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CADERNO NEONATO

AULA 01- ATENÇÃO HUMANIZADA AO RESCÉM NASCIDO DE BAIXO PESO

SENTIMENTOS DA FAMÍLIA DIANTE DA INTERNAÇÃO NA UNIDADE NEONATAL

• Ambiente tecnológico desconhecido e assustador da UTI neonatal (volume da aparelhagem, ruído dos alarmes,
profissionais desconhecidos)
• Medo da perda (bebê frágil, diferente do “imaginado”)
• Dificuldade de se comunicar com a equipe devido ao receio de receber notícias ruins
• Sentimento de culpa e fracasso (dificuldade de se sentirem pais e com papel importante no cuidado/ recuperação do
filho)
• Necessidade de rede de apoio familiar
• Ansiedade pela alta x insegurança de levar um filho de risco para casa

ACOLHIMENTO PELA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

• Entender o contexto familiar e angústias


• Individualizar o bebê – saber o nome (bebê portador de uma história familiar e conjugal)
• Informar sobre o quadro clínico do bebê e esclarecer as dúvidas, colocando-se disponível
• Esclarecer a rotina da unidade (visitas, acesso livre dos pais)
• Explicar para que servem os “aparelhos” e incentivar o toque, a fala carregada de afeto, a participação nos cuidados
básicos.
• Folder da Unidade Neonatal

AÇÕES NA UNIDADE NEONATAL

• Reunião de pais com a equipe


• Acesso livre dos pais
• Visita ampliada de familiares (avós, irmãos,figuras de apoio)
• Visita dos irmãos
• Alojamento de mães
• MÉTODO CANGURU
• Visita de egressos

ATENÇÃO HUMANIZADA AO RECÉM-NASCIDO DE BAIXO PESO: MÉTODO CANGURU

ETAPA 1 – Contato pele a pele precoce na UTI e UCI. Sem limite de peso. Mesmo em assistência ventilatória

ETAPA 2 – Mãe e bebê juntos 24 h na UCI Canguru. Bebês estáveis, a partir de 1250 g. Alta com sucção efetiva, ganho de
peso adequado e pais seguros, a partir de 1600 g

ETAPA 3 – Consultas de retorno frequentes na Unidade Canguru, para controle de peso e reavaliação clínica. Alta da Etapa 3
para ambulatório de seguimento com 2500 g

BENEFÍCIOS DO MÉTODO CANGURU

• Favorecimento do vínculo mãe-filho

• Menor tempo de separação mãe-filho, com mais estimulação do bebê

• Apoio e incentivo ao aleitamento materno

• Aumenta a competência e confiança dos pais no cuidado ao seu filho

• Melhor controle térmico

• Redução do tempo de internação hospitalar

• Melhora do relacionamento da família com a equipe

• Diminuição das taxas de infecção hospitalar

• Melhor desenvolvimento neurológico do bebê


AULA 02 - CLASSIFICAÇÕES DO RN

CLASSIFICAÇÃO QUANTO A IDADE GESTACIONAL

 Avaliação pré-natal: estimada (DUM, USG 1º trimestre, medida do FU)

 Avaliação pós-natal:

• Pré-termo: < 37 semanas


• Termo: 37 semanas a 41 semanas e 6 dias
• Pós-termo: ≥ 42 semanas
• Prematuridade extrema: < 28 semanas

TEXTURA DA PELE

• Descamação de pé
• Descamação em abdomen
• Pele fina e lisa

GLÂNDULA E AREOLA MAMÁRIA: Tamanho do nódulo mamário e formação e diâmetro da aréola

BORDA DA ORELHA: Borda totalmente virada, Borda sem dobra

PREGAS PLANTARES:Pregas em mais da Pregas na metade Sem pregas metade anterior da planta

CAPURRO SOMÁTICO:

Soma dos pontos + 204 = IG em dias

Soma dos pontos + 204/7 = IG em semanas

ESCALA DE BALLARD

PROBLEMAS ASSOCIADOS A PREMATURIDADE

• Gastrointestinais (ECN)

• Metabólicos (glicose e cálcio)

• Renais ( TFG)

• Regulação da temperatura (hipo e hipertermia)

• Imunológicos ( imunidade humoral e celular)

• Oftalmológicos (retinopatia da prematuridade)


PROBLEMAS ASSOCIADOS A PÓS MATURIDADE

• Depressão perinatal
• Aspiração meconial (impregnação de mecônio em pele, cordão e unhas)
• Hipertensão pulmonar persistente
• Distúrbios metabólicos (hiperglicemia, hipocalcemia)
• Policitemia • Estado nutricional comprometido
• Risco > de morte

CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO PESO AO NASCER

• Excessivamente grande ao nascer: ≥4500g


• Macrossomia: > 4000g
• Baixo peso ao nascer: 1501g a 2500g
• Muito baixo peso ao nascer: de 1001g a 1500g
• Extremo baixo peso ao nascer: ≤ 1000g

CLASSIFICACÃO DO RN EM RELACÁO A PESO E IDADE GESTACIONAL

• Importante indicador de morbimortalidade neonatal


• Curvas Lubchenco (1966), Alexander (1996) e Fenton (2010) Classificação:
• Pequeno para idade gestacional (PIG)
• Adequado para idade gestacional (AIG)
• Grande para idade gestacional (GIG)

CURVA DE LUBCHENCO CURVA DE FENTON

< 37 semanas 37-41 sem e 6 dias > 42 semanas

< PERCENTIL 10 prematuro/PIG A termo/PIG pós-termo/PIG

ENTRE 10-90 prematuro AIG A termo AIG pós-termo/AIG

>PERCENTIL 90 prematuro GIG a termo/GIG pós termo/GIG

PIG x Prematuro x Peso baixo GIG x Pós maturo x macrossômico •


Prematuridade: IG < 37 semanas • Pós-maturidade: IG > 42 semanas

• RNBP: peso de nascimento < 2500g • RN macrossômico: PN > 4000g

• RNMBP: peso de nascimento < 1500g • RN GIG: peso de nascimento acima do percentil
90, de acordo com a idade gestacional

• PIG: Peso de nascimento abaixo do percentil 10, de acordo com a idade gestacional
CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO

- Doenças vasculares maternas (HAS, DM, cardiopatias) - 35%

- Anomalias congênitas (PIG simétrico) - 10%

• Cardiopatias congênitas
• Malformações genito-urinárias
• Anormalidades do tubo digestivo
• Trissomias

- Infecções maternas (Rubéola, CMV)- < 5%


- Deficiência uterina - 1%
- Defeitos da placenta - 2%
- Drogas, medicamentos e fumo - 5%
- Variação normal - 10%
- Outras - 32%

CLASSIFICAÇAO DOS PIGS

Índice ponderal (IP) IP = Peso ao nascer X 100 /comprimento cabeça-calcanhar

Vantagem do uso: detectar RNs que não apresentam baixo peso (RN > 2500g)

• Simétrico: O peso, perímetro cefálico e comprimento estão abaixo do percentil 10; representa 33% dos PIG (IP normal)

• Assimétrico: o peso está abaixo do 10º percentil; perímetro cefálico e comprimento estão preservados, e equivalem a 55%
(IP mais baixo)

• Combinado: 12% do total, é menor, mais leve (baixo IP)

PROBLEMAS ASSOCIADOS AO PIG

• Hipóxia: asfixia neonatal, hipertensão pulmonar persistente, aspiração de mecônio


• Persistência de canal arterial
• Distúrbios respiratórios
• Dist. metabólicos: hipocalcemia e hipoglicemia (pequena reserva de glicogênio)

HIPOGLICEMIA

• Na maioria das vezes é assintomática!


• Abalos = sintoma mais comum
• Sintomas graves: apneia e convulsão
• Danos cerebrais em 50% dos RN sintomáticos (abalos e crises convulsivas)
• Desrregulação térmica: hipotermia
• Dist. hematológicos: hiperviscosidade, policitemia, leucopenia e trombocitopenia
> incidência de malformações congênitas
> mortalidade

PROGNÓSTICO PIG

• Neurológico: ruim nos RNs PIG simétricos, PIGs prematuros, nos PIGs com associação a cromossomopatias e infecções
congênitas (Rubéola e CMV)
• Crescimento pós-natal prejudicado
• Associação com doença plurimetabólica na vida adulta (Teoria de Barker)

CUIDADOS COM O RN PIG

• Sala de parto: hipotermia, asfixia neonatal e SAM


• Glicemia: 1, 2, 4, 6 (ou 1,3,6) horas de vida e depois a cada 6 horas
• Hematócrito: especialmente nos casos de RN PIG assimétrico e com hipoglicemia persistente
• Buscar associação com infecções congênitas, especialmente na ausência de doenças vasculares maternas
GIG MACROSSOMICO FILHO DE MAE DIABÉTICA

FATORES DE RISCO PARA O ALTO GANHO PONDERAL FETAL:

 Idade materna > 25 anos


 Ganho ponderal durante a gestação > 16 Kg
 IMC pré gravídico > 25
 Glicemia de jejum > 90 mg/dL
 História familiar de obesidade, Diabetes Mellitus ou Hipertensão Arterial Sistêmica
 História obstétrica: abortamentos, macrossomia fetal e multiparidade

GESTAÇAO DIABÉTICA

• Gestação: stress diabetogênico


• Não existe uma adequada adaptação dos níveis de glicemia maternos e fetais e há também aumento da transferência de
aas e lipídeos
• Hipertrofia das células β-pancreáticas  aumento de insulina e peptídeo-C em sangue de cordão
• Hiperinsulinismo fetal  aumento da lipogênese, síntese proteica e de glicogênio fetais, responsáveis pela macrossomia
fetal
• Diabetes gestacional ocorre em 1 a 5% das gestações, mas somente 0,2 a 0,3 % das gestações ocorre em mulheres
diabéticas;
• > associação com mortalidade materna e fetal e natimortalidade
• ADA e ACOG: Manter os níveis de glicemia de jejum maternos < 95 mg/dl e pós-prandial (1h) < 140 mg/dL
• Hipoglicemiantes orais são contra-indicados
• Complicações mais frequentes na gestação diabética: ITU, pielonefrites, DHEG, polidramnia e cetoacidose

RN FILHO DE MAE DIABÉTICA

• ‘Gigantes em pés de barro’ (Faquar e Pedersen, 1955)


• Quadro clínico clássico: obesidade, macrossomia, pletora, aumento de pilificação, visceromegalias (cardiomegalia,
hepatomegalia, aumento da adrenal)
• A gravidade das complicações está diretamente relacionada ao controle metabólico da gestante, intercorrências
maternas e a ocorrência de prematuridade
• Alta morbimortalidade

DIABETES GESTACIONAL/MALFORMAÇAO CONGENITA

• Cardíacas (TGV, CIV, coarctação da aorta)


• Esqueléticas (Síndrome de regressão caudal)
• SNC (defeitos de fechamento de tubo neural, anencefalia)
• TGI (hipoplasia de colón esquerdo)
• Renal (agenesia renal)
• Cromossomopatias (trissomia do 21)

PROBLEMAS ASSOCIADOS GIG/FMD

• Asfixia

• Distúrbios metabólicos: hipocalcemia; hipomagnesemia; hipoglicemia: 25 a 50%

COMPLICAÇÕES

• Distúrbios hematológicos: icterícia, policitemia, fenômenos trombóticos (trombose renal)

• Síndrome do desconforto respiratório (SDR)

• Taquipneia transitória do RN (TTRN)

• Miocardiopatia hipertrófica (hipertrofia de septo interventricular)

• Tocotraumatismo (parto vaginal)  alteração no crescimento, principalmente após a 30ª semana de gestação (P. abdominal >
P. torácico > P. cefálico)
TOCOTRAUMATISMOS

• fratura de úmero e clavícula


• hemorragias abdominais (lesão hepática, esplênica ou de supra-renal)
• cefalohematoma
• hemorragia subdural
• paralisia facial
• hemorragia ocular
• paralisia diafragmática (lesão de nervo frênico)
• lesão de plexo braquial

CUIDADOS INICIAIS

• Sala de parto
• Glicemia: 30’, 1h, 2h, 4h, 6h de vida e depois a cada 6 horas
• Hematócrito com 8 a 12 e 24 horas de vida

AULA 03- EXAME FÍSICO NO RN

Logo após após a assistência imediata

• Manter o RN em ambiente aquecido ( estabilização da temperatura )


• Observar ritmo respiratório, palidez, cianose, tremores, gemidos, hipo e hipertermia, malformações, tipo de choro, etc
• Vitamina K -1mg –IM (prevenção da doença hemorrágica)
• Nitrato de Prata 1%, 1 gota em cada olho (prevenção da gonococcia)
• Engerix B – 0,5 ml- IM (prevenção da hepatite Virus B)
• Peso, Comprimento, Perímetro cefálico e peso da placenta
• Classificar o RN e Placenta
• Estimar o risco de patologia
- RN PIG / GIG Fitas reagentes – glicemia
- Sorologia para infecção perinatal crônica ( RN PIG)
- Exame físico Completo
- Detectar anormalidades anatômicas
- Determinar o estado de saúde do RN
- Diminuir o máximo período de separação mãe – RN

ANAMNESE

- Identificação do RN- data, horário, tipo de parto...


- Histórico materno = Paridade, antecedentes maternos (uso de drogas, tabagismo, álcool), informes sobre gestações,
trabalho de parto e partos anteriores, intercorrências no pré-natal.
- Histórico familiar= Enfermidades atuais e significantes em membros da família, consangüinidade.
- Histórico Gestacional: Antecedentes Obstétricos, gestação atual (medicamentos e intercorrências)
- Histórico neonatal =Ocorrências no pré-parto e sala de parto, Observar Boletim de Apgar, necessidade de reanimação,
amamentação.

MEDIDAS AO NASCER

- Peso e Comprimento: RN deitado sobre a régua e a medida é feita do calcanhar à protuberância occipital
- Perímetro cefálico: deverá ser a maior medida da circunferência craniana. É cerca de 2 cm maior na apresentação
pélvica. Até 32 semanas é maior que o perímetro abdominal, de 32 a 36 semanas são aproximadamente iguais, e após 36
semanas será menor.

AO REALIZARMOS O EXAME FISICO DEVEMOS SEMPRE

Observar a iluminação e aquecimentos adequados com Inspeção cuidadosa do RN, avaliando sempre o estado geral, que é:

- fácies, atitude espontânea, postura e choro


- Coloração da pele : palidez, icterícia, cianose e pletora.
- Esforço respiratório : ritmo, profundidade, utilização de músculos acessórios, batimento de asa de nariz (BAN), sons
emitidos.
- Sinais vitais : temperatura, freqüência cardíaca, freqüência respiratória, pressão arterial.
PELE

- Textura, cianose, icterícia , palidez.


- Descamação fisiológica em pós maturos (pés e mãos)
- Nevos pigmentosus (mancha mongólica): região sacra.
- Petéquias e púrpuras : não desaparecem a digito-pressão e são tocotraumatismo, fragilidade capilar (infecção) e
plaquetopenia.
- Hemangioma: manchas vermelho-violáceas mais comumente observadas na nuca, região frontal e pálpebras superiores.
- Lanugem: 19ª a 20ª sem.e têm máxima aparição entre 27ª a 28ª semana de vida intra uterina.
- Superfície plantar: avaliam-se as rugas que se dirigem dos dedos para o calcanhar.

CRÂNIO

- Pode ocorrer micro, macro, hidro, e hidranencefalia


- Craniossinostose : fechamento precoce das suturas
- Céfalo-hematoma : consistência mais elástica, aparece em horas e desaparece em meses. Localização parietal.
- Bossa serossanguínea : cacifo positivo, limites imprecisos, involução rápida.
- Fontanelas: Abaulamentos estão presentes na meningite, hipertensão intracraniana, hemorragia intracraniana,
hidrocefalia, edema cerebral e insuficiência cardíaca congestiva.
- Crânio- tabes : consistência reduzida dos ossos cranianos. Lembra a uma bola de ping-pong.
- Capu Succedaneum: grande bossa + edema (capacete) Absorvível
- Encefalocele : exteriorização de tecido nervoso por defeito nos ossos crânio, mais comum a nível occipital.

Face: Observar simetria, aparência sindrômica, implantação das orelhas, distância entre os olhos (hiper ou hipotelorismo –
aumento ou diminuição da distância), tamanho do queixo, nariz e língua.

Olhos: Abrir as pálpebras e observar comissura palpebral, edema, catarata, pupila (midríase e miose - isocoria), hemorragia
subconjuntival (comum), estrabismo e nistagmo no RN, opacificação da córnea (glaucoma congênito, rubéola congênita),
secreção ocular: até 48 horas (credeização) e após, infecção.

Orelhas: Forma, tamanho, implantação, Acuidade auditiva (reflexo cocleo-palpebral), Papiloma pré-auricular (problemas
renais).

Nariz: Forma, tamanho, permeabilidade, canal nasolacrimal, secreção nasal (serossanguinolenta = sífilis congênita).

Boca: Coloração dos lábios, integridade (lábio leporino), palato (fenda palatina), língua, dentes congênitos, rânula (tumoração
cística no assoalho da boca, sem indicação de exéreses imediata), pérolas de Epstein (pontos brancos no palato calcificação),
úvula bífida. A posição da mandíbula (retrognatia) e o arqueamento do palato (ogival) dependem da não atividade motora na
vida intra-uterina da língua contra o palato e o relaxamento da mandíbula.

PESCOÇO

• Pesquisar massas, fístulas, mobilidade, excesso de pele.


• Torcicolo congênito: contratura do esternocleidomastóideo na segunda semana de vida.
• Teratoma cervical: grande tumoração cervical na parte mediana do pescoço. Possibilidade de malignização. Pode causar
obstrução respiratória
• Higroma cístico: tumoração de tamanho variado. Crescimento rápido. Invade o assoalho da boca, o mediastino a as
axilas. Pode causar obstrução respiratória.
• Bócio congênito:causa idiopática ou filho de mãe que recebe iodo na gestação.Pode levar a obstrução respiratória.
Tórax: Perímetro torácico em RN a termo é em média de 1 a 2cm menor que o cefálico. Simetria, maior dimensão é a antero-
posterior. Observar clavículas

Mamas: Verificar assimetria e distância intermamilar. Podem observar a presença de mamilos extranumerários.

EXAME CARDIOVASCULAR

 Inspeção: Cianose, padrão respiratório (taquipnéia, dispnéia, amplitude respiratória), abaulamento precordial, turgência
jugular, persistência do canal arterial (PCA).

 Palpação: pulsos nos quatro membros, comparação dos superiores com os inferiores (sincronia, ritmo e intensidade).

 Sopro: Identificar como sendo sistólico, diastólico ou contínuo - localização

EXAME PULMONAR

• Inspeção: Avaliar o padrão respiratório quanto à freqüência, amplitude dos movimentos, tiragem, estridor expiratório,
gemido.
• FR entre 40 e 60 irpm, sempre em 1 min
• Ausculta : deve ser bilateral e comparativa. Auscultar as regiões axilares. Avaliar a presença de roncos e diminuição do
murmúrio vesicular.

ABDOME

Inspeção:

• Coto umbilical
• observar a forma do abdome; escavado (hérnia diafragmática), se houver abaulamento supra umbilical (atresia duodenal
ou distensão gástrica), abaulamento infra-umbilical (distensão de bexiga e graves retardos de crescimento intra-
uterino / ), Distensão abdominal (enterocolite necrotizante/ asfixia), diástase de retos (mús. abdominais não se fecham)
• Onfalocele e onfalite. Ânus imperfurado.

Palpação : diastáse de músculos reto abdominais, ascite, fígado, baço, rins, bexiga e massas.

• Fígado e baço: distenção refere infecção congênita.


• Massas abdominais : origem genitourinárias.
• Ausculta : procurar ruídos hidroaéreos.

GENITÁLIA

• Masculina : comprimento do pênis, orifício uretral, prepúcio, testículos (na bolsa escrotal ou canal inguinal),presença de
hérnias e hidroceles (transiluminação).
• Feminina : tamanho do clitóris, fusão dos grandes lábios, orifício da vagina e uretra, distância anovulvar e fístulas. Quase
100% dos RN tem excesso de tecido himenal ao nascimento que desaparece em semanas.
• Genitália ambígua: anomalias anoretais

COLUNA

• Colocar RN em decúbito ventral e correr os dedos pela coluna.


• *Meningomielocele e mielocele: tumorações planas ou pedunculadas decorrentes de falha óssea no canal raquidiano
(espinha bífida).
• *Teratoma sacrococcígeo: tumorações redondas, de tamanho variado
podendo ser gigante.

MEMBROS

• Em decúbito dorsal. Simetria e proporções, examinar articulações à


procura de luxações.Observar: Fraturas e Paralisias.
• Problemas neurológicos devido: meningomielocele, espasticidade pré-
natal, anencefalia, hidranencefalia e holoprosencefalia.
• Podemos achar também: Pé torto congênito, Prega palmar única,
Osteocondrodisplasia (membros curtos), Luxação congênita do
quadril, Manobra de Ortolani (click).
URINA E FEZES

As causas mais comuns de incapacidade de urinar nas primeiras 24 h são: prepúcio imperfurado, estenose de uretra, bexiga
neurogênica, ureterocele, tumores renais, rins multicísticos, hipovolemia, baixa ingesta, agenesia renal bilateral (Síndrome de
Potter), necrose tubular (secundária a hipóxia), trombose de veia renal, síndrome nefrótica congênita e pielonefrite
congênita; 90% dos RN tem a primeira eliminação de mecônio nas primeiras 24 h de vida.

EXAME NEUROLOGICO

• O exame neurológico compreende a observação da atitude, reatividade, choro, tônus, movimentos e reflexos do recém-
nascido. Deve-se pesquisar os reflexos .
• VIABILIDADE : Local tranqüilo, iluminado, aquecida. O RN deve ter sido alimentado duas horas antes do exame, e
neste despido paulatinamente e devemos aproveitar as melhores oportunidades para a realização de manobras tranqüilas
ou vigorosas.
• Em UTI neonatais o exame sofre prejuízos, assim sua realização deve ser mais tranqüila e completas possíveis, evitando-
se conclusões errôneas.

OBSERVAÇAO DA ATITUDE E POSTURA

• Flexão generalizada e lateralização da cabeça,até o final do 1º- mês.


• Mov Espontâneo: Lentos sem sincronia, às vezes brusco, mais vivos nos MI.
• EMISSÃO DE SONS: Choro inarticulado até o final do 1º- mês. Relatar a intensidade.
• TONUS: Semiflexão generalizada.
• Reflexo de Moro ou abraço: é observável até ao 2º ou 3º mês e consiste numa resposta de abrir os braços, esticar os
dedos e pernas em resposta a um som intenso ou qualquer estímulo repentino e forte. Os braços retornam a uma posição
fletida como num abraço. Reflete à capacidade de alerta e permite observar a tonicidade muscular e a simetria da
resposta.
• Reflexo de sucção: vira a cabeça para o lado quando sua face for estimulada e suga qualquer objeto que for colocado em
sua boca.
• Reflexo de Procura ou pontos cardeais: bico do seio toca a região próxima a boca do bebê, o bebê vira a cabeça em
direção ao seio para poder introduzi-lo na boca e iniciar a sucção
• Reflexo de Deglutição: tornando-se mais voluntário a partir do quarto mês, quando vai se aprimorando um processo mais
coordenado com a sucção e a respiração.
• Reflexo de Magnus de Klein: quando viramos a cabeça do bebê para a esquerda, por exemplo, ele estende os membros
superior e inferior esquerdos. É também chamado de reflexo do espadachim.
• Reflexo de preensão palmar: ao colocarmos o dedo na palma da mão da criança, ela aperta.
• Reflexo de preensão plantar: ao estimularmos com o dedo a parte do pé da criança logo abaixo dos dedos, ela faz
preensão como se quisesse “pegar” com o pé.
• Reflexo cutâneo plantar em extensão: ao traçarmos um “risco” com o dedo ou com a ponta de um palito desde o
calcanhar da criança até os dedos, na face lateral da sola do pé, a criança estende os dedos, num movimento oposto ao da
preensão plantar. Quando cresce, a criança passa a ter o reflexo cutâneo plantar em flexão (sendo que o reflexo plantar
em extensão no adulto é chamado de reflexo de Babinski, representando uma lesão neurológica importante)
• Reflexo tônico assimétrico do pescoço: ao rodar a cabeça para um lado, a extensão dos músculos do pescoço origina a
flexão do braço e por vezes do joelho contrário. è frequentemente observado em repouso e desaparece ao fim do 2º-3º
mês. É considerado um reflexo postural e assimétrico.
• Reflexo de endireitamento da cabeça e do tronco: a rotação da cabeça provoca uma rotação no mesmo sentido do
tronco e vice-versa. É observável durante o primeiro ano de vida. É talvez importante para ações voluntárias como o
rodar sobre si próprio.
• Reflexo de marcha: Ao apoiar as superfícies plantares na posição de pé o RN esboça alguns movimentos semelhantes
com passos.
• Reflexo de Gallant: o estímulo no musculatura paravertebral promove um contratura muscular do mesmo lado.
• Reflexo de retirada: Em decúbito ventral, ao centralisar a cabeça do RN ocluindo suas vias aéreas, ele retira a cabeça,
desobistriundo as vias aéreas.
• Reflexo de fuga: quando a planta do pé é estimulada com um objeto agudo a perna correspondente flete, afastando o pé
do motivo de dor.
• Reflexos dos olhos: a presença de luz forte provoca o fechar dos olhos e a pupila muda de dimensões em ajustamento à
quantidade de luz ambiente.
• Reflexo de propulção: Em decúbito ventral pressionar as plantas do RN impulsionando o corpo para frente
FREQUENCIA RESPIRATORIA

• Prematuro: 50 irpm
• Lactente: 30-40 irpm
• 1 ano: 25-30 irpm
• Pré-escolar: 20-25 irpm
• 10 anos: 20 irpm

TEMPERATURA:

• ORAL: 35,80C-37,20C
• RETAL: 36,20C-380C
• AXILAR:35,90C-36,70C

MEDIDAS DOS VALORES DA PA

- 0-3 MESES: 75-50 MMHG - 5-7 ANOS: 95/60 MMHG


- 3-6 MESES: 85-65 MMHG - 7-9 ANOS: 95/60 MMHG
- 6-9 MESES: 90/70 MMHG - 9-11 ANOS: 100/60 MMHG
- 9-12 MESES: 90/70 MMHG - 11-13 ANOS:105/65 MMHG
- 1 - 3 ANOS: 90/65 MMHG - 13-14 ANOS: 110/70 MMHG
- 3-5 ANOS: 95/60 MMHG

AULA 04- ICTERICIA NEONATAL

INTRODUÇAO

Hiperbilirubinemia é o problema mais frequente no período neonatal, na maioria dos casos benigno. Estima-se que na 1ª
semana de vida muitos RN desenvolverão icterícia

DEFINIÇAO E ORIGEM DA BILIRRUBINA

Pigmento amarelo-alaranjado, produto da degradação da hemoglobina liberada dos eritrócitos apreendidos pelas células do
sistema retículo-endotelial. ▫ Oxidação do grupo heme e saída do ferro (hemoxigenase). ▫ Redução da biliverdina até
bilirrubina (biliverdina redutase).

ORIGEM DA BILIRRUBINA (85% FENOMENO HEMOLÍTICO)

SRE: Hemoglobina = heme + Ferro + globina  Biliverdina  Bilirrubina livre + Albumina plasmática  Hepatócito

CARACTERISTICAS DA ICTERICIA

• Mais visível quanto maior o tecido celular subcutâneo.


• Visível a partir de níveis ≥5mg/dl (zona I)
• Progressão crânio-caudal

ZONAS DE KRAMER

Efeitos nocivos da hiperbilirrubinemia indireta

• Lipossolúvel: toxocidade para o sistema nervoso central


• Kernicterus: Impregnação de BI no cérebro, provocando quadro clínico neurológico associado a níveis superiores a 20
mg/dL.
Encefalopatia bilirrubínica crônica (Kernicterus)

• Caracterizada por alterações extrapiramidais, alterações auditivas e visuais, deficiência mental, variando de leve a
moderada

• Comprometimento da fala, decorrente de lesões em estruturas cerebrais como corpos geniculados, núcleos da base,
hipocampo, cerebelo e núcleos dos pares cranianos

ETIOLOGIAS DE ICTERICIA

• DOENÇAS HEMOLÍTICAS ▫ ABO, Rh, Def G6PD, defeitos de membrana, hemoglobinopatias, infecções
• COLEÇÕES SANGUÍNEAS EXTRAVASCULARES ▫ Hemorragia intracraniana/pulmonar/gástrica, céfalohematoma,
hematomas e equimoses
• POLICITEMIA ▫ RN PIG, Filho de mãe diabética, transfusão feto-fetal e materno-fetal, clampeamento tardio ou
ordenha de cordão ‘
• CIRCULAÇÃO ÊNTERO-HEPÁTICA AUMENTADA ▫ Anomalias gastro-intestinais (obstrução, estenose hipertrófica),
jejum ou baixa oferta, falta do aleitamento
• DEFICIÊNCIA OU INIBIÇÃO DA CONJUGAÇÃO ▫ Sínd .de Crigler-Najar, Sind.de Gilbert, hipotireoidismo
congênito, icterícia pelo leite materno

ICTERICIA FISIOLOGICA

• Surge 48 a 72 h após o nascimento;


• Pico no terceiro dia;
• Desaparece ao final do sétimo dia;
• Ocasionalmente necessita de tratamento

ICTERICIA FISIOLÓGICA

Cinco condições que podem causar icterícia fisiológica:

• circulação hepática diminuída;


• carga de bilirrubina aumentada;
• captação hepática de bilirrubina plasmática reduzida;
• conjugação da bilirrubina diminuída;
• excreção de bilirrubina diminuída.

Fatores que podem acentuar a Icterícia fisiológica:

• Prematuridade
• Hematomas
• Cefalohematomas
• Policitemia
• Demora na eliminação de mecônio
• Aleitamento materno 
• Certos grupos étnicos (asiáticos, indígenas, gregos)

Características da Icterícia patológica

• Clinicamente detectável nas primeiras 24 horas de vida


• Concentração de bilirrubina > 5 mg%/dia
• Fração direta total > 2 mg%
• Nível sérico de BT > 15 mg%
• Icterícia por mais de 1 semana de duração (no RNT) ou >2 semanas (no RNPT)

Avaliar no RN ictérico:

• História obstétrica, drogas, clampeamento tardio;


• Grupo sanguíneo, fator Rh e Coombs da mãe (indireto) e do RN (direto);
• Eliminação de mecônio e diurese;
• Exame físico (hematomas, visceromegalias), petéquias, sinais de infecção;
• Horas de vida de aparecimento e progressão da icterícia;
• Peso do nascimento, perda de peso >10% aporte hídrico e calórico insuficiente;
• Verificar amamentação, frequência e pega;
• Colher BB total, e frações, microhematócrito e hemoglobina;
• Definir se fisiológica ou patológica.

TRATAMENTO DEPENDE DE:

• Nível de BB total
• Idade gestacional
• Horas de vida  SEMPRE tratar se ≤ 24h de vida
• Causa

FOTOTERAPIA

• É o tratamento mais utilizado


• Fotoisomerização e fotooxidação
• Torna a BI mais hidrossolúvel, sendo eliminada sem sofrer transformações metabólicas, pelo fígado ou pelo rim
• Indicações: Levar em consideração as causas, a idade pós-natal e a concentração de bilirrubina sérica, utilizando
gráficos de risco
• Tipo de luz (luz tipo azul proporciona queda mais rápida da bilirrubina que a luz branca)
• É necessária proteção ocular, controle hídrico, controle térmico e cuidado com pele
• Deve ser suspensa caso a bilirrubina direta exceda a 5 mg/dL ou caso seja > 20% da BT
• Os efeitos colaterais descritos são: rash, letargia, distensão abdominal, fezes esverdeadas e amolecidas, perda hídrica,
redução de 6% do débito cardíaco e plaquetopenia

Ao utilizar o gráfico, considerar Bilirrubina total e


fatores de risco:

• Doença hemolítica isoimune


• Asfixia
• Letargia
• Instabildade de temperatura
• Sepse
• Acidose
• Albumina < 3,0g se mensurada
• Deficiência de G6PD

FOTOTERAPIA CONVENCIONAL: 6 A 8 LAMPADAS FLUORESCENTES

• Azuis (30mcw/cm2 /nm)


• Brancas (9mcw/cm2 /nm)
• Azuis/brancas (12 mcw/cm2 /nm)
• Lâmpadas azuis especiais podem ficar de 10 a 15 cm de distância do bebê , o que produzirá uma irradiância média de até
35 µW/cm2 /nm

BILISPOT

• Irradiância 25mcw/cm2/nm
• Lâmpada de quartzo halógena
• RN peso < 2000g
• 45 a 50cm do bebê

BERÇO DE LUZ

• Sete lâmpadas fluorescentes


• Irradiância de 17 a 19mcw/cm2/nm
• Ideal para RN com peso > 2000g
COLCHAO DE LUZ FIBRA ÓPTICA

ACOMPANHAMENTO RN ICTÉRICO

• Novas coletas de sangue diárias, ou em intervalos menores


• Suspender a fototerapia por 12 a 24h
• Colher ‘rebote

Exsanguineotransfusão

• O objetivo principal da EXST é a remoção rápida os níveis tóxicos de bilirrubina


• Remove parcialmente hemácias hemolisadas (85% de todas as hemácias); anticorpos ligados ou não às hemácias;
bilirrubina plasmática.
• No final do procedimento o nível de bilirrubina deve ser metade do valor pré- exsanguíneotransfusão
• Indicação precoce nos casos em que ocorre aumento da hemólise

Exsanguíneo-transfusão: complicações

• Agudas (5-10%) ▫ Bradicardia transitória, apnéia ▫ Perfuração vascular ▫ Vasospasmo transitório ▫ Tromboembolismo ▫
Distúrbios hidroeletrolíticos, metabólicos e ácido básicos ▫ Enterocolite necrotizante ▫ Infecção ▫ Morte 0,3 em 100
• Tardias ▫ anemia ▫ colestase ▫ trombose da veia porta / hipertensão portal

Icterícia tardia: colestática

• Após a segunda semana de vida


• Início insidioso
• > 20% da BT composta por BD ou BD > 2mg/dl
• Principais causas: ▫ Hepatite neonatal ▫ Doenças do grupo TORCHS ▫ Atresia de vias biliares extra-hepáticas ▫ Tóxico

Na atresia de vias biliares, estabelecer diagnóstico antes de 8 semanas para intervenção cirúrgica (Kasai) oportuna,
prevenindo a evolução irreversível para cirrose biliar.

Hiperbilirrubinemia conjugada

Diagnóstico:

• História clínica
• Pré natal: sorologias maternas
• Ultrassonografia

AULA 05- REANIMAÇAO NEONATAL

O nascimento é o evento mais perigoso com o qual o ser humano se defronta durante toda a sua existência. É neste contexto
que as considerações serão colocadas, trazendo as renovações com embasamento científico para substituir as velhas práticas
(Guinsburg R, 2006)

MORTALIDADE INFANTIL NO MUNDO

• 3,6 milhões de mortes de < 5 anos a menos em 2013 que em 2000

• Em 1990, 37,4% desses óbitos foram neonatais, enquanto que em 2013, esse valor passou a 41,6%

• São 2,9 milhões de mortes neonatais ao ano: 1. Prematuridade (1milhão) 2. Eventos relacionados ao parto (0,7 milhão) 3.
Infecções (0,6 milhão)

No Brasil

• São 3 milhões de nascimentos ao ano

• Entre 1990 e 2013, a Meta de Desenvolvimento do Milênio nº4 foi atingida: redução em 78% das mortes em < 5 anos • Em
2013, a mortalidade neonatal foi 63% dos óbitos infantis

• 73% ocorridas entre 0 e 6 dias de vida, sendo 25 a 50% nas primeiras 24h

• 2/3 das mortes são preveníveis


Mortes preveníveis: neonatos ≥ 2500g sem anomalias congênitas

• Entre 2005 e 2010 no Brasil, ocorreram 5-6 mortes precoces por dia por causas associadas à asfixia perinatal, sendo duas
delas, em cada dia, decorrentes de síndrome de aspiração de mecônio.

• A maior parte dessas mortes aconteceu no primeiro dia de vida

Intervenções para reduzir a morbidade e a mortalidade neonatal associadas à asfixia perinatal e à síndrome de aspiração de
mecônio: 1. Medidas de prevenção primária, com melhora da saúde materna, reconhecimento de situações de risco no pré-
natal, disponibilização de recursos humanos capacitados para atender ao parto e reconhecer complicações obstétricas, entre
outras; 2. Tratamento do evento, que consiste na reanimação neonatal imediata; 3. Tratamento das complicações do processo
asfíxico, compreendendo o reconhecimento da asfixia e suas complicações, com terapia dirigida à insuficiência de múltiplos
órgãos.

International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR)

• The International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) foi formado em 1992 para fornecer um fórum para a ligação
entre as principais organizações de reanimação em todo o mundo

• Em 20/10/2015: Consenso em Ciência e Recomendações Terapêuticas do ILCOR, publicadas no Circulation, Resuscitation e


Pediatrics

Diretrizes da SBP 2016

• Em 25-26/11/2015: Reunião de Consenso para as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria, em São Paulo, com o
Grupo Executivo e as Coordenações Estaduais do PRN-SBP.

• Em 26/01/2016: Documento científico do Programa de Reanimação Neonatal da SBP

• Em 13/04/2016: Entrega do material para os instrutores no 6º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal, em Belo
Horizonte. Até lá, é importante continuar o ensino da reanimação neonatal com base nas condutas de 2011 e ênfase na
ventilação.

Reanimação Neonatal

 Fatores decisivos:

1) Previsão da necessidade de reanimação

2) Preparo do material e do pessoal adequados

O sucesso da reanimação depende da previsão, do reconhecimento imediato do RN que necessita ser reanimado e do início
rápido das manobras de reanimação

Uma reanimação demorada ou ineficaz pode aumentar o risco de lesões

AO NASCER: 4 PERGUNTAS

- Ausencia de meconio ?
- Gestaçao a termo ?
- Tonus bom ?
- Respirando ou chorando

CUIDADOS

- Recepcionar em campo

- Posicionar o RN no torax ou abdome materno, no nivel da placenta e cobrir com um pano aquecido

- Desprezar o 1 campo

- clampeamento do cordao com 1-3 minutos

Incentivar o Aleitamento Materno em Sala de Parto

Promover contato pele a pele


PASSOS INICIAIS

1) Prover calor : Após recepcionar o RN em campos estéreis e aquecidos, colocá-lo, na posição supina, com ligeiro céfalo-
declive, sob calor radiante
- Manter a temperatura na sala de parto em 26 graus
- Garantir o funcionamento da fonte de calor radiante
- Recepcionar o RN em campos aquecidos
- Envolver o RN em saco plastico poroso (30x50) sem secar o corpo
- Secar a cabeça e colocar touca
- Transportar em incubadora pré aquecida

Hipotermia

• Temperatura normal: 36,5º – 37,5º C


• Leve hipotermia: 36,0º – 36,5º C
• Moderada Hipotermia: 32,0º – 36,0º
• Severa hipotermia: < 32,0º C

2) Posicionar a cabeça: Posicionamento adequado do RN com leve extensão do pescoço (o uso de coxim é opcional)

3) Aspirar boca e nariz se necessário

4) Secar e desprezar os campos umidos

5) Reposicionar o RN

Nesta primeira etapa da reanimação devem ser gastos, no máximo 30 segundos

Percentis para saturação de RN pré termo saudáveis Percentis para saturação de RN a termo saudáveis

Obs: Em RN saudáveis, que respiram em ar ambiente, o processo de transição normal para alcanção a Sat O2 > 90% requer 5
minutos ou mais.

Clampeamento do cordão em RN ≥34 semanas

• Após o nascimento, RN começou a respirar ou chorar e o tônus muscular está em flexão clampear o cordão umbilical 1 a 3
minutos depois da sua extração completa da cavidade uterina, posicionando o bebê no abdomen ou tórax materno
• Benéfico com relação aos índices hematológicos na idade de 3 a 6 meses, embora possa elevar a necessidade de
fototerapia por hiperbilirrubinemia indireta na primeira semana de vida
• Após o clampeamento, deixar com a mãe e supervisionar respiração e FC
• RN respirando e ativo aguardar 30 a 60 segundos, colocando o bebê em contato com o corpo da mãe, no abdomen ou
tórax, secando e retirando os campos úmidos e cobrindo-o com campo estéril aquecido para evitar a hipotermia •
Clampeamento após 30 segundos resulta em < frequência de hemorragia intracraniana e enterocolite necrosante, além de
diminuir a necessidade de transfusões sanguíneas, embora se comprove a elevação da bilirrubinemia indireta, com
indicação de fototerapia
• Após clampeamento, levar à mesa de reanimação e introduzilo em saco plástico; cobrir a cabeça com touca
Ponto crítico da reanimação

• Ventilação adequada inflar os pulmões para dilatar a vasculatura pulmonar e promover hematose apropriada.

• Após os cuidados para manter a temperatura e a permeabilidade das vias aéreas do RN, a presença de apneia, respiração
irregular e/ou FC

AULA 06 – TRANSMISSAO VERTICAL DO VÍRUS HIV

Aspectos epidemiológicos da infecção pelo HIV em gestantes e crianças

• Último estudo em parturientes em 2010 observou-se uma prevalência de HIV em 0,38%  em 2012 = 12.177 gestantes
• A taxa de detecção de casos de HIV em gestantes no Brasil em 2012 correspondeu a 2,4 casos por 1.000 nascidos vivos.
A única região com uma taxa de detecção superior à média nacional foi a Região Sul, com 5,8 casos por 1.000 nascidos
vivos
• No Brasil foram notificados 656.701 casos de 1980 a junho de 2012 , com um total de 253.706 óbitos, até Dez 2011, em
todas as faixas etárias. Nesse período 17.539 em menores de 5 anos
• Quando não praticado o aleitamento materno, em 1/3 dos casos a transmissão vertical do HIV pode ocorrer durante a
gestação e em 2/3 dos casos durante o trabalho de parto. Na vigência de aleitamento materno, esse representa um risco
adicional de transmissão de 15% a 20%. Sem intervenções profiláticas, as taxas de transmissão vertical oscilam de 12%
a 42%.
• Em países com programas de prevenção bem sucedidos, a transmissão foi reduzida para menos de 2%, com a
implementação das seguintes medidas principais:
• Aconselhamento e triagem pré-natal
• Profilaxia antirretroviral
• Cesárea eletiva
• Suspensão do aleitamento materno

Avaliação laboratorial na gestante

• Identificação dos RNs de risco: Teste sorológico anti-HIV na 1ª consulta PN, no 3ºtrimestre e antes do parto
(preferência)
• Quando gestante HIV +: 1.
- 1ª consulta: CD4 e carga viral antes de iniciar a TARV (a profilaxia ARV deve ser iniciada a partir da 14ª semana de
gestação) 2.
- 24 a 28 semanas: CD4 e carga viral para readequar a TARV 3.
- 34 semanas: CD4 e carga viral para definir via de parto

Critérios para escolha da via de parto

>= 1000 COPIAS/ML >= 34 SEMANAS CESARIA ELETIVA (DESDE QUE EM DILATAÇAO DE ATE3-4CM)

< 1000 CÓPIAS/ML >= 34 SEMANAS INDICAÇAO OBSTÉTRICA

A carga viral elevada e a ruptura prolongada das membranas amnióticas são os principais fatores associados à transmissão
reconhecidos

Instituição da profilaxia antirretroviral (ARV) para a parturiente

Azidovudina EV no início do trabalho de parto (ou 3h antes se cesárea), 2mg/kg (1ªhora) seguida de infusão contínua de
1mg/kg/hora até a ligadura do cordão. I

Cuidados com RN de mães soropositivas

1. Cuidados na Sala de Parto 6. Monitoramento da toxicidade de drogas


2. Instituição da profilaxia antirretroviral (ARV) antirretrovirais usadas pela mãe e pelo RN durante a
3. Cuidados com a alimentação profilaxia da transmissão vertical pelo HIV
4. Notificação 7. Avaliação de coinfecções maternas
5. Planejamento do seguimento ambulatorial 8. Exames no RN
9. Testes diagnósticos de infecção pelo HIV
10. Vacinação
Cuidados na Sala de Parto

• Precauções básicas e universais pelos profissionais para evitar contaminação na manipulação de sangue e secreções: uso
de luvas, máscaras, óculos e aventais de proteção.
• O trabalho de parto e o parto são os momentos nos quais se transmite a maior parte das infecções pelo HIV da mãe para
o RN.
• A transmissão ocorre devido à exposição de mucosas do RN às partículas virais presentes no sangue e secreções
maternas
• EVITAR aspiração de boca, narinas ou vias aéreas deve ser evitada (se necessária, deve ser cuidadosa).
• Deglutição de sangue ou mecônio: lavagem gástrica cuidadosa (evitar traumas de mucosas tanto durante a passagem da
sonda gástrica quanto durante a aspiração).
• Banhar RN com água e sabão logo após o parto, assim que esteja estável. Medicações injetáveis somente após a remoção
de secreções maternas.
• Profilaxia com ARV para o RN: nas 12 primeiras horas de vida. Iniciar preferencialmente nas primeiras 2h de vida
• Caso a infecção materna seja diagnosticada entre 12 e 48 horas após o parto, a profilaxia deve ser iniciada

Cuidados com a alimentação do RN

• Teste rápido com o resultado até 30 minutos após o parto.

• Sem resultado do exame até a primeira mamada, avaliar:

-História e o risco de exposição da mãe ao HIV

-Riscos e benefícios da privação do aleitamento materno imediatamente após o parto -Riscos e benefícios do oferecimento
de outros leites que não o materno.

• O Ministério da Saúde do Brasil, por meio do Programa Nacional de DST/AIDS, disponibiliza fórmula infantil durante seis
meses para filhos de mães infectadas pelo HIV

Notificação

• É obrigatória a notificação de gestantes infectadas pelo HIV e de RN exposto à infecção materna.

Planejamento do seguimento ambulatorial

• Todo RN cuja mãe é infectada pelo HIV deve ser acompanhado em serviço preparado para realizar esse seguimento,
incluindo-se os testes para diagnóstico da infecção pelo HIV e coinfecções, além de testes complementares para
monitoramento de condições associadas.

• Especial atenção deve ser dada às condições sociais, psicológicas, de moradia e de saúde da mãe e familiares.

Monitoramento da toxicidade de drogas antirretrovirais usadas pela mãe e pelo RN durante a profilaxia da
transmissão vertical pelo HIV

• Principais efeitos colaterais dos ARVs:

1. Alterações hematológicas: anemia e neutropenia


2. Aumento do lactato sérico
3. Alterações de enzimas hepáticas

Outras condições possivelmente relacionadas ao uso dos ARVs pela gestante:

1. Prematuridade
2. Resistência à insulina
3. Malformações
4. Síndrome da morte súbita do lactente

Avaliação de coinfecções maternas

• Tuberculose • Citomegalovirose
• Toxoplasmose • Vírus herpes simples
• Sífilis • Infecção por HTLV-1
• Hepatite B e C
Exames no RN

• Hemograma completo
• Prova de função hepática
• Rastreio TORCH
• Glicemia
• Sorologia anti-HIV ELISA
• PCR para RNA viral no seguimento

AULA 07- SÍFILIS CONGENITA

INTRODUÇAO

• Grande problema de saúde pública no Brasil


• Doença de notificação compulsória incluída no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação)
• Apesar dos esforços, observa-se subnotificação perto de 50% dos casos estimados
• Taxa de mortalidade: 2,7 óbitos/100.000 em

TRANSMISSAO VERTICAL

• Das várias doenças que podem ser transmitidas durante o ciclo grávido puerperal, a sífilis é a que tem maiores taxas de
transmissão
• Transmissão do Treponema pallidum transplacentária pode ocorrer em qualquer fase da gestação ou estágio clínico da
doença da mãe
• A taxa da transmissão vertical do T. pallidum em mulheres não tratadas é de 70 a 100% nas fases primária e secundária
da doença, reduzindo-se para aproximadamente 30% nas fases tardias da infecção materna (latente tardia e terciária)
• Pode ocorrer transmissão direta do T. pallidum por meio do contato da criança pelo canal de parto com lesões genitais
maternas
• Durante o aleitamento a transmissão ocorrerá apenas se houver lesão mamária por sífilis

SÍFILIS EM GESTANTES

• Em 2008, o número de grávidas infectadas não chegou a 10 mil


• Já em 2013, houve 21.382 ocorrências (7,4 casos para cada mil nascidos vivos)
• No ano seguinte, informa o documento, “dados preliminares” dão conta de 28.226 diagnósticos, ou aproximadamente 9,7
para cada mil nascidos vivos
• No Brasil, a taxa de soropositividade em mulheres em idade fértil tem níveis mais elevados em grupos de maior risco, de
baixo nível sócio econômico e acesso mais complexo à educação e aos serviços de saúde
• Aborto espontâneo, natimortalidade ou morte perinatal em aproximadamente 40% das crianças infectadas a partir de
mães não-tratadas;
• Quando a mulher adquire sífílis durante a gravidez, poderá haver infecção assintomática ou sintomática nos recém-
nascidos;
• Mais de 50% das crianças infectadas são assintomáticas ao nascimento, com surgimento dos primeiros sintomas,
geralmente, nos primeiros 3 meses de vida

SÍFILIS CONGENITA

• Em 2008, foram pouco mais de cinco mil registros em bebês com menos de 1 ano de idade.
• Em 2013, foram 13.704 mil casos (4,7 para cada mil nascidos vivos)
• No ano seguinte, houve 16.266 ocorrências (5,6 para cada mil nascidos vivos)
• É um crescimento de mais de mais de três vezes em seis anos
• A previsão é de mais de 22 mil novos casos de sífilis congênita em 2016

DESABASTECIMENTO

Cerca de 60% dos estados brasileiros relataram, em janeiro, desabastecimento de penicilina benzatina, usada nos estágios
iniciais da sífilis

Além disso, todas as unidades da federação informaram problemas no abastecimento de penicilina cristalina, empregada em
casos de sífilis congênita ou em estágios avançados
CLASSIFICAÇAO

 PRECOCE: < 2 ANOS


 TARDIA: > 2 ANOS

CLÍNICA

• Prematuridade
• Baixo peso ao nascer
• Sofrimento respiratório com ou sem pneumonia
• Rinite sero-sanguinolenta
• Hepatomegalia com ou sem esplenomegalia
• Lesões cutâneas (pênfigo palmo-plantar, condiloma plano)
• Icterícia, anemia e linfadenopatia generalizada (principalmente epitroclear)
• Outras características clínicas incluem: petéquias, púrpura, fissura peribucal, síndrome nefrótica, hidropsia, edema,
convulsão e meningite

RAIO X DE OSSOS LONGOS

• Envolvimento de metáfise e diáfise de ossos longos (tíbia, fêmur e úmero) são encontradas em 75% a 100% das crianças;
• Evidências clínicas (incluindo osteocondrite, osteíte e periostite) de sífilis congênita recente;
• Em 4% a 20% dos recém-nascidos assintomáticos infectados, as imagens radiológicas representam a única alteração.
• Periostite ou osteíte ou osteocondrite (com alterações características no estudo radiológico)
• Pseudoparalisia dos membros (Parrot)

NEUROSÍFILIS

• Frequência de 15% de alterações neurológicas;


• Caso não haja contra-indicações, recomenda-se realizar punção lombar em todos os casos de sífilis em crianças;
• Não se recomenda o uso do RPR no LCR;

ALTERAÇOES LABORATORIAIS

• Anemia
• Trombocitopenia
• Leucocitose (pode ocorrer reação leucemóide, linfocitose e monocitose)
• Leucopenia
a) Pesquisa do T. Pallidum : Do ponto de vista técnico, o diagnóstico definitivo de sífilis congênita pode ser
estabelecido por meio da aplicação da pesquisa direta da espiroqueta (microscopia de campo escuro ou
imunofluorescência direta), além de estudos histopatológicos, portanto, devem ser realizados, sempre que possível
b) Testes Sorológicos
- Testes não-treponêmicos (VDRL, RPR)
- Testes treponêmicos (TPHA, FTA-Abs, ELISA) – alta especificidade

DIAGNÓSTICO

O ideal é que seja realizado de rotina o teste confirmatório treponêmico na gestante a partir de todo teste não-treponêmico
reagente (a partir de títulos de 1:1 o teste não-treponêmico é considerado reagente)

• A fração IgM do FTA-Abs pode permanecer positiva por tempo indeterminado

Testes de triagem sorológica com alta sensibilidade

• Falso-positivos: reações cruzadas com outras infecções treponêmicas ou outras doenças tais como lupus, artrite
reumatóide, hanseníase entre outras

• Falso-negativos: pelo excesso de anticorpos, fenômeno conhecido como efeito prozona (títulos muito elevados de Ac que
não permitem aglutinação)

O diagnóstico de sífilis e de outras doenças de transmissão sexual, em qualquer período da gestação, indica avaliação
sistemática da infecção pelo HIV e de outras DST em razão do maior risco relacionado a estas co-infecções.
TRATAMENTO ADEQUADO NA GESTANTE

É todo tratamento completo feito com penicilina e finalizado pelo menos 30 dias antes do parto, tendo sido o parceiro
tratado concomitantemente

TRATAMENTO INADEQUADO NA GESTANTE

• É todo tratamento realizado com qualquer medicamento que não seja a penicilina; ou
• Tratamento incompleto, mesmo tendo sido feito com penicilina; ou
• Tratamento inadequado para a fase clínica da doença; ou
• Instituição de tratamento dentro do prazo dos 30 dias anteriores ao parto; ou...
• Ausência de documentação de tratamento anterior; ou
• Ausência de queda dos títulos (sorologia não treponêmica) após tratamento adequado; ou
• Parceiro não tratado ou tratado inadequadamente ou quando não se tem a informação disponível sobre o seu tratamento.

MANEJO DO RN

• Realizar VDRL em amostra de sangue periférico de todos os recém-nascidos cujas mães apresentaram VDRL reagente na
gestação, ou no parto, ou em caso de suspeita clínica de sífilis congênita.
• O sangue do cordão umbilical não deve ser utilizado para fins de diagnóstico sorológico devido à presença de sangue
materno e ocorrência de atividade hemolítica, o que pode determinar resultados falsos.
• Realizar radiografia de ossos longos, hemograma e análise do LCR em todos RN com VDRL reagente ou suspeita clínica de
sífilis congênita ou ausência de tratamento materno adequado
• Tratamento imediato dos casos detectados de sífilis congênita e sífilis materna, incluindo a parceria sexual

TRATAMENTO DO RN

A - Nos recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, independentemente do resultado do
VDRL do recém-nascido, realizar: hemograma, radiografia de ossos longos, punção lombar (na impossibilidade de realizar este
exame, tratar o caso como neurossífilis), e outros exames, quando clinicamente indicados. De acordo com a avaliação clínica e
de exames complementares:

A1 - se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas e/ou hematológicas, o tratamento deverá ser feito com
penicilina G cristalina na dose de 50.000 UI/Kg/dose, por via endovenosa, a cada 12 horas (nos primeiros 7 dias de vida) e a
cada 8 horas (após 7 dias de vida), durante 10 dias; ou penicilina G procaína 50.000 UI/Kg, dose única diária, IM, durante 10
dias;

A2 - se houver alteração liquórica, o tratamento deverá ser feito com penicilina G cristalina, na dose de 50.000 UI/Kg/dose,
por via endovenosa, a cada 12 horas (nos primeiros 7 dias de vida) e a cada 8 horas (após 7 dias de vida), durante 10 dias;

A3 - se não houver alterações clínicas, radiológicas, hematológicas e/ou liquóricas, e a sorologia for negativa, deve-se
proceder o tratamento com penicilina G benzatina por via intramuscular na dose única de 50.000 UI/Kg. O acompanhamento
é obrigatório, incluindo o seguimento com VDRL sérico após conclusão do tratamento (ver seguimento, adiante). Sendo
impossível garantir o acompanhamento, o recém-nascido deverá ser tratado com o esquema A1.

B - Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas: realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém-
nascido; se este for reagente com titulação maior do que a materna, e/ou na presença de alterações clínicas, realizar
hemograma, radiografia de ossos longos e análise do LCR:

B1 - se houver alterações clínicas e/ou radiológicas, e/ou hematológica sem alterações liquóricas, o tratamento deverá ser
feito como em A1;

B2 - se houver alteração liquórica, o tratamento deverá ser feito como em A2.

C – Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas: realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém-
nascido:

C1 - se for assintomático e o VDRL não for reagente proceder apenas ao seguimento clínico-laboratorial. Na impossibilidade
de garantir o seguimento deve-se proceder o tratamento com penicilina G benzatina, IM, na dose única de 50.000 UI/Kg.

C2 - se for assintomático e tiver o VDRL reagente, com título igual ou menor que o materno acompanhar clinicamente (ver
Seguimento). Na impossibilidade do seguimento clínico, investigar e tratar como A1(sem alterações de LCR) ou A2 (se houver
alterações no LCR).
SEGUIMENTO

• Consultas ambulatoriais mensais até o 6o mês de vida e bimensais do 6º ao 12º mês;


• Realizar VDRL com 1 mês, 3, 6, 12 e 18 meses de idade, interrompendo o seguimento com dois exames consecutivos de
VDRL negativos;
• Realizar TPHA ou FTA-Abs para sífilis após os 18 meses de idade para a confirmação do caso;
• Caso sejam observados sinais clínicos compatíveis com a infecção treponêmica congênita, deve-se proceder à repetição
dos exames sorológicos, ainda que não esteja no momento previsto acima;
• Diante de elevação do título sorológico ou da sua não negativação até os 18 meses de idade, reinvestigar o paciente e
proceder ao tratamento;
• Recomenda-se o acompanhamento oftalmológico, neurológico e audiológico semestral por dois anos;
• Nos casos em que o LCR mostrou-se alterado, deve ser realizada uma reavaliação liquórica a cada 6 meses até a
normalização do mesmo; alterações persistentes indicam avaliação clínico-laboratorial completa e retratamento;
• Nos casos de crianças tratadas de forma inadequada, na dose e/ou tempo do tratamento preconizado, deve-se convocar
a criança para reavaliação clínico-laboratorial, e reiniciar o tratamento da criança, obedecendo aos esquemas
anteriormente descritos.

OBSERVAÇOES

• No caso de interrupção do tratamento por mais de 1 dia, este deverá ser reiniciado no esquema preconizado;
• Em relação às ações de biossegurança, são recomendadas as precauções-padrão de contato para todos os casos de sífilis
congênita por até 24 horas após o início do tratamento com a penicilina;
• Os dados da literatura científica nacional e internacional, disponíveis até o momento, não permitem a recomendação de
uso de outro antimicrobiano. Um curso de 10 dias de penicilina por via parenteral deve ser realizado, mesmo quando
ampicilina é inicialmente prescrita para o tratamento de sepse;
• Em todas as crianças incluídas como caso de sífilis congênita deverão ser realizados exames neurológico, of talmológico
(fundo de olho) e audiológico.

AULA 08 – PREMATURIDADE

DEFINIÇÃO

• Parto entre a 22ª e a 37ª semana de gestação

RISCOS

• ↑ Morbidade e mortalidade neonatal


• Disfunção em qualquer órgão ou sistema corporal
• Principal causa direta de mortalidade infantil

CAUSAS:

• Aparelho genital feminino • Infecções maternas


• Alterações placentárias (placenta prévia e DPP) • Sangramento vaginal no 2º trimestre
• Excesso de líquido amniótico • Primiparidade
• Idade materna < 21 anos ou >36 anos • Gemelaridade
• Baixo nível sócio-econômico • Doença materna (DHEG e Diabetes)
• Antecedente de parto pré termo • Desconhecida (maioria)
• Altura materna < 1,52m

CLASSIFICAÇÃO:

• Espontânea
• Eletiva: risco materno-fetal

Morbidade neonatal > entre os prematuros eletivos (síndrome do desconforto respiratório, broncodisplasia e hipoglicemia)
Com 1 ano de vida: > incidência de doença pulmonar crônica e menor potencial de crescimento

CRESCIMENTO

• Prematuros extremos (< 28 semanas) são privados de um período crítico de crescimento intra-uterino acelerado (o 3º
trimestre de gestação)
• Estes prematuros apresentam ↑ morbidade neonatal  ↑ dos gastos energéticos e das necessidades nutricionais + sérias
restrições na oferta e/ou aproveitamento dos nutrientes

• Geralmente recuperam o peso de nascimento em torno da 3ª semana de vida e depois evoluem com velocidade de
crescimento semelhante à da vida intra-uterina

• Composição corporal não alcança a de um feto de mesma idade pós-concepcional

• Na alta hospitalar, seus parâmetros antropométricos encontram-se < P10 nas curvas de crescimento intra-uterino, podendo
alterar o potencial de crescimento ósseo.

MORBIDADE

• > risco de adaptação à vida extra-uterina, decorrente principalmente da imaturidade anátomo-fisiológica.

• A morbidade está diretamente relacionada aos distúrbios respiratórios e às complicações infecciosas e neurológicas.

• Principais alterações patológicas: anemias, infecção urinária, baixo índice de Apgar e alterações placentárias

IDADE CRONOLÓGICA X IDADE CORRIGIDA

• Idade cronológica: idade real do bebê, tempo de vida depois do nascimento.

• Idade gestacional corrigida: idade gestacional ao nascer ajustada ao tempo transcorrido após o nascimento (soma-se 1 dia a
cada dia que passa)

IDADE CORRIGIDA

POR QUÊ?

• Para avaliar de forma mais adequada o desenvolvimento físico, intelectual e comportamental do prematuro, que poderá ser
diferente do padrão típico de um bebê que nasceu de 40 semanas

ATÉ QUANDO?

• Não há um consenso, mas pode-se usar até ± 2 anos de idade


• Prematuros de extremo baixo peso (< 1kg) e < 28 semanas » corrigir a idade até os 3 anos
• PC » até 18 meses de vida
• Peso » até 24 meses
• Comprimento/altura » até 3 anos e 6 meses

CONTROLE TÉRMICO

• Mecanismos maternos mantêm a temperatura intra-uterina


• O ambiente intrauterino é termoestável e o controle térmico fetal é dependente da mãe
• Apenas 15% é eliminado pela pele fetal para o líquido amniótico e deste para a parede uterina
• A temperatura fetal é 0,5 a 1,0 ºC maior que a da mãe
• O organismo materno é um reservatório de calor para o feto
• O calor fetal é eliminado predominantemente (85%) pela circulação placentária
• Após o nascimento, os recém-nascidos precisam adaptar-se ao ambiente relativamente frio pela produção metabólica de
calor, pois são incapazes de gerar uma resposta adequada por meio de calafrios.
• Gordura marrom está presente em bebês acima de 25 semanas de IG, porém sua atividade metabólica é muito reduzida
antes das 32 semanas.
• A termogênese química é fortemente influenciada pelo grau de oxigenação e está bastante diminuída em RN pequenos
para a idade gestacional.

AUMENTO DA PERDA DE CALOR

• Maior área de superfície corporal


• Epiderme não queratinizada
• Mais água extracelular (> evaporação)
• < quantidade de tecido subcutâneo
• < capacidade de vasoconstrição
• Baixa temperatura ambiental
DIMINUIÇAO DA PRODUÇAO DE CALOR

• < estoque de gordura marrom


• < resposta termogênica por hipoxia, restrição do crescimento intrauterino e doenças
• < mobilização de noradrenalina e ácidos graxos livres
• Consumo de O2 limitado por problemas pulmonares

1) HIPOTERMIA/CLASSIFICAÇAO
1. Leve: entre 36,0 e 36,4°C 2.
2. Moderada: entre 32,0 e 35,9°C 3.
3. Grave: < 32,0°C
OMS: Temperatura normal do RN de 36,5 a 37°C • Deve-se manter temperatura ambiente mínima de 25ºC

FATORES DE RISCO NO RN: Idade gestacional, Peso de nascimento, Asfixia, Sepse

FATORES DE RISCO AMBIENTAIS: Baixa temperatura na sala de parto, Transporte neonatal, Controle inadequado do
ambiente térmico

PREVENÇAO

• Manter a temperatura da sala de parto maior ou igual a 26°C


• Ligar a fonte de calor radiante antes do nascimento e preaquecer os campos.
• Recepcionar o RN em campos aquecidos e colocá-lo sob calor radiante.
• Secar e remover os campos úmidos

BARREIRAS CONTRA PERDA DE CALOR: Gorro de algodão, Cobertura oclusiva com filme de polietileno, polivinil ou
poliuretano, Uso de saco plástico

FONTE EXTERNA DE CALOR: UCR, Contato pele a pele, Uso de colchão térmico

MONITORIZAÇAO DA TEMPERATURA

• A temperatura central pode ser obtida de forma intermitente por via axilar ou contínua por meio de sensor abdominal.

• A temperatura periférica pode ser aferida nos membros.

• A monitorização contínua da temperatura central e da periférica pode detectar o estresse do frio antes que ocorra
diminuição da temperatura central, pois a temperatura periférica diminui primeiro.

HIPOTERMIA AGUDA

vasoconstricção periférica  metabolismo anaeróbio  acidose metabólica  constrição de vasos pulmonares  hipóxia,
metabolismo anaeróbio e acidose adicionais

HIPOTERMIA ALTERAÇOES FISIOLÓGICAS

• Diminuição da produção de surfactante


• Aumento do consumo de oxigênio
• Acidose metabólica
• Hipoglicemia
• Diminuição do débito cardíaco
• Aumento da resistência vascular periférica

HIPOTERMIA QUADRO CLÍNICO

• Sucção débil • Quedas na saturação de O2


• Hipotonia • Acidose
• Letargia • Vasoconstrição (pele de coloração vermelho brilhante
• Taquipneia ou apneia por falha na dissociação da oxihemoglobina)
• Taquicardia ou bradicardia • Edema ou escleredema (devido a alteração na
• Tremores permeabilidade capilar)
Alterações se mantida por períodos prolongados

• Dificuldade de adaptação à vida extra-uterina • Insuficiência renal


• Hipoxia • Enterocolite necrosante
• Desconforto respiratório • Hemorragia peri-ventricular
• Dificuldade em ganhar peso • Morte
• Distúrbio de coagulação

CUIDADOS ADICIONAIS

• Manutenção da integridade da pele


• Cuidado na assistência ventilatória
• Fototerapia
• Preaquecimento dos fluidos para infusão intravenosa
• Cuidados em berço comum
• Posição Canguru

POSIÇAO DO CANGURU

• 1979- Implementação por dois médicos no Instituto Materno Infantil de Bogotá (Colômbia).
• 1992- Início da implementação no Brasil, em São Paulo e em Recife.
• É definido pelo contato pele a pele da mãe com o bebê.
• Deve ser PRECOCE, PROLONGADO e CONTÍNUO até que o bebê complete em torno de 40 semanas de idade
gestacional.

Vantagens:

• Aumento do vínculo mãe e filho


• Menor tempo de separação
• Estímulo ao aleitamento materno
• Melhor controle térmico
• Menor tempo de permanência hospitalar
• Maior competência e confiança dos pais no manuseio de seu filho

Critérios de inclusao:

• RNs com peso < 2000g


• Idade gestacional de 27 a 36 semanas
• Condições clínicas estáveis, com capacidade de manter a temperatura corporal entre 36 e 37°C no contato pele a pele
• Mães/pais com desejo, condições familiares e que não possuam doenças infecciosas

Etapas:

• 1ª Etapa: o RN é mantido na UTI Neonatal, devendo ser estimulado o livre acesso dos pais.
• 2ª Etapa: O RN estabilizado poderá ficar com o acompanhamento contínuo de sua mãe, permanecendo em enfermaria
conjunta, onde a posição canguru será realizada pelo maior tempo possível.
• 3ª Etapa: Consiste no adequado acompanhamento da criança no ambulatório após a alta: onde deve ser realizado o exame
físico completo da criança e a avaliação do equilíbrio psicoafetivo entre criança e a família.

2) HIPERTERMIA

• DEFINIÇÃO: temperatura corporal acima de 37,5ºC

• CAUSAS:

- Condições associadas com febre materna: anestesia peridural, corioamnionite, ITU


- Condições do RN: infecção, desidratação, disfunção do SNC, medicações
- Condições ambientais propiciando superaquecimento: ambiente muito quente, falha no servo-controle da UCR ou
incubadora, ou falha nos alarmes
EFEITOS

• O aumento na temperatura corporal nos primeiros 15 minutos após um episódio isquêmico piora a lesão cerebral na fase de
reperfusão pós-isquemia, devido à liberação de radicais livres e neurotransmissores excitatórios, que aceleram a proteólise.

• Febre materna no momento do parto está associada a maior ocorrência de depressão neonatal, convulsão e pior prognóstico,
incluindo aumento no risco de encefalopatia e paralisia cerebral de causa não explicada

3) PERSISTENCIA DO CANAL ARTERIAL

CANAL ARTERIAL – vaso que conecta a artéria pulmonar à aorta, sendo responsável na vida fetal por cerca de 60-70% do
fluxo sanguíneo fetal da artéria pulmonar para a aorta descendente.

• Sua patência no feto se deve ao fluxo sanguíneo intenso e à presença de prostaglandina E2 (PGE2).
• Fechamento pós-natal funcional (RN a termo)  12 a 15 horas de vida
• Fechamento pós-natal permanente  5 a 7 dias (até o 21º dia).
• Em geral até o 3º dia o canal fecha espontaneamente em praticamente todos os RN a termo. • RN prematuro  canal
arterial permanece aberto por um período mais prolongado, e a frequência da PCA é proporcionalmente maior quanto
mais imaturo for o RN
• PCA 50 a 70% dos prematuros com idade gestacional < 30 semanas

CLINICA

• A PCA geralmente acarreta alterações hemodinâmicas significativas nas circulações sistêmica e pulmonar do prematuro
desde os primeiros dias de vida. Quanto maior o diâmetro do canal, menor o fluxo sanguíneo sistêmico e maior o
pulmonar. Os principais sintomas são:
• Sopro cardíaco* (mais intenso em foco pulmonar, irradiando para o dorso);
• Taquicardia;
• Precórdio hiperdinâmico;
• Aumento da amplitude do pulso (central e periférico);
• Deterioração do quadro respiratório.

DIAGNÓSTICO

• ECOCARDIOGRAMA  exame de escolha. Deve ser realizado entre o 1º e o 3º dia de vida nos RNs < 30 semanas. PCA
de grande calibre = diâmetro (medido na extremidade pulmonar do canal) > 2 mm ou > 1,5 mm/kg de peso. Exames
complementares:
• RX tórax - pode ser útil para avaliar o grau de hipervolemia e edema pulmonar
• Eletrocardiograma (ECG) - não é importante para o diagnóstico.

TRATAMENTO/INDICAÇOES

• IG < 32 sem com PCA com repercussão hemodinâmica

• PCA de grande calibre, mesmo sem sinais clínicos

MEDIDAS GERAIS

• Suporte ventilatório
• Restrição da oferta hídrica drogas vasoativas (dopamina, dobutamina), se houver insuficiência cardíaca.
• Diuréticos, com moderação

FARMACOLÓGICO

• Inibidores da Ciclooxigenase: Indometacina e Ibuprofeno (paracetamol em estudo)


• Via de administração = Endovenosa (ou VO)
• Em geral, pode-se realizar até dois ciclos de tratamento, sendo as chances de sucesso menor no segundo ciclo.

CIRÚRGICO

• Insucesso no tratamento farmacológico;

• Impossibilidade de realizá-lo
COMPLICAÇOES

Devido à instabilidade hemodinâmica causada pela diminuição do fluxo sanguíneo sistêmico e aumento do fluxo pulmonar, pode
haver: Hemorragia pulmonar; Insuficiência cardíaca ; Displasia broncopulmonar ; Enterocolite necrosante

4) ENTEROCLOITE NECROZANTE

CONCEITO

• Enterocolite necrosante é uma emergência e uma das principais causas gastrintestinais de mortalidade na população
neonatal (BRAGA et al., 2012).

• Síndrome clínico-patológica que apresenta necrose de coagulação e inflamação idiopática do intestino.

• No caso de ser grave, uma porção do intestino pode necrosar, ocasionando perfuração intestinal e inflamação do peritônio.

EPIDEMIOLOGIA

• A enterocolite necrosante ou necrotizante, ECN ou também chamada de NEC acomete de 0,1 a 0,7% dos nascidos vivos e
cerca de 7% dos bebês internados em UTI Neonatal.

• Além disso, ocorre em cerca de 5 a 8% dos bebês nascidos com muito baixo peso (abaixo de 1,5kg).

ETIOLOGIA

• Principalmente prematuros
• Problemas de irrigação sanguínea intestinal causados por um inadequado crescimento intra-uterino: falta de muco
protetor facilitando a colonização por bactérias patogênicas como Escherichia coli, Klebsiella, Salmonella,
Sthaphylococcus epidermidis
• Invasão da parede intestinal danificada com produção de gás
• Geralmente atinge íleo ou cólon ascendente.
• Perfuração: os conteúdos intestinais podem invadir a cavidade abdominal levando à peritonite. Esta pode se estender à
corrente sanguínea causando sepse e morte.
• Predisposição genética.

FATOR DE RISCO

• Hipoxia perinatal • Cateterismo umbilical


• Hemorragia materna antecedendo o parto • Utilização materna de cocaína
• Ruptura de bolsa maior que 36 h • Policitemia
• Peso ao nascimento menor que 1000gr • Doença de membrana hialina
• Hipotensão • Hipotermia
Outros fatores: alimentação enteral (rara em não alimentados), progressão rápida da dieta (> 20ml/kg/dia), substâncias
hiperosmolares na luz intestinal (aminoilina, indometacina, dexametasona, furosemida, digoxina, fenobarbital, gluconato de
cálcio, vitaminas D e E, e sulfato ferroso), transfusão de concentrado de hemácias.

QUADRO CLÍNICO

• Manifestações intestinais: intolerância alimentar, distensão abdominal, vômitos, resíduo gástrico, alteração do hábito
intestinal, íleo paralítico,peritonite, celulite da parede abdominal, enterorragia.
• Manifestações sistêmicas: letargia, recusa alimentar, instabilidade térmica, eu/hiperglicemia, apneia, hipotensão
arterial, choque, acidose metabólica, desconforto respiratório, insuficiênciarespiratória, coagulação intravascular
disseminada, insuficiência renal e hepática, falência de múltiplos órgãos.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

• Raios-X (RX) Abdome: edema de alças, alça sentinela, pneumatose intestinal, pneumoperitônio, gás em veia porta. Se
pneumatose intestinal ou gás em veia porta, repetir RX a cada 6 a 8 horas.
• RX abdome em supino, e nos casos de suspeita de pneumoperitônio, em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais.
• Ultrassonografia Abdominal: útil na presença de achados clínicos e radiológicos inespecíficos.
PREVENÇÃO

- Utilizar o leite materno. Iniciar alimentação com dieta enteral mínima. Evitar aumentos no volume da dieta superiores a
20ml/kg/dia;

- Medidas de controle de infecção hospitalar.

5) HEMORRAGIA INTRACRANIANA
• Localização: 1)-na região extracerebral dentro dos espaços epidural,subdural ou subaracnóide; 2) nos parênquimas
cerebrais e no cerebelo; ou 3) nos ventrículos cerebrais, matriz germinal subependimária ou plexo coróide.
• Ocorre por imaturidade das estruturas cerebrais, especialmente nas zonas onde ocorre a proliferação celular e vascular
do cérebro (matriz germinal).
• Ocorre em 20% a 40% de RNs com peso < 1500g ao nascer.
• Graus I, II, III e IV
• Diagnóstico por USTF
• Prognóstico neurológico

FATORES DE RISCO

• Baixa IG • Hipotensão
• Baixo peso de nascimento • Apneia
• Falta de administração pré-natal de corticoides • Pneumotórax
• Via de parto vaginal • Doença da membrana hialina
• Baixo índice de Apgar de primeiro e quinto minuto • Persistência do canal arterial
• Necessidade de ventilação mecânica • Uso de dopamina
• Administração de derivados sanguíneos • Surfactante
• Presença de sepse neonata • Altos números de aspiração endotraqueal

6) DOENÇA METABÓLICA ÓSSEA

• A DMO pode se apresentar como osteopenia em grande parte dos RN de risco, particularmente naqueles com idade
gestacional < 32 semanas.
• A incidência é maior em prematuros com peso ao nascer abaixo de 1000g e naqueles com peso abaixo de 1500g.
• A ocorrência de fraturas foi descrita em 24% dos casos, quando não se utilizam fórmulas ou suplementos com elevado
conteúdo mineral.

ETIOLOGIA

• O fator principal para o desenvolvimento da DMO é a presença de estoques baixos de minerais em RN prematuros ao
nascimento.

• Fatores de risco relacionados:

- muito baixo peso ao nascer


- restrição de crescimento intra- uterino
- uso prolongado de nutrição parenteral
- uso de diuréticos e corticosteróides (levam a perda renal de cálcio)

• Retardo na introdução da alimentação; Baixa oferta mineral na dieta

• Longos períodos de imobilização- hospitalização prolongada dos prematuros sem estimulação física

• Defeitos congênitos ou adquiridos: alteração tubular renal, alteração no metabolismo da vitamina D ou do paratormônio

DIAGNÓSTICO

• Valores da fosfatase alcalina 6 vezes maiores do que o limite superior indicam necessidade de investigação da presença de
DMO, os valores de atividade de fosfatase alcalina podem se alterar, em especial no RN-PT, devido ao elevado turnover
ósseo.

• Alterações radiológicas foram demonstradas em 64% dos RN com peso de nascimento


7) RETINOPATIA DA PREMATURIDADE

• A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma doença vasoproliferativa de etiologia multifatorial, secundária à inadequada
vascularização da retina imatura dos recémnascidos prematuros, que pode levar a cegueira ou a graves sequelas visuais com o
deslocamento da retina.

• É uma das principais causas de cegueira prevenível na infância.

FISIOPATOLOGIA

•O desenvolvimento da vascularização da retina ocorre do final do terceiro mês (em torno de 12 semanas) até o término da
gestação (37-42sem), sendo então interrompido nos prematuros.

•A retina humana permanece avascular até o quarto mês de vida intra-uterina, sendo nutrida por difusão pelos vasos da
coróide.

•Em RN pré-termo haverá então uma zona avascular periférica que pode variar de acordo com a IG devido a vascularização
incompleta da retina.

FATORES DE RISCO

• Baixo peso
• Idade gestacional ≤32 semanas
• Sepse
• Múltiplas transfusões sanguíneas
• Hemorragia intraventricular
• Convulsões
• Síndrome do desconforto respiratório
• Oxigenioterapia ???

DIAGNÓSTICO

• O diagnóstico é feito através de exame oftalmológico (oftalmoscopia indireta), do RN pré-termo com indicação.

• Critérios para o exame oftamológico (Grupo ROP-Brasil): - RN

CLASSIFICAÇÃO A Classificação Internacional da ROP (ICROP) definiu a doença de acordo com sua gravidade
(estadiamentos 1-5), localização (zonas I-II-III) e extensão em horas (1-12 h), com ou sem doença “plus” (dilatação
arteriolar e tortuosidade venosa), cuja presença seria um indicador de atividade da doença

8) DEFICIENCIA AUDITIVA

Emissões Otoacústicas Evocadas („teste da orelhinha‟ para triagem auditiva) + BERA ou PEATE

Fatores de risco:

• Prematuridade
• Peso ao nascimento < 1500g
• Hiperbilirrubinemia
• Asfixia (Apgar < 5 no 5º minuto)

AULA 9 - SEPSE NEONATAL

INTRODUÇAO

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nascem em média 130 milhões de recém-nascidos anualmente e,
destes, cerca de quatro milhões morrem, sendo infecção a causa em 36% dos casos.

DEFINIÇAO

Presença de pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas, na ausência de um foco aparente de infecção, independente de
hemocultura positiva:

• Febre • Apneia
• Hipotermia • Bradicardia
SINTOMAS DE SEPSE NEONTATAL

• Instabilidade térmica
• Apneia
• Bradicardia
• Intolerância Alimentar
• Piora do desconforto respiratório
• Intolerância à glicose
• Instabilidade hemodinâmica
• Hipoatividade/letargia

CLASSIFICAÇAO

• Sepse presumida (suspeita ou provável): quando existem sintomas e fatores de risco associados a sepse, porém não
houve a identificação do agente (culturas, em especial a hemocultura)
• Sepse constatada ou comprovada: quando consegue-se identificar o agente infeccioso através de hemocultura positiva
(padrão ouro)
• Sepse precoce: se manifesta nas primeiras 48 horas de vida e é associada à intercorrências do pré-natal ou intra-parto
(origem materna)
• Sepse tardia: aparece após 48 horas de vida e está relacionada ao ambiente hospitalar

FATORES DE RISCO

• Imaturidade do sistema imunológico do recém-nascido (em especial do prematuro)


• Infecções intraamnióticas maternas podem ocorrer durante o trabalho de parto e evoluir de forma ascendente para o
feto.
• Infecções maternas como: vulvovaginites, ITU (bacteriúria assintomática) e periodontites podem atingir via
hematológica, transplacentária ou ascendente o ambiente intraamniótico e o feto.

ATENÇAO AS PISTAS

 Trabalho de parto antes de 37 semanas


 Rotura de membranas antes de 37 semanas e/ou superior a 18 horas
 Temperatura materna superior a 38ºC durante ou após o parto
 Corioamnionite: líquido amniótico fétido
 Parto gemelar

CONSIDERAR DADOS DO RN

• Sexo masculino
• Asfixia neonatal
• Anomalias congênitas
• Procedimentos utilizados durante o cuidado e tratamento em UTIs neonatais (infecções tardias)

AGENTES DA SEPSE PRECOCE

Flora vaginal:

- Streptococcus do grupo B: A infecção pelo estreptococo β-hemolítico do grupo B (EGB) ou Streptococcus agalactiae
persiste como a principal causa de morbimortalidade perinatal. A antibioticoprofilaxia da infecção pelo EGB, baseada no
rastreio universal em gestações de 35 a 37 semanas, é mais efetiva do que a estratégia baseada em fatores de risco.
- Listeria monocytogenes
- Escherichia coli
- Chlamydia tracomatis
- Ureaplasma urealyticum

AGENTES DA SEPSE TARDIA

- Escherichia coli - Acinetobacter spp


- Enterobacter spp - Stafilococcus coagulase-negativa (ex. S. epidermidis)
- Serratia spp - Candida albicans
- Pseudomonas spp
INDICAÇOES PARA PROFILAXIA PARA INFECÇAO NEONATAL SGB

1. Criança infectada em gestação anterior por GBS

2. Bacteriúria por GBS em qualquer trimestre da gestação atual

3. Cultura de rastreamento positiva para GBS na gestação atual (exceto se for realizada cesária programada, sem entrar em
trabalho de parto ou romper membranas amnióticas)

4. Colonização pelo GBS desconhecida no momento do trabalho de parto (cultura não realizada, incompleta ou resultados
desconhecidos)

• Parto antes de 37 semanas de gestação

• RPMO maior ou igual a 18h

• Temperatura intraparto maior ou igual a 38ºC

- A penicilina G, administrada por via endovenosa (≥4 horas), continua sendo a droga de escolha para a profilaxia
intraparto, enquanto a ampicilina é uma alternativa aceitável (MLD =Ampicilina)
- Penicilina G cristalina 5 milhões UI EV dose de ataque e, a seguir, 2,5 milhões UI EV de 4/4h até o parto ou Ampicilina
2g EV, dose de ataque, a seguir, 1 g EV 4/4h até o parto
- A cefazolina é recomendada para gestantes alérgicas à penicilina, as quais apresentam baixo risco de anafilaxia,
enquanto a clindamicina e a eritromicina são indicadas para os casos com alto risco de anafilaxia.
- A vancomicina deve ser utilizada nas gestantes alérgicas à penicilina, quando houver resistência à clindamicina e à
eritromicina ou quando a sensibilidade a essas drogas for desconhecida

Importante: Culturas anorretais realizadas antes da 35ª semana tem pouco valor preditivo para colonização no dia do parto

ACOMPANHAMENTO DO RN

- Caso o RN apresente sinais de sepse neonatal ao nascimento, deve-se proceder avaliação diagnóstica completa e iniciar
antibioticoterapia
- Se a mãe tem corioamnionite, deve-se iniciar antibiótico mesmo no RN assintomático e colher hemograma + PCR + HMC
para avaliar interrupção do tratamento
- Se o RN está assintomático e a mãe recebeu profilaxia ou RN é > 37sem ou se há RMO < 18h deve-se observar por 48h
- Já nos prematuros

EXAMES NA SUSPEITA DE SEPSE

Hemocultura: é o método mais específico para o diagnóstico de sepse

Isolamento do agente pode ocorrer em líquor, urina, líquidos (peritoneal, pleura, articular e de ouvido médio) ou em tecido
(baço, fígado e medula óssea).

IMPORTANTE

Na presença de fatores de risco (prematuridade, TBR > 18 horas, gemelaridade, ITU materna no último trimestre sem
tratamento) proceder a coleta de exames com alto valor preditivo negativo: Hemograma completo + PCR

Score de Rodwell (1988)

- Leucopenia (≤ 5.000 cels /mm3 ) ou leucocitose (≥ 25.000 cels/ mm3 ao nascimento, ≥ 30.000 cels / mm3 entre 12 e 24
horas de vida, ≥ 21.000 cels / mm3 após 48 horas de vida)
- Neutropenia ou neutrofilia
- Elevação de neutrófilos imaturos
- Índice neutrofílico aumentado
- Razão dos neutrófilos imaturos sobre os segmentados superior a 0,3  Alterações degenerativas nos neutrófilos com
vacuolização e granulação tóxica
- Plaquetopenia ( ≤ 150.000 céls / mm3 )

Um score ≥ 3 confere uma sensibilidade de 96% e especificidade de 78% para o diagnóstico de sepse neonatal, enquanto que
scores de 0, 1 e 2 fornece um valor preditivo negativo de 99%.
PTN C REATIVA

• Proteína de fase aguda de qualquer processo inflamatório produzida pelo fígado ao ser estimulado por IL1, IL6 e TNF
alfa.
• Seus níveis podem estar elevados na rotura precoce de membranas, asfixia neonatal, SDR, hemorragia intracraniana e
SAM
• Sua maior utilidade está na dosagem seriada, principalmente na exclusão da sepse. O pico máximo ocorre entre 2 a 3
dias permanecendo elevado até que o processo inflamatório esteja controlado

COLONIZAÇAO

O crescimento de microorganismos em cultura nasal, orofaríngea, cutânea, umbilical, fecal, traqueal e gástrica indicam
colonização e não estabelece infecção sistêmica

LÍQUOR

- Indicada punção lombar em qualquer suspeita de sepse


- Valores normais: celularidade < 25 céls/ mm3 ; proteína < 200mg/dL e glicose 2/3 do valor sérico
- Em prematuros, devido ao aumento da permeabilidade hematoencefálica, é normal a concentração de glicose e proteína
estarem um pouco aumentadas, além da presença de polimorfonucleares

TRATAMENTO SEPSE NEONATAL PRECOCE

Origem materna: penicilina cristalina ou ampicilina (cocos Gram positivos) e um aminoglicosídeo, geralmente gentamicina
(bacilos Gram negativos)

IMPORTANTE: Na presença de, ou quando não for possível afastar de imediato sepse/ meningite por SGB ou Listeria
monocytogenes, substituir penicilina por ampicilina (MLD utiliza Ampicilina)

TRATAMENTO SEPSE NEONATAL TARDIA

Cobrir germes hospitalares: Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e bacilos Gram-negativos

Vancomicina + Cefalosporina de 3ª ou 4ª geração, na dependência da microbiota prevalente na unidade – CCIH

SEPSE FÚNGICA

As infecções fúngicas do período neonatal são geralmente causadas por Candida albicans, eventualmente por outras espécies
de cândida, e raramente por outros fungos

Podem ser de origem materna ou de aquisição hospitalar

QUANDO SUSPEITAR ?

- RN apresentando ao nascimento lesões mucocutâneas (mácula, pápulas eritematosas e vesículas) disseminadas podendo
haver aspecto de pele escaldada, pneumonia e comprometimento gastrointestinal (quando há aspiração e/ ou deglutição
de líquido amniótico contaminado)
- Vulvovaginite de repetição (DIU, amniocentese)
- RN prematuro (especialmente
- nos RN com IG < 28 sem), com TOT, uso de antibiótico de largo espectro e/ ou corticóides, cateter venoso, NPT e
história de cirurgia gastrointestinal
- Na maioria das vezes é difícil fazer o diagnóstico diferencial com infecção bacteriana (a infecção concomitante é
comum), e o início pode ser insidioso com sinais inespecíficos (apneia, perda de peso, distensão abdominal, instabilidade
térmica, distúrbio metabólico, bradicardia)

TRATAMENTO

Anfotericina B – droga mais utilizada, com ação fungicida e fungiestática, dependendo de sua concentração, apesar de sua
farmacocinética ser pouco conhecida no RN

Fluconazol – Indicada quando há falha ou impossibilidade no uso de anfotericina B. Apresenta boa concentração liquórica,
entretanto há relatos de resistência a Candida glabrata e Candida krussei, além da meia vida variar de 30 a 180 horas em
RNMBP, especialmente na primeira semana de vida.
PREVENÇOES DA SEPSE NEONATAL

- Diminuir os índices de prematuridade através de um pré-natal adequado, solicitando um rastreio universal de GBS em
gestações de 35 a 37 semanas
- Melhorar as condições relativas ao ambiente hospitalar: espaço físico, superlotação de pacientes
- Habilitação das equipes que prestam atendimento ao recém-nascido

Uma gestante dá entrada na maternidade em trabalho de parto, trazendo seu cartão de pré-natal, onde consta que teve um
episódio de infecção urinária no segundo trimestre de gestação por Estreptococo β- hemolítico do grupo B.

1. Que conduta tomar antes que o parto ocorra?


2. Qual a conduta em relação ao RN, caso ele nasça com sintomas de sepse?
3. Que sintomas seriam esses?
4. Como você classificaria essa sepse?

AULA 10 – AMAMENTAÇAO

“Proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno: o papel essencial dos serviços materno-infantis”  niciativa Hospital
Amigo da Criança (IHAC)

Dez passos para o sucesso do aleitamento materno


1. Ter norma escrita
2. Treinar a equipe
3. Informar às gestantes
4. Promover amamentação na 1ª meia-hora de vida
5. Manter lactação, mesmo com a separação
6. Não dar aos RN nenhum outro alimento ou bebida além do SM, a não ser que tal procedimento seja indicado pelo médico
7. Praticar o alojamento conjunto
8. Orientar amamentação sob livre demanda
9. Não dar bicos ou chupetas
10. Formar grupos de apoio

AS VANTAGENS DA AMAMENTAÇÃO
- O leite materno é rico em anticorpos, que protegem o bebê, diminuindo a chance dele ter diarréia, doenças respiratórias
e alérgicas.
- A mãe que amamenta tem menos chance de ter câncer de mama e de ovário.
- O bebê que mama no peito tem uma menor tendência a um comportamento violento no futuro.
- O leite está sempre pronto, fresquinho e na temperatura certa.
- E tudo isso é de GRAÇA

AMAMENTAÇÃO: O QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA TUDO DAR CERTO


- Coloque o bebê na posição correta: o rosto do bebê de frente para a mama, a barriga dele de frente para a sua barriga, a
nuca dele apoiada na dobra do seu cotovelo e a mão deste mesmo braço segurando o bumbum do bebê.
- Com a ajuda da sua outra mão, coloque a mama na boca do bebê quando ela estiver aberta. O bebê deve abocanhar não só
o bico e sim a maior parte da rodela mais escura do peito (aréola).
- O banho diário é o suficiente para a limpeza das mamas. Durante o resto do dia, use o próprio leite para protegê-las e
limpá-las.
- Com a posição e a pega corretas, o peito não dói e diminuem as chances de ocorrer rachaduras (fissuras).

COMO E QUANTAS VEZES AMAMENTAR ?


- O bebê deve mamar sempre que tiver fome, sem horário certo.
- No início as mamadas são mais próximas porque o estômago do bebê ainda não está totalmente dilatado. Depois o bebê
vai espaçando até ficar mais ou menos de 2 em 2 ou até de 4 em 4 horas, mas cada um tem o seu ritmo.
- Deixe o bebê esvaziar primeiro uma mama para depois oferecer a outra (o leite do final é mais rico em gordura e faz o
bebê ganhar mais peso); na mamada seguinte, comece pela última que ele mamou.
- A mamada noturna é importante para manter a produção do leite.

O QUE É COLOSTRO E QUANDO ACONTECE A “DESCIDA” DO LEITE?


O primeiro leite é o colostro, que é adequado para alimentar o bebê nos dois ou três primeiros dias de vida. Ele é amarelado,
muito rico em gorduras e cheio de agentes que protegem o bebê contra infecções. A “descida” do leite (apojadura) ocorre 48
a 60 horas após o parto, em todas as mulheres. Quanto mais cedo o bebê sugar, mais cedo ocorre a apojadura.
CUIDADOS E ATENÇÕES COM A APOJADURA
Caso a quantidade de leite na apojadura seja muito grande, é aconselhável retirar um pouco do leite. Use compressas frias e
úmidas e massageie as mamas, inicialmente na região da aréola e em seguida na região logo acima dela. Depois vá apertando
ritmadamente com o dedo indicador e o polegar (sem arrastar os dedos), até que o leite saia.
Se o leite “empedrar” massageie até desfazer os “caroços” e depois ordenhe a mama com as mãos. Coloque então compressas
frias e úmidas para diminuir a produção do leite.
Se ocorrerem rachaduras (fissuras), use o próprio leite no bico do peito de hora em hora e exponha ao calor (sol ou lâmpada).

COMO SABER SE A PRODUÇÃO DO LEITE ESTÁ SUFICIENTE?


Quanto mais o bebê sugar, mais leite vem. Depois da apojadura, o leite vai sendo produzido conforme a mama vai sendo
esvaziada, e nunca falta leite.

O bebê que mama no peito não precisa nem de água, nem de chás ou outros leites. Se o estômago dele ficar cheio de outros
líquidos, ele sugará menos quantidade de leite do peito e isto fará a produção diminuir.

O leite do peito nunca é fraco.. Ele cresce e se desenvolve muito bem mamando somente o seu leite até os seis meses de
vida. Confira nas consultas com o pediatra

POR QUE NÃO USAR BICOS, MAMADEIRAS E CHUPETAS ?


O modo do bebê sugar bicos e chupetas é diferente do modo de sugar o peito, o que pode causar uma “confusão” de bicos,
levando o bebê a largar o peito mais cedo.
A “ginástica“ da língua é maior e melhor para o crescimento da musculatura da boca quando o bebê mama no peito, facilitando
o bom desenvolvimento da fala e da respiração.
O uso da chupeta leva o bebê a manter a boca aberta, respirando por ela, o que facilita as infecções de garganta e ouvidos.
As chupetas são grandes transportadoras de agentes infecciosos bacterianos e parasitas intestinais.

E SE VOCÊ TIVER QUE SE SEPARAR DO SEU FILHO?


Ferva um recipiente de vidro durante 20 minutos e deixe-o secar (pode ser de maionese);
Retire o leite do peito com ordenha manual ou com bombas, deixando cair no vidro;
Guarde na geladeira (válido por 12 horas) no freezer ou congelador (válido por 15 dias); coloque etiqueta com a data da coleta
do leite;
Aqueça em banho-maria para oferecer ao bebê e dê a ele no copinho, conta-gotas ou colher (nunca use mamadeira);
Despreze o que não for usado (não se pode refrigerar de novo o leite que já foi descongelado e aquecido).

A AMAMENTAÇÃO PODE FUNCIONAR COMO MÉTODO ANTICONCEPCIONAL?


SIM, mas somente quando estas três condições ocorrerem ao mesmo tempo: o bebê é menor que 6 meses, é alimentado
somente com leite materno, sem horários pré-estabelecidos, e a mãe não apresentou nenhum sangramento vaginal, a contar a
partir de 56 dias após o parto;

A eficácia deste método é de 98 %.

O QUE DIZ A LEI?


A mulher estudante tem direito a receber material escolar em casa do 8º mês de gestação e durante 3 meses após o parto;
não precisa ser avaliada na escola (pode produzir trabalhos ou ser avaliada em casa).
A mulher trabalhadora tem direito a 120 dias de licença-maternidade (algumas empresas têm a opção de dar 180 dias), que
poderá ser prorrogada por mais 15 dias, a critério médico. Na volta ao trabalho, estando amamentando, terá ainda direito a 2
intervalos de 30 minutos cada por dia, até o bebê completar 6 meses.
O pai tem direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, contando a partir do dia do parto.
AULA 11 - DISTURBIOS RESPIRATORIOS

SÍNDROME DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO (SDR)

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS • Evidências de prematuridade e imaturidade pulmonar • Início do desconforto respiratório


nas primeiras 3 horas de vida • Evidências de complacência pulmonar reduzida, CRF diminuída e trabalho respiratório
aumentado • Necessidade de oxigênio inalatório e/ou suporte ventilatório não invasivo ou invasivo por mais de 24 horas para
manter os valores de gases sanguíneos dentro da normalidade • Radiografia de tórax mostrando parênquima pulmonar com
velamento reticulogranular difuso e broncogramas aéreos entre 6 e 24 horas de vida

SÍNDROME DA ASPIRAÇÃO DO MECÔNIO

CRITERIOS DIAGNÓSTICOS : Deve-se considerar o diagnóstico de SAM quando houver história de líquido amniótico
meconial, presença de mecônio na traqueia do RN e alteração radiológica compatível. TRATAMENTO • Suporte Ventilatório •
Terapias auxiliares no tratamento da insuficiência respiratória

HIPERTENSÃO PULMONAR PERSISTENTE

A HPPN é uma síndrome clínica caracterizada por hipoxemia grave e refratária, proveniente da diminuição do fluxo sanguíneo
pulmonar e shunt direito-esquerdo por meio do forame oval e/ou canal arterial. O curto-circuito extrapulmonar decorre do
aumento relativo da pressão na artéria pulmonar em relação à sistêmica. Esse quadro pode ocorrer de forma primária ou
secundária a uma série de doenças cardiorrespiratórias neonatais.

• Variável, dependendo da doença de base

• Desproporção entre a gravidade da hipoxemia e o grau do desconforto respiratório e imagem radiológica.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Um neonato pode ser considerado portador de HPPN quando:

• Estiver em ventilação mecânica com FiO2 de 1,0 mantendo cianose central PaO2 (pósductal) < 100mmHg ou SatO2 (pós-
ductal) < 90%.
• Apresentar labilidade nos níveis de oxigenação arterial, ou seja, mais que dois episódios de queda da SatO2 abaixo de
85% no período de 12 horas, que necessitem de aumento no suporte ventilatório ou ventilação manual para revertê-los.
• Houver diferença da oxigenação arterial entre os sítios pré-ductais (membro superior direito) e pós-ductais (membros
inferiores); considerar diferença significante quando o gradiente de PaO2 pré e pós-ductal for > 20mmHg ou de SatO2
pré e pós-ductal > 5%
• Houver evidências ecocardiográficas de hipertensão pulmonar

PNEUMONIA

Processo inflamatório dos pulmões resultante de infecção bacteriana, viral ou fúngica ou de origem química

Tratamento:

• Acompanhamento laboratorial: bioquímica e gasometria arterial são mandatórios nestes pacientes para tratamento de
possíveis distúrbios metabólicos e avaliação renal
• Cardio-circulatório: para evitar o prolapso do sistema cardiovascular a utilização de reposição volêmica e drogas
vasoativas (dopamina/dobutamina) poderão ser necessárias
• Suporte ventilatório
• Reposição de surfactante: em casos de pacientes em ventilação mecânica, com hipoxemia acentuada, onde a inibição do
surfactante passa a ser um fator de piora. Dose: 150mg/kg/dose Complicações mais temidas: pneumotórax,

CASO 1 Recém-nascido pré-termo com 33 semanas de idade gestacional pelo Ballard, nascido de parto cesáreo por bolsa
rota há 48 horas. Apgar no 1°minuto 8 e no 5°minuto 9. A mãe fez pré-natal completo, GS A+, história de ITU tratada com
Ampicilina por 10 dias com 20 semanas de gestação. A URC de controle foi negativa. A mãe recebeu corticóide ante-natal (1
dose). Apresentou oligoidramnia. Logo após o nascimento, o RN apresentou gemência, batimentos de asas de nariz, retrações
esternais e cianose. O RX de tórax mostrava infiltrado intersticial difuso bilateral com boa expansibilidade pulmonar.

1.Qual são as hipóteses diagnósticas?

2.Qual é a conduta adequada?


CASO 2 RN de parto cesáreo, por iteratividade (duas ou mais cesáreas anteriores) com 37 semanas de idade gestacional,
sexo masculino, Apgar 7 e 9. Evoluiu com desconforto respiratório logo após o nascimento. O RX mostrou congestão peri-
hilar radiada e simétrica, com hiperinsuflação pulmonar leve.

1.Qual são as hipóteses diagnósticas?

2.Qual é a conduta adequada?