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CURSO DE TÉCNICAS DE ACÇÃO EDUCATIVA I

Manual de Apoio à UFCD 3273


PREVENÇÃO DE DOENÇAS E DE ACIDENTES NA INFÂNCIA
ÍNDICE

1. SAÚDE NA INFÂNCIA – CRIANÇAS DOS 0 AOS 6 ANOS ..........................................................................4


1.1 CONSULTAS MATERNO-INFANTIS ......................................................................................................4
1.2 CUIDADOS DE HIGIENE ........................................................................................................................5
1.2.1 Equipamentos ................................................................................................................................................... 10
1.2.2 Espaços............................................................................................................................................................. 11
1.3 CUIDADOS DE CONFORTO ................................................................................................................11
1.3.1 Higiene pessoal ................................................................................................................................................. 12
1.3.2 Repouso ............................................................................................................................................................ 14
1.4 NECESSIDADES NUTRICIONAIS ........................................................................................................16
1.4.1 Alimentação equilibrada .................................................................................................................................... 26
1.4.2 Alimentação e exercício físico ........................................................................................................................... 30
1.4.3 Alimentação e crescimento saudável ................................................................................................................ 31
1.5 HIGIENE ORAL .....................................................................................................................................34
2. ALTERAÇÃO E PREVENÇÃO DA SAÚDE DA CRIANÇA ..........................................................................40
2.1 ALTERAÇÕES GASTROINTESTINAIS ................................................................................................40
2.1.1 Náuseas e vómitos ............................................................................................................................................ 40
2.1.2 Diarreias ............................................................................................................................................................ 41
2.1.3 Obstipação ........................................................................................................................................................ 44
2.1.4 Dor abdominal/cólicas abdominais .................................................................................................................... 45
2.2 ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS ........................................................................................................46
2.2.1 Dificuldades respiratórias .................................................................................................................................. 46
2.2.2 Obstrução nasal/Rinorreia ................................................................................................................................. 47
2.2.3 Tosse................................................................................................................................................................. 48
2.2.4 Asma ................................................................................................................................................................. 49
2.3 FEBRE ...................................................................................................................................................51
2.4 PARASITOSES .....................................................................................................................................52
2.5 DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS ..............................................................................................................58
2.5.1 Rubéola ............................................................................................................................................................. 58
2.5.2 Sarampo ............................................................................................................................................................ 59
2.5.3 Papeira .............................................................................................................................................................. 60
2.5.4 Tuberculose....................................................................................................................................................... 60
2.5.5 Hepatite ............................................................................................................................................................. 61
2.5.6 Meningite ........................................................................................................................................................... 62
2.6 PLANO DE VACINAÇÃO ......................................................................................................................64
3. PRINCIPAIS ACIDENTES COM CRIANÇAS ...............................................................................................70
3.1 ACIDENTES DOMÉSTICOS .................................................................................................................70
3.1.1 Escadas, portas, gavetas, quinas, janelas altas ................................................................................................ 71
3.1.2 Tomadas eléctricas ........................................................................................................................................... 72
3.1.3 Fogo, forno,frigorífico, ferro de engomar ........................................................................................................... 72
3.1.4 Quedas .............................................................................................................................................................. 73
3.1.5 Ingestão de medicamentos e quimicos ............................................................................................................. 76
3.2 ACIDENTES NA RUA ............................................................................................................................77
3.2.1 Atropelamentos ................................................................................................................................................. 77
3.2.2 acidentes de viação ........................................................................................................................................... 77
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3.2.3 Transporte de crianças ...................................................................................................................................... 78
3.3 ACIDENTES NO PARQUE INFANTIL ..................................................................................................79
3.3.1 Queimaduras ..................................................................................................................................................... 79
3.3.2 Quedas de baloiços e outros equipamentos ..................................................................................................... 79
3.3.3 Fracturas e entorses ......................................................................................................................................... 80

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1. SAÚDE NA INFÂNCIA – CRIANÇAS DOS 0 AOS 6 ANOS

1.1 CONSULTAS MATERNO-INFANTIS

O principal objectivo das consultas de desenvolvimento que devem ser realizadas regularmente ao longo de toda
a infância é, no mais amplo sentido do termo, a prevenção.

As consultas materno-infantis são fundamentais para cada idade-chave, correspondente a acontecimentos


importantes na vida da criança, abrangendo etapas do desenvolvimento psicomotor, socialização, alimentação
e escolaridade.

Objectivos:

1.Avaliar o crescimento e desenvolvimento e registar, nos suportes próprios, nomeadamente no Boletim de


Saúde Infantil e Juvenil, os dados antropométricos e outros do desenvolvimento físico, bem como parâmetros do
desenvolvimento psicomotor, escolaridade e desenvolvimento psicossocial.

2. Estimular a opção por comportamentos saudáveis, entre os quais os relacionados com:


 A nutrição, adequada às diferentes idades e às necessidades individuais, prevenindo práticas
alimentares desequilibradas;
 A prática regular de exercício físico, a vida ao ar livre e em ambientes despoluídos e a gestão do stress;
 A prevenção de consumos nocivos e a adopção de medidas de segurança, reduzindo assim o risco de
acidentes.

3. Promover:
 O cumprimento do Programa Nacional de Vacinação
 A suplementação vitamínica e mineral, nas idades e situações indicadas
 A saúde oral
 A prevenção de acidentes e intoxicações
 A prevenção dos riscos decorrentes da exposição solar
 A prevenção das perturbações da esfera psicoafectiva

4. Detectar precocemente e encaminhar situações que possam afectar negativamente a vida ou a qualidade
de vida da criança e do adolescente, como: malformações congénitas (doença luxante da anca, cardiopatias
congénitas, testículo não descido), perturbações da visão, audição e linguagem, perturbações do
desenvolvimento estaturoponderal e psicomotor, alterações neurológicas, alterações de comportamento e do
foro psicoafectivo.

5. Prevenir, identificar e saber como abordar as doenças comuns nas várias idades, nomeadamente
reforçando o papel dos pais e alertando para os sinais e sintomas que justificam o recurso aos diversos serviços
de saúde.

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6. Sinalizar e proporcionar apoio continuado às crianças com doença crónica/deficiência e às suas
famílias, bem como promover a eficaz articulação com os vários intervenientes nos cuidados a estas crianças.

7. Assegurar a realização do aconselhamento genético, sempre que tal esteja indicado.

8. Identificar, apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de violência ou negligência, qualquer que
seja o seu tipo.

9. Promover a auto-estima do adolescente e a sua progressiva responsabilização pelas escolhas relativas à


saúde. Prevenir situações disruptivas ou de risco acrescido.

10. Apoiar e estimular a função parental e promover o bem-estar familiar.

Em todas as consultas deve-se avaliar:


 As preocupações dos pais ou do próprio, no que diz respeito à saúde
 Intercorrências desde a consulta anterior, frequência de outras consultas, medicação em curso
 A frequência e adaptação ao infantário, ATL, escola
 A prática de actividades desportivas ou culturais e ocupação de tempos livres
 A dinâmica do crescimento e desenvolvimento, comentando as curvas de crescimento e os aspectos do
desenvolvimento psicossocial
 O cumprimento do calendário vacinal, de acordo com o Programa Nacional de Vacinação.

1.2 CUIDADOS DE HIGIENE

CRIANÇA DOS 0 AOS 36 MESES

Banho

Os bebés e crianças pequenas que ainda usam fraldas e que permanecem durante muitas horas na instituição
educativa podem precisar de um banho, tanto para maior conforto como para prevenção de assaduras.
Entretanto é aconselhável que o banho sirva também para relaxar, refrescar, proporcionar conforto e prazer e
preservar a integridade da pele.

Algumas famílias preferem dar banho aos seus bebés em casa e esse desejo deve ser acolhido, desde que
respeitado o direito das crianças ao conforto, à saúde e ao bem-estar durante o período em que estão na
instituição.

No momento em que é incluído na rotina, o banho precisa ser planeado, preparado e realizado como um
procedimento que tanto promove o bem-estar quanto um momento no qual a criança experimenta sensações,
entra em contacto com a água e com objectos, interage com o adulto e com as outras crianças.

A organização do banho na creche precisa prever condições materiais, como banheiras seguras e higiénicas
para bebés, água limpa em temperatura confortável, sabonete, toalhas, pentes etc. É aconselhável que se leve

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em conta a idade das crianças, os hábitos regionais e as recomendações sanitárias de prevenção de doenças
por uso de objectos pessoais entre as crianças.

Esses objectos de uso pessoal podem ser rotulados com o nome da criança e cuidados por elas conforme vão
adquirindo capacidade para isso.

É necessário organizar o tempo de espera para o banho, oferecendo materiais, jogos e brincadeiras em um
espaço planeado para isso.

As crianças que já andam e que permanecem em pé com segurança e conforto, podem tomar banho de chuveiro
em companhia de outras, respeitando-se a necessidade de privacidade de algumas delas e de atenção
individualizada que cada uma requer.

É importante prever tempo para essa actividade, permitindo que as crianças experimentem o prazer do contacto
com a água, aprendam a despir-se e a vestir-se, a ensaboar-se e enxaguar-se.

Para que a criança possa ir gradualmente aprendendo a cuidar de si, é preciso que as condições ambientais
permitam que ela possa alcançar o chuveiro, a saboneteira, a toalha, o espelho etc.

Por outro lado, as condições ambientais e materiais precisam garantir a segurança das crianças e prever o
conforto dos adultos que as ajudam, para evitar quedas, choques eléctricos e queimaduras com água quente ou
dores no corpo ocasionadas pelo mal posicionamento do adulto na hora de exercer as actividades com as
crianças.

Troca de fraldas
A organização do ambiente e o planeamento dos cuidados e das actividades com o grupo de bebés deve permitir
um contacto individual mais prolongado com cada criança.

Enquanto executa os procedimentos de troca, é aconselhável que o educador observe e corresponda aos
sorrisos, conversas, gestos e movimentos da criança.

Para evitar que esse cuidado individualizado implique num longo tempo de espera para as demais crianças, ou
se torne uma rotina mecanizada, é importante considerar o número de bebés sob a responsabilidade de cada
educador, a localização e as condições do local de troca e a organização do trabalho.

Os procedimentos com a higiene e protecção da pele, proporcionam bem-estar às crianças e permitem que elas
percebam a sensação de estar seca e molhada.

A observação, pelo educador, da frequência das eliminações e do estado da pele da criança fornece dados sobre
a saúde e o conforto de cada criança e aponta para outros cuidados que forem necessários.

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A troca de fraldas requer ainda alguns procedimentos e condições ambientais adequados para evitar a
disseminação de micróbios entre as crianças e adultos, o que geralmente é causa de surtos de diarreia e hepatite
infecciosa nas creches.

Estudos comprovam que o risco aumenta quando se manipulam as fraldas sujas no ambiente do berçário, ou
não se adoptam procedimentos correctos de higiene das mãos após esses cuidados.

O local de troca e armazenamento de fraldas sujas precisa de ser bem arejado. O lixo onde são descartadas as
fraldas contendo dejectos precisa ser tampado e trocado com frequência.

As assaduras estão relacionadas à irritação que a urina pode causar na pele numa área onde há abafamento,
calor e dobras. Por isso, é muito importante que as mães tomem determinados cuidados para evitar que as
crianças sofram com esse problema.

Em primeiro lugar deve-se redobrar os cuidados com a higiene, evitando que a criança permaneça molhada por
muito tempo. Além disso aconselha-se o uso de fraldas que possam absorver e controlar a quantidade de urina.
Essas fraldas, se forem de tecido, devem ser de um algodão suave ou descartáveis, de marcas já conhecidas e
aprovadas para uso em crianças.

Outro detalhe que deve ser lembrado é que ao trocar a criança deve-se secá-la muito bem. Na hora da troca de
fraldas pode-se usar produtos protectores à base de hidratantes ou à base de filmes oleosos e que não sejam
irritantes mas, sim, que protejam a pele da criança, tanto do contacto com a urina, quanto de fezes e até mesmo
do próprio abafamento.

Vale também destacar que a assadura não deve ser vista como um facto normal em crianças pequenas e, sim,
como um problema, uma alteração, que pode acontecer com mais frequência na primeira infância. Há crianças
que apresentam mais tendência a esse tipo de problema, como por exemplo, as crianças mais gordinhas, as que
urinam mais, aquelas que têm a urina mais ácida, ou as que estão com algum problema de diarreia, etc.

Cordão umbilical
O cordão umbilical fornece ao bebé oxigénio, nutrientes, anticorpos e hormonas, durante a sua vida intra-uterina.
O coto umbilical é o que resta do cordão após este ser cortado, e que Vai secar, escurecer e cair.

Durante este processo é natural que surja um líquido, no entanto os pais devem ser alertados para:
 O caso de surgir sangue ou pus;
 Existirem sinais inflamatórios (inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura) na zona que rodeia o
coto;

Cuidados ao umbigo
 Não tape o umbigo com cuecas plásticas, fraldas ou pensos, quanto mais ao ar mais depressa seca;
 Evite as infecções e ajude a que seque passando com um algodão embebido em álcool no umbigo e na
zona que o rodeia;

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Após a queda do cordão umbilical
 Limpe diariamente o umbigo, com algodão embebido em álcool a 70º, até estar cicatrizado;
 Se após algum tempo, dias ou meses, ainda houver restos de sangue no umbigo, aplique creme gordo
durante a noite que retirará no dia seguinte com a ajuda de um cotonete. Caso seja necessário pode
recorrer à ajuda da água oxigenada. Que ajudará a destacar a sujidade.

Cuidados ao cabelo
A “crosta” láctea é um conjunto de crostas amareladas que vulgarmente se forma no couro cabeludo por volta
das seis semanas. E que dada a localização (fontanela – moleirinha), faz com que a maioria das pessoas tenha
receio de tocar, pelo que se vão acumulando.
 Massage com óleo de amêndoas doces ou óleo de bebé, deixando permanecer durante a noite
 Penteie o cabelo em sentido contrário antes de o lavar com champô suave e hipoalérgico
 De seguida lave, seque e penteie o cabelo. Não tente tirar tudo de uma só vez.

Sugira aos pais da criança uma ida ao médico se este sintoma continua, para que seja prescrito medicamento
adequado. Em crianças mais crescidas esteja atento à presença de piolhos (pediculose), alertando os pais.

Cuidados ao nariz
O nariz de uma criança é muito delicado pelo que só deverá ser limpo se obstruído, mediante aplicação de soro
fisiológico. Se a idade da criança o permitir, peça-lhe que se assoe, exteriorizando as secreções. Se não forem
expelidas, se estiverem infectadas, as secreções nasais infectarão a garganta.

Cuidados aos ouvidos


 Igualmente delicados, só deverão ser limpas as partes externas, da frente para trás, para não haver
perigo de danificar o tímpano.
 Não lave os ouvidos, mas sim as orelhas.

Cuidados às unhas
 As unhas de um recém-nascido crescem muito devendo ser cortadas para que o bebé não se arranhe;
 Corte as unhas após o banho. Use tesoura ou corta – unhas próprio para bebés, ou mesmo os seus
dentes, seguindo a linha natural do dedo, nas mãos;
 Peça ajuda para segurar uma criança que ofereça resistência a cortar as unhas, ou corte-as enquanto
dorme;
 Corte as unhas dos pés a direito.

CRIANÇAS DOS 3 AOS 6 ANOS

O adulto deve respeitar o que quer que a criança esteja a realizar na altura em que os cuidados corporais forem
necessários. É preciso antes de mais tentar entrar na experiência em que a criança está envolvida naquele
momento.

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O adulto deve reduzir o impacto de uma eventual perturbação fornecendo à criança uma indicação prévia de que
ela precisa de fazer uma pausa para um determinado cuidado corporal (mudar a fralda, fazer chichi), dando-lhe
algum tempo para chegar a um momento em que possa parar a sua brincadeira.

O adulto deve falar e agir de modo adequado com as crianças, para que elas compreendam mais acerca da
próxima rotina de cuidados.

As crianças devem ter oportunidade com o apoio dos adultos, de fazerem escolhas durante cada rotina de
cuidados corporais, como por exemplo: escolher o tipo de alfinetes (para quem usa fraldas), optar pelo tipo de
cuecas que quer vestir, decidir qual é a fralda descartável que a criança irá dar ao adulto, escolher qual a toalha
ou esponja a utilizar, se quer um pano ou um toalhete descartável para limpar a cara ou as mãos, decidir se
sentam no bacio ou na sanita, etc…

Outro modo de proporcionar às crianças algum poder de escolha é através do ambiente físico. Atenção ao modo
como se dispõe a área de vestir, de mudança de fraldas e a casa de banho, pois este envolvimento determina
as escolhas que as crianças fazem sobre aquilo para que olham ou observam durante os cuidados corporais.

As crianças aprendem em termos sensório motores, mesmo durante as rotinas de cuidados corporais. Apreciam
a ter alguma coisa para poderem ver de perto, sentir, levar à boca, cheirar ou ouvir.

O importante é ajudar as crianças a encontrar algo que não seja excessivamente grande ou que se suje com
facilidade. Há que recordar, também, que os objectos que as crianças vêem e seguram durante os cuidados
corporais podem originar algumas conversas.

Os adultos devem apoiar as primeiras tentativas das crianças de cuidarem do seu próprio corpo. Devem ajudá-
las nessas tentativas, do mesmo modo que dão um apoio paciente quando estas aprendem a comer sozinhas,
a empilhar blocos ou a andar sem ajuda.

Alguns exemplos de actuação das crianças são:


• Segurar em fraldas limpas, panos ou toalhas e pequenas peças de roupa.
• Limpar a cara ou as mãos.
• Subir as escadas até à mesa de mudar as fraldas.
• Lavar os dentes.
• Puxar as cuecas para baixo e depois para cima quando utilizam o bacio.
• Enfiar os braços nas mangas e as pernas nas calças.
• Tirar as meias e tentar enfiá-las nos pés.
• Tirar a muda de roupa lavada do seu armário ou caixa.
• Pôr o chapéu.
• Abrir e fechar fechos, etc…

Este procedimento fará com que os adultos fiquem mais disponíveis para as observarem em acção e apreciarem,
comentando, as competências que vão emergindo.

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1.2.1 Equipamentos

Higiene e limpeza equipamento/utensílios


O Plano de Limpeza e Higiene das Infra-estruturas prevê:
• A mudança semanal da roupa de cama (i.e. catre e berço) das crianças ou sempre que necessário;
• A limpeza e desinfecção semanal dos berços e catres ou sempre que necessário;
• A limpeza e desinfecção diária dos objectos utilizados nos cuidados de higiene das crianças (p.e bacios,
contentor de fraldas, sanitas).

Esta tarefa deverá ser realizada num local específico, separado do espaço onde se realizam as actividades com
crianças;

 A limpeza semanal do material lúdico-pedagógico ou sempre que necessário;


 O estabelecimento deve garantir que este material se encontre nas condições de higiene e segurança
estipulados na legislação em vigor e seja avaliado, pelo menos, uma vez por ano, para verificação da
manutenção das condições iniciais.

Os objectos individuais para os cuidados de higiene das crianças devidamente identificados e mantidos em
perfeitas condições de limpeza, conservação e arrumação (p.e. bacios, copos, escovas de dentes, pastas de
dentes são lavados depois de cada utilização).

Os berços e os catres nunca são utilizados por outra criança sem antes serem lavados.
Os berços e os catres são colocados de forma a evitar a propagação de germes. Os catres devem ser colocados
de forma a permitir que as crianças, quando colocadas a dormir, se encontram separadas, no mínimo, por 70
centímetros.

Depois de todas as crianças terem acordado, os catres são arrumados e o espaço é arejado. Os lençóis e mantas
de cada criança são sacudidos e colocados dobrados dentro de sacos individuais e arrumados.

Higiene e limpeza dos colaboradores


Os colaboradores mantêm uma higiene pessoal cuidada, lavando as mãos como rotina (p.e. sempre que chegam
à creche, antes de começar a trabalhar, antes e depois de administrarem primeiros socorros, antes de dar de
comer às crianças, antes e depois de cada muda de fraldas, depois de irem à casa de banho ou de terem ajudado
a criança nessa tarefa, depois de utilizarem um lenço, depois de manusear lixo, depois de tocarem nos olhos,
orelhas, nariz, cabelo ou boca, sua ou da criança, depois dos intervalos de descanso, depois de mudar os bebés,
depois de tocar em animais).

Os colaboradores usam vestuário e calçado, adequado e confortável à realização das actividades com as
crianças.

O estabelecimento disponibiliza contentores de toalhas em rolo ou toalhas de papel para secar as mãos. Poderão
ser utilizados toalhetes em situação de emergência (p.e. falta de água), de forma a manter uma barreira
protectora dos germes.
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Está estabelecido um Plano de Limpeza e Higiene das Infra-estruturas que prevê a periodicidade de limpeza dos
espaços, equipamento/utensílios.

Sempre que os serviços de higiene das instalações e equipamento são subcontratados, o estabelecimento deve
assegurar que a entidade prestadora do serviço respeita os procedimentos e a legislação em vigor.

1.2.2 Espaços

Os espaços onde são realizadas as actividades com as crianças (salas e refeitórios), são limpos e arrumados no
final de cada dia.
Nos espaços destinados às crianças mais pequenas (berçário) só é permitida a utilização de sapatos com uma
protecção, por parte dos adultos;
A área de mudança das fraldas deve estar separada da área de refeições e deve;
• ser utilizada só para esse efeito;
• ser limpa e desinfectada depois de cada muda;
• estar junto de uma área com água quente corrente;
• estar próxima da área de arrumação do equipamento e utensílios necessários para o efeito (p.e.
toalhetes, fraldas, pomadas, contentor de fraldas sujas).
• O contentor destinado às fraldas sujas e toalhetes encontra-se selado e fora do alcance das crianças.
• Os espaços de preparação e confecção da alimentação dos bebés (p.e. bancada, esterilizador de
biberões) e os respectivos utensílios individuais (p.e. biberão) são arrumados após cada utilização.
• A desinfestação das instalações é efectuada, no mínimo, anualmente, de acordo com o Plano de
Desinfestação.

1.3 CUIDADOS DE CONFORTO

CRIANÇA DOS 0 AOS 12 MESES

Pegar no bebé
Um recém-nascido pode parecer muito frágil e vulnerável mas é muito mais robusto do que se pode pensar. Com
esta certeza, pode assim transmitir-se-lhe tanta segurança quanto mais o adulto se sentir confiante, no seu modo
de se relacionar com ele, onde o contacto físico tem um papel importante.

O bebé dependente como é do adulto, precisa que nele se pegue e segure. Assim, devê-lo-á fazer de um modo
calmo, seguro e tranquilo, sem nunca o abanar, ou nele pegar com brusquidão, falando-lhe com suavidade,
segurando-o contra si, com especial atenção para o pescoço e a cabeça, onde no alto da mesma não se deve
fazer pressão.

Quando manejar o bebé, os movimentos devem ser tão calmos, carinhosos, seguros e confiantes quanto
possível, e acompanhados de olhar nos seus olhos e de conversa com ternura. É inegável a importância do
contacto físico estreito para o desenvolvimento, crescimento e bem-estar.

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Dado o pouco controle que o bebé tem na cabeça até aos 4 meses, quando lhe pegar e largar, assegure-se que
esta está apoiada.

Pegar num bebé deitado de costas


Se o bebé está a dormir, eleve-o primeiro calmamente e só lhe pegue depois. Coloque uma mão por baixo da
cabeça e pescoço e outra por baixo do rabinho.

Levante-se cuidadosamente elevando o corpo do bebé até ao seu peito, encostando-o a si e mantendo a cabeça
a um nível acima do resto do corpo.

Se o bebé ficar na vertical manterá a cabeça como que apoiada no seu ombro devendo com uma mão segurar-
se a cabeça e pescoço. Se ficar na horizontal deslize para o corpo a mão que apoiava o rabinho e em simultâneo
faça com que o outro braço apoie a cabeça, permanecendo assim numa boa posição para ser embalado.

Pegar num bebé que está de barriga para baixo


Segure o pescoço e a barriga com as mãos, deslizando uma das mãos entre as pernas até a palma segurar o
peito do bebé. Coloque suavemente a outra mão sob a face apoiando a cabeça. Levante-o enquanto o encosta
a si e volte-o de barriga para cima.

1.3.1 Higiene pessoal

Criança Dos 0 Aos 12 Meses

Vestir e despir
Vestir e/ou despir um bebé ou uma criança nem sempre é fácil, mas que se pode tornar numa brincadeira e
nunca uma guerra. A mudança de roupa a um recém-nascido ou bebé de baixo peso pode parecer difícil,
dificuldade essa, que vai sendo diminuindo, com o passar do tempo, bem como com a escolha de roupa
adequada.

Tipo de roupa
 Ao escolher a roupa, não esqueça que esta deve ser prática e confortável para o bebé, simples de vestir
e despir, e de lavagem e secagem rápida;
 Escolha roupas suficientemente largas, com elásticos lassos, de abertura fácil, preferencialmente de fita
de velcro, e sem botões;
 Deve evitar roupa de pura lã, e preferir o algodão;
 Preferir roupas não inflamáveis;
 A roupa deve permitir liberdade de movimentos, fácil acesso às fraldas e adequada à temperatura
ambiente;
 Botas ou meias antiderrapantes devem ser usadas quando o bebé começa a dar os primeiros passos.

Mudar a roupa a um bebé


 Deite sempre o bebé de costas numa superfície rígida e protegida por um tecido confortável;
 Coloque em primeiro lugar a fralda;

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 Se vestir a roupa pela cabeça, comece por alargar o decote com as duas mãos, enfie a roupa por cima
da cabeça, enquanto a levanta um pouco, e puxe-a para o pescoço. Alargue uma manga ou cava e faça-
a passar por um braço, repetindo com o outro. Puxe a roupa para baixo, ajustando-a ao corpo.

Se vestir um baby-grow
 Desaperte todos os botões, molas ou fecho, e coloque a peça de roupa na superfície onde irá mudar o
bebé;
 Deite a criança em cima do fato alinhando o pescoço com a gola;
 Enfie as pernas, uma de cada vez nas pernas do fato e aperte os fechos até à fralda; para que as pernas
não saiam
 Enrole uma manga, mantendo-a aberta com uma das suas mãos, que vai segurar a mão do bebé, do
braço que vai ser guiado para a manga, enquanto que a outra mão puxa a manga. Repetir com o outro
braço.
 Se tiver de vestir várias peças de roupa, esta deve estar aberta nos mesmos locais, como por exemplo,
todas para trás. Vista todas as peças pela frente, voltando o bebé uma só vez para as apertar. Se por
acaso forem de apertar, à frente, coloque o bebé deitado de costas, enfie todas peças de roupa num só
braço, faça-as passar por detrás do corpo, e recomece a vestir o outro braço pela mesma ordem pelo
que o fez anteriormente.
 A cabeça deve ficar ligeiramente elevada em relação ao resto do corpo e apoiada no resto do seu braço,
sendo também esta uma posição para embalar.

Dos 3 aos 6 anos

O adulto deve respeitar o que quer que a criança esteja a realizar na altura em que os cuidados corporais forem
necessários. É preciso antes de mais tentar entrar na experiência em que a criança está envolvida naquele
momento.

O adulto deve reduzir o impacto de uma eventual perturbação fornecendo à criança uma indicação prévia de que
ela precisa de fazer uma pausa para um determinado cuidado corporal (mudar a fralda, fazer chichi), dando-lhe
algum tempo para chegar a um momento em que possa parar a sua brincadeira.

O adulto deve falar e agir de modo adequado com as crianças, para que elas compreendam mais acerca da
próxima rotina de cuidados.

As crianças devem ter oportunidade com o apoio dos adultos, de fazerem escolhas durante cada rotina de
cuidados corporais, como por exemplo: escolher o tipo de alfinetes (para quem usa fraldas), optar pelo tipo de
cuecas que quer vestir, decidir qual é a fralda descartável que a criança irá dar ao adulto, escolher qual a toalha
ou esponja a utilizar, se quer um pano ou um toalhete descartável para limpar a cara ou as mãos, decidir se
sentam no bacio ou na sanita, etc…

Outro modo de proporcionar às crianças algum poder de escolha é através do ambiente físico. Atenção ao modo
como se dispõe a área de vestir, de mudança de fraldas e a casa de banho, pois este envolvimento determina
as escolhas que as crianças fazem sobre aquilo para que olham ou observam durante os cuidados corporais.
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As crianças aprendem em termos sensório motores, mesmo durante as rotinas de cuidados corporais. Apreciam
a ter alguma coisa para poderem ver de perto, sentir, levar à boca, cheirar ou ouvir.

O importante é ajudar as crianças a encontrar algo que não seja excessivamente grande ou que se suje com
facilidade. Há que recordar, também, que os objectos que as crianças vêem e seguram durante os cuidados
corporais podem originar algumas conversas.

Os adultos devem apoiar as primeiras tentativas das crianças de cuidarem do seu próprio corpo. Devem ajudá-
las nessas tentativas, do mesmo modo que dão um apoio paciente quando estas aprendem a comer sozinhas,
a empilhar blocos ou a andar sem ajuda.

Alguns exemplos de actuação das crianças são:


• Segurar em fraldas limpas, panos ou toalhas e pequenas peças de roupa.
• Limpar a cara ou as mãos.
• Subir as escadas até à mesa de mudar as fraldas.
• Lavar os dentes.
• Puxar as cuecas para baixo e depois para cima quando utilizam o bacio.
• Enfiar os braços nas mangas e as pernas nas calças.
• Tirar as meias e tentar enfiá-las nos pés.
• Tirar a muda de roupa lavada do seu armário ou caixa.
• Pôr o chapéu.
• Abrir e fechar fechos, etc…

Este procedimento fará com que os adultos fiquem mais disponíveis para as observarem em acção e apreciarem,
comentando, as competências que vão emergindo.

1.3.2 Repouso

Dos 0 aos 36 meses

Deitar o bebé
Ao deitar o bebé devê-lo-á fazer com calma para que ele não tenha sensação de abandono.

Com suavidade afaste os braços, de modo a que uma mão continue a apoiar a cabeça e pescoço do bebé e a
outra o rabinho. Afaste lentamente o corpo dele do seu, colocando-o mais perpendicular ao seu.

Incline-se na direcção do lugar em que vai deitar o bebé, pousando primeiro o rabinho, e só depois retirando a
mão. Mantenha a cabeça bem apoiada até a pousar na superfície, e só depois de o deitar se retira a mão que a
segura.

Dos 3 aos 6 anos

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A necessidade de descanso de cada criança varia com a idade e com as circunstâncias pessoais de cada uma.

Quando as crianças estão envolvidas durante a manhã numa actividade exploratória interessante e activa, faz
sentido programar o descanso a seguir ao almoço como uma rotina diária.

É imprescindível conversar com os pais quando eles chegam com os seus filhos. Eles deixam transparecer
quando se deve antecipar uma mudança nos padrões de sono da criança.

As crianças apresentam sempre rituais próprios para adormecer:


• Alguns adormecem assim que chegam ao berço ou cama que lhe é familiar.
• Outros rabujam e para adormecerem descansadamente podem necessitar que o adulto os embale,
abane ou faça festinhas ou talvez lhes cante uma cantilena ou canção.
• Outros chucham no dedo ou na chupeta agarram-se firmemente a um cobertor ou boneco de peluche
ou mexem-se até encontrarem uma posição de sono confortável.
• Algumas crianças podem precisar de ajuda ou simplesmente desejar um sinal de atenção antes de
escolherem um livro para ver na cama, localizarem um cobertor ou um brinquedo especial ou beber uns
golos de água.
• Outras podem exigir que o adulto lhes afague as costas ou lhes cante uma cantiga.

Perante estes rituais de adormecer, constata-se que as crianças precisam de atenção personalizada para
adormecerem.

É através do tempo e da observação, da tentativa e do erro e das dicas dadas pelos pais, que o adulto conseguirá
descobrir como melhor ajudar cada criança a sossegar, antes de adormecer.

Na hora da sesta regularmente programada, algumas crianças podem eventual ou sistematicamente querer
manter-se acordadas durante todo o tempo de descanso. Nesses casos convém ao adulto proporcionar-lhes
actividades ou brincadeiras calmas e que não perturbem o descanso das outras crianças.

Entre elas:
 Optar por um livro ou um brinquedo que gostem de utilizar enquanto descansam.
 Brincar na área dos livros ou jogos calmos, localizadas longe da área de repouso.
 Ir para o recreio com uma das educadoras, etc.

Todas as crianças têm um acordar diferente. Algumas acordam alegres e prontas para continuarem com a
brincadeira pelo dia fora.

Outras ficam rabugentas, sem terem a certeza de onde estão e a precisarem de contacto e de conforto físico –
serem embaladas numa cadeira de baloiço, andarem a passear ao colo do adulto ou olhar pela janela… outras
acordam devagar e contentam-se em ficar deitadas no berço ou no catre durante alguns momentos,
simplesmente a olhar para o ambiente numa tentativa de se adaptarem.

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As crianças ficam livres para se juntarem às diversas actividades seguintes, à medida que vão acordando e
sentindo-se prontas.

1.4 NECESSIDADES NUTRICIONAIS

Dos 0 aos 12 meses

Do Leite aos Primeiros Alimentos Sólidos

O bebé amamentado
O leite materno é a comida e a bebida perfeitas para o bebé nos primeiros meses de vida. A partir do nascimento
a composição do leite materno muda constantemente, de forma a satisfazer as necessidades do bebé em
crescimento.

Por volta dos 4 meses, embora a quantidade de leite materno que o bebé ingere possa não se ter alterado de
forma significativa, os ingredientes serão perfeitamente equilibrados para satisfazer as necessidades nutritivas.

Do ponto de vista nutritivo, o leite materno é o alimento mais completo que o bebé pode ter durante os primeiros
meses de vida. Se o bebé for amamentado todo este período ou parte, os benefícios para a sua saúde perdurarão
para sempre.

O Bebé Alimentado a Biberão


A maioria dos leites em pó para bebés tem por base o leite de vaca e é fabricado de modo a tornar-se o mais
semelhante possível ao leite materno. Certifique-se que o bebé recebe todos os nutrientes de que necessita com
o leite artificial.

Embora possa parecer insatisfeito ou crescer muito depressa, é aconselhável deixar a introdução de alimentos
sólidos para depois dos 4 a 6 meses, uma vez que até essa altura o aparelho digestivo ainda não está
suficientemente maduro para os suportar.

Se o bebé parecer particularmente insatisfeito antes desta idade, existem leites em pó fabricados à semelhança
do leite materno, mas que contêm mais proteínas do que as primeiras mamadas. Um destes leites poderá
satisfazer a fome do bebé.

Padrões Alimentares
Logo desde o início, os bebés alimentados a biberão tendem a adoptar um padrão alimentar mais regular do que
os amamentados. O leite artificial contém mais proteínas do que o leite materno e, por isso, os bebés tendem a
sentir-se satisfeitos durante períodos mais longos entre mamadas.

Necessidade de Alimentos Sólidos


Por volta dos 4 meses a 6 meses, o armazenamento de ferro com que o bebé nasce começa a reduzir. O leite
de vaca é uma fonte pobre em ferro e o tipo de ferro contido nos leites em pó tende a ser menos absorvido do
que o contido no leite materno.

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Esta é uma das razões importantes por que os bebés desta idade alimentados a biberão necessitam de começar
a comer outros alimentos. À medida que o bebé cresce, são necessárias quantidades maiores de leite para
fornecer a energia necessária ao crescimento e desenvolvimento.

Contudo, o estômago de um bebé só consegue suportar uma determinada quantidade e haverá uma altura em
que, mesmo que beba o mais possível em cada mamada, não ingerirá calorias suficientes para fornecer a energia
necessária. Esta é a altura de introduzir alimentos sólidos.

Regular a Introdução dos Alimentos Sólidos


A altura de começar a pensar em introduzir alimentos sólidos é por volta dos 4 a 6 meses, se o bebé começar a
parecer insatisfeito com a quantidade de leite que bebe através do biberão. Ele pode deixar de mamar na tetina
ou começar a mastigá-la, em vez de beber o leite.

Se o bebé subitamente começar a querer uma mamada extra quando até aí parecia satisfeito com 5 por dia,
ainda parecer com fome de pois de beber um biberão cheio ou voltar a acordar a meio do sono depois de um
período a dormir directo, é chegada a altura de introduzir alimentos sólidos.

Quando Começar
O momento exacto em que um bebé deve começar a comer alimentos sólidos varia, mas não é aconselhável
começar antes dos 4 meses de idade.

Por volta dos 6 meses, o bebé deve comer uma mistura de alimentos diferentes. Nesta idade não são necessárias
grandes quantidades de alimentos sólidos, dado que o leite continuará a ser a principal fonte de alimento durante
os primeiros 6 a 9 meses de vida. Não se deve ter pressa e devemo-nos orientar pelas exigências do bebé.

O bebé estará apto para os alimentos sólidos se:


 Tiver pelo menos 4 meses e haja duplicado o peso com que nasceu.
 Já não parecer satisfeito com as mamadas.
 Começar a exigir mamadas com maior frequência.
 Começar a acordar a meio do sono com fome.
 Mostrar interesse por aquilo que o adulto come
 Meter coisas na boca, como uma roca, e morder persistente e continuadamente. Conseguir manter um
puré líquido na boca.

Preparar os Primeiros Alimentos


Dado que o bebé está habituado a beber líquidos, é provável que aceite mais facilmente as primeiras refeições
de alimentos sólidos se tiverem uma consistência uniforme e semilíquida.

No início, experimenta-se alimentos que sejam suaves e possam ser facilmente reduzidos a puré líquido. O puré
de vegetais ou fruta e o arroz para bebés, misturado com um pouco de leite ou água fervida e arrefecida,
constituem as primeiras refeições ideais.

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Normalmente, o bebé só experimenta uma ou duas colheres de chá; nesta fase, é maior a adaptação ao sabor
e à textura dos alimentos sólidos que a necessidade deles pelo respectivo valor nutritivo.

Escolher os primeiros alimentos

Alimentos a introduzir:
 Arroz para bebés ou cereais sem glúten.
 Puré de cenoura, batata, batata-doce ou couve-flor.
 Puré de banana, maçã cozida, pêra madura e macia.
 Puré de pêssego ou alperce em calda e sem açúcar.

Alimentos a evitar:
• Alimentos que contenham sal ou açúcar,
• Café, chá, chocolate ou álcool.
• Mariscos e nozes inteiras.
• Ovos e frutos secos, antes dos 6 meses.
• Tudo o que contenha trigo, cevada, centeio ou aveia, antes dos 6 meses de idade.

De 6 Meses a 1 Ano
O bebé desenvolve-se rapidamente entre os 6 meses e o ano e isto tem um impacto inevitável nos padrões da
alimentação. Aos 6 meses, a maioria dos bebés necessita de apoio para se sentar e é preciso segurá-los
enquanto se alimentam.

Por volta dos 8 meses, desenvolvem a força e o equilíbrio necessários para se sentarem e podem começar a
utilizar a cadeira de bebé. Aos 6 meses, o bebé domina a arte de alcançar e pegar numa colher, embora a sua
coordenação deixe muito a desejar, devendo, por isso, estar-se preparado para a sujidade.

Por volta dos 7 ou 8 meses, as suas capacidades para agarrar e manusear terão melhorado bastante. Nesta
altura, os bebés começam a utilizar o polegar em oposição aos outros dedos, o que lhes permite pegar nos
alimentos e segurar uma colher, utilizando-a com uma precisão ligeiramente maior.

Com um ano de idade, a maioria dos bebés possui uma coordenação mão-olho suficientemente boa para
apanhar com precisão uma ervilha ou uma passa. À medida que a coordenação vai melhorando, o bebé começa
a ser capaz de beber por uma chávena ou um copo. Pode-se estimular o bebé a desenvolver estas capacidades
deixando-o praticar bastante a auto-alimentação.

As necessidades nutritivas do bebé


Deve dar-se ao bebé uma variedade de alimentos tão ampla quanto possível, mas lembrar-se de que uma dieta
para adultos, rica em fibras e pobre em gorduras, não é apropriada para o aparelho digestivo de uma criança
pequena nem para as suas necessidades energéticas.
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Deve certificar-se de que o bebé ingere diariamente alguns dos seguintes alimentos:
 Fruta e vegetais. A fruta e os vegetais são uma fonte importante de vitaminas, sais minerais,
micronutrientes (nutrientes que são importantes, mas apenas disponíveis em pequenas quantidades) e
fibras.
As vitaminas essenciais para os bebés e crianças pequenas incluem a vitamina A, que se pode encontrar
em frutos e vegetais vermelhos, verdes e amarelos, e a vitamina C, que se pode encontrar na maioria
da fruta e vegetais, principalmente nos vegetais verdes e citrinos.
 Alimentos com amido (hidratos de carbono). Os alimentos com amido, tias como pão, batatas, arroz,
massa e cereais, são importantes para o fornecimento de energia, algumas proteínas e fibras, bem como
certas vitaminas, por exemplo, a vitamina B.
 Proteínas (carne, peixe, ovos, aves, leguminosas, frutos secos). As proteínas são vitais para o
crescimento do bebé. À medida que o desmame avança, deve certificar-se de que o bebé ingere
proteínas em cada duas de três refeições. Porém, as proteínas não têm de ser necessariamente carne
ou peixe, pois os lacticínios, feijão e lentilhas, servidos com cereais, fornecem também boas quantidades.
 Gorduras. As crianças necessitam proporcionalmente de mais gorduras na sua dieta do que os adultos
e, por isso, durante os primeiros 2 anos de vida da criança, dê-lhe leite, queijo e iogurte gordos.
 Fibras. O aparelho digestivo de uma criança não suporta grandes quantidades de fibras e, de facto, os
alimentos ricos em fibras podem alimentar a criança sem lhe fornecer os nutrientes de que necessita.

Quantidades
O bebé ingere gradualmente quantidades de alimentos cada vez maiores, embora se deva guiar pelo apetite do
bebé para saber as quantidades certas. Nunca o force a ingerir quantidades suplementares.

Para além das quantidades de alimentos sólidos aconselháveis, o bebé deve ingerir diariamente 500ml a 600ml
de leite, materno ou artificial.

Uma dose corresponde a uma fatia de pão, uma tigela de cereais ou uma batata pequena cozida; uma maçã,
pêra ou banana; uma cenoura ou dois ramos de brócolos ou couve-flor; 25g de carne ou peixe ou 50g de lentilhas.

Dos 12 aos 36 meses

Os bebés têm um ritmo de crescimento bastante rápido, mas, após os 12 meses, verificará que o crescimento e
o aumento de peso diminuirão lentamente. Em geral, o crescimento reduz-se por volta do ano de idade, altura
em que o bebé começa a andar e se torna mais activo.

A partir dos 2 ou 3 anos, o aumento de peso mantém-se a um ritmo constante, continuando até o bebé atingir a
adolescência.

Entre o primeiro e o terceiro ano, as capacidades física, intelectual e social das crianças pequenas têm um
crescimento irregular. Tornam-se menos dependentes e começam a dominar um número cada vez maior de

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habilidades. Durante este período a criança torna-se cada vez mais competente na arte de se alimentar e pode
desenvolver (e expressar) preferências definitivas em relação aos alimentos.

Frequentemente, a independência crescente da criança revela-se me ataques de fúria em relação aos alimentos.
Acima de tudo, esta é uma área na qual a criança pode expressar preferências por um modo de vida que ainda
é dominado, em grande parte, pelas regras dos adultos.

Nesta idade, muitas crianças pequenas parecem perder o interesse pela comida e, em geral, isso não é motivo
para preocupações. O apetite das crianças varia de dia para dia e a quantidade total que a criança ingere ao
longo de uma semana é mais importante do que o quer come apenas num dia.

Para uma criança pequena, geralmente, ter de comer é uma intromissão mal acolhida no que é essencial para a
sua vida, que é brincar.

E, acima de tudo, brincar é o modo como a criança explora o mundo e desenvolve novas habilidades. Se for
capaz de fazer as refeições uma oportunidade para brincar, aprender e relacionar-se, provavelmente que a
criança quererá sentar-se à mesa com os restantes colegas, saborear o que come e valorizar este tempo tanto
quanto outro qualquer em que seja o centro das atenções.

Necessidades nutritivas
A dieta da criança deve conter um equilíbrio razoável de todos os nutrientes principais: proteínas, hidratos de
carbono (amidos), gorduras, fruta, vegetais, de modo que obtenha todas as vitaminas e sais minerais de que
necessita.

As quantidades exactas e necessárias variam – uma criança pode ser muito mais activa do que outra -, mas,
como regra básica, entre 1 e 3 anos, a dieta deve fornecer cerca de 45-50 kcal por cada 0,5kg de peso.

Proporcionalmente, as crianças necessitam de mais proteínas do que os adultos para compensar o crescimento
– cerca de 14,5g de proteínas por dia entre 1 e 3 anos de idade. Cerca de 6g desta quantidade devem ser
proteínas com uma qualidade elevada, do tipo obtido de fontes animais e vegetais concentradas.

As restantes podem ser obtidas de cereais, pão e alimentos menos concentrados. Todos os seguintes alimentos
fornecem cerca de 6g de proteínas: 1 ovo; 25g de carne magra; 25g de queijo rijo; 100g de feijão cozido; 100g
de lentilhas.

Alimentos diários necessários – 1 a 3 anos de idade

O que constitui uma dose?


Uma dose é 1 fatia de pão, 1 tigela pequena de cereais ou 1 pequena batata cozida; 1 maçã, pêra ou banana; 1
cenoura ou 2 ramos de brócolos ou couve-flor; 25g de carne ou peixe ou 50g de lentilhas ou feijão cozido.

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Variar os alimentos
A melhor maneira de satisfazer as necessidades nutritivas da criança é fornecer-lhe uma dieta variada. Não
desanimar se a criança parecer não gostar de certos alimentos; deve esperar simplesmente e tentar dá-los de
novo noutra altura.

Agora ele pode ingerir uma variedade cada vez maior de alimentos e, desde que sejam preparados
adequadamente ou cortados em pedaços razoáveis, é capas de comer praticamente tudo o que os adultos
comem.

Esta é a altura ideal para rever cuidadosamente a alimentação e os hábitos alimentares das outras crianças. É
insensato esperar que uma criança cada vez mais independente siga um regime alimentar saudável, se as
restantes não o fizerem.

O leite
O leite e os lacticínios continuam a ser uma fonte importante de cálcio, necessário para a obtenção de ossos e
dentes saudáveis, bem como de proteínas e gordura. Os peritos recomendam que as crianças com mais de 1
ano devem obter diariamente 350mg de cálcio.

Agora a criança pode beber leite gordo pasteurizado e deve ingerir 350ml por dia. Se ele perder o interesse pelo
leite, tente dá-lo de outra maneira – batidos feitos com frutos frescos esmagados ou iogurte, derivados de leite,
tais como iogurte e queijo, queijo fresco e natas, ou adicione leite a outros alimentos, tais como molhos e sopas.

Novos alimentos para experimentar


A criança já consegue ingerir uma vasta gama de alimentos e provavelmente parecia uma dieta variada. Introduza
um ou dois novos alimentos de cada vez, de modo a poder detectar facilmente aquele que lhe possa causar uma
reacção alérgica.

Evite alimentos em relação aos quais já exista um historial familiar de intolerância, tais como ovos, trigo e
morangos.
 Experimentar frutos macios, tais como framboesas, morangos, amoras e outros frutos do género.
 Introduzir uma variedade de pães, desde que não suspeite de uma intolerância ou alergia ao trigo. Evite
o pão de trigo integral mal moído, dado que o farelo por vezes causa diarreia e os produtos químicos do
farelo de trigo bloqueiam a absorção de ferro dos alimentos.

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 Aumentar a variedade de carne e peixe que a criança ingere, embora deva continuar a limitar o consumo
de carnes e peixes fumados. Utilizar pedaços de carne magra, retirar a gordura e não a fritar.
 Nesta altura, os vegetais com um sabor mais acentuado, tais como couve-de-bruxelas e brócolos, são
geralmente bem aceites.

Vegetais
Existem vários vegetais que podem ser servidos crus em saladas ou isolados. As crianças pequenas geralmente
não apreciam muito as saladas de folhas verdes, mas existem muitas outras alternativas. A salada de repolho
cortado fino, com cenoura ralada e maçã, misturada com maionese e talvez algumas passas, é normalmente
bem aceite.

As tiras de vegetais crus, como cenoura, aipo, pimento e ramos de couve-flor, com um molho saboroso, como
queijo fundido misturados com puré de tomate, em geral são muito apreciados.

Fruta
A fruta é uma excelente forma de vitamina C, betacaroteno e outras vitaminas, sais minerais e micronutrientes
vitais que a maioria dos bebés apreciam. Para além da maçã, pêra e banana, estimule o bebé a experimentar
alguns dos frutos mais exóticos. Os citrinos fáceis de descascar, como as tangerinas e as clementinas, em geral,
são muito apreciados, mas deve verificar se têm caroços.

A fruta oferece variadíssimas possibilidades para uma apresentação atraente, o que é útil se o bebé for de
apetites caprichosos. Decore um prato com frutos de cores contratantes, cortados em feitios diversos e dispostos
de modo a formarem desenhos.

Também podem triturar ou ralar frutos e misturá-los com queijo macio, queijo fresco ou iogurte, para aumentar o
valor nutritivo. Descascar e cortar a fruta e cubra-la com iogurte, natas frescas ou queijo fresco.

Planear a ementa
Para poder satisfazer as necessidades nutritivas da criança, deve procurar garantir que ela ingere 1 dose diária
de carne ou peixe, ou 2 doses de proteínas vegetais (frutos secos, leguminosas), por dia, 4 porções de pão,
cereais, batata ou outros alimentos com amido, 4 doses de fruta e vegetais e pelo menos 350ml de leite ou 2
doses de lacticínios, como iogurte ou queijo.

Se a criança tem pouco apetite não há motivo para que a comida lhe seja dada apenas à hora das refeições.
Não existe nada de errado nas merendas, desde que não sejam feitas com alimentos ricos em açúcar refinado,
sal e gordura; se oferecer merendas saudáveis, não há qualquer problema, mas não deve permitir que a criança
esteja sempre a petiscar em troca de refeições saudáveis.

Dos 3 aos 6 anos

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Existem alimentos que devem ser consumidos diariamente, a fim de fornecerem os nutrientes essenciais ao bom
funcionamento do organismo e que este não é capaz de fabricar por si próprio, a partir de outros nutrientes.

Todos os grupos de alimentos contribuem com nutrientes essenciais. Estes incluem determinado tipo de
proteínas, presentes principalmente no grupo da carne, peixe, ovos e mariscos, chamados aminoácidos
essenciais, determinado tipo de gorduras, em especial o ácido oleico e outros ácidos gordos essenciais,
presentes no azeite e outras gorduras vegetais e os denominados micronutrientes – as vitaminas e os sais
minerais.

Como em outras fases da vida, um padrão alimentar equilibrado e adequado à necessidades da criança em idade
pré-escolar compreenderá uma distribuição, em termos calóricos, de acordo com as regras da alimentação
saudável.

Neste sentido a alimentação da criança deverá ser variada e integrar alimentos que proporcionem os nutrientes
necessários em proporção e quantidade adequadas.

Necessidades energéticas
As necessidades energéticas da criança dependem das necessidades impostas pelas funções do organismo
(manter a temperatura, respirar, movimentar-se), pelo crescimento e também pelo dispêndio de energia inerente
à actividade física que, no período pré-escolar, pode ser muito intensa.

As necessidades médias de energia variam entre 1300 cal, para as crianças de 3 anos de idade, e 1700 cal, para
as crianças de 6 anos.

Necessidades de macro nutrientes


No quadro abaixo é apresentada a distribuição das necessidades por tipo de nutriente, tendo em consideração
as necessidades calóricas diárias nesta faixa etária.

Tratam-se de valores indicativos de referência, que deverão ser ajustados a cada criança, ao seu
desenvolvimento para a idade, em especial ao seu peso/altura e aos seus níveis de actividade física.

Considerou-se que 60% do total calórico diário será fornecido por hidratos de carbono, 27% por gorduras e 13%
por proteínas.

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Necessidades de vitaminas e sais minerais
No que se refere às necessidades de micronutrientes, ou seja de vitaminas e sais minerais, estas podem ser
supridas através da ingestão de alimentos dos cinco grupos nas quantidades e proporções adequadas. A
variedade na alimentação é a melhor regra para garantir que as necessidades de micronutrientes são satisfeitas.

Necessidades de fibras alimentares


Embora as fibras alimentares, presentes nos frutos e vegetais, não sejam absorvidas, são absolutamente
necessárias para assegurar um bom funcionamento intestinal. Neste sentido, a criança deve ser habituada a
ingerir alimentos do grupo V (frutos e vegetais) em proporção adequada.

Para tal, as duas principais refeições devem começar com uma sopa de legumes e terminar com uma peça de
fruta. O prato principal deve também ser acompanhado com um pouco de legumes, leguminosas ou saladas.
Mais uma vez se chama a atenção para a importância da variedade na escolha de legumes, leguminosas,
hortaliças e frutos.

Dos 6 aos 10 anos

Muitas crianças, entre os 6 e os 12 anos, têm um bom apetite e comem bastante mais do que as crianças mais
novas. Precisam das calorias extra que estão a consumir: neste período, o peso corporal médio duplica e o jogo
físico exige grande dispêndio de energia.

Infelizmente, os problemas alimentares tornam-se mais predominantes durante estes anos.


Para suportar o crescimento e esforço constantes do período escolar, as crianças precisam, em média, de 2400
calorias diárias – um pouco mais, para os mais velhos e menos para os mais novos.

O pequeno-almoço deve fornecer cerca de ¼ das calorias totais. A ingestão diária de alimento deveria incluir
níveis elevados de carbono complexos, que encontram em alimentos como as batatas, massas, pão e cereais.
Os hidratos de carbono simples, que se encontram nos doces, deveriam ser a nível mínimo.

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Apesar de as proteínas serem necessárias para a constituição e reparação dos ossos, muitas pessoas ingerem
mais proteínas do que necessitam. A dose diária recomendada para as crianças dos 7 aos 10 anos é de 28
gramas, mas a ingestão média, tanto para rapazes como para raparigas, é de 71 gramas.

Era comum pensar-se que o açúcar tornava as crianças hiperactivas, interferia com a aprendizagem ou tinha
efeitos negativos no comportamento ou no humor.

Contudo, e apesar de os doces serem menos desejáveis que os alimentos nutritivos, em qualquer dieta, uma
vez que providenciam geralmente calorias não nutritivas ou “vazias”, a investigação recente sugere que, nem o
açúcar nem o adoçante artificial, afectam significativamente o comportamento, funcionamento cognitivo ou humor
da maioria das crianças.

A “má imagem” do açúcar do açúcar pode ter resultado do consumo em grandes quantidades, em ocasiões como
festas de aniversário, nas quais o comportamento disruptivo (excessivo/conflituoso) provavelmente resulta, não
dos doces, mas da excitação com a própria situação.

Crescimento
Se passarmos por uma típica escola do 1º ciclo, imediatamente depois do toque de saída, veremos uma explosão
virtual de crianças de todos os tamanhos e formas. Uns altos, outros baixos, uns corpulentos, outros magrinhos,
irrompem das portas da escola para o ar livre.

Veremos que as crianças no período escolar parecem muito diferentes daquelas uns anos mais novas. São mais
altas e bastante mais fortes; mas muitas poderão apresentar excesso de peso, relativamente ás últimas décadas,
e algumas poderão estar mal nutridas.

Altura e Peso
O crescimento em altura e peso, durante o período escolar, abranda consideravelmente, se comparado com a
sua velocidade rápida durante a infância. Mesmo assim, apesar das mudanças do dia-a-dia não serem óbvias,
conduzem a uma diferença surpreendente entre os 6 anos, em que são ainda crianças pequenas, e os 11 anos,
em que muitos se começam a assemelhar a adultos.

As crianças nestas idades crescem entre 2,5 e 7,5 centímetros por ano e adquirem entre 2,5 e 4 Kg ou mais,
duplicando o seu peso médio. Os rapazes e raparigas de raça negra tendem a ser um pouco mais altos e mais
pesados que as crianças brancas, da mesma idade e sexo.

Mais tarde neste estádio, as raparigas iniciam um surto de crescimento, aumentando cerca de 5 Kg por ano. De
repente, estão mais altas e mais pesadas que os rapazes da sua classe e assim permanecem até cerca dos 12
ou 13 anos, quando os rapazes iniciam o seu próprio surto de crescimento, ultrapassando as raparigas. As
raparigas retêm mais tecido gordo que os rapazes, uma característica que irá persistir na idade adulta.

Nutrição e Dentição
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Os pais de crianças no período escolar têm muitas vezes dificuldades em manter os alimentos no frigorífico.
Muitas crianças, entre os 6 e os 12 anos, têm bom apetite e comem bastante mais do que as crianças mais
novas.

Infelizmente, os problemas alimentares tornam-se também mais predominantes nestes anos. E, com o
aparecimento da dentição definitiva, os cuidados dentários adequados tornam-se mais críticos.

A maior parte da dentição adulta inicia-se neste período. A primeira dentição (20 dentes) começa a cair por volta
dos 6 anos e é substituída pela dentição definitiva (32 dentes), a um ritmo de cerca de 4 dentes por ano, durante
os cinco anos seguintes.

Os primeiros molares irrompem pelos 6 anos; os segundos molares por volta dos 13 anos; e os terceiros molares
– os dentes do siso – no início dos 20 anos.

Dada a importância de dentes sãos para a alimentação, saúde geral e aparência, a alta taxa de problemas
dentários tem vindo a ser um problema sério. Contudo tem vindo a melhorar, graças à melhor nutrição, melhores
cuidados dentários e uso alargado de flúor nas pastas dentífricas, na lavagem da boca e na água para beber e
preparar os alimentos.

1.4.1 Alimentação equilibrada

A alimentação consiste em obter do ambiente uma série de produtos, naturais ou transformados, que
conhecemos pelo nome de alimentos. A alimentação é, assim, um processo de selecção de alimentos de acordo
com os seus hábitos e condições pessoais.

Este processo é importante ao longo de toda a vida, particularmente em determinados períodos, como sejam a
infância e a adolescência, a gravidez ou a terceira idade.

A criança, por se encontrar em fase de crescimento, é extremamente dependente de uma alimentação saudável
e, por isso, mais sensível às carências, desequilíbrios ou desadequação alimentares.

A quantidade de alimentos, que se deve ingerir, depende das necessidades energéticas de cada indivíduo e de
um balanço entre aquilo que se perde ou elimina por diversos mecanismos e aquilo que se ingere.

Para uma alimentação saudável há que escolher alimentos seguros, do ponto de vista da sua qualidade e higiene,
e diversificados, por forma a satisfazer todas as necessidades de nutrientes essenciais.

A variedade na alimentação é a principal forma de garantir a satisfação de todas as necessidades do organismo


em nutrientes e de evitar o excesso de ingestão de eventuais substâncias com riscos para a saúde, por vezes
presentes em alguns alimentos.

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Por outro lado, há que garantir a manutenção da proporcionalidade entre os diferentes grupos alimentares, tendo
em consideração as necessidades nutricionais ao longo da vida.
Neste sentido, o tipo de alimentos, os métodos de preparação e as refeições devem ser adequadas às condições
e necessidades particulares de cada indivíduo, tendo em consideração, entre outros factores, a sua idade, sexo,
grau de actividade física e estado de saúde.

Se a alimentação da criança não for adequada quer em quantidade, quer em qualidade, o seu crescimento pode
ser afectado, podendo surgir diversas situações de doença ou de comprometimento global do desenvolvimento.

Necessidades nutritivas
A dieta da criança deve conter um equilíbrio razoável de todos os nutrientes principais: proteínas, hidratos de
carbono (amidos), gorduras, fruta, vegetais, de modo que obtenha todas as vitaminas e sais minerais de que
necessita.

As quantidades exactas e necessárias variam – uma criança pode ser muito mais activa do que outra -, mas,
como regra básica, entre 1 e 3 anos, a dieta deve fornecer cerca de 45-50 kcal por cada 0,5kg de peso.

Proporcionalmente, as crianças necessitam de mais proteínas do que os adultos para compensar o crescimento
– cerca de 14,5g de proteínas por dia entre 1 e 3 anos de idade. Cerca de 6g desta quantidade devem ser
proteínas com uma qualidade elevada, do tipo obtido de fontes animais e vegetais concentradas. As restantes
podem ser obtidas de cereais, pão e alimentos menos concentrados. Todos os seguintes alimentos fornecem
cerca de 6g de proteínas: 1 ovo; 25g de carne magra; 25g de queijo rijo; 100g de feijão cozido; 100g de lentilhas.

O total dos alimentos, ingeridos ao longo do dia, deve respeitar as proporções da roda dos alimentos, incluindo
hortaliças, legumes e frutos, não esquecendo os alimentos do grupo do leite, os cereais e derivados como o pão,
passando pelas leguminosas.

O consumo de carne deve ser moderado, sendo de retirar as gorduras visíveis e de preferir o peixe uma vez por
dia. Reduzir o sal, as gorduras e o açúcar na confecção e no tempero dos alimentos. Usar gorduras com
moderação, preferindo o azeite.

E, finalmente, variar tanto quanto possível, dando primazia aos produtos de cada estação do ano.

Os alimentos devem distribuir-se ao longo do dia, por 5 a 6 refeições diárias, a intervalos regulares.

O pequeno-almoço é uma refeição fundamental para a criança, nunca devendo ser omitido. O leite,
acompanhado de pão ou cereais, deve fazer parte desta refeição. A quantidade diária de leite recomendada
ronda o ½ litro, podendo ser gordo ou meio-gordo.

A meio da manhã deve ser fornecida uma pequena refeição, a fim de evitar que a criança fique mais de 3 horas
sem comer. Meia carcaça ou papo-seco, duas ou três bolachas sem creme ou uma peça de fruta são suficientes.

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As duas principais refeições devem começar com uma sopa de legumes da época. Os produtos hortícolas devem
ser predominantes nas sopas e no prato. Em conjugação com a fruta, devem ser consumidos diariamente. Pão
de mistura e cereais escuros podem ser fornecidos à vontade. Carne e peixe não precisam de ultrapassar os
50g limpos a cada uma das duas principais refeições, os ovos podem chegar aos 3 por semana.

Sal e açúcar, o mínimo possível. Água e sumos naturais são as bebidas mais adequadas. A sobremesa deve ser
constituída por fruta. Em dias especiais pode ser fornecida uma sobremesa doce.

A meio da tarde deve ser fornecida uma merenda, em que o leite ou derivados e o pão não devem faltar.

O jantar será semelhante ao almoço, devendo começar também com uma sopa de legumes e terminar com uma
peça de fruta.

Grupos de nutrientes presentes da Roda dos Alimentos:

1) Hidratos de Carbono Amiláceos, que incluem pão, arroz, massas, cereais


e batatas, devem ser servidos em todas as refeições:
 Utilize muitas batatas, incluindo puré de batata e batata-doce.
 Experimente pão integral e de cereais alternativos, já que são por norma mais ricos em fibras que o
clássico pão branco.
 Tente também dar à sua criança pães étnicos, como chapata, nan ou pita.
 As massas também são muito importantes - muitas crianças adoram esparguetes ou lasanhas servidas
com tomate, queijo ou molho à bolonhesa.
 Sirva pequenos-almoços fortificados de cereais.

2) Frutas e legumes devem ser consumidos com bastante regularidade, cerca de 4 ou 5 vezes ao dia.
 Utilize fruta em pudins, bolos ou outros doces e sobremesas

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 Frutas e legumes enlatados ou congelados podem ser tão nutritivos como os frescos, saiba escolher.
 Os legumes podem ser comidos crus ou cozinhados (se cozinhados, não exagere no tempo da confecção
de modo a manterem o máximo de vitaminas e outros nutrientes).
 Se a criança detesta legumes, tente disfarçá-los em sopas, molhos e pizzas.

3) O leite e seus derivados são fontes muito importantes de cálcio. Entre 500-600 ml por dia é a dose
recomendada para estas idades.
 Não tenha medo de dar à criança, leite gordo.
 O leite meio-gordo pode ser dado a partir dos dois anos de idade, desde que a dieta geral contenha
energia suficiente.
 O leite pode ser usado em bebidas, cereais, pudins e molhos
 Queijos curados, queijo fresco ou em creme e iogurtes podem ser excelentes substitutos do leite
 Acrescente queijo ao puré de batatas, pudins, esparguete, pratos de ovos, etc.
 Utilize queijo em torradas e tostas
 Experimente dar à criança um iogurte como sobremesa ou snack entre as Refeições

4) Carne, peixe e outras alternativas devem ser consumidos duas vezes por dia
 Bifes de vaca, peru, galinha, carne de porco, empadas de carne, esparguete à bolonhesa ou almôndegas
são boas opções.
 Muitas crianças preferem que a carne seja macia e húmida, servida com um molho
 Sardinhas, salmão ou atum esmagados, carnes frias ou patés, são muito bons em sanduíches.
 O peixe num molho branco ou de queijo é muito nutritivo.
 Utilize ovos como acompanhamento, sejam cozidos, estrelados, mexidos ou omeletas.
 Use leguminosas na dieta da criança, como lentilhas, ervilhas, feijão e grão

5) Alimentos "gordos" e guloseima: incluem azeite, óleos vegetais, açúcar, biscoitos, bolos, chocolate, gelados
e sumos.
 Estes alimentos não devem ser dados em demasia à criança, já que podem comprometer o apetite para
outros alimentos mais nutritivos.
 Complementarmente, alimentos doces podem contribuir significativamente para cáries dentárias e outros
problemas relacionados. Tente limitar a quantidade de doces que a sua criança come. Ofereça-lhe um
doce no final das refeições como sobremesa em intervalos regulares de modo a satisfazer o desejo por
açúcar

Os nutrientes particularmente importantes para crianças entre 1 e 4 anos são:

Ferro
A deficiência em ferro é bastante comum nesta faixa etária, já que os requerimentos em ferro são elevados, e a
ingestão de alimentos reduzida, especialmente em peixe ou carne.

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Alimentos ricos em vitamina C, comidos em simultâneo, ajudam a absorção do ferro, por isso deve incluir um
copo de sumo natural de laranja ao jantar, por exemplo.

Cálcio
Este mineral é vital para o crescimento de ossos e dentes, por isso é fundamental que a criança consuma leite e
produtos derivados do leite em quantidade suficiente.

Vitaminas A, C e D
A vitamina A é necessária para uma pele saudável e desenvolvimento celular, podendo faltar muitas vezes na
alimentação de crianças nestas faixas etárias.

A vitamina C é importante para o sistema imunitário e crescimento. Ajuda a absorção de ferro, em particular de
fontes vegetais. As frutas e legumes são excelentes fontes de vitamina C.

A vitamina D é essencial para o metabolismo do cálcio e pode até ser sintetizada pela acção do sol através da
pele. No Inverno, e se a sua criança está sempre coberta por roupas no exterior, assegure-se que inclui boas
fontes de vitamina D, ou suplementos alimentares que a contenham.

1.4.2 Alimentação e exercício físico

Com a vida dos tempos actuais, as crianças praticam menos actividades físicas do que antigamente. Trocar a
piscina pelos jogos das consolas, o futebol pela internet, a conversa em roda com os amigos pelo telemóvel são
atitudes cada vez mais normais entre todos nós e também entre os mais pequenos. No entanto, está comprovado
que o exercício, não apenas através de um desporto, mas de brincadeiras e jogos, promove a coordenação
motora e o desenvolvimento intelectual.

Estudos mostram que o desporto e a prática de actividades físicas são duas coisas distintas: actividades como
andar de bicicleta, correr, dançar, brincar à apanhada ou esconde-esconde, são diferentes de aulas de futebol,
voleibol, basquete, ginástica, ou natação por exemplo.

Entre os benefícios desses exercícios, estão o reportório motor e a capacidade de se desenvolver como ser
humano. A criança quando joga com os colegas, aprende regras e transfere-as para o convívio social. Elas
aprendem a respeitar os outros.

Além disso, é importante receber os estímulos que as actividades físicas produzem no corpo e na mente, porque
motivam a auto-estima e o poder de realização.

O período da infância pode ser dividido em duas fases: a chamada Primeira Infância pode ser classificada por
crianças até aos 4 anos e a Segunda Infância dos 4 aos 10 anos. Nesses dois períodos as actividades indicadas
por especialistas são diferentes: - A partir dos 6 meses, o bebé já pode praticar na natação, brincar, fazer
actividades acompanhadas por tutores. É recomendado pelos médicos que façam isso. - Até aos 4 anos, a
criança ainda não sabe interagir completamente, por isso o ideal é praticar qualquer desporto que exija mais a
individualidade, como ballet, judo e natação.

- Num segundo momento, as actividades terão um carácter mais recreativo e o ideal é partir para jogos em
equipas como futebol, voleibol, basquete ou rugby.
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É importante não esquecer de separar duas a quatro horas por dia, três a quatro vezes por semana, para praticar
exercícios físicos (incluindo hobbies e desportos), pois é a dose considerada adequada certa para se ter uma
infância saudável.

Tudo o que é em excesso pode fazer mal à saúde, principalmente às crianças, que estão em fase de formação.
Por isso, os pais devem evitar que os seus filhos exagerem na quantidade. Às vezes, demasiada expectativa
sobre as crianças tem efeitos contrários e elas perdem o prazer de frequentar aulas de educação física, por
exemplo. No entanto, quando as crianças dão sinal que gostam de um desporto, os pais devem estimular tendo
cuidado com o nível de exigência que lhes imprimem.

A competição é vista por muita gente de uma forma negativa, no entanto, o problema não é a competição em si,
mas sim como trabalhá-la na criança. A competição é um elemento fundamental para o jogo, tanto para desportos
quanto para brincadeiras e actividades. Devemos apenas ponderar até que ponto a cobrança pela liderança é
fundamental.

Quando a criança dá sinal de indisposição constante, ou seja, nunca quer brincar com os amigos, nem nadar na
praia, correr e divertir-se, os pais devem procurar algum estímulo para incentivá-la a participar nos
acontecimentos infantis, principalmente porque elas têm energia de sobra para isso. Por isso, o importante é não
deixar acontecer períodos de grande inactividade.

Assim como dormir bem, ter uma alimentação saudável, um período para estudo, praticar um ou mais
desportos..., estar disposto a fazer actividades físicas ao longo do dia é fundamental para o desenvolvimento
sadio das crianças. É uma obrigação!

Possíveis implicações da falta de exercício físico na infância:

- Obesidade

- Sedentarismo

- Problemas no desenvolvimento afectivo-social

- Falta de auto-estima

- Stress

- Empobrecimento da criatividade

- Prejuízo na coordenação motora

1.4.3 Alimentação e crescimento saudável

Percentis de peso

O peso é a medida antropométrica mais comum. Na realidade, esta medida é de massa corporal e não de peso,
mas este último termo é universalmente aceite e de difícil substituição.

O peso é uma medida elementar para a avaliação nutricional, particularmente no que respeita a situações de
insuficiência ponderal de excesso de peso ou obesidade.

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Trata-se da medida antropométrica mais usada nos serviços de saúde em todo o mundo, sendo facilmente obtida
e é importante no cálculo da dosagem de medicamentos e planos alimentares, na definição do risco nutricional
e na definição do perfil nutricional da criança, com o objectivo de planear, implementar e avaliar programas de
saúde infantil.
Como qualquer medida antropométrica, o valor obtido para o peso não deve ser interpretado isoladamente mas
sim posicionado numa tabela de percentis que consta do boletim de saúde infantil e juvenil.

A evolução ponderal na trajectória do crescimento não é linear, podendo sofrer alterações e depender de factores
exógenos pontuais, bem como apresentar características particulares e individuais.
Percentis de comprimento

O comprimento/ estatura são medidas que expressam o processo de crescimento linear do corpo humano e são
de extrema importância na definição do perfil nutricional da criança.

Dependendo da idade da criança e da capacidade para se manter de pé, mede-se o comprimento ou a estatura.
O comprimento é medido com a criança em decúbito dorsal, e deve ser utilizado até aos 24 meses. A estatura é
medida com a criança de pé.

O valor obtido para o comprimento ou estatura deve ser posicionado na tabela de percentis que consta no boletim
de saúde infantil e juvenil.

Tendo em consideração que a evolução da trajectória do crescimento não é linear e que o padrão de crescimento
estatural tem características particulares e individuais, com forte influência genética, apenas reduções ou
aumentos marcados entre duas ou mais avaliações deverão ser alvo de sinalização.

Percentis de perímetro cefálico

Para acompanhar a avaliação do crescimento de uma criança, as medidas antropométricas incluem também o
perímetro cefálico (PC). O PC é um parâmetro altamente correlacionado com o tamanho cerebral, reflectindo o
seu crescimento.

A cabeça no feto aos 2 meses de vida intra-uterina representa, proporcionalmente, 50% do corpo; no recém-
nascido representa 25% e na idade adulta, 10%. Os dois primeiros anos de vida constituem o período em que o
crescimento cerebral se completa quase totalmente, sendo no primeiro ano particularmente acelerado.

Este crescimento do cérebro explica o aumento do PC e a importância da sua medição periódica nos primeiros
três anos de vida.

Quando o PC aumenta de uma forma proporcional, traduz um crescimento adequado e um bom prognóstico
neurológico, enquanto que um crescimento demasiado rápido ou um ritmo lento podem ser indicativos de
patologia.

O PC tem também a sua importância nos dois primeiros anos de vida como indicador nutricional.
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A interpretação do valor obtido na medição do perímetro cefálico tem por base o valor do respectivo percentil,
observado nas tabelas de referência, para a idade e sexo. Não devem ser interpretados de forma isolada.

A obesidade Infantil

As crianças alimentadas com leite materno não sofrem de excesso de peso, o mesmo não acontecendo com o
aleitamento artificial se não se seguirem as indicações dos técnicos de saúde. Os problemas podem ter início
aquando da introdução de novos alimentos, nomeadamente as farinhas, não enquanto refeição, mas como
acréscimo ao leite no biberão – “ para engrossar “

Salvo raras excepções, o excesso de peso dos bebés e das crianças resultam sempre de um excedente de
alimentos, quase sempre da responsabilidade de quem cuida. Os maus hábitos alimentares começam ao longo
da infância e da adolescência, prolongando-se até à vida adulta.

Para muitos adultos, consciente ou inconscientemente, dar de comer é uma forma de exprimir afecto, e por tal
quanto mais e do gosto da criança, melhor.

Um bebé ou criança gordos são de certeza mal alimentados quer em quantidade quer em qualidade.

Erros mais comuns:

Bebés com excesso de peso


 Fazer doces de leite artificial muito açucarados
 Introduzir farinhas na dieta do bebé demasiado cedo
 Acrescentar desnecessariamente farinha ao biberão de leite para o tornar “ mais agradável “ e ajudar a
crescer
 Dar alimentos doces muito cedo, não permitindo o hábito por alimentos menos ou não doces

Crianças com excesso de peso


 Recusar comer determinados alimentos que são substituídos por outros francamente do seu agrado
 Recusar comer às refeições
 Preferência por alimentos doces.

O excesso de peso na criança agrava-se muitas vezes por falta de actividade física, podendo tornar-se
problemático e um círculo vicioso. Ou seja, uma dificuldade em participar nos desportos, poderá levar a um mau
estar compensável por uma ingestão de mais doces e assim sucessivamente, até a adolescência ou vida adulta,
podendo vir a desencadear problemas físicos e psíquicos de gravidade.
´
Como ajudar?
 Seguir o Esquema de Vigilância de Saúde ou recorrer a um técnico de saúde cumprindo as suas
orientações.
 Corrigir os erros identificados.
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 Planear a correcção de erros alimentares da família, servindo assim de modelo e traduzindo-se em
benefício para todos a curto e longo prazo.
 Evitar guloseimas
 Em casa substituir os doces por fruta
 Observar se a criança come por andar tensa, nervosa ou com medos, tentando resolver o motivo
 Conquistar, quando a idade permitir, a cooperação da criança para que não coma fora de casa e das
refeições.

Uma vigilância de saúde correcta pode evitar este problema bem como as suas consequências.

1.5 HIGIENE ORAL

Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral

Foi aprovado, através do Despacho Ministerial n.º 153/2005, o Programa Nacional de Promoção da Saúde
Oral, que desenha uma estratégia global de intervenção, assente na promoção da saúde, prevenção das
doenças orais, diagnóstico precoce e tratamento dos dentes que desenvolveram cárie dentária.
A intervenção abrange grávidas e crianças, desde o nascimento até aos 16 anos, ao longo do ciclo de vida e nos
ambientes onde as crianças e os jovens vivem e estudam.
Para se obterem ganhos consistentes em saúde oral é indispensável um investimento precoce e continuado. Por
isso, a promoção da saúde oral começa com a sensibilização da mãe grávida para os cuidados orais ao bebé,
logo após o nascimento. Em casa e na escola, as mensagens da prevenção das doenças orais devem ser
incorporadas nos comportamentos do dia-a-dia, com sentido de responsabilidade.
A mudança que se pretende obter com a implementação do programa implica o envolvimento dos profissionais
de saúde e de educação, dos pais e da comunicação social. De uma forma resumida, as Orientações do
Programa são:

A saúde oral é parte integrante da saúde em geral e mantê-la é uma prioridade.


A Direcção-Geral da Saúde tem vindo a desenvolver um Programa de Saúde Oral, dirigido à população infantil
e juvenil.
O Programa assenta numa estratégia de intervenção comunitária que privilegia a prevenção da cárie dentária
nas crianças e jovens escolarizados.

Os cuidados diários de higiene oral são fundamentais para a manutenção da saúde oral e, ao mesmo tempo,
melhoram a auto-estima e o sorriso.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO DAS DOENÇAS ORAIS

Todas as crianças, independentemente da sua capacidade de execução, devem escovar os dentes pelo menos
duas vezes por dia, sendo uma delas ao deitar.

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Sempre que possível, deve instruir-se a criança para ela própria executar a escovagem, mesmo que para isso
se adaptem os materiais; é preferível que seja ela a fazê-lo, pois é importante promover a sua autonomia.

A escova de dentes pode ser manual ou eléctrica.


Deve ter textura macia, pêlos de nylon com extremidades arredondadas e um tamanho adequado a quem a
utiliza. Independentemente do tipo, deve ser substituída quando os pêlos começam a ficar deformados.

A escova de dentes é um objecto pessoal.


Nas escolas e nas instituições de apoio as escovas devem ser marcadas (com nome, símbolos, cores, etc.) para
que possam ser facilmente identificadas e evitadas as trocas.
A marcação pode ser feita com caneta de tinta à prova de água ou com outra tinta, cobrindo-a com plástico
autocolante.
As escovas devem ser colocadas no copo correspondente e guardadas em local arejado, com a cabeça voltada
para cima, para permitir a secagem entre utilizações.

HIGIENE ORAL

Escovagem dos Dentes

A escovagem dos dentes deve ser feita com uma pasta dentífrica fluoretada.
Pode ser feita em frente ao espelho, estimulando-se, assim, a observação da boca, para que a criança veja o
que é e como se remove a placa bacteriana.
Quando se utiliza uma escova manual, o método mais aconselhado é o seguinte:

 inclinar a escova e fazer pequenos movimentos vibratórios ou circulares;


 se for difícil manter esta posição, colocar os pêlos da escova perpendicularmente à gengiva e à superfície
do dente;
 Escovar, no máximo, 2 dentes de cada vez, fazendo aproximadamente 10 movimentos nas superfícies
dentárias abarcadas pela escova;
 Começar a escovagem pela superfície externa (do lado da bochecha) do dente mais posterior de um dos
maxilares e continuar a escovar até atingir o último dente da extremidade oposta desse maxilar;
 Com a mesma sequência, escovar as superfícies dentárias do lado da língua;
 Proceder do mesmo modo para fazer a escovagem dos dentes do outro maxilar;
 Escovar as superfícies mastigatórias de todos os dentes, fazendo movimentos de vaivém;
 Por fim, cuspir o excesso de pasta.

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Quando se utiliza uma escova de dentes eléctrica, deve ser respeitada a mesma sequência de escovagem O
movimento da escova é feito automaticamente, pelo que basta que a escova seja deslocada ao longo da arcada,
escovando um só dente de cada vez.

Fio Dentário • Fita Dentária

utilização do fio dentário pode por vezes ser difícil de utilizar e requerer destreza e paciência. No entanto, em
certas circunstâncias, é indispensável e, por isso, os pais e os técnicos devem saber utilizá-lo.
1. Retirar cerca de 40 cm de fio (ou fita);
2. Enrolar a quase totalidade do fio no dedo médio de uma mão e uma pequena porção no dedo médio da
outra mão, deixando entre os dois dedos uma porção de fio, com aproximadamente 2,5 cm. Os polegares
e/ou os indicadores ajudam a manuseá-lo;
3. Introduzir o fio, cuidadosamente, entre dois dentes e curvá-lo à volta do dente que se quer limpar,
fazendo com que tome a forma de um “C”;
4. Executar movimentos curtos, horizontais, desde o ponto de contacto entre os dentes até ao sulco
gengival, em cada uma das faces que delimitam o espaço interdentário;
5. Repetir este procedimento até que todos os espaços interdentários de todos os dentes estejam
devidamente limpos.

Promoção da saúde oral ao longo do ciclo de vida

Na gravidez

ORIENTAÇÃO - A grávida, ao cuidar da sua saúde oral, está a promover a saúde do seu filho.

Na consulta de saúde materna ou de vigilância da gravidez, a boca da mãe deve merecer particularatenção. Em
caso de gravidez programada, a futura mãe, deverá fazer todos os tratamentos dentários necessários a uma boa
saúde oral. Se já estiver grávida e tiver dentes cariados ou doença periodontal, não deve deixar de proceder ao
necessário tratamento.

Uma boa saúde oral da mãe favorece a boa saúde oral do filho.

Ainda antes de o bebé nascer, as consultas de vigilância da gravidez, são uma boa oportunidade para sensibilizar
os pais para a importância da saúde oral no contexto de uma saúde global. Por isso, as mensagens devem dar

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destaque, aos cuidados a ter com a alimentação e a higienização da boca da criança, especialmente após a
erupção do primeiro dente

Uma gravidez programada deverá contemplar os tratamentos dentários da futura mãe.

Até aos 3 anos de idade

ORIENTAÇÃO A higiene oral deve inicia-se logo após a erupção do primeiro dente, utilizando uma
pequena quantidade de dentrífico flouretado de 1000-1500 ppm

Na consulta de saúde infantil ou de vigilância da criança, efectuada pelo médico assistente e/ou pelo enfermeiro,
pretendemos sensibilizar os pais para que incorporem na rotina de higiene diária do bebé também a higiene da
sua boca.

Após a erupção do primeiro dente, a higienização deve começar a ser feita pelos pais, duas vezes por dia,
utilizando uma gaze, uma dedeira ou uma escova macia, com um dentífrico fluoretado com 1000-1500 ppm (mg/l)
de fluoreto, sendo uma das vezes, obrigatoriamente, após a última refeição.

A quantidade de dentífrico a utilizar deve ser idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da mão, da própria criança
(dedo mindinho). Nesta fase, pode permitir-se que, progressivamente, e sob vigilância, a criança comece a iniciar-
se na escovagem dos dentes.

Não se recomenda qualquer tipo de suplemento sistémico com fluoretos.

Aos pais das crianças com menos de 3 anos deverá também ser fornecida informação sobre alimentação,
factores de cariogenicidade e a importância de prevenir as cáries precoces da infância, chamando a atenção,
em especial, para o facto de o bebé, a partir do 1º ano de idade, não dever usar prolongadamente o biberão nem
adormecer com ele na boca, quer tenha leite, farinhas ou sumos. É também particularmente importante reforçar
a absoluta contra-indicação da utilização de chupetas com açúcar ou mel.

Dos 3 aos 6 anos

ORIENTAÇÃO – A escovagem dos dentes com um dentrífico fluoretado de 1000-1500 ppm deve ser
efectuada duas vezes por dia, sendo uma delas, obrigatoriamente, antes de deitar.

Neste período de progressiva autonomia da criança, o exemplo dos pais é da maior relevância. Na sua tentativa
de imitação, a criança, vai adquirindo o hábito da higiene oral. Por isso, nesta fase deve-se fomentar o início da
escovagem dos dentes.

A escovagem dos dentes, com um dentífrico fluoretado com 1000-1500 ppm (mg/l) deve continuar a ser realizada
ou supervisionada pelos pais, dependendo da destreza manual da criança, pelo menos duas vezes por dia, sendo
uma delas, obrigatoriamente, antes de deitar. A quantidade de dentífrico a utilizar deve ser mínima, isto é, idêntica
ao tamanho da unha do 5º dedo da mão da própria criança, tal como se disse relativamente ao grupo etário
anterior.

Não se recomenda qualquer tipo de suplemento sistémico com fluoretos, à excepção das crianças de alto risco
à cárie dentária.

A qualidade da alimentação é determinante para a maturação orgânica e a saúde física e psicossocial. Nesta
fase, a criança adquire muitos dos comportamentos alimentares e muitos dos erros nutricionais do adulto. A

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diversidade na alimentação é a principal forma de garantir a satisfação das necessidades do organismo em
nutrientes e evitar o excesso de ingestão de substâncias com riscos para a saúde.

Desaconselha-se o consumo de guloseimas e refrigerantes, sobretudo fora das refeições.

Se a criança fizer medicação crónica, deve dar-se preferência à prescrição de medicamentos sem açúcar.

Dosa 3 aos 6 anos no Jardim de Infância

ORIENTAÇÃO - Integrar a educação para a saúde e a higiene oral no Projecto Educativo do


estabelecimento de educação e efectuar uma escovagem dos dentes no Jardim de Infância.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar preconizam uma intervenção educativa, em que a
educação para a saúde e a higiene fazem parte do dia-a-dia do Jardim-de-infância. A criança terá oportunidade
de cuidar da sua higiene e saúde, de compreender as razões por que não deve abusar de determinados
alimentos e ter conhecimento do funcionamento dos diferentes órgãos.

Desaconselha-se o consumo de guloseimas no Jardim-de-infância.

Todas as crianças que frequentam os Jardins-de-infância devem fazer uma das escovagens dos dentes no
estabelecimento de educação, sendo esta actividade particularmente importante para as que vivem em zonas
mais desfavorecidas e apresentam cárie dentária.

A escovagem dos dentes no Jardim-de-infância tem por objectivo a responsabilização progressiva da criança
pelo auto-cuidado de higiene oral. Esta actividade deverá estar integrada no projecto educativo do Jardim-de-
infância e ser pedagogicamente dinamizada pelos educadores de infância.

As equipas de saúde escolar, deverão apoiar a elaboração do projecto, melhorar as competências dos
educadores, professores e pais, sobre saúde oral, bem como orientar o desenvolvimento desta actividade.

Por volta dos 6 anos começam a erupcionar os primeiros molares permanentes. Pela sua própria morfologia,
imaturidade e dificuldade na remoção da placa bacteriana das suas fissuras e fossetas, estes dentes são mais
vulneráveis à cárie. Por isso, exigem uma atenção particular durante a erupção e uma técnica específica de
escovagem.

Mais de 6 anos

ORIENTAÇÃO – Escovar os dentes comum dentrífico fluoretado com 1000-1500 ppm duas vezes por dia,
sendo uma dela, obrigatoriamente antes de deitar.

A partir dos 6 anos de idade, a escovagem dos dentes já deverá ser efectuada pela criança, utilizando um
dentífrico fluoretado, idêntico ao usado pelos adultos, portanto, com um teor de fluoreto entre 1000 e 1500 ppm
(mg/l), numa quantidade aproximada de um (1) centímetro.

A escovagem dentária deverá ser efectuada duas vezes por dia, sendo uma delas, obrigatoriamente, antes de
deitar. Se a criança ainda não tiver destreza manual, recomendamos que esta actividade seja apoiada ou mesmo
executada pelos pais.

Mais de 6 anos, na escola

ORIENTAÇÃO – As mensagens de promoção da saúde devem ser coincidentes com as práticas da escola.

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Durante a escolaridade obrigatória, as referências à descoberta do corpo, à saúde, à educação alimentar, à
higiene em geral e à higiene oral estão integradas no currículo e nos programas escolares do 1º ao 9º ano do
ensino básico.

Educação Alimentar

A escola tem um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares das crianças e dos jovens, pelo que é
transmitido dentro da sala de aula, através dos conteúdos curriculares, mas também através da influência dos
pares e professores e pela forma como são expostos os produtos no bufete e na cantina.

As crianças e os jovens, que consomem mais alimentos ricos em açúcar e gorduras, e nos intervalos optam
predominantemente por doces e bebidas açucaradas, têm susceptibilidade aumentada à cárie dentária.

Assim, nos intervalos das aulas, a oferta deverá possibilitar escolhas saudáveis e económicas, como leite, pão
e fruta, em detrimento de refrigerantes e bolos.

Os princípios da promoção da saúde devem constituir uma referência para os projectos de educação alimentar.
As Escolas devem assegurar uma política nutricional que promova uma alimentação saudável, com coordenação
entre os serviços que fornecem produtos alimentares na cantina e no bufete, não sendo admissíveis contradições
entre as mensagens de educação alimentar, a oferta de alimentos e a forma como são confeccionados.

A higiene oral deve ser abordada no contexto da aquisição de comportamentos de higiene pessoal. As
aprendizagens deverão relacionar os saberes com as vivências, dentro e fora da escola. A estrutura dos
programas do ensino básico é suficientemente aberta e flexível para atender os diversos pontos de partida, os
interesses e as necessidades dos alunos, assim como as características do meio. Deste modo, os conteúdos da
saúde oral e da higiene oral podem ser associados ao desenvolvimento de hábitos de higiene pessoal e de vida
saudável.

No 1.º Ciclo, recomendamos que as crianças façam uma das escovagens dos dentes no próprio estabelecimento
de ensino. Esta escovagem deve ser orientada pelos professores, a quem deverá ser dada formação para esta
actividade, e regularmente, pelo menos uma vez em cada trimestre, supervisionada pela equipa de saúde
escolar.
Será de estimular a auto-responsabilização da criança pela sua higiene oral, de manhã e à noite.

Saúde Oral na Adolescência

No decurso da adolescência, em que se reorganiza a forma de estar no mundo, se reformula o autoconceito,


através nomeadamente, dos reforços positivos da auto-imagem, a higiene oral pode desempenhar um contributo
importante para esse processo. Neste período, a adesão a práticas adequadas em termos de saúde oral não
passa, estritamente, por motivações de carácter sanitário.
Tendo isso em conta, os profissionais de saúde ligados às acções educativas e preventivas neste domínio não
podem deixar de valorizar as expectativas dos jovens acerca dos lábios, da boca e dos dentes, nos planos
estético e relacional.

Na adolescência

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 A higiene oral faz parte da construção e do reforço positivo da auto-imagem.

 As espectativas dos jovens acerca dos lábios, da boca e dos dentes, no plano estético e relacional, são
de valorizar.

Promoção da saúde oral em ambiente escolar

No jardim de infância

 Efectuar uma escovagem dos dentes no Jardim de Infância

Na escola do 1º ,2ºe 3º Ciclo.

 Fazer coincidir as mensagens de promoção da saúde com as práticas da escola.

 Efectuar um bochecho quinzenal com uma solução de floureto de sódio a 2%.

 Efectuar uma escovagem dos dentes na escola e monitorizar a sua execução e efectividade.

2. ALTERAÇÃO E PREVENÇÃO DA SAÚDE DA CRIANÇA

2.1 ALTERAÇÕES GASTROINTESTINAIS

2.1.1 Náuseas e vómitos

Os vómitos na criança podem ser um sintoma de diferentes doenças ou problemas, como por exemplo:
Constipação, traumatismo craniano, febre, intoxicação alimentar, ingestão de substância tóxica, apendicite,
amigdalite, otite, obstrução intestinal ou infecção urinária entre outras causas.

Os vómitos são muito perigosos pois podem levar à desidratação, que é tanto maior quanto menor for a idade
da criança.

Avaliação da situação
Quando uma criança tem vómitos é necessário registar e avaliar as características dos mesmos:
 Número de vómitos e horário
 Quantidade: em pouca ou muita quantidade
 Aspecto: tem alimentos mal digeridos ou é líquido
 Cor
 Forma como a criança vomita: após tossir, em jacto, com ou sem náuseas.
 Grau de tolerância: vomita só os alimentos sólidos, também os líquidos, tudo que engole ou mais do que
ingeriu
 Outros sintomas: diarreia, cólicas, febre, dor de cabeça, dor no abdómen, erupção na pele.

É importante distinguir os vómitos da regurgitação do leite ou outros alimentos, pelo recém nascido ou lactente.
Neste caso trata-se da expulsão de leite acompanhada de uma eructação (arroto) ou de mudança de posição. A
quantidade é pouca e não afecta o peso.

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A causa da regurgitação é uma certa imaturidade do aparelho digestivo que se resolve espontaneamente ao fim
de alguns meses.

Deve ter os seguintes cuidados:


 Levante a cabeceira cerca de 30º, colocando uma almofada pequena ou toalha na cabeceira da cama,
debaixo do colchão.
 Nunca force a comer uma criança que vomita.
 Um vómito isolado de outros problemas não tem qualquer

Perante um bebé que vomita várias vezes, e não apresenta outros problemas, deve fazer pausa alimentar
habitual e dar líquidos frios e açucarados em pouca quantidade e por várias vezes, como água e chá fraco.

Quando estiver melhor, e as náuseas tiverem passado, introduza aos poucos a dieta habitual. Na criança mais
velha comece por alimentos sólidos, não gordurosos em pequena quantidade, como: caldo de frango, cozidos e
grelhados sem gordura

Numa situação de vómitos é mais importante hidratar (dar líquidos) do que alimentar.

2.1.2 Diarreias
A diarreia é um problema frequente nas crianças de diferentes idades, é um sinal de irritação do intestino. Pode
ter causas muito diferentes como:
 Intoxicação alimentar
 Parasitas intestinais
 Otites
 Infecções urinárias
 Alimentação inadequada
 Outras causas

A diarreia caracteriza-se pela eliminação muito frequente e abundante de fezes líquidas ou semilíquidas,
podendo ter um cheiro característico.

É muito perigosa, pois leva a uma grande perda de água e de sais minerais necessários ao bom funcionamento
do organismo, podendo haver desidratação, com consequências tão mais graves, quanto menor for a idade do
bebé, porque esta ocorre muito rapidamente.

A diarreia é uma situação que de um modo geral se trata com uma dieta correcta e raramente com medicamentos,
a menos que haja complicações.

Avaliação da situação
Se uma criança tem diarreia é necessário avaliar e registar as características da mesma:
 Número de dejecções
 Quantidade: muita ou pouca
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 O cheiro
 A consistência: pastosa, com grumos, líquida, semilíquida,
 Presença de: muco sangue ou pús
 Outros sintomas: febre, vómitos, diminuição da actividade, apatia, sonolência, boca seca, olhos
encovados, fontanela deprimida (moleirinha afundada), dor, constipação.

Cuidados a ter, se não há outro sinal:

Criança menor de 1 ano


 Se a alimentação é apenas com leite materno, deve continuar.
 Se o aleitamento é apenas artificial, prepare os biberões com água de arroz e com menor quantidade de
leite em pó (metade da quantidade de leite para igual quantidade de água).
 No caso do bebé já beber leite inteiro, dilua em água de arroz
 Dê puré de banana ou maçã muito maduras, se já introduziu estes alimentos.
 Faça sopa de batata e cenoura.
 Faça papa de farinha de arroz, com água.
 Dê água de arroz à colher ou no biberão sempre que o bebé tenha sede, e nos intervalos das refeições.
 À medida que o bebé fica melhor, acrescente progressivamente mais leite até chegar à diluição habitual.

Criança maior de 1 ano


 Aumente a ingestão de líquidos (água de arroz, água ou chá preto fraco).
 Suspenda o leite temporariamente e substituir por iogurtes simples.
 Faça sopa de cenoura
 Dê batata e cenoura cozida
 Faça carne, peixe ou frango cozido
 Dê maçã cozida ou banana madura.
 Ofereça coca-cola sem gás (para retirar o gás mexer bem com uma colher).
 Quando a criança estiver melhor, introduza pouco a pouco os outros alimentos começando por cozidos
e grelhados, sem gordura.

Diarreia Aguda na Criança

A diarreia, em especial nos primeiros 5 anos de vida, é uma das principais causas de hospitalização e
morbilidade, em todo o Mundo, cuja incidência é dependente do nível sócio-económico e cultural do país. Apesar
de se assistir a uma diminuição da incidência e da gravidade da diarreia aguda, esta doença continua a ser
responsável por uma elevada taxa de mortalidade nos países em desenvolvimento, o que já não acontece em
Portugal.

…mas, o que se entende por Diarreia?

Diarreia define-se como o aumento da frequência das dejecções ou diminuição da consistência das fezes, em
relação aos hábitos normais da criança. Ao avaliar estas alterações importa ter em conta os hábitos normais da
criança, porque existe uma enorme variabilidade de padrões de excreção fecal de criança para criança, podendo
variar na mesma com a idade e o tipo de alimentação.

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Quais são as causas de diarreia?
A diarreia aguda infecciosa é a causa mais frequente de diarreia na idade pediátrica, sendo os vírus os gentes
etiológicos mais frequentes (50-80%); as bactérias causam menos frequentemente diarreia aguda, estando
muitas destas situações associadas a toxinfecções alimentares.
Se bem que o factor infeccioso é o mais importante na etiologia da diarreia, há que ter presente outras causas,
que apesar de menos frequentes podem cursar com diarreia aguda, nomeadamente: toxinas, alergia ou
intolerância alimentar (por exemplo às proteínas do leite de vaca), doenças crónicas, patologia cirúrgica,
antibióticos…

Sendo na maioria das situações clínicas a diarreia aguda de causa infecciosa, como ocorre a transmissão da
infecção?

A transmissão do agente infeccioso pode ocorrer por via fecal-oral, pelo manuseamento de produtos
contaminados, e por via oral, através da ingestão de alimentos ou água contaminados.

Que medidas podemos tomar para prevenir a disseminação da doença em casa, no infantário..?
Podemos adoptar alguns comportamentos que diminuem esse risco, como por exemplo, lavar bem as mãos após
mudar a fralda à criança, lavar bem frutas e legumes que se comem crus, não beber água de poços, ribeiras,
fontes….se viajar para um país onde a diarreia seja endémica deve informar-se de quais as medidas a adoptar
localmente… O aleitamento materno é também muito importante porque confere factores de resistência à
infecção.

Quais as consequências da diarreia?


A diarreia pode conduzir a desidratação e desnutrição.
As crianças têm maior risco de desidratar, estando o risco relacionado com:
• idade inferior a 12 meses,
• criança que não está a ser alimentada com leite materno,
• > 8 dejecções/dia,
• estado de desnutrição e com a
• presença de sintomas associados como a febre e os vómitos.

quais são os sinais de desidratação?

Os sinais típicos de desidratação que os pais devem reconhecer são:


• olhos encovados,
• língua seca/pastosa,
• comportamento fora do habitual (irritabilidade ou muito prostrado),
• criança com muita sede.

Quais são os cuidados que os pais podem ter em casa quando a sua criança surge com diarreia?

Os pais devem ter muita paciência!...o mais importante é a criança não desidratar… assim os pais devem:
• Repor os “líquidos” perdidos na diarreia, oferecendo à criança, durante aproximadamente 3-4h, soluções de
® ®
reidratação oral (existem várias no mercado, como por exemplo a o Dioralyte ou o Miltina ); não se
recomenda a utilização de preparados caseiros ou bebidas gaseificadas, porque contém muito açúcar e

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pouco sódio, sendo por isso pouco eficazes na correcção da desidratação e podem mesmo agravar o quadro
clínico;
• No final desse tempo (+/- 4h) devem reiniciar a alimentação habitual da criança; as refeições devem ser dadas
em pequenas quantidades e em intervalos regulares para os alimentos serem melhor absorvidos.
• Os lactentes que estão a ser amamentados podem retomar o aleitamento materno
• Os lactentes que estão a fazer fórmulas podem faze-las da forma habitual, excepto se surgirem sinais de
intolerância ou o lactente estiver malnutrido, casos em que as fórmulas
devem ser diluídas, durante as próximas 24h

Para prevenir a desidratação, a criança deve beber liquidos livremente, podendo após cada dejecção diarreica
beber soro de reidratação oral.

E os medicamentos, qual a sua utilidade nas situações de diarreia?


Os medicamentos para parar a diarreia (antidiarreicos ) e os vómitos (antieméticos) não devem ser usados, por
rotina, porque não alteram a história natural da doença. Existem situações particulares, e que devem ser
avaliadas caso a caso por um médico, em que o uso de antibióticos pode estar indicado.

E quando é que os pais devem levar a sua criança com diarreia aguda à urgência hospitalar para ser
observada por um médico?

Quando:

 Criança tiver mau estado geral, existir agravamento do estado clínico apesar da adopção de medidas
correctas
 Idade inferior a 3 meses
 Tiver uma doença crónica de base
 Apresentar sinais de desidratação
 Os pais não conseguirem fazer a hidratação oral em casa

Em resumo:
 Etiologia é na maioria dos casos uma infecção viral;
 É prioritário a prevenção e correcção da desidratação, o que se faz com a utilização
de soro de reidratação oral;
 A realimentação deve ser precoce e com a alimentação habitual da criança;
 Nunca suspender o aleitamento materno;
 Não se recomenda o uso de antidiarreicos;
 A diarreia aguda é uma doença autolimitada, habitualmente;

2.1.3 Obstipação
A obstipação, vulgarmente designada por prisão de ventre, define-se por dejecções pouco frequentes (menos de
três por semana) e/ou defecação de fezes duras com dor ou desconforto.

É uma situação frequente nas crianças e responsável por cerca de 3 a 5% das consultas de Pediatria Geral e
por cerca de 35% das consultas de Gastroenterologia Pediátrica.

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Pode surgir em qualquer idade mas habitualmente manifesta-se no período de diversificação alimentar, na fase
de treino defecatório ou na entrada para a escola.

Em 90 a 95% das crianças não se encontra qualquer causa orgânica (designa-se de obstipação funcional). Na
maioria dos casos, surge quando a criança começa a associar dor ao acto de defecar e, procurando evitar essa
dor ou desconforto, tenta impedir ou atrasar futuras dejecções. Com a acumulação progressiva de fezes, o recto
vai-se distendendo e, lentamente, desaparece a normal urgência para defecar. Após vários dias de retenção,
esta é interrompida por uma dejecção dolorosa de grande quantidade de fezes duras, o que reforça a associação
e inicia-se um ciclo vicioso. É frequente coexistir dor abdominal, perda de apetite, náuseas, vómitos e
incontinência fecal (perda de pequena quantidade de fezes nas cuecas). Por vezes, perante um estímulo
defecatório, a criança pode adoptar uma postura típica que visa impedi-lo (corpo rígido, face pálida, postura em
bicos de pés, baloiçando-se para trás e para a frente enquanto cruza as pernas e contrai as nádegas).

O diagnóstico da obstipação funcional é essencialmente clínico e habitualmente não são necessários outros
exames.

O tratamento é longo e requer o envolvimento dos pais, da criança e do médico. Se se verificar a presença de
fezes acumuladas, o tratamento deve iniciar-se com a limpeza do intestino (com medicação por via oral ou rectal
– clisteres). Posteriormente, deve-se prevenir a reacumulação de fezes com a utilização diária de laxantes,
alterações dietéticas e aquisição de hábitos intestinais normais através da utilização regular da casa de banho.
Recomenda-se uma dieta que inclua alimentos ricos em fibras como os cereais, a fruta (ameixas, kiwis, manga,
papaia) e os vegetais (importância da sopa!) e o aumento da ingestão de líquidos. Relativamente aos laxantes,
considera-se que a sua utilização prolongada é segura e essencial para o tratamento eficaz e que não se associa
a dependência ou risco aumentado de cancro intestinal. Uma das fases mais importantes do tratamento é a
aquisição de hábitos intestinais adequados. As crianças na fase de aprendizagem do treino defecatório não
devem ser pressionadas ou forçadas a adquiri-lo o mais precocemente possível, pois pode originar ansiedade e
iniciar o ciclo vicioso da retenção fecal. As crianças mais velhas devem ser estimuladas a utilizar a sanita ou
bacio, uma a duas vezes por dia, principalmente após as refeições (período em que os movimentos intestinais
são mais frequentes) e encorajadas a não reter as fezes durante as aulas ou durante os períodos de brincadeira.
Pode-se ponderar a redução do tratamento quando a criança adquirir hábitos intestinais regulares, sem dor ou
medo. Mesmo depois dos hábitos intestinais estarem regularizados podem existir recaídas, principalmente com
mudanças na rotina ou com stress, sendo necessário reiniciar o tratamento.

É importante o reconhecimento precoce da situação porque, apesar de normalmente não originar complicações,
pode diminuir a qualidade de vida da criança, causar problemas emocionais ou criar situações de conflito ou
stress na família.

2.1.4 Dor abdominal/cólicas abdominais


As crianças pequenas queixam-se com alguma frequência de dores de barriga. Isto significa a maior parte das
vezes que não se sentem bem.

A dor de barriga pode ter causa físicas ou psicológicas:


 Problemas abdominais relacionados com náuseas e vómitos, diarreia, “gases”, cólica do recém nascido,
obstipação, apendicite ( pouco frequente em crianças menores de cinco anos e ainda mais rara no 1º
ano de vida ), infecção intestinal, parasitas intestinais, entre outros

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 Problemas respiratórios como constipação, gripe, otite, amigdalite e outras infecções respiratórias
 Problemas emocionais como tensão nervosa, medo e preocupações ( ex. entrada para a escola,
agressão de um colega, ausência do pai ou da mãe )
 Outros problemas

Possíveis sinais e sintomas:


 Acesso de choro repentino, leva as mãos à barriga, dobra s coxas sobre a barriga ou aponta onde lhe
dói
 Abdómen distendido e doloroso ao toque
 Recusa alimentar-se
 Náuseas
 Vómitos
 Palidez
 Febre

Cuidados a ter:
1. Verifique se a criança tem febre
2. Vigie a criança para detectar outros sinais ou sintomas ( ex. náuseas, vómito, diarreia )
3. Saiba à quanto tempo a criança não evacua
4. Verifique se a criança tomou algum medicamento ou alguma substância tóxica
5. Valorize o tipo de choro e queixas
6. Não lhe dê medicamentos
7. Observe e registe as características da dor
8. Observe e registe as características última micção e dejecção
9. Registe os alimentos ingeridos na última refeição.

2.2 ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS

2.2.1 Dificuldades respiratórias


O aparelho respiratório é, entre todos os aparelhos e sistemas do organismo,o mais frequentemente atingido por
doenças, constituindo as afecções respiratórias um dos grupos nosológicos com mais morbilidade e mortalidade
nos serviços hospitalares de Pediatria. Naglobalidade, 80-90% das doenças respiratórias são causadas por
infecções das vias aéreas superiores, 70-80% de etiologia virica e 20-30% de etiologiabacteriana.
O leque das manifestações clínicas respiratórias é grande, sendo os sinais e sintomas dependentes das
estruturas e dos orgãos mais afectados. A insufi ciência respiratória aguda é geralmente precedida por um estado
de compensação, no qual o doente, à custa de um maior esforço respiratório, mantem adequadas trocas
gasosas, sendo a taquipneia o primeiro sinal de difi culdade respiratória na criança. O aumento do esforço
respiratório manifesta-se por tiragem e pelo adejo nasal. O estridor inspiratório é um sinal da obstrução
das vias aéreas superiores, ocorrendo em qualquer ponto desde o espaço supraglótico até à traqueia. A
expiração prolongada com sibilância é um sinal comum da obstrução das vias aereas inferiores nomeadamente
nos brônquios e bronquíolos (exº bronquiolite e asma). O gemido expiratório é outro dos sinais de dificuldade
respiratória em lactentes e crianças sendo causado pela oclusão prematura da epiglote durante a expiração,

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tentando assim preservar ou mesmo aumentar a capacidade funcional residual. A cianose é um sinal tardio de
falência respiratória. No entanto, o clínico deve sempre ter em conta que alguns sinais de dificuldade respiratória
acima mencionados podem ser subtis e que alguns destes sinais e sintomas, podem estar presentes em
situações de etiologia não respiratória. Na abordagem de um lactente ou criança com difi culdade respiratória é
prioritária a antecipação e o reconhecimento dos problemas respiratórios e prover as medidas terapêuticas de
suporte das funções comprometidas. A falência respiratória é definida como a incapacidade do sistema
respiratório em manter adequada oxigenação e a homeostase do dióxido de carbono. Nestas circunstâncias, o
sistema respiratório torna-se incapaz de fornecer os volumes de oxigénio e de dióxido de carbono necessários
para o metabolismo corporal, levando a valores sanguíneos arteriais anormais desses gases. Os critérios para o
diagnóstico da insuficiência respiratória são muitas vezes
escolhidos arbitráriamente. Os mais usados, na ausência de shunt intracardiaco, são a pressão parcial arterial
de dióxido de carbono ( PaCO2) superiores a 55-60 mmHg ou uma pressão parcial arterial de oxigénio ( PaO2)
inferior a 50- 60 mm Hg num indivíduo a respirar em ar ambiente ao nível do mar. Por outro lado o valor absoluto
da PaO2 abaixo do qual se inicia uma insufi ciência respiratória pode ser superior ou inferior a 60 mm Hg,
dependendo da concentração de oxigénio inspirado ( Fi O2), da pressão barométrica (altitude), da idade do
paciente, da temperatura e dos valores anteriores dos gases sanguíneos (especialmente em doentes com
doenças pulmonares crónicas ou com alterações metabólicas importantes ).

A insuficiência respiratória aguda põe em risco imediatamente a vida, desenvolvendo- se normalmente em


minutos
ou horas. A insuficiência respiratória crónica é uma condição que potencialmente põe a vida da criança em risco,
normalmente instalando-se durante meses a anos, mas que pode ela própria sofrer agudizações como resultado
de intercorrências respiratórias minor como sejam infecções virais.

2.2.2 Obstrução nasal/Rinorreia


É uma doença de infância provocada por um vírus, que ocorre sobretudo entre os seis e os vinte e quatro meses
de idade. É também designada por febre dos três dias ou 6ª Doença. A forma de transmissão é desconhecida.

Possíveis sinais e sintomas


• Início súbito
• Febre elevada (39,5º-40,5ºC), que pode ser acompanhada de convulsões.
• Falta de apetite.
• Irritabilidade
• A criança está activa apesar do seu estado de doença.
• A febre desce e aparece a erupção caracterizada por manchas simples, que começam no tronco e se
estendem ao pescoço e membros superiores, pouco ou nada afectando a face e membros inferiores.
Desaparece rapidamente.

Cuidados a Ter
1. Dar antipirético e arrefecer a criança para baixar a febre.
2. Reforce a ingestão de líquidos.
3. Promova a higiene e conforto

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Cuidados a Ter
 Avalie e controle a temperatura, e caso tenha febre dê antipirético, e faça arrefecimento.
 Limpe o nariz com soro fisiológico ou água do mar
 Fluidifique as secreções: aumente a ingestão de líquidos e faça atmosfera húmida.
 Fluidifique as secreções.
 Faça com que a criança repouse.
 Evite que a infecção se propague a outros elementos da família: a criança deve dormir em cama própria,
ensine a criança a tapar a boca quando tosse, espirra ou fala, use lenços descartáveis e elimine-os de
forma adequada.

2.2.3 Tosse
Queixa frequente no consultório do pediatra, a tosse é um dos sintomas que preocupam muito os pais. Ela nada
mais é do que um mecanismo de defesa dos pulmões com o objetivo de impedir a inalação de substâncias
nocivas ou corpo estranho e também de facilitar a eliminação de secreções do trato respiratório.

Ela pode ser dividida em aguda, subaguda ou crônica, de acordo com o tempo de evolução:

- Aguda: tempo inferior a 2 semanas, geralmente causada por infecções do trato respiratório e geralmente se
resolve espontaneamente.

- Subaguda : duração entre 2 a 4 semanas. Normalmente também pós- viral.

- Crônica ou persistente - duração maior do que 3 a 6 semanas. Nesse caso, é muito importante a investigação
da causa etiológica.

Tossir não significa estar doente. Crianças saudáveis podem tossir alguma vezes ao dia. No entanto tosse
noturna não é normal e necessita de atenção médica.

As causas mais frequentes de tosse na infância são:

Lactentes

- infecções - muito comum após quadros virais e pode persistir por algumas semanas.

- malformações congênitas

- aspiração

- asma

- irritantes ambientais (fumate passivo , poluição)

- fibrose cística

- refluxo gastro-esofágico

Pré-escolar

- infecção

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- rinite alérgica, sinusite e adenoidite (gotejamento pós-nasal)

- corpo estranho

- asma

- fibrose cística

- imunodeficiência

- refluxogastro-esofágico

Escolar e Adolescentes

- rinite alérgica, sinusite e adenoidite (gotejamento pós-nasal)

- tosse psicogênica

- asma

- fumo (ativo e passivo)

- fibrose cística

- infecções

- tumor ou lesão localizada

- imunodeficiência

Na maioria das vezes a tosse não requer tratamento medicamentoso. Lembre-se , ela é um mecanismo de defesa
do nosso corpo! Tudo vai depender da sua etiologia.

A fluidificação da secreção ( quando presente ) com hidratação oral, inaloterapia e fisioterapia respiratória
ameniza o quadro.

As medicações , quando necessárias, devem ser sempre indicadas pelo seu médico.

Mas muita atenção, se a tosse persistir por mais de 2 semanas, se houver eliminação de sangue e se estiver
interferindo nas atividades diurnas e no sono, é muito importante consultar o seu pediatra.

2.2.4 Asma
A Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, resultante de uma interação entre fatores genéticos
e múltiplos estímulos, alergênicos ou não, que determinam o aparecimento de tosse, chiado no peito, falta de ar
e cansaço, principalmente a noite e pela manhã ao acordar.

A asma é um problema de saúde pública mundial e sua prevalência está aumentando. A Organização Mundial
de Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas têm asma. Globalmente, cerca de 250.000 pessoas morrem
prematuramente a cada ano em consequência da doença.

Apesar da dificuldade para se diagnosticar asma na infância, existem evidências que sugerem que metade de
todos os casos são diagnosticados até os 3 anos de idade e 80% até os 6 anos de vida. Nas crianças, há um
predomínio no sexo masculino, relacionado, principalmente, às vias aéreas mais estreitas. Na idade adulta o
predomínio passa a ser do sexo feminino.

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Ainda não há cura para a asma, mas com diagnóstico correto, tratamento e educação, o paciente pode obter o
controle da doença, ter uma redução do risco de novas crises, o que garante uma boa qualidade de vida.

As causas fundamentais da asma ainda não são completamente compreendidas. Os fatores de risco para a
asma são uma combinação de predisposição genética, infecções respiratórias e exposição ambiental a
substâncias e partículas inaladas que podem provocar reações alérgicas ou irritar as vias aéreas, tais como:

 alérgenos domiciliares (por exemplo, ácaros da poeira doméstica, fungos e pelos de animais)
 alérgenos exteriores (tais como polens, fungos e pelos de animais)
 fumaça de cigarro e outros tipos de fumaça
 poluição do ar ou exposição a irritantes químicos

Alguns estímulos podem desencadear as crises, embora não sejam os causadores da asma, como a exposição
ao ar frio, excitação emocional extrema, odores fortes, exercício físico e uso de certos medicamentos (aspirina e
outros anti-inflamatórios não-esteróides, beta-bloqueadores – usados no tratamento da hipertensão, doenças
cardíacas, enxaqueca e colírios para glaucoma).

Assim, as medidas para controle do ambiente tornam-se fundamentais para controle e exacerbação da doença.

Medidas importantes para o controle do ambiente:

1. Manter a residência ventilada e dormir em quarto arejado. Usar diariamente aspirador de pó ou pano úmido
em toda a residência, principalmente nos locais em que permaneça por mais tempo.
2. O paciente deve abster-se de espanar, varrer, arrumar camas, gavetas, estantes, etc.
3. Revestir o travesseiro e o colchão com capa impermeável à passagem de ácaros e suas secreções. Lavar
a capa 1X/mês.
4. Evite usar acolchoados de lã, penas ou algodão, pois se tornam depósito de poeira e são de difícil lavagem.
5. Evitar ambientes empoeirados, como bibliotecas, sótãos, porões, adegas, tulhas, celeiros, etc.
6. Se o paciente dormir no mesmo quarto com outra pessoa, esta deverá seguir as mesmas orientações.
7. Retirar tapetes e carpetes do ambiente.
8. Evitar o uso de inseticidas, "spray" e aparelhos elétricos repelentes de insetos.
9. Evitar odores fortes: desinfetantes, água sanitária, fumaça, gasolina, ceras e solventes orgânicos. Evitar
ficar em casas pintadas recentemente ou fechadas por muito tempo.
10. Evitar animais como cão e gato dentro de casa.
11. Afastar a criança da inalação de fumaça de cigarro.
12. Retirar os bichos de pelúcia do ambiente.

A asma, como já falado, não tem cura mas tem controle. Atualmente existem tratamentos preventivos, eficazes
e seguros que ajudam a diminuir a inflamação dos brônquios e a criança consegue levar uma vida normal e ativa,
sem entrar em crises. A duração do tratamento é variável e depende do grau (classificação) da doença. Conforme
a criança vai crescendo, as crises vão diminuindo e na maioria dos casos o tratamento é suspenso.

A asma na infância não deve ser negligenciada esperando-se que ela desapareça à medida que a criança cresça.
Em geral, crianças com asma leve tem bom prognóstico. Entretanto, as com formas moderada ou grave

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provavelmente continuarão a ter, no transcorrer da vida, sintomas e consequentemente complicações
decorrentes da doença não controlada

2.3 FEBRE
A febre é uma manifestação comum a muitas doenças. O corpo saudável mantém uma temperatura constante
situada entre os 36-37ºC, estabelecendo um equilíbrio entre o calor que produz e o que liberta.

Dizemos que uma criança tem febre quando a temperatura está acima dos 37ºC, significando isto que o equilíbrio
está perturbado. A febre é um sinal de doença. A gravidade da doença depende da existência de outros sintomas,
do período de duração da febre se esta cede (baixa) com a medicação.

A febre muito alta pode ser perigosa em bebés e crianças pequenas pelo risco de convulsões.

Avaliação da temperatura
Existem termómetros com depósito de mercúrio e digitais. Com os termómetros digitais a temperatura é avaliada
no ouvido externo.

Para isso:
1- Deite o bebé ou sente-o ao colo com a cabeça encostada ao seu peito.
2- Puxe com cuidado a orelha para trás de modo a endireitar o canal auditivo.
3- Ligue o termómetro.
4- Introduza cuidadosamente a ponta do termómetro no canal auditivo.
5- Carregue no botão durante um segundo e leia a temperatura após o termómetro ter apitado.
6- Desligue o termómetro.

Com os termómetros de vidro e depósito de mercúrio, a temperatura é avaliada na axila ou no recto. Para avaliar
a temperatura axilar proceda do seguinte modo:
1- Sacuda o termómetro até o mercúrio ter descido até ao fundo da escala.
2- Coloque o termómetro na axila e dobre o braço sobre o peito.
3- Segure a criança nessa posição com firmeza.
4- Faça a leitura após cinco minutos, verificando até onde subiu o mercúrio.
5- Sacuda de novo o termómetro.

A avaliação da temperatura rectal, embora sendo a mais rigorosa deve ser apenas ser feita por indicação médica.
Para tal deve proceder da seguinte forma:
1- Use um termómetro rectal, com ponta curta e arredondada.
2- Deite o bebé de costas com as pernas para cima, as quais deve segurar com firmeza. Em alternativa
pode deitar o bebé de barriga para baixo sobre o colo ou sobre uma superfície lisa.
3- Lubrifique a ponta com vaselina e introduza com cuidado no recto.
4- Faça a leitura após 2-3 minutos.

Cuidados a ter:

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Avalie a temperatura do bebé ou da criança caso suspeite que esta “está quente” ou “não está bem”. Se a
temperatura está acima de 38º-38,5 C axilar ou 39º-39,5 C rectal, proceda do seguinte modo:
 Desagasalhe a criança, deite-a e cubra-a com um lençol que será mudado quando necessário.
 Ventile o quarto
 Avalie a temperatura
 Dê um antipirético (medicamento para baixar a febre), tipo Benuron, em xarope, comprimido ou
supositório. A dose deve ser adequada à idade e peso da criança, e será indicada pelo médico.
 Dê muitos líquidos, de preferência não açucarados e do agrado da criança (150cc x Kg de peso x por
dia).
 Não force a alimentação.
 Se a temperatura não baixar, passe no corpo um toalhete embebido em água tépida, no sentido da
cabeça para os pés, ou dê-lhe um banho de imersão tépido. Vá avaliando a temperatura da criança até
esta baixar.
 Se a criança entrar em convulsão actue prontamente.

2.4 PARASITOSES
Introdução:
Dividem-se em externas (ciclo de vida ao nível da pele) e internas (todo ou parte do ciclo de vida do parasita
evolui em órgãos do corpo). Além dos danos causados pelo seu parasitismo (a maioria dos externos são
hematófagos e os internos causam distúrbios na absorção de substancias ou lesam gravemente os órgãos em
que se implantam), podem ser vectores de bactérias, riquétsias ou vírus, originando doenças graves nos
hospedeiros.
Abordar-se-ão as parasitoses mais frequentes e com maior incidência e prevalência na comunidade, embora
haja possibilidades de importação de novos parasitas de zonas endémicas: especial atenção aos viajantes,
deslocados ou emi/imigrantes, minorias étnicas (cigana, africana, asiática ou outras) e submundos da droga e
prostituição.
Parasitoses externas

Sarna ou Escabiose (Sarcoptes Scabei)

Parasitose da pele, de transmissão fácil pessoa a pessoa (por contacto, vestuário, toalhas ou roupas de cama).
O ácaro não sobrevive muito tempo fora do corpo humano (não são necessárias medidas extremas de isolamento
do parasitado). Usando máquinas de lavar, não são necessárias outras desinfecções dos tecidos (vestuário,
toalhas e roupas da cama), além da lavagem a temperaturas altas (em programas de 60º ou superiores). É vulgar
haver vários membros da família parasitados, o mesmo acontecendo em infantários, creches, lares de terceira
idade, prisões ou outras instituições destes tipos. Devem tratar-se simultaneamente todos os indivíduos
infectados.

A fêmea fecundada, cava túneis na camada córnea da pele, depositando ao longo destes, inúmeros ovos. Ao
fim de poucos dias, nascem as larvas, que efectuando o percurso inverso, se vão alojar em redor dos folículos
pilosos. A fêmea morre, originando reacções de hipersensibilidade e o consequente prurido intenso, que se
agrava ainda mais com o calor da cama. A coceira resultante, pode ocasionar infecções secundárias da pele,
que têm de ser tratadas com antibióticos, e dificultar o diagnóstico, feito pela observação dos túneis, que
aparecem na pele como linhas escuras, tortuosas, de milímetros até 1 cm, terminando numa pequena pápula,

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com sinais inflamatórios, resultantes das substancias irritantes libertadas pela decomposição da fêmea. Em caso
de dúvida: efectuar um raspado dos túneis para uma lamela e identificar o parasita ao microscópio.

Tratamento

Benzoato de Benzilo a 20 – 30%, creme ou loção (Acaril Bial®; Neo Acarina®)

Crotamitona a 10% (Eurax®)

Lindano solução a 1% e creme a 0,5% (Sarcoderma®, Parasil®), champô a 1% (Musside®,

Parasiticida Barral®),

Malatião loção a 0,4% (Olicide®)

Monosulfiran sabonete (Thiosan®)

Permetrina a 1% (Desintan®)

Em crianças com menos de 2 anos de idade, aplicar emulsão ou pomada de enxofre a 5-10 % ou o monosulfiran,
pela possibilidade da absorção transcutânea e neurotoxicidade dos organofosforados presentes em algumas
destas preparações, podendo aplicar-se com as devidas precauções o benzoato de benzilo.

A duração do tratamento deve ser de 2- 4 dias: estes produtos podem causar irritação, podendo agravar ou
prolongar o prurido.

Com prurido intenso: administar anti-histamínicos nas doses habituais.

Pediculoses: Piolhos (Pediculus capitis e Pediculos corporis) e Chatos (Phtirius pubis)

Serão raças biológicas de uma mesma espécie, adaptadas a diferentes zonas do corpo, com ciclo biológico e
modo de transmissão análogos e sensíveis aos mesmos produtos. O piolho foi o vector comum às grandes
epidemias de tifo exantemático e febre recorrente, por transmissão homem a homem.

A zona do corpo denomina o tipo de piolho: capitis o que parasita a cabeça, corporis o corpo e pubis as zonas
genitais. O piolho da cabeça e o púbico vivem directamente no hospedeiro, o do corpo vive nas roupas deste. A
incidência destas infestações é proporcional ao número de agregados superpopulacionados e com fracos hábitos
de higiene. O piolho do corpo, além das consequências da sua parasitação, pode ser vector importante na
transmissão do tifo endémico (tifo europeu ou febre das prisões), febre das trincheiras e febre recorrente.

O piolho da cabeça, transmite-se por contacto directo com o portador ou ainda indirectamente por pentes ou
chapéus por ele usados. Muito comum nas crianças em idade escolar, independentemente da classe social, é
menos frequente em crianças negras. Localiza-se no couro cabeludo; com infestações muito numerosas, pode
atingir sobrancelhas, pestanas e barba. Desperta prurido intenso, podendo levar a escoriações que infectam
secundariamente. Pode haver adenopatias cervicais discretas. O diagnóstico é feito, à lupa, pela descoberta do
piolho, ou dos ovos (lêndeas), de forma ovóide e cor branca acinzentada, agarradas aos cabelos e de difícil
soltura quando traccionadas. Estas, entre 3 a 14 dias depois, originam novos parasitas.

O piolho do corpo é raro entre populações com boa higiene. O parasita e/ou seus ovos são facilmente detectáveis
nas pregas das roupas interiores ou íntimas, locais onde habitam e se reproduzem; é frequente encontrar as
lêndeas agarradas aos pêlos do corpo. O prurido está sempre presente, com locais predominantes da coceira
nos ombros, nádegas e abdómen, onde se detectam os locais vermelhos da picada e das escoriações. Podem
também existir sinais urticariformes ou de infecção bacteriana superficial, podendo originar piodermites ou
mesmo furunculose.

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A pediculose púbica ou chatos, é normalmente transmitida por contacto sexual, pois este parasita infesta os pêlos
das regiões anogenitais; em indivíduos muito peludos, por contiguidade, pode alcançar outras regiões como
abdómen e tórax. O diagnóstico faz-se pelo prurido da região anogenital associado à presença do parasita e/ou
dos seus ovos (lêndeas) presos à base dos pêlos dessa região. O parasita é maior que os piolhos já citados,
parecendo por vezes uma crosta de dermatose, mas apresenta uma tonalidade azulada e mexe-se, se
deslocado. Suspeitar desta parasitose, se nas cuecas ou similares, encontrarmos pequenos pontos negros
abundantes e espalhados (fezes do parasita).

O tratamento é idêntico ao da Sarna.

A prevenção exige:

Medidas de educação higiénica e sexual das populações.

Informação dos cabeleireiros e barbeiros das medidas de desinfecção das máquinas, pentes, toalhas e objectos
utilizados na arte.

Desinfecção de pentes e chapéus bem como das roupas pessoais, da cama e de banho (lavagem em máquina
a temperaturas iguais ou superiores a 60º, lavar a seco e passar a roupa com ferro de vapor).

Tratar os parasitados, tendo em atenção as frequentes recidivas e observação de familiares ou contactantes


(especial atenção às escolas, creches, asilos ou outras instituições destes tipos).

Pulgas (Pulex irritans, Xenopsylla cheopis, Ctenocephalides felis e Ctenocephalides canis)

São as pulgas mais frequentes no homem e nos animais que coabitam com ele (gato e cão: Ctenocephalides
felis e canis respectivamente). A Pulex irritans (pulga vulgar) é a que mais frequentemente parasita e pica o
homem (hematófago). A Xenopsylla cheopis, pulga do rato, representa o vector de transmissão para o homem,
de doenças graves como a peste (bacilo de Yersin ou Pasteurella pestis) e o tifo murino (Rickettsia mooseri); a
Pulex irritans (e o piolho) poderá depois, disseminar estas doenças a partir de doentes já infectados.

As pulgas colocam os ovos directamente no vestuário, pelo / pele do hospedeiro, roupa da cama ou simplesmente
no chão, tapetes ou alcatifas onde as larvas (surgem após 2 a 4 dias no Verão, ou 2 semanas no Inverno) se
alimentam de matéria orgânica do pó, originando a pupa e o insecto perfeito passadas 2 semanas.

Os insecticidas em pó, spray ou em solução aquosa, são muito eficazes e rápidos na actuação. Para atingimento
dos soalhos e respectivas frinchas, poderá usar-se solução de ácido bórico, de creolina ou de derivados do
petróleo.

No cão ou gato conviventes, deverá usar-se coleira insecticida (normalmente impregnada com Diazinão a 15%
e actuante de 3- 4 meses) ou administrar mensalmente 1 comprimido de Program® (lufenuron a 30%, que torna
inviáveis os ovos) por via oral. Existe também o Tiguvon® (fentião a 20%) de aplicação transdérmica (sistema
spot-on) de 3 em 3 semanas (elimina directamente as pulgas, que picando o animal, ingerem o produto). Da
mesma forma são eficazes, os champôs e os sprays insecticidas vendidos para o efeito, que de uma maneira
geral também são efectivos contra as carraças que parasitam estes animais.

Percevejo (Cimex lectularis)

O seu habitat é a roupa da cama, mas normalmente com a acção da luz, refugia-se no soalho, frinchas deste,
tapetes ou móveis, de onde, com pouca luz ambiente e sobretudo durante a noite, sai para poder picar o homem.

As medidas higiénicas para a sua eliminação, são em tudo idênticas às já mencionadas.

Carraças (Ripicephalus sanguineus)


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Parasitas do cão, gato e outros animais, pode picar o homem e transmitir-lhe a febre escaro-nodular ou febre da
carraça (Rickettsia conori cujo reservatório principal é o cão e secundariamente alguns roedores). As medidas
profiláticas são idênticas às já mencionadas para o controle das pulgas do cão e do gato (coleiras, sprays e
champôs insecticidas) e ainda o controle de cães e gatos vadios. Não há transmissão homem a homem.

Parasitoses intestinais

Ascaris Lumbricoides (Ciclo de vida)

A seguir ao Enterobius, é o nemátodo mais largamente distribuído pelo homem; endémico em todo o Mundo à
excepção dos climas muito secos ou muito frios. Cada fêmea +/- 200 000 ovos por dia. No meio externo, em 1-
2 semanas com temperatura favorável (+/- 22º C), atingem a primeira fase larvar, e passados outros 8 dias
originam a larva rabditóide, infectante e resistente, podendo permanecer viáveis de meses até anos. Ingerida
(água, alimentos contaminados), é libertada no duodeno, migrando através da circulação mesentérica para o
fígado, circulação porta e pulmões, podendo originar sensibilização prévia, fenómenos de fibrose (fígado) e
acessos de bronquite de tipo asmatiforme e pneumonite (pulmões); continuando a migração através da árvore
respiratória até à traqueia, são deglutidas, fixando-se no intestino, originando o animal adulto com diferenciação
sexual, cópula e reinício do ciclo.

Além do já citado, originam patologia intestinal e pancreático-biliar às vezes com oclusão destas, mau
desenvolvimento estato-ponderal (por fixação e absorção vitamínica, ferro e matérias nutritivas, etc.), crises
apendiculares e mesmo perfuração intestinal. Também originam excitabilidade do sistema nervoso (ansiedade,
irritabilidade e perturbações do sono em especial na criança).

Oxiuros (Enterobius Vermicularis)

É o parasita mais frequente da criança (pelos hábitos higiénico-alimentares), embora também do adulto. Tem
como habitat característico a região cecal e frequentemente o apêndice. A fêmea fecundada migra para as
regiões perianal e perineal onde deposita +/- 10 000 ovos por dia que rapidamente amadurecem (seis horas após
a postura), facilitando as auto-reinfestações nos indivíduos parasitados (o prurido leva os indivíduos parasitados
a coçarem essas regiões e a veicularem estes ovos maduros para posterior deglutição, particularmente nas
crianças). Além desta auto-reinfestação, pode-se ficar parasitado através da ingestão de água ou alimentos
contaminados com os ovos maduros.

A sintomatologia além do prurido, e sobretudo na criança, revela-se através do sono agitado e do cansaço diurno
concomitante.

O diagnóstico faz-se pela observação microscópica dos ovos em «swabs» colhidos na região anal e perianal
pela «técnica da fita-cola» ou pela observação directa nestas zonas, das fêmeas dos parasitas.

Tratamento

Mebendazol: 100 mg monodose para adultos e crianças; repetir passadas 2 a 4 semanas.

Flubendazol: 100 mg, monodose; repetir 2 a 4 semanas depois.

Pirantel: 10 mg/kg de peso corpóreo em monodose, podendo ser repetida 2 a 4 semanas depois.

Piperasina (hidrato): hoje pouco prescrita, tem a vantagem de ser muito mais barata, usando-se nas doses de
50 a 75 mg/kg de peso corpóreo/dia.

Tricuríase ou tricocefalíase (Trichuris Trichiura)

De distribuição cosmopolita, predomina nos climas húmidos, quentes ou temperados. O animal adulto incrusta-
se na mucosa do cego e apêndice, podendo, se o seu número for grande, distribuir-se ao longo do cólon e recto,

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originando neste prolapsos da mucosa. A postura diária da fêmea é de 3000 a 6000 ovos que são expulsos pelas
fezes nas formas não infectantes; no meio externo, em condições favoráveis (terrenos sombrios, humosos e
arenosos), ao fim de 2 - 3 semanas desenvolvem o embrião que ingerido na água ou alimentos, se liberta no
duodeno; a larva liberta-se após 2-3 meses nas porções mais inferiores do intestino, onde penetra na mucosa e
se fixa com a cabeça, originando o adulto, com diferenciação sexual, cópula e reinício de novo ciclo.

As infecções ligeiras podem passar despercebidas; em número elevado, ocasiona abdominalgias com diarreias
mucosanguinolentas (acção corrosiva sobre a mucosa intestinal), que pela sua persistência podem originar
anemia com perda de peso, prolapso rectal, e ataques pseudoepileptiformes ou ocasionar vertigens e cefaleias
frequentes; infestações muito intensas podem originar apendicites.

A maior prevalência ocorre nas crianças em idade escolar; nas áreas endémicas podem atingir grande
percentagem de adultos.

O diagnóstico faz-se pelo exame parasitológico de fezes: ovos típicos em barril.

Tratamento

Mebendazol ou flubendazol: doses de 100 mg, duas vezes ao dia durante 3 dias consecutivos, para crianças ou
adultos

Giardíase (Giardia lamblia)

Protozoário flagelado do tracto digestivo, de distribuição cosmopolita, sendo a protozoose mais frequente na
infância, de predomínio nos climas quentes e temperados. Com duas formas evolutivas: o trofozoito e o cisto. O
trofozoito, móvel, flagelado, fixa-se nas criptas duodenais, podendo aparecer em níveis mais baixos e árvore
biliar. Ocasionalmente pode ser expulso nas fezes se estas forem diarreicas. No duodeno e jejuno o trofozoito
por divisão binária origina os cistos, infectantes, que, expulsos pelas fezes, podem contaminar águas, alimentos,
ou mesmo originar contaminação directa (caso de crianças ou parceiros sexuais). A sintomatologia é sobretudo
digestiva (dispepsia, cólicas abdominais, diarreia, etc.) podendo mesmo simular a síndrome celíaca ou o «sprue»,
sendo a gravidade da má absorção proporcional à severidade da infecção.

O diagnóstico é feito pelo achado do microrganismo nas fezes, sob a forma de cistos (podem aparecer trofozoitos
nas fezes diarreicas). Devem pesquisar-se em várias amostras de fezes; se forem negativas e houver suspeição
de infecção, deve aspirar-se, por sonda, o conteúdo duodenal e pesquisar neste os trofozoitos.

Tratamento

Metronidazol: adulto: 250 a 750 mg, 3xs/dia, 7 dias ou 2 g, 3 dias consecutivos ou 750 mg, 5 dias (obtendo-se
cerca de 95% de curas) ou 250 mg, 5 dias (com 70% de curas) crianças: 20 a 40 mg/kg de peso/dia, em 2 ou 3
xs/dia, durante 5 - 7 dias.

Seconidazol: adulto: 1 g de 12/12 horas num só dia, ou unidose de 2 g

crianças: 25 a 30 mg/kg/dia, com esquema idêntico ao dos adultos.

Tinidazol: adulto: unidose de 2 g, com a refeição,

crianças: 15 mg/kg/dia.

Ter em especial atenção as interacções medicamentosas, contra-indicações e efeitos secundários dos Imidazóis.

Profilaxia das Parasitoses:

– Medidas de carácter higiénico: lavagem das mãos antes de qualquer ingestão de alimentos e higiene pessoal
cuidadosa.

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– Medidas de carácter alimentar: ferver sempre a água de beber, lavar cuidadosamente os alimentos vegetais
antes de serem utilizados em especial os destinados a serem consumidos crus (frutas, saladas, etc.).

– Medidas de carácter público: criação de saneamento básico sistemas de tratamento de água potável,
desaconselhar o uso de fertilizantes à base de produtos fecais.

– Medidas de carácter familiar: tratar todo o grupo familiar e conviventes das pessoa parasitadas; desparasitar
periodicamente as crianças especialmente as de maior risco ou em idade escolar. Não esquecer cão e gato
domésticos.

Ténias

Ténia Saginata e Ténia Solium (Teníase)

Necessitam de hospedeiro intermediário para desenvolvimento do seu estado larvar: a Ténia Saginata o gado
bovino (cisticercos bovis) e Ténia Solium o porco (cisticercos cellulosae - esta pode ter o homem como
hospedeiro intermediário, pela ingestão de alimentos ou águas contaminadas por ovos embrionados ou por
refluxo para o estômago de anéis maduros da ténia - auto-infestação - originando a cisticercose). A maior parte
desta parasitação dá-se pela ingestão da carne contaminada dos citados animais.

Os proglótis grávidos migram para o exterior ou são evacuados nas fezes, indo contaminar os pastos. Os
hospedeiros intermediários ingerindo estes ovos, promovem a libertação do embrião que migra para os tecidos
musculares onde originam os cisticercos, forma infectante, que alguns meses após serem ingeridos (carne mal
cozida ou crua) origina o animal adulto.

A Ténia Saginata pode ser assintomática, apenas originando sensação de mal-estar (migração dos proglotis) ou
dar origem a diarreia, astenia, anorexia com perda de peso, por vezes grave, apendicite e em casos raros oclusão
intestinal. Os ovos embrionados podem permanecer viáveis no meio externo durante cerca de seis meses.

A Ténia Solium difere da anterior, pois pode parasitar directamente o homem. A sua acção patogénica é
semelhante à Ténia Saginata excepto quando origina a cisticercose humana que pode levar a doença
incapacitante e mesmo à morte.

Hymenolepsis Nana

Céstodo comum entre o homem em especial nas crianças com predomínio nos climas quentes. Não requer
hospedeiro intermediário: os proglótis grávidos desintegram-se normalmente ainda no intestino pelo que os ovos
já embrionados se misturam com as fezes, podendo completar o seu ciclo com as formas larvares e adultas no
mesmo hospedeiro com auto-infestação interna quando o embrião se liberta do ovo nas zonas superiores do
intestino delgado. Há autores que admitem um ciclo indirecto através de certos insectos, com desenvolvimento
das formas larvares nestes, e que após ingestão casual pelo homem originariam a infestação deste. A sua
presença pode ser assintomática, ou originar diarreia (por vezes muco-sanguinolenta) anorexia, vómitos, insónia,
perda de peso, prurido do nariz e ânus, urticária e sintomatologia do tipo coreiforme. A sua incidência nas
crianças pode dever-se à deficiente higiene pessoal ou à auto-infecção pelas roupas conspurcadas pelos ovos.

Profilaxia das Teníases

– Destino adequado das fezes humanas: saneamento básico e não utilização das mesmas para adubo dos
pastos.

– Inspecção sanitária rigorosa das rezes e carcaças nos matadouros

– Educação da população com vista à não ingestão de carnes cruas ou mal cozidas e à vigilância veterinária dos
animais

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– Tratamento dos indivíduos infectados até à cura clínica

2.5 DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

2.5.1 Rubéola

A Rubéola é um dos cinco exantemas clássicos da infância (outros são a Varicela, Sarampo, Eritema Infeccioso
e o Exantema Súbito). Era uma doença frequente e habitualmente benigna. Em Portugal devido à vacinação é
actualmente rara.

A Rubéola é provocada por um vírus (Fam. Togavírus). É um vírus de RNA.

A Rubéola é moderadamente contagiosa e transmite-se de pessoa a pessoa por contacto ou por gotículas
respiratórias. Os infectados com Rubéola são contagiosos 7 dias antes dos sintomas, até 14 dias depois do
exantema (lesões na pele). É uma infecção especificamente humana.

Na Rubéola o período entre a exposição e o início dos sintomas (período de incubação) é de 14-21 dias.

Na criança a Rubéola é habitualmente benigna com poucas manifestações clínicas e cerca de 25-50% dos casos
podem ser assintomáticos. As manifestações clínicas mais frequentes são as adenopatias cervicais.

Os sintomas gerais como o mal-estar, anorexia e febre não são muito marcados. Após dois dias surge o
exantema que é generalizado e maculopapular. Na criança o exantema pode ser o primeiro sinal. Começa na
face e progride para o pescoço tronco, membros superiores e inferiores. As lesões são habitualmente discretas.

As complicações são raras na criança. As mais importantes são as manifestações articulares, púpura
trombocitopenica e doença neurológica.

Sindroma de Rubéola Congénita A infecção pelo vírus da Rubéola durante a gravidez pode levar à infecção do
feto com alterações que podem ser muito graves como atraso de crescimento intra-uterino, cataratas, surdez e
alterações cardíacas.

A clínica da Rubéola é inespecífica. O diagnóstico deve ser laboratorial, pela pesquisa de anticorpos. O
prognóstico na criança é excelente e o tratamento é sintomático.

Vacinação - A vacina contra a Rubéola é de vírus vivo atenuado. A vacina contra a Rubéola é administrada no
Programa Nacional de Vacinação numa vacina trivalente VASPR em combinação com a vacina da Parotidite
(papeira) e do Sarampo. Presentemente, recomenda-se a 1ª dose da VASPR aos 12 meses e, a 2ª dose aos 5-
6 anos, antes da escolaridade obrigatória.

Todas as mulheres grávidas devem realizar serologia para a Rubéola e as não imunes devem ser imunizadas
após o parto. A amamentação não contra-indica a vacinação.

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As reacções normalmente associadas à vacina contra a rubéola são ligeiras e ocorrem raramente: exantema,
febre e adenomegália, 5 a 12 dias após a vacinação. Ocasionalmente, podem surgir artralgias transitórias nas
pequenas articulações, entre 7 e 21 dias após a vacinação, especialmente em mulheres a partir da puberdade.

2.5.2 Sarampo

O Sarampo é um dos cinco exantemas clássicos da infância (outros são a Varicela, Rubéola, Eritema Infeccioso
e o Exantema Súbito). É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias como espirros e tosse. O
Sarampo é uma doença rara em todos os países, incluindo Portugal, onde a taxa de vacinação é superior a 95%.

O Sarampo é provocado por um vírus (Paramixovírus do Gen. Morbilivirus). É um vírus de RNA com invólucro.
É relativamente frágil, inactivando-se facilmente pelo calor, solventes dos lípidos, radiações UV e em meios com
pH inferior a 4,5.

O Sarampo é altamente contagioso e transmite-se de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias. Os infectados
com sarampo são contagiosos um dia antes dos sintomas (cerca de 5 dias antes do início do exantema), até
quatro dias após o aparecimento do exantema. É uma infecção especificamente humana.

No Sarampo o período entre a exposição e o início dos sintomas é de 8-12 dias.

As manifestações iniciais são febre alta, tosse rouca e persistente, nariz congestionado, conjuntivite e fotofobia
(dificuldade em olhar a luz). A febre é habitualmente o primeiro sinal notado pelos pais. Neste período o sarampo
é muito contagioso.

Após dois dias surge, habitualmente na mucosa da boca, um sinal que é patognomónico do Sarampo, o sinal de
Koplik. Estas lesões habitualmente pequenas (1-2mm) são manchas brancas, comparáveis a grãos de sal
circundados por halo avermelhado e desaparecem em 24 - 48h. Se se visualizam pode fazer-se o diagnóstico
de Sarampo.

O exantema (manchas na pele) surge 12 a 24h após o sinal de Koplik, e inicia-se na face. O exantema é
maculopapular, geralmente extenso, leva 1 a 2 dias a cobrir todo o corpo. Depois de 4-5 dias o exantema
desaparece.

O sarampo pode ter várias complicações :

Otite média aguda - É uma complicação frequente. Aparece habitualmente na segunda semana de doença, mas
pode coincidir com o exantema.

Pneumonia - A pneumonia pode ser uma complicação grave e até mortal, principalmente se má-nutrição e nos
extremos da vida. Se ocorre precocemente habitualmente é causada pelo próprio vírus do sarampo. A pneumonia
bacteriana ocorre habitualmente quando o exantema já está a desaparecer e é acompanhada por um
recrudescimento da febre. Pode ser grave e por vezes mortal.

Encefalite - A encefalite é uma complicação rara (1 caso por 1000), mas associada a elevada morbilidade e
mortalidade.
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Panencefalite esclerosante subaguda - É uma encefalite lenta que surge 1 caso em 1 milhão de casos de
Sarampo, meses ou anos após a fase aguda do sarampo. Numa primeira fase surgem alterações do
comportamento e intelectuais e após surgem alterações motoras, convulsões, coma e morte.

Nos países desenvolvidos com elevadas taxas de vacinação deixou de se observar esta complicação. O
diagnóstico é clínico devido às características muito típicas, especialmente as manchas de Koplik. Pode ser feita
detecção de anticorpos em amostra de soro.

Em Portugal devido à elevada taxa de vacinação o Sarampo é uma raridade pelo que todo o diagnóstico clínico
de Sarampo deve ser sempre confirmado laboratorialmente.

A mortalidade é de 0,1% em crianças de boa saúde e nutrição, mas pode subir até 25% em crianças subnutridas.

O tratamento é sintomático (paracetamol como antipirético e hidratação). Quando não ocorrem complicações, o
doente fica curado em poucos dias.

Vacinação - A vacina contra o Sarampo é de vírus vivo atenuado. A vacina contra o sarampo é administrada no
Programa Nacional de Vacinação (PNV) numa vacina trivalente VASPR em combinação com a vacina da
Parotidite (papeira) e da Rubéola. Presentemente, recomenda-se a 1ª dose da VASPR aos 12 meses e, a 2ª
dose aos 5-6 anos, antes da escolaridade obrigatória.

2.5.3 Papeira

A papeira ou (parotidite) é uma infecção viral aguda da infância que tipicamente envolve edema de uma ou
ambas as glândulas parótidas, apesar de poderem ser envolvidos outros orgãos.

A infecção é adquirida após contacto com secreções respiratórias infectadas. Inicialmente há uma replicação
viral na mucosa da nasofaringe e nos gânglios regionais, a que se segue uma virémia primária com atingimento
de múltiplos orgãos.

Aproximadamente 30% dos doentes apresentam sintomas respiratórios moderados. A manifestação mais
comum é o “inchaço” da parótida, que usualmente é unilateral no início da doença, mas que se pode tornar
bilateral em 70% dos casos. Esta doença pode complicar-se por infecção de outros orgãos, principalmente
envolvimento do testículo e do sistema nervoso central, causando orquite, meningite e encefalite.

Existe uma vacina para a parotidite, que está incluida nas recomendações actuais e é administrada aos 12
meses, juntamente com a vacina do sarampo e da rubéola, com reforço entre os 5-6 anos.

2.5.4 Tuberculose

A tuberculose é uma doença infecciosa e contagiosa. Actualmente é responsável por 8 a 10 milhões de casos no mundo,
com um número estimado de 2 a 3 milhões de óbitos. A grande maioria dos casos e dos óbitos ocorre no 3º
mundo.

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Em Portugal a doença tem vindo a decrescer continuamente desde os anos 60. Neste momento há cerca de
2500 casos novos por ano, ainda acima da média dos países da Europa ocidental. A doença ocorre em todas as
idades e grupos sociais, mas é mais frequente nos adultos jovens e em populações com comportamentos de
risco, bastante mais no litoral do que no interior. O distrito com pior situação é o Porto.

Os doentes aparecem com febre pouco elevada há mais de uma semana e com tosse, por vezes há mais tempo.
Os sintomas são insuficientes para fazer o diagnóstico sem recurso a radiografia pulmonar e, se for o caso,
exame microbiológico da expectoração, onde se demonstra a presença do Micobacterium tuberculosis. Neste
período que precede o diagnóstico, os doentes contagiam os seus conviventes, especialmente as crianças da
família. A propagação faz-se por partículas emitidas pela tosse, a curtas distâncias, em ambiente fechado.

O tratamento é muito eficaz. Os fármacos em uso são os mesmos desde há décadas porque deixou de ser
interessante para as empresas farmacêuticas investir no desenvolvimento de novos fármacos por ser uma
doença de países pobres. A dificuldade maior do tratamento consiste em garantir que os doentes tomem os
medicamentos regularmente durante os 6 meses necessários. É por isso que se pretende sempre que a toma
dos medicamentos seja feita na presença de pessoal de saúde, ao contrário das outras doenças.

2.5.5 Hepatite
Hepatite A

A hepatite A é a causa mais frequente de hepatite aguda no mundo. A infecção pelo vírus da HA (VHA) na criança
é geralmente benigna e sem sintomas. A mortalidade, rara, é por hepatite fulminante - o fígado deixa de funcionar
– sendo necessário recorrer a transplante (substituir o fígado). No adulto, os sintomas são mais frequentes.

Os sinais e sintomas da hepatite A são: cansaço, sentir-se enjoado, com vómitos, as fezes ficarem claras e os
olhos amarelos. O VHA passa-se através de mãos, roupas, superfícies ou alimentos que tenham o vírus e este
está nas fezes das pessoas com hepatite A (transmissão fecal-oral).

A melhoria do saneamento e higiene, mesmo sem recurso à vacinação, pode diminuir o número de casos de HA
e traduz a qualidade sanitária do país. Portugal tem poucos casos, o que é bom, mas assim os Portugueses não
estão protegidos. Ao viajarem para um país com piores condições de higiene ou se em Portugal alguém tiver HA,
como a população não está protegida, pode haver um surto, ou seja, um caso levar a muitos casos.

A vacina é barata, eficaz e segura. Se não estiver vacinado e tiver contactado com HA (eficaz nos primeiros 14
dias após contacto) ou for viajar, vacine-se.

Hepatite B

A hepatite B é uma das doenças mais frequentes do mundo, estimando-se que mais de um terço da população
mundial já foi infectada. Aproximadamente 350 milhões de pessoas têm infecção crónica e constituem um
reservatório e potencial fonte de infecção. Estes portadores crónicos podem desenvolver doenças hepáticas
graves, como a cirrose e o cancro no fígado.

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O vírus da hepatite B (VHB) é 10 vezes mais infeccioso que o vírus da hepatite C (VHC) e 100 vezes mais que
o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e pode sobreviver fora do organismo por mais de uma semana. O
VHB pode ser encontrado no sangue e nalgumas secreções corporais (líquido seminal, secreções vaginais,
saliva) o que permite que a aquisição da infecção se faça por via interpessoal. Existe também a possibilidade de
transmissão vertical mãe-filho, que ocorre sobretudo durante o parto.

Esta forma de contágio é especialmente grave, porque em 90% dos lactentes que adquirem a infecção por esta
via, a doença evolui para a cronicidade. A vacinação anti-VHB é a maneira mais eficaz de prevenir a infecção e
as suas consequências, e tem uma eficácia de cerca de 95%.

Em Portugal, esta vacina passou a integrar o Programa Nacional de Vacinação para todos os adolescentes a
partir de 1995, e desde o ano 2000 passou a ser administrada a todos os recém-nascidos (RN). A vacina é ainda
administrada gratuitamente a todos os grupos de risco.

A hepatite B é uma doença prevenível, mas a sua erradicação torna-se difícil pela existência de grande número
de portadores crónicos, sendo necessário, para além da vacinação universal aos RN, continuar a fazer testes de
rastreio às grávidas e grupos de risco e dar informação e esclarecimentos à população.

2.5.6 Meningite
Doença Pneumocócica
As infecções provocadas pelo Streptococcus pneumoniae (SP), pneumococo, são causa importante de
morbilidade e mortalidade em todo o mundo, especialmente em crianças com idade inferior a 2 anos, idosos, e
determinados grupos de risco, estimando-se que seja responsável por cerca de 1 milhão de mortes por ano, na
criança.

O pneumococo é uma bactéria gram+, a sua cápsula polissacárida é o determinante fundamental da sua
patogenecidade. As diferenças entre o polissacárido capsular permitem classificar o pneumococo em 91
serótipos que diferem na capacidade de colonização e transmissão, virulência, idade em que predominam,
manifestações de doença, resistências aos antibióticos, distribuição geográfica, capacidade para causar doença
endémica ou surtos. Cerca de 12 a 15 serotipos causam a maioria dos casos de doença na criança

O principal reservatório do pneumococo é a nasofaringe das crianças, estimando-se uma taxa de colonização de
62% aos 2 anos de idade. Os portadores são a fonte principal de transmissão da bactéria. A colonização nasofaríngea pode
não dar sintomas, ou ser o ponto de partida para infecções respiratórias como otite média aguda (OMA), sinusite e pneumonia,
ou para infecções invasivas de maior gravidade como a bacteriémia, septicemia, meningite, artrite, osteomielite e endocardite.
Os factores de risco para uma pessoa desenvolver doença são: idade inferior a 2 anos, estar numa creche, baixo nível
socioeconómico, viver em locais com elevada densidade populacional, sofrer de uma doença de base como imunodeficiência,
infecção VIH, doença do sangue, não ter baço, ou ter uma infecção viral nos dias anteriores. O aleitamento materno, nas
crianças abaixo dos 6 meses, protege da doença invasiva pneumocócica.
Outro problema adicional é a emergência de pneumococos resistentes, não só à penicilina como a outros
antibióticos (multirresistência), inicialmente descrita em meados dos anos 60, e que sofreu um incremento
marcado nos últimos anos, que veio colocar problemas adicionais de tratamento.
Apesar da instituição precoce e correcta de antibioticoterapia a taxa de mortalidade e de sequelas na meningite
pneumocócica é elevada (surdez, epilepsia, atraso psico-motor).
Estes problemas vieram confirmar a necessidade do desenvolvimento de uma vacina eficaz e segura que
reduzisse de forma significativa a doença pneumocócica na infância.
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As primeiras vacinas desenvolvidas na década de 70 foram as vacinas polissacáridas.
A vacina polissacárida (VPP), composta por 23 serótipos, não é imunogénica nas crianças com idade inferior a
2 anos, grupo em que ocorrem 80% dos casos de doença invasiva grave. Não erradica o SP da nasofaringe, não
conferindo imunidade de grupo. Tem uma eficácia de 60 a 70% na prevenção da doença invasiva pneumocócica
em crianças com mais de 2 anos, sendo menos eficaz na prevenção da pneumonia.
Vários estudos confirmam a eficácia, segurança e imunogenicidade da vacina pneumocócica conjugada,
induzindo imunidade dependente das células T e portanto memória imunológica, redução da colonização da
nasofaringe por SP induzindo imunidade de grupo, prevenção da doença invasiva (eficácia >90%), com impacto
na redução da OMA e da pneumonia causadas pelos serótipos incluídos na vacina, tanto em crianças saudáveis
como em crianças pertencentes a grupos de risco.
Doença meningocócica

A doença meningocócica é provocada por uma bactéria denominada Neisseria meningitidis ou meningococo.
Existem 13 serogrupos identificados mas apenas 5 estão geralmente associados a doença: A, B, C, Y e W135.

Em Portugal foram registados entre 200 a 400 casos/ano de doença meningocócica nas décadas de 80 e 90. Os
serogrupos B e C eram os mais frequentes no nosso país. O serogrupo A tem estado frequentemente associado
a epidemias em África, sobretudo na região que se estende da zona Sub-saariana do Senegal à Etiópia. O
serogrupo W-135 tem sido responsável por surtos na Arábia Saudita e na África Sub-saariana. Têm sido descritos
surtos de doença meningocócica causados pelo serogrupo B na Nova Zelândia, França, Oregon e na América
Latina. Nos Estados Unidos da América os serogrupos B, C e Y são os mais frequentes.

Esta bactéria pode provocar doença grave, como meningite e sepsis. A transmissão é efectuada por via
respiratória, exigindo contacto directo e próximo. Está presente na nasofaringe de cerca de 10% da população
sem causar sintomas, constituindo a fonte mais comum de transmissão. Pode surgir em qualquer idade, com
predomínio nas crianças mais jovens.

Os sintomas manifestam-se geralmente de forma súbita: febre, mal-estar, prostração e rash cutâneo que pode
ser maculopaular na fase inicial e se torna tipicamente petequial ou purpúrico. A progressão da doença pode ser
rápida ou fulminante. Cerca de 25% dos casos cursam com sepsis (meningococemia) que pode ter mortalidade
elevada (até 40% dos casos). A meningite surge em cerca de 15% dos casos com 5% de mortalidade. Pode
ainda causar pneumonia (especialmente o serogrupo Y) ou bacteremia oculta.

A sepsis e a meningite meningocócicas são emergências médicas. O tratamento efectua-se com antimicrobianos
e medidas de suporte de acordo com o estado clínico da criança. Pode ser necessário suporte avançado de vida.

As crianças afectadas podem sofrer sequelas graves como amputações de membros, surdez, atraso mental ou
convulsões.

Doentes com meningococemias recorrentes ou causadas por serogrupos não habituais devem ser avaliados do
ponto de vista imunológico, nomeadamente para pesquisa de deficiências do complemento.

A prevenção da doença meningocócica é efectuada através da vacinação.

Em 2001 foram licenciadas vacinas conjugadas contra o meningococo C em Portugal. Em Janeiro de 2006 estas
vacinas foram introduzidas no Programa Nacional de Vacinação com administração gratuita aos 3, 5 e 15 meses
de idade. Desde Janeiro de 2012 o esquema de administração foi modificado para uma dose única aos 12 meses.
Discute-se actualmente a necessidade de uma dose de reforço na adolescência.

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Existem também vacinas tetravalentes conjugadas que englobam os serogrupos A, C, Y, W-135. A sua
administração está recomendada a viajantes para áreas onde estes serogrupos são endémicos e em casos de
imunodeficiência. A EMA aprovou recentemente a sua utilização a partir dos 12 meses de idade.

Estão em curso ensaios com vacinas contra o meningococo do serogrupo B.

As autoridades de saúde publica devem ser alertadas quando surgem casos suspeitos de doença
meningocócica, no sentido de planear a prevenção de casos secundários. Os contactos próximos e os
profissionais de saúde expostos devem efectuar quimioprofilaxia

A doença meningocócica é de declaração obrigatória.

Doença por Haemophilus influenzae tipo b

O Haemophilus influenzae (Hi) é uma bactéria responsável por significativa morbilidade e mortalidade em todo o
mundo, especialmente em crianças com menos de 5 anos. Existem vários tipos de Hi, no entanto, na fase pré-
vacina a doença grave era causada principalmente pelo Hi tipo b (Hib).

O Hi vive na orofaringe das pessoas mas nem sempre causa doença, essas pessoas são aquelas que
denominamos de portadores assintomáticos ou seja, sem sintomas. As crianças em idade pré-escolar são o
grupo que tem a mais elevada percentagem de colonização da orofaringe. A transmissão da doença ocorre por
gotículas respiratórias. Os factores de risco para uma pessoa desenvolver doença são: idade inferior a 2 anos,
baixo nível socioeconómico, viver em locais com elevada densidade populacional, sofrer de uma doença de base
como imunodeficiência, infecção VIH, doença do sangue, não ter baço, ou ter uma infecção viral nos dias
anteriores. O aleitamento materno, nas crianças abaixo dos 6 meses, protege da doença invasiva por Hib.

O Hi causa doença no tracto respiratório, tal como otite média, sinusite, pneumonia e bronquiolite, a maioria
causada por Hi não capsulados. A doença grave, invasiva é geralmente causada pelo Hib, nas crianças com
menos de 2 anos e inclui: meningite, habitualmente grave com uma importante taxa de sequelas neurológicas
(15 a 30%); epiglotite, uma infecção grave com marcado edema e inflamação das cordas vocais e tecidos
circundantes; infecção articular ou óssea; infecção da membrana que cobre o coração; abcessos dos tecidos
moles e do tecido celular subcutâneo; bacteriémia que é uma invasão do sangue pela bactéria causando doença
generalizada.

A doença invasiva implica um diagnóstico precoce e a instituição de terapêutica com o antibiótico adequado, já
que o Hib é muitas vezes resistente a várias famílias de antibióticos.

Com a administração de rotina da vacina contra o Hib, houve um marcado declínio da doença invasiva causada
por este agente. Infelizmente a vacina não está disponível para aproximadamente 75% das crianças, sobretudo
aquelas que vivem nos países mais pobres, onde ocorrem anualmente 3 milhões de casos de doença invasiva
a Hib e pelo menos 400.000 mortes. Por esta razão a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou,
recentemente, a implementação global desta vacina nos Programas Nacionais de Vacinação, excepto nos casos
em que o impacto da doença fosse baixo, sem benefícios ou com fortes impedimentos à sua implementação.

2.6 PLANO DE VACINAÇÃO


Importância da Vacinação

A administração sistemática de vacinas ao longo da infância constitui a forma de prevenção mais eficaz para
proteger os bebés do sofrimento de várias doenças infecciosas muito contagiosas e potencialmente perigosas.

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A vacinação, ou imunização activa, é um procedimento de prevenção baseado na administração de agentes
infecciosos (vírus e bactérias) mortos ou alterados para que não sejam perigosos, ou por fracções de
microorganismos ou dos seus venenos (toxinas) desactivados, de modo a expor o organismo ao contacto com
os seus antigénios e desencadear uma resposta imunitária.

Após este contacto, as células imunitárias começam a fabricar anticorpos contra estes antigénios e memorizam
os mesmos, para que, caso voltem a estar eventualmente expostos ao microorganismo ou toxina em questão, a
resposta imunitária seja tão rápida e eficaz que irá evitar o desenvolvimento da doença ou irá limitar
significativamente os seus efeitos.

A vacinação infantil tem dois objectivos básicos, um individual e outro colectivo: por um lado, protege a criança,
porque evita o sofrimento de algumas doenças infecciosas muito graves; por outro lado, reduz a transmissão e
a incidência global destas doenças no seio da sociedade, diminuindo o número de indivíduos infectados e,
consequentemente, as fontes de infecção a partir das quais as mesmas se propagam.

Embora ainda não existam, infelizmente, vacinas contra todas as doenças infecciosas, as vacinas actualmente
existentes conseguem evitar o sofrimento ou atenuar os efeitos de algumas das doenças mais comuns ou graves
para as crianças.

Embora algumas destas vacinas sejam aplicadas em circunstâncias especiais, existem outras que são
administradas de maneira sistemática em toda a população infantil segundo as indicações das autoridades
sanitárias de cada país, sob as directrizes da Organização Mundial de Saúde. Em seguida, iremos mencionar as
mais utilizadas.

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) elaborado pela Direcção Geral de Saúde, recomenda que seja
efectuada uma PRIMOVACINAÇÃO em que:

À NASCENÇA, recomenda-se a vacina contra a Tuberculose (BCG) e a primeira dose da vacina contra a
Hepatite B (VHB) em crianças com peso igual ou superior a 2 Kg. Ambas as vacinas deverão ser administradas
na maternidade. Quando tal não ocorrer, serão administradas no centro de saúde, o mais brevemente possível,
segundo o calendário recomendado.

AOS 2 MESES, recomenda-se a primeira dose da vacina pentavalente contra a difteria, o tétano, a tosse
convulsa, a doença invasiva por Haemoplhilus influenzae b e a poliomielite (DTPaHibVIP) e a segunda dose da
Hepatite B (VHB).

AOS TRÊS MESES, recomenda-se a primeira dose da vacina conjugada contra o meningococo C (MenC), o
responsável pela Meningite.

AOS 4 MESES, recomenda-se a segunda dose da vacina contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença
invasiva por Haemoplhilus influenzae b e a poliomielite (DTPaHibVIP).

AOS 5 MESES, recomenda-se a segunda dose da vacina contra o meningococo C (MenC).

AOS 6 MESES, recomenda-se as terceiras doses das vacinas contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a
doença invasiva por Haemoplhilus influenzae b e a poliomielite (DTPaHibVIP) e Hepatite B (VHB).

VACINAÇÃO APÓS O PRIMEIRO ANO DE VIDA

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AOS 15 MESES, recomenda-se a primeira dose da vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola
(VASPR) e a terceira dose da vacina contra o meningococo C (MenC).

Fica assim completa a primovacinação para todas as doenças incluídas no PNV

AOS 18 MESES, recomenda-se o único reforço da vacina contra Haemoplhilus influenzae b (Hib - 4ª dose), e
aos 18 meses, a primeira dose de reforço da vacina contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa (DTP a - 4ª dose).

AOS 5-6 ANOS, antes do início da escolaridade obrigatória, recomenda-se o segundo reforço da da vacina
contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa (DTPa - 5ªdose), o único reforço da vacina contra a poliomielite (VIP
- 4ª dose) e o reforço da da vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola (VASPR - 2ª dose).

AOS 10-13 ANOS, recomenda-se um reforço da vacina contra o Tétano e a Difteria (Td).

DURANTE TODA A VIDA, DE 10 EM 10 ANOS, recomenda-se um reforço da vacina contra o Tétano e Difteria
(Td).
Caso não possuam o esquema de vacinação actualizado, deverão contactar o seu Centro de Saúde, e expor as
suas dúvidas e receios ao médico de família e equipa de enfermagem.

A vacina deve ser adiada nos casos de doenças com febre ou sintomas gerais CLINICAMENTE IMPORTANTES.
A vacinação será efectuada logo que possível após a melhoria da situação. Quando as vacinas são contra
doenças que representam um risco importante, só deverão ser adiadas na fase de doença que ponha a vida em
perigo.

REACÇÕES ADVERSAS MAIS FREQUENTES ÀS VACINAS

Tumefacção no local da injecção – as vacinas injectáveis podem causar uma tumefacção dolorosa. Alivie o
bebé com um analgésico.

Febre – algumas vacinas dão febre, pelo que pode administrar um antipirético.

Choro – é frequente o bebé ficar rabugento e choroso durante 24 horas, mas se chorar horas seguidas deve
informar o seu médico.

QUE SITUAÇÕES NÃO IMPEDEM A VACINAÇÃO

Não deve ser razão para adiar uma vacina quando:

- A criança está constipada, e sem febre

- A criança está a ser tratada com antibiótico

- A criança ter história de convulsões

- A criança ter história de alergia

- A criança ser prematura

QUANDO ADIAR UMA VACINA

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Em caso de doença aguda, moderada ou graves, com ou sem febre, deve-se adiar uma vacina, consoante
indicação médica.

OUTROS CONSELHOS

- Se houver omissão ou atraso em alguma dose de vacina, deve-se retomar o plano normal de vacinação no
ponto em que foi interrompido, de acordo com as instruções do Centro de Saúde.

- Se a criança manifestar uma reacção grave a determinada vacina, deve informar o médico assistente.

- Se a criança sofrer de uma doença que cause diminuição das defesas, isto é, deficiência na imunidade, o seu
plano de vacinação deve ser adaptado pelo médico de acordo com a doença.

- Se algum co-habitante da criança sofrer de deficiência na imunidade, deve informar o médico, pois poderá ser
necessário adaptar o esquema vacinal da criança.

- Se esta for viajar para países não europeus, a família deve aconselhar-se com o médico assistente sobre a
necessidade de efectuar outras vacinas ou tomar outras precauções.

Toda criança precisa de vacinas. É a maneira mais simples e eficiente de prevenir algumas doenças. Para se
esclarecer sobre o assunto, os pais devem fazer visitas regulares ao pediatra ou médico de família, pois ele
poderá orientar, discutir a necessidade de vacinas especiais e informar sobre o surgimento de vacinas novas.

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE VACINAÇÃO:

Para que servem as vacinas?

As vacinas são produzidas a partir de vírus ou bactérias, para estimular o sistema imunológico das crianças a
produzir anticorpos contra as doenças. Uma vez vacinada, caso a criança entre em contacto com esses vírus
ou bactérias, o seu sistema imunológico terá condições de reconhecê-los e prontamente eliminá-los.

Tenho-me apercebido de que algumas vacinas podem provocar efeitos secundários e receio que se
tornem perigosas para o meu filho…

Embora as vacinas sejam, na grande maioria dos casos completamente inofensivas para o organismo, por vezes
produzem determinados efeitos indesejáveis. Por exemplo, uma vacina administrada por via subcutânea ou
intramuscular pode provocar uma reacção inflamatória local, como o aparecimento de vermelhidão e dor na zona,
embora desapareça totalmente, no máximo, ao fim de dois ou três dias. Noutros casos, a vacinação propicia o
aparecimento de manifestações gerais como febre ligeira, mal-estar ou sensação de cansaço e debilidade que
reflectem a intensa actividade do sistema imunitário.

Os bebés previamente sensibilizados a algum componente da vacina costumam desenvolver uma reacção
alérgica transitória que tanto se pode manifestar através de uma erupção cutânea como através de uma certa
dificuldade respiratória. Os efeitos secundários das vacinas são, globalmente, ligeiros e transitórios, fáceis de
controlar e nunca tão perigosos como o sofrimento causado pela doença contra a qual a vacina protege o bebé.
Quando se procede à vacinação, a equipa de enfermagem informa sobre os eventuais problemas que a vacina
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possa provocar com vista a evitar preocupações injustificadas e também para que não passem despercebidos
sinais e sintomas que justifiquem uma consulta médica.

O meu filho está engripado. Posso vaciná-lo?

Em geral, a gripe não impede que se vacine a criança, desde que ela esteja em bom estado e sem febre. Se
tiver alguma dúvida em relação à vacinação ou qualquer assunto relacionado com a saúde da criança, deve-se
consultar sempre a equipa de enfermagem do centro de saúde ou o médico de família.

A vacinação pode eliminar a doença?

A eliminação de uma doença infecciosa em escala mundial define o objectivo ideal da vacinação. Neste caso, o
vírus ou a bactéria desaparece completamente, bem como a necessidade de prosseguir o programa de
imunização. Por exemplo, a vacinação já eliminou uma doença: a varíola. Por outro lado, a poliomielite está em
vias de extinção, e procura-se energicamente eliminar o sarampo.

Algumas vacinas destinam-se essencialmente a uma protecção individual. Por exemplo, a bactéria responsável
pelo tétano vive na terra, e não podemos simplesmente evitar todos os riscos da exposição. Assim, a vacina
antitetânica protege os indivíduos contra os efeitos da substância tóxica produzida pela bactéria do tétano.

A rubéola é um caso particular. Se a rubéola atacar uma mulher grávida não imunizada, as consequências sobre
o feto podem ser trágicas. A imunização contra a rubéola serve também para proteger indivíduos ainda não
nascidos.

As vacinas são seguras?

As vacinas são ferramentas que estão entre as mais inofensivas da medicina moderna. São muito raros os efeitos
secundários graves. Podem ocorrer reacções alérgicas graves, porém o nível de risco é muito pequeno. Os
benefícios individuais da vacinação superam amplamente os riscos. De facto, estes riscos são muito menores
do que o perigo representado pela doença.

Entre os que lidam com a vacinação, ninguém se descuida da segurança das vacinas. Antes de ser utilizada,
toda vacina deve ser submetida a provas de laboratório e ensaios no campo, e passar por um procedimento
rigoroso de registo. Inclusive, quando a vacina já está registada, cada lote passa por provas de inocuidade e de
qualidade. Além disso, as vacinas são submetidas a uma vigilância contínua quanto aos seus efeitos
secundários.

O ideal seria que as vacinas não provocassem qualquer efeito secundário. Com este objectivo, os pesquisadores
procuram desenvolver vacinas sempre melhores. Enquanto isso, convém reconhecer o mérito das vacinas
disponíveis. Elas são muito eficazes e muito seguras.
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Em Portugal, já está inserido no Plano Nacional de Vacinação uma vacina recente, que certamente os caros
ouvintes já terão ouvido falar….a vacina contra o Cancro do Colo do Útero. Naturalmente os pais querem saber
um pouco mais sobre esta vacina antes de levar a sua filha ao centro de saúde para lhe ser administrada.

Iremos então esclarecer eventuais dúvidas sobre o vírus que causa o maior número de mortes em mulheres no
nosso país, o principal responsável pelo Cancro do Colo do Útero.

O que é HPV?

Papilomavírus Humano. É um vírus altamente contagioso e muito comum. É responsável por uma das infecções
por transmissão sexual mais comum a nível mundial.

Como se transmite?

As infecções genitais por HPV são, geralmente, transmitidas por via sexual através do contacto directo da pele
e mucosas e, mais raramente, transmitido durante o parto e por contacto entre os órgão genitais e a cavidade
oral. Não é eficazmente prevenível pelo uso do preservativo, e pode ser transmitido durante o contacto genital,
pele com pele, pelo que toda a mulher sexualmente activa está em risco de contágio. São mais de 100 tipos de
HPV, entre os mais comuns destacam-se o 16 e 18 de alto risco para o cancro do colo do útero e o 6 e 11 que
causam verrugas genitais.

Qual a relação do cancro do colo do útero com HPV?

Existe uma relação directa entre o HPV e cancro do colo do útero. Esse vírus está presente em 99,7% das
mulheres com esse tipo de cancro. Pode-se dizer que a relação causal entre cancro de colo de útero e a presença
do HPV é 50 vezes maior do que a relação causal entre o fumo e o cancro do pulmão.

Qual a importância das verrugas genitais (ou condilomas)?

Cerca de 1% da população sexualmente activa em 1 milhão de pessoas teve verrugas genitais visíveis em algum
momento da vida. As verrugas genitais atingem homens e mulheres.

Como prevenir o HPV?

Já existem duas vacinas contra o HPV (GARDASIL e CERVARIX). No entanto, são vacinas diferentes e, portanto,
o médico deve especificar qual das duas deseja que seja aplicada.

Quando e quem deve tomar a vacina?

A introdução da vacina contra infecções por HPV, no PNV foi aprovada a 20 de Março de 2008. A vacinação
universal de rotina com a vacina HPV tem como objectivo a prevenção de infecções por Vírus do Papiloma
Humano e a diminuição a longo prazo, da incidência do cancro do colo do útero.

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É importante salientar às jovens que a vacina não protege contra todos os tipos de HPV causadores de cancro
do colo do útero, a vacina igualmente, não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis, pelo que
devem optar sempre por comportamentos seguros. É importante iniciarem a rotina de rastreio do cancro do colo
do útero, dois anos antes do inicio da vida sexual activa.

Em 2009, serão vacinadas todas as jovens nascidas em 1992 e 1996. Em 2010 as nascidas em 1993 e 1997 e
em 2011 as que nasceram em 1994 e 1998. A partir desta data irão ser vacinadas todas as raparigas que
possuem treze anos.

Vários estudos divulgados entretanto, indicam que, até aos 26 anos, as duas vacinas mostram uma eficácia
acima dos 96% para os dois tipos mais perigosos, o HPV 16 e o HPV 18. Outros estudos apontam para graus
significativos de protecção em mulheres mais velhas, podendo vir a ser demonstrado no futuro que estas também
beneficiam da vacina. Mas muito importante: as adolescentes e jovens que já não podem usufruir da vacina
gratuitamente, bem como todas as raparigas e mulheres, devem consultar o seu Ginecologista regularmente,
fazer o exame de rastreio (Papanicolau) para vigilância, e pedir ao médico que esclareça dúvidas e que dê
indicação se é ou não aconselhável fazer a vacina.

3. PRINCIPAIS ACIDENTES COM CRIANÇAS

3.1 ACIDENTES DOMÉSTICOS


O pior inimigo da prevenção dos acidentes é a presunção de que não ocorrerão connosco. Muitos pais
conhecem os riscos mas acreditam que consigo os acidentes não vão ocorrer.
Os acidentes domésticos constituem um dos principais motivos de observação urgente e de morbi-mortalidade na idade
pediátrica.

As crianças caracterizam-se por apresentar uma saudável curiosidade que potencia o risco de ocorrência de acidentes. Estes
comportamentos exploratórios são essenciais ao desenvolvimento harmonioso da criança mas deverão ser contrabalançados
pela adoção de estratégias de antecipação que minimizem a ocorrência de acidentes.

Se por um lado deveremos conhecer os principais riscos em ambiente doméstico para poder adotar as medidas preventivas
adequadas, por outro o conhecimento de algumas etapas-chave do desenvolvimento psicomotor da criança permite antecipar
determinados comportamentos de risco (Quadro 1):

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3.1.1 Escadas, portas, gavetas, quinas, janelas altas

Janelas/porta da rua/varandas - para uma criança a noção de perigo está distorcida, pelo que uma janela aberta,
uma varanda desprotegida e uma porta da rua aberta constituem uma oportunidade de explorar algo de novo
com o risco de quedas, atropelamento, entre outros acidentes.

Escadas - as escadas são um dos principais focos de perigo numa casa. Uma grande parte dos acidentes por
queda ocorrem nas escadas, muitas vezes associadas ao uso de andarilhos. Deverão ser protegidas por
dispositivos tipo cancela ou rede.

Parques - os parques constituem uma confortável medida de contenção da criança e podem evitar uma grande
quantidade de acidentes. Alguns cuidados deverão ser tidos em conta, no entanto, para evitar que constituam
um ambiente propício a outro tipo de acidentes: tenha atenção aos brinquedos a que a criança tem acesso, não
deixe o parque perto de mesas, toalhas ou outros focos de risco.

Andarilhos - os andarilhos (também denominados de voadores) são frequentemente utilizados pelos pais por
serem uma forma de contenção da criança (em substituição dos parques), com a suposta vantagem de estimular
o início da marcha das crianças ao promover o apoio nos dois pés. Cientificamente está provado que não
aceleram a aquisição da marcha e aumentam o risco de acidentes domésticos pela mobilidade que conferem à
criança, nomeadamente, quedas de altura ou escadas, embate contra móveis/fogões com quedas e/ou derrube
sobre a criança das estruturas em cima colocadas.

Esquinas - as esquinas dos móveis deverão ser protegidas com dispositivos próprios, especialmente as que
ficam ao nível da criança (subindo de nível à medida que a criança adquire a capacidade de se levantar).

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3.1.2 Tomadas eléctricas
Prevenção

Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e familiar sobre os efeitos da electricidade sobre o homem
Descoberta dos perigos:
 Identificar todas as tomadas de corrente, interruptores, lâmpadas e aparelhos eléctricos em casa e na
escola
 Aprender o sinal de corrente eléctrica
 Descobrir como substituir objectos eléctricos por outros em caso de falta de corrente.
 Aprender normas para uso de artigos eléctricos.

Tomadas elétricas e candeeiros - as tomadas elétricas que não possuam protetores de fábrica deverão ser
protegidas com dispositivos próprios, principalmente após a criança iniciar o gatinhar (em alguns casos logo após
os 6 meses de idade). Também os candeeiros deverão ser retirados do espaço onde a criança circula, pelo risco
de contacto com a ficha-tomada e a queda do mesmo no chão com exposição da componente elétrica.

3.1.3 Fogo, forno,frigorífico, ferro de engomar


Aquecedores/lareiras - os aquecedores constituem um foco de potenciais queimaduras. Existem no mercado
alguns com capas protetoras, mas na impossibilidade de adquirir um destes dever-se-á evitar deixar crianças
sozinhas no mesmo espaço, principalmente quando já apresentam capacidade locomotora. As lareiras, além do
risco de queimaduras pela emissão de faúlhas ou contacto direto, são fonte emissora de monóxido de carbono
(CO), potencialmente fatal. Use recuperadores de calor que impedem o contacto com o fogo (mas que podem
atingir temperaturas elevadas!) e providenciar uma boa exaustão do monóxido de carbono.

Isqueiros, fósforos, objetos de dimensões reduzidas (moedas), pilhas elétricas - todos estes objetos, entre muitos
outros, não devem estar acessíveis às crianças pelo risco de aspiração ou deglutição que comportam.

Aquecedores: especial atenção aos aquecedores/termoventiladores pelo risco de queimadura.

Eletrodomésticos (secadores, máquinas de barbear, aquecedores): objetos ligados à corrente elétrica numa
divisão com água corrente constituem um potencial risco de eletrocussão. Desligá-los sempre após utilização e
manter vigilância muito apertada durante a sua utilização.

Fogão: os discos do fogão são focos de queimaduras frequentes. Por isso:

a) Não deixar bancos/escadotes na proximidade que possibilitem o acesso às bancadas/fogão.


b) Evitar a presença da criança enquanto se cozinha - não transportar líquidos quentes/cozinhados com a
criança por perto, para evitar que estas sejam atingidas.
c) Nunca deixar entrar um voador numa cozinha. A velocidade de impacto num fogão/bancada pode ser
suficiente para que o seu conteúdo atinja a criança.
d) Utilizar preferencialmente os discos de trás para os cozinhados, pois diminui a acessibilidade das
crianças aos tachos/frigideiras (uma criança que corra contra um fogão poderá provocar um desequilíbrio
do mesmo com derrame do conteúdo sobre si).

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Ferro de engomar: não deixar um ferro quente/ligado ao alcance da criança pelo risco de queimadura. Vigilância
enquanto este é utilizado.

3.1.4 Quedas
Durante a infância as quedas constituem uma das causas principais de acidentes, e atingem a criança em todas
as idades.
As consequências de uma queda podem ir desde um pequeno ferimento até a fracturas múltiplas, traumatismo
craniano ou mesmo à morte.
Bebés de 0 a 1ano
A criança no 1º ano de vida, apesar de ainda não andar, está da mesma forma sujeita a quedas, sendo as mais
frequentes:

Queda de uma mesa, cama, ou da balança


Desde a nascença o bebé é capaz de dar impulsos ao seu corpo. Um momento de distracção de um adulto que
vai buscar algo de que se esqueceu, atender um telefonema, ou responder a quem o chama, é o suficiente para
que em segundos a criança caia.

O mesmo acontece com a criança de 3/4 meses, que já capaz de se virar sozinha.
Pouco atentos ao desenvolvimento da criança, é possível assistir à queda da criança da cama dos pais, mesmo
que colocada a meio, ou da sua à qual não foram subidas as grades, ou descido o nível do colchão.

Queda de porta bebés.


Por volta dos 3/4 meses ou mesmo antes, o bebé é capaz de fazer deslocar o porta bebés ou alcofa, que está
pousado por exemplo em cima de uma mesa e cair.

Queda de carrinho ou cadeira de passeio.


Devido aos impulsos e movimentos de que é capaz pode cair do carrinho ou cadeira de passeio, sobretudo se
não forem estáveis e se o cinto de segurança não está bem apertado.

Importante
Ter cuidado com o peso dos sacos das compras que coloca nas pegas do carrinho e que o fazem desequilibrar
e cair para trás.
Queda de uma cadeira alta
A criança é capaz de cair de uma cadeira alta de bebé, através de movimentos para a frente e para trás,
sobretudo se não tem cinto de segurança ou se este não está apertado.

Queda de um sofá
Poderá cair de um sofá, fazendo movimentos de torção, virando-se sobre si próprio.

Queda do colo
A criança pode tentar saltar, ou mexer-se muito, e o adulto distrai-se ou não tem força para segurar. Pode
acontecer que esteja ao colo de um adulto á janela, dê um impulso para a frente, não sendo este capaz de a
segurar.

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O mesmo, e com mais razão pode acontecer, quando o bebé está ao colo de uma criança.

Queda com um andarilho ou “aranha”


A criança pode dar quedas várias, pancadas, entalar-se ou queimar-se.

Importante
São muito perigosos, e não têm vantagens pois não ajudam a andar.

Queda de escadas
Mesmo que o bebé ainda não ande, e isso varia de criança para criança, gatinha, e pode cair de escadas. O
mesmo pode acontecer se estiver no andarilho.

Prevenção
Os pais ou outros adultos devem conhecer as capacidades do bebé em cada etapa do seu desenvolvimento, de
modo a poderem prever os riscos. Uma capacidade que um bebé não tem hoje pode tê-la adquirido amanhã, e
acontecer um acidente não previsto.

Assim é preciso que tenha determinados cuidados:


 Não deixe o bebé sozinho em cima de uma balança, cama, mesa, bancada ou sofá.
 Mantenha sempre uma mão sobre o bebé quando o está a mudar. Antes de começar, traga para junto
de si tudo o que vai precisar. Se tiver que fazer qualquer coisa, leve sempre o bebé consigo.
 Escolha um porta bebés com estrutura rígida, mas de preferência utilize-o apenas para as saídas do
bebé. Utilize uma cama de grades que respeite as normas europeias, e nunca deixe o bebé sozinho com
as grades descidas.
 O carrinho e a cadeira de passeio devem ser estáveis e respeitar as normas europeias. A criança deve
ter o cinto de segurança sempre bem fechado. Utilize de preferência um cinto que passe sobre os
ombros.
 Quando o bebé está sentado numa cadeira alta, certifique-se da estabilidade da cadeira, encoste-a bem
á parede e aperte o cinto de segurança (de preferência que passe sobre os ombros). Nunca deixe o bebé
sozinho, e tenha atenção a outras crianças, para que não balancem ou tropecem na cadeira.
 Não use andarilhos
 A partir do momento em que a criança começa a gatinhar, proteja as escadas com cancelas, no topo e
na base, solidamente colocadas, e com sistema de segurança, que só um adulto possa abrir. Verifique
periodicamente o seu funcionamento. Estes cuidados não dispensam a vigilância da criança.
 Não deixe uma criança sozinha com um bebé ao colo, ou a tomar conta dele.
 Sempre que estiver com um bebé ao colo junto de uma janela aberta, guarde alguma distância da
mesma.
 Saiba que o risco de acidente grave é maior, quanto mais duro é chão.

Crianças de 1 a 4 anos
 Pequenas quedas contra móveis da casa, geralmente com menor gravidade.

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 Queda de janela ou de varanda

É um acidente muitíssimo grave, e que na maioria das vezes causa a morte da criança. Esta com o seu rápido
desenvolvimento fazendo aquisições novas todos os dias, e que são o regozijo dos adultos, um dia, encosta um
banco a uma janela ou varanda, e ... cai. Estas quedas acontecem geralmente na ausência de um adulto.

As quedas de escada, cama, ou cadeira são semelhantes ao que se passa com a criança menor de 1 ano.

Prevenção
 Proteja com dispositivos apropriados os aquecimentos e arestas pontiagudas de mesas, armários e
outros móveis, contra os quais a criança pode cair.
 Não tenha mesas de vidro em casa.
 Não deixe espalhados no chão ou escadas brinquedos e outros objectos em que a criança possa
tropeçar.
 Ensine a criança a descer e subir escadas, bem como cadeiras e bancos.
 Proteja as janelas com limitadores de abertura, permitindo o arejamento, mas evitando que a criança
caia. A abertura deve atingir um máximo de 10 cm.
 Revista os vidros das portas, janelas e espelhos com uma película protectora.
 Não deixe cadeiras ou outros objectos que possam servir de apoio, ao pé de uma janela ou varanda.
 Nas varandas, coloque guarda de protecção, de preferência com barras verticais, para que a criança não
consiga trepar, que tenham altura de pelo menos 110 cm. Não deve ser possível a criança passar nem
por baixo, nem entre as barras.
 Ensine à criança o perigo de se debruçar da janela ou varanda
 Não deixe a criança sozinha em casa
 Sempre que guardar qualquer objecto fora do alcance da criança, lembre-se que esta se pode lembrar
de trepar para ir o buscar, sobretudo se é algo da sua preferência.
 Calce á criança meias antiderrapantes.
 Fixe os tapetes ao chão.
 Coloque tapete antiderrapante na banheira, e outro de outro tipo fora desta.

Prevenir quedas e choques(dos 3 aos 6 anos):

 Aumentar os recursos humanos;


 Aumentar a vigilância nos recreios;
 Realizar actividades físicas ou jogos que desenvolvam os reflexos e o sentido de equilíbrio;
 Ter sempre em conta os espaços onde se desenvolvem algumas actividades físicas e estabelecer regras
de segurança obrigatórias (piscinas, ginásios, campos de jogos, etc.;
 Promover hábitos e comportamentos correctos de como circular no espaço interior e exterior da escola;
 Proibir brinquedos ou objectos que se desloquem pelo solo e possam provocar quedas (piões, bolas) em
determinados locais, principalmente de passagem obrigatória;
 Vedar os solos que apresentem grandes desníveis;
 Limitar o espaço de recreio de acordo com os vários jogos;
 Evitar solos escorregadios e esburacados;
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 Proibir corridas nos corredores interiores e escadas;
 Evitar obstáculos e criar caminhos obrigatórios de passagem;
 Transmitir um espírito de correcção das práticas cívicas do dia-a-dia;
 Promover actividades sobre estes temas onde os próprios alunos sugiram novas atitudes e regras.

Crianças dos 3 aos 6 anos

Prevenção

Exploração do tema:
 Contar a história de um acidente.
Descoberta dos perigos:
 Encontrar na escola diferentes possibilidades de quedas.
 Encontrar soluções para evitar as quedas.
 Elaborar avisos para alertar contra o perigo.
Actividades psico-motoras:
 Treinar a marcha sobre um banco invertido ou um murete baixo.
 Ultrapassar obstáculos.
 Andar sobre uma linha.
 Andar de olhos fechados.
 Subir e descer escadas segurando-se ao corrimão.

3.1.5 Ingestão de medicamentos e quimicos


Prevenção
Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e familiar sobre medicamentos e produtos tóxicos
Descoberta dos perigos:
 Distinguir entre produtos nocivos e não, na escola e em casa
 Conversar sobre medicamentos
 Conhecer os sinais de produto tóxico
 Sensibilizar os alunos para não ingerirem produtos ou plantas que não conheçam
 Reconhecer produtos de limpeza e descobrir para que servem.
Medicamentos, álcool e produtos de limpeza (tóxicos) - provavelmente a mensagem melhor difundida na
prevenção de acidentes mas que persiste em não ser assimilada: não deixar nenhuma destas substâncias ao
alcance da criança. Ter em atenção que a aquisição das capacidades motoras leva à necessidade de atualizar
a localização segura destes produtos. Nunca utilizar garrafas de bebidas, caixas de bolachas ou outras familiares
à criança para guardar produtos tóxicos, pelo risco de a criança as considerar próprias para consumo.

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3.2 ACIDENTES NA RUA

3.2.1 Atropelamentos
Querer independência faz parte do desenvolvimento da Criança, e os adultos, muitas vezes, querem apoiar essa
crescente auto-estima. No entanto, na hora de atravessar a rua, deve-se pensar duas vezes antes de deixar a
Criança ir sozinha. O risco das Crianças se acidentarem pode ser reduzido com o exemplo dos adultos e com o
ensino de um comportamento seguro para pedestres.

Atravessar as ruas olhando para ambos os lados, respeitar os sinais de trânsito e faixas para pedestres sempre
que possível e fazer contacto com os olhos dos motoristas antes de atravessar na frente deles.

Não permitir que uma Criança menor de 10 anos atravesse a rua sozinha.

Entradas de garagens, quintais sem cerca, ruas ou estacionamentos não são locais seguros para as Crianças
brincarem.

Ter a certeza de que as Crianças sempre usam o mesmo trajecto para destinos comuns (como escola). Caminhar
com ela para identificar o caminho mais seguro. Escolha o trajecto mais recto, com poucas ruas para atravessar.

Uma lanterna ou materiais reflexivos nas roupas da criança podem evitar atropelamentos.

3.2.2 acidentes de viação


Maior causa de morte infantil. Os acidentes rodoviários continuam a ser a maior causa de morte nas crianças,
em Portugal. Nos últimos três anos 245 crianças ficaram com deficiências na sequência de acidentes rodoviários.
Entre 1998 e 2000, registaram-se 26.478 mortos e feridos com idades até aos 17 anos em desastres de
automóvel, dos quais 54% eram passageiros. O uso sistemático e correcto de cadeiras e dispositivos de retenção
nos automóveis teria um grande impacto na diminuição da mortalidade até aos 6 anos. A sua eficácia pode atingir
os 90 por cento na prevenção da morte e dos ferimentos graves, como por exemplo o traumatismo craniano.

Ensinar a criança

• Olhar para os dois lados várias vezes antes de atravessar a rua. Atravessar quando a rua estiver livre e
continuar olhando para os lados enquanto atravessa;

• Utilizar a passadeira sempre que disponível, olhando várias vezes para os dois lados e atravessar em
linha recta;

• Entender e obedecer aos sinais de trânsito;

• Não atravessar a rua por entre carros, autocarro, árvores e postes;

• Nunca correr para a rua sem antes parar e olhar - apanhar uma bola, etc. - causa da maioria dos
atropelamentos fatais com crianças;

• Em estradas ou vias sem passeios, caminhar de frente para o transito para as crianças verem e serem
vistas;

• Observar os carros em manobras;

• Sempre que estiver com mais crianças, é preciso caminhar em fila única;

• Esperar que o autocarro pare totalmente para sair e aguardar que ele se afaste para atravessar a rua.

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3.2.3 Transporte de crianças
Dispositivos de retenção

Crianças até 4 anos

Utilização incorrecta dos dispositivos em 50% dos casos:

Causas de acidentes

• Bebés voltados para a frente;

• Cintos debaixo dos braços;

• Folgas exageradas;

• Dispositivos em bancos com airbag.

A utilização de cadeirinhas é indispensável até a criança ter 1,5 m de altura ou 36 Kg de peso, o que geralmente
acontece entre os 8 e os 12 anos. Nunca deixe de utilizar uma cadeirinha demasiado cedo - estará a pôr em
risco a vida da criança.

Porquê?

Nos bebés pequenos, a cabeça representa cerca de 1/4 do peso do bebé (até 18meses). Para além disso, o
bebé encontra-se numa fase de crescimento muito rápido, pelo que os seus ossos são ainda muito elásticos e
pouco firmes.

Antes de a criança ter 1,5 m de altura, não se consegue sentar no automóvel da forma mais correcta para uma
boa utilização do cinto de segurança – pernas e bacia pequenas.

NUNCA TRANSPORTAR UM BEBÉ AO COLO:

Num acidente a 45 km/h a criança será projectada ou esmagada por uma força maior do que 20 vezes o seu
próprio peso . Um bebé de 2 ou 3 meses passará a pesar mais de 100 kg em caso de acidente.

CADEIRINHAS 0-13KG (GRUPO 0+):

Dispositivo de protecção;

• Instaladas à frente ou atrás ( lugar sem airbag activo);

• Cintos de 3 apoios (segura a cadeira);

• Fornece apoio posterior e lateral

( pescoço da criança muito frágil);

CADEIRINHAS 9-18KG (GRUPO I ):

• Utilizadas de igual modo às anteriores;

• A criança viaja sentada – não aconselhável antes dos 9 meses ;

• Voltadas para a frente, a protecção não é tão eficaz;

• Utilizadas até aos 2 anos, 2 anos e meio.

• Cadeirinhas grupo 0+/I (0-18Kg).

CADEIRINHAS 15-36KG (GRUPO II / III):

Dispositivo de apoio;

• O cinto segura a criança e a cadeira;

• Com as cadeiras, o cinto segura a criança pela bacia e ombros e não pelo pescoço e barriga.
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• Cadeirinhas 9 – 36Kg (Grupo I /II / III);

CADEIRINHAS 9 - 36KG (GRUPO I / II / III):

CORRECTO PERIGOSO, cinto demasiado baixo PERIGOSO, cinto demasiado alto

BANCOS ELEVATÓRIOS:

• Utilizado a partir dos 7 / 8 anos de idade, desde que o cinto fique bem colocado;

• Se o carro não tiver encosto de cabeça, deve manter a outra cadeira.

3.3 ACIDENTES NO PARQUE INFANTIL

3.3.1 Queimaduras
Prevenção
Exploração do tema:
 Dramatização de uma história
 Discussão colectiva e em família
Descobrir os perigos:
 Descobrir na sala de aula possíveis locais de queimaduras
 Colocar avisos feitos pelos alunos
 Visitar a cozinha da escola e descobrir sítios de risco de queimaduras
 Identificar no fogão da cozinha, as zonas que queimam
 Fazer uma lista dos objectos domiciliários com possibilidade de provocar queimaduras
 Aprender a colocar no fogão as panelas e os tachos
 Aprender que há produtos que queimam embora não façam chama
 Saber identificar sinais de substâncias corrosivas

3.3.2 Quedas de baloiços e outros equipamentos


No parque infantil devemos antes de tudo verificar:

• O estado de conservação dos equipamentos, a qualidade do pavimento, a existência de vedação e a


sinalização para os automobilistas, bem como a higiene e limpeza.

• Acompanhar os mais pequenos nas brincadeiras, só permitir a utilização dos equipamentos


direccionados para a idade da criança.

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• Verificar se os mais crescidos não estão a utilizar equipamento que não é para a sua idade.

3.3.3 Fracturas e entorses


Prevenção

Exploração do tema:
 Contar ou dramatizar a história de um acidente
Descoberta dos perigos:
 Classificar os objectos da sala em cortantes e não cortantes.
 Inventariar os objectos cortantes que cada um conhece e localizá-los em casa e na escola.
 Aprender a utilizar uma tesoura e uma faca
Actividades psico-motoras:
 Enfiar contas, fazer rolar berlindes, lançar o pião, dar nós, fazer dobras em papel, saltar à corda, etc.
 Colocar uma fonte sonora ou musical na sala de aula e as crianças devem interromper a marcha quando
o sinal sonoro pára.
 Imitar um robot (fazer movimentos como se fossem bonecos articulados).

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