, na hora certa, para o destinatário certo são critérios
importantes para garantir a eficiente comunicação entre os profissionais de arquitetura
e engenharia. (TAMASHIRO, 2010, p. 163).

Tendo isso em vista, todas as peças gráficas podem receber uma comple-
mentação textual e esta poderá ter um vínculo direto para com os desenhos,
isto é, constituir-se como uma indicação importante, porém sucinta de texto;
ou estar disposta na prancha, geralmente próximo à legenda, trazendo de for-
ma ampliada informações sobre a construção do projeto: por exemplo, infor-
mações pertinentes ao canteiro de obras, sobre revestimentos de tetos, pare-
des, pisos, relativas a acabamentos em geral etc.

100 • capítulo 2
Figura 2.26  –  Exemplos de indicações de textos (com linhas de chamada) em uma peça grá-
fica de desenho técnico de arquitetura – Corte EE. Fonte: Projeto elaborado pela autora, Tânia
Maria Bulhões Figueira, em parceria com o arquiteto e urbanista Guilherme Moreira Pecci.

Observe no desenho apresentado pela Ilustração 2.25 que caso as indicações


de textos sejam “acopladas” às peças gráficas, há necessidade de organizá-las:
•  segue-se um padrão único de tipo de letra. É importante destacar que se
utilizam, sempre, letras de FORMA ou do tipo bastão nos desenhos de arqui-
tetura para evitarmos equívocos de interpretação que são passíveis de surgir
através do uso da escrita cursiva.
•  segue-se um padrão nos tamanhos das letras utilizados. Geralmente,
usam-se três dimensões (alturas) de fontes para hierarquizar informações,
tais como:
A. Maior tamanho para os títulos dos desenhos;
B. Tamanho mediano para indicar as escalas dos desenhos, os nomes
dos ambientes internos e externos, áreas, pé-direito (dimensão entre o piso
acabado de um determinado ambiente e a base inferior de sua laje de cobertu-
ra), etc.
C. Menor tamanho para comentários, notas e observações sobre materia-
lidades, revestimentos, alturas de guarda-corpo ou de muros etc.; bem como
para os números das cotas lineares (as quais indicam as medidas lineares dos
ambientes internos e/ou de particularidades destes) e das cotas de nível (que

capítulo 2 • 101
indicam as alturas diferentes dos vários patamares – pisos – que constituem
uma edificação. Por exemplo, sempre há um pequeno desnível de 2 a 3 cm en-
tre áreas molhadas de uma habitação e outros ambientes. Tal desnível indica a
existência de um pequeno degrau entre esses espaços, aos quais são atribuídos
níveis distintos entre si. Tais cotas numeram estes níveis).

Figura 2.27  –  Indicações de textos hierarquizadas: tamanhos maiores, medianos e meno-


res. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.163.

102 • capítulo 2
•  inserem-se linhas de chamada que vinculam o texto ao elemento da re-
presentação ao qual ele se refere. Essas linhas podem ser horizontais, verticais,
possuírem inflexões, mas devem sempre estar organizadas e alinhadas entre si;
bem como os textos devem seguir um alinhamento preciso: todos à esquerda,
todos centralizados, todos à direita ou todos justificados.

Figura 2.28  –  Exemplos de indicações de textos (com linhas de chamada) alinhadas ora à
direita, ora centralizadas e ora à esquerda. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.163.

No caso das indicações de textos estarem “desacopladas” das peças gráfi-


cas, mas inseridas na prancha, deve-se seguir os padrões estipulados pela NBR
10582 – por nós anteriormente estudados no item 2.1.2. NBR 10582: 1988 –
Apresentação da folha para desenho técnico do presente capítulo – que esti-
pula normas relativas a sua disposição: sempre vinculados à legenda (carim-
bo ou selo) da folha, alinhados a ela no sentido horizontal ou no vertical (ver
Ilustração 2.10).
Obviamente, há necessidade de organizar tais indicações de textos seguin-
do as mesmas regras já anunciadas:
•  escolher um único padrão de letra (tipo de fonte);
•  utilizar letra de forma ou bastão para a escrita;
•  hierarquizar tamanhos de fontes (usar de 3 a 4 alturas díspares entre si)
para apresentar informações diversas;

capítulo 2 • 103
•  alinhar os textos de forma a criar uma uniformidade.

Pode-se, inclusive, utilizar quadros e tabelas para separar textos que indi-
cam informações sobre ordens distintas: legenda de hachuras, acabamentos
de superfícies (pisos, paredes, tetos etc.), notas a serem lidas no canteiro de
obras, carimbo da prancha etc.

Figura 2.29  –  Indicações de textos inseridas na prancha alinhadas verticalmente ao carim-


bo. Fonte: Ilustração organizada e editada pela autora a partir de um desenho de Tamashiro
(2010, p.156) e de informações de projeto realizado por ela em parceria com o arquiteto e
urbanista Guilherme M. Pecci.

104 • capítulo 2
2.1.6  NBR 10126: 1987 – Cotagem em desenho técnico

Todo desenho técnico deve conter informações textuais que complementam


as peças gráficas, bem como elementos que indicam as medidas gerais de uma
edificação, sua locação no terreno, dimensões internas dos ambientes que
compõem um edifício, locação de esquadrias (portas e janelas) em tais espaços
etc. Ou seja, para que os desenhos de arquitetura sejam passíveis de indicar
elementos a serem construídos, cotas lineares e cotas de nível que identificam
dimensões devem compor, também, os desenhos.
No entanto, existem uma série de regras gerais e específicas que determi-
nam diretrizes para o uso de tais cotas. A NBR 10126, registrada em instância
nacional em 1987, orienta seu uso e composição.

2.1.6.1  Cota linear

Uma cota linear é conformada pelos seguintes elementos gráficos:


•  linha de cota: sobre as quais se dispõem os números que indicam as me-
didas das cotas;
•  numeração do valor da dimensão da cota: números sempre escritos aci-
ma da linha de cota que representam a dimensão daquilo que se está medindo;
•  linhas de chamada: que vinculam as linhas de cota àquilo que se está medin-
do sem, contudo, que estas linhas de chamada encostem no desenho – elas devem
ter uma distância mínima daquilo que estão medindo de aproximadamente 2mm
para que não sejam confundidas com partes materiais de uma dada edificação;

Figura 2.30  –  Elementos que compõem uma cota linear. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.185.

capítulo 2 • 105
•  limites da linha de cota: elementos gráficos que indicam o início e o fim
de uma determinada linha de cota.
Como se pode ser observado pela Ilustração 2.30, os limites das cotas podem
assumir aspectos diversos, como linhas inclinadas a 45°, pontos preenchidos
por hachuras, pontos sem preenchimento, setas delgadas e sem preenchimen-
to interno, setas esbeltas e com preenchimento interno, linhas coincidentes
com as linhas de cotas porém mais espessas em suas bordas ou limites etc.
Entretanto, os símbolos mais comumente utilizados em desenhos arquitetô-
nicos são os dois primeiros citados em nossa listagem: linhas inclinadas a 45°
ou pontos preenchidos por hachuras. As setas, geralmente, são usadas em de-
senhos mecânicos de maquinários e peças industriais e devem ser evitadas nos
desenhos de arquitetura para que os mesmos não contenham informações dú-
bias e/ou fiquem com aspectos “poluído”.

Figura 2.31  –  Aspectos de um limite de uma linha de cota. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.185.

As linhas de cotas poderão conformar, de acordo com o que se apresenta na


Ilustração 2.29, um conjunto de linhas paralelas entre si (ora horizontais, ora
verticais – depende daquilo que se está cotando) e que devem ser equidistan-
tes entre si. Um boa orientação de sua localização junto ao desenho é alocar o
primeiro segmento a ser formado por linhas de cotas a uma distância de apro-
ximadamente 20mm em relação a tal desenho. O segundo segmento estará a
uma distância aproximada do primeiro de 10mm, o terceiro estará disposto a
uma distância aproximada do segundo de 10mm e assim sucessivamente.

106 • capítulo 2
Normalmente, existem ao menos três níveis diferentes de elementos a se-
rem cotados em uma edificação. São eles:
•  Nível 1: particularidades do desenho, tais como a locação exata de esqua-
drias nas vedações (paredes) dos ambientes – observe que utiliza-se apenas
uma cota que vincula uma das vedações internas do ambiente à esquadria e ou-
tra cota do comprimento de tal esquadria. Assim, evita-se cotar a outra dimen-
são entre a esquadria e a outra vedação do ambiente a ser construído para que
possíveis equívocos dimensionais derivados de erros de mão-de-obra humana
não resvalem no vão a receber esta esquadria;
•  Nível 2: medidas internas dos ambientes e das espessuras das vedações;
•  Nível 3: dimensões gerais e externas do edifício, considerando saliências
e reentrâncias dos espaços da edificação.

Nível 1: Cotamos os “acidentes” das alvenarias: vão e aberturas e suas locali-


zações nessas alvenarias. A cota é indicada no vão acabado pronto para receber as
esquadrias. Aqui, não se cota as espessuras de paredes. Isto acontece no nível 2;
assim evitamos a duplicação desnecessária das cotas. (TAMASHIRO, 2010, p.186).

Nível 2: As cotas horizontais e verticais de cada ambiente e a espessura


das paredes. Estamos, nesse momento, cotando os ambientes e as paredes.
(TAMASHIRO, 2010, p.186).

capítulo 2 • 107
Nível 3: Cotas parciais e totais da “silhueta” da edificação. Deve conter todas
as cotas, de tal forma que possamos calcular a área externa dessa edificação.
(TAMASHIRO, 2010, p.186).

Acima expomos, separadamente, os três níveis de cotas. Mas, na prática, fi-


cam como no desenho ao lado. (TAMASHIRO, 2010, p.186).
Figura 2.32  –  Níveis distintos e necessários para conformar uma cotagem ideal de dese-
nhos de arquitetura. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.186.

O ideal é que todas as linhas de cotas sejam externas aos desenhos, exceto
em casos extremos de impossibilidade. Apenas nesses específicos casos, isto é,
quando não há como deslocar as cotas para áreas externas aos desenhos é que

108 • capítulo 2
elas deverão ser inseridas internamente às peças gráficas com o devido cuidado
para não se sobreporem a outras informações.
Outro fator importante de se destacar é que os traços que compõem as li-
nhas de cota e as linhas de chamada são, sempre, os mais finos dos desenhos –
usam-se as lapiseiras com minas de grafite de 0,3mm ou de 0,5mm. Já as linhas
de limites das cotas possuem espessura mediana: as lapiseiras de 0,5mm ou de
0,7mm serão usadas para as constituírem.
As numerações das cotas estarão, sempre, alocadas acima das linhas de co-
tas, exceto em casos de impossibilidade. Se as cotas forem horizontais, os nú-
meros são escritos da esquerda para a direita conforme a norma culta de escrita
da língua portuguesa, e o mesmo ocorre para as cotas verticais; contudo, nesses
casos os escritos estarão na posição vertical e alinhados acima das linhas de cota.

Figura 2.33  –  Situações recomendadas para escrita dos números das cotas lineares. Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p.185.

Os números sempre estarão indicados em uma única unidade de medida:


o ideal é estarem em metros lineares, entretanto, isso varia de município para
município – uns utilizam metros (m), outros centímetros (cm) e outros, ainda,

capítulo 2 • 109
milímetros (mm). O importante é que uma vez usada uma unidade de medida
(m, cm ou mm) esta será repetida em todos os desenhos de uma dada edificação.
Para que uma planta de situação, uma planta de locação ou uma implantação
estejam corretamente cotadas, deve-se inserir cotas que indicam o posicionamen-
to da(s) edificação(ões) no lote ou gleba (terreno). Assim, insere-se nos desenhos
cotas de amarração. Estas indicarão em ambos os eixos (X e Y), ou seja, no sentido
do comprimento e no da largura, onde exatamente encontra-se o(s) edifício(s).

Figura 2.34  –  Exemplos de utilização de cotas de amarração. Fonte: TAMASHIRO, 2010,


p.187.

(...) As cotas devem, ainda, atender às seguintes prescrições:


a) as linhas de cotas devem estar sempre fora do desenho, salvo em casos
de impossibilidade;
b) as linhas de chamada devem parar de 2 mm a 3 mm do pon-
to dimensionado;

110 • capítulo 2
c) as cifras devem ter 3 mm de altura e o espaço entre elas e as linhas de
cota devem ser de 1,5 mm;
d) quando a dimensão a cotar não permitir a cota na sua espessura, colo-
car a cota ao lado, indicando seu local exato com uma linha;

Figura 2.35  –  Alocação de numeração sobre linhas de cotas: quando o número não couber
no espaço da espessura de determinada cota, pode-se deslocá-lo conforme exemplo desta
imagem – para o lado e acima da linha de cota, para o lado e acima da linha de cota com
linha indicadora ou para o lado e abaixo da linha de cota. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.186.

e) nos cortes, somente marcar as cotas verticais;

Figura 2.36  –  Cotas em corte: indicar apenas medidas verticais e, se possível, cotar di-
mensões lineares de piso acabado a piso acabado (do térreo até o primeiro pavimento, por
exemplo). Cotar a altura do peitoril de janelas e depois a dimensão (altura) delas. Evite cotar
a medida entre a base superior das janelas e a base inferior da laje, viga, etc. Esta cota,
geralmente, nada significa para a obra propriamente dita. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.187.

capítulo 2 • 111
f) evitar a duplicação de cotas. (ABNT – NBR 6492, 1994, p. 16).

Objetos circulares ou curvilíneos devem ser cotados de forma diferenciada:


sua amarração ocorrerá, sempre, pelo centro da circunferência que o conforma
e a cota de sua dimensão será dada pela medida de seu raio ou de seu diâmetro.

Figura 2.37  –  Cotas de objetos circulares: amar-


ração realizada pelo centro da circunferência e di-
mensão do elemento dado pelo seu raio ou pelo seu
diâmetro. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.185.

Figura 2.38  –  Cotas de objetos circulares: amarração realizada pelo centro da circunferên-
cia e dimensão do elemento dado pelo seu raio ou pelo seu diâmetro. Observar atentamente,
também, a forma correta de escrever a numeração das cotas do diâmetro dos objetos circu-
lares ou curvilíneos. Não se deve esquecer de cotar as angulações dos segmentos dos arcos
que constituem as superfícies curvilíneas, se necessário. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.186.

112 • capítulo 2
Vale ressaltar que para a construtibilidade adequada de objetos circulares
ou curvilíneos, deve-se cotá-los de modo a permitir que o mestre de obras, e
sua mão-de-obra, consiga visualizar o desenho de tais superfícies no canteiro.
Assim, elabora-se um conjunto de cotas de amarração em que um dos sentidos
(eixo X ou Y) possuirá medidas constantes e equidistantes entre si e o outro
sentido, medidas específicas.

Figura 2.39  –  Inserir cotas de amarração em objetos circulares ou curvilíneos para possibi-
litar sua construção em obra. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.186.

Pensar no canteiro de obras é fundamental para inserirmos as cotas linea-


res de um desenho. É claro que a experiência profissional facilita a decisão por
cotar ora de uma maneira, ora de outra. Para se ter um exemplo prático, no in-
terior de uma área molhada – tal como vestiários – as louças sanitárias (bacia
sanitária, lavatórios etc.) são alocadas na obra a partir do osso da alvenaria, isto
é, a partir do bloco de tijolo cerâmico ou de concreto sem seu respectivo acaba-
mento. Já as divisórias de cabines são alocadas após inserção de revestimentos.
Desta forma, suas cotas devem ser realizadas a partir da cota de acabamento

capítulo 2 • 113
das parede, diferentemente do caso anterior em que as cotas para posiciona-
mento das louças são executadas a partir do osso da parede.

Figura 2.40  –  Elaborar cotas funcionais, isto é, cotas úteis para a construção da edificação.
Fonte: Ampliação de projeto executivo realizada pela autora em fevereiro de 2011.

É necessário, portanto, pensar no tipo de cota que facilitará a execução da


obra no canteiro. A estas cotas atribui-se o nome de cotas funcionais. Outro
exemplo de seu uso é cotar separadamente peças sanitárias de um banheiro
que são alocadas nas paredes (lavatórios, pias, bacias sanitárias, chuveiros,

114 • capítulo 2
etc.) e peças a serem disponibilizadas no piso (ralos sifonados e grelhas destes,
por exemplo).

Figura 2.41  –  Elaborar cotas funcionais, isto é, cotas úteis para a construção da edificação.
Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.187.

2.1.6.2  Cota de nível

As cotas de nível, como a nomenclatura indica, serão dispostas em desenhos de


arquitetura (plantas de todas as ordens – de situação, de locação, implantação,
de pavimentos distintos entre si, de pavimentos-tipo, de cobertura, etc. – e em
cortes) para indicar possíveis desníveis ou rebaixos entre patamares (pisos) de
uma dada construção.
Geralmente, indica-se o nível osso (N.O.), sem acabamentos, e/ou o nível
acabado (N.A.), com revestimentos, de um determinado piso. Pode-se indicar
o valor numérico das cotas de nível utilizando-se as alturas reais das curvas de
nível do terreno, isto é, sua dimensão em altura em relação ao nível do mar; ou
pode-se atribuir a uma destas cotas de nível o valor zero (0,00) e a partir dela de-
signar o valor das cotas positivas (mais altas do que esta) e das cotas negativas
(mais baixas do que esta).
O valor numérico das cotas positivas podem vir precedidos pelo sinal de
maior valor (+), mas esta regra não é uma obrigatoriedade. Entretanto, as cotas
negativas, sem exceção, devem vir precedidas pelo símbolo que indica menor
valor (-).

capítulo 2 • 115
Figura 2.42  –  Cotas de nível em planta. Fonte: Peça gráfica elaborada pela autora em agos-
to de 2015.

Dois símbolos específicos são usados para as cotas de nível: um para plan-
tas em geral e outro para cortes. Uma vista (também chamada de elevação ou
fachada) nunca possuirá cotas lineares ou cotas de nível. Para cortes, utiliza-se
um triângulo cujo vértice inferior tocará, obrigatoriamente, o piso ao qual se
refere. Para plantas em geral, usa-se uma circunferência que estará disposta no
interior do ambiente ao qual se vincula.

Figura 2.43  –  Símbolos que representam as cotas de nível em cortes e em plantas, respec-
tivamente. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.17.

116 • capítulo 2
ATIVIDADES
01. Observe atentamente a Planta apresentada a seguir.

Figura 2.44  –  Exercícios iniciais de desenho de arquitetura. Fonte: Elaborado pela autora.

Reproduza na folha-padrão A3 o desenho desta Planta, em escala 1/50, e não se esqueça de:
a) Diferenciar as linhas utilizadas para compor o desenho, conforme Tipos e Espessuras;
b) Desenhar esquadrias (portas e janelas) com as espessuras de batentes (0.05m) e das
folhas (basta representar linhas duplas);
c) Nomear os ambientes e identificar suas áreas (em m²), seus pés direitos (em m) e suas
cotas de nível (em m);
d) Nomear o desenho e indicar sua escala;
e) Inserir cotas lineares no desenho.

capítulo 2 • 117
02. Complemente o exercício 4 do capítulo 1, cotando-o adequadamente conforme as
orientações repassadas no item 2.1.6. NBR 10126: 1987 – Cotagem em desenho técni-
co do presente capítulo.

03. A NBR 6492: 1994 recomenda usos específicos de linhas para representação de ele-
mentos arquitetônicos e simbologias em desenhos técnicos de arquitetura e urbanismo.
Quando representam-se projeções, tais como de marquises, beirais, vigas salientes em rela-
ção à laje ou mesmo janelas de altura considerável representadas em plantas, deve-se utilizar
qual qualidade de linha?
a) Traço e ponto.
b) Contínua.
c) Tracejada.
d) Traço e dois pontos.
e) Traço de interrupção ou de ruptura.

REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determi-
nado processo de projeto. Desta forma, ensinar ao discente a se familiarizar com as normas
técnicas que regulamentam a elaboração de peças gráficas e realizam a complementação de
informações necessárias à compreensão integral do projeto configuram-se por competên-
cias que todo estudante de tal área do conhecimento precisa adquirir.
As habilidades trabalhadas no segundo capítulo do presente livro serão ampliadas na se-
quência, para que os alunos possam entender como se dá o uso de elementos da geometria
plana (ou Euclidiana) e de projeções ortogonais derivadas de volumes simplificados, a fim
de aplicar tal compreensão à pratica de projeto e vincular este uso a alguns conceitos téc-
nicos inerentes ao processo projetual – como, por exemplo, a visualização clara sobre como
espaços tridimensionais se projetam em planos constituindo desenhos bidimensionais que
conformam, portanto, plantas, cortes e vistas de um mesmo projeto a ser construído.

118 • capítulo 2
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8403 – Aplicação de linhas em
desenhos – Tipos de Linhas – Larguras das Linhas. Rio de Janeiro, ABNT, 1984. 5p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10068 – Folha de desenho: leiaute e
dimensões. Rio de Janeiro, ABNT, 1987. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10126 – Cotagem em desenho técnico.
Rio de Janeiro, ABNT, 1987. 13p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10582 – Apresentação da Folha para
Desenho Técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1988. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402 – Execução de caracter para
escrita em desenho técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1994. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492 – Representação de projetos de
arquitetura. Rio de Janeiro, ABNT, 1995. 27p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647 – Desenho técnico. Rio de Janeiro,
ABNT, 1995. 14p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13142 – Desenho técnico –
Dobramento de cópia. Rio de Janeiro, ABNT, 1999. 3p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-8196 – Desenho técnico – emprego de
escalas. Rio de Janeiro, ABNT, 1999. 2p.
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
SCHUNK, Dulcinéia. A construção gráfica do espaço como método de ensino de Desenho e
Plástica 2. In: GOUVÊA, Luiz Alberto de Campos; BARRETO, Frederico Flósculo Pinheiro; GOROVITZ,
Matheus (organizadores). Brasília, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1999. 144p.
p.51-60.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino nas
escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa
de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico: uma
possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-graduação
do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São
Paulo. São Carlos, 2010. 210p.

capítulo 2 • 119
120 • capítulo 2
3
Princípios Básicos
da Geometria
Plana e Descritiva
Aplicados aos
Desenhos de
Arquitetura
A fim de dar sequência ao estudo iniciado no capítulo anterior, no qual apre-
sentou-se aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo as normas técnicas re-
gistradas no Brasil pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que
são relativas à elaboração, leitura, análise e interpretação de desenhos técnicos
de arquitetura; daremos continuidade à mostra de elementos e características
que devem ser respeitados e utilizados para que os desenhos de arquitetura se
configurem a partir de uma linguagem universal.
Desta forma, foi dito anteriormente que para o cérebro humano compreen-
der visualmente o espaço tridimensional e, para além disso, para que este
acompanhe mentalmente o seu processo de concepção e construção – seja o
cérebro citado daquele que gera a obra arquitetônica através do projeto, ou
seja, do arquiteto e urbanista; ou daquele que irá edificá-la, isto é, do constru-
tor especializado; ou, ainda, de outro agente envolvido com a obra, tal como o
cliente; – se faz necessário elaborar peças gráficas inteligíveis cognitivamente e
que, portanto, recorrem à geometria plana ou euclidiana e à geometria descriti-
va – sobretudo ao uso da técnica da projeção ortogonal.
Posto isto, é passível de se entender que o presente capítulo irá, justamen-
te, apresentar os elementos da geometria plana (ou euclidiana) e da geometria
descritiva que permitem aos projetistas representarem os espaços tridimensio-
nais a partir de desenhos bidimensionais distintos e complementares entre si
– denominados projeções ortogonais – as quais, na arquitetura e urbanismo,
são reconhecidas como plantas, cortes, elevações, etc.

OBJETIVOS
•  Compreender adequadamente cada um dos elementos derivados da geometria euclidiana
que são utilizados na concepção de desenhos técnicos de arquitetura;
•  Vincular a técnica das projeções ortogonais de sólidos geométricos (simples e complexos)
à elaboração de projeções ortogonais do espaço arquitetônico projetado. O qual, para ser
efetivamente construído, precisa ser corretamente apreendido por representações bidimen-
sionais complementares entre si (tais como plantas, cortes, elevações etc.).

122 • capítulo 3
3.1  Conceitos Básicos da Geometria Plana
(Euclidiana) e sua aplicação no universo projetivo

Após a compreensão de alguns parâmetros gerais e específicos relativos ao


desenho técnico e arquitetônico – os quais tendem a universalizar caracterís-
ticas a fim de que estas sejam inteligíveis a um conjunto de profissionais vin-
culados à construção civil – faz-se necessário relembrar conceitos básicos e
relativamente simples que nos permitem elaborar desenhos bidimensionais,
complementares entre si, que quando agrupados transferem um conjunto de
informações para que uma dada edificação, um determinado espaço exterior
ou mesmo uma fração da cidade seja efetivamente construído.

3.1.1  Ponto, Reta e Plano

Ponto
Assim, é preciso relembrar que um ponto qualquer que ocupa um determinado
lugar no espaço – cuja nomenclatura é dada, sempre, por um algarismo alfabé-
tico maiúsculo (ponto A, por exemplo) – é adimensional (não possui compri-
mento, nem largura e nem altura), mas possui três coordenadas (x, y, z) para
que seja precisamente localizado neste espaço.

(x, y, z)
A

Figura 3.1  –  Ponto A localizado no espaço tridimensional através de coordenadas (x, y, z).
Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 3 • 123
Reta
Um conjunto de pontos sequenciais, (isto é, colineares entre si), confor-
mam uma reta e uma parte qualquer desta é denominada de segmento de reta.
Lembre-se que uma reta sempre é designada por um algarismo alfabético mi-
núsculo (reta r, por exemplo) e seu segmento, por dois algarismos alfabéticos
maiúsculos sobrepostos por uma linha (segmento de reta AB, por exemplo).
A reta é um elemento unidimensional, pois possui comprimento, e é infinita.
Dado a isso, ao referir-se a uma parte dela, trabalha-se com um segmento de
reta que é delimitado por, ao menos, dois pontos que se configuram como os
limites inicial e final deste segmento.

B
x

Figura 3.2  –  Reta r e segmento de reta AB localizados no espaço tridimensional. Fonte:


Elaborada pela autora.

Retas paralelas, concorrentes, perpendiculares ou coincidentes entre si


Quando duas ou mais retas são paralelas entre si, estas não se cruzam em
nenhum ponto e possuem uma medida de distanciamento comum ao longo
de toda sua extensão. Duas ou mais retas podem se cruzar em um único ponto.
Se isso ocorre em uma angulação qualquer, tais retas são chamadas de concor-
rentes entre si. Caso, além de se cruzarem neste específico ponto, a angulação
dada por este cruzamento seja de exatamente 90 graus, elas são chamadas de
perpendiculares entre si. Por fim, caso duas ou mais retas tiverem dois ou mais
pontos em comum, são denominadas de coincidentes entre si.

124 • capítulo 3
m
z z

x x

r n

y y

t o p
z z

90°

A A

x x

u n

y y

Figura 3.3  –  Retas paralelas, concorrentes, perpendiculares e coincidentes entre si, respec-
tivamente, localizadas no espaço tridimensional. Fonte: Elaborada pela autora.

Planos
Com o instrumental de desenho de arquitetura, consegue-se desenhar todas
essas retas a fim de que o cruzamento entre elas conformem planos, ou seja, ele-
mentos geométricos bidimensionais (constituídos por comprimento e largura)
que se estudados, isto é, se adicionados de uma terceira dimensão – a altura –
conformarão volumetrias espaciais (poliedros). Como a arquitetura, o urbanis-
mo e o paisagismo são conformadores de espacialidades, sua vinculação com
tais conceitos da geometria plana (ou Euclidiana) é facilmente entendida.

capítulo 3 • 125
t t
z z
m m

B B

A C A C

D x n D x n

u u

y y

Figura 3.4  –  Plano (polígono) e sólido (poliedro), respectivamente, localizados no espaço


tridimensional. Fonte: Elaborada pela autora.

3.1.2  Construção de Retas Paralelas e de Retas Perpendiculares


entre si

3.1.2.1  Utilizando a régua paralela (ou a régua “T”) e o jogo de esquadros

Para se representar segmentos de reta horizontais e paralelos entre si em uma


determinada superfície, utilizando a régua paralela (ou a régua “T”), basta:
a) desenhar o primeiro segmento movimentando a lapiseira da esquerda
para a direita sobre o papel, no caso de destros; para canhotos a movimentação
é da direita para a esquerda;
b) mover a régua para baixo a uma distância qualquer – a qual pode ser
determinada pelo escalímetro a partir do escoramento deste em um dos esqua-
dros e deste na própria régua;
c) e, posteriormente, desenhar o segundo segmento de reta da mesma
forma que se utilizou para desenhar o primeiro.

126 • capítulo 3
Se o objetivo é produzir vários segmentos de reta horizontais e paralelos en-
tre si, pode-se repetir o procedimento descrito anteriormente, quantas vezes
forem necessárias.

É errado empurrar
o traço voltando
para a esquerda

Certo:
Puxar o traço!

Traça-se as horizontais
de cima para baixo.

Repare que a lapiseira está levemente inclinada na direção da “puxada” do traço.


Sempre se “puxa” o traço; nunca se empurra!
Começa-se primeiro pelas retas de cima; depois as seguintes, deslizando a régua
paralela para baixo. Nunca se usa a parte inferior da régua paralela para traçar.
Os canhotos devem fazer tudo espelhado.

Figura 3.5  –  Como traçar linhas horizontais e paralelas entre si, embasadas na régua “T”ou
na régua paralela. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 166.

Já para se representar segmentos de reta verticais e paralelos entre si em


uma determinada superfície, utilizando a régua paralela (ou a régua “T”) e um
dos esquadros, basta:
a) apoiar o esquadro na régua;
b) desenhar o primeiro segmento movimentando a lapiseira de baixo
para cima;
c) mover o esquadro da esquerda para a direita no caso de destros a uma
distância qualquer – a qual pode ser determinada pelo escalímetro a partir do
escoramento deste na própria régua. Para canhotos a movimentação do esqua-
dro se faz da direita para a esquerda;
d) e, posteriormente, desenhar o segundo segmento de reta da mesma
forma que se utilizou para desenhar o primeiro.

capítulo 3 • 127
Se o objetivo é produzir vários segmentos de reta verticais e paralelos entre
si, pode-se repetir o procedimento descrito anteriormente, quantas vezes fo-
rem necessárias.

Certo! Vem deslizando


o esquadro para a direita.

Certo:
Puxar o traço!

Para traços verticais, utilizamos o esquadro apoiado na régua paralela.


Apoia-se a mão esquerda na sua base; a mão direita passa por cima do esquadro e
desenha-se “puxando” o traço de baixo para cima (nunca o contrário).
Começa-se traçando as verticais da esquerda e vem traçando as outras, deslizando
o esquadro para a direita. Os canhotos devem fazer tudo espelhado.

Figura 3.6  –  Como traçar linhas verticais e paralelas entre si, embasadas no esquadro que,
por sua vez, estará embasado na régua “T” ou na régua paralela. Fonte: TAMASHIRO, 2010,
p. 166.

Observe que estes traços verticais e paralelos entre si serão, também, per-
pendiculares àqueles anteriormente desenhados, ou seja, em relação aos tra-
ços horizontais e paralelos entre si descritos no primeiro exemplo.

3.1.2.2  Utilizando apenas o jogo de esquadros

Entretanto, em algumas situações o projetista fica impedido de usar a régua


paralela ou a régua “T”, por exemplo, devido ao fato de não possuir uma mesa
de trabalho adequada a sua alocação, tal como uma mesa arredondada. Nesses
casos, é fundamental se utilizarem os dois esquadros constituintes de um jogo
para se conseguir representar tanto as retas paralelas entre si, como as perpen-
diculares entre si.

128 • capítulo 3
Retas paralelas entre si
Para o primeiro caso, ou seja, construção de retas paralelas entre si usando
o jogo de esquadros:
a) primeiramente posicionaremos um dos esquadros com a hipotenusa
(maior lado) voltado para cima – o de 45°|45°|90°, por exemplo.
b) Depois, aloca-se o segundo esquadro (o de 30°|60°|90°, por exemplo)
com a hipotenusa alinhada a um dos catetos do primeiro esquadro. O ideal
para destros é que o segundo instrumento sirva de base para o primeiro pelo
lado esquerdo. O contrário é adequado para os canhotos.
c) Após essa situação, basta traçar o primeiro segmento de reta;
d) mover o primeiro esquadro de cima para baixo e/ou da esquerda para
a direita (no caso de destros; sendo o contrário verdadeiro para canhotos) sem
que o segundo esquadro seja movimentado – este deve permanecer fixo em sua
posição inicial ao longo de todo o processo, pela mão esquerda em caso de des-
tros, e pela mão direita em caso de canhotos;
e) e desenhar os demais segmentos a uma distância qualquer.

Figura 3.7  –  Construção de retas paralelas entre si pelo uso de esquadros. Fonte: Elabora-
da pela autora.

Retas perpendiculares entre si


Para o segundo caso, ou seja, construção de retas perpendiculares entre si
usando o jogo de esquadros:
a) primeiramente posicionaremos um dos esquadros com a hipotenusa
(maior lado) voltado para cima – o de 45°|45°|90°, por exemplo.
b) Depois, aloca-se o segundo esquadro (o de 30°|60°|90°, por exemplo)
com a hipotenusa alinhada ao cateto do primeiro esquadro. O ideal para des-
tros é que o segundo instrumento sirva de base para o primeiro pela lado es-
querdo. O contrário é adequado para os canhotos.
c) Após essa situação, basta traçar o primeiro segmento de reta;

capítulo 3 • 129
d) girar o primeiro esquadro até que o segundo cateto esteja alinhado à
hipotenusa do segundo esquadro, sem que este esquadro se movimente – ele
deve permanecer fixo em sua posição inicial ao longo de todo o processo, pela
mão esquerda em caso de destros, e pela mão direita em caso de canhotos;
e) e desenhar o segundo segmento de reta perpendicular ao anteriormen-
te representado a partir do novo posicionamento de sua hipotenusa.

Figura 3.8  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de esquadros. Fonte:
Elaborada pela autora.

Uma outra possibilidade é:


a) primeiramente posicionar um dos esquadros com a hipotenusa (maior
lado) voltado para cima – o de 45°|45°|90°, por exemplo.
b) Depois, alocar o segundo esquadro (o de 30°|60°|90°, por exemplo)
com a hipotenusa alinhada à hipotenusa do primeiro esquadro.
c) Após essa situação, basta traçar o primeiro segmento de reta horizontal
a partir do maior cateto do esquadro de 30°|60°|90°.
d) E então, deslize este mesmo esquadro para um dos lados (da esquerda
para a direita, por exemplo).
e) Por fim, desenhe os segmentos de reta verticais subsequentes que se-
rão paralelos entre si e perpendiculares em relação ao segmento de reta hori-
zontal desenhado no início do processo.

130 • capítulo 3
Figura 3.9  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de esquadros – outra
possibilidade. Fonte: Elaborada pela autora.

É importante perceber que, para desenhos de arquitetura, a construção es-


pacial se dá pelo conjunto de traços paralelos, perpendiculares, diagonais, etc.,
mas que mantém uma relação (seja esta de afirmação ou de negação) da ortoga-
nalidade entre si e que, portanto, não podem estar desenhados isentos de tais
condições – salvo em casos raros como a concepção inicial de um projeto, dada
por croquis que apenas apresentam uma abordagem preliminar do partido;
ou até mesmo exemplos de obras que derivam de experimentações projetuais
distintas e vinculadas, por exemplo, à parametrização executada por softwares
BIM (Building Information Modeling).
Em todo caso, a grande maioria dos projetos de arquitetura ainda são con-
dicionados por representações alicerçadas em princípios básicos da geometria
plana e descritiva. Assim sendo, tais desenhos técnicos devem, obrigatoria-
mente, ser executados pelo uso de instrumentos que permitam a construção
espacial baseada no paralelismo e no perpendicularismo entre traços.

3.1.2.3  Utilizando o compasso

Retas perpendiculares entre si


Podemos obter retas perpendiculares entre si, também, utilizando o compasso
e, para tanto, devemos nos ater às condições oferecidas pelo exercício com o
qual trabalharemos para identificarmos o melhor método de execução destes
traços. Exemplificaremos cada caso a seguir.

capítulo 3 • 131
1º Caso
Em um primeiro caso deseja-se construir uma reta s, perpendicular à reta r
existente, passando pelo ponto A que pertence à reta r.

°
90
B A C r

Figura 3.10  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso –


Caso 1. Fonte: Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa;
b) com a ponta seca do compasso no ponto A, gerar um arco que cruza a
reta r em dois pontos denominados de B e C;
c) abrir o compasso em uma medida maior que a anterior, mantendo
-a fixa;
d) com a ponta seca do compasso em B, gerar um arco;
e) da mesma maneira, com a ponta seca do compasso em C, gerar ou-
tro arco;
f) observe que estes dois últimos arcos gerados se cruzam em um ponto D
que não pertence à reta r;
g) ao ligar o ponto A ao ponto D com uma reta vertical, obtém-se a reta s
perpendicular à reta r e que passa, obrigatoriamente, pelo ponto A.

132 • capítulo 3
2º Caso
Em um segundo caso deseja-se construir uma reta n, perpendicular à reta m
existente, passando pelo ponto E que não pertence à reta m.

90
°
F G m

Figura 3.11  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso –


Caso 2. Fonte: Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa até o
final de todo o processo;
b) com a ponta seca do compasso no ponto E, gerar um arco (uma semi-
circunferência) que terá duas intersecções com a reta m: os pontos F e G;
c) com a ponta seca do compasso sobre F, gerar um segundo arco;
d) da mesma maneira, com a ponta seca do compasso em G, gerar um ter-
ceiro arco;
e) observe que estes dois últimos arcos se cruzam em um único ponto, de-
nominado de H, o qual não pertence à reta m;
f) ao ligar o ponto E ao ponto H com uma reta vertical, obtém-se a reta n
perpendicular à reta m e que passa, obrigatoriamente, pelo ponto E.

capítulo 3 • 133
3º Caso
Em um terceiro caso deseja-se construir uma reta m, perpendicular ao seg-
mento de reta IJ existente, entretanto esta mesma reta m é a mediatriz desse
segmento, isto é, o divide exatamente em duas partes iguais.

°
90
I J m
2 2

Figura 3.12  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso –


Caso 3: mediatriz de um segmento de reta. Fonte: Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa até o
final de todo o processo;
b) com a ponta seca do compasso no ponto I, gerar um arco (uma semi-
circunferência) que cruza o segmento de reta IJ em um único ponto;
c) da mesma forma, com a ponta seca do compasso em J, gerar um arco
(uma semi-circunferência) que cruza o segmento de reta IJ em outro ponto;
d) observe que ambos os arcos desenhados se cruzam em dois outros pon-
tos, chamados de K e L, e que não pertencem ao segmento de reta IJ;
e) ao ligar o ponto K ao ponto L com uma reta vertical, obtém-se a reta m
perpendicular ao segmento de reta IJ e que é a mediatriz de tal segmento de
reta, isto é, subdivide-o em duas partes iguais.

134 • capítulo 3
4º Caso – Possibilidade I
Em um quarto caso deseja-se construir uma reta t, perpendicular ao seg-
mento de reta MN existente, sendo que esta mesma reta t passará, obrigatoria-
mente, por uma das extremidades (limites) do segmento de reta citado.
t

Q P

90
°
N

Figura 3.13  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso –


Caso 4-Possibilidade I: passando pelo ponto inicial (ou final) de um segmento de reta. Fonte:
Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa até o
final de todo o processo;
b) eleger qual das extremidades do segmento de reta MN será o ponto pelo
qual passará a reta t, ou seja, escolher entre os pontos M ou N;
c) sendo o ponto M o escolhido, insere-se a ponta seca do compasso neste
ponto a fim de gerar um arco (uma semi-circunferência) que cruza o segmento
de reta MN em um ponto específico, denominado de O;
d) com a ponta seca do compasso sobre o ponto O, gerar um pequeno arco
que cruza o arco anterior conformando o ponto P;
e) na sequência, com a ponta seca do compasso sobre o ponto P, gerar um
pequeno arco que cruza o arco maior conformando o ponto Q;

capítulo 3 • 135
f) voltar a ponta seca do compasso no ponto P e gerar um pequeno arco
que não cruza nenhum dos anteriores;
g) e, depois, com a ponta seca do compasso no ponto Q, gerar um peque-
no arco que cruza o anterior;
h) observe que estes dois últimos arcos se cruzam em um ponto, chamado
de R, que não pertencem ao segmento de reta MN;
i) ao ligar o ponto M ao ponto R com uma reta vertical, obtém-se a reta
t perpendicular ao segmento de reta MN e que passa, obrigatoriamente, pelo
ponto M que, por sua vez, é um dos limites do segmento de reta MN.

Contudo, existem mais dois modos possíveis de se executar o quarto caso.


Ambos serão enunciados a seguir.

4º Caso – Possibilidade II
Nesse caso, após eleger qual ponto limite do segmento de reta MN utilizar
para gerar a reta t, perpendicular ao segmento de reta MN, deve-se:
a) desenhar um ponto O próximo a um dos limites do segmento de reta,
ou seja, próximo ao ponto M, por exemplo;
b) com a ponta seca do compasso no ponto O, abrir o equipamento até
que a ponta de grafite atinja o ponto M;
c) traçar uma circunferência de centro em O e raio igual a medida do seg-
mento de reta OM;
d) observe que esta circunferência gerará um ponto P na intersecção com
o segmento de reta MN;
e) ligue os pontos P e O com uma reta inclinada que cruza a circunferência
de raio OM em um segundo ponto denominado de Q;
f) ao ligar o ponto M ao ponto Q com uma reta vertical, obtém-se a reta
t perpendicular ao segmento de reta MN e que passa, obrigatoriamente, pelo
ponto M que é, por sua vez, um dos limites do segmento de reta MN.

136 • capítulo 3
t

Q
O
°
90 P
M N
raio = OM

Figura 3.14  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso –


Caso 4-Possibilidade II: passando pelo ponto inicial (ou final) de um segmento de reta. Fonte:
Elaborada pela autora.

4º Caso – Possibilidade III


Por fim, para obter-se a mesma reta t, perpendicular ao segmento de reta
MN existente, sendo que esta reta t passará, obrigatoriamente, pelo ponto ini-
cial (ou final) do segmento de reta citado, pode-se:
a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa;
b) com a ponta seca do compasso no ponto M, gerar um arco que cruza o
segmento de reta MN em um ponto denominado de O;
c) com a ponta seca do compasso no ponto N, gerar um arco que cruza o
segmento de reta MN em um segundo ponto denominado de P;
d) abrir o compasso em uma medida maior que a anterior, mantendo-a
fixa até o final do procedimento;
e) com a ponta seca do compasso em O, gerar um arco que não cruza o
segmento de reta MN;

capítulo 3 • 137
f) da mesma maneira, com a ponta seca do compasso em P, gerar um se-
gundo arco que não cruza o segmento de reta MN;
g) observe que tais arcos se cruzam em um ponto Q, o qual não pertence
ao segmento de reta MN;
h) ao ligar o ponto M ao ponto Q com uma reta vertical, obtém-se a reta
t perpendicular ao segmento de reta MN e que passa, obrigatoriamente, pelo
ponto M; conforme solicitado inicialmente.

Q
90
°

O M P N

Figura 3.15  –  Construção de retas perpendiculares entre si pelo uso de compasso – Caso
4-Possibilidade III: passando pelo ponto inicial (ou final) de um segmento de reta. Fonte:
Elaborada pela autora.

Por todo o exposto, observa-se que há amplo conjunto de possibilidades de


se elaborar traços perpendiculares entre si e que serão a base constituinte de
desenhos técnicos de arquitetura. Assim, seja pelo uso de régua paralela, régua
“T”, jogo de esquadros ou compasso, basta nos atentarmos às necessidades
peculiares de cada situação ou exercício proposto para que consigamos uma
solução passível de aplicação dentre os métodos enunciados.

Retas paralelas entre si


Assim como nos casos narrados anteriormente, relativos à execução de re-
tas perpendiculares entre si com o manuseio de compasso, podemos obter re-
tas paralelas entre si a partir do uso deste equipamento. Para tanto, devemos

138 • capítulo 3
nos ater às condições oferecidas pelo exercício com o qual trabalharemos para
identificar o melhor método de execução destes traços. Exemplificaremos cada
caso a seguir.

1º Caso
Em um primeiro caso deseja-se construir uma reta s, paralela à reta r exis-
tente, passando pelo ponto A que não pertence à reta r e que está localizado a
uma distância desconhecida (qualquer) em relação à reta r.

s D A

r B C

Figura 3.16  –  Construção de retas paralelas entre si pelo uso de compasso – Caso 1. Fon-
te: Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) abrir o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa;
b) com a ponta seca do compasso no ponto A, gerar um arco que cruza a
reta r em um ponto, o qual denominaremos de B;
c) com a ponta seca do compasso em B e mantendo a mesma abertura
inicial do compasso, gerar um arco que passará sobre o ponto A e gerará um
segundo ponto na intersecção com a reta r, o qual chamaremos de C;
d) com a ponta seca do compasso em C, abrir o equipamento até que sua
mina de grafite encontre o ponto A – realize um pequeno arco para demarcar a
medida do segmento CA;
e) transporte tal medida para o ponto B, a fim de gerar um ponto D que
não pertence à reta r – para tanto, basta manter o equipamento aberto na medi-
da aferida entre CA, sobrepor a ponta seca do compasso no ponto B e gerar um
pequeno arco que cruza o primeiro arco gerado nesse processo no ponto que
denominaremos de D;
f) ao ligar o ponto D ao ponto A com uma reta horizontal, obtém-se a reta
s paralela à reta r e que passa, obrigatoriamente, pelo ponto A.

capítulo 3 • 139
2º Caso
Em um segundo caso deseja-se construir uma reta o, paralela à reta m exis-
tente, passando pelo ponto E que não pertence à reta m e que está localizado
a uma distância conhecida (5 centímetros, por exemplo) em relação à reta m.

n
J

I L o

K
5 cm

m
F E G

Figura 3.17  –  Construção de retas paralelas entre si pelo uso de compasso – Caso 2.
Fonte: Elaborada pela autora.

Desta forma, o ideal é:


a) inicialmente, deve-se construir uma reta n, perpendicular à reta m, e
que passa pelo ponto E;
b) para tanto, usaremos o 1º caso de construção de retas perpendiculares
dado a sua fácil execução;
c) após a construção da reta n, pode-se medir com o escalímetro, a partir
do ponto E e alinhado à reta n, a distância solicitada, ou seja, 5 centímetros;
d) gera-se, então, o ponto I e o segmento de reta EI que pertence à reta n e
cuja medida é igual a 5 centímetros;
e) pelo mesmo procedimento anterior, isto é, utilizando o 1º caso de cons-
trução de retas perpendiculares, obtém-se a reta o que é perpendicular à reta n
e que também é paralela à reta m, além de estar a uma distância de 5 metros
desta; conforme solicitado.

Por todo o exposto, observa-se que há amplo conjunto de possibilidades de


se elaborar traços paralelos entre si e que serão a base constituinte de desenhos
técnicos de arquitetura. Assim, seja pelo uso de régua paralela, régua “T”, jogo

140 • capítulo 3
de esquadros ou compasso, basta nos atentarmos às necessidades peculiares
de cada situação ou exercício proposto para que consigamos uma solução pas-
sível de aplicação dentre os métodos enunciados.

3.1.3  Construção de ângulos

3.1.3.1  Utilizando a régua paralela (ou a régua “T”) e o jogo de esquadros


É preciso relembrar, conforme descrito no item 1.1.4. Esquadros do capítulo 1
do presente livro, que pelo manuseio adequado do jogo de esquadros apoiado
sobre a régua paralela (ou régua “T”) consegue-se obter retas diagonais confec-
cionadas a partir de alguns ângulos conhecidos, tais como os de 15°, 30°, 45°,
60°, 75°, 90°, 105°, 120°, 135°, 150° e 165°.
Desta forma, basta perceber que o arranjo correto do alinhamento entre régua
paralela (ou régua “T”), esquadro maior (de 30°, 60° e 90°) e esquadro menor (de
45°, 45° e 90°) permite sua execução sem a necessidade de uso do transferidor.
Nos casos dos ângulos obtusos (maiores do que 90°) – 105°, 120°, 135°, 150°
e 165° – basta lembrarmos que eles são, respectivamente, o espelhamento ne-
gativo dos seguintes ângulos agudos (menores do que 90°): 75°, 60°, 45°, 30° e
15°. Então, conseguiremos desenhá-los utilizando o arranjo adequado e espe-
lhado entre régua e esquadros, assim como demonstra a ilustração editada de
Tamashiro (2010, p.159):
90° Vertical
–75°

75°
–6

°
60

°
45
–4

(ou 1

(ou

05°)

–3 (o °
12

0° u
13 30 A régua paralela é usada para
0°)


(ou
15
) traçar retas horizontais. Também
–15° 0°) é utilizada como guia para os
15°
(ou 1
65°) esquadros de 45° e 60°, o que
Horizontal 0° permite traçar retas verticais e
inclinadas. Além disso, utilizando
a régua paralela como base, e
combinando os esquadros, pode
se obter ângulos de 15°, 30°,
45°, 60°, 75° e 90°.

Figura 3.18  –  Como traçar linhas diagonais que formam ângulos conhecidos em relação a
uma linha horizontal, utilizando o jogo de esquadros e a régua “T” ou a régua paralela. Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p. 159 (imagem editada pela autora).

capítulo 3 • 141
3.1.3.2  Utilizando o compasso

Assim como no caso de elaboração de retas paralelas e perpendiculares entre


si, podemos construir ângulos notáveis, também, a partir do uso e manuseio
adequado do compasso. Na sequência, portanto, elucidaremos como as angu-
lações apresentadas no subitem anterior podem ser elaboradas através des-
te instrumental.

Ângulos de 90° e de 45°


Para se construir um ângulo de 90°, basta utilizarmos um dos métodos
aprendidos anteriormente sobre elaboração de retas perpendiculares entre si.
Foi escolhido o primeiro caso, devido a sua simplicidade de execução, confor-
me relembra a ilustração a seguir:

s
D
°
90

B A C r

Figura 3.19  –  Construção de retas perpendiculares entre si, para obtenção de ângulo de
90°. Fonte: Elaborada pela autora.

Após a construção do ângulo de 90°, gera-se a bissetriz deste para obterem-se


dois ângulos de 45°. Na ilustração a seguir, observa-se que a bissetriz de qualquer
ângulo será elaborada através do uso do compasso e do seguinte passo a passo:
a) abre-se o compasso em uma medida qualquer que permanecerá fixa ao
longo de todo o processo;
b) com a ponta seca do instrumento sobre o ponto A, traça-se um arco que
gerará uma intersecção na reta r, denominada de ponto E, e outra intersecção
na reta s, chamada de ponto F;

142 • capítulo 3
c) com a ponta seca no ponto E, elabora-se um segundo arco que não cru-
za nenhuma das retas existentes (r e s);
d) repete-se o procedimento anterior, a partir do ponto F;
e) observa-se que estes dois últimos arcos cruzam em uma intersecção de-
nominada de ponto G;
f) ao desenhar uma reta que passa pelos pontos A e G, gera-se a bissetriz
do ângulo – no caso, de 90° – obtendo-se por fim dois ângulos de 45°.

90 o
de z d
s

°
lo tri
gu ise
D

ân b
F G
45
°
°
90

45°

B A C E r

Figura 3.20  –  Construção de retas perpendiculares entre si para obtenção de ângulo de 90°
e, posteriormente, da bissetriz deste para obter ângulos de 45°. Fonte: Elaborada pela autora.

Ângulos de 60°, de 120° e de 180°


Para se construir um ângulo de 60°, deve-se desenhar:
a) primeiramente, uma linha horizontal e salientar desta um determina-
do ponto, por exemplo, M.
b) Posteriormente, abre-se o compasso em uma medida qualquer, a qual
se manterá fixa durante todo o processo de construção do ângulo.
c) Com a ponta seca do equipamento sobre o ponto M, gera-se um arco
que cortará a reta horizontal em um ponto que denomina-se de N.
d) Com a ponta seca em N, gera-se um segundo arco que cortará o primei-
ro arco em um ponto O.
e) Ligando-se o ponto M ao ponto O, obteremos o segmento de reta MO
que formará um ângulo de 60° em relação à reta t.

capítulo 3 • 143
O

60
°
M N t

Figura 3.21  –  Construção de ângulo de 60°, usando o compasso. Fonte: Elaborada pela autora.

Na sequência, para se construir um ângulo de 120°, basta efetuar o mesmo


procedimento a partir do ponto O:
a) Com a ponta seca do compasso sobre o ponto O, gera-se um terceiro
arco que cortará o primeiro em um ponto P.
b) Ligando-se o ponto M ao ponto P, obteremos o segmento de reta MP
que formará um ângulo de 120° em relação à reta t.

O
P
12

M N t

Figura 3.22  –  Construção de ângulo de 120°, usando o compasso. Fonte: Elaborada pela autora.

Por fim, para se construir um ângulo de 180°, basta efetuar-se o mesmo pro-
cedimento a partir do ponto P:
a) com a ponta seca do compasso sobre o ponto P, gera-se um quarto arco
que cortará o primeiro em um ponto Q.
b) Ligando-se o ponto M ao ponto Q, obteremos o segmento de reta MQ
que formará um ângulo de 180° em relação à reta t.

O
P
180°

Q M N t

Figura 3.23  –  Construção de ângulo de 180°, usando o compasso. Fonte: Elaborada


pela autora.

144 • capítulo 3
Ângulos de 30°, de 90° e de 150°
Após a construção dos ângulos de 60°, 120° e 180°, pode-se obter os ângulos
de 30°, 90° e 150° através da elaboração de cada uma das suas respectivas bisse-
trizes, as quais estão representadas pela ilustração a seguir:
S

T 150° O R
P

90
°
30°
Q M N t

Figura 3.24  –  Construção dos ângulos de 30°, 90° e 150° usando o compasso, através do de-
senho sequencial de bissetrizes dos ângulos de 60°, 120° e 180°. Fonte: Elaborada pela autora.

Ângulos de 15°, de 45°, de 75°, de 105°, de 135° e de 165°


Pelo mesmo procedimento sequencial enunciado anteriormente, pode-se
obter os ângulos notáveis de 15°, 45°, 75°, 105°, 135° e de 165°, conforme mos-
tra a figura a seguir:
C’ S C’

D’ 165° A’
135
T V O
°
R
P 10

E’ Z U Z
75 45°
°
15°

Q M N t

Figura 3.25  –  Construção dos ângulos de 15°, 45°, 75°, 105°, 135° e 165° usando o com-
passo, através do desenho sequencial de bissetrizes. Fonte: Elaborada pela autora.

3.1.4  Divisão de um segmento em partes iguais

Outro recurso da geometria plana muito utilizado na elaboração de desenhos


técnicos de arquitetura é a divisão de um dado segmento em partes iguais.
Um exemplo prático é a divisão de uma determinada altura em tamanhos
iguais para alocar degraus de mesma dimensão (altura) que configurarão uma
circulação vertical, isto é, uma escada. Assim, ao invés de medir-se a dimensão

capítulo 3 • 145
vertical degrau por degrau – o que pode configurar em erro nos desenhos em corte
e vista – divide-se o segmento de reta que corresponde à altura do vão vertical a ser
“vencido” pela escada em partes iguais, conforme ilustra a representação a seguir:
2,80 B C
16 S
Divisão de 2,80 metros lineares (altura)
em 16 partes iguais de 0,175 (17, 5 cm) cada

15

m ( artes nado
mm iguais
14

a
cad
cli

(10 tes igu do


13

de 0 em 16 reta in

) ca is
da
na
a
de 1 m 16 p ta incli
12

p
10
m) to de

mm
ar
re
11

,5 c
n
r de egme

cm) nto de
10

cm
8c
s

e
e
a au o de

r de segm
9

xilia
(linh Divisã

16
e
8

a au ão d
(linh Divis
xilia
7
8

6
5 16
4
3
2
0,00
1
0,50

A r
0,50

1
1

Figura 3.26  –  Divisão de segmentos em partes iguais entre si. Fonte: Elaborada pela autora.

Para tanto, é necessário que sejam indicados os limites do segmento que


deseja-se dividir, por exemplo, os ponto A e B da imagem anteriormente apre-
sentada. Depois, faz-se importante determinar em quantas partes iguais tal
segmento será subdividido, no caso, 16. Como a medida representada pelo seg-
mento vertical AB (2,80 m), ao ser subdividida em 16 partes iguais configura
um número decimal (0,175 m), utiliza-se uma linha auxiliar, inclinada, que ini-
cia no ponto A e termina em um ponto C que também pertence à reta s (assim
como o ponto B), e isso facilitará realizar a subdivisão desejada.
No entanto, é imprescindível que esta linha auxiliar, nesse caso, tenha
16 unidades de medida – ou possua como dimensão um divisor ou múltiplo
de 16, tais como os números 8, 16, 32, 48, 64 etc. Desta forma, caso esta linha
auxiliar possua 8 unidades de medida, basta abrir o compasso na dimensão

146 • capítulo 3
0,5 unidades de medida e com a ponta seca do equipamento no ponto A, traçar
um primeiro arco que gere uma intersecção com a linha auxiliar.
Repetindo este procedimento 16 vezes, e lembrando de sempre inserir a
ponta seca do instrumento na intersecção que acabou de ser elaborada, serão
obtidos os pontos necessários que vinculados através de linhas horizontais (de-
senhadas com base na régua paralela ou “T”), auxiliarão a dividir o segmen-
to de reta vertical AB em 16 partes iguais e, portanto,que medirão 0,175 m (ou
17,5 cm) cada.
Um exemplo de utilização deste procedimento de divisão de segmento de
reta em partes iguais, desenvolvido por Tamashiro (2010, p.192), é apresentado
na sequência para melhor elucidação de sua necessidade recorrente em dese-
nhos de arquitetura, sobretudo para elaboração de cortes ou vistas de circula-
ções verticais – tais como escadas lineares, helicoidais ou mistas (compostas
por lances retilíneos e circulares).
Piso de ligação
Escada “caracol”ou helicoidal com o pavimento

4 4
3 3
5 5
16 15 2 16 15 2
6 14 6 14
13 1 13 1
7 7
12 12
8 8
11 11
9 9
10 10

16
15
16

14
13
12
Viga em vista 11
10
9
10

8
7
6
5
4
5

3
2
1
0

Figura 3.27  –  Divisão de segmento em partes iguais entre si – exemplo de uma escada
helicoidal. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.192.

capítulo 3 • 147
Coincidentemente, o autor usou o mesmo número de partes iguais que no
nosso exemplo para subdividir o vão vertical a ser “vencido” pela escada helicoi-
dal representada: 16. Entretanto, é válido ressaltar que o procedimento ensina-
do será passível de execução com toda e qualquer numeração inteira.

3.1.5  Figuras geométricas bidimensionais – polígonos

Até este momento, falou-se sobre elementos adimensionais (pontos), unidi-


mensionais (retas e segmentos de retas) e das angulações passíveis de serem
construídas através da relação de duas ou mais retas. Tais elementos nos auxi-
liam na construção dos desenhos de arquitetura e para darmos continuidade
ao nosso estudo, devemos definir o conceito de polígono.
Logo no início do capítulo, definiu-se que um conjunto de pontos colinea-
res compõem uma reta (ou um segmento de reta) e caso estes pontos estejam
desalinhados, podem ser unidos por diferentes segmentos de retas que se cru-
zam conformando planos bidimensionais, constituídos de comprimento e lar-
gura, os quais denominamos de polígonos.
Assim, diz-se que polígonos são figuras geométricas planas, conforma-
das por segmentos de retas que se unem pelas suas próprias extremidades,
contornando uma região ou área. O conjunto de segmento de retas pode ser
denominado, também, de poligonal. Essas figuras geométricas possuem,
grosso modo, os seguintes elementos: vértices, arestas, diagonais e ângu-
los internos.
Vértice
a

Ar

Ângulo
st

es
e

interno
Ar

ta

Ângulo
Diagonal interno
Vértice Vértice
Ângulo
Diagonal

interno
Ângulo
Ar

interno
st
e

e
st

Ar
a

Vértice

Figura 3.28  –  Elementos constituintes de um polígono: vértices, arestas, diagonais e ângu-


los internos. Fonte: Elaborada pela autora.

148 • capítulo 3
A classificação comumente usada para identificarmos os vários polígonos
existentes é aquela em que se aferem o seu número de lados (ou arestas) de tais
figuras. Desta forma, podemos verificar na tabela a seguir disposta o número
de lados e a respectiva nomenclatura dos polígonos mais conhecidos:

NÚMERO DE ARESTAS NOMENCLATURA DOS POLÍGONOS


3 Triângulo
4 Quadrilátero
5 Pentágono
6 Hexágono
7 Heptágono
8 Octógono
9 Eneágono
10 Decágono
11 Undecágono
12 Dodecágono
15 Pentadecágono
20 Icoságono

Figura 3.29  –  Número de arestas e nomenclatura dos polígonos. Fonte: Elaborada


pela autora.

Particularmente para a arquitetura, algumas destas figuras podem ser clas-


sificadas, grosso modo, como notáveis – dado o grau elevado de sua utilidade
para a maioria dos projetos efetuados pelos profissionais da área. Assim sendo,
destacaremos características importantes de alguns deles de modo que seja
possível facilitar sua utilização durante os processos de projetos com os quais
nos depararemos tanto ao longo da graduação como na vida profissional. A sa-
ber, serão destacadas as características e principais propriedades relativas aos:
triângulos, quadriláteros e círculos.

Triângulos
Os triângulos são polígonos formados pelo cruzamento sequencial de 3
segmentos de reta, extremidade a extremidade. Sua nomenclatura, como dito
anteriormente, corresponde ao fato de ser conformado, então, por 3 lados ou
arestas. Analogamente, possuem também 3 vértices e 3 ângulos internos.

capítulo 3 • 149
Conforme o tamanho de seus lados e o valor de seus ângulos internos, tais
figuras geométricas podem ser classificadas em: triângulo equilátero, isósceles
ou escaleno; e triângulo retângulo, acutângulo ou obtusângulo. Lembre-se que
a soma dos ângulos internos de um triângulo sempre será igual a 180°.


60° n°
b b
a a e f

60° 60° m° o°
x° x°
a d
c

Equilátero: Isósceles: Escaleno:


3 arestas iguais; 2 arestas iguais, 1 diferen- 3 arestas diferentes;
3 ângulos internos te (denominada de base); 3 ângulos internos diferentes.
iguais a 60°. 2 ângulos internos iguais
(alinhados à base), 1 ângu-
lo interno diferente.

Figura 3.30  –  Classificação de triângulos pela dimensão de suas arestas. Fonte: Elaborada
pela autora.

<90° <90° <90°

g l k l n o

<90° <90° <90° <90° <90° <90°


h j m

Retângulo: Acutângulo: Obtusângulo:


1 Ângulo interno 3 Ângulos internos 1 Ângulo interno maior do que 90°,
igual a 90°. menores do que 90°, isto é, obtuso.
isto é, agudos.

Figura 3.31  –  Classificação de triângulos pelo valor de seus ângulos internos. Fonte: Ela-
borada pela autora.

Vale lembrar, também, que a soma dos valores de todos os lados de um


triângulo compõe o valor atribuído ao seu perímetro. Assim, em cada caso

150 • capítulo 3
apresentado pelas ilustrações 3.30 e 3.31, tem-se que os perímetros dos triân-
gulos equilátero, isósceles, escaleno, retângulo, acutângulo e obtusângulo são,
respectivamente, iguais a:
•  Ptriangulo equilátero = a + a + a = 3 · a
•  Ptriangulo issóceles = b + b + c = (2 · b) + c
•  Ptriangulo escaleno = d + e + f
•  Ptriangulo retângulo = g + h + i
•  Ptriangulo acutângulo = j + k + l
•  Ptriangulo obtusângulo = m + n + o

Por fim, é importante salientar o cálculo da área de todo e qualquer triângu-


lo, que ocorre através da seguinte relação matemática:
B⋅H
Área do triângulo = , sendo B o valor de sua base (uma de suas arestas)
2
e H o valor de sua altura.

H H
H
90° 90°
B 90° B
B

Equilátero Isósceles Escaleno

Figura 3.32  –  Área dos triângulos equilátero, isósceles e escaleno. Fonte: Elaborada
pela autora.

90°

H H H

90° 90° 90°


B B B

Retângulo Acutângulo Obtusângulo

Figura 3.33  –  Área dos triângulos retângulo, acutângulo e obtusângulo. Fonte: Elaborada
pela autora.

capítulo 3 • 151
Quadriláteros
Os quadriláteros são polígonos formados pelo cruzamento sequencial de 4
segmentos de reta, extremidade a extremidade. Sua nomenclatura, como dito
anteriormente, corresponde ao fato de ser conformado, então, por 4 lados ou
arestas. Analogamente, possuem também 4 vértices e 4 ângulos internos, mas
apenas 2 diagonais.

B Vértices: A, B, C, D
Lados ou arestas: AB, BC, CD, DA
Diagonais: AC, BD
C
A C
 Ângulos Internos: A, B, C, D;
sendo que a soma de tais ângulos é
igual a 360°.
D

Figura 3.34  –  Quadriláteros e seus elementos constituintes. Fonte: Elaborada pela autora.

Conforme o posicionamento de seus lados e o valor de seus ângulos inter-


nos, tais figuras geométricas podem ser classificadas em: paralelogramos, tra-
pézios e trapezóides.

a d h

 I
B F E
b b e f j
i J
B
 C D
G H
a c
g

Parelogramo: Trapézio: Trapezóide:


As 4 arestas são paralelas 2 de suas arestas opostas As 4 de suas arestas não
entre si, sendo que tal con- são paralelas entre si e são são paralelas entre si.
dição vale para 2 arestas de conhecidas como bases
cada vez que são, obrigatoria- (base maior e base menor);
mente, opostas. 2 de suas arestas não são
paralelas entre si.
Figura 3.35  –  Classificação de quadriláteros pelo posicionamento de suas arestas. Fonte:
Elaborada pela autora.

152 • capítulo 3
Vale lembrar, também, que a soma dos valores de todos os lados de um
quadrilátero compõe o valor atribuído ao seu perímetro. Assim, em cada caso
apresentado pela ilustração 3.35, tem-se que os perímetros do paralelogramo,
trapézio e trapezóide são, respectivamente, iguais a:
•  Pparalelogramo = a + a + b + b = (2 · a) + (2 · b)
•  Ptrapézio = c + d + e + f
•  Ptriangulo escaleno = g + h + i + j

Quanto à classificações mais específicas e o cálculo de áreas de tais figuras


geométricas, tem-se que:

x z
º

º
90

90
90

90
º

º
90º
90º

90º

x x y y
90º
º

º
90

90
90

90
º

x z

L H

L B

Quadrado é um paralelogramo Retângulo é um paralelogramo que possui:


que possui: 2 lados opostos e iguais entre si;
4 lados iguais entre si; outros 2 lados opostos e iguais entre si;
2 diagonais de mesmo tamanho 2 diagonais de mesmo tamanho;
que se cruzam conformando 4 ângulos internos iguais a 90°;
ângulos de 90°; Área = Base . Altura = B · H
4 ângulos internos iguais a 90°;
Área = Lado · Lado = L · L = L2

Figura 3.36  –  Características geométicas de quadrados e retângulos. Fonte: Elaborada


pela autora.

capítulo 3 • 153
b

A B c C c

º
90
90
D

º
a a
D º
90

90
º
B A c C c

º
90

H d
º
90

B D

Paralelogramo Propriamente Dito Losângulo ou Rombo é um paralelogramo


ou Rombóide é um paralelogramo que possui:
que possui: 4 lados opostos paralelos e de mes-
2 lados opostos paralelos e de mes- mo tamanho;
mo tamanho; 2 diagonais de tamanhos diferentes que se
outros 2 lados opostos paralelos e de cruzam em ângulos iguais a 90°;
mesmo tamanho; 2 ângulos internos opostos de mesmo tama-
2 diagonais de tamanhos diferentes que nho, mas diferentes de 90°;
se cruzam em ângulos distintos de 90°; outros 2 ângulos internos opostos de mesmo
2 ângulos internos opostos de mesmo tamanho, mas diferentes de 90°;
tamanho, mas diferentes de 90°; Diagonal Maior ⋅ diagonal menor D ⋅ d
Área = =
2 2
outros 2 ângulos internos opostos de
mesmo tamanho, mas diferentes de 90°;
Área = Base · Altura = B · H

Figura 3.37  –  Características geométicas de paralelogramos propriamente ditos e losângu-


los. Fonte: Elaborada pela autora.

154 • capítulo 3
p
Trapézio Retângulo é um paralelogramo que possui:

º
M
90 2 lados opostos paralelos e de tamanhos diferentes;
m o outros 2 lados opostos não paralelos e de tamanhos diferentes;
2 diagonais de tamanhos diferentes que se cruzam em ângu-
los distintos de 90°;
90

N
º

n 2 ângulos internos de mesmo tamanho e iguais a 90°;


b outros 2 ângulos internos de tamanhos distintos e diferentes
de 90°;
º
90

Área =
H (Base Maior + Base Menor ) ⋅ Altura =
2
(B + b) ⋅ H
90
º

B 2

s Trapézio Isósceles é um paralelogramo que possui:


2 lados opostos paralelos e de tamanhos diferentes;
P P
outros 2 lados opostos não paralelos e de mesmo tamanho;
r r
2 diagonais de tamanhos iguais que se cruzam em ângulos
O O distintos de 90°;
q 2 ângulos internos de mesmo tamanho (alinhados à base maior);
b
outros 2 ângulos internos de tamanhos iguais e diferentes de 90°;
Área =
(Base Maior + Base Menor ) ⋅ Altura =
H 2
(B + b) ⋅ H
90
º

B 2

w Trapézio Escaleno é um paralelogramo que possui:


2 lados opostos paralelos e de tamanhos diferentes;
T S outros 2 lados opostos não paralelos e de tama-
t v
nhos diferentes;
Q R 2 diagonais de tamanhos diferentes que se cruzam em ângu-
u los distintos de 90°;
b 4 ângulos internos de tamanhos distintos e diferentes de 90°;
Área =

H
(Base Maior + Base Menor ) ⋅ Altura =
2
(B + b) ⋅ H
90
º

B 2
Figura 3.38  –  Características geométicas de trapézios retângulo, isósceles e escaleno.
Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 3 • 155
Circunferência | Círculo
Um conjunto de pontos pertencentes a um mesmo plano e que encontram-
se equidistantes em relação a um único ponto, denominado de centro, confor-
mam uma linha curva, plana e fechada chamada de circunferência. Toda região
deste mesmo plano interna a esta circunferência é denominada de círculo.

O O

Circunferência Círculo

Figura 3.39 – Circunferência e círculo - diferenças. Fonte: Elaborada pela autora.

Faz-se importante ressaltar alguns elementos constituintes de uma dada


circunferência, devido a sua utilização vez ou outra nos desenhos técnicos de
arquitetura, sobretudo para representação de superfícies, planos ou elementos
tridimensionais curvilíneos, tais como escadas e/ou rampas helicoidais, pare-
des ou mobiliários curvos etc.
t

A
raio

T
90º
ta
ng
en

diâmetro
te

D E
O
90
º

s corda F secante
D flecha C
G

Figura 3.40 – Circunferência e seus elementos constituintes. Fonte: Elaborada pela autora.

Raio (AO): É o segmento de reta que une o centro a qualquer ponto


da circunferência.

156 • capítulo 3
Secante (s): É a reta que seca (corta) a circunferência em dois de seus pontos,
por exemplo, nos ponto B e C do nosso desenho.
Corda (BC): É o segmento de reta que une dois pontos de uma circunferên-
cia e tem a secante (s) como reta suporte.
Diâmetro (DE): É a corda que passa pelo centro da circunferência.
Arco (DE): É uma parte qualquer da circunferência, compreendida entre
dois de seus pontos.
Flecha (FG): É o trecho do raio perpendicular a uma corda e limitado pela
mesma corda e o arco que lhe corresponde.
Tangente (t): É a reta que passa pela circunferência em um só ponto e é per-
pendicular ao raio da circunferência. O ponto T pelo qual passa a reta tangente,
pertencente à circunferência, é denominado de ponto de tangência.

Vale lembrar, também, que o valor de todo o contorno do círculo, ou seja,


o comprimento total da circunferência que o envolve é o valor atribuído ao seu
perímetro. Assim, tem-se que o perímetro da circunferência igual a:
•  Pcircunferência = 2 · π · R
Já o valor de sua área interna corresponde exatamente à área do círculo que
a circunferência conforma, isto é:
•  Acírculo = π · r2
Geralmente, nos desenhos de arquitetura é comum se utilizar retas tangen-
tes à circunferências ou mesmo concordâncias entre retas e circunferências e
entre duas ou mais circunferências para definição espacial, respectivamente,
de escadas mistas que conjungam lances lineares e curvilíneos, volumetrias,
superfícies de vedação ou paginação de pisos que agregam linhas ortogonais e
curvilíneas ou unicamente curvilíneas.
Assim, a seguir, disponibilizaremos um conjunto de “passo a passo”
que demonstrará possibilidades de se obter retas tangentes à uma dada cir-
cunferência e concordâncias entre retas e circunferências e entre uma ou
mais circunferências.

Representar uma reta tangente (t), a qual passa pelo ponto a que pertence
à circunferência:
a) elaborar uma reta qualquer, que inicie no centro da circunferência, no
caso o ponto O, e passe por um ponto pertencente a ela, ponto A;

capítulo 3 • 157
b) abrir o compasso em uma medida qualquer, sobrepor sua ponta seca
no ponto A e traçar um semi-círculo que secciona a reta desenhada no item an-
terior em dois pontos, os quais denominaremos de B e C;
c) abrir o compasso em uma medida maior do que a anterior e a partir de
B traçar um arco;
d) repetir o mesmo procedimento a partir do ponto C, com a mesma me-
dida de abertura do compasso;
e) unir os pontos D e A com uma reta t. Esta será a tangente da circunfe-
rência dada e o ponto A será denominado de ponto de tangência.

B
A
C
t
O

Figura 3.41  –  Elaboração de reta tangente a uma dada circunferência, a partir de um ponto
que pertence a tal circunferência. Fonte: Elaborada pela autora.

Representar retas tangentes (t1 e t2), as quais passam pelo ponto e que nào
pertence à circunferência:
a) elaborar um segmento de reta que inicie no centro da circunferência,
no caso o ponto O, e vá até o ponto E;
b) abrir o compasso em uma medida qualquer, sobrepor sua ponta seca
no ponto E e traçar dois arcos que não seccionam o segmento de reta OE, mas
que estão acima e abaixo dele;
c) repetir o mesmo procedimento a partir do ponto O, e com a mesma me-
dida de abertura do compasso desenhar mais dois arcos que seccionam os dois
arcos desenhados anteriormente, conformando os pontos F e G;
d) unir os pontos F e G com uma reta que secciona o segmento de reta OE
no ponto H;

158 • capítulo 3
e) abrir o compasso na medida do segmento de reta HE e traçar uma cir-
cunferância que passa por E e por O, isto é, cujo raio é a medida do segmento
HE; esta circunferência cruza a primeira em dois pontos denominados I e J;
f) unir o ponto I ao ponto E com uma reta t1 e unir o ponto J ao ponto E
com uma reta t2 – ambas serão as tangentes solicitadas.

t1
O H t2 E

Figura 3.42  –  Elaboração de retas tangentes a uma dada circunferência, a partir de um


ponto que não pertence a tal circunferência. Fonte: Elaborada pela autora.

3.1.6  Concordâncias entre retas e arcos de circunferências

Neste item será disponibilizado um conjunto de métodos distintos entre si e


que demonstrará possibilidades de se obter concordâncias entre retas e circun-
ferências e entre uma ou mais circunferências.

Concordar o segmento ab, existente, com um arco de raio R:


a) elaborar uma reta r, perpendicular ao segmento de reta AB;
b) abrir o compasso na dimensão R dada;
c) traçar, com a ponta seca do compasso no ponto A, um arco que inter-
secciona a reta r, gerando o ponto G;
d) manter a mesma abertura do compasso e com a ponta seca no ponto G,
elaborar o arco solicitado (de raio R e que concorda com o segmento de reta AB
partindo do ponto A, no caso).

capítulo 3 • 159
r

E D
G

raio R
R
io
ra

90
C
º
A B

Figura 3.43  –  Elaboração de concordância entre um segmento de reta AB e um arco de


raio R, a partir de uma das extremidades do segmento de reta dado (ponto A ou ponto B).
Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar o arco ab, existente, com um arco de raio R:


a) a partir do centro, ponto O, do arco AB, elaborar um arco de raio igual à
medida de OA+R;
b) elaborar uma reta que ligue os ponto O e A e que cruze o arco elaborado,
gerando o ponto C;
c) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto C, elaborar o arco
solicitado (de raio R e que concorda com o arco AB partindo do ponto A, no caso).

D
ra
R

C
io
io
ra

Figura 3.44  –  Elaboração de concordância entre um arco AB e um arco de raio R, a partir


de uma das extremidades do arco dado (ponto A ou ponto B). Fonte: Elaborada pela autora.

160 • capítulo 3
Concordar duas retas paralelas entre si, m e n, utilizando um arco de raio r:
a) unir as retas m e n por um segmento de reta perpendicular a elas, AB;
b) elaborar a mediatriz do segmento de reta AB;
c) marcar o ponto E na intersecção entre o segmento de reta AB e sua me-
diatriz (segmento de reta CD);
d) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto E, elaborar
o arco solicitado (observe que o valor do raio R, nesse caso, é igual a medida dos
segmentos EA e EB).

B n

C E
D
raio R
R
io
ra

A m

Figura 3.45  –  Elaboração de concordância entre duas retas paralelas entre si, m e n, atra-
vés de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar dois segmentos de reta perpendiculares entre si, ab e bc, utili-


zando um arco de raio R:
a) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto B, elaborar
o arco ED que corta, respectivamente, o segmento de reta AB conformando o
ponto E, e o segmento de reta BC conformando o ponto D;
b) ainda com a mesma abertura, inserir a ponta seca do compasso sobre E
e traçar um segundo arco;
c) fazer o mesmo procedimento a partir do ponto D;
d) a intersecção de ambos os arcos gerará o ponto F;
e) com a mesma abertura, sobrepor a ponta seca do instrumento em F e
gerar um arco que passará pelos ponto E e D e será, então, o arco solicitado (de
raio R e que concorda os segmento de retas AB e BC).

capítulo 3 • 161
A

E F

raio R

R
io
ra
B raio R D C

Figura 3.46  –  Elaboração de concordância entre dois segmentos de retas perpendiculares


entre si, AB e BC, através de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar dois segmentos de reta concorrentes entre si, ab e bc, utilizando


um arco de raio R:
a) desenhar uma reta paralela ao segmento de reta AB, que esteja R de dis-
tância deste;
b) desenhar uma reta paralela ao segmento de reta AC, que esteja R de dis-
tância deste;
c) gerar o ponto D na intersecção de tais retas paralelas;
d) elaborar um segmento de reta DE perpendicular à reta paralela ao seg-
mento AC;
e) elaborar um segmento de reta DF perpendicular à reta paralela ao seg-
mento AB;
f) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto D, elaborar
o arco solicitado passando pelos pontos E e F (observe que a medida R é igual a
medida dos segmentos DE e DF).
C
E
R
raio R
D A
R
F

Figura 3.47  –  Elaboração de concordância entre dois segmentos de reta concorrentes en-
tre si, AB e BC, através de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

162 • capítulo 3
Concordar externamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando
um arco de raio R:
a) desenhar um arco de raio igual a R – r1, com o centro do compasso no
centro do arco maior (ponto O1);
b) desenhar um arco de raio igual a R – r2, com o centro do compasso no
centro do arco menor (ponto O2);
c) a intersecção entre ambos os arcos ocorrerá no ponto A;
d) gerar um segmento de reta AB que passe pelo ponto O1 (observe que o
ponto B será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco maior);
e) gerar um segmento de reta AC que passe pelo ponto O2 (observe que o
ponto C será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco menor);
f) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca sobre o ponto A ela-
borar o arco de raio R que inicia no ponto B e termina no ponto C – este será o
arco que realiza a concordância externa dos anteriores.

E
raio R

r1 r2 C
O1 O2
R-

-r 2
r1

Figura 3.48  –  Elaboração de concordância externa entre duas circunferências de raios r1 e


r2, respectivamente, através de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar internamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando
um arco de raio R:
a) desenhar um arco de raio igual a R + r1, com o centro do compasso no
centro do arco maior (ponto O1);
b) desenhar um arco de raio igual a R + r2, com o centro do compasso no
centro do arco menor (ponto O2);
c) a intersecção entre ambos os arcos ocorrerá no ponto A;

capítulo 3 • 163
d) gerar um segmento de reta AB que passe pelo ponto O1 (observe que o
ponto B será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco maior);
f) gerar um segmento de reta AC que passe pelo ponto O2 (observe que o
ponto C será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco menor);
g) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca sobre o ponto A ela-
borar o arco de raio R que inicia no ponto B e termina no ponto C – este será o
arco que realiza a concordância interna dos anteriores.

r1 r2
O1 O2

raio R
B C
r2
R+ +
r1 A R

Tabela 3.3  –  Elaboração de concordância interna entre duas circunferências de raios r1 e r2,
respectivamente, através de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar internamente e externamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo


r1 > r2, utilizando um arco de raio R:
a) desenhar um arco de raio igual a R + r1, com o centro do compasso no
centro do arco maior (ponto O1);
b) desenhar um arco de raio igual a R – r2, com o centro do compasso no
centro do arco menor (ponto O2);
c) a intersecção entre ambos os arcos ocorrerá no ponto A;
d) gerar um segmento de reta AB que passe pelo ponto O1 (observe que o
ponto B será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco maior);
e) gerar um segmento de reta AC que passe pelo ponto O2 (observe que o
ponto C será gerado pela intersecção entre esta reta e o arco menor);
f) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca sobre o ponto A ela-
borar o arco de raio R que inicia no ponto B e termina no ponto C – este será o
arco que realiza a concordância interna e externa dos anteriores.

164 • capítulo 3
C
r1 r2
O1 O2

raio
B

R - r2
R+
r1 A

Figura 3.49  –  Elaboração de concordância interna e externa entre duas circunferências de


raios r1 e r2, respectivamente, através de um arco de raio R. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar um segmento de reta ab utilizando um arco de raio R, passando


obrigatoriamente pelo ponto C:
a) elaborar a reta r, perpendicular ao segmento de reta AB passando pelo
ponto A;
b) ligar os pontos A e C com um segmento de reta (AC);
c) elaborar a mediatriz deste segmento (mediatriz = segmento de reta ED)
d) marcar o ponto G na intersecção entre esta mediatriz e a reta r;
f) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto G, elaborar
o arco solicitado.

F
C

D
G
E
R
io
ra

90
º

A B

Figura 3.50  –  Elaboração de concordância entre um segmento de reta AB e um arco de


raio R que passa pelo ponto C, obrigatoriamente. Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 3 • 165
Concordar o arco AB, existente, com um arco de raio R, passando obrigato-
riamente pelo ponto C:
a) a partir do centro, ponto O, do arco AB, elaborar um arco de raio igual à
medida de AO+R;
b) elaborar uma reta que ligue os ponto O e A e que cruze o arco elaborado,
gerando o ponto D;
c) ligar os pontos A e C com um segmento de reta (AC);
d) elaborar a mediatriz deste segmento de modo que ela cruze a reta ela-
borada no item b) gerando o ponto G;
e) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto G, elaborar
o arco solicitado (de raio R e que concorda com o arco AB partindo do ponto A,
no caso).
E
R G
D
AO + R
90
º

C A

RAIO = AO
F O

Figura 3.51  –  Elaboração de concordância entre arco AB e um arco de raio R que passa
pelo ponto C, obrigatoriamente. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar o segmento de reta AB e um arco existente, utilizando um arco


de raio R:
a) desenhar uma reta paralela ao segmento de reta AB, que esteja r de dis-
tância deste;
b) a partir do centro do arco existente, ponto O, elaborar um arco de raio
igual R + r;
c) gerar o ponto D na intersecção da reta com o arco desenhados;
d) gerar um segmento de reta (DO) que intersecciona o arco existente ge-
rando o ponto E;

166 • capítulo 3
e) gerar uma reta perpendicular ao segmento de reta AB que inicia no pon-
to D, conformando o ponto F no segmento de reta AB;
f) abrir o compasso na medida r e com a ponta seca no ponto D, elaborar
o arco solicitado passando pelos pontos E e F.

R+r
R
O

r
D r

A F B

Figura 3.52  –  Elaboração de concordância entre um segmento de reta AB e um arco de


raio R, através de outro arco de raio r. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar internamente o segmento de reta AB e um arco existente, utili-


zando um arco de raio r:
a) desenhar uma reta paralela ao segmento de reta AB, que esteja r de dis-
tância deste;
b) a partir do centro do arco existente, ponto O, elaborar um arco de raio
igual R - r;
c) gerar o ponto C na intersecção entre a reta com o arco desenhados;
d) gerar um segemento de reta (CO) e que cruza o arco existente gerando o
ponto E;
e) gerar uma reta perpendicular ao segmento de reta AB que inicia no pon-
to C, conformando o ponto F no segmento de reta AB;
f) abrir o compasso na medida r e com a ponta seca no ponto C, elaborar
o arco solicitado passando pelos pontos E e F.

capítulo 3 • 167
R-r

R
E
C
r r
O
B F B

Figura 3.53  –  Elaboração de concordância interna entre um segmento de reta AB e um


arco de raio R, através de outro arco de raio r. Fonte: Elaborada pela autora.

Concordar dois segmentos de reta paralelos entre si, AB e CD, utilizando


uma curva reversa:
a) ligar os ponto B e C com uma reta;
b) elaborar a mediatriz do segmento de reta BC gerando o ponto E;
c) elaborar a mediatriz do segmento de reta BE gerando o ponto F;
d) elaborar a mediatriz do segmento de reta EC gerando o ponto G;
e) gerar uma reta perpendicular ao segmento AB, que inicia no ponto B e
intersecciona a mediatriz do segmento BE conformando o ponto H;
f) gerar uma reta perpendicular ao segmento CD, que inicia no ponto C e
intersecciona a mediatriz do segmento EC conformando o ponto I;
g) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca sobre o ponto H, ela-
borar um arco passando pelos pontos B e E;
h) com compasso na medida R e com a ponta seca sobre o ponto I, elabo-
rar um arco passando pelos pontos C e E;
i) esses dois arcos gerados constituirão a curva reversa solicitada.
C D
raio R

E I
H
F
raio R

A B

Figura 3.54  –  Elaboração de concordância entre dois segmentos de retas paralelos entre
si, AB e CD, através de uma curva reversa de raios iguais a R. Fonte: Elaborada pela autora.

168 • capítulo 3
Concordar dois arcos existentes de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando um
arco de raio r:
a) a partir do centro do arco maior existente, ponto O1, elaborar um arco
de raio igual r1 - R;
b) a partir do centro do arco menor existente, ponto O2, elaborar um arco
de raio igual r2 - R;
c) gerar o ponto A na intersecção entre os arcos desenhados;
d) gerar um segmento de reta (O1A) e que cruza o arco maior conformando
o ponto B;
e) gerar um segemento de reta (O2A) e que cruza o arco menor conforman-
do o ponto C;
f) abrir o compasso na medida R e com a ponta seca no ponto A, elaborar
o arco solicitado passando pelos pontos B e C.

A R
r1 -
R
r1 r2 +C
R
O1 r2

O2

Figura 3.55  –  Elaboração de concordância entre dois arcos de raios r1 e r2, respectivamen-
te, através de um arco de raio igual a R. Fonte: Elaborada pela autora.

3.2  NBR 10067: 1995 – Princípios gerais


de representação em desenho técnico:
Geometria Projetiva e Projeções Ortogonais
Após termos relembrado algumas noções básicas da geometria plana (ou Eucli-
diana) que subsidiam as tomadas de decisões projetuais no momento em que
nos auxiliam a representá-las através de peças gráficas, ou seja, através de dese-
nhos geométricos em sua essência; se faz necessário adentrar em alguns con-
ceitos da geometria descritiva a fim de ampliar o repertório de possibilidades

capítulo 3 • 169
de experimentações projetuais baseadas no entendimento completo de como
representar no plano bidimensional (por exemplo, no papel) espaços tridimen-
sionais – sejam estes de ordem arquitetônica, paisagística ou urbana.
Assim sendo, faremos um recorte consciente na história da geometria dita mo-
derna para explicar o que são projeções e como elas são representadas. Para tanto,
iremos estudar o método elaborado pelo matemático francês Gaspard Monge ao
longo de seus estudos e que ficou conhecido como método Mongeano de repre-
sentação – foi ele quem enunciou, inclusive, paradigmas da geometria descritiva.
Pelo método Mongeano, o matemático criou regiões do espaço denomina-
das de diedros. Para criá-las, utilizou uma superfície horizontal e outra super-
fície semelhante à anterior, porém vertical, posicionou-as através da relação de
perpendicularismo e obteve 4 áreas espaciais que denominou de 1º diedro, 2º
diedro, 3º diedro e 4º diedro, respectivamente, no sentido anti-horário.

2º diedro 1º diedro

3º diedro 4º diedro

Figura 3.56  –  Diedros elaborados por Gaspard Monge. Fonte: Elaborada pela autora.

Cada diedro, como pode ser observado pela ilustração 3.57, possui ao me-
nos dois planos de projeção: um vertical e um horizontal.
SPVS - Semiplano Vertical Superior
S SPVI - Semiplano Vertical Inferior
SPV
SPHA - Semiplano Horizontal Anterior
SPHP - Semiplano Horizontal Posterior

HP HA
SP SP

VI
SP

Figura 3.57  –  Planos verticais e horizontais que compõem os diedros e suas respectivas
nomenclaturas. Fonte: Elaborada pela autora.

170 • capítulo 3
Isto é, cada diedro possui duas superfícies (planos de projeção) nas quais
projetam-se linhas imaginárias (chamadas de projetantes) que representam o
objeto tridimensional (por exemplo, um cubo, um paralelepípedo, uma casa
etc.) em tais planos. Para tanto, utilizam-se sempre duas das suas três dimen-
sões existentes: no plano vertical vizualizam-se o comprimento e altura do
objeto em questão e, no plano horizontal, o comprimento e largura do mes-
mo objeto.

Figura 3.58  –  Objeto imerso no 1º diedro. Fonte: Elaborada pela autora.

Desse modo, para constituir um sistema projetivo, é imprescindível termos


a combinação entre os seguintes elementos:
•  Planos de Projeção – superfícies bidimensionais nas quais se projetam
as faces dos objetos que se pretende representar;
•  Objeto – modelo tridimensional a ser representado: pode ser um objeto
propriamente dito, um mobiliário, uma edificação, um espaço exterior etc.;

capítulo 3 • 171
Figura 3.59  –  Posicionamento do observador em relação ao objeto. Fonte: Elaborada
pela autora.

•  Observador – projetista ou desenhista que observa as faces do objeto a fim


de representá-las. Sempre está posicionado a uma distância infinita em relação
ao objeto, para que as projetantes sejam consideradas linhas retas que tangen-
ciam o objeto em questão, ou seja, que estão alinhadas de modo paralelo ao
objeto e perpendicular ao plano de projeção.

Vendo o modelo de frente Vendo o modelo de cima Vendo o modelo de lado

Figura 3.60  –  Observador visualizando cada uma das faces do objeto e, portanto, se po-
sicionando ora na frente do objeto, ora acima dele e ora a seu lado. Observe que a seta
representada nos desenhos indicam o sentido de vizualização da peça em questão pelo seu
observador. Fonte: DENCKER, 2009, p. 44.

172 • capítulo 3
ATENÇÃO
Peças gráficas bidimensionais derivadas do sistema mongeano de proje-
ções ortogonais
Por tudo o que foi exposto até então, pode-se compreender que um objeto tridimensional
será representado no sistema mongeano de projeções, no mínimo, por duas peças gráficas
bidimensionais: uma que irá aferir o comprimento e a altura do objeto em questão e outra
que irá aferir seu comprimento e sua largura. Consequentemente, é importante ressaltar que
as peças gráficas bidimensionais elaboradas através de um sistema de projeção são, obriga-
toriamente, complementares entre si. Isto quer dizer que uma única peça gráfica nunca será
suficiente para representar uma determinada espacialidade. Por extensão a essa condição,
conclui-se que apenas o conjunto combinado de peças gráficas distintas será aceitável para
representação de espaços tridimensionais.

Como o objetivo das peças gráficas que constituem o desenho técnico de


arquitetura é a legibilidade destas em um único plano – o papel – o sistema
mongeano prevê a possibilidade de planificação do diedro através da rotação
do seu plano horizontal, usando o ângulo de 90°. Tal planificação do diedro é
denominada de épura.

Figura 3.61  –  Diedros e épura (planificação de um dos diedros). Fonte: Elaborada


pela autora.

Observa-se que ao permitir que o 1º e o 3º diedro se planifiquem, é inviável


desenhar-se no 2º e no 4º diedro, tendo em vista que haveriam sobreposições

capítulo 3 • 173
confusas das representações desejadas. Assim, por este sistema fica determi-
nado que os diedros ímpares são usados e os pares não o são.
Representações que utilizam o 1º diedro são vinculadas ao método Alemão
(ou Europeu) de desenho técnico e as que usam o 3º diedro são ligadas ao méto-
do Americano. A ABNT indica, no Brasil, a possibilidade de utilização de ambos
os métodos, entretanto, classifica o Alemão como melhor em termos de qua-
lidde de visualização dos objetos. Assim sendo, este é o predominantemente
usado em território nacional.
Para facilitar a execução de desenhos, então, pode-se destacar o 1º diedro
dos outros, a fim de simplificar a compreensão das representações desejadas.
Da mesma maneira, pode-se inserir um terceiro plano de projeção a este die-
dro, auxiliar aos anteriores, que permite ao observador representar não duas,
mas três faces do objeto em questão, a fim de melhor detalhá-lo. Lembre-se que
quanto maior o número de peças gráficas existentes, maior é o entendimento
sobre o espaço (interior e exterior) que pretende-se projetar!

Figura 3.62  –  1º diedro e planos de projeção: vertical, horizontal e auxiliar. Fonte: Elaborada
pela autora.

Observe, pela ilustração 3.62, que o observador muda de posição ao visuali-


zar o objeto, no caso, uma peça.

174 • capítulo 3
capítulo 3 • 175
Figura 3.63  –  1º diedro, planos de projeção, vistas frontal, superior e lateral e épura. Fonte:
Elaborada pela autora.

Para desenhar sua face chamada de vista frontal, o observador estará na po-
sição número 1 olhando a peça que vem logo a seguir e, por fim, estará posi-
cionado o plano de projeção vertical. Veja que o observador olhará o objeto de
frente. Nesta vista ele desenhará o comprimento e a altura da peça.
Já para desenhar a face chamada de vista superior, o mesmo observador es-
tará na posição número 2 olhando a peça que vem logo a seguir e, por fim, es-
tará posicionado o plano de projeção horizontal. Veja que o observador olhará
o objeto de cima. Nesta vista ele desenhará o comprimento e a largura da peça.
Com a inserção do plano auxiliar no diedro, o observador conseguirá de-
senhar uma terceira face dele, chamada de vista lateral. Para tanto, o mesmo
observador estará na posição número 3 olhando a peça que vem logo a seguir e,
por fim, estará posicionado o plano de projeção auxiliar. Veja que o observador
olhará o objeto de lado. Nesta vista ele desenhará a largura e a altura da peça.

176 • capítulo 3
Com o desenho destas três vistas, a porcentagem de equívocos que o fa-
bricante poderá enfrentar ao executar a peça será relativamente menor do
que se fossem elaboradas apenas os desenhos de duas de suas faces. Daí a
importância de se utilizar o plano auxiliar de projeção nos diedros.
Após inserir o objeto no diedro e projetar suas faces nas superfícies de
projeção, a fim de desenhar as vistas frontal, superior e lateral do objeto,
se faz importante planificar este diedro para constituir um único plano de
visualização desta peças gráficas bidimensionais, o que gerará uma épura.
Para tanto, o plano horizontal rotacionará um ângulo do 90° de cima para
baixo e o plano auxiliar rotacionará um ângulo do 90° da esquerda para a
direita conforme mostra a ilustração 3.63:
Como a configuração da épura ocorre pela movimentação do plano ho-
rizontal do 1º diedro para baixo e do plano auxiliar para o lado direito – em
uma rotação igual a 90° – e como a ABNT indica para o Brasil a utilização
do 1º diedro para representações de desenhos técnicos, sempre obteremos
a vista frontal do objeto representada acima da vista superior e do lado es-
querdo da vista lateral esquerda, na épura.
É imprescindível salientar que toda representação bidimensional dada
pelo sistema de projeções deve vincular-se às normas ABNT, e a questão da
qualidade (tipo) das linhas e suas espessuras será aferida em todo e qual-
quer desenho: desde elementos mais simples, como objetos propriamente
ditos (cubos, paralelepípedos, dados, etc.), até espacialidades mais comple-
xas, como uma habitação, equipamento institucional, praça, parque, etc.
Tendo isso em vista, qualquer saliência ou reentrância existente no ob-
jeto e que não esteja no primeiro plano de visão do observador em relação
ao objeto a ser desenhado, deve ser representada com linha tracejada para
indicar sua existência, contudo, não neste plano de visão – encontra-se
em projeção:

capítulo 3 • 177
Figura 3.64  –  1º diedro, planos de projeção, vistas frontal, superior e lateral e épura – utilizar
linhas tracejada para representar objetos ou partes deles que estejam em projeção. Fonte
Elaborada pela autora.

Superfícies inclinadas também serão representadas bidimensionalmente


nos planos de projeção e para que isso ocorra de maneira adequada, é necessá-
rio atentar-se para cada uma de suas projeções.
Observe a ilustração 3.65. Por ela, percebe-se que a vista frontal do objeto
visualiza o plano inclinado através de uma linha inclinada e representada em
verdadeira grandeza, isto é, sua dimensão é exata à realidade.
Entretanto, tanto as vistas superior como lateral esquerda visualizarão este
plano inclinado como se ele fosse um retângulo que, por sua vez, não estará em
verdadeira grandeza de acordo com a realidade. Para facilitar a compreensão
de tais vistas, utiliza-se uma simbologia específica para indicação do sentido de
inclinação deste plano: uma seta que perpassa toda a superfície inclinada e que
indica seu sentido de subida (tal qual faremos quando representarmos plantas
e vistas de circulações verticais – sobretudo, rampas e escadas).

178 • capítulo 3
Figura 3.65  –  1º diedro, planos de projeção, vistas frontal, superior e lateral e épura – utilizar
setas na indicação de subida de planos inclinados. Fonte: Elaborada pela autora.

Assim como inserimos um plano auxiliar no 1º diedro, podemos inserir


mais 3 outros planos auxiliares de projeção neste mesmo diedro, de modo a
conformar uma espécie de caixa fechada ao redor do objeto a ser projetado
em tais planos. Por esta ação, podemos obter não apenas 3 vistas do objeto em
questão (frontal, superior e lateral esquerda), mas sim as 6 vistas que o com-
põem (frontal, superior, lateral esquerda, posterior, inferior e lateral direita).
E isso amplia ainda mais as especificidades a serem desenhadas em cada uma
destas peças gráficas e diminui em demasia equívocos provenientes da execu-
ção de obras devido a inconsistências do desenho técnico de arquitetura.

capítulo 3 • 179
Figura 3.66  –  1º diedro, planos de projeção, 6 vistas do objeto e épura. Fonte: TAMASHIRO,
2010, p.158.

Aplicando tais princípios da geomatria descritiva aos desenhos técnicos de


arquitetura e urbanismo, obtém-se as vistas de uma edificação e, por consequên-
cia, suas plantas e cortes também. Tal aplicabilidade será estudada nos capítu-
los que se seguem a este, de forma a elucidadar como se elabora cada uma des-
tas peças gráficas, sua importância como componentes complementares dos
projetos arquitetônicos, paisagísticos e urbanísticos e suas particularidades.

180 • capítulo 3
Figura 3.67  –  Aplicação prática da geometria descritiva na arquitetura: vistas de uma edifi-
cação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.158.

Figura 3.68  –  Aplicação prática da geometria descritiva na arquitetura: vistas de uma edifi-
cação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.158.

capítulo 3 • 181
ATIVIDADES
01. Elabore retas paralelas entre si utilizando:
a) o conjunto de régua paralela (ou “T”) e esquadros;
b) apenas o jogo de esquadros;
c) apenas um dos esquadros e o compasso. Nesse caso, realize a construção solicitada
utilizando cada um dos métodos ensinados por este capítulo.

02. Elabore retas perpendiculares entre si utilizando:


a) o conjunto de régua paralela (ou “T”) e esquadros;
b) apenas o jogo de esquadros;
c) apenas um dos esquadros e o compasso. Nesse caso, realize a construção solicitada
utilizando cada um dos metodos ensinados por este capítulo.

03. Elabore reta(s) tangente(s) a uma dada circunferência de raio R, através de cada um dos
métodos ensinados por este capítulo:
a) representar uma reta tangente (t), a qual passa pelo ponto A que pertence à circunferência;
b) representar retas tangentes (t1 e t2), as quais passam pelo ponto B que não pertence
à circunferência.

04. Elabore a concordância entre retas e retas, retas e arcos, arcos e arcos, através de cada
um dos metodos ensinados por este capítulo:
a) concordar o segmento AB, existente, com um arco de raio R;
b) concordar o arco AB, existente, com um arco de raio R;
c) concordar duas retas paralelas entre si, m e n, utilizando um arco de raio R;
d) concordar dois segmentos de reta perpendiculares entre si, AB e BC, utilizando um arco
de raio R;
e) concordar dois segmentos de reta concorrentes entre si, AB e BC, utilizando um arco
de raio R;
f) concordar externamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando um arco de
raio R;
g) concordar internamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando um arco de
raio R;
h) concordar internamente e externamente dois arcos de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utili-
zando um arco de raio R;

182 • capítulo 3
i) concordar um segmento de reta AB utilizando um arco de raio B, passando obrigatoria-
mente pelo ponto C que não pertence ao segmento AB;
j) concordar o arco AB existente e de raio AO (o ponto O é o centro deste arco), com um
arco de raio R, passando obrigatoriamente pelo ponto C que não pertence ao arco AB;
k) concordar o segmento de reta AB e um arco existente (de raio R), utilizando um arco
menor de raio r;
l) concordar internamente o segmento de reta AB e um arco existente (de raio R), utilizan-
do um arco menor de raio r;
m) concordar dois segmentos de reta paralelos entre si, AB e CD, utilizando uma curva
reversa (de raio R);
n) concordar dois arcos existentes de raios r1 e r2, sendo r1 > r2, utilizando um arco de raio
R (sendo R > r1 > r2).

05. Elabore, em uma folha A3 e utilizando a escala 1:50, as vistas frontal, superior e lateral
esquerda de cada um dos sólidos a seguir dispostos:

a)

Figura 3.69  –  Ilustração 168: Sólido A. Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 3 • 183
b)

Figura 3.70  –  Ilustração 169: Sólido B. Fonte: Elaborada pela autora.

REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determina-
do processo de projeto. Desta forma, entender como se dá o uso de elementos da geometria
plana (ou Euclidiana) bem como o entendimento de projeções ortogonais derivadas de volu-
mes simplificados, a fim de aplicar tal compreensão à prática de projeto e vincular este uso
a alguns conceitos técnicos inerentes ao processo projetual – como o entendimento sobre
como espaços tridimensionais se projetam em planos constituindo desenhos bidimensionais
que conformam, portanto, plantas, cortes e vistas – são habilidades que conferem ao discen-
te capacidade inicial de enfrentamento de projetos de ordem mais complexas e, certamente,
de sua representação a partir de um conjunto de peças gráficas interdependentes entre si
(plantas, cortes e vistas).
Todas essas competências e habilidades trabalhadas no terceiro capítulo do presen-
te livro serão ampliadas na sequência, a partir da apresentação, interpretação e análise e,
posterior, execução de cada uma desta projeções ortogonais - plantas, cortes e vistas – as
quais reproduzem um conjunto de informações passíveis de serem entendidas pelos distintos
agentes envolvidos no processo de projeto (idealizadores, engenheiros, mestres de obras,

184 • capítulo 3
equipes multidisciplinares de construção e, até mesmo, clientes), a fim de que o projeto idea-
lizado seja efetivamente construído.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8403 – Aplicação de linhas em
desenhos – Tipos de Linhas – Larguras das Linhas. Rio de Janeiro, ABNT, 1984. 5p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492 – Representação de projetos de
arquitetura. Rio de Janeiro, ABNT, 1995. 27p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647 – Desenho técnico. Rio de
Janeiro, ABNT, 1995. 14p.
CARRANZA, Edite Galote; CARRANZA, Ricardo. Escalas de representação em arquitetura. 3. ed.
Sào Paulo, G&C Arquitectônica, 2013. 240p.
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
DENCKER, Kelly Lourenço. Apostila de Desenho Básico: 1ª parte. Florianópolis, UDESC –
Universidade Estadual de Santa Catarina, 2009. 74p.
FERREIRA, Patrícia. Desenho de arquitetura. 2. ed. Rio de Janeiro, Imperial Novo Milênio, 2011. 138p.
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
SCHUNK, Dulcinéia. A construção gráfica do espaço como método de ensino de Desenho e
Plástica 2. In: GOUVÊA, Luiz Alberto de Campos; BARRETO, Frederico Flósculo Pinheiro; GOROVITZ,
Matheus (organizadores). Brasília, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 1999. 144p.
p.51-60.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino
nas escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico:
uma possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de
Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2010. 210p.
YEE, Rendow. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Tradução: Luiz
Felipe Coutinho Ferreira da Silva. Revisão técnica: Alice Barsoleiro. Reimpr. Rio de Janeiro, LTC, 2015. 780p.

capítulo 3 • 185
186 • capítulo 3
4
Projeções
Ortogonais
do Desenho
Arquitetônico –
Plantas
Agora que já recordamos o conceito de projeções ortogonais e a maneira pela
qual elas são geradas, estudaremos especificidades vinculadas a cada uma de
suas variantes.
Se relembrarmos com detalhes, ao posicionarmos um objeto no 1° diedro e,
para além dos planos vertical e horizontal, o recobrirmos de planos auxiliares, ob-
teremos não apenas duas vistas externas de tal modelo tridimensional, mas seis. A
saber: vista frontal, superior, lateral esquerda, lateral direita, posterior e inferior.

182 • capítulo 4
Figura 4.1  –  Vistas do objeto: frontal, superior, lateral esquerda, lateral direita, posterior e
inferior. Fonte: MONTENEGRO, 1997, p.44-45.

Porém, há outras representações bidimensionais possíveis de advir do obje-


to e de sua projeção sobre os planos a partir de uma simples operação: a secção
(ora horizontal, ora vertical) do objeto tridimensional.
Seccionar um modelo tridimensional nada mais é do que a ação de dividi-lo
em partes, sejam estas iguais ou não. Essa secção pode ocorrer horizontalmen-
te, separando o modelo em parte inferior e parte superior, ou verticalmente,
dividindo o objeto em porção direita e porção esquerda.

capítulo 4 • 183
Figura 4.2  –  Secções do objeto: horizontal, subdividindo-o em porção inferior e superior, e ver-
tical, gerando porções esquerda e direita. Fonte: CHING, 1986 apud TAMASHIRO, 2010, p.158.

184 • capítulo 4
O mais relevante, entretanto, é que a partir desta segmentação, o modelo
tridimensional passa a ser visualizado não apenas por fora, mas também in-
ternamente, isto é, ao dividirmos tal objeto, rompemos seu invólucro e, por-
tanto, passamos a enxergar como ocorre sua constituição espacial interior.
Para a arquitetura essa operação é essencial, dado que ao projetarmos uma
espacialidade, tendo esta a função que tiver, é fundamental compreendermos
sua conformação interior para além de seu aspecto exterior.
Tendo isso em vista, é necessário elaborarmos um conjunto de peças grá-
ficas que além das vistas exteriores do objeto tridimensional mostrem de for-
ma clara e precisa, também, representações do seu interior.
Assim, a peça gráfica gerada a partir do corte horizontal de uma dada vo-
lumetria é denominada de planta. Já a representação bidimensional gerada
a partir da secção vertical desse mesmo objeto chama-se corte. Estudaremos
cada uma dessas peças gráficas nesse e no capítulo 5 do presente livro, salien-
tando a maneira como as construímos e suas particularidades. Já o capítulo 6
será voltado para elucidar tais características das vistas.
Estudando profundamente cada uma destas representações bidimensio-
nais, (planta, corte e vista), estaremos aptos a aplicar tal conhecimento em
todo e qualquer projeto que se pretenda elaborar: seja este de ordem arqui-
tetônica, paisagística ou urbanística; pois o princípio de constituição das
projeções ortogonais citadas sempre será o mesmo, não importando a escala
do projeto.
O que se altera, na realidade, apenas é o grau de detalhamento que se
consegue aplicar na peça gráfica conforme sua escala de representação:
quanto maior a escala (1:1, 1:2, 1:5, 1:10, 1:20, 1:25, 1:50 e 1:75) é possível
visualizar particularidades mais específicas de um determinado projeto do
que em uma escala menor (1:100, 1:200, 1:250, 1:500, 1:1000, 1:2000, 1:2500,
1:5000, etc.).

capítulo 4 • 185
Figura 4.3  –  Observe que o banheiro desenhado, em planta, na escala 1:50 possui menor
nível de detalhamento do que o mesmo banheiro ao ser desenhado, em planta, na escala
1:25 – quanto maior a escala, maior seu nível de especificidade e detalhes a serem repre-
sentados. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.163.

OBJETIVOS
•  Compreender adequadamente como se dá a construção da projeção ortogonal, bidimen-
sional, denominada planta;
•  Diferenciar cada uma das qualidades de plantas existentes, utilizando cada uma delas de
forma adequada para mostrar características distintas do projeto que se pretende elaborar;
•  Especificar detalhes em cada uma das plantas desenhadas, ou seja, a representação cor-
reta de:
•  elementos estruturais (pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural etc.);
•  vedações (fechamentos em geral: alvenaria derivada de tijolo cerâmico, de tijolo de
concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartonado, placas cimentícias, etc.);
•  esquadrias (portas e janelas);

186 • capítulo 4
•  shafts, dutos de ventilação verticais, vazios relativos à caixa de elevador, ou mesmo
devido à incompletudes de lajes que configuram mezaninos;
•  mobiliário fixo de áreas molhadas (pias, lavatórios, bacias sanitárias, chuveiros, tan-
ques, etc.);
•  mobiliário móvel (camas, sofás, poltronas, mesas, cadeiras, armários, etc.);
•  cotas lineares e cotas de nível;
•  sentido de subida de circulações verticais (escadas e rampas – sejam estas lineares,
helicoidais ou mistas);
•  textos que caracterizam os ambientes (identificação de nome, área e pé direito de
cada um deles, por exemplo);
•  indicações de textos que pormenorizem detalhes do projeto (tal como a materialida-
de de um elemento arquitetônico ou a altura de outro) e suas respectivas linhas de chamada;
•  indicações de cortes nas plantas;
•  indicações de elevações nas plantas;
•  indicações de orientação solar nas plantas;
•  quadro de esquadrias.

capítulo 4 • 187
4.1  Passo a passo para a elaboração de
plantas

A planta, conforme dito anteriormente, é a projeção ortogonal que representa a


vista superior de um dado objeto após ele ter sido seccionado horizontalmente.
É como se o modelo tridimensional fosse cortado na direção horizontal a
uma altura padrão de 1,20 m em relação ao seu piso interno (dito acabado). O
modelo, então, passa a ter duas porções, uma superior e outra inferior, e a que
nos interessa é justamente a inferior. Ao isolá-la e observá-la de cima para bai-
xo, veremos todas as dimensões lineares relativas ao comprimento e à largura
de tal modelo – tanto medidas externas como medidas internas – e desta forma
conseguiremos visualizar toda a constituição de suas espacialidades.

1.

2.

188 • capítulo 4
3.

4.

Figura 4.4  –  Processo de constituição da planta a partir da segmentação do modelo tridi-


mensional que se pretende representar. Fonte: Modelo tridimensional e desenhos da arqui-
teta e urbanista Marina de Holanda Souza.

Para conformar o desenho de uma planta, deve-se seguir um conjunto orde-


nado de ações a fim de que não esqueçamos de nenhum de seus vários detalhes
de composição. Sendo assim, podemos elaborar um passo a passo que apre-
sentará tal conjunto de ações de forma organizada e ordenada. Se os seguir-
mos, provavelmente nenhum equívoco será computado ao longo do processo
de criação de tal representação.

capítulo 4 • 189
Primeiramente, desenha-se o contor-
no externo da edificação e as linhas
internas que orientam as subdivisões
espaciais dos ambientes internos (bem
como o posicionamento dos elementos
estruturais e das vedações).

Posteriormente, agrega-se espessura


a todos os elementos arquitetônicos
constituintes dos espaços internos e
do contorno da edificação: vedações
internas e externas (paredes e muros) e
elementos estruturais (pilares e vigas –
estas, futuramente serão representadas
em projeção, mas desde já são repre-
sentadas em termos de sua espessura).

190 • capítulo 4
Após a delimitação de tais espacia-
lidades e elementos arquitetônicos,
passa-se para a representação dos vãos
das vedações (internos e externos) e
das esquadrias (portas e janelas) que
os preenchem (se existirem, pois há
possibilidade de um dado vão não ser
preenchido por esquadria).

Para finalizar este processo de


constituição da planta de uma dada
edificação, desenha-se todo o mobiliá-
rio fixo, isto é, as peças sanitárias das
áreas molhadas (tais como lavatórios,
bancadas e pias, bacias sanitárias,
chuveiros, bancadas e pias das áreas de
preparação de alimentos, tanques etc.).
Desenha-se, também, se for o caso, ar-
mários, prateleiras, bancadas e lareiras
que são, geralmente, parte constituinte
de um mobiliário projetado e fixado nos
ambientes da edificação.

Figura 4.5  –  Processo de constituição da planta a partir da segmentação do modelo tridi-


mensional que se pretende representar. Fonte: CHING, 1986, p. 28-31.

capítulo 4 • 191
Após a elaboração da peça gráfica, é
importante verificar sua qualidade para
que esta seja o mais inteligível possível.
Lembre-se que em uma interlocução com
outros agentes do processo de projeto,
nem sempre o arquiteto e urbanista estará
presente, portanto seu desenho deve falar
por si só.
Em um primeiro momento obteremos um
desenho homogêneo com espessuras de
linhas iguais entre si, geralmente, finas –
as quais auxiliaram na constituição dele.

Lembre-se, elementos arquitetônicos


segmentados pelo plano de corte horizontal
(imaginário) terão espessuras mais robus-
tas; elementos arquitetônicos localizados
em um nível intermediário entre o nível
do plano de corte horizontal imaginário
(1,20m) e o piso acabado da edificação
(0,00m) serão representados por espessu-
ras medianas.
Já os elementos arquitetônicos alinhados
ao piso acabado da edificação, ou localiza-
dos bem próximos a ele, serão representa-
dos com espessuras de linhas finas.
É necessário diferenciar, também, elemen-
Faz-se importante, portanto, aplicar as nor- tos que estão em projeção: os quais serão
mas de hierarquia de traços, já estudadas desenhados com linha tracejadas, confor-
no capítulo 2, para conferir “profundidade” me orientação de normas técnicas.
à peça gráfica.

192 • capítulo 4
Outra opção gráfica viável é a demarcação
dos elementos arquitetônicos que foram
segmentados pelo plano de corte hori-
zontal imaginário, a fim de destacá-los em
relação ao piso acabado e ao mobiliário
(fixo) do desenho. Assim, tais elementos
terão uma diferenciação gráfica mais
clara.

Esta aplicação de hachuras em elementos


arquitetônicos segmentados é prevista
pela NBR-12298: Representação de
área de corte por meio de hachuras
em desenhos, a qual pode ser enfatizada
com cores e tipos de hachuras mais con-
trastantes entre si para destacar detalha-
mentos distintos do desenho: paginação
de pisos de ambientes diversos (áreas
molhadas e áreas secas, por exemplo),
alocação de mobiliário (fixo e móvel) em
tais áreas etc.

Figura 4.6  –  Processo de constituição da planta a partir da segmentação do modelo tridi-


mensional que se pretende representar. Fonte: CHING, 1986, p. 28-31.

capítulo 4 • 193
É importante salientar que todas as portas e janelas devem ser representa-
das em uma planta com indicação a respeito de seu funcionamento, ou seja,
ambas apresentam-se abertas ou posicionadas de modo a indicar qual seu pa-
drão de utilização.
O princípio da escala é o mesmo já identificado: quanto maior a escala,
maior o nível de detalhamento das plantas e, consequentemente, das esqua-
drias – as portas serão representadas com batentes, folhas (sejam essas com-
postas de materiais opacos, translúcidos ou transparentes) e seu funcionamen-
to ficará claro através do uso de linhas finas que podem indicar guias e trilhos,
se ela for de correr, ou a varredura de sua abertura, se ela for de abrir ou pivotan-
te. As janelas, por sua vez, serão representadas com a modulação dos caixilhos
e as respectivas folhas que indicam, inclusive, se existe folhas compostas de
vidros, de venezianas ou ambas. Em uma escala menor, esse nível de detalhes
também diminui dado que não se conseguirá visualizar tais diferenças.

Tabela 4.4  –  Nível de detalhamento de uma esquadria (janela e porta), em planta, conforme
escala de representação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 181.

Para finalizar o processo de elaboração de uma planta é fundamental, após


todas as ações descritas, inserir símbolos técnicos (alguns já apresentados no
capítulo 2) que ratificam as informações gráficas desenhadas, bem como dei-
xam-nas mais claras para evitar equívocos de interpretação.
Dentre estes símbolos, estão:
•  elementos estruturais: os pilares devem ser demarcados com sua secção
transversal correta, seja esta retangular, quadrada, circular etc. A materialidade
do mesmo é dada pelas hachuras nele indicadas para representar concreto, ma-
deira etc. e pelo desenho do seu perfil, que pode denotar o uso de elementos me-
tálicos pré-fabricados (perfil I ou H, U ou C ou ainda perfil caixão, dentre outros).

194 • capítulo 4
As vigas, quando salientes em relação à laje, serão representadas com linhas
duplas que indicarão sua espessura, e tais traços serão tracejados para indicar
sua projeção sobre o piso acabado da planta.

Tabela 4.5  –  Representação de algumas possibilidades de secções transversais de pilares


e projeção das vigas. Fonte: Elaborada pela autora.

•  vedações: as alvenarias podem ser compostas de tijolos cerâmicos ou de


blocos de concreto; já painéis pré-fabricados de gesso acartonado ou de placas
cimentícias compõem fechamentos modulares, por exemplo. Assim, tais mate-
riais devem ser pesquisados a fim de que seu desenho corresponda às medidas
de suas espessuras e ao modo pelo qual elas se estruturam – as vedações de ges-
so acartonado, por exemplo, são leves e se sustentam devido a um conjunto de
montantes (geralmente metálicos ou de alumínio) aos quais as placas de gesso
acartonado são aparafusadas. Dependendo do nível de detalhamento de uma
peça gráfica, ou seja, de sua escala de representação, é necessário inclusive de-
senhar-se o padrão de repetição (módulo) de tais montantes e placas.

Figura 4.7  –  Representação de algumas possibilidades de espessuras de vedações. Fonte:


Elaborada pela autora.

•  esquadrias (portas e janelas): todas as esquadrias devem ser desenha-


das de modo a indicar seu funcionamento. Conforme alertado anteriormen-
te, quanto maior a escala do desenho, mais preciso será sua especificação em
termos de representação. A seguir, disponibiliza-se um rol de alternativas de
esquadrias a ser utilizado nos projetos de arquitetura:

capítulo 4 • 195
Janela basculante
Porta ou janela de abrir – 2 folhas

Porta ou janela camarão (sanfonada) com


Porta ou janela camarão (sanfonada) com
folhas alinhadas a partir de um eixo central
folhas alinhadas a partir de um eixo deslo-
– 4 folhas
cado – 2 folhas

Porta ou janela de correr – 2 folhas Porta ou janela de correr, alocada externa-


mente à vedação – 1 folha

Porta ou janela de correr com folhas com-


Porta ou janela de correr com folhas com-
postas de vidro e veneziana – 6 folhas
postas de vidro e veneziana – 3 folhas

Janela guilhotina – 2 folhas


Janela maxim-ar com ventarola – 2 ou 4
folhas

Janela maxim-ar – 1 folha Janela projetante – 1 folha

196 • capítulo 4
Janela pivotante – eixo deslocado – 1 folha Janela pivotante – eixo central – 1 folha

Janela de tombar – 1 folha Janela veneziana – 1 folha

Janela veneziana de abrir conjugado (sem Janela de vidro fixo – 1 folha

vidro) – 4 folhas

Vão preenchido com blocos de concreto


Vão preenchido com tijolos de vidro
(elemento vazado)

Painéis divisórios deslizantes –


Vão sem preenchimento
unidirecionais

Porta de abrir – 1 folha

Figura 4.8  –  Representação, em planta, de diversas esquadrias (portas e janelas). Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p. 182. (Editada pela autora).

•  shafts ou dutos de ventilação verticais e vazios relativos à caixa de elevador


ou mesmo devido à incompletudes de lajes que configuram mezaninos: todo va-
zio é representado pelo cruzamento de linha diagonais que conformam, por fim,

capítulo 4 • 197
um “X” entre si. Esse símbolo indica que naquele espaço em específico não existe
laje e portanto aquele desenho representa um vão na planta (um “buraco”). O ele-
vador, entretanto, pode ser representado desta maneira – com indicação de uma
caixa vazia – ou com a inserção do desenho do maquinário propriamente dito:

Shaft ou duto de ventilação vertical

Caixa de elevador

Mezanino e vazio (superfície sem laje)

Figura 4.9  –  Representação, em planta, de vazios originários de shafts, dutos de ventilação


verticais, lajes interrompidas propositalmente (configurando mezaninos) e caixas de elevado-
res. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.189, 176 e 193. (Editada pela autora).

198 • capítulo 4
•  mobiliário fixo de áreas molhadas: tais como pias, lavatórios, bacias sani-
tárias, chuveiros, tanques, bancadas com pias, coifas, etc. E mobiliário móvel:
tais como camas, sofás, poltronas, mesas, cadeiras, armários, geladeiras, má-
quinas de lavar roupas, máquinas de lavar louças, eletrodomésticos em geral,
condicionadores de ar, ventiladores etc.
É importante verificar o dimensionamento exato de tais peças, que podem
ser indicados pelos próprios fabricantes ou verificados em bibliografias diver-
sas relativas à arquitetura e urbanismo, tais como em: NEUFERT, Ernst. A Arte
de Projetar em Arquitetura. 18. ed. São Paulo. Gustavo Gili do Brasil. 2013. 568p.
Para desenhá-los à mão, é imprescindível o uso de gabaritos – os quais fo-
ram devidamente apresentados no capítulo 1 do presente livro.
Através do uso de mobiliário, vegetação e, até mesmo, escalas humanas nos
desenhos, obtemos peças gráficas ditas humanizadas que facilitam a interlo-
cução com os clientes na etapa de criação do projeto, por exemplo, enquanto
ainda estamos elaborando os estudos preliminares. Tal artifício nos auxilia no
diálogo com leigos que compreendem melhor aquilo que está sendo represen-
tado quando a planta é, então, humanizada.
A seguir, veremos um exemplo desta qualidade de peça gráfica. Perceba que a
maioria dos símbolos técnicos foram suprimidos, dando lugar à possibilidade de
uma representação mais livre de normas e regras, a fim de simplificar o nível de in-
formações que pretende-se apresentar ao cliente. Para este, na maioria das vezes, a
disposição do layout é mais relevante do que os dados técnicos propriamente ditos:

Figura 4.10  –  Planta humanizada. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.168.

capítulo 4 • 199
•  cotas lineares e cotas de nível: todo desenho técnico deve conter elemen-
tos que indicam as medidas gerais de uma edificação, sua locação no terreno,
dimensões internas dos ambientes que compõem um edifício, locação de es-
quadrias (portas e janelas) em tais espaços etc. Ou seja, para que os desenhos
de arquitetura sejam passíveis de indicar elementos a serem construídos, cotas
lineares e cotas de nível que identificam dimensões devem compô-los. As regras
gerais de utilização de cotas lineares e de cotas de nível foram esclarecidas no
capítulo 2 do presente livro.
O importante, sempre, é usá-las para esclarecer dúvidas que poderão surgir
relativas à dimensionamentos dos ambientes e dos elementos arquitetônicos
que existem em um projeto, bem como seus possíveis desníveis. Lembre-se que
o símbolo usado para indicar cotas de nível, em planta, é:

Figura 4.11  –  Símbolo que representa as cotas de nível em plantas. Fonte: ABNT – NBR
6492, 1994, p.17.

•  sentido de subida de circulações verticais: setas desenhadas com traços


contínuos e de espessuras finas indicam o ponto inferior e o ponto superior de
escadas e rampas – sejam estas lineares, helicoidais ou mistas – enfatizando seu
sentido de subida. O usual é indicar a subida com tais setas e, caso o projetista
desejar, ele poderá utilizar a palavra “sobe” ou a letra “s” para indicar que a seta
relaciona-se à subida; mas esta não é uma obrigatoriedade. O uso da seta sem
nenhuma indicação de palavra ou letra, por si só, já é uma indicação do sentido
de subida. Caso o desenhista desejar, ele poderá indicar o sentido de descida da

200 • capítulo 4
circulação vertical, invertendo o sentido da seta. Entretanto, nesse caso, se faz
obrigatório inserir a palavra “desce” ou a letra “d” ao lado do início da seta:

Figura 4.12  –  Símbolos que representam o sentido de subida de circulações verticais em


plantas: escadas e rampas, respectivamente. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.15.

•  textos que caracterizam os ambientes e as peças gráficas: tais como a


identificação do nome do ambiente, sua área e seu pé direito; além da iden-
tificação da peça gráfica em si: título desta e sua escala de representação que
sempre aparecem no canto inferior (esquerdo ou direito) dela:

PLANTA DO TÉRREO
1 ESCALA:1:50

Figura 4.13  –  Textos que caracterizam os ambientes e as peças gráficas. Fonte: ABNT –
NBR 6492, 1994, p.15.

•  indicações de textos: que pormenorizem detalhes do projeto, tal como a


materialidade de um elemento arquitetônico ou a altura de outro e suas res-
pectivas linhas de chamada (que conectam os textos aos locais exatos aos quais
se referem):

capítulo 4 • 201
Figura 4.14  –  Indicações de textos e linhas de chamada em ampliações de área molhadas.
Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.207.

•  indicações de cortes nas plantas: há apenas uma possibilidade de realizar


uma secção horizontal que signifique algo para o desenho técnico de arquite-
tura em cada nível de uma edificação – a 1,20 m de altura em relação àquele
específico piso acabado – e que conforma, por conseguinte, a planta daquele
pavimento (seja este o térreo, o primeiro andar, o segundo andar ou mesmo a
cobertura da edificação).
Contudo, há inúmeras possibilidades de se cortar verticalmente um edifício
e, tendo isso em vista, para que os agentes envolvidos no processo de projeto
e na construção civil saibam de imediato em que região da planta será extraí-
do um corte para representação de alturas do edifício, inserem-se em todas as
plantas da edificação (sem exceção) linhas do tipo linha-ponto com setas e le-
tras em suas extremidades que, respectivamente, indicam o sentido de visuali-
zação do referido corte e o “nomeiam”:

202 • capítulo 4
Figura 4.15  –  Indicações de cortes devem ser inseridas em todas as plantas de uma edifi-
cação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.162.

•  indicações de elevações nas plantas: o mesmo ocorre com as elevações.


Para que se saiba qual vista (interna ou externa) está representada, inserem-se
em todas as plantas da edificação (sem exceção) setas com números que, res-
pectivamente, indicam o sentido de visualização da referida fachada e a “no-
meiam”. Observe que elevação, vista ou fachada são terminologias que direcio-
nam-se a mesma peça gráfica:

Figura 4.16  –  Indicações de elevações devem ser inseridas em todas as plantas de uma
edificação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.162.

•  indicações de orientação solar nas plantas: é fundamental inserir, em to-


das as plantas da edificação (sem exceção), um símbolo que “aponte” para o
norte geográfico, a fim de elucidar questões técnicas relativas à orientação so-
lar e conforto térmico de ambientes:

capítulo 4 • 203
Figura 4.17  –  Indicações de orientação solar devem ser inseridas em todas as plantas de
uma edificação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.162.

•  quadro de esquadrias: em uma planta técnica de arquitetura é necessário,


para além de indicar a largura das esquadrias (portas e janelas), definir tam-
bém sua altura e, no caso das janelas, a dimensão do peitoril (base da janela
que fica a uma altura padrão do piso acabado interno dos ambientes de uma
dada edificação). Para tanto, pode-se utilizar várias maneiras de representar
tais medidas, as quais são mostradas sempre na seguinte ordem:

LARGURA x ALTURA
PEITORIL

Dentre tais possibilidades, está a opção por inserir as medidas diretamen-


te nas plantas. No entanto,isso pode deixá-las carregadas de informações.
Portanto uma alternativa é nomear as portas com a letra P seguida de um nú-
mero (P1, P2, P3, etc.) e as janelas com a letra J seguida de um número (J1, J2, J3,
etc.). Cada nomenclatura se referencia a um tipo específico de esquadria, com
funcionamento e/ou dimensão distinta entre si.
Por fim, essas são descritas em uma tabela denominada de quadro de es-
quadrias que será alocada na mesma folha em que se disponibilizarão as plan-
tas do projeto:

204 • capítulo 4
Figura 4.18  –  Planta com as referência P1, P2, J1, J2 etc. e quadro de esquadrias com
seus dimensionamentos exatos e especificações (funcionamento, materialidade, etc.). Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p.181.

A seguir, disponibilizamos parte de uma planta, a fim de apresentar a maio-


ria dos símbolos citados e explicados até então e sua paralela utilização em
uma mesma peça gráfica:

Figura 4.19  –  Simbologias necessárias para caracterizar uma planta técnica de arquitetura
de forma adequada. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.207.

capítulo 4 • 205
4.2  Planta do Pavimento Térreo
A planta do pavimento térreo é aquela que demonstra claramente a vinculação
entre interior e exterior de uma determinada edificação, isto é, a disposição in-
terna dos ambientes, a relação espacial destes entre si, disposição do layout em
cada um desses espaços interiores e sua vinculação com a situação do terreno
(lote ou gleba) após a intervenção arquitetônica.
Tendo isso em vista, não apenas projeta-se (e desenha-se) o interior do edifí-
cio, mas também os acessos (para pedestres, para veículos automotores e para
outros modais não poluentes e alternativos), eixos de circulações externos e
suas respectivas pavimentações (as quais podem ser totalmente impermeáveis
ou parcialmente permeáveis), áreas permeáveis, gramadas ou com outras qua-
lidades de piso, e os extratos vegetativos do projeto de paisagismo (gramíneo,
arbustivo ou arbóreo).
Os limites do terreno, sobretudo se tratar-se de um lote de tamanho conven-
cional (ou seja, de dimensões pequenas ou medianas), deve ser representado
mesmo que este não se configure como um fechamento propriamente dito (por
muros, por exemplo). Caso não haja um limite físico, o ideal é utilizar-se o traço
linha-ponto-linha para identificá-lo.
As movimentações de terra (cortes e aterros) para constituição de pata-
mares (também chamados de platôs) é prerrogativa de qualquer intervenção
construtiva: seja ela arquitetônica, paisagística ou urbanística. Desta forma, é
fundamental desenhar-se os ambientes externos criados a partir de tais alte-
rações topográficas – que podem se vincular à lazer contemplativo, esportivo,
para descanso, promover encontros sociais etc. (destacar seus usos, por con-
seguinte, é fundamental). Os taludes conformados por tais operações devem,
também, ser representados conforme já discutido no BOX – CONCEITO: Mas
o que são curvas de nível? do capítulo 1 do presente livro, com a hachura ade-
quada. A saber:

Figura 4.20  –  Talude em vista. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.17.

206 • capítulo 4
A seguir, disponibiliza-se a planta térrea da habitação unifamiliar conhe-
cida como “Casinha”, projeto do arquiteto e urbanista João Batista Vilanova
Artigas. Foi construída na cidade de São Paulo/SP em 1942, e por ser paradig-
mática à historiografia brasileira da arquitetura e urbanismo modernos, foi se-
lecionada como modelo síntese de boas soluções projetuais, para além de um
excelente exemplo de representação:

Figura 4.21  –  Planta Técnica do Pavimento Térreo da obra arquitetônica “Casinha” do arqui-
teto e urbanista João Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da
arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

capítulo 4 • 207
Figura 4.22  –  Planta Humanizada do Pavimento Térreo da obra arquitetônica “Casinha” do
arquiteto e urbanista João Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos
da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

Observe que toda simbologia apresentada anteriormente no presente capí-


tulo encontra-se em ambas as plantas da “Casinha”, todavia, o uso de cotas li-
neares indicativas de dimensionamentos longitudinais e transversais (isto é, de
comprimentos e larguras) do projeto, na primeira planta apresentada, agrega
um conjunto de informações ao desenho que poderá carregá-lo.
Assim sendo, optou-se por elaborar essa planta eminentemente técnica que
condensa em si todos os símbolos arquitetônicos necessários para compreen-
são integral de um projeto de arquitetura e, paralela à apresentação desta, uma
segunda peça gráfica foi desenvolvida com destaque para disposição e arranjo
dos mobiliários que ocupam os ambientes internos da habitação proposta. Ou
seja, esta pode ser caracterizada como humanizada.
Esse recurso, quando preciso, pode ser usado para que o projetista consiga
mostrar aos distintos agentes envolvidos no processo de projeto particularida-
des importantes e inerentes a ele: tais como questões de cunho técnico e outras
relativas ao uso e ocupação do espaço em si.

208 • capítulo 4
É relevante salientar, entretanto, que mesmo na planta técnica os equi-
pamentos ditos fixos das áreas molhadas estarão à mostra (como lavatórios,
bacias sanitárias, chuveiros, tanques para lavar roupas, pias e bancadas de co-
zinhas, etc.). Isso também ocorre para alguns dados técnicos que devem sim
aparecer na planta humanizada, como, por exemplo, as cotas de nível e o di-
mensionamento de esquadrias.
Destaca-se, por fim, que as linhas de indicação de corte serão sempre as
mais espessas do desenho, estarão representadas por traços linha-ponto-linha
e aparecerão em todas as plantas de um mesmo projeto, sem exceção. A indi-
cação de orientação solar também estará presente em todas as plantas e im-
plantação de um dado projeto, tenha ele a escala (arquitetura, paisagismo ou
urbanismo) e o programa que tiver.

4.3  Planta dos outros Pavimentos


As plantas dos outros pavimentos, que não o térreo, são aquelas que demons-
tram claramente a disposição interna dos ambientes, a relação espacial destes
entre si, a disposição do layout em cada um desses espaços interiores e sua vin-
culação com os pavimentos inferiores e/ou superiores – a qual é dada por uma
circulação vertical (escada, rampa, elevador, plataforma elevatória, etc.).
Tendo isso em vista, não apenas projeta-se (e desenha-se) o interior do edi-
fício, mas também os acessos e eixos de circulações verticais e horizontais que
possibilitam ao usuário adentrar e retirar-se destes locais.
No caso do projeto da “Casinha”, escolhido para ilustrar as características
relativas a um projeto de habitação unifamiliar e sua respectiva representação
arquitetônica, há um pavimento inferior em relação ao térreo, mas não um su-
perior. Portanto, seu desenho apresenta apenas aquilo que se visualiza a 1,20 m
em relação ao seu piso acabado (segundo a cota de nível do desenho, este com-
preende o valor de -1,225 m, já que a desenhista atribuiu ao pavimento térreo a
cota de nível 0,00).
A seguir, tanto a planta eminentemente técnica quanto a humanizada com
layout, estão disponíveis, considerando em si todas as características necessá-
rias para sua análise e interpretação; incluindo simbologias.
Observe que algumas informações se mantêm em ambas, tais como as in-
dicações de cortes, orientação solar, título e escala dos desenhos, etc., e outras

capítulo 4 • 209
são suprimidas, como a área exterior do terreno que foi apresentada na planta
do pavimento térreo e estará presente na implantação, mas não nas plantas dos
outros pavimentos.

Figura 4.23  –  Planta Técnica do Pavimento Inferior (ateliê) da obra arquitetônica “Casinha”
do arquiteto e urbanista João Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Dese-
nhos da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

210 • capítulo 4
Figura 4.24  –  Planta Humanizada do Pavimento Inferior (ateliê) da obra arquitetônica “Ca-
sinha” do arquiteto e urbanista João Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte:
Desenhos da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

Nesse específico caso, tratamos de um pavimento inferior em relação ao tér-


reo. No entanto, caso sejam pavimentos superiores e estes tenham algum vazio
na laje, este vazio será representado com o símbolo “X” já identificado e devida-
mente apresentado, e o guarda-corpo que existe, obrigatoriamente, entre a laje
do pavimento superior e o vazio que vincula visualmente este e o pavimento in-
ferior (primeiro pavimento e térreo, por exemplo) será desenhado em planta na
sua devida alocação. Para compreender a situação descrita, verifique a planta
do 1° pavimento disposta no item Atividades do presente capítulo.

capítulo 4 • 211
4.4  Planta de Cobertura
A planta de cobertura é aquela que demonstra claramente o tipo de cobertu-
ra pensada no projeto, tanto para evitar a exposição da edificação (e de seus
usuários) às intempéries – chuvas brandas e torrenciais, excesso de insolação,
ventanias etc. – quanto para caracterizar plasticamente a expressão formal da
volumetria a ser edificada. Por conseguinte, ela tem uma dupla importância:
eminentemente técnica e como elemento de composição da paisagem arqui-
tetônica e urbana.
No caso específico por nós selecionado, o projeto da “Casinha”, destaca-se
a opção de Artigas (1942) pelo uso do telhado cerâmico e, então, sua represen-
tação demonstrará um desenho alicerçado nas necessidades técnicas de assen-
tamento e estruturação de tal tipo de cobertura. Todavia, há um vasto conjunto
de opções que serão elencadas no presente subitem a fim de ampliar o repertó-
rio de projeto dos discentes.
Vale destacar, todavia, que é necessária uma pesquisa constante (para
além da sala de aula) a respeito das particularidades de cada um destes tipos,
de modo que o estudante, quando profissional, possa realmente ter domínio
sobre cada uma das técnicas construtivas inerentes à cobertura e, para além,
ao sistema estrutural, às vedações, ao sistema de aberturas (esquadrias), etc.
Lembre-se: o estudo nunca se encerra dentro do âmbito do ateliê de projeto, ali
ocorre apenas o estopim inicial dele. Instigue-se e procure sempre aprofundar
seu conhecimento!

Telhado cerâmico
Sobre o telhado cerâmico se sabe que a frequência com que ele é utiliza-
do em municipalidades de clima tropical úmido é vasta, justamente devido ao
seu desempenho em termos de escoamento de águas pluviais e isolamento tér-
mico. Existe um rol de tipos específicos de telhas cerâmicas e é justamente a
escolha deste tipo que indicará a porcentagem de inclinação do caimento do
telhado a ser projetado.
Geralmente, há uma variação de 20 a 35% de inclinação nos telhados cober-
tos por telhas cerâmicas e a escolha por um tipo específico de telha altera as
condicionantes técnicas do projeto e a expressão formal de sua volumetria. A
seguir, disponibilizam-se informações a respeito da porcentagem de inclina-
ção de algumas telhas comumente utilizadas:

212 • capítulo 4
TIPOS DE TELHAS INCLINAÇÃO (%) DE SEU
CERÂMICAS CAIMENTO
Coloniais 25%
Francesa 33 a 35%
Paulista 30%
Plan 20 a 25%
Portuguesa 25%
Romana 30%
Termoplan 30%
Tabela 4.6  –  Telhas cerâmicas e inclinação do caimento de cada uma delas. Fonte: Elabo-
rada pela autora.

É fundamental saber a inclinação do caimento do telhado, pois é este valor


que irá definir qual a altura desta cobertura no seu limite mais elevado (deno-
minado de cumeeira) em relação ao seu limite inferior (altura alinha ao seu bei-
ral), e este cálculo tem relação direta com o comprimento do vão (transversal)
ocupado pelas águas de um telhado. Porém, antes de adentrarmos no cálculo
matemático propriamente dito, se faz necessário apresentar cada um dos com-
ponentes de uma cobertura estruturada como um telhado cerâmico. A saber:

Figura 4.25  –  Nomenclatura de componentes de um telhado cerâmico. Fonte: Elaborado


pela autora.

A cumeeira contém todos os pontos de um dado telhado que, em vista,


estarão a uma mesma altura em relação ao piso acabado da edificação. Este

capítulo 4 • 213
conjunto de pontos de mesma altura conformarão, então, uma linha horizontal
paralela ao piso acabado do edifício. A cumeeira sempre será o limite superior
de todo e qualquer telhado.
O requadro inferior do telhado estará alinhado à altura de seu beiral e os ele-
mentos lineares que ligam este requadro à cumeeira são chamados de espigões
– quando forem proeminentes (saliências) em relação à face externa da volume-
tria da cobertura – ou águas furtadas – quando forem reentrantes em relação a
esta mesma volumetria. As águas furtadas podem ser chamadas, também, de
rincões e é sob elas que alocam-se as calhas de recolhimento de águas pluviais.
As águas de um telhado nada mais são do que as superfícies destes em que
alocam-se as telhas e, por fim, o chamado oitão é uma área lateral do telhado
que não recebe cobrimento de telha cerâmica, mas sim conforma um triângulo
em vista em uma das faces desta cobertura.
Conforme a existência de menor ou maior número de águas, os telhados
podem ser classificados em:

Nº DE
TIPO DE TELHADO
ÁGUAS
Telhado de uma água

Telhado de duas águas

214 • capítulo 4
Telhado de três águas

Telhado de quatro águas

Telhado de cinco águas

Tabela 4.7  –  Classificação de telhados cerâmicos conforme número de águas. Fonte: Ela-
borada pela autora.

capítulo 4 • 215
CONCEITO
Mas o que é beiral?
Basicamente, beiral é a região do telhado que avança para além da parede externa da edifi-
cação e que protege parcialmente, assim, a superfície de vedação externa das intempéries.
Usuários dos edifícios podem, inclusive, andar sob os beirais para se protegerem, de modo
parcial, das mesmas intempéries citadas.

Figura 4.26  –  Beiral derivado de uma cobertura. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 162. (Edita-
da pela autora).

Agora que já enunciamos os elementos do telhado, podemos retornar ao


cálculo de inclinação de seu caimento. Este ditará a altura da cumeeira e, por-
tanto, o dimensionamento vertical da edificação; daí sua importância. Para
executá-lo, há duas maneiras possíveis.
O primeiro método alia-se a seguinte fórmula matemática:
h
i=
c

Sendo:
•  i igual à inclinação do caimento do telhado, aferida em porcentagem (%)
mas inserida na fórmula em número decimal;
•  h igual à altura entre a base inferior do telhado e seu limite superior (altu-
ra vertical do beiral até à cumeeira);
•  c igual ao comprimento horizontal da projeção da água.

216 • capítulo 4
Observe que este comprimento é aferido em relação à projeção da água (pla-
no inclinado) ao qual o caimento a ser calculado se refere:

Figura 4.27  –  Esquema para cálculo de altura de um determinado telhado, a partir do co-
nhecimento a respeito da inclinação de seu caimento e o respectivo comprimento de uma de
suas águas. Fonte: Elaborada pela autora.

Tendo isso em vista, para um telhado de uma única água, insere-se na fór-
mula todo o valor de seu comprimento e com a indicação de sua inclinação,
calcula-se a sua altura. No entanto, para telhados com duas águas (ou mais) afe-
re-se para o comprimento apenas o trecho horizontal que configura-se, exata-
mente, como a projeção horizontal da água (plano inclinado) cuja altura, dada
uma determinada inclinação de caimento, será calculada. Ambas as situações
descritas podem ser verificadas na ilustração 4.27 já disponibilizada.
O segundo método de obtenção de uma das variáveis solicitadas e relativas à
composição do telhado (inclinação, altura e comprimento) é a proposição clara
de uma relação entre a inclinação aferida pelo tipo de telha escolhida para reco-
brir a edificação para com a relação entre a altura e o comprimento de tal cober-
tura. Por exemplo, usando uma telha cerâmica com inclinação de 30%, sabe-se
que a cada 100 cm (ou 1,00 m) de comprimento, afere-se uma altura de 30 cm
(ou 0,30 m). Se o comprimento da projeção de uma das águas deste telhado pos-
sui, na realidade, 6,00 m, sua altura pode ser obtida pela seguinte regra de três:
0,30 h
=
1, 00 c
0,30 h
=
1, 00 6, 00
1,00 x h = 6,00 x 0,30
h = 1,80m

capítulo 4 • 217
Pelo cálculo efetuado, a altura de tal cobertura em seu ponto mais alto, ou
seja, a dimensão vertical que vai do alinhamento do beiral até à cumeeira, usan-
do uma telha cerâmica com inclinação do caimento igual a 30% e comprimento
da projeção horizontal de uma das águas medindo 6,00 m, será igual a 1,80 m.
Por fim, é necessário saber que todo telhado cerâmico possui uma es-
trutura, geralmente, peças em madeira que os sustentam repassando suas
sobrecargas estruturais às vigas e pilares do sistema construtivo ou à alve-
naria estrutural propriamente dita. Todo esse conjunto é composto, grosso
modo, por tesouras ou pilaretes sobre laje, terças, caibros e ripas. A dimen-
são da peça de madeira a ser utilizada em cada estrutura depende dos vãos
(ora transversais, ora longitudinais) que tais madeiramentos vencem. No en-
tanto essas particularidades serão estudadas a fundo em um momento mais
oportuno, em disciplinas que tratam do detalhamento do projeto executivo
de arquitetura.
Por ora, basta saber que este sistema é fundamental para que o telhado
permaneça estruturado e é importante que se identifique cada uma das peças
enunciadas, bem como a ordem de sua estruturação, a saber:
•  sobre o sistema estruturado por pilares e vigas, por exemplo, apoiam-se as
tesouras, as quais vencem os vãos transversais de uma dada edificação;
•  há outra possibilidade, pela qual há uma laje horizontal sobre o sistema
de pilares e vigas e, acima desta, pilaretes de madeira que sustentarão o restan-
te do madeiramento da estrutura do telhado;
•  apoiadas nas tesouras ou nos pilaretes encontram-se as terças, as quais,
consequentemente, vencerão os vãos longitudinais existentes entre as tesouras
ou entre os pilaretes;
•  os caibros, por sua vez, são apoiados sobre as terças, vencendo os vão
transversais menores existentes entre elas;
•  e, por fim, as ripas são apoiadas sobre os caibros, vencendo os vão longi-
tudinais menores existentes entre eles.

As telhas apoiam-se nas ripas através de um sistema de encaixe. Apenas as


telhas do tipo cumeeira é que são emboçadas para que a força dos ventos não
destelhe a cobertura projetada.

218 • capítulo 4
Figura 4.28  –  Madeiramento estrutural de um telhado cerâmico, em perspectiva. Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p. 205. (Editada pela autora).

Figura 4.29  –  Madeiramento estrutural de um telhado cerâmico, em planta. Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p. 205. (Editada pela autora).

capítulo 4 • 219
Em todas as águas furtadas ou rincões serão alocadas calhas para que ocor-
ra através delas o escoamento de águas pluviais. A fim de evitar infiltrações di-
retas ou por capilaridade, utilizam-se rufos e contra-rufos de sobrepor ou de
encosto para que partes da cobertura, tais como platibandas ou superfícies de
vedações expostas (que estão em contato direto com a água das chuvas) sejam
devidamente protegidos.

Figura 4.30  –  Calhas, rufos e contra-rufos para proteção da cobertura em relação às águas plu-
viais Fonte: Autor desconhecido, não datado, não paginado. In: http://wwwo.metalica.com.br/co-
berturas-os-diversos-tipos-e-suas-caracteristicas. Acesso em: 20/11/2015. (Editada pela autora).

CONCEITO
Mas o que é platibanda?
A platibanda é uma vedação alocada ao longo do requadro do telhado e executada, na maio-
ria das vezes, para escondê-lo. Ao ser elaborada, a platibanda garante à edificação um as-
pecto ortogonal.

Figura 4.31  –  Platibanda edificada para esconder a solução de cobertura. Fonte: TAMASHIRO,
2010, p. 205. (Editada pela autora).

220 • capítulo 4
A partir de todo o exposto, basta apenas salientar que para executar uma
planta de cobertura relativa a um projeto em que decidiu-se por utilização do
telhado cerâmico, é necessário desenhá-lo através do seguinte passo a passo:

Primeiramente, desenha-se o contorno


do telhado e, paralelo a este mas com o
distanciamento necessário para abrigar o
beiral, e com linhas tracejadas, desenha-se
a face externa das vedações que contor-
nam a edificação.
Observe que, nesse caso, não é preciso
elaborar a espessura das paredes exter-
nas, apenas sua linha de contorno.

Posteriormente, subdivide-se a área


da cobertura em retângulos – quantos
forem necessários e sempre buscando
salientar o maior retângulo possível a
ser conformado.
Desenha-se, então, o telhado deste retân-
gulo imaginando-o isolado em relação aos
demais. Veja que de todos os ângulos de
90° do contorno da cobertura deriva-se
uma bissetriz, isto é, uma linha inclinada
que sempre configura 45° com uma das
linhas do contorno da cobertura.
Essa é uma regra geral para fazer
a planta de um telhado: sempre se
utiliza o esquadro de 45° para elaborar
espigões e águas furtadas!

capítulo 4 • 221
Após desenhar o telhado do retângulo 0,
elabora-se o telhado do retângulo 1 como
se este não estivesse relacionado com o
telhado do retângulo 0.

Se estas 2 coberturas (a do retângulo 0


e a do retângulo 1) não tivessem relação,
ambas seriam independentes entre si e
possuiriam, em comum, apenas uma calha.
No entanto, essa não é uma boa solu-
ção de cobertura, sobretudo para conter
escoamento de água derivado de chuvas
torrenciais. Assim, o ideal é relacionar
ambas as coberturas.

Quando 2 espigões se encontram, forma-se obrigatoriamente uma cumeeira derivada


de tal ponto de encontro. Esta linha que representa a

222 • capítulo 4
cumeeira, então, pode ser alongada até interseccionar um espigão existente (e já
desenhado) que pertence ao retângulo 0.
No ponto em que a cumeeira do retângulo 1 toca o espigão do retângulo 0, este
traço poderá ser apagado daí para baixo (ou seja, a parte que vai até o contorno do
telhado) e este espigão passa a se chamar de caimento.
Do outro lado, por oposição, deriva-se um segmento de reta inclinado (e portando
a 45° em relação à cumeeira do retângulo 1) que toca o contorno do telhado. Por
tratar-se de um segmento de reta inclinado que vai configurar uma reentrância na
volumetria final do telhado (e não uma saliência), ele será a representação de uma
água furtada.

Após o ajuste do telhado entre os retângulos 0 e 1, faremos o mesmo procedimento


para ajustar o encontro dos telhados dos retângulos 0 e 2. Veja que sempre fazemos
os ajustes do maior retângulo para o menor retângulo.
Assim, se estas 2 coberturas (a do retângulo 0 e a do retângulo 2) não tivessem
relação, ambas seriam independentes entre si e possuiriam, em comum, apenas uma
calha. No entanto, essa não é uma boa solução de cobertura (como enunciado ante-
riormente), sobretudo para conter escoamento de água derivado de chuvas torren-
ciais. Assim, o ideal é relacionar ambas as coberturas.

capítulo 4 • 223
Isso ocorre da seguinte maneira: basta fazer com que os 2 espigões da face externa do
retângulo 2 (a face que não toca o retângulo 0) se interseccionem em um único ponto.
Quando 2 espigões se encontram, forma-se obrigatoriamente uma cumeeira derivada de
tal ponto de encontro. Esta linha que representa a cumeeira, então, pode ser alongada
até interseccionar um espigão existente (e já desenhado) que pertence ao retângulo 0.
No ponto que a cumeeira do retângulo 2 toca o espigão do retângulo 0, este traço
poderá ser apagado daí para baixo (ou seja, a parte que vai até o contorno do telhado)
e este espigão passa a se chamar de caimento.
Do outro lado, por oposição, deriva-se um segmento de reta inclinado (e portando a 45°
em relação à cumeeira do retângulo 2) que toca o contorno do telhado. Por tratar-se de
um segmento de reta inclinado que vai configurar uma reentrância na volumetria final
do telhado (e não uma saliência), ele será a representação de uma água furtada.

Após os ajustes dos telhados entre os retângulos 0 e 1 e 0 e 2, faremos o mesmo


procedimento para ajustar o encontro dos telhados dos retângulos 2 e 3. Veja que

224 • capítulo 4
sempre fazemos os ajustes do maior retângulo para o menor retângulo.
Assim, se estas 2 coberturas (a do retângulo 2 e a do retângulo 3) não tivessem
relação, ambas seriam independentes entre si e possuiriam, em comum, apenas uma
calha. No entanto, essa não é uma boa solução de cobertura (como enunciado ante-
riormente), sobretudo para conter escoamento de água derivado de chuvas torren-
ciais. Assim, o ideal é relacionar ambas as coberturas.

Isso ocorre da seguinte maneira: basta fazer com que os 2 espigões da face exter-
na do retângulo 3 (a face que não toca o retângulo 2) se interseccionem em um
único ponto.
Quando 2 espigões se encontram, forma-se obrigatoriamente uma cumeeira derivada
de tal ponto de encontro. Esta linha que representa a cumeeira, então, pode ser
alongada até interseccionar um espigão existente (e já desenhado) que pertence ao
retângulo 2.
No ponto que a cumeeira do retângulo 3 toca o espigão do retângulo 2, este traço
poderá ser apagado daí para baixo (ou seja, a parte que vai até o contorno do telha-
do) e este espigão passa a se chamar de caimento.
Do outro lado, por oposição, deriva-se um segmento de reta inclinado (e portando
a 45° em relação à cumeeira do retângulo 2) que toca o contorno do telhado. Por
tratar-se de um segmento de reta inclinado que vai configurar uma reentrância na
volumetria final do telhado (e não uma saliência), ele será a representação de uma
água furtada.

capítulo 4 • 225
Ao final de todos esses ajustes entre
telhados dos retângulos, obteremos a
composição de um telhado único para toda
a edificação. Não se pode esquecer, en-
tretanto, de apagar as linhas dos espigões
que tornaram-se caimentos (linhas que
vinculam uma cumeeira mais alta a uma
cumeeira mais baixa).
Desenha-se, também, uma seta indicativa
do sentido do caimento de cada água do
telhado (sempre apontando da cumeei-
ra para a base inferior do telhado – seu
contorno).

Para deixar o desenho ainda mais rico de


detalhes, elabora-se com a régua para-
lela (ou “T”) e com os esquadros, linhas
horizontais e verticais que representa-
rão as telhas do telhado. Veja que essa
representação alinha-se a seguinte norma:
as linhas da hachura do telhado sempre
acompanharão o sentido do caimento da
água, ou seja, estarão paralelas a este
sentido e, por oposição, estarão a 90° em
relação ao contorno inferior do telhado
naquela específica água.

226 • capítulo 4
Por fim, insere-se no desenho todo tipo de
simbologia inerente a sua compreensão:
em cada água do telhado, próximo à seta
do sentido de seu caimento, escreve-se o
tipo de telha (por exemplo: telha cerâmi-
ca), o valor da inclinação (por exemplo: i =
35%), as indicações de cortes são aloca-
das no desenho (posicionadas no mesmo
local e com mesmo sentido em todas as
plantas do edifício – planta do pavimento
térreo, do 1º pavimento, do subsolo etc.), o
título junto à escala do referido desenho é
escrito (por exemplo: planta de cobertura
e escala 1:100) e as cotas lineares do
telhado são elaboradas.

Figura 4.32  –  Processo de constituição da planta de cobertura conformada por telhado ce-
râmico. Fonte: Elaborada pela autora.

Usando o procedimento apresentado, elaborou-se a planta de cobertura do


projeto “Casinha”, de Artigas (1942). Observe que, nesse caso, optou-se por in-
serir tal planta no lote; todavia não há equívoco se o projetista não o fizer já que
o projeto da área externa será visualizado na planta do pavimento térreo e na
implantação – como veremos no subitem que se segue a este.

capítulo 4 • 227
Figura 4.33  –  Planta de Cobertura da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista
João Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urba-
nista Marina de Holanda Souza.

Telhado composto por telhas metálicas do tipo sanduíche ou por telhas


de fibrocimento
De maneira geral, as características desses telhados são as mesmas apre-
sentadas pelo telhado recoberto por telhas cerâmicas; com apenas duas dife-
renças fundamentais.
A primeira delas trata-se das telhas propriamente ditas: estas são compos-
tas de placas maiores que devem ser sobrepostas uma em relação à outra ini-
ciando pela parte inferior da cobertura, até atingir a cumeeira – igualmente ao
que ocorre com as telhas cerâmicas.
A segunda delas refere-se à inclinação de seu caimento que, geralmente, va-
ria de 5 a 15%, o que auxilia a diminuir substancialmente a altura da cobertura
e, por conseguinte, o gasto de material a ser utilizado na construção do referi-
do telhado.

228 • capítulo 4
Na maioria das vezes, esses tipos de telhados recebem um tratamento em
seu requadro dado pelo uso de platibandas.

Laje impermeabilizada
Outra possibilidade utilizada, sobretudo em municipalidades de clima tem-
perado, é a cobertura dita plana, constituída de laje impermeabilizada. Trata-
se, grosso modo, de uma superfície com caimento de 1 a 3% de inclinação que
recobre as edificações de forma a aplicar a elas uma aparência volumétrica de
cunho ortogonal.
Para evitar-se que as águas pluviais infiltrem nesta cobertura, aplica-se so-
bre a laje uma camada de material impermeabilizante; e, para evitar que as
águas pluviais escorram pelas superfícies externas das vedações do edifício, a
laje impermeabilizada recebe platibandas em todo o seu contorno.
Há, ainda, possibilidade de constituir acesso a tais lajes, fazendo com que as
mesmas conformem terraços, mirantes ou jardins na cobertura do edifício (a cha-
mada laje-jardim ou teto-jardim). Para tanto, sua espessura geral aumenta a fim
de suportar esta sobrecarga de utilização – lembrando que a platibanda também
terá uma altura maior, nesses casos, para que os substratos inferiores à vegetação
alocada na laje-jardim estejam inteiramente recobertos entre a laje e a platibanda.

Figura 4.34  –  Telhado de telhas do tipo fibrocimento e laje impermeabilizada. Fonte: TA-
MASHIRO, 2010, p. 161. (Editada pela autora).

Outras possibilidades de cobertura


Além das coberturas ditas “planas” enunciadas e caracterizadas, existe
um conjunto de modelos tridimensionais passíveis de serem utilizados na
construção civil para proteção das edificações, tais como: treliças espaciais,

capítulo 4 • 229
pergolados, abóbodas, cúpulas, cascas, etc. Não cabe ao presente estudo, en-
tretanto, esmiuçar suas particularidades devido ao fato de não serem comu-
mente utilizadas.
Contudo, há uma infinidade de bibliografias a respeito de tais sistemas
construtivos que podem ser pesquisados pelos alunos e futuros profissionais
que pretendam usá-las em seu projeto. Como já dito: nosso estudo não finaliza-
se no ateliê de projeto, mas pode (e deve) ser sempre ampliado por pesquisas
pessoais e coletiva dos discentes!

Figura 4.35  –  Outros tipos de cobertura de uma dada edificação. Fonte: MONTENEGRO,
1997, p. 99. (Editada pela autora).

4.5  Implantação
A implantação é a peça gráfica que demonstra claramente a vinculação entre a
volumetria de uma determinada edificação com a situação do terreno (lote ou
gleba) após a intervenção arquitetônica.
Tendo isso em vista, não apenas projeta-se (e desenha-se) a cobertura do
edifício, mas também os acessos (para pedestres, para veículos automotores e
para outros modais não poluentes e alternativos), eixos de circulações externos

230 • capítulo 4
e sua respectivas pavimentações (as quais podem ser totalmente impermeáveis
ou parcialmente permeáveis), áreas permeáveis, gramadas ou com outras qua-
lidades de piso, e os extratos vegetativos do projeto de paisagismo (gramíneo,
arbustivo ou arbóreo).
Os limites do terreno, sobretudo se tratar-se de um lote de tamanho conven-
cional (ou seja, de dimensões pequenas ou medianas), deve ser representado
mesmo que este não se configure como um fechamento propriamente dito (por
muros, por exemplo). Caso não haja um limite físico, o ideal é utilizar-se o traço
linha-ponto-linha para identificá-lo.
As movimentações de terra (cortes e aterros) para constituição de pata-
mares (também chamados de platôs) é prerrogativa de qualquer intervenção
construtiva: seja ela arquitetônica, paisagística ou urbanística. Desta forma, é
fundamental desenhar-se os ambientes externos criados a partir de tais alte-
rações topográficas – que podem se vincular à lazer contemplativo, esportivo,
para descanso, promover encontros sociais etc. (destacar seus usos, por con-
seguinte, é fundamental). Os taludes conformados por tais operações devem,
também, ser representados conforme já discutido no BOX – CONCEITO: Mas o
que são curvas de nível? do capítulo 1 do presente livro, com a hachura adequa-
da (conforme demonstrado pela ilustração 4.20 do presente capítulo).
Observe que a diferença de uma implantação em relação à planta do pavi-
mento térreo é que no caso da primeira apresentam-se a planta de cobertura
do edifício e o desenho das áreas exteriores e descobertas; já na segunda, apre-
sentam-se os espaços internos da edificação (não sua cobertura) e o projeto das
áreas externas e descobertas.
É na implantação, também, que se indicam as alterações realizadas nas
curvas de nível de um determinado terreno (lote ou gleba). Ou seja, as curvas
originais, ao conformarem patamares, originarão também cortes e aterros que
serão representados conforme a ilustração 45 do capítulo 1 do presente livro.
Assim, as linhas das curvas de nível originais do terreno passam a ser repre-
sentadas com traços tracejados, dado que foram modificadas. Essa operação
é apresentada na implantação ou em uma planta-chave denominada de Planta
de Alterações Topográficas.

capítulo 4 • 231
A seguir, disponibiliza-se a implantação da “Casinha”, de Artigas (1942).

Figura 4.36  –  Implantação da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João


Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista
Marina de Holanda Souza.

4.6  Planta de Situação


A planta de situação, por sua vez, é aquela que apresenta a situação do terreno
em relação às características urbanas do entorno imediato do lote. Isto é, nes-
ta planta apresenta-se o terreno de intervenção hachurado, suas dimensões li-
neares (comprimento e largura), sua cota de amarração (a fim de localizá-lo no
quarteirão), os lotes e edificações existentes no entorno, a demarcação da rua
(destacando o leito carroçável e as calçadas, de preferência), o nome das ruas e
a orientação solar do lote.
Para aprovação do projeto legal nas prefeituras das municipalidades, a apre-
sentação desta planta no respectivo carimbo da folha do projeto é obrigatória.

232 • capítulo 4
Figura 4.37  –  Planta de Situação do Lote ou da Gleba em relação à cidade.Fonte:
TAMASHIRO, 2010, p.160.

4.7  Plantas em meio nível


Em alguns projetos, dado por exemplo à declividade do terreno de implantação do
edifício, utiliza-se um recurso que é o uso de pavimentos alternados entre si, deslo-
cados horizontalmente (isto é, um não estará, necessariamente, acima do outro) e
cuja altura entre pisos acabados será de, aproximadamente, 1,50 m. Diz-se, então,
que tais pavimentos estão alocados entre si com distância verticais de meio-níveis.
Para desenhar-se suas plantas, então, recorre-se a seguinte situação obser-
vada no corte esquemático elaborado por Tamashiro (2010, p. 164): se a planta
de cada piso acabado é dada por um corte horizontal imaginário na volumetria
da edificação, localizado exatamente a uma altura de 1,20 m em relação àquele
piso acabado, teremos no exemplo a seguir 5 níveis distintos e 3 plantas.

Figura 4.38  –  Como representar plantas de vários pavimentos que estão distantes entre si,
em altura, um valor igual ao que se denomina meio nível (meio pé direito, aproximadamente,
1,50m). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.164.

capítulo 4 • 233
A primeira planta apresenta o nível térreo (mais baixo) e parte da terra
do terreno.

Figura 4.39  –  Planta do pavimento térreo (-2,00 m). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.164.

A segunda planta apresenta o nível do 1º pavimento e o do 2º pavimento.

Figura 4.40  –  Planta do 1º e 2º pavimentos (0,25 e 2,50 m, respectivamente). Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p.164.

234 • capítulo 4
E a terceira planta apresenta o nível do 3º pavimento e o do 4º pavimento.

Figura 4.41  –  Planta do 3º e 4º pavimentos (4,75 e 7,00 m, respectivamente). Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p.164.

capítulo 4 • 235
ATIVIDADES
Nota: Para todos os exercícios, indica-se a utilização de papel manteiga (arroz ou croquis) e
a análise atenta do quadro de esquadria disponibilizado a seguir:

QUADRO DE ESQUADRIAS
TIPO LARGURA ALTURA PEITORIL ESPECIFICAÇÃO
P1 1,60 2,15 abrir - 1 fl.
P2 1,90 2,60 pivotante - 2 fls.
P3 0,90 2,15 abrir -1 fl.
P4 0,90 2,15 correr - 1 fl.
P5 2,90 2,60 pivotante - 3 fls.
P6 1,90 1,45 correr - 2 fls.
P7 0,80 2,15 abrir - 1 fl.
J1 2,85 1,85 0,75 correr - 4 fls.
J2 1,90 4,00 0,20 correr - 2 fls.
J3 2,85 1,40 1,20 correr - 5 fls.
J4 3,10 1,40 1,20 correr - 2 fls.
J5-a 5,70 1,40 1,20 maxim-ar - 5 fls.
J5-b 5,70 1,40 4,35 maxim-ar - 5 fls.
J6 1,40 1,00 1,60 correr - 2 fls.
J7 1,90 1,40 4,35 vidro fixo -1 fl.
Ev-1 4,95 5,75 tijolo de vidro
Ev-2 1,30 3,00 tijolo de vidro

Figura 4.42  –  Quadro de esquadrias. Fonte: Elaborada pela autora.

01. Reproduza em uma Folha A2 o desenho da Planta do Pavimento Térreo a seguir


disponível, usando a escala 1:50, e não se esqueça de, após construir paredes, elementos
estruturais, vãos etc.:
a) desenhar esquadrias (portas e janelas) com as espessuras de batentes iguais a 0.05m
(5cm) e representar as folhas com linhas duplas que denotam sua espessura;
b) diferenciar as linhas para compor o desenho conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);
c) nomear os ambientes e identificar suas áreas (em metros quadrados), seus pés direitos
(em metros lineares);
d) inserir cotas lineares e cotas de nível em todo o desenho conforme normas técni-
cas registradas;
e) nomear o desenho e indicar sua escala.

236 • capítulo 4
Figura 4.43  –  Planta do pavimento térreo com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

02. Reproduza em uma Folha A3 o desenho da Planta do 1º Pavimento a seguir disponí-


vel, usando a escala 1:50, e não se esqueça de, após construir paredes, elementos estrutu-
rais, vãos etc.:
a) desenhar esquadrias (portas e janelas) com as espessuras de batentes iguais a 0.05 m
(5 cm) e representar as folhas com linhas duplas que denotam sua espessura;
b) diferenciar as linhas para compor o desenho conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);
c) nomear os ambientes e identificar suas áreas (em metros quadrados), seus pés direitos
(em metros lineares);
d) inserir cotas lineares e cotas de nível em todo o desenho conforme normas técni-
cas registradas;
e) nomear o desenho e indicar sua escala.

capítulo 4 • 237
Figura 4.44  –  Planta do 1º pavimento com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

03. Reproduza em outra Folha A3 o desenho da Planta de Cobertura a seguir disponível,


usando a escala 1:50, e não se esqueça de, após construir beirais, espigões, águas furtadas,
cumeeiras, águas do telhado, volumetria da caixa d’água etc.:
a) diferenciar as linhas para compor o desenho, conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);
b) indicar o sentido de caimento das águas do telhado e de lajes impermeabilizadas, bem
como sua porcentagem de inclinação e elementos de recolhimento de águas pluviais
(com símbolos e hachuras adequados);
c) inserir cotas lineares e cotas de nível (se e onde houver) em todo o desenho, conforme
normas técnicas registradas;
d) nomear o desenho e indicar sua escala.

238 • capítulo 4
Figura 4.45  –  Planta de cobertura com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

04. Elabore em outra Folha A2 o desenho da Implantação da habitação unifamiliar apre-


sentada, usando o exterior reproduzido na Planta do Pavimento Térreo e a Planta de Co-
bertura já executada. O uso de papel manteiga nesse exercício é fundamental para que
seja possível copiar os desenhos já elaborados a fim de constituir esta peça gráfica. Utilize,
obviamente, escala 1:50, e não se esqueça de:
a) diferenciar as linhas para compor o desenho, conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);
b) nomear os ambientes externos e identificar suas áreas (em metros quadrados);
c) inserir cotas lineares e cotas de nível em todo o desenho, conforme normas técnicas
registradas. Não se esqueça de locar a habitação no terreno usando cotas lineares ade-
quadas para essa ação (de locação);
d) nomear o desenho e indicar sua escala.

capítulo 4 • 239
05. Com os desenhos finalizados, faça a margem em todas as folhas utilizadas e elabore
um carimbo padrão para cada uma delas. Lembre-se de seguir adequadamente as normas
técnicas registradas. A seguir, um modelo de carimbo é apresentado:

Figura 4.46  –  Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alu-
nos (TAMASHIRO, 2010, p.156). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determina-
do processo de projeto. Desta forma, entender como se dá a construção da projeção orto-
gonal, bidimensional, denominada planta, bem como diferenciar cada uma das qualidades de
plantas existentes, utilizando cada uma delas de forma adequada para mostrar características
distintas do projeto que se pretende elaborar e, por fim, especificar detalhes em cada uma
das plantas desenhadas – a saber: representação correta de elementos estruturais (pilares,
vigas, lajes, alvenaria estrutural, etc.); vedações (fechamentos em geral: alvenaria derivada
de tijolo cerâmico, de tijolo de concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartonado, placas
cimentícias, etc.); esquadrias (portas e janelas); shafts, dutos de ventilação verticais, vazios
relativos à caixa de elevador, ou mesmo devido à incompletudes de lajes que configuram
mezaninos; mobiliário fixo de áreas molhadas (pias, lavatórios, bacias sanitárias, chuveiros,
tanques etc.); mobiliário móvel (camas, sofás, poltronas, mesas, cadeiras, armários etc.); co-
tas lineares e cotas de nível; sentido de subida de circulações verticais (escadas e rampas
– sejam estas lineares, helicoidais ou mistas); textos que caracterizam os ambientes (identi-
ficação de nome, área e pé direito de cada um deles, por exemplo); indicações de textos que

240 • capítulo 4
pormenorizem detalhes do projeto (tal como a materialidade de um elemento arquitetônico
ou a altura de outro) e suas respectivas linhas de chamada; indicações de cortes nas plantas;
indicações de elevações nas plantas; indicações de orientação solar nas plantas; quadro de
esquadrias – são habilidades que conferem ao discente capacidade inicial de enfrentamento
de projetos de ordem mais complexas e, certamente, de representar ideias concretamente a
partir de um conjunto de peças gráficas interdependentes entre si (plantas, cortes e vistas).
Todas essas competências e habilidades trabalhadas no quarto capítulo do presente livro
serão ampliadas na sequência, a partir da apresentação, interpretação, análise e posterior
execução das seguintes projeções ortogonais: cortes – as quais reproduzem um conjunto de
informações passíveis de serem entendidas pelos distintos agentes envolvidos no processo
de projeto (idealizadores, engenheiros, mestres de obras, equipes multidisciplinares de cons-
trução e, até mesmo, clientes), a fim de que o projeto idealizado seja efetivamente construído.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8403 – Aplicação de linhas em
desenhos – Tipos de Linhas – Larguras das Linhas. Rio de Janeiro, ABNT, 1984. 5p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10126 – Cotagem em desenho
técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1987. 13p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402 – Execução de caracter para
escrita em desenho técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1994. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492 – Representação de projetos de
arquitetura. Rio de Janeiro, ABNT, 1995. 27p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647 – Desenho técnico. Rio de
Janeiro, ABNT, 1995. 14p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-8196 – Desenho técnico – emprego
de escalas. Rio de Janeiro, ABNT, 1999. 2p.
CARRANZA, Edite Galote; CARRANZA, Ricardo. Escalas de representação em arquitetura. 3. ed.
Sào Paulo, G&C Arquitectônica, 2013. 240p.
CHING, Francis D.K.. Manual de dibujo arquitectónico. México, Gustavi Gili, 1986. 190p.
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
FERREIRA, Patrícia. Desenho de arquitetura. 2. ed. Rio de Janeiro, Imperial Novo Milênio, 2011. 138p.

capítulo 4 • 241
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino
nas escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico:
uma possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de
Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2010. 210p.
YEE, Rendow. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Tradução: Luiz
Felipe Coutinho Ferreira da Silva. Revisão técnica: Alice Barsoleiro. Reimpr. Rio de Janeiro, LTC, 2015.
780p.

242 • capítulo 4
5
Projeções
Ortogonais
do Desenho
Arquitetônico –
Cortes
Agora que já efetuamos o estudo detalhado sobre as projeções ortogonais deno-
minadas de plantas, é importante lembrar que existem outras representações
bidimensionais possíveis de advir do objeto e de sua projeção sobre os planos
de um diedro a partir de uma simples operação: a secção (nesse caso, vertical)
do objeto tridimensional.
Seccionar um modelo tridimensional nada mais é do que a ação de divi-
di-lo em partes, sejam estas iguais ou não. Essa secção pode ocorrer horizon-
talmente, separando o modelo em parte inferior e parte superior – o que dá
origem às plantas –, ou verticalmente, dividindo o objeto em porção direita e
porção esquerda.
O mais relevante, entretanto, é que a partir desta segmentação o modelo
tridimensional passa a ser visualizado não apenas por fora, mas também inter-
namente, isto é, ao dividirmos tal objeto, rompemos seu invólucro e, portanto,
passamos a enxergar como ocorre sua constituição espacial interior. Para a ar-
quitetura essa operação é essencial, dado que ao projetarmos uma espacialida-
de é fundamental compreendermos sua conformação interior para além de seu
aspecto exterior.
Tendo isso em vista, é necessário elaborarmos um conjunto de peças gráfi-
cas que além das vistas exteriores do objeto tridimensional mostrem de forma
clara e precisa, também, representações do seu interior.
Assim, a representação bidimensional gerada a partir da secção vertical de
uma determinada volumetria chama-se corte. Estudaremos tal qualidade de
peça gráfica nesse capítulo, salientando a maneira como a construímos e suas
particularidades. Já o capítulo 6 será voltado para elucidar essas características
sobre as vistas.
Estudando profundamente cada uma destas representações bidimensio-
nais, (planta, corte e vista), estaremos aptos a aplicar tal conhecimento em todo
e qualquer projeto que se pretenda elaborar: seja este de ordem arquitetônica,
paisagística ou urbanística; pois o princípio de constituição das projeções orto-
gonais citadas sempre será o mesmo, não importando a escala do projeto.
O que se altera, como já se sabe, apenas é o grau de detalhamento que se
consegue aplicar na peça gráfica conforme sua escala de representação: quan-
to maior a escala (1:1, 1:2, 1:5, 1:10, 1:20, 1:25, 1:50 e 1:75) é possível visualizar
particularidades mais específicas de um determinado projeto do que em uma
escala menor (1:100, 1:200, 1:250, 1:500, 1:1.000, 1:2.000, 1:2.500, 1:5.000, etc.).

244 • capítulo 5
OBJETIVOS
•  Compreender adequadamente como se dá a construção da projeção ortogonal, bidimen-
sional, denominada corte;
•  Diferenciar cada uma das qualidades de cortes existentes (transversal e longitudinal), uti-
lizando cada um deles de forma adequada para mostrar características distintas do projeto
que se pretende elaborar;
•  Especificar detalhes em cada um dos cortes desenhados, ou seja, a representação corre-
ta de:
•  elementos estruturais (pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural, etc.);
•  vedações (fechamentos em geral: alvenaria derivada de tijolo cerâmico, de bloco de
concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartonado, placas cimentícias, etc.);
•  esquadrias (portas e janelas);
•  mobiliário fixo de áreas molhadas (pias, lavatórios, bacias sanitárias, chuveiros, tan-
ques, etc.);
•  cotas lineares e cotas de nível;
•  textos que caracterizam os ambientes (identificação de nome, área e pé direito de
cada um deles, por exemplo);
•  indicações de textos que pormenorizem detalhes do projeto (tal como a materialida-
de de um elemento arquitetônico) e suas respectivas linhas de chamada;
•  hachuras em elementos segmentados, sobretudo a que representa a terra do terreno.

capítulo 5 • 245
5.1  Passo a passo para a elaboração de
cortes

O corte, conforme dito anteriormente, é a projeção ortogonal que representa


a vista interna de um dado objeto após ele ter sido seccionado verticalmente.
É como se o modelo tridimensional fosse cortado na direção vertical em
qualquer área da volumetria que se desejar. O modelo, então, passa a ter duas
porções, uma lateral esquerda e outra lateral direita, e uma delas irá nos inte-
ressar. Ao isolá-la e observá-la, veremos todas as dimensões lineares relativas
ao comprimento e à altura (se tivermos efetuado um corte longitudinal na vo-
lumetria) ou as dimensões lineares relativas à largura e à altura de tal modelo
(se tivermos efetuado um corte transversal na volumetria) – tanto medidas ex-
ternas como medidas internas – e, desta forma, conseguiremos visualizar toda
a constituição de suas espacialidades.

1.

2.

246 • capítulo 5
3.

4.

Figura 5.1  –  Processo de constituição do corte transversal (efetuado no menor lado da vo-
lumetria), a partir da segmentação do modelo tridimensional que se pretende representar.
Fonte: Modelo tridimensional e desenhos da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

1.

2.

capítulo 5 • 247
3.

4.

Figura 5.2  –  Processo de constituição do corte longitudinal (efetuado no maior lado da vo-
lumetria), a partir da segmentação do modelo tridimensional que se pretende representar.
Fonte: Modelo tridimensional e desenhos da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

Para conformar o desenho de um corte, deve-se seguir um conjunto ordenado


de ações a fim de que não esqueçamos nenhum de seus vários detalhes de composi-
ção. Sendo assim, podemos elaborar um passo a passo que apresentará tal conjunto
de ações de forma organizada e ordenada. Se o seguirmos, provavelmente nenhum
equívoco será computado ao longo do processo de criação de tal representação.

Primeiramente, desenham-se todas as plantas que compõem os vários pavimentos da


edificação (subsolo, térreo, 1º andar, 2º andar etc.), incluindo planta de cobertura.

248 • capítulo 5
Posteriormente, fixa-se a planta do pavimento térreo na prancheta alinhada à régua paralela
(ou “T’”) – conforme explicado do capítulo 1 – e fixa-se uma segunda folha também alinhada à
régua para efetuar o corte.
Marca-se, na planta, o local e o sentido em que o corte passará (indicação de corte na planta)
e desenham-se linhas horizontais que demarcam os pisos acabados dos vários pavimentos.
ATENÇÃO: Sempre faça com que a planta seja fixada à prancheta com a seta de
indicação do sentido do corte apontando para cima. Desta forma, evita-se dese-
nhar o corte espelhado!

capítulo 5 • 249
Utilize o escalímetro para medir alturas e aproveite para já deixar marcado no desenho (evi-
tando futuras confusões) as cotas de nível dos pisos acabados de todos os pavimentos.
Os limites horizontais do desenho (comprimentos ou larguras) serão demarcados a partir da
derivação de linhas verticais que conformam, por exemplo, as espessuras das vedações já
desenhadas na planta.

Observe que da planta derivam-se todas as dimensões horizontais do espaço a ser


desenhado, tais com espessuras de vedações, dimensões horizontais (comprimentos ou
larguras) das lajes dos pavimentos superiores (no caso, por exemplo, a que conforma
o mezanino), espessuras de vigas, larguras (se estiverem em vista) ou espessuras (se esti-
verem em corte) das esquadrias, etc.

250 • capítulo 5
Para desenhar os elementos arquitetônicos dos pavimentos superiores, sobreponha à
planta do pavimento térreo fixada à prancheta cada uma das plantas dos outros pavimen-
tos, tomando o cuidado para que tal sobreposição seja precisa.

capítulo 5 • 251
Aplique os conceitos de hierarquias de traços já aprendidos (enunciados no capítulo 2 do
presente livro), lembrando que os elementos arquitetônicos cortados recebem uma es-
pessura de linha mais robusta e esta irá afinando conforme a representação de um dado
elemento distancia-se do olhar do observador da peça gráfica.

252 • capítulo 5
Por fim, insira todas as simbologias necessárias à compreensão desta peça gráfica, tais
como: hachura dos materiais dos elementos arquitetônicos cortados (no caso, utilizou-se
a hachura de concreto, em corte, para aplicação em elementos estruturais segmentados
– lajes e vigas); cotas de nível dos pisos acabados; cotas lineares que indicam as alturas
de pis o acabado a piso acabado das diferentes lajes existentes no desenho, pé direito,
espessura de lajes e localização da alocação das janelas (altura dos peitoris e das esqua-
drias propriamente ditas) bem como as alturas das portas; hachura que indica o corte na
terra do terreno – essa hachura é obrigatória para todos os cortes que forem gerados a
partir de uma dada edificação.

Figura 5.3  –  Processo de constituição do corte a partir da segmentação do modelo tridi-


mensional que se pretende representar. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 172-173. (Editada
pela autora).

capítulo 5 • 253
É importante salientar que todas as portas e janelas devem ser represen-
tadas em um corte com indicação a respeito de seu funcionamento, ou seja,
ambas apresentam-se fechadas nos cortes, mas serão posicionadas de modo a
indicar qual seu padrão de utilização.
O princípio da escala é o mesmo já identificado: quanto maior a escala,
maior o nível de detalhamento dos cortes e, consequentemente, das esqua-
drias – as portas serão representadas com batentes, folhas (sejam essas com-
postas de materiais opacos, translúcidos ou transparentes). As janelas, por sua
vez, serão representadas com a modulação dos caixilhos e as respectivas folhas
que indicam, inclusive, se existem folhas compostas de vidros, de venezianas
ou ambas. Em uma escala menor, esse nível de detalhes também diminui dado
que não se conseguirá visualizar tais diferenças.

Figura 5.4  –  Nível de detalhamento de uma esquadria (janela), em corte, conforme escala
de representação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.181.

254 • capítulo 5
Para finalizar o processo de elaboração de um corte é fundamental, após
todas as ações descritas, inserir símbolos técnicos (alguns já apresentados no
capítulo 2) que ratificam as informações gráficas desenhadas, bem como dei-
xam-nas mais claras para evitar equívocos de interpretação.
Dentre estes símbolos, estão:
•  elementos estruturais: os pilares devem ser demarcados com sua espes-
sura correta, seja esta derivada de um paralelepípedo, de um cilindro etc. A ma-
terialidade do mesmo é dada pelas hachuras nele indicadas para representar
concreto, madeira etc. e pelo desenho do seu perfil, que pode denotar o uso de
elementos metálicos pré-fabricados.
•  vedações: as alvenarias podem ser compostas de tijolos cerâmicos ou de
blocos de concreto; já painéis pré-fabricados de gesso acartonado ou de placas
cimentícias compõem fechamentos modulares, por exemplo. Assim, tais mate-
riais devem ser pesquisados a fim de que seu desenho corresponda às medidas
de suas espessuras e ao modo pelo qual elas se estruturam.

Figura 5.5  –  Hachuras, em corte e em vista, de alguns materiais utilizados na construção


civil. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.25.

•  esquadrias (portas e janelas): todas as esquadrias devem ser desenha-


das de modo a indicar seu funcionamento. Conforme alertado anteriormen-
te, quanto maior a escala do desenho, mais preciso será sua especificação em
termos de representação. A seguir, disponibiliza-se um rol de alternativas de
esquadrias a ser utilizado nos projetos de arquitetura, em corte:

capítulo 5 • 255
Porta ou janela de abrir – 2 Janela basculante Porta ou janela camarão

folhas (sanfonada) com folhas


alinhadas a partir de um eixo
central – 4 folhas

Porta ou janela camarão Porta ou janela de correr – 2 Porta ou janela de correr


(sanfonada) com folhas folhas com folhas compostas de
alinhadas a partir de um eixo vidro e veneziana – 3 folhas
deslocado – 2 folhas

256 • capítulo 5
Porta ou janela de correr Janela guilhotina – 2 folhas
com folhas compostas de Janela maxim-ar com venta-

vidro e veneziana – 6 folhas rola – 2 ou 4 folhas

Janela maxim-ar – 1 folha Janela pivotante – eixo Janela pivotante – eixo


central – 1 folha deslocado – 1 folha

capítulo 5 • 257
Janela de tombar – 1 folha
Janela veneziana – 1 folha
Janela projetante – 1 folha

Janela veneziana de abrir Vão preenchido com blocos


conjugado (sem vidro) – de concreto (elemento
4 folhas Janela de vidro fixo – 1 folha vazado)

258 • capítulo 5
Vão preenchido com tijolos Porta de abrir

de vidro
Vão sem preenchimento

Portão basculante conjugado


Portão basculante

Figura 5.6  –  Representação, em corte, de diversas esquadrias (portas e janelas). Fonte: TA-
MASHIRO, 2010, p. 182. (Editada pela autora).

•  mobiliário fixo de áreas molhadas: tais como pias, lavatórios, bacias sani-
tárias, chuveiros, tanques, bancadas com pias, coifas etc.
É importante verificar o dimensionamento exato de tais peças que podem
ser indicados pelos próprios fabricantes ou verificados em bibliografias diver-
sas relativas à arquitetura e urbanismo.

capítulo 5 • 259
Para desenhá-los à mão, é imprescindível o uso de gabaritos – os quais fo-
ram devidamente apresentados no capítulo 1 do presente livro.
Através do uso de mobiliário, vegetação e, até mesmo, escalas humanas nos
desenhos, obtemos peças gráficas ditas humanizadas que facilitam a interlo-
cução com os clientes na etapa de criação do projeto, por exemplo, enquanto
ainda estamos elaborando os estudos preliminares. Tal artifício nos auxilia no
diálogo com leigos que compreendem melhor aquilo que está sendo represen-
tado quando o corte é, então, humanizado.
A seguir, veremos um exemplo desta qualidade de peça gráfica. Perceba que
a maioria dos símbolos técnicos foram suprimidos, dando lugar à possibilida-
de de uma representação mais livre em relação a normas e a regras, a fim de
simplificar o nível de informações que se pretende apresentar ao cliente:

Figura 5.7  –  Corte humanizado. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.187. (Editada pela autora).

•  cotas lineares e cotas de nível: todo desenho técnico deve conter elemen-
tos que indicam as medidas gerais de uma edificação, as dimensões internas
das alturas dos ambientes, a locação de esquadrias (portas e janelas) em tais
espaços, salientando sua altura e a altura de seu peitoril no caso de janelas, etc.
Ou seja, para que os desenhos de arquitetura sejam passíveis de indicar ele-
mentos a serem construídos, cotas lineares e cotas de nível que identificam di-
mensões devem compô-los.
As regras gerais de utilização de cotas lineares e de cotas de nível foram es-
clarecidas no capítulo 2 do presente livro, mas é importante lembrar que uti-
lizamos apenas cotas lineares relativas às alturas nos cortes; comprimentos e

260 • capítulo 5
larguras são cotados apenas nas plantas. Lembre-se, também, de que o símbo-
lo usado para indicar cotas de nível, em corte, é:

Figura 5.8  –  Símbolo que representa as cotas de nível em cortes. Fonte: ABNT – NBR
6492, 1994, p.17.

•  textos que caracterizam os ambientes e as peças gráficas: tais como a


identificação do nome do ambiente, sua área e seu pé direito; além da iden-
tificação da peça gráfica em si: título desta e sua escala de representação que
sempre aparecem no canto inferior (esquerdo ou direito) dela.
•  indicações de textos: que pormenorizem detalhes do projeto, tal como a
materialidade de um elemento arquitetônico e suas respectivas linhas de cha-
mada (que conectam os textos aos locais exatos aos quais se referem):

Figura 5.9  –  Indicações de textos e linhas de chamada em ampliações de área molhadas.


Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.207.

capítulo 5 • 261
A seguir, disponibilizamos parte de um corte, a fim de apresentar a maioria
dos símbolos citados e explicados até então e sua utilização em uma mesma
peça gráfica:

Figura 5.10  –  Simbologias necessárias para caracterizar um corte técnico de arquitetura.


Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.171.

262 • capítulo 5
5.2  Corte Transversal e Corte Longitudinal
Tanto os cortes transversais como os longitudinais demonstram claramente
a vinculação entre interior e exterior de uma determinada edificação, isto é, a
disposição interna dos ambientes, a relação espacial destes entre si, disposição
do mobiliários nas áreas molhadas e o vínculo dos ambientes internos com a
situação do terreno (lote ou gleba) após a intervenção arquitetônica.
Tendo isso em vista, não apenas projeta-se (e desenha-se) o interior do edifí-
cio, mas também os acessos (para pedestres, para veículos automotores e para
outros modais não poluentes e alternativos), eixos de circulações externos e
suas respectivas pavimentações (as quais podem ser totalmente impermeáveis
ou parcialmente permeáveis), áreas permeáveis, gramadas ou com outras qua-
lidades de piso, e os extratos vegetativos do projeto de paisagismo (gramíneo,
arbustivo ou arbóreo).
As movimentações de terra (cortes e aterros) para constituição de pata-
mares (também chamados de platôs) é prerrogativa de qualquer intervenção
construtiva: seja ela arquitetônica, paisagística ou urbanística. Desta forma, é
fundamental desenhar-se os ambientes externos criados a partir de tais alte-
rações topográficas – que podem se vincular a lazer contemplativo, esportivo,
para descanso, promover encontros sociais etc. (destacar seus usos, por con-
seguinte, é fundamental). Os taludes conformados por tais operações devem,
também, ser representados conforme já discutido no capítulo 1.
O subsolo de toda e qualquer edificação, se existir, e caso seja utilizado para
alocação de garagem de veículos motorizados ou outros, deve, obrigatoriamen-
te, ter um pé direito mínimo de 2,50m (em algumas municipalidades o mínimo
admissível é 2,20m), além de possibilidades de respiros (ventilação para dissi-
pação do monóxido de carbono derivado dos motores dos veículos).
Sabe-se que, para compreender-se devidamente uma edificação, elaboram-
se no mínimo 2 cortes nela: um transversal (derivado do seu menor lado) e um
longitudinal (derivado do seu maior lado); e tais cortes devem passar, obriga-
toriamente, nas circulações verticais do edifício (quando existirem) e em suas
áreas molhadas (apresentando, inclusive, a solução para alocação das caixas
d’água da edificação).
A seguir, disponibiliza-se o Corte AA e o Corte BB da habitação unifami-
liar conhecida como “Casinha”, projeto do arquiteto e urbanista João Batista
Vilanova Artigas. Foi construída na cidade de São Paulo/SP em 1942, e por ser

capítulo 5 • 263
paradigmática à historiografia brasileira da arquitetura e urbanismo moder-
nos, foi selecionada como modelo síntese de boas soluções projetuais, para
além de um excelente exemplo de representação:

Figura 5.11  –  Corte AA da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João Batis-
ta Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista Marina
de Holanda Souza.

Figura 5.12  –  Corte BB da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João Batis-
ta Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista Marina
de Holanda Souza.

264 • capítulo 5
5.3  Corte de Cobertura
Telhado cerâmico
Sobre o telhado cerâmico se sabe que, dependendo da telha utilizada, há uma
inclinação de seu caimento. Essa inclinação, na maioria das vezes, varia de 20 a
35%. Tendo isso em vista, para se construir cortes das superfícies inclinadas de
um telhado, é preciso:

Utilizar a planta de cobertura previamente desenhada para elaborar um dos cortes


nela demarcados.
Desenharemos, nesse caso, o Corte BB dado que seu sentido (indicado pelas setas) está
voltado para cima. Assim, evitamos representar um corte espelhado.

capítulo 5 • 265
Para facilitar a visualização das espacialidades vistas a partir do Corte BB, elimina-se
da representação em planta tudo aquilo que está para trás dele (e que, portanto, não é
visível).

Elabora-se, então, uma linha horizontal que será a base inferior do desenho em corte e
derivam-se da planta as linhas auxiliares verticais que indicam limites (das paredes exter-
nas, das lajes, das águas do telhado, das cumeeiras etc.)

266 • capítulo 5
Desenham-se, então, as paredes externas, sua espessura na região do edifício que está
cortada, bem como a espessura das lajes horizontais que, nesse exemplo, existem e são
proeminentes em relação à volumetria da edificação (pois constituem os beirais).
Observe que, para as regiões do edifício que estão em vista, apenas elabora-se a linha da
face externa da vedação.
Neste ponto, a fim de facilitar a execução do desenho, aplicam-se os conceitos sobre
hierarquia de linhas já conhecidos: a área do volume em corte apresenta uma espessura
de linha mais robusta em relação às superfícies que estão em vista.

Calcula-se a altura (H1) relativa ao vão (C1) vencido pelas águas do telhado que confor-
mam a Cumeeira 1.

capítulo 5 • 267
Basta olhar na planta tais dimensões, já que esta peça gráfica encontra-se cotada:
9, 90
C1 = = 4, 45 m
2
H1
i=
C1
H1 = i x C1 = 0,35 x 4,45 = 1,7325 m
A partir da Cumeeira 1 sobe-se uma altura igual à calculada (1,7325 m) e dela derivam-se
linhas inclinadas até o limite inferior (beiral) de cada lado desta cumeeira – que configu-
ram-se como suas águas.
Como esta parte da edificação está em corte, desenha-se a espessura desta cobertura. Perceba
que a espessura de tais traços são as mais robustas da peça gráfica.
Nesta fase de aprendizado não é necessário desenhar o madeiramento do telhado ce-
râmico, o qual o sustenta. Mais a frente, nas disciplinas que tratarão de detalhamento do
projeto arquitetônico, os alunos aprenderão como desenhar um telhado detalhado.

Repete-se o procedimento anterior para a Cumeeira 2: calcula-se a altura (H2) relativa ao vão
(C2) vencido pelas águas do telhado que conformam a Cumeeira 2.
Basta olhar na planta tais dimensões, já que esta peça gráfica encontra-se cotada:
10, 60
C2 = = 5, 30 m
2
H2
i=
C2
H2 = i x C2 = 0,35 x 5,30 = 1,855 m

268 • capítulo 5
A partir da Cumeeira 2 sobe-se uma altura igual a calculada (1,855 m) e dela derivam-se
linhas inclinadas até o limite inferior (beiral) de cada lado desta cumeeira – que configu-
ram-se como suas águas.
Como esta parte da edificação está em vista, não se desenha a espessura desta cobertu-
ra. Perceba que a espessura de tais traços são as intermediárias da peça gráfica.

Repete-se o procedimento anterior para a Cumeeira 3: calcula-se a altura (H3) relativa ao


vão (C3) vencido pelas águas do telhado que conformam a Cumeeira 3.
Basta olhar na planta tais dimensões, já que esta peça gráfica encontra-se cotada:
5, 60
C3 = = 2, 80 m
2
H3
i=
C3
H3 = i x C3 = 0,35 x 2,80 = 0,98 m
A partir da Cumeeira 3 sobe-se uma altura igual a calculada (0,98 m) e dela derivam-se
linhas inclinadas até o limite inferior (beiral) de cada lado desta cumeeira – que configu-
ram-se como suas águas.
Como esta parte da edificação está em vista, não se desenha a espessura desta cobertu-
ra. Perceba que a espessura de tais traços são as mais finas da peça gráfica.

capítulo 5 • 269
Para finalizar o Corte BB, desenham-se as hachuras das águas que estão em vista e
pode-se inserir indicações de textos no desenho, tais como seu título, escala e as res-
pectivas alturas de cada cumeeira representada. Se as hierarquias de linhas não foram
especificadas ao longo do processo, isso deve ser feito nesse momento.
Para efeitos didáticos, desenhou-se a cobertura isoladamente nesse exemplo,
entretanto, todos os pavimentos do edifício, incluindo a cobertura, devem ser de-
senhados em conjunto em uma única peça gráfica que constituirá, por exemplo, o
Corte BB.

Figura 5.13  –  Processo de constituição do corte de uma cobertura conformada por telhado
cerâmico. Fonte: Elaborada pela autora.

Telhado composto por telhas metálicas do tipo sanduíche ou por telhas


de fibrocimento
De maneira geral, as características desses telhados são as mesmas apre-
sentadas pelo telhado recoberto por telhas cerâmicas; com uma diferença fun-
damental: a inclinação de seu caimento que, geralmente, varia de 5 a 15%, o que
auxilia a diminuir substancialmente a altura da cobertura e, por conseguinte,
o gasto de material a ser utilizado na construção do referido telhado. Na maio-
ria das vezes, esses tipos de telhados recebem um tratamento em seu requadro
dado pelo uso de platibandas.

270 • capítulo 5
Figura 5.14  –  Corte transversal de um telhado com telhas do tipo fibrocimento ou metálica.
Fonte: TAMASHIRO, 2010, p. 174. (Editada pela autora).

Laje impermeabilizada
Outra possibilidade utilizada, sobretudo em municipalidades de clima tem-
perado, é a cobertura dita plana, constituída de laje impermeabilizada. Trata-
se, grosso modo, de uma superfície com caimento de 1 a 3% de inclinação que
recobre as edificações de forma a aplicar a elas uma aparência volumétrica de
cunho ortogonal.
Para evitar-se que as águas pluviais infiltrem nesta cobertura, aplica-se so-
bre a laje uma camada de material impermeabilizante; e, para evitar que as
águas pluviais escorram pelas superfícies externas das vedações do edifício, a
laje impermeabilizada recebe platibandas em todo o seu contorno.
Há, ainda, possibilidade de cons-
tituir acesso a tais lajes, fazendo com
que as mesmas conformem terraços,
mirantes ou jardins na cobertura do
edifício (a chamada laje-jardim ou
teto-jardim). Para tanto, sua espes-
sura geral aumenta a fim de suportar
esta sobrecarga de utilização – lem-
brando que a platibanda também
terá uma altura maior, nesses casos,
para que os substratos inferiores à Figura 5.15  –  Corte de uma cobertura em
vegetação alocada na laje-jardim es- laje impermeabilizada e laje-jardim. Fonte:
tejam inteiramente recobertos entre TAMASHIRO, 2010, p. 174. (Editada pela autora).
a laje e a platibanda.

capítulo 5 • 271
ATIVIDADES
Nota: Para todos os exercícios, indica-se a utilização de papel manteiga (arroz ou croquis) e
a análise atenta do quadro de esquadria disponibilizado a seguir:

QUADRO DE ESQUADRIAS
TIPO LARGURA ALTURA PEITORIL ESPECIFICAÇÃO
P1 1,60 2,15 abrir - 1 fl.
P2 1,90 2,60 pivotante - 2 fls.
P3 0,90 2,15 abrir -1 fl.
P4 0,90 2,15 correr - 1 fl.
P5 2,90 2,60 pivotante - 3 fls.
P6 1,90 1,45 correr - 2 fls.
P7 0,80 2,15 abrir - 1 fl.
J1 2,85 1,85 0,75 correr - 4 fls.
J2 1,90 4,00 0,20 correr - 2 fls.
J3 2,85 1,40 1,20 correr - 5 fls.
J4 3,10 1,40 1,20 correr - 2 fls.
J5-a 5,70 1,40 1,20 maxim-ar - 5 fls.
J5-b 5,70 1,40 4,35 maxim-ar - 5 fls.
J6 1,40 1,00 1,60 correr - 2 fls.
J7 1,90 1,40 4,35 vidro fixo -1 fl.
Ev-1 4,95 5,75 tijolo de vidro
Ev-2 1,30 3,00 tijolo de vidro

Figura 5.16  –  Quadro de esquadrias. Fonte: Elaborada pela autora.

01. Elabore em uma Folha A2 o desenho do Corte AA e o desenho do Corte BB indicados


nas plantas a seguir, usando a escala 1:50. Não se esqueça de, após construir paredes, ele-
mentos estruturais, vãos etc.:
a) desenhar esquadrias (portas e janelas) com as espessuras de batentes iguais a 0.05m
(5cm) e representar as folhas com linhas duplas que denotam sua espessura;
b) diferenciar as linhas para compor o desenho conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);

272 • capítulo 5
c) nomear os ambientes e identificar suas áreas (em metros quadrados), seus pés direitos
(em metros lineares);
d) inserir cotas lineares e cotas de nível em todo o desenho conforme normas técni-
cas registradas;
e) nomear o desenho e indicar sua escala;
f) representar as indicações de ambos os cortes nas plantas já desenhadas anteriormente
(a partir dos exercícios elaborados no capítulo 4).

Figura 5.17  –  Planta do pavimento térreo com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 5 • 273
Figura 5.18  –  Planta do 1º pavimento com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

274 • capítulo 5
Figura 5.19  –  Planta de cobertura com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

02. Com os desenhos finalizados, faça a margem em todas as folhas e elabore um carimbo
padrão para cada uma delas. A seguir, um modelo de carimbo é apresentado:

17,5
1,5 3,1 3,5

Nome: Série I Turno Folha: Data:

Assunto: Escala:
3 cm

Disciplina: Professor(es): Curso I Instituição de Ensino:

Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alunos

Figura 5.20  –  Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alu-
nos (TAMASHIRO, 2010, p.156). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

capítulo 5 • 275
REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determina-
do processo de projeto.
Desta forma, entender como se dá a construção da projeção ortogonal, bidimensional,
denominada corte, bem como diferenciar cada uma das qualidades de cortes existentes
(transversal e longitudinal), utilizando cada um deles de forma adequada para mostrar ca-
racterísticas distintas do projeto que se pretende elaborar e, por fim, especificar detalhes em
cada um dos cortes desenhados – a saber: representação correta de elementos estruturais
(pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural etc.); vedações (fechamentos em geral: alvenaria
derivada de tijolo cerâmico, de bloco de concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartona-
do, placas cimentícias etc.); esquadrias (portas e janelas); mobiliário fixo de áreas molhadas
(pias, lavatórios, bacias sanitárias, chuveiros, tanques etc.); cotas lineares e cotas de nível;
textos que caracterizam os ambientes (identificação de nome, área e pé direito de cada um
deles, por exemplo); indicações de textos que pormenorizem detalhes do projeto (tal como a
materialidade de um elemento arquitetônico) e suas respectivas linhas de chamada; as ha-
churas aplicadas em elementos segmentados, sobretudo a que representa a terra do terreno
no corte – são habilidades que conferem ao discente capacidade inicial de enfrentamento
de projetos de ordem mais complexas e, certamente, de representar ideias concretamente a
partir de um conjunto de peças gráficas interdependentes entre si (plantas, cortes e vistas).
Todas essas competências e habilidades trabalhadas no quinto capítulo do presente livro
serão ampliadas na sequência, a partir da apresentação, interpretação, análise e posterior
execução das seguintes projeções ortogonais: vistas (também chamadas de elevações ou
fachadas) – as quais reproduzem um conjunto de informações passíveis de serem entendi-
das pelos distintos agentes envolvidos no processo de projeto (idealizadores, engenheiros,
mestres de obras, equipes multidisciplinares de construção e, até mesmo, clientes), a fim de
que o projeto idealizado seja efetivamente construído.

276 • capítulo 5
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8403 – Aplicação de linhas em
desenhos – Tipos de Linhas – Larguras das Linhas. Rio de Janeiro, ABNT, 1984. 5p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10126 – Cotagem em desenho
técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1987. 13p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402 – Execução de caracter para
escrita em desenho técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1994. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492 – Representação de projetos de
arquitetura. Rio de Janeiro, ABNT, 1995. 27p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647 – Desenho técnico. Rio de
Janeiro, ABNT, 1995. 14p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-8196 – Desenho técnico – emprego
de escalas. Rio de Janeiro, ABNT, 1999. 2p.
CARRANZA, Edite Galote; CARRANZA, Ricardo. Escalas de representação em arquitetura. 3. ed.
Sào Paulo, G&C Arquitectônica, 2013. 240p.
CHING, Francis D.K.. Manual de dibujo arquitectónico. México, Gustavi Gili, 1986. 190p.
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
FERREIRA, Patrícia. Desenho de arquitetura. 2. ed. Rio de Janeiro, Imperial Novo Milênio, 2011.
138p.
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino
nas escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico:
uma possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de
Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2010. 210p.
YEE, Rendow. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Tradução: Luiz
Felipe Coutinho Ferreira da Silva. Revisão técnica: Alice Barsoleiro. Reimpr. Rio de Janeiro, LTC, 2015.
780p.

capítulo 5 • 277
278 • capítulo 5
6
Projeções
Ortogonais
do Desenho
Arquitetônico –
Vistas (Elevações
ou Fachadas)
Agora que já efetuamos o estudo detalhado sobre as projeções ortogonais deno-
minadas de plantas e de cortes, é importante lembrar que existem outras repre-
sentações bidimensionais possíveis de advir do objeto e de sua projeção sobre
os planos de um diedro: as vistas (também chamadas de elevações ou fachadas).
O mais relevante, entretanto, é que a partir da visualização de uma dada edi-
ficação através das plantas, dos cortes e, por fim, das vistas, esse modelo tridi-
mensional passa a ser visualizado internamente e externamente através de tais
projeções ortogonais bidimensionais.
Para a arquitetura essa operação é essencial, dado que ao projetarmos uma
espacialidade é fundamental compreendermos sua conformação interior e seu
aspecto exterior – o qual influencia em demasia na paisagem urbana que auxi-
lia a construir.
Assim, a representação bidimensional gerada a partir da projeção ortogonal
de uma determinada volumetria no plano de projeção (seja este vertical ou au-
xiliar) chama-se vista. Estudaremos tal qualidade de peça gráfica nesse capítu-
lo, salientando a maneira como a construímos e suas particularidades.
Estudando profundamente cada uma destas representações bidimensio-
nais, (planta, corte e vista), estaremos aptos a aplicar tal conhecimento em todo
e qualquer projeto que se pretenda elaborar: seja este de ordem arquitetônica,
paisagística ou urbanística; pois o princípio de constituição das projeções orto-
gonais citadas sempre será o mesmo, não importando a escala do projeto.
O que se altera, como já se sabe, apenas é o grau de detalhamento que se
consegue aplicar na peça gráfica conforme sua escala de representação: quan-
to maior a escala (1:1, 1:2, 1:5, 1:10, 1:20, 1:25, 1:50 e 1:75) é possível visualizar
particularidades mais específicas de um determinado projeto do que em uma
escala menor (1:100, 1:200, 1:250, 1:500, 1:1000, 1:2000, 1:2500, 1:5000, etc.).

280 • capítulo 6
OBJETIVOS
•  Compreender adequadamente como se dá a construção da projeção ortogonal, bidimen-
sional, denominada vista;
•  Diferenciar cada uma das qualidades de vistas existentes (transversais e longitudinais), uti-
lizando cada uma delas de forma adequada para mostrar características distintas do projeto
que se pretende elaborar;
•  Especificar detalhes em cada uma das vistas desenhadas, ou seja, a representação cor-
reta de:
•  elementos estruturais (pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural etc.);
•  vedações (fechamentos em geral: alvenaria derivada de tijolo cerâmico, de bloco de
concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartonado, placas cimentícias, etc.) e seu
respectivo revestimento;
•  esquadrias (portas e janelas);
•  indicações de textos que pormenorizem detalhes do projeto (tal como a materialida-
de de um elemento arquitetônico) e suas respectivas linhas de chamada;
•  hachuras de elementos em vista.

capítulo 6 • 281
6.1  Passo a passo para a elaboração de
vistas

A vista, conforme dito anteriormente, é a projeção ortogonal que representa a


face externa de um dado objeto.
É como se o modelo tridimensional fosse visualizado em um plano vertical
(ou auxiliar) do diedro, a partir de uma das superfícies externas da volumetria.
Dependendo do posicionamento do observador em relação ao modelo, todas as
dimensões lineares relativas ao comprimento e à altura (se o observador estiver
posicionado de frente para uma das faces longitudinais da volumetria) ou as
dimensões lineares relativas à largura e à altura de tal modelo (se o observador
estiver posicionado de frente para a uma das faces transversais da volumetria)
serão verificadas e, desta forma, conseguiremos visualizar toda a constituição
de seu aspecto exterior (volume, padrão do sistema de aberturas etc.).

1.

2.

282 • capítulo 6
3.

4.

Figura 6.1  –  Processo de constituição de vistas a partir do posicionamento de um observa-


dor na área externa do modelo tridimensional que se pretende representar. Fonte: Modelo
tridimensional e desenhos da arquiteta e urbanista Marina de Holanda Souza.

Para conformar o desenho de uma vista, deve-se seguir um conjunto orde-


nado de ações a fim de que não esqueçamos de nenhum de seus vários detalhes
de composição. Sendo assim, podemos elaborar um passo a passo que apre-
sentará tal conjunto de ações de forma organizada e ordenada. Se o seguirmos,
provavelmente nenhum equívoco será computado ao longo do processo de
criação de tal representação.

Primeiramente, desenham-se todas as plantas que compõem os vários pavimentos da edi-


ficação (subsolo, térreo, 1º andar, 2º andar etc.), incluindo planta de cobertura.
Posteriormente, desenham-se no mínimo 2 cotes (um transversal e um longitudinal)
relativos àquela edificação.
Então, fixa-se a planta do pavimento térreo na prancheta alinhada à régua paralela (ou
“T’”) – conforme explicado do capítulo 1 – e, abaixo desta folha, fixa-se um segundo papel
também alinhado à régua para efetuar a vista.
Por fim, fixa-se um dos cortes alinhado lateralmente ao papel em que se desenhará a
vista, embasado pela régua paralela (ou “T”).

capítulo 6 • 283
Marca-se, na planta, o sentido em que a vista será visualizada (indicação de elevação na
planta) e desenham-se linhas horizontais que demarcam o piso acabado do pavimen-
to térreo.
ATENÇÃO: Sempre faça com que a planta seja fixada à prancheta com a seta
de indicação do sentido da vista apontando para cima. Desta forma, evita-se dese-
nhar a vista espelhada!
Utilize o escalímetro para medir alturas e aproveite para já deixar marcado no desenho
(evitando futuras confusões) as cotas de nível dos pisos acabados do pavimento térreo e
da base inferior (beiral) e superior (cumeeira) da cobertura. Se esta cobertura constituir-se
por uma laje, basta demarcar o nível do piso acabado da laje impermeabilizada e o nível
da platibanda.
Os limites horizontais do desenho (comprimentos ou larguras) serão demarcados a
partir da derivação de linhas verticais que conformam, por exemplo, as faces externas das
vedações já desenhadas na planta do pavimento térreo (e nas outras).

Figura 6.2  –  Processo de constituição de vistas a partir do posicionamento de um observa-


dor na área externa do modelo tridimensional que se pretende representar. Fonte: AUTOR
DESCONHECIDO, não datado, não paginado. In: http://www.ebah.com.br/content/ABAAA-
BaQwAC/apostila-desenho-arquitetura?part=7. Acesso em: 22/11/2015.

284 • capítulo 6
Observe que da planta derivam-se todas as dimensões horizontais do espaço a ser dese-
nhado, tais como limites externos de vedações, dimensões horizontais (comprimentos ou
larguras) das faces externas da edificação, larguras das esquadrias etc.
Já, dos cortes, derivam-se todas as dimensões verticais do espaço a ser desenhado,
tais como alturas de peitoris e janelas, alturas de portas, altura total da edificação (incluindo
a platibanda) etc.

Para desenhar os elementos arquitetônicos (esquadrias, por exemplo) dos pavimentos


superiores, sobreponha à planta do pavimento térreo fixada à prancheta cada uma das
plantas dos outros pavimentos, tomando o cuidado para que tal sobreposição seja precisa.

Aplique os conceitos de hierarquias de traços já aprendidos (enunciados no capítulo 2


do presente livro), lembrando que os elementos arquitetônicos localizados mais próximos
do observador da vista recebem uma espessura de linha mais robusta e esta irá afinando
conforme a representação de um dado elemento distancia-se do olhar do observador da
peça gráfica.

Por fim, insira todas as simbologias necessárias à compreensão desta peça gráfica,
tais como: hachura dos materiais dos elementos arquitetônicos em vista; cotas de nível dos
pisos acabados; e engrosse a linha que indica o piso da vista em relação ao terreno
– essa linha é a mais espessa de todas nestas peças gráficas (vistas).

ATENÇÃO: As peças gráficas denominadas de vistas (elevações ou fachadas)


não recebem cotas lineares. Não se demarcam nem o comprimento, nem a largura,
nem a altura de uma edificação em vista. Estas últimas dimensões (alturas) podem
ser aferidas, entretanto, por cotas de nível que não são comumente utilizadas em
vistas, mas podem fazer parte da constituição deste tipo de representação.

É importante salientar que todas as portas e janelas devem ser represen-


tadas em uma vista com indicação a respeito de seu funcionamento, ou seja,
ambas apresentam-se fechadas nas vistas, mas serão posicionadas de modo a
indicar qual seu padrão de utilização.
O princípio da escala é o mesmo já identificado: quanto maior a escala,
maior o nível de detalhamento das vistas e, consequentemente, das esquadrias
– as portas serão representadas com batentes, folhas (sejam essas compostas

capítulo 6 • 285
de materiais opacos, translúcidos ou transparentes). As janelas, por sua vez, se-
rão representadas com a modulação dos caixilhos e as respectivas folhas que
indicam, inclusive, se existem folhas compostas de vidros, de venezianas ou
ambas. Em uma escala menor, esse nível de detalhes também diminui dado
que não se conseguirá visualizar tais diferenças.
Observe que linhas tracejadas indicarão como as folhas de portas ou
janelas se movimentam para permitir entrada de iluminação e ventila-
ção naturais.

Figura 6.3  –  Nível de detalhamento de uma esquadria (janela), em vista, conforme escala de
representação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.181. (Editada pela autora).

Para finalizar o processo de elaboração de uma vista é fundamental, após


todas as ações descritas, inserir símbolos técnicos (alguns já apresentados no
capítulo 2) que ratificam as informações gráficas desenhadas, bem como dei-
xam-nas mais claras para evitar equívocos de interpretação.
Dentre estes símbolos, estão:

286 • capítulo 6
•  elementos estruturais: os pilares devem ser demarcados com seu dimen-
sionamento correto, seja este derivado de um paralelepípedo, de um cilindro
etc. A materialidade deste é dada pelas hachuras nele indicadas para represen-
tar concreto, madeira etc. e pelo desenho do seu perfil, que pode denotar o uso
de elementos metálicos pré-fabricados.
•  vedações: as alvenarias podem ser compostas de tijolos cerâmicos ou de
blocos de concreto; já painéis pré-fabricados de gesso acartonado ou de placas
cimentícias compõem fechamentos modulares, por exemplo. Sobre estes ma-
teriais, podem-se aplicar acabamentos distintos, tais como chapisco, emboço
e pintura ou até mesmo revestimentos cerâmicos (sobretudo em áreas molha-
das). Assim, tais materiais devem ser pesquisados a fim de que seu desenho
corresponda fielmente as suas características.

Figura 6.4  –  Hachuras, em corte e em vista, de alguns materiais utilizados na construção


civil. Fonte: ABNT – NBR 6492, 1994, p.25.

•  esquadrias (portas e janelas): todas as esquadrias devem ser desenha-


das de modo a indicar seu funcionamento. Conforme alertado anteriormen-
te, quanto maior a escala do desenho mais precisa será sua especificação em
termos de representação. A seguir, disponibiliza-se um rol de alternativas de
esquadrias a ser utilizado nos projetos de arquitetura, em vista:

capítulo 6 • 287
Porta ou janela camarão
Janela basculante (sanfonada) com folhas
alinhadas a partir de um eixo
central – 4 folhas

Porta ou janela de abrir –


2 folhas

Porta ou janela de correr


Porta ou janela de correr – com folhas compostas de
Porta ou janela camarão
2 folhas vidro e veneziana – 3 folhas
(sanfonada) com folhas
alinhadas a partir de um eixo
deslocado – 2 folhas

288 • capítulo 6
Porta ou janela de correr
com folhas compostas de
vidro e veneziana – 6 folhas

Porta ou janela de correr


com folhas compostas de
vidro e veneziana – 6 folhas Janela maxim-ar com venta-
rola – 2 ou 4 folhas

Janela maxim-ar – 1 folha Janela pivotante – eixo Janela pivotante – eixo


central – 1 folha deslocado – 1 folha

Janela de tombar – 1 folha Janela veneziana – 1 folha

Janela projetante – 1 folha

capítulo 6 • 289
Janela de vidro fixo –
Vão preenchido com blocos
1 folha
de concreto (elemento
vazado)

Janela veneziana de abrir


conjugado (sem vidro) –
4 folhas

Vão preenchido com tijolos Vão sem preenchimento


de vidro

Porta de abrir

290 • capítulo 6
Portão basculante Portão basculante conjugado

Figura 6.5  –  Representação, em vista, de diversas esquadrias (portas e janelas). Fonte:


TAMASHIRO, 2010, p.182. (Editada pela autora).

•  indicações de textos: que pormenorizem detalhes do projeto, tal como a


materialidade de um elemento arquitetônico e suas respectivas linhas de cha-
mada (que conectam os textos aos locais exatos aos quais se referem):

Figura 6.6  –  Indicações de textos e linhas de chamada em ampliações de áreas molhadas.


Observe que esta representação configura-se como uma vista interna de uma área molhada (ba-
nheiro). Por tratar-se de um detalhamento, o uso de cotas lineares relativas às alturas das peças
sanitárias e das esquadrias é permitido mesmo na elevação. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.207.

capítulo 6 • 291
A seguir, disponibilizamos uma vista frontal e uma vista lateral direita de
uma mesma edificação, a fim de apresentar a maioria dos símbolos citados e
explicados até então e sua utilização em uma mesma peça gráfica:

Figura 6.7  –  Simbologias necessárias para caracterizar uma vista (frontal) técnica de arqui-
tetura. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.202.

Figura 6.8  –  Simbologias necessárias para caracterizar uma vista (lateral direita) técnica de
arquitetura. Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.203.

292 • capítulo 6
6.2  Vistas Transversais e Vistas
Longitudinais

Tanto as vistas transversais como as longitudinais demonstram claramente as


características e o aspecto volumétrico exterior de uma determinada edifica-
ção, isto é, a composição da paisagem urbana após a intervenção arquitetônica.
Tendo isso em vista, não apenas projeta-se (e desenha-se) o interior do edifí-
cio, mas também os acessos (para pedestres, para veículos automotores e para
outros modais não poluentes e alternativos), eixos de circulações externos e
suas respectivas pavimentações (as quais podem ser totalmente impermeáveis
ou parcialmente permeáveis), áreas permeáveis, gramadas ou com outras qua-
lidades de piso, e os extratos vegetativos do projeto de paisagismo (gramíneo,
arbustivo ou arbóreo).
As movimentações de terra (cortes e aterros) para constituição de pata-
mares (também chamados de platôs) é prerrogativa de qualquer intervenção
construtiva, seja ela: arquitetônica, paisagística ou urbanística. Desta forma,
é fundamental desenhar-se os ambientes externos criados a partir de tais alte-
rações topográficas – que podem se vincular a lazer contemplativo, esportivo,
para descanso, promover encontros sociais etc. (destacar seus usos, por con-
seguinte, é fundamental). Os taludes conformados por tais operações devem,
também, ser representados conforme já discutido no capítulo 1.
Sabe-se que, para compreender-se devidamente uma edificação, elaboram-
se todas as elevações dela: duas transversais (derivadas do menor lado da vo-
lumetria) e opostas entre si, e duas longitudinais (derivadas do maior lado da
volumetria) e opostas entre si.
As elevações podem ser denominadas por números (Elevação 1, Elevação 2,
Elevação 3, Elevação 4, etc.) ou pelo seu posicionamento em relação à orientação
solar (Elevação Norte, Elevação Sul, Elevação Leste, Elevação Oeste ou Elevação
Nordeste, Elevação Sudeste, Elevação Sudoeste, Elevação Noroeste, etc.).
A seguir, disponibiliza-se as quatro elevações (Norte, Sul, Leste e Oeste) da
habitação unifamiliar conhecida como “Casinha”, projeto do arquiteto e ur-
banista João Batista Vilanova Artigas. Foi construída na cidade de São Paulo/
SP em 1942, e por ser paradigmática à historiografia brasileira da arquitetura e
urbanismo modernos, foi selecionada como modelo síntese de boas soluções
projetuais, para além de um excelente exemplo de representação:

capítulo 6 • 293
Figura 6.9  –  Elevação Norte da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João
Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista
Marina de Holanda Souza.

Figura 6.10  –  Elevação Sul da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João
Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista
Marina de Holanda Souza.

294 • capítulo 6
Figura 6.11  –  Elevação Leste da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João
Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista
Marina de Holanda Souza.

Figura 6.12  –  Elevação Oeste da obra arquitetônica “Casinha” do arquiteto e urbanista João
Batista Vilanova Artigas (data do projeto: 1942). Fonte: Desenhos da arquiteta e urbanista
Marina de Holanda Souza.

capítulo 6 • 295
6.3  Vista de uma dada Cobertura
Telhado cerâmico
Sobre o telhado cerâmico se sabe que, dependendo da telha utilizada, há uma
inclinação de seu caimento. Essa inclinação, na maioria das vezes, varia de 20 a
35%. Tendo isso em vista, para se construir vistas das superfícies inclinadas de
um telhado, é preciso:

Utilizar a planta de cobertura previamente desenhada para elaborar uma das vistas
nela demarcadas.
Desenharemos a Vista 1.

296 • capítulo 6
Para facilitar a visualização das
espacialidades observadas a partir
da Vista 1, rotaciona-se a planta de
cobertura até que a seta que indica o
sentido de visualização desta eleva-
ção aponte para cima. Desta forma,
evita-se elaborar a peça gráfica
“espelhada”.

Elabora-se, então, uma linha horizontal


que será a base inferior do desenho
em vista e derivam-se da planta as
linhas auxiliares verticais que indicam
limites (das paredes externas, das
lajes, das águas do telhado, das
cumeeiras etc.)

capítulo 6 • 297
Desenham-se, então, as paredes
externas, bem como a espessura das
lajes horizontais que, nesse exemplo,
existem e são proeminentes em rela-
ção à volumetria da edificação (pois
constituem os beirais).
Observe que, para as regiões do
edifício que estão em vista, apenas
elabora-se a linha da face externa
da vedação.
Neste ponto, a fim de facilitar exe-
cução do desenho, aplicam-se os
conceitos sobre hierarquia de linhas
já conhecidos: a região do volume
mais próxima ao olhar do observador
da Vista 1 apresenta uma espessura
de linha mais robusta em relação às
superfícies que estão mais distantes.

Calcula-se a altura (H1) relativa ao


vão (C1) vencido pelas águas do te-
lhado que conformam a Cumeeira 1.
Basta olhar na planta tais dimensões,
já que esta peça gráfica encontra-
se cotada:
5, 60
C1 = = 2, 80 m
2
H1
i=
C1
H1 = i x C1 = 0,35 x 2,80 = 0,98 m
A partir da Cumeeira 1 sobe-se uma
altura igual à calculada (0,98 m) e
dela derivam-se linhas inclinadas até
o limite inferior (beiral) de cada lado
desta cumeeira – que configuram-se
como suas águas.

298 • capítulo 6
Repete-se o procedimento anterior
para a Cumeeira 2: calcula-se a altu-
ra (H2) relativa ao vão (C2) vencido
pelas águas do telhado que confor-
mam a Cumeeira 2.
Basta olhar na planta tais dimensões,
já que esta peça gráfica encontra-
se cotada:
5, 60
C2 = = 2, 80 m
2
H2
i=
C2
H2 = i x C2 = 0,35 x 2,80 = 0,98 m
A partir da Cumeeira 2 sobe-se uma
altura igual a calculada (0,98 m) e
dela derivam-se linhas inclinadas até
o limite inferior (beiral) de cada lado
desta cumeeira – que configuram-se
como suas águas.

Repete-se o procedimento anterior


para a Cumeeira 3: calcula-se a altu-
ra (H3) relativa ao vão (C3) vencido
pelas águas do telhado que confor-
mam a Cumeeira 3.
Basta olhar na planta tais dimensões,
já que esta peça gráfica encontra-
se cotada:
9, 90
C3 = = 4, 45 m
2
H3
i=
C3
H3 = i x C3 = 0,35 x 4,45 =
1,7325 m
A partir da Cumeeira 3 sobe-se uma
altura igual a calculada (1,7325 m) e
dela derivam-se linhas inclinadas até
a Cumeeira 2 e à Cumeeira 4 – que
configuram-se como seus caimentos.

capítulo 6 • 299
Repete-se o procedimento anterior
para a Cumeeira 4: calcula-se a altu-
ra (H4) relativa ao vão (C4) vencido
pelas águas do telhado que confor-
mam a Cumeeira 4.
Basta olhar na planta tais dimensões,
já que esta peça gráfica encontra-
se cotada:
5, 60
C4 = = 2, 80m
2
H4
i=
C4
H3 = i x C4 = 0,35 x 5,30 =
1,855 m
A partir da Cumeeira 4 sobe-se uma
altura igual a calculada (1,855 m) e
dela derivam-se linhas inclinadas até
a Cumeeira 1 e à Cumeeira 3 – que
configuram-se como seus caimentos.

Para finalizar a Vista 1, desenham-se


as hachuras das águas que estão
em vista e pode-se inserir indicações
de textos no desenho, tais como seu
título, escala e as respectivas alturas
de cada cumeeira representada. Se
as hierarquias de linhas não foram
especificadas ao longo do processo,
isso deve ser feito nesse momento.
Para efeitos didáticos, desenhou-se a
cobertura isoladamente nesse exem-
plo, entretanto, todos os pavimentos
do edifício, incluindo a cobertura,
devem ser desenhados em conjunto
em uma única peça gráfica que cons-
tituirá, por exemplo, a Vista 1.

Figura 6.13  –  Processo de constituição da vista de uma cobertura conformada por telhado
cerâmico. Fonte: Elaborada pela autora.

300 • capítulo 6
Telhado composto por telhas metálicas do tipo sanduíche ou por telhas de
fibrocimento | laje impermeabilizada
Na maioria das vezes, esses tipos de telhados recebem um tratamento em
seu requadro dado pelo uso de platibandas e, portanto, suas vistas visualizam
esse requadro feito pela platibanda e não a inclinação do telhado propriamen-
te dita.

ATIVIDADES
Nota: Para todos os exercícios, indica-se a utilização de papel manteiga (arroz ou croquis) e
a análise atenta do quadro de esquadria disponibilizado a seguir:

QUADRO DE ESQUADRIAS

TIPO LARGURA ALTURA PEITORIL ESPECIFICAÇÃO


P1 1,60 2,15 abrir - 1 fl.
P2 1,90 2,60 pivotante - 2 fls.
P3 0,90 2,15 abrir -1 fl.
P4 0,90 2,15 correr - 1 fl.
P5 2,90 2,60 pivotante - 3 fls.
P6 1,90 1,45 correr - 2 fls.
P7 0,80 2,15 abrir - 1 fl.
J1 2,85 1,85 0,75 correr - 4 fls.
J2 1,90 4,00 0,20 correr - 2 fls.
J3 2,85 1,40 1,20 correr - 5 fls.
J4 3,10 1,40 1,20 correr - 2 fls.
J5-a 5,70 1,40 1,20 maxim-ar - 5 fls.
J5-b 5,70 1,40 4,35 maxim-ar - 5 fls.
J6 1,40 1,00 1,60 correr - 2 fls.
J7 1,90 1,40 4,35 vidro fixo -1 fl.
Ev-1 4,95 5,75 tijolo de vidro
Ev-2 1,30 3,00 tijolo de vidro

Figura 6.14  –  Quadro de esquadrias. Fonte: Elaborada pela autora.

01. Elabore em uma Folha A2 o desenho das Elevações 1, 2, 3 e 4 indicadas nas plantas
a seguir, usando a escala 1:50. Não se esqueça de, após construir paredes, elementos es-
truturais, vãos etc.:

capítulo 6 • 301
a) desenhar esquadrias (portas e janelas) com as espessuras de batentes iguais a 0.05m
(5cm) e representar as folhas com linhas duplas que denotam sua espessura;
b) diferenciar as linhas para compor o desenho conforme normas relativas à hierarquia de
traços (tipos e espessuras);
c) inserir cotas de nível em todo o desenho conforme normas técnicas registradas;
d) nomear o desenho e indicar sua escala;
e) representar as indicações das 4 elevações nas plantas já desenhadas anteriormente (a
partir dos exercícios elaborados no capítulo 4).

Figura 6.15  –  Planta do pavimento térreo com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

302 • capítulo 6
Figura 6.16  –  Planta do 1º pavimento com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

capítulo 6 • 303
Figura 6.17  –  Planta de cobertura com cotas. Fonte: Elaborada pela autora.

02. Com os desenhos finalizados, faça a margem em todas as folhas e elabore um carimbo
padrão para cada uma delas. A seguir, um modelo de carimbo é apresentado:

17,5
1,5 3,1 3,5

Nome: Série I Turno Folha: Data:

Assunto: Escala:
3 cm

Disciplina: Professor(es): Curso I Instituição de Ensino:

Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros desenhos dos alunos

Figura 6.18  –  Ilustração 256: Sugestão de um carimbo simples para uso nos primeiros de-
senhos dos alunos (TAMASHIRO, 2010, p.156). Fonte: TAMASHIRO, 2010, p.156.

304 • capítulo 6
REFLEXÃO
O estudo dirigido ao uso e à reprodução da linguagem eminentemente gráfica da Arquitetura
e Urbanismo colocou em foco, no presente capítulo, a identificação do desenho como objeto
de interlocução entre arquiteto e urbanista e todos os agentes envolvidos em um determina-
do processo de projeto.
Desta forma, entender como se dá a construção da projeção ortogonal, bidimensio-
nal, denominada vista, bem como diferenciar cada uma das qualidades de vistas existentes
(transversais e longitudinais), utilizando cada uma delas de forma adequada para mostrar
características distintas do projeto que se pretende elaborar e, por fim, especificar detalhes
em cada uma das vistas desenhadas – a saber: representação correta de elementos estrutu-
rais (pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural etc.); vedações (fechamentos em geral: alvenaria
derivada de tijolo cerâmico, de bloco de concreto, painéis pré-fabricados de gesso acartona-
do, placas cimentícias etc.) e seus respectivos revestimentos; esquadrias (portas e janelas);
cotas de nível; indicações de textos que pormenorizem detalhes do projeto (tal como a ma-
terialidade de um elemento arquitetônico) e suas respectivas linhas de chamada; hachuras
aplicadas em elementos em vista – são habilidades que conferem ao discente capacidade
inicial de enfrentamento de projetos de ordem mais complexas e, certamente, de representar
ideias concretamente a partir de um conjunto de peças gráficas interdependentes entre si
(plantas, cortes e vistas).
Todas essas competências e habilidades trabalhadas no sexto capítulo do presente livro
serão ampliadas nas disciplinas de ateliê de projeto e detalhamento de projeto executivo e
esse conhecimento reproduz um conjunto de informações passíveis de serem entendidas
pelos distintos agentes envolvidos no processo de projeto (idealizadores, engenheiros, mes-
tres de obras, equipes multidisciplinares de construção e, até mesmo, clientes), a fim de que
o projeto idealizado seja efetivamente construído.

capítulo 6 • 305
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8403 – Aplicação de linhas em
desenhos – Tipos de Linhas – Larguras das Linhas. Rio de Janeiro, ABNT, 1984. 5p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10126 – Cotagem em desenho
técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1987. 13p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402 – Execução de caracter para
escrita em desenho técnico. Rio de Janeiro, ABNT, 1994. 4p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492 – Representação de projetos de
arquitetura. Rio de Janeiro, ABNT, 1995. 27p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10647 – Desenho técnico. Rio de
Janeiro, ABNT, 1995. 14p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-8196 – Desenho técnico – emprego de
escalas. Rio de Janeiro, ABNT, 1999. 2p.
CARRANZA, Edite Galote; CARRANZA, Ricardo. Escalas de representação em arquitetura. 3. ed.
Sào Paulo, G&C Arquitectônica, 2013. 240p.
CHING, Francis D.K.. Manual de dibujo arquitectónico. México, Gustavi Gili, 1986. 190p.
CHING, Francis D.K.. Representação gráfica em arquitetura. Tradução técnica: Alexandra Salvaterra.
5.ed. Porto Alegre, Bookman, 2011. 256p.
FERREIRA, Patrícia. Desenho de arquitetura. 2. ed. Rio de Janeiro, Imperial Novo Milênio, 2011.
138p.
MONTENEGRO, Gildo A.. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo, Blucher, 2001. 168p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Desenho técnico e arquitetônico: constatação do atual ensino
nas escolas brasileiras de arquitetura e urbanismo. Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. São Carlos, 2003. 262p.
TAMASHIRO, Heverson Akira. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico:
uma possibilidade de inovação didática. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de
Pós-graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. São Carlos, 2010. 210p.
YEE, Rendow. Desenho arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Tradução: Luiz
Felipe Coutinho Ferreira da Silva. Revisão técnica: Alice Barsoleiro. Reimpr. Rio de Janeiro, LTC, 2015.
780p.

306 • capítulo 6
ANOTAÇÕES

capítulo 6 • 307
ANOTAÇÕES

308 • capítulo 6
ANOTAÇÕES

capítulo 6 • 309
ANOTAÇÕES

310 • capítulo 6
ANOTAÇÕES

capítulo 6 • 311
ANOTAÇÕES

312 • capítulo 6