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A arquitetura e os problemas da supremacia

- Para conseguir maior aceitação do público, muitos arquitetos, submetem-se à criação


vincada a códigos estéticos vulgares baseados em valores supérfluos como por exemplo
modas, para se tornar mediática e lucrativa.

- Se a arquitetura for construída sobretudo sobre valor supérfluos e triviais então passa a ter
como função primordial responder ao mediatismo e ao furor; passa a servir apenas como
entretenimento, em vez, de responder aos problemas reais do Homem e às razões às quais
deve a sua existência.

- Obras que se alicerçam na alucinante propagação da imagem e no fulgor dos meios de


comunicação caem rapidamente no esquecimento porque uma arquitetura criada para um
contexto mediático, e portanto descontextualizado dos problemas reais, não serve
realmente o seu propósito. O fulgor desvanece, mas a obra continua presente na malha
urbana ou no cotidiano do Homem, assim como continuam a existir os problemas que criou
ou simplesmente ignorou.

- A criação da cultura popular pelas corporações e estados sustentada pelos mídia, levou ao
consequente desenvolvimento de um agente cultural criticamente passivo, apenas
habituado a ver aquilo que lhe é colocado à sua frente, sem nunca se questionar sobre algo
e aceitando o que lhe é incutido. Este agente culturalmente passivo é, para problema da
arquitetura, muitas vezes o cliente ou o próprio arquiteto.

- Se a arquitetura é construída sobretudo na base de valores supérfluos, ou se é, interpretada


dessa forma pelo espetador da arquitetura, leva a acreditar, que qualquer um com alguns
conhecimentos técnicos de construção, é capaz de produzir uma obra mesmo não tendo o
mínimo de conhecimento e discernimento a respeito de arquitetura e seus valores. Além
dos possíveis problemas urbanos, habitacionais e sociais que tal ação originaria, também o
ofício e respeito do arquiteto são postos em causa, tanto pela sociedade como pelo cliente
de arquitetura.
- A visão funciona através de planos abstratos de duas dimensões e é o sentido que capta
mais informação. Mas controversamente é o sentido mais superficial porque a informação é
bastante abstrata e sintetizada no processo de recolha, portanto precisa dos restantes
sentidos, que proporcionam experiências mais reais e enriquecedoras, para ter um
verdadeiro significado e não ser interpretado como um sonho ou ilusão. A obsessão pela
visão ou o seu sobre estímulo, coloca o indivíduo, num estado vegetativo, devido à perda
da sensibilidade física, e perturba, portanto, a perceção plena dos espaços e ambientes reais.

- Os objetos e instrumentos que rodeiam o indivíduo dão a sensação de o conectar ao


mundo, mas na realidade acentuam o estado vegetativo do agente que habita a arquitetura.
Os objetos, que interagem sobretudo através do sentido plano e superficial da visão, criam
uma bolha imaginária que envolve o individuo e o afastam ainda mais do mundo real.

- O sentido da visão devido à desmedida capacidade de captar informação tornou-se no


sentido humano de eleição, e consequentemente, o mundo desenvolveu-se à sua imagem.
A rapidez dos tempos contemporâneos e a excessiva, e muitas vezes não relevante,
divulgação de informação levou a uma certa alienação do individuo no mundo, que
distraído pela rotina, por questões supérfluas do dia-a-dia, sem tempo de pausa e reflexão
da informação, perdeu a capacidade de apreciar as singelidades e realidades que a
arquitetura tem para oferecer.

- A homogeneização da expressão da arquitetónica leva a uma perda e desvalorização do


discernimento artísco e autoexpressão; condiciona a capacidade interventiva e criativa
necessária para uma resolução mais eficaz e audaz das questões relevantes à obra. A
produção de uma arquitetura à partida já condicionada por ideias supérfluas e predefinidas
torna-a numa espécie de cópia, que inviabiliza a capacidade de se metamorfosear conforme
as variáveis impostas. Com a perda de identidade e autoexpressão, os indivíduos têm maior
dificuldade de se identificarem verdadeiramente e intimamente com a obra.