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1.

Orbitais e números quânticos


Orbital: zona do espaço com probabilidades de conter um electrão. Caracteriza-se por três números quânticos:
Número quântico Significado Valores
Nível de energia; tamanho.
Principal
Há orbitais em cada .
Forma (tipo) da orbital.
Há orbitais em cada .
Secundário
Tipo Forma
ou Inteiros de a
0 Esfera
de Momento Angular 1 Duplo lóbulo
2
Mais complexas
3
Magnético Orientação da orbital no espaço Inteiros de a
O electrão na orbital caracteriza-se com um número quântico adicional, de spin (que caracteriza o sentido da
rotação do electrão sobre si próprio: ou .

Energias das orbitais


Átomo monoelectrónico: orbitais do mesmo nível ( ) têm igual energia.
Átomo polielectrónico: para o mesmo valor de , a energia das orbitais varia segundo . (Note-se que todas as
orbitais , todas as e todas as têm a mesma energia: orbitais degeneradas.) A ordem de energia é
[ ] [ ] [ ] [ ]
O preenchimento das orbitais com electrões atende a três princípios:
 Princípio da Energia Mínima: em primeiro lugar preenche-se as orbitais menos energéticas.
 Princípio de Exclusão de Pauli: numa mesma orbital todos os electrões têm de ter números quânticos diferentes (ou seja,
só podem existir, no máximo, dois electrões com spins opostos por orbital).
 Regra de Hund: no preenchimento das orbitais degeneradas, distribui-se primeiro um electrão por orbital e só depois se
procede ao seu emparelhamento.

Efeito de blindagem
Os electrões mais internos repelem os restantes, pelo que eles não sentem o efeito de toda a carga nuclear , mas
apenas de uma carga nuclear efectiva .

2. A Tabela Periódica
Na Tabela Periódica, o número quântico principal aumenta ao longo dos grupos e a carga nuclear ao longo dos
períodos, justificando a variação de outras propriedades periódicas.
Excepções: nos metais de transição, o crómio e o cobre têm configurações electrónicas irregulares, porque existe maior
estabilidade quando a subcamada está semipreenchida ou completa ( ou ).
Propriedades periódicas No grupo No período
Afinidade electrónica: variação de energia quando um átomo neutro gasoso capta : aumento de : aumento de
um electrão. Caso se liberte energia, a A.E. é negativa e o anião é mais estável que o (o núcleo fica mais (maior atracção sobre
átomo — os halogéneos (grupo 17) têm altas afinidades electrónicas (valor muito distante do electrão o electrão a captar)
negativo). Já os gases nobres não têm tendência a captar electrões. a captar) Excepto grupos 2 e 18
Energia de primeira ionização: energia mínima necessária para remover um
electrão de um átomo de um elemento no estado fundamental e na fase gasosa. A : aumento de
(maior distância do : aumento de
energia de segunda ionização, , corresponde à energia necessária para remover
último electrão ao (maior atracção dos
um electrão a um ião monopositivo, e assim sucessivamente, tal que núcleo; menos electrões ao núcleo)
Há tantas quantos os electrões ( energias de remoção electrónica, para remover um atracção)
electrão específico, que são tantas quantos os subníveis de energia)
Raio atómico: no caso dos metais ou gases nobres, mede metade da distância entre : aumento de
núcleos de átomos vizinhos (raio de van der Waals); no caso dos não metais, mede : aumento de
(maior distância do
(contracção da nuvem
metade da distância entre núcleos de átomos unidos por uma ligação química (raio último electrão ao
electrónica)
covalente). núcleo)
Carácter metálico: maior quanto mais baixa for a energia de ionização e mais baixa
(menos negativa) for a A.E.
Excepção 1: , porque no boro o electrão mais externo pertence ao subnível , que é mais energético que o , sendo
portanto necessária menos energia para a remoção. O mesmo raciocínio aplica-se ao alumínio/magnésio.
Excepção 2: , porque no oxigénio existem electrões emparelhados na orbital , havendo maior repulsão entre os
electrões. O mesmo raciocínio aplica-se ao enxofre/fósforo.

Nos metais de transição, a mudança de propriedades é pequena (gradual), dado que as propriedades dependem
mais dos electrões da orbital que das orbitais , sendo estas as que estão em preenchimento ao longo do
período (porque os electrões mais externos se distribuem segundo ).

2. Metais
Historicamente, os metais têm tido tal importância que, a partir da Idade da Pedra, as diversas épocas temporais se
nomeiam de acordo com o metal mais usado numa determinada época. Houve, portanto, a Idade do Cobre
(maleável e de baixa dureza), Idade do Bronze (liga de estanho e cobre, duro), Idade do Ferro (mais duro) e a Idade
dos Novos Materiais (incluindo o aço, uma liga não oxidável de ferro e carbono, e também os polímeros e os
materiais compósitos). As reservas de metais são finitas, por isso a sua reciclagem é importante (diminui a extracção
dos minérios; diminui o consumo dos combustíveis fósseis (poupa energia), poupa água, cria emprego e recursos
económicos; diminui a poluição das áreas de exploração…)
Metal Algumas aplicações
Alumínio Pouco denso (aeronaves); pouca corrosão (folhas de Flandres); construção civil; utensílios domésticos
Ferro Muito duro; usado sob a forma de aço; indústria automóvel; construção civil; maquinaria; ferramentas
Cobre Muito condutor (cabos eléctricos; caldeiras…)
Zinco Bom condutor; componente de várias ligas; galvanização do ferro
Chumbo Eléctrodos para acumuladores de chumbo (baterias de automóveis); aditivo poluente da gasolina
Estanho Folha de Flandres; ligas metálicas.
Estrutura e propriedades dos metais
Ligação metálica: os electrões de valência, que estão fracamente ligados ao núcleo, podem mover-se facilmente no
cristal metálico. Não estão ligados a um determinado núcleo em particular (electrões livres), mas sim distribuídos
pelos diversos átomos sob a forma de uma nuvem de electrões ou gás electrónico. Portanto, os metais são
constituídos por cernes de catiões e electrões de valência sob a forma de nuvem eléctrica.
A ligação metálica leva à distribuição de átomos numa forma compacta, com arranjo sistemático e regular (estrutura
cristalina). Quanto mais electrões livres houver, e quanto maior for a carga nuclear, mais forte é a ligação metálica.
Propriedades dos metais
 Resistentes: a ligação metálica é forte.
 Maleáveis (dividem-se em lâminas) e dúcteis (estiram-se em fios): a ligação não é direccional; quando um catião se move,
a nuvem eléctrica ajusta-se rapidamente, assegurando-se que os átomos não se separam.
 Bons condutores: porque os electrões se podem mover através da rede cristalina.
 Brilhantes: ao serem atingidos por radiação, ocorre excitação, seguida de desexcitação e consequente emissão de luz.
 Baixas energias de ionização.

Ligas metálicas
As ligas metálicas são misturas sólidas que se obtêm por arrefecimento de um metal (geralmente de transição)
fundido com outro(s) elemento(s), metálico(s) ou não. A aparência é homogénea e os componentes não podem ser
separados por processos físicos. O metal em maior percentagem é o solvente e os restantes são os solutos.
 Ligas de substituição: os átomos do soluto substituem alguns átomos da estrutura regular do solvente.
 Ligas intersticiais: os átomos do soluto, mais pequenos, ocupam os espaços entre os átomos do solvente.
Ligas Aplicações
Aço Ferro + Carbono Baixo custo: indústria metalomecânica; construção
Ferrosas Aço Inoxidável: utensílios de cozinha; materiais de
Ferro + Crómio
inoxidável* construção
Leves, fáceis de deformar, resistentes à corrosão,
De alumínio
Ligas leves baratas
De magnésio, titânio e lítio Leves: indústria aeroespacial
Ligas de Cobre + Zinco (Latão) Resistentes: tubos metálicos; construção
Não-
cobre, Cobre + Estanho (Bronze) Moedas; utensílios; construção
ferrosas
níquel… Cobre + Níquel (Cuproníquel) Moedas
Puro (24 K) Lingotes
Ligas de
De lei (Quilates determinados pelo governo) Jóias; moedas
ouro
Branco (Ouro + Níquel) Jóias; medalhas
* A têmpera consiste em aquecer o aço e arrefecê-lo rapidamente, de forma a obter diferentes propriedades mecânicas.
Algumas ligas têm memória de forma. A baixas temperaturas podem-se deformar, retomando a forma original a alta
temperatura. Incluem as ligas de níquel-titânio, Nitinol, e usam-se para construção de aviões, agrafos para fracturas,
aparelhos para os dentes, válvulas e muitos outros fins.

3. Sólidos cristalinos
Cristais metálicos
Como vimos, a estrutura dos metais é uma rede cristalina em estrutura compacta, com ligação não direccional.

Cristais iónicos
Um sólido iónico é um agregado de catiões e aniões organizados de forma regular. A ligação iónica é muito forte.
 Quebradiços (frágeis): ao movimentar uma secção da rede cristalina (com uma pancada), entram em contacto iões com a
mesma carga, gerando-se repulsões e, como tal, rupturas.
 Maus condutores eléctricos: não têm cargas móveis, excepto quando estão fundidos ou em solução.
 Duros: dificilmente se deixam riscar.
Energia reticular ou : energia que é preciso fornecer a uma mole gasosa de cristal para separar os iões.
. Como é estável, quanto maior a energia reticular mais estável e duro o sal é. A
energia reticular é maior para iões pequenos com carga elevada (diminui ao longo do grupo, aumenta ao longo do
período ).
Ciclo de Born-Haber: usa-se para determinar a energia reticular.

Cristais covalentes
Estrutura em que os átomos estão unidos por uma ligação covalente. Por exemplo, o diamante (com estrutura
tetraédrica) que não tem electrões livres e por isso tem má condução; e a grafite (com estrutura em camadas
paralelas, deixando um electrão livre que a faz boa condutora). São maus condutores (a grafite é uma excepção), são
duros e quebradiços (por haver pouca mobilidade dos átomos relação uns aos outros) e têm altos pontos de fusão.

Cristais moleculares
A unidade que se repete na rede cristalina é um átomo ou uma molécula neutra. As ligações intermoleculares (ex.:
pontes de hidrogénio) são mais fracas que as covalentes, pelo que são moles, com baixo ponto de fusão. Como são
formados por átomos ou moléculas neutros, são maus condutores. São exemplos o gelo, o enxofre, o gelo seco…

4. Reacções redox
É uma reacção em que há transferência de electrões (ganho: redução; perda: oxidação). Na semi-reacção de
oxidação, o número de oxidação aumenta; na semi-reacção de redução, o número de oxidação diminui. Por vezes,
nas reacções de dismutação, o mesmo elemento é simultaneamente reduzido e oxidado.
O número de oxidação é o número de electrões que um átomo perderia ou ganharia se, na ligação covalente, os
electrões da ligação fossem transferidos para o átomo mais electronegativo. Nos números de oxidação, em geral, os
elementos do grupo 1 têm n.o.=1, os do grupo 2 têm n.o.=2, o hidrogénio tem n.o.=1 e o oxigénio tem n.o.= –2. Em
substâncias elementares, n.o.=0. Num ião, n.o.=carga. Numa molécula, n.o.=0.

Acerto de equações redox


1. Escrever as semi-reacções de oxidação e redução.
2. Acertar a massa de todos os elementos, excepto e , alterando os coeficientes estequiométricos.
3. Adicionar onde necessário até acertar a massa de .
Em meio
ácido

4. Adicionar onde necessário até acertar a massa de .


5. Acertar a carga, adicionando electrões a um dos membros de cada semi-reacção.
6. Multiplicar cada semi-reacção por um número para que fiquem com igual número de electrões.
7. Somar as semi-equações, simplificando (cortando) os termos semelhantes (electrões, , …)
8. Adicionar iões aos dois membros da equação, em número igual ao número de iões .
Em meio
básico

9. Cortar iões e para adicionar igual número de moléculas de .


10. Simplificar (cortar) a água nos dois membros da equação, se aplicável.

5. Pilhas electroquímicas
As pilhas electroquímicas ou células voltaicas produzem energia à custa de uma reacção redox. Nas pilhas
electroquímicas existem duas semi-pilhas: um cátodo, onde ocorre redução (captam-se electrões) e um ânodo,
onde ocorre oxidação (libertam-se electrões).
Na maioria das pilhas, cada semi-pilha é constituída por um
metal condutor (eléctrodo) mergulhado numa solução de um
dos seus sais. (Por exemplo, a pilha de Daniell tem uma semi-
pilha com uma barra de zinco mergulhada em solução de
e outra semi-pilha com uma barra de cobre mergulhada
em solução de .) Em cada semi-pilha vai ocorrer uma
semi-reacção. Na semi-pilha com menor tendência para se
reduzir (menor , potencial padrão de redução), neste caso a
de zinco, ocorre oxidação: . Os iões de
zinco juntam-se à solução envolvente e os electrões percorrem
um fio condutor que liga a barra de zinco (ânodo) à barra de
cobre (cátodo). Ao chegarem ao cátodo, reduzem-no: . Assim, a barra de zinco vai-se
tornando mais fina e a barra de cobre, mais espessa. Cria-se uma corrente eléctrica no fio condutor.
Contudo, à medida que se processa a semi-reacção de oxidação, e os iões positivos ( ) passam para a solução
envolvente (inicialmente electricamente neutra, ), esta vai-se tornando cada vez mais positiva. Da mesma
forma, à medida que se processa a semi-reacção de redução, os iões da solução vão recebendo electrões e
originam , pelo que a solução se vai tornando cada vez mais negativa. Esta assimetria impediria o fluxo
electrónico. Para evitar este inconveniente usa-se uma ponte salina (um tubo em forma de com um sal, por
exemplo , em que cada extremidade mergulha numa semi-pilha, de tal forma que os iões negativos ( )
neutralizam o ânodo e os iões positivos ( ) neutralizam o cátodo). A ponte salina pode ser substituída por uma
parede porosa que, por difusão simples, deixa atravessar iões da solução de para a de .

Eléctrodos inertes
Nalgumas semi-pilhas, a reacção de oxidação ou redução não envolve um metal mas sim dois iões em solução (ex: a
reacção ). Neste caso é necessária a presença de um condutor eléctrico (eléctrodo
inerte: platina, ouro ou grafite) que não participa na reacção, mas funciona como superfície para a ocorrência da
mesma e para conduzir os electrões ao fio condutor.
Outras semi-pilhas em que é necessário um eléctrodo inerte são aquelas em que ocorre oxidação ou redução de um
gás em solução (ex: ou ). Nestas semi-pilhas, faz-se borbulhar o
gás sobre a superfície do metal inerte, o qual está mergulhado numa solução contendo iões desse elemento.

Diagrama de pilha
As pilhas representam-se com uma notação simplificada. A pilha de Daniell, por exemplo, representa-se:
||
Ânodo Ponte salina Cátodo
O símbolo “|” representa a interface de separação sólido/líquido (no caso dos eléctrodos inertes, visto que estão
presentes duas espécies aquosas, estas separam-se por vírgula. Ex: ).

Força electromotriz de uma pilha


O fluxo de electrões deve-se a uma diferença de potencial entre os eléctrodos. A d.d.p. máxima obtida por uma
pilha é a força electromotriz ( ), que se mede usando um voltímetro ligado ao fio condutor.

Potencial padrão de redução


A tendência para uma espécie se reduzir é o potencial normal (ou padrão) de redução ,
simétrico do potencial normal de oxidação . Diz-se padrão por se aplicar nas condições-
padrão (concentração das soluções: 1 M; pressão dos gases: 1 atm; temperatura: 25 ).
.
Para medir o potencial de eléctrodo, usa-se uma pilha em que um dos eléctrodos seja o eléctrodo
de referência, que é o de hidrogénio ( ). O eléctrodo padrão de hidrogénio é uma
placa de platina mergulhada numa solução aquosa de iões a 1 M, sobre a qual se borbulha
hidrogénio a 1 atm.
O eléctrodo cujo potencial se pretende determinar é um dos pólos, enquanto o outro pólo é o
eléctrodo de referência. O valor lido no voltímetro corresponde ao potencial padrão da espécie: se
for positivo, a espécie reduz-se; se for negativo, oxida-se.
O p.n.r. pode consultar-se numa série electroquímica (ao lado). Note-se que quanto maior é o
poder oxidante de um ião, menor o poder redutor do metal conjugado.
Se o p.n.r. da espécie que se reduz for maior na reacção directa que na inversa, a reacção é espontânea.

Equação de Nernst
 . é o número de electrões transferidos na equação redox.
o ; (reacção não espontânea).
Podemos calcular a f.e.m. da pilha em condições não padrão ( ) com a equação de Nernst:
 .
o A f.e.m vai diminuindo à medida que a reacção prossegue até ao equilíbrio, , em que .
Assim, é possível construir uma célula a partir de duas semi-células construídas pelo mesmo material, mas com
diferentes concentrações de iões em solução (pilhas de concentração). Basta saber que, pelo princípio de Le
Châtelier, a redução ocorre na semi-pilha com maior concentração de iões em solução.

Tipos de pilhas
As pilhas do dia-a-dia são:

Vantagens: baixo custo, não


O ânodo de zinco é o recipiente; o toxicidade.
cátodo é uma barra de grafite (inerte).
Seca (de Uma pasta húmida funciona como
Lenclaché) electrólito. Na reacção, liberta-se gás
que se acumula. A f.e.m. de 1,5 V vai
diminuindo com o uso. Desvantagens: não reciclável, vida útil
curta, não recarregável.

Vantagens: maior rendimento, tensão


constante (1,5 V)
Versão melhorada da pilha seca. O
ânodo é de Zinco e o cátodo é de
Alcalina
MnO2 com um eléctrodo de grafite. O
electrólito é alcalino.
Desvantagens: mais cara, não
recarregável.
Pilhas
primárias
Vantagens: tamanho reduzido, tensão
constante (1,35 V), maior duração,
O ânodo é uma amálgama de zinco e capacidade elevada
mercúrio, o cátodo é uma pasta de
De Mercúrio óxido de mercúrio (II) e o electrólito é
uma pasta. O recipiente é de aço
inoxidável. Desvantagens: muito poluente, cara,
não recarregável.

Vantagens: baixa intensidade, elevada


Pilha no estado sólido. O ânodo é o resistência, leve, elevada duração, não
lítio metálico e o cátodo é um emite gases.
complexo de iodo. Estão separados
Lítio e iodo
por uma camada cristalina de iodeto
de lítio; a corrente passa por esta por
difusão de iões Lítio. Desvantagens: não é recarregável.

Seis pilhas idênticas ligadas em série,


Ligadas a uma fonte de corrente cada uma com uma tensão de 2 V. O
Pilhas Acumulador eléctrica, a reacção espontânea reverte- ânodo de cada pilha é uma grelha de
secundárias de chumbo se. Consome-se ácido sulfúrico, pelo que uma liga de chumbo, o cátodo é uma
(acumuladores) (bateria) a concentração do mesmo vai grelha de chumbo com dióxido de
diminuindo. chumbo. O electrólito é uma solução
de ácido sulfúrico.

Vantagens: mais eficiente que


reacções de combustão por não haver
Os eléctrodos inertes são carbono perdas por calor; funcionamento
poroso ou platina. O electrólito é contínuo; só produz H2O; leve.
Pilhas de Hidrogénio-
hidróxido de potássio. Baseia-se na
combustível oxigénio
reacção de formação da água a partir Desvantagem: não armazena energia;
de hidrogénio e oxigénio. reagentes devem ser continuamente
renovados e produtos removidos;
elevado custo.
Corrosão e pilhas locais
A corrosão é uma oxidação não desejável de um metal. Um exemplo de corrosão húmida é a formação de ferrugem
sobre o ferro ( ). Neste tipo de corrosão aparecem zonas
anódicas e zonas catódicas (devido a diferentes concentrações de agente oxidante (oxigénio à superfície do metal)
ou devido à presença de outro metal), formando-se uma pilha local.
Por exemplo, quando uma gota de água entra em contacto com a superfície do metal (ânodo), dá-se uma semi-
reacção de oxidação ( ). Os electrões vão deslocar-se até uma zona menos central da gota
(cátodo), onde haja maior quantidade de oxigénio dissolvido na água, e dá-se a redução (
). Os iões deslocam-se para fora, a partir do centro, e os iões para dentro; os dois iões
reagem, precipitando hidróxido de ferro (II): , que é oxidado pelo oxigénio,
originando a ferrugem: . Assim, no ânodo, o ferro ioniza-se, originando buracos, e no cátodo deposita-
se ferrugem. A formação de ferrugem é acelerada na presença de substâncias ácidas ou em ambientes salinos.
Repare-se que o oxigénio em solução aquosa pode oxidar o ferro, mas água sem oxigénio e com pH igual a 7 tem
pouca tendência a oxidar o ferro.
A corrosão pode ser evitada com métodos de protecção:
 Camada protectora (Pintura, plastificação, polímeros orgânicos…)
 Filme protector de óxidos (O metal é intencionalmente oxidado, para que se forme uma camada protectora
fina, aderente ao óxido — passivação do metal)
 Recobrir o metal com uma camada de um metal mais facilmente oxidável (como a galvanização, com zinco)
 Protecção catódica (Pôr em contacto com o ferro um metal mais oxidável — ânodo de sacrifício —, que cria
uma pilha em que o ferro funciona como cátodo. Assim, o metal oxida-se em vez do ferro. Usado em
canalizações, com magnésio.)

6. Dos minerais aos materiais metálicos


Mineral: substância natural cuja composição varia entre limites bem definidos.
Minério: depósito mineral suficientemente concentrado para rentabilizar economicamente a extracção.
Inicialmente, a atmosfera primitiva não continha oxigénio, pelo que alguns metais reagiam com os componentes
dessa atmosfera, como, por exemplo, o enxofre, originando sulfuretos. Os minerais que contêm oxigénio, como, por
exemplo, os óxidos, formaram-se depois do aparecimento do oxigénio na atmosfera.
A maioria dos metais aparece na Natureza como carbonatos, sulfuretos, halogenetos, óxidos, silicatos e fosfatos.

Exploração mineira
A actividade mineira inclui:
 Extracção mecânica dos minérios (escavações, poços a céu aberto ou galerias subterrâneas);
 Tratamento dos minérios;
 Remoção dos componentes estéreis dos materiais extraídos.
A exploração inclui diversos impactos ambientais, como lixiviação e metais tóxicos, rasgamento de colinas,
alterações na vegetação, extermínio de espécies, contaminação de lençóis de água e, após a extracção, uso de
cianeto e ácido sulfúrico, libertação de óxidos de enxofre e acumulação de ganga (ou estéril). Há ainda perigos de
segurança, como falta de ventilação e desmoronamentos.
Metal Mineral e ocorrência
Magnésio ( ) Dolomite: ; Magnesite:
Alumino-silicatos: argilas, micas e feldspatos
Alumínio ( )
Bauxite:
Crómio ( ) Cromite:
Zinco ( ) Zincite: ; Calamina: ; Blenda:
Ferro ( ) Hematite: ; Magnetite: ; Limonite: ; Pirite: ; Siderite:
Sulfuretos e óxidos, como:
Cobre ( )
Calcosite: ; Calcopirite: ; Cuprite: ; Malaquite:
Prata ( ) Como elemento não combinado; argentite:
Estanho ( ) Cassiterite:
Mercúrio ( ) Cinábrio:
Chumbo ( ) Galena:
Metalurgia
A metalurgia visa diversos passos:
 Pré-tratamento:
o A ganga ou estéril (parte menos valiosa do minério) é removida. Para isto, recorre-se
frequentemente ao processo de flutuação, em que o minério é finamente moído e misturado com
água contendo gordura e detergente. A mistura líquida é agitada, formando espuma. A gordura
envolve as partículas de mineral, que vão sobrenadando na espuma, e a ganga deposita-se no fundo.
 Obtenção de metal:
o Obtenção de óxidos metálicos:
 Ustulação: aquecimento do material a uma temperatura inferior ao seu ponto de fusão,
normalmente na presença de ar. Assim, os sulfuretos são transformados em óxidos
metálicos.
 Calcinação: por aquecimento. Utilizado para obter óxido de calcário.
o Dado que os metais têm números de oxidação positivos, o processo de obtenção do metal livre é um
processo de redução química. Como redutor, usa-se o carvão, o carbono ou o hidrogénio (tem que
se usar um metal com maior poder redutor, ou seja, colocado na série a electroquímica abaixo do
metal correspondente ao ião).
o O ferro é o metal produzido em maior escala. Introduz-se num alto-forno, por cima, uma carga de
minério ( ou ), carvão e calcário ( ). Por baixo, introduz-se ar quente que sobe. O
oxigénio reage com o carbono do carvão para formar , que funciona como agente redutor,
levando à formação de ferro fundido. O calcário, devido às elevadas temperaturas, decompõe-se
originando e , o qual se combina com as impurezas do minério, formando a escória (líquida
à temperatura do forno).
 Purificação.

A electrólise na metalurgia
Os metais que estão abaixo do carbono na série electroquímica, como o alumínio e o sódio, podem ser obtidos por
electrólise, uma técnica em que se utiliza uma reacção redox não espontânea, provocada utilizando energia
eléctrica.
Para se realizar uma electrólise usa-se uma célula electroquímica com dois eléctrodos mergulhados num electrólito.
A corrente eléctrica é fornecida por uma fonte externa (bateria ligada aos dois eléctricos) e força a reacção não
espontânea a ocorrer, como uma «bomba de electrões» que retira electrões ao eléctrodo positivo e os encaminha
para o eléctrodo negativo. Assim, nestas células:
 Cátodo: eléctrodo negativo onde se dá a redução.
 Ânodo: eléctrodo positivo onde se dá a oxidação.
 Os electrões, tal como nas pilhas galvânicas, saem pelo ânodo e entram pelo cátodo.
A fonte externa tem de gerar uma diferença de potencial maior do que a que seria produzida pela reacção inversa
espontânea. A tensão adicional chama-se sobretensão e é necessária para que a reacção não espontânea atinja uma
velocidade significativa.
Electrólise de sais fundidos
Para o cloreto de sólido fundido existem, no líquido, os iões e . Os aniões dirigem-se para o
eléctrodo positivo (ânodo), onde ocorre a oxidação (liberta-se ). Por sua vez, os catiões dirigem-se para o
eléctrodo negativo (cátodo), onde ocorre a redução (deposita-se ).
Comercialmente, esta electrólise é usada para obter sódio metálico, na célula de Downs.
Electrólise de soluções aquosas
No caso das soluções aquosas, há mais do que uma espécie que pode ser oxidada ou reduzida. É preciso ter em
conta a possibilidade da participação da água em uma ou nas duas reacções do eléctrodo. A espécie que tem maior
p.n.r. é a espécie reduzida.
Para saber que reacção ocorre no ânodo, deve-se comparar o da água com da espécie. Para saber que reacção
ocorre no cátodo, deve-se comparar os da água e da espécie.
As reacções de redução e oxidação da água são:
 Redução:
 Oxidação:
Electrólise da água
Uma célula electrolítica composta por dois eléctrodos inertes imersos em água, com adição de ácido sulfúrico para
aumentar a condutividade eléctrica, pode forçar a água a sofrer electrólise. As reacções que ocorrem são:
 Ânodo (oxidação):
 Cátodo (redução):
 Equação global:
Electrólise de uma solução aquosa de cloreto de sólido
No cátodo, pode ocorrer redução da água ou do . Visto que o valor de da água é superior ao dos iões
, a água sofre redução, libertando-se .
No ânodo, pode ocorrer oxidação da água ou do . Visto que o da água é superior ao dos iões , seria
de esperar que a água sofresse oxidação. No entanto, constata-se que é o cloro gasoso que se obtém e não o
oxigénio, porque a sobretensão para a obtenção de oxigénio é muito elevada. Ocorrem portanto as reacções:
 Ânodo (oxidação):
 Cátodo (redução):
 Equação global:
Obtenção de metais por electrólise
A redução dos óxidos metálicos pelo carbono não é possível para os metais colocados abaixo deste elemento na
série electroquímica, como o alumínio (o elemento metálico mais abundante da crosta terrestre).
A fonte comercial do alumínio é a bauxite ( ). Misturando-a com criolite ( ) obtém-se uma
mistura que funde a uma temperatura relativamente baixa. Para obter alumínio usa-se o processo de Hall: a mistura
é electrolisada com um conjunto de ânodos e um cátodo, ambos de carbono. O alumínio fundido deposita-se no
cátodo e no ânodo forma-se oxigénio.
Purificação de metais por electrólise
Refinação electrolítica do cobre
A electro-refinação é um processo de refinação de metais, como o cobre. Usa-se um ânodo de cobre impuro
(impurezas: platina, prata, ferro, ouro, zinco…) e um cátodo de cobre puro, mergulhados numa solução de sulfato de
cobre (II).
 No ânodo, o cobre é oxidado a
 No cátodo, os iões são reduzidos a
Os metais mais facilmente oxidáveis ( ) oxidam-se, resultando iões que abandonam o ânodo; contudo,
destes, apenas o se reduz e deposita no cátodo, porque os restantes são mais difíceis de reduzir. Já os metais
como prata, ouro e platina não se oxidam facilmente: depositam-se no fundo da cela formando a «lama anódica».
Assim, no cátodo, deposita-se cobre puro.
Galvanostegia
Este processo consiste na deposição, por electrólise, de um filme metálico fino na superfície de um objecto metálico
(cátodo), protegendo-o da corrosão ou melhorando o seu aspecto.
Electrogalvanização
Consiste em depositar uma fina película de zinco sobre o aço, por electrodeposição, colocando a peça (cátodo da
célula electrolítica) num banho de sais de zinco.

7. Reacções ácido-base
De acordo com a teoria protónica de Brønsted–Lowry:
 Ácido: cede protões a uma base. Em solução aquosa, provoca aumento da [ ].
o Ex.:
 Base: capta protões de um ácido. Em solução aquosa, provoca aumento da [ ].
o Ex.:

Força dos ácidos e das bases


Um ácido ou base diz-se forte se a sua reacção com a água é completa. As reacções em solução aquosa dos ácidos
ou bases fracos provocam um equilíbrio, havendo dois pares ácido-base conjugados (diferem em um protão).
Tipo de par conjugado Exemplos
Ácido forte / Base muito fraca (ião neutro)
Ácido fraco / Base fraca
Ácido muito fraco (ião neutro) / Base forte
* A espécie , embora seja base conjugada do , é ácido conjugado do
[ ]
A força relativa de um ácido ou base é medida pela sua constante de acidez/basicidade [ ]
.
A água é anfotérica (pode funcionar como ácido e como base) pelo que sofre auto-ionização:
. A uma dada temperatura, o produto iónico da água ( [ ][ ]) é constante
(sendo a ), embora as concentrações de e variem. Na água pura ou em solução aquosa
neutra, [ ] [ ]. .

Dissociação é a separação dos iões de um soluto iónico (ex.: ) e é sempre uma reacção
completa. Ionização é a formação e separação dos iões de um soluto polar (ex.:
).
O grau de ionização é (n.º de moles/moléculas ionizadas n.º de moles/moléculas dissolvidas). Em compostos iónicos, o
grau de dissociação é .
Exemplo:

Se , podemos considerar
.
Um maior equivale a um ácido ou base mais forte, porque .

Ácidos e das bases na Tabela Periódica


 Não-metais têm óxidos acídicos (ex.: ).
 Metais representativos têm óxidos básicos (ex.: ).
 Metais de transição têm óxidos anfotéricos.

Soluções de sais
Os iões resultante da dissociação dos sais podem reagir com a água, comportando-se como ácidos, bases ou
espécies neutras. Um ácido ou base muito fraco (conjugado de uma base ou ácido forte) não contribui para a acidez
ou basicidade da solução aquosa. Desta forma, verificam-se as seguintes possibilidades:
Sal
Exemplo Solução aquosa
Anião (geralmente ácido) Catião (geralmente base)
Conj. base forte (neutro) Conj. ácido forte (neutro) Neutra (nada reage).
Conj. base fraca (ácido) Conj. ácido forte (neutro) Ácida ( reage com a água).
Conj. base forte (neutro) Conj. ácido fraco (básico) Básica ( reage com a água).
Se do catião do anião Ácida.
Conj. base fraca (ácido) Conj. ácido fraco (básico)
Se do catião do anião Básica.
Conj. ácido forte (neutro) Pequeno, de grande carga Ácida ( hidratado reage com a água).
[ ] [ ]

Cálculo do pH de soluções de sais


Para calcular o pH de soluções de sais é necessário primeiro considerar a dissociação do sal para saber que iões vão
reagir com a água de acordo com as regras da tabela acima.
Exemplo:
Cálculo do pH de uma solução , dado :
1) Dissociação (sempre uma reacção completa):

Verificar quais dos iões vão sofrer hidrólise. Como é conjugado de um ácido forte não reage (ver tabela acima), mas reage
por ser um ácido forte.
Calcular a : .
2) Hidrólise:

* .
Aproximação válida.
.

Soluções mistura
Cálculo do pH da mistura de um ácido forte com uma base forte
1. Escrever as reacções de dissociação ou ionização. [ ]e[ ] vão ser iguais, respectivamente, a [ ]
e[ ] porque a dissolução e a ionização são reacções completas.
2. Verificar qual dos dois iões ou tem maior quantidade e fazer a subtracção para saber o excesso.
Usar o valor da quantidade em excesso para saber a concentração do ião em excesso.
3. Sabida a [ ] ou [ ] , calcular o ou o .
Cálculo do pH da mistura de um ácido forte com uma base fraca ou de uma base forte com um
ácido fraco
Se as concentrações forem semelhantes, a contribuição de ácido/base fraco para a concentração de / é
desprezável.
Cálculo do pH da mistura de um ácido fraco com a sua base conjugada
O pH da solução ácida aumenta.
Exemplo:
Temos uma solução ácida: .
Adicionamos .
Calcular as concentrações do ácido ( ) e da base ( ) na mistura (i.e. com o volume resultante da soma dos dois
volumes). Chamemos a estas concentrações e

. .

Cálculo do pH da mistura de uma base fraca com o seu ácido conjugado


O pH da solução básica diminui. Prosseguir como no caso anterior.
Exemplo:
Adicionamos a . .
e : concentrações do ácido e da base na mistura.

. . .
Soluções tampão
Solução tampão é uma solução que resiste a variações de quando se adicionam pequenas quantidades de ácido
ou base.
 Ácidos fortes
 Bases fortes
 Soluções de ácido fraco com a sua base conjugada (ex.: e ).
o Adiciona-se ácido: reagem com a base conjugada de reserva.
o Adiciona-se base: reagem com o ácido que ainda não está ionizado.
 Soluções de base fraca com o seu ácido conjugado (ex.: e ).
o Adiciona-se ácido: reagem com a base que ainda não está ionizada.
o Adiciona-se base: reagem com o ácido conjugado de reserva.
Equação de Henderson–Hasselbalch
[ ]
Numa solução tampão, .
[ ]
Exemplo:
Dada a solução tampão , adiciona-se de . Assim, de vão reagir com o
, segundo a reacção . A concentração de ácido diminui em e a concentração da
base aumenta em 0,1. Aplicando a equação de Henderson–Hasselbalch, verifica-se que houve pouca variação de pH.

Titulações ácido-base
Numa titulação ácido-base determina-se a concentração de um ácido (titulado), fazendo-o reagir com uma base de
concentração conhecida (titulante), ou a concentração de uma base (titulado), fazendo-a reagir com um ácido de
concentração conhecida (titulante).
O ponto de equivalência atinge-se quando o titulado e o titulante estão nas proporções estequiométricas. No caso
particular da reacção entre um monoácido e uma monobase, isto ocorre quando .
À medida que se adiciona titulante ao titulado, o deste vai variando. Perto do ponto de equivalência há uma
variação brusca de , o que permite a sua detecção usando um indicador ácido-base (cuja zona de viragem —
intervalo em que coexistem as cores da forma ácida e da forma básica — contenha o ponto de equivalência). Chama-
se ponto final da titulação à altura em que o indicador muda de cor.
Ácido
Fraco Forte
Base
Fraca no ponto de equivalência no ponto de equivalência

no ponto de equivalência no ponto de equivalência

Exemplo: Exemplo:
Adiciona-se a de .. Adiciona-se a de ..

Forte Cálculo do antes de começar a titulação: Cálculo do antes de começar a titulação:

[ ] [ ]

Cálculo do após adicionar de :


[ ]
[ ] ( adicionado)

Cálculo do após adicionar de : [ ] ( inicial)


Obtém-se uma solução tampão.
[ ] [ ]

[ ] Cálculo do no ponto de equivalência:


. No p.e. . Visto que é
[ ]
neutro, o a é .
Cálculo do no p.e., após adicionar de :
No p.e. . Visto Cálculo do após adicionar de :
que o é conjugado de uma base forte, não reage. [ ] ( adicionado)
Contudo reage, pois é uma base fraca:
[ ] ( inicial)

[ ] [ ]
. .
Destaca-se o efeito de um sistema tampão numa titulação de uma base diprótica fraca ( em solução de
) por um ácido monoprótico forte ( ):
 Quando se começa a adicionar à solução de , ocorre a reacção completa:
. Durante esta reacção existe em solução uma mistura de e ,
o que justifica a pequena variação de nessa zona. No final da reacção acontece o primeiro ponto de
equivalência.
 À medida que se continua a adicionar ácido, este reage com o ião formado no ponto anterior,
ocorrendo a reacção completa: . Durante esta reacção
existe em solução uma mistura de e . No final da reacção acontece o segundo ponto de
equivalência.
É portanto uma titulação com duas regiões tampão e dois pontos de equivalência, em que o volume de ácido
utilizado para atingir o segundo ponto de equivalência é duas vezes superior ao volume gasto para atingir o primeiro.

8. Iões complexos
Ligação covalente de coordenação/dativa
As ligações covalentes comuns formam-se emparelhando um electrão de uma espécie com um electrão de outra. No
entanto, as ligações covalentes de coordenação ou dativas, têm dois electrões provenientes de um único átomo.
Assim, mesmo moléculas com poucos electrões podem satisfazer a regra do octeto: uma vez formada, esta ligação
não é diferente das outras.

Ácidos e bases de Lewis


No conceito protónico de Brønsted–Lowry, uma reacção ácido-base corresponde a uma transferência de protões.
Contudo, há reacções de ácido-base que não se enquadram nesse modelo. Assim, G. N. Lewis definiu uma nova
teoria, electrónica: a reacção ácido-base é a formação de uma ligação covalente coordenada.
Arrhenius Brønsted–Lowry Lewis
Ácido Forma iões em água Dador de protões Receptor de um par de electrões
Base Forma iões em água Receptor de protões Ligando: dador de um par de electrões
Reacção Formação de água: Transferência protónica: Formação de uma ligação covalente coordenada:
ácido-base
Só aplicável em soluções Só aplicável a reacções de transferência
Limitações Teoria mais geral
aquosas de protões

Exemplos:

Ácido Base Base Ácido Base Ácido


Iões complexos e compostos de coordenação
As maioria das reacções de ácido-base ocorre porque as orbitais vazias de uma espécie são preenchidas por pares de
electrões de outra.
Os iões metálicos são ácidos, porque, em solução, tendem a formar ligações covalentes dativas. Isto porque contêm
orbitais de valência vazias. Assim, os catiões de metais de transição em compostos são ácidos de Lewis capazes de
formar ligações com bases de Lewis (ligandos), que são moléculas neutras ou aniões, porque precisam de ter um
par de electrões não partilhados que possa ser doado a uma orbital vazia do catião metálico.
 Ião complexo: ião metálico (que funciona como ácido) ligado covalentemente a moléculas neutras ou iões.
Ex.: [ ]
 Complexo ou composto de coordenação: composto formado por iões complexos e outros iões de carga
oposta. O resultado é, portanto, electricamente neutro. Ex.: [ ]

Números de coordenação, forma dos iões complexos e tipos de ligandos


Ao átomo do ligando que se encontra directamente ligado ao átomo metálico chama-se átomo doador.
Dependendo do número de átomos doadores que possuam, os ligandos podem ser classificados como
monodentados, bidentados ou polidentados (ligandos quelantes/quelandos). A molécula etilenodiamina (en) é um
ligando bidentado que se liga ao átomo de metal por dois átomos de doadores, localizados nas extremidades da
molécula e possuindo pares de electrões isolados. O oxalato ( ) também é bidentado.
Define-se número de coordenação nos compostos de coordenação como o número de átomos que rodeiam o
átomo central metálico num ião complexo, ou o número de ligações ao átomo central. Ex.: em [ ] é 2. Os
números mais comuns são 2, 4 e 6. Repare-se que o número de coordenação será superior ao número de ligandos se
existirem ligandos bidentados (ex.: [ ] tem 3 ligandos e número de coordenação 6.)
A geometria dos iões complexos depende dos números de coordenação:
Número de coordenação 2 4 6
Tetraédrica (pequeno átomo central)
Geometria Linear Octaédrica
Quadrangular plana (maior átomo central)
Nomenclatura dos compostos de coordenação
Nomes de ligandos mais comuns: : aquo; : amino; : nitrosilo; : carbonilo; :
etilenodiamina (en) (bidentado)
Nomes de ligandos aniónicos mais comuns (terminados em –o): : bromo; : cloro; : oxo; :
carbonato; : ciano; : hidroxo; nitrito; sulfato; : tiocianato; : oxalato (bidentado)
Nomenclatura dos iões complexos: Ião [Prefixo grego (índice inferior direito) + Ligando] + [Prefixo grego (índice
inferior direito) + Ligando] (ordem alfabética dos ligandos, ignorando o prefixo) + … + Metal + -ato (se for um anião) +
Número de oxidação do metal, romano, entre parênteses.
 [ ] — Ião tetraaminodiclorocobalto (III)
 [ ] — Ião hexacianoferrato (II)
 [ ] — Ião diclorobis-etilenodiaminocobalto (III)
Nomenclatura dos compostos de coordenação: Anião + de + Catião
 [ ] — Cloreto de hexaminocobalto (III)
 [ ] — Hexacianoferrato (II) de potássio

Os iões complexos e o equilíbrio químico


A tendência de um ião complexo para se formar mede-se pela respectiva constante de formação (constante de
equilíbrio da reacção de complexação). Para a formação do ião complexo [ ] :
|[ ] |
[ ] , . Quanto maior for a constante de formação, mais estável é o ião complexo.
[ ] [ ]

Solubilidade dos sais


A solubilidade dos sais é a concentração máxima de um composto que é possível dissolver a dada temperatura.
 Solução saturada: quando se dissolveu a quantidade máxima possível.
 Solução insaturada: quando a quantidade de soluto dissolvida é inferior à máxima.
 Solução sobressaturada: quando a quantidade de soluto dissolvida é superior à máxima, o que se consegue
elevando a temperatura, deixando a solução em repouso e permitindo que regresse à temperatura
ambiente.
O equilíbrio de solubilidade ocorre quando temos uma solução saturada com precipitado (sistema heterogéneo):

[ ] [ ] . [ ] [ ]
O equilíbrio de solubilidade pode ser afectado pela formação de complexos. Por exemplo, considere-se o equilíbrio
. A adição de uma solução aquosa de amoníaco originará o complexo
[ ] , diminuindo a concentração de (o que desloca o equilíbrio no sentido directo, aumentando a
solubilidade).
Nestes casos, a solubilidade calcula-se através da constante de equilíbrio da reacção global ( ). A
reacção global numa solução aquosa em é [ ] . A
[ ] |[ ] |
concentração em equilíbrio do é( )e [ ]
.

A importância dos compostos de coordenação


Nos seres vivos
Complexo derivado da porfirina e do ferro (II), com 6 ligandos, ou ferroporfirina. Está presente na
Grupo hemo hemoglobina (leva o oxigénio para a mioglobina) e nos citocromos.
O ferro pode estar ligado a oxigénio, água (sangue venoso, azul) ou CO (tóxico).
Aplicações
Para remover os minérios de prata ou ouro em baixas concentrações, são tratados com uma
Metalurgia solução aquosa de cianeto, formando-se um complexo solúvel, que é então separado dos outros
metais por filtração e tratado com um metal mais oxidável.
Medicina EDTA usado para tratar intoxicações pelo chumbo e cancro
O ferro de que as plantas necessitam é fornecido pelo solo sob a forma de um complexo solúvel
Crescimento de plantas
em água.
Conservação de alimentos O EDTA liga-se aos iões metálicos que catalizam a deterioração dos alimentos, evitando-a.
2+ 2+
Análise química O EDTA é usado na titulação de iões pelos quais possui grande afinidade (Ca , Mg …)
2+
Nas águas duras, os iões Ca dificultam a dissolução do sabão. Um agente quelante presente
Detergentes
nos detergentes forma complexos com esses iões.

9. O espectro da luz visível e a cor


A cor de uma amostra depende da absorção selectiva das radiações do espectro visível (entre o violeta 400 nm e o
vermelho 700 nm). A cor de uma espécie é a cor da luz que não é absorvida (ou seja, que é reflectida ou
transmitida).
O conjunto de todos os comprimentos de onda é a luz branca. Quando se retira uma cor do
espectro (por absorção), o conjunto de todas as outras cores (reflectidas) origina a sua cor
complementar. Assim, a cada cor primária (vermelho, verde e azul) corresponde uma cor
secundária complementar (respectivamente, cyan, magenta e amarelo).
A absorção de luz por uma molécula corresponde à excitação dos electrões. A cor é o resultado das transições dos
electrões entre alguns níveis de energia electrónica, segundo a relação da equação de Planck–Einstein:
(em que é a energia de um fotão, é o número de fotões incidentes, é a constante de Planck e é a frequência).
Para que ocorra uma transição electrónica entre dois níveis de energia, a energia da radiação deve ser igual à
diferença de energia entre os dois níveis.
Os espectros de absorção são obtidos usando aparelhos chamados espectrómetros ou, no caso do visível/UV,
espectrofotómetros:
A radiação policromática difusa emitida pela fonte passa por uma
fenda que transforma a luz num feixe. Este feixe, ao passar por um
prisma rotativo, é decomposto nas diferentes radiações
policromáticas. Um monocromador permite obter um feixe de
radiação de comprimento de onda bem determinado (de
intensidade , que atravessa uma célula contendo a amostra (de
espessura e concentração ). Desta luz incidente, alguma é
absorvida; a luz transmitida tem intensidade e passa por um detector e por um amplificador que devolve o
espectro daquela luz.
Absorvância: ; pela lei de Lambert–Beer: (em que é, para um dado comprimento de onda, a
constante coeficiente de absorção molar ou absortividade molar). Normalmente, não se usa esta expressão para
calcular a concentração das soluções em estudo. É mais comum construir um gráfico da absorvância em função da
concentração a partir de um conjunto de soluções-padrão (ou seja, com concentrações conhecidas) na espécie em
estudo. O gráfico resultante é uma recta de calibração, que passa pela origem. Contudo, em soluções concentradas
( a lei de Lambert–Beer deixa de ser válida; a proporcionalidade entre a absorvância e a concentração
deixa de existir quando .

As cores dos complexos


Os complexos são compostos muito corados. A explicação para isto é que os electrões são excitados de uma orbital
para outra orbital com uma energia superior. Como as diferenças de energia entre orbitais são muito
pequenas, a luz visível fornece energia suficiente para as transições.
Mas como se explica que as orbitais possam ter energia diferente? Deve-se à interacção eléctrica entre os ligandos
e o ião metálico. Quanto maior a carga do ião metálico, maior a atracção entre o mesmo e os ligandos. Ao mesmo
tempo, os ligandos repelem-se entre si.

10. Os metais
Os metais no organismo humano
A água constitui quase toda a massa do corpo, pelo que e são os elementos mais abundantes. Outros elementos
essenciais à vida incluem nove metais de transição:
Elemento Funções
Ferro, Fe Metal de transição em maior quantidade. Componente da hemoglobina e da mioglobina.
Iodo, I Enzimas oxidantes para a produção de hormonas da tiróide
Zinco, Zn Presente em enzimas e na insulina
Cobre, Cu Enzimas oxidantes; produção de hemoglobina
Manganês, Mn Formação de enzimas; ossos; fotossíntese
Cobalto, Co Componente da vitamina B12
Molibdénio, Mo Formação de enzimas e proteínas
Selénio, Se Formação de enzimas
Crómio, Cr Metabolismo da glucose
A toxicidade dos metais
Metal Perigos
Forma compostos tóxicos (potencialmente mortais) se ingeridos ou inalados (o risco de inalação aumenta em
Chumbo zonas de fundição e refinação, onde se libertam gases). Acumula-se no esqueleto e interfere com as enzimas que
permitem a síntese da hemoglobina. Fontes poluentes incluem a queima das gasolinas e algumas tintas.
Elevada toxicidade; veneno cumulativo. Entra na cadeia alimentar através dos seres aquáticos que o consomem
Mercúrio quando é lançado aos rios e oceanos pelas indústrias. Na exploração do ouro utiliza-se mercúrio evaporado, que é
inalado, provocando vertigens, tremores e danos no sistema nervoso.
Cobre Encontrado em águas próximas das explorações mineiras deste metal. Pouco prejudicial em baixa concentração.
Ferro Encontrado em águas que passam por subsolos ferrosos. Pouco prejudicial em baixa concentração.
Libertado para a atmosfera por várias indústrias, soldadura de metais com cádmio e galvanoplastia. Provoca
Cádmio
doenças cardiopulmonares, renais e no fígado.
Libertado para a atmosfera por diversas indústrias, certas incineradoras e alguns combustíveis. Pode provocar
Níquel
dermatites. É cancerígeno.

Os metais como catalisadores


Teoria das colisões moleculares
Para que ocorra reacção entre moléculas de gás, é necessário que colidam entre si numa colisão efectiva. Para que
haja colisão efectiva a energia deve ser suficiente para romper as ligações, ou seja, deve ser superior à energia
mínima (energia de activação ).
A velocidade de uma reacção depende:
 Da frequência das colisões (que é influenciada pela concentração dos reagentes).
 Da energia das colisões (que é influenciada pela temperatura, de tal forma que quanto maior for a
temperatura, mais moléculas têm a energia mínima).
 Da orientação das moléculas durante a colisão. Uma das moléculas tem de se
aproximar da outra ao longo de uma direcção contida dentro do chamado cone de
ataque.
No instante da colisão, a energia potencial do par é mais elevada do que antes ou depois. A
energia das partículas em movimento é convertida em energia potencial durante a colisão,
transformando-se, quando as moléculas se afastam, em energia cinética.
Teoria do complexo activado
Teoria que acrescenta o seguinte em relação à teoria das colisões: se a energia cinética que se converte em potencial
for suficiente, as ligações originais enfraquecem-se e formam-se novas ligações. Durante algum intervalo de tempo,
tem-se um estado transitório: o complexo activado. Este modelo explica reacções em solução e em fase gasosa.

11. Nomenclatura dos compostos orgânicos


Os compostos orgânicos são os compostos formados de carbono, hidrogénio e ocasionalmente outros elementos.
Podem-se representar através da fórmula molécular, mas geralmente usa-se uma das seguintes representações:

Fórmula Fórmula de Fórmula


de estrutura estrutura simplificada racional

Os hidrocarbonetos são compostos orgânicos nos quais existem dois tipos de ligação: carbono-hidrogénio e
carbono-carbono, podendo as segundas ser de três tipos: simples, duplas e triplas. Existem diversos tipos de
hidrocarbonetos:
Hidrocarbonetos

Alifáticos Aromáticos

Saturados Insaturados

Cadeia aberta Cíclicos Cadeia aberta Cíclicos

Alcanos Cicloalcanos Alcenos Alcinos Cicloalcenos Cicloalcinos

Alcanos (CnH2n+2)
Nos alcanos, cada átomo de carbono está ligado a outros quatro átomos. A fórmula geral dos alcanos é, portanto,
. Os mais simples alcanos são:
Átomos de Prefixo Nome Fórmula molecular Fórmula racional
1 — Metano
2 — Etano
3 — Propano ou /\
4 — Butano ou /\/
5 Penta- Pentano ou /\/\
No caso dos alcanos de cadeia ramificada é necessário especificar os grupos alquilo (grupos de átomos que
constituem as ramificações das cadeias carbonadas. Os nomes dos grupos alquilo são iguais aos dos alcanos
correspondentes, substituindo a terminação –ano ou –ilo (assim é o grupo metilo, é o grupo etilo,
etc.)
A nomenclatura dos alcanos de cadeia ramificada segue as regras:
1. Selecciona-se a cadeia linear mais comprida: cadeia principal.
2. Cada átomo de da cadeia principal é numerado sequencialmente, começando pela extremidade que
originará menor número de átomos de carbono ligados às ramificações.
3. Cada ramificação é indicada pelo nome e posição do grupo alquilo na cadeia principal, antes do nome desta.
4. Se existirem diversos grupos alquilo iguais acrescentam-se prefixos multiplicativos (di, tri, tetra…) ao nome
do grupo alquilo, indicando a posição por ordem crescente.
5. As posições ocupadas pelos grupos alquilo são assinaladas antes do respectivo prefixo e separadas entre si
por vírgulas.
6. Os diferentes grupos alquilo devem-se indicar em ordem alfabética.
7. Alguns compostos, os haloalcanos, têm átomos de carbono substituídos por halogéneos. Os nomes seguem
a nomenclatura usual, tratando o halogéneo como se fosse um grupo alquilo (adiciona-se o sufixo –o).

Exemplo:
4-etil-2-dimetil-hexano

Cicloalcanos (CnH2n)
1. O nome do cicloalcano é igual ao do alcano com igual número de átomos de , antecedido do prefixo ciclo-.
2. Quando só um átomo de é substituído por um grupo alquilo não é necessário indicar a sua posição.
3. Quando há mais de um grupo alquilo, a sua posição é indicada pelos números dos carbonos, sendo estes
numerados de modo que a soma desses números seja o mais baixa possível.
4. Os nomes dos grupos alquilo são indicados por ordem alfabética.

Exemplo:
3-cloro-1,1-dimetil-hexano

Alcenos e Alcinos (Hidrocarbonetos insaturados)


Os alcenos são hidrocarbonetos com pelo menos uma ligação . Os alcinos têm pelo menos uma ligação .
1. A terminação dos alcanos é substituída por –eno ou –ino.
2. Os átomos de carbono são numerados sequencialmente, começando pela extremidade mais próxima da
ligação dupla/tripla. A posição do primeiro átomo da ligação dupla/tripla é colocada imediatamente antes do
sufixo excepto no caso do eteno, do etino, do propeno e do propino em que não se marca a posição.
3. A cadeia principal é sempre a que inclui a(s) ligação(ões) múltipla(s).
4. Se houver mais do que uma ligação múltipla, as posições separam-se por vírgulas e adiciona-se o prefixo
multiplicativo (di, tri, tetra…) ao sufixo.
5. Se existirem ligações duplas e triplas, a numeração começa pelo átomo de carbono mais próximo da ligação
dupla e o nome inclui os dois sufixos. (Exemplo: ou /\\/\/// é Hex-2-eno-
5-ino.)
Cicloalcenos e Cicloalcinos
Os átomos de carbono ligados pela ligação múltipla ocupam sempre as posições 1 e 2, pelo que não é necessário
referir no nome do cicloalceno ou cicloalcino o número de localização da ligação múltipla.

Exemplo:
3-metilciclopenteno
Hidrocarbonetos aromáticos
Derivados do benzeno, (não confundir com o ciclo-hexeno, ), representado por um hexágono
com um círculo inscrito (que representa o facto de as ligações terem 3 electrões cada, sendo
intermédias entre as simples e as duplas).
Para os derivados monossubstituídos do benzeno (um só grupo ligado ao anel benzénico), o nome é dado por R-
benzeno (ex.: metilbenzeno, ). Para derivados dissubstituídos, a notação depende da posição dos grupos.
Podem estar ligados aos carbonos 1 e 2 (orto), ou aos 1 e 3 (meta), ou aos 1 e 4 (para):

Tradicional: o-dimetilbenzeno m-dimetilbenzeno p-dimetilbenzeno


o-xileno m-xileno p-xileno
IUPAC: 1,2-dimetilbenzeno 1,3-dimetilbenzeno 1,4-dimetilbenzeno
Se existirem três ou mais grupos ligados ao anel benzénico, numeram-se esses grupos de modo que a soma seja a
menor possível.
Existem ainda os hidrocarbonetos aromáticos polianelares:

Naftaleno, Antraceno,
Compostos orgânicos com grupos funcionais
Classe Grupo funcional Designação
-#-nol (# omitido no metanol e no etanol)
Álcoois
(Hidroxilo) Ex. : 2-metilpentano-1,4-diol
R+R’ (ordem alfabética) + éter
Éteres
Ex. : Etilmetil éter ou Éter etilmetílico.
R-al ou R-dial
Aldeídos
(Carbonilo) Ex. : 3-metilbutanal
-#-nona (# omitido na propanona. deve ter o menor número possível.)
Cetonas
Ex. : 5-metil-hexano-2,4-diona
Ácidos Ácido R-óico ou Ácido R-dióico
carboxílicos (Carboxilo) Ex. : Ácido 2,4-dimetilpentanóico.
Sais de R-ato de M
ácidos carb. Ex. : Etanoato de sódio.
Halogenetos X-eto de R-oílo
de ác. carb. ( : halogéneo) Ex. : brometo de butanoílo
R-ato de R’-ilo
Ex. : 2-etilbutanoato de metilo
Ésteres

(primária) R+R’+R’’-amina
Aminas (secundária) Ex. : etilpropilamina
(terciária) Ex. : trietilamina
R-amida
Amidas
Ex. : etanamida

Isomeria
Os isómeros são compostos orgânicos com a mesma fórmula molecular, mas diferentes fórmulas de estrutura.
Isomeria estrutural
Isomeria de cadeia: fórmulas diferem na disposição dos átomos de carbono na cadeia carbonada.
Ex.:
Isomeria de posição: fórmulas diferem na posição do grupo funcional (ou das ligações múltiplas).
Ex.:

butan-1-ol butan-2-ol

Ex 2.: (but-1-eno); (but-2-eno)


Isomeria de função: diferentes grupos funcionais (álcoois/éteres, aldeídos/cetonas, ácidos/esteres…).
Ex.: (cetona/aldeído)

12. Combustíveis
Composição dos petróleos
Um petróleo é constituído por uma solução de hidrocarbonetos, sobretudo alcanos. Constituintes:
 Alcanos: metano, propano, butano
 Cicloalcanos: ciclobutano, ciclopentano
 Hidrocarbonetos aromáticos: benzeno, naftaleno, fenantreno, alquilobenzenos e xilenos
 Produtos sulfurosos
 Produtos azotados
 Produtos oxigenados

Destilação fraccionada dos petróleos


Os componentes do petróleo devem ser destilados (separados) e transformados (cracking), tratamento esse feito
nas refinarias em quatro fases: destilação fraccionada, cracking, cracking catalítico, refinação.
 Destilação fraccionada: realiza-se numa torre (coluna de destilação ou fraccionamento ou de pratos). A
temperatura de cada prato é constante e os pratos mais altos estão a menor temperatura. Os produtos mais
voláteis são recolhidos no topo da coluna. Os vapores sobem pela coluna; em cada prato corre a
condensação de um destilado e a vaporização de uma mistura. O líquido condensado em cada prato tem
sempre a mesma composição: estes produtos de composição conhecida chamam-se fracções. A destilação
fraccionada do petróleo processa-se em três etapas, começando com o petróleo bruto ou crude aquecido
numa caldeira e introduzido na base da torre:
40 ºC Destilação a pressão Metano-etano
elevada Propano
Gás
(evita o uso de Butano
temperaturas baixas) Gasolinas leves
Destilação a Nafta
pressão Querosene
atmosférica Gasóleo
Destilação a pressão Produtos sujeitos ao cracking
Produtos reduzida Óleos
pesados (diminui a temperatura Óleos pesados
370 ºC de ebulição) Parafinas/Petróleo/Asfalto
 Cracking e Refinação
o Cracking: Nestas reacções as moléculas dos hidrocarbonetos originam cadeias mais curtas
o Cracking catalítico: Quando se pretende obter gasolina a partir de óleos pesados. A temperaturas
elevadas, usam-se catalisadores ácidos (têm sílica e alumínio), os zeólitos, constituídos por uma
rede de canais que os faz muito selectivos. Obtém-se assim alcanos leves, como o metano, o
benzeno, o hidrogénio…
o Outras reacções: isomerização (transformação de alcanos nos seus isómeros), desidrogenação
(transformação de alcanos em alcenos), aromatização (obtenção de hidrocarbonetos aromáticos a
partir de alcanos).

13. Híbridos de ressonância


Na maioria dos casos admite-se que os electrões de uma ligação se localizam entre os átomos. Por vezes, contudo,
isso não se verifica. Por exemplo, na molécula de ozono, as ligações oxigénio-oxigénio são ambas igualmente fortes:
logo, não são nem duplas nem simples, mas sim de carácter intermédio. A fórmula de estrutura do ozono (fórmula
canónica) é, portanto, representada pelas suas duas fórmulas de ressonância.

Exemplo: benzeno (C6H6)

Número de electrões de valência pares


Nas seis ligações C-H gastam-se seis pares de electrões; logo, sobram nove
pares para as seis ligações C-C. Assim, obtém-se a fórmula à direita.
Ordem de ligação C-C:

Excepções à regra do octeto


Há três classes de moléculas que não obedecem à regra do octeto:
 Moléculas com deficiência de electrões: algumas moléculas com boro e berílio ( , , …)
 Moléculas com excesso de electrões: algumas moléculas em que o átomo central é rodeado por átomos de
ferro ( , , …)
 Moléculas com número ímpar de electrões: exemplo, o , um híbrido de ressonância ̇ ̈ ̇

14. Geometria das moléculas


Tipo de Molécula Geometria Prevista Ângulos de ligação Exemplos
Linear 180º ; ;
Angular ;
Angular ; ;
Triangular plana 120º ; ;
Piramidal trigonal ; ;
Tetraédrica 109,5º ; ; [ ]
Quadrangular plana [ ] ;
Bipiramidal trigonal 90º e 120º ;
Piramidal quadrangular
Octaédrica 90º ;

15. Polaridade das moléculas


A polaridade depende da geometria da molécula e da polaridade das ligações.
Electronegatividade
Electronegatividade é a tendência de um átomo atrair os electrões da ligação quando está ligado a outro átomo.
A electronegatividade aumenta com a energia de ionização e com a afinidade electrónica:
Aumenta ao longo da tabela segundo os sentidos: (baixa electronegatividade: metais).

Ligações polares e apolares


Dipolo: duas cargas de igual módulo e sinais contrários, e – , separadas pela distância .
 Caracterizado pela grandeza vectorial momento dipolar ⃗ , medido em ou em (debye)
 .
Uma ligação covalente entre átomos de igual electronegatividade forma uma nuvem electrónica simétrica: ligação
covalente apolar (ou pura) ( ⃗ ). Entre átomos de diferente electronegatividade, forma-se uma nuvem
electrónica assimétrica: ligação covalente polar.
O elemento mais electronegativo é uma carga negativa; o menos electronegativo é uma carga positiva. Usa-se
seta a unir os dois elementos, no sentido , com o comprimento a indicar a diferença de
electronegatividades e portanto a polaridade.
 Moléculas diatómicas homonucleares: apolares
 Moléculas diatómicas heteronucleares: polares
 Moléculas com várias ligações polares: (a molécula é apolar se ⃗)

Forças intermoleculares
As forças intermoleculares são de natureza electrostática e delas depende o estado físico. São mais fracas que as
forças intramoleculares (covalentes e iónicas).
Forças de van der Waals:
 De Keesom ou dipolo permanente – dipolo permanente: estabelece-se entre moléculas polares. Os dipolos
orientam-se de tal modo que o de uma molécula esteja próximo do da outra.
o Aumentam com o momento dipolar;
o Diminuem com a distância e a temperatura.
 De Debye ou dipolo permanente – dipolo induzido: estabelece-se entre uma molécula polar e uma apolar.
A molécula polar estimula o aparecimento de dipolos induzidos nas moléculas apolares. O da molécula
polar atrai a nuvem electrónica da molécula apolar, deformando-a, o que induz um dipolo eléctrico tal que o
do dipolo induzido esteja próximo do do dipolo permanente.
o Aumentam com o momento dipolar da molécula polar;
o Diminuem com a distância;
o São independentes da temperatura.
 De London ou dipolo instantâneo – dipolo induzido: afecta todas as moléculas, quer polares que apolares.
Como consequência das deformações instantâneas e aleatórias das nuvens electrónicas, por vezes aparecem
dipolos instantâneos. Estes fazem aparecer dipolos induzidos nas moléculas vizinhas. As forças de London
devem-se à atracção entre dipolos instantâneos e dipolos induzidos.
o Mais electrões: molécula mais deformável (maior polarizabilidade)
o Maior volume (maior polarizabilidade)
o Forma alongada da molécula: maior contacto entre as nuvens electrónicas (maior polarizabilidade)
Ligações de hidrogénio
As pontes de hidrogénio têm carácter intermédio entre as forças de van der Waals e a ligação covalente. Ocorre
quando:
 Existem átomos de H ligados a F, O ou N;
 Existem outras moléculas com F, O e N com pares de electrões não ligantes.
O átomo de hidrogénio ligado ao átomo muito electronegativo (F, O, N) fica quase sem electrões, pelo que o núcleo
atrai o par de electrões isolado da molécula vizinha. Ocorre por exemplo na água, no fluoreto de hidrogénio, no
etanol e no ácido etanóico (neste caso, entre as duas moléculas estabelecem-se duas pontes de hidrogénio: dímero).
Interacções ião-dipolo
Estas interacções verificam-se quando um composto iónico se dissolve num solvento polar, havendo interacções
entre os iões do composto e as moléculas polares do solvente.
Cada ião rodeia-se de moléculas polares do solvente (solvatação). Quanto mais pequenos os iões e maiores as suas
cargas, maior é a força da interacção ião-dipolo. Quanto mais semelhantes as interacções das moléculas de soluto
entre si e das moléculas de solvente entre si, maior a solubilidade do soluto naquele solvente («semelhante dissolve
semelhante»).

16. Teoria da ligação de valência (TLV)


Quando dois átomos se aproximam para formar um ligação covalente, uma orbital de um átomo sobrepõe-se
(coalesce) a uma orbital do outro átomo. Duas orbitais vão ocupar uma região comum do espaço. O par de electrões
associados na ligação covalente ocupa a região sobreposta.
A força da ligação covalente (i.e. energia necessária para a quebrar) é proporcional à extensão da sobreposição das
orbitais. Consequentemente, os átomos distribuem-se de modo a maximizar a sobreposição das orbitais.
Exemplo: HF

Flúor: A orbital (semipreenchida) coalesce com a orbital do hidrogénio.


Na região sobreposta localiza-se o par de electrões partilhado.
Hidrogénio:

Orbitais híbridas
Na molécula de , os ângulos de ligação são todos de 107 . O azoto tem as três orbitais de valência
semipreenchidas. Ora, estas três orbitais fazem entre si ângulos de 90 e não de 107 . Conclui-se que as orbitais dos
átomos livres não são necessariamente as mesmas que as orbitais usadas pelos átomos em moléculas para formar
ligações.
Por exemplo: a camada de valência do carbono tem uma preenchida ( ) e duas semi-preenchidas ( ).
Então como é que a molécula tem quatro ligações idênticas? Por vezes, ocorre a mistura das orbitais
atómicas do átomo central formando orbitais híbridas. Neste caso, a orbital e as três (uma delas vazia) de
valência do carbono combinam-se. Obtém-se , o que permite estabelecer as quatro ligações .A
combinação de uma orbital e três designa-se orbital híbrida .
O número de orbitais híbridas formadas é sempre igual ao número de orbitais atómicas puras de que resultaram.
Orbitais Híbridas Orientação Representação Exemplo
Linear ( ) ( )

Triangular plana
( )

Tetraédrica
+
( )

Ligações nos hidrocarbonetos


As ligações C-H e C-C nos hidrocarbonetos resultam da hibridação do
átomo de carbono (ficando o carbono com quatro electrões
desemparelhados para estabelecer ligações). Analisemos as ligações
duplas e triplas:
Compostos com ligação C=C
Consideremos a molécula do (eteno) etileno:
À volta de cada carbono, há uma estrutura triangular plana. Logo, cada carbono tem três orbitais híbridas
e uma pura .
Quando os dois átomos de carbono se aproximam, duas , uma de cada átomo, coalescem de topo (ligação ). Já
as duas orbitais não hibridadas, uma de cada átomo, coalescem lateralmente (ligação ).

Compostos com ligação C C


Consideremos a molécula do etino :
Admite-se que as orbitais do carbono são duas híbridas e duas puras .
Uma das de cada carbono coalesce com a do Hidrogénio. A outra coalesce de topo com a orbital do
outro carbono, formando uma ligação . Cada uma das duas orbitais coalesce lateralmente com a orbital
correspondente do outro carbono, formando-se duas ligações .

Em resumo: Ligação simples: ligação


Ligação múltipla: uma ligação , as restantes são ligações

17. Teoria das orbitais moleculares (TOM)


Uma substância é paramagnética quando é atraída por um campo magnético; têm electrões desemparelhados.
Na TOM existem orbitais moleculares em que todos os electrões de valência se espalham por todos os átomos da
molécula, em vez de serem partilhados só por dois átomos.
A combinação de duas orbitais atómicas origina duas orbitais moleculares de tipos diferentes:
 Orbital molecular ligante (OML): interferência positiva (construtiva). O sistema tem menos energia que o
sistema das orbitais atómicas independentes. Aumenta a densidade electrónica entre os núcleos dos
átomos ligados.
 Orbital molecular antiligante (OMAL): interferência negativa (destrutura). O sistema tem mais energia que
o sistema das orbitais atómicas independentes. Diminui a densidade electrónica entre os núcleos.
Por exemplo, a combinação entre suas orbitais atómicas (combinação de
dois átomos de para formar ) origina uma orbital molecular ligante
e uma antiligante . O esquema ao lado ilustra esta situação.
Note-se que os electrões se distribuem primeiro nas orbitais de menor
energia e segundo a regra de Hund. (Se em vez de estivéssemos a analisar o
(três electrões), formado pela combinação de uma com uma , o
terceiro electrão ocuparia a orbital ).
Ordem de ligação: (maior OL =
maior estabilidade).
No caso das orbitais e , visto que os eixos das orbitais são paralelos entre si e perpendiculares ao eixo da
ligação, ocorre coalescência lateral e portanto originam-se OM do tipo ( e ; e ). As restantes
orbitais estudadas coalescem entre si de topo originando OM do tipo como visto acima.
A ordem de energia das OM diatómicas homonucleares do segundo período é:
Excepto para as moléculas e , em que é:

( ) ( ) ( ) ( ) ( )
Confirma-se que o oxigénio tem orbitais com electrões desemparelhados (paramagnético).

A molécula do benzeno
Cada um dos átomos de carbono do anel benzénico está ligado a três outros átomos,
sendo os ângulos de 120 ; admite-se a existência de hibridação no átomo de
carbono (três orbitais mais uma orbital pura).
Cada átomo de carbono forma ligações com os dois carbonos adjacentes e com o
hidrogénio, usando as três orbitais híbridas (imagem à direita).
Resta então uma pura em cada átomo de
carbono, que é perpendicular ao plano do anel
benzénico. Essas seis orbitais originam seis orbitais moleculares (três ligantes
e três antiligantes), que se estendem por todo o anel benzénico: orbitais
moleculares deslocalizadas (i.e. não estão confinadas à região entre dois
átomos adjacentes) (imagem à esquerda).

18. Os gases ideais


Pressão: força por unidade de área ( ). Mede-se
em Pa, em bar ( Pa) ou em atm ( Pa).
A pressão de um gás encerrado num recipiente mede-
se com manómetros. A figura mostra medições de
pressão com um manómetro de mercúrio de tubo
aberto. A pressão em mm Hg (ou torr) é dada pela altura da coluna em mm.
Leis dos gases

Lei de Boyle
constante

Lei de Charles
constante

Lei de Gay-Lussac
constante

Lei dos gases combinados


( é constante de proporcionalidade) Lei dos gases ideais
; ; Massa molar

(fracção molar)
Lei de Dalton das pressões parciais

19. Entalpia
Função de estado: o seu valor depende apenas do estado actual do sistema e não do modo como foi alcançado. A
variação de energia de um sistema é simétrica da variação de energia da vizinhança.
 Variação de energia interna ( ): variação de calor e trabalho: . Quando , é uma
transformação adiabática. [ é função de estado]
 Trabalho ( ): . Quando o volume varia, estamos perante trabalho de expansão. [ não é
função de estado]
 Calor de reacção a volume constante ( ):
 Entalpia ( ): . A variação de entalpia é o calor de reacção a pressão constante. [ é
função de estado]
o Capacidade térmica mássica ( ): calor necessário para aumentar a . .
o Capacidade calorífica ( ): calor necessário para aumentar ao corpo. .
o Capacidade calorífica molar ( ): calor necessário para aumentar a .

Num calorímetro a volume constante (bomba calorimétrica) coloca-se uma massa de combustível dentro de uma
bomba de aço com oxigénio a . A bomba é imersa numa quantidade conhecida de água. Ao queimar o
combustível, o calor de combustão (que se quer calcular) liberta-se para a água e para a bomba. Tem-se:
e .

Lei de Hess
A variação de entalpia é independente do processo de formação dos produtos. Invertendo a equação, muda de
sinal; multiplicando uma equação por um dado factor, também é multiplicado por esse factor; quando se somam
equações termoquímicas soma-se igualmente os correspondentes calores de reacção.
Entalpias padrão:

Condições padrão: pressão = 1 bar; temperatura = 25 ; concentração = 1 M


 Entalpia padrão de formação : variação de entalpia correspondente à formação de 1 mol de composto
a partir de substâncias elementares em estado padrão (as quais têm entalpia de formação = 0).
o Assim, , ( ) …
 Entalpia padrão de reacção variação de entalpia que ocorre durante a reacção, em condições padrão
(i.e. quando os reagentes em estado padrão se transformam em produtos em estado padrão).
o Conhecendo as entalpias padrão de formação de todas as substâncias que intervêm na reacção
pode-se calcular a entalpia padrão de reacção: .
o Pode ser calculada a partir da soma da energia absorvida na quebra das ligações dos reagentes
(positiva) e a energia libertada na formação das ligações dos produtos (negativa).
 Entalpia padrão de solução variação de entalpia quando 1 mol de substância se dissolve numa dada
quantidade de um solvente nas condições padrão. A dissolução de um composto dá-se em dois passos:
o Primeiro, a separação de 1 mol do composto iónico em iões gasosos (ex.: ), a
cuja absorção de energia se associa uma entalpia redicular .
o Segundo, a hidratação desses iões (ex.: ), a cuja
libertação de energia se associa uma entalpia de hidratação .
o Conjugam-se os dois passos (ex.:
 Entalpia padrão de combustão variação de entalpia quando 1 mol de combustível sofre combustão
completa, no seio do oxigénio, em condições padrão.
o Poder calorífico .
o Maior quanto maior for o número de átomos de carbono (porque mais carbonos implica formação
mais ligações C=O, que são muito energéticas e portanto liberta-se mais energia) e, para o mesmo
número de átomos, menor quanto maior o número de ligações C=O (porque as ligações C=O já estão
formadas nos reagentes, o que implica menor energia libertada).
 Entalpia de ligação ou energia de dissolução de ligação : variação de entalpia quando 1 mol de ligações
de um determinado tipo é quebrada, num gás em condições padrão.
o A entalpia de uma reacção pode calcular-se a partir das energias de ligação em duas etapas: quebra
de ligações (absorção de energia) e formação de novas ligações (libertação de energia).

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