Você está na página 1de 7

Trabalho de

ministérios dos Dons


Continuacionismo e
Cessacionismo

1
Continuacionismo

Introdução

Este assunto já vem a ser discutido a mais de cinquenta anos, mas, está hoje mais do que nunca
na ordem do dia, pois atingiu diferentes contornos, especialmente por causa da grande ênfase
dada ao dom da profecia e aos sinais, prodígios e maravilhas, o que tem alimentado ainda mais
as controvérsias.

Nós pensamos que devemos procurar formar uma opinião bíblica a respeito deste assunto
sobre o Cessacionismo ou continuacionismo (vindo da língua inglesa – cessacionism and
continuacionism), e não esperar para altura em que a controversa já esteja instalada nas nossas
igrejas ou denominações.

É o que está a acontecer em grande escalas nas igrejas e denominações da Inglaterra e E.U.A e
muitos líderes não sabem como lidar com o assunto sobre os “Dons miraculosos do Espirito
Santo”.

Os Dons espirituais objetivam a edificação da igreja. Trata-se da manifestação do Espírito


Santo através de uma variedade de dons concedidos aos crentes, cujo propósito é promover o
desenvolvimento do corpo de cristo a manifestar o poder de Deus.

Nós continuacionistas defendemos que os dons espirituais continuam disponíveis nos dias
atuais. Apoiam-se dentre outros textos nas profecias de Joel onde ele registra a fala do Senhor
“nos últimos dias derramarei do meu Espírito por sobre toda carne; vossos filhos e vossa filhas
profetizarão, vossos jovens terão visões e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e
sobre as minhas servas derramarei o meu Espirito naqueles dias, e profetizarão... antes de chegar
o grande e glorioso Dia do Senhor”. (Joel 2:28-31; At 2: 16-20).

Levamos em consideração a repreensão de Paulo aos coríntios pelo fato de estarem fazendo
uso inadequado dos dons espirituais (1Co. 14). Paulo não desconsiderou a existência dos dons,
mas enfatizou que os mesmos, não deveriam ser usados de qualquer forma, mas de maneira
equilibrada a fim de que resultasse na edificação da igreja. Mais adiante ele complementa: “não
proibais falar em línguas..., mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1co. 14,39-40). O
que fica evidente é que não se trata de negar a existência dos dons, mas disciplinar a sua
aplicação.

2
Os continuacionistas e os dons miraculosos

Continuasionismo é um termo criado para procurar definir a doutrina cristã que acredita que
os dons e operações miraculosas do Espirito Santo continuam até aos nossos dias.

Os continuacionistas acreditam que todos os dons e operações enumerados em RM 12, 1CO


12 e 14, EF 4 e outros textos são para os tempos da igreja. Mas há alguns continuacionistas que
são muito moderados.

Os continuacionistas mais extremistas além dos dons, sugerem uma grande ênfase aos sinais,
prodígios e maravilhas, querendo que os mesmo ocorram até com mais frequência, grandeza e
intensidade do que nos tempos de Jesus e dos Apóstolos.

Os continuacionistas e o dom da profecia

Eles dão de uma maneira muito especial uma grande ênfase ao dom da profecia, que pensam
ser dado a todos os crentes, baseando-se em AT 2 e 1 CO 14.

De fato se estes textos forem analisados fora do contexto parecem dizer que todos os crentes
devem ser profetas ou profetizar.

AT 2:17-18 E acontecera nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espirito sobre
toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão
vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espirito
naqueles dias e profetizarão.

1CO 14:24-25 Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por
todos convencido e por todos julgado; tornam-se lhe manifestos os segredos do coração, e,
assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de
fato, no meio de vós. Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele
por todos convencido e por todos julgado;

1CO 14:31 Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem
consolados.

Mas se fizermos uma analise a estes textos dentro do contexto mais alargados e a luz do
contexto geral das escrituras sagradas, vemos que não podemos apoiar esta posição
continuacionistas que afirma que todos os crentes devem profetizar.

3
O grande problema é que para os continuacionistas mais extremistas o dom da profecia é mais
importante que a pregação da Palavra de Deus, porque revela de uma forma mais profunda o
que Deus quer dizer ou falar á igreja. Logo a Bíblia torna-se uma revelação secundária de Deus,
a profecia contém revelações mais importantes.

Os continuacionistas e o dom de línguas

A ênfase ao dom de línguas mantém-se, sem ter havido grandes alterações.

Sobre o dom de línguas, os continuacionistas em geral, baseiam-se em AT 2, para dizer que é


o sinal de Batismo no Espirito Santo. Logo todos os crentes devem falar línguas, desde que
tenham sido batizados pelo Espirito Santo.

Um outro aspecto que enfatizam, é que o dom de línguas referido em AT2, não eram só línguas
estrangeiras, mas havia línguas celestiais que o Espirito Santo interpretou para que pessoas de
outras línguas que estavam presentes pudessem compreender.

Portanto, defendem que o uso das línguas celestiais deve continuar a ser praticadas dentro das
igrejas seguido de interpretação para que toda a congregação possa compreender.

De certo modo os continuacionistas mais extremistas veem o dm de línguas como um dom de


revelação. Ou seja, eles acham que Deus quer revelar as suas mensagens a congregação através
das línguas o que, para isto, as línguas terão de ser interpretadas.

Para os continuacionistas da 1° vaga, os pentecostais, que são mais conservadores, o dom de


línguas era simplesmente uma forma do crente louvar e adorar a Deus e não continha
forçosamente uma revelação de Deus para a congregação.

Vemos assim que para os continuacionistas mais extremistas o dom da profecia e o dom
de línguas são as duas formas mais importantes utilizadas por Deus para revelar a sua
vontade e os deus desígnios a igreja.

Por isso, para eles, a profecia e línguas são certamente mais importantes que a exposição e
ensino da Palavra de Deus.

Os Continuacionistas e a concepção da Igreja

Nós pensamos que no fundo os continuacionistas mais extremistas estão a dizer que a Igreja é
uma nação profética e não uma nação sacerdotal.

4
Numa nação sacerdotal, todos exercem o sacerdócio, mas tendo diferentes dons e funções.
Numa nação profética, todos exercem o dom de profecia. A profecia é por isso vista como o
dom mais importante da Igreja.

Para os continuacionistas profetas, a Igreja é acima de tudo um povo em que todos devem falar
em línguas e exercer o dom da profecia e os crentes devem esperar ver acontecer sinais,
prodígios e maravilhas com mais intensidade e grandeza, em maior escala do que em tempos
dos apóstolos e Jesus.

Segundo os continuacionistas mais extremistas, o exercício dos dons miraculosos devem


tomar grande parte do tempo dado aos cultos e outras atividades efetuadas a nível das suas
Igrejas. E os outros dons, como o evangelista, pastor e mestre passam a ter um papel mais
secundário.

Aliás o dom de pastor e mestre que está muito ligado ao ensino das escrituras e ao seguimento
pastoral do rebanho, perde a sua relevância, por causa da ênfase dada aos dons miraculosos e
as profecias, incluindo revelações, línguas, palavras de sabedoria, e da ciência e aos sinais,
prodígios e maravilhas.

Há igrejas em que o tempo dado ás profecias, línguas e aos dons de revelação e de poder em
geral, é mais importante que o tempo dado à pregação do evangelho e ao ensino. Além disso,
os crentes que pretendem exercer com mais regularidade dons de revelação e de poder dentro
da igreja, passam a ter muito domínio sobre a igreja.

Cessacionismo

Os cessacionistas e os dons miraculosos

Os cessacionistas ensinam que nem todos os dons enumerados em Romanos 12,1 Corintio 12
e 14 e Efésios 4 e noutros textos são para os tempos de hoje.

Eles acham que os dons, especialmente os de caráter miraculoso passaram. Além de outros
textos bíblicos, caseiam-se muito na seguinte passagem:

1Co. 13:8 “o amor jamais acaba; mas havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, passará”.

Nós pensamos que não devemos basear simplesmente neste texto, para dizer que os dons
miraculosos passaram. Terá que haver muito mais base bíblica para se fazer tal afirmação.

5
Como no caso do continuacionismo, há também cessacionistas que são mais moderados do
que outros.

Os cessacionistas e o ministério dos profetas e apóstolos

Os cessacionistas mais extremistas atribuem todos os dons miraculosos, portanto os dons de


revelação e poder, à função dos profetas e apóstolos, que era a de escrever as escrituras debaixo
da inspiração “absoluta” de Deus. Além das escrituras, foram eles que colocaram os
fundamentos da doutrina cristã.

Acham que os profetas e apóstolos, estes sim, é que precisavam de ser revestidos destes dons
de revelação e poder.

Eles acham que os ofícios de Apóstolo e de Profeta referidos em Efésios 4:11 já passaram,
pois estando a escritura acabada e os fundamentos da Igreja colocados, estes dois ofícios deixam
de existir. Por isso, não existe mais qualquer razão para o uso dos dons miraculosos.

Para os cessacionistas extremistas o dom da profecia referido nas epístolas é o dom atual da
pregação e mais nada.

É um fato que tem que ser tomado em consideração, pois normalmente falando os dons de
revelação e poder, incluindo sinais, prodígios e maravilhas aparecem na bíblia ligados à missão
dos apóstolos e dos profetas.

Não estão a dizer, contudo, que não havia outros cristãos que pudessem ter estes dons de
revelação e poder, na igreja primitiva. Certamente que havia cristãos muito ligados ao
ministério dos apóstolos e possivelmente estes e até outros cristãos exercitam estes dons.

Nós temos que realçar que a missão dos profetas e apóstolos da bíblia é única, pois foram eles
que escreveram a bíblia debaixo de inspiração e puseram os fundamentos da nação de Israel e
a lei mosaica no caso dos profetas, e no caso dos apóstolos foram eles que puseram os
fundamentos da Igreja.

Portanto era uma missão única, acompanhada de sinais, prodígios e maravilhas únicos. Isto
não que dizer que somente os apóstolos exercitavam estes dons de poder e revelação, mas que
sim dizer que não podemos comparar a nossa missão com a deles, nem podemos comparar os
sinais, prodígios e maravilhas que eles fizeram, com os sinais e prodígios que eventualmente
Deus poderá efetuar em nossos dias através da Igreja.

6
Os cessacionistas não colocam os missionários (apóstolos) com um posição de destaque,
autoridade e governo sobre os outros ministérios ou ofícios, profeta, evangelista, pastor e mestre
de Efésios 4:11.

Os cessacionistas que possam aceitar a designação de Apóstolos da Igreja aos missionários


não acham que eles têm mesma autoridade que os Apóstolos discípulos de Cristo.

As suas igrejas embora tenham liderança, possuem um sistema de governo congregacionalista


e embora as matérias principais possam ser discutidas e decididas pela liderança são contudo
levadas à aprovação de uma assembleia de membros. Alguns assuntos são decididos por
aprovação relativa, em que 51% dos votos ganha. Outros assuntos mais fundamentais precisam
de uma aprovação absoluta em que são necessário no mínimo 2/3 dos votos para ganhar.