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Engenheiro Francisco José

d´Almeida Diogo
Engenheiro José Carlos
Sciammarella

MANUAL DE
PAVIMENTAÇÃO
URBANA
Drenagem:
Manual de Projetos
Volume II

Associação Brasileira
de Pavimentação
Rio de Janeiro
2008
AUTOR
Engenheiro Francisco José d’Almeida Diogo
Professor do IME e Engenheiro do CENTRAN

CO-AUTOR
Engenheiro José Carlos Sciammarella
Professor do CEFET / RJ e Consultor / Projetista de drenagem urbana, de rodovias e ferrovias

REVISORES
Engenheiro Jorge Henrique Ribeiro
Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho / Consultor e Perito Judicial / Sócio da ABPv
Professora Laura Maria Goretti da Motta
COPPE-UFRJ

Ficha Catalográfica: Centro de Documentação do CENTRAN

D591 Diogo, Francisco José d’Almeida.


Drenagem: manual de projetos / Francisco José d’Almeida
Diogo; Co-autoria de José Carlos Sciammarella. – Rio de Janei-
ro: Associação Brasileira de Pavimentação, 2008.
160 p. : il., tab. ; 29 cm (Manual de pavimentação; v. 2)

Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-88353-02-2

1. Drenagem – Gestão e projetos. 2. Hidrologia superficial.


3. Engenharia sanitária. I. Título. II. Sciammarella, José Carlos.

CDD 625.734

Diretoria da ABPv
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PAVIMENTAÇÃO

TRIÊNIO 2008/2010

PRESIDENTE
Engo Eduardo Alberto Ricci
VICE-PRESIDENTE
Cel Engo Paulo Roberto Dias Morales
DIRETOR ADMINISTRATIVO
Engo João Menescal Fabrício
DIRETORA TÉCNICA
Enga Laura Maria Goretti da Motta COMISSÃO DE PAVIMENTAÇÃO
DIRETOR FINANCEIRO
URBANA – CPU
Engo Atahualpa Schmitz da Silva Prego
DIRETORA DE DIVULGAÇÃO Coordenador: Engo Fernando Augusto Júnior
a
Arqt Georgina Libório Azevedo Engo Clodoaldo Pereira Andrade
Engo Francisco José d’Almeida Diogo
CONSELHO FISCAL Engo Heitor Roberto Giampaglia
Engo Henrique Apolinário Rody
SÓCIO COLETIVO
Engo Jorge Henrique Ribeiro
Fundação-DER/RJ
Engo José Carlos Sciammarella
Engo Marcos Balaguer Engo José Pedro dos Santos Vieira Costa
Concresolo – RJ
Enga Luciana Nogueira Dantas
Engo Marcio B. de Amorim
SÓCIO INDIVIDUAL
Enga Luciana Nogueira de Castro – RJ
Engo Salomão Pinto – RJ
Apresentação

A Associação Brasileira de Pavimentação – ABPv, por intermédio


da Comissão de Pavimentação Urbana, em cumprimento de diretri-
zes da diretoria para o período de 2008/2010, tendo por objetivo a
revisão e atualização dos volumes que compõem o Manual de Pavi-
mentação Urbana, vem apresentar a todos profissionais atuantes
nas fases de projeto, construção, manutenção e fiscalização de
obras de sistemas viários urbanos o volume de “Drenagem – Ma-
nual de Projetos”.

Cabe destacar que o conteúdo técnico deste compêndio é fruto de


pesquisa detalhada da bibliografia específica, bem como de al-
guns procedimentos técnicos de projeto adotados por diversas
prefeituras municipais.

Desse modo, este volume foi desenvolvido por sócios da ABPv, pro-
fissionais atuantes na área de drenagem urbana, que colabora-
ram voluntariamente com esse importante projeto de nossa asso-
ciação, com vistas à divulgação da boa técnica de engenharia apli-
cada na prática da pavimentação dos sistemas viários municipais.

Solicita-se aos usuários que colaborem no permanente aper-


feiçoamento do seu conteúdo, enviando críticas e sugestões a
abpv@abpv.org.br ou por correio para: Rua Miguel Couto, 105 sobre-
loja, Centro, Rio de Janeiro, CEP: 20070-030 – http://www.abpv.org.br.
Agradecimento

A Drenagem de Vias Urbanas, como apresentada no Manual de Projetos


volume II, tornar-se-á instrumento de valor inestimável na execução de
pavimentos urbanos adequados e dentro da boa técnica.

O assunto é primordial para o sucesso e durabilidade dos revestimen-


tos, para a rodagem segura dos veículos automotores e para o desloca-
mento com conforto e segurança dos pedestres. Uma das principais ca-
racterísticas apresentada pelo conteúdo do manual é a sua abrangência,
que ultrapassou seu propósito inicial.

O manual cumpre exemplarmente os objetivos propostos pela ABPv, que


é servir a seus associados e trazer benefícios aos construtores de pavi-
mentos em vias e logradouros das cidades. Esta publicação inicia a con-
cretização da primeira revisão dos Manuais de Pavimentação Urbana,
idealizada pelo saudoso engenheiro químico Jorge Eduardo Salathé, que
vem sendo levada a cabo pela Comissão de Pavimentação Urbana – CPU.

Agradecemos ao autor, co-autor, revisores, patrocinadores, membros


da CPU e a todos aqueles que contribuíram de maneira inestimável na
idealização, elaboração, correção e distribuição deste Manual de Dre-
nagem, resultante de esforços e dedicação que não temos como com-
pensar. Todo empenho aqui impresso é instrumento desencadeador
de aprimoramento técnico, desenvolvimento sustentável e de melhorias
sociais, que serão suscitados com a aplicação do seu conteúdo de ex-
trema qualidade. Os resultados serão compensadores para a sociedade.

Diretoria da ABPv
Sumário

Lista de figuras 8
Lista de tabelas 11
Lista de abreviaturas e símbolos 13

1 Introdução 16

2 Fundamentos da drenagem urbana 18


2.1 Drenagem urbana sustentável 18
2.2 Princípios da drenagem urbana moderna 18
2.3 Medidas de controle de inundação 19
2.4 Drenagem urbana e saneamento 20
2.5 Drenagem urbana e plano diretor 20
2.6 Concepção geral de dimensionamento 23
2.7 Macrodrenagem 24
2.8 Microdrenagem 25

3 Fases de projeto 26
3.1 Levantamentos 26
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

3.2 Estudos preliminares 28


3.3 Anteprojeto 29
3.4 Projeto Básico de Drenagem (relatório final) 31
3.5 Projeto Executivo de Drenagem 38
3.6 Apresentação do “As Built” – como construído 38

4 Cálculo da vazão de projeto 40


4.1 Tempo de recorrência ou período de retorno 41
4.2 Duração da chuva 42

6
4.3 Chuva de projeto – intensidade 44
4.4 Delimitação da bacia e sub-bacias 46
4.5 Coeficiente de deflúvio ou escoamento superficial ou de run off 48
4.6 Cálculo da vazão de projeto 49

5. Canais 58

6. Sarjetas 70

7. Bocas-de-lobo 84

8. Galerias 98

9. Reservatórios 110

10. Outros dispositivos 135

Anexos 141

A – Valores referenciais para projetos de logradouros e loteamentos 141


B – Elaboração dos desenhos 142
C – Parâmetros para cálculo de precipitação, segundo Otto Pfafstetter 146
D – Glossário 149
E – Marcos legais 154
SUMÁRIO

F – Tabelas úteis 157

Bibliografia 158

7
Lista de figuras

Figura 2.1 – Esquema de uma estrutura de plano diretor de drenagem urbana


Figura 2.2 – Exemplo de um mapa do plano diretor para a Bacia do Rio Aricanduva
Figura 2.3 – Microdrenagem tradicional

Figura 3.1 – Fluxograma das Fases do Projeto

Figura 4.1 – Curva-chave de um rio


Figura 4.2 – Fluxograma para levantar a descarga de projeto
Figura 4.3 – Levantamento de fluxo nas ruas
Figura 4.4 – Divisão de áreas de contribuição para as ruas
Figura 4.5 – Demarcação das bacias de cada PV
Figura 4.6 – Dimensões da área de drenagem de uma sarjeta
Figura 4.7 – Representação da parcela excedente e infiltrada da chuva
Figura 4.8 – Curva Pefetiva em função de P para diversas bacias
Figura 4.9 – Constância de tempo de base
Figura 4.10 – Proporcionalidade das descargas
Figura 4.11 – Aditividade das descargas
Figura 4.12 – Construção do Hidrograma Unitário Triangular (HUT) adimensional
Figura 4.13 – Conformação e composição dos HUT no hidrograma total de escoamento
superficial da bacia
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Figura 5.1 – Canal ou conduto livre em (a, b e c) e forçado em (d)


Figura 5.2 – Mudança de regime nos canais com escoamento permanente
Figura 5.3 – Seção molhada e perímetro molhado de um conduto
Figura 5.4 – Ampliação da calha do Rio Tietê
Figura 5.5 – Exemplos de canais gramados

Figura 6.1 – Seção recomendada no encontro calçada-sarjeta


Figura 6.2 – A sarjeta e a passada do pedestre
Figura 6.3 – Seção econômica típica guia-pavimento
Figura 6.4 – Seção de uma sarjeta triangular
Figura 6.5 – Seção composta de uma sarjeta triangular
8
Figura 6.6 – Sarjetão
Figura 6.7 – Sarjeta tipo A
Figura 6.8 – Sarjeta tipo B
Figura 6.9 – Sarjeta tipo C
Figura 6.10 – Gráfico: fatores de redução (FR) de escoamento das sarjetas

Figura 7.1 – Boca-de-lobo simples (de ferro fundido cinzento)


Figura 7.2 – Cortes de boca-de-lobo simples tipo A
Figura 7.3 – Posição da rede coletora na via
Figura 7.4 – Principais tipos de bocas-de-lobo
Figura 7.5 – Configurações típicas de cruzamentos em sistemas de drenagem
Figura 7.6 – Alguns parâmetros usados para cálculo
Figura 7.7 – Capacidade de esgotamento das bocas-de-lobo simples com depressão de 5cm,
em pontos baixos das sarjetas
Figura 7.8 – Boca-de-lobo simples, em ponto intermediário da sarjeta
Figura 7.9 – Boca-de-lobo combinada correspondente ao gráfico da Figura 7.10
Figura 7.10 – Gráfico para obter a capacidade da boca-de-lobo da Figura 7.9

Figura 8.1 – Partes constitutivas de um sistema de galerias


Figura 8.2 – Esquema de um corte transversal típico – sem escala
Figura 8.3 – Determinação da declividade de um coletor
Figura 8.4 – Exemplo de recobrimento de uma galeria
Figura 8.5 – Exemplo de PV com degrau
Figura 8.6 – Ligação de coletores de diâmetros diferentes
Figura 8.7 – Ilustração da determinação da cota de fundo do PV
Figura 8.8 – Medida do desnível (∆H) entre dois PVs
Figura 8.9 – Soluções para remanso em galerias
Figura 8.10 – Parametrização da seção molhada pelo ângulo “θ”
Figura 8.11 – Dimensões características da seção retangular
Figura 8.12 – Indicação de tirante d’água

Figura 9.1 – Piscinão AC1/ Vila Rosa (DAEE /SP)


Figura 9.2 – Tipos de reservatório: (a) percolação; (b) detenção e (c) retenção.
LISTA DE FIGURAS

Figura 9.3 – Reservatório de detenção


Figura 9.4 – Foto de reservatório de retenção
Figura 9.5 – Esquema de um reservatório aberto
Figura 9.6 – Esquema para dimensionar reservatórios
Figura 9.7 – Esquema para controle de saída em reservatórios
Figura 9.8 – Valores de coeficiente de descarga (Cd) para diferentes orifícios
Figura 9.9 – Nomograma para orifício retangular com h < 4.a
Figura 9.10 – Nomograma para orifício circular com h < 4.a
9
Figura 9.11 – Volumes de detenção necessários para lotes com diferentes impermeabilizações
Figura 9.12 – Exemplo de um reservatório subterrâneo retangular
Figura 9.13 – Exemplo de um reservatório subterrâneo cilíndrico
Figura 9.14 – Microrreservatório poroso enterrado
Figura 9.15 – Bacia subterrânea
Figura 9.16 – Bacia de detenção seca
Figura 9.17 – Bacia de detenção alagada
Figura 9.18 – Alagadiços
Figura 9.19 – Diferenças no amortecimento do hidrograma de enchente em função do grau de
meandros em cursos d’água
Figura 9.20 – Posição relativa de dois materiais granulares
Figura 9.21 – Figura com os elementos da Lei de Darcy
Figura 9.22 – Granulometria de materiais e permeabilidade
Figura 9.23 – Exemplo de pavimentos permeáveis
Figura 9.24 – Trincheira de infiltração e de retenção
Figura 9.25 – Exemplo de trincheira de infiltração
Figura 9.26 – Exemplo de trincheira de percolação
Figura 9.27 – Foto de vala de infiltração
Figura 9.28 – Poço de infiltração

Figura 10.1 – Características de descida d’água


Figura 10.2 – Fotos de descidas d’água.
Figura 10.3 – Seção transversal de dissipador contínuo
Figura 10.4 – Foto de bacia de amortecimento
Figura 10.5 – Esquema para cálculo da bacia de amortecimento
Figura 10.6 – Elementos do dissipador de energia
Figura 10.7 – Gráfico para obtenção do comprimento da bacia de amortecimento
Figura 10.8 – Gráfico para levantamento de diâmetro equivalente
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

10
Lista de tabelas

Tabela 2.1 – Informações necessárias para fazer um Plano Diretor de Drenagem


Tabela 2.2 – Diretrizes do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, 1998

Tabela 3.1 – Lista de entidades fornecedoras de cartas ou imagens cartográficas


Tabela 3.2 – Seqüência para anteprojeto de microdrenagem

Tabela 4.1 – Tempos de Recorrência para obras de drenagem


Tabela 4.2 – Tempo de escoamento superficial
Tabela 4.3 – Exemplos de equações da chuva para algumas cidades brasileiras
Tabela 4.4 – Valores de α (PFAFSTETTER, 1982)
Tabela 4.5 – Valores de β, a, b, c (PFAFSTETTER, 1982)
Tabela 4.6 – Valores de C para áreas com uso e/ou ocupação específicos
Tabela 4.7 – Valores de C para áreas restritas com uso e/ou ocupação específicos
Tabela 4.8 – Valores de C em função de superfícies
Tabela 4.9 – Critério para escolha do método de cálculo da vazão
Tabela 4.10 – Grupos Hidrológicos de Solos
Tabela 4.11 – Número de curva CN para diferentes condições do complexo hidrológico
Tabela 4.12 – Condições de umidade antecedente do solo
Tabela 4.13 – Número de curva CN para área urbana

Tabela 5.1 – Seções transversais e profundidade crítica de canais


Tabela 5.2 – Caracterização do regime de escoamento pelo número de Froude
Tabela 5.3 – Um exemplo de tabela para avaliação hidráulica do tipo de seção de canal
LISTA DE TABELAS

Tabela 5.4 – Valores do coeficiente de Manning (n) para vários tipos de canais
Tabela 5.5 – Coeficiente de rugosidade de Manning para canais retilíneos sem árvores ou arbustos
Tabela 5.6 – Elementos de cálculo das profundidades normais de canais trapezoidais
Tabela 5.7 – Valores de “a” para cálculo da BL
Tabela 5.8 – Fatores intervenientes para o projeto de um canal
Tabela 5.9 – Critérios para projeto de canais gramados
Tabela 5.10 – Controle de erosão
11
Tabela 5.11 – Recomendações sobre parâmetros de projeto de canais naturais
Figura 5.12 – Inclinações recomendadas para taludes de canais escavados
Tabela 6.1 – Valores de referência adotados para dimensionar sarjetas
Tabela 6.2 – Valores da vazão específica (q), em l/s/m
Tabela 6.3 – Valores usuais para projetos de ruas e avenidas
Tabela 6.4 – Coeficiente de rugosidade “n” de Manning
Tabela 6.5 – Velocidades admissíveis para diferentes materiais
Tabela 6.6 – Tipos de sarjetas e situação de emprego
Tabela 6.7 – Vazão e velocidade nas sarjetas2 em função da inclinação longitudinal da via
Tabela 6.8 – Fatores de redução de escoamento das sarjetas
Tabela 6.9 – Comprimento útil ou comprimento máximo de utilização das sarjetas “A” – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 1,67 m
Tabela 6.10 – Comprimento Útil ou Comprimento Máximo de Utilização das Sarjetas “B” e “C” – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 1,67 m
Tabela 6.11– Comprimento Útil ou Comprimento Máximo de Utilização das Sarjetas – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 2,17 m

Tabela 7.1 – Capacidade máxima de ramais


Tabela 7.2 – Capacidade (l / s) de BL em ponto baixo
Tabela 7.3 – Capacidade das BL para greide contínuo – Faixa de alagamento de 1,67m
Tabela 7.4 – Capacidade das BL para greide contínuo – Faixa de alagamento de 2,17m
Tabela 7.5 – Fatores de redução de escoamento para BL (F)

Tabela 8.1 – Medidas limites de seções de galerias


Tabela 8.2 – Velocidades limites de galerias
Tabela 8.3 – Declividades recomendadas para galerias
Tabela 8.4 – Limites para lâminas d’água
Tabela 8.5 – Valores mínimos de recobrimento
Tabela 8.6 – Espaçamento máximo entre PV
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Tabela 8.7 – Um modelo de tabela para cálculo de coletores de águas pluviais

Tabela 9.1 – Tipos de reservatórios e tempo de armazenamento


Tabela 9.2 – Formas de reduzir o deflúvio superficial direto
Tabela 9.3 – Equações da curva de descarga de diferentes vertedores
Tabela 9.4 – Tabela do algoritmo de cálculo de reservatórios
Tabela 9.5 – Situações locais impostas e solução pela Lei de Darcy
Tabela 9.6 – Escala prática de permeabilidade de materiais
Tabela 9.7 – Coeficientes de condutividade hidráulica (k)
Tabela 9.8 – Tipos de obras de controle na fonte

12
Tabela 10.1 – Determinação do tipo de bacia pelo número de Froude
Tabela 10.2 – Expressões para cálculo de y’2
Lista de abreviaturas e símbolos

ABREVIATURAS

ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABPv – Associação Brasileira de Pavimentação
ANA – Agência Nacional de Águas
CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos
CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (SP)
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente
DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica (SP)
DNIT – Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes
HUT – Hidrograma Unitário Triangular
ISA – International Standards Association
ISO – International Standards Organization
LI – Licença de Instalação
LO – Licença de Operação
LP – Licença Prévia
PM – Prefeitura Municipal
SCS – Soil Conservation Service (Serviço de Conservação do Solo do Departamento LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS
de Recursos Naturais dos Estados Unidos)
SEMA – Secretaria Especial do Meio Ambiente
SEMADS – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (RJ)
UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro

SÍMBOLOS

θ – ângulo em radianos
A – área
a – profundidade de lote lindeiro
AH – seção ou área molhada
b – base de canal
13
BL – boca-de-lobo
BL – borda livre
C – caimento
C – coeficiente de run-off
Cd – coeficiente de descarga
CE – cota de entrada
CF – cota do fundo do PV ou boca-de-lobo
CT – cota de topo de PV ou boca-de-lobo
CN – Curver Number, número de curva de infiltração do solo
d – duração da chuva
DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio
de – diâmetro dos furos do tubo
DN – diâmetro nominal (interno)
DU – duração de chuva unitária
E – energia específica
F – largura de faixa da via
F – número de Froude
F’F’ – ferro fundido cinzento
Fa – infiltração após início do escoamento superficial direto
FR – fator de redução
g – aceleração da gravidade (9,81 m/s2)
H – altura do coletor celular, altura de parede
H – altura da abertura da boca-de-lobo
hc – profundidade crítica
HUT – Hidrograma Unitário Triangular
HW – headwater depth – carga hidráulica na entrada de um duto em relação
à geratriz inferior do mesmo.
i – declividade longitudinal, declividade de escoamento
I – intensidade de precipitação
Ia – infiltração inicial
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

K – coeficiente de permeabilidade
LBL – largura da boca-de-lobo
L – extensão do talvegue
LAG – tempo entre o centro de massa da chuva e o instante de pico
Lu – comprimento útil ou crítico
n – coeficiente de rugosidade
P – precipitação, altura de chuva
PH – perímetro molhado
Pa – pressão atmosférica
Pe – chuva excedente
PM – Prefeitura Municipal
14
PV – poço de visita
Q – vazão de contribuição, descarga de projeto
QP – descarga máxima, de pico
q – capacidade hidráulica
qi – vazão específica
RH – raio hidráulico
S – infiltração potencial máxima
T – largura da superfície d’água
TB – tempo de base
tc – tempo de concentração
ti – tempo de entrada
tp – tempo de percurso
tp – tempo de ponta ou de pico
TR – tempo de recorrência
V – velocidade
Vc – velocidade crítica
y – altura da lâmina d’água, profundidade do fluxo, profundidade do escoamento
z – inclinação de talude
∆H – desnível

LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS

15
1
Introdução

O crescimento populacional e a urbanização intensa dos últimos anos têm sofrido um impacto
muito grande na ocupação do solo urbano. A própria pavimentação das ruas diminui a possibilida-
de de infiltração das águas das chuvas no solo e, ao mesmo tempo, pode ser afetada pela presen-
ça da água acumulada. A ocupação das encostas de morros e rios por habitações precárias
produz erosão e assoreamento dos sistemas de drenagem naturais ou implantados. À medida que
a cidade se urbaniza, ocorre o aumento das vazões máximas devido à impermeabilização e canaliza-
ção bem como à produção de sedimentos. Portanto, a questão da drenagem urbana é um problema
significativo para a qualidade de vida dos cidadãos como também da pavimentação.

O projeto da drenagem das vias permite a utilização adequada dos dispositivos de drenagem em
projetos novos, construções já existentes ou em restaurações viárias. A implantação de um projeto
de drenagem evita o acúmulo e a retenção da água na via, protegendo os pedestres, os veículos e
o pavimento contra a ação prejudicial das águas que atingem as ruas, sob forma de chuva, infiltra-
ções, torrentes, ou armazenada sob a forma de lençóis freáticos ou artesianos.

Um dos problemas de drenagem usual está ligado à drenagem do pavimento para remover as
águas que se infiltraram nas camadas do pavimento ou nas suas interfaces e que podem ocasionar
prejuízo à estrutura.

No caso urbano, as retiradas das águas precipitadas sobre a via e áreas adjacentes é a principal
preocupação. Trata-se de um serviço público municipal, que envolve um elenco de soluções teóri-
cas consagradas na Hidráulica, além de práticas de engenharia adotadas ao longo dos anos no
cotidiano de diversas prefeituras municipais, com resultados positivos que garantem a eficiência das
soluções implantadas, contribuindo assim para a boa técnica a ser considerada. Tal tecnologia é
aqui apresentada com os critérios usuais adotados pelos projetistas de drenagem urbana, buscan-
do-se a correção e objetividade de procedimentos.

Consideram-se como partes integrantes deste manual as normas, especificações, métodos, pa-
dronizações, classificações, terminologias e simbologias estabelecidas pela ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas) direta ou indiretamente relacionadas com a drenagem urbana.

Este manual é composto por 10 capítulos. Neste capítulo de introdução é apresentado o manual.
O capítulo 2 faz uma panorâmica da drenagem moderna. O capítulo 3 mostra o seqüenciamento
de um projeto, desde os levantamentos iniciais até o relatório final e o “as built”. O capítulo 4 trata
da fase hidrológica do projeto, que busca a vazão que requererá o dimensionamento de um
dispositivo de drenagem. O primeiro dispositivo de drenagem é apresentado no capítulo 5, que é
dedicado a canais. A razão é que o dimensionamento da esmagadora maioria dos dispositivos é
feita como conduto livre, ou seja: como um canal. Os capítulos 6, 7 e 8 tratam dos dispositivos da
microdrenagem: sarjeta, boca-de-lobo e galeria. O capítulo 9 apresenta comentários sobre reser-
vatórios, estruturas que vêm crescendo de importância nas grandes cidades. O Capítulo 10 trata
de descidas d’água e dissipadores de energia.

Além desses capítulos, o manual oferece um rico material complementar nos anexos: um glossá-
rio; medidas referenciais para ruas e lotes; a tabela completa dos parâmetros de cálculo de Otto
Pfafstetter; convenções para desenhos; marcos legais, tabelas úteis e bibliografia. Num anexo
deste manual são indicados os vínculos legais e normativos associados à drenagem, listadas
todas as normas específicas da ABNT e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transpor-
tes (DNIT), este último como subsídio complementar, em virtude de esse órgão dispor de um bem
estruturado acervo com facilidade de consulta e obtenção de todo ele no site: http://www.dnit.gov.br.

INTRODUÇÃO

17
2
Fundamentos
da Drenagem Urbana

2.1 DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento sustentável é a preservação para gerações futuras de recursos auferidos pela


geração atual. Ele é tratado em três esferas: econômica, social e ecológica e foi expresso por Pronk
e Haq (1992) da seguinte forma:
a) O consumo atual não pode ser financiado de forma prolongada levando a uma dívida econô-
mica que outros deverão pagar;
b) Deve haver suficiente inversão na educação e na saúde da população de hoje de maneira a
não criar uma dívida social para as gerações futuras; e
c) Os recursos naturais devem ser utilizados de maneira a não criar dívidas ecológicas por
sobre-explotação da capacidade de sustento e da capacidade produtiva da Terra.
A perspectiva da sustentabilidade associada à drenagem urbana introduz uma nova forma de
direcionamento das ações, baseada no reconhecimento da complexidade das relações entre os
ecossistemas naturais, o sistema urbano artificial e a sociedade.1

2.2 PRINCÍPIOS DA DRENAGEM URBANA MODERNA


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Órgãos fiscalizadores e reguladores dos recursos hídricos e uso do solo, escolas de formação de
técnicos, as três esferas do poder, principalmente a municipal, devem estar atentos aos seguintes
princípios relacionados por Tucci e Genz (1995):
a) Não transferir impactos para jusante;
b) Não ampliar cheias naturais;
c) Propor medidas de controle para o conjunto da bacia;
d) Legislação e Planos de Drenagem para controle e orientação;
e) Constante atualização de planejamento por estudo de horizontes de expansão;
f) Controle permanente do uso do solo e áreas de risco;
g) Competência técnico-administrativa dos órgãos públicos gestores; e
h) Educação ambiental qualificada para o poder público, população e meio técnico.
18
1
Cesar Augusto Pompêo, Revista Brasileira de Recursos Hídricos. Porto Alegre, RS, 2000.
2.3 MEDIDAS DE CONTROLE DE INUNDAÇÃO

Antes de se pensar numa obra de drenagem na ocupação de uma área, nela já ocorre a macro-
drenagem, formada pelos canais naturais de águas pluviais; desde os filetes iniciais; aos córregos,
riachos e rios secundários de percurso; até o curso d’água principal ou lago receptor. Este conjun-
to se insere na unidade de análise da macrodrenagem, a bacia hidrográfica.
As funções primárias de um curso d’água e de sua várzea associada são a coleta, armazenamento
e veiculação das vazões de cheias. O não-entendimento dessa drenagem natural leva a população
a invadir várzeas e leitos naturais de rios para depois configurar um grave problema ambiental e
social, de segurança e de saúde pública, onde o homem declara que o rio “invadiu a sua casa”.
Para o controle de inundações existe uma série de medidas que, para melhor entendimento, podem
ser agrupadas em não-estruturais e estruturais, como a seguir são apresentadas.

2.3.1 Não-estruturais
São aquelas destinadas ao controle do uso e ocupação do solo (nas várzeas e nas bacias) ou à
diminuição da vulnerabilidade dos ocupantes das áreas de risco aos efeitos das inundações. São
medidas não-estruturais:
a) Preventivas (o poder público se antecipa ao problema)
i) correto zoneamento do município (regulamentando o uso do solo);
ii) escolha de locais para parques, áreas de recreação, lazer e contemplação junto a várzeas,
mananciais, cursos e reservatórios naturais d’água (para receber inundações periódicas);
iii) lei de parcelamento, ocupação e uso do solo (restrições às áreas inundadas – fixação de
cotas máximas de ocupação);
iv) políticas públicas de preservação de matas ciliares de cursos d’água e mananciais (favorecendo
o amortecimento de enchentes e a capacidade da calha de um rio);
v) compra de áreas inundáveis

FUNDAMENTOS DA DRENAGEM URBANA


vi) restrição à expansão do serviço público;
vii) controle de redes de água e esgoto;
viii) programas de informação e educação;
ix) sistemas de previsão e alarme; e
x) seguro contra inundações.
b) Corretivas
i) plano de reurbanização e recuperação de áreas deterioradas;
ii) desapropriação de áreas freqüentemente inundadas (relocações e deslocamentos de população);
iii) construções à prova de inundações;
iv) ajustes de ocupação graduais; e
v) ações de defesa civil.

2.3.2 Estruturais
São obras de engenharia que alteram o escoamento das águas. Estão direcionadas ou ao aumento
19
da condutividade hidráulica ou à retenção temporária das águas seguida de uma liberação lenta
para um sistema de canais ou galerias, da micro ou da macrodrenagem.
2.4 DRENAGEM URBANA E SANEAMENTO

A drenagem urbana se insere no conjunto de ações, obras e serviços prioritários em programas


de Saúde Pública, o que compreende também: abastecimento de água; esgotamento sanitário;
coleta de resíduos sólidos; e controle da poluição, de vetores e roedores.2
Vale lembrar que esses processos estão intimamente relacionados, pois, a deficiência da rede de
esgoto3 e da coleta de resíduos contribui para degradar a qualidade do abastecimento de água
potável e possibilita a veiculação de moléstias. Uma coleta de lixo ineficiente, somada a um compor-
tamento indisciplinado dos cidadãos, resulta em deteriorar ainda mais a qualidade da água, no
entupimento de bueiros e galerias e na ocorrência de inundações.

2.5 DRENAGEM URBANA E PLANO DIRETOR

A drenagem urbana interfere fortemente no planejamento de um município ao abranger aspectos


urbanísticos, sociais, econômicos, ambientais e de segurança de uma população, tais como:
códigos de edificações; zoneamento; lei de parcelamento; ocupação e uso do solo (delimitação
das áreas inundadas); plano de reurbanização e renovação de áreas deterioradas; desapropria-
ção de áreas freqüentemente inundadas; políticas públicas de ocupação do solo (que podem
alterar a sua permeabilidade) e de preservação de matas ciliares de cursos d’água e mananciais
(favorecendo o amortecimento de enchentes e a capacidade de escoamento da calha de um rio);
construção de reservatórios para controle de cheias ou abastecimento d’água; escolha de local
para parques e áreas de recreação e lazer (em condições de receber inundações periódicas);
aproveitamento viário das margens de riachos canalizados; projeto de loteamentos; projeto de vias
públicas; pavimentação de ruas, pistas e passeios; preservação de propriedades e encostas e
segurança do trânsito; dentre outros.
Com toda essa abrangência, se esse sistema não for considerado desde o início do planejamento
urbano e no seu desenvolvimento integrado, teremos um sistema de alto custo, porém, ineficiente.
Com isso, as chuvas intensas poderão causar graves transtornos à população e implicar a destrui-
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

ção de propriedades e vidas humanas.

2.5.1 Estruturação de um Plano Diretor de Drenagem


Um plano diretor de drenagem é elaborado com o plano diretor de desenvolvimento de áreas
urbanas ou metropolitanas. Ele tem por objetivo criar os mecanismos de gestão da infra-estrutura
urbana relacionada com o escoamento das águas pluviais e dos rios na área urbana (TUCCI, 2002).
Para elaborá-lo são necessárias informações que estão relacionadas na Tabela 2.1 a seguir. Um
plano diretor de drenagem tem, normalmente, como unidade de gestão a bacia hidrológica. Para
realizá-lo é necessário empreender levantamentos e estudos institucionais, hidrológicos e de
cadastramento (Figura 2.1).

20
2
Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável – 1995.
3
No Brasil, é adotado o sistema separador absoluto: águas pluviais e esgoto sanitário.
Tabela 2.1 – Informações necessárias para fazer um Plano Diretor de Drenagem (TUCCI, 2002)

TIPO INFORMAÇÃO
rede pluvial
Cadastros bacias hidrográficas
uso e tipo de solo das bacias
Plano de desenvolvimento urbano da cidade
Plano de saneamento ou esgotamento sanitário
Planos
Plano de controle dos resíduos sólidos
Plano viário
Legislação municipal relacionada com o Plano Diretor Urbano e meio ambiente
Aspectos Legislação estadual de recursos hídricos
institucionais Legislação federal
Gestão da drenagem do município
precipitação
Dados vazão
hidrológicos sedimentos
qualidade da água do sistema de drenagem

Após esses levantamentos, o Plano se estrutura em quatro instâncias:

INSTITUCIONAL CADASTRO FÍSICO DADOS


Legislação: Federal, HIDROLÓGICOS
Estadual e Municipal, Rede de drenagem, Precipitação, vazão,
sobre uso do solo, bacias e uso do solo sedimentos e
recursos hídricos, meio qualidade d’água
ambiente, saneamento

FUNDAMENTOS DA DRENAGEM URBANA


ENTRADA

Princípios, Medidas Plano de Estudos


objetivos e estruturais ações adicionais
estratégias da sub-bacia

Sub-divisão Medidas não Legislação


estruturais: municipal e Educação
da cidade em legislação e
macro-bacias gestão atribuições

Diagnóstico Viabilidade Manual de


da drenagem econômico- drenagem Monitoramento
da cidade financeira

FUNDAMENTOS DESENVOLVIMENTO PRODUTOS PROGRAMAS

Figura 2.1 – Esquema de uma estrutura de plano Diretor de


Drenagem Urbana (Adaptado de Silveira, 2002)
a) Fundamentos
É realizado um diagnóstico da drenagem por macrobacias, e, de forma integrada a outros planos
21
municipais, são estabelecidas estratégias balizadas por uma drenagem sustentável, pelos princí-
pios da drenagem urbana moderna, pela legislação sobre uso do solo, meio ambiente e recursos
hídricos e pelos objetivos do saneamento básico. Para que essas estratégias sejam efetivadas, o
município estabelece seus princípios orientadores e as metas a alcançar.

b) Desenvolvimento
Definida a direção, são propostas as obras e serviços e realizados anteprojetos. São apresentadas
propostas de legislação e de organização municipal voltada para a gestão da drenagem urbana. Os
custos financeiros de implantação e manutenção de obras e da gestão municipal são estimados.
É realizada a avaliação ambiental, econômica e social das medidas a serem adotadas para hori-
zontes de 10 a 20 anos.

c) Produtos
As propostas positivas são consubstanciadas em um plano cuja melhor expressão são mapas, por
bacia hidrográfica, assinalando os recursos hídricos, o uso do solo (atual e planejado), áreas de
preservação, áreas inundáveis (várzeas), áreas de risco à população, locação dos sistemas de
saneamento (atual e planejado), zonas especiais (com potencial de degradação ambiental, carên-
cia social etc.), obras previstas, pontes, estações de tratamento, áreas públicas, sistema viário, e
o que mais importar para o planejamento e a gestão municipal da drenagem.
São efetivadas leis municipais para dar suporte institucional às medidas contidas no Plano Diretor
de Drenagem. O município adota ou adapta manual de projetos, álbum de padrões-tipo de dispo-
sitivos de drenagem (desenhos) e especificações técnicas de materiais e serviços de órgão e
municípios que dispõem desses e que melhor atendam às características locais ou desenvolve os
seus próprios documentos. Com isso, passa a ter um padrão para a conformação dos logradouros
públicos, para realizar licitações, tendo referência clara para fiscalizar e aceitar obras e serviços.

d) Programas
Por fim, são estabelecidos programas de acompanhamento e aprimoramento do sistema implantado.

2.5.2 Exemplos de extratos de Planos Diretores:


a) Leis introduzidas no município de São Paulo
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

i) Os estacionamentos em terrenos deverão ter 30% (trinta por cento) de sua área com piso
drenante ou com área naturalmente permeável; e
ii) Lei das “piscininhas” (2002): obriga a execução de reservatório para as águas coletadas
por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabi-
lizada superior a 500m2. O volume de armazenamento do reservatório deve obedecer a
equação seguinte:

V = 0,15 x A x I x d (2.1)

Onde:
V = volume do reservatório (m3),
A = área impermeabilizada (m2),
22
I = índice pluviométrico igual a 0,06m/h ou 60mm/h,
d = tempo de duração da chuva igual a uma hora.
b) Rio Aricanduva
A Figura 2.2 mostra um exemplo de um mapa onde se indicam os reservatórios e elementos da
bacia de um rio em sua parte urbana.

Figura 2.2 – Exemplo de um mapa do plano diretor para a Bacia do Rio Aricanduva

c) Exemplo do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, 1998


As seguintes diretrizes foram consideradas em face da demanda de grande volume de obras de
drenagem, aliada à escassez de recursos dentre outras de caráter institucional e legal:
1. Severa obediência às leis de ocupação e zoneamento urbanos;
– Manutenção e preservação de áreas que tenham grande potencial de riscos de erosão;
2. Controle rígido de desmatamentos;
3. Providências para minimizar o transporte de lixo e sedimentos;
– Disseminação do conceito de reservatórios de detenção que, além de reduzir picos FUNDAMENTOS DA DRENAGEM URBANA
de descarga, favorecendo o dimensionamento e os custos de obras de melhoria e
projetos de canalização a jusante, ainda podem retardar a chegada dessas vazões
aos cursos d´água receptores;
– Medidas não-estruturais e institucionais gerais visando à redução dos picos máximos
de cheias; e
– Limitação das velocidades de escoamento, onde possível, em 2,0 m/s para futuros
projetos de canalização dentro das sub-bacias integrantes do sistema de drenagem
da Bacia do Alto Tietê.

2.6 CONCEPÇÃO GERAL DE DIMENSIONAMENTO

Sob uma perspectiva simples e objetiva, o cálculo da drenagem urbana compreende, basicamente,
23
uma etapa hidrológica, para saber a quantidade de água a drenar – o deflúvio de projeto, e outra,
hidráulica, de arranjo e dimensionamento do sistema que conduzirá essa água. Neste trabalho
vai-se considerar desde a drenagem de cada rua e suas interconexões, que é a microdrenagem,
até a sua continuação natural, os receptores d’água – canais e reservatórios de uma bacia, onde
tudo isso se insere, que é a macrodrenagem. Basicamente, a primeira, em geral considerada para
um período de retorno de 10 anos, visa evitar a interferência entre as enxurradas e o tráfego de
pedestres e veículos, e a segunda, em geral considerada para um período de retorno de 25, 50 ou
até 100 anos, objetiva prevenir riscos de prejuízos materiais e de perdas de vidas humanas.

2.7 MACRODRENAGEM

Uma obra de macrodrenagem é verificada para as chuvas mais intensas (precipitação com período
de retorno da ordem de 25 a 50 anos), considerando-se os possíveis danos às propriedades e os
riscos de perdas humanas.

1) Obras e serviços de macrodrenagem


As obras e serviços de macrodrenagem visam melhorar o escoamento para atenuar:
a) inundações;
b) erosões; e
c) assoreamentos.

Eles devem constar de Planos de Macrodrenagem e podem reduzir a necessidade de algumas


tubulações subterrâneas da microdrenagem. São constituídos de:
a) grandes galerias;
b) canais naturais e artificiais;
c) dique de proteção para preservar região ribeirinha. Não se deve construir elevado, pois há
risco de rompimento, com conseqüências negativas que são maiores do que as causadas
pela sua ausência;
d) melhoria de canais e calhas de rios (retificação, alargamento, aprofundamento, dragagem,
derrocamento, revestimento etc.);
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

e) manutenção de canais e bacias de detenção com remoção de sedimentos, lodos orgâni-


cos, lixos, detritos urbanos e ervas daninhas;
f) adequação e manutenção de grandes reservatórios naturais em parques urbanos;
g) construção de reservatórios de detenção e de retenção;
h) dispositivos de proteção à erosão (drenos sub-horizontais; muros de arrimo etc.);
i) reposição de vegetação em áreas erodidas e nas várzeas (matas ciliares); e
j) cercas em vias marginais e faixas de servidão, para preservar obras de drenagem ou de
preservação (galerias, bacias de detenção ou retenção, parques, áreas de preservação
natural, bacias de retenção ou detenção etc.).

2) Projeto básico de macrodrenagem


O projeto básico de macrodrenagem resulta em:
24
a) Relatório técnico: deve incluir descrição da bacia, situação atual e prospectiva, dados plu-
viométricos disponíveis, estudos de hidrogramas, cálculo de vazões, critérios básicos de
engenharia utilizados, planos alternativos, aspectos ambientais e legais e recomendações.
Deve apresentar memória que demonstre a capacidade do sistema de macrodrenagem.
b) Quadros e desenhos: devem apresentar a planta geral do projeto e os perfis na escala
1:500 ou 1:1.000. Devem apresentar, também, as cotas do fundo do canal ou da galeria,
os perfis aproximados da linha d’água, pontes e seções transversais típicas. Devem con-
ter informações para orientar as desapropriações antes da construção.

2.8 MICRODRENAGEM

Uma obra de microdrenagem faz-se necessária para criar condições razoáveis de circulação de
veículos e pedestres, por ocasião de ocorrência de chuvas freqüentes (precipitação com período
de retorno de 2 a 10 anos). A microdrenagem urbana, ou o sistema inicial de drenagem, é
constituída pelo sistema de condutos pluviais relacionados aos espaços dos loteamentos ou
rede primária urbana. Um exemplo dos elementos da microdrenagem está mostrado na Figura 2.3.

CT = 98m CT = 99m CT = 100m

CT = 97m PV.14 PV.13 PV.2 PV.1

PV.15 PV.3

PV.17 PV.16 PV.5 PV.4

CT = 96m

PV.18 PV.6

PV.19 PV.8

FUNDAMENTOS DA DRENAGEM URBANA


PV.20 PV.7

CT = 95m

PV.21 PV.9

PV.12
PV.22 PV.10
PV.11

PV.23

Vai ao receptor

Figura 2.3 – Microdrenagem tradicional (BIDONE e TUCCI, 1995)

Na microdrenagem, o escoamento natural não é bem definido, sendo determinado pela ocupação
do solo. Inicia-se nos coletores prediais das edificações, prossegue no escoamento das sarjetas e
sarjetões e entra em pequenos canais, nos bueiros ou nos sistemas de galerias.
Um sistema de galerias, por sua vez, compreende a parte subterrânea da microdrenagem iniciada na
25
boca-de-lobo e contendo condutos de ligação; poços de visita; caixas de ligação; e ramais. Esses ele-
mentos passam a ser apresentados nos próximos capítulos com informações de como dimensioná-los.
3
Fases de projeto

A Figura 3.1 resume as várias etapas a serem consideradas em um projeto de drenagem urbana,
mostrando a seqüência dos passos a serem seguidos e as inter-relações entre as fases. Nos itens
seguintes serão comentadas as atividades previstas no fluxograma.

Levantamentos Estudos preliminares


– na prefeitura
Início – bibliográficos
– hidrológicos
– uso do solo
– de campo – vias
– dispositivos drenagem tipo

Fim Anteprojeto

Não
Execução e Audiência pública
“As Built” Aprovada? (representação local e de
município a jusante)
Licença prévia
Licença Instalação Sim
Licença Operação
Não
micro
Mais
Projeto Executivo detalhes? Projeto básico
Sim
macro

Figura 3.1 – Fluxograma das fases de um projeto de drenagem urbana

3.1 LEVANTAMENTOS
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

A primeira atividade do projetista é o levantamento de dados de interesse para a área a ser


drenada. Os itens seguintes apresentam a série de dados a serem pesquisados.

3.1.1 Levantamentos na prefeitura municipal


Da Prefeitura local, o projetista deve procurar obter:
1) Diretrizes Básicas para Projetos de Drenagem Urbana ou Caderno de Encargos de Infra-Es-
trutura Urbana ou outra forma de expressão das posturas do município onde ocorrerá a obra;
2) Planos Diretores do município;
3) Projetos existentes de redes de águas pluviais na área em estudo e adjacências (especial
atenção ao projeto de greide de logradouros implantados ou não-implantados);
26
4) O cadastro ou previsão de localização, nos logradouros, de dutos de outras redes e siste-
mas como: água potável, esgoto sanitário, eletricidade, gás, comunicações ou TV a cabo;
5) Características geológicas da bacia hidrográfica;
6) Informações geotécnicas da área e do lençol freático;
7) Informações sobre o nível d’água máximo verificado ou observado dos receptores de
águas pluviais;
8) Pontos de locação de Referência de Nível (RN) oficial;
9) Existência de fábrica de pré-moldados de condutos no município e redondezas; e
10) Plantas e cartas topográficas e restituições aerofotogramétricas e fotografias aéreas:
a) na escala 1:500 ou 1:1.000, cadastral, com indicação dos arruamentos existentes e
projetados. Se não for possível, utilizar documentos na escala 1:2.000, com curvas de
nível a cada 1m ou 2m; ou ainda, 1:5.000, com curvas de nível a cada 5m. A possibilidade
de escolha de escalas menores ou maiores é decorrente da maior ou menor movimentação
do terreno, nessa ordem; e
b) na escala de 1:5.000 ou 1:10.000, para determinar a bacia contribuinte da área a ser
drenada e as diferentes permeabilidades do terreno. Na impossibilidade, utilizar escala
de 1:25.000.

Não se obtendo plantas ou mesmo para melhor instruir o estudo, dependendo da localização do
projeto, existe a possibilidade de se conseguir cartas topográficas ou fotografias aéreas de
outras fontes como as listadas na tabela 3.1.

Tabela 3.1 – Lista de entidades fornecedoras de cartas ou imagens cartográficas

Entidade
Produto Site
Sigla Nome
Instituto Brasileiro de Geografia cartas, da escala
IBGE http://www.ibge.gov.br
e Estatística 1:25.000 em diante
Diretoria do Serviço Geográfico cartas, da escala
DSG http://www.dsg.eb.mil.br/
do Exército Brasileiro 1:25.000 em diante
Empresa Paulista de
Emplasa cartas topográficas http://www.emplasa.sp.gov.br
Planejamento Metropolitano S.A.
Instituto Geográfico cartas, da escala
IGC http://www.igc.sp.gov.br
e Cartográfico 1:2.000 em diante
FASES DO PROJETO

Internet (programa: Google Earth ) - imagens - http://earth.google.com


www.engemap.com.br
www.ctgeo.com.br
fotos
www.multispectral.com.br
Empresas de aerofotogrametria aéreas/restituições
www.aerocarta.com.br
aerofotogramétricas
www.engefoto.com
www.maplanbrasil.com.br

27
3.1.2 Levantamento bibliográfico de dados hidrológicos
Para levantamentos hidrológicos deve-se proceder consultas aos documentos e elementos citados a seguir:
1) Atlas climatológico;
2) Atlas e mapas pedológicos (tipos de solos locais);
3) Sistema de Classificação Climática de Wladimir Peter Köppen;
4) Dados pluviométricos da Agência Nacional de Águas (ANA); e
5) Identificar a existência de equação da chuva padrão local e das relações intensidade-
duração-freqüência e de hietogramas típicos de distribuição temporal, para as precipitações
históricas da região.

3.1.3 Levantamentos de campo


Estudadas as cartas, plantas e as posturas municipais, o projetista se dirige à área do projeto
para a inspeção e outros levantamentos listados a seguir:
1) Topográficos: identificação no local de RN oficial; cotas de cruzamento de ruas; pontos
notáveis; áreas inundáveis; cota da máxima cheia; locais de deságüe; pontos baixos;
mudanças de declividade e de soleiras, se necessário;
2) Geotécnicos: natureza dos solos da bacia e ao longo das vias; nível do lençol freático,
se possível no período de chuvas;
3) Condições da rede de águas pluviais a ser aproveitada (funcionamento, condições
estruturais etc.);
4) Localização de áreas alagadiças;
5) Possibilidades de uso do material eventualmente a ser escavado;
6) Possíveis locais de bota-fora de material escavado;
7) Fontes de água natural (poços, nascentes ou bicas) usadas pela população;
8) Áreas inundáveis (entrevista com moradores locais);
9) Cota dos pontos mais baixos a drenar;
10) Localização dos receptores d’água apropriados (exutórios);
11) Condições e nível da máxima cheia dos receptores d’água (rio, lago etc.);
12) Antever a necessidade de evitar a reprodução de vetores;
13) Índice de ocupação urbana;
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

14) Ocupação e recobrimento do solo nas áreas não urbanizadas da bacia;


15) Características da cobertura vegetal;
16) Distâncias às zonas povoadas;
17) Aceitação da implantação da drenagem pela população;
18) Possíveis conseqüências ecológicas, com ou sem o sistema de drenagem;
19) Tipos e materiais disponíveis, no comércio local, para a construção do sistema de drenagem; e
20) Verificar a existência e possibilidade de uso de materiais alternativos (escória de alto-forno,
alvenaria etc.).

3.2 ESTUDOS PRELIMINARES

28
De posse dos levantamentos, as informações são transferidas para as cartas topográficas e
registradas textualmente, para consolidar os seguintes dados:
1) Vias
a) o sistema viário com indicação do tipo de cada via (expressa, principal, secundária
ou local);
b) seção transversal das vias (pista e passeio); e
c) tipos de pavimentos das vias;
2) Topográficos
a) definição ou adequação do alinhamento horizontal das vias;
b) greide das vias; e
c) identificação das cotas de todos os pontos de cruzamento, de mudança de greide e
de direção dos logradouros existentes na área, da cota máxima dos receptores, assim
como de todos os pontos notáveis.
3) Prospecção geotécnica
a) identificação dos tipos de solos locais;
b) localização e disposição dos diferentes horizontes do subsolo;
c) identificação do uso e ocupação do solo previsto para a área; e
d) identificação do nível do lençol freático em diferentes épocas do ano.
4) Dispositivos de drenagem: projetos padrões com suas características (forma geométrica,
materiais, dimensões etc.).
5) Hidrológicos – estudo e avaliação das informações pluviométricas, fluviométricas e de
marés na região do projeto.
a) escolha do posto meteorológico de referência;
b) definição das características pluviométricas do posto na região de projeto (equação de
chuvas do posto, curva de precipitação x duração x tempo de recorrência, intensidade
x duração x tempo de recorrência etc.);
c) identificação da grande bacia natural em que se insere a área a ser drenada;
d) determinação das características das bacias de contribuição (área da bacia,
comprimento e desnível do talvegue), com a apresentação de planta das bacias em
escala adequada;
e) análise e uso, caso necessário, dos elementos fluviométricos (cotas dos níveis d’água,
vazões e curva-chave);
f) análise e uso, caso necessário, dos dados de maré, buscando estabelecer a cota da
FASES DO PROJETO

maré de sizígia;
g) definição da metodologia de cálculo das vazões de projeto; e
h) determinação das vazões das bacias de contribuição para o projeto (descrição dos
critérios utilizados e planilha de cálculo das vazões).

3.3 ANTEPROJETO (CONCEPÇÃO, ESTUDO DE ALTERNATIVAS E DE VIABILIDADE)

Os passos seguintes devem ser considerados num anteprojeto de drenagem urbana:


29
1) Descrição da concepção do sistema;
2) Estudos hidrológicos:
a) da pluviometria:
i) definição dos tempos de recorrência;
ii) obtenção da chuva de projeto (precipitação e intensidade) com o uso de posto
adequado à região; e
iii) elaboração de histogramas com número de dias de chuva médio mensal.
b) Da vazão:
i) delimitação das áreas das bacias e sub-bacias;
ii) determinação da duração da chuva de projeto (tempo de concentração);
iii) definição dos coeficientes de escoamento superficial;
iv) determinação da chuva de projeto para as bacias; e
v) cálculo das vazões de projeto.
c) da curva chave do rio (cotas limnimétricas x vazão);
d) definição da maré de sizígia.
3) Definição dos parâmetros de cálculo: velocidades limites de escoamento, declividades mais
adequadas etc.;
4) Desenho do sistema de drenagem em planta e perfil:
a) dispositivos existentes;
b) dispositivos propostos;
c) representação de galerias e canais;
d) locação de reservatórios de detenção e retenção, diques, bombas etc.; e
e) linha demarcatória de calha de rios, alargamentos, retificações, leito maior etc.
5) Sobreposição a outros sistemas:
a) interligação com sistema de drenagem existente: verificação da capacidade hidráulica
da rede a ser aproveitada e condições de funcionamento;
b) interferências com sistemas existentes: forma de contornar; e
c) usos alternativos das soluções adotadas.
6) Pré-dimensionamento com a escolha do tipo de dispositivos a adotar, seções transversais,
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

capacidades de reservatório e dimensões de diques;


7) Determinação dos quantitativos de serviços e orçamento preliminar das alternativas;
8) Relatório de inspeção local (com registro fotográfico) com avaliação:
a) técnica;
b) de custos (quantidades e dimensões das estruturas especiais: pontes, diques, estações
de bombeamento etc.); e
c) identificação de restrições legais, ambientais e sociais.
9) Estudo de viabilidade.
A escolha da solução que melhor atenda ao programa de necessidades, sob os aspectos legal,
técnico, econômico e ambiental, deve considerar os seguintes itens:
a) a relação custo – beneficio do empreendimento;
30
b) compatibilização com os recursos disponíveis; e
c) definição de métodos e prazos de execução.
Depois de identificada a alternativa que proporciona o máximo de vantagens e benefícios ao menor
custo, é realizada uma reunião entre projetistas, contratantes e população local e de jusante para
validação da proposta. O relatório do anteprojeto é enviado ao Poder Público para Licença Prévia (LP),
para aprovação da localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecimento
de requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos no projeto.
Na Tabela 3.2 está mostrada, de outra forma, uma seqüência de passos a serem realizados para
se obter um anteprojeto adequado da microdrenagem urbana.

Tabela 3.2 – Seqüência para anteprojeto de microdrenagem

Seq. Atividade
1 Na carta topográfica ou restituições aerofotogramétricas ou fotografias aéreas, delimitar as bacias
a serem drenadas.
2 Indicar o sentido de escoamento das águas pluviais ao longo de cada lado das vias.
3 Delimitar (linhas finas interpontilhadas) as áreas tributárias a cada ponto de captação.
4 Levantar as áreas de contribuição para cada ponto de captação.
5 Definir ou calcular os coeficientes de deflúvio (ou de escoamento superficial) em função das
características de ocupação de cada área a ser drenada.
6 Calcular as vazões de projeto (deflúvios a escoar) que serão captadas pelas obras de drenagem. O
procedimento deve ser realizado de montante para jusante.
7 Representar as bocas-de-lobo/caixas de ralo por pequenos retângulos, definir as posições das
obras de montante para jusante, nos cruzamentos e onde a água possa empossar.
8 Representar ramais de ligação entre dispositivos de captação e poços de visita, de preferência
dentro da caixa da via. Usar linha cheia para projeto e tracejada para dispositivos existentes.
9 Representar os poços de visita por pequenos círculos, locá-los em função dos dispositivos de
captação das águas e da disposição do arruamento.
10 Identificar as cotas do terreno e greide em cada poço de visita, bem como em pontos críticos do greide.
11 Numerar os poços de visita no sentido crescente das vazões, de montante para jusante, de forma
que cada um receba contribuição proveniente de outro de número menor.
12 Medir entre os centros dos poços de visita a extensão de cada trecho das galerias.
13 Realizar os cálculos de dimensionamento de cada trecho da galeria, determinando diâmetro,
declividade, velocidade, cotas, etc.
FASES DO PROJETO

3.4 PROJETO BÁSICO DE DRENAGEM (RELATÓRIO FINAL)

O Projeto Básico é o documento técnico mais importante para a licitação de obras públicas. Pode ser
conceituado como o conjunto de elementos que definem a obra, permitindo a quantificação dos materiais,
equipamentos e serviços a serem utilizados e possibilitando a estimativa de seu custo e prazo de execução.
O Projeto Básico deverá incluir (Lei 8.666/93, art. 6o, IX):
1) Especificação técnica de materiais e serviços a serem utilizados;
31
2) Orçamento detalhado, inclusive com BDI; e
3) Licenciamento ambiental, caso exigido.
Nos Quadros 3.1 e 3.2 a seguir são mostrados alguns comentários relevantes extraídos das
legislações vigentes que ressaltam preocupações legais nos projetos de drenagem urbana.

Quadro 3.1 – Extrato da Resolução Conama no 237/1997

LICENCIAMENTO AMBIENTAL
A Resolução Conama no 237/1997 lista os empreendimentos que necessitam de licenciamento
ambiental. Para obras civis, dentre outras cita:
– barragens, diques, canais para drenagem e retificação de curso d’água; e
– abertura de barras, embocaduras e canais.
Independentemente da Resolução no 237/1997, deverão ser licenciados empreendimentos que:
– possuam potencial poluidor ou grau de utilização de recursos naturais muito elevados;
– localizem-se em ou interfiram com unidade de conservação ou zona de amortecimento; e
– sejam incompatíveis com zoneamento ecológico-econômico aprovado.

Quadro 3.2 – Extrato da Resolução Conama no 1/1986

ESTUDOS AMBIENTAIS
Paralelamente ao licenciamento ambiental, podem ser exigidos, pelo órgão governamental, a
apresentação de estudos ambientais, como condição para concessão de licença.
Estão sujeitos a estudo ambiental, EIA e respectivo RIMA, em princípio, empreendimentos
com significativo impacto ambiental. Eles estão listados na Resolução Conama no 1/ 1986,
art. 2o, dentre outros, o item VII :
– VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para
fins hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para
navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, abertura de barras e
embocaduras, transposição de bacias, diques.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

A materialização do Projeto Básico ocorre no documento denominado Relatório Final. Sua forma de
apresentação consiste em volumes encadernados, um para cada tópico do projeto, à medida que os
mesmos são desenvolvidos. Normalmente, esses tópicos são em número de cinco, estando os
mesmos apresentados a seguir. Procurou-se expor uma estrutura completa que pudesse contemplar
grandes empreendimentos e, a partir daí, possibilitar uma adequação à dimensão e especificidade
de cada obra.

3.4.1 Relatório Técnico


O Relatório Técnico deve conter os seguintes itens:
1) Apresentação:
• citar a empresa ou departamento responsável pelo projeto, nome do município, órgão
32
responsável, nome da obra, localização, extensão, nome do relatório final e a composição
de sua estrutura.
2) Planta de situação da obra

3) Elementos da bacia hidrográfica:


a) planta da bacia hidrográfica;
b) Descrição da bacia hidrográfica:
i. características morfológicas da bacia;
ii. características de ocupação e de cobertura vegetal;
iii. características geológicas e dos solos da bacia; e
iv. avaliação das condições de permeabilidade da bacia.
c) Análise das características da bacia que repercutem no deflúvio superficial.

4) Descrição do escopo do projeto:


a) objetivo da obra: segurança, redução de inundações, tráfego de pessoas e veículos, etc;
b) abrangência:
i) extensão atendida (bairros, áreas de risco, setor industrial, marginal etc.); e
ii) nível da drenagem, micro ou macrodrenagem: superficial, galerias, canais etc.

5) Resumo das características do projeto básico:


a) descrição da concepção do sistema. Exposição do estudo realizado e a justificativa
da solução adotada; e
b) meios empregados para levantar elementos existentes; citação dos dispositivos de
drenagem projetados; projetos-padrão utilizados; critérios na determinação de suas
capacidades; descrição dos tipos de materiais empregados; proteção da saia dos
aterros e do deságüe dos dispositivos.

6) Dados básicos:
a) planta da bacia hidrográfica (sub-bacia);
b) desenhos cadastrais da faixa de influência das obras;
c) drenagem lateral;
d) interferências principais e utilidades públicas;
e) condições previstas de desenvolvimento futuro;
FASES DO PROJETO

f) cobertura vegetal e condições de ocupação da bacia atual e futura;


g) características geológicas da bacia;
h) características geotécnicas e do lençol freático da faixa de implantação das obras;
i) informações sobre chuvas intensas na área da bacia;
j) estudos anteriores;
k) obras existentes (condições estruturais, hidráulicas etc.); e
l) Planta do perfil longitudinal do(s) curso(s) principal(is) (com estaqueamento).

33
7) Estudos hidrológicos:
a) critérios de projeto;
b) chuvas de projeto:
i) tempo de recorrência;
ii) duração da chuva de projeto (tempo de concentração); e
iii) intensidade.
c) subdivisão da bacia em áreas hidrologicamente homogêneas;
d) parâmetros morfológicos característicos das sub-bacias;
e) cálculo de vazões máximas e/ou hidrogramas de cheias; e
f) estudo de reservatórios de detenção ou de retenção.

8) Concepção de alternativas:
a) traçado em planta;
b) escolha dos condutos e seções transversais; e
c) opções de arranjo em perfil longitudinal.

9) Projeto hidráulico:
a) critérios de projeto;
b) dimensionamento das obras de drenagem;
c) dimensionamento de seções transversais das obras de canalização;
d) estabelecimento do perfil longitudinal final das obras;
e) características preliminares das singularidades e obras especiais;
f) cálculo de linhas d’água;
g) análise hidráulica e estabelecimento da configuração final das singularidades e obras
especiais; e
h) projeto hidráulico dos reservatórios de detenção ou retenção.

10) Metodologia de construção:


Deverá conter o resumo da técnica construtiva a empregar com a descrição dos tipos de
equipamentos e materiais previstos, observando a coerência com com os quantitativos e
os orçamentos dos serviços.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

11) Especificações técnicas:


Todas as especificações técnicas devem ser apresentadas de maneira clara e objetiva,
de forma a não trazer qualquer dúvida. Sempre que possível devem estar dentro das
normas técnicas vigentes, ou, quando estas não existirem, serem realizadas de acordo
com a boa técnica consagrada.

3.4.2 Projeto de Drenagem: quadros e desenhos


O relatório final de um projeto de drenagem deve conter um volume com as informações seguintes:
1) Quadro de quantidades;
2) Planta de situação da rede (escala adequada), se possível com indicação de trechos
existentes e propostos;
34
3) Planta (escala 1:500) com a localização dos dispositivos que compõem o sistema de
drenagem. Eventualmente, a escala poderá ser ajustada à necessidade do projeto;
4) Desenhos do perfil longitudinal, com greide, nas escalas vertical: 1:50 e horizontal: 1:500;
5) Desenho(s) de seções transversais típicas das vias (passeio, guia ou meio-fio, sarjeta
e pista);
6) Projetos – tipo dos dispositivos de drenagem;
7) Listagem de sarjetas e meios-fios (estaca inicial e final de localização, lado, tipo, extensão);
8) Listagem de bocas-de-lobo e caixas de ralo (estaca de localização, lado, tipo e cotas de topo
e fundo);
9) Listagem de poços de visita e caixas de passagem (estaca de localização, lado, tipo e cota
de topo e fundo);
10) Listagem de descidas d’água e outros dispositivos (estaca de localização, lado, tipo e
quantidade);
11) Desenho(s) com métodos construtivos e etapas de execução das obras: valas e seus
escoramentos, drenagem de serviço, barragens para desvio de cursos d’água, bicas etc.;
12) Desenhos de estruturas e detalhes especiais; e
13) Planta do canteiro de obras.

3.4.3 Memória Descritiva – Justificativa


O item do relatório final do projeto de drenagem urbana, correspondente à memória justificativa,
deve conter as seguintes informações:

1) Dos Estudos:
a) topográfico:
i) citar referências metodológicas adotadas;
ii) material, equipamento e tipos usados na materialização e implantação da rede de
marcos topográficos;
iii) aplicativos de informática utilizados;
iv) sistemas de coordenadas adotados;
v) levantamentos plano – altimétricos cadastrais de obras existentes, redes de serviços
públicos, acessos secundários e interferências; e
vi) coordenadas topográficas dos pontos notáveis.

b) hidrológico:
FASES DO PROJETO

i) caracterização climática, pluviométrica e geomorfológica da região do projeto;


ii) classificação climática de Köppen, temperaturas médias anuais, precipitação média
anual com os meses de concentração e número de dias de chuva médio mensal;
iii) fixação dos períodos de retorno (tempos de recorrência);
iv) definição do posto pluviométrico representativo, análise dos dados pluviométricos
e definição das curvas “Intensidade – Duração – Freqüência”;
v) caracterização das bacias de contribuição, cartas topográficas/fotografias aéreas de
referência, descrição do relevo, ocupação e cobertura vegetal da bacia e tipos de solos;
35
vi) método de cálculo de vazão adotado; e
vii) estimativa das contribuições máximas de projeto.
c) geológico:
i) geologia regional: ocorrências, tipos de materiais, cobertura sedimentar, aluviões,
horizontes; e
ii) considerações práticas no trato do material (erosão, estabilidade etc.).

d) geotécnico:
i) avaliar estrutura do pavimento (camadas) do pavimento existente;
ii) avaliar nível do lençol freático;
iii) realizar ensaios de caracterização dos materiais onde será implantada a drenagem
(limite de liquidez e de plasticidade, granulometria por peneiramento);
iv) realizar ensaios na areia a ser empregada na obra: granulometria por peneiramento,
equivalente de areia e teor de matéria orgânica;
v) realizar ensaios nos agregados graúdos a empregar na obra: Abrasão “Los Angeles”,
Índice de Forma e Durabilidade; e
vi) avaliar materiais alternativos, caso seja possível seu uso.

e) de proteção ambiental:
i) breve histórico da área de projeto;
ii) objetivos e justificativas das melhorias implantadas;
iii) citar se as obras a executar estão de acordo com o Quadro de Quantidades;
iv) áreas de influência direta:
– localização dos impactos causados pelas obras e atividades de operação e
conservação do sistema (perdas devido ao assoreamento, erosões, áreas de
empréstimo e bota-fora e travessias de corpos d’água); e
– indicar áreas protegidas legalmente, fontes de água usadas para abastecimento
humano, desapropriações e segregação urbana.

2) Dos projetos:
a) de drenagem:
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

i) descrição do sistema de drenagem, com informações sobres os dispositivos e suas


características (forma geométrica, dimensões e revestimento). Citar onde os detalhes
construtivos (projetos tipo) estão inseridos;
ii) descrição da metodologia de cálculo;
iii) apresentar planilhas, com verificação de velocidade d’água, com o comprimento crítico
de sarjetas e meios-fios;
iv) dimensionamento das galerias: com definição das seções, declividades, velocidade
de escoamento, degraus, verificação da interligação com sistema existente e outros
elementos de projeto; e
v) cálculo da cota de máxima cheia de cursos d’água receptores e verificação da velocidade
de escoamento.
36
b) de obras complementares:
Descrição de enrocamento, muro de arrimo, cerca, revestimento vegetal etc.
c) ambiental:
i) medidas para controle de erosão;
ii) soluções para instabilidade de taludes e assoriamentos;
iii) controle de poeira;
iv) preservação de águas superficiais e subterrâneas;
v) medidas de proteção do solo;
vi) localização de bota-foras (não podem ser realizados em talvegues e próximos aos
corpos d’água e drenagens naturais);
vii) localização de desmatamento e aproveitamento do material lenhoso (minimizar
desmatamentos para a execução das atividades); e
viii) indicar procedimentos para coleta, disposição e destinação dos resíduos sólidos e
efluentes do canteiro de obras e alojamentos.

3) Notas de Serviço dos dispositivos projetados e aproveitados

4) Mobilização e desmobilização:
• critérios: ponto de origem (município), equipamentos de grande porte e de pequeno porte,
veículos leves e caminhões comuns.

3.4.4 Relatório de Avaliação Ambiental


O Relatório de Avaliação Ambiental deve conter os seguintes itens:

1) Apresentação:
• Empresa ou departamento responsável pelo projeto, nome do município, órgão responsável,
nome da obra, localização, extensão, nome do relatório final e sua estrutura.
2) Planta de situação;
3) Objetivos do Projeto de Recuperação Ambiental;
4) Características, situação e localização da obra;
5) Diagnóstico ambiental:
a) meio físico;
b) meio biótico; e
FASES DO PROJETO

c) meio socioeconômico.
6) Passivos ambientais;
7) Impactos ambientais:
a) identificação dos impactos ambientais;
b) impactos ambientais nas etapas da obra; e
c) avaliação dos impactos ambientais.
8) Medidas mitigadoras (meios físico, biótico e socioeconômico);
9) Cronograma físico;
37
10) Quantitativos; e
11) Especificações técnicas.
3.4.5 Orçamento e plano de execução;
O relatório referente ao orçamento e plano de execução deve conter os seguintes itens:
a) resumo do orçamento;
b) planilha e orçamento, com quadro de quantidades de serviços e preços unitários e totais;
c) composições de custos unitários de serviços;
d) quadro resumo de consumo de materiais;
e) plano de execução (clima e pluviometria, características técnicas da obra, apoio logístico,
prazos, pessoal técnico e equipamento mínimo); e
e) cronograma físico-financeiro.

Após a confecção do Relatório Final do projeto, contendo os itens de 3.4.1. a 3.4.5, solicitar ao
Poder Público a Licença de Instalação (LI) e de Operação (LO).

3.5 PROJETO EXECUTIVO DE DRENAGEM

O Projeto Executivo consiste no detalhamento do Projeto Básico acrescidos dos projetos específicos
e dos elementos que não foram desenvolvidos na fase anterior.

3.6 APRESENTAÇÃO DO “AS BUILT” – COMO CONSTRUÍDO

Durante a construção de uma obra, podem ocorrer mudanças de materiais ou geométricas, entre
outras, que diferem da concepção original do projeto por motivos diversos. Essas alterações devem
ser analisadas e validadas pelo profissional que realizou o projeto.
A importância de se registrar as modificações num “As Built” ou relatório de “como construído” é
fornecer uma memória do que realmente foi executado. Preferencialmente, deve ser elaborado
durante a obra ou no máximo após a conclusão.
Uma obra, durante sua vida útil, recebe várias intervenções, como manutenção, reforma e ampliação,
portanto, de posse desse documento é possível avaliar as mudanças a realizar, reduzindo a necessidade
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

de constantes visitas e a perda de tempo na realização de aberturas de trincheiras investigativas, o


que pode ocasionar degradação dos sistemas implantados, problemas construtivos e acidentes.

38
4
Cálculo da vazão
de projeto

Para determinação da vazão de projeto a metodologia empregada é considerada a partir da área


da bacia hidrográfica onde se insere a obra a ser realizada.
Usualmente são empregadas fórmulas empíricas e elementos fluviométricos. O empirismo ocorre
pela pesquisa experimental confirmada pelo meio técnico ao longo de anos de emprego.
É comum o uso do Método Racional para áreas de contribuição até 10km2, sendo que alguns
projetistas e autores incluem fatores de redução que acompanham a elevação do valor de 1km2
até 10km2.
Para áreas de contribuição superiores a 10km2, utilizam-se hidrogramas e a fórmula de Ven te Chow.
No entanto, quanto maior é a área de contribuição mais difícil é se obter, com precisão, dados
como o coeficiente de escoamento superficial e uma chuva representativa para toda a área da
bacia. Por isso, em bacias onde o talvegue é bem definido, é ideal implantar estações medidoras
de níveis d’agua e vazões de forma a se obter um retrato fiel do comportamento dos fluxos d’água.
Essas estações fluviométricas são operadas por órgãos e entidades que buscam, na maioria das
vezes, obter informações sobre as cotas do fluxo d’água e as descargas que ocorrem na seção
onde se encontram os aparelhos de medição. Eventualmente, algumas dessas estações também
possuem equipamentos que realizam medições de velocidade do fluxo d’água, da quantidade de
sedimentos e da qualidade da água.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Ao se projetar canais, galeria ou bueiros, quando o nível d’água a jusante da obra é controlado por
mar, lago ou curso d’água, é importante realizar um levantamento estatístico dos níveis altos
ocorrendo junto com as descargas máximas de deflúvio, sendo também necessário calcular o
remanso, que pode se estender por vários quilômetros. Entretanto, essa situação é rara, dispen-
sando esses levantamentos na maioria dos casos. Caso haja um posto fluviométrico marcando os
níveis máximos, o cálculo do remanso se torna desnecessário.
Portanto, se a obra de drenagem a ser executada encontra-se na calha de um curso d’água que é
monitorado sistematicamente e possui um histórico de medições das cotas do fluxo d’água e des-
cargas, pode-se dispor de dados como a curva-chave e de fluviogramas que irão facilitar o di-
mensionamento de uma estrutura sobre seu curso. Na Figura 4.1 a seguir, apresenta-se exem-
plo de curva-chave de um curso d’água obtida a partir de série de dados fluviométricos do mesmo.
40
Não havendo essa possibilidade, e de forma mais comum, usa-se levantar dados de chuva e da
bacia hidrográfica e lança-se mão das fórmulas empíricas para obtenção da vazão de projeto. Esse
procedimento é detalhado segundo o fluxograma mostrado na Figura 4.2.

Início

Definir Calcular
Curva chave tempo de duração da
recorrência chuva

Calcular
Nível

chuva de
projeto

Calcular Levantar
Delimitar coeficiente
bacia descarga
de deflúvio

Vazão

Fim
Figura 4.1 – Curva-chave de um rio

Figura 4.2 – Fluxograma para calcular a


descarga de projeto

4.1 TEMPO DE RECORRÊNCIA OU PERIODO DE RETORNO (TR)

O tempo de recorrência é determinado por fatores técnicos e econômicos, tais como:


1) Tipo, importância e segurança da obra;
2) Estimativa de custos de restauração;
3) Estimativa de outros prejuízos por descarga maior;
4) Comparativo de custos para a obra para diferentes TR (anos); e
5) Risco para as vidas humanas em face de acidentes.

Deve ser considerado também o fato de já existirem obras de drenagem passíveis de aproveitamento.
Como exemplo pode-se citar que a Prefeitura de Belo Horizonte adotava em outubro de 2004, para
CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

microdrenagem, o Tempo de Recorrência de 10 anos e o Tempo de Concentração (duração da chuva)


de 10 minutos.
De forma geral é possível admitir como recomendação inicial os valores indicados na Tabela 4.1
seguinte. Os valores dessa tabela condensam procedimentos adotados por prefeituras e órgãos
que gerenciam a micro e macrodrenagem em diversos pontos do território nacional.

Tabela 4.1 – Tempos de recorrência para obras de drenagem

Tipo de Obra Tempo de Recorrência TR (anos)


Drenagem superficial (meio-fio, sarjeta) 5 ou 10
Galerias 10 ou 25
Macrodrenagem 20, 25 ou 50 41
Pontes 50 ou 100
4.2 DURAÇÃO DA CHUVA (d)

Para a determinação da chuva de projeto há que se dispor de sua duração, do tempo de recorrência
e de métodos de cálculos que melhor representem essa chuva.
Quando se utiliza o Método Racional, para determinar a vazão de projeto, pode-se adotar a duração
da chuva como igual ao tempo de concentração. A seguir apresenta-se metodologia para determina-
ção do tempo de concentração.
O tempo de concentração (tc) consiste no tempo que decorre desde o início da chuva até que toda
a bacia passe a contribuir para a seção de um determinado ponto em que se deseja calcular a
descarga de projeto.
Quer seja para áreas com características naturais (sem lotes) ou para loteamentos com sistema
viário definido, o tempo de concentração pode ser obtido como se segue:
a) para área a montante não urbanizada
— Fórmula de KIRPICH para áreas até 5km2:

tc = 57 ( L3 / ∆H ) 0,385 (4.1)

Onde:
tc = tempo de concentração (min)
L = extensão do talvegue (km)
∆H = máximo desnível na bacia medido ao longo de L (m)

— Fómula de KIRPICH MODIFICADA para áreas maiores que 5km2

tc = 1,5 x 57 ( L3 / ∆H ) 0,385 (4.2 )

b) No dimensionamento de galerias, o tempo de concentração tem o mesmo significado mas com


alguma especificidade a saber:
Ele pode ser considerado como formado pelas seguintes parcelas:
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

tc = ti + tp (4.3 )

Onde:
ti = tempo de escoamento superficial ou tempo de entrada. É o mesmo que tempo de con-
centração referido à primeira boca-de-lobo a montante
tp = tempo de percurso. É o tempo de escoamento dentro da galeria, desde da boca-de-lobo
ou caixa de ralo até a seção do coletor que se considera

No caso do dimensionamento das galerias, caso não haja um talvegue definido, o tempo de
entrada deverá ter um valor adotado para o primeiro ponto de coleta (caixa de ralo ou boca-de-
lobo). Normalmente, esse tempo varia de 5 a 12 minutos. Como ilustração, as prefeituras de
42
Belo Horizonte e Rio de Janeiro adotam, respectivamente, 10 e 12 minutos. Caso haja um talvegue
definido, o tempo de concentração deverá ser calculado por uma das fórmulas citadas acima.
Já o tempo de percurso entre dois PV é calculado dividindo-se o comprimento do trecho entre os
dois PV pela velocidade V de escoamento (m/s) e por 60 como segue:

tp = L / V x 60 (4.4)

Sendo:
tp = tempo de percurso (min)
L = distância entre dois PVs (m)
v = velocidade de escoamento (m/s)

Se a área a montante estiver urbanizada (ou com previsão de urbanização), estando o divisor de
águas a uma distância máxima de 60m, os tempos de entrada (ti) recomendados são os apresen-
tados na Tabela 4.2 a seguir.

Tabela 4.2 – Tempo de entrada (ti)

Tempo de entrada ( minutos )


Declividade longitudinal da sarjeta
Natureza da área a montante
I < 3% I ≥ 3%
Urbana densa 10 7
Residencial 12 10
Parques, jardins e campo 15 12
Fontes: Ulysses Alcantara, 1962 – Macintyre, 1996

No caso de canais revestidos, o tempo de concentração é calculado pelo método cinemático (como
no tempo de percurso das galerias). Esse método se baseia no escoamento superficial permanen-
te e uniforme, e aplica-se a fórmula de Manning para obter a velocidade média, supondo-se a área
molhada à meia seção, como segue: CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO
⎛L⎞
t c = 16,67 × ∑ ⎜ ⎟ (4.5)
⎝V⎠

Onde:
tc = tempo de concentração (minuto)
L = comprimento do escoamento (km)
V = velocidade média no trecho (m/s)

2 1
(RH) /3 × i /2 (4.6)
V= n
Sendo:
V = velocidade média (m/s)
RH = raio hidráulico (m)
43
i = declividade média de escoamento (m/m)
n = coeficiente de rugosidade
Nas bacias em que o deflúvio superficial escoa na maior parte do tempo através de canais, pode-
se utilizar um traçador para levantar o tempo de concentração.
De forma geral, em projetos que envolvam microdrenagem, adota-se tc = 10 (dez) minutos para
o cálculo da vazão de projeto das sarjetas/meios-fios e do primeiro ponto do sistema de galerias.

4.3 - CHUVA DE PROJETO – INTENSIDADE (mm/h)

Para a chuva de projeto, deve-se verificar a existência na prefeitura local de manual, instruções,
diretrizes, registro ou indicação para a expressão da precipitação pluviométrica mais adequada ao
local ou, até mesmo, o valor já adotado com este fim.

4.3.1 Expressões típicas


As equações de chuva, que são expressões empíricas das curvas de intensidade–duração–fre-
qüência, apresentam-se normalmente nas seguintes formas:

I = a / ( d + b ),
I = c / dm,
I = a .TnR / ( d + b )r,

Onde:
I – intensidade média em milímetros por minutos ou milímetros por hora
d – tempo de duração da chuva em minutos
TR – tempo de recorrência em anos
a, b, c, m, n e r – parâmetros definidos a partir das observações básicas para elaboração
da equação

Na Tabela 4.3, apresentam-se exemplos de equações de chuvas de algumas cidades brasileiras e


locais, que permitem o cálculo da intensidade de precipitação em função de parâmetros pré-defini-
dos para cada uma delas.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

4.3.2 Cálculo da precipitação segundo Otto Pfafstetter


Caso não se disponha de equação de chuva local, pode-se usar a formulação de Otto Pfafstetteer
(DNOS – Chuvas intensas no Brasil, 1957), escolhendo o posto que mais se assemelhe hidrologicamente
ao local da obra. Nessa publicação, a precipitação é determinada pelas fórmulas citadas a seguir:

( α + β / TR0,25 )
P = KP1 K = TR P1 = adc + b log (1+cdc) (4.7)

Onde:
P – precipitação máxima (mm)
TR = tempo de recorrência (anos)
44
d = duração da precipitação (horas)
α, β = valores dependem da duração da precipitação (adimensional)
Tabela 4.3 – Exemplos de equações da chuva (Wilken, 1978)

Idade Equação Referência


até 60 min I = 27,96. T 0,112 / (d + 15)b
I - mm/min b = 0,86T - 0,0144 A. G. Occhipinti e
São Paulo
> 60 min I = 42,23.T 0,15 / d 0,82 P. M. Santos
I - mm/h t - em horas
Rio de Janeiro I - mm/h I = 1239.T 0,15 / (d + 20) 0,74 Ulisses M. A. Alcântara
0,945
Brasília I - mm/h I = 10125 / (d + 16) Rufino Reis Soares
0,217 1,15
Curitiba I - mm/min I = 5950.T / (d + 26) P. V. Parigot de Souza
0,1 0,84
Belo Horizonte I - mm/min I = 24,131.T / (d + 20) --------
Ponta Grossa I - mm/h I = 1902,39.T 0,152 / (d +21) 0,893 Fendrich - 1998
0,15 0,568
João Pessoa I - mm/h I = 369,409.T / (d + 5) J. A. Souza
0,12 0,95
Sertão Oriental Nordestino I - mm/h I = 3609,11.T / (d + 30) Projeto Sertanejo - 19
I = a / (d + b),
T (anos) a b
5 23 2,4 C. Meneses e
Porto Alegre I - mm/min
10 29 3,9 R. S. Noronha
15 48 8,6
20 95 16,5

a, b, c = valores constantes para cada posto (adimensional)


K = fator de probabilidade
P1 = Precipitação para TR = 1 ano (mm)

Sendo:
5 min ≤ dc ≤ 6 dias
0,2 ano ≤ TR ≤ 100 anos
CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

Parâmetros α, β, a, b, c estão indicados nas tabelas 4.4 e 4.5 a seguir.

Como já comentado, a intensidade de precipitação (I) é a relação entre a precipitação (P) e sua
duração (d), isto é:

I = intensidade de chuva (mm/h) = P / dc

Tabela 4.4 – Valores de α (PFAFSTETTER, 1982)

Duração (D)
minutos hora dias
d 5 15 30 1 2 4 8 14 24 48 3 4 6 45
α 0,108 0,122 0,138 0,156 0,166 0,174 0,176 0,174 0,170 0,166 0,160 0,156 0,152
Tabela 4.5 - Valores de β, a, b, c (PFAFSTETTER, 1982)

Valores de β
POSTOS a b c
5min 15min 30 min 1h – 6 dias
ARACAJU - SE 0,6 24 20 0,00 0,04 0,08 0,02
BELÉM - PA 0,4 31 20 -0,04 0,00 0,00 0,04
B. HORIZONTE - MG 0,6 26 20 0,12 0,12 0,12 0,04
CUIABÁ - MT 0,1 30 20 0,08 0,08 0,08 0,04
CURITIBA - PR 0,2 25 20 0,16 0,16 0,16 0,08
FLORIANÓPOLIS - SC 0,3 33 10 -0,04 0,12 0,20 0,20
FORTALEZA - CE 0,2 36 20 0,04 0,04 0,08 0,08
GOIÂNIA - GO 0,2 30 20 0,08 0,08 0,08 0,12
RIO DE JANEIRO - RJ 0,0 35 10 -0,04 0,12 0,12 0,20
JOÃO PESSOA - PB 0,6 33 10 0,00 0,00 0,04 0,08
MACEIÓ - AL 0,5 29 10 0,00 0,04 0,08 0,20
MANAUS - AM 0,1 33 20 0,04 0,00 0,00 0,04
NATAL - RN 0,7 23 20 -0,08 0,00 0,08 0,12
PORTO ALEGRE - RS 0,4 22 20 0,00 0,08 0,08 0,08
PORTO VELHO - RO 0,3 35 20 0,00 0,00 0,00 0,04
RIO BRANCO - AC 0,3 31 20 -0,08 0,00 0,04 0,08
SALVADOR - BA 0,6 33 10 -0,04 0,08 0,08 0,12
SÃO LUIZ - MA 0,4 42 10 -0,08 0,00 0,00 0,08
SÃO PAULO - SP 0,6 16 60 -0,04 0,04 0,04 0,04
TERESINA - PI 0,2 33 20 0,12 0,12 0,12 0,12
VITÓRIA - ES 0,3 34 10 0,12 0,12 0,12 0,12
Obs: para outras cidades, consultar o Anexo C ao fim do manual

4.4 DELIMITAÇÃO DA BACIA E SUB-BACIAS


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

A definição dos limites das bacias de contribuição deverá obedecer a seqüência:


1) Marcar o divisor de águas da bacia para a seção em estudo;
2) Determinar a área de drenagem correspondente; e
3) Determinar o comprimento do talvegue e desnível, se for o o caso.

Para microdrenagem, na maior parte dos casos, as estimativas de vazões são realizadas em cru-
zamentos de ruas e nos poços de visita, considerados como pontos de análise da rede de drena-
gem. Faz-se a delimitação da área de contribuição a montante de cada um desses pontos. Consi-
dera-se que cada trecho de sarjeta recebe as águas pluviais da quadra adjacente. A área, objeto
de estudo, pode ser delimitada pelo método do diagrama de telhado quando as áreas contíguas
46
forem parceladas. Será delimitada segundo a geomorfologia (espigões) dos terrenos contíguos quan-
do estes não forem parcelados. O primeiro caso pode ser observado nas Figuras 4.3 e 4.4 a seguir.
Figura 4.3 – Levantamento
de fluxo nas ruas

o
Ri
Figura 4.4 – Divisão de áreas de
contribuição para as ruas
o
Ri

Os passos são os seguintes:


CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

1) Determinar o sentido do fluxo nas ruas;


2) Repartir cada quarteirão em divisores d’água à semelhança do projeto de um telhado,
como cumeeiras e espigões, sob orientação do encaminhamento dos fluxos.
Uma outra forma de levantar a área de contribuição é considerar cada lote ou conjunto de
lotes como uma bacia de detenção (delimitada pelos muros das casas) em que cada parte
despeja a água para os fundos ou frente se estiver no meio do quarteirão ou para um lado
ou frente, se for de esquina, em decorrência da inclinação do lote. Cada lote contribui para
uma única rua. Cada poço de visita é um exutório da área de contribuição. Um ponto de
passagem da linha da bacia é do lado da boca-de-lobo que está para jusante do escoamen-
to, como se observa na figura 4.5. Uma terceira forma (Figura 4.6), que ajuda a padronizar
o cálculo e a confecção de tabelas, é constituída da semi-largura da via (F/2) e da faixa da
47
quadra lindeira (a) que contribui para a sarjeta. Neste caso, a questão-tipo de cálculo é: a que
distância deverá estar a boca coletora para que a água não extravase a capacidade da sarjeta.
670 671 672 673 674 675 676

tc = 10 min
A1.2= 1,28 ha A1.1 = 1,23 ha
C=0,4 C=0,4

36m 75 m 60 m 60 m
669,70 1.2 1.1
CANAL 674,60 675,50
673,70
671,60

92m A2.3 = 1,01 ha A2.2= 0,77 ha tc = 10 min


A2.5 = 0,88 ha C=0,5 C=0,5 A2.1= 0,62 ha
C=0,6 C=0,4
A2.4 = 0,72 ha
C=0,6

2.4 60 m 74m 60m


70 m 2.3 2.2 2.1
42m
672,90 m 673,90m 674,70 m 675,30m
669,10 m 2.5
CANAL
671,00 m

Figura 4.5 – Exemplo de um sistema de galerias de águas pluviais com seus


dispositivos e demarcação das bacias de cada PV

Faixa da quadra (a) Meia largura da via (F/2)

Alinhamento

Calçada Sarjeta Pista

Figura 4.6 – Exemplo de como se pode considerar as dimensões


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

da área de drenagem de uma sarjeta

4.5 COEFICIENTE DE DEFLÚVIO OU ESCOAMENTO SUPERFICIAL OU DE RUN OFF:

O coeficiente de escoamento superficial, destinado a ser utilizado no Método Racional, é função


da taxa de impermeabilização do terreno, resultado do uso e ocupação do solo urbano. Corresponde
à relação entre a quantidade de água realmente escoada e aquela precipitada durante uma deter-
minada chuva.
Como nem sempre essas caraterísticas são iguais em toda a superfície da subárea, recomenda-se
determinar o valor do coeficiente em cada parte da subárea e, em seguida, calcular o coeficiente
médio (Cmed), através do uso da média ponderada de cada uma das partes com seus diferentes
48 valores de C através da expressão seguinte:

C Med = ( ∑ Ai Ci ) / A (4.8)
Nas tabelas 4.6 a 4.8, são apresentados exemplos de coeficientes de escoamento superficial
considerando os diferentes usos do solo e da sua ocupação.

4.6 CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

Para o cálculo da vazão de projeto, é recomendada a utilização de metodologia compatível com a


dimensão de bacia de contribuição, o número e consistência de dados fluviométricos existentes
para fins estatísticos.
O método racional, simples e menos preciso, é aplicado apenas a pequenas bacias cujas particu-
laridades são de difícil definição. Uma forma considerada boa para definir essa condição é em
função de suas características hidrológicas. Porto (in TUCCI, et al., 1995) descreve uma bacia
pequena como aquela que normalmente se aproxima das seguintes características:
a) chuva uniformemente distribuída no tempo;
b) chuva uniformemente distribuída no espaço;
c) chuva durando mais que o tempo de concentração da bacia (no mínimo igual);
d) o escoamento superficial a jusante advém somente de escoamento superfícial a montante; e
e) o amortecimento nos canais é desprezível.

Tabela 4.6 – Valores de C para áreas com uso


e ocupação específicos

DESCRIÇÃO DAS ÁREAS DAS BACIAS TRIBUTÁRIAS C


Comércio:
Áreas centrais 0,70 a 0,95
Áreas da periferia do centro 0,50 a 0,70
Residencial:
Áreas de uma única família 0,30 a 0,50
Multiunidades, isoladas 0,40 a 0,60 CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO
Multiunidades, ligadas 0,60 a 0,75
Residencial (suburbana) 0,25 a 0,40
Área de apartamentos 0,50 a 0,70
Industrial:
Áreas leves 0,50 a 0,80
Áreas densas 0,60 a 0,90
Parques, cemitérios 0,10 a 0,25
Playgrounds 0,20 a 0,35
Pátio e espaço de serviços de estrada de ferro 0,20 a 0,40
Terrenos baldios 0,10 a 0,30
Fonte: Manual de Hidrologia Básica – DNIT, 2006

49
Tabela 4.7 – Valores de C para áreas restritas com
uso e ocupação específicos
C
Características da Área
mínimo máximo
Pátios e estacionamentos 0,90 0,95
Áreas cobertas 0,75 0,95
Lotes urbanos grandes 0,30 0,45
Terreno rochoso montanhoso 0,50 0,85
Relvado arenoso plano 0,05 0,10
Fonte: Deflúvios Superficiais no Estado de Minas Gerais Hidrosistemas – Copasa,1993

Tabela 4.8 – Valores de C em função de superfícies

C
TIPO DE SUPERFÍCIE
Faixa Esperado
Pavimento:
Asfalto 0,70 a 0,95 0,83
Concreto 0,80 a 0,95 0,88
Calçadas 0,75 a 0,85 0,80
Telhados 0,75 a 0,95 0,85
Tijolos 0,70 a 0,85 0,78
Gramados - solos arenosos:
Plano, 2% 0,05 a 0,10 0,08
Médio, 2 a 7% 0,10 a 0,15 0,13
Ingreme, 7% 0,15 a 0,20 0,18
Gramados - solo compacto:
Plano, 2% 0,13 a 0,17 0,15
Médio, 2 a 7% 0,18 a 0,22 0,20
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Íngreme, 7% 0,15 a 0,35 0,30


Fonte: Tucci, 1995 e DNIT, 2006

Para uso prático, na Tabela 4.9 estão apresentados critérios para escolha da metodologia de
cálculo das descargas de projeto.

Tabela 4.9 – Critério para escolha do método de cálculo da vazão

Dados Local Área ( ha ) Método


cidade <1
Racional
campo < 400
Sem dados cidade >1
Racional corrigido
campo 400 a 1.000
50 campo > 1.000 Hidrograma Unitário Triangular (HUT)
Com dados de 10 a 15 anos Estatísticos
4.6.1 Método racional
O método racional para estimativa do pico das cheias resume-se ao emprego da chamada “fórmula
racional” indicada a seguir:

Q = C I A / 3,6 (4.9)

Onde:
Q – vazão de pico em m3/s
A – área drenada da bacia (km2)
I – intensidade de chuva (mm/h), sendo igual a P/d (precipitação sobre a duração)
C – coeficiente de escoamento superficial (adimensional)

4.6.2 Método Racional Corrigido


No caso de utilização do Método Racional Corrigido, a fórmula original do citado método é ajustada
pelo coeficiente de distribuição (n) calculado pela expressão seguinte:

n = A-0,15 (4.10)

Onde:
n – coeficiente de distribuição adimensional
A – área da bacia em ha (1 ha = 1 hm2)

4.6.2 Método do HUT (Modelo do Soil Conservation Service – SCS)


Para bacias hidrográficas de pequena importância hidrológica, que são as mais comuns, na mai-
oria dos casos não se dispõe de dados fluviométricos. Nesses casos, a metodologia de cálculo
mais indicada é a do hidrograma unitário sintético baseado na generalização das condições mé-
dias de escoamento de numerosos rios de bacias onde se dispunham de dados fluviométricos.
Entre outros hidrogramas sintéticos, para aplicação prática, por ser mais simples e suficientemente
preciso, tem-se adotado o hidrograma unitário triangular, desenvolvido pelo U.S. Soil Conservation
Service (SCS) conhecido como Hidrograma Unitário Triangular (HUT).
CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

A imprecisão ocasionada pela simplificação do cálculo é pouco significativa frente à incerteza de


outros fatores, como o tempo de concentração e a relação chuva-deflúvio.
A aplicação do Hidrograma Unitário Triangular (HUT) compreende três fases distintas:

1) Definição da chuva de projeto:


a) por equações de chuva existentes para o local, ou estabelecendo correlação com
dados existentes da mesma bacia ou assemelhada, em outra área; e
b) por equação de Otto Pfafstetter (procurando o posto mais próximo e com características
meteorológicas semelhantes às da área em estudo).

2) Determinação da relação chuva-deflúvio, com suas perdas:


51
Aplica-se a expressão de Mockus com o uso da Curver Number (CN). Para se entender
esse procedimento, sua metodologia é descrita a seguir.
Considerando os seguintes parâmetros (Figuras 4.7):
• P: chuva total
• Pe: chuva excedente (deflúvio superficial)
• Ia: infiltração inicial (perdas iniciais)
• Fa: infiltração após início do escoamento superficial direto
• S: infiltração potencial máxima do local

Precipitação

Pe Figura 4.7 – Representação da parcela


Ia excedente e infiltrada da chuva
Fa
Tempo

Admite-se por hipótese que:

Volume infiltrado Precipitação excedente


=
Capacidade máxima Precipitação total

Fa / S = Pe / (P - Ia) (a)
e que:
P = Pe + Ia + F a (b)

Combinando as duas equações (a) e (b) e isolando P, tem-se:

P = Pe + Ia + (Pe . S / P - Ia) (c)

P - Ia = Pe . (P - Ia + S) / (P - Ia) (d)

Pe = (P - Ia)2 / (P - Ia + S) (e)

Considerando que as perdas iniciais Ia (interceptação e armazenamento na superfície) represen-


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

tam 20% da capacidade máxima de infiltração tem-se:

Ia = 0,2 . S (f)

Substituindo na equação (e), tem-se a seguinte relação entre chuva e deflúvio, conhecida como a
expressão de Mockus:

Pe = (P - 0,2 . S)2 / (P + 0,8 S) , P > 0,2 S (se P < 0,2 S => P = 0) (4.11)

Observar que P é a altura acumulada de precipitação, a contar do início da chuva, em mm (Figura 4.8).
Com o objetivo de parametrizar, o SCS criou um número adimensional denominado CN (Curve
Number), número de curva de infiltração do solo, que possui as seguintes propriedades:
a) 0 < CN ≤ 100;
52
b) para áreas impermeáveis CN = 100; e
c) para outras superfícies CN < 100.
300

250

200

Pefetiva (mm) 150

100
Figura 4.8 – Curva Pefetiva em função
50 de P para diversas bacias

0
0 50 100 150 200 250 300
P (mm)

O número CN e a infiltração potencial S estão relacionados pela seguinte expressão:

S (mm) = 25,4 [ (1000/CN) - 10] (4.12)


ou
CN = 1000/ [10+(S/25,4)] (4.13)

O roteiro para obter CN é o seguinte:


1) Classificar o tipo de solo existente na bacia (grupo hidrológico);
2) Determinar a ocupação do solo predominante;
3) Com a tabela do SCS para a Condição de Umidade II, determinar o valor de CN; e
4) Corrigir o CN para a condição de umidade do solo.
No caso de existirem na bacia diversos tipos de solo e ocupações, determinar o CN pela média
ponderada.
Na Tabela 4.10 são apresentados os grupos hidrológicos e nas Tabelas 4.11 e 4.12, os valores de
CN para diferentes tipos de solo, cobertura vegetal, ocupação do solo e condições de umidade do
solo. Na Tabela 4.13, são apresentados valores de CN para área urbana.
CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO
Tabela 4.10 – Grupos Hidrológicos de Solos

Grupo Descrição

Potencialidade mínima para formação de deflúvio superficial. Inclui areias em camadas espessas
A
com muito pouco silte e argila e também loess profundo muito permeável.

Principalmente solos arenosos menos espessos que no Grupo A e loess menos profundo ou menos agregado
B
que no Grupo A, porém apresentam infiltração acima da média, após intenso umedecimento prévio.

Compreende solos pouco profundos e solos contendo bastante argila e colóides, no entanto, menos
C
que no grupo D. O grupo apresenta infiltração abaixo da média, após pré-saturação.

Potencial máximo para formação do deflúvio superficial. O grupo inclui em sua maioria argilas de alto valor de
expansão, incluindo também alguns solos pouco profundos, com sub-horizontes quase impermeáveis, próxi-
D
mos da superfície. Qualquer tipo de solo em terreno plano, com fraca rede de drenagem, acaba enquadrando- 53
se nesse grupo, após um período prolongado de chuvas que eleva o nível do lençol freático para a superfície.
Fonte: Manual de Hidrologia Básica do DNIT, 2006
Tabela 4.11 – Número de curva CN para diferentes condições do complexo hidrológico

Solo – Cobertura vegetal – Para condições de umidade antecedente II e Ia = 0,2 . S


Condições de Grupo hidrológico do solo
Cobertura Vegetal
Retenção Superficial A B C D
Terreno não cultivado com pouca vegetação Pobre 77 86 91 94
Pobre 72 81 88 91
Terreno Cultivado
Boa 51 67 76 80
Pobre 68 79 86 89
Pasto
Boa 39 61 74 80
Pobre 45 66 77 83
Mata ou Bosque
Boa 25 55 70 77
Pobre 74 80 87 90
Área Urbana
Boa 70 76 83 86
Fonte: Manual de Hidrologia Básica do DNIT, 2006

Tabela 4.12 – Condições de umidade antecedente do solo


Condição Umidade do Solo Precipitação nos últimos 5 dias (mm)
I Seco P5d ≤ 15
II Média 15 < P5d ≤ 40
III Úmido ( quase saturado ) P5d > 40
P5d – Chuvas nos últimos 5 dias

Tabela 4.13 – Número de curva CN para área urbana


Uso do solo – Para condições de umidade antecedente II e Ia = 0,2 . S
Grupo hidrológico
Tipo de uso do solo/Tratamento/Condições hidrológicas
A B C D
Uso residencial:
Tamanho médio lote % impermeável
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

2
Até 500m 65 77 85 90 92
2
1.000m 38 61 75 83 87
1.500m2 30 57 72 81 86
Estacionamentos pavimentado e telhados 98 98 98 98
Ruas e estradas:
pavimentadas com guias e drenagem 98 98 98 98
com cascalho 76 85 89 91
de terra 72 82 87 89
Áreas comerciais (85% de impermeabilização) 89 92 94 95
Distritos industriais (72% de impermeabilização) 81 88 91 93
Espaços abertos, parques, jardins:
54 boas condições, cobertura de grama > 75% 39 61 74 80
condições médias, cobertura de grama > 50% 49 69 79 84
Os valores constantes nas tabelas de CN referem-se às condições médias – II. Para converter o
valor de CN para as condições I e III, usar as seguintes expressões:

CN ( I ) = [ 4,2 . CN ( II ) ] / [ 10 - 0,058 . CN ( II ) ] (4.14)

CN ( III ) = [ 23 . CN ( II ) ] / [ 10 + 0,13 . CN ( II ) ] (4.15)

3) Composição do hidrograma total

a) Princípios básicos do Hidrograma Unitário Triangular (HUT)

1o Princípio – Constância do Tempo de Base:


Para uma bacia qualquer, a duração do deflúvio superficial direto é a mesma para toda a
chuva uniformemente distribuída, de intensidade constante e de igual duração, qualquer
que seja o volume total escoado sob a forma de deflúvio direto (Figura 4.9).

Duração constante Tempo


Chuva excedente

I1

I2
Figura 4.9 – Constância
I3
do tempo de base

Q1
Deflúvio

Q2
Q3
Tempo
Tempo de base
constante
CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

2o Princípio – Proporcionalidade das descargas ou Princípio de Afinidade:


Duas chuvas de mesma duração, mas com volumes escoados diferentes, resultam em hidrogra-
mas cujas ordenadas são proporcionais aos correspondentes volumes escoados (Figura 4.10).

Duração constante Tempo


Chuva excedente

P2

P1 Figura 4.10 – Proporcionalidade


y2 Q2 V2 P2
das descargas
y1 = Q1 = V1 = P1
Deflúvio

V2
y2 55
y1

V1 Tempo
3o Princípio – Aditividade:
O tempo do escoamento do deflúvio direto de uma determinada chuva independe do
deflúvio provocado por uma chuva anterior (Figura 4.11).

t1 t2 Tempo
Chuva excedente
I2
I1
Figura 4.11 – Aditividade
das descargas
Deflúvio

Q1 Q1 + Q2
Q2

Tempo de base Tempo


constante

b) Roteiro de cálculo para construir o HUT

1 – Adotar um valor de DU = ( 1/5 ) . tc (4.16)


2 – Calcular LAG = 0,6 tc (4.17)
3 – Calcular t p = DU/2 + LAG (4.18)
4 – Calcular t B = 8/3 t P (4.19)
5 – Calcular QP (m3/s/mm) = A (km2) / (0,03. t B (min)) (4.20)

A área do triângulo indicada na Figura 4.12 representa o volume escoado da bacia para um
deflúvio de 1 mm.

Excesso
de chuva Pico
1,0
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

0,9
“LAG” tP = Tempo de ponta (pico)
0,8
0,6 t c DU = Duração Unitária da chuva

tC = Tempo de concentração de Kirpich


0,7 LAG = Tempo entre metade da chuva e o instante de pico
QP

0,6 QP = Descarga máxima


q/Q P

0,5
DU ~ (1/5) tC
0,4 DU tP = DU/2 + 0,6 tC
0,3 QP (m /s/mm) = A (km ) / (0,03.tB(min))
3 2

0,2
HUT
0,1

0
0 1 2 3 4 5
tP t/t P
56 t B = 8/3 t P

Figura 4.12 – Construção do Hidrograma Unitário Triangular (HUT) adimensional


c) Roteiro para, com o HUT, criar o hidrograma de escoamento superficial da bacia (Figura 4.13):

1) Determinar DU – duração unitária – para construção do hietograma de cheia;


2) Determinar deflúvio (altura excedente) de H mm para cada intervalo DU;
3) Multiplicar os valores do eixo horizontal do HUT por t P (tempo de ponta);
4) Multiplicar os valores do eixo vertical por (QP x H) para cada intervalo de tempo DU;
5) Nesses intervalos de tempo com deflúvio, obter os hidrogramas parciais, triangulares;
6) Defasando de DU, somar os hidrogramas parciais. Isto resultará no hidrograrna total da enchente.

0
10 Rio Iconha, em Iconha / RJ
Chuva (mm)

20 Simulação de enchente de 14 Fev 1979


30 Perdas Deflúvio
AR = 66,5 km2 100
40 CD = 24,2 %
Precipitação CN = 66,85 90
50
80
DU

Descarga m3/s
35 mi 70
60 60
Calculado
50 Observado 50
Descarga m3/s

40 40
30 30
20 20
10 10
0 0
DU 70 105 140 175 210 245 280 315 350 385 420 455 490 525 560 595 630 665 700
35
t (minutos)

Figura 4.13 – Conformação e composição dos HUT no hidrograma total de escoamento


superficial da bacia (Manual de Hidrologia Básica do DNIT, 2006)

CÁLCULO DA VAZÃO DE PROJETO

57
Canais
5
5.1 CONCEITOS BÁSICOS

Canal ou conduto livre é uma seção, aberta ou fechada, sujeita à pressão atmosférica (Pa) em pelo
menos um ponto da sua seção de escoamento. Na Figura 5.1, estão indicados vários tipos de
canal que podem ser usados em drenagem urbana.

Pa Pa Pa P > Pa
Figura 5.1 – Canal ou conduto livre
em (a, b e c) e forçado em (d)
(a) (b) (c) (d)

Nos cálculos de drenagem, considera-se que o escoamento é permanente, isto é, numa dada seção
a vazão permanece constante. No entanto conforme indicado na Figura 5.2, o regime poderá se
alternar de uniforme (quando as forças de resistência e de gravidade se equilibram e as declividades
da superfície livre e do fundo são iguais) a variado em decorrência de mudança de declividade,
variação de seção e presença de obstáculos.

Escoamento
crítico Ressalto
hidráulico
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Remanso

Mov.
Movimento Movimento gradualmente brusca- Movimento
uniforme variado (acelerado) mente gradualmente
variado variado (retardado)

Figura 5.2 – Mudança de regime nos canais com escoamento permanente

São elementos importantes de um canal a seção molhada, o perímetro molhado e o raio hidráulico
de um conduto, elementos que serão definidos a seguir.
Seção Molhada, perímetro molhado e raio hidráulico de um conduto
Na figura 5.3, é mostrada a representação dos elementos básicos de um canal, definidos como segue:

58 Figura 5.3 – Representação dos elementos seção


AH PH AH molhada e perímetro molhado de um canal
Área ou seção molhada (AH): área útil de escoamento numa seção transversal de um conduto.
Perímetro molhado (PH): linha que limita a seção molhada junto às paredes e fundo do conduto.
Raio hidráulico (RH): resultado da divisão da seção molhada pelo perímetro molhado.

Regime de escoamento
Se a profundidade do fluxo (tirante) for superior à crítica, o escoamento ocorre no regime subcrítico
(tranqüilo ou fluvial), se inferior, no supercrítico (turbulento ou torrencial).
Na Tabela 5.1, são mostradas seções transversais típicas utilizadas em canais e a expressão
correspondente de cálculo da profundidade crítica de cada uma delas.

Q = capacidade hidráulica ou de vazão no canal (m3/s)


V = velocidade de escoamento (m/s)
A = área molhada (m2)
b = base ou base menor do canal (m)
B = base maior do canal (m)
z = inclinação do talude ( horizontal p/ vertical )
y = profundidade do fluxo (m)
g = aceleração da gravidade (9,81 m/s2)
E = energia específica (m)
D = diâmetro (m)
θ = ângulo (radianos)

Para o dimensionamento de canais, ou se empregam as expressões do regime subcrítico ou


crítico (neste caso se for regime supercrítico). Um canal não pode operar próximo (10%) do regime
crítico, o que pode deixar o fluxo instável. O número de Froude caracteriza o regime de escoamento
d’água e está mostrado na Tabela 5.2.

Tabela 5.1 – Seções transversais e profundidade crítica de canais

Seção Perímetro
Seção Tipo Profundidade crítica
molhada molhado
B
2
⎛ Q ⎞
y b.y B+2.y 0 , 467 3 ⎜ ⎟
⎝ b ⎠
b

B
4 z E - 3 B + 16 z2 E 2 + 16 z E B + 9 B2
y 1 2
(b+z.y)y b + 2⋅ y 1 + z 10 z
b
z E = y + v2
2g
CANAIS

2
2 0,5 ⎛ Q ⎞
y
1 z.y2 2.y(1+z ) 0 , 728 5 ⎜ ⎟
z
⎝ z ⎠

NA D.(θ-senθ) /[8.sen(θ/2)]
D2(θ-senθ) D.θ/2 59
D

8 y/D = 0,5 .[ 1- cos(θ/2)]


y

θ
Tabela 5.2 – Caracterização do regime de escoamento pelo número de Froude

Número de Froude Regime de escoamento


Fluvial F<1
F = v / ( g.y )0,5 Crítico F=1
Torrencial F>1
V = velocidade (m/s) y = profundidade do fluxo (m) g = aceleração da gravidade (9,81m/s2)

5.2 CÁLCULOS EMPREGADOS NO DIMENSIONAMENTO DE CANAIS

Em drenagem, de forma geral, o escoamento é considerado permanente, levando à aplicação das


formulações aqui apresentadas que se aplicam a qualquer seção transversal de um canal ou conduto.
A Tabela 5.3, de uma planilha eletrônica, apresenta um padrão para cálculo de seções de canais.

Tabela 5.3 – Um exemplo de tabela para avaliação hidráulica


do tipo de seção de canal
Ref Canal
Dados
1 Vazão de Projeto (m³/s) 35,28
2 Cota Montante (m) 745,21
3 Cota Jusante (m) 740,15
4 Distância (m) 1723,00
5 Declividade (m/m) 0,002937
Retangular Trapezoidal Circular
6 Coef. Rugosidade Manning 0,03 0,03 0,03
7 Base / Diâmetro (m) 5,00 5,00 5,00
Taludes: V=1 : H _____ 0,00 2,00 –
8 Prof. Normal (m) 2,73 1,74 3,12
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

9 Velocidade (m/s) 2,59 2,39 2,73


10 Prof. Crítica (m) 1,72 1,41 2,25
o
11 N de Froude 0,50 0,58 0,49
12 Borda Livre (USBR) m 0,70 0,56 0,74
13 Borda Livre (Denver) m 0,61 0,61 0,61

5.2.1 Cálculo da velocidade média


Para o cálculo da velocidade média do fluxo d’água, dentro de um canal, utiliza-se com maior
freqüência a expressão que resulta da conjugação da Fórmula de Chezy com o coeficiente de
Manning como é mostrado a seguir.

60
Fórmula de Chézy: V = C ( RH × i ) ½ (5.1)
1/6
Coeficiente de Manning: C = ( RH )/n (5.2)
A conjugação das equações 5.1 e 5.2 resulta na seguinte fórmula:

V = ( RH 2/3 × i ½ ) / n (5.3)

Sendo:
V = velocidade média do fluxo (m/s)
RH = raio hidráulico (m)
i = declividade do fundo do canal (m/m)
n = coeficiente de rugosidade (adimensional)

Na Tabela 5.4, está apresentado o coeficiente de rugosidade, a ser aplicado na equação de Manning,
em função do tipo de material e superfície dos canais. Na Tabela 5.5, estão apresentados valores
do coeficiente de rugosidade de Manning, para canais gramados, que podem ser utilizados no
dimensionamento deste tipo de obra.

Tabela 5.4 – Valores do coeficiente de Manning (n) para vários tipos de canais

n (Manning) Descrição da superfície


Peças monolíticas de concreto, moldadas em forma de aço resinado, semirregularidades
0,013
superficiais. Condutos moldados in- situ com formas infláveis.
0,013- 0,015 Concreto muito liso, plastificado ou queimado a colher, com juntas e cantos acabados à mão.
0,015 Concreto moldado in- situ em formas lubrificadas, com juntas e cantos alisados a colher.
Concreto moldado em formas de aço deslizantes com cantos arredondados, condutos de
0,014- 0,018
cerâmica vitrificada com juntas preenchidas.
0,016 Concreto moldado em formas rugosas com acabamento à mão em cimento.
0,015 - 0,017 Tubos curtos de concreto com diâmetros pequenos, sem acabamento especial das juntas.
0,018 Canais retilíneos em concreto projetado, bem acabado.
0,020 - 0,022 Canais em concreto projetado rugoso.
0,022 Alvenaria de pedras.
0,035 Gabiões de pedra com tela de arame.
0,024 - 0,025 Pedras lançadas.

Tabela 5.5 – Coeficiente de rugosidade de Manning (n) para


canais retilíneos sem árvores ou arbustos

PROFUNDIDADE DE ESCOAMENTO (m)


Altura (cm)
0,20 a 0,45 0,90 a 1,20
CANAIS

GRAMA
5 0,035 0,030
10 a 15 0,040 0,030
CAPIM
30 0,060 a 0,070 0,035 61
60 0,070 a 0,100 0,035
5.2.2 Cálculo da capacidade de vazão ou capacidade hidráulica
A denominada Equação da Continuidade (para um canal ou duto, no mesmo intervalo de tempo,
a quantidade de água que entra numa seção a montante é a mesma que sai em outra, a jusante)
é a mais utilizada para este fim expressa pela seguinte equação:

Q=V×A (5.4)

Onde:
Q = capacidade de vazão (m3/s)
A = seção do canal (m2)
V = velocidade média (m/s)

1) Dimensionamento no regime subcrítico

Sempre que a declividade do canal for inferior à crítica, o dimensionamento (seção e velocidade do
fluxo) será obtido por intermédio das equações gerais do fluxo.
A fórmula mais utilizada resulta da combinação das duas anteriores (5.3 e 5.4), obtendo-se a
seguinte expressão:

Q = ( A × RH 2/3 × i ½ ) / n (5.5)

Num canal de seção transversal definida, dada a sua rugosidade, capacidade de vazão e declividade
longitudinal, existe uma única profundidade correspondente ao escoamento uniforme, a qual é
chamada de profundidade normal. Isso leva a uma única capacidade de vazão correspondente ao
regime uniforme.
A título prático, pode-se afirmar que a seção com forma trapezoidal passa a retangular para inclina-
ção do talude (horizontal p/ vertical) nula (z=0).
Sendo genérica para as duas formas, a seção trapezoidal é usada para os cálculos desses tipos de
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

seção. Aplicando-se as formulações anteriores, obtém-se a expressão prática apresentada a seguir:

5/3
⎡⎛ y⎞ y⎤
⎢⎜ 1 + z . b ⎟ . b ⎥
Q .n ⎣⎝ ⎠ ⎦ (5.6)
1/ 2 8/ 3
=
.b
( )
2/3
i ⎡ y 1/ 2 ⎤
⎢1 + 2. b 1 + z
2

⎣ ⎦

Dessa forma, conhecidos: a largura da base (b), a declividade longitudinal (i), o coeficiente de
rugosidade (n) e a capacidade de vazão (Q); é possível simular, em planilha eletrônica, diferentes
inclinações de talude (z) e obter a profundidade normal “y” ou a mudança da profundidade, alte-
rando-se o revestimento do canal e, por conseguinte, a adequação do coeficiente de rugosidade (n).
62
Com a Equação 5.6, foi criada a Tabela 5.6, resultado de planilha eletrônica (parcial), para auxiliar
no cálculo das profundidades normais dos canais trapezoidais com o uso da fórmula de Manning.
Tabela 5.6 – Elementos de cálculo das profundidades normais de canais trapezoidais

Q .n
Valores de 1/ 2
i .b 8/ 3
y z
b 0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 1,25 1,50 2,00 2,50 3,00 4,00
0,02 0,0014 0,0014 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015 0,0015
0,03 0,0028 0,0028 0,0028 0,0029 0,0029 0,0029 0,0029 0,0029 0,0030 0,0030 0,0030
0,04 0,0044 0,0045 0,0046 0,0046 0,0047 0,0047 0,0047 0,0048 0,0048 0,0049 0,0050

0,05 0,0064 0,0065 0,0066 0,0067 0,0067 0,0068 0,0069 0,0070 0,0070 0,0071 0,0073
0,06 0,0085 0,0087 0,0089 0,0090 0,0091 0,0092 0,0093 0,0095 0,0096 0,0098 0,0101
0,07 0,0109 0,0112 0,0114 0,0116 0,0118 0,0119 0,0121 0,0123 0,0126 0,0128 0,0132
0,08 0,0135 0,0139 0,0142 0,0145 0,0147 0,0150 0,0152 0,0155 0,0159 0,0162 0,0168
0,09 0,0162 0,0167 0,0172 0,0176 0,0179 0,0182 0,0185 0,0190 0,0195 0,0199 0,0208

0,10 0,0191 0,0198 0,0204 0,0209 0,0214 0,0218 0,0221 0,0228 0,0234 0,0241 0,0253
0,11 0,0221 0,0231 0,0238 0,0245 0,0251 0,0256 0,0261 0,0269 0,0278 0,0286 0,0302
0,12 0,0253 0,0265 0,0275 0,0283 0,0290 0,0297 0,0303 0,0314 0,0324 0,0334 0,0355
0,13 0,0286 0,0300 0,0313 0,0323 0,0332 0,0340 0,0347 0,0361 0,0374 0,0387 0,0412
0,14 0,0320 0,0338 0,0352 0,0365 0,0376 0,0386 0,0395 0,0412 0,0428 0,0444 0,0475

0,15 0,0356 0,0376 0,0394 0,0409 0,0422 0,0434 0,0445 0,0466 0,0485 0,0504 0,0542
0,16 0,0392 0,0416 0,0437 0,0455 0,0471 0,0485 0,0498 0,0523 0,0546 0,0569 0,0614
0,17 0,0429 0,0458 0,0482 0,0503 0,0522 0,0538 0,0554 0,0583 0,0610 0,0637 0,0691
0,18 0,0467 0,0500 0,0529 0,0553 0,0575 0,0594 0,0612 0,0646 0,0678 0,0710 0,0772
0,19 0,0507 0,0544 0,0577 0,0605 0,0630 0,0653 0,0674 0,0713 0,0750 0,0787 0,0859

0,20 0,0547 0,0589 0,0627 0,0659 0,0687 0,0713 0,0737 0,0783 0,0826 0,0868 0,0952
0,21 0,0587 0,0636 0,0678 0,0715 0,0747 0,0777 0,0804 0,0856 0,0905 0,0954 0,1049
0,22 0,0629 0,0683 0,0731 0,0772 0,0809 0,0842 0,0874 0,0932 0,0989 0,1043 0,1152
0,23 0,0671 0,0732 0,0785 0,0832 0,0873 0,0911 0,0946 0,1012 0,1076 0,1138 0,1260
0,24 0,0714 0,0781 0,0841 0,0893 0,0939 0,0981 0,1021 0,1096 0,1167 0,1237 0,1374

0,25 0,0757 0,0832 0,0898 0,0956 0,1007 0,1055 0,1099 0,1182 0,1262 0,1340 0,1494
0,26 0,0801 0,0884 0,0957 0,1021 0,1078 0,1131 0,1180 0,1273 0,1361 0,1448 0,1619
0,27 0,0846 0,0936 0,1017 0,1087 0,1151 0,1209 0,1264 0,1366 0,1465 0,1561 0,1751
0,28 0,0891 0,0990 0,1078 0,1156 0,1226 0,1290 0,1350 0,1464 0,1572 0,1678 0,1888
0,29 0,0937 0,1045 0,1141 0,1226 0,1303 0,1373 0,1439 0,1564 0,1684 0,1801 0,2032

2) Dimensionamento no regime crítico


CANAIS

Quando se está no regime crítico, a altura cinética (V2/2g) é igual à metade da profundidade d’água
(crítica) no canal (yc /2), isto é:

Vc2 / 2g = yc / 2 (5.7)

Como V = Q/A, tem-se: 63

Q / g0,5 = A. yc0,5 = Fs (5.8)


Fs = A. yc0,5 é denominado “fator de seção”, e permite calcular a profundidade d’água para escoamen-
to em regime crítico. Por ser uma função do tirante, deduz-se que existe uma única profundidade
crítica para uma determinada vazão dentro do canal. A equação 5.8 é muito útil para os cálculos, e
da análise dela se obtém a profundidade ou vazão crítica. Pelas mesmas razões já apresentadas no
caso do regime subcrítico, utilizando-se a seção trapezoidal, tem-se a seguinte expressão:

3 /2
= ⎛⎜ 1 + z . c ⎞⎟ × ⎛⎜ c ⎞⎟
Fs y y
b 5 /2
⎝ b ⎠ ⎝ b ⎠ (5.9)

Onde:
Fs = fator de seção
b = largura da base do canal (m)
yc = profundidade crítica (m)
z = inclinação do talude

Como se observa, as funções no regime subcrítico ou crítico são expressas em função de y/b, o
que propicia a montagem de tabelas (como a 5.6) com essa razão.

5.2.3 Dimensionamento da Borda Livre


Não existe um consenso sobre o dimensionamento de borda livre. Nesse caso, o projetista deverá
conhecer bem a região e lançar mão do bom senso para a adoção de um valor adequado ao canal
a ser projetado, seja uma simples sarjeta da microdrenagem ou um canal da macrodrenagem.
Com finalidade de auxiliar na tomada de decisão, citam-se recomendações de alguns órgãos,
como, o U.S. Bureau of Reclamation (USBR) (APUD CHOW, 1959) que aconselha usar a seguin-
te expressão:

BL = (a × y)0,5 (5.10)
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Onde:
BL = valor da borda livre (m)
a = adimensional (tab. 5.7)
y = profundidade de escoamento (m)

Na Tabela 5.7, apresentam-se os valores de “a” da equação 5.10 para diferentes situações.

Tabela 5.7 - Valores recomendados de “a” para cálculo da BL

a Vazão (m3/s) Obs


0,4 Q ∼ 0,5 Para valor baixo de vazão
64 escolhido pelo calculista de projeto Critério da experiência profissional
0,8 Q ≥ 80 Para valor alto de vazão
Já o Manual de Critérios de Projetos de Drenagem Urbana da cidade de Denver, Colorado, EUA
(WRIGHT-MCLAUGHIN, 1979) apresenta a seguinte expressão para um período de retorno de 100 anos:

BL = 0,6 + 0,037 × V × y1/3 ( Eq. 5.11 )

Onde:
BL = valor da borda livre (m)
V = velocidade média na seção (m/s)
y = profundidade de escoamento para a vazão de projeto (m)

Este manual indica a adoção de um valor mínimo para a borda livre de 0,3 m.
Em relação ao valor obtido para a borda livre, devem-se acrescer as ondulações de superfície
e, nas mudanças de direção, a sobre–elevação devido ao efeito das curvas horizontais do canal.
Em seções fechadas, a borda livre merece especial atenção, pois o afogamento do conduto produz
uma brusca redução da condutividade hidráulica. Nos casos convencionais de projeto, com vazão
de dimensionamento com período de retorno de 25 anos, deve-se verificar o comportamento hi-
dráulico para o período de retorno de 100 anos. Nesse caso a altura d’água deve ficar abaixo dos
níveis dos terrenos laterais.

5.3 CARACTERÍSTICAS E RECOMENDAÇÕES GERAIS SOBRE CANAIS

No tocante ao revestimento, um canal pode ter a proteção de materiais artificial (concreto, gabião,
etc.) ou vegetal, bem como manter suas características naturais. No projeto deve-se estar atento
aos aspectos estéticos, de assoreamento, erosão e hidráulicos.
A escolha de áreas ribeirinhas para terrenos públicos (no mínimo o leito maior) possibilita a
manutenção de áreas verdes.
No tocante às outras características, o ideal é que um canal tenha escoamento lento, seja largo
e pouco profundo.
A erosão é função da velocidade, da profundidade e da duração do escoamento. Como os picos
de enchentes em região urbana costumam ser curtos, a velocidade e a profundidade são os
mais determinantes.

Para o projeto de canais deve-se verificar:


a) impactos a jusante com o aumento da vazão e da velocidade de um canal revestido;
CANAIS

b) necessidade de revestir devido à velocidade da água;


c) possibilidade de autolimpeza, com uso de declividade longitudinal e/ou transversal adequada;
d) perdas de carga; e
e) estabilidade do leito.

65
Na Tabela 5.8, são apresentados fatores que devem ser levados em conta no projeto de um canal,
permitindo, com isso, evitar o surgimento de problemas quando de sua implantação.
Tabela 5.8 – Fatores intervenientes para o projeto de um canal

1) Hidráulicos 2) Ambientais
a) declividade longitudinal a) características da vizinhança
b) faixa disponível para implantação b) necessidades estéticas da vizinhança
c) vazão de projeto c) necessidades de novas áreas verdes
d) transporte de sedimentos d) formas das ruas e tráfego
e) topografia e) planos municipais
f) capacidade de drenar terrenos adjacentes
3) Construtivos 4) Sociais
a) disponibilidade de materiais a) padrões sociais da vizinhança
b) áreas de bota-fora b) população infantil da vizinhança
c) custos c) tráfego de pedestres
d) necessidades recreativas

5.3.1 Canais de concreto


Se a faixa disponível para o canal for estreita ou a velocidade de escoamento for elevada para as
características locais, normalmente, há de se prever o revestimento, em geral em concreto. Na
Figura 5.4, é mostrado um exemplo de canal revestido.

Alguns comentários:
1) Resultados obtidos ao se revestir canais:
a) diminuição das perdas por infiltração;
b) proteção das deformações nas bordas do canal;
c) diminuição da freqüência da manutenção;
d) aumento da velocidade da água;
e) impede o crescimento de vegetação; e
f) redução da necessidade de dragagens/limpeza.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

66

Figura 5.4 – Ampliação da calha do Rio Tietê – SP (DAEE/SP)


2) Recomendações para regime de escoamento supercrítico, torrencial ou rápido. Para os canais
nessas condições nomeadas, deve-se atentar para os seguintes itens:

a) não devem ser retilíneos;


b) verificar a necessidade de armar longitudinalmente e transversalmente o canal;
c) evitar estrangulamento da seção transversal junto a pontes e bueiros;
d) manter a folga no bordo livre em pelo menos 60cm ou capacidade adicional de 1/3 da
vazão de projeto;
e) verificação da subpressão hidrostática sobre o revestimento produzida pelo lençol freático; e
f) evitar a ocorrência de escoamentos com número de Froude próximo de 1 (0,9 a 1,1), o que
produz instabilidade do regime de escoamento.

3) Recomendações para escoamento subcrítico


Os canais escoando nesse regime não são normalmente revestidos. O uso de proteção nesses casos
deve ocorrer quando houver necessidade de estreitamento por estrangulamento lateral. Um canal
largo e gramado é o preferido, caso a declividade longitudinal permita. Para situações em que ocor-
ram declividades excessivas, é usual empregar estruturas de transição de nível (degraus). No caso
de declividade muito baixa, é recomendado diminuir a rugosidade do canal, revestindo-o com con-
creto bem acabado.

5.3.2 Canais artificiais gramados


Os canais revestidos com grama apresentam baixo custo de construção. Este tipo de canal possi-
bilita infiltração d'água no lençol freático, velocidades baixas de escoamento e valor paisagístico.
Na Tabela 5.9 são apresentados alguns critérios para projeto de canais gramados. Na Figura 5.5
mostram-se seções típicas de canais gramados.

Tabela 5.9 – Critérios para projeto de canais gramados

CRITÉRIOS DE PROJETO
PARÂMETROS
Descarga máxima Descarga inicial
Velocidade < 2,3 m/s > 0,6 m/s
Bordo livre Método de Denver ou do USBR Não se aplica
Coeficiente de rugosidade* 0,030 a 0,035 0,035 a 0,100
Profundidade < 1,2 m (para maior segurança: 1,0m) > 0,30 m
> 6 vezes que a profundidade.
CANAIS

Largura do leito
Normalmente, é de 20 a 30 vezes a profundidade.
Declividade de talude < 1:3 (Mínimo de 1:4)
Declividade longitudinal 0,2 a 0,6 % (com degrau se preciso)
Curvatura Raio da margem interna: duas vezes a maior largura (mínimo 30m)
Capacidade de canaleta De 0,5 a 1% da vazão de projeto 67
* Esses valores poderão ser aumentados, se for previsto o crescimento de vegetação arbustiva no leito do canal.
• A escolha da grama
O tipo de grama a ser recomendada deve ser característica da região, para reduzir custo,
resistente, e com com raiz densa. Deve ser aplicada imediatamente em canais cuja implan-
tação seja recente.
• Forma do canal
Adequada ao local, preferencialmente com espaços disponível à prática recreativa.

> 6.y
y

Seção com bermas horizontais e com canaleta

Leito inclinado de 1% a 2%

Seção com bermas inclinadas e com canaleta

Canal para
microdrenagem Área para bicicleta ou passeio

Seção para microdrenagem com área de


transbordamento para macrodrenagem
Canal para
microdrenagem Área de recreação

Canal com enrocamento para microdrenagem com


transbordamento para macrodrenagem

Figura 5.5 – Exemplos de canais gramados

Com o objetivo de evitar o surgimento de processos erosivos, em pontos localizados de canais


revestidos com grama, recomendam-se as seguintes proteções indicadas na Tabela 5.10.

Tabela 5.10 – Recomendações para controle da erosão


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Localização Proteção (se necessária)


Embaixo de ponte Solo-cimento
Curvas de canais Enrocamento ou gabião
Degraus que suavizam declives (15 a 30cm) Enrocamento ou gabião junto aos degraus

• Perfil da linha d’água


O perfil representativo da linha d'água deve ser calculado para todo o canal e apresentado nos
desenhos do projeto. O cálculo é realizado a partir de jusante em local com características
hidráulicas conhecidas.

5.3.3 Canais naturais


68
No dimensionamento ou verificação hidráulica de canais sujeitos a enchente constantemente,
deve-se ter cuidado redobrado devido à tendência a erosão que o aumento de descarga provoca
com alterações no regime de escoamento. Para os estudos hidráulicos, devem ser executados
levantamentos batimétricos (seções transversais e elementos que permitam caracterizar a inclina-
ção longitudinal do curso d’água), obtidos dados sobre o solo do leito e margens para estudo da
estabilidade do canal e a preservação de áreas verdes no seu entorno.
As intervenções no leito do rio não devem desestabilizar as condições prevalecentes. Nesse estu-
do convém verificar as potencialidades do curso d’água com a participação multidisciplinar de
profissionais que propiciem soluções às inúmeras possibilidades e necessidades do recurso hídrico,
da sociedade e do meio ambiente.
Para o canal natural não se aplicam as regras de borda livre e curvatura mínima.
O projeto em canal natural é muito complexo e deve ser realizado por engenheiro muito experiente
em hidráulica desta natureza, e não será aprofundado neste manual.
A planície aluvial deve ser bem estudada para identificar áreas inundáveis, bem como realizado
zoneamento adequado das mesmas para evitar futuras ocupações. As fórmulas empregadas para
cálculo da capacidade de vazão e velocidade são as mesmas usadas nos canais artificiais.
Na Tabela 5.11, estão apresentadas recomendações que auxiliam nos estudos de canais naturais.
Para a definição das inclinações dos taludes de canais escavados, deve-se levar em conta as
características dos materiais onde os mesmos serão executados ou o tipo de revestimento a ser
empregado. NaTabela 5.12, estão apresentadas indicações usuais para diferentes materiais.

Tabela 5.11 – Recomendações sobre parâmetros de projeto de canais naturais

PARÂMETROS RECOMENDAÇÕES
Período de retorno 100 anos (depende da situação)
Velocidade < 3,0 m/s e < velocidade crítica (regime subcrítico)
Níveis d’água Levantados para identificar e, se possível, cercar áreas inundáveis.
Coeficiente de rugosidade Usar valores de canal sem manutenção.
Declividade longitudinal Suavizá-la usando escalonamento em degraus.

Tabela 5.12 – Inclinações recomendadas para taludes de canais escavados

Material Inclinação dos taludes V: H


Rocha 1:0
Solos pedregosos 1:0,25
Canais em terra revestidos de concreto 1:0,5 a 1: 1
Argila resistente e compacta 1:1,5
CANAIS

Solos argilo- arenosos 1:2


Solos arenosos, argilosos de alta porosidade 1:3

69
6
Sarjetas e meios-fios

Neste capítulo aborda-se o dimensionamento hidráulico de sarjetas e meios-fios, sendo que


esse procedimento também é adequado a outros dispositivos de drenagem superficial com
características de canal.
Normalmente, no dimensionamento desses dispositivos, busca-se determinar o maior compri-
mento que os mesmos podem ter, sem que haja a superação das condições hidráulicas esta-
belecidas no projeto, ou seja, que não ocorra o transbordamento no elemento de drenagem. O
dimensionamento se desenvolve segundo as seguintes etapas:
i) cálculo da vazão ou descarga específica de projeto;
ii) determinação da capacidade hidráulica do dispositivo de drenagem; e
iii) cálculo do comprimento máximo ou crítico do elemento de drenagem.

6.1 CÁLCULO DA DESCARGA OU VAZÃO ESPECÍFICA

Para se obter a descarga específica, é necessário o cálculo da vazão afluente às sarjetas e meios-
fios. Para tanto, usa-se o método racional, tendo em vista que as áreas de contribuição apre-
sentam valores adequados à sua aplicação. A fórmula do referido método pode ser expressa por:

Q = 2,78 × C × I × A × 10–4 (6.1)

Onde:
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Q = descarga afluente à sarjeta (l/s)


C = coeficiente de escoamento superficial (adimensional)
I = intensidade de precipitação (mm/h)
A = área de drenagem ou de contribuição (m2)

Sendo:
A = Limplúvio × Lu (6.2)

Onde:
Limplúvio = largura do implúvio (m)
Lu = comprimento crítico da sarjeta (m)

70
O comprimento crítico irá definir o espaçamento máximo entre bocas coletoras, normalmente
constituídas de caixas de ralo ou bocas-de-lobo.
1) Tabelas práticas
Para dar praticidade aos cálculos e produzir tabelas, é necessário estabelecer padrões para os
parâmetros da fórmula racional (6.1) como os relacionados na Tabela 6.1 a seguir. Para obter tabelas
adequadas a qualquer município, adotou-se uma intensidade de chuva-de-cálculo de 100mm/h e
se obtém o comprimento útil ou crítico multiplicando o valor tabelado por 100 (duas casas decimais
à direita) e dividindo o resultado pela intensidade (mm/h) da chuva de projeto local.

Tabela 6.1 – Valores de referência adotados para dimensionar sarjetas


Via Lote lindeiro
Parâmetros F (m) a (m)
hidrológicos ≤ 18 20
> 18 30
C 0,90 0,70
I 100 mm/h
TR 10 anos
D 10 min

2) Vazão específica (q) em uma sarjeta


O cálculo do comprimento útil (Lu) ocorre com o uso da vazão por metro linear, segundo a geometria
da via e faixa de contribuição, a qual é expressa em l/s/m por:

q = q 1 + q2 (6.3)

Onde: q1 = vazão específica da profundidade (a) da quadra (l/s/m)


q2 = vazão específica da semi-largura da via (meia via = F/2) do logradouro (l/s/m)

Sendo: q1 = 2,78 × C × I × A × 10–4

C 0,70
Onde: I 100 mm/h
A a x 1 m (m2)
SARJETAS E MEIOS-FIOS

Logo: q1 = 0,01946 × a

Sendo: q2 = 2,78 × C × I × A × 10–4

C 0,90
Onde: I 100 mm/h
A F/2 x 1 m (m2)

Logo: q2 = 0,01251 × F 71

e: q = 0,01946 × a + 0,01251 × F (6.4)


Na Tabela 6.2, estão apresentados os valores de q para as diferentes larguras (F) das vias e dos
lotes padrões considerados no exemplo desenvolvido neste manual.

Tabela 6.2 – Valores da vazão específica (q), em l/s/m

Vazão específica q ( l/s/m )


Largura da via F (m) 10 12 13 14 15 18 20 25 27 30 40
Profundidade do 20 0,51 0,54 0,55 0,56 0,58 0,61 0,64 0,70 0,73 0,76 0,89
lote a (m) 30 0,71 0,73 0,75 0,76 0,77 0,81 0,83 0,90 0,92 0,96 1,08

6.2 CÁLCULO DA CAPACIDADE HIDRÁULICA OU DE VAZÃO

Para o cálculo da capacidade de vazão de uma sarjeta e meio-fio, é necessário levar em conside-
ração as características geométricas, dimensões, inclinação longitudinal e tipo de revestimento
deste dispositivo. Tendo em vista que alguns destes elementos dependem da geometria da via, a
integração entre o responsável pelo projeto geométrico da via e o encarregado do projeto de
drenagem é fundamental para uma solução técnica-econômica condizente com a região e a via a ser
projetada. Na Tabela 6.3 são apresentados parâmetros usuais utilizados no projeto de ruas e avenidas.

Tabela 6.3 – Características geométricas usuais para projetos de ruas e avenida


Dados Característicos Usual Máximo Mínimo
Declividade longitudinal do pavimento – – 0,4 %
Declividade transversal do pavimento 2,0% 2,5% 1,0%
Declividade transversal da sarjeta 5,0% 10,0% 2,0%
Altura da guia 0,15m 0,20m 0,10m
Altura da água na pista – 0,13m –
Comprimento útil (Lu) – 60m –
Largura da sarjeta sem estacionamento 0,50m 0,60m –
Largura da sarjeta com estacionamento 0,90m – –
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

No caso da via ter uma declividade longitudinal (greide) menor que a mínima para a sarjeta, deve
ser verificada a possibilidade de uso de inclinação da sarjeta, diferente do greide da via. Esta
solução deve ser analisada de forma criteriosa para evitar o surgimento de desníveis inadequa-
dos entre a sarjeta e o pavimento.
A capacidade de vazão de dispositivos de drenagem superficial, que atuam como canal (sarje-
tas, meios-fios e valetas), pode ser determinada pela conjugação da equação da continuidade
com a fórmula de Manning. A seguir descrevem-se os procedimentos usuais para tal cálculo.

6.2.1 Velocidade nos dispositivos de drenagem


1) Velocidade média no escoamento superficial
72
O escoamento superficial é considerado permanente e uniforme, o que permite a aplicação da
fórmula de Manning para o cálculo de velocidade, expressa por:
2 1
(RH) /3 × i /2 (6.5)
V= n
Onde:
V = velocidade média (m/s)
RH = raio hidráulico (m)
i = declividade média de escoamento (m/m)
n = coeficiente de rugosidade (adimensional/tabelado)

Tabela 6.4 – Coeficiente de rugosidade “n” de Manning

Coeficiente
Dispositivo e material da superfície
de rugosidade (n)
Concreto 0,014
Tubo
PVC helicoidal 0,010
textura lisa 0,013
Revestimento asfáltico
textura áspera 0,016
com desempenadeira 0,014
Argamassa de Cimento (acabamento) manual liso 0,016
Sarjeta manual áspero 0,020
Paralelepípedo argamassado 0,020
Com declividade longitudinal pequena (até 2%),
+ 0,002 a 0,005
sujeita a assoreamento, acrescentar a n
Concreto acabamento com colher, bem acabado 0,012
acabamento com colher, bem acabado 0,013
acabamento com desempenadeira 0,015
sem acabamento 0,017
Canal Concreto
projetado, alisado com colher, bem acabado 0,018
projetado, alisado com colher, mal acabado 0,020
projetado, sem acabamento 0,022
SARJETAS E MEIOS-FIOS

Os valores de “n” a serem adotados nos estudos e projetos de drenagem urbana podem ser os
indicados na Tabela 6.4, e na Tabela 6.5 estão as velocidades máximas e mínimas recomenda-
das para dispositivos de drenagem urbana.
O ideal é que a velocidade do fluxo d’água no dispositivo situe-se entre:
– Valor máximo, que pretende limitar o efeito de abrasão às superfícies;
– Valor mínimo, que visa garantir a auto–limpeza dos dispositivos.

73
Tabela 6.5 – Velocidades admissíveis para os vários dispositivos de
drenagem segundo o material de construção usado

velocidade (m/s)
Material
máxima mínima
Revestimento asfáltico 3,0
Sarjeta

Galeria Concreto
5,0
Tubo 0,75
Fundo e talude em concreto
Canal Fundo em terra e talude em concreto 2,5
Fundo e talude em terra 1,8

6.2.2 Cálculo da capacidade de vazão da sarjeta/meio-fio


A configuração apresentada na Figura 6.1 mostra uma situação recomendada, em vias urbanas, para
a conjugação de circulação de pedestres (calçada), drenagem (sarjeta) e tráfego de veículos (rua).

Contrapiso Inclinação
Piso de calçada máxima Meio fio
2% Tubulação de
água pluvial Largura do alagamento - W0

3%

Rua
Solo compactado Sarjeta

Figura 6.1 – Seção recomendada no encontro calçada-sarjeta

Para a definição da largura da sarjeta e altura do meio-fio, há de se considerarem duas si-


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

tuações para implantação e pavimentação de vias urbanas: uma é a implantação de rua em


área totalmente virgem e outra é a situação de adequação e pavimentação de via existente.
Para a primeira situação, a largura de construção da sarjeta e a altura da guia (meio-fio) estão
limitadas pelo passo das pessoas (Figura 6.2), largura disponível para implantação da via e
pelo não impedimento à abertura das portas dos automóveis. Por vezes, em ruas com previsão
de estacionamento regular junto ao meio-fio, se adota largura de 90cm. Uma outra prática é
adotar 60cm para reduzir o tráfego no encontro da pista e sarjeta, que é um ponto fraco na pista
de rolamento. No entanto, tem sido comum adotar-se a largura de 50cm, que permite conter
uma grelha (boca coletora), dar passagem a uma pessoa e reduzir o consumo de concreto em
toda a obra.
No caso de vias existentes, nas quais se pretende implantar melhoramentos (adequação geo-
74
métrica, pavimentação etc.), nem sempre é possível o uso das soluções citadas. A existência de
edificações, com soleiras já definidas, largura limitada entre a testada das construções em
18 cm

50 cm

Figura 6.2 – A sarjeta e a passada do pedestre

ambos os lados da via e o seu greide obrigam os projetistas a utilizarem de forma intensa seus
conhecimentos para tornar o projeto de melhoramentos adequado técnica e economicamente.
Nesses casos, para tornar possível a implantação dos melhoramentos, recomenda-se estudar
criteriosamente, entre outros elementos: a redução da largura de calçadas, uso apenas do
meio-fio (sem previsão de sarjeta em concreto) e pavimentação de baixo custo. Tais propostas,
certamente, evitarão impactos sociais e econômicos decorrentes de desapropriações, aumen-
to do volume de materiais, desníveis inadequados entre a via, a calçada e as edificações etc.
No caso do uso apenas de meio-fio, a configuração recomendada é a ilustrada na Figura 6.3.

Guia (meio fio)


Sarjeta: guia e pavimento
6 (h)
1 (v)

Base de concreto

Figura 6.3 – Seção econômica típica guia-pavimento

6.2.2.1 Determinação das características das sarjetas/meios-fios


Na Figura 6.4, é apresentada a configuração genérica de uma sarjeta e meio-fio, com seus ele-
SARJETAS E MEIOS-FIOS

mentos geométricos, que servirão para fornecer parâmetros a serem utilizados no cálculo da
capacidade de vazão do dispositivo de drenagem.
A capacidade de escoamento (ou de vazão) nas sarjetas é determinada pela fórmula de Izzard, que
é uma aplicação da fórmula de Manning e da equação da continuidade a este tipo de dispositivo.

W0 = y0 tgq0

q0 1
y0 z = tgq0
q0

75

Figura 6.4 – Seção de uma sarjeta triangular com elementos constitutivos


8 1
z (6.6)
Q 0 = 0,375 × × ( yo) 3 × (i ) 2
n

Onde:
Q0 = capacidade de escoamento na sarjeta (m3 /s)
y0 = altura de lâmina d’água junto ao meio-fio (m)
i = inclinação longitudinal da sarjeta (m/m)
z = tg θ0 = recíproca da declividade transversal da sarjeta = inverso da inclinação trans-
versal da sarjeta (m/m)
n = coeficiente de rugosidade de Manning (adimensional/tabelado)

Se a seção for composta, considera-se a combinação mostrada na Figura 6.5 e calcula-se:

Q0 = Q1 – Q2 + Q3 (6.7)

w
Q0
q1 1
y0 q0 z1 = tgq1
1
z0 = tgq0

Q1

y0 q0 Figura 6.5 - Seção composta


1 de uma sarjeta triangular
z0 = tgq0 e seus elementos
Q2
y1 q0 1
z0 = tgq0
Q3
y1 q1 1
z1 = tgq1
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Para o caso de sarjetões (Figura 6.6), o valor de z deve ser calculado por:

T
Z= = tgθ1 + tgθ 2 (6.8)
Y0

Logo pode-se escrever:

(
T = Y0 × tgθ1 + tgθ 2 ) (6.9)

Em todos os casos, tendo-se a capacidade de vazão Q0, a velocidade média é determinada pelo
uso da equação da continuidade. A velocidade, calculada pela expressão 6.10, é importante na
76
determinação do tipo de revestimento a ser empregado e por permitir calcular o tempo de per-
curso na sarjeta pela expressão 6.11 mostrada a seguir.
Τ

1 θ2 1
Yo θ1
Z1 = tgθ1 Z2 = tgθ2

Figura 6.6 – Seção típica de um sarjetão

Q0
V0 = (6.10)
A
L
tp = (6.11)
60 × V 0

Onde:
Vo – velocidade média (m/s)
Q0 – capacidade de vazão (m3/s)
A – área (m2)
L – comprimento do trecho (m)
tp – tempo de percurso (minuto)

6.3 CÁLCULO DO COMPRIMENTO CRÍTICO – EXEMPLOS

No tocante às características geométricas, dimensões e revestimentos, cada município pode ado-


tar seus próprios padrões de projetos-tipo de sarjetas (neste manual são considerados três: A, B e
C, estando apresentados nas figuras de 6.7 a 6.9) e assumir os limites dos padrões hidráulicos
para sua área (os deste manual estão na Tabela 6.6). Os três padrões de sarjetas, com dimensões
em cm, são mostrados a seguir.

Tipo A
12
Passeio
13
5
35

10 3%
SARJETAS E MEIOS-FIOS

17 50 117

Figura 6.7 – Sarjeta tipo A

Tipo B
12
Passeio
3,5
7

11 10 3%
35

15%

17 50 117 77

Figura 6.8 – Sarjeta tipo B


Tipo C
12
Passeio

3,5
2
3%

16
10

35
25%

17 50 117

Figura 6.9 – Sarjeta tipo C

Após terem sido demonstradas as fórmulas e procedimentos para cálculo da descarga específica,
velocidade de escoamento e capacidade de vazão, a indeterminação no dimensionamento passa a
ser então o Comprimento Crítico ou Útil – Lu, que definirá o espaçamento entre as bocas coletoras
(boca-de-lobo ou caixas de ralo), e que corresponde ao ponto a partir do qual uma sarjeta não é
capaz de conter o escoamento sem transbordar ou ultrapassar um limite previamente admitido
de alagamento.
Considerando a sarjeta triangular tipo A (Figura 6.7) e o pavimento da via com uma inclinação
transversal de 0,03 m/m (z=100/3), para uma lâmina d'água da sarjeta junto ao meio fio yo = 5,0cm,
tem-se como resultado uma faixa molhada de largura Wo = 1,67m, que é um valor limite usado
para a largura de alagamento nas sarjetas.
A medida 1,67m é muito conveniente, pois a largura dos veículos1 varia pouco dentro das catego-
rias, num veículo de passeio ela é aproximadamente de 1,65m (os utilitários, 1,80m). Consideran-
do a chuva de projeto, a largura de 1,67m permite, para uma via secundária, que se tenha pelo
menos uma faixa da largura do veículo sem lâmina d’água e a altura da mesma tolerável à segu-
rança e ao conforto do pedestre.
No entanto, para trechos iniciais – entre o divisor de águas e a primeira boca coletora de vias
locais (até 15m de largura), admite-se yo = 6,5cm, o que resulta em uma largura de alagamento
Wo = 2,17m.
Na Tabela 6.6, apresentam-se as alturas das lâminas d'água, para cada um dos três projetos-tipo ado-
tados, levando-se em conta a largura de alagamento para cada faixa de inclinação longitudinal da via.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Tabela 6.6 – Tipos de sarjetas e situação de emprego2

Altura da lâmina d’água yo (cm)


Inclinação Largura do alagamento (m)
Projeto tipo
longitudinal (i) 1,67 2,17
I > 16% A 5,0 6,5
16% ≥ I ≥ 0,5% B 11,0 12,5
I < 0,5% C 16,0 não empregado

78 1
Fonte: Instrução técnica CEPD 001 – Estimativa do quantitativo de indivíduos
em multidões, 1a edição 2006, Prefeitura do Rio de Janeiro, RJ.
2
SUDECAP – 2004.
Com o uso das equações 6.5 e 6.6 e dos parâmetros da Tabela 6.6, além de considerar-se o
coeficiente de rugosidade (n) igual a 0,015, determinaram-se as expressões da vazão teórica e
da velocidade do fluxo d’água em função da inclinação longitudinal (i), em m/m. Tais funções
estão apresentados na Tabela 6.7 a seguir.

Tabela 6.7 – Vazão e velocidade nas sarjetas2 em função


da inclinação longitudinal da via

Alagamento de 1,67m Alagamento de 2,17m


Capacidade Vazão Capacidade Vazão
Sarjeta Velocidade (m/s) Velocidade (m/s )
Teórica (l/s) Teórica (l/s)
A 282,752 ×(i)1/2 6,786 × (i)1/2 569,186 × (i)1/2 8,083 × (i)1/2
B 550,363 × (i)1/2 9,712 × (i)1/2 877,243 × (i)1/2 10,270 × (i)1/2
C 850,610 × (i)1/2 12,298 × (i)1/2 Não empregado Não empregado

Com o objetivo de considerar a possibilidade de obstrução, por material sedimentar, nas sarjetas de
baixa declividade, oferecer conforto e segurança, reduzir o risco a pedestres nas velocidades ele-
vadas, é considerado um fator de redução na capacidade das sarjetas com a seguinte formulação:

Q admissível = FR × Q teórica (6.12)

Sendo que FR pode ser obtido na Tabela 6.8 ou na Figura 6.10.

Tabela 6.8 – Fatores de redução de


escoamento das sarjetas

Declividade longitudinal Fator de


da sarjeta (%) redução FR
0,4 0,50
0,6 0,80 1,0

2,0 0,80 0,9


i = 0,6 %
3,0 0,70
SARJETAS E MEIOS-FIOS

0,8
5,0 0,50
0,7
6,0 0,40
Fator de redução, F

0,6
8,0 0,27
i = 0,4 %
10,0 0,20 0,5

0,4

0,3

Figura 6.10 – Fatores de redução (FR ) 0,2

de escoamento das sarjetas


0,1
(Fugita, 1980) 79
0,0
0 2 4 6 8 10 12 14
Declividade da sarjeta (%), i
Para se obter o comprimento útil, aquele em que se atinge a capacidade hidráulica máxima da
sarjeta, iguala-se esta à descarga afluente, isto é, à vazão de contribuição da área marginal ao
longo da sarjeta, utilizando-se as expressões seguintes:

C .I .[Lu.(a + F / 2)]
Qcontribuição = (6.13)
3,6

8/3 ⎛ z ⎞
Qadm = FR .0.375 y0 ⎜ ⎟ i (6.14)
⎝ n⎠

Onde:
Qcontribuição – vazão de contribuição (m3/s)
I – intensidade de chuva (mm/h) = P/tc
Qadm – capacidade de vazão (m3/s)
FR, C e n – coeficientes tabelados: redução, run off e rugosidade
y0 – (m)
i e z – (m/m)
a – profundidade de lote lindeiro (m)
F – largura da via (m)

De forma prática, para obter-se o comprimento útil Lu são apresentadas as Tabelas 6.9 (sarjeta A)
e 6.10 (Sarjeta B e C), para a faixa de alagamento de 1,67m, e a Tabela 6.11 (sarjeta A e B) para
a faixa de alagamento de 2,17m, já considerando o Fator de Redução e as diferentes condições
de geometria e declividades apresentadas pelas vias urbanas.

Essas tabelas foram preparadas para uma intensidade de precipitação de 100mm/h. Com isto,
dada uma intensidade de precipitação para qualquer projeto, basta multiplicar o valor tabelado
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

por 100 e dividir pelo valor dessa intensidade, obtendo-se com isso o comprimento útil Lu ou, de
outra forma, desconsidera-se a vírgula e dividi-se o valor tabelado pela intensidade de precipita-
ção e se obtém o comprimento útil Lu.

Caso se deseje desconsiderar o Fator de Redução, basta dividir o valor anteriormente obtido pelo
referido fator, relacionado na segunda coluna, e se obtém o comprimento útil Lu sem redução.

80
Tabela 6.9 – Comprimento Útil ou Comprimento Máximo de Utilização das Sarjetas – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 1,67 m e lotes de 20m n = 0,015
SARJETA “A” (Yo = 5 cm)
Inclinação Fator de
longitudinal redução Veloci- Vazão Largura da via ( m )
dade Teórica 10 12 13 14 15 18 20 25 27 30 40
Contribuição específica (l/s/m)
i(m/m) FR V (m/s) (l / s)
0,51 0,54 0,55 0,56 0,58 0,61 0,83 0,90 0,92 0,96 1,08
0,005 0,65 0,5 19,99 25,29 24,12 23,57 23,05 22,55 21,17 15,59 14,51 14,11 13,56 12,00
0,006 0,80 0,5 21,90 34,10 32,51 31,78 31,07 30,40 28,54 21,03 19,56 19,03 18,28 16,17
0,008 0,80 0,6 25,29 39,37 37,54 36,69 35,88 35,10 32,96 24,28 22,58 21,97 21,11 18,68
0,010 0,80 0,7 28,28 44,02 41,98 41,02 40,11 39,24 36,85 27,14 25,25 24,56 23,60 20,88
0,015 0,80 0,8 34,63 53,91 51,41 50,24 49,13 48,06 45,13 33,24 30,93 30,09 28,91 25,57
0,020 0,80 1,0 39,99 62,25 59,36 58,02 56,73 55,50 52,11 38,39 35,71 34,74 33,38 29,53
0,025 0,75 1,1 44,71 65,03 62,01 60,61 59,26 57,98 54,44 40,10 37,30 36,29 34,87 30,85
0,030 0,69 1,2 48,97 65,80 62,74 61,32 59,96 58,66 55,08 40,57 37,74 36,72 35,28 31,21
0,035 0,64 1,3 52,90 65,49 62,45 61,04 59,68 58,39 54,82 40,39 37,57 36,55 35,12 31,07
0,040 0,58 1,4 56,55 64,37 61,38 59,99 58,66 57,39 53,88 39,69 36,92 35,92 34,52 30,53
0,050 0,49 1,5 63,23 60,40 57,60 56,29 55,04 53,85 50,56 37,25 34,65 33,71 32,39 28,65
0,060 0,41 1,7 69,26 55,05 52,50 51,31 50,17 49,08 46,08 33,95 31,58 30,72 29,52 26,11
0,070 0,34 1,8 74,81 49,13 46,85 45,79 44,77 43,80 41,13 30,30 28,18 27,42 26,35 23,31
0,080 0,28 1,9 79,97 43,27 41,26 40,33 39,43 38,58 36,22 26,68 24,82 24,15 23,20 20,53
0,090 0,23 2,0 84,83 37,98 36,22 35,40 34,62 33,87 31,80 23,42 21,79 21,20 20,37 18,02
0,100 0,19 2,1 89,41 33,70 32,14 31,41 30,71 30,05 28,21 20,78 19,33 18,81 18,07 15,99
0,110 0,17 2,3 93,78 30,53 29,11 28,45 27,82 27,22 25,56 18,83 17,51 17,04 16,37 14,48
0,120 0,16 2,4 97,95 30,80 29,37 28,71 28,07 27,46 25,78 18,99 17,67 17,19 16,52 14,61
0,130 0,16 2,4 101,95 30,93 29,49 28,82 28,19 27,57 25,89 19,07 17,74 17,26 16,58 14,67
0,140 0,15 2,5 105,80 30,92 29,49 28,82 28,18 27,57 25,89 19,07 17,74 17,26 16,58 14,67
0,150 0,14 2,6 109,51 30,79 29,36 28,70 28,06 27,45 25,78 18,99 17,66 17,18 16,51 14,61
0,160 0,14 2,7 113,10 30,55 29,13 28,47 27,84 27,24 25,57 18,84 17,52 17,05 16,38 14,49
0,170 0,13 2,8 116,58 30,20 28,79 28,14 27,52 26,92 25,28 18,62 17,32 16,85 16,19 14,32
0,180 0,13 2,9 119,96 29,74 28,36 27,72 27,10 26,52 24,90 18,34 17,06 16,60 15,95 14,11
0,190 0,12 3,0 123,25 29,19 27,83 27,20 26,60 26,02 24,43 18,00 16,74 16,29 15,65 13,85
0,200 0,12 3,0 126,45 28,54 27,22 26,60 26,01 25,45 23,89 17,60 16,37 15,93 15,31 13,54
0,220 0,10 3,2 132,62 26,99 25,74 25,16 24,60 24,07 22,60 16,65 15,49 15,06 14,48 12,81
0,240 0,09 3,3 138,52 25,12 23,96 23,41 22,89 22,40 21,03 15,49 14,41 14,02 13,47 11,92
0,260 0,08 3,5 144,18 22,95 21,88 21,39 20,91 20,46 19,21 14,15 13,16 12,81 12,31 10,89
0,280 0,07 3,6 149,62 20,50 19,55 19,10 18,68 18,27 17,16 12,64 11,76 11,44 10,99 9,72
0,300 0,06 3,7 154,87 17,78 16,96 16,57 16,20 15,85 14,88 10,96 10,20 9,92 9,53 8,43
0,320 0,05 3,8 159,95 14,82 14,13 13,81 13,50 13,21 12,40 9,14 8,50 8,27 7,94 7,03

SARJETAS E MEIOS-FIOS

81
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

82
Tabela 6.10 – Comprimento Útil ou Comprimento Máximo de Utilização das Sarjetas – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 1,67m e lotes de 20m
SARJETA “B” (Yo = 11 cm) SARJETA “C” (Yo = 16 cm)
Inclinação Fator de
Veloci- Vazão Largura da via ( m ) Veloci- Vazão Largura da via ( m )
longitudinal redução
dade Teórica 10 12 13 14 15 18 20 25 27 30 40 dade Teórica 10 12 13 14 15 18 20 25 27 30 40
Contribuição específica ( l/s/m ) Contribuição específica ( l/s/m )
i (m/m) FR V (m/s) (l/s) V (m/s) (l/s)
0,51 0,54 0,55 0,56 0,58 0,61 0,83 0,90 0,92 0,96 1,08 0,51 0,54 0,55 0,56 0,58 0,61 0,83 0,90 0,92 0,96 1,08
0,005 0,65 0,7 38,92 49,22 46,94 45,88 44,86 43,89 41,21 30,35 28,24 27,47 26,40 23,35 0,9 60,15 76,08 72,55 70,90 69,33 67,83 63,69 46,91 43,64 42,46 40,80 36,09
0,006 0,80 0,8 42,63 66,37 63,29 61,85 60,48 59,17 55,56 40,93 38,07 37,04 35,59 31,48 1,0 65,89 102,57 97,81 95,60 93,48 91,45 85,86 63,25 58,84 57,24 55,00 48,66
0,008 0,80 0,9 49,23 76,63 73,08 71,42 69,84 68,32 64,15 47,26 43,96 42,77 41,09 36,35 1,1 76,08 118,44 112,94 110,38 107,94 105,60 99,15 73,04 67,94 66,10 63,51 56,18
0,010 0,80 1,0 55,04 85,68 81,70 79,85 78,08 76,39 71,72 52,83 49,15 47,81 45,94 40,64 1,2 85,06 132,42 126,28 123,41 120,68 118,06 110,85 81,66 75,96 73,90 71,01 62,81
0,015 0,80 1,2 67,41 104,93 100,07 97,80 95,63 93,56 87,84 64,71 60,19 58,56 56,27 49,78 1,5 104,18 162,18 154,66 151,15 147,80 144,59 135,76 100,01 93,03 90,51 86,97 76,93
0,020 0,80 1,4 77,83 121,17 115,55 112,93 110,42 108,03 101,43 74,72 69,51 67,62 64,97 57,48 1,7 120,29 187,27 178,58 174,53 170,66 166,96 156,76 115,48 107,43 104,51 100,42 88,83
0,025 0,75 1,5 87,02 126,58 120,70 117,97 115,35 112,85 105,96 78,05 72,61 70,64 67,87 60,04 1,9 134,49 195,63 186,55 182,32 178,28 174,42 163,76 120,64 112,22 109,17 104,90 92,80
0,030 0,69 1,7 95,33 128,07 122,13 119,36 116,71 114,18 107,21 78,98 73,47 71,47 68,68 60,75 2,1 147,33 197,94 188,76 184,48 180,39 176,48 165,70 122,06 113,55 110,46 106,14 93,89
0,035 0,64 1,8 102,96 127,47 121,56 118,80 116,17 113,65 106,71 78,61 73,12 71,14 68,36 60,47 2,3 159,13 197,02 187,88 183,62 179,55 175,65 164,92 121,49 113,02 109,95 105,65 93,46
0,040 0,58 1,9 110,07 125,29 119,47 116,76 114,18 111,70 104,88 77,26 71,87 69,92 67,18 59,43 2,5 170,12 193,63 184,65 180,47 176,46 172,64 162,09 119,41 111,08 108,06 103,83 91,85
0,050 0,49 2,2 123,06 117,57 112,11 109,57 107,14 104,82 98,41 72,50 67,44 65,61 63,04 55,77 2,7 190,20 181,70 173,27 169,35 165,59 162,00 152,10 112,05 104,23 101,40 97,43 86,19
0,060 0,41 2,4 134,81 107,15 102,18 99,86 97,65 95,53 89,70 66,08 61,47 59,80 57,46 50,83 3,0 208,36 165,61 157,92 154,34 150,92 147,65 138,63 102,12 95,00 92,42 88,80 78,56
0,070 0,34 2,6 145,61 95,63 91,19 89,13 87,15 85,26 80,05 58,97 54,86 53,37 51,28 45,36 3,3 225,05 147,80 140,94 137,75 134,69 131,77 123,72 91,14 84,78 82,48 79,26 70,11
0,080 0,28 2,7 155,67 84,23 80,32 78,50 76,76 75,09 70,51 51,94 48,32 47,00 45,16 39,95 3,5 240,59 130,17 124,14 121,32 118,63 116,06 108,97 80,27 74,67 72,65 69,80 61,75
0,090 0,23 2,9 165,11 73,93 70,50 68,91 67,38 65,92 61,89 45,59 42,41 41,26 39,65 35,07 3,7 255,18 114,27 108,97 106,50 104,14 101,88 95,66 70,47 65,55 63,77 61,28 54,20
0,100 0,19 3,1 174,04 65,60 62,56 61,14 59,78 58,49 54,91 40,45 37,63 36,61 35,18 31,12 3,9 268,99 101,39 96,69 94,49 92,40 90,40 84,87 62,52 58,16 56,58 54,37 48,09
0,110 0,17 3,2 182,53 59,43 56,67 55,38 54,16 52,98 49,75 36,65 34,09 33,16 31,87 28,19
0,120 0,16 3,4 190,65 59,95 57,17 55,88 54,64 53,45 50,19 36,97 34,39 33,46 32,15 28,44
0,130 0,16 3,5 198,44 60,20 57,41 56,11 54,86 53,67 50,39 37,12 34,53 33,60 32,28 28,56 n = 0,015
0,140 0,15 3,6 205,93 60,19 57,40 56,10 54,85 53,66 50,38 37,12 34,53 33,59 32,28 28,55
0,150 0,14 3,8 213,15 59,94 57,16 55,86 54,62 53,44 50,17 36,96 34,38 33,45 32,14 28,43
0,160 0,14 3,9 220,15 59,46 56,70 55,42 54,19 53,01 49,77 36,67 34,11 33,18 31,88 28,21
Tabela 6.11 – Comprimento Útil ou Comprimento Máximo de Utilização das Sarjetas – Lu (m)
Faixa de alagamento W0 = 2,17 m e lotes de 20m

Inclinação Fator SARJETA “A” ( Yo = 6,5 cm) SARJETA “B” ( Y o = 12,5 cm)
longitudinal de Largura da via ( m ) Largura da via ( m )
da via redução Velocidade Vazão Q (l/s) 10 12 13 14 15 Velocidade Vazão Q (l/s) 10 12 13 14 15
(sarjeta) Contribuição específica ( l/s/m ) Contribuição específica ( l/s/m )
i (m/m) FR v (m/s) Teórica Admissi. 0,51 0,54 0,55 0,56 0,58 v (m/s) Teórica Admiss, 0,51 0,54 0,55 0,56 0,58
0,005 0,65 0,6 40,25 26,16 50,91 48,55 47,45 46,39 45,39 0,7 62,03 40,32 78,46 74,82 73,12 71,50 69,95
0,006 0,80 0,6 44,09 35,27 68,64 65,45 63,97 62,55 61,19 0,8 67,95 54,36 105,78 100,88 98,59 96,40 94,31
0,008 0,80 0,7 50,91 40,73 79,25 75,58 73,86 72,23 70,66 0,9 78,46 62,77 122,15 116,48 113,84 111,32 108,90
0,010 0,80 0,8 56,92 45,53 88,61 84,50 82,58 80,75 79,00 1,0 87,72 70,18 136,57 130,23 127,28 124,46 121,76
0,015 0,80 1,0 69,71 55,77 108,52 103,49 101,14 98,90 96,76 1,3 107,44 85,95 167,26 159,50 155,88 152,43 149,12
0,020 0,80 1,1 80,50 64,40 125,31 119,50 116,79 114,20 111,72 1,5 124,06 99,25 193,13 184,17 180,00 176,01 172,19
0,025 0,75 1,3 90,00 67,27 130,90 124,83 122,00 119,30 116,71 1,6 138,70 103,68 201,75 192,39 188,03 183,86 179,88
0,030 0,69 1,4 98,59 68,07 132,45 126,31 123,44 120,71 118,09 1,8 151,94 104,90 204,14 194,67 190,25 186,04 182,00
0,035 0,64 1,5 106,48 67,75 131,83 125,72 122,87 120,14 117,54 1,9 164,12 104,42 203,19 193,76 189,37 185,17 181,15
0,040 0,58 1,6 113,84 66,58 129,57 123,56 120,76 118,08 115,52 2,1 175,45 102,62 199,70 190,43 186,12 181,99 178,04
0,050 0,49 1,8 127,27 62,48 121,59 115,95 113,32 110,81 108,40 2,3 196,16 96,30 187,39 178,70 174,65 170,78 167,07
0,060 0,41 2,0 139,42 56,95 110,82 105,67 103,28 100,99 98,80 2,5 214,88 87,77 170,79 162,87 159,18 155,65 152,27
0,070 0,34 2,1 150,59 50,82 98,90 94,31 92,17 90,13 88,18 2,7 232,10 78,33 152,43 145,36 142,06 138,91 135,90
0,080 0,28 2,3 160,99 44,76 87,11 83,07 81,18 79,38 77,66 2,9 248,12 68,99 134,25 128,02 125,12 122,35 119,69
0,090 0,23 2,4 170,76 39,29 76,46 72,92 71,26 69,68 68,17 3,1 263,17 60,56 117,85 112,38 109,83 107,40 105,07
0,100 0,19 2,6 179,99 34,86 67,84 64,70 63,23 61,83 60,49 3,2 277,41 53,73 104,56 99,71 97,45 95,29 93,23
0,110 0,17 2,7 188,78 31,58 61,46 58,61 57,28 56,01 54,79 3,4 290,95 48,68 94,72 90,33 88,28 86,32 84,45
0,120 0,16 2,8 197,17 31,86 62,00 59,13 57,79 56,51 55,28 3,6 303,89 49,11 95,56 91,13 89,06 87,09 85,20
0,130 0,16 2,9 205,22 31,99 62,26 59,37 58,02 56,74 55,51 3,7 316,29 49,31 95,96 91,50 89,43 87,45 85,55
0,140 0,15 3,0 212,97 31,99 62,25 59,36 58,01 56,73 55,50 3,8 328,23 49,30 95,94 91,49 89,41 87,43 85,53
0,150 0,14 3,1 220,44 31,85 61,99 59,11 57,77 56,49 55,27 4,0 339,75 49,09 95,54 91,10 89,04 87,06 85,18
0,160 0,14 3,2 227,67 31,60 61,49 58,64 57,31 56,04 54,83
0,170 0,13 3,3 234,68 31,24 60,78 57,96 56,65 55,39 54,19
0,180 0,13 3,4 241,49 30,77 59,87 57,09 55,80 54,56 53,38
0,190 0,12 3,5 248,10 30,19 58,76 56,03 54,76 53,55 52,38 n =0,015
0,200 0,12 3,6 254,55 29,53 57,46 54,79 53,55 52,36 51,23
0,220 0,10 3,8 266,97 27,93 54,34 51,82 50,65 49,52 48,45
0,240 0,09 4,0 278,84 25,99 50,57 48,23 47,13 46,09 45,09

SARJETAS E MEIOS-FIOS

83
7
Boca-de-lobo (BL)

Denomina-se boca-de-lobo o dispositivo de drenagem esparsadamente disposto ao longo de sarje-


tas, destinado a esvaziá-las, recolhendo as águas superficiais a um coletor de maior capacidade
hidráulica, situado em plano inferior.

7.1 ELEMENTOS QUE COMPÕEM UMA BOCA-DE-LOBO

As bocas-de-lobo, normalmente, são compostas dos seguintes elementos:

1) Caixa de alvenaria: situada sob a calçada (com entrada d’água através de cantoneira) ou
sob a rua (grelha). É conveniente que seja adotado um projeto padrão;
2) Grelha: peça com barras longitudinais e transversais espaçadas entre si, para permitir a
captação de água, segurança a transeuntes e impedir a entrada de materiais prejudici-
ais aos coletores. Caso esta peça seja executada em ferro fundido, é conveniente que a
mesma seja presa, através de articulação, junto à borda da calçada. Esta recomenda-
ção permite que a grelha seja aberta com segurança e evita atos de vandalismo, princi-
palmente roubo. Em situações em que seja previsto o uso do concreto para confecção
da grelha, deve ser analisada a necessidade de uso de armadura para sua execução e
ser considerado o tipo de veículo e a carga por eixo dos veículos que circularão nas vias.
3) Quadro ou caixilho: dispositivo destinado a receber a grelha;
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

4) Cantoneira (guia-chapéu): elemento dotado de abertura vertical junto ao meio-fio, que


permite a entrada de água.

Nas Figuras 7.1 e 7.2, estão apresentados detalhes característicos, em planta e seções, de bocas-
de-lobo usuais em projetos de drenagem urbana.
Na Figura 7.3, apresentada a seguir, estão mostradas situações de posicionamento de bocas-de-
lobo e rede coletora em uma via pública.
Os principais tipos de boca-de-lobo são apresentados na Figura 7.4, permitindo que o projetista
possa avaliar o tipo que melhor se adapte à via urbana em estudo.

84
Cantoneira F’ F’ PM
B Ano

6 11

A A
5 42,5 5 42,5 5
C C
Grelha F’ F’

Projeção Quadro ou caixilho F’ F’


da caixa B

Figura 7.1 – Boca-de-lobo simples (de ferro fundido cinzento)

Rebaixo em
concreto Passeio Rebaixo em Nível do meio-fio
fck > 18 Mpa concreto
fck > 18 Mpa
Pista Grelha F’F’

Argamassa 1:3 Quadro F’F’


Alvenaria de
tijolo Argamassa 1:3
requeimado
Alvenaria de
tijolo
requeimado

Concreto
fck > 18 Mpa
Corte BB Corte AA
Figura 7.2 – Cortes de boca-de-lobo simples

Rede coletora no eixo da via pública

BL BL

BL BL
sentido de
escoamento
BL
BL
BOCA-DE-LOBO

Situação recomendada Situação não recomendada

Rede coletora na sarjeta da via pública


BLM

BLJ

BLJ BL – Boca-de-lobo
BLM BLM – Boca-de-lobo de montante
BLJ – Boca-de-lobo de jusante

Situação usual 85
Figura 7.3 – Posição da rede coletora na via
Boca-de-lobo simples

Sem depressão com depressão

Boca-de- lobo com grelha

Sem depressão com depressão

Boca-de-lobo combinada

Sem depressão com depressão

Figura 7.4 – Principais tipos de bocas-de-lobo

7.2 CRITÉRIOS PARA PROJETO DE BOCA-DE-LOBO

Na definição do projeto das bocas-de-lobo, devem ser levados em conta os seguintes aspectos:

1. Não deve ser permitida a instalação da boca-de-lobo em ruas sem sarjeta.


2. Com exceção, onde seja projetada a sarjeta do tipo C, é desejável que todas as bocas- de-
lobo sejam instaladas com depressão no pavimento adjacente.
3. A abertura na cantoneira somente influi na capacidade de vazão quando tiver sido esgota-
da a da grelha ou por obstrução desta.
4. A interligação entre as bocas-de-lobo e o poço de visita ou caixa de passagem é feita por
conexão com declividade mínima de 1%.
5. O máximo espaçamento admitido entre bocas-de-lobo é de 60m.
6. Segundo os diâmetros dos ramais, a capacidade máxima de vazão a considerar neles é
a constante na Tabela 7.1 a seguir.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

7. Em pontos de cruzamento de ruas principais ou avenidas, é necessário remover 100%


das descargas provenientes da chuva inicial de projeto para evitar a passagem de água
através dessas vias.

Na Figura 7.5, está apresentada sugestão de configurações do posicionamento de bocas-de-lobo


para diversos tipos de cruzamentos de vias urbanas.

Tabela 7.1 – Capacidade máxima de ramais (WILKEN, 1978)

Capacidades dos Ramais


Diâmetro (cm) Cap. Máxima de Vazão(l/s)
40 100
86 50 200
60 300
Rebaixo para Crista da rua
passagem secundária
de pedestre
Crista da rua
Sentido típico principal
de escoamento

Boca-de-lobo
Bocas-de-lobo
no greide
contínuo

Rua secundária com rua secundária Rua secundária com rua principal

Crista

Crista

Boca-de-lobo
para eliminar o
Bocas-de-lobo escoamento Bocas-de-lobo
no greide contínuo para jusante, no greide contínuo
somente se a se necessário sem descarga
localizada na curva para jusante Crista
for insuficiente

Rua principal com rua principal Rua principal com rua principal
(as cristas devem ser mantidas) (uma crista contínua)

Figura 7.5 – Configurações típicas de cruzamentos em sistemas de drenagem

7.3 CAPACIDADE DE ENGOLIMENTO DE BOCA-DE-LOBO

Uma boca-de-lobo é dimensionada segundo a convergência dos seus fluxos laterais encaminhados
pela sarjeta. Segundo esse critério, elas se classificam em:

2) Situadas em pontos baixos das sarjetas (afluxo pelas duas laterais)


Os dois ramos da sarjeta, laterais à boca-de-lobo, possuem declividades convergindo para esta.
1) Situadas em pontos intermediários das sarjetas (greide contínuo)
A declividade da sarjeta passante mantém-se constante e o afluxo vem por uma lateral da
boca-de-lobo.
BOCA-DE-LOBO

A boca-de-lobo situada em ponto baixo ocorre nas curvas de concordância verticais côncavas; é a
última possibilidade para esgotamento d’água e merece atenção redobrada, com o uso de um
coeficiente de segurança conservador e de dispositivos combinados. Além do aspecto relativo ao
posicionamento, a boca-de-lobo pode ser simples, com grelha e combinada. Então, para cada
posicionamento e tipo de boca-de-lobo, há uma formulação empírica de dimensionamento.

7.3.1 Bocas-de-lobo localizadas em pontos baixos


87
Define-se ponto baixo de sarjeta a situação onde há mudança de declividade longitudinal, de positiva
para negativa o esgotamento da água nesse trecho da via concentra-se numa única sarjeta, e a
boca-de-lobo deve garantir a drenagem e ser projetada com um coeficiente de segurança adicional.
Nesse caso recomenda-se que a boca-de-lobo seja do tipo combinada.
Para o cálculo da capacidade de boca-de-lobo situada em pontos baixos (inclusive nos cruzamen-
tos das vias), deve ser adotado o método baseado nas experiências do U.S. Army Corps of Engineers,
sendo utilizado o formulário que segue.

1) Entrada pela cantoneira (guia chapéu)


Na Figura 7.6, estão ilustrados os parâmetros utilizados no dimensionamento da capacidade de
engolimento das bocas-de-lobo.

Guia

h y

Figura 7.6 – Alguns parâmetros usados para cálculo de boca-de-lobo

a) Para casos em que y < 12 cm


i) boca-de-lobo simples (para valores de y< 12 cm):
Q = 1,7 × y1,5 × L × 103 (7.1)

Onde:
Q = capacidade de engolimento (l/s)
y = carga hidráulica (m)
L = comprimento da abertura da cantoneira (m)

ii) boca-de-lobo dupla (para valores de y< 12 cm):


Q = 2 × 1,7 × y1,5 × L × 103 (7.2)

b) Nas situações em que y > 12 cm


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Adotar nestes casos o nomograma da Figura 7.7, correspondente ao da página 283 do livro Drenagem
Urbana – Manual de Projeto, 3a Edição, 1986, DAEE / CETESB, São Paulo.

2) Entrada pela grelha


a) boca-de-lobo simples com grelha:
Q = 2,383 × y1,5 (7.3)

Onde:
Q = vazão de engolimento (l/s)
y = carga hidráulica sobre a grelha (cm)

88
b) boca-de-lobo dupla com grelha:
Q = 2 × 2,383 × y1,5 (7.4)
30
5
1.000
900 4
800
700
3
25 600
500
2
400

300
20
1,5
200

y0 /h = Relação entre a lâmina d’água na sarjeta e a abertura da guia


1,0
100
90 0,90
15 80
70
0,80
60
Q/L = Capacidade de esgotamento em l/s/m

50
0,70
40

0,60
h = Abertura da guia cm

30

20 0,50
10

9 0,40
10
9
8
8
7
6
0,30
5
7
4
0,25
3
6
2 0,20

5
1 0,15

L
BOCA-DE-LOBO

0,10
yo
y h
a = 5 cm

Figura 7.7 – Capacidade de esgotamento das bocas-de-lobo simples com


depressão de 5cm, em pontos baixos das sarjetas. 89
Para as aplicações práticas em projetos de microdrenagem, são propostos na Tabela 7.2 valores
típicos para a capacidade das bocas-de-lobo em ponto baixo. Foi adotado L=0,85m, por ser um
valor muito comum para este tipo de dispositivo.

Tabela 7.2 – Capacidade (l/s) de BL em ponto baixo

CAPACIDADE (l / s)
Alagamento de 1,67m Alagamento de 2,17m
GRELHA GRELHA
y (cm) simples dupla y (cm) simples dupla
5 27 53 6,5 39 79
10 75 151 11,5 93 186
11 87 174 12,5 105 211
16 153 305
CANTONEIRA CANTONEIRA
5 16 32 6,5 24 48
10 46 91 11,5 56 113
11 53 105 12,5 64 128
16 65 130
COMBINADA COMBINADA
5 43 85 6,5 63 127
10 121 242 11,5 149 299
11 140 279 12,5 169 339
16 218 435

7.3.2 Bocas-de-lobo localizadas em ponto intermediário


1) Entrada pela cantoneira (guia chapéu) em pontos intermediários
Nos desenhos inseridos na Figura 7.8, são apresentados detalhes e parâmetros necessários ao
cálculo da capacidade de engolimento para as bocas-de-lobo situadas em greide contínuo.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Solução para o caso geral


As pesquisas na Universidade Johns Hopkins estabeleceram para o caso geral a seguinte equação:

Q / L = (K + C) × y × (g × y)½ (7.5)

Onde K e C são adimensionais.

a) boca-de-lobo simples com depressão (a > 0):


Tendo as seguintes características:
L1 = 10a
90
L2 = 4a
W = 8a
A B

L1 > 10.a L L2 = 4.a


Guia

Qo Vo Área rebaixada W = 8.a


Sarjeta

Limite do escoamento
na sarjeta Limite do revestimento
da rua

A B
Planta
L1
yo

Vo
h
α a
y
z b
V
α
tg α = i

Elevação

T
it Área A o W it Área A

yo h
y/it θo y θo
θ a
Seção AA Seção BB

Figura 7.8 – Boca-de-lobo simples em ponto intermediário


da sarjeta (DAEE/CETESB, 1986)

K = 0,23 e C pode ser calculado pela seguinte expressão:

0,45
C= 2
1,12X . F

Onde: X = L / a × tg θ

e F é o número de Froude cujo valor é:

F2 = 2[(E / y) – 1]
Sendo: E = [Qo2 /(2 . g . A2)] + y
BOCA-DE-LOBO

Se L2 ≠ 4a e a ≠ b a equação de “X” se torna:

X = L / a 1 × tg θ

Onde: a1 = (b – i . L 2) / (1 – 4 × i)

A equação de Q / L com K = 0,23, fica 91

Q / L = (0,23 + C) × y × (g × y)½ (7.6)


O valor de y pode ser calculado por tentativas aplicando-se a expressão de Q / L
a) boca-de-lobo simples sem depressão (a = 0)
Nesse caso:

C=0
y = yo
tg θ = tg θo

Os valores de K são funções de tg θo conforme segue:

Quadro – Valores de K para a equação 7.7

tg θo K
12 0,23
24 0,20
48 0,20

A equação de Q / L fica:

Q / L = K × y o × ( g × y o) ½ (7.7)

2) Entrada pela grelha em ponto intermediário (greide contínuo)

Para o estudo de grelhas instaladas em greide contínuo, adota-se o método de denominado The
Design of Storm Water Inlets, que consolida os estudos feitos pela Universidade Johns Hopkins
(U.S.A.) e que é descrito no livro Drenagem Urbana – Manual de Projeto, 3a Edição, 1986, DAEE /
CETESB, São Paulo, página 305. Como a descrição referenciada é longa, segue um exemplo,
com figura e gráfico, para o caso do esgotamento da boca-de-lobo combinada e em greide contínuo.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Na figura 7.9, está mostrada a configuração básica de sarjeta, guia e boca-de-lobo combinadas
que foi considerada para gerar o gráfico da figura 7.10, para a declividade transversal de 1%. O
coeficiente de rugosidade de Manning usado foi 0,016. Os valores do gráfico foram calculados
pelo método da Universidade Johns Hopkins. Acima da linha tracejada, o gráfico fornece resultado
parcial porque parte da água não é interceptada e passa sobre a grelha.

Visando facilitar o trabalho de projetistas para obter a capacidade de boca-de-lobo nas aplicações
práticas de estudos e projetos de microdrenagem, pode-se adotar os valores apresentados na Tabela
7.3, para faixa de alagamento de 1,67m, e na Tabela 7.4, para faixa de alagamento de 2,17m, para
bocas-de-lobo em greide contínuo, os quais são adotados em Belo Horizonte /MG (SUDECAP – 2004).

As bocas-de-lobo estabelecidas em greide contínuo (intermediárias) serão locadas com auxílio das
92
tabelas para determinação dos comprimentos úteis (Lu). O ideal, se possível, é que os espaçamen-
tos sejam igualados a partir da primeira BL, de maneira a uniformizar as vazões dos escoamentos.
Planta
0.60m 0.90m 0.60m
A A

0.60m
Q0

B
Guia
Sarjeta sem depressão
5cm it
5
5
Grelha
0.60m

Corte A - A Corte B - B
Figura 7.9 – Boca-de-lobo combinada correspondente ao gráfico da figura 7.10

400

300

200
Q = vazão esgotada (l/s)

0
0,1
i=
100
5
0,0
i=

60 1
0,0
i=
50
Boca-de-lobo combinada
40 ,004 0.60m
i =0
θ
30 5cm
W = 60cm
L = 90cm
a = 5cm
20 tg θ =12
BOCA-DE-LOBO

i = 0.01
Nota
Acima da linha tracejada L > 90cm
deve-se considerar o valor de a.

10
10 20 30 40 50 100 200 300 400 500 1000
Q = vazão na sarjeta (l/s)

Figura 7.10 – Gráfico para obter a capacidade da boca-de-lobo da Figura 7.9

93
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

94
Tabela 7.3 – Capacidade das BL para greide contínuo – Faixa de alagamento de 1,67m
SARJETA A SARJETA B SARJETA C
Declividade
BLS BLD BLS BLD BLS BLD
(m/m) Qo (l/s) Vo (m/s) Qo (l/s) Vo (m/s) Qo (l/s) Vo (m/s)
Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s)
0,002 12,7 0,30 12,7 12,7 24,8 0,44 24,5 24,8 38,3 0,55 36,6 38,3
0,004 18,0 0,43 17,8 18,0 35,0 0,62 32,6 35,0 54,1 0,78 49,7 54,1
0,005 20,1 0,48 19,3 20,1 39,2 0,69 35,8 39,2 60,5 0,87 54,9 60,1
0,006 22,0 0,53 20,7 22,0 42,9 0,76 38,8 42,9 66,3 0,96 59,7 64,8
0,008 25,4 0,61 23,1 25,4 49,5 0,87 44,0 49,1 76,6 1,11 68,1 73,3
0,010 28,4 0,68 25,2 28,4 55,4 0,98 48,5 53,7 85,6 1,24 75,6 80,7
0,015 34,8 0,83 29,7 34,8 67,8 1,20 58,3 63,4 104,8 1,51 91,4 96,5
0,020 40,2 0,96 33,5 38,7 78,3 1,38 66,5 71,7 121,0 1,75 104,8 109,9
0,025 45,0 1,08 36,9 42,0 87,6 1,54 73,8 78,9 135,3 1,95 116,5 121,6
0,030 49,3 1,18 39,9 45,1 95,9 1,69 80,3 85,5 148,3 2,14 127,1 132,3
0,035 53,2 1,27 42,7 47,9 103,6 1,83 86,4 91,5 160,1 2,31 136,9 142,1
0,040 56,9 1,36 45,3 50,4 110,8 1,95 92,0 97,1 171,2 2,47 *120,0 151,2
0,050 63,6 1,52 50,1 55,2 123,8 2,18 102,2 107,3 191,4 2,76 *75,1 167,8
0,060 69,7 1,67 54,4 59,5 135,6 2,39 111,5 116,6 209,7 3,03 *47,0 182,8
0,070 75,3 1,80 58,3 63,4 146,5 2,58 120,0 125,1 226,5 3,27 *27,7 196,6
0,080 80,4 1,93 62,0 67,1 156,6 2,76 127,9 133,1 242,1 3,50 *13,6 209,5
0,090 85,3 2,04 65,4 70,5 166,1 2,93 *120,7 140,5 256,8 3,71 *2,7 221,6
0,100 89,9 2,15 68,7 73,8 175,1 3,09 *96,6 147,6 270,7 3,91 0,0 233,0
0,110 94,3 2,26 71,8 76,9 183,7 3,24 *77,6 154,3
0,120 98,5 2,36 74,7 79,9 191,8 3,38 *62,1 160,7
0,130 102,6 2,46 77,6 82,7 199,7 3,52 0,0 166,8
0,140 106,4 2,55 80,3 85,5 207,2 3,65 0,0 172,7
0,150 110,2 2,64 83,0 88,1 214,5 3,78 0,0 178,4
0,160 113,8 2,73 85,5 90,6 221,5 3,90 0,0 183,9
0,170 117,3 2,81 88,0 93,1
0,180 120,7 2,89 90,4 95,5
0,190 124,0 2,97 92,7 97,9
0,200 127,2 3,05 95,0 100,1
0,210 130,3 3,12 97,2 102,4
0,220 133,4 3,20 99,4 104,5
0,230 136,4 3,27 101,5 106,6
*Adotar boca-de-lobo dupla
0,240 139,3 3,34 103,6 108,7
0,250 142,2 3,41 105,6 110,7
0,260 145,0 3,47 107,6 112,7
0,270 147,8 3,54 109,6 114,7
0,280 150,5 3,61 111,5 116,6
0,290 153,2 3,67 113,4 118,5
0,300 155,8 3,73 115,2 120,3
Tabela 7.4 – Capacidade das BL para greide contínuo – Faixa de alagamento de 2,17m
SARJETA A SARJETA B SARJETA C
Declividade
BLS BLD BLS BLD BLS BLD
(m/m) Qo (l/s) Vo (m/s) Qo (l/s) Vo (m/s) Qo (l/s) Vo (m/s)
Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s) Q (l/s)
0,002 25,4 0,36 25,2 25,4 39,4 0,46 36,7 39,4 54,0 0,55 49,0 54,0
0,004 36,0 0,51 34,8 36,0 55,8 0,65 48,2 55,8 76,3 0,78 65,6 74,4
0,005 40,2 0,57 38,4 40,2 62,4 0,73 52,9 61,6 85,3 0,87 72,3 81,1
0,006 44,0 0,62 41,5 44,0 68,3 0,80 57,1 65,8 93,5 0,95 78,4 87,1
0,008 50,9 0,72 47,2 50,9 78,9 0,92 64,6 73,3 108,0 1,10 89,2 97,9
0,010 56,9 0,81 52,1 56,9 88,2 1,03 71,1 79,9 120,7 1,23 98,7 107,4
0,015 69,6 0,99 62,7 67,8 108,0 1,26 85,2 93,9 147,8 1,51 118,9 127,6
0,020 80,4 1,14 71,6 76,7 124,7 1,46 97,0 105,7 170,7 1,74 135,9 144,7
0,025 89,9 1,27 79,4 84,6 139,5 1,63 107,4 116,1 190,8 1,95 150,9 159,7
0,030 98,5 1,40 86,5 91,6 152,8 1,79 116,8 125,6 209,0 2,13 164,5 173,2
0,035 106,4 1,51 93,0 98,2 165,0 1,93 125,5 134,2 225,8 2,30 *163,4 185,7
0,040 113,7 1,61 99,1 104,2 176,4 2,07 133,5 142,3 241,4 2,46 *120,9 197,3
0,050 127,2 1,80 110,2 115,3 197,2 2,31 148,2 157,0 269,9 2,75 *64,2 218,5
0,060 139,3 1,98 120,2 125,4 216,0 2,53 161,6 170,3 295,6 3,02 *27,9 237,7
0,070 150,5 2,13 129,4 134,6 233,4 2,73 *158,0 182,6 319,3 3,26 *2,3 255,4
0,080 160,8 2,28 138,0 143,2 249,5 2,92 *113,8 194,0 341,4 3,48 0,0 271,8
0,090 170,6 2,42 146,1 151,2 264,6 3,10 *80,6 204,7 362,1 3,69 0,0 287,2
0,100 179,8 2,55 153,7 158,8 278,9 3,27 *54,5 214,8 381,7 3,89 0,0 301,8
0,110 188,6 2,67 161,0 166,1 292,5 3,42 *33,6 224,4
0,120 197,0 2,79 167,9 173,0 305,5 3,58 *16,3 233,6
0,130 205,0 2,91 174,5 179,7 318,0 3,72 *1,6 242,4
0,140 212,8 3,02 180,9 186,1 330,0 3,86 0,0 250,9
0,150 220,2 3,12 187,1 192,2 341,6 4,00 0,0 259,1
0,160 227,5 3,23 193,1 198,2
0,170 234,5 3,32 198,9 204,0
0,180 241,3 3,42 204,5 209,6
0,190 247,9 3,51 209,9 215,1
0,200 254,3 3,61 215,3 220,4
0,210 260,6 3,69 220,5 225,6
*Adotar boca-de-lobo dupla
0,220 266,7 3,78 225,5 230,7
0,230 272,7 3,87 230,5 235,6
0,240 278,6 3,95 235,3 240,5

BOCA-DE-LOBO

95
7.4 LOCAÇÃO DA PRIMEIRA BOCA-DE-LOBO

A primeira boca-de-lobo é locada a partir do divisor de águas até a seção da sarjeta onde o
alagamento atinge o limite (2,17m). Para o cálculo do comprimento da sarjeta, chamado de compri-
mento útil (Lu), aplica-se a seguinte fórmula:

Q
Lu = qs (7.8)

Onde:
Lu = comprimento útil (m)
Qs = capacidade de escoamento na sarjeta (l/s)
q = vazão específica da via (l/s/m)

7.5 REDUÇÃO DA CAPACIDADE DAS BOCAS-DE-LOBO

A capacidade das bocas-de-lobo pode vir a ser menor que a calculada em virtude de:
– obstrução por detritos carreados pelas águas;
– irregularidades nos pavimentos das ruas, junto às sarjetas e bocas-de-lobo;
– metodologia de cálculo que nem sempre corresponde exatamente à realidade.
Levando em conta essas possibilidades, é conveniente aplicar um coeficiente de redução aos
valores teóricos obtidos, podendo-se adotar os que são mostrados na tabela 7.5.

Q admissível = F × Q teórica (Eq. 7.9)

Tabela 7.5 – Fatores de redução da capacidade das boca-de-lobo (F)

Localização da sarjeta Tipo de BL F (%)


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

cantoneira 80
Ponto Baixo com grelha 50
combinada 65
cantoneira 80
Greide Contínuo com grelha longitudinal 60
combinada 66

96
8
Galerias

As galerias constituem-se nos elementos de drenagem que permitem o escoamento das águas
captadas pelas bocas-de-lobo e caixas de ralo, sendo constituídas por estruturas fechadas (tubulares
ou celulares) que permitem a condução do fluxo d’água até um deságüe adequado.
Na Figura 8.1, está apresentada a configuração básica de um sistema de drenagem urbana, onde
está mostrado o uso de sarjeta, boca-de-lobo, poço de vista, caixa de ligação e finalmente a galeria
pluvial, elemento utilizado para dar destino final às águas captadas e escoadas pelo referido sistema.

e
c c Legenda
a a a – frente dos lotes
b c b – guia e sarjeta
d c – boca-de-lobo
e e
g d – conduto de ligação
d f e – galeria pluvial
c c f – poço de visita
a a g – caixa de ligação
sentido de escoamento
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Figura 8.1 – Partes constitutivas de um sistema de galerias

Na Figura 8.2, está mostrada uma seção transversal onde é apresentada a forma adequada de
captação e escoamento de águas de uma via urbana.

Calçada Boca-de-lobo Guia


Rua
N.A. Calçada
N.A.

N.A.
Sarjeta

N.A. Poço de visita

Conduto Galeria
98 de ligação
(conexão)

Figura 8.2 – Esquema de um corte transversal típico – sem escala


8.1 CRITÉRIOS PARA O PROJETO DE GALERIA DE ÁGUAS PLUVIAIS

Para que o sistema de galerias, a ser projetado, funcione de forma a não provocar transtornos à
população que utiliza as vias, deve-se observar os seguintes critérios:
1) O escoamento é calculado como conduto livre considerado como permanente e uniforme em
cada trecho da galeria;
2) As dimensões da galeria não devem decrescer na direção de jusante;
3) A rede tubular deve, preferencialmente, ser locada no eixo da pista. Para avenidas que disponham
ou venham a ser projetadas com canteiro central, deve-se locar esse sistema nessa região da via; e
4) Valores limites.

a) Medidas internas
No caso de seção circular, os condutos devem manter seu diâmetro. Se retangulares, podem variar
com abertura de janelas para equilíbrio das alturas de lâmina d’água, com espaçamento máximo de
50 metros. As aberturas são desaconselháveis em áreas urbanas. Na Tabela 8.1, estão apresenta-
das as dimensões recomendadas para galerias em vias urbanas, levando-se em conta aspectos
construtivos e também as necessidades de conservação para que o sistema funcione a contento ao
longo de sua vida útil.

Tabela 8.1 – Medidas limites de seções de galerias


Tipo de Seção Emprego Parâmetro Mínimo (cm) Máximo (cm)
Tronco 100 200
Circular Ramal Diâmetro 50 120
Única boca-de-lobo 40 40
Base
Celular Tronco 120 300
Altura

b) Velocidade admissível
A velocidade é um elemento fundamental na definição da galeria a ser projetada ou verificada hidrau-
licamente. Se, em função de inclinações longitudinais ou dimensões, a galeria apresentar valores de
velocidade baixa, poderá ocorrer o assoreamento ao longo de sua extensão, implicando muitas vezes
no entupimento da mesma. Para evitar esse problema, há de se ampliar o número de inspeções e
trabalhos de conservação para mantê-la em pleno funcionamento. Em contrapartida, se a velocidade
ultrapassa o limite máximo recomendado para os materiais previstos para confecção da galeria, é
GALERIAS

adequado que sejam revistos os valores da inclinação longitudinal ou dimensões de forma a evitar que
seja ultrapassado o limite fixado. Esse procedimento evitará o surgimento de fenômenos erosivos no
interior da galeria pluvial, mantendo o tempo de vida útil do dispositivo e evitando ações freqüentes
de manutenção que, normalmente, são de difícil execução e onerosas. Cabe citar que, no caso de
dimensões inferiores a 120cm o reparo, dependendo da extensão, é praticamente impossível.
99
Na Tabela 8.2, são apresentados valores limites de velocidade (máximos e mínimos) que servem como
norteadores quando da elaboração e verificações hidráulicas de galerias existentes ou projetadas.
Tabela 8.2 – Velocidades limites de galerias

Velocidade (m / s)
Material
Máxima Mínima
celulares
Galerias de concreto 5,0
tubulares
0,75
Galerias de PVC φ < 1,2m (*) 6,0
helicoidal tubular φ ≥ 1,2m (*) 4,5
(*) Conforme recomendação de fabricantes

c) Declividade
A definição da declividade da galeria muitas vezes depende do projetista da drenagem e do res-
ponsável pelo projeto geométrico da via. Diante disto, é fundamental que haja um trabalho de
equipe que leve à solução técnica e economicamente adequada para o projeto como um todo. A
partir dos levantamentos topográficos e do projeto de urbanização, serão definidas as declividades
do arruamento.
A princípio, a inclinação longitudinal da galeria deve seguir a prevista para o arruamento, isto é,
obedecer a inclinação do greide. Porém, em função, principalmente, de cotas de deságüe e velo-
cidade, por vezes, esses valores precisam ser alterados e adequados, fazendo com isto, que a
galeria tenha inclinação própria.
Para determinar a declividade de um coletor, deve-se considerar a diferença de cotas entre o
ponto de entrada da água e ponto onde deságua: nível d’água no rio, canal ou um PV. Em
seguida mede-se o comprimento “L”. O coletor de lançamento deve ter sua geratriz inferior
acima do nível da água a jusante. Cabe citar que nem sempre isso permite garantir a declividade
necessária (Figura 8.3).
A declividade é determinada por i = ∆H/L, sendo ∆H o desnível conforme mostrado na Figura 8.3.

Cota do terreno
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Cota da geratriz superior


Rec

D
Nível d’água
Coletor Desnível H
L
Rec. – recobrimento
D – diâmetro interno

Figura 8.3 – Determinação da declividade de um coletor

Por vezes, é conveniente usar galeria de menor dimensão empregando declividade maior que
aquela do terreno ou greide da via, pelo fato de que a redução das dimensões do tubo pode
ser mais econômica a despeito de um possível aumento da escavação. Na Tabela 8.3, são
100
apresentadas declividades recomendadas para o projeto de galerias. Lembrar que as mesmas
podem ser alteradas ou adequadas em função da velocidade do fluxo e da cota de deságüe.
Tabela 8.3 – Declividades recomendadas para galerias

Declividade Valor (%)


Mais econômica A do terreno ou do greide da via
Normal 0,3 < i < 4
Mínima da boca coletora ao PV 1 (um)

d) Lâmina d’água
O limite de ocupação da galeria pelo fluxo a escoar permite ter a certeza que o dispositivo funciona-
rá dentro do que foi projetado. Com o objetivo de orientar os projetistas, na Tabela 8.4 são apresen-
tados os limites de lâmina d’água para os condutos.

Tabela 8.4 – Limites para lâminas d’água

Tipo de Seção Máxima Mínima


Circular 0,85 × D 0,2 × D
Celular 0,9 × altura (H) 0,2 × altura (H)

e) Recobrimento
Com objetivo de proteger a galeria, evitando que a mesma seja submetida a esforços não recomenda-
dos para a sua estrutura, deve-se ter acima da mesma uma camada de proteção, chamada de
recobrimento. Recobrimento de uma galeria é a distância vertical entre o greide da via e a geratriz
superior do coletor, desprezando-se a espessura da galeria no cálculo do recobrimento (Figura 8.4).

Ct
Figura 8.4 – Exemplo de
recobrimento de uma galeria

Recobrimento Ct – cota de topo

Enchimento

Na Tabela 8.5 são apresentados valores mínimos de recobrimento para diferentes materiais e
dimensões das galerias.
GALERIAS

Tabela 8.5 – Valores mínimos de recobrimento

Material Recobrimento (m)


tubos de concreto simples 0,8
galerias celulares em concreto armado 0,8
tubos de concreto D = 40 cm 0,6
armado D > 40cm 0,6 + [ (DN - 0,4) / 0,1] × 0,05 101
tubos de PVC helicoidal conforme fabricante
f) Espaçamento máximo entre dois poços de visita
O espaçamento máximo entre poços de vista deve levar em conta os aspectos hidráulicos,
construtivos, de conservação e de traçado da rede de galerias.
O espaçamento elevado dificulta a conservação das galerias. Isto ocorre apesar do desen-
volvimento tecnológico dos equipamentos para limpeza dos dispositivos de drenagem. Cabe
citar que alguns desses equipamentos não estão ao alcance financeiro de todas as prefeitu-
ras. O maior espaçamento entre poços de visita, desde que hidraulicamente correto, reduz
o custo de implantação, porém poderá causar transtornos ao longo da vida útil da galeria.
Isto ocorre em função da dificuldade de mantê-la funcionando com toda sua capacidade hi-
dráulica prevista.
Alguns autores indicam espaçamentos entre PVs até da ordem de 200 metros, mas neste manual
os valores recomendados são os apresentados na Tabela 8.6.

Tabela 8.6 – Espaçamento máximo entre PVs1


D (cm) Espaçamento Máximo (m)
≤ 80 60
> 80 100

g) Número de conexões
No tocante às conexões os poços de visita e caixas de passagem não devem receber mais que 4
(quatro) condutos de ligação.

h) Degraus em poços de visita


É adequado que em cada poço de visita haja um degrau mínimo (queda) de 0,1m. Esta indicação, apesar
de ser boa do ponto de vista hidráulico, nem sempre é possível de ser prevista. Isto ocorre em função
das baixas inclinações das galerias em locais planos e de limitações na cota de deságüe (Figura 8.5).
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Figura 8.5 – Exemplo de PV com degrau


PV

Queda
CE CF
(Cota de entrada do PV)
(Cota de saída do PV
ou cota de fundo)

5) Na junção de galerias de dimensões diferentes, o ideal é que as geratrizes superiores tenham


a mesma cota. Na Figura 8.6, está ilustrado o encontro entre duas galerias sem o uso de PVs.
Entretanto, cabe citar que a situação ideal é a junção de duas galerias com o uso de um PV. O PV
serve também como elemento para mudança de diâmetro de dois coletores ou para permitir a

102
1
A adoção desses valores levou em conta conhecimentos teóricos e informações práticas, sendo estas decorrentes do contato
com equipes de projeto/conservação em prefeituras e empresas que atuam em serviços de conservação de sistemas de galerias.
alteração de declividade. É recomendado que as cotas das geratrizes superiores dos coletores
sejam as mesmas.

Recobrimento

Figura 8.6 – Ligação de coletores


de diâmetros diferentes

6) Cota do Fundo do PV
Na Figura 8.7, está mostrada esquematicamente a forma de determinar-se a cota de fundo do
primeiro poço de visita do sistema de galeria pluvial que é calculada pela expressão seguinte.

• Primeiro poço a montante

Cf ≅ Ct – (Rec. +D) (8.1)

Ct
Rec

Figura 8.7 – Ilustração da determinação


D
Cf da cota de fundo do PV

• Demais poços
A determinação da cota de fundo dos demais poços de visita está apresentada na Figura 8.8,
onde se mostra a obtenção do desnível e da distância entre dois PVs.

PV PV montante

ΔH C

Figura 8.8 – Medida do desnível (∆H) entre dois PVs


GALERIAS

Cf = Cf poço anterior – ∆H (8.2)

O desnível ∆H é a diferença de cotas ou desnível vertical entre as geratrizes superiores do coletor


no PV de montante e no PV considerado. Seu valor é obtido multiplicando-se a distância (em m)
entre os dois poços pela declividade “i” (em m/m). 103

∆H = L . i (8.3)
7) Nível d’água na galeria
A cota do nível d’água no interior da galeria, quer seja a montante ou jusante, se obtém somando-
se à cota de fundo o valor do tirante “y”. Esta cota é determinada na entrada e saída da galeria no PV.

Nível d’água = Cf + y (8.4)

8) Os remansos não devem ser admitidos no interior das galerias. A seguir, na Figura 8.9, são
apresentadas algumas soluções para prevenir a possibilidade dessa ocorrência.

(a) Q

h1 h2
PROBLEMA
I = Cte
(a) O remanso pode ocasionar V1 < 0,75 m/s ou
encher o tubo h/D > 0,85, passando o escoamento
(b) Q
de conduto livre para conduto forçado.

h1 h2 POSSÍVEIS SOLUÇÕES
I = Cte (b) mesmo nível de energia (esta é a melhor solução
para evitar remanso, ressalto e turbilhonamento,

(c) Q com um degrau na entrada do P.V.).

(c) aumento de diâmetro (os tubos deverão ser


h1 h2
alinhados pela geratriz superior)
f2 > f1
(d) aumento da declividade a jusante
(d) Q

h1
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

h2 Figura 8.9 – Soluções para remanso em galerias


I2 > I1

8.2 DIMENSIONAMENTO

Tendo em vista que uma galeria é dimensionada como conduto livre (canal) e em regime per-
manente e uniforme, são empregadas a equação da continuidade e a fórmula de chezy com o
coeficiente de Manning, tal como no dimensionamento de canais.

8.2.1 Parâmetros hidráulicos das seções tubulares


Os valores necessários ao projeto estão ligados ao nível de enchimento do conduto. Os cálculos
104
e fórmulas são simplificados ao se utilizar o ângulo “θ”, conforme ilustrado na Figura 8.10, como
parâmetro de enchimento.
T

NA

Figura 8.10 – Parametrização da seção

y
q

O ângulo “θ” será sempre expresso em radianos (rad) nas fórmulas utilizadas e mostradas a seguir.
Área molhada:

Cos (θ / 2) = 1 - (2 y / D) (8.5)

Área molhada:

AH = [(θ - sen θ) / 8] + D2 (8.6)

Perímetro molhado:

PH = (θ / 2) D (8.7)

Raio hidráulico:

RH = D (θ - sen θ) / 4θ (8.8)

Largura da superfície livre do fluxo:

T = D sen (θ / 2) (8.9)

Profundidade hidráulica:

y = A / T = D (θ - sen θ) / [8 sen (θ / 2)] (8.10)

8.2.2 Parâmetros hidráulicos de seção celular


Na Figura 8.11, estão indicados os elementos para cálculo dos parâmetros hidráulicos de uma
seção celular retangular.

NA
H

AH
y

Figura 8.11 – Dimensões características


GALERIAS

B da seção retangular

Área molhada:

AH = B.y (8.11)

Perímetro molhado: 105

PH = B + 2.y (8.12)
Raio hidráulico:

RH = (B.y) / (B + 2y) (8.13)

Largura da superfície do fluxo:

T=B (8.14)

Profundidade hidráulica:

y=A/T (8.15)

8.3 EQUAÇÕES PARA DIMENSIONAMENTO NO REGIME SUPERCRÍTICO

Para uma dada seção hidráulica, se o tirante d’água (y) for menor que o crítico (yc) ou a declividade
maior que a crítica, o fluxo está ocorrendo no regime supercrítico (turbulento, torrencial ou rápido)
caso contrário, estará no subcrítico.

D
y

Figura 8.12 – Indicação de tirante d’água

Se houver um caso excepcional e for necessário dimensionar no regime supercrítico, utilizam-se


as equações do regime crítico. Considera-se que, dentro do duto, na boca de montante, o fluxo
está passando do regime subcrítico para o supercrítico através do crítico, que é uma situação bem
característica e conveniente para dimensionar o supercrítico, já que este regime ocorre logo após o
outro e está conduzindo a mesma água numa área molhada menor. Nesse caso, tem-se que ter
cuidado especial com a velocidade que ocorre dentro da galeria e no retorno ao terreno, na boca final
de jusante. Uma solução é aplicar a fórmula de Bernoulli que, para este caso, se torna:
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

2
montante + 2 x g x ∆H
Vjusante = (V ) 0,5 (8.16)

Onde:
Vjusante = velocidade d’água no deságüe a jusante
Vmontante = velocidade d’água no PV de montante
∆H = desnível da galeria entre os dois pontos
g = aceleração da gravidade (g=9,81m/s2)

Para dimensionamento das seções tubulares, arbitra-se que a altura que representa a energia
especificada do fluxo crítico seja a altura da galeria sem carga hidráulica a montante.
106
Assim:
EC = D (8.17)
Como:
3
EC = y (8.18)
2 C
e
yc = D (θ - sen θ) / (8 sen θ / 2) (8.19)

Chega-se a:

θC = 4,0335 rd (8.20)

e a um tirante crítico:

yc = 0,716 D (8.21)

Que permite calcular as seguintes características:

Vazão crítica: Qc = 1,533 D5/2 em (m3/s) (8.22)


Velocidade crítica: vc = 2,56 D1/2 em (m/s) (8.23)
2 1/3
Declividade crítica: ic = 32,82 n / D em (m/m) (8.24)

No caso de seção celular, considera-se que a altura representativa da energia específica do fluxo
crítico seja igual à altura da célula:

Ec = H (8.25)

Como
3 3
EC = y ⇒ H= y (8.26)
2 C 2 C
Sendo
2
yc = H (8.27)
3
Chega-se às seguintes expressões:

Vazão crítica: Qc = 1,705 B H3/2 em (m3/s) (8.28)


1/2
Velocidade crítica: vc = 2,56 H em (m/s) (8.29)
Declividade crítica: ic = 2,6 n2 / D1/3 (3 + 4H/B)4/3 em (m/m) (8.30)

8.4 DIMENSIONAMENTO NO REGIME SUBCRÍTICO


GALERIAS

8.4.1 Seções tubulares


O dimensionamento dos coletores, ramais e troncos de uma galeria é normalmente realizado no
regime subcrítico. Usando o que já foi exposto (equação da continuidade, Manning, expressões
parametrizadas etc.), obtêm-se as seguintes equações gerais do fluxo:

107
Velocidade: V = [ (θ - senθ) /4θ] 2/3 D2/3 i 1/2/n em (m/s) (8.31)
Vazão: Q = (1/16) [(θ - senθ)5 / 2θ2] 1/3 D8/3 i 1/2/n em (m3/s) (8.32)
Como se pode observar, V e Q são expressos em função do ângulo θ que por sua vez está ligado
ao tirante y e ao diâmetro D pela equação:

Cos θ = 1 - 2y (8.33)
2 D
ou
θ = 2 arc cos [1- (2 y / D)] (8.34)

Como θ está ligado a D, é possível montar tabelas em função da razão y / D.

8.4.2 Seções celulares


Semelhante aos tubulares, obtém-se também as equações do fluxo para os celulares, como mos-
trado nas próximas expressões:

Velocidade: V = [B.y / (B + 2y)]2/3 x i1/2 / n em (m/s) (8.35)


Vazão: Q = [(B.y)5 / (B + 2y)2 ]1/3 x i1/2 / n em (m3/s) (8.36)

Nos dutos celulares há três grandezas a considerar: a largura B, o tirante y e a altura H. Para se
obter uma solução, costuma-se fixar B para se determinar y. H é uma conseqüência de y devido à
folga, altura livre, entre a lâmina d'água e a laje superior da galeria:

H = y / 0,9 (8.37)

Como se tem muitas indeterminações na prática, resolve-se fixando-se o valor de B, variando de


1,00m a 3,00m, com intervalos de 0,50m e y variando de 0,20m até 3,00m. Para cada valor de B
constrói-se uma curva em função de y.

8.4.3 Roteiro para dimensionamento


São necessários os seguintes dados:
1) O valor da vazão de projeto a drenar calculada nos estudos hidrológicos;
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

2) O valor de i é obtido através da definição da posição da galeria no perfil longitudinal e


greide da via.
3) O valor de n (coeficiente de Manning) é conhecido pela natureza do material do qual será
executada a galeria.

Seqüência:
a) admite-se y / D = 0,9;
b) com o valor de y / D, calcula-se Q e V ou se consultam as tabelas previamente elaboradas.
c) comparam-se:
– O diâmetro calculado com os comercialmente disponíveis, adotando-se o de menor
perímetro molhado que atenda à vazão requerida.
108
– A velocidade de escoamento com os valores mínimo e máximo aceitáveis, função
da sedimentação das partículas em suspensão e da erosão das paredes dos dutos.
Tabela 8.7 – Um modelo de tabela para cálculo de coletores de águas pluviais

POÇO DE VISITA DEFLÚVIO A ESCOAR PARA JUSANTE GALERIA DE JUSANTE


Tirante Tempo
Local Cotas Bacia Local Contribuição Local Deflúvio ( altura água)
a de
Coef. Tempo Diâ- Normal Crítica Velo- Exten percur-
PV Rua Terreno Fundo Coef. Área Intenc. Coef. Defluv. Escoar Decli-
Distri- Concen- y yc cidade são so
Área Imperm Total Pluv. Defl. Local vidade metro
buição tração
aumentar ou reduzir a velocidade.

(ha) r (ha) Cd (min) (mm/h) Ce (l/s) (l/s) (m/m) (m) (m) (m) (m/s) (m) (min)
1 A 17,03 16,08
0,5 0,4 0,5 1 12 90 0,3 37,1 37,1 0,01 0,3 0,138 0,147 1,18 50 0,71
15,68
2 A 16,63
15,62
0,4 0,4 0,9 1 12,7 87 0,3 29 66,1 0,01 0,3 0,198 1,35 50 0,62
15,22
3 A 16,23
15,17
0,4 0,4 1,3 0,96 13,3 85 0,3 27,4 93,5 0,01 0,4 0,221 1,48 63 0,71
14,67
4 A 15,73
CE – Cota de entrada
– Cota de saída (fundo)
CF
e) Na Tabela 8.7 está mostrado um exemplo de cálculo de coletores de drenagem.
nova tentativa com outra relação y / D, alterando o diâmetro do coletor e procurando-se
d) Se os valores acima são aceitáveis o dimensionamento está concluído senão faz-se

GALERIAS

109
9
Reservatórios

Este capítulo trata de diversas formas de reduzir ou retardar o deflúvio direto. Ele apresenta objeti-
vos, características, elementos de projeto e de dimensionamento hidráulico de inúmeros tipos de
reservatórios, naturais e artificiais. Tais dispositivos são indicados como drenagem compensatória
aos efeitos danosos causados pela crescente impermeabilização das bacias hidrográficas, pela ca-
nalização de córregos e rios e pelo aumento de obras de microdrenagem, que têm tido como objetivo
principal esgotar as vazões das chuvas mais freqüentes, fazendo com que as águas alcancem de
forma mais rápida a macrodrenagem interferindo de forma inadequada com esta. O armazena-
mento temporário das águas pluviais amortece as cheias, concilia as efluências com a capacidade
da macrodrenagem e da microdrenagem a jusante e reduz o custo global das obras de drenagem.

9.1 FORMAS DE REDUZIR CHEIAS

Algumas formas de reduzir o deflúvio superficial direto e uma classificação dos tipos de reserva-
tórios estão descritos na Tabela 9.1. Ela é uma adaptação de trabalho do “Soil Conservation Service
(SCS)” dos Estados Unidos gerada a partir de tabelas de “Gert Aron da Universidade de Pennsylvania”.

Tabela 9.1 – Tipos de reservatórios e tempo de armazenamento

Tipo Tempo de armazenamento / características


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Curtíssimo. É realizado enquanto a água está sendo conduzida. Resultado de aumento no


Condução tempo de concentração e da armazenagem dos condutores (aumento de seção e meandros
de rios) e reservatórios (várzeas) naturais.
Curto. Vazão de saída no entorno de 1/3 do valor de entrada. Esvazia em menos de um dia.
Detenção
Eficiente para pequenos cursos d’água.
Retenção Maior que o de detenção. Possibilidade de pleno controle.
Depende da capacidade de absorção do solo e de haver situação que a favoreça. A saída é
Infiltração
baseada na perda para o lençol freático.

Na figura 9.1, está mostrada uma solução de redução de enchente que vem sendo adotada nas
grandes cidades que utilizam grandes reservatórios artificiais, os chamados “piscinões”.
Uma outra classificação de reservatório, em relação à participação da calha do rio, é denominada:
110
• in stream: reservatório se dá no rio (barragens)
• off stream: ocorre fora do rio (“piscinão”)
Figura 9.1 – Piscinão TM-7 / Canarinho – São Paulo (DAEE /SP)

Na Tabela 9.2, são apresentadas formas de redução do deflúvio direto, bem como se mostra o
resultado de sua implantação.

Tabela 9.2 – Formas de reduzir o deflúvio superficial direto

FORMAS DE REDUZIR O DEFLÚVIO SUPERFICIAL DIRETO APLICAÇÃO

1.1 Telhado de superfície rugosa e com baixa declividade. a) Aumentar o tempo de concentração.
b) Estética
Prediais

1.2 Cobertura ( laje) com jardim ou horta.


c) Horta para a família ou funcionários.
Lotes e quadras

1.3 Armazenamento em reservatório de lote, d) Uso da água para: consumo, descarga de banheiro, lavagens
tanque ou chafariz. (veículos, pisos), irrigação, proteção contra fogo e refrigeração.
e) Recarga lenta do lençol freático.
2.1 Pavimento permeável: grama, concreto poroso,
f) Redução de custo do pavimento.
cascalho ou com furos.
Pátios

g) Preservação da vegetação (árvores, arbustos e jardins).


h) Uso da água para: lavagem de pisos; irrigação; proteção
2.2 Armazenamento em cisternas ou bacias temporárias.
contra fogo; processos industriais; e refrigeração.
3.1 Cisternas coletoras para grupo de casas. d)
3.2 Calçadas permeáveis: grama, concreto poroso,
e), f) e g)
cascalho ou com furos.
Bairro

3.3 Praças, parques, jardins ou hortas públicas


b), c), e) e g)
(exemplo: Teresina/PI).
3.4 Recarga do lençol subterrâneo: uso de dutos perfurados
ou porosos; cascalhos (areia); valetas; poços secos; e) e g)
RESERVATÓRIOS

trincheiras, escoamento dirigido para depressões gramadas.


3.5 Vielas c/ áreas em cascalho ou concreto poroso. e), f) e g)
i) Proteção à vida e aos bens;
4.1 Bacias de retenção ou detenção nos cursos d’água
j) Estética, irrigação, recreação, piscicultura, uso de barcos de
ou marginais ou em parques ( liberando pequenas descargas) .
Macrodrenagem

recreação e valorização das propriedades adjacentes.


j)
4.2 Manutenção de meandros e de seção transversal
l) Aumento de área verde e integração paisagística,
de cursos de rios.
com valorização das regiões ribeirinhas.
m) Obra que preserva áreas superficiais valoradas e minora
4.3 Túnel de armazenamento.
a interferência em áreas densamente povoadas.
111
Fonte: adaptação de trabalho do Soil Conservation Service dos Estados Unidos, a partir de tabelas de Gert Aron da Universidade de Pennsylvania.
9.2 RESERVATÓRIOS ARTIFICIAIS

Em função da forma como se realiza o amortecimento de cheia, do tempo de armazenamento e do


grau de controle do fluxo efluente, um reservatório é denominado de detenção, retenção, infiltra-
ção e de condução.
Um reservatório pode ser concebido para retornar a água à superfície, infiltrá-la no lençol freático ou
ambos. Um reservatório que recebe, por exemplo, um fluxo afluente correspondente à vazão de cheia
local igual a 100 m3/s; ao mesmo tempo retorna o efluente de 30 m3/s, isto caracteriza o amortecimen-
to dessa cheia. Na Figura 9.2, a seguir, estão indicados esquemas que melhor elucidam o assunto.

(a) (b) (c)


Infiltração Detenção Retenção
Entrada Saída Entrada Entrada
Saída Saída
Registro/
válvula

Lençol freático

Figura 9.2 – Tipos de reservatório: (a) infiltração; (b) detenção e (c) retenção

No reservatório de retenção, o eflúvio não ocorre durante a acumulação. Esse tipo de reservatório
permanece sempre com água e por isso é chamado de “molhado”. Essa água pode ser aproveitada
para irrigação, manutenção de vazão mínima no rio ou retornar naturalmente ao lençol freático e ao
ar atmosférico.
Nas Figuras 9.3, 9.4 e 9.5, estão apresentados esquematicamente exemplos de reservatórios
sugeridos para conter as vazões afluentes minimizando seus possíveis efeitos de cheias.

Planta

Platô inferior
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Extravasador Tela Barragem


primário
Platô superior

Pequeno canal
Dispositivo longo de
controle da detenção
Entrada

Extravasador de
Corte emergência
Nível 10 anos Tela
Nível 2 anos
Colar
antivazamento
Torre

Riprap
proteção
Material granular

112 Figura 9.3 – Reservatório de detenção (Adaptado de Schueler, 1987)


Figura 9.4 – Foto de
reservatório de retenção
(POMPÊO, 2007)

Retorno
Vertedor

Reservatório
Canal

Planta Figura 9.5 – Esquema de um


reservatório aberto

Seção transversal

9.2.1. Dimensionamento de reservatórios artificiais


O controle do fluxo d’água num reservatório ocorre tanto na entrada como na saída e pode se dar por
gravidade ou por bombeamento. Os parâmetros de interesse para o amortecimento de cheias são: o
RESERVATÓRIOS

tempo e a vazão de descarga.


No projeto de um reservatório, deve-se fazer a avaliação em relação a chuvas com tempo de recorrência de
dois anos (ocupação do leito maior do rio) e verificado para aquelas de 25 anos (Estação de bombeamento).

Para o cálculo do reservatório são necessários os seguintes dados de entrada:


i) hidrograma afluente ao reservatório;
ii) curva cota-volume do reservatório; e
iii) equações de descargas dos elementos de extravasão da barragem.
113
1) Dedução das fórmulas de dimensionamento com controle na saída
Na Figura 9.6, está apresentado o esquema de um reservatório, mostrando os elementos
necessários para seu dimensionamento. Com base nesta figura, mostra-se a seguir os passos
para obtenção dos elementos de projeto.

Vista
frontal do
vertedor
h2 h h1

dh Figura 9.6 – Elementos para dimensionamento


de um reservatório de drenagem urbana
L

a) Cálculo da descarga de saída


A descarga elementar que permite o dimensionamento de um reservatório resulta da seguinte
expressão:

dQ = Cd × L × dh × (2.g.h)1/2
onde: Cd = coeficiente de descarga

A descarga do orifício é obtida integrando-se o limite entre h1 e h2 (carga em relação ao topo e a


base do orifício). Assim se obtém a seguinte expressão:

Q = 2/3 Cd × L × ( 2.g) 1/2 × (h23/2 - h13/2) (9.1)

Considerando que S é a seção do orifício e substituindo L = S / (h2 – h1), obtém-se:

Q = 2/3 Cd × S × (2.g) 1/2 × (h23/2 - h13/2) / (h2 - h1 ) (9.2)


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Na Figura 9.7, está apresentada a situação de fluxo livre e de fluxo com carga a montante para
um reservatório e sua forma de controle de saída.
h

Controle
de saída

a
Q

Fluxo livre Fluxo com carga a montante

Figura 9.7 – Esquema de controle de saída em reservatórios


artificiais de drenagem urbana
114
Vazão efluente pelo orifício
A vazão que flui pelo orifício de um reservatório possui a seguinte expressão:

Q = Cd × S × [2 × g × (h – a)]1/2 (Válido para h > 4a) (9.3)

Onde:
Q = vazão (m3/s)
Cd= coeficiente de descarga ( adimensional)
S = área útil do orifício ou seção de escoamento (m2)
g = aceleração da gravidade (9,81 m/s2)
h = profundidade da água junto à saída (m)
a = metade da altura do orifício (m)

A Figura 9.8, apresenta as características de diferentes orifícos com seus respectivos coeficientes
de descarga.

Cd = 0,6 Cd = 0,8 Cd = 0,8 - 0,95 Cd = 0,5 - 0,75

Figura 9.8 – Valores de coeficiente de descarga (Cd) para diferentes orifícios

b) Cálculo do tempo de esvaziamento do reservatório


Para o cálculo do tempo em que um reservatório pode ser esvaziado, utiliza-se a fórmula seguinte:

h2
1 AR
t =- .
C d.S. 2.g h ∫ h
.dh (9.4)
1
RESERVATÓRIOS

Sendo o reservatório um volume prismático ou de seção horizontal com área constante, resulta em:

t=
2.A R
C d.S. 2.g
. (h 2 − h1 ) (9.5)

Onde:
AR = área do reservatório – superfície (m2)
115
S = área frontal do orifício (m2)
t = tempo necessário para o esvaziamento (s)
2) Uso dos nomogramas de cálculo
Quando h < 4a, utilizam-se os nomogramas das Figuras 9.9 e 9.10 em lugar
das fórmulas apresentadas no subitem anterior.

4,00
70
3,50 Exemplo
60
Célula 2m x 2m Q = 20m3/s
50 3
Q/b = 10m /s/m
(1) (2) (3)
8 9 10
3,00 40 Escala H
HW
H 8
7
(1) 1,75 3,5 6 7 8
30
(2) 1,90 3,8 6 7
5 6
2,50 (3) 2,06 4,1 5
20 4 5
4

Profundidade da carga hidráulica a montante em termos de altura (HW/H)


4
Exemplo 3
1,50 3
10 3
Relação entre a vazão e a largura “Qb” em m3/s/m

8
2
6 2
1,00 2
5
Altura da célula “H” em metros

Ângulo de 1,50
4 1,5
alargamento
0,90 da ala 1,5
3
Escala Alargamento
0,80 2 HW/H da ala
(1) 30° a 75° 1
(2) 90° a 16°
(3) 0° 0,9 1 1
0,70
1
0,8
0,80
0,60 0,60 0,7
0,50
0,40 0,7 0,7
0,6
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

0,50 0,30
0,6 0,6
0,20 0,5

0,5 0,5
Para usar a escala
0,40 (2) ou (3), deslocar 0,4
horizontalmente 0,10
até a escala (1) e 0,08
após, atravessar 0,4 0,4
pelas escalas de “H” 0,06
e “Q/b” ou seguir 0,05
0,30 o caminho inverso 0,3 0,35 0,35
0,04

Figura 9.9 – Nomograma para orifício retangular com h < 4a

116
4,50 300
(1) (2) (3)
4,00 200 Exemplo 6
Tubo D = 2m 6
Q = 16,5 m3/s 5 5
3,50 HW
6
100 Escala D HW 4
5 4
80 (1) 2,5 5,0

Profundidade da carga hidráulica a montante, em diâmetros (HW/D)


3,00 60 (2) 2,1 4,2
50 (3) 2,2 4,3 4 3
40 3
2,50 3
30

20 2
2,00 2
Diâmetro do tubo (D) em metros

2
10
1,5 1,5
8
6 1,5
Vazão (Q)m3/s

1,50 5
4
3

2
1 1
1,00 1
Escala
1 HW/H Tipo de entrada 0,9 0,9
0,90 0,8 0,9
(1) Quadrada com muro testa
0,80 0,6 (2) Ranhurada com muro testa
0,5 (3) Ranhurada e saliente 0,8 0,8
0,4 0,8
0,70
0,3 Para usar a escala 0,7
(2) ou (3), deslocar 0,7
0,60 0,2 horizontalmente
0,7
até a escala (1) e
após, atravessar
0,50 pelas escalas de “D” 0,6
0,1 0,6
e “Q” ou seguir 0,6
0,08 o caminho inverso
0,06
0,40 0,05
0,04
0,5 0,5
0,03 0,5

0,02
0,30

Figura 9.10 – Nomograma para orifício circular com h < 4a


RESERVATÓRIOS

3) Equações de descarga para diferentes tipos de vertedores


Apresentam-se na Tabela 9.3 as expressões das descargas para diferentes
tipos de vertedores de um reservatório de drenagem urbana.

117
Tabela 9.3 – Equações da curva de descarga de diferentes vertedores

Vertedor Fórmula
Soleira livre Q = Cd × L × h23/2 (9.6)
Com comporta Q = 2/3 × (2g × Cd × L) × [h2 3/2 3/2
– h1 ] (9.7)
Tulipa Q = C o . ( 2 . π . R S) h 3/2
(9.8)
1/2
Bueiro Q = Cd . W. D ( 2 . g . h) (9.9)

Onde:
Q = vazão de descarga (m3/s);
Cd = coeficiente de descarga (adimensional) ;
L = largura da crista do vertedor (m);
h2 = carga total referente à crista do vertedor (m);
h1 = carga total referente ao topo da abertura (m);
C0 = coeficiente que relaciona h2 e RS (adimensional)
Rs = raio de abertura do vertedor (m);
D = altura da abertura (m);
W = largura da embocadura (m).
g = 9,81 m/s2

4) Algoritmo de cálculo para reservatórios

Dada a equação seguinte (9.10):

Qe1 + Qe2 Q Q (9.10)


.Δt + v1 − S1 .Δt = v2 + S2 .Δt
2 2 2

Reordenando, os termos tem-se:


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

v1 V (9.11)
Q e1 + Q e2 + − Q S1 − Q S 2 = 2
Δt /2 Δt / 2

Na Tabela 9.4, apresenta-se o algoritmo de cálculo para reservatórios, segundo a metodologia citada.

Tabela 9.4 – Tabela do algoritmo de cálculo de reservatórios de drenagem urbana

Interação Qe1 Qe2 V1/(∆t/2) QS1 NA2 QS2 V2/(∆t/2) NA2calc


1 60 84 157778 0,00 200,00 0,00 157922 200,09
200,09 1,02 157921 200,09
2 84 150 157921 1,02 200,09 1,02 158153 200,24
200,24 4,43 158150 200,24
118 3 150 216 158150 4,43 200,24 4,43 158507 200,46
200,46 11,74 158500 200,46
Para o dimensionamento de um reservatório, utilizou-se o seguinte roteiro:
1) Com o nível inicial NA1, calculam-se V1 e Qs1;
2) Adota-se uma primeira estimativa para NA2 = NA1;
3) Calcula-se Qe2 em função de NA2 estimado;
4) Somam-se os termos do lado esquerdo da equação 9.11 e obtêm-se V2 calculado;
5) Com a curva cota-volume obtém-se NA2 calculado;
6) Se a diferença entre NA2 calculado e NA2 estimado for grande, adota-se um novo NA2
estimado como sendo igual ao NA2 calculado;
7) Se a diferença entre NA2 calculado e NA2 estimado for pequena, encerra-se a iteração
do período;
8) Atualizam-se os valores iniciais do período seguinte com os valores do final desse período; e
9) Volta-se ao passo 1.

9.2.3 Tipos de reservatórios artificiais

9.2.3.1 Microrreservatório de detenção


Trata-se de um reservatório para a microdrenagem, aplicado em nível de lotes urbanos residenciais
e comerciais com área de até algumas centenas de m2, mas podendo ser planejado tanto para
micro como para macrodrenagem.
Enquanto os reservatórios para macrodrenagem requerem mais tempo, maiores custos e grandes
áreas para implantação, os chamados microrreservatórios têm sua implementação mais simples,
requerendo menos tempo e podem ser implantados em pequenos espaços livres, como praças,
jardins ou quintais ou executados a partir de telhados. Há algumas restrições como disponibilidade
de espaço, profundidade da rede coletora, declividade dos lotes, nível do lençol freático e deposi-
ção de resíduos sólidos. No entanto, mesmo assim, tem-se constatado grande eficiência para
reduzir vazões máximas e na melhoria da qualidade do efluente pluvial.
Na Figura 9.11 (CRUZ, TUCCI e SILVEIRA, 1998), mostram-se valores de volumes de detenção
necessários para lotes de diferentes dimensões e taxas de impermeabilização crescentes cor-
respondentes à precipitação de tempo de retorno de 5 anos.
Para definição das características necessárias a uma estrutura em lotes, visando conter as enchen-
tes, propõe-se o seguinte roteiro:
RESERVATÓRIOS

1) Obter o lote padrão a ser utilizado no estudo (área do lote da zona estudada);
2) Obter a taxa de ocupação da região estudada;
3) Determinar os intervalos de declividade;
4) Estudo e correção dos coeficientes de deflúvio;
5) Determinar as intensidades de precipitação;
6) Calcular as vazões de entrada e saída;

119
1
PUBLICAÇÃO UEPG – Ciências Exatas e da Terra, Ciências Agrárias e Engenharia, 6 (1): 47-68, 2000.
7) Traçar os hidrogramas;
8) Calcular os volumes de armazenamento; e
9) Dimensionar os condutos de saída.

2,5

Volume estimado (m3)


2,0

1,5

1
100 % imp.
90 % imp.
0,5 80 % imp.
75 % imp.
50 % imp.
0,0
200 300 400 500 600
Área do lote (m2)

Figura 9.11 - Volumes de detenção necessários para lotes


com diferentes impermeabilizações

Algumas opções de estruturas simples, subterrâneas e a céu aberto, de fácil construção e


constituídas por materiais com facilidade de aquisição (como alvenaria e concreto armado, além
de tubos de concreto pré-moldados) são mostradas nas Figuras 9.12 e 9.13.
Uma outra opção é a utilização de reservatórios escavados no terreno natural, preenchidos com
brita e protegidos dos finos do solo por tecido geotêxtil como na Figura 9.14.
B

10

5
Corte B – B
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

variável

5
variável

A A

Planta
B
5

10
5

variável

Corte A – A
Figura 9.12 – Exemplo de um reservatório subterrâneo
120 retangular (CRUZ et al, 1998)
Planta

B
variável

15
A A

70
15

B
5

10
variável

Corte A – A Corte B – B

Figura 9.13 - Exemplo de um reservatório subterrâneo


cilíndrico (CRUZ et al, 1998)

coletor do
telhado

extravasador

bloco de tampo do
dispersão duto de
observação

30 cm até
duto de o dreno
entrada
no dreno
filtro de manta
sintética (geotêxtil)

cego
30cm
duto de observação
perfurado e ancorado
brita nos 3 e 4

fundação
da edificação distância mínima
de 3m

infiltração

Figura 9.14 – Microrreservatório poroso enterrado (SCHUELER, 1987)

9.2.3.2 Telhado reservatório


O telhado reservatório é uma compensação à impermeabilização, inevitável, da cobertura de uma
RESERVATÓRIOS

edificação. O mesmo é realizado ao armazenar na própria estrutura de cobertura o escoamento


pluvial nela gerado. Este dispositivo guarda provisoriamente a água das chuvas e a libera, gra-
dualmente, para a rede pluvial.

9.2.3.3 Bacia subterrânea


A bacia subterrânea ou enterrada é uma cisterna que permite o aproveitamento da superfície
para uma praça, área verde gramada ou terreno de esporte (Figura 9.15).
121
Outra possibilidade é o uso de tipos de estruturas escavadas no solo e preenchidas com material
granular (brita, por exemplo). Em geral, a bacia subterrânea é preparada para funcionar como uma
bacia de detenção. Nela há de ser previsto, também, um vertedor de extravasamento por ques-
tões de segurança. Este dispositivo deve ser preparado para proteção quanto à poluição e deposi-
ção de sólidos (sedimentos e lixo) e, portanto, permitir com facilidade a limpeza após cada utiliza-
ção. Em função disso, há restrição quanto a sua aplicação em regiões com precipitação freqüente.

Extravasador
de emergência

Coletor

Vertedor
Coletor de água
Figura 9.15 - Bacia subterrânea (STU, 1993).

9.2.3.4 Condutos de armazenamento


Como alternativa às estruturas citadas anteriormente, pode-se aumentar a capacidade volumétrica
de um condutor, reduzindo a declividade longitudinal, aumentando a rugosidade de suas paredes
ou construindo diques de amortecimento ao longo do seu curso. Estes são exemplos que propor-
cionam o amortecimento da cheia na condução da vazão. Uma outra solução possível é adaptar
poços de visita e bocas-de-lobo para que funcionem como microrreservatórios de amortecimento.

9.2.3.5 Reservatório público (piscinão)


Estas estruturas denominadas de reservatórios públicos devem ser planejadas para requerer o
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

mínimo de operação e manutenção. Um projeto de reservatório urbano (piscinão) compreende a


elaboração dos seguintes estudos e projetos:2
a) Levantamento de dados e serviços de campo (topografia, solo e geologia);
b) Estudos hidrológicos e climatológicos para cálculo das vazões afluentes;
c) Estudos hidráulicos do reservatório, dimensões e capacidade de amortecimento;
d) Estruturas de entrada e de controle de níveis d’água;
e) Projeto do reservatório;
f) Sistema de bombeamento;
g) Sistema viário no entorno e acessos para limpeza e manutenção do reservatório;
h) Sistema de retenção de lixo e de controle de sedimentos;
i) Sistema separador de esgotos sanitários;
122
2
www.themag.com.br
j) projetos dos equipamentos urbanos e de paisagismo;
k) estudos de impacto ambiental;
l) instalações especiai;
m) detalhamento executivo; e
n) manuais de operação e manutenção geral e sanitária.

Segundo Tucci (2002), nas inundações, os principais impactos sobre a população são:
1) Prejuízos de perdas materiais e humanas;
2) Interrupção da atividade econômica das áreas inundadas;
3) Contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera etc; e
4) Contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, de estações de
tratamentos dentre outros.

A poluição das águas, com essas enchentes, apresenta as seguintes características:3


a) grande carga poluente ocorre no início da precipitação;
b) corresponde a uma carga equivalente ao esgotamento sanitário da área afetada;
c) elementos orgânicos: Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), nitrogênio e fósforo; e
d) metais como o chumbo e ferro, dentre outros.

Para controle dessa poluição, podem ser construídas bacias com características específicas a
determinados tipos de poluição, como segue:

1) Bacia de detenção seca


Esta bacia armazena o escoamento superficial e o libera aos poucos. Para este tipo de dispositivo, sugere-
se que o volume fique detido por 40 horas para a eficiência de remoção dos poluentes.
A área dimensionada para essa bacia deve corresponder de 0,5% a 2,0% da bacia de contribuição. A
adoção desta solução permite remover bem sedimentos e metais e é razoável para elementos orgânicos. Sua
área deve permanecer seca entre as chuvas e receber tratamento paisagístico, podendo ser usada para
recreação. Na Figura 9.16, está ilustrado um tipo de solução em que foi aplicada a bacia de detenção seca.
RESERVATÓRIOS

Entrada
Saída
Canal central

r
do
Ve r t e

Figura 9.16 – Exemplo de bacia de detenção seca (Fonte: Urban


Drainage and Flood District, 1992) 123
3
www.etg.ufmg.br
2) Bacia de detenção alagada
Neste tipo de solução sempre haverá uma área alagada.
Como a taxa de remoção de poluentes é de moderada a alta, pelo uso dos nutrientes e metais
pelo ecossistema aquático permanente, o tempo de retenção recomendado é de 12 horas para
os volumes que afluem a este dispositivo.
A sua utilização é recomendada para zonas residenciais, comerciais, áreas de estacionamento
e algumas áreas industriais. A adoção deste tipo de dispositivo possui valor paisagístico e con-
dições favoráveis à vida e à recreação aquáticas. A zona alagada não pode ser muito rasa, para
que não se desenvolva vegetação enraizada no fundo, nem muito profunda que não permita a
oxigenação da água.
Na Figura 9.17, apresenta-se um desenho esquemático com emprego deste tipo de solução.

Zona litorânea

Entrada
Saída

r
Ve r t e d o

Figura 9.17 – Exemplo de bacia de detenção alagada


(Fonte: Urban Drainage and Flood District, 1992)

3) Alagadiços
A solução com o uso dos alagadiços é excelente para reter sedimentos e poluentes do escoamento
superficial e permite formar “habitats” para aves e outros animais.
O solo deve ser pouco permeável para permitir o represamento e possuir uma declividade média
baixa, próxima do zero, objetivando manter o fluxo d’água superficial, escoando e circulando pelas
plantas. A título ilustrativo é apresentada na Figura 9.18 em planta e em corte longitudinal, um
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Entrada Saída

Vertedor

124
Figura 9.18 – Esquema de alagadiços usados no controle de drenagem pluvial urbana.
(Fonte: Urban Drainage and Flood District, 1992)
esquema da solução descrita. Esta opção de solução é eficiente para remover compostos de
fósforo e nitrogênio, bem como aqueles orgânicos. Para seu funcionamento eficiente, deve-se
manter uma profundidade média da lâmina d’água de aproximadamente 15cm.

9.3 RESERVATÓRIOS NATURAIS

Para este tipo de solução várias, formas de armazenamento se apresentam para a água pluvial.
São eles os seguintes:

• Água retida pela vegetação


• Água infiltrada e retida no solo
• Agua retida em depressões do terreno
• Água retida em grandes depressões e lagos
• Água armazenada dinamicamente nos rios e várzeas

9.3.1 Leito maior do rio ou várzea


Os cursos d’água com seus meandros e o leito maior4 constituem-se em reservatórios naturais. A
retificação de rios e conseqüentes aterros acarretam a perda dessa capacidade de armazenamento
e a redução de áreas verdes, com conseqüente agravamento de cheias a jusante.
Na Figura 9.19, está apresentado, de forma clara, comparativo entre as descargas de um curso
d’água em função da maior ou menor existência de meandros ao longo de sua extensão.

Hidrograma de montante Hidrograma de jusante

Figura 9.19 – Diferenças no


amortecimento do hidrograma
de enchente em função
do grau de meandros em cursos
Retificação d’água (SEMADS, 2001)
RESERVATÓRIOS

9.3.2 Infiltração no solo (lençol freático)


Uma alternativa na busca do amortecimento de cheias, é a adoção do procedimento de melhoria
da capacidade de infiltração d’água para o lençol freático. Cabe citar que tal processo está
limitado pelo próprio solo. Para a compreensão de como estratificar os drenos na infiltração do
fluxo d’água, é feita, a seguir, uma breve apresentação sobre o procedimento.
125
4
Áreas alagáveis às margens com tempo de recorrência de 2 anos.
9.3.3 Estruturas de infiltração
Os drenos subterrâneos possuem normalmente os seguintes elementos:

Selo: Camada (normalmente constituída de argila) que é uma barreira à passagem d’água. Serve
como um vedante hidráulico para um dispositivo. Pode, por exemplo, ser aplicado no fundo
de um reservatório natural para reduzir a perda d’água por infiltração.
Tubo drenante: um tubo furado, poroso ou cego, que capta a água e a conduz ao local de deságüe.
Para que os furos e o interior do tubo não sejam obstruídos, protege-se com uma manta
sintética ou material granular que atenda à seguinte condição de K. Terzaghi:

d 85% P ≥ de

Onde:
de = diâmetro dos furos do tubo
d85% P = diâmetro correspondente à porcentagem de 85% passando de material de proteção
do tubo

Camada drenante: Camada responsável por conduzir a água.


Filtro:5 Camada de proteção do dreno (ou geotêxtil equivalente), localizada entre a camada drenante
e a contribuição d’água e que possui duas funções concorrentes:
• Permitir a passagem da água (permeabilidade).
• Impedir a passagem dos sólidos (não colmatação).

Para atender às condições acima, Terzaghi estabeleceu os seguintes critérios:


1. Condição de permeabilidade

d15%Grosso ≥ 5 × d15%Fino

2. Condição de não colmatação


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

d15% Grosso ≤ 5 × d85% Fino

d15% Grosso ≤ 40 × d15% Fino

d50% Grosso ≤ 25 × d50% Fino

Onde:
d15% Grosso = diâmetro (tamanho de peneira) correspondente à porcentagem de 15% passando
do material grosso.
D85% Fino = diâmetro (tamanho da peneira) correspondente à porcentagem de 85% passando
do material fino.
126
5
O filtro possui também a função, de extrema importância, que é de não permitir piping – erosão interna do solo.
Na Figura 9.20, está mostrado um dreno com a posição das camadas dos materiais necessários
ao seu funcionamento adequado:

Grosso = Material granular de dimensões maiores que Fino, para onde se encaminha o fluxo.
Fino = Material granular de dimensões menores que Grosso, de onde vem o fluxo.

Relatividade

Fino

Grosso Fino

Figura 9.20 – Posição relativa de


Grosso
dois materiais granulares

Dimensionamento de filtros ou drenos


Para o dimensionamento das camadas permeáveis, pode-se aplicar a Lei de Darcy para escoa-
mento em meios porosos. Os cálculos definem uma permeabilidade necessária, e disso as
características granulométricas do material a empregar, ou a área requerida para obter uma
determinada capacidade de vazão, já que o material pode estar imposto.

Q=K×A×I (9.12)

Onde:
Q = capacidade de vazão do dreno, deve ser igual à descarga de projeto (m3/s)
K = coeficiente de permeabilidade do material drenante (m/dia ou cm/s)
A = área da seção transversal do dreno (m2)
i = gradiente hidráulico do dreno (∆h /L) , simplificando, igual à declividade (m/m)

Na Figura 9.21, é apresentado o esquema dos parâmetros geométricos para a aplicação da Lei de
Darcy. Na prática, pode-se deparar com diferentes alternativas para o projeto e construção de drenos.
RESERVATÓRIOS

A
h1
h2
z1
z2
Q Figura 9.21 – Esquema de um dreno
com os elementos da Lei de Darcy
L

127
Na Tabela 9.5, estão apresentadas as condicionantes disponíveis e a resposta necessária ao
dimensionamento desses dispositivos.
Tabela 9.5 – Situações locais impostas e solução pela Lei de Darcy

Condicionantes Solução
Q (vazão de projeto) K (material) e A (área)
Q (vazão de projeto) e A (área) K (material)
Q (vazão de projeto) e K (material) A (área)

Cuidados a observar no dimensionamento de drenagem com material granular.


No encadeamento da drenagem subterrânea, a capacidade de vazão dos dispositivos cresce no
sentido do fluxo. Algo que só tenha a finalidade de dreno, dimensionado para uma capacidade
que nunca ocorrerá, constitui-se em um desperdício. Portanto, ao infiltrar-se água no solo, este
deverá ter sua capacidade de absorção avaliada, levando-se em conta a permeabilidade, umida-
de e nível de lençol freático.
Outro cuidado na disposição de camadas permeáveis (filtros e material drenante) é avaliar a pos-
sibilidade de refluxo. É preciso manter um crescimento na granulometria no sentido do fluxo.
Na Tabela 9.6, estão apresentados valores típicos de coeficiente de permeabilidade de alguns
materiais, permitindo também a comparação de tal parâmetro entre eles. De modo geral, os
materiais usados são agregados de rocha sã, britados ou não. As faixas de graduação são
abertas com afastamento relativamente pequeno entre os tamanhos máximo e mínimo, por exem-
plo: 1 1/4" a 3/4", 3/8" a 1/8" etc., de modo a manter a permeabilidade elevada.

Tabela 9.6 – Escala típica de permeabilidade de materiais


Valores típicos de K (cm/s)
4 3 2 1 0
10 10 10 10 10 10-1 10-2 10-3 10-4 10-5 10-6 10-7 10-8
PEDRA-DE- BRITA BRITA AREIA AREIA
SILTE ARGILA
MÃO 5 0 GROSSA FINA
BOA MÁ IMPERMEÁVEL7
PERMEABILIDADE
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Para o caso de drenos, Terzaghi estabeleceu uma terceira recomendação para os filtros e material
drenante. A esta condição ele denominou de uniformidade:

2 × d10% ≤ d60% ≤ 20 × d10%

Onde:
d10% = diâmetro (tamanho da peneira) correspondente à porcentagem de 10% passando
do material.
d60% = diâmetro (tamanho da peneira) correspondente à porcentagem de 60% passando
do material.
A experiência tem recomendado algumas curvas para composição de agregados para drenos

128 com as graduações que estão reproduzidas na Figura 9.22.

6
Fonte: Associação Brasileira de Águas Subterrâneas.
RETIDO %
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
4”

2”
11/2” k = 42cm/s
Grosso 1”
Pedregulho

3/4”
k = 12.6cm/s
1/2”
3/8”
k=7
k = 4.9cm/s .0cm
/s
4
k = 2.1cm
Fino

/s

109 k=
k= 3.
5
1 x1
k = .8 x 1 02
16 7x 0 cm
Grossa

2
k= 1 c m /s
3.6 0 2cm /s
20 k= x1 / s
7x 0 2c
10 2 m /s
cm
30 /s
40
Areia

50
60
Fina

90
100

200

90 80 70 60 50 40 30 20 10
PASSANDO %

Figura 9.22 – Granulometria de materiais e permeabilidade


(Fonte: Manual de Drenagem de Rodovias DNIT – 2006)

Na Tabela 9.7, mostram-se os coeficientes de permeabilidade de alguns materiais com que se


pode deparar em um projeto ou durante a implantação deste tipo de solução.
Para o dimensionamento dos dutos previstos, em um filtro ou dreno, podem ser utilizadas as
expressões gerais do fluxo, ou seja, a fórmula de Chézy com coeficiente de Manning,7 que já
foram apresentadas no Capítulo 5, sobre Canais.

Tabela 9.7 – Coeficiente de condutividade hidráulica (K) de alguns materiais

Tipo de material Granulometria (cm) K (cm/s)


5 7,5 a 10,0 100
4 5,0 a 7,5 80
3 2,5 a 5,0 45
RESERVATÓRIOS

Brita
2 2,0 a 2,5 25
1 1,0 a 2,0 15
0 0,5 a 1,0 5
Grossa 0,2 a 0,5 10-1
Areia
Fina 0,005 a 0,04 10-3
Silte 0,0005 a 0,005 10-5
Argila menor que 0,0005 10-8
129
7
Alguns, para esta aplicação, preferem a fórmula de Hazen-Willians e outros a de Scobey.
9.3.4 Tipos de dispositivos de infiltração

9.3.4.1 Pavimentos permeáveis


Os chamados pavimentos permeáveis, segundo Urbonas e Stahre, 1993, podem ser classificados
em três tipos:
1) Pavimento com revestimento asfáltico poroso;
2) Pavimento de concreto poroso; e
3) Pavimento de blocos de concreto vazados preenchidos com material granular, como areia,
ou vegetação rasteira.

Na Figura 9.23, apresentam-se exemplos de pavimentos permeáveis. Normalmente, são admiti-


dos revestimentos porosos com 10cm para passagem de carros e de 15 a 20cm para a circulação
de caminhões.8

Bloco de concreto com


orifícios verticais Concreto ou revestimento
Areia grossa
asfáltico poroso

Filtro
Filtro
Figura 9.23 – Exemplos
Base
drenante
de pavimentos permeáveis
(adaptado de
Filtro
Solo
Urbonas e Stahre, 1993)

9.3.4.2 Trincheiras de infiltração9


As trincheiras de infiltração são dispositivos lineares, com comprimento preponderante em relação
à largura e à profundidade, que recolhem o excesso superficial para concentrá-lo até a sua infiltra-
ção no solo. Estes dispositivos funcionam como um reservatório convencional de amortecimento
de cheias. Possuem um desempenho melhor que o solo que substituem por favorecer a infiltração
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

(BALADES et al., 1998). Existe uma variante, denominada trincheira de retenção, que é adaptada
para solos pouco permeáveis, na qual a saída de água é direcionada para um exutório. Nas Figuras
9.24 e 9.25, são apresentados esquemas ilustrativos sobre este tipo de solução.

Solo Solo
Frente

Para o
exutório
Figura 9.24 – Trincheira
Pouco permeável ou impermeável
de infiltração e de retenção
(AZZOUT et al, 1994)
Trincheira de infiltração Trincheira de retenção

130
8
Recomendação do engenheiro calculista Prof. Eduardo Thomaz (IME-2007)
9
Fonte: André Luiz Lopes da Silveira (UFRGS-2002)
Faixa de vegetação (grama)
Cap
Poço de observação
Vertedouro
de emergência
Camada de proteção
geotêxtil

Filtro de proteção
Trincheira preenchida geotêxtil para prevenir
com material contra contaminação
granular limpo

Filtro de areia ou
geotêxtil equivalente

Água infiltra no solo


Taxa mínima = 8mm/h

Figura 9.25 – Exemplo de trincheira de infiltração


aberta (SHUELER, 1987)

Tais dispositivos não são recomendados em áreas industriais ou comerciais pelo perigo de conta-
minação com substâncias químicas, pesticidas e derivados de petróleo. Também não devem ser
posicionados próximos a captações de água de poços de abastecimento.
Nos países em desenvolvimento, há uma tendência a limitar o seu uso a estacionamentos ex-
ternos de edifícios residenciais e de empreendimentos comerciais como supermercados e cen-
tros comerciais.
São mostrados na Figura 9.26, de forma esquemática, detalhes referentes ao uso desta solução
nas áreas citadas acima.
RESERVATÓRIOS

Grelha Tubo de
distribuição
Caixa
da grelha Material
Depósito granular

Figura 9.26 – Exemplo de trincheira de percolação


131
9.3.4.3 Vala de infiltração
São pequenos canais onde o escoamento pluvial é desacelerado e infiltrado parcialmente no
percurso, sendo o excesso destinado a uma rede pluvial convencional. Na Figura 9.27, pode-se
observar as duas partes que compõem esta solução, ou seja, no sentido longitudinal o canal
permeável e ao fim dele a caixa coletora, a qual está conectada a uma galeria.

Figura 9.27 – Foto de vala de infiltração


(POMPÊO, 2007)

9.3.4.4 Vala de retenção


São dispositivos que contém barragens vedando a seção transversal, com a finalidade de re-
duzir o pico do escoamento, controlando-o por orifícios. É uma alternativa para solo pouco per-
meável. As valas são apropriadas para declividades menores de 5% e para lotes residenciais,
loteamentos e parques em substituição ao esgotamento canalizado convencional.

9.3.4.5 Poço de infiltração


Os poços de infiltração são dispositivos que permitem a evacuação do escoamento superficial para
dentro do solo. Construtivamente podem ser preenchidos com brita (meio poroso) ou por um
revestimento estrutural fixado à parede interna, possibilitando que o interior fique vazio. Na Figura
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

9.28, está ilustrado o caso de um poço de infiltração preenchido, onde nota-se o isolamento da
brita por um geotêxtil para evitar migração de finos para dentro ou para fora do poço. Quando
o lençol freático está raso, ele é chamado de poço de injeção, pois penetra nesta camada aqüífera.

seixos

Geotêxtil para reter Filtro geotêxtil


finos e impedir a
colmatagem
Solo permeável

Material poroso
132
Figura 9.28 – Poço de infiltração (AZZOUT et al., 1994)
O poço de infiltração (ou de injeção) reduz o escoamento superficial proveniente de alguns mi-
lhares de m2. Por serem pontuais, os poços de infiltração ou injeção são excelentes para um
controle distribuído dos excessos pluviais, permitindo uma economia na construção de redes
pluviais convencionais. Também flexibilizam soluções urbanísticas, por ocupar pouco espaço e
podendo passar despercebidos.

4.3.4.6 Faixa gramada


Na macrodrenagem, a faixa gramada pode estar disposta para receber as enchentes do leito
maior. Permitem grande flexibilidade de arranjos espaciais e possuem apelo arquitetônico, prin-
cipalmente às margens de rios onde pode compor um parque com aptidão para a prática
desportiva, em especial caminhada e corrida, outras formas de lazer e ser preventiva contra
ocupações clandestinas.
As faixas de solo gramadas ou arborizadas são concebidas para desacelerar e infiltrar parte do
escoamento oriundo de superfícies impermeáveis. O principal benefício atribuído aos gramados é
a remoção de partículas poluentes, como sedimentos finos, matéria orgânica e traços de metais.
Na microdrenagem, funcionam como medidas de controle com aplicação em lotes e bairros, no
entorno de superfícies impermeabilizadas ou associadas a outras medidas de controle, como
pavimento poroso.
Com base nas recomendações de Schueler (1987) e Azzout et al (1994), o Instituto de Pesqui-
sas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apresentou, em 2002, uma
tabela de obras de controle na fonte, que reduzem ou retardam o deflúvio superficial direto,
regulando e limitando as vazões geradas para alívio da rede pluvial a jusante.
No entanto, o emprego dessas soluções deve ser avaliado em função das seguintes circunstân-
cias: área controlada, capacidade de infiltração do solo, lençol freático alto, aqüífero em risco,
solo frágil à água, subsolo duro, declividade alta, ausência de exutório, consumo de espaço,
fundações e redes próximas, restrição de urbanização, afluência poluída, afluência com alta
taxa de sedimentos, riscos sanitários e sedimentológicos por má operação, esforços e tráfego
intensos, flexibilidade de desenho e limites dimensionais para dispositivos de drenagem. Com
o objetivo de mostrar cada tipo de obra, com suas características, função e efeito principal é
apresentada a Tabela 9.8, mostrada a seguir.
RESERVATÓRIOS

133
Tabela 9.8 – Tipos de obras de controle na fonte10

Obra Característica Função Efeito Principal


Pavimento Pavimento com camada Armazenamento temporário da Retardo e/ou redução
poroso de base porosa como chuva no local do próprio pavimento. do escoamento pluvial gerado
reservatório Áreas externas ao pavimento podem pelo pavimento e por
também contribuir eventuais áreas externas

Reservatório linear Infiltração no solo ou retenção, Retardo e/ou redução


Trincheira
escavado no solo preenchido de forma concentrada e linear, da água do escoamento pluvial gerado
de infiltração
com material poroso precipitada em superfície limítrofe em área adjacente

Infiltração no solo ou retenção, Retardo e/ou redução do


Vala de Depressões lineares em
no leito da vala, das precipitações em escoamento pluvial gerado em
infiltração terreno permeável
áreas marginais área vizinha

Infiltração pontual, na camada não Retardo e/ou redução do


Poço de Reservatório vertical e
saturada e/ou saturada do solo, escoamento pluvial gerado na
infiltração pontual escavado no solo
das precipitações em área limítrofe área contribuinte ao poço

Reservatório de pequenas Armazenamento temporário do Retardo e/ou redução do


Microrreservatório dimensões tipo esgotamento pluvial de escoamento pluvial de áreas
‘caixa d’água’ residencial áreas impermeabilizadas próximas impermeabilizadas

Telhado Telhado com função Armazenamento temporário da chuva Retardo do escoamento pluvial
reservatório reservatório no telhado da edificação da própria edificação

Armazenamento temporário e/ou Retardo e/ou redução do


Bacia Reservatório vazio
infiltração no solo do escoamento escoamento da área
de detenção (seco)
superficial da área contribuinte contribuinte

Armazenamento temporário e/ou Retardo e/ou redução do


Bacia Reservatório com água
infiltração no solo do escoamento escoamento da área
de retenção permanente
superficial da área contribuinte contribuinte
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Armazenamento temporário do Retardo e/ou redução do


Bacia Reservatório coberto,
escoamento superficial da escoamento da área
subterrânea abaixo do nível do solo
área contribuinte contribuinte

Condutos e dispositivos Armazenamento temporário do


Condutos de Amortecimento do escoamento
com função escoamento no próprio
armazenamento afluente à macrodrenagem
de armazenamento sistema pluvial

Amortecimento de cheias
Faixas Faixas de terreno
Áreas de escape para enchentes e infiltração de
gramadas marginais a corpos d’água
contribuições laterais

10
UFRGS – 2002

134
10
Outros dispositivos
de drenagem

10.1 DESCIDAS D’ÁGUA

As chamadas “descidas d’água” são dispositivos de drenagem superficial, que servem para
conduzir a água captada, por outros dispositivos nos taludes de corte e aterro até um ponto de
saída. São dispositivos que conduzem as águas de cotas mais elevadas para cotas mais baixas,
de forma segura, em um ponto localizado da via, como, por exemplo, quando as valetas de corte
ou sarjetas de aterro atingem seu comprimento crítico ou nos pontos baixos das curvas verticais
côncavas. O deságüe deve ocorrer de forma segura no terreno natural ou em caixas coletoras.
A Figura 10.1 apresenta as características de uma descida d’água.

Descida

OUTROS DISPOSITIVOS DE DRENAGEM


Talude
d’água
de corte
em degraus

Figura 10.1 – Características


Caixa de uma descida d’água
coletora Sarjeta

Bueiro Pista
de greide

10.1.1 Configurações
Quanto a configuração são dois os tipos de dispositivos de descida d’água: rápido e em degraus.
Seus elementos característicos estão ilustrados por imagens na Figura 10.2.

10.1.2 Dimensionamento hidráulico


a) Cálculo da vazão
135
O dimensionamento pode ser feito através da expressão empírica a seguir, fixando-se o valor da
largura (L) e determinando-se o valor da altura (H)
Figura 10.2 – Fotos de descidas d’água (Fonte: palestra
de Marcos A. Jabôr, 2007)

Q = 2,07 L0,9 H1,6 (10.1)

Onde:
Q = Descarga de projeto a ser conduzida pela descida d’água (m3/s)
L = Largura da descida d’água (m)
H = Altura das paredes laterais da descida (m)

b) Cálculo da velocidade no pé da descida d’água


A determinação da velocidade no pé da descida d’água objetiva o dimensionamento da bacia de
amortecimento e avaliação da necessidade ou não de dissipadores de energia, no caso de deságüe
sobre o terreno natural, podendo ser estimada pela expressão:
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

V = (2 × g × h)1/2 (10.2)

Onde:
V = velocidade no pé da descida (m/s)
g = aceleração da gravidade (9,81 m/s2)
h = diferença entre a cota de topo e a cota de deságüe da descida d’água (em m)

10.2 DISSIPADORES DE ENERGIA

10.2.1 Elementos característicos


Os dissipadores são pequenas plataformas, executadas para reduzir a velocidade dos fluxos d’água,
quer no escoamento através do dispositivo de drenagem, quer no deságüe para o terreno natural,
136
para evitar a erosão do terreno.
Tais dispositivos de drenagem são classificados em dissipadores contínuos e dissipadores localizados
(bacias de amortecimento). Nas Figuras 10.3 e 10.4, estão apresentados, esquematicamente e
por imagem, estes dois tipos de dissipadores de energia.
Um dissipador de energia costuma ser instalado nos seguintes locais:
• Pé das descidas d’água nos aterros;
• Boca de jusante dos bueiros e galerias;
• Saída das sarjetas de corte, nos pontos de passagem de corte-aterro; e
• No deságüe de qualquer dispositivo sobre o terreno natural, desde que possa haver
ameaça de processos erosivos neste local.

50 cm
35 cm
7,5 cm 7,5 cm

Brita no 5
10 cm

7,5 cm
Concreto fck > 9.0 Mpa

Figura 10.3 – Seção transversal de dissipador contínuo (Manual


de Drenagem Rodoviária do DNIT, 2006)

Figura 10.4 – Foto de bacia


de amortecimento
( www.drenagem.ufjf.br)

10.2.2 Dimensionamento hidráulico1


O dimensionamento de um dissipador é função da velocidade de escoamento d’água a montante

OUTROS DISPOSITIVOS DE DRENAGEM


e da altura do fluxo afluente.
O ressalto hidráulico na bacia de amortecimento é função do número de Froude (F). Este número
permite o dimensionamento do dispositivo.
Na Tabela 10.1, estão mostradas as condições que devem ter os dissipadores de energia, a partir
do número de Froude. Na Figura 10.5, estão ilustrados os elementos utilizados no dimensionamento
da bacia de amortecimento.

Tabela 10.1 – Determinação do tipo de bacia pelo número de Froude (F)

Número de Froude (F) Bacia de amortecimento


F < 1,7 sem necessidade – não há turbulência na superfície d’água
1,7 < F < 2,5 bacia horizontal lisa de concreto 4,5 m < L < 9,0 m
2,5 < F < 17 projetar com guarnições, cunhas e dentes

137
1
Grande parte do conteúdo do item referente aos dissipadores de energia, inclusive as figuras, foi adaptado do Manual
de Drenagem de Rodovias (DNIT – 2006).
A equação 10.3 apresenta a forma de calcular o número de Froude para este dispositivo:

F1 = V1 /(2 × g × y1)1/2 (10.3)

Onde:
F1 = número de Froude (adimensional)
V1 = velocidade do fluxo afluente à bacia (em m/s)
g = aceleração da gravidade (9,81 m/s2)
y1 = altura do fluxo afluente à bacia (m)

Para determinar a altura do fluxo (tirante) na saída da bacia de amortecimento, após o fenômeno
do ressalto, utiliza-se a expressão 10.4 mostrada a seguir:

y2 = y1 (0,5 × [1 + 8 F2]1/2 - 1) se 1,7 < F < 5,5 (10.4)

y2
Figura 10.5– Esquema para cálculo
V1 da bacia de amortecimento
V1
1,7 < F < 2,5

Na Figura 10.6, apresenta-se um esquema com todos os elementos de um dissipador de energia.

0,2 y1
H

C Rip-Rap
0,375 y1
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

y1
y1 0,75. y1
1
Dente 2
Cunha 0,8. y2
Soleira

Figura 10.6 – Elementos do dissipador de energia

A altura (H) da parede da bacia de amortecimento pode ser definida por:

H = y’2 + Z (10.5)

Onde:

138 Z = y’2 / 3 (10.6)

As expressões que permitem o cálculo de y’2 constam na Tabela 10.2 inserida a seguir.
Tabela 10.2 – Expressões para cálculo de y’2

Número de Froude y’2


1,7 < F < 5,5 y’2 = y2 (1,10 - F / 120)
5,5 < F < 11 y’2 = 0,85 y2
11 < F < 17 y’2 = y2 (100 - F2 / 800)

O cálculo do comprimento da bacia (L) e da altura da soleira (C) deve ocorrer se F < 17 utilizando
as expressões seguintes:

L = 11,842 y2 / F (10.7)

C = 0,07 y2 (10.8)

Uma outra forma de se obter o comprimento da bacia, com o uso do número de Froude e do valor
de y2, é através do gráfico do BPR, apresentado na Figura 10.7, onde se pode obter a longitude do
ressalto e, conseqüentemente, o comprimento da bacia de amortecimento.

L
5
y2

3
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20

OUTROS DISPOSITIVOS DE DRENAGEM


V1
F1 =
gy1

Figura 10.7 – Gráfico para obtenção do comprimento da bacia de amortecimento.

Dimensionamento das pedras do rip-rap

Rip-rap é o termo empregado nesta circunstância para indicar uma camada de empedramento
constituída de pedras não lavradas que se constrói em pontos específicos para evitar erosão do
solo, em geral em locais onde haja variação de nível d’água ou fluxo de água com velocidade capaz
de deslocar as partículas de solo.
Deve-se usar rip-rap na saída das bacias de amortecimento, saída de bueiros e de outros dis-
positivos quando a velocidade de jusante estiver próxima do limite de erosão do terreno natural.
Para uma determinada inclinação longitudinal a jusante e velocidade de saída do fluxo d’ água
139
no dispositivo, tem-se a pedra de diâmetro mínimo que não é carregada pelo fluxo.
O diâmetro esférico das pedras, com massa específica de 2,64 g/cm3, a utilizar no rip-rap é
determinado no gráfico da Figura 10.8 apresentado a seguir. Caso a pedra empregada seja
diferente, calcula-se o novo diâmetro (ou diâmetro equivalente) pela massa específica da pedra
disponível, com a aplicação da seguinte expressão:

Kw = 1,64 k / (w -1) (10.9)

Onde:
Kw = diâmetro da pedra a ser usada, em cm
k = diâmetro da pedra, obtido no gráfico, em cm
w = peso específico da pedra de diâmetro Kw, em g/cm3

7,5 12:1
4:1
7,0 3:1

6,5 2:1
11/2:1
6,0

Inclinação longitudinal do terreno de jusante


5,5
Velocidade (Vs) em metros por segundo

5,0

4,5

4,0

3,5

3,0

2,5
Para pedra pesada
2,64 g/cm3
2,0

1,5

1,0
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

0,5

0,0
0,15 0,30 0,45 0,60 0,75 0,90 1,05 1,20
Diâmetro esférico equivalente da pedra, em metros

Figura 10.8 – Gráfico para obtenção de diâmetro equivalente das


pedras que serão usadas em rip-rap

140
Anexos
ANEXO A
Valores referenciais para projetos de
logradouros e loteamentos

Tabela A.1 – Classificação, medidas referenciais e localização de lotes lindeiros

Lotes Permissão de lotes lindeiros

Comprimento
máximo da
quadra (m)
Testada (m) Vias
Categoria

Área
mínima Locais
(m2) padrão esquina Arteriais Coletoras
Principal Secund. Quadra
a
1 50.000 100 --- sim sim sim não não ---
2a 10.000 50 --- sim sim sim não não ---
3a 1.200 20 25 sim sim sim sim não 400
4a 600 15 20 sim sim sim sim não 300
5a 450 14 15 sim sim sim sim não 250
6a 360 12 13 sim sim sim sim sim 200
7a 300 10 12 não sim sim sim sim 200
8a 225 9 11 não não não sim sim 200
9a 125 8 10 não não não sim sim 180

Tabela A.2 – Medidas referenciais para vias na cidade de São Paulo

Circulação
Veículos Veículos e pedestres
Medidas limites
Expressa Arterial Principal Local Pedestres
1 e 2a Categorias
a a
1 Cat. a
2 Cat. (coletora)
Via1 Projeto 37 30 20 12 8
( metros )
Mínimo

Pista2 específico 28 21 14 7 ---


Passeio (cada lado) para 3,5 3,5 3 2,5 ---
Canteiro central cada caso 2 2 --- --- ---
ANEXOS

15 ou
Declividade Máx. 6 8 8 10 15
escadaria
longitudinal (%)
Mín. 0,50
Fonte: Manual de Desdobro – PM São Paulo – Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano

1
Via: superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais, inclui a pista, a calçada, canteiro central, acostamento e ilha (Código de 141
Trânsito Brasileiro).
2
Pista (faixa carroçável ou pista de rolamento): parte da pista usada para a circulação de veículos e animais. (Código de Trânsito Brasileiro).
Tabela A.3 – Declividades transversais máximas para pavimentos

Revestimento Declividade Transversal (%)


Macadame hidráulico 3a5
Macadame betuminoso 3a5
Revestimento asfáltico ou paralelepípedo 2a3
Concreto 2a3
Declividade mínima em qualquer situação 2

Tais valores levam em conta aspectos de segurança para os veículos, conforto para os usuários
e drenagem da via.

Tabela A.4 – Declividades longitudinais máximas para veículos em vias urbanas

Declividades longitudinais máximas


Tipo de via Declividade ( % )
Ruas de acesso a habitações 12
Ruas residenciais 9
Ruas coletoras 6
Avenidas 4
Fonte: Adaptado do Manual de Loteamentos e Urbanização (MASCARO, 1997)

As declividades consideradas na Tabela A.4, são sugestões que podem ser adotadas ou não em
projetos geométricos. Recomenda-se cautela na definição do greide final de terraplenagem da
via urbana, devido à possibilidade de comprometer a viabilidade técnica e econômica da obra.
As declividades acentuadas do relevo (ou topografia) original do município acarretam soluções
de engenharia, que podem afetar as finanças do município. A adoção de declividades (ou greide)
de projeto como padrão, para municípios, por exemplo, com relevos acidentados (elevados) pode
gerar obras mais caras, em função da complexidade do projeto e da sua execução.
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

ANEXO B
Elaboração dos desenhos
(Extrato do padrão SUDECAP – 2004 com adaptações
pelos autores e CPU/ ABPv)

1. Elaboração dos desenhos


1.1. Escalas
a. Escala das plantas: 1:500 ou 1:1000.
b. Escala dos perfis: H:500 e V: 50 ou H:1000 e V:100.
1.2 Notação
a. Trechos de rede em planta
142
diâmetro (DN, em mm) – extensão eixo a eixo (L, em m)
declividade (i, em m/m)
b. Poços-de-visita

PV no (numeração)

T – cota da tampa
F – cota da saída do fundo

c. Notação nos Perfis

Deverão ser anotados os seguintes dados, por trecho de rede:

1) Diâmetro nominal DN (mm)


2) Extensão eixo a eixo L (m)
3) Cota da tampa do PV (m)
4) Cota da saída do fundo do PV (m)
5) Cota da saída da caixa de passagem (m)
6) Declividade longitudinal do trecho “i” (m/m)
7) Vazão de projeto Q (l/s)

1.3 Legendas e siglas

Legenda Significado Legenda Significado


Boca Boca de galeria ou de bueiro MF Meio-Fio
(2 alas+calçada+muro de testa)
BSCC Bueiro simples celular de concreto MON Montante
BDCC Bueiro duplo celular de concreto PAVASF Pavimentação asfáltica
BTCC Bueiro triplo celular de concreto PAVCON Pavimentação em concreto
BLS Boca de lobo simples PAVPOL Pavimento em pedras poliédricas
BLD Boca de lobo dupla RN Referência de Nível
BSTC Bueiro simples tubular de concreto RTC Rede tubular de concreto
BDTC Bueiro duplo tubular de concreto RTM Rede tubular metálica
BTTC Bueiro triplo tubular de concreto RTPVC Rede tubular de PVC helicoidal
DN Diâmetro Nominal SA Sarjeta tipo A
ES Esgoto SB Sarjeta tipo B
ANEXOS

i Declividade SC Sarjeta tipo C


JUS Jusante TL Cabos de telecomunicação

143
3.3.4 Símbolos
Apresentam-se abaixo quadros com convenções adotados em projetos básico e executivo de
sistema viário.

ÍTENS CONVENÇÃO TRAÇO ÍTENS CONVENÇÃO TRAÇO

Aterro 0,1 Bananal Ban.


0,1

Areia 0,2
Corte
0,1
Pedra 0,1
Erosão 0,1
Edificação 0,1
Estrada de (ASF. = asfalto 0,4
0,3
rodagem (TER. = Terra)
Ruína ou alicerce 0,2
Estrada de ferro 0,2
Caminho 0,3
Túnel 0,2
Cerca de arame x x x x x x x 0,1
Ponte 0,2
Linha de energia ou 0,1
0,1
Via sobre represa 0,2
0,3 Torre de rádio ou 0,1

Lagoa 0,1 Aeroporto 0,2


0,2
Cemitério 0,2
Represa 0,2
Igreja 0,4
Açude 0,1
0,2
Praça de esportes 0,1
Rio 0,2
Praça 0,2

Brejo 0,2
Monumento 0,1

Alagado 0,2 Poste 0,1

Córrego 0,3 Hidrante 0,2


MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Muro 0,1
Lacrimal 0,2
Boca- de-lobo simples
0,2
Pinguela 0,2 existente
Boca- de-lobo dupla
0,2
existente
Sentido de fluxo 0,2
Boca- de-lobo simples
projetada 0,2
Mato M 0,2 Boca- de-lobo dupla
projetada 0,2
Bosque Bos. 0,2 Boca de galeria 0,2
existente
Cultura CL 0,2 Boca de galeria
projetada 0,2

Árvores A 0,2 Meio-fio existente 0,2

144
ÍTENS CONVENÇÃO TRAÇO ÍTENS CONVENÇÃO TRAÇO

Meio-fio projetado 0,1 Taipa 0,1

Grelha de PV de canal Vala 0,1


existente 0,2
Grelha de PV de canal Redes projetadas 0,6
0,4
projetada

PV existente no perfil 0,2 Linha divisória o o o o o o


0,3

PV existente no perfil 0,2 Referência de nível RN 700.000 0,2


815
Caixa de passagem Curvas de nível 0,1
0,2 0,3
existente 810

Caixa de passagem Ponto de aparelho 0,2


projetada 0,2 700.000

Caixa de passagem Ponto de campo


existente no perfil 0,2 700.000 0,2

Caixa de passagem
projetada no perfil 0,2 Lançamento CP 0,2
Galeria ou canal
existente 0,2 A = Água
AP = Água pluvial AP
Redes
existentes ES = Esgoto
ES 0,4
Galeria projetada 0,4 TL = Telecomun. TL
CE
CE = Eletricidade
Asfalto existente 0,2
A = Água
AP = Água pluvial
Poliedro existente 0,2 PV ES = Esgoto A
existente 0,2
TL = Telecomun.
Ligação entre PV 0,2 CE = Eletricidade
e boca-de-lobo
A = Água
Sarjeta existente 0,2 AP = Água pluvial
PV A
ES = Esgoto 0,2
projetado TL = Telecomun.
Sarjeta projetada 0,2 CE = Eletricidade
ANEXOS

145
ANEXO C
Parâmetros para cálculo de precipitação,
segundo Otto Pfafstetter

Valores de β
No POSTO UF a b c
5 min 15 min 30 min 1h a 6d
1 ALEGRETE RS 0,3 33 20 0,16 0,12 0,12 0,08
2 ALTO ITATIAIA RJ 0,7 26 20 0,08 0,08 0,08 0,08
3 ALTO TAPAJÓS PA 0,4 35 20 0,08 0,04 0,04 0,04
4 ALTO TEREZÓPOLIS RJ 0,8 41 10 0,00 0,08 0,08 0,08
5 ARACAJU SE 0,6 24 20 0,00 0,04 0,08 0,20
6 AVARÉ SP 0,3 25 20 0,00 0,04 0,08 0,08
7 BAGÉ RS 0,5 23 20 0,08 0,08 0,08 0,08
8 BANGU (Rio de Janeiro/RJ) RJ 0,1 30 20 0,00 0,12 0,12 0,12
9 BARBACENA MG 0,5 18 60 0,12 0,12 0,08 0,04
10 BARRA DO CORDA MA 0,1 28 20 -0,08 0,04 0,08 0,12
11 BAURU SP 0,5 24 20 -0,04 0,08 0,08 0,08
12 BELÉM PA 0,4 31 20 -0,04 0,00 0,00 0,04
13 BELO HORIZONTE MG 0,6 26 20 0,12 0,12 0,12 0,04
14 BLUMENAU SC 0,2 24 20 -0,08 0,08 0,08 0,08
15 BONSUCESSO MG 0,8 18 60 0,04 0,04 0,04 0,04
16 CABO FRIO RJ 0,2 20 20 0,16 0,20 0,20 0,12
17 CAMPOS RJ 0,2 27 20 0,12 0,12 0,12 0,08
18 CAMPOS DO JORDÃO SP 0,2 32 20 -0,04 0,08 0,12 0,12
19 CATALÃO GO 0,5 27 20 0,04 0,04 0,04 0,04
20 CAXAMBU MG 0,5 23 20 0,08 0,08 0,08 0,08
21 CAXIAS DO SUL RS 0,5 23 20 0,00 0,08 0,08 0,08
22 CONGONHAS (São Paulo/SP) SP 0,6 16 60 -0,04 0,04 0,04 0,04
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

23 CORUMBÁ MS 0,0 30 20 -0,04 0,12 0,12 0,16


24 CRUZ ALTA RS 0,5 33 20 0,12 0,08 0,08 0,04
25 CUIABÁ MT 0,1 30 20 0,08 0,08 0,08 0,04
26 CURITIBA PR 0,2 25 20 0,16 0,16 0,16 0,08
27 ENCRUZILHADA RS 0,8 22 20 0,04 0,08 0,08 0,08
28 FERNANDO DE NORONHA PE 0,7 23 20 -0,08 0,04 0,12 0,12
29 FLORIANÓPOLIS SC 0,3 33 10 -0,04 0,12 0,20 0,20
30 FORMOSA GO 0,5 27 20 0,08 0,08 0,08 0,04
31 FORTALEZA CE 0,2 36 20 0,04 0,04 0,08 0,08
32 GOIÂNIA GO 0,2 30 20 0,08 0,08 0,08 0,12
33 GUARAMIRANGA CE 0,5 22 20 -0,04 0,04 0,08 0,08
146 34 IPANEMA (Rio de Janeiro/RJ) RJ 0,0 35 10 -0,04 0,12 0,12 0,20
35 IRAÍ RS 0,5 27 20 0,08 0,08 0,00 0,08
Valores de β
No POSTO UF a b c
5 min 15 min 30 min 1h a 6d
JACAREPAGUÁ
36 RJ 0,2 29 20 -0,08 0,08 0,12 0,12
(Rio de Janeiro/RJ)
37 JACAREZINHO PR 0,3 25 20 -0,08 0,08 0,12 0,08
38 JARDIM BOTÂNICO RJ 0,4 39 10 -0,08 0,08 0,12 0,12
39 JAUARETÊ AM 0,2 37 20 0,04 0,00 0,00 0,00
40 JOÃO PESSOA PB 0,6 33 10 0,00 0,00 0,04 0,08
KM 47- Rod. Pres. Dutra
41 RJ 0,3 28 20 0,00 0,08 0,16 0,20
(atual km 210 da BR-116/RJ)
42 LINS SP 0,4 19 20 0,00 0,04 0,08 0,04
43 MACEIÓ AL 0,5 29 10 0,00 0,04 0,08 0,20
44 MANAUS AM 0,1 33 20 0,04 0,00 0,00 0,04
MIRANTE SANT’ANA
45 SP 0,4 25 20 -0,04 0,12 0,12 0,04
(São Paulo/SP)
46 NATAL RN 0,7 23 20 -0,08 0,00 0,08 0,12
47 NAZARÉ PE 0,4 20 20 -0,04 0,04 0,08 0,08
48 NITERÓI RJ 0,2 27 20 0,08 0,12 0,12 0,12
49 NOVA FRIBURGO RJ 0,4 28 20 -0,08 0,08 0,08 0,08
50 OLINDA PE 0,5 35 10 0,04 0,20 0,20 0,20
51 OURO PRETO MG 0,6 23 20 0,00 0,12 0,12 0,04
52 PARACATU MG 1,2 45 10 -0,04 0,00 0,04 0,12
53 PARANAGUÁ PR 0,3 42 10 0,04 0,12 0,12 0,16
54 PARINTINS AM 0,6 30 20 0,04 0,04 0,04 0,08
55 PASSA QUATRO MG 0,7 21 20 0,04 0,04 0,04 0,08
56 PASSO FUNDO RS 0,7 21 20 -0,04 0,04 0,04 0,08
57 PETRÓPOLIS RJ 0,3 41 10 -0,08 0,12 0,12 0,08
58 PINHEIRAL RJ 0,4 19 60 0,08 0,12 0,16 0,04
59 PIRACICABA SP 0,3 25 20 -0,08 0,04 0,12 0,08
60 PONTA GROSSA PR 0,3 23 20 -0,08 0,08 0,08 0,04
61 PORTO ALEGRE RS 0,4 22 20 0,00 0,08 0,08 0,08
62 PORTO VELHO RO 0,3 35 20 0,00 0,00 0,00 0,04
63 PRAÇA XV (Rio de Janeiro/RJ) RJ 0,2 27 20 0,00 0,20 0,20 0,20
PRAÇA SAENS PEÑA
ANEXOS

64 RJ 0,2 31 20 -0,04 0,12 0,16 0,16


(Rio de Janeiro/RJ)
65 QUIXERAMOBIM CE 0,2 17 60 -0,08 0,04 0,08 0,12
66 RESENDE RJ 0,3 31 20 0,04 0,08 0,08 0,08
67 RIO BRANCO AC 0,3 31 20 -0,08 0,00 0,04 0,08
68 RIO GRANDE RS 0,3 24 20 0,00 0,2 0,2 0,12 147
69 SALVADOR BA 0,6 33 10 -0,04 0,08 0,08 0,12
Valores de β
No POSTO UF a b c
5 min 15 min 30 min 1h a 6d
70 SANTA CRUZ RJ 0,4 26 20 0,00 0,08 0,08 0,16
71 SANTA MARIA RS 0,4 37 10 -0,08 0,04 0,04 0,08
72 SANTA MARIA MADALENA RJ 0,4 24 20 -0,08 0,04 0,04 0,00
73 SANTA VITÓRIA DO PALMAR RS 0,4 24 20 -0,08 0,12 0,12 0,12
74 SANTOS - ITAPEMA SP 0,2 50 20 0,12 0,20 0,20 0,12
75 SANTOS SP 0,7 44 10 0,12 0,12 0,16 0,20
76 SÃO CARLOS SP 0,4 29 20 -0,04 0,08 0,08 0,12
77 SÃO FRANCISCO DO SUL SC 0,3 37 10 0,00 0,08 0,08 0,16
78 SÃO GONÇALO PB 0,4 29 20 -0,08 0,08 0,12 0,16
79 SÃO LUIZ MA 0,4 42 10 -0,08 0,00 0,00 0,08
80 SÃO LUIZ GONZAGA RS 0,5 30 20 0,08 0,08 0,12 0,08
81 SÃO SIMÃO SP 0,4 26 20 0,00 0,04 0,08 0,08
82 SENA MADUREIRA AC 0,2 30 20 0,00 0,04 0,08 0,04
83 SETE LAGOAS MG 0,4 27 20 0,08 0,08 0,08 0,08
84 SOURE PA 0,7 46 10 0,00 0,00 0,04 0,08
85 TAPERINHA PA 0,3 32 20 0,08 0,08 0,04 0,04
86 TAUBATÉ SP 0,3 24 20 0,12 0,12 0,12 0,16
87 TEÓFILO OTONI MG 0,4 24 20 0,00 0,08 0,08 0,08
88 TERESINA PI 0,2 33 20 0,12 0,12 0,12 0,12
89 TEREZÓPOLIS RJ 0,3 36 10 0,08 0,08 0,04 0,12
90 TUPÍ SP 0,3 18 60 -0,08 0,12 0,12 0,04
91 TURIASSÚ MA 0,6 30 20 0,04 0,04 0,04 0,04
92 UAUPÉS AM 0,2 36 20 0,08 0,04 0,04 0,04
93 UBATUBA SP 0,6 46 10 0,04 0,16 0,16 0,16
94 URUGUAIANA RS 0,2 38 10 -0,04 0,08 0,08 0,12
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

95 VASSOURAS RJ 0,4 19 60 0,08 0,08 0,08 0,08


96 VIAMÃO RS 0,4 21 20 -0,04 0,04 0,04 0,04
97 VITÓRIA ES 0,3 34 10 0,12 0,12 0,12 0,12
98 VOLTA REDONDA RJ 0,2 30 20 0,12 0,12 0,12 0,12

148
ANEXO D
Glossário

Água de constituição: a que se encontra na composição da partícula sólida. Ex.: Montmorilonita


(OH)4 Si2 Al4 O20 nH2 O
Água de retenção: é a água contida em um meio poroso, não sendo mobilizável pela gravidade.
Água subsuperficial: é toda água que ocorre na litosfera sob a superfície topográfica.
Água subterrânea: é a água de sub-superfície que ocorre na zona saturada dos aqüíferos, moven-
do-se unicamente sob o efeito da força gravitacional.
Água superficial: é toda água líquida que ocorre em corpos com superfície livre em contato direto
com a atmosfera; ou seja, acima da superfície topográfica.
Assoreamento: obstrução, por areia ou por sedimentos quaisquer, de um rio, canal ou estuário,
geralmente em conseqüência de redução da correnteza.
Bacia de contribuição ou bacia de drenagem ou área de contribuição: é a área contribuinte para
a seção em estudo.
Bacia hidrográfica: é a região contida entre divisores de água em que toda a água que aí se
precipitar sairá pelo único exutório: a foz do curso d’ água
Boca coletora: é constituída por boca de lobo ou ralo. É uma estrutura hidráulica que capta as
águas superficiais transportadas pelas sarjetas e sarjetões, sendo constituída de uma caixa
localizada sob o passeio ou sob a sarjeta.
Boca-de-Lobo: é uma boca coletora com abertura no meio fio (denominada de chapéu) que serve
de entrada para águas a serem escoadas através das galerias.
Caixas de ligação ou de passagem ou morta: são caixas de alvenaria ou pré-moldadas de concre-
to, subterrâneas, não visitáveis, com a finalidade de reunir condutos de ligação (conexão) das
bocas coletoras ou estes à galeria, propiciar mudanças na declividade e rebaixamento da
rede tubular.
Caixas de ralo ou ralo: são caixas coletoras em que a captação do fluxo d’água só ocorre pela
sua parte superficial, através de uma grelha a qual é constituída de barras longitudinais ou
transversais.
Calha principal: é a parte do curso natural d’água que fica sob as águas.
Carga piezométrica ou carga hidrostática: é a parte da carga hidráulica correspondente a soma
das energias de posição e de pressão; fisicamente, é expressa pela altura da água no poço;
corresponde a energia potencial.
Chaminé: é o conduto vertical de seção circular, de alvenaria ou pré-moldado de concreto, localiza-
ANEXOS

do sobre a laje superior do poço de visita e coberto pelo tampão.


Cheias: são as ampliações das vazões nos rios devidas, principalmente, ao aumento do escoamen-
to superficial. Normalmente, ocorrem no período chuvoso.
Chuva de projeto: é a chuva de intensidade máxima. Para sua obtenção nas pequenas bacias, a
duração é considerada como igual ao tempo de concentração e sua freqüência é de uma vez
149
no período de retorno ou tempo de recorrência.
Chuva inicial de projeto: é a chuva intensa considerada para o projeto de um sistema inicial de
drenagem (microdrenagem). Em drenagem urbana, poderá ter período de retorno de 2, 5 ou
10 anos, dependendo da importância do projeto.
Coeficiente de escoamento superficial ou deflúvio ou run-off (C): é o quociente entre a chuva
efetiva e a chuva vertida.
Colmatação: é o processo de preenchimento dos poros por finos; causando o efeito de parede.
É o processo inverso da erosão.
Conduto de ligação ou conexão ou ramal: também denominado de tubulação ou tubulação de
ligação, é destinado a conectar as bocas coletoras à caixa de ligação ou ao poço de visita.
Conduto forçado: duto no qual o escoamento não é possível pela ação da gravidade e o fluxo
desliza sob a ação de pressão exercida por algum tipo de mecanismo.
Curso d’água: qualquer corrente de água, canal, rio, riacho, ribeirão ou córrego.
Deflúvio superficial ou chuva efetiva ou excedente: parcela da chuva que chega à seção de
controle.
Derrocar: remover rochas, particularmente do leito de rios ou canais, para desobstruí-los ou ampliá-los.
Escoamento permanente: tipo de escoamento no qual a velocidade não se altera em grandeza e
direção em qualquer ponto de um líquido. As características hidráulicas em cada seção
independem do tempo.
Escoamento uniforme: escoamento permanente em que não há variação de características hi-
dráulicas de uma seção para outra.
Estações de bombeamento: conjunto de obras e equipamentos destinados a retirar água de um
canal de drenagem quando não mais houver condições de escoamento por gravidade, para
um outro canal em nível mais elevado ou receptor final da drenagem em estudo.
Estudo de impacto ambiental (EIA): documento técnico – diagnóstico das potencialidades natu-
rais e socioeconômicas, dos impactos e das medidas destinadas à mitigação, compensa-
ção e controle desses impactos.
Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacio-
nados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimen-
to, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida. Resultam em documen-
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

tos tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental
preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada
e análise preliminar de risco.
Freático: é aquele aqüífero cuja superfície superior da zona saturada encontra-se a pressão
atmosférica.
Galeria: é o conduto fechado destinado ao transporte da água pluvial captada nos poços de visita
ou caixas de ligação até o ponto de lançamento. Pode ter seção circular, retangular, oval ou de
outra forma.
Gradiente hidráulico: é a razão entre as variações de carga hidráulica e comprimento percorrido,
na direção do fluxo. Fisicamente, mede a inclinação da superfície da água subterrânea.
Greide: é uma linha do perfil correspondente ao eixo longitudinal da via.
150
Guia ou Meio-fio: é a peça de pedra ou de concreto configurando a faixa longitudinal que separa a
calçada da via e com sua face superior no mesmo nível do passeio.
Hidráulica: é o ramo da Hidromecânica que trata das aplicações dos conceitos físicos da mecânica
e hidráulica às atividades humanas.
Hidrograma: é a variação da vazão na seção de saída da bacia hidrográfica, como resposta da
mesma, ao longo do tempo devido a precipitação que ocorre sobre ela.
Hidrologia: é o ramo da Geofísica que trata dos fenômenos naturais das águas da Terra, estudan-
do-lhes a ocorrência e a circulação em: oceanos, continentes, e atmosfera.
Inundações: são cheias excepcionais, fazendo com que os cursos d’ água extravasem, ocupando
áreas maiores, as várzeas, formando os chamados leitos maiores.
Licença de Instalação (LI): documento que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade
de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados,
incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem
motivo determinante.
Licença de Operação (LO): documentação que autoriza a operação da atividade ou empreendi-
mento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com
as medidas de controle ambiental e determinados condicionantes para a operação.
Licença Prévia (LP): documento que deve ser concedido na fase preliminar do planejamento do
empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilida-
de ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas
próximas fases de sua implantação. Deve ser requerida na fase do estudo de viabilidade,
previamente à elaboração do projeto básico.
Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente
licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades
que interfiram com os recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras
ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando
as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
Macrodrenagem: inclui além da microdrenagem as galerias de grande porte (D > 1,5m) e os
corpos receptores tais como canais, córregos e rios canalizados.
Mata ciliar: cobertura vegetal que se desenvolve ao longo de cursos de água em regiões inundáveis,
e que tem altura média entre 9 e 15m.
Microdrenagem ou Sistema Inicial de Drenagem: consiste na coleta, na condução e no lançamen-
to final dos deflúvios superficiais. Inicia-se nas edificações, seus coletores pluviais, prosse-
gue no escoamento de sarjetas ou guias, continua nos bueiros e galerias e termina num
receptor natural ou artificial, da macrodrenagem. É o sistema de condutos pluviais em nível
de loteamento ou de rede primária urbana.
ANEXOS

Orifício: perfuração, geralmente de forma geométrica, feita abaixo da superfície livre do liquido, em
paredes de reservatórios, tanques, canais ou canalizações.
Outorga: é o ato pelo qual um órgão governamental se manifesta sobre a implantação de empreen-
dimento, obras e serviços que interfiram com o recurso hídrico superficial, obras de extração
de águas subterrâneas e a derivação ou lançamento com o uso de recursos hídricos.
151
Percolação: fluído passando através de um meio poroso.
Período de retorno ou Tempo de recorrência: corresponde ao número médio de anos em que uma
dada precipitação será igualada ou excedida. É definido em função da importância e das
condições locais do projeto.
Permeabilidade: é a facilidade com que o meio permite a percolação do fluido sob um gradiente de
potencial; fisicamente, expressa a área (dos poros) disponível ao fluxo.
Piscinão: reservatórios urbanos para amortecimento de cheias.
Poços de visita ou de inspeção: é uma caixa de alvenaria ou pré-moldado de concreto que une
dois trechos consecutivos de uma galeria e pode receber os condutos de conexão das
caixas de ligação. Devem permitir a inspeção e limpeza dos condutos subterrâneos. É con-
veniente a sua localização nos pontos de reunião dos condutos (cruzamento de ruas),
mudanças de seção, de declividade e de direção. Recomenda-se no máximo 4 (quatro)
ligações por poço de visita.
Polder ou pôlder: uma entidade hidrológica artificial. Trata-se de uma porção de terreno abaixo do
nível do mar ou de corpo hídrico próximo, ocupada e mantida pelo homem por meio de diques,
sistema de bombeamento e canais.
Projeto Básico: conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequa-
do, para caracterizar o complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base
nas indicações dos estudos técnicos preliminares. Deve assegurar a viabilidade técnica e o
adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, bem como que possibilitar a
avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução.
Projeto Executivo: o conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da
obra, de acordo com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Quarteirão ou quadra: Porção de terreno delimitada por três ou mais logradouros públicos adjacentes.
Recursos ambientais: recursos naturais constituídos da atmosfera, as águas interiores, superficiais
e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera.
Recursos hídricos: qualquer coleção d’água superficial ou subterrânea.
Relatório de impacto ambiental (RIMA): documento gerencial que contém informação acerca das
vantagens e desvantagens do projeto e suas conseqüências ambientais de sua implementação.
Sarjeta: é um canal longitudinal, em geral triangular, situado entre a guia e a pista de rolamento,
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

destinado a coletar e conduzir as águas de escoamento superficial da via pública até as


bocas coletoras.
Sarjetões: canal de seção triangular, situado nos pontos baixos do greide ou nos cruzamentos das
vias públicas destinados a orientar o escoamento das águas.
Servidão: passagem, para uso público, por um terreno de propriedade particular.
Sistema de galerias pluviais: parte subterrânea de um sistema de microdrenagem. É formado por
bocas coletoras, condutos de ligação, galerias e seus órgãos acessórios tais como poços de
visita e caixas de ligação.
Sizígia: Conjunção ou oposição de um planeta/satélite, especialmente a Lua, com o Sol. No caso da
Terra (o que se observa no plenilúnio e no novilúnio).
Solo: é a parte superior da camada de alteração das rochas, capaz de suportar vida.
152
Tampão: peça de ferro fundido instalada ao nível da pavimentação de via pública e sobre a chaminé,
destinada a permitir acesso ao poço de visita.
Tempo de concentração: tempo de percurso para que o deflúvio atinja o curso principal desde os
pontos mais longínquos até o local onde se deseja definir a descarga. Ou ainda: intervalo de
tempo entre o início da precipitação e o instante em que todos os pontos da bacia estão contri-
buindo para o local onde se pretende calcular a vazão. Na microdrenagem é a soma do tempo de
entrada e do tempo de percurso.
Tempo de entrada: tempo gasto pela água para atingir a primeira boca coletora (boca de lobo ou ralo).
Tempo de percurso: tempo gasto pela água para percorrer a sarjeta, entrar na boca coletora,
percorrer a conexão, entrar no poço de visita (ou caixa de ligação), e percorrer a galeria até o
ponto considerado.
Traçador (Tracer): tipo de material que permite identificar o deslocamento de um fluido.
Trecho de galeria: parte da galeria situada entre dois poços de visita consecutivos.
Turbulento: fluxo em que a trajetória das moléculas de fluido é errática e confusa; a velocidade real
está acima da velocidade crítica, dada pelo número de Reynolds.
Várzeas: parte do curso natural d’água que permanece com menor freqüência sob as águas. Em
geomorfologia a várzea recebe a denominação de leito maior ou secundário.
Via arterial: aquela caracterizada por interseções em nível, geralmente com semáforo, permite
acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, bem como possibilitando o
trânsito entre as regiões da cidade.
Via coletora (ou principal): aquela destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha necessidade
de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arterial, possibilitando o trânsito dentro das
regiões da cidade.
Via de trânsito rápido (ou expressa): aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre,
sem interseções em nível, não permite acessibilidade direta aos lotes lindeiros e nem traves-
sia de pedestres em nível.
Via local: aquela caracterizada por interseções em nível não semaforizadas, destinada apenas ao
acesso local ou a área restritas.
Via urbana: ruas, avenidas, vielas ou caminhos e similares abertos à circulação pública, situados
na área urbana, caracterizados principalmente por possuírem imóveis edificados ao longo de
sua extensão.
Via: superfície por onde transitam veículos, pessoas ou animais, compreendendo a pista, a calçada,
o acostamento, ilha e canteiro central.
ANEXOS

153
ANEXO E
Marcos Legais

A legislação de interesse da drenagem urbana e inundação ribeirinha trata dos seguintes temas:
1. Recursos hídricos.
2. Uso do solo.
3. Meio ambiente.

1) RECURSOS HÍDRICOS

a) Constituição Federal
1. Define o domínio dos rios.
2. Define a legislação de recursos hídricos a nível federal.
3. Estabelece os princípios básicos da gestão hídrica através de bacias hidrográficas, que
pode ser estadual ou federal.

b) Legislações Estaduais (algumas)


1. Estabelecem critérios para a outorga do uso da água.
2. Não tratam da outorga do despejo de efluentes de drenagem.

2) USO DO SOLO

a) Constituição Federal, artigo 30,


1. A responsabilidade é municipal.
2. Os Estados e a União podem disciplinar o uso do solo visando a proteção ambiental,
controle da poluição, saúde pública e segurança.
3. A drenagem urbana envolvendo o meio ambiente e o controle da poluição é de compe-
tência concorrente entre Município, Estado e Federação.

b) Legislações Estaduais
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

1. Não tem tratado de drenagem e inundações no zoneamento para uso do solo.


2. São restritivas quanto à proteção de mananciais e áreas ambientais.

3) MEIO AMBIENTE

A legislação ambiental estabelece normas e padrões de qualidade da água dos rios (classes).
O escoamento pluvial, resultante das cidades, deve ser objeto de outorga ou de controle a ser
previsto nos planos de bacias.

a) Licenciamento ambiental
A Resolução CONAMA no 237/1997 lista os empreendimentos que necessitam de licenciamento
ambiental. Para obras civis, dentre outros, cita:
154
1. – barragens, diques, canais para drenagem e retificação de curso d’água; e
2. – abertura de barras, embocaduras e canais.
b) Estudos ambientais
Paralelamente ao licenciamento ambiental, podem ser exigidos pelo órgão governamental a apre-
sentação de estudos ambientais, como condição para concessão de licença. Estão sujeitos a
estudo ambiental, EIA e respectivo RIMA, em princípio, empreendimentos com significativo impac-
to ambiental. Eles estão listados na Resolução CONAMA no 1/ 1986, art. 2o, dentre outros itens, o VII:
“VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para fins
hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navega-
ção, drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, abertura de barras e embocaduras,
transposição de bacias, diques.”

4) NORMAS DA ABNT ESPECÍFICAS DE DRENAGEM

Norma Título
NBR 12266/85 Projeto e execução de valas para assentamento de tubulação de água,
esgoto ou drenagem urbana
NBR 8216/85 Irrigação e drenagem
NBR 14145/85 Drenagem agrícola – terminologia e simbologia
NBR 10844/89 Instalações prediais de águas pluviais

5) NORMAS DO DNIT ESPECÍFICAS DE DRENAGEM


(disponíveis em http://www.dnit.gov.br)

MANUAIS
Manual de drenagem de rodovias – 2006
Manual de hidrologia básica para estruturas de drenagem – 2005

ÁLBUM
Álbum de projetos-tipo de dispositivos de drenagem, 2006

Diretrizes básicas para elaboração de estudos e projetos rodoviários – 2006


Instrução de Serviço Título
IS-203 Estudos Hidrológicos
IS-210 Projeto de Drenagem
Estudos Hidrológicos para Projeto Executivo de Engenharia para
ANEXOS

IS-239
Construção de Rodovias Vicinais
Projeto de Drenagem para Projeto Executivo de Engenharia para
IS-242
Construção de Rodovias Vicinais

Procedimento Título 155


DNER PRO 380/98 Utilização de Geossintéticos em obras rodoviárias
Especificação de material Título
EM DNIT 093/2006 Tubo de dreno PEAD (polietileno de alta densidade)
EM DNIT 094/2006 Tubo de dreno PRFV (poliéster reforçado com fibra de vidro)

Especificação de serviço Título


ES 039/71 Muros de arrimo
ES 015/2006 Drenos subterrâneos
ES 016/2006 Drenos sub-superficiais
ES 017/2006 Dreno sub-horizontal
ES 018/2006 Sarjetas e valetas de drenagem
ES 019/2004 Transposição de sarjetas e valetas
ES 020/2006 Meios-fios e guias
ES 021/2004 Entradas e descidas d’água
ES 022/2006 Dissipadores de energia
ES 023/2006 Bueiros tubulares de concreto
ES 024/2004 Bueiros metálicos executados sem interrupção de tráfego
ES 025/2004 Bueiros celulares de concreto
ES 026/2004 Caixas coletoras
ES 027/2004 Demolição de dispositivos de concreto
ES 028/2004 Limpeza e desobstrução de dispositivos de drenagem
ES 029/2004 Restauração de dispositivos de drenagem danificada
ES 030/2004 Dispositivos de drenagem pluvial urbana
ES 086/2004 Recuperação do sistema de drenagem
ES 096/2006 Bueiros de concreto tipo mini-túnel sem interrupção do tráfego

6) DIRETRIZES EXECUTIVAS DE SERVIÇOS – Prefeitura da Cidade de Recife – EMLURB (disponíveis


em http://www.recife.pe.gov.br/pr/servicospublicos/emlurb/cadernoencargos)
MANUAL DE DRENAGEM URBANA

Diretriz de serviços Título


ES-D01 Diretrizes Executivas de Serviços para Obras de Drenagem
ES-D02 Diretrizes Executivas de Serviços para Obras de Galerias de Águas Pluviais – Tubulações
ES-D03 Diretrizes Executivas de Serviços para Obras de Canais
ES-D04 Diretrizes Executivas de Serviços para Limpeza de Canais, Galerias e Cadastro

156
ANEXO F
Tabelas úteis

Tabela F1 – Fatores de conversão de comprimento

Unidades inglesas Equivalente métrico


1 polegada (one inch) -pol 0,0254 m
1 pé (one foot) 0,3048 m
1 jarda = 3 pés 0,9144 m
1 milha inglesa 1609,3 m
Unidades métrica Equivalente inglês
1 centímetro 0,0328 pés = 0,394 pol.
1 metro (m) 3,281 pés = 39,37 pol.
1.000 metros (quilômetro) 5/8 de milha inglesa

Tabela F2 – Fatores de conversão de unidades

Unidade Multiplicar por Para obter


Are 100 Metro quadrado
Are 0,02471 Acre
Hectare 100 Are
Hectare 1 Hectômetro quadrado
Quilômetro quadrado 100 hectare
Centímetro 0,3937 Polegada
Polegada 2,54 Centímetro
Litro 0,2642 Galão americano
Litro 0,03531 Pé cúbico
Litro 61,02 Polegada cúbica
-3
Litro por minuto 4,503 × 10 Galão por segundo
-4
Litro por minuto 5,885 ×10 Pé cúbico por segundo
Metro 3,281 Pé
Metro 39,37 Polegada
-4
Metro quadrado 2,471 × 10 Acre
-7
Metro quadrado 3,861 × 10 Milha quadrada
Metro quadrado 10,76 Pé quadrado
ANEXOS

157
Bibliografia

1. AZEVEDO NETTO, José Martiniano; ALVAREZ, Guillermo Acosta. Manual de hidráulica. São Paulo: Edgard
Blücher, 1986.
2. AZZOUT, Y.; BARRAUD, S.; CRES, F.N.; ALFAKIH, E. Techniques Alternatives en Assainissement Pluvial: Choix,
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ocupação e uso do solo. Belo Horizonte, 1996. Disponível em <http//: pbh.gov.br/>. Acesso em 12
mar. 2007.
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5. BIDONE, F. R., TUCCI, C.E.M. Microdrenagem. In : Tucci, C.E.M., Porto, R.L., Barros, M.T. (Org.). Drenagem
Urbana. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1995. p. 77-105.
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Manual de drenagem de rodovias. Rio de Janeiro: DNIT, 2006.
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9. DAEE/CETESB. Drenagem urbana: manual de projeto. 3. ed. São Paulo: CETESB, 1986. 477
10. FADIGA JÚNIOR, Francisco Martins. Projeto de canais e reservatórios de retenção para drenagem
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11. FERNANDES, C. Microdrenagem: um estudo inicial. Campina Grande: UFPB, 2002. 196 p.
12. FUGITA, O. (Coord.). Drenagem urbana: manual de projeto. São Paulo: Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental, 1980.
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14. PRONK, J. & HAQ, M. Suistainable development from concept to action. Switzerland: CNUMAD, 1992. 32 p.
15. PUPPI, I.C. Vias de Comunicação. In: _____ Estruturação Sanitária das Cidades. São Paulo: Compa-
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MANUAL DE DRENAGEM URBANA

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Cooperação Técnica Brasil-Alemanha, 2001. p. 230.
17. SCHUELER, T. R. Controlling urban runoff: a practical manual for planning and designing urban
BMPs. Washington D.C.: Department of Environmental Programs, Metropolitan Washington Council
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18. SILVEIRA, André Luiz Lopes da. Drenagem urbana: aspectos de gestão. Porto Alegre: Instituto de
Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002.
19. TUCCI, C. E. M. Gerenciamento da drenagem urbana. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, Porto
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20. URBAN DRAINAGE AND FLOOD CONTROL DISTRICT. Urban storm drainage criteria manual: best
management practices. Denver, 1992. v.3.
21. URBONAS, B.; STAHRE, P. Stormwater best management practices and detention. New Jersey: Prentice
158
Hall, 1993. 450 p.
22. WILKEN, P. S. Engenharia de drenagem superficial. São Paulo: CETESB, 1978. 477 p.