Você está na página 1de 6

Target Notes

Chamamos de “notas alvo” (do inglês Target Notes) aquelas notas que são nosso
objetivo principal em um solo.

Para ficar mais claro, vamos conversar um pouco sobre “solos legais” e improvisação.

Você já sabe que o básico para se saber improvisar em cima de uma base (sequência
de acordes) qualquer é conhecer a tonalidade da música e aplicar a escala
maior, menor relativa ou pentatônica. Muito bem, mas nem sempre o solo fica legal,
não é verdade?! Mesmo fazendo fraseados e explorando diferentes técnicas, às vezes
algumas notas não soam tão bem, apesar de pertencerem ao campo harmônico da
música.

A explicação para isso é simples, não podemos nos restringir a pensar somente no
campo harmônico, precisamos pensar também nos acordes! Você deve concordar
que um solo trabalha em cima de uma harmonia, e uma harmonia é feita por acordes.
Mesmo que o campo harmônico não se altere durante toda a música, cada nota da
escala vai soar diferente (ter um impacto diferente) quando tocada em cima de cada
acorde desse campo harmônico. Então precisamos saber quais notas ficam mais
bonitas para cada acorde!

Acompanhe esse raciocínio: um acorde é uma união de notas. Então, ao fazer um solo
em cima de um acorde, podemos tocar no solo as notas que pertencem a esse acorde.
Por exemplo, se uma música tivesse os acordes C, Em, F e G, poderíamos pensar em
tocar as notas:

C, E, G em cima do acorde de Dó maior;


E, B, G em cima de Mi menor;
G, B, D em cima de Sol maior;
F, C, E em cima de Fá maior.

Essas são as tríades (notas de acorde) de cada acorde da música.


Obs: Se esses mesmos acordes tivessem também a sétima (tétrades), poderíamos
incluir o sétimo grau como nota a ser tocada também.

Isso que fizemos não teria como soar feio, concorda? Afinal seria o próprio arpejo de
cada acorde! Pois bem, o segredo é esse: um solo sempre vai ficar legal se focarmos
nossa atenção nas notas de acorde durante toda a música. Mas aí você vai dizer:
“Poxa, então quer dizer que eu vou ter que ficar fazendo arpejos o tempo todo? Só

Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP


Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com
posso tocar 3 ou 4 notas por acorde?”, não meu amigo, é aí que entra esse tal assunto
de notas alvo!

Como as notas de acorde são as notas que soam muito bem, elas serão nossas notas
alvo. Ou seja, faremos nosso solo com o objetivo de chegar até essas notas (por isso
o nome: alvo). Como faremos isso? Há muitas maneiras. Preste atenção na
tonalidade da música e tente enfatizar as notas de acorde de alguma forma, fazendo
com que elas realmente apareçam no solo. Mostraremos a seguir algumas ideias para
você trabalhar isso; são exercícios que podem ser aplicados na prática. Veremos
alguns meios de explorar esse conceito de notas alvo.

Muito bem, podemos chegar até as target notes de diferentes maneiras, e as mais
comuns são por:

1. Aproximação Diatônica Ascendente


2. Aproximação Diatônica Descendente
3. Aproximação Mista
4. Aproximação Cromática
5. Aproximação por Graus Conjuntos
6. Aproximação por Graus Disjuntos

Você não precisa decorar todos esses nomes, basta entender a ideia por trás de cada
um. Mostraremos cada técnica em cima de uma suposta música formada pelos
acordes C, Em, F e G (tonalidade de Dó maior). Então vamos lá:

Target Notes por Aproximação Diatônica


Ascendente
O nome “diatônica” significa que vamos trabalhar com notas da escala natural.
Funciona da seguinte forma: procuramos tocar a nota da escala que se localiza
imediatamente antes da nota de acorde e depois tocamos a nota de acorde. Por
exemplo, no acorde de Mi menor, as notas alvo são E, G, B. Qual a nota que vêm antes
de cada uma dessas notas? D vem antes de E, F vem antes de G e A vem antes de B.
Então, uma opção para nosso solo poderia ser o seguinte: F – G, D – E, A – B.

A lógica é justamente essa: “finalizar” cada trecho com uma nota de acorde. Podemos
brincar com a ordem das notas de acorde como quisermos (D – E, A – B, F – G, etc.),
não é necessário seguir a ordem 1º, 3º e 5º graus em sequência. Veja abaixo essa
aplicação para os acordes da nossa música (as notas de acorde estão destacadas em
vermelho):

Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP


Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com
DÓ MAIOR MI MENOR FÁ MAIOR SOL
MAIOR

Target Notes por Aproximação Diatônica


Descendente
Funciona da mesma maneira que fizemos no caso anterior, com a diferença de que
agora tocaremos uma nota posterior à nota de acorde para depois voltar
(descendente) e tocar a nota de acorde. Usando o mesmo exemplo de Mi menor, a
sequência seria: F – E, A – G, C – B. Note que F, A e C são as notas que vêm depois
de E, G, e B, respectivamente. Segue abaixo a aplicação os demais acordes:

DÓ MAIOR MI MENOR FÁ MAIOR SOL


MAIOR

Target Notes por Aproximação Mista


É mesclar as duas aproximações anteriores. Use sua criatividade! Podemos, por
exemplo, no acorde de Mi menor, chegar até a nota E de forma ascendente, depois
chegar até a nota G de forma descendente, etc. Ou ainda, podemos tocar ambas as
notas que estão acima e abaixo antes de finalizar na nota de acorde. Mostraremos
estes exemplos abaixo. Sobre o acorde de Dó, mostraremos a mescla de ascendente
com próxima nota descendente; sobre o acorde de Mi menor, mostraremos a mescla
de descendente com próxima nota ascendente; e sobre os acordes de Fá maior e Sol
maior, mostraremos uma mescla aleatória de tudo.

Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP


Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com
DÓ MAIOR MI MENOR FÁ MAIOR SOL
MAIOR

Target Notes por Aproximação


Cromática
A ideia aqui é a mesma que tivemos para as aproximações diatônicas, a única
diferença é que, em vez de tocar uma nota posterior ou anterior que pertence à escala
maior, tocaremos notas que estão um semitom antes ou depois da nota de acorde, ou
seja, notas da escala cromática. Apesar de serem notas que não pertencem ao campo
harmônico da música, elas servirão como notas de passagem, pois o efeito cromático
faz nosso ouvido “aceitar” essa reprodução. Faremos um tópico específico para
mostrar mais exemplos desse assunto, pois ele pode ser bem explorado e utilizado.
Aqui, apenas estamos explicando e introduzindo a ideia. No caso de Mi menor, a
sequência então seria (numa aproximação ascendente): D# – E, F – G, A# – B. Segue
abaixo algumas aplicações para os demais acordes:

DÓ MAIOR MI MENOR FÁ MAIOR SOL


MAIOR

Aproximação por Graus Conjuntos com


Target Notes
Trabalhar graus conjuntos é utilizar os mesmos conceitos de aproximação
ascendente e descendente para fazer sequências mais longas antes de se chegar à nota
Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP
Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com
alvo. Por exemplo, podemos chegar até a nota G por aproximação ascendente
conjunta. Para tanto, em vez de tocar somente F – G, podemos vir desde C fazendo
isso: C – D, D – E, E – F, F – G. Isso vale tanto para aproximações ascendentes, como
para descendentes, mistas ou cromáticas. Exemplos:

DÓ MAIOR MI MENOR

FÁ MAIOR SOL MAIOR

Aproximação por Graus Disjuntos


com Target Notes
Graus disjuntos são notas que não são imediatas umas das outras, ou seja, possuem
uma distância maior. Por exemplo, podemos nos aproximar da nota E tocando “C –
E” em vez de “D – E”. Nesse caso, utilizamos não a nota imediatamente anterior à
nota de acorde, e sim a segunda nota anterior. Exemplos:

DÓ MAIOR MI MENOR FÁ MAIOR SOL MAIOR

Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP


Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com
Legal, veja como temos inúmeras combinações e possibilidades de explorar as notas
alvo! Seu solo não precisa ser exatamente uma sequência como essas que
mostramos; o ideal é que você apenas preste atenção nos acordes e identifique quais
são as notas alvo, tentando enfatizá-las em seu solo. Esses exercícios são bons para
você praticar essa ideia, e podem ser utilizados como fragmentos dentro de frases
melódicas que você mesmo tenha criado.

Pode parecer meio enfadonho ter que saber/decorar todas as notas de acorde de
todos os acordes possíveis. Mas não é tão difícil. Nos instrumentos de corda, você
precisa focar sua atenção nos desenhos e shapes. Por exemplo, o acorde de Fá
em pestana tem o mesmo shape do acorde de Sol em pestana, etc. Isso significa que
se você souber enxergar as notas de acorde de Fá, automaticamente sabe enxergar as
notas de acorde de Sol, pois o desenho é o mesmo. Então, nosso trabalho fica
absurdamente reduzido, basta saber visualizar as notas alvo de uns 3 shapes
diferentes e você já vai conseguir trabalhar notas alvo em qualquer acorde de
qualquer música.

Então, concentre-se nisso!

Além do mais, esse estudo de target notes é importante pois começamos a exercitar
um conceito de improvisação que será muito trabalhado mais para frente: a
improvisação pensando em acordes! Até aqui, havíamos falado de improvisação
pensando apenas em campo harmônico. Estudos mais avançados trabalham a
improvisação do ponto de vista de cada acorde, aproveitando oportunidades para
utilizar diversas outside notes em cada situação. É isso o que vai fazer você se
diferenciar de 99,9% dos músicos do planeta, que só sabem tocar pentatônica e escala
maior. É incrível como você só encontra por aí tutoriais e aulas sobre técnica, técnica
e técnica. A galera se preocupa muito em tocar rápido, e aqueles que já entenderam
que velocidade não é tudo, tentam inventar solos legais e melódicos utilizando
somente recursos técnicos, já que não sabem nada de teoria. Todo mundo esquece
que uma sonoridade boa depende das notas que você está tocando! O músico que
sabe teoria musical vai estar sempre na frente.

Para chegar nesse nível de pensar em acordes e não se restringir a campos


harmônicos, comece desde já a prestar atenção em cada acorde da música. Estamos
apenas iniciando nossos estudos nesse assunto, começando com as target notes, mas
já é um ótimo começo. Isso já vai acrescentar muita beleza aos seus solos. Fica a dica!

Estúdio: Bruno Ribeiro -Franca – SP


Fone: (16) 9 9199.8163 – 9 8116.2349 e- mail brunomusic@icloud.com