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CURSO BÁSICO DE TEOLOGIA

TEOLOGIA SISTEMÁTICA
SEMANA 2
A NATUREZA DE DEUS

O que é teologia sistemática?


Teologia é o estudo de Deus.
A palavra “sistemática”nos remete a “sistema”.Isso quer dizer que a teologia sistemática pressupõ e
uma atitude diligente de estudar nas Escrituras o que é dito sobre Deus, Cristo, Espi ́rito, e sobre todos os
outros temas importantes da fé cristã, de forma sistêmica — isto é, organizando, de forma lógica, coerente
e ordenada, esses assuntos,que são vitais para a crença evangélica. Então, de forma simples, a teologia
sistemática é o estudo desses temas à luz do testemunho de toda a Escritura, levando-se também em
consideração os principais documentos e escritos da histó ria da igreja e estabelecendo uma relação entre
essa história e os probjlémas e questionamentos da atualidade.
A teologia é sistemática. Ela não examina cada livro da Bi ́blia separadamente, mas procura juntar em
um todo coerente o que toda a Escritura afirma sobre dado tó pico, tal como o pecado do homem.
Revelação geral e revelação especial
Sendo os seres humanos finitos e Deus, infinito, não podemos conhecer a Deus, a menos que ele se
revele para nós, ou seja, a menos que ele se manifeste aos humanos de tal forma que estes possam conhecê-
lo e ter comunhão com ele.
Há duas classificações básicas de revelação.
De um lado, a revelação geral é Deus comunicando a respeito de si mesmo a todas as pessoas de
todos os tempos e de todos os lugares.
A revelação especial, do outro, abrãnge comunicações particulares e manifestações de Deus para
pessoas especi ́ficas em épocas especi ́ficas, comunicações e manifestações estas a que, hoje, só existe acesso
pela consulta a certos escritos sagrados.
Deus
A primeira pessoa que encontramos na Bi ́blia é Deus (Gn 1.1).
E a primeira coisa que vemos sobre Deus é que ele é antes de todas as coisas (cf. SI 90.2).
2 Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu
és Deus.
Deus é autoexistente, independente, sem começo ou fim, sem igual, o Deus Criador distinto de sua
criação, Deus santo e inigualável - eterno, infinito e, em sua essência, diferente de qualquer coisa ou
qualquer pessoa que já existiu, existe ou existirá. Este é o Deus que encontramos no primeiro versi ́culo do
primeiro livro da Bi ́blia.
Não compreendemos totalmente nem conhecemos de forma abrangente o que ele nos revelou
acerca de si mesmo. Assim, há, e sempre haverá, um elemento de mistério em torno de Deus.
Para aqueles que, em meados do século passado, sugeriam a morte da religião, o começo do novo
século testemunha um impressionante res surgimento do interesse em Deus. Artistas invocam o nome de
Deus. Poli ́ticos tentam igualar sua agenda com uma suposta vontade de Deus. Ataques terroristas são feitos
em nome de Deus. As seitas hiperpentecostais dominam os meios de comunicação prometendo
prosperidade ou cura em nome de Deus. Falar muito de Deus se tornou popular no contexto brasileiro. Mas,
quem é Deus? Ou melhor, a pergunta cristã é mais precisa: Quem é aquele que é revelado nas páginas da
Escritura? Quem é o Deus que os cristãos adoram e servem?
Alguns conceitos comuns mas distorcidos de Deus.
Alguns pensam que Deus é um tipo de oficial de poli ́cia celeste à procura de oportunidades para
agarrar pessoas que estejam desviadas ou cometendo erros.
A idéia oposta, de que Deus é como um avô , também prevalece. Aqui, Deus é concebido como um
velho cavalheiro indulgente e gentil, que nunca desejaria diminuir os prazeres da vida humana. E
Imanência e transcendência de Deus
O significado da imanência é que Deus está presente e ativo dentro de sua criação e dentro da raça
humana, mesmo naqueles membros que não crêem nele ou não lhe obedecem. Sua influência está em toda
parte. Ele age nos processos naturais e por meio deles.
O significado da transcendência é que Deus não é uma mera qualidade da natureza ou da
humanidade; ele não é simplesmente o mais elevado dos seres humanos. Ele não é limitado à nossa
capacidade de compreendê- lo. Sua santidade e bondade vão muito além, infinitamente além das nossas, e
isso também é verdade em relação a seu conhecimento e poder.
Ambas as verdades são ensinadas na Escritura.
Jeremias 23.24, por exemplo, destaca a presença de Deus em todas as partes do universo: "Ocultar-
se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu nã o o veja? —diz o SENHOR; porventura, não encho eu os
céus e a terra? —diz o SENHOR".
Nesse mesmo contexto, entretanto, tanto a imanência como a transcendência aparecem juntas:
"Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e nã o também de longe?" (v. 23).
Por outro lado, lemos em Isai ́as 55.8,9 que os pensamentos e os caminhos de Deus transcendem os
nossos: "Porque os meus pensamentos nã o sã o os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus
caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus sã o mais altos do que a terra, assim sã o os meus
caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos
pensamentos".
Em Isai ́as 6.1-5, Deus é descrito sentado num trono, elevado e exaltado, e os serafins clamam: "Santo,
santo, santo é o SENHOR dos Exércitos". Isai ́as está bem consciente de sua impureza e indignidade.
Uma ilustração disso é o fenô meno do som. Há vários sons diferentes (imanentes) que estão
presentes mas não os ouvimos. A razão é que ocorrem numa freqü ência que o ouvido humano, por si, não
consegue captar. Se, no entanto, tivermos um receptor de rádio, esses sons tornam-se audi ́veis. De maneira
semelhante, muitas imagens visuais estão presen tes mas não são vistas, a menos que tenhamos um
receptor de televisão. Deus está presente e ativo dentro de sú a criação, ainda assim ele também a
transcende, pois ele é um tipo de ser totalmente diferente. Ele é divino.
Implicações da imanê ncia
1. Embora seja bem óbvio que Deus está agindo quando seu povo ora e acontece uma cura milagrosa,
é também ação de Deus quando, pela aplicação de conhecimentos e práticas medicinais, o médico é bem-
sucedido, conseguindo restaurar a saú de do paciente. A medicina faz parte da revelação geral de Deus, e o
trabalho do médico é um canal de atividade divina.
2. Deus pode usar pessoas e organizações que não sejam declaradamente cristãs. Nos tempos
bi ́blicos, Deus não se limitava a atuar por intermédio da nação da aliança, Israel, ou por intermédio da igreja.
Ele chegou a usar a Assi ́ria, uma nação pagã, a fim de punir Israel. Ele é capaz de usar organizações seculares
ou nominalmente cristãs. Mesmo os não-cristãos fazem algumas coisas genuinamente boas e louváveis.
3 - Devemos ter apreço por todas as coisas criadas por Deus. O mundo é de Deus, e Deus está
presente e ativo no mundo. Embora o mundo tenha sido dado à humanidade para ser usado na satisfação
de suas legi ́timas necessidades, ela não pode explorá-lo a seu bei prazer ou por cobiça. A doutrina da
imanência divina tem, por conseguinte, uma aplicação ecoló gica.
Implicações da transcendê ncia
1. Existe algo mais elevado que os seres humanos. O bem, a verdade e o valor não são determinados
pelo fluxo inconstante deste mundo e pela opinião humana. Existe algo que, de cima, confere valor à
humanidade.
2. Deus nunca pode ser completamente determinado pelos conceitos humanos. Isso significa que
todas as nossas idéias doutrinárias, por mais que sejam úteis e corretas em sua base, não podem explicar
plenamente a natureza de Deus. Ele não é limitado pela compreensão que temos dele.
3 - A reverência é adequada em nosso relacionamento com Deus. Algumas adorações, salientando
legitimamente a alegria e a confiança que o crente tem no relacionamento com um Pai celeste amoroso,
passam desse ponto e chegam a uma familiaridade excessiva, tratando-o como igual ou, ainda pior, como
um servo. Se compreendermos, no entanto, o fato da transcendência divina, isso não acontecerá. Embora a
expressão de entusiasmo até, talvez, exuberante tenha seu lugar e seja necessária, ela nunca deve nos levar
à perda do respeito. Nossas orações também serão caracterizadas pela reverência. Em vez de fazer
exigências, oraremos como Jesus: "Não seja o que eu quero, e sim o que tu queres".
4 - Buscaremos a obra genuinamente transcendente de Deus. Desse modo, não esperaremos que
aconteça apenas o que pode ser realizado por meios naturais. Mesmo usando todas as técnicas disponi ́veis
da aprendizagem moderna para cum prir as metas divinas, nunca cessaremos de depender de sua obra.
Nunca negligenciaremos a oração, pedindo sua orientação e intervenção especial.
Deus é espírito
Ele não é composto de matéria e não possui uma natureza fi ́sica. Isso é afirmado com maior clareza
por Jesus em João 4.24: "Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em
verdade".
Ele não sofre as limitações inerentes ao corpo fi ́sico. Por exemplo, ele não é limitado a um
determinado ponto geográfico ou espacial. Isso está impli ́cito na afirmação de Jesus: "a hora vem, quando
nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai" (Jo 4.21).
Existem, é claro, numerosas passagens que dão a entender que Deus possui aspectos fi ́sicos, tais
como mãos e pés. Como entender tais referências? Parece melhor compreendê-las como
antropomorfismos, tentativas de expressar a verdade acerca de Deus por meio de analogias humanas.
Nos tempos bi ́blicos, a doutrina da espiritualidade de Deus fazia oposição à prática da idolatria e ao
culto à natureza. Deus, sendo espi ́rito, não podia ser representado por nenhum objeto ou figura fi ́sica. O
fato de não se limitar a um espaço geográfico também combatia a idéia de que Deus podia ser contido e
controlado.
Deus está vivo
Outro atributo de grandeza é o fato de Deus estar vivo. Ele é caracterizado pela vida. Isso é afirmado
na Escritura de várias maneiras. E encontrado na afirmação de que ele é. Seu pró prio nome "Eu SOU" (Ex
3.14) indica que ele é um Deus vivo.
Essa caracteri ́stica de Deus é proeminente no contraste muitas vezes traçado entre ele e outros
deuses. Ele é descrito como o Deus vivo, em contraste com objetos inanimados de metal ou pedra.
E mais, a continuação da existência de Deus não depende de nada externo a ele mesmo. Todos os
outros seres, enquanto estão vivos, precisam de alguma coisa — alimento, calor, proteção— para manter
essa vida. Com Deus, entretanto, não há indi ́cio de tal necessidade. Pelo contrário, Paulo nega que Deus
precise de alguma coisa ou seja servido por mãos humanas (At 17.25).
Embora Deus seja independente no sentido de não precisar de nada mais para existir, isso não quer
dizer que ele seja distante, indiferente ou que não se importe. Deus se relaciona conosco, mas é por sua
escolha que ele se relaciona dessa forma, não por ser compelido por alguma necessidade. Ele agiu e continua
agindo por agapê, amor altrui ́sta, não por necessidade.
Deus é pessoal
Ele é um ser individual, com auto consciência e vontade, capaz de sentir e ter um relacionamento
reci ́proco com outros seres humanos.
O fato de que Deus tem personalidade é indicado de várias maneiras nas Escrituras. Uma delas é que
Deus possui um nome.
Outra indicação da natureza pessoal de Deus é a atividade em que ele se engaja. A Bi ́blia descreve
um Deus que conhece pessoas humanas e tem comunhão com elas. No primeiro quadro de seu
relacionamento com elas (Gn 3), Deus chega a Adão e a Eva e fala com eles, dando a impressão de que
tratava-se de uma prática costumeira.
Há uma série de implicações decorrentes. Porque Deus é uma pessoa, o relacionamento que temos
com ele tem uma dimensão de carinho e compreensão. Deus não é uma máquina ou um computador que
supre automaticamente as necessidades das pessoas. Ele é um bom Pai que conhece e ama.
Deus é infinito
Isso significa não apenas que Deus é ilimitado, mas que é ilimitável. Nesse aspecto, Deus é diferente
de qualquer coisa dentro de nossa experiência. Mesmo as coisas que o senso comum antes dizia serem
infinitas ou ilimitadas são hoje consideradas limitadas. Em tempos antigos, a energia parecia inextingui ́vel.
Em anos recentes, tomamos consciência de que os tipos de energia com que temos mais familiaridade são
bem limitadas, e estamos nos aproximando desses limites consideravelmente mais rápido que
imaginávamos. A infinitude de Deus, no entanto, fala de um ser sem limites.
Todos os objetos finitos têm uma localização. Estão em algum lugar. Isso necessariamente impede
que estejam em outro lugar. Com Deus, porém, a questão da localização não se aplica. Deus é quem deu
existência ao espaço (e ao tempo). Ele existia antes de haver espaço. Ele não pode ser localizado num ponto
determinado.
Vai com Deus; Fica com Deus!
A pergunta, Qual a idade de Deus?, é simplesmente impró pria. Ele não é mais velho hoje do que um
ano atrás, pois infinito mais um não é mais que infinito. Deus é aquele que sempre é. Ele foi, ele é, ele será.
O Salmo 90.1,2 diz: "SENHOR, tu tens sido o nosso refú gio, de geração em geração. Antes que os montes
nasces sem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus".
Jesus disse que nem um pardal pode cair ao chão sem o consentimento do Pai (Mt 10.29), e que até
mesmo os cabelos da cabeça dos disci ́pulos estão todos contados (v. 30). Somos, todos, completamente
transparentes diante de Deus (Hb 4.13). Ele nos vê e nos conhece totalmente. E conhece todas as
possibilidades genui ́nas, mesmo que pareçam ilimitadas em número.
Em Romanos 11.33, Paulo afirma com eloqü ência o conhecimento e a sabedoria de Deus: "Ó profun
didade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quã o insondá veis sã o os seus juízos,
e quão inescrutáveis, os seus caminhos!"
Outro aspecto do poder de Deus é que ele é livre. Embora Deus esteja obrigado a cumprir suas
promessas, no ini ́cio, ele não estava sob nenhuma compulsão de fazer tais promessas. Pelo contrário, é
comum atribuir suas decisõ es e ações ao "beneplácito de sua vontade".
não existe mudança quantitativa. Deus não pode crescer em nada, porque já é a perfeição. Também
não pode decrescer, pois caso o fizesse, deixaria de ser Deus. Também não há mudança qualitativa. A
natureza de Deus não sofre modificação. Portanto, Deus não muda suas idéias, planos ou ações, pois firmam-
se em sua natureza, que permanece imutável, não importa o que aconteça. Aliás, em Números 23.19, o
argumento é que os atos de Deus não mudam porque ele não é humano. Além disso, a intenção de Deus,
bem como seus planos, são sempre coerentes, simplesmente porque sua vontade não muda. Desse modo,
Deus é sempre fiel em suas promessas, por exemplo, sua aliança com Abraão.
A santidade de Deus
Isai ́as viu o Senhor "assentado sobre um alto e sublime trono". As bases do limiar tremeram e a casa
ficou cheia de fumaça. Os serafins clamavam: "Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos" (Is 6.1-4). A
palavra hebraica para "santo" (qãdõ sh) significa "marcado" ou "removido do uso comum, ordinário".
O outro aspecto da santidade de Deus é sua absoluta pureza ou bondade. Isso significa que ele não
é atingido nem manchado pelo mal que existe no mundo. Ele não participa do mal em sentido algum.
Deus não é apenas pessoalmente isento de toda perversidade ou mal. Ele é incapaz de tolerar a
presença do mal. E como se ele fosse alérgico ao pecado e ao mal. Isai ́as, ao ver Deus, ficou muito mais
consciente de sua própria impureza. Ele ficou desesperado: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem
de lá bios impuros, habito no meio dum povo de impuros lá bios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos
Exércitos'." (Is 6.5).
A retidão de Deus
A retidão de Deus também significa que seus atos estão de acordo com a lei que ele mesmo
estabeleceu. Assim, em suas ações Deus é descrito como alguém que faz o que é certo.
Por exemplo, Abraão diz a Jeová: "Longe de ti fazeres tal cousa, matares o justo com o ímpio, como
se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn 18.25).
Porque Deus é justo, sendo coerente com os padrõ es de sua lei, podemos confiar nele. Ele é honesto
no que faz.
Deus é justo
A justiça de Deus significa que ele é justo na aplicação de sua lei. Ele não mostra favoritismo ou
parcialidade. Não importa quem somos. O que fizemos ou deixamos de fazer é a única consideração na
atribuição de conseqü ências ou recom pensas. Uma prova da justiça de Deus é que ele condenou os juizes
que, nos tempos bi ́blicos, embora fossem encarregados de ser seus representantes, aceita vam suborno
para alterar os julgamentos (e.g., ISm 8.3; Am 5.12). A razão da condenação deles era que o próprio Deus,
sendo justo, esperava o mesmo tipo de comportamento dos que deviam aplicar sua lei.
Deus é amor
Por exemplo, em ljoão 4.8 e 16, lemos: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor
[...] E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nó s. Deus é amor, e aquele que permanece no
amor permanece em Deus, e Deus, nele".
De numerosas referências bi ́blicas, João 3.16 é provavelmente a mais conhecida.
Algumas dimensões básicas do amor de Deus para conosco são:
(1) benevolência, (2) graça, (3) misericórdia e (4) persistência.
1 - Declarações da benevolê ncia de Deus não estão restritas ao Novo Testamento. Por exemplo, em
Deuteronô mio 7.7,8, lemos: "Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fô sseis m ais
numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava
e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa".
Quem nunca ouviu sobre a parábola do Filho pródigo contada por Lucas 15.
2 - A graça é outro atributo que faz parte do amor multiforme de Deus. Por graça, queremos dizer
que Deus, ao lidar com seu povo, não se baseia nos méritos, valor ou merecimento das pessoas, mas em
suas necessidades; em outras palavras, lida com elas baseando-se em sua própria bondade e generosidade
A Benevolência é apenas a idéia de que Deus não busca seu próprio bem, mas o de outros. A graça,
porém, significa que Deus nos supre de favores imerecidos. Ele não exige nada de nós.
3- A misericórdia de Deus é sua compaixão amorosa por seu povo. É seu coração afetuoso para com
o necessitado. Se a graça vê os homens pecadores, culpados e condenados, a misericórdia os vê miseráveis
e necessitados. O salmista disse: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece
dos que o temem" (SI 103.13).
O atributo da misericórdia é visto na compaixão que Jesus sentia quando lhe vinham pessoas que
sofriam de enfermidades físicas (Mc 1.41).
Jesus enxergava as deformidades físicas — as costas corcundas por 18 anos da mulher encurvada (Lc
13.11), a mão atrofiada daquele homem que estava na sinagoga (Lc 6.6), as pernas imóveis por 38 anos do
paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.5), os olhos baços do cego de nascença (Jo 9.1), o rosto sem a orelha
direita do servo do sumo sacerdote (Lc 22.50).
Jesus enxergava os transtornos comportamentais — a nudez e a violência do endemoninhado de
Gerasa, que vivia nos sepulcros, gritava sem parar e cortava-se com pedras (Mc 5.1-5).
Jesus enxergava a tristeza interior — a dor daquela mulher que já havia perdido o marido e agora
estava sepultando o único filho (Lc 7.13), e as lágrimas da irmã e dos amigos de Lázaro (Jo 11.33). Duas vezes,
Jesus perguntou a Maria Madalena: “Mulher, por que está chorando?” (Jo 20.13, 15).
Jesus enxergava o vazio existencial — ao encontrar-se com aquela samaritana que já havia vivido com
cinco maridos e estava ligada ao sexto, o Senhor lhe disse solenemente: “Quem beber desta água terá sede
outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4.13-14).
Jesus enxergava a pressão da culpa – a mulher que tinha sido surpreendida em adultério e caído nas
mãos dos implacáveis fariseus foi levada a Jesus, que, depois de desmoralizar e mandar embora os
acusadores da mulher, disse-lhe: “Eu também não a condeno”, “agora vá” e “abandone sua vida de pecado”
(Jo 8.1-11).
4 - A última dimensão do amor de Deus é a persistência. A longanimidade de Deus foi especialmente
nítida com Israel. O povo de Israel rebelou-se repetidas vezes contra Deus, desejando retornar para o Egito,
rejeitando a liderança de Moisés, levantando ídolos para adoração. Deve ter havido tempos em que o Senhor
se sentiu inclinado a abandonar seu povo.
Mas a paciência de Deus não se limitou a seu relacionamento com Israel. Jesus disse sobre a negação
dos judeus ao seu ministério: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus
pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste!" (Mt 23.37)

Deus é onipresente
(Gn 3.11; Js 7.10-26; 2Sm 12.11; 2Rs 5.26; SI 56.8; 66.12; 90.2; 139.7-12; Is 43.2; At 5.1-11; 17.31;
23.11; G1 6.7; Ap 6.9; 18.24), transcendendo e preenchendo toda a criação com sua presença, mas sem se
confundir com esta (Is 66.1,2).
Deus é onipotente
(Gn 17.1; 18.14; Jr 32.27; Lc 1.37; Mc l(j).27), por isso todas as coisas são feitas segundo sua vontade
(Pv 21.1; Is 43.[13; E f 1.11), sendo sua livre vontade a causa final de todas as coisas acontecerem (SI 95.6; P
v 21.1; D n 4.35; M t 10.29; Lc 22.42; A t 2.23; 18.21; Rm 8.29; 15.32; E f 1.4,11; Fp 1.29; IPe 3.17; Ap 4.11)
— de acordo com a Escritjura, Deus é o rei, e não o homem (Is 45.6; 43.11; 44.8; 45.21).
Deus é onisciente
(SI 139; Jo 21.17; Cl 2.3; ljo 3.20; Ap 20.12), por isso nada está ocultq para ele. Antes, Deus tem
conhecimento perfeito de toda realidade, passado, presente e futuro, completamente, até dos pormenores
mais insig nificantes (Is 41.21-23). Esse conhecimento não vem de outra fonte, já que a existência de toda a
criação depende de Deus.
Deus é independente e autoexistente
(Gn 1.1; Ex 3.14; Is 40.13s.; At 17.20,25; Rm l}.36), não tendo necessidade da criação, nem
necessidade de compartilhar amor. Ele já é totalmente satisfeito em si mesmo, em seu ser Trino. Por ser
autoexistente, Deus não deriva seu ser de algo anterior, sendo eterno. Deus é imutável, não havendo
mudança em seu ser, planos, propó sitos, promessas e perfeições(ISm 15.29;Ml3.6;Tg1.17;Hb
13.8).Porserperfeito,elenãopode mudaf, porque qualquer mudança implicaria a limitação de sua perfeição,
o que e umaiimpossibilidade (Is 48.12; Ml 3.6; Tg 1.17).14Deus é simples (SI 36.9; Jo 5.26; ljo 1.5), não
podendo ser dividido. Nenhum de seus atributos pode ocupar lugar de destaque, sendo considerado mais
importante que os demais. E necessário deixar claro que todos os atributos de Deus são compartilhados por
todas as pessoas da Trindade — o Pai, o Filho e o Espi ́rito Santo. Eles constituem a própria essência e
natureza de Deus, não podendo ser divididos ou separados dele, existindo em plena harmonia com os
demais. Deus, por tanto, é totalmente justo, santo, bondoso, etc. O amor de Deus é amor justo, a justiça é
santa, etc. Nesse sentido, ser fiel ao sentido bi ́blico é falar do amor santo de Deus, ou do amor fiel, assim
como do amor justo, sem incidir no erro de dar mais importância a um atributo em detrimento dos demais.
Deus é eterno (SI 90.2; Rm 11.33; Ef 3.21; lTm 6.16), sendo o criador do tempo (Hb 1.2). Por sua eternidade,
Deus, como já considerado, é transcendente e imanente, pois ele não está limitado ao tempo ou espaço. Por
fim, Deus é a verdade, e sua Palavra é o parâmetro final da verdade. Por não poder mentir nem se arrepender
(lSm 15.29), Deus é o padrão da racionalidade.
ele é amor e é a fonte do amor.
Esse amor sempre existiu entre as pessoas da Trindade. Seu amor está sempre ligado à misericórdia
(Ef 2.4; T t 3.5). Isso significa que Deus não nos dá o que merecemos, mas, pela graça, nos dá o que não
merecemos. A paciência de Deus é evidente em sua graça comum. Por meio dela, Deus concede ampla
oportunidade de os homens buscá-lo, dando-lhes as bênçãos da existência, apesar de serem rebeldes contra
ele (At 14.16-17; Rm 9.22). A graça especial é aquela pela qual Deus salva os eleitos (Ef2.8,9). Como
aprendemos nas Escrituras, nem sempre Deus pune os pecadores como eles merecem, e mostra graça e
misericórdia a alguns. Deus é fiel (ljo 1.9; Ap 19.2). Essa afirmação nos relembra que o povo pactuai pode
descansar seguro no fato de que Deus cumprirá suas promessas pactuais.
Outro grupo de atributos são aqueles ligados à santidade de Deus.
Além de enfatizar a majestade e gló ria de Deus (Êx 24.17), que o distin guem de suas criaturas, a
santidade de Deus ensina que ele está afastado de qualquer pecado, não tolerando sua presença, revelando
a profundidade do pecado, inspirando temor e separação (Jó 34.10; Is 6; 59.2). Sua santidade é revelada na
lei moral, como resumida nos dez mandamentos. Deus é bom, e sua bondade é determinada por Deus, de
acordo com sua própria natureza boa. Por isso, não existe nenhum padrão do bem além de Deus. E tudo que
ele faz é bom (SI 145.17). A justiça de Deus está relacionada com sua retidão, sempre agindo
consistentemente com sua justiça. Derivada de sua bondade, justiça e retidão, é adequado falar da ira de
Deus. Esta é a expressão de sua justiça contra o pecado, que é contrário à sua santidade (SI 78.31; Os 5.10;
Jo 3.26; Rm 1.18s.; Ef 2.3; lTs 1.10; Ap 6.16).
Por fim, não existe tensão entre a santidade e o amor de Deus. A santidade exige que a pena do
pecado seja paga (Rm 1.18-32; 2.1—3.20), e o amor age para que alguns sejam justificados, para entrar em
comunhão com ele (Rm 1.17; 3.21). A união entre esses atributos é demonstrada na cruz. Nela, o eterno
Filho de Deus se entregou, como nosso representante (Rm 5.12-21), para satisfazer a santidade do Pai,
ofendida por nossos pecados, e para proporcionar perdão para todos quantos confiam em Cristo.