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TEORIA DA COMUNICAÇÃO

Definição

Linguagem

O que é linguagem?

Linguagem é um fenômeno ligado a várias áreas na vida do homem. Biologicamente falando, linguagem é como um software superdesenvolvido normalmente localizado no cérebro humano, ou seja, nascemos com a capacidade de linguagem. Psicológica e afetivamente falando, sem ela não há como entender a vida interna e externa do homem, pois somente ela permite a exposição objetiva/criativa de pensamentos, emoções, ideias, sentimentos, volições, experiências etc. Formalmente falando, a linguagem, manifestada por meio de sinais verbais ou não verbais, permite ao homem uma adaptação incrível em diferentes situações comunicativas; para isso, ele precisa adquirir competência comunicativa.

Quais são os objetivos da linguagem?

A expressão do pensamento e a interação entre as pessoas são os principais objetivos da linguagem. Quando falamos, escrevemos, gesticulamos ou usamos quaisquer outros signos (sinais), o propósito é fazer-se entender. Muitas vezes falamos com nós mesmos em voz alta ou em pensamento para organizar nossas ideias; de qualquer maneira, estamos nos comunicando. Assim, precisamos dela para viver, reviver e conviver.

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É sempre importante dizer que usamos a linguagem para representar o mundo real e o mundo das ideias, portanto a linguagem não é o espelho da realidade externa, apenas. Por meio dela construímos e organizamos nossa realidade com toda nossa herança cultural e subjetividade.

Tipos de linguagem

Linguagem verbal: é a maneira que o homem tem de se fazer entender por meio de palavras.

Estas se manifestam por sons (fala) ou formas (escrita) atreladas a um conceito a fim de representar algo do universo externo ou interno do homem. Usamos a linguagem verbal por meio de signos para a construção de sentido do universo humano na fala e na escrita. Linguagem não verbal: é outra forma de comunicação em que o código utilizado é a simbologia. Utiliza de outros meios comunicativos, como placas, figuras, gestos, cores, sons, ou seja,

através dos signos visuais e sensoriais.

Linguagem mista (ou híbrida): utiliza linguagem verbal e não verbal simultaneamente para

produzir a mensagem, por exemplo, nas histórias em quadrinhos, em que acompanhamos a história por meio dos desenhos e das falas das personagens.

Outros tipos de linguagem

Linguagem natural: sistema de sinais que o homem desenvolveu.

Linguagem artificial: idioma definido e construído por um grupo pequeno de pessoas, como o alfabeto dos surdos-mudos, o código Morse e o Esperanto.

Linguagem gestual: se utiliza de gestos.

Linguagem musical: de notas musicais.

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Linguagem pictórica: de cores e formas.

O que é o signo linguístico?

Signo linguístico é qualquer unidade de uma língua que conjuga som (na fala) ou forma (escrita)

+ ideia/conceito a fim de representar algo do universo externo ou interno do homem. Os signos de

uma língua substituem os objetos e os representam. Todo signo, então, apresenta dois “lados” básicos:

o significante e o significado. 1) Significante: é “a imagem acústica”, a imagem mental gerada pelo som (em pensamento ou

em voz alta fala), ou pela forma (escrita) de uma palavra; é a parte audível ou visível da palavra que

o nosso cérebro identifica e converte em imagem ou mera abstração. 2) Significado: é a ideia, o conceito, o conteúdo semântico da palavra que representa algo do mundo do homem. O signo linguístico (= a palavra) pode ter seu significante mudado e seu significado permanecer

o mesmo; muito dependerá da cultura de uma pessoa ou de um grupo. Pense em tangerina, bergamota,

mexerica, mandarina, por exemplo; formas diferentes, significados iguais. O contrário também é verdadeiro, ou seja, uma forma pode ter mais de um sentido: precisar (carecer, necessitar, ajustar…). Podemos acrescentar ao conceito de signo linguístico (significante + significado) o conceito de referente, que é um elemento extralinguístico, ao qual o signo linguístico se remete, circunscrito ao nosso mundo biossocial. Dessa maneira, a compreensão que temos de tangerina está associada ao que apreendemos do som [tangerina] + a ideia que temos dela (fruta) + “o objeto”, a fruta em si. Logo, o

signo linguístico é uma tríade: significante + significado + referente.

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Diferença entre linguagem, língua e fala

A comunicação está relacionada com a vivência de todos os seres, para que possam interagir e

viver em sociedade. Portanto, existem alguns instrumentos para uma efetiva comunicação, como Linguagem, Língua e Fala, estes são a tríade da comunicação, logo há um conceito para cada um.

Sendo elas formas distintas de comunicação.

1) Linguagem:

Sistema de sinais empregados pelo homem para exprimir e transmitir suas ideias e pensamentos.

A linguagem humana é tida como:

a) Ora como representação do mundo e do pensamento (“espelho”), tendo por função representar o pensamento e o conhecimento humano.

b) Ora como instrumento de comunicação (“ferramenta”), um código, tendo como função a transmissão de informações.

Para Chomsky, a linguagem é uma capacidade inata específica da espécie, isto é, transmitida geneticamente e própria da espécie humana.

E em uma concepção mais moderna seria “lugar de interação que possibilita aos membros e uma

sociedade a prática dos mais diversos tipos de atos, que vão exigir dos semelhantes reações e/ou

comportamentos, levando ao estabelecimento de vínculos e compromissos anteriormente inexistentes”.

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2) Língua:

Para Saussure (2007), a língua faz parte da linguagem, sendo produto social da faculdade da

linguagem e “um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o

efetivo exercício dessa faculdade nos indivíduos”.

No entender de D. Preti, “A língua funciona como um elemento de interação entre o indivíduo

e a sociedade em que ele atua. É através dela que a realidade se transforma em signos, pela associação de significantes sonoros a significados, com os quais se processa a comunicação linguística”.

3) Fala:

Conforme Saussure, a fala é um ato individual; resulta das combinações feitas pelo sujeito

falante utilizando o código da língua; expressa-se pelos mecanismos psicofísicos (atos de fonação)

necessários à produção dessas combinações.

Comunicação

Comunicação vem do latim communicatio (prefixo co= reunião, atividade conjunta; raiz munis = estar encarregado de; terminação tio = atividade). (HOHLFELDT; MARTINO; FRANÇA, 2012). Em mosteiros, a prática communicatio era a de comer a refeição em comum, rompendo o isolamento. Comunicar não é simplesmente ter algo em comum, é um processo (comum + ação) de compartilhar um mesmo objeto de consciência. A grande função da linguagem é o estabelecimento da comunicação, conceito que trata da transmissão/recepção de mensagem em um código compreendido.

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Comunicar é informar? A informação é uma comunicação que pode ser ativada a qualquer

momento, desde que outra consciência (ou aquela mesma que codificou a mensagem) venha resgatar,

quer dizer, ler, ouvir, assistir

reconstituir a mensagem” (HOHLFELDT; MARTINO; FRANÇA, 2012, p. 17). O que é informar? Informar é “dar forma a” com a utilização de códigos em um canal.

decodificar ou interpretar aqueles traços materiais de forma a

enfim

Elementos da comunicação

O processo de comunicação envolve seis elementos básicos, os quais constituem o conceito atual dela. Sem esses elementos, não há comunicação. Vejamos:

1) Emissor (remetente, transmissor, 1 a pessoa do discurso, locutor, signatário, falante etc.): aquele que envia uma mensagem (pode ser uma única pessoa ou um grupo de pessoas). 2) Receptor (destinatário, recebedor, 2 a pessoa do discurso, interlocutor, ouvinte etc.): é aquele a quem a mensagem é endereçada (um indivíduo ou um grupo). 3) Mensagem: aquilo que é transmitido pelo emissor; é o resultado, a comunicação em si. 4) Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem: o emissor codifica aquilo que o receptor irá descodificar; É uma organização de traços materiais, seguindo um princípio a partir do qual esses traços serão dispostos, arranjados sobre o suporte tornando-se informação que será compreendida e interpretada pelo receptor. Pode ser a escrita, a fala, gestos etc. 5) Referente (contexto): é o assunto da mensagem, o elemento extralinguístico dela.

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6) Canal (contato): é o meio, o veículo transportador da mensagem. Pode ser, por exemplo, cabos para a comunicação telefônica, página para a comunicação escrita, ondas sonoras (voz), televisão, celular etc.

Funções da linguagem

A cada um dos elementos da comunicação corresponde uma função da linguagem. Num ato comunicativo, as funções aparecem hierarquicamente organizadas, havendo sempre uma que é dominante. Cada um desses seis fatores dá origem a uma função linguística diferente. As funções da linguagem são as seguintes:

1) Função Emotiva (Expressiva):

centralizada no emissor; através dessa função, o emissor imprime no texto as marcas de sua

atitude pessoal: emoções, avaliações, opiniões. O leitor sente no texto a presença do emissor;

é um texto pessoal, cercado de subjetividade;

algumas marcas gramaticais indicam que tal função é a predominante no texto: verbos e

pronomes de 1 a pessoa, frases exclamativas, certas interjeições, vocativos, reticências, termos e expressões modalizadoras etc.;

é a linguagem das músicas românticas, das biografas, memórias, poesias líricas, cartas de amor

etc.

2) Função Conativa (Apelativa):

centralizada no receptor; essa função procura organizar texto de forma que se imponha sobre o

receptor da mensagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas mensagens em que predomina essa função,

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busca-se envolver o leitor com o conteúdo transmitido, levando-o a adotar esse ou aquele comportamento.

algumas marcas gramaticais: verbos e pronomes de 2 a pessoa (ou 3 a pessoa você), vocativos, imperativos, perguntas ao interlocutor etc.;

é a linguagem das músicas e dos poemas românticos, das propagandas, dos discursos, dos sermões etc. 3) Função Poética:

é a linguagem que põe em evidência a forma como a mensagem é veiculada; É quando a

mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas,

jogos de imagem ou de ideias, temos a manifestação da função poética da linguagem. Essa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa.

essa função usa vários recursos gramaticais: figuras de linguagem, conotação, neologismos,

construções estruturais não convencionais, polissemia etc.;

é a linguagem dos poemas e prosas poéticas (literária), da publicidade criativa das e afins.

4) Função Metalinguística:

o código usado para estabelecer comunicação é o centro da mensagem, no sentido de que ele é instrumento de explicação de si mesmo; usa-se um signo para explicar a si próprio;

Metalinguagem é quando a linguagem se volta sobre si mesma, transformando-se em seu próprio referente, a linguagem explicando a própria linguagem.

encontramos em poemas que falam sobre o fazer poético (metapoema), sambas que abordam

esse gênero musical, filmes que discutem o cinema, palavras usadas para explicar outras em

dicionários, narradores que refletem sobre a arte de narrar (metanarração) etc.

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5) Função Referencial (Informativa/Denotativa):

centralizada no referente

destaca-se o objeto, o assunto da mensagem de forma clara e objetiva;

algumas marcas gramaticais e discursivas: uso da 3 a pessoa, denotação, impessoalidade, precisão, frases declarativas etc.;

a função referencial pode ser observada nas redações escolares (especialmente nas dissertações),

nas narrações não fictícias (relato, notícia) e nas descrições objetivas. Também são textos tipicamente

referenciais o discurso jornalístico, a correspondência comercial e o discurso científico.

6) Função Fática:

o canal (contato) é o centro da mensagem;

essa linguagem se manifesta quando a finalidade é testar, estabelecer ou encerrar o contato físico ou psicológico com o interlocutor. (como em ligações telefônicas, saudações, cumprimentos etc.);

tal função cria as condições básicas para que ocorra a interação verbal;

algumas marcas linguísticas: “Bom dia/tarde/noite”, “Oi”, “Olá”, “Fala…”, “E aí”, “Estou entendendo”, “Vamos lá?”, “Pronto”, “Atenção”, “Sei…”, “Fui”, “Valeu”, “Tchau” etc.

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Noções de Semiótica (ou Semiologia) e Linguística

Semiótica é a ciência geral dos signos, ou a arte dos sinais. É uma ciência que trata de todas as linguagens, a saber, quaisquer sinais usados pelo homem (ou não!) para representar algo interno ou externo, estabelecendo normalmente a comunicação. Assim, um cheiro, uma imagem, uma percepção, um movimento, um som, um sabor, ou todos esses elementos juntos que dizem respeito aos sentidos humanos (ou não!) colaboram para patentear a comunicação. Já a Linguística é mais específica, pois trata da linguagem humana, ou melhor, da língua. O dicionário Houaiss define bem esta ciência: “ciência que tem por objeto: (1) a linguagem humana em seus aspectos fonético, morfológico, sintático, semântico, social e psicológico; (2) as línguas consideradas como estrutura; (3) origem, desenvolvimento e evolução das línguas; (4) as divisões das línguas em grupos, por tipo de estrutura ou em famílias, consoante o critério seja tipológico ou genético”. Uma vez que a semiótica trata de signos (ou sinais) verbais ou não verbais, diz-se que eles (co)ocorrem em forma de ícone, índice ou símbolo. Vejamos:

1) O ícone é uma retratação de algo do mundo real ou imaginário. A sua foto 3X4, uma pintura de um vaso de flores, uma escultura de um homem famoso, um desenho de uma sereia etc. são signos icônicos, pois buscam representar de modo bem similar os elementos do externo universo humano. Sabemos, por exemplo, que determinada conversa que ouvimos ou lemos pertence a um casal de namorados, pois nela muitas palavras (e a entonação delas) aparentam a maneira comum de os casais se tratarem; daí, podemos afirmar que ocorre iconicidade neste trecho: Oi, amorzinho. Fala, nem. Como foi o seu dia? Ai, paixão, senti tanto a sua falta! Ah, calma, Ju, só faltam dois dias pra gente

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se ver. Sabe, Nando, eu sou louquinha por você! Você só é assim, porque… eu sou lindo! – Convenciiiido! 2) O índice (ou indício) é um signo que sugere, por inferência, um acontecimento, uma intenção etc. Ocorre a ideia de contiguidade nesse tipo de signo, pois ele é uma parte de um todo absorvido, anteriormente, pelo conhecimento de mundo. Um céu estrelado sugere sol no dia seguinte, uma buzinada sugere pedido de passagem, um lugar saindo fumaça sugere presença de fogo, uma fala irônica sugere desprezo por alguém, um simples clique (pela boca) sugere insatisfação, um sotaque sulista sugere a origem da pessoa etc. 3) O símbolo é, em geral, uma imagem que, por herança cultural ou não, serve para representar o abstrato pelo concreto. Uma caveira simboliza a morte ou o perigo, o preto simboliza o luto, nossa bandeira simboliza nossa nação, a pomba branca simboliza a paz, as letras dos alfabetos simbolizam sons ou ideias inteiras, uma aliança no dedo anelar esquerdo simboliza o casamento, a cruz simboliza o cristianismo etc.

Os signos são incontáveis e seus referentes idem. Vale dizer ainda que um mesmo signo pode, ao mesmo tempo, ser tomado como ícone, índice e símbolo; por exemplo, a imagem de um sapatinho na janela. É ícone, porque retrata um sapato na janela; é índice, porque sugere que o Papai Noel vai deixar um presente; é símbolo, porque representa (também) o Natal.