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Culturas de Urbanismo e Mobilidade

O que leva ao crescimento das cidades: desde construções e melhoramentos de várias


instituições até a bairros?

As cidades, tal como as conhecemos hoje, não são um conceito recente, mas sim, um
resultado de anos de história e de evolução das sociedades para a sociedade contemporânea
em que vivemos.
No contexto português, especialmente no século XX, observámos migrações em massa,
das zonas rurais para as zonas urbanas do país. Este êxodo foi impulsionado pela falta de
condições de vida em aldeias e vilas pouco ou nada desenvolvidas, que levaram a população a
procurar nas cidades, melhores condições de trabalho, de habitação, de ensino, de saúde, entre
outros requisitos sociais.
Com a franca industrialização das cidades, novos postos de trabalho são criados,
proporcionando aos migrantes rurais, oportunidades de inserção na sociedade e na economia
do país, levando-os a estabelecerem-se por tempo indefinido nas zonas ocupadas. Aqui, com as
suas necessidades parcialmente assistidas pelos órgãos sociais, e por vezes, em ambiente de
total indigência, refazem as suas vidas, aumentando a família, o que por sua vez, faz surgir
novas construções (provisórias e mal estruturadas) e com estas, novas zonas de habitação.
De forma semelhante, os imigrantes de diferentes pontos do mundo, chegam aos
milhares (em fluxos periódicos que se vão superando em termos de número), com vistos
permanentes ou temporários e, muitas vezes, ilegalmente. Fogem, sobretudo, da escassez de
empregos, da pobreza, de políticas intolerantes, e até, de conflitos armados nos seus países de
origem, esperando encontrar soluções num país democrático, conhecido pela sua
diversificação social. Porém, nem sempre conseguem ver os seus sonhos realizados.
Com este crescimento demográfico acelerado e repentino, as principais cidades ficam
desordenadas, pois não estão preparadas, em termos de capacidade e de recursos, a acolher
todas as pessoas que a elas acorrem. Grande parte das pessoas (migrantes e imigrantes, não
contando com turistas) que se deslocam para as cidades é obrigada a distribuir-se por zonas de
periferia, invadindo, muitas vezes, propriedades privadas e zonas protegidas, construindo aí as
suas precárias habitações, desprovidas de planos construtivos e de planos de sustentabilidade,

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infraestruturas e condições necessárias a uma vida digna na sociedade em que se encontram
inseridas. Surgem assim, os bairros clandestinos e os bairros sociais.
É, então, necessário responder a estes problemas, procedendo-se a reformas
consideráveis, com o objetivo de se criarem estruturas eficazes, organizando, em simultâneo, o
crescimento urbano das cidades e encontrando um equilíbrio entre as construções antigas e as
novas construções que vão surgindo espontaneamente. Recorre-se a estudos ambientais, de
ordenamento, de urbanização e de planeamento habitacional, com o objetivo de melhorar a
vida das pessoas. Cada bairro é um caso e por isso, alvo de intervenções específicas, que visam
corrigir erros antigos de construção e oferecer melhores condições de habitabilidade à sua
população, através de programas de requalificação de edifícios, da implementação de novas
instituições sociais e do melhoramento das já existentes, e do realojamento de moradores de
bairros clandestinos. Deste modo, a cidade sofre várias transformações, sobretudo, a nível
económico, social e arquitetónico, o que se reflete no dia-a-dia dos seus habitantes e na forma
com vivenciam o património, os espaços públicos, as instituições sociais, a comunidade e a
própria identidade da urbe.

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