Você está na página 1de 15

#PAMDEBEL: ANÁLISE NETNOGRÁFICA DE UM CLUBE DO LIVRO EM

PLATAFORMA DIGITAL 1

Geovanna Cecília TRINDADE 2


Gianna Clara MOREIRA3
Marina Viana TEIXEIRA4
Sabrinna Kellen COUTINHO5
Juara Castro da CONCEIÇÃO6
Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO

RESUMO

As mudanças advindas com aumento do acesso aos meios digitais, proporcionadas pela
disseminação da Internet, atingiram sobretudo o campo da leitura e da maneira como ela pode
ser transformada, a partir de novas perspectivas. Plataformas como o Youtube, tem grande
relevância na configuração desse cenário pois, como nossa pesquisa apresenta, é por meio
dele que canais vinculados a temas literários podem expor seus conteúdos, bem como
proporcionar uma ampla participação dos espectadores (visto que esse é um dos objetivos de
um clube do livro) diante dos vídeos postados e, portanto, uma grande mudança cultural.
Nossa metodologia está voltada a uma análise qualitativa dos dados, por meio de uma
pesquisa documental nos vídeos dos canais das booktubers Pâmela Gonçalves e Isabel
Rodrigues, por meio dos quais pudemos observar a influência provocada pelas blogueiras –
através da linguagem que utilizam e da identificação que geram com o público – e como essa
nova plataforma resulta em discussões descentralizadas e em um aumento nos hábitos de
leitura.

PALAVRAS-CHAVE: Booktubers; Cultura da Convergência; Leitura; Influência.

1 INTRODUÇÃO

A cada época a prática da leitura vem se transformando de acordo com a construção


social. Nas sociedades antigas, quando a escrita era privilégio da Igreja, a leitura era feita de
forma oral e coletiva. Atualmente, com ensino mais democrático, a diminuição ainda que
lenta no índice de analfabetos e as mídias digitais, o número de leitores praticantes tem
aumentado, mas, por consequência, tem perdido a característica de oralidade e coletividade.

1 Trabalho submetido à disciplina de Cibercultura


2 Estudante do 2º. Semestre do Curso de Jornalismo, email: geovannacecilia746@gmail.com.
3 Estudante do 2º. Semestre do Curso de Jornalismo, email: giannaclra@gmail.com.
4 Estudante do 2º. Semestre do Curso de Jornalismo, email: marinavt.1998@gmail.com.
5 Estudante do 2º. Semestre do Curso de Jornalismo, email: sabrinnacoutinho@outlook.com.
6 Orientador do trabalho. Professor do Curso de Jornalismo, email: juaracastro@gmail.com.
1
Com as mídias digitais, principalmente o Youtube (plataforma digital de vídeos foi
criada em 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim. Plataforma essa que possibilita
a chamada cultura participativa) que conta com os booktubers (são pessoas que possuem
canais literários nos quais fazem resenhas e demostram opiniões sobre os livros em questão),
o número de jovens leitores vem crescendo gradativamente. Eles vêm transformando o
mercado editorial e perpetuando o hábito da leitura.
Muitos dos jovens, não se identificando com a crítica literária formal que se reveste de
prestígio, preferem a opinião de um crítico amador que causa reconhecimento com as suas
ideologias. Buscando justamente essa proximidade com seu público, os jovens booktubers
usam a linguagem informal e trazem livros que estão presentes no dia a dia dos jovens.
Poucas vezes são discutidos os clássicos da literatura brasileira.
Percebendo essa mudança do mercado, as grandes editoras enviam seus lançamentos
aos booktubers para que eles façam vídeos dizendo suas opiniões negativas e positivas.
Levam o livro onde o leitor está. Com isso, muitas vezes trazem benefícios para os internautas
que sentem a emoção de participar de sorteios de livros.
Compõem esse movimento leitores assíduos produtores de conteúdo
audiovisual e conectados à Internet que compartilham sinopses, resenhas,
opiniões sobre livros, utilizando estratégias e recursos que acabam por
incentivar a leitura e ampliar o público de seguidores de seus canais literários
(TEIXEIRA, COSTA, 2016, p.14)

Buscando entender como os jovens críticos literários influenciam de várias formas os


leitores foi utilizado para análise os vídeos das Youtubers Pâmela Gonçalves e Isabel
Rodrigues, que juntas começaram um clube do livro que utiliza a hashtag #PamDeBel nos
seus vídeos.
Pâmela Gonçalves conta com cerca de 215 mil inscritos em seu canal e traz a seguinte
descrição de seu trabalho:
Booktuber e escritora. Oi, aqui é a Pam e esse é o meu canal sobre livros,
adaptações literárias e dicas de escrita! Eu sou de Tubarão/SC e me formei
em Publicidade e Propaganda pela Unisul. Criei em 2009 um blog para falar
dos livros que eu lia e reunir informações sobre literatura para jovens, mas
em 2014 migrei de plataforma e hoje me dedico ao canal do youtube.
Recentemente publiquei dois romances: "Boa Noite" e "Uma História de
Verão"; e participei das coletâneas "O Amor Nos Tempos de #Likes" e
"Turma da Mônica Jovem: Uma Viagem Inesperada". (YOUTUBE, 2017)

Isabel Rodrigues tem em seu canal cerca de 144 mil inscritos e se descreve assim:
Oi, eu sou a Bel! Aqui no canal você vai encontrar vídeos sobre literatura,
cinema e tv, debates acerca de um tema e até mesmo dicas de escrita ou
gameplays. Tenho 23 anos, sou formada em Publicidade e Propaganda e

2
Corvinal de carteirinha. Escrita é a minha paixão e meu primeiro livro solo
será publicado em 2017. (YOUTUBE, 2017)

Juntas em seus vlogs mensais elas trazem milhares de internautas para discutir o livro
que leram juntos durante o mês.

2 OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo traçar o nível de influência exercido através do clube
do livro online #PamDeBel, analisando a interação das booktubers Pâmela Gonçalves e Isabel
Rodrigues com seus espectadores. Além disso, procuramos demonstrar como as plataformas
digitais de leitura promovem mudanças culturais em relação à prática dessa atividade. Uma
das grandes transformações está na figura do espectador, que sai da zona de consumidor
passivo de conteúdos e se torna um agente ativo na produção de material cultural.

3 JUSTIFICATIVA

Essa pesquisa mostra-se relevante pelo fato, sobretudo, de tratar-se de um fenômeno


que acontece no momento atual – inclusive enquanto escrevemos esse artigo. A mudança
provocada pelas plataformas digitais é uma situação vivenciada cotidianamente e, no sentido
de pessoas que trabalham com canais que abordam livros, isso se torna ainda mais importante
pois, em muitos casos são os booktubers os principais responsáveis a despertar nos jovens o
hábito de ler. Além disso, por meio das discussões que são propostas nesses canais sobre as
respectivas resenhas, os blogueiros se tornam mais próximos do público que os assiste e
também permite uma efetiva atuação dos consumidores de seus produtos, através das opiniões
deixadas pelos espectadores nos comentários. Isso demonstra a presença e a intensidade da
cultura participativa estudada por Jenkins (2009).

4 MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS

O processo metodológico utilizado é de caráter qualitativo e relaciona-se a uma análise


feita por meio de pesquisas teóricas que demonstram como os novos meios digitais,
especificamente de leitura, podem exercer influência aos indivíduos que os consomem. A
pesquisa constará das seguintes etapas:
a) assistir aos vídeos dos respectivos canais das booktubers Pâmela Gonçalves e Isabel
Rodrigues (disponíveis no Youtube) e analisar como elas atuam de forma a empenhar o hábito
de leitura ao público que as assiste - através da linguagem e dos temas abordados, por
exemplo;

3
b) a partir dos vídeos, averiguar a participação exercida pelos espectadores dos canais,
que demonstram suas opiniões por meio dos comentários, como forma de identificar o nível
de protagonismo que o público passa a ter no aspecto da criação de conteúdos culturais e na
moldagem da composição deles.
Essa pesquisa tem como suporte teórico os elementos das plataformas digitais que
contribuem para o fenômeno da convergência midiática, da cultura participativa e da
inteligência coletiva (ESPINOSA, 2016), e também a maneira como a circulação de
conteúdos depende da participação ativa dos consumidores (JENKINS, 2009, p. 27).

5 DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO

O Youtube, presente na cultura participativa, surge como uma plataforma alternativa,


que contesta as mídias tradicionais. Partindo do conceito de Jenkins (2009), essa plataforma
digital traz o contraste que diferencia a ideia de passividade dos espectadores com relação aos
meios de comunicação e é perceptível a troca de interação e lugar entre o papel do produtor e
consumidor.
Os Booktubers, trazem para discussão o livro jovem, que muitas vezes é considerado
"o patinho feio da literatura", mas que segundo eles vendem muito. Assim, com um público
jovem eles utilizam segundo Silva (2006), algumas estratégias para proporcionar identificação
com os internautas.
São abordadas três estratégias utilizadas pelos booktubers para a construção
de conexões, são elas: as relações entre vlogs, pois geralmente os vídeos são
criados como resposta a outros vídeos, que podem datar até vários anos do
original uma vez que a mídia fica disponível para acesso online por tempo
indeterminado; As tags, que servem para categorizar o assunto tratado na
mídia, abrem espaço para a interação entre vlogueiros e vídeos através da
marcação de pessoas (usuários) nas tags, fazendo com que a pessoa marcada
responda; e por fim os comentários, que são escritos normalmente pelos
seguidores do canal, é uma ferramenta que permite um retorno para o
booktuber. (SILVA, 2016, p.26)

É esse processo de identificação que proporciona a formação da comunidade. Assim, nesse


clube do livro cibernético a figura de protagonismo do leitor é vista quando ele passa a ter voz pelos
comentários nos vídeos dos booktubers.
Os vídeos do clube do livro trabalhado se alternam entre o canal das duas youtubers,
para a realização da pesquisa documental foram escolhidos os quatro vídeos marcados com a
hashtag #PamdeBel que continham maior expoente de comentários e visualizações.
A partir disso foram assistidos os vídeos e analisado, através dos comentários, como o
público interage com o conteúdo e em que medida esse conteúdo os influencia.

4
Não conte para a mamãe
Em 28 de abril de 2016, a dupla postou um vídeo referente ao livro "Não conte para a
mamãe", da autora Toni Maguire. O vídeo, um dos que obtiveram maior alcance, possui 34
mil visualizações e 185 comentários.

Não conte para a mamãe é um livro de leitura densa e revoltante, que conta a triste
história de Antoniette, violentada pelo pai desde seus seis anos de idade e, ao mesmo tempo,
ignorada pela figura materna. No decorrer do livro, a autora se revela a protagonista. Os
abusos se mantiveram contínuos por anos, chegando ao ponto de ela engravidar e ter o filho.
Não conte para a mamãe desvenda uma infância assustadora, e que deve ser discutida.
Através de sua recuperação e reconhecimento como escritora, Maguire serve de exemplo para
jovens e crianças vítimas de abuso sexual, incentivando-os a lutar contra essa circunstância.

É notório a influência que Pamela e Isabel exercem sobre os leitores e, ao juntar tal
influência com um livro como Não conte para a mamãe, causador de identificação para
muitas pessoas, o assunto vem à tona para ser debatido. Com uma linguagem natural e repleta
de indignação à história do livro, as booktubers abrem espaço de forma afável para tal
discussão, deixando os seguidores confortáveis para comentar e, até mesmo, relatar casos
parecidos.

O alcance que as booktubers possuem amplia a discussão, a popularidade do livro e a


identificação entre os leitores, causando uma maior troca de ideias.

5
Fonte: Youtube (2017)

Obisidiana

O vídeo que discute o livro "Obsidiana" de Jennifer L. Armentrout foi postado no dia
1º de agosto de 2016, conta com 13 mil visualizações e 118 comentários.

Começar de novo é um saco. Quando a gente se mudou para o interior, bem no


início do último ano do colégio, eu já vinha me preparando para o sotaque
caipira, o tédio, a internet lenta e um monte de chatices...Até dar de cara com o
meu vizinho gato, alto de dar tontura e com intimidantes olhos verdes.
Hummm... os prognósticos estavam melhorando. Até que... ele abriu a boca.
Daemon é irritante. Arrogante. Dá vontade de matar. A gente não se dá bem.
Não mesmo. Mas, quando um caminhão quase me transforma em panqueca, o
garoto literalmente congela o tempo com um aceno de mão e aí, bom, algo
inesperado acontece. O alien gato (meu vizinho) me deixa com um rastro. Você
me ouviu bem. ALIEN! A verdade é que ele e a irmã têm uma galáxia de
inimigos que querem roubar seus poderes. O rastro que deixou em mim brilha
como lua cheia, e isso não é nada bom. O único jeito de sair viva dessa é ficar
colada em Deamon, até a magia alienígena desaparecer. Quer dizer, isso se eu
não matar o cara primeiro. (ARMENTROUT, 2015)

O livro se enquadra na categoria Young Adult, ou Jovem Adulto. Segundo Teixeira e


Costa (2016), essa categoria surgiu com a finalidade de atender a um público consumidor de

6
livros que retratavam, com linguagem menos complexa e mais imediata, os desafios da
juventude e a entrada no mundo adulto.
Obsidiana não traz em seu enredo questões complexas que são capazes de gerar
reflexão ou mudanças de pensamento, como dito pelas próprias booktubers Pâmela e Isabel,
no vídeo analisado, é um livro para se divertir. Porém mesmo assim é possível realizar
análises através dos comentários presentes no vídeo.

Fonte: Youtube (2017)

A influência exercida pelas blogueiras é nítida, considerando que muitas pessoas leram
ou se comprometeram a ler o livro apenas por ele estar sendo discutido por elas. É possível
7
perceber inclusive pessoas que haviam descartado o livro como possibilidade de leitura, mas
que o reconsideraram devido a recomendação de Pâmela e Isabel.

A influência digital é a propulsão do discurso do vlogueiro entre os seus


espectadores: as ideias trabalhadas nos vlogs se espalham pelas redes sociais
e se multiplicam no ambiente online e offline. Os vlogueiros tornam-se
“porta-vozes” de certos grupos sociais, como, por exemplo, adolescentes e
jovens adultos. (ESPINOSA, 2016, p.38)

Além de propiciar influência no consumo, o clube do livro virtual possibilita a existência


de diálogo entre os produtores de conteúdo e seus espectadores, abrindo espaço na discussão
para inúmeras opiniões e inúmeras maneiras de se enxergar uma mesma obra. Ou seja, o
espectador toma para si não o lugar de participante.
Essa identificação e interação gerada é explicada pelo formato dos vídeos:
Os vlogs remetem ao imediatismo, à vivacidade, à comunicação direta.
Lembram-nos da comunicação interpessoal, feita cara a cara, por mais que os
participantes de tal comunicação não estejam em um mesmo espaço e um
mesmo tempo. Esta característica é um “importante ponto de diferenciação
entre o vídeo online e a televisão (BURGESS, GREEN, 2009, p.79)

O termo “cultura participativa”, cunhado por Jenkins (2012) descreve justamente essa
produção cultural e as interações sociais de comunidades de fãs, buscando inicialmente uma
maneira de diferenciar as atividades de fãs das de outras modalidades de espectador.

8
Fonte: Youtube (2017)

Proibido
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a
maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o
pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos,
e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de
seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem
dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando
contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a
grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos
olhos verdes. Eles são irmão e irmã. (SUZUMA, 2014).

9
O livro Proibido foi escrito por Tabitha Suzuma e nele é tratada uma temática
polêmica: incesto. As próprias booktubers, no vídeo em que falam sobre essa obra literária,
assumem sua posição controversa acerca do enredo. Entretanto, mesmo com as críticas ao
assunto abordado no livro, Pâmela e Isabel consideraram uma leitura muito válida e até
mesmo importante pois, Proibido oferece a oportunidade de reflexão e também faz com que
os leitores repensem certas construções sociais – e de relacionamentos – que são
historicamente impostas.
É possível perceber a influência exercida pelas blogueiras a partir do momento que
elas sugerem a aquisição dos livros que citam. Tanto que, muitas vezes, os anúncios
mostrados no início dos vídeos são propagandas vinculadas às lojas virtuais de grandes
livrarias. Portanto, mais uma vez nota-se a referência a Jenkins (2009) no que se refere à
"economia afetiva", pois indica que os consumidores desse produto digital prendem-se a ele
tanto afetivamente quanto pelo aspecto do capitalismo.

Fonte: Youtube (2017)

Além disso, é válido pontuar como as booktubers procuram estabelecer um contato


maior com os espectadores e, sobretudo, fazer com que eles participem de forma efetiva da
discussão proposta por elas. Isso é percebido quando, próximo do final dos vídeos, Pâmela e

10
Isabel falam "a gente quer muito saber o que vocês acharam [...]"; "deixem nos comentários
se vocês concordam com a gente ou não"; "que tipo de discussão vocês fizeram na mente de
vocês [...]", o que mais uma vez demonstra a questão da cultura participativa (JENKINS,
2009).

O lado feio do amor


Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a
fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o
lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade
não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer,
piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo...
apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor.
O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração
incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam
ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem
esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia
perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma
regra é capaz de controlar o amor e o desejo. (HOOVER, 2015)

O vídeo discutindo "O lado feio do amor", livro de Collen Hoover, foi publicado em
23 de outubro de 2015, quase três meses após a primeira publicação do livro e conta com 134
comentários. O livro se enquadra no gênero romance de amor. Gênero esse muitas vezes
menosprezado pelo público masculino, contou com 100 comentários de mulheres e 14 de
homens.
Dentre os comentários, as opiniões tanto negativas quanto positivas aparecem,
concordando ou discordando das opiniões de Pamela e Isabel. Também é perceptível o amor
dos inscritos com as youtubers, a vontade de ver mais vídeos a cada semana e em como a
partir das falas empolgadas das garotas muitos que nunca tinham lido um livro agora fazem
coleção.

11
12
Fonte: Youtube (2017)

Através dos comentários os internautas mantem a plataforma em pleno funcionamento. A


onda de debates com opiniões sobre os pontos do livro que concordam ou não com o ponto de
vista das meninas gera uma diversidade de visões que não irá se perder no tempo, os pedidos
de vídeos toda semana e sugestões de livros fazem o ciclo se tornar continuo e nunca
repetitivo. Ambos se juntam para a construção de conhecimento fora do espaço restrito que é
a mídia tradicional.

6 CONSIDERAÇÕES

13
Práticas como a desenvolvida no #PamdeBel são responsáveis pela criação do que
Santaella (2004) chama de leitor imersivo, virtual. Que é aquele leitor que não apenas entra
em contato com a obra e absorve algo para si, mas que sente a necessidade de colocar o
assunto em discussão e expressar sua opinião.

Nota-se que o alcance que as booktubers possuem é de grande valia pois, além aliarem
a era cibernética ao hábito da leitura, influenciando jovens a lerem em nova perspectiva,
Pamela e Isabel também trazem à tona debates de cunho humanitário, os quais refletem na
vida de todos. Ao estabelecerem um contato maior, de forma mais natural, o espectador se
sente parte da narrativa e próximo às vloguers, causando uma sensação de proximidade e
liberdade de fala.

Quando discutidos temas polêmicos e controversos, como abuso sexual e incesto, as


booktubers abrem espaço para uma interação entre autor e espectador que, ao se sentir parte
do meio e debatê-lo, provoca mudanças culturais, tanto na forma de pensamento, muitas vezes
revendo princípios e valores enraizados na sociedade, como na forma de interação, já que esta
passa a ser virtual.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BURGESS, Jean; GREEN, Joshua. YouTube e a revolução digital. 2009.

ESPINOSA, Juliana Ribeiro. Youtubers teen: a influência dos vlogs às novas gerações. 2016.
75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação - Habilitação em
Publicidade e Propaganda) - Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, 2016.

JENKINS, Henry. Textual poachers: Television fans and participatory culture. Routledge,
1992.

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009. ______.
______. São Paulo: Aleph, 2012. E-book.

NÃO CONTE PARA A MAMÃE | #PamDeBel. 2016. Son., color. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=1EmBJWigP1I&t=16s>. Acesso em: 20 nov. 2017.

OBSIDIANA (Saga Lux #1) | #PamDeBel. 2016. Son., color. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=lBCCihBqFQk&t=13s>. Acesso em: 20 nov. 2016.

O LADO FEIO DO AMOR por Colleen Hoover | #PamDeBel. 2015. Son., color. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=j4SInP_og7g>. Acesso em: 20 nov. 2017.

PROIBIDO por Tabitha Suzuma | #PamDeBel. 2016. Son., color. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=nTUBRb0FuyI&t=62s>. Acesso em: 20 nov. 2017.
14
SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. 2 ed.
São Paulo: Paulus, 192 p, 2004.

SILVA, Débora Damasceno. Booktube: O Livro e a Leitura na Cultura da Convergência.


2016. 76 f. Monografia (Especialização) - Curso de Biblioteconomia, Universidade de
Brasilia, Brasilia, 2016. Disponível em:
<http://bdm.unb.br/bitstream/10483/17502/1/2016_DéboraDamascenoSilva_tcc.pdf>. Acesso
em: 20 nov. 2017

TEIXEIRA, Claudia Souza; COSTA, Andressa Abraão. Movimento Booktubers: práticas


emergentes de mediação de leitura. Texto Livre: Linguagem e Tecnologia, [S.l.], v. 9, n. 2,
p. 13-31, dez. 2016. ISSN 1983-3652. Disponível em:
<http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/textolivre/article/view/10974/9806>. Acesso
em: 23 nov. 2017.

15